segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Implicações da Eternidade de Deus


Por Thomas Watson (1620-1686)
Aqui está um trovão e um relâmpago para o ímpio. Deus é eterno, portanto os tormentos do ímpio são eternos. Deus vive para sempre e pelo tempo que viver punirá o condenado. A conseqüência deve ser como a da escrita na parede: "as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro" (Dn 5.6). O pecador peca com liberdade, quebra a lei de Deus como uma fera selvagem que estoura a cerca e entra em pasto proibido. O pecador peca insaciavelmente, o mais rápido que pode (Ef 4.19). Mas lembre-se, um dos nomes de Deus é Eterno e, conquanto seja eterno, tem tempo suficiente para tratar de todos os seus inimigos. Para fazer os pecadores tremerem. Que pensem nestas três coisas: os tormentos do condenado são ininterruptos, são puros e são eternos.
Os tormentos dos condenados são ininterruptos. Suas dores devem ser agudas e pungentes, sem alívio. O fogo não deverá se apaziguar ou cessar. "E não têm descanso algum, nem de dia nem de noite" (Ap 14.11). É como alguém colocado numa máquina de esticar, que estica continuamente, que não tem descanso. A ira de Deus é comparada a um ribeiro de enxofre (Is 30.33). Por que um ribeiro? Porque um ribeiro corre sem cessar, a ira de Deus flui assim como um ribeiro que manda água sem cessar. Nas dores desta vida há abatimento e alívio. A febre passa, uma convulsão vem, mas passa e o paciente fica tranqüilo. Contudo, as dores do inferno são na mais alta intensidade e na pior violência. A alma condenada nunca dirá que está mais tranqüila que antes.
Os tormentos dos condenados são sem misturas. O inferno é um lugar de pura justiça. Nesta vida, Deus, quando irado, lembra-se da misericórdia e mistura compaixão com sofrimento, à semelhança da tribo de Aser, cujos sapatos eram de ferro, porém, imersos no azeite (Dt 33.25). A aflição é o sapato de ferro, mas a misericórdia está misturada com a aflição. Mas, os tormentos do condenado não têm mistura alguma. "Esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira" (Ap 14.10). Nenhuma mistura de misericórdia. Contudo, o cálice da ira também está cheio de mistura. "Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura, dele dá a beber; servem-no, até às escórias, todos os ímpios da terra" (SI 75.8). O livro de Apocalipse diz que é sem mistura e no salmo diz que não. O cálice é cheio de mistura no que se refere aos ingredientes que o fazem amargo. O bicho, o fogo, a maldição de Deus são ingredientes hostis. O cálice é misturado e, ao mesmo tempo. puro. Não haverá nada que possa produzir consolo, nenhuma mistura de misericórdia, por isso é sem mistura. Na oferta de ciúmes (Nm 5.15), nenhum azeite era adicionado, da mesma maneira nos tormentos do condenado, não há azeite de misericórdia para fazer cessar seus sofrimentos.
Os tormentos dos condenados são eternos. Os prazeres do pecado só duram um período, mas os tormentos do ímpio são para sempre. Pecadores têm uma alegria passageira, mas uma longa retribuição. Orígenes4" erroneamente pensou que após mil anos o condenado deveria ser liberto de suas misérias, porém o verme, o fogo e a prisão são eternos. "A fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos" (Ap 14.11). Próspero48 (da Aquitânia) disse assim: "Os tormentos do inferno punem continuamente, nunca terminam".
A eternidade é um mar sem fundo e sem praias. Depois de milhões de anos, não há sequer um minuto desperdiçado na eternidade. O condenado deve ser queimado para sempre, mas nunca consumido, sempre morrendo, mas nunca morto. "Os homens buscarão a morte e não a acharão" (Ap 9.6). O fogo do inferno é um fogo que multidões de lágrimas não o saciarão, uma grande quantidade de tempo não o findará. O frasco da ira de Deus sempre gotejará sobre o pecador. Conquanto Deus seja eterno, vive para se vingar do ímpio.
Oh! eternidade! Eternidade, quem pode medi-la? Os marinheiros têm suas sondas para medir as profundezas do mar, mas que linha ou que sonda usaremos para medir a profundeza da eternidade? O sopro do Senhor alimenta o lago infernal (Is 30.33). Onde encontraremos bombas d'água ou baldes para apagar tal fogo? Oh! eternidade! Se toda a massa da terra e do mar fosse transformada em areia, e todo o ar até o céu estrelado fosse areia, e um pequeno pássaro viesse a cada mil anos e apanhasse com o bico a décima parte de um grão de toda essa imensidão de areia, seriam necessários inúmeros anos até que a imensidão de areia fosse toda transportada. Porém, se ao final de todo esse tempo, o pecador pudesse sair do inferno, haveria alguma esperança, mas a palavra "sempre" quebra o coração. "A fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos." Que terror é isso para o ímpio, o suficiente para fazê-lo suar frio e pensar. Conquanto Deus seja eterno, vive para se vingar do ímpio.
Aqui pode ser feita uma pergunta: Por que um pecado que é cometido por pouco tempo deve ser punido eternamente? Devemos entender como Agostinho que "os julgamentos de Deus sobre o ímpio podem ser secretos, mas nunca injustos". A razão pela qual um pecado cometido em um curto espaço de tempo é eternamente punido é que cada pecado é cometido contra a infinita essência, e nada menos que a punição eterna pode satisfazê-lo. Se a traição contra a pessoa de um rei, que é sagrada, é punida com o confisco e a morte, muito mais contra a coroa e a dignidade de Deus, que é de uma natureza infinita e cheia de ira contra o pecado. Não pode ser satisfeita com menos que a punição eterna.

Deus não realizou meu sonho



Por Mark Altrogge
Sting é um cantor incrível. Sem nenhum esforço ele pode atingir notas que somente os cães conseguem ouvir. Ele é claramente dotado por Deus. Em várias ocasiões, eu o invejei por seu talento e sucesso.
Quando era adolescente, eu assisti a estreia americana dos Beatles no programa do Ed Sullivan[1] e a trajetória da minha vida mudou para sempre. Era como se eu tivesse bebido apenas água toda a minha vida e de repente tivesse tido uma degustação de um frappachino de chocolate com menta. Agora eu tinha um sonho – ser como os Beatles – escrevendo músicas legais, me apresentando para multidões escandalosas e sendo perseguido por fãs. Segui o meu sonho pelo ensino médio e faculdade, escrevendo canções e tocando em uma banda de rock , “Phoosh” (o som de alguma coisa indo muito rápido). Tenho certeza que a Phish roubou nosso nome anos depois.
Quando Jesus me salvou, eu “cristianizei” meu sonho. Agora, em vez de sonhar com a abertura de um show dos Beatles no Shea Stadium, eu queria deslumbrar multidões em festivais gospel.
Mas Deus não me deu o meu sonho.
Na verdade, um dia minha mãe me confrontou sobre como minha “quimera”, como ela dizia, (mamãe foi contundente) estava realmente me prejudicando. Ao viver para meu sonho, não estava me preparando para outras opções. Eu não estava diligentemente à procura de um emprego, embora tivesse um diploma de artes. Estava desdenhando ser um professor “comum”, porque afinal de contas, eu seria uma grande estrela cristã ministrando a milhares de pessoas em shows.
Felizmente, Deus me ajudou a ouvir a minha mãe e eu aceitei um emprego como professor de artes do ensino fundamental. Pela graça de Deus eu decidi trabalhar com todo o coração, como ao Senhor. E Deus usou minha experiência como professor para tornar-me humilde e, de muitas outras maneiras, para preparar-me para o pastorado, o chamado da minha vida.
Estou feliz por Deus não ter me dado meu sonho. Porque ele tinha algo melhor para mim que eu nunca poderia ter imaginado. Eu não trocaria de lugar com Sting por nada.
Se os seus sonhos estão em suspenso, sinta-se incentivado – Deus provavelmente está preparando algo muito melhor para você. Algo que você nunca poderia imaginar.

domingo, 22 de setembro de 2013

Marco Feliciano. O que os evangélicos têm a ver com isso?



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edição 344 (setembro-outubro) da revista Ultimato é a novidade desse final de semana aqui no portal. Na capa, A igreja está doente. O assinante, claro, lê primeiro.
“Prateleira” antecipa aos leitores o artigo do sociólogo Paul Freston, sobre o que envolveu o disse-me-disse em torno do deputado federal evangélico Marco Feliciano.
***
Feliciano em perspectiva (histórica, global, contemporânea e futura)
Este artigo não é mais uma denúncia indignada (muito menos, uma defesa apaixonada) do deputado federal evangélico Marco Feliciano, que desde março de 2013 preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. É uma tentativa de recuar um pouco, de conseguir uma certa altura, para entender melhor de onde vem um fenômeno como Feliciano e o que está e não está em jogo no caso dele.
Perspectiva histórica
Nos últimos cinquenta anos no Brasil, o catolicismo tem sido mais associado à defesa dos direitos humanos do que o protestantismo. Mas, historicamente, o contrário foi verdadeiro. O catolicismo somente incorporou uma preocupação com os direitos humanos a partir do Concílio Vaticano II, nos anos 60. E, mesmo assim, mais em alguns países — como o Brasil — do que em outros — como a Argentina. O chefe da Igreja Católica argentina, durante o brutal regime militar que durou de 1976 a 1983, disse que os supostos desaparecidos estavam todos no exílio dourado em Paris. Porém, o papa João Paulo II, em uma de suas visitas à América Latina, afirmou que “à mensagem do evangelho pertencem todos os problemas dos direitos humanos”.
O protestantismo, por outro lado, constitui a confissão religiosa mais profundamente ligada à evolução de conceitos de direitos humanos, culminando no forte envolvimento protestante na carta fundante das Nações Unidas em 1945 e na Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948. Daí a ironia da situação atual no Brasil.
Perspectiva global
O que está em jogo (ou deveria estar em jogo) na controvérsia em torno de Marco Feliciano? Não é o conceito de Estado laico!
A “teoria da secularização” (quanto mais moderno, mais secular) tem sido fortemente questionada desde os anos 80. Nas últimas décadas, muitos estudiosos abandonaram (pelo menos parcialmente) a teoria da secularização e adotaram a ideia de “modernidades múltiplas” (há várias maneiras de ser moderno, inclusive maneiras religiosas). A religião continua (ou volta a estar) em evidência na vida política de várias regiões do mundo.
Na realidade, a relação da religião com a vida pública ao redor do mundo é extremamente variada, assim como a relação entre religião e Estado. Há uma sofisticação crescente nas análises da relação entre religião e Estado. Várias tipologias foram propostas. Utilizo aqui uma do cientista político turco Ahmet Kuru, que propõe um “continuum”:
1. Estados religiosos (Ex.: Irã).
2. Estados com uma religião estabelecida (Ex.: Inglaterra) ou várias religiões estabelecidas ou oficializadas (Ex.: Indonésia).
3. Estados com a “laicidade passiva” ou “plural”, ou seja, a neutralidade estatal e permissão para a visibilidade pública da religião (Ex.: Estados Unidos).
4. Estados com a “laicidade agressiva” ou “de combate”, ou seja, que exclui a religião da esfera pública (Ex.: França, Turquia).
5. Estados antirreligiosos (Ex.: Coreia do Norte).
Uma coisa que vemos dessa tipologia é que a frase “o Estado é laico” significa pouco, pois as últimas três opções (muito diferentes entre si) poderiam caber nessa frase. Frequentemente, há um uso ideológico desse lema para deslegitimar uma proposta adversária.
Não há modelo ideal de relações entre religião e Estado. O que há é sempre uma evolução a partir de realidades locais. A força de tradições locais não desaparece com mudanças meramente legais. Não há, por exemplo, resposta definitiva à pergunta se a França tem razão em proibir o uso do véu em determinados ambientes. O véu pode significar coisas diferentes em países diferentes.
Finalmente, os estudiosos têm chamado a atenção para a diferença entre as relações entre Igreja e Estado e as relações entre religião e política. Há muitos países que não têm igreja estabelecida, mas têm uma vida política muito imbuída pelos impulsos e valores religiosos. Não há nada de antimoderno nem, muito menos, de antidemocrático nisso.
Perspectiva contemporânea
Em quê o Brasil é singular, em termos globais? Não é em ter uma forte presença da religião na política, pois isso acontece em muitos países. Não é no crescimento evangélico, nem no envolvimento evangélico na política. Porém, o Brasil é singular, sim, no corporativismo eleitoral evangélico bem-sucedido. Ou seja, a prática de várias denominações apresentarem candidatos “oficiais” em eleições e em convencer boa parte dos seus membros a votarem nesses candidatos, elegendo-os deputados federais, deputados estaduais e vereadores.
A que se deve essa singularidade brasileira? O que torna possível esse modelo corporativista? A junção de vários fatores, principalmente o sistema eleitoral (de representação proporcional com listas abertas), o sistema partidário (fragmentado, volátil e pouco ideológico) e a organização da mídia no Brasil, que possibilita uma presença maciça das igrejas através da compra de horários e da aquisição de canais.
É o corporativismo das candidaturas “oficiais” que explica sobretudo o hiato em análises acadêmicas, entre uma avaliação bastante “positiva” da presença evangélica no âmbito micro (na sociedade civil, sobretudo nas esferas mais desvalidas da sociedade) e uma avaliação “negativa” no âmbito macro (na política formal). O modelo de candidatos “oficiais” está ligado, de forma desproporcional, aos casos de envolvimento de políticos evangélicos em escândalos políticos.
Até onde vai o corporativismo? Ele tem sucesso relativamente grande em eleições proporcionais, elegendo parlamentares em todos os níveis. Porém, é menos eficaz em eleições majoritárias, porque: a) não consegue eleger seus próprios candidatos, já que a lógica de uma campanha majoritária é outra; e b) às vezes, “promete” votos a um candidato de fora da igreja (a prefeito, governador, presidente), mas nunca consegue uma taxa tão alta de obediência dos seus fiéis.
Nesse contexto, é pertinente olhar alguns dados sobre as atitudes políticas dos fiéis pentecostais comuns. Em 2006, o Pew Forum fez um levantamento sobre pentecostais de dez países, inclusive do Brasil. Os pentecostais brasileiros afirmam, assim como a população brasileira em geral, o valor dos processos democráticos. Quando perguntados se, para resolver os problemas do país, seria melhor ter um governo mais participativo ou um líder forte, os pentecostais preferem — mais do que a população brasileira geral — um governo mais participativo. Somente 25% dos pentecostais queriam a solução do “governante forte”, comparado com 29% da população geral.
Quanto à importância de haver liberdade religiosa, inclusive para as outras religiões, os pentecostais (94% favoráveis) acompanham a tendência geral da população (95%). Quando perguntados se deveria haver separação entre Igreja e Estado, ou se o país deveria ser oficialmente um “país cristão”, os pentecostais são mais a favor da separação (50%) do que da ideia de um “país cristão” (32%).
O crescimento pentecostal estaria favorecendo a ideologia do governo mínimo e do neoliberalismo? Os dados do Pew sugerem que não. Perguntados se o governo deve garantir alimento e abrigo a todos os cidadãos, os pentecostais (95%) são ainda mais afirmativos que os brasileiros em geral (93%).
Semelhantemente com a ideia de que os pentecostais estariam criando ao redor do mundo um ambiente favorável aos interesses imperiais norte-americanos: perguntados em 2006 se estavam a favor da “guerra ao terror liderada pelos Estados Unidos”, os pentecostais brasileiros respondiam menos positivamente do que a população brasileira em geral.
O levantamento Pew fez duas perguntas sobre o aborto. Primeiro, sobre a dimensão moral: se o aborto seria, em alguma circunstância, moralmente justificável — 91% dos pentecostais brasileiros disseram que não. Porém, sobre a dimensão legislativa, a resposta foi diferente: somente 56% disseram que o governo deveria interferir na decisão de uma mulher abortar. Ou seja, 91% consideram o aborto moralmente inaceitável, mas somente 56% acham que a lei deve proibir.
Perspectiva futura
Por fim, é pertinente considerar a possível longevidade do estilo corporativista pentecostal de fazer política. Começou em 1986, com a eleição para a Constituinte, e tudo indica que ainda tem muito fôlego. Porém, não vai durar para sempre. Por uma série de razões, a fase de crescimento rápido das igrejas evangélicas não deve durar além de mais duas ou três décadas. Depois, a porcentagem evangélica da população deverá estabilizar-se. Com isso, quanto às características sociológicas das igrejas evangélicas, tudo mudará. Haverá uma porcentagem cada vez maior de membros natos e de conversos mais antigos, e com isso haverá mais demandas por ensinamento e por outros tipos de líder eclesiástico. Haverá menos triunfalismo e maiores expectativas no campo da atuação social, e a interação com as outras religiões mudará radicalmente. E outras maneiras de relacionar-se com a política passarão a predominar.
Portanto, o tipo de política evangélica que atualmente predomina não é parte essencial da fé evangélica e nem do seu segmento pentecostal. Um dia será superado, talvez graças a mudanças sociológicas mais do que a um processo consciente de aprendizado. Porém, é bom lembrar as limitações desse modelo corporativista e da fragilidade de suas bases internas. No entanto, por alguns anos, o corporativismo marcará fortemente a presença evangélica na vida pública, e fenômenos como Feliciano terão o seu lugar ao sol, para a alegria de alguns evangélicos e o desespero de muitos.

O beijo gay no meio do culto, a prisão e Marcos Feliciano



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Acompanhe abaixo a matéria no site Gospel + sobre o polêmico beijo gay em um evento com a participação do Pastor Marcos Feliciano:
Título da Matéria:

Colunista critica postura de ativistas gays contra evangélicos; Pastor Marco Feliciano divulga novo vídeo do beijo durante o culto

A mais recente polêmica entre os ativistas gays e o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) segue provocando novas manifestações a respeito do assunto.
O colunista da revista Veja, Rodrigo Constantino, criticou a postura adotada pelos ativistas gays de elegerem Feliciano como “um espantalho” contrário ao movimento homossexual, que tem sido intolerante em sua visão.
“Esse episódio [do beijo durante o culto] mostra, uma vez mais, quem são os mais intolerantes nessa história toda. Dica: não parecem ser os evangélicos”, escreveu Constantino, que acrescenta: “Não era um simples beijo inocente como as garotas dão a entender. Foram lá para isso, para chocar, para prejudicar o culto religioso, para avacalhar com a liberdade dos crentes. Grande tolerância!”, critica.
Constantino trata o episódio como uma provocação por parte dos ativistas gays: “Qual seria a reação dos membros do movimento gay se o Feliciano e seus crentes fossem nas passeatas gays com Bíblias nas mãos, gritando que aqueles pecadores vão arder no inferno, e tentando convertê-los na marra durante a festa? Pois é”, pondera.
“Alguém realmente acha que a reação seria pacífica e tolerante? Piada de mau gosto. Muitos do movimento gay já cansaram de demonstrar que se julgam acima das leis, que podem subir em mesa no Plenário para impor no grito suas ideias, que podem ridicularizar e até tocar no pastor durante um voo comercial”, relembra o colunista.
Rodrigo Constatino ressalta que direciona suas críticas aos ativistas: “Para começo de conversa, é importante ressaltar que pegar Marco Feliciano como ícone de um movimento dito ‘conservador’ é conveniente para o movimento gay. É caricato demais. Um espantalho fácil de derrotar. Muitos repudiam o movimento gay (não confundir com os gays em si) e, ao mesmo tempo, repudiam o pastor também”.
O Beijo
A assessoria do pastor Marco Feliciano publicou , 17 de setembro, um vídeo sobre o caso, com seis minutos de duração.
O vídeo aborda o caso de uma maneira diferente da apresentada pela mídia em geral, e mostra o contexto do evento, ressaltando que o palco e o local dedicado à plateia estavam num espaço fechado, destinado ao culto do Glorifica Litoral.
No Twitter, o pastor Marco Feliciano voltou a comentar o porquê pediu a prisão das duas jovens ativistas: “Vejam o que a imprensa não viu, mas militou. Uma das garotas tirou a blusa… Num culto cristão! O mestre de cerimônia alertou, citou a lei e pediu encarecidamente que não violassem o local de culto, mas ignoraram”, publicou o pastor.
Pelo facebook, um dos colunistas do Arte de Chocar e editores do UMP da Quarta, Rodrigo Ribeiro mencionou o seguinte:
“Bem vindo a nossa sociedade pós-moderna ou neo pagã.
Toda a pluralidade é aceita e respeitada, menos a que provém da fé Cristã.
Nos confortamos no governo soberano de Cristo e na certeza que nem toda a depravação humana irá ofuscar o brilho de sua glória.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. [Eclesiastes 1:9]
Esta parada de beijo gay no culto do Feliciano foi um tiro no pé. Um princípio básico da laicidade é respeitar a autonomia dos espaços religiosos, sem a integridade do espaço religioso, não há integridade do espaço público. Sem querer, querendo, fica claro que estes atos (falhos?), apontam para as intenções hegemônicas de um determinado discurso.”

A Soberania de Deus e as Nossas Orações


Por Arthur W. Pink
"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve." 1 João 5:14
Existem algumas perguntas que surgem na mente das pessoas quando pensam acerca da soberania de Deus.
Já dissemos que as pessoas são incapazes de escolher ser salvos de seus pecados a menos que Deus mesmo mude sua natureza pecaminosa.
Então, a primeira pergunta que responderemos é esta: se Deus realiza o câmbio na natureza das pessoas, por que devem esforçar-se os crentes em pregar o evangelho a todos? temos aprendido que por natureza os homens são pecaminosos, que por si mesmos não podem escolher crer em Cristo. Por que, então, os crentes devem urgir às pessoas a crerem? A resposta é esta: aos crentes lhes é ordenado por Deus pregar o evangelho a todos.
Não pregamos o evangelho pensando que os ouvintes inconversos tenham em si mesmos a capacidade para receber a Cristo como seu Senhor. Pregamos porque sabemos que isto é o que Deus tem nos comissionado fazer.
Sabemos que quando o evangelho é pregado, Deus mesmo fala eficazmente a alguns daqueles que escutam. Àquelas pessoas que Deus tem escolhido, lhes é dada a disposição para crer. Crer que Deus está no controle de tudo é de grande ajuda e estímulo para a pregação evangélica. Os crentes sabem que as pessoas escolhidas por Deus se arrependerão dos seus pecados quando escutem acerca de Jesus Cristo o Salvador.
De fato, esta convicção de que Deus está realizando seus propósitos mediante a pregação, é a base da verdadeira pregação evangélica. Veja Isaias 55:10-11, 2 Coríntios 2:14-17, Romanos 10:14-15 e 1 Pedro 1:23.
Em segundo lugar, outra pergunta que pode surgir é esta: se Deus tem determinado o que vai acontecer, e se também tem o controle sobre tudo o que acontece, então, existe alguma razão para orar? Se Deus já tem tomado todas as decisões, seguramente a oração não tem valor algum. Nós não podemos mudar a vontade de Deus. A nossa resposta é a seguinte: devemos entender o significado verdadeiro da oração. Alguns dizem que a oração é a forma em que Deus permite que as nossas vontades tenham influência no que acontece. Mas a Bíblia ensina claramente que é Deus quem faz com que as coisas sucedam. Portanto, a idéia de que as nossas orações fazem que as coisas aconteçam é errada. Outras pessoas dizem que a oração é uma forma de conseguir que Deus mude a Sua vontade. Mas, como já vimos, Deus já tem decidido exatamente o que vai acontecer. A oração não é algo que possamos usar para mudar as coisas; a nossa oração não muda a vontade de Deus.
A oração é a maneira assinalada por Deus para honrá-Lo. A oração é um meio de adoração a Deus. a oração é o reconhecimento de que dependemos totalmente de Deus, por todo o que somos e o que temos. A oração é o método divino para pedir a bênção de Deus.
A oração faz com que percebamos quão pequenos e fracos somos, e quão grande é Deus. a oração é um dom de Deus para seu povo, a fim de que eles Lhe peçam as coisas que Deus tem determinado. As orações dos crentes formam parte do plano de Deus para efetuar os Seus propósitos eternos. (Veja os seguintes textos que afirmam esta verdade: Mateus 5:10; 1 João 5:14; Romanos 8:26-27).
Além disso, Deus tem determinado que a oração seja um meio para efetuar sua vontade, tal como a pregação do evangelho é o meio utilizado por Deus para salvar os pecadores. As orações dos crentes formam parte do plano de Deus para executar Seus propósitos eternos.
Assim sendo, quando os crentes oram não o fazem para mudar o plano de Deus, senão para que o pano de Deus seja executado. Os crentes podem orar por certas coisas com confiança porque sabem que estão incluídas no plano de Deus. Quando dizemos a Deus as nossas necessidades, estamos encomendando-nos ao Seu cuidado, e Lhe suplicamos que trate com elas de conformidade com Seu plano. Então, pode perceber-se que a oração é basicamente uma atitude, uma atitude de dependência total de Deus. A oração é o oposto de dizer a Deus o que Ele tem que fazer, porque a oração pede para que a vontade de Deus seja feita. Assim, isto responde a nossa pergunta acerca da razão para orar. Os crentes oram por coisas que concordam com o plano que Deus tem pré-determinados, ou seja, coisas que são parte do mesmo plano de Deus. Os crentes oram, não para mudar o plano de Deus, senão para aceitá-lo e achar a bênção de Deus através desse plano.
Em terceiro lugar, talvez a seguinte pergunta tenha chegado a inquietar você: Se Deus tem decidido todo o que sucede, então por que devem preocupar-se os crentes em serem bons? Se Deus tem planejado que os crentes serão bons, então, por que devem preocupar-se de sê-lo eles mesmos?
Mais uma vez, a resposta básica é que os crentes fazem bem, porque Deus tem lhes mandado fazer o que é bom. Em realidade, o conhecimento de que Deus controla todas as coisas ajuda os crentes a realizar o que é bom.
Os crentes confiam em que Deus pode lhes dar a capacidade de realizar coisas boas. Os verdadeiros crentes sabem que em si mesmos não têm o poder de fazer o que Deus tem lhes ordenado. É, portanto, que confiam em que Deus pode lhes dar a fortaleza que necessitam para obedecer a Sua vontade.
Por último, talvez você tenha pensado que é injusto e cruel de parte de Deus escolher só certas pessoas para serem salvas. Porém, lembre-se do seguinte: se Deus não tivesse escolhido e salvo alguns, então ninguém teria sido salvo do pecado. Se Deus não tivesse escolhido ninguém, então todos nós teríamos morrido em nossos pecados. Deus não é injusto ao escolher salvar alguns e outros não, porque ninguém tem o direito de ser salvo, quer dizer, Deus não "deve" a salvação para ninguém. A salvação é inteiramente um assunto da bondade de Deus para as pessoas que não a merecem. Deus tem mostrado sua bondade a certas pessoas, segundo melhor Lhe pareceu a Ele (veja Mateus 11:25-27).
Nós poderíamos pensar que teria sido melhor que Deus salvasse todos, mas não estamos capacitados para decidir isto. Não somos capazes de ver e compreender todo o que Deus vê e compreende. Os caminhos de Deus não são como os nossos caminhos, e nós não podemos compreendê-los integramente (Veja Isaias 55:8-9 e Romanos 11:33-36). Todo quanto podemos dizer é que Deus tem demonstrado seu amor na eleição e salvação de gente que não merece sua bondade. Então, permita-me fazer-lhe uma última pergunta: É você uma das pessoas que Deus tem escolhido para salvação? Existe algum desejo em seu coração de ser uma das pessoas que pertencem a Deus?

Deus Controla a História


"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Romanos 11:36
Por A. W. Pink

Até agora temos visto que Deus controla tudo, incluindo a salvação das pessoas que Ele tem escolhido. Deus o Pai escolheu certas pessoas para serem salvas; Deus o Filho morreu para salvá-las, e Deus o Espírito Santo lhes outorga a vida espiritual. Mas, está Deus controlando tudo conforme um plano determinado ou está continuamente mudando este plano? Neste capítulo veremos que Deus está controlando tudo de acordo a um plano fixo e predeterminado.

Muita gente ficaria de acordo com que Deus sabe de antemão o que acontecerá no futuro. Assim sendo, se Deus sabe o que sucederá, isto só pode significar que no passado Ele decidiu o que devia acontecer; já que se Deus não tivesse decidido o que sucederia, não poderia ter conhecido com plena certeza o que haveria de acontecer. A presciência (pré-conhecimento) de Deus não faz que as coisas aconteçam,; elas acontecem devido a que Ele já tinha decidido que sucedessem. Em Atos 15:18 diz que Deus conhecia o que ia acontecer desde antes que o mundo começasse: "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras". Isto significa que Deus tem um plano fixo e que não o muda. (NOTA DO TRADUTOR: quando a Bíblia fala de que Deus se arrepende, por exemplo, em Gênesis 6:6, não devemos entender a palavra "arrependimento" como se tivesse acontecido uma mudança em Deus. Também não devemos concluir que isso signifique o surgimento de algo não previsto por Deus em seu pano eterno. Temos que interpretar o arrependimento de Deus à luz de outras escrituras e à luz da natureza e dos atributos do próprio Deus. Por exemplo, temos que levar em conta os seguintes versículos para poder entender o que significa o arrependimento de Deus: 1 Samuel 15:29 declara o seguinte: "E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa". Tiago 1:17 afirma que "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." ["variação" significa "mudança"]. O salmista disse: "Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou" (Salmo 115:3). Isaias proclamou: "Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?" (Isaias 14:27). Nabucodonosor, ao voltar a si, afirmou: "E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?" (Daniel 4:35). Jeová diz por boca de Isaias: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Isaias 46:9-10). Outra vez o salmista escreve: "O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração" (Salmo 33:11). Por fim, o apóstolo Paulo no Novo Testamento: "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" (Romanos 11:36). Estes versículos nos conduzem a afirmar que a única interpretação correta do arrependimento de Deus é que se trata do uso de um antropomorfismo. Ou seja, que Deus digna-se falar-nos como se fosse um homem, utilizando uma linguajem humana, como se Deus experimentasse uma mudança. Mas em realidade a mudança está nos homens e na maneira como Ele trata com eles, e não na natureza de Deus.)

Vejamos qual foi o plano de Deus quando fez o mundo e todas as pessoas que o habitam. A Bíblia nos diz em Provérbios 16:4 que Deus fez todas as coisas para Si mesmo. Em Apocalipse 4:11 diz que Deus criou todas as coisas para Seu próprio prazer. Quando criou o mundo e especialmente quando criou o homem, tinha a intenção de manifestar sua própria glória. No obstante, Deus sabia perfeitamente, antes de criar o homem, que ele cairia. Portanto, antes que o mundo fosse feito, Deus decidiu salvar a muitas pessoas por meio do Senhor Jesus Cristo. Assim sendo, a salvação de muitos pecadores através de Cristo Jesus fez parte do plano de Deus antes que o mundo fosse feito. Deus planejou manifestar a sua bondade através da salvação de muitas pessoas pecadoras. E sendo que Deus sempre tem controlado o mundo desde a criação, Ele é perfeitamente capaz de executar seu plano de salvar a muitos pecadores dos seus pecados.

Num capítulo anterior vimos que Deus controla as coisas inanimadas e os animais. Também vimos que Deus tem usado tanto as coisas inanimadas como os animais para proteger, cuidar e ainda advertir o seu povo escolhido. Assim sendo, tanto as coisas inanimadas como os animais são utilizados por Deus em seu plano. Mas, como controla Deus os homens para efetuar seu plano de salvar seu povo de seus pecados? Primeiro consideraremos como Deus opera na vida dos seus, aqueles que têm sido escolhidos para serem salvos.

Em primeiro lugar, Deus vivifica espiritualmente seu povo escolhido.

Em si mesmas, estas pessoas não são diferentes das outras; ou seja, não desejam obedecer a Deus, assim como os outros também não o desejam. Porém Deus muda a natureza das pessoas que Ele tem escolhido a fim de que eles desejem realmente ser santos e obedecê-Lo. Esta mudança é tão grande que a Bíblia a define como "um novo nascimento". Ser vivificados espiritualmente não é meramente uma mudança temporal de opinião, senão um câmbio completo, o qual alcança a pessoa completa (sua mente, suas emoções e sua vontade). Esta mudança dura para sempre e é operada em conformidade com o plano de Deus.

Em segundo lugar, Deus dá fortaleza e poder a seu povo. Mediante este poder os crentes são capacitados para realizar o que Ele lhes ordena. Eles são capacitados para mostrar em suas vidas os frutos do Espírito: o amor, o gozo, a paz, a paciência, a fé, a mansidão e a temperança.

Em terceiro lugar, Deus guia as pessoas escolhidas a fim de que voluntariamente realizem as coisas que Lhe agradam. Em quarto lugar, Deus cuida de seu povo para que nesta vida possam continuar amando-O e servindo-O, cumprindo assim o Seu plano.

Em todas estas formas Deus efetua seu propósito de salvar a muitas pessoas de seus pecados. Mas também Deus efetua seus propósitos controlando a muitas pessoas malvadas. Vejamos como é Seu controle sobre este tipo de pessoas.

Em primeiro lugar, às vezes Deus evita que a gente má realize coisas malvadas. Em Números 23 a Bíblia nos fala de um homem chamado Balaão, quem tinha sido contratado para amaldiçoar o povo de Deus (os israelitas). Balaão mesmo queria amaldiçoá-los, porém Deus o deteve. Em vez de amaldiçoá-los, Deus fez com que ele os abençoasse. Assim, pois, Deus às vezes detém as pessoas malvadas de realizarem coisas perversas.

Em segundo lugar, às vezes Deus muda o pensamento das pessoas más a fim de que façam a Sua vontade. Por exemplo, quando os israelitas, o povo de Deus, foi cativo dos persas, Deus fez que o rei da Pérsia (Ciro) emitisse um decreto para a reconstrução do templo em Jerusalém.

O rei Ciro era um homem muito malvado, mas a sua mente foi mudada de modo que ele fizesse a vontade de Deus. Em terceiro lugar, às vezes Deus faz com que surja o bem das más ações das pessoas perversas. Isto se manifesta especialmente na crucifixão do Senhor Jesus Cristo. Apesar de que os homens maus simplesmente queriam matá-lo, foi por meio de Sua morte na cruz que Cristo salvou de seus pecados a todo seu povo escolhido.

Em quarto lugar, às vezes Deus faz que as pessoas más se tornem piores. (Assim o diz Romanos 9:18: "…e endurece a quem quer"). Deus faz com que sejam incapazes de ver o bom e o verdadeiro. Assim aconteceu com Faraó, o rei dos egípcios, de tal maneira que ele chegou a ser cada vez mais cruel com os israelitas. Para nós é difícil compreender por que Deus realiza tais coisas, mas podemos estar seguros de que o Juiz Justo de toda a terra não pode cometer injustiça, e que Ele manifesta a Sua grandeza e Sua soberania quando age assim. Então, Deus tem um propósito definido ao controlar o mundo e os seus habitantes. (Isto significa que Deus controla a história e seus acontecimentos). O plano de Deus é salvar a uma grande multidão de pessoas dos seus pecados. Ele dá ao seu povo eleito vida espiritual, poder, guia e proteção. Ele também impede, debilita, dirige ou incomoda o que a gente má faz. Assim sendo, todas as coisas são controladas por Deus e Ele efetua perfeitamente seu plano de salvar seu povo dos seus pecados. Que maravilhosa sabedoria e glória pertencem a Deus! não deve maravilhar-nos que os crentes O louvem pelo que Ele é e pelo que Ele tem feito.

Você está "cansando" Deus?


Por Josemar Bessa
"Vocês têm cansado o Senhor com as suas palavras. Como o temos cansado? Vocês ainda perguntam.” -  Malaquias 2:17

O povo de Deus tem um longa história de murmurações e reclamações dirigidas a Deus. Desde de o Éden de alguma forma o homem tenta responsabilizar Deus por aquilo que ele acha não estar acontecendo segundo seus desejos, ou para justificar seus erros.

As coisas não eram diferentes nos dias do profeta Malaquias. Entre outros argumentos levantados em suas murmurações eles diziam:

1) O Senhor está tratando os maus como os bons.

2) Tu estás sentado no “céu” não fazendo nada a respeito dos problemas evidentes. Tu devias vir e julgar os ímpios.

Eles desejavam o Deus que lançou as 10 pragas no Egito, que fez fogo descer sobre o monte Carmelo e trouxesse julgamento aos seus inimigos. Não havia neles NENHUM  zelo pela glória de Deus. Eles só queriam que seus problemas fossem embora, então eles resmungaram, murmuraram...

É fácil estar descontente também. Vivemos vidas ocupadas, aborrecida muitas vezes, achamos não ter o dinheiro suficiente, saúde suficiente, não somos reconhecidos o suficiente, a igreja local não tem sido boa para mim o suficiente... “estou muito magro, estou muito gordo, estou com baixa auto-estima, sou muito baixo, sou muito alto, queria estar casado, queria estar solteiro, queria outro carro, queria outro emprego, queria outro chefe, queria ter filhos, os filhos vieram na hora errada...” – e por aí vai, choramingando como crianças de 3 ou 4 anos de idade.

Mas Deus chama o seu povo a paciência, longanimidade... e que confiem nEle. Quando realmente cremos que Deus está trabalhando todas as coisas de acordo com a sua boa vontade e para nosso bem final, estamos livres para viver como Paulo diz em Filipenses 2.14: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.”  

Mas como eles insistiram, Deus disse “Eu virei a vocês trazendo juízo.” - Malaquias 3:5

Eles estavam acusando Deus de omissão, de fazer vista grossa para o pecado ( dos outros, é claro, e não o deles). Eles queriam que Ele derrubasse os maus como nos bons e velhos tempos. Que surpresa, como sempre o homem fica, eles ficaram quando o Senhor atendeu o seu pedido e prometeu vir para perto deles para exercer julgamento.

Os Israelitas, como é comum, tinham o “dom” de saber exatamente o que estava errado como o mundo inteiro, com todas as outras pessoas. Esse era o problema, as outras pessoas... como hoje é tão comum – o problema é a igreja, são os outros... Eles nunca pensaram que pedir a Deus para consertar as coisas, que acusá-lo de omissão, poderia implicar em Deus corrigi-los.

Ter o “dom” de ver o problema no mundo inteiro nos cega para um Deus que irá nos confrontar naquilo que nos recusamos a ver em nós mesmos. Qualquer oração nesta base não passa de ser uma voz que “cansa” Deus.

Felizmente, o Senhor não veio apenas para julgamento, Ele veio sobre eles para refiná-los. Ele veio para fazer deles um povo que realmente estivesse firme em sua Aliança, Deus veio martelar a espada sobre a bigorna para que o mundo pudesse ver neles um reflexo do Deus santo que Ele é. A verdadeira piedade flui através de um fogo refinador da parte de Deus para nós.

Se queremos santidade, se queremos a comunhão da presença de Deus, se devemos ser fiéis... isso certamente significará dificuldades e repreensão... mas se tudo o que fazemos é exercer o “dom” de ver o problema no mundo, na igreja, nos outros... “cansamos” Deus e nos enganamos chamando isso oração. Você terá que olhar o trabalho de Deus em você, e ao invés de “cansa-lo” com murmurações, terá que dizer como Davi: “Foi bom para mim ser afligido, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119.71).

sábado, 21 de setembro de 2013

A Soberania Absoluta de Deus



Nos céus, estabeleceu o SENHOR o Seu trono, e o Seu reino domina sobre tudo. - Salmos 103:19

Por Jason A. Van Bemmel

Você se lembra de quando descobriu que seu pai não era todo-poderoso? Quando era menino, eu realmente achava que meu pai podia fazer qualquer coisa. Meu pai é bastante habilidoso e grande (mais de 1,98 m), e para um garoto de 6 anos, ele se parecia com o Super Homem. No entanto, como todos vocês, eu tive que enfrentar a dura e lenta constatação de que meu pai não era, de fato, onipotente, até que, quando adolescente, passei a imaginar se o meu pai podia realmente fazer alguma coisa certa.

Algumas pessoas (mesmo aquelas que se intitulam "cristãs") acham que as nossas típicas experiências da infância com nossos pais terrenos é um modelo para aquilo que deve acontecer em relação a nossa visão de Deus ao longo do tempo, à medida que amadurecemos em nossa fé. As crises e os conflitos vêm, razão pela qual devemos ver que um mundo cheio de maldade é incompatível com um Deus todo-poderoso e completamente bom. Uma vez que todos nós acreditamos que Deus é bom, devemos então abandonar a idéia de que Deus é todo-poderoso em favor de um Deus que se parece muito mais como nossos pais limitados e falíveis.


A Bíblia não nos dá qualquer espaço para uma visão tão pálida de Deus. EmEscritura após Escritura, Deus brilha com esplendor como o grande e glorioso Rei do Universo. "Porque para Deus não haverá impossíveis", a Bíblia proclama corajosamente e repetidas vezes (ver Lucas 1:37 e Marcos 10:27). "Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar”, Deus relembra o seu povo duvidoso em Isaías 59. "Ninguém há como o SENHOR, nosso Deus”, nos é dito repetidas vezes e nos é dito exatamente o que isso significa: Ninguém é como Deus em majestade, em santidade, na soberania e na fidelidade dos pactos (mantendo suas promessas absolutamente).


Dois encontros com Soberania

Uma forma de analisar a soberania absoluta de Deus é através dos olhos de duas pessoas que estiveram cara a cara com Ele de maneiras diferentes: Jó e Nabucodonosor. Jó era um homem de Deus justo, que viu a soberania de Deus em ação nos seus momentos de provações. Nabucodonosor foi um imperador orgulhoso que aprendeu a lição da soberania de Deus da maneira mais difícil, por ser destituído de seu poder e de sua sanidade por Deus.

Imagine ser tão fiel a Deus a ponto de Deus perceber e começar a se gabar de você. Deus estava tão orgulhoso da justiça de Jó que Ele se gabou de Jó com Satanás. Em resposta à aprovação de Deus sobre Jó, Satanás fez um trato com Deus e conseguiu permissão para testá-lo severamente. Contudo, não perca o ponto aqui: Satanás teve que obter autorização de Deus antes que pudesse tocar em Jó. Deus está no controle, inclusive das atividades de Satanás contra o Seu povo.

No ponto mais profundo de seu desespero, Jó desejou nunca ter nascido e questionou as razões de Deus por enviar tais provações à sua vida. Embora Jó nunca tenha pecado contra Deus em acusá-Lo de injustiça, ele quis saber dos motivos que Deus teria para prová-lo de forma tão severa (de uma forma que pareceu a Jó como uma severa punição). Jó não entendia porque seus filhos morreram, porque perdeu toda a sua riqueza ou porque seu corpo estava coberto de chagas. Ele não tinha respostas, e seus amigos foram de pouca ajuda, mas ele sabia que a mão de Deus devia estar por trás daquelas suas horas escuras. E ele estava certo.

Sobre as perguntas de Jó, Deus proferiu suas próprias perguntas. Em uma furiosa tempestade, a voz de Deus surge para desafiar Jó e para relembrá-lo de quem é quem no universo. “Onde estavas tu", Deus começou, "quando eu lançava os fundamentos da terra?" Em outras palavras: "Quem exatamente você pensa que é para questionar Deus?”.

No final das contas, a resposta de Jó a Deus foi simples, profunda e a única verdade que todos nós precisamos saber, em última análise: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42: 2, 5-6). Jó tinha aprendido que Deus era Deus, e isso foi o bastante para ele.

Ao contrário de Jó, Nabucodonosor não era um servo de Deus, justo e humilde. Na verdade, ele era um governante arrogante que construiu um ídolo de 27 metros para si mesmo e ordenou que todos se curvassem e o adorassem. No entanto, este pecador perverso precisava, tanto quanto o justo servo de Deus, saber a verdade sobre quem realmente estava no trono e era digno de adoração. Então Deus deu ao Rei Nebby (Nabucodonosor) um sonho.

No sonho, tal como interpretado por Daniel, Nabucodonosor soube que ele estaria, em breve, despojado de toda a sua dignidade e sanidade, e iria viver como um animal selvagem no deserto. Por quê? Nabucodonosor, havia se tornado orgulhoso e achava que sozinho era responsável pelo grande reino que havia construído. Ao olhar para fora sobre a gloriosa Babilônia, ele proclamou: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para a glória da minha majestade? (Dn 4:30).

Depois que Deus humilhou Nabucodonosor, seu coração foi mudado e ele reconheceu que somente Deus é soberano sobre as questões das nações. Nabucodonosor proclamou:

“Pois seu domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” - Daniel 4:34-35


Através da vida e exemplo de Jó, aprendemos que Deus é soberano sobre o nosso sofrimento. Todo sofrimento vem da mão de Deus e serve aos seus propósitos últimos, embora o sofrimento possa vir através de uma variedade de causas secundárias (doença, desastres naturais, opressão demoníaca, pecado, etc.). Através da vida e exemplo de Nabucodonosor, aprendemos que Deus também é soberano sobre as nações e os governantes do mundo. Ele levanta reis e presidentes e os usa para a Sua vontade, muitas vezes para abençoar uma nação e, muitas vezes para trazer juízo e destruição. Mais uma vez Deus usa as causas secundárias (eleições, revoluções, etc.), mas a mão por trás de tudo isso é a Sua, e a Sua somente.


Heresias em nome do amor



Por Mauricio Zagari
Deus é amor. Isso é um fato básico e inquestionável da fé cristã. Não é preciso ser um grande teólogo para apreender essa verdade; de fato, nem mesmo é preciso ser cristão para ter conhecimento disso. Mas existe algo sobre essa afirmação que merece uma reflexão: o que isso significa? Quais as implicações do fato de Deus ser amor? De que modo isso afeta a teologia em que acreditamos – e, por conseguinte, nossa vida prática? Pode parecer algo tão óbvio que nem mereça discussão, mas fato é que a má interpretação do conceito da essência amorosa de Deus é justamente a gênese de muitos e grandes problemas e até de heresias que têm surgido no seio da Igreja nesse início de século XXI.
Vamos pensar um pouco sobre isso então. A essência de Deus é o amor. Agora: nós, humanos, só conseguiremos compreender plenamente o que isso significa se formos capazes de encaixar esse conceito divino essencial no que cada um de nós percebe como sendo amor. Uma analogia, para ficar mais claro: imagine que numa ilha distante só existam pássaros brancos. Automaticamente, todos seus habitantes associam o conceito de “pássaro” à cor branca. Um dia você atraca nessa ilha, encontra um nativo e tenta explicar para ele o que é, digamos, um urubu. Se disser a ele apenas que “o urubu é um pássaro”, automaticamente ele vai visualizar o urubu como uma ave branca. Afinal, é o único conceito de “pássaro” que ele conhece. Do mesmo modo, se na concepção de uma pessoa o conceito de “amor” é X, se você lhe disser que “Deus é amor”, automaticamente esse indivíduo compreende como “Deus é X”. Mesmo que a essência de Deus seja, por exemplo, Y. É uma mera questão de formar um signo por significados e significantes adequados e compreendidos por todos.
Diante disso, a pergunta que devemos nos fazer é: o que a civilização brasileira do século XXI entende como sendo “amor”? Pois é ao detectarmos qual é o sentido que esse conceito tem no inconsciente coletivo do brasileiro de nossos dias que conseguiremos visualizar como essa mesma civilização compreende o fato de Deus ser amor. E é exatamente aqui que começa o problema, uma vez que o conceito primário de “amor” para você e para mim é totalmente alheio à Bíblia. Trata-se do amor dos contos de fadas.
Geração após geração, século após século, década após década, nós ensinamos para nossas crianças que “amor” é aquilo que ocorre entre um príncipe e uma princesa nas fábulas e histórias de ninar. Ou seja, um grande e utópico sentimento destituído de implicações práticas, exigências ou contrapartidas. As inocentes histórias que crescemos ouvindo de nossos pais, professores, desenhos animados e outras fontes de formação de conceitos condicionam pavlovianamente gerações inteiras a abraçar uma ideia de amor que, antes de qualquer coisa, é um sentimento meloso, paternalista e ultraprotetor.
Repare: a princesa vê o príncipe e, apenas por olhar para aquela figura divina passa a amá-lo eternamente (e vice-versa). Não o conhece. Mal ou nunca conversou com ele. Às vezes a donzela está até mesmo dormindo e só toma conhecimento do “amado” após o beijo que arranca suspiros de todos. Isso na vida real seria tão esdrúxulo que se a sua filha decidisse se casar com um homem que mal conhecesse, no mínimo você teria uma séria conversa com ela. Mas nos contos de fadas… ah, o amor é lindo! E toda um geração cresce acreditando que amor é aquilo. Assim, somos condicionados desde os primeiros anos de nossas vidas a associar amor a uma sensação da qual nasce um relacionamento que não exige nada, que não tem contrapartidas – pois, afinal, o príncipe ama a princesa in-con-di-cio-nal-men-te, sem precisar renunciar a nada, sem uma gota se sacrifício. E mais: é o amor do príncipe que faz com que ele pegue a princesa nos braços e a carregue sem permitir que ela sue ou se canse. Que põe a capa sobre a poça de lama para que ela não suje o sapatinho de cristal. Que faz de tudo para que ela não tenha um incômodo sequer. É um amor de gente bastante mimada, convenhamos.
E, claro, esse amor dos contos da carochinha é complacente. A princesa nunca exige nada do príncipe. O príncipe não fica chateado com nada que a princesa faça. Eles apenas cantam e dançam, cavalgando sorridentes corcéis de crinas bem escovadas por prados verdejantes, cercados de cervos saltitantes e meigos coelhinhos de olhos grandes. É um amor de pura doação, poético, que não senta para cobrar atitudes. Que não demanda nenhuma renúncia. Basta entrar no castelo e a única exigência que se faz é que se seja feliz para sempre.
Esse conceito de amor de contos de fadas está tão introjetado no inconsciente coletivo que basta examinar as comédias românticas de Hollywood ou os grandes romances do cinema (que não passam de contos de fadas para crianças crescidas) e ver que o conceito se repete. Mais ainda: o modelo de sucesso das telenovelas da Globo justamente faz tanto sucesso porque segue a ideia introjetada no mais profundo de nossa mente desde nossa infância do amor-sentimento-nada-exigente: desde que haja aquele “sentir” arrebatador vale trocar o marido pelo amante, transar antes do casamento ou o que for e todos aplaudem. Sem exigir nada em troca, sem renunciar, sem se sacrificar pelo outro: basta suspirar, dar um grande beijo na boca e… ai ai…
Dor torna-se, então, por essa perspectiva, um conceito alienígena ao amor dos contos de fadas. Sofrimento quem impõe é a bruxa má, o príncipe jamais permitiria que sua princesa furasse um dedinho numa agulha de roca. Tristeza? INCONCEBÍVEL! Repare: o amor do conto de fadas é aquele em que (e isto é um ponto fundamental!) o ser amado vive feliz para sempre.
Pois é esse conceito de “amor” que ensinam a todos nós desde a nossa primeira infância, pela leitura de continhos de fadas, depois pelos desenhos animados, por fim pelos filminhos sentimentaloides. Somos condicionados, adestrados, ensinados, acostumados a que isso sim é amor.
O amor de contos de fadas aplicado a Deus
E de que modo esse conceito de amor de contos de fadas se aplica a Deus? Simples: quando então falamos que “Deus é amor”, automaticamente associamos o amor divino a esse tipo de amor fictício. Logo, enxergamos o amor de Deus como algo sentimental. Meloso. Poético. Que jamais poderia exigir do ser amado renúncias. Que torna inconcebível a ideia de sacrifício. Que exclui veementemente o amador permitir o sofrimento do amado. O Deus que é amor se torna, assim, um ser que não pode de jeito nenhum exigir algo de quem Ele ama, porque, na nossa cabeça, isso o tornaria alguém destituído de amor. Na nossa concepção de amor, formatada por anos de condicionamento à base de contos de fadas, telenovelas e filminhos água com açúcar, um Deus de amor jamais poderia exigir contrapartidas, jamais poderia estabelecer bases, sua aliança com o ser amado seria complacente, de autoanulação, uma eterna devoção dEle a nós. Uma eterna lua-de-mel.
E mais: por essa perspectiva, o amor de Deus tornaria inconcebível que o ser amado por Ele sofresse, sentisse dor, passasse maus bocados. O ser amado por Deus, na nossa mente pré-programada por contos de fadas, tem obrigatoriamente que fazer com que sejamos…felizes para sempre. O príncipe celestial jamais permitiria que a sua princesa-noiva-do-Cordeiro sofresse, pois senão ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Então, a ideia de alguém que ama e permite o sofrimento do amado é um contrassenso, não conseguimos admitir, não aceitamos. E começamos a encaixar a nossa revolta em conceitos bíblicos: um Deus que ama mas permite o sofrimento não tem… graça.
É aí que começam a surgir os problemas – um nome elegante para heresias. Para o indivíduo condicionado ao conceito do amor de conto de fadas, um Deus que ama não permitiria que milhares morressem num tsunami, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Um Deus que ama não permitiria que centenas morressem num deslizamento de terra na região serrana do Rio, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Um Deus que ama não permitiria que milhões fossem para o inferno, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa. Um Deus que ama não imporia um código de ética, pois aí ele não seria o príncipe, seria a bruxa – e uma bruxa legalista. Um Deus que ama não exigiria o cumprimento aos seus mandamentos dolorosos, pois aí ele não seria o príncipe da graça, seria a bruxa do legalismo. Um Deus que ama não teria verdades absolutas, pois aí ele não seria o príncipe, seria uma bruxa que transforma conceitos como “dogma” e “doutrina” em palavrões abomináveis. E esse conceito humano, infantil e fictício de amor começa a tomar ares de teologias.
E nós adoramos isso! Adoramos que Deus não mande muitos para o inferno, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não esteja no controle das tragédias, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus não exija de nós que nos sacrifiquemos para cumprir seus mandamentos, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Adoramos que Deus nos proponha uma graça frouxa e destituída de renúncias daquilo que nos é conveniente e agradável por obediência e submissão a Ele, senão o amor não venceria no final e não viveríamos felizes para sempre. Confeccionamos teologias que fazem do Deus da Bíblia um deus de contos de fadas. Ou seja: um Deus que viva o amor como Cinderela, Branca de Neve ou Rapunzel viveram. Mas não é isso que a Bíblia diz.
O conceito bíblico do amor
A Bíblia Sagrada nos revela muitos aspectos da pessoa de Deus que os contos de fadas jamais associam aos seus personagens apaixonados. O mesmo Jesus que é a suprema prova do amor dvino (Jo 3.16; Fp 2.7-9) é o Deus encarnado que afirma: “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’ será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mt 5.22). Ou ainda, que devemos ter medo “daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10.28), ou seja, Deus. Não dá para imaginar isso sendo falado sobre o príncipe da Branca de Neve, não é? Logo, por associação, na cabeça da civilização adestrada pela ficção pueril não dá para imaginar isso sendo falado sobre o Deus da Bíblia.
Assim, as pessoas, confusas com esse suposto paradoxo, começam a buscar explicações. De repente, o Deus que permitiu que Jó passasse por mais de 40 capítulos de sofrimento, dor, decepção, lágrimas e angústia é apenas fruto de uma fábula. Jó agora deixou de existir. virou uma metáfora. Aquele fato nunca aconteceu. Pois o Deus que ama como nos contos de fadas jamais deixaria que seu querido passasse por aquele sofrimento. Agora o Deus da Bíblia não controla mais forças da natureza e outras calamidades, pois um Deus que ama como nos contos de fadas e nos filmes de Julia Roberts e Sandra Bullock jamais estaria de acordo com genocídios, tsunamis, terremotos, Hitlers, Pol Pots e similares. Não, isso não condiz com o caráter de um Deus que quer que sejamos felizes para sempre.
Então, dizemos que o Deus que controla as forças da natureza é uma referência às deidades greco-romanas-pagãs que as controlavam. Esquecemos que Jesus acalmou o vento e a fúria dos mares com uma ordem, esquecemos que o Senhor conteve as águas do Mar Vermelho e do rio Jordão, consideramos inconcebível que esse Deus tenha provocado o dilúvio de Noé, que dizimou milhares. Ah, claro – dizem os teólogos adeptos do deus de contos de fadas – essas histórias são metáforas, são fábulas. Embarcamos no liberalismo teológico, numa teologia de relacionamento ou de universalismo que põem para fora do ser de Deus a pontapés os seus propósitos insondáveis, os seus planos elevados, a sua realidade infinitamente superior. Forjamos um deus que não compactuaria com dores e sofrimentos, quando Isaías 53 nos afirma que Jesus foi “ferido”, “moído”, “oprimido” e “afligido” – e isso desde antes da fundação do mundo.
Dizem esses teólogos poéticos que Deus jamais determinará o sofrimento das pobres vítimas da tragédia no Japão. Mas a Bíblia diz sobre o próprio Filho Unigênito do Deus que é amor que “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is 53.10). Sobra a leitura de 1 Coríntios 13 mas falta a leitura de Romanos 9, por exemplo, onde o Deus que é amor afirma: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” (Rm 9.15). E aos que não concebem um Deus que não aja segundo as vontades humanas ou a teologia dos contos da carochinha, o apóstolo Paulo dá o ultimato cinco versículos à frente: “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus?” (Rm 9.20). E logo depois: “E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição?”. Olha só: o Deus que é amor se ira! Uma ira, aliás, explicitada em numerosas passagens, como Nm 22.22; Dt 4.25; Dt 6.15; Dt 7.4; Jo 3.36; Rm 1.18; Rm 2.5; Rm 3.5; Rm 5.9; Rm 9.22; Ef 5.6; Cl 3.6; Hb 3.17; Hb 4.3; Ap 14.10; Ap 14.19; Ap 15.1; Ap 15.7, entre outras.
Sim, o amor de Deus convive com sua ira. E o não-cumprimento de sua vontade exige o cumprimento da justiça divina. Pois a Bíblia escancara de Gênesis a Apocalipse o fato incontestável de que Deus tem um código de certo/errado. Ou seja: por definição, tem um padrão moral. Um padrão ético. E exige de nós que o cumpramos, mesmo que precisemos renunciar a nossas vontades, ao que nos é conveniente, ao que fazemos em nome de uma graça barata. “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama”, diz Jesus em Jo 14.21. O mesmo Jesus de amor que em Jo 14.15 vaticina: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos”. Sim, o amor de Deus está condicionado à obediência a seus mandamentos (ou: normas, dogmas, decretos ou o nome impopular que se queira dar a aquilo que o Senhor determina que façamos em cumprimento a Sua vontade). E como Jesus é o Deus da graça, fica claro que sua graça e seu amor trafegam em conjunto com a obediência a seus mandamentos. O que, na cabeça de muitos, faria dele um Deus legalista, veja você.
Sim, pois há aqueles que apostam na teologia do complacente Deus Papai Noel, um velhinho bonachão que nos vê desobedecer seus valores (explícitos nos mandamentos da graça) e passa a mão na nossa cabeça, quando o Deus da Bíblia, que é amor, afirma: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mt 10.38, 39). Ou seja, é um Deus que exige renúncia por amor a Ele. Renúncia de nós, de nossos desejos, de nossas vontades, de nossos prazeres, daquilo que nos é mais conveniente, daquilo que exige esforço de nós. Mas graça não é sinônimo de moleza. “O Reino dos céus é tomado à força” (Mt 11.12). Quer desfrutar do amor e da graça de Deus? Então ouça o que a encarnação do amor diz: “”Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34).
Conclusão
Vivemos dias em que um conceito equivocado sobre o que significa “amor” está fazendo muitos cristãos acreditarem que o Deus que é amor não é mais soberano sobre tudo o que acontece, ou não condena mais os filhos da perdição ao fogo eterno, ou não exige obediência à custa de renúncia pessoal. Pintamos um Deus que, em nome de um amor que não é o amor bíblico, nos isenta de sofrimentos ou nos dispensa do cumprimento de seus mandamentos.
O Amor bíblico está longe de ser o amor dos contos de fadas. O Amor bíblico permite que José passe décadas sofrendo como escravo e presidiário por um bem maior. O Amor bíblico permite que o príncipe do Egito passe 40 anos no deserto de Midiã e depois mais 40 no deserto do Sinai para cumprir seus planos soberanos. O Amor bíblico entrega Seu Filho unigênito para sofrer injustamente por multidões que não mereciam. Isso é o Amor bíblico: um Amor que custa caro. Que é dado pela graça, mas que custa no mínimo o preço da obediência e do respeito à vontade soberana de Criador dos Céus e da Terra. É um Amor que não isenta aqueles que são mais amados de serem “torturados (…) enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11.35-37).
O Amor bíblico é sacrificial. É um Amor que permite catástrofes e sofrimentos porque a mente de Deus é muito mais elevada que a nossa e chega a ser arrogante tentar compreender o porquê de o Senhor optar por permitir tragédias que, dentro do grande esquema das coisas, poderão cumprir um propósito maior que não entendemos (afinal “agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido”). O Amor bíblico cumpre a Justiça divina e condena muitos sim à perdição eterna, pois é a profundidade do vale que determina a altura da montanha da eternidade ao lado de Cristo. O Amor bíblico exige do barro a coerência de obedecer de modo submisso ao oleiro, sem julgar que a renúncia de vantagens pessoais configure ausência de graça ou legalismo.
O Amor de Deus, o Amor bíblico, entrega Cristo para a cruz. Entrega o Cordeiro inocente para a humilhação, a tortura, a dor e a morte, pois sabe que a leve e momentânea tribulação redundará num eterno peso de glória. E não somos melhores que o Cordeiro. Não estamos isentos de humilhação, tortura, dor e morte. E, se nós, japoneses, moradores da região serrana ou qualquer outro passa por isso, temos a certeza de que Deus está no controle e que todas as coisas contribuem para o bem dos que o amam e andam segundo o seu propósito.
Afinal, reconhecer que Deus é amor quando tudo vai bem é fácil. Difícil é confessar esse amor no meio do sofrimento, da perda, da lástima, do apedrejamento, da perda de entes queridos, de um casamento dissolvido, do desemprego, da fome, da miséria. Bem-aventurados os que creram nesse amor sem ter visto sua expresão poetica. Bem-aventurados os que não se guiam por vista, mas por fé. E, afinal… não é isso que é fé? Crer com perseverança no amor de Deus quando tudo ao nosso redor tentar nos fazer acreditar que Deus não nos ama?