segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um Jesus brasileiro



Por Luciano Martini
Tenho a impressão de que nunca se ouviu falar tanto a respeito de Jesus no Brasil como atualmente. Se ligarmos o televisor veremos programas evangélicos, católicos, espíritas, seicho-no-ie e até umbandistas falando de Jesus. Nas livrarias então, podemos encontrar o Jesus executivo, o Jesus psicólogo, o Jesus vendedor, o Jesus consultor financeiro, o Jesus revolucionário, o Jesus casado com Maria Madalena, o Jesus milionário, o Jesus reencarnado, entre outros… Definitivamente, no Brasil, Jesus é pop, Jesus é top marketing. Há para todos os gostos, desde o Jesus semelhante ao gênio da lâmpada de Aladim, mas que ao invés de me conceder apenas três desejos está disposto a me obedecer indefinidamente, até o Jesus alienígena que veio em um disco voador e partiu incompreendido pelos terráqueos, mas que um dia voltará como o “Cristo Maitreya”. Parece que a maioria dos brasileiros não tem dificuldade em crer em Jesus, a dificuldade aparece na hora de crer no que Ele disse. É preferível olhar para o Nazareno e dizer quem ele é, do que acreditar quando Ele diz: – EU SOU. Acontece que como salientou C.S. Lewis: “Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prostrar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la”.
Enxergar Jesus como um mestre de moral, ou um executivo moderno, ou um espírito de luz é o mesmo que não enxergá-lo. Não estou dizendo com isso que o ensino mais amplo de Jesus não pode trazer princípios para áreas como a psicologia, administração, relações humanas etc; estou dizendo que Ele não veio para isso.
A leitura do Evangelho deixa muito claro que não temos como abraçar apenas o enfoque que queremos, ou escolhemos, a respeito de Jesus. Ele não veio para conquistar nossa admiração, veio para morrer por nós, nos reconciliar com Deus. Usar o nome de Jesus como referência, sem, no entanto, dar crédito as suas palavras é ultrajar a sua obra.
“- Quem o povo diz que sou? Eles responderam: – Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros que é Elias; e outros, que é um dos profetas antigos que ressuscitou.
- E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? – perguntou Jesus.
Pedro respondeu:- O Messias que Deus enviou.” (Lucas 9.18b-20)

Avatares!

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;" - 1 Timóteo 4:1.

Por Vilson Ferro Martins

Chamou-me a atenção quando observei uma criança brincando com uma figura luminosa parecida com um ser humano, mas que possuía uma espécie de rabo. Ela disse que era um "avatar". Fui pesquisar e descobri algumas coisas interessantes que, como cristão, devem nos remeter a uma reflexão, principalmente sobre o contato que crianças têm com essa "doutrina" sendo vítimas fáceis de bem elaboradas e intrincadas teias diabólicas.
Primeiro é importante saber o que significa "avatar", que segundo o dicionário Michaelis é: "No hinduísmo, encarnação (literalmente descida) de uma divindade sob a forma de um homem ou de um animal, sobretudo de Vixenu, segunda pessoa da trindade indiana". Olha só com o que as crianças estão tendo contato e se maravilhando...
Depois, como se trata de um termo novaerense, pesquisei o significado que eles dão e achei o seguinte: Segundo Alice Ann Bailey (mentora da Nova Era) a palavra "avatar" significa: "Descer com a aprovação da fonte superior da qual provém, para benefício do lugar ao qual chega" (Dicionário Sânscrito de Monier Willians). Segundo ela, os "avatares" mais conhecidos são: Buda no oriente e Jesus no ocidente. Ainda segundo ela, os "avatares" expressam dois incentivos básicos: a) A necessidade de Deus fazer contato com a humanidade e relacionar-se com os homens e b) A necessidade que tem a humanidade de entrar em contato com a divindade e ser ajudada e compreendia por ela.

Amados, é testemunha que não tenho a menor intenção de propagar tal ensino, todavia, se faz necessário trazer esses relatos para que - principalmente os pais - estejam atentos sobre que tipo de "influência" que os filhos estão se expondo.

Para minha surpresa, quando fui pesquisar sobre o filme, descobri que o James Cameron (o diretor) estudou, pesquisou e demorou nada mais e nada menos do que uma década para lançar tal filme (e derivados). Estranho não? Por que demorar 10 anos para lançar um filme, sendo que bem sabemos tratar-se de um negócio bilionário? Logo percebemos que não é tanto pelo dinheiro, mas sim o momento certo de disseminar uma "doutrina". Agora, após o lançamento do filme e paralelo a ele, são lançados games, brinquedos, revistas, etc...
Sem dúvida, as crianças (mesmo as que não assistem ao filme) ficarão encantadas com o filme e suas engenhocas fascinantes, e assim serão atraídas exatamente como aconteceu com as crianças do Flautista de Hammelin. A armadilha é sempre a mesma, ou seja, criar instrumentos com os quais as crianças poderão acumular conhecimentos e absorver informações (serem doutrinadas). A tática é usar símbolos, pois, bem sabemos que a cognição funciona melhor quando expostos a simbologias.
Portanto, assim como me chamou a atenção aquele garotinho inocentemente brincando com seu avatar (ele provavelmente nem assistiu ao filme e muito menos sabe o que significa), espero que o Senhor esteja chamando a atenção de pais e mães, pois, não me canso de escrever que é bíblico dizer: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes." (1 Coríntios 15:33). Por trás de um aparente inocente filme, brinquedo ou game, uma alma está sendo enredada por um inimigo sutil e terrível, cuja forma de ação se resume em roubar, matar e destruir, mesmo que sejam inocentes indefesos.
Em o Nome do Senhor, está dada a informação!

O verdadeiro tesouro da Igreja

 
Por Maurício Zágari
Você sabe quem foram Bacio Pontelli, Giovannino de Dolci, Perugino, Ghirlandaio, Rosselli, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo, Bartolomeo della Gatta, Rafael, Michelangelo Buonarroti e Sisto IV? Não? Então aguarde um pouquinho que já vai saber. Mas antes vamos falar um pouco sobre tesouros.

Com a renúncia do papa Bento 16, li diferentes reportagens que falam sobre o local onde ocorre a eleição do líder católico: a Capela Sistina (foto ao lado). Em muitas dessas matérias de jornais o texto referiu-se a essa Capela como um “tesouro da Igreja”. Lembro bem das duas vezes em que tive a oportunidade de visitar a Capela Sistina, uma maravilha da arte sacra, um monumento da História da Igreja. Uma obra belíssima do bom gosto humano. Fica no Palácio Apostólico, residência oficial do papa, na Cidade do Vaticano. Seus afrescos (técnica de pintura em paredes) têm beleza e valor incalculáveis.

No entanto, falando espiritualmente, sempre que penso na Capela Sistina a imagem que vem a minha mente nunca são pessoas ajoelhadas em contrição, vidas em arrependimento sincero por seus pecados, a pregação genuína da Palavra de Deus, gente sendo discipulada, adoração de filhos ao Pai celestial. O que me lembro das duas ocasiões é uma multidão de turistas se espremendo, sentando no chão daquele santuário, uma balbúrdia incontrolável, desrespeito por um lugar sagrado, indivíduos desobedecendo todas as normas do lugar e guardas de segurança berrando em inglês “No photos!” (“Sem fotos!”) o tempo inteiro, sendo solenemente ignorados pelos turistas.

Enfim, naquele local, feito para prestar culto a Deus, o que há hoje é um coquetel alucinado de desobediência, desrespeito, desordem e indecência – e não vi ninguém entrar por aquelas portas mencionando o nome de Jesus: tudo é uma grande ode à arte das paredes e do teto. A Capela Sistina é considerada um tesouro artístico da humanidade. E é. Mas isso me faz pensar. Pois ali hoje não há nada que me lembre Cristo, que aproxime dele as hordas que se atropelam no local. Em resumo, é um tesouro de valor incalculável mas espiritualmente inútil.

Não é segredo para nenhum de nós que vivemos na época da Teologia da Prosperidade que os males provocados por essa heresia e as igrejas que a adotaram acabaram com a imagem da Igreja evangélica como um todo diante da sociedade. Mas esqueçamos a Teologia da Prosperidade e seus seguidores por alguns momentos. Pensemos nas igrejas sérias. Nas que de fato têm lideranças honestas diante do Senhor, onde se busca discipular bem os membros e glorificar a Deus, onde se pensa mais na eternidade do que na vida terrena. Será que é possível ultrapassar até mesmo inconscientemente os limites do uso do dinheiro nessas congregações piedosas, corretas e de fato cristãs?

Sim, é.

Não é pecado os responsáveis por uma igreja se preocuparem com sua estrutura e manutenção financeira. Na verdade, se não tratarem dessa questão com muito zelo estarão sendo negligentes com a obra de Deus. É preciso sobriedade e diligência na gestão econômica de uma igreja. Mas o maior erro que cometem, muitas vezes sem maldade e sem perceber que é um erro, é pôr o dinheiro acima de pessoas. E como isso pode acontecer?

Crendo ou agindo como se o tesouro de uma igreja fosse dinheiro ou qualquer coisa relacionada a ele em vez de Deus e de indivíduos. Fazendo mal a pessoas por causa de dinheiro. Pondo em qualquer instância dinheiro acima de seres humanos.

Ouvi algumas vezes de irmãos que se dedicam amorosamente à administração monetária eclesiástica a expressão “erário da igreja”, referindo-se ao dinheiro que seus membros entregaram aos líderes na forma de ofertas e dízimos. Pelo dicionário, “erário” é, literalmente, “Conjunto dos recursos econômicos e financeiros de uma entidade ou de um Estado. = TESOURO“. Nesse sentido, é correto dizer que “erário” são os números que aparecem no extrato bancário de uma igreja. Mas chama a minha atenção a apresentação e definição de “erário” também como “tesouro”, pois imediatamente vêm à minha mente Mateus 6.21 e Lucas 12.34, passagens que mostram a afirmação de Jesus no Sermão do Monte: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. E onde deve estar o coração de uma igreja?

Mateus 22.36-40 registra o diálogo entre Jesus e um fariseu: “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei. Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Eis a resposta. O tesouro de uma igreja, o erário de uma Igreja, não é dinheiro: são Deus e as pessoas. A mais bela, imponente, rica e suntuosa igreja já construída não vale um centavo aos olhos de Deus se posto em comparação com o mais humilde e desconhecido dos indivíduos. As magníficas pinturas da Capela Sistina têm zero de influência sobre o destino eterno de almas humanas. E, por esse prisma, ela vale menos do que qualquer igrejinha humilde de pau-a-pique de beira de estrada onde se realize um culto para três pessoas.

Sou favorável a termos um local de culto, um templo, um santuário. Não junto minha voz à dos irmãos bem-intencionados que julgam que igrejas nos lares ou “comunidades” são a resposta bíblica, embora entenda suas razões. São meus irmãos em Cristo e compreendo sua repulsa pelos templos institucionais, mas não coaduno de sua visão, por entender que estão condenando algo que o Senhor não condena, oferecem soluções que não solucionam e geram um debate que não leva a lugar nenhum. Não quero entrar nesse mérito aqui, as razões que me levam a acreditar na Igreja organizada já foi exposta em diversos posts deste blog (por exemplo, Jesus nunca construiu templos).

A questão é que paredes não são a riqueza de uma igreja. Nem bancos. Vitrais. Ou o batistério. Os instrumentos musicais. A decoração do teto. A arquitetura. A decoração. A conta bancária. No dia em que o “erário” de uma igreja passa a ser dinheiro em detrimento das almas que entram por suas portas essa igreja faliu. Tornou-se um monumento vazio e triste. Na Segunda Guerra Mundial os bombardeios assolaram dezenas de igrejas e catedrais pela Europa, que viraram montes de escombros (veja foto à dir.). Todo o dinheiro investido ali virou pó. Basta um terremoto, uma enchente, uma praga de cupins e o “erário” vai por água abaixo.

Passo com frequência na porta de igrejas suntuosas, como, por exemplo, a belíssima Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Você sabe dizer quem idealizou sua construção? Eu não. Sabe quem foi seu arquiteto? Eu não. Sabe os nomes dos presbíteros do Conselho que aprovaram sua edificação? Eu não. Não sei nada de sua história. Mas conheço diversas pessoas que ali conheceram Cristo e desenvolveram sua fé. Pessoas que, junto com o Deus que ali é adorado, são o verdadeiro erário, o tesouro daquele local. Aquele lindo templo não é a realização de seus idealizadores e construtores: os seres humanos que passaram por suas portas e por sua história são.

Fico imaginando quando chegaram ao céu os príncipes, reis e sacerdotes da Europa que idealizaram e financiaram igrejas monumentais, banhadas a ouro, com vitrais e rosetas coloridas, órgãos de tubos magistrais e pés direitos de dezenas de metros; e Deus lhes perguntando: “O que você tem a apresentar?”. Ao que responderam: “Ergui igrejas e catedrais magníficas para ti, Senhor”. E, em meu exercício de imaginação, consigo pensar em Deus balançando a cabeça e dizendo: “Não, meu filho, você não entendeu a pergunta. Quero saber quantos seres humanos você amou de modo desinteressadado. Quantas vidas você abençoou. Quantas almas edificou. Qual o nome de cada indivíduo que entrou pelas portas dessas igrejas, o que você fez para sanar suas dores, para dar paz a seus corações. A quantos estendeu perdão real. Quem preferiu em honra. Exerceu justiça com todos? Pois foi esse o erário que entreguei em suas mãos para que você cuidasse”.

É com isso, acima de tudo, que devemos nos preocupar. Grandes monumentos eclesiásticos serão comidos pela traça e a ferrugem. Virá um bombardeio, um terremoto, extremistas islâmicos ou uma enchente e as maiores catedrais valerão algo somente para algum ferro-velho. A magnífica Catedral de Córdoba, na Espanha (foto à esq.), erguida para  Jesus, virou uma mesquita para adoração de Alá após a conquista do país pelos mouros no ano 711. Se aquilo fosse o erário da igreja espanhola ela estaria sem nada para apresentar a Deus no dia da grande prestação de contas. No local do Templo de Jerusalém existe atualmente uma mesquita e só sobrou um muro onde judeus lamentam sua assolação, um erário de interesse meramente histórico para a Nova Aliança. No subsolo da famosíssima Catedral de Milão hoje há apenas um amontoado de pedras do que foi sua primeira construção, considerada (como diz o folheto para turistas) “uma pérola arqueológica”. Como local espiritual de adoração a Jeová seu valor é zero. Mas, quando estive lá, aos meus pés havia um buraco insosso que outrora foi o ricamente adornado tanque batismal onde Ambrósio batizou um dos mais valiosos itens do erário celestial: Agostinho de Hipona, um dos maiores teólogos de todos os tempos, um homem que há 1.700 anos abençoa vidas com seus ensinamentos – e elas sim são o seu legado.

É natural que a preocupação de um pastor seja fazer a igreja que lidera congregar no melhor templo possível. É compreensível e penso que eu, se estivesse à frente de uma congregação, faria o mesmo. Nunca, porém, erigiria uma construção suntuosa, prefiro um espaço onde se consiga conhecer todos pelo nome e se pastorear bem as ovelhas, de perto. No dia em que houvesse superlotação abriria congregações. Não gastaria muito dinheiro na obra, para que sobrasse o suficiente que me permitisse abençoar vidas, enviar e sustentar pelo tempo necessário muitos missionários, ajudar os necessitados, construir talvez uma pequena escola, editar livros que viessem a edificar e consolar vidas. Enfim, administraria o “erário” não para que ele se tornasse uma Capela Sistina – belíssima mas inútil para o Reino de Deus -, mas que fosse investido para aproximar cada vez mais o verdadeiro erário de Deus do maior erário que um homem pode ter: Jesus de Nazaré.

Agora, respondendo à pergunta do início: Bacio Pontelli foi o arquiteto que projetou a Capela Sistina, já tinha ouvido falar dele? Giovannino de Dolci foi quem supervisionou a obra, já tinha ouvido falar dele? Perugino, Ghirlandaio, Rosselli, Signorelli, Pinturicchio, Piero di Cosimo, Bartolomeo della Gatta, Rafael e Michelangelo Buonarroti são os artistas que embelezaram o local, já tinha ouvido falar de todos? Talvez de Rafael e Michelangelo, os mais famosos. E Sisto IV foi o papa católico que financiou a transformação da antiga Capela Magna na que veio a se chamar Sistina, em sua homenagem. Já tinha ouvido falar dele?

Nosso tesouro está no Céu, meu irmão, minha irmã. Enquanto estamos na terra, nosso tesouro são pessoas e Deus. Que nunca nos esqueçamos que aquilo que fazemos para os seres humanos e o nosso relacionamento com Deus são o nosso verdadeiro foco nesta vida. Pois é única e exclusivamente isso que nos fará sermos chamados “servos bons e fiéis”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

VONTADE DE DEUS E ATOS DAS PESSOAS

Por Isaltino Gomes Coelho Filho
“Ele os ensinava, dizendo: Não está escrito: a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Mas vós a transformastes num antro de assaltantes” (Marcos 11.17, Almeida Século 21)

“Mas”. Você conhece esta palavra. É uma conjunção adversativa. Sua função é estabelecer um contraste entre duas afirmações. Há um “mas” na palavra de Jesus que encima este artigo. Na primeira sentença, encontramos o que Deus desejava que o templo de Jerusalém fosse: uma casa que atraísse pessoas de todas as nações. Nela, as pessoas de todas as raças poderiam orar a ele. Na segunda, iniciada pela adversativa, o que os homens fizeram: transformaram-na num antro, um covil, de assaltantes. Na primeira, a vontade de Deus. Na segunda, o que os atos das pessoas produziram.

O templo recebia judeus do mundo inteiro, que traziam seu dinheiro em moeda de outro país. Precisavam comprar animais para oferecer em sacrifício, mas sua moeda não tinha valor em Jerusalém. Algumas tinham efígie de algum rei, e os judeus não as aceitavam porque isto lhes soava com idolatria. Por isso, os sacerdotes fizeram uma “casa de câmbio” no pátio do templo. Também fizeram tendas para vendas de animais para os sacrifícios. Outros vendiam azeite, sal e óleo que eram necessários para os sacrifícios. O lugar santo, que deveria atrair fiéis do mundo inteiro, com propósitos espirituais, se tornou um lugar de comércio, lucro, extorsão, etc. E lugar de hipocrisia, porque os sacerdotes aceitavam as moedas estrangeiras com efígie, muitas delas de ouro, mas como as tinham como impuras pela idolatria, pagavam bem menos por elas.

Jesus ficou indignado com isso e expulsou os vendedores, os cambistas e não permitiu que atravessassem o lugar conduzindo animais e mercadoria.

Com que facilidade as pessoas podem distorcer o que é santo! A religião pode se tornar comércio, fonte de lucro, e não um espaço para se buscar a Deus e conhecer a Jesus Cristo. É preciso ter bastante cuidado e distinguir entre o que Deus recomenda em sua Palavra e o que nós achamos que é o melhor. Os oficiais do templo estavam cheio de boas intenções, como facilitar as coisas para quem não tinha a moeda local ou precisava comprar um animal (ninguém faria uma viagem de navio ou em caravanas carregando animais e aves). Mas com isso a santidade do lugar ficou comprometida. Não podemos tomar atitudes baseados apenas em boas intenções, e sim buscar o que seja a vontade de Deus. Nem sempre isso nos parecerá claro, mas uma boa pista está aqui: o que está escrito na Palavra de Deus? Esta atitude que tomarei vai honrar a Deus? É bom lembrar que nem sempre o que pensamos é o que Deus deseja. Muito cuidado com esta postura de alguns: “Farei o que estiver no meu coração!”. Esta é a maneira mais fácil de errar. Nosso coração não é Deus, é pecador e corrompido (leia Jeremias 17.9). E algo pode estar nele e ter sido inspirado pelo Maligno. Quem pensa desta maneira se tem em alta conta, porque presume que seu coração é completamente santo e totalmente sábio. Nós precisamos ser guiados pela Palavra de Deus e não pelos nossos “eu acho” ou “eu sinto”.

Neste episódio vemos também que fé e comércio nem sempre têm uma convivência harmoniosa. Comerciar não é errado. Precisamos comprar e para isso alguém tem que vender. Mas é preciso bastante equilíbrio para não corromper o que é sagrado. O comércio da fé que se verifica em nossos dias é uma vergonha e mau testemunho. Há gente vendendo sabonete ungido, óleo santo, crucifixos feitos de lascas da cruz de Cristo, pedaços da toalha com a qual o pregador cheio de poder se enxugou, etc. A igreja precisa de recursos financeiros para sobreviver, mas estes devem vir de dízimos e de ofertas, como a Bíblia ensina, e não de venda de objetos e da comercialização da fé. Este autor se recorda que em um pastorado seu, na Amazônia, foi chamado pelos pais de uma criança para orar por ela, que estava enferma. Foi, orou, e graças à misericórdia de Deus, a criança recuperou a saúde. Mas o que o impressionou foi a pergunta do pai: “Quanto o senhor vai cobrar? Por que na Igreja Tal o pastor pediu R$ 50,00 para ir lá em casa orar”. Que tristeza! A família não era crente e procurou alguém para orar pelo filho e esta pessoa pediu dinheiro! A ganância religiosa é um pecado sombrio, que tira de Deus o aspecto de um Deus da graça e o torna em um deus (com d mesmo) mesquinho, que age movido por dinheiro. Fuja dos comerciantes da fé. E nunca seja um deles. A igreja precisa ser santa não apenas no louvor, mas também na vida material, inclusive no jeito de lidar com o dinheiro.

E há uma lição muito valiosa que passou despercebida aos líderes judeus. Jesus se anunciou, em outro lugar, como sendo o novo templo (João 12.13-21). O templo era o polo de atração para o mundo, na teologia judaica. Com a chegada de Jesus, o polo de atração mudou. Não é um prédio. É ele: “E eu, quando for levantado da terra atrairei todos a mim!” (Jo 12.32). Os judeus do mundo inteiro sonhavam em ir um dia a Jerusalém, para conhecer o templo, a casa de Deus, e ali manter comunhão mais profunda com ele. No Novo Testamento, não precisamos ir a algum lugar definido, mas basta crermos em Jesus Cristo. Ele é Deus conosco (Is 7.14). A glória de Deus não está numa casa, mas em Jesus. É nele que encontramos Deus.

E há mais uma verdade, decorrente dessa: agora nós somos o templo de Deus (1Co 3.16). É em nós que a glória de Deus habita. E é em nós que o mundo sem Cristo deve ver a glória de Deus. Que nossa vida seja casa de oração, uma vida de comunhão com Deus, e não um antro de assaltantes. Que ela honre não desonre a Deus.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Psicóloga afirma que homossexuais sofrem distúrbio psicológicos

 
A psicóloga Rozângela Alves Justino, 50 anos, evangélica pela Igreja Batista, tem uma visão bem diferenciada da maioria quando o assunto é homossexualidade. A psicóloga considera a homossexualidade um distúrbio psicológico, e oferece cura para isto.
Rozângela que foi formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, especializada em psicologia clinica e escolar, declarou que tem a mesma visão da Organização Mundial da Saúde (OMS), e disse: “existe a orientação sexual egodistônica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso”.
A psicóloga afirmou que já teve pacientes que a procuraram, para alterar sua orientação sexual, ela diz que estas pessoas se mostravam insatisfeitas e mal consigo mesmas após ter alguma relação homossexual. “Elas podem até sentir alguma forma de prazer no ato sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento”, disse a psicóloga.
Ela disse também que durante sua carreira já viu muitos homossexuais mudarem suas orientações sexuais sozinhos, pessoas que foram motivadas a deixar a homossexualidade e realmente deixaram, com esforço próprio ou com ajuda de grupos direcionados a isto. Ela ainda afirma que apesar disto, quem procura um profissional tem um maior conforto.
Na entrevista foi perguntado se não seria melhor ela ajudar as pessoas a aceitarem suas condições sexuais do que as fazer mudar de opinião. Ela respondeu; “Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida”.
Durante a entrevista quando perguntaram pra ela se achava cruel achar que gays tem alguma coisa errada, ela alegou que cruel e ela ser proibida de ajudar as pessoas que querem deixar procura-la para deixarem de ser homossexuais. “O que eu acho cruel é ser uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada, não poder acolher as pessoas que vêm com uma queixa e com um desejo de mudança. Isso é crueldade. Eu estou me sentindo discriminada. Há diversos abaixo-assinados de muitas pessoas que acham que eu preciso continuar a atender quem voluntariamente deseja deixar a atração pelo mesmo sexo”, afirmou a psicologa.
 
Rozângela também disse que a maior parte das pessoas que procuraram ela para deixarem de ser homossexuais, já foram abusados sexualmente quando eram mais jovens, e ressalta que: “Enquanto nós conversamos aqui, milhares de crianças são abusadas sexualmente. Os estudos mostram que os abusos, especialmente entre os meninos, são muito comuns. Aquelas brincadeiras entre meninos também podem ser consideradas abusos. O que vemos é que o sadomasoquismo começa aí, porque o menino acaba se acostumando àquelas dores. O homossexualismo também”.

Minhas impressões sobre 15ª Consciência Cristã



Por Renato Vargens
Terminou ontem a noite em Campina Grande na Paraíba, o XV encontro para uma Consciência Cristã. Durante sete dias, preletores de todo Brasil, ministraram a Palavra de Deus a um público aproximado de sessenta mil pessoas. Na ocasião líderes como Hernandes Dias Lopes, Aurivam Marinho, Geremias do Couto, Mauro Meister, Norma Braga, Joaquim de Andrade, Ricardo Bitum, José Bernardo, Jay Baumann e outros tantos mais abrilhantaram o evento anunciando com profundidade o Evangelho de Jesus.
O Encontro para a Consciência Cristã pode ser considerado o maior da América Latina. Nele são abordados temas como apologética, família, eclesiologia, música, comportamento, politica, dentre tantos outros mais.
Quanto à participação popular tivemos uma enorme multidão participando entusiasticamente de cada seminário, além obviamente de lotar as plenárias noturnas. De fato, Deus se fez presente naquele lugar, abençoando pastores, igrejas e milhares de pessoas de todo Brasil, levando-nos a crêr que em Cristo, podemos desfrutar de momentos preciosos de comunhão e edificação no Senhor.
Nessa Consciência Cristã, eu particularmente fui marcado por dois momentos. O primeiro quando cinco mil pessoas se ajoelharam diante do Eterno, clamando a Deus pelo Brasil e por um avivamento. O segundo quando milhares de irmãos em Jesus, deixaram de lado suas diferenças denominacionais e juntos celebraram a ceia do Senhor. Que momentos preciosos foram aqueles! Deus foi glorificado naquele lugar!
Parabéns a Vinacc e ao povo paraibano pelo XV Encontro para a Consciência Cristã. Minha oração, desejo e expectativa é que em 2014, na XVI edição do evento, a graça de Deus se manifeste de forma especial sobre a Paraíba e o Brasil trazendo sobre essa sofrida nação lampejos de um salutar avivamento.
Soli Deo Gloria!
Renato Vargens

Pastor come Bíblia e causa polêmica



 
Uns cheiram… outros comem!
O nome do doidão é Elvis Breves, e é pastor da igreja Assembleia de Deus Vivendo em Cristo de São Gonçalo (RJ).
No ano passado o pastor Lucinho, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), causou uma tremenda polêmica ao aparecer cheirando uma Bíblia, em uma alusão ao consumo de cocaína e foi duramente criticado. Ao comentar o fato, o pastor Elvis (comedor de bília), defendeu Lucinho: “Acredito que o pastor Lucinho quis mostrar que devemos ser dependentes da palavra do Senhor. O Lucinho é louco por Jesus e eu sou Pirado pelo Espírito Santo”.
Fico me perguntando o que virá no futuro. Qual será o proximo modismo? Fumar Biblia? Usá-la como papel higienico? (simbolizando a “limpeza espiritual”? #fikdik). Parece que a maluquice nao tem limites mesmo!

Não há poder em suas palavras


Por Marcos Batista Lopez
Existe um documentário nas locadoras, muito controvertido. É o vídeo do Dr. Masaru Emoto que alega ter descoberto o poder da água, e que nossas palavras e pensamentos positivos podem influenciar até um copo de água. Bons pensamentos e palavras agradáveis formam lindos cristais de água, ao passo que maus pensamentos e palavras negativas não se formam cristais ou aparecem maus formações de cristais.
Tudo com um ar cientifico, laboratórios onde são apresentados suas descobertas, livros editados como a “A Mensagem da água” e o vídeo – O Poder da Água – a força dos nossos pensamentos e emoções”.
O vídeo – O Poder da Água – pode ser enquadrado como “Pseudociência”, ou seja não faz parte da ciência reconhecida ou ortodoxa. A problemática é que milhões acabam aceitando estas descobertas “cientificas” como comprovadamente verdadeiras.
Cristãos podem beber desta fonte?
Trazendo estas questões para o Cristianismo, veremos logo em breve – se já não estiverem acontecendo em alguns lugares – alguns pregadores falando sobre esta descoberta que afirma “O Poder das Palavras.” Nos anos oitenta e inicio dos anos noventa não ouvíamos este falso ensino de “Poder das palavras” em muitos lugares cristãos. Mas no final dos anos noventa e entrando no Novo Milênio este falso ensino se popularizou e ganhou força.
Este ensino Neopentecostal está muito em moda nestes dias onde muitos pregadores dizem que “Há Poder em Suas Palavras” e expõem um sermão cristão misturado com paganismo místico. Todo este ensino de “há poder nas palavras” surgiu no mundo cristão nos anos 50 quando um pastor americano Norman Vicent Peale lançou o livro O Poder do Pensamento Positivo – em 1952. Era um livro evangélico de auto-ajuda, que ensinava que a fé pode conseguir qualquer coisa. A síntese do livro é a seguinte formula: “Ore, imagine, realize”.
A Revista Veja de 4 de abril de 2007, apresenta a crença no pensamento positivo é bem explorado pela filosofia da “Auto-Ajuda”, sendo que a revista declara na pg. 78:
Ninguém obviamente pode “atrair” um câncer ou se curar de um tumor apenas pela força do pensamento negativo ou positivo, conforme o caso. Todas as pesquisas criteriosas mostram isso com clareza aritmética.”
Devemos entender que este ensino não provém da Bíblia, mas das seitas místicas e movimentos esotéricos, como a Nova Era, que também ensinam que “as palavras tem poder”. Nem Jesus nem a Igreja Primitiva, nem os apóstolos, assim como em toda a Historia da Igreja Cristã Mundial não encontramos estes ensinos, é algo pagão e provém de mitos, é um ensino que veio do mundo das superstições e compartilhado no mundo pagão sem Deus (2Tm 4: 3,4).
Qualquer passagem usada para defender tal ensino é uma afronta a inteligência, pois não existe tal ensino em toda a Bíblia, no Antigo Testamento e também no Novo Testamento. Passagens do Antigo testamento como Provérbios 18.21 ensinam “um poder nas palavras”? O único ensino de “poder nas palavras” que observamos pela Bíblia é o poder destruidor das palavras e seus efeitos. Por exemplo: Através de palavras ofensivas a uma pessoa poderei magoar um irmão de tal maneira que será mais fácil conquistar uma cidade do que aquele irmão (Pv 18.19).
Aliás, por todo o capitulo 18 de provérbios o ensino do bom uso da língua é uma realidade, mas o ensino místico e esotérico de que nossas palavras sejam “entidades” carregadas de bênçãos e maldições, não encontra apoio nem no judaísmo nem na Bíblia, mas no ocultismo.
Em Provérbios 18.7, encontramos tal declaração: “A boca do tolo é a sua própria destruição”, ou seja, não que as palavras que saem de nossas bocas sejam maldições, mas por falar demais ou em horas inapropriadas, poderei acarretar vários problemas e destruições que poderiam ser evitadas. No Novo Testamento o ensino sobre a língua e as palavras que proferimos se encontra em algumas passagens dentre elas (Tiago 3.1-12).
Onde apresenta o dever de controlar este membro e também é apresentado o seu poder destrutivo. O poder da língua (VV.3-5), que é comparado ao freio do cavalo, ao leme e ao fogo, mas o ensino ocultista e esotérico que muitos alardeiam de “há poder das palavras”, não encontra apoio em nenhuma passagem das Escrituras. O que existe na verdade, são os efeitos destas palavras sobre as pessoas, nada mais!
Alguns usando passagens indevidas, e outros usando argumentações sem a devida interpretação fazem muita confusão. Por exemplo, alguns argumentam que Jesus é apresentado sendo o Verbo e falar e não pensar quando ia realizar suas obras, era para mostrar ao povo que “As Palavras tem Poder”. Este raciocínio é falso, pois na verdade a intenção de Jesus era mostrar para as pessoas que Ele era o Cristo. Quando Deus disse que: “Haja Luz”, não estava ensinando que “Há Poder nas suas Palavras”, mas sim que Ele é o Criador de todas as coisas, e somente Ele pode realizar obras criadoras. O ensino que afirma que devemos “anular as palavras de maldições senão damos legalidade para o Diabo”, também não é sustentável pela Palavra de Deus.
Conclusão
Estamos presenciando a era do fim, os momentos que antecedem o Anticristo, e é notório que a mentira se espalhe de uma maneira mais eficaz. A Operação do Erro já opera nos filhos da desobediência (2 Tss. 2.8-11) e a mentira encontrará mais aceitação entre aqueles que não obedecem a Palavra do Senhor, e também de cristãos materialistas e secularizados.
O líder que hoje menosprezar a Historia da Igreja e a Hermenêutica Bíblica aceitará enganos quase imperceptíveis. Nosso dever como lideres é conhecer a Bíblia de uma maneira profunda (Tito 1:9). Infelizmente quem sofre é o povo de Deus por acreditar nestes falsos ensinos e palavras mágicas que são usadas pelas seitas da Nova Era, assim como pelo Xamanismo, Seicho-No-Ie, Logosofia e toda sorte de ocultismo.
Recomendamos a leitura de livros que alertam sobre o engano pelos falsos mestres em nosso meio. Somente para citar alguns: “O que estão fazendo com a Igreja” – Augusto Nicodemus- Ed Mundo Cristão – “Evangélicos em Crise”- Paulo Romero, Mundo Cristão –“ Erros que os pregadores devem evitar”, Ciro Sanches Zibordi, CPAD.

Eu estou indo para sempre!




Por Josemar Bessa

Em 23 de agosto de 1683 - um dia antes de morrer - John Owen (Um gigante na história da igreja)  ditou uma carta final para seu amigo Charles Fleetwood. Parte dela diz:
Eu estou indo para Ele a quem a minha alma tem amado, ou melhor, que me amou com um amor eterno, que é todo fundamento de toda minha consolação. A passagem é muito cansativa e sofrida, através de fortes dores de vários tipos que são acompanhadas de uma febre intermitente. . . Eu estou deixando o navio da igreja em uma tempestade, mas enquanto o grande piloto está nele a perda de um pobre remador será desprezível.
Apesar de ser um dos maiores nomes na história da igreja neste mundo, John Owen entendeu, como todos devemos entender, que depois de vivermos totalmente para Deus aqui, devemos partir em paz sabendo que é Deus quem edifica e guarda sua igreja e não nós. Somos apenas pobres remadores. O capitão levará o barco até o porto: “Eu edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não poderão vencê-la.” - Mateus 16:18 – Ele edifica e garante a entrada de cada santo, cada homem regenerado que compõe a Sua igreja, na glória: “Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.” - Judas 1:24-25

Somos apenas remadores, talvez não como John Owen foi, mas ainda assim remadores. Remem enquanto esse é o tempo determinado para nós fazermos isso. Depois Ele nos receberá na glória e continuará edificando Sua igreja.

As Duas Partes da Predestinação.


Por Louis Berkhof
A predestinação inclui duas partes, a saber, eleição e reprovação, a predeterminação tanto dos bons como dos maus para o seu fim definitivo, e para certos fins próximos, que servem de instrumentos para o cumprimento do seu destino final.
1. ELEIÇÃO
a. A idéia bíblica da eleição. A Bíblia fala de eleição em mais de um sentido. Há (1) a eleição de Israel como povo, para privilégios especiais e serviço especial, Dt 4.37; 7.6-8; 10.15; Os 13.5. (2) A eleição de indivíduos para algum ofício, ou para a realização de algum serviço especial, como Moisés Ex 3, os sacerdotes, Dt 18.5, os reis, 1 Sm 10.24; Sl 78.70, os profetas, Jr 1.5, e os apóstolos, Jo 6.70; At 9.15. (3) A eleição de indivíduos para serem filhos de Deus e herdeiros da glória eterna, Mt 22.14; Rm 11.5; 1 Co 1.27, 28; Ef 1.4; 1 Ts 1.4; 1 Pe 1.2; 2 Pe 1.10. Esta última é a eleição aqui considerada como parte da predestinação. Pode-se definir como o ato eterno de Deus pelo qual Ele, em Seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberem a graça especial e a salvação eterna. Mais resumidamente, pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus, de salvar certos membros da raça humana, em Jesus Cristo e por meio dele.
b. Características da eleição. As características da eleição e as dos decretos em geral são idênticas. O decreto da eleição é:
(1) Uma expressão da vontade soberana de Deus, do beneplácito divino. Significa, entre outras coisas, que Cristo como Mediador não é a causa impulsora, motriz ou meritória da eleição, como alguns têm asseverado. Pode-se-lhe chamar causa mediata da concretização da eleição, e causa meritória da salvação para a qual os crentes foram eleitos, mas Ele não é a causa motriz ou meritória da eleição propriamente dita. Isso é impossível, visto que Ele mesmo é objeto da predestinação e eleição, e porque, quando se incumbiu da Sua obra mediatória no Conselho de redenção, já fora fixado o número dos que Lhe foram dados. A eleição precede logicamente ao Conselho de paz. O amor eletivo de Deus precede ao envio do Seu filho, Jo 3.16; Rm 5.8; 2 Tm 1.9; 1 Jo 4.9. Ao dizer-se que o decreto da eleição se origina no beneplácito divino, exclui-se também a idéia de que ela é determinada por alguma coisa existente no homem, como a fé ou as boas obras previstas, Rm 9.11; 2 Tm 1.9.
(2) É imutável e, portanto, torna segura e certa a salvação dos eleitos. Deus executa o decreto da eleição coma sua própria eficiência, pela obra salvadora que realiza em Jesus Cristo. É Seu propósito que certos indivíduos creiam e perseverem até o fim, e Ele assegura este resultado pela obra objetiva de Cristo e pelas operações subjetivas do Espírito Santo, Rm 8.29, 30; 11.29; 2 Tm 2.19. É o firme fundamento de Deus que permanece, “tendo este selo: o Senhor conhece os que lhe pertencem”. E, como tal, é fonte de abundante consolação para os crentes. Sua salvação não depende da sua obediência incerta, mas tem a garantia do propósito imutável de Deus.
(3) É eterna, isto é, desde toda a eternidade. Esta eleição divina jamais deve ser identificada com alguma seleção temporal, seja para o gozo da graça especial de Deus nesta vida, seja para privilégios especiais e serviços de responsabilidade, seja para a herança da glória por vir, mas, antes, deve ser considerada eterna Rm 8.29, 30; Ef 1.4, 5.
(4) É incondicional. A eleição não depende de modo algum da fé ou das boas obras humanas previstas, como ensinam os arminianos, mas exclusivamente do soberano beneplácito de Deus, que é também o originador da fé e das obras, Rm 9.11; At 13.48; 2 Tm 1.9; 1 Pe 1.2. Desde que todos os homens são pecadores e perderam o direito às bênçãos de Deus, não há base para essa distinção neles; e desde que até a fé e as obras dos crentes são fruto da graça de Deus, Ef 2.8, 10; 2 Tm 2.21, mesmo estas, como previstas por Deus, não podem fornecer a referida base.
(5) É irresistível. Não significa que o homem não possa opor-se à sua execução até certo ponto, mas significa, sim, que a sua oposição não prevalecerá. Tampouco significa que Deus, na execução do Seu decreto, subjuga de tal modo a vontade humana que seja incoerente com a liberdade da ação humana. Significa, porém, que Deus pode exercer e exerce tal influência sobre o espírito humano que o leva a querer o que Deus quer, Sl 110.3; Fp 2.13.
(6) Não merece a acusação de injustiça. O fato de que Deus favorece alguns e passa por alto outros, não dá direito à acusação de que sobre Ele pesa a culpa de agir com injustiça. Só podemos falar de injustiça quando uma parte pode reivindicar algo de outra. Se Deus devesse o perdão do pecado e a vida eterna a todos os homens seria injustiça se Ele salvasse apenas um número limitado deles. Mas o pecador não tem, absolutamente, nenhum direito ou alegação que possa apresentar quanto às bênçãos decorrentes da eleição divina. De fato, ele perdeu o direito a essas bênçãos. Não somente não tem direito de pedir contas a Deus por eleger uns e omitir outros, como também devemos admitir que Ele seria perfeitamente justo, se não salvasse ninguém, Mt 20.14, 15; Rm 9.14, 15.
c. O propósito da eleição.
O propósito desta eleição eterna é duplo: (1) O propósito próximo é: a salvação dos eleitos. A palavra de Deus ensina claramente que o homem é escolhido ou eleito para a salvação, Rm 11.7-11; 2 Ts 2.13. (2) O objetivo final é a glória de Deus. Mesmo a salvação dos homens está subordinada a esta finalidade. Em Ef 1.6, 12,14 dá-se muita ênfase ao fato de que a glória de Deus é o supremo propósito da graça da eleição. O evangelho social dos dias atuais gosta de salientar que o homem é eleito para servir. Na medida em que isto vise negar que a eleição do homem é para a sua salvação e para a glória de Deus, é claramente contrário à Escritura. Entretanto, entendida pelo que ela é em si mesma, sem segundas intenções, a idéia de que os eleitos foram predestinados para servir ou para as boas obras, é inteiramente escriturística, Ef 2.10; 2 Tm 2.21; mas esta finalidade é subserviente às finalidades já indicadas.
2. REPROVAÇÃO.
Os nossos padrões confessionais não falam somente de eleição, mas também de reprovação.1* Agostinho ensinou a doutrina da reprovação, bem como a da eleição, mas essa “dura doutrina” enfrentou muitíssima oposição. Em geral os católicos romanos, e a grande maioria dos luteranos, arminianos e metodistas, rejeitam esta doutrina em sua forma absoluta. Se ainda falam de reprovação, é somente de uma reprovação baseada na presciência. É mais que evidente que Calvino tinha consciência da seriedade desta doutrina, pois fala dela como um “decretum horribile” (decreto terrível).2 Não obstante, não se sentiu com liberdade para negar o que ele considerava uma importante verdade da Escritura. Em nossos dias, alguns eruditos que se arrogam filiação à fé reformada, calvinista, levantam obstáculos a esta doutrina. Barth ensina uma reprovação que depende da rejeição humana da revelação de Deus em Cristo. Brunner parece ter um conceito mais bíblico da eleição que Barth, mas rejeita inteiramente a doutrina da reprovação. Admite que ela se reduz logicamente da doutrina da eleição, mas adverte contra a direção da lógica humana neste caso, desde que a doutrina da reprovação não é ensinada na Escritura.3
a. Exposição da doutrina. Pode-se definir a reprovação como o decreto eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar a um certo número de homens as operações da Sua graça especial, e puni-los por seus pecados, para a manifestação da Sua justiça. Os seguintes pontos merecem ênfase especial: (1) Há dois elementos na reprovação. Segundo a descrição mais comum na teologia reformada (calvinista), o decreto da reprovação compreende dois elementos, a saber, a predestinação, ou determinação de deixar de lado alguns homens; e a condenação (às vezes chamada pré-condenação) ou determinação de punir os que são deixados de lado – puni-los por seus pecados. Como tal, o decreto incorpora um dúplice propósito: (a) deixar de lado alguns na dádiva da graça regeneradora e salvadora; e (b) destina-los à desonra e à ira de Deus pelos seus pecados. A Confissão Belga só menciona o primeiro propósito, mas os Cânones de Dort mencionam dois. Alguns teólogos reformados gostariam de omiti o segundo elemento do decreto da reprovação. Dabney prefere considerar a condenação dos ímpios como prevista e como intencional resultado da sua preterição, privado, assim, a reprovação do seu caráter positivo; e Dick é de opinião que o decreto para condenar deve ser considerado como um decreto à parte, e não como parte e não como parte integrante do decreto da reprovação. Parece-nos, porém, que não temos base para excluir o segundo elemento do decreto da reprovação, nem para considera-lo um decreto diferente. O lado positivo da reprovação é ensinado com tanta clareza na Escritura como o oposto da eleição, que não podemos considerá-las como algo puramente negativo, Rm 9.21, 22; Jd 4. Contudo, devemos notar diversos pontos de distinção entre os dois elementos do decreto da reprovação:
(a) A predestinação é um ato soberano de Deus, um ato dos Seu puro e simples beneplácito, em que os deméritos do homem não entram em consideração, ao passo que a pré-condenação é um ato judicial, que impõe castigo. Ate os supralapsários se dispõem a admitir que na condenação o pecado é levado em conta.
(b) O motivo da predestinação é desconhecido para o homem. O pecado não pode ser, pois todos os homens são pecadores. Podemos dizer apenas que Deus passou por alto alguns por sabias e boas razões, suficientes para Ele. Por outro lado, o motivo da condenação é conhecido: é o pecado.
(c) A preterição é puramente passiva, um simples deixar de lado, sem nenhuma ação exercida sobre o homem, mas a condenação é eficiente e positiva. Os são deixados de lado são condenados por causa do seu pecado. (2) Devemos, porem, estar vigilantes contra a idéia de que, como a eleição e a reprovação determinam com certeza absoluta o fim para qual o homem é predestinado e os meios pelos quais esse fim é atingido, também implica que, tanto no caso da reprovação como no da eleição, Deus faz acontecer, por Sua eficiência pessoal e direta, tudo quanto Ele decretou. Significa que, conquanto se possa dizer que Deus é o Autor da regeneração, da vocação eficaz, da fé, da justificação e da santificação dos eleitos e, portanto, mediante Sua ação direta sobre eles, leva a eleição deles à realização concreta, não se pode dizer que Ele é também o autor da Queda, da condição iníqua e dos atos pecaminosos dos reprovados, agindo diretamente sobre eles e, portanto, sendo o responsável direto por isso tudo, efetuando a concretização da reprovação deles. Sem duvida nenhuma, o decreto de Deus deu certeza à entrada do pecado no mundo, mas Ele não predestinou alguns para o pecado, como predestinou outros para a santidade. E, como o santo Deus que é, Ele não pode ser o autor do pecado. A posição que Calvino toma sobre este ponto é claramente indicada nos seguintes pronunciamentos, que se acham nos Calvin’s Articles on Predestination (Artigos de Calvino sobre a Predestinação):
“Embora a vontade de Deus seja a suprema e a primeira causa de todas as coisas, e Deus mantenha o diabo e todos os ímpios sujeitos à Sua vontade, não obstante, Deus não pode ser denominado causa do pecado, nem autor do mal, e nem esta exposto a nenhuma culpa”.
“Embora o diabo e os reprovados sejam servos e instrumentos de Deus para a execução das Suas decisões secretas, não obstante, de maneira incompreensível, Deus de tal modo age neles e por meio deles que não contrai nenhuma mancha da perversão deles, porque utiliza a malicia deles de maneira justa e reta, para um bom fim, apesar de muitas vezes estar oculta aos nossos olhos essa maneira”.
“Agem com ignorância e calunia os que dizem que, se todas as coisas sucedem pela vontade e ordenação de Deus, Ele é o autor do pecado; porque não fazem distinção entre a depravação dos homens e os desígnios ocultos de Deus”.1 (3) Deve-se notar que aquilo com que Deus decidiu deixar de lado alguns homens, não é a Sua graça comum, mas a Sua graça regeneradora, que transforma pecadores em santos. É um erro pensar que, nesta vida, os reprovados estão inteiramente destituídos do favor de Deus. Deus não limita a distribuição dos dons naturais por causa da eleição. Nem sequer permite que a eleição e a reprovação determinem a medida desses dons. Muitas vezes os reprovados gozam maior medida das bênçãos naturais da vida que os eleitos. O que efetivamente distingue estes daqueles é que estes são objeto da graça regeneradora e salvadora de Deus.
b. Prova da doutrina da reprovação. A doutrina da reprovação decorre naturalmente da lógica da situação. O decreto da eleição implica inevitavelmente o decreto da reprovação. Se o Deus de toda a sabedoria, de posse de conhecimento infinito, se propôs eternamente a salvar alguns, então, ipso facto, também se propôs eternamente a deixar de salvar outros. Se Ele escolheu ou elegeu alguns, então, por esse mesmo fato, rejeitou outros. Brunner se precavém contra este argumento, desde que a Bíblia não diz uma só palavra com vistas a ensinar uma predestinação divina para a rejeição. Mas nos parece que a Bíblia não contradiz, antes justifica a lógica em questão. Visto que a Bíblia é, primordialmente, uma revelação da redenção, naturalmente não tem tanto que dizer da reprovação como o tem da eleição. Mas o que ela diz é deveras suficiente, cf. Mt 11.25, 26; Rm 9.13, 17, 18, 21, 22; 11.7; Jd 4; 1 Pe 2.8. 1 Conf. Belg., Art. XVI; Canons of Dort, I, 15. * Conf. Presb. (Westminster), III. III, VII. Nota do Tradutor. 2 Inst., III. 23, 7. 3 Our Faith, p. 32, 33 1 Citados por Warfield em Studies in Theology, p. 194.