segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A supremacia das Escrituras e a primazia da pregação

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O apóstolo Paulo, o maior bandeirante do Cristianismo, fechando as cortinas da vida, na antessala de seu martírio, ordenou a Timóteo: “Prega a palavra…” (2Tm 4.2). Uma coisa é pregar a palavra, outra coisa é pregar sobre a palavra. A palavra é o conteúdo da pregação e a autoridade do pregador. O pregador não é a fonte da mensagem, mas seu instrumento. O pregador não produz a mensagem, transmite-a. O pregador é um arauto; a mensagem não é sua, mas daquele que o enviou. Seu papel não é tornar a mensagem mais palatável aos ouvidos das pessoas, mas transmiti-la com fidelidade. Duas verdades devem ser destacadas no texto de 2Timóteo 4.2.

Em primeiro lugar, a supremacia das Escrituras. Paulo escreve: “Prega a palavra”. Paulo não ordena a Timóteo a pregar suas próprias ideias nem o autoriza a pregar a mensagem mais popular da época. Timóteo deveria pregar a palavra. Não temos outra mensagem a transmitir a não ser a palavra de Deus. O pregador não pode criar a mensagem; é sua incumbência transmiti-la. Não tem o direito de sonegar parte da mensagem que recebe; deve comunicá-la com inteireza. Hoje, muitos pregadores pregam outro evangelho. Um evangelho que não tem boas novas de salvação. Um evangelho fabricado no laboratório do enganoso coração humano. Um evangelho que atrai multidões, mas não tem poder para transformá-las. Um evangelho humanista, centrado no homem, e não o evangelho da graça, centrado em Cristo e na sua obra redentora. Floresce hoje o espúrio evangelho da prosperidade, prometendo aos homens as riquezas e glórias deste mundo, mas sonegando a eles a palavra da salvação eterna. Recrudesce um evangelho místico, sincrético, com fortes laivos de paganismo, desviando os incautos da cruz de Cristo, para sua própria ruína e destruição. Ah, é tempo da igreja voltar-se para o lema da Reforma: “Sola Scriptura”! É preciso interromper essa marcha inglória de uma pregação cheia do homem e vazia de Deus; uma pregação que promete curas, milagres e prosperidade, mas não oferece aos perdidos a vida eterna em Cristo Jesus. É preciso colocar em relevo a mensagem da graça e erguer o estandarte da cruz onde os pregadores infiéis drapejam a bandeira de perigosas heresias. Precisamos de uma volta ao Cristianismo apostólico, onde a igreja reconheça a supremacia das Escrituras e coloque a palavra de Deus no centro do culto, da pregação e da vida.

Em segundo lugar, a primazia da pregação. Paulo escreve: “Prega a palavra”. Uma vez que temos a palavra de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus, inerrante, infalível e suficiente não podemos guardá-la apenas para nós. A palavra que nos foi confiada precisa ser transmitida. A mensagem que recebemos deve ser proclamada com fidelidade, entusiasmo e urgência. Não basta reconhecer a supremacia das Escrituras; é preciso estar comprometido com a primazia da pregação. Sonegar a palavra é privar as pessoas de conhecer a graça de Deus. Reter a mensagem da salvação é uma atitude cruel com os perdidos, uma vez que a fé vem pelo ouvir a palavra. Deus chama os seus escolhidos por meio da palavra. A palavra de Deus é poderosa. Tem vida em si mesma. É a divina semente, que semeada em boa terra produz a trinta, a sessenta e a cento por um. Nunca volta para Deus vazia. Sempre cumpre o propósito para o qual foi designada. Cabe à igreja levantar-se, no poder do Espírito Santo, e pregar a tempo e a fora de tempo essa palavra da vida. Cabe à igreja instar com os pecadores para que se voltem para Deus em arrependimento e fé. É responsabilidade da igreja corrigir, repreender e exortar a todos, com toda a longanimidade e doutrina, pois multiplicam-se os falsos mestres, movidos por sórdida ganância, atraindo para si aqueles que sentem coceira nos ouvidos, entregando-se a fábulas, em vez de ouvir a mensagem da graça. Que Deus traga sobre nós um poderoso reavivamento espiritual, colocando a igreja de volta nos trilhos da verdade, a fim de que ela entenda a supremacia das Escrituras e se comprometa com a primazia da pregação.

E quando Deus não atende nossa oração?

Ora1

Por Maurício Zágari

O que devemos fazer quando estamos enfrentando um problema; oramos, oramos e oramos a Deus… mas não recebemos o que pedimos? Isso ocorre muitas vezes em nossa vida: simplesmente nossa oração não é atendida. A sensação que temos, nesses casos, é que Deus ou não nos ouviu ou nos virou as costas. Bem, na verdade não é isso o que ocorre. Há um acontecimento na vida de Paulo que pode nos conduzir a uma reflexão bem interessante sobre orações não atendidas.

Para pensarmos sobre essa questão, precisamos ler a famosa passagem do espinho na carne. “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos [...] foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. [...] E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.2-9).

Pense bem: o que diferencia essa experiência de Paulo da sua experiência pessoal? Vejamos: Paulo tem um problema. Você tem um problema. Paulo ora a Deus pedindo uma solução. Você ora a Deus pedindo uma solução. Paulo não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Você não vê sua oração ser respondida da primeira vez. Paulo persiste na oração, orando uma segunda vez. Você persiste na oração, orando uma segunda vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Paulo ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Você ora sem cessar, clamando uma terceira vez. Paulo não é atendido. Você não é atendido. Tudo igualzinho, reparou? A experiência do apóstolo em nada difere da sua. Só que, no caso dele, aconteceu um fenômeno que com você não acontece. É um detalhe nessa passagem que, a meu ver, é de suma importância.

Deus explicou.

Estas palavras de Paulo fazem toda a diferença: “Então, ele me disse…”. Sim, o Senhor verbalizou ao apóstolo, deu a ele uma explicação audível para o fato de não ter atendido seu clamor. E isso tirou do coração de Paulo toda a angústia que sente a pessoa que ora mas não é atendida. Havia uma explicação. Havia uma motivo cognoscível para aquilo. Mesmo que seu desejo não tivesse sido satisfeito, Paulo agora sabia a razão. E podia seguir em paz, pois tomou conhecimento do que levou Deus a não lhe conceder o que queria. E essa é a grande diferença da experiência de Paulo para a sua: ele recebeu uma justificativa. Com você e comigo isso não acontece. Ninguém nos diz por que nosso pedido ao Todo-poderoso foi negado.

Faça um exercício de imaginação. Suponha que Deus tivesse ficado quieto e simplesmente não explicasse a Paulo o porquê de não ter atendido aos seus pedidos. O apóstolo permaneceria ali, clamando, em angústia de alma, cheio de perguntas na cabeça. “Será que Deus não me ouviu?”. “Será que Deus só me atenderá daqui a muitos anos?”. “Será ao menos que Deus atenderá ao meu clamor algum dia, mesmo que demore?”. “Será que os céus se fecharam a mim?”. “Será que os meus pecados impedem Deus de atender minha oração?”. Será que o Diabo está impedindo Deus de atender meu clamor?”. Será, será, será, será, será…?

Paulo poderia ter feito isso, e não seria nenhuma novidade. Afinal… não é exatamente o que nós fazemos?

Deus decidiu em sua soberania que simplesmente não iria atender a oração de Paulo. Não teve nada a ver com falta de fé, ação do Diabo, pecado não confessado, nada disso. Simplesmente o Senhor disse “não” à oração do apóstolo porque queria proteger seu filho amado de pecar pela soberba. E é precisamente o que ele faz conosco em muitas e muitas situações semelhantes. Nós oramos, clamamos, nos esgoelamos, mas não somos atendidos. E aí os “será” invadem nossa mente e ficamos angustiados, cheios de conjecturas, sofrendo, questionando até mesmo a onisciência de Deus: “Será que ele não ouviu minha oração?”.

Claro que ouviu. Deus ouve todas as orações. E antes mesmo de orarmos ele já sabe o que vamos falar: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda” (Sl 139.4)“. Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. O que acontece é que ele decide não nos dar o que pedimos. Ouve, pondera e responde com um grande “não”. Ponto. Não há fé no mundo que altere a vontade soberana do Criador do universo. Paulo não tinha fé? Possivelmente a maior do mundo. Mas Deus quis não atender seus pedidos, porque, por saber tudo, entendia que, no grande plano de causas e consequências do universo e da eternidade… não atendê-los era o melhor. Inclusive, era o melhor para o próprio apóstolo, embora ele não soubesse, visto que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). A grande vantagem de Paulo é que o Senhor disse de forma inequívoca que tinha escutado a oração mas não a atenderia. Conosco ele não faz isso. Temos de nos contentar com o silêncio. Não vem resposta. O que pedimos não acontece. Ficamos impacientes, como se o Pai tivesse a obrigação de nos atender só porque oramos com fé. E não entendemos nada.

Em vez de ficar imerso em “será”, talvez Paulo partisse para a ação se Deus não tivesse afirmado explicitamente a ele que sua oração não seria atendida. É possível que orasse uma quarta vez, uma quinta, uma sexta, uma sétima. Talvez ficasse anos orando. E ficaria a ver navios, porque, apesar de sua inequívoca grande fé, Paulo estava debaixo da soberana vontade de Deus – e, para aquela oração, a resposta da soberania divina era “não”. Se Paulo fosse um crente temperamental ou imaturo, ele poderia “ficar de mal” com o Senhor ou até mesmo se desviar da fé. Não é o que muitos de nós fazemos? Como não recebemos de Deus o que pedimos o largamos para lá? Ou então tomamos as rédeas da situação e agimos pela força da nossa mão? Quero a cura, mas, como não fui curado, vou procurar um pai de santo. Quero prosperidade, mas, como não tive um aumento de salário, vou atrás de facilidades. Quero que liberem o meu processo na Prefeitura, mas, como não liberaram, vou dar propina. Quero me casar, mas, como não encontrei ainda a pessoa ideal, vou buscar no mundo. E coisas do gênero.

Deus é muito sábio. O silêncio dele é uma maravilhosa maneira de ver que tipo de crentes somos nós. Se o Senhor explicasse suas decisões e seus “não” a cada um de nós… aí seria fácil. Mas o fato de ele decidir não atender e – também – não responder nossa oração mostra o alcance de nossa fé, estimula nossa perseverança e nos testa, para ver até onde estamos dispostos a segui-lo e servi-lo tendo somente a graça divina em nossa vida. A graça dele nos basta. Ele sabe disso; nós é que não nós contentamos com ela, queremos porque queremos também as bênçãos. O silêncio de Deus ante uma oração não atendida é a maneira de o Senhor nos mostrar quem nós somos: se perseverantes, servis, fiéis, homens e mulheres de fé, murmuradores, interesseiros, compromissados… ou não.

Tenho visto que o problema maior entre nós, cristãos, não é Deus não atender nossas orações, mas ele não respondê-las. Como o silêncio divino é a regra (o que ele fez com Paulo é a exceção), isso nos tira do sério. O caminho para permanecermos inabaláveis na nossa fé e no relacionamento com o Senhor é sabermos que ele está agindo por trás do véu do silêncio. E, se não temos uma resposta, isso absolutamente não significa que ele não nos ouviu. Devemos abandonar essa ideia infantil. Deus é onisciente, ele ouve tudo, ele sabe tudo. Mas muitas vezes decide que atender nossos pedidos não é o melhor. Se confiarmos nele, isso nos conformará e confortará.“Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Se não confiarmos… é hora de repensarmos todo o nosso relacionamento com o Senhor, porque estamos muito longe de entendê-lo.

Deus vai negar muitos dos teus pedidos. Mas tenha esta certeza: isso não significa que ele não ouviu tua oração. Foi exatamente o que aconteceu com Paulo. É o que acontece conosco. Num caso raro, o apóstolo foi presenteado com uma explicação da boca de Deus. Nós não somos. Diante disso, nosso papel é orar, perseverar em oração e esperar com paciência. E se, depois de tudo isso, não formos atendidos, que tenhamos sempre em nossos lábios as palavras de Jó: “O SENHOR o deu, o SENHOR o levou; louvado seja o nome do SENHOR ” (Jó 1.21). Como escreveu o mesmo Paulo: “Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.17-18). Orou mas não recebeu o que pediu? Dê graças. Em todas as circunstâncias dê graças. Ou seja: agradeça. Pois, se não recebeu, é porque não receber é o melhor. Não receber é pão e peixe. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.9-11).

Obrigado, Pai, porque minha oração não foi atendida. Agradeço por isso, pois sei que, se o Senhor decidiu não atendê-la… o teu “não” é o melhor para mim.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Justificados, pois, pela fé


Por Thomas Watson

a. O que quer dizer justificação?

É uma palavra forense. Refere-se a uma pessoa acusada que é declarada justa e publicamente absolvida. Quando Deus justifica uma pessoa, declara a pessoa justa e olha para ela como se não tivesse pecado.

b. Qual a fonte da justificação?

A causa, ou o motivo interior que a estimula ou a base da justificação é a livre graça de Deus: “Sendo justificados livremente por sua graça”. Ambrósio, expondo sobre a justificação, diz que ela não é “da graça produzida internamente por nós, mas da livre graça de Deus”. A primeira engrenagem que põe todo o restante em funcionamento é o amor e o favor de Deus, assim como um rei livremente perdoa um delinquente. A justificação é uma misericórdia provinda das entranhas da livre graça. Deus não nos justifica porque temos valor, mas ao nos justificar nos faz de grande valor.

c. Qual é o fundamento pelo qual o pecador é justificado?

O fundamento de nossa justificação é a satisfação que Cristo proporciona às exigências de Deus Pai. Pode-se perguntar: “Como se relacionam a justiça e a santidade de Deus quando ele nos declara inocentes visto que somos culpados?” A resposta é: “Quando Cristo satisfez nossas faltas, Deus pôde, em equidade e em justiça, declarar-nos justos”. É uma coisa justa um credor perdoar alguém que deve uma grande quantia quando ela é paga por um fiador.

d. A satisfação obtida por Cristo tem mérito suficiente para justificar?

Sim, plenamente na natureza divina de Cristo. Como homem, Cristo sofreu, como Deus, satisfez. Pela morte e pelos méritos de Cristo, a justiça de Deus foi mais abundantemente satisfeita do que se tivéssemos sofrido as dores do inferno para sempre.

e. Qual é o método de nossa justificação?

Pela imputação da justiça de Cristo em nós: “Será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa” (Jr 23.6). “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça” (1 Co 1.30). Essa justiça de Cristo, que nos justifica, é melhor que a dos anjos, pois a justiça deles é das criaturas e essa é de Deus.

f. Qual é o meio ou instrumento de nossa justificação?

O instrumento é a fé. “Justificados… mediante a fé” (Rm 5.1). A dignidade não está na fé como uma graça, mas de modo relativo, na medida em que se apega aos méritos de Cristo.

g. Qual é a causa eficiente de nossa justificação?

Toda a Trindade, visto que todas as pessoas da bendita Trindade participam da justificação de um pecador: Deus, o Pai, justifica: “É Deus quem os justifica” (Rm 8.33). Deus, o Filho, justifica: “E, por meio dele, todo o que crê é justificado” (At 13.39). Deus, o Santo Espírito, justifica: “Mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11). Deus, o Pai, justifica ao nos declarar retos; Deus, o Filho, justifica ao impor sobre nós sua justiça; e Deus, o Espírito Santo, justifica ao esclarecer nossa justificação e nos selar até o dia da redenção.

h. Qual é o propósito de nossa justificação?

i. A glorificação eterna de Deus

A finalidade é que Deus receba louvores: “Para louvor da glória de sua graça” (Ef 1.6). Pela justificação, Deus levanta os eternos troféus de sua própria honra. Como o pecador justificado proclamará o amor de Deus e fará os céus a ressoarem com os louvores ao nome do Senhor!

ii. A glorificação eterna do justificado.

O fim de nossa justificação é que a pessoa justificada receba a glória. “Aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8.30). Deus, quando justifica, não somente absolve a alma culpada, mas dignifica. Como José, que não foi somente solto da prisão, mas feito senhor do reino, a justificação é coroada com a glorificação.

sábado, 23 de novembro de 2013

O FRUTO DO COMPROMETIMENTO


Por Pr. Silas Figueira

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou em quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. (Gl 2.19,20) 

PAULO UM EXEMPLO DE COMPROMETIMENTO   

“Ele era um homem de pequena estatura”, afirmam os Atos de Paulo, escrito apócrifo do segundo século, “parcialmente calvo, pernas arqueadas, de compleição robusta, olhos próximos um do outro, e nariz um tanto curvo.”

O nome judaico de Paulo é Shaul (Saul ou Saulo). O apóstolo fora assim chamado provavelmente por pertencer à tribo de Benjamim, a qual historicamente teve o rei Saul como seu integrante mais famoso. O cidadão romano Paulo (seu nome latino) nascera em Tarso, antiga capital da Cilícia, situada junto ao rio Cidno. A cidade fora helenizada e se tornara um centro de cultura grega, chegando a contar com cerca de quinhentos mil habitantes.

Paulo cresceu em meio à tradição judaica religiosa, muito bem instruído na Torá hebraica (At 26.4-8), e aprendeu o grego, o hebraico e aramaico (língua comum entre os judeus na época). Adquiriu o ofício de fazedor de tendas (At 18.3). Ainda muito jovem, Paulo foi estudar com o famoso rabino Gamaliel, neto de Hilel (At 22.3). Como fariseu, Paulo tornou-se um estrito seguidor da lei e da tradição judaicas (Fl 3.5).

Depois de tornar-se um dos principais perseguidores da igreja cristã primitiva como diz Atos 8.3:“Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” , Paulo converteu-se a Cristo, de forma extraordinária, na famosa estrada de Damasco (At 9.1-19). Junto com a conversão, Paulo recebeu o chamado apostólico para pregar o evangelho de Cristo ao mundo gentílico (At 9.15).

A conversão de Paulo ocorreu provavelmente entre os anos 32-35, sendo seguida por uma viagem à Arábia e depois foi para Damasco. Durante três anos Paulo esteve recebendo do Senhor as revelações a respeito do Evangelho:

“Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco”.

Assim como o profeta Jeremias, o apostolo Paulo também foi separado para uma grande obra antes do seu nascimento. Nós encontramos aqui a soberania de Deus em relação às pessoas que Ele chama e para qual propósito Ele chama. Temos na Bíblia outros exemplos claros de que é o Senhor que nos escolhe, e alguns com um propósito específico; por exemplo: Sansão, chamado para ser juiz (Jz 16.17), Jeremias, chamado para ser profeta (Jr 1.5), João Batista, chamado para ser o último profeta e anunciar a vinda do Messias Jesus  (Lc 1.13-17) e todos os salvos (Ef 1.3-7).

PAULO UMA VIDA DEDICADA A DEUS

Quando o apóstolo Paulo disse que estava crucificado com Cristo, ele estava dizendo do seu comprometimento que ele tinha com Deus, da sua vida entregue para um único propósito que era a glória de Deus. Comprometimento é diferente de envolvimento. Observe o exemplo abaixo:

Todos já ouvimos falar da ilustração do “X BACON”, que relaciona muito bem o envolvimento e o comprometimento. Para que o “X Bacon” seja realidade, dois produtores precisam agir: a galinha e o porco. A galinha entrega o seu serviço em dia (o ovo) e se despede; o porco entrega a vida para que haja o bacon e só assim é possível ter um produto completo (o X Bacon). Esta história ilustra os colaboradores envolvidos no processo e os comprometidos com o processo.

O apóstolo Paulo foi um homem comprometido e não somente envolvido na causa do evangelho, notamos isso através do seu trabalho em prol do Evangelho. O volume de produção de epístolas é tremenda, só ele escreveu 13 epístolas ao todo, e sua abrangência vai do campo teológico, ético, social, político até o econômico. A sua biografia revela o quanto ele se envolvia intensamente no que fazia. Sua conversão e os momentos que a ela se seguem comprovam tal afirmativa. Depois dos acontecimentos na estrada de Damasco (At 9.1-30), Paulo alterou radicalmente e surpreendentemente seu rumo de vida. A experiência foi tão profunda que o levou a isolar-se no deserto por algum tempo, a fim de ajustar seus ideais e princípios ao projeto de vida que esse no rumo exigia (Gl 1. 17,18).

Em Paulo, o chamado de Cristo reflete-se tanto no ato de entregar a vida no altar (Rm 12.1) como na autonegação descrita em Gálatas 2.20: “Estou crucificado com cristo”. Em suma, a salvação de acordo com Paulo não está apenas em conquistar a isenção das penas do inferno, mas, antes disso, em recolocar-se no estado de total dependência incondicional e total de Deus:

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2Cr 5.17).

Em outras palavras, o cerne do evangelho não é meramente a salvação da alma do indivíduo, nem a concessão de uma apólice de seguro contra o fogo do inferno e dos efeitos escatológicos. Esse conceito de salvação, que se baseia mais na cruz que na ressurreição de Jesus Cristo, está fundamentada numa cosmovisão antropocêntrica, já que busca apenas os interesses humanos.

Considerando, portanto, que a queda do homem teve fortes traços éticos e não apenas teológicos, a essência do evangelho consiste em colocar aquele que está em Cristo na posição originalmente perdida na queda, ou seja, de dependência de Deus. Por isso a ressurreição de Cristo é o tema prioritário da agenda de Paulo (1Co 15.2-58). Para Paulo o viver é Cristo e Cristo foi um exemplo de entrega e de total dependência do Pai.

RENOVAÇÃO DA MENTE PARA VIVER NA DEPENDÊNCIA DE DEUS

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. (Rm 12.2).

A palavra “transformar” no grego é “metamorfose”, o processo da lagarta para a borboleta. Mas aqui o texto vai muito mais além. A palavra traduzida por “transformai-vos”, é a mesma empregada em Mt 17.2, onde a cena da transfiguração do Senhor Jesus é descrita. A passagem de 2Co 3.18 também contém esse vocábulo, onde lemos que “... com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Essa transformação, pois, visa a natureza espiritual e não a aparência externa. Essa transformação é segundo os moldes da imagem de Cristo, o que se processa de glória em glória, ou seja, de um estado glorioso para outro.

Essa metamorfose que Paulo se refere em Romanos 12.2 só é obtida pela renovação da mente, daí a incapacidade humana de chegar a ela por si mesmo. No entanto, Paulo mostra que o homem espiritual tem a mente de Cristo, por isso é capazes de compreender as coisas do Evangelho (1Co 2.15,16) e uma vez compreendidas, a ação do evangelho na vida da pessoa permite que os olhos do coração se iluminem. Renovar a mente requer alteração dos padrões de conduta e opções de escolhas já presentes na estrutura mental e emocional da pessoa. Como isso é possível? O próprio apóstolo explica ao jovem Timóteo o papel das escrituras na renovação da mente:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3.16,17).
    
A renovação da mente vem pelo meditar nas Escrituras. Meditação, e não apenas leitura, para que a pessoa esteja preparada para conhecer “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2b). Com a mente de Cristo, as coisas espirituais não lhe parecerão loucura.

COMPROMETIMENTO NÃO NOS ISENTA DAS PERSEGUIÇÕES

Paulo começou, na sinagoga de Damasco, a dar testemunho de sua fé recém-encontrada. O tema de sua mensagem concernente a Jesus era: “Este é o Filho de Deus” (At 9:20). Mas Paulo tinha de aprender amargas lições antes que pudesse apresentar-se como líder cristão confiável e eficiente. Descobriu que as pessoas não se esquecem com facilidade; os erros do homem podem persegui-lo por um longo tempo, mesmo depois que ele os tenha abandonado. Muitos dos discípulos suspeitavam de Paulo, e seus ex-companheiros de perseguições o odiavam. Ele pregou por breve tempo em Damasco, foi-se para a Arábia e depois voltou para Damasco.

A segunda tentativa de Paulo de pregar em Damasco igualmente não teve bom resultado. Um ano ou dois haviam decorrido desde a sua conversão, mas os judeus se lembravam de como ele havia desertado de sua primeira missão em Damasco. O ódio contra ele inflamou-se de novo e “deliberaram entre si tirar-lhe a vida” (At 9:23). A dramática história da fuga de Paulo por sobre a muralha, num cesto, tem prendido a imaginação de muitos.

Os dias de preparação de Paulo não estavam terminados. O relato que ele faz aos gálatas continua, dizendo: “Decorridos três anos, então subi a Jerusalém. . .“ (Gl 1:18). Ali ele encontrou a mesma hostil recepção que teve em Damasco. Uma vez mais foi obrigado a fugir.

Paulo desapareceu por alguns anos. Esses anos que ele passou escondido deram-lhe convicções amadurecidas e estatura espiritual de que ele necessitaria em seu ministério.

Estava se cumprindo na vida de Paulo aquilo que o senhor havia falado para Ananias quando este foi orar pelo apostolo: “pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. (At 9.16).

Através do ministério de Paulo nós aprendemos que a nossa alegria não está baseada nas coisas ao nosso redor, mas no Deus maravilhoso que servimos e que está dentro de nós na pessoa do Espirito Santo. Por isso que o apóstolo nos ensina está verdade dizendo: “porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fl 4.11).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Eu não tomo mais banho!!



Tudo que um filho de Deus faz deve ter clara direção, ordem,  motivos bíblicos. Quando argumentamos sem claro ensino bíblico, quando argumentamos sem a Bíblia, argumentamos como ímpios. A lista a seguir parece espelhar razões que as pessoas dão para não ir e estar em comunhão numa igreja local, não estar em comunhão com a comunidade dos santos... deixar de congregar como Deus ordena.

Se você tem dado as mesmas desculpas que as pessoas usam para não estar numa igreja local e aplicá-las para outras áreas importantes da vida, você percebe como é inconsistente a lógica usada, (apesar de que nenhuma lógica sem a Bíblia seria argumento válido também!)

Eu não tomo mais banho porque,

1. Fui obrigado a tomar banho quando era criança.

2. As pessoas que tomam banho são hipócritas. Eles pensam que são mais limpas do que qualquer outra pessoa que não tome banho.

3. Existem tantos tipos diferentes de sabonete, eu nunca poderia decidir qual deles é o melhor.

4. Eu costumava tomar banho, mas isso me cansou, então eu parei.

5. Eu tomo banho somente em ocasiões especiais, como Páscoa e Natal...

6. Nenhum dos meus amigos toma banho.

7. Eu ainda sou jovem. Quando eu estiver mais velho e estiver, com o passar to tempo, um pouco mais sujo, eu poderei começar a tomar banho.

8. Eu realmente não tenho tempo para tomar banho.

9. O banheiro nunca está suficientemente quente no inverno ou o suficiente fresco no verão.

10. As pessoas que fazem sabão só estão atrás do seu dinheiro.



11. Eu me sinto muito bem sem tomar banho.

12. Eu trabalho duro a semana toda e estou muito cansado para tomar um banho no fim de semana.

13. O primeiro sabonete que usei me deu alergia, então eu não vou mais chegar perto de um sabonete ou banhero outra vez.

14. Eu não entendo as palavras escritas na parte de trás da embalagem do sabonete.

15. Não me sinto sujo, e eu estou ofendido de que as pessoas me digam que eu estou.

16. Eu não tenho toalhas agradáveis ​​ou um roupão de banho adequado.

17. Quando Deus quiser que eu tome banho Ele fará chover sobre mim.

18. O banheiro que tenho agora não é tão bom quanto o meu antigo banheiro.

19. Eu sou tão limpo quanto as pessoas que tomam banho.

20. Eu tomei banho uma vez e não gostei.

21. Eu gosto de ser sujo.

22. Tomar banho é para pessoas inseguras.

23. Se tomasse banho, eu tomaria num rio, caverna... como as pessoas faziam a milhares de anos atrás.

24. Ninguém na minha família e entre meus amigos toma banho.

25. Eu não acredito no banho, e eu sou sincero em acreditar que estou limpo.


A lista é de autor desconhecido.

A beira de um colapso!

Por Josemar Bessa

Como você caracterizaria todos os teus problemas, todas as tuas aflições, todas as tuas perdas, todas as tuas decepções? Por mais esmagadoras que elas sejam... como você as caracterizaria? Temos a tendência de ver essas coisas em nossas vidas com um peso muito maior do que em qualquer outro lugar.

O grande drama dos que se hoje se dizem cristãos é a perspectiva. A perspectiva cristã de nossos dias não difere quase nada de todas as pessoas a nossa volta que nada sabem sobre regeneração, novo nascimento, morte expiatória, graça... A perspectiva demonstrada por Paulo é verdadeiramente estarrecedora. Ele considera aflições terríveis, sofrimentos incríveis, tanto em quantidade quanto em profundidade, como “leve e momentânea tribulação” (2Co 4.17). É essa perspectiva que todos a nossa volta estão vendo em nós? Lembre que as tribulações que Paulo estava experimentando tanto física quanto na alma, eram aflições tiranas e constantes. Sob aflições bem menores a grande maioria se torna completamente inútil para todo o propósito para o qual Deus nos chamou e nos deixa estar na terra – a Glória do Seu Nome!

Paulo chama as sua grandes aflições de “leve e momentânea” – nós podemos vê-las como tiranas e constantes – Mas vemos assim por causa de nossa perspectiva terrena. Uma perspectiva tão terrena que nos leva a ver o evangelho como algo que deve e que existe para nos livrar dessas aflições simplesmente. Não é por isso que as multidões estão nos cultos? Não é com base nisso que a pregação hoje está centrada? Perspectiva terrena, não é diferente de perspectiva diabólica, pois a glória de Deus não é o objetivo, não é a alegria, não é o deleite desejado.

Paulo via todas as aflições com a perspectiva de como devemos ver a vida – e então ele considerava elas nesse nível – elas eram momentâneas como o vapor que a vida é: “Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.” - Tiago 4:14 – Paulo então chama, por causa de uma perspectiva celestial da vida, aflições tiranas e constantes, vinda de todos os lados de “leve” – leve como uma pena – elaphros – a palavra no grego significa “ninharia sem importância!”

Perspectiva! Qual é a tua – Paulo diz: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” - Atos 20:24 – Essa perspectiva de vida fez Paulo dizer que todas as aflições eram “ninharias sem importância” – Essa não tem sido a ênfase hoje, portanto, Deus não pode ser glorificado na vida da igreja espalhada no mundo!

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” - 2 Coríntios 4:17 – Por um lado Paulo define todos os problemas presentes em sua vida presente, e por outro lado a perspectiva da glória futura e ele as relaciona. É como se estivesse colocando em uma balança. Em primeiro lugar ele pões todas as aflições, tratamento brutal, flagelações, anos nas prisões romanas terríveis, apedrejamento, espancamento público, horas de fome e sede, vestido em trapos, sendo amaldiçoado por sua geração, tornando-se, como ele define: “a escória do mundo!”. Naufrágios, ou seja acidentes, perigos em rios, perigos no mar, perigos nas estradas, perigos de assaltantes, perigos nas cidades... enfermidades, pressão da sentença de morte... junto a isso as pressões e preocupações, diz ele, com as igrejas – que lhe davam grandes tristezas muitas vezes – Corinto, Galácia...

Na verdade, basta carregar um homem com problemas, e em nossa geração ele logo estará a beira de um colapso. Mas Paulo usa para tudo isso as palavras de Cristo: “Meu fardo é leve” – elaphros – Paulo chamou tudo isso de “Leve e momentânea tribulação” – Isso é Cristianismo – Esse é o resultado do “tudo se fez novo” – Como ele mesmo diz em 2 Coríntios 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Meu “fardo é leve” – diz Paulo, é leve como Cristo diz que seria! Leve por causa da perspectiva. Um levantador de peso numa competição não se queixa. Ele é, afinal de contas, um levantador de peso e não levantador de flocos de neve. Portanto ele não espera nada do tipo: “amanhã vou levantar flocos de neve!” – Não! Ele é um levantador de peso – num arranque o levanta acima da cabeça, mantém lá por oito segundos e fim. É um fardo momentâneo. Mas isso só é possível se estivermos na mesma perspectiva de Cristo e na de Paulo. Sem ela, não será leve, mas um peso tirano e que nos leva ao colapso.

Cristo tinha levado o peso da culpa e da vergonha do apóstolo Paulo, ( como de todos os que de fato estão em Cristo, foram regenerados...) e ele chamou Paulo, e todos nós se somos chamados, para tomar a sua cruz e segui-lo. Paulo não esperava uma mochila agradável e acolchoada cheia de espuma quando Cristo foi esmagado debaixo daquele santo julgamento de Deus!

Perspectiva! Paulo está dizendo que viver para a glória de Deus neste mundo não te livra de sofrimento algum e torna a perseguição inevitável... Sofrimento real! Mas diz que quando comparados ao que nos espera no futuro, eles são, na pior das hipóteses, leves e triviais. Só o sofrimento é “redimido” – quando vemos o quanto este coopera para a nossa glória eterna – “...nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” - 2 Coríntios 4:17 – Todos os apóstolos reforçam constantemente essa perspectiva: “Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” -1 Pedro 1:6-8 - O efeito desse sofrimento não é meritório, mas é produtivo: “...produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” - 2 Coríntios 4:17

O mundo está vendo em nós um crer alegre, cheio de gozo, inefável... como Pedro disse: “Uma alegria indizível e cheia de glória?” Terríveis aflições são agora "leves e momentâneas?"– A questão toda está sobre a perspectiva – terrena ou celestial? “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” - 2 Coríntios 4:18

Quando a perspectiva oposta reina, a perspectiva terrena, o evangelho não é mais O evangelho, mas uma farsa!

A carta perdida de Paulo a Smallville

Por Clint Archer 
Se o Super-homem fosse real, como ele nasceu em Krypton e não seria descendente de Adão, ele teria uma natureza pecaminosa?”

Já me perguntaram várias vezes esse tipo de pergunta enquanto tentava ter uma conversa séria com um não crente a respeito do evangelho. Alguns dos ateus que eu conheço são muito versados em teologia e na Escritura e repudiaram o evangelho após, dizem, pensarem bastante a respeito. Alguns expressam seu desdém pelo evangelho por meio de enigmas elaborados para expor a inadequação do evangelho, ou alguma aparente inconsistência em minha teologia.

Enquanto estou realmente absorto na tarefa de apresentar o evangelho, tendo a me perder. Eu realmente desejo que a pessoa creia e se arrependa e, por um momento, esqueço que sua salvação não depende de mim, mas do Espírito Santo. Assim, caio em uma armadilha que a maioria dos calvinistas equilibrados não cairiam. Eu tento responder a charada proposta para mostrar o quão consistente é a teologia cristã e como a Bíblia é suficiente para responder cada questão metafísica.

O problema é que ela não é. A Bíblia não pode responder todas as questões relacionadas à vida e à piedade – apenas aquelas que, de fato, tem respostas.

C. S. Lewis, com seu intelecto apologético colossal, também não poderia responder questões que eram feitas a ele por seus pares acadêmicos, tais como “Deus pode fazer um círculo quadrado?”. Em Anatomia de uma dor, Lewis escreve com uma franqueza libertadora:

Pode um mortal levantar questões que Deus é incapaz de responder? Facilmente, creio eu. Qualquer questão absurda é irrespondível. Quantas horas cabem em uma milha? Amarelo é quadrado ou redondo? Provavelmente, metade das perguntas que fazemos – metade de nossos grandes problemas teológicos e metafísicos – são assim.

Em O problema do sofrimento, ele simplesmente diz:

O absurdo continua sendo absurdo, mesmo quando estamos falando sobre Deus

A maioria dos evangelistas em sã consciência diriam “como o Super-homem não é real, isso não importa, então vamos voltar a falar de você, do seu pecado e de como Jesus morreu para que você seja salvo”.

E eu faço isso agora. Mas na primeira vez em que fui encurralado entre a cruz de ter que desistir de uma conversa e a espada de ter de admitir em voz alta que eu não sabia de algo, eu instintivamente tentei manobrar nesse caminho tortuoso por meio da lógica. Sim, se o super-homem fosse real e não tivesse um pai humano, ele não teria herdado uma natureza pecaminosa. A razão que me leva a afirmar isso é que Jesus não teve um progenitor humano e nasceu sem herdar a natureza pecaminosa de Adão.

Incidentalmente, eu ainda penso que o Super-homem seria vulnerável à krptonita porque quando Deus amaldiçoou o mundo, essa maldição abrangeu toda a criação (Romanos 8.22; veja tambémBuracos Negros, Universos-Bebês e outros Ensaios, de Stephen Hawking, que explica como a entropia e outras coisas ruins acontecem para estrelas boas).

Mas Paulo nunca escreveu uma epístola a Smallville, no caso de alienígenas humanoides superpoderosos aparecerem. Na verdade, ele instruiu o pastor Timóteo a admoestar “a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé” (1 Tm 1.3-4) e a rejeitar “as fábulas profanas e de velhas caducas” (1 Tm 4.7).

Fique atento, entretanto, porque a questão boba do Super-homem também aparece de formas mais razoáveis ou inócuas. Você já afirmou que ninguém pode ser salvo a não ser por acreditar em Jesus e logo em seguida foi confrontado com essa pérola: “E os nativos do interior da Amazônia/África que nunca ouviram o evangelho? É justo que Deus os mande para o inferno se eles não tiveram a chance de crer?”. Isso pode soar mais sincero que perguntar sobre alienígenas superpoderosos; mas no fim das contas, ambas são tentativas de reconciliar a aparente incongruência entre o evangelho e uma situação que o contesta.

Antecipar esse tipo de resposta pode fazer com que cristão se sintam intimidados ao evangelizar. Você talvez sinta que apenas aqueles com mestrado no seminário ou conhecimento heurístico da apologética pressuposicional de Van Til estão equipados para compartilharem sua fé.

Mas há uma solução muito simples para essa ansiedade. Eu tenho visto isso funcionar em 8 a cada 10 vezes. Você simplesmente responde: “essa é uma pergunta muito boa, e há uma resposta para ela, mas agora eu estou falando do que Jesus fez pelo meu e pelo seu pecado”.

E então o Espírito de Deus faz o resto e você pode botar a cabeça no travesseiro e dormir como um calvinista, sabendo que não há nenhuma carta perdida de Paulo a Smallville.

Fonte: Reforma 21

A heresia da heresia



Quinzenalmente, participo de um encontro chamado Confiteri*. Este é um grupo formado por oito estudantes de teologia que oriento, e que se reúnem para trocar ideias, compartilhar a fé, estudar as Escrituras, tomar café, degustar bons vinhos e, principalmente, discutir temas da teologia.

Com o passar do tempo, percebi que nenhum deles tinha uma definição sólida do conceito de heresia. Resultado: Todo pensamento que não estivesse de acordo com a visão teológica majoritária do grupo era imediatamente rotulado como “heresia”. Não foram poucas as vezes que ouvi expressões como “fulano é um arminiano herege”, “siclano é pós-milenista, não defende uma escatologia ortodoxa”, “aquele beltrano, pastor daquela igreja pentecostal famosa em São Paulo, só prega heresia”.

Aquilo que observei neste grupo de orientandos, não é nada diferente do cenário geral. É fácil encontrar aqueles que chamo de “Tertulianos de Facebook”, “Covers de John Piper”, “Reforma-bitolados”, “Dispen-sensacionalistas”, chamando as pessoas por aí de hereges, perturbadores de Israel, inimigos da fé, e etc, sem ter a menor ideia do que o conceito de “heresia” significa de fato.

Segundo o célebre The Oxford Dictionary of the Christian Church (editado por F. L. Cross e E. A. Livingstone), heresia é a negação de qualquer dogma essencial da fé cristã universal. Tendo isso em vista, a pergunta que se levanta é: Se heresia é negar os dogmas essenciais do cristianismo, então, quais são estes dogmas? A resposta é simples: São os dogmas afirmados nos credos históricos (Credo Apostólico, Credo Niceno-constantinopolitano e Credo de Atanásio). McGrath nos diz que os credos históricos são as declarações de fé que sintetizam os principais pontos da fé cristã – os elementos doutrinários que são compartilhados por todos os cristãos (Alister McGrath, Teologia Sistemática, História e Filosófica, p. 54-63).

É exatamente por isso que afirmamos que na teologia cristã há doutrinas essenciais e doutrinas periféricas. As doutrinas essenciais são aquelas que caracterizam o cristianismo. Ou seja, só é cristão quem afirma esses dogmas. Já as doutrinas periféricas, como o próprio nome sugere, não são essenciais, negá-las não nos faz anti-cristãos, hereges.
Assim, a doutrina da salvação monergística, a inerrância, a teologia do pacto, o batismo por imersão, a incondicionalidade da aliança abraâmica e demais doutrinas não pertencem ao corpo de doutrinas essenciais do cristianismo. Desta forma, questioná-las e até negá-las não é uma heresia.

Teologicamente, o cessacionista não tem o direito de dizer que aquele teólogo pentecostal é herege, simplesmente porque afirma a doutrina da segunda bênção ou a realidade dos dons espirituais na presente era. O calvinista não tem o direito de dizer que o arminiano é um herege. O amilenista não tem razão ou base teológica alguma para dizer que o pré-milenismo é heresia. Todas essas doutrinas são periféricas.

Portanto, o herege é o que nega a doutrina da trindade, o nascimento virginal, a deidade e retorno de Cristo, e os demais dogmas afirmados e sintetizados nos credos. Usar o termo “herege” ou “heresia” para qualquer outro caso, especialmente no caso de divergência quanto às doutrinas periféricas da teologia cristã, demonstra uma completa falta de maturidade teológica. É a heresia da heresia.

* Confiteri é o verbo latino que quer dizer “confessar”.