terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A ditadura do sexo

Sexo1

Por Maurício Zágari

Quantos tipos de pecados existem? Serão dezenas, centenas, milhares, milhões? Confesso que não sei ao certo, mas uma certeza tenho: são muitos. Muitos mesmo. Isso é curioso, porque, embora existam tantas e tantas e tantas formas de desobedecer a vontade de Deus, parece que concentramos nossa atenção em um pequeno punhado delas. Veja se estou errado: o que escandaliza a esmagadora maioria de nós são atitudes como embriaguez, fumo, consumo de drogas, envolvimento em programações consideradas pecaminosas (boate, bailes, carnaval, shows etc.) e aquilo que pomos no pináculo dos pecados: práticas sexuais ilícitas. Tudo o que é pecado é pecado, logo, não podemos ignorar o quanto qualquer uma dessas atitudes pecaminosas é tóxica para nossa alma nem diminuir a gravidade de qualquer uma delas. Mas o que me chama a atenção é como desenvolvemos o hábito de pôr no paredão apenas um pequeno grupo de transgressões – em especial, os pecados sexuais, considerados por muitos como piores do que a blasfêmia contra o Espírito Santo – quando existem dezenas, centenas, milhares ou milhões. Será que a eleição do sexo ilícito no imaginário popular como a pior de todas as transgressões tem alguma implicação? Tem sim, e são implicações sérias.

Acabei de ler um livro em que, em síntese, o autor expõe sua visão do que faz um sacerdote ser bem-sucedido, ou seja, o que seria sucesso no ministério. É uma obra bem interessante e que tem o seu valor, mas algo chamou minha atenção. Percorri com interesse suas páginas, até que cheguei ao capítulo que fala sobre santidade. Quando vi o tema, imaginei que ele discorreria sobre diferentes questões, como bom uso do dinheiro da igreja, relacionamento saudável com a família, cuidados com a vaidade excessiva, sexualidade sadia, humildade no uso do poder, justiça ao lidar com as ovelhas, a importância de ser manso no trato com os diferentes, a necessidade de não se corromper para obter facilidades, amar o próximo como a si mesmo, e uma série de outros tópicos que, a meu ver, são indissociáveis do tema santidade do ministro. Só que, para minha surpresa, o autor começa o capítulo falando sobre sexo, prossegue falando sobre sexo e o termina falando sobre… sexo. Cheguei ao final desse trecho pensando: “Tá certo, concordo, mas… só sexo?!”.

É absolutamente inquestionável que uma sexualidade santa é fundamental para a vida pessoal e ministerial de um indivíduo, devemos estar em constante vigilância para não cometer transgressões sexuais e, caso pequemos, sempre buscar o arrependimento sincero e a mudança de atitude. Mas, do jeito que o autor desse livro e muitos irmãos e irmãs tratam a questão, a sensação que tenho é que ser santo é apenas ser sexualmente santo. A pergunta é: e o resto? E as outras dezenas ou centenas, os outros milhares ou milhões de pecados, que fim levaram?

A conclusão a que chego é que nós criamos um ranking de pecados. E, no alto do pódio, triunfando como os piores pecados de todos, estão os de cunho sexual. Uma distinção que, é importante lembrar, a Bíblia não faz.

A revista Ultimato publicou na sua mais recente edição (número 346, pg. 42) um artigo não assinado em que aponta a negligência de grande parcela dos cristãos no que tange aos pecados ligados à injustiça social. Diz o texto: “A maior parte dos pregadores tem chamado a minha atenção para os pecados do sexo – o amor livre, a prostituição, o adultério, a pornografia, o homossexualismo – indicando a conduta certa nesta área. Agradeço a Deus por isso, mas lamento muito o silêncio, a falta de clareza e de ênfase na outra pregação, não menos importante que a anterior (…) Por falta de profetas nesta área, demorei muito tempo a compreender que é pecado tanto trair o cônjuge como deixar o irmão de estômago vazio”. Creio que o autor teve 101% de clareza em sua afirmação, pois conseguiu enxergar o quanto a “ditadura do sexo” está desviando as nossas preocupações de muitos outros tipos de pecados.

Não quero ser mal compreendido, então preciso enfatizar algo: pecado sexuais são graves. Nunca vou dizer o contrário nem vou passar a mão na cabeça deles. São horríveis e ponto. Toda prática sexual ilícita é destrutiva e só gera problemas, dor, morte e devastação. Sofro com um gosto amargo na boca só de pensar nos erros que cometi nessa área (e se você está praticando algo do gênero recomendo, por amor a sua vida e a sua alma, que pare imediatamente, já – de preferência, ontem). Mas o grande mal de se resumir os pecados graves a sexo é que todos os outros pecados graves começam a ser praticados sem que se dê o devido peso a eles.

E vou te contar um segredo: todo pecado é grave. Não existe “pecado não grave” ou “pecado menos grave”. Poderíamos nos perder em discussões eternas sobre “pecadinho e pecadão”, “pecados para a morte” ou mesmo o conceito católico romano de “pecado mortal e pecado venial”. Conheço a teologia de tudo isso e a grande conclusão, em última análise, é uma só: pecado é pecado. Desobediência é desobediência. Morte espiritual é morte espiritual. Não existe morte que mate mais do que outra morte. Quem morre de queda de avião morre tanto quanto quem morre de pneumonia. Quem morre numa explosão nuclear morre tanto quanto quem morre de dengue. Tirando a imperdoável blasfêmia contra o Espírito Santo (que é atribuir atos divinos ao Diabo), os demais pecados estão todos no mesmo saco: representam morte espiritual e carecem de arrependimento, confissão e abandono.

Se um ministro do evangelho comete um pecado sexual, ele imediatamente é afastado de seu cargo. E isso é correto, pois essa alma preciosa e valiosa está doente e necessita ser tratada, cuidada, pastoreada, sarada e, só então, reconduzida às suas atividades ministeriais. Mas não deveria ser assim também com um ministro que peca pela inveja? Pela ganância? Pela arrogância? Pela soberba? Pela corrupção? Falta de amor? Vaidade? Maledicência? Dissensões? Partidarismos? Egoísmo? Egocentrismo? Hipocrisia? Abuso de poder? Favorecimentos ilícitos? Violência verbal? Injustiça? Traições? Quebra da ética pastoral? Mau uso do dinheiro da igreja? Etc., etc., etc? Confesso que não consigo me lembrar de quase nenhum caso de um ministro que tenha sido afastado do cargo por qualquer um desses pecados. Graves, diga-se. Hediondos. Um pastor soberbo, agressivo, corrupto ou vaidoso é uma anomalia espiritual. Precisa de tratamento tanto quanto um viciado em pornografia na internet.

E não estou nem de longe falando apenas de ministros do evangelho. O mesmo se aplica a cada um de nós. Em um culto recente em minha igreja, um de meus pastores iniciou a celebração convidando a congregação a confessar seus pecados a Deus. Claro que me lembrei de meus pecado sexuais. Mas também me lembrei de muitos e muitos e muitos outros tipos de pecados, a ponto de a oração terminar e eu ter de interromper meu ato de contrição sem ter tido tempo de conversar com o Senhor sobre todos. Poucas vezes nos derramamos em lágrimas por termos sido, por exemplo, invejosos, iracundos, gananciosos, espertalhões, abusados ou por termos usado o “jeitinho brasileiro” (que é pecado, diga-se de passagem). Praticamos essas transgressões contra Deus sem nenhum drama de consciência, enquanto legiões de irmãos se deprimem por estarem, por exemplo, escravizados ao vício em pornografia. Por ser uma situação tão inexistente, chega a soar engraçado imaginar um líder ir a público dizer:

- Meus irmãos, preciso me licenciar do ministério pois não honro meu pai e minha mãe e tenho de me tratar espiritualmente.

Ou um membro de igreja que procure auxílio em gabinete pastoral afirmando:

- Pastor, preciso de libertação porque sou muito invejoso.

Você já viu alguém ser disciplinado na igreja por ter praticado a glutonaria? Eu nunca. Na verdade, em todos os meus anos de convertido nunca ouvi uma única pregação, escutei uma música gospel ou li um livro cristão sequer que fosse sobre esse pecado. Parece engraçado eu estar dizendo isso? Não quando lemos na Bíblia que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). Meu irmã, minha irmã, isso é extremamente sério! Essa passagem, por exemplo, me mostra que a glutonaria é tão grave e tem consequências tão severas como a fornicação, por exemplo, e outros pecados sexuais. E aqui reside o perigo, o xis da questão: se eu te perguntar quantas vezes você adulterou na vida, pode ser que me responda, indignado e ofendido: “Nunca!”; mas, sinceramente, quantas vezes você foi glutão? Umas 50? 100? 200? 300? E será que ao menos se arrependeu e pediu perdão a Deus por isso? Ainda: será que ter pecado pela glutonaria sem arrependimento faz de você menos culpado diante do Senhor do que se tivesse fornicado mas se arrependesse e pedisse perdão com toda sinceridade?

A mesma passagem que mostra a gravidade da obra da carne glutonaria a inclui no mesmo grupo que “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas” (Gl 19-21). Atravessamos a vida com nossa santidade sexual intocada mas cultivamos inimizades, sentimos ciúmes, promovemos discórdias, estimulamos facções, sentimos inveja e por aí vai – sem que nos arrependamos ou peçamos perdão ao Senhor. Será mesmo que estamos tão melhores assim na fita?

Todo pecado é grave. Mas existe um tipo de pecado que, sim, é mais grave do que os outros: o pecado não confessado. Enquanto ficarmos pondo corretamente o dedo na cara dos pecados sexuais mas passando incorretamente a mão na cabeça dos demais tipos de pecados, estaremos deixando de pregar contra eles, continuaremos a praticá-los sem arrependimento, não os confessaremos a Deus e, com tudo isso, seremos engolidos por atos hediondos para o Senhor mas a que não damos tanta atenção porque, para nós, não são tão hediondos assim.

Eis o grande mal da ditadura do sexo: deixamos de confessar nossos outros pecados, igualmente perniciosos.

Pode ser que você tenha se casado virgem, nunca tenha se masturbado, viva uma vida livre de adultérios e jamais tenha espiado pornografia na internet, entre outras atitudes sexuais biblicamente ilícitas. Se esse é o seu caso, ótimo – mas cuidado: sua sexualidade pode não te afastar de Deus, porém, de repente, sua língua, seus olhos, seu coração, seu ego ou suas atitudes o estão mantendo a anos-luz de distância do Senhor.

Quais são os pecados que você comete habitualmente mas aos quais não dá muita importância? Lembre-se de Provérbios 28.13: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. Examine-se, pois, o homem a si mesmo… e alcance a misericórdia do Pai.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

COMO VAI SUA ESPIRITUALIDADE?



Por Fabio Campos
Texto base: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. – 1 Coríntios 9.27 AFC

O grande apologista C. L. Lewis já dizia, “as pessoas precisam ser mais lembradas do que instruídas”. O amado Apóstolo Paulo não se cansou de repetir as mesmas coisas às igrejas, preservando assim a espiritualidade e contribuindo com a segurança dos irmãos (Fp 3.1). O assunto não é tão simplista como se parece.

Dentro do ativismo secular, o Senhor se preocupa com o ativismo religioso dos seus escolhidos. A exemplo disso segue o que disse o apóstolo, o qual viu a Cristo através de visão; plantou igrejas; sistematizou a teologia cristã e foi irrepreensível na lei; contudo, preservava e zelava por sua espiritualidade em meio a todas essas atividades: “... para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”.

Muitos ainda não entenderam na prática que é pó. O relacionamento com Deus é nutrido de joelhos e com as lágrimas. Existem momentos em que precisamos examinar-se a si mesmos e arrazoar se somos tudo aquilo que os outros pensam que somos. Na real? As coisas não são bem assim! Na tentativa de passar uma imagem da qual não somos nos perdemos e tropeçamos em muitas palavras. Consultando o travesseiro em união com o Pai - olhando nossa pequenez -, somos conduzidos a um estado de miséria genuína. Não digo a que escrevemos pelas frases prontas do facebook [“sou pobre e pecador”], mas dentro de uma realidade contemplada pelo espelho.

Muitos [assim como eu] têm a ciência, e disto o Espírito testifica que, não estamos bem, e há uma busca em demasia por aquilo que é efêmero. Olha a intranquilidade que agita nosso coração pelo anseio e busca priorizando o “ser perfeito” a vista de todos. São nestes momentos que identificamos o quanto estamos vazios – quanto nossa vida espiritual está mirrada. A teologia pensa sobre Cristo; a espiritualidade forma Cristo em nós.

Como certa vez ouvi de um grande teólogo; na introspecção e no devocional, por um “instante”, a teologia precisa ser deixada de lado [digo no estudo]. Como crianças, em certos momentos, precisamos ser ousados o suficiente para lançar-nos aos braços de Jesus, clamando pelo Aba. Passar tempo com Ele escolhendo a melhor parte - “ouvi-lo” em vez de “fazer”. Sejamos sinceros – consulte [assim como eu] sua consciência e responda: “Como vai sua espiritualidade”?

Paulo com toda essa bagagem preocupou-se com isso. O texto (1 Co 9.27) que usamos para trazer esta reflexão, “reprovado”, traz o sentido metafórico de “merecedor de condenação”, “réprobo” [‘detestado’; ‘infame’]. É muito mais sério do que talvez imaginemos! Precisamos cuidar um pouco mais da nossa comunhão com Deus e construir uma espiritualidade saudável. Você pode até ler meus textos no blog e meus post’s no facebook, e assim dizer, “... este é um grande homem de Deus, oxalá tivesse tal intimidade com o Senhor como ele”.

Não é bem assim, amados! Muitas das nossas orações são de nós para nós mesmos. Assim também segue os estudos, os postes, nossa pregação e apologética. “De nós para nós, usando o nome de Deus”. A espiritualidade de um homem não é construída nas praças; ou na sala de aula; nem tão pouco nos grandes congressos. A verdadeira espiritualidade é construída em nosso quarto - com a porta fechada - orando não como convém devido a nossa fraqueza, mas com gemidos inexprimíveis, na sinceridade e certeza de que, ninguém está arrazoando publicamente o falar, as orações e a forma pelo qual pensamos sobre Deus.

Precisamos passar mais tempo com o Senhor Jesus na prioridade de conhecê-Lo. É necessário esmurrar o corpo - reduzindo-o a escravidão-, para que, terminado todas as obrigações de um despenseiro, não venhamos a ser desqualificado.

Seja sincero e responda: Como Deus olha sua espiritualidade? Não o que você faz para Ele, mas quem você de fato é? Alguém sincero que anda humildemente com o seu Deus terá o discernimento e reconhecerá se há algo que esteja faltando na comunhão com o Seu Criador.

Pensemos nisso!

Um demônio furioso chamado procrastinação

pro1

Por Maurício Zágari

Se o Diabo tivesse um livro sagrado, acredito que nele haveria um versículo que diria: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer… depois de amanhã”. Digo isso porque o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga decisões importantes que precisa tomar – o que, em se tratando de vida espiritual, é muito prejudicial. Por isso, devemos refletir e nos disciplinar para mudar essa estranha atração que temos pelo “deixar para depois”. A procrastinação (o ato de adiar ações ou decisões) torna-se, assim, um mal a ser combatido. Se você percebe que, na lista da sua vida, há mais itens na coluna das “coisas a fazer” do que na de “dever cumprido” é hora de acender a luz vermelha e tomar alguma atitude para reverter essa situação.

Claro que cada pessoa sabe em que precisa melhorar. Mas existem áreas de nossa vida em que o problema é mais comum e, por isso, merecem mais atenção.

O grande mal de nossa época é a falta de amor ao próximo. Não é por acaso que o primeiro campo em que estamos sempre procrastinando é no exercício do amor – nas suas mais variadas formas. Existem multidões de pessoas ao nosso redor, na igreja e fora dela, que estão solitárias, carentes, tristes, deprimidas, infelizes, à espera de alguém que se aproxime com uma palavra amiga, um ombro acolhedor ou, simplesmente, com presença e calor humano. Nós, filhos de uma era em que só cuidamos de nós mesmos e, no máximo, de nossa família, fechamos os olhos a elas. Sabemos que existem, vemos seu semblante abatido, mas… o que fazemos por essas tristes almas? Ou delegamos a outras pessoas a tarefa de amá-las ou deixamos para depois tudo aquilo que poderíamos fazer por elas mas não fazemos. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.30-31). Temos cumprido esse mandamento? Se você estivesse mal, precisando de amor, gostaria que o próximo ficasse adiando o momento de vir até você para abraçá-lo e perguntar: “Onde dói a tua dor?”. Então o que você está esperando para começar a amar o próximo de fato e não só de boca?

Outra área em que falhamos de forma atroz é no compartilhar o amor de Deus. Estou falando de evangelismo. E esqueça aquele imagem de pessoas nas ruas abordando outras com folhetos nas mãos, essa é apenas uma das formas de evangelizar e nem de longe é a mais eficiente. Não existe nenhuma outra maneira mais eficaz de pregar o evangelho do que a proclamação do amor de Cristo junto àqueles que convivem conosco, no dia a dia, na convivência pessoal. Mas, seja por vergonha, seja por crer que há ainda tempo de sobra, seja por que razões for, aqueles que receberam a ordem de ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou (Mt 18.19-20)… simplesmente a ignoram. E, assim, por culpa de nosso espírito procrastinador, deixamos de cumprir a grande comissão. O problema é que, se não pregarmos, meu irmão, minha irmã, muitos irão para o inferno.

Procrastinamos não só ações de evangelismo, mas também projetos de edificação no nosso próximo. De que forma você gostaria de contribuir para abençoar o Corpo de Cristo e os não cristãos? Visitando orfanatos? Indo a casas de repouso? Criando um blog na internet? Escrevendo um livro? Ensinando? Intercedendo? Voluntariado-se em alguma instituição filantrópica? Alimentando quem tem fome e saciando quem tem sede? Apadrinhando uma criança pela Visão Mundial? Construindo casas para os desabrigados? Como, afinal? Se você tem planos, sonhos ou vontades nessa área… o que está esperando? O próximo precisa de você hoje, não depois de amanhã. “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36).

Procrastinamos, ainda, o abandono dos pecados. Sabemos que estamos errados, o Espírito Santo nos incomoda diariamente, mas agimos como se disséssemos a Deus: “Senhor, me deixa pecar só mais um pouquinho, vai. Tá tão bom, amanhã eu me arrependo, peço perdão e deixo, tem tempo…”. O pecado é como um leão que devora a nossa alma constantemente, um pedaço por vez. Imagine a dor e o dano que provoca uma fera arrancando pedaços de você a cada dia. Mas procrastinar o abandono do pecado é como se pensássemos “Deixa esse leão comer mais um pouquinho do meu fígado, amanhã eu tento afastá-lo”. Chega a ser surreal cogitar isso. Mas é exatamente o que fazemos quanto ao pecado. O perigo é adiarmos tanto a expulsão dessa besta que, daqui a pouco, não sobrará nada da nossa carne – e sabe o que é um ser humano sem carne? Um cadáver. Jesus disse: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado” (Jo 15.22). Até quando você vai continuar escravizado por pecados recorrentes e adiar o abandono das suas transgressões?

Também procrastinamos o estudo das coisas de Deus. Queremos servir Jesus, amamos o Senhor, mas deixamos sempre para algum dia o aprofundamento na compreensão acerca de quem ele é, de qual é a sua ética e montes de informações que nos fariam cristãos mais maduros e íntimos de Cristo. Mas procrastinamos nossa entrada no seminário; deixamos sempre para o ano seguinte o plano de ler a Bíblia inteira; acumulamos pilhas de livros cristãos em cima do móvel. na expectativa de começar a ler no dia seguinte… estamos sempre priorizando outras atividades e deixamos o estudo das coisas concernentes a Deus para um futuro que nunca chega.

Uma das atitudes mais destrutivas espiritualmente é a hostilidade entre irmãos. A gravidade desse mal não está somente em seu poder destruidor, mas em sua frequência entre nós. Irmãos em Cristo se ofendem, se agridem, se prejudicam, fazem o mal uns aos outros e fica tudo por isso mesmo. Seja por orgulho, seja por um entendimento errado acerca do perdão, seja por que razão for, muitos de nós criam barreiras entre si e vivem deixando para depois o ato de pedir perdão a quem ofendeu ou de perdoar quem o ofendeu. “Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mt 5.23-24).Honestamente: qual de nós verdadeiramente faz isso de imediato? Adiar a reconciliação pode ter efeitos drásticos: “Se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14-15).

Mais uma área em que a procrastinação ocorre de forma espiritualmente prejudicial é na vida daqueles que foram chamados pela voz da graça, viveram em comunhão com o Senhor e, por alguma razão, se afastaram. Imersos nos prazeres deste mundo, nunca deixaram de saber a verdade, de ouvir a voz do Espírito Santo e de ter – lá no fundo – a convicção de que um dia retornariam ao aprisco do Bom Pastor. Mas ficam adiando, adiando, adiando e, nessa procrastinação, seguem distantes de Jesus. A quem procede assim, “Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.20). Jesus, aliás, foi bem enfático ao tratar deste ponto. Quando um jovem o abordou com a proposta de procrastinar sua adesão à causa de Cristo, veja o que ocorreu: “Outro discípulo lhe disse: ‘Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai’. Mas Jesus lhe disse: ‘Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos’.” (Mt 8.21-22).


Esses são apenas alguns exemplos de áreas comuns em que os cristãos têm o hábito de procrastinar. Há muitas outras e convido você a refletir sobre isto: o que você tem adiado em sua vida e que tem prejudicado sua caminhada com Cristo? Seja o que for, procrastinar é uma atitude que pode destruir almas, afastar pessoas de Jesus, nos manter na ignorância sobre as coisas de Deus, deixar vidas em ruínas e… e tudo mais que há de pior na vida espiritual de uma pessoa. É uma atitude humana, mas que age com o poder destruidor de um demônio furioso. Reflita que benefícios e que malefícios esses constantes adiamentos têm provocado.

“A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida” (Pv 13.12). O desejo de Deus é que você não adie aquilo que é importante para ele. Será que você cumprirá o desejo do seu Senhor?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Reconhecimento, sucesso, auto-promoção!

Por Josemar Bessa

Num tempo de busca de reconhecimento, sucesso, auto-promoção... Como Deus nos envia a este mundo? Quais as expectativas que devem estar em nossos corações? Deus diz: “Eles serão como o orvalho enviado pelo Senhor!” (Miqueias 5.7).

A vida de um homem que está em Cristo é muitas vezes comparada a um orvalho. Um ponto de semelhança é a forma tranquila em que o orvalho realiza o seu ministério no mundo. Ele cai silenciosa e imperceptivelmente. Ele não faz barulho. Ninguém o ouve cair. Escolhe o tempo do seu trabalho na escuridão da noite, quando os homens estão dormindo, quando NINGUÉM pode ver o seu trabalho. Quão diferente disso tem sido o paradigma de servir a Deus neste mundo que incentiva todos a buscar os holofotes.

Grande parte das pessoas decepcionadas, no mundo, no ministério, família... é por não ter tido o reconhecimento esperado. É a decepção por jamais ter tido a visão de ter sido enviado como o orvalho. Jesus disse: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. -Mateus 6:6 – É uma vida de oração como um orvalho. Como é comum ouvirmos “testemunhos” de quanto tempo se passa de joelhos, jejuns... Isso é uma espiritualidade extra-mundana. “E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”. Mateus 6:5

Quando expectativas forjadas no coração do mundo nos motivam, a amargura e auto-comiseração brotam na alma. Ou seja, o resultado do trabalho é pecado no coração por esse trabalho ter começado com uma motivação pecaminosa.

O orvalho faz seu trabalho à noite, quando todos dormem, e quando acordam, ele já se foi. Cumpriu o desígnio de Deus para ele, isso lhe basta.

Este é um teste maravilhoso para as nossas vidas. Estamos dispostos a ser como o orvalho? Trazendo bênçãos às “portas” dos homens, enriquecendo e fertilizando a vida dos homens... tendo “partido” antes que tenham acordado para perceber? Estamos dispostos a servir a Deus no mundo
Sem gratidão,
Sem reconhecimento,
Sem louvor humano,
Sem retribuição???

“Eles serão como o orvalho enviado pelo Senhor!” (Miqueias 5.7).

Eu estou farto! Basta!

Por Maurício Zágari
Eu estou farto.
Farto de querer viver um Evangelho simples e sempre quererem complicar.
Farto de ver gente achando que ser cristão não exige esforço.
Farto de ver hipócritas pondo o dedo na cara das instituições religiosas mas faturando uma grana com seus sites antirreligião.
Farto de ver crentes que pecaram feio acusarem quem os exorta de legalistas para justificar seu pecado não-abandonado.
Farto da diabólica Teologia da Prosperidade.
Farto de expressões antibíblicas da herética Confissão Positiva, como “eu decreto…”, “eu declaro…”, “eu tomo posse…”
Farto de ouvir a expressão “em nome de Jesus” ser usada como “abracadabra”.
Farto de conselhos de presbíteros que tratam pastores como funcionários.
Farto de pessoas que nunca leram a Biblia quererem ficar ensinando cristianismo a partir de experiências pessoais.
Farto de gente que diz “eis que te digo” sem que Deus tenha dito nada.
Farto de blogueiros aspirantes a palestrantes que querem se promover para serem convidados a falar em conferências teológicas.
Farto da vaidade gospel.
Farto de cantores gospel sem nenhum compromisso com o Evangelho.
Farto de letras de musicas gospel que em vez de exaltar Deus ficam pedindo a Ele para nos saciar após ter um romance conosco e abominações parecidas.
Eu estou farto da minha própria pecaminosidade.
Estou farto. Basta.
Basta de pastores que tratam a membresia como se fosse propriedade sua.
Basta de membros que vivem detonando seus pastores pelas costas.
Basta de pastores-poetas inventores de falsos evangelhos que destituem Deus de sua soberania.
Basta de cristãos preguiçosos que dizem que estudar Teologia deixa o crente frio.
Basta de teólogos que não vivem na dimensão do sobrenatural de Deus.
Basta da Teologia Liberal e seus absurdos.
Basta de se preocupar mais com o número de membros do que com a qualidade dos membros.
Basta de apelos que forjam falsas salvações só porque alguém foi à frente e levantou a mão.
Basta de achar que discipulado são meia dúzia de aulas sobre a fé, em vez de uma longa caminhada pessoal do cristão maduro com o novo-convertido.
Basta de impostações artificiais de voz na hora da pregação, simulando autoridade divina.
Basta de gente que sobe ao púlpito para fazer propaganda de livros, CDs e DVDs.
Basta de gente que nunca pegou um livro de História da Igreja e quer discutir sobre a Igreja dos nossos dias, repetindo os mesmos erros do passado.
Basta de jovens cristãos cheios de testosterona que querem revolucionar a Igreja mas não sabem de cor nem ao menos o fruto do espírito, os Dez Mandamentos ou os Profetas Menores.
Basta de achar que combater o diabo é mais importante que proclamar Cristo.
Basta de achar que o diabo manda mais na Terra do que Deus.
Basta de achar que algum pastor ou teólogo não possa falar enormes baboseiras bíblicas só porque ele tem mais followers no twitter ou amigos no Facebook.
Basta. Estou farto.
Estou farto de gente que fala mal de seus líderes pelas costas.
Estou farto do reteté vazio e sem sentido.
Estou farto de emergentes que acham que Jesus tem que dançar tecnopop para ganhar almas.
Estou farto do amor antibiico do universalismo.
Estou farto dos falsos Jesus ensinados por falsos mestres.
Estou farto de cristãos que condenam todos os pastores e todas as igejas porque tiveram uma ou duas más experiências.
Estou farto de cristãos que chamam outros de “fariseus” porque estes são obedientes ao que a Biblia diz.
Estou farto dos que dizem que Deus só é amor e fogem da verdade de que Ele também é justiça e se ira.
Estou farto de gente que constrói Deus segundo suas conveniências pessoais.
Estou farto de igrejas domésticas que acham que são mais autênticas só porque se chamam de “comunidades” e não pertencem a nenhuma denominação.
Estou farto de programas “evangélicos” na TV.
Estou farto da ignorância histórica que leva muitos a achar que o mal da Igreja são os templos.
Estou farto de gente que inventa que foi ao Céu ou ao Inferno para ganhar dinheiro vendendo livros ou dando testemunhos.
Estou farto de testemunhos e milagres inventados.
Estou farto de gente que acha que precisa “ajudar” Deus seja lá no que for.
Eu estou farto da minha própria pecaminosidade.
Estou farto. Basta.
Basta de cristãos querendo aparecer na igreja.
Basta de disputas políticas de baixíssimo nível em Convenções de denominações religiosas.
Basta de cristãos que buscam o poder humano.
Basta de gente que acha que pode ser cristão e maçom ao mesmo tempo.
Basta de jovens que acham que sabem tudo sobre a fé sem nunca ter pego a Bíblia.
Basta de condenar ao inferno a ortodoxia cristã que segue o que o próprio Cristo defendeu.
Basta de fingir que o inferno não existe.
Basta de novas denominações.
Basta de uma suposta união de diferentes setores da igreja em torno não de assuntos espirituais, mas de objetivos humanos.
Basta de grupecos que racham com igrejas por se achar os bastiões da fé verdadeira.
Basta da ignorância histórica e bíblica de que leva a achar que a Igreja primitiva era perfeita.
Basta de fingir que nas catacumbas dos primeiros séculos de cristianismo não havia desenhos e imagens.
Basta de marxismo travestido de cristianismo.
Basta de neoliberalismo travestido de cristianismo.
Basta de gente que peca justificando-se com a graça de Deus em vez de cair chorando de arrependimento.
Basta de pregações de autoajuda.
Basta de unções diabólicas de 900 reais.
Basta de empresários gananciosos disfarçados de pastores.
Basta de falsos pastores que manipulam a boa-fé do povo para faturar em cima.
Basta de a Igreja querer se misturar com o Governo.
Basta. Estou farto.
Estou farto do cristão que acha que Jesus encarnou no mundo, morreu e ressuscitou só pra fazer ação social.
Estou farto de cristãos que acham que Jesus encarnou no mundo, morreu e ressuscitou para acabar com a miséria do país.
Estou farto de cristãos que acham que Jesus encarnou para nos fazer milionários.
Estou farto de cristãos que só pensam em dinheiro.
Estou farto de cristãos que usam a Igreja para ganhar dinheiro ilícito.
Estou farto de sacerdotes que traem tão excelente chamado para se candidatar a cargos políticos.
Estou farto de pastores que pedem dinheiro ao tráfico de drogas para erguer igrejas.
Estou farto de pastores que cedem os púlpitos para candidatos fazerem propaganda política.
Estou farto de cristãos discipulados por corinhos da moda.
Estou farto de crentes que prestam serviço sem dar nota fiscal.
Estou farto de seminaristas que colam na prova.
Estou farto de seminaristas que dizem não ter tempo para estudar mas nunca perdem o jogo de 4a feira à noite na TV ou a novela das oito.
Estou farto de programas de TV que se dizem evangelísticos mas que na verdade servem para vender produtos e divulgar igrejas.
Estou farto de celebridades gospel que usam a fama para faturar em vez de promover Jesus.
Estou farto de cristãos que acham que orar não basta, é preciso ser ativista.
Eu estou farto da minha própria pecaminosidade.
Estou farto. Basta.
Basta de igrejas que se maqueiam de muderninhas pra atrair jovens.
Basta de raves gospel.
Basta de tratar o Evangelho Sagrado como se fosse “uma coisa maneira”.
Basta de dizer que “religião” é sinônimo de “religiosidade”.
Basta de palavras fora do contexto.
Basta de pregações fora do contexto.
Basta de dizer que a instituição igreja e institucionalização farisaica da fé são a mesma coisa.
Basta de cristãos que esquartejam o Corpo de Cristo em “nós somos os da graça” e “eles os da religião”.
Basta de pastores arrogantes.
Basta de crentes arrogantes.
Basta de achar que Cristo gosta que pastores berrem e esbravejem na TV.
Basta de marchas inócuas para Jesus.
Basta de louvor no volume máximo à noite incomodando toda a vizinhança.
Basta de crentes que ofendem o não cristão em nome de evangelismo.
Basta de contestar o dizimo bíblico.
Basta de adesivos com versículos bíblicos em carros que ultrapassam o sinal vermelho e fazem bandalhas.
Basta de achar que ser cristão é só ir ao culto.
Basta. Estou farto.
Farto de igrejas que investem seu dinheiro naquilo que não glorifica Deus.
Farto de pastores que usam o dízimo sagrado para fazer negócios que em nada dignificam o nome do Senhor.
Farto de cristãos que passam cheques sem fundos.
Farto de líderes que fazem propaganda de políticos em troca de benefícios materiais.
Farto de pastores que se preocupam mais com construção de paredes do que pastorear ovelhas.
Farto de um cristianismo mais ligado à terra que ao Céu.
Farto de barbaridades feitas em nome de anjos.
Farto de crianças pregadoras.
Farto do joio.
Farto do trigo abusador.
Farto de grupos de dança de igreja que só servem para agradar homens e atrapalham o culto.
Farto de músicos de igreja que se mandam eles pararem de tocar abandonam a igreja.
Farto de crente que gosta de aparecer.
Farto de haver tantas coisas ligadas à fé que me fazem estar farto com tantas coisas ligadas à fé.
Eu estou farto da minha própria pecaminosidade.
.
Eu estou farto de gente que diz “eu estou farto” e “basta” mas não faz nada para mudar o que está errado.
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Mas…
…meu consolo é que acredito piamente que Deus também está farto de tudo isso.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ver e sentir Deus em todas as áreas do conhecimento


Por John Piper
A tarefa dos estudiosos cristãos é estudar a realidade como manifestação da glória de Deus, falar dessa realidade com exatidão e sentir a beleza de Deus presente nela. Creio que Edwards consideraria uma enorme abdicação da erudição o fato de tantas obras acadêmicas cristãs fazerem tão pouca referência a Deus. Se todo o universo e tudo que há nele existem em função do desígnio de um Deus infinito e pessoal, com o propósito de tornar a sua glória multiforme conhecida e amada, tratar de qualquer assunto sem se referir à glória de Deus não é erudição, mas sim rebelião.
Além disso, a exigência é ainda maior: a erudição cristã deve ser imbuída do sentimento espiritual pela glória de Deus em todas as coisas. A maioria dos estudiosos sabe que, sem o apoio da verdade, os sentimentos se transformam em emocionalismo infundado. Porém, não são muitos os estudiosos que reconhecem o oposto: sem despertar os verdadeiros sentimentos espirituais é impossível ver a verdade integral em todas as coisas.

Assim, Edwards diz: "Onde há um tipo de luz sem calor, uma mente repleta de conceitos e especulações, com um coração frio e intocado, não pode haver coisa alguma de caráter divino nessa luz, esse conhecimento não é o verdadeiro conhecimento espiritual das coisas divinas".
Há quem possa objetar, afirmando que a psicologia, a sociologia, a antropologia, a história, a física, a química, o idioma e as ciências da computação não são "coisas divinas", mas sim "coisas naturais". Essa idéia, porém, deixa de fora a primeira questão: a fim de vermos a realidade como ela é de fato, devemos vê-la em relação ao Deus que a criou, que a sustenta e lhe dá todas as propriedades que possui e todas as suas relações e propósitos. Ver todas essas coisas em cada disciplina é ver "as coisas divinas" - e, no final, são elas que importam. Portanto, Edwards afirma que não podemos divisar essas coisas e, por conseguinte, não podemos exercitar a erudição cristã, se não tivermos uma percepção espiritual ou um gosto por Deus - se não tivermos a capacidade de captar a beleza de Deus naquilo que ele criou.De acordo com Edwards, essa percepção é dada por Deus por meio do novo nascimento sobrenatural, realizado pela Palavra de Deus. "O primeiro efeito do poder de Deus sobre o coração na regeneração é dar ao mesmo uma percepção divina ou uma inclinação por Deus, levando o coração a se deleitar com a beleza e a doçura da excelência suprema da natureza divina."52 Portanto, a fim de exercitar a erudição cristã, a pessoa deve ser nascida de novo; ou seja, a pessoa não deve apenas observar os efeitos da obra de Deus, mas também se deleitar com a beleza encontrada na natureza de Deus.
Edwards afirma que o trabalho racional não é em vão, mesmo considerando-se que tudo depende do dom gratuito de Deus da vida e da visão espiritual. Isso porque "quanto mais a pessoa possuir conhecimento racional das coisas divinas, mais oportunidade terá, quando o Espírito for soprado no seu coração, de ver a excelência dessas coisas e sentir a sua doçura".
Fica claro que, ao falar de "conhecimento racional", Edwards não está se referindo ao racionalismo que exclui filosoficamente as "coisas divinas". Em se tratando da erudição cristã, é ainda mais relevante o fato de que, para Edwards, o "conhecimento racional" também exclui uma imitação metodológica, por parte dos cristãos, do racionalismo encontrado nas obras acadêmicas. Creio que Edwards consideraria uma parte da erudição cristã de hoje metodologicamente ininteligível em função da exclusão de fato de Deus e de sua Palavra dos processos de raciocínio. Ao que parece, esse tipo de erudição pode ser atribuído ao desejo de obter o reconhecimento e a aceitação dos meios acadêmicos em geral. No entanto, o preço a ser pago por esse respeito é extremamente alto. E acredito que Edwards questionaria se, a longo prazo, essa transigência não acabará por enfraquecer a influência cristã que visa à exaltação de Deus, uma vez que a concessão ao naturalismo fala mais alto do que o objetivo da supremacia de Deus em todas as coisas. Não apenas isso, mas também a própria natureza da realidade será distorcida por estudiosos que adotam uma metodologia que não prioriza o fundamento, a força e o objetivo da verdade, ou seja, Deus. Sempre que Deus é metodologicamente deixado de lado, torna-se impossível interpretar a realidade com precisão.
De que maneira, então, esse conceito de erudição cristã é resultante da verdade de que a demonstração da glória de Deus e a alegria mais profunda da alma humana são a mesma coisa? Deus demonstra a sua glória na realidade criada que está sendo investigada pelo estudioso (SI 19.1; 104.31; Cl 1.16,17). E, no entanto, o propósito de Deus ao fazer essa demonstração não é cumprido se o investigador não a observa e sente. Assim, a experiência, a satisfação e o prazer do estudioso com a beleza da glória de Deus são uma ocasião em que a demonstração dessa glória é consumada. Nesse momento, as duas coisas se tornam uma só: o engrandecimento da glória de Deus é concretizado na observação e na experiência que ocorre na mente e no coração do estudioso. Quando o eco da glória de Deus repercute nas afeições do estudioso consagrado a Deus e ressoa no que ele diz e escreve, o propósito de Deus para a erudição é cumprido.

HELP..., ESTOU ESCANDALIZADO!

Por Fabio Campos
Texto base: “E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar”. (Mc 9.42 AFC)

De fato, a cada dia fico mais escandalizado com as “aberrações gospel”! É tanta heresia, que o povo perdeu sua capacidade de senso crítico que a Bíblia manda ter por virtude (1 Jo 4.1). Diante disso tudo, minha conclusão: “sou fraco na fé e me escandalizo com os ‘ditos fortes’ no ‘poder de Deus’”. Podemos definir “escandalizar” neste contexto com aquilo que é “pedra de tropeço” ou que “induz ao erro”; ou também “o que pode ferir a consciência de uma pessoa afetando seu relacionamento com Deus”. Pois é, estou escandalizado com vocês que pregam heresias!

Aos “senhores” que dizem “não toqueis no ungido”, saibam que a preocupação de Jesus não é com vocês, mas com os “pequeninos”. Está claro: “Aí daquele que escandalizar qualquer um desses pequeninos que creem em mim”. Muito cuidado com aqueles que têm a fé do tamanho de um grão de mostarda! Jesus não está nem aí para vocês que ostentam o seu “título eclesiástico inventado” para auferir uma posição “especial” para com Deus perante os homens. Ou vocês não conhecem as Escrituras ou finge que não as conhecem ( Jo 1.12).

Vocês que dizem ter essas “revelações” que são contrários aos ensinamentos bíblicos (1 Co 4.6) - que gostam da “batalha espiritual esotérica” - que são ávidos por títulos pelo qual dão destaque perante os outros; vocês que negam o Senhor pelas atitudes e que centralizam o poder na figura daquele que se auto denomina “profeta”; é, vocês mesmos!; Vocês que gostam de cultuar a personalidade dos líderes e taxam os outros que discordam de tais posturas com base bíblica de rebeldes; digo: Vocês me escandalizam e atrapalham minha fé que deveria ser “pura, inocente, e simples no Senhor Jesus. Pedra de tropeço são vocês!

As pessoas dizem “cuidado com o que você fala”. De fato, temos que nos policiar naquilo que declaramos. Entretanto, o problema é que alguns que falam isso não se escandalizam com as baboseiras ditas nos púlpitos. A heresia é do diabo e não existe nada mais nocivo a fé do que o seu fermento. Basta um pouco para nunca mais conseguir arranca-lo de toda a massa. E cresce, hein, como cresce os falsos ensinos! Os mestres fazem suas “panelas”! A pregação genuína do Evangelho incomoda seus ouvidos! Desculpa a fraqueza, mas prefiro que um irmão caia em pecado do que em apostasia devido a heresia. Vemos muitos casos de pessoas que retornaram ao Evangelho por ter cedido a “paixão da carne”; o que é raro quando alguém se desvia por causa de “heresias” e de “usos e costumes”.

Socorro! Ajudem-me! Me escandalizo com tudo aquilo que não se enquadra à “Sã Doutrina”, e por causa disso, minha consciência é afetada. Por amor a Deus e para com este fraco na fé [eu], não preguem aquilo que é contrário as Escrituras dizendo ter elas por base.

Desde já agradeço por não ser pedra de tropeço na minha vida!

Soli Deo Gloria!

Respostas a Argumentos Usados em Favor da Ordenação de Mulheres


Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Oferecemos aqui respostas aos argumentos geralmente empregados em favor da ordenação de mulheres para o ministério pastoral.

1. Deus não criou originalmente o homem e a mulher iguais? Qual a base, pois, para impedir que a mulher seja ordenada? 

Resposta: De fato, lemos em Gênesis 1 que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Entretanto, lemos no relato mais detalhado de Gênesis 2 que Deus lhes atribuiu papéis diferentes, dando ao homem o papel de liderar e cuidar da mulher e à mulher o papel de ser sua ajudadora, em submissão. Esta diferenciação é percebida por Paulo na ordem em que foram criados (primeiro o homem e depois a mulher, 1Tm 2.13), na forma como foram criados (a mulher foi criada do homem, 1Co 11.8) e no propósito para o que foram criados (a mulher foi criada por causa do homem, 1Co 11.9). A igualdade da criação, portanto, não anula a diferenciação de funções estabelecida na própria criação.

2. A subordinação feminina não é parte da maldição por causa da queda? E Cristo não aboliu a maldição do pecado? Por que, então, as mulheres cristãs não podem exercer o ministério em igualdade com os homens?
Resposta: Sem dúvida um dos castigos impostos por Deus à mulher foi o agravamento da sua condição de submissão. Entretanto, a subordinação feminina tem origem antes da queda, ainda na própria criação. O homem não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem. O homem não foi criado por causa da mulher, mas sim a mulher por causa do homem (1Co 11.8-9). Quanto à obra de Cristo, lembremos que seus efeitos não são total e exaustivamente aplicados por Deus aqui e agora. Por exemplo, mesmo que Cristo já tenha vencido o pecado e a morte, ainda pecamos e morremos. Outros efeitos da maldição impostos por Deus após a queda ainda continuam, como a morte, o sofrimento no trabalho e o parto penoso das mulheres. Além do mais, desde que os diferentes papéis do homem e da mulher já haviam sido determinados na criação, antes da queda, segue-se que continuam válidos. O que o Cristianismo faz é reformar esta relação de submissão para que a mesma seja exercida em amor mútuo e reflita assim mais exatamente a relação entre Cristo e a Igreja.

3. Há abundantes provas na Bíblia de que as mulheres desempenharam papéis cruciais, ocupando funções de destaque e sendo instrumento de bênção para o povo de Deus. Isto não prova que elas, hoje, podem ser ordenadas e exercer liderança?

Resposta: Estas provas demonstram apenas a tremenda importância do ministério feminino, mas não a existência do ministério feminino ordenado. Nenhuma destas mulheres era apóstola, pastora, presbítera ou diaconisa. Jesus não chamou nenhuma mulher para ser apóstola. As qualificações dos pastores em 1Timóteo 3 e Tito 1 deixam claro que era função a ser exercida por homens cristãos. O fato de que as mulheres sempre foram extremamente ativas e exerceram muitas e diferentes atividades e serviços na Igreja Cristã não traz como corolário que elas tenham sido, ou tenham que ser, ordenadas para tal.

4. Há evidência na Bíblia de que Hulda, Débora, Priscila e Febe eram líderes e exerciam autoridade. Isto não é prova bíblica suficiente para ordenação de mulheres?

Resposta: Há dois pontos a se ter em mente quanto ao ministério destas mulheres: (1) O fato de que a Bíblia descreve como Deus usou determinadas pessoas em épocas específicas para propósitos especiais não faz disto uma norma. Lembremos da utilíssima distinção entre o descritivo e o normativo na Bíblia. Deus usou o falso profeta Balaão (Nm 22.35). O desobediente rei Saul também profetizou em várias ocasiões (1Sm 10.10; 19.23), bem como os mensageiros que enviou a Samuel (1Sm 19.20,21). A descrição destes casos não estabelece uma norma a ser seguida pelas igrejas na ordenação de oficiais. O fato de que Deus transmitiu sua mensagem através de uma mulher não faz dela um oficial da Igreja. Há outros requisitos no Novo Testamento para o oficialato conforme lemos nas especificações explícitas que temos em 1Timóteo 3 e Tito 1.

(2) Os profetas de Israel não recebiam um ofício mediante imposição de mãos para exercer uma autoridade eclesiástica oficial. Os reis e sacerdotes, ao contrário, eram “ordenados” para aquelas funções e as exerciam com autoridade. Não há sacerdotisas “ordenadas” em Israel, pelo menos nas épocas onde prevalecia o culto verdadeiro. Hulda foi uma profetiza em Israel, recebendo consultas em sua casa (2Re 22.13-15). A mesma coisa pode ser dita de Débora, que foi juíza em Israel numa época em que não havia reis e nem o sacerdócio funcionava, quando todos faziam o que parecia bem aos seus olhos. Seu ministério foi uma denúncia da fraqueza e falta de coragem dos homens daquela época (Jz 4.4-9; compare com Is 3.12). Sobre Priscila, sua liderança parece evidente, porém menos evidente é se ela era pastora ou presbítera. Quanto à Febe, ver a pergunta sobre ela mais adiante.

5. Podemos afirmar que o patriarcado, conforme o encontramos na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, é uma instituição nociva e perversa que denigre, inferioriza e humilha a mulher?


Resposta: O patriarcado, como o encontramos na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, não é simplesmente uma afirmação da masculinidade, não é jamais sinônimo de domínio macho ou um sistema de valores no qual o homem trata a mulher com descaso, desvalorizando-a e super valorizando-se. Muito menos sinônimo de exploração e domínio, como afirma o feminismo. Patriarcado é o sistema no qual os pais cuidam de suas famílias. A imagem do pai no Velho Testamento não é primariamente daquele que exerce autoridade e poder, mas do amor adotivo, dos laços pactuais de bondade e compaixão. Somente nas Escrituras hebraicas podemos encontrar um Deus Pai Todo-Poderoso e Todo-Bondoso. Os patriarcas refletem a paternidade de Deus, ainda que muito pobremente. O Deus dos Hebreus não é como os deuses masculinos irresponsáveis das culturas pagãs das cercanias de Israel, porque ele jamais abandona os filhos que gera, antes, deles cuida. Os patriarcas seguem o exemplo de Deus. Naquela cultura ensinava-se ao homem judeu que ele não era simplesmente um animal, agressivo, assertivo e violento, mas pai, cuja agressividade deveria ser transformada pela responsabilidade, que haveria de manifestar a gentileza e o cuidado pelos filhos e a expressão da completa masculinidade, que haveria de se unir com o ser feminino e o mundo feminino da família, ainda que mantivesse a separação necessária para o exercício da autoridade. O machismo é uma versão deturpada de alguns aspectos do patriarcado, e oprime as mulheres. Devemos lutar contra o machismo, e não deixar de reconhecer a verdade sobre o patriarcado.

6. Febe não era uma diaconisa, conforme Romanos 16.1-2? Isto não prova que as mulheres podem exercer autoridade eclesiástica na Igreja?


Resposta: Temos de considerar os seguintes aspectos.

(1) Não é claro se Febe era realmente uma diaconisa. Muito embora no original grego Paulo empregue o termo “diácono” para se referir a ela, lembremos que este termo no Novo Testamento nem sempre significa o ofício de diácono. Pode ser traduzido como servo, ministro, etc. Portanto, nossa tradução “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia” é perfeitamente possível e não é uma tradução preconceituosa.

(2) Mesmo que houvesse diaconisas na Igreja apostólica, é certo que elas não exerceriam qualquer autoridade sobre as igrejas e sobre os homens – a presidência era dos presbíteros, cf. 1Tm 5.17; o trabalho delas seria provavelmente com outras mulheres (Tt 2.3-4) e relacionado com assistência aos pobres. É interessante que a primeira referência que existe na história da Igreja sobre o trabalho de mulheres, diz assim: “A mulher deve servir às mulheres” (Didascalia Apostolorum). Isto queria dizer que elas instruíam as outras que iam se batizar, ajudavam no enterro de mulheres, cuidavam das pobres e doentes. Não há qualquer indício de que tais mulheres eram ordenadas para o exercício da autoridade eclesiástica.

7. O que fazer quando mulheres possuem visão pastoral, liderança, habilidades para o ensino ou capacidade administrativa, dons de evangelismo ou profecia?
Resposta: Que exerçam estas habilidades e dons dentro das possibilidades existentes nas Igrejas. Elas não precisam ser ordenadas para desenvolver seus ministérios e manifestar seus dons.

8. A resistência em ordenar mulheres hoje não decorre da reafirmação através dos séculos da inferioridade da mulher, feita por importantes teólogos e líderes da Igreja?
Resposta: A Igreja deve andar pelo ensino das Escrituras Sagradas. Se teólogos e líderes antigos defenderam idéias erradas sobre a inferioridade da mulher, cabe à Igreja corrigi-las à luz das Escrituras, que mostram que Deus criou o homem e a mulher iguais. Porém, corrigir os erros dos antigos neste ponto não significa ordenar mulheres, pois aí estaríamos cometendo um outro erro. Certamente as mulheres não são e nunca foram inferiores aos homens, mas daí a abolirmos os papéis distintos que lhes foram determinados por Deus na criação vai uma grande distância.

9. Existe algum texto na Bíblia que diga claramente “é proibido que as mulheres sejam ordenadas ao ministério”?
Resposta: Nenhuma das passagens usadas contra a ordenação feminina diz explicitamente que mulheres não podem ser ordenadas ao ministério. Entretanto, todas elas impõem restrições ao ministério feminino, e exigem que as mulheres cristãs estejam submissas à liderança cristã masculina. Essas restrições têm a ver primariamente com o ensino por parte de mulheres nas igrejas. Já que o governo das igrejas e o ensino público oficial nas mesmas são funções de presbíteros e pastores (cf. 1Tm 3.2,4-5; 5.17; Tt 1.9), infere-se que tais funções não fazem parte do chamado cristão das mulheres. Ainda, se o argumento do silêncio for usado, ele se vira contra a ordenação feminina, pois não há texto algum que diga que as mulheres devem ser ordenadas ao ministério da Palavra e ao governo eclesiástico, enquanto que as Escrituras atribuem ao homem cristão o exercício da autoridade eclesiástica e na família.

10. Se as mulheres recebem os mesmos dons espirituais que os homens, não é uma prova de que Deus deseja que elas sejam ordenadas ao ministério?
Resposta: Não. As condições para o oficialato na Igreja apostólica estão prescritas em 1Timóteo e Tito 1. Percebe-se que o dom do ensino é apenas um dos requisitos. Há outros, como por exemplo, governar a própria casa e ser marido de uma só mulher, que não podem ser preenchidos por mulheres cristãs, por mais dons que tenham.

11. O ensino de Paulo sobre as mulheres na Igreja se aplica hoje? Não estava ele influenciado pela cultura daquela época, que era muito diferente da nossa?
Resposta: É necessário fazer a distinção entre o princípio teológico supra cultural e a expressão cultural deste princípio. Há coisas no ensino de Paulo que são claramente culturais, como a determinação para o uso do véu em 1Coríntios 11. Porém, enquanto que o uso do véu é claramente um costume cultural, ao mesmo tempo expressa um princípio que não está condicionado a nenhuma cultura em particular, que é o da diferença funcional entre o homem e a mulher. O que Paulo está defendendo naquela passagem é a vigência desta diferença no culto público — o véu é apenas a forma pela qual isto ocorreria normalmente em cidades gregas do século I. Notemos ainda que Paulo defende a participação diferenciada da mulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendem cultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade (1Co 11.3) e o modo pelo qual Deus criou o homem (1Co 11.8-9).

12. Paulo escreveu suas cartas para atender a problemas locais e específicos. Como podemos aplicar hoje o que Paulo escreveu, se a situação e o contexto são diferentes?
Resposta: Quase todos os livros do Novo Testamento foram escritos em resposta a uma situação específica de uma ou mais comunidades cristãs do século I, e nem por isto os que querem a ordenação feminina defendem que nada do Novo Testamento se aplica às igrejas cristãs de hoje. A carta aos Gálatas, por exemplo, onde Paulo expõe a doutrina da justificação pela fé somente, foi escrita para combater o legalismo dos judaizantes que procuravam minar as igrejas gentílicas da Galácia, em meados do século I. Ousaríamos dizer que o ensino de Paulo sobre a justificação pela fé não tem mais relevância para as igrejas do final do século XX, por ter sido exposto em reação a uma heresia que afligia igrejas locais no século I? O ponto é que existem princípios e verdades permanentes que foram expressos para atender a questões locais, culturais e passageiras. Passam as circunstâncias históricas, mas o princípio teológico permanece. Assim, o comportamento inadequado das mulheres das igrejas de Corinto e de Éfeso, às quais Paulo escreveu determinando que ficassem caladas na Igreja, foi um momento histórico definido, mas osprincípios aplicados por Paulo para resolver os problemas causados por estas atitudes permanecem válidos. Ou seja, o ensino de que as mulheres devem estar submissas à liderança masculina nas igrejas e na família, sem ocupar posições de liderança e governo, é o princípio permanente e válido para todas as épocas e culturas.

13. Onde está na Bíblia que somente homens podem ser pastores, presbíteros e diáconos?
Resposta: Os textos mais explícitos da Bíblia são Atos 6.1-7; 1Timóteo 2.11-15; 1Coríntios 14.34-36 e 1Coríntios 11. 2-16. Algumas destas passagens foram analisadas com mais profundidade em outra parte deste caderno. Além disto, a relação intrínseca entre a família e a Igreja mostra que aquele que é cabeça na família (Efésios 5.21-33) também deve exercer a liderança na Igreja.

14. Onde está na Bíblia que os homens devem ser o cabeça da família?
Resposta: Há diversas passagens no Novo Testamento onde se trata dos papéis do homem e da mulher na família: Efésios 5.21-33; Colossenses 3.18-19; 1 Pedro 3.1-7; Tito 2.5. Em todos eles, a liderança da família é atribuída ao homem.

15. Os argumentos usados hoje para defender a submissão da mulher não são os mesmos usados no século passado por muitos cristãos para defender a escravidão?
Resposta: O fato de que no passado a Bíblia foi usada de forma errada para defender a escravidão não significa que a defesa da subordinação feminina seja igualmente feita de forma errada. Não devemos pensar que a relação entre o homem e a mulher na família e na igreja está no mesmo pé de igualdade que a escravidão. Primeiro, os papéis distintos do homem e da mulher estão enraizados na própria criação, enquanto que a escravidão não está. Segundo, o fato de que Paulo faz recomendações aos escravos cristãos para que sejam bons escravos não significa que ele aprovava a escravidão. Na verdade, as recomendações que ele dá aos cristãos que eram donos de escravos já traziam embutidas a idéia da dissolução do sistema de escravidão (Fm 16; Ef 6.9; Cl 4.1; 1Tm 6.1-2).

16. Havia uma mulher chamada Júnias que Paulo considera como apóstola, em Romanos 16.7. Se havia apóstolas, por que não pastoras, presbíteras e diaconisas? 

Resposta: A passagem diz o seguinte: “Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim” (Rm 16.7). Não é tão simples assim deduzir que Júnias era uma apóstola. Há várias questões relacionadas com a interpretação deste texto. Júnias é um nome masculino ou feminino? Existe muita disputa sobre isto, embora a evidência aponte para um nome masculino. Outra coisa, a expressão “notável entre os apóstolos” significa que Júnias era um dos apóstolos, já antes de Paulo, e um apóstolo notável, ou apenas que os apóstolos, antes de Paulo, tinham Júnias em alta conta? A última possibilidade é a mais provável. Em última análise, só podemos afirmar com certeza, a partir de Romanos 16.7, que, quem quer que tenha sido, Júnias era uma pessoa tida em alta conta por Paulo, e que ajudou o apóstolo em seu ministério. Não se pode afirmar com segurança que era uma mulher, nem que era uma “apóstola”, e muito menos uma como os Doze ou Paulo. A passagem não serve como evidência bíblica para a ordenação feminina no período apostólico. E essa conclusão está em harmonia com o fato de que Jesus não escolheu mulheres para serem apóstolos. Não há nenhuma referência indisputável a uma “apóstola” no Novo Testamento.

17. O Novo Testamento diz que, em Cristo, não há homem nem mulher, todos são iguais diante de Deus (Gl 3.28). Proibir as mulheres de serem oficiais da Igreja não é fazer uma distinção baseada em sexo?
Resposta: Não se pode discordar de que o Evangelho é o poder de Deus para abolir as injustiças, o preconceito, a opressão, o racismo, a discriminação social, bem como a exploração machista. E nem se pode discordar de que Cristo veio nos resgatar da maldição imposta pela queda. A pergunta é se Paulo está falando da abolição da subordinação feminina e de igualdade de funções nesta passagem. Está o apóstolo dizendo que as mulheres podem exercer os mesmos cargos e funções que os homens na Igreja, já que são todos aceitos sem distinção por Deus através de Cristo, pela fé? Entendemos que a resposta é não. Gálatas 3.28 não está ensinando a igualdade para o exercício de funções, mas a unidade de todos os cristãos em Cristo. Veja a análise desta passagem acima.

18. O conceito da submissão feminina ensinado na Bíblia não acarreta inevitavelmente o conceito de que o homem é melhor e superior à mulher?
Resposta: Infelizmente muitos têm chegado a esta conclusão, mas ela certamente é equivocada. O ensino bíblico é que Deus criou homem e mulher iguais porém com diferentes atribuições e funções. A Bíblia ensina que Deus tem autoridade sobre Cristo, Cristo tem autoridade sobre o homem, e o homem tem autoridade sobre a mulher. É uma cadeia hierárquica que começa na Trindade e continua na igreja e na família. Podemos inferir (guardadas as devidas proporções) que, da mesma forma como a subordinação de Cristo ao Pai não o torna inferior — como afirma a fé reformada em sua doutrina da Trindade — a subordinação da mulher ao homem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que nisto haja qualquer desvalorização ou inferiorização da mulher. Em várias ocasiões o Novo Testamento determina que os crentes se sujeitem às autoridades civis (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-17). Em nenhum momento, entretanto, este mandamento implica que os crentes são inferiores ou têm menos valor que os governantes. Igualmente, os filhos não são inferiores aos seus pais, simplesmente porque devem submeter-se à liderança deles (Ef 6.1). O conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a igreja.

19. Em 1Timóteo 3.11, ao descrever as qualificações do diácono, Paulo se refere às mulheres: “Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo”. Este versículo não prova que havia diaconisas nas igrejas apostólicas?

Resposta: Não necessariamente. Esta passagem tem sido entendida de diferentes modos: (1) Paulo pode estar se referindo às mulheres dos diáconos (Calvino). Porém, ele emprega para elas a expressão “é necessário” (1Tm 3.11), que foi a mesma que empregou para os presbíteros (3.2) e os diáconos (3.8), ao descrever suas qualificações. Logo, não nos parece que o apóstolo se refira às mulheres dos diáconos. (2) Paulo pode estar se referindo à todas as mulheres da igreja; entretanto, é bastante estranho que ele tenha colocado instruções para todas as mulheres bem no meio das instruções aos diáconos! (3) Paulo pode estar se referindo às assistentes dos diáconos, mulheres piedosas, que prestavam assistência em obras de misericórdia aos necessitados das igrejas (Hendriksen). (4) Paulo se referia à diaconisas. Porém, é no mínimo estranho que Paulo não empregou o termo apropriado para descrever a função delas (diaconisas), já que ele vinha falando de presbíteros e diáconos. A opção 3 nos parece a melhor e mais provável: havia mulheres piedosas nas igrejas apostólicas, não ordenadas como “diaconisas”, que ajudavam os diáconos nas obras de misericórdia, trabalhando diretamente com as mulheres carentes e necessitadas. É a estas que Paulo aqui se refere.

Uma cidade edificada sobre um monte




Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.14-16).

Entendida como o corpo de Cristo, a Igreja tem como obrigação iluminar o mundo, refletir o brilho de Cristo entre as nações. Ao comparar a Igreja como a luz do mundo, uma cidade edificada sobre um monte e uma candeia sobre um alqueire, Jesus descreve a importância dela como guia ou condutora dos que se encontra em trevas, dos viajantes sem um referencial.

Em outras palavras, Jesus declara que a Igreja – principalmente ao comparar com uma cidade edificada sobre um monte – não nasceu ou foi criada para viver alineada da sociedade, da planície que a rodeia. Não deve se isolar, mas assumir suas obrigações enquanto cidade/igreja-referência. É impossível esconder uma cidade sobre uma colina.

Nos últimos anos observamos o inverso: apesar do crescimento numérico, maior presença nos meios de comunicação, diversas denominações evangélicas gradualmente se afastam da sociedade, se isolam em suas liturgias, reuniões e cultos rotineiros. Não há mais diálogo com a sociedade, com a comunidade que cerca a igreja local. Criou-se um ritualismo ou clubinho religioso que não mais reflete o amor de Cristo, mas um farisaísmo alienante, sufocante. Não há, em suma, vida, luz, movimento. Quando nos isolamos dentro de quatro paredes e nos esquecemos de que há uma missão a ser cumprida, não honramos nossa chamada, nossa maior vocação, que é ser representante de Cristo, do Reino de Deus. Ser uma cidade edificada sobre o monte é ser um referencial para um mundo em decadência.

Jesus, em sua oração intercessória, não rogou ao Pai para que nos tirasse do mundo, mas para que nos livrasse do mal. ”Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo 17. 15-16). Não obstante nossa morada esteja no céu (Jo 14.1-3), de onde Jesus virá nos buscar (At 1. 11; 1 Ts 4.16-18), ainda somos cidadãos do mundo; ainda trabalhamos, estudamos, compartilhamos espaços públicos e privados com pessoas das mais diversas religiões, partidos políticos, etnias, raças. Temos que conviver com as pessoas – obviamente nos mantendo longe do pecado, da imoralidade típica da pós-modernidade -, estar ao lado dos pobres e oprimidos. Como luz do mundo e cidade edificada sobre um monte, brilhamos em meio a uma geração perversa e pecadora, servindo de guia para que outros alcancem a parte mais alta do monte, onde o Messias nos espera.