domingo, 8 de dezembro de 2013

Aos 95 nos, morre Nelson Mandela



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 faleceu aos 95 anos o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Manchete em todos importantes jornais do mundo, Mandela deixa uma vasta e admirável biografia. Líder conhecido por sua luta pelo fim da segregação racial na África e por envolvimento com questões humanitárias, ele nos deixa um legado de perseverança ante o sonho de ver um mundo de paz e sem injustiças.
O site Gospel Prime veiculou a seguinte matéria abaixo, acompanhe.

Morre Nelson Mandela, conheça o testemunho cristão do líder africano

A morte de Nelson Rolihlahla Mandela hoje (5), mostra sua importância como uma das figuras mais reverenciadas do mundo. Ele foi preso político na África do Sul durante 27 anos. Ao sair, consagrou-se como uma dos maiores opositores do apartheid. Tornou-se presidente e governou sua nação entre 1994 e 1999.
Em 1993, recebeu o prêmio Nobel da Paz. Depois que deixou a presidência, passou a se dedicar a campanhas contra a Aids na África do Sul, visando diminuir os casos da doença que ainda é um grande problema no continente africano. Depois de se aposentar da vida pública em 2004, raramente era visto em público. A última aparição foi em 2010, na cerimônia de encerramento da Copa do Mundo.
Ao partir deste mundo aos 95 anos deixa um legado histórico. Mas poucos lembram da fé do primeiro presidente negro da África do Sul.
Em sua autobiografia, Long Walk to Freedom [Um Longo Caminho para a Liberdade], Mandela conta sua conversão ao cristianismo. Ele vem de uma família evangélica metodista: “A Igreja estava tão preocupada com este mundo quanto com o céu. Eu vi que praticamente todas as realizações dos africanos pareciam ter surgido através do trabalho missionário da Igreja”.
Em Long Walk, que deverá chegar aos cinemas em 2014, Mandela lembra como se tornou membro da Associação de Estudantes Cristãos e dava aulas aos domingos em escolas bíblicas nas aldeias vizinhas. Tendo estudado em escolas evangélicas até o ensino médio, sempre defendeu o poder transformador da educação.
Também conta como, algumas semanas antes de ser eleito presidente, pregou num culto de Páscoa de uma igreja cristã. Após ler as bem-aventuranças, começou a louvar a Deus por que “nosso Messias ressuscitado não escolheu uma raça, não escolheu um país, não escolheu uma língua, não escolheu uma tribo, mas escolheu salvar toda a humanidade! ”
Makaziwe Mandela, sua filha, contou que com a saúde cada vez pior, “O que fazemos a cada dia é pedir graça ao bom Deus… Ele está em paz consigo mesmo, já deu tanto para o mundo. Acredito que ele está pronto para partir em paz”.
Embora nem sempre destacado pela imprensa, Madela, assim como Martin Luther King Jr., pautou sua luta pelos ensinamentos de Cristo. Não advogava a violência e sempre falava sobre seu compromisso com Cristo. Uma das ideias que mais difundiu nos anos que governou foi “perdão”, evitando que se iniciasse um processo de descriminação reverso na África do Sul. No famoso sermão da Páscoa de 1993, Mandela proclamou: “Cada Páscoa marca o renascimento da nossa fé. Marca a vitória do nosso Salvador ressuscitado sobre o suplício da cruz e da sepultura”.

Polêmica Sobre a Doença e a Morte no Meio Evangélico



doença 

Uma reflexão sobre as crenças antibíblicas no meio evangélico sobre doença e morte
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1:2-3)
Um dos grandes problemas na igreja de hoje é a busca pelo contentamento pessoal em detrimento dos princípios bíblicos. Por essa razão muitas pessoas têm se revoltado contra Deus quando a dor e o sofrimento batem à porta.
Ainda, quando alguém lhes fala sobre a verdade do sofrimento bíblico na vida cristã, isso parece tão absurdo e revoltante que se jogam contra quem lhes comunica essa verdade da Escritura da mesma forma que um lutador de sumô se lança contra o seu oponente.
Rapidamente, sentimentos como ira, indignação e revolta afloram contra quem afirma que o crente pode ficar doente e até morrer como resultado da vontade de Deus. Os seguidores do Movimento da fé se revoltam quando afirmamos que isso pode ocorrer como um meio do Senhor ser glorificado. Esse tipo de mensagem é tão rejeitada nos dias de hoje que qualquer um que fizer tal afirmação é visto rapidamente pelos seguidores deste Movimento da Fé como um inimigo do cristianismo ou como alguém que vive uma vida medíocre, alguém que não recebeu a palavra revelada. Principalmente porque aqueles que não aceitam o sofrimento como algo vindo de Deus se acham supercrentes, pequenos deuses. Os seguidores desse Movimento perpetuam seu erro ao pensar que há poder em nossas palavras, o que na verdade é uma crença oriunda do hinduísmo e não do cristianismo. São cristãos na denominação e hindus na prática.
Muitos questionam se é correto falar sobre as distorções bíblico-teológicas quando algum proponente desse Movimento da Fé morre. Muitos dizem que isso é abusar da dor alheia, desrespeitar o sofrimento do próximo e até fazer uma demonstração pública e inconveniente de falta de amor.
Em primeiro lugar, é preciso compreender que a essência do amor bíblico não se resume à um mero sentimento, mas a uma atitude que está alicerçada na verdade da Escritura. O amor bíblico é guiado não por palavras suaves, agradáveis e que acariciam o ego dos seus seguidores, mas pela verdade. E é esta verdade que deve ser a marca da Igreja, dos seguidores verdadeiros de Jesus Cristo. Devemos entender que o compromisso verdadeiro do cristão não é falar bem, mas falar a verdade, pois a Igreja de Cristo – antes de mais nada – deve ser conhecida como “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3:15).
Hoje vivemos em meio a uma Igreja que abraçou o discurso do politicamente correto, e por isso, qualquer um que fale a verdade desmascarando o erro será visto não como um fiel, mas como um radical, extremista, fundamentalista e “xiita” evangélico. O problema com isso, é que se Jesus é o nosso modelo e exemplo, precisamos entender que Ele mesmo escolhia muito bem as palavras para falar com aqueles que distorciam as Escrituras, chamado-os de “falsos”, “hipócritas”, “filhos do diabo” etc.
Então, como será que seremos vistos hoje se agirmos da mesma forma? E mais, como será que o próprio Jesus seria visto e recebido em certas “igrejas” se mantivesse o mesmo discurso da Sagrada Escritura? Certamente, Ele mantém o mesmo discurso e sua mensagem é bastante dura contra a Sua Igreja, como podemos constatar se estudarmos Apocalipse 2 e 3.
“Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (1Pe 4:17)
Entendemos que alguns argumentem que não se deve falar das distorções doutrinárias no momento da morte de alguém que propagava tais práticas, mas também é exatamente nesse momento que muitos têm se aproveitado da situação para fortalecer a crença no erro da Confissão Positiva.
O cuidado, porém, deve ser tomado para que não se façam acusações pessoais, pois a nossa luta não é contra pessoas, contra indivíduos, e sim contra as distorções doutrinárias, contra ensinos. Portanto, é preciso buscar demonstrar a incoerência dos ensinos de tais pessoas. A nossa questão não é quanto a sua vida particular, ou seus aspectos pessoais, e sim quanto a questão bíblico-teológica. Devemos nos ater a questão doutrinária. E na questão doutrinária os seguidores deste Movimento ensinam que a doença é fruto do pecado individual.
Por tudo isso, esse é o momento exato e propício para se tratar da questão doutrinária e não pessoal.
Por experiência própria, já vimos proponentes desse movimento morrer vítimas de câncer e como ninguém se pronunciou na época, o assunto esfriou e depois passaram a dizer que o falecido não morreu de câncer, que ninguém questionasse o motivo de sua morte porque Deus poderia dizer “não é de sua conta”. Ou seja, a mentira foi perpetuada porque ninguém ousou questionar os desvios na época do falecimento, em respeito aos que estavam sofrendo. Por isso, se deixamos o tema esfriar, a heresia será mantida e depois os fatos serão distorcidos. Já chegaram e dizer que o falecido só morreu porque alguns irmãos o liberaram para isso, pelo poder de suas palavras.
Se deixarmos a ocasião passar, a distorção e o erro doutrinário serão mantidos e perpetuados, como já vem sendo há bastante tempo.
Se fazemos o que fazemos, não é por falta de sensibilidade à situação daqueles que estão sofrendo, mas exatamente porque nos preocupamos com a situação espiritual daqueles que sofrem.
Fazendo uma analogia, por que é que os pastores pregam nos velórios e aproveitam a situação para fazer apelos de salvação?
Será que estes pastores estão sendo insensíveis com a situação e querem tirar proveito da fragilidade de quem está sofrendo pelo falecido? Ou será que é porque eles sabem da verdade espiritual e querem usar a situação para abrir os olhos dos ouvintes para a verdade, já que estão sensíveis naquele momento?
O mesmo princípio se aplica aqui. Digo isto por experiência própria e pessoal. Algumas pessoas do Movimento da Fé já têm nos procurado porque estão “em parafuso”, pois a verdade foi apresentada na época da morte de seus líderes, especialmente porque estes mesmos líderes afirmaram em vida que haviam sido curados. Nesse momento, muitos estão sem entender e estão buscando respostas, já que foram ensinados de forma errada durante toda a vida.
Por outro lado, a falta de argumentos bíblicos de tais pessoas tem levado-os à falta de domínio próprio e à ira, que são pecados da carne, fazendo com que tais pessoas leiam certas coisas e não entendam, porque a ira cega o entendimento. Por isso, é necessário termos mansidão e temor na nossa exposição da verdade bíblica, como diz 1Pe 3:15.
Diante de tudo isso, acreditamos que é preciso esclarecer mais alguns pontos:
1) Não defendemos que Deus não cura. Cremos que Deus pode curar sim. Mas isso ocorre dentro de Sua vontade e soberania, assim como também pode decidir não curar, dentro de Sua vontade e soberania, da mesma forma;
“E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Mc 14:36).
2) Qualquer pessoa, seja crente ou não, pode adoecer de qualquer tipo de doença. Por exemplo, a incidência de câncer em minha família é grande. Então, provavelmente eu sou propício a ter essa doença no futuro. Contudo, se esse for o caso, deverei continuar adorando, glorificando e honrando ao meu Deus da mesma forma, porque precisamos aprender a viver contentes em toda e qualquer situação. Se uma doença tira a paz e a estabilidade daquele que diz seguir a Cristo, existe algo errado em sua fé. O Jesus Cristo da Bíblia não desestabiliza ninguém por causa de uma doença. Antes disso, o fortalece em meio a tempestade. Devemos lembrar que Cristo não impediu que os apóstolos enfrentassem tempestades, mas estava com eles no barco;
“Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2Co 1:6)
3) Devemos adorar o nosso Deus por quem Ele é, e não por aquilo que Ele nos dá. Então, a nossa adoração à Deus e o nosso serviço à Ele devem ser dados de forma incondicional. Aqueles que só querem aceitar de Deus aquilo que lhe agrada e que lhe é conveniente são interesseiros e o seu relacionamento com Cristo não é sincero nem verdadeiro. Devemos lembrar o próprio Jó disse, sobre sua esposa que era uma louca: “Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10). O fato, aqui citado, é que muito embora Satanás tenha afligido a Jó, ele mesmo disse que o mal veio de Deus. Isso mesmo! O mal veio de Deus e a própria Bíblia diz que Jó não pecou por dizer isso. Então é pecado dizer o contrário daquilo que a Bíblia revela. O pecado está em dizer algo que é contrário àquilo que a sagrada Escritura estabelece como verdade;
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12:7-9)
4) Não podemos esquecer que agradou a Deus “moer” Jesus (Is 53:10); Que Deus é quem faz a ferida e cura, se Ele quiser, e que não há quem escape da mão Dele (Dt 32:39); Que a doença também é um meio que Deus usa para glorificar o Seu Soberano nome, como no caso de Lázaro (Jo 11:4); Que o homem cego, nasceu cego “para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9;2,2);
“Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Is 45:7)
5) Não podemos esquecer que em muitos casos Deus não livrou seu povo do sofrimento, dor e aflição, mas esteve com ele em meio a tudo isso. E que por muitas vezes Deus os deixou morrer porque era necessário que assim fosse, a exemplo dos apóstolos. Ainda assim, e diante de tudo isso, Ele continua sendo Deus!;
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18)
Por último, entendemos que a ira dos seguidores do Movimento da Fé contra a verdade bíblica revelada de forma clara e inequívoca se manifesta porque os alicerces de madeira podre de seu palácio de cristal estão sendo abalados. Aquilo que tanto sonhavam alcançar é ameaçado e a única defesa de que não tem respaldo bíblico é a ignorância e brutalidade da violência, nem que esta seja verbal. Mas precisamos nos lembrar que os verdadeiros filhos de Deus devem ter, em si, o fruto do Espírito, a começar pelo verdadeiro amor bíblico que está alicerçado na verdade e passando pelo domínio próprio.
Que façamos como os crentes de Beréia que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17:11).
Pr. Robson T. Fernandes

Show superfaturado de Fernanda Brum coloca secretária de Cultura de Cachoeiro-ES no banco dos réus



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Cristiane Fagundes Paris – Secretária da PMCI
O Ministério Público denunciou e a Justiça acatou superfaturamento no show da cantora gospel Fernando Brum, realizado em julho de 2012, pelo valor na época em de R$ 110 mil, através da O.ES Consultoria e Assessoria Fonográfica Ltda.
A quantia superfaturada saiu em dos cofres públicos em junho e julho de 2012 , R$ 110 mil por um show da Fernanda Brum no dia 25 de março do ano passado.
Estão no banco dos réus por crimes de improbidade e outros relacionados ao assalto aos cofres públicos, a Secretária Municipal, ordenadora de despesas, Cristiane Resende Fagundes, a empresa citada e seus sócios Marcelo Leite da Silva e Edson da Silva Cruz.
O Ministério Público apurou que o show da artista evangélica, de renome nacional, vale quatro vezes menos o valor pago pela Prefeitura de Cachoeiro-ES. O processo se encontra na Justiça da Fazenda Pública de Cachoeiro de Itapemirim em fase de sentença.
Esta prática de superfaturamento de shows artísticos é comum em algumas Prefeituras, principalmente a de Cachoeiro de Itapemirim em que a Secretária já responde por quase uma dezena de processos pelas mesmas práticas.
Tentamos entrar em contato com a cantora Fernanda Brum, pelos números disponibilizados no seu site oficial, mas ninguém quer falar sobre o assunto e nem sobre a empresa que a contratou.
A cantora não figura como parte do processo, apenas a empresa que a contratou. E não se sabe na intermediação com quanto ela ficou dos recursos da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim-ES, terra de Roberto Carlos.

Babel, Babilônia e Brasil


Por Valdemar Figueredo

É o abuso de poder eclesiástico que torna crível o absurdo megalomaníaco.

Não era uma construção qualquer - afinal, era uma obra para ser vista e admirada. Tocar no céu, dizia-se. Altura e imponência eram fundamentais, ainda que a massa de trabalhadores vertesse sangue e suor sob os blocos de pedra. Valia tudo para poder tocar no céu, e os olhos dos poderosos voltavam-se para o alto. Quem muito observa as pessoas da base, pensam alguns líderes pragmáticos, não conseguirá explorar as alturas. A torre de Babel não precisava de reboco nem tinta: seria revestida de alto a baixo pela pele de gente crédula, pintada por dentro e por fora com o sangue crente.

Quando alguém reivindica a legitimidade do seu poder citando suas construções tangíveis, ficamos a pensar: a liderança espiritual justifica sua legitimidade de que forma? A dúvida ocorre porque, nessa lógica, os líderes religiosos precisarão tornar suas obras espirituais suas obras espirituais em coisas concretas. Eis uma das nuances do pragmatismo: os resultados obtidos justificam tudo o que foi feito e legitima o poder daquele que coordenou as ações. Líderes personalistas pragmáticos mandam os entulhos para as periferias, onde aterrarão os caminhos escabrosos. Nada se perde. Cada coisa no seu lugar. A torre no centro; os entulhos, na periferia. E o líder no meio de tudo. Entre outras coisas, a torre é ótima para servir de referência de poder.

A linha divisória entre o pragmatismo personalista e a megalomania costuma ser tênue. Muita gente diz que Deus merece o melhor, enquanto alimenta seu próprio delírio de grandeza. Construtores que pouco se importam com as coisas criadas ou com as muitas pessoas que o ajudam a construir torres altíssimas só têm olhos para si mesmos. A altura da torre será proporcional ao tamanho do seu delírio. Ou seja, estamos falando de pessoas que agem em nome de Deus com sérios transtornos, com a percepção da realidade seriamente afetada.

Esse delírio assume sua força quando é embalado no discurso da fé. O apelo da fé é poderoso a ponto de transformar a razão em estupidez e tornar o delírio de um insensato em torpor coletivo. É o abuso de poder eclesiástico que torna crível o absurdo megalomaníaco. Babel era um monumento à insanidade de um povo sob uma liderança megalomaníaca. Nabucodonosor, então, vira um tipo comum – o sujeito cheio de poder que perde a sanidade. O muito já não basta. “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para morada real, pela força do meu poder, e para a glória da minha majestade” (Daniel 4.30). Justiça seja feita: são poucos os líderes religiosos megalomaníacos que, à semelhança do senhor de Babilônia, declaram tão explicitamente que o muito que realizam destina-se à glória da própria majestade. Na tradição cristã, fica feio o discurso ufanista de exaltação própria; então, os “nabucodonosores” contemporâneos são mais refinados, para não falar dissimulados. Aí, vem a justificativa oficial: “Tudo isso é para a glória de Deus.”

Mas houve confusão. Em Babel, todos são estranhos! Confusão das línguas ou sobreposição de egos? Nas igrejas brasileiras, as divisões pouco ou nada têm a ver com métodos ou posições teológicas. Trata-se de disputas de líderes pragmáticos megalomaníacos. Mania de grandeza é confundida com visões divinas, enquanto, ao pé da torre ou nos jardins suspensos, o que se vê é uma feira de egos – e o que era para ser ponto de encontro vira lugar de desavenças. A obra mais visível em Babel eram as relações humanas destruídas. Em Babilônia, também se viam coisas feias – no meio do esplendor, desconfiança e ressentimento. Daí, tudo fica dependendo da figura do líder. Enquanto ele for capaz de renovar seu carisma, o projeto permanece. Em Babel, na Babilônia ou no Brasil, como aferir se a obra de um é maior do que a de outro? Ora, através da comparação. Então, não basta construir algo admirável - é preciso construir o mais admirável: “Tornemos célebre o nosso nome”... As comparações desleais difamam as obras alheias.

Jesus, com muita frequência, dirigia-se às intenções dos líderes pragmáticos megalomaníacos do seu tempo. O Mestre jamais tentou erguer uma torre em Nazaré, ou uma cidade na Galileia. Os megalomaníacos ficaram desconcertados, uma vez que os termos das suas disputas foram ignorados e ridicularizados. Jesus era um líder sem a chave da porta do templo, e não vestia estola sacerdotal. Um de seus discípulos admirou-se: “Mestre! Que pedras, que construções!” Vale conferir a resposta em Mateus 13.1.

Por que tantas pregações tão ruins?



Por Carl Trueman 
A pregação é fundamental para o protestantismo. A proclamação da palavra de Deus é o meio primário pelo qual o cristão encontra Deus. Assim, a pergunta óbvia é: por que tantas pregações são tão ruins?

Esse não é um problema encontrado apenas em pequenas igrejas das quais ninguém jamais ouviu. Alguns anos atrás eu estava em uma conferência onde um grupo de pregadores estava sendo apontado como modelos para serem seguidos. Um desses pregadores, de uma das maiores e mais conhecidas igrejas evangélicas do universo dos novos calvinistas fez um sermão cheio de belas anedotas pessoais. Ao fim, ele havia enternecido meu coração em seu favor, como pessoa. Mas como pregação, aquilo foi simplesmente terrível, funcionalmente desconexo do texto bíblico que havia sido lido. Sinceramente, ele poderia muito bem ter substituído a leitura bíblica por um solilóquio de Rei Lear e não precisaria mudar uma sentença sequer do sermão. Pode ter sido eloquente e emocionante; mas, como pregação, foi uma completa catástrofe. E, infelizmente, foi uma catástrofe apresentada para uma multidão de milhares como o modelo do que se fazer no púlpito.

Afinal, por que tanto das pregações, mesmo as das celebridades das conferências, é tão ruim? É impossível responder essa questão em apenas uma frase. Sermões podem ser ruins por uma variedade de razões. Aqui estão oito que me parecer ser as mais significativas. Eu as dividi em categorias: teológica, culturais e técnicas.
Teológica

Primeiro, a razão teológica: para pregar bem, o pregador precisar entender o que ele está fazendo. Entender o que é uma tarefa é básico para fazer bem essa tarefa. Se você pensa que pregação é apenas comunicar informações, entreter ou fomentar uma discussão, isso vai moldar a forma com que você prega. O maior perigo para os estudantes nos seminários é que eles assumem que as aulas que eles ouvem são modelos para os sermões que eles vão fazer nos púlpitos. E não são. Pregação é um ato teológico. O pregador encontra seu correspondente não nos auditórios ou salas de aula nem, na pior das opções, no circuito de stand-up comedy. Ele o encontra nos profetas do Antigo Testamento, trazendo uma palavra de confrontação do Senhor que explica a realidade e demanda uma resposta.
Culturais

Em segundo lugar, há uma falha em prover um contexto apropriado para o treinamento dos pregadores. Os seminários tem um poder limitado; pregar três ou quatro vezes para seus colegas de classe e ser filmado enquanto isso não é uma preparação adequada para o púlpito. E a estranha prática de desencorajar pessoas que não foram licenciadas para tal não ajuda. Como alguém pode licenciar alguém para pregar a não ser que se saiba se ele consegue pregar? E como alguém vai saber fazê-lo se não tiver experiências reais em uma igreja real? A falta dos cultos noturnos em muitas igrejas não é apenas um triste testemunho sobre a perda do Dia do Senhor; também limita as oportunidades de pregação para aqueles em treinamento. Igrejas precisam fazer um trabalho melhor em encorajar aqueles que pensam que foram chamados para serem pregadores para testarem seus dons, talvez em cultos noturnos ou em outras situações. Basta pensar um pouco.

Em terceiro, há uma relativização da palavra pregada e o crescimento da ênfase no aconselhamento pessoal. Eu não estou negando a utilidade do aconselhamento pessoal, mas estou dizendo que a maioria dos problemas que muitos de nós temos deveriam ser lidados muito adequadamente por meio da proclamação pública da palavra de Deus. O mundo ao nosso redor nos diz que somos todos únicos e temos problemas igualmente únicos. Essa conversa sobre exclusividade é bastante exagerada. Precisamos criar uma cultura eclesiástica onde a exclusividade é relativizada e onde pessoas vêm à igreja esperando que a palavra pregada irá lidar com seus problemas particulares. Fico abismado com o fato de que, por mais que Paulo faça algumas aplicações individuais bastante pontuais, ele normalmente opera em um nível mais genérico. Seminários deveriam fazer da pregação a prioridade em todos os níveis; pregadores deveriam aprender a pregar com a confiança de que irão impactar indivíduos para o bem ao falarem com todos eles do púlpito.

Em quarto, há, às vezes, um fracasso em estabelecer a própria voz. Tendo sido convertido na década de 80, eu me lembro que não havia nada mais vergonhoso do que ouvir mais um pregador britânico que havia decidido que deveria soar exatamente como o Dr. Lloyd-Jones e pregar por tanto tempo quanto o grande Galês pregava. Muitos sermões brilhantes de meia hora eram implodidos pela necessidade do pregador de esticá-los até a marca de cinquenta minutos.

Hoje, talvez, o problema seja pior. Há alguns anos, questionei um grupo de estudantes sobre quem eram seus modelos favoritos de pregação. Nenhum deles mencionou qualquer dos pastores sob quem eles haviam crescido. Os nomes todos pertenciam ao pequeno e limitado grupo do circuito de pregação das megaconferências.

Isso é desastroso por mais razões, mas não menos pelo fato de que essas conferências apresentam consistentemente como normativo um espectro muito limitado de vozes e estilos. Cada pregador precisa encontrar sua própria voz; a tragédia é que a dinâmica de preencher cinco ou dez mil assentos em um estádio significa que a única voz ouvida é aquela daquele capaz de atrair tanta gente. Mas muitas dessas vozes pastoreiam igrejas onde há pouco contato entre o pastor e o povo. Eles podem encher estádios, mas não são as únicas vozes que os aspirantes a pregadores deveriam ouvir. O tempo e o acaso podem transformar homens em pastores de mega-igrejas. Muitos pregadores muito melhores operam em igrejas menores e são eles que realmente podem testemunhar sobre a importância de se encontrar a própria voz.

Em quinto, nos círculos presbiterianos, pelo menos, é possível que se tenha uma imagem muito grande do ministério. Isso é contra-intuitivo, particularmente vindo de um presbiteriano que acredita que uma visão grande do ministério pastoral é um aspecto importante de uma igreja saudável. O que eu quero dizer aqui é: se a cultura da sua igreja projeta uma imagem tão alta do ministério a ponto da congregação pensar que o ministério ordenado é o único chamado digno para um homem cristão, a consequência infeliz é que homens que não tem as habilidades básicas para serem ministros irão, apesar disso, sentir a necessidade de serem ministros, para poderem servir da melhor forma. E homens, no ministério, que realmente não tem as habilidades pessoais necessárias para pregar não irão pregar bem. Precisamos de igrejas onde um entendimento saudável da vocação cristã é ensinada e cultivada, para que os homens não sintam esse tipo de pressão.
Técnicas

Há muitos aspectos técnicos na pregação, mas aqui estão três das mais comuns falhas técnicas que geram pregações ruins:

A falha da falta de estrutura clara. Minha impressão é que pregadores em treinamento muitas vezes assumem que a estrutura do sermão que prepararam é tão clara para a congregação quanto é para eles. E raramente é. Pregadores experientes conseguem tornar a estrutura clara simplesmente por meio de clareza de pensamento, progressão lógica e sentenças bem conectadas. Até que se atinja esse nível, eu aconselho os estudantes a esclarecerem logo no início qual é a estrutura. “Os três pontos que eu quero que vocês vejam nessa passagem são…” pode ser uma forma muito mecânica de começar a seção principal de um sermão, mas pelo menos deixa claro quais são os objetivos do pregador.

A falha de não conhecer ou não entender a congregação. Isso se manifesta de muitas formas. Normalmente, para estudantes e pregadores recém ordenados, se manifesta em entupir o sermão com o máximo possível de linguagem teológica especializada (conhecida na sala de aula como “terminologia técnica” e no púlpito como “conversa fiada”). O importante não é impressionar a congregação com o seu conhecimento. É apontar as pessoas para Cristo da forma mais clara e concisa possível.

A falha de não saber o que deixar de fora. Talvez, depois da falta de uma estrutura clara, essa é a falha mais comum entre os pregadores em treinamento. Você já leu tudo que poderia sobre a passagem; agora você quer dizer à congregação tudo o que você aprendeu. Você não pode fazer isso. Não faça a congregação beber de um hidrante. Pense com cuidado sobre quais são as coisas mais importantes para essa congregação nesse momento (o que requer, é claro, conhecer alguma coisa sobre a congregação) e foque nisso. Todo aquele material fascinante restante? Bom, use em outro sermão sobre a mesma passagem um dia.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Por que os mártires devem sofrer, morrer... se os eleitos irão ser salvos?


Por Josemar Bessa

Se há uma eleição divina - Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Efésios 1:4 – e se esse Deus que elegeu é soberano e não pode ser frustrado, e irá trazer os eleitos a salvação, pregar, sofrer pela propagação da Verdade, morrer como o Apóstolo Paulo... não seria algo supérfluo?

Esse é um raciocínio repetido a exaustão, mas o que ele não consegue entender é o claro ensino do Apóstolo Paulo, por exemplo, ( que foi martirizado por pregar o evangelho ) que Deus ordenou não apenas a salvação dos eleitos, mas por sua graça, bondade, vontade... também ordenou os meios para realizar esse fim. O que envolve a pregação do evangelho até os confins do mundo – pregação essa que tem propósitos distintos: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida...” - 2 Coríntios 2:15-16

A ordem é pregar a Verdade à custa de oposição, aflição, de modo que os eleitos possam ser salvos, sendo regenerados pelo Espírito, então crendo, voltando de seus pecados para Deus... Não é claramente esta a causa que Paulo dá para sua vida, pregação, prisão, morte...?

“Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho; Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna.” - 2 Timóteo 2:8-10

Paulo está empenhado em difundir a verdade do Evangelho a ponto de estar disposto a sofrer e resistir a qualquer dificuldade, sofrimento... Mas por quê?
 
O que Paulo diz aqui em 2 Timóteo é um eco de toda a lógica do que ele ensinou – “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.” - Romanos 10:13-15

O homem deve ouvir o evangelho para ser salvo, e como ouvirão se não há um pregador? Então Paulo sofre privações terríveis como expressão de seu compromisso de que os eleitos devem ouvir o evangelho para crer e serem salvos: “...tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna.” - 2 Timóteo 2:8-10. Ele sabe que Deus escolheu mostrar sua graça escolhendo homens indignos e merecedores do inferno, ele sabem que estes não podem deixar de serem salvos. No entanto, ele também sabe que  eles não são salvos até que creiam no evangelho.

Por isso o “para que” no verso 10 - “...tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles...” – Ele tudo sofre com esse propósito, finalidade – por amor aos escolhidos – o sofrimento de Paulo tem um objetivo em vista – que entre aqueles que ouvem o evangelho, aqueles que foram escolhidos por Deus ouçam a boa notícia do evangelho, e ouvindo e crendo, sejam salvos.

Então, ao contrário do argumento tão repetido, a confiança de Paulo em sua pregação do evangelho, até a ponto de sofrer, ser martirizado... está numa convicção profunda:

a) De que as pessoas só são salvas quando ouvem e creem no Evangelho, e
b) Quando os eleitos ouvem o evangelho, eles tem seu coração regenerado para que creiam e sejam salvos.

Paulo não tem nenhum conflito entre a doutrina da Eleição e a necessidade de proclamar o Evangelho. Mesmo que certamente os eleitos não possam deixar de ser salvos, Deus planejou que a propagação, a proclamação do Evangelho é o meio pelo qual eles serão salvos. Em outro lugar Paulo coloca isso claramente nestes termos: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;” - 2 Tessalonicenses 2:13

Deus poderia ter determinado outros meios de chamar os seus eleitos sem a necessidade da proclamação, do sofrimento, do martírio... Mas isso é manifestação de sua graça a nós. Ele de fato em nada precisa de nós, mas em bondade imerecida, desejou que fôssemos instrumentos de seu poder. Paulo nunca se vangloria que a salvação dos filhos de Deus depende dele, de seus esforços, seus sofrimentos... ele diz que simplesmente Deus quer e determinou salvar o seu povo pela pregação da Palavra, e escolheu homens e os enviou para este fim – nós! Apenas instrumentos do Seu Poder!

Como Encontrar os Eleitos


Por Kenneth D. Johns

"E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade." Atos 18.9,10

Com freqüência, ouvimos a acusação de que a doutrina da eleição sufoca o espírito de evangelismo. Reivindica-se (e isto sem dúvida já ocorreu) que essa doutrina paralisou algumas igrejas ou departamentos missionários em seu alcance evangelístico. Eles disseram: Não é nossa tarefa salvar os pagãos; quando Deus estiver pronto para salvar os eleitos, Ele o fará por Si mesmo. Por isso, assentaram-se e nada fizeram. E, como resultado, a doutrina ganhou má reputação. Presume-se que a letargia de tais homens é causada por sua crença na eleição. Mas será que isso é verdade? É a doutrina ou os homens que merecem a culpa? Será que homens bons às vezes não fazem uso errôneo de uma doutrina correta? Não é possível que homens indiferentes e cabeças-duras torçam a verdade em benefício de si mesmos?

Os eleitos estão em nossas comunidades. Podemos encontrá-los à medida que oramos e confiamos na orientação do Espírito e na capacidade da Providência. Um incrédulo haverá de se mudar, para morar ao lado de um verdadeiro cristão, e encontrará a vida. Uma mudança em nossos compromissos de trabalho, em uma loja, colocará uma alma vazia ao lado de uma alma plena. Após algum tempo, ambas estarão plenas. Uma conversa casual no cabeleireiro resultar á em uma alma sedenta encontrando água viva. Inconsciente do poder que o controla, um orientador pedagógico do 2º grau colocará uma jovem perdida em uma classe onde ela se assentará ao lado de uma cristã piedosa. Através da amiga cristã, a jovem perdida encontrará o Grande Amigo. Estas são coincidências? A fé declara: Não. O Pai está atraindo a Si mesmo aqueles a quem escolheu. Uma parcela de júbilo é prometida àqueles que oram e dependem do Espírito. Portanto, os eleitos em nossa comunidade serão encontrados.

O que Jesus disse a Paulo, em Corinto, Ele o diz a nós hoje: Tenho muito povo em sua cidade. Os eleitos estão vivendo nessas ruas corrompidas. Os apartamentos, os lares de sua cidade são habitados por aqueles que são os escolhidos de Deus. Neste exato momento, você não pode identificá-los. Não pelo endereço, estilo de vida ou moralidade deles. Tampouco por estarem buscando a verdade. Para você, eles parecem mortos. Mas incuti em seus corações que venham a Mim; e eles virão. Apenas creia e seja fiel. Reconheça a sua própria incapacidade e ore. Permita que meu Espírito o guie à rua Trôade; alguns dos eleitos moram ali. Você encontrará outro na cadeia que fica na Av. Filipos. Eles o expulsarão daquele lugar, mas, ao fazerem isso, você encontrará mais eleitos na alameda Tessalônica. Faça uma visita à casa de Jasom. Novamente você terá de fugir para não ser morto, mas será extremamente frutífero na rodovia Nobre, em Beréia; não perca essa oportunidade.

O Condomínio Cultural de apartamentos em Atenas será um teste árduo e não muito produtivo. Mas ali eu tenho uma pessoa sofisticada, Dionísio, e uma mulher, Damaris, e um casal de outros que pretendo trazer ao aprisco. Por isso, passe por lá e anuncie a minha Palavra. Não se preocupe com o que lhe chamarão; já lhe dei um novo nome. Seja forte nos condom ínios de Corinto. É um lugar maligno. Mas naquelas casas habitam muitos que viverão em minha casa eternamente. Eu lhe asseguro que o administrador, Gálio, não o perturbará. Seja forte. Não deixe de pregar a mensagem. Estarei com você em todos esses lugares. Juntos, Eu e você, encontraremos os meus eleitos. Todos que o Pai me deu virão a Mim através de você.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A família sob ataque

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
A família brasileira está encurralada por crises medonhas. Há uma orquestração perversa contra essa vetusta instituição divina, com o propósito de solapar seus alicerces e desconstruir seus valores. Abordaremos, aqui, quatro forças poderosas que se voltam contra a família nos dias presentâneo.

1. A mídia televisiva. A televisão é ainda o mais poderoso instrumento de comunicação de massa em nossa nação. É considerada o quarto poder. A televisão brasileira é conhecida em todo o mundo pela sua descompostura moral. As telenovelas brasileiras são as mais imorais do mundo. Talvez nunhum fenômeno exerça mais influência sobre a família brasileira do que as telenovelas da Rede Globo. O argumento usado para essa prática é que a televisão apenas retrata a realidade. Ledo engano. A televisão induz a opinião pública. Ela não informa, mas deforma. Não esclarece, mas deturpa. Agora, de forma desavergonhada a televisão brasileira abraçou a causa homossexual com o propósito de induzir a sociedade a aceitar como opção legítima a relação homoafetiva. Não se trata de um esclarecimento ao povo sobre o referido assunto, mas uma indução tendenciosa. Os programas que tratam da matéria são feitos com a intenção de escarnecer dos valores morais que sempre regeram a família e exaltar a prática homossexual, que a Escritura chama de um erro, uma torpeza, uma abominação, uma disposição mental reprovável, uma paixão infame, algo contrário à natureza (Rm 1.24-28).

2. A suprema corte. A suprema corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, legitimou os direitos da relação homoafetiva. A nação brasileira já colocou o pé na estrada do relativismo moral, da absolutização do erro, do desbarrancamento da virtude, da conspiração irremediável contra a família. Os juízes de escol da nossa nação reconheceram como legal e moral a relação de um homem com um homem e de uma mulher com uma mulher. Precisaremos, portanto, redefinir o verbete casamento e criar um novo conceito para família. Estamos colocando os valores morais de ponta cabeça. Estamos desmoronando o que Deus edificou. Estamos nos insurgindo não apenas contra a família, mas contra o próprio Deus que instituiu o casamento e estabeleceu a família. Desta forma, julgamo-nos sábios, tornamo-nos loucos, pois ninguém pode desfazer o que Deus faz e ninguém pode insurgir-se contra Deus e prevalecer.

3. O ministério da educação. Com os recursos suados dos trabalhadores brasileiros que, com dignidade lutam para o progresso da nação, o ministério da educação está lançando um kit gay, para ser distribuído nas escolas públicas, cuja finalidade, mais uma vez, não é esclarecer crianças e adolescentes sobre a sexualidade, mas induzi-los à prática homossexual. Querem tirar das famílias o privilégio de orientar seus filhos. Querem domesticar a consciência das nossas crianças, induzindo-as a essa prática que avilta o ser humano, escarnece da família e afronta ao criador. É preciso tocar a trombeta aos ouvidos da sociedade, para repudiar essa iniciativa infeliz do ministério da educação, que em vez de sair em defesa da família, e promover a educação, lança sobre ela seus dardos mais mortíferos. Em virtude da pressão da bancada evangélica e não por dever de consciência, nestes últimos dias, a presidente mandou suspender o referido kit.

4. O congresso nacional. Está na pauta do congresso nacional um projeto de lei que visa criminalizar aqueles que se manifestarem contra a prática homossexual, contrariando, assim, a constituição federal, que nos faculta a liberdade de consciência e de expressão. Contrariando, outrossim, os preceitos da Palavra de Deus que, considera a relação homossexual como algo contrário à natureza e uma abominação para Deus (Lv 18.22; Rm 1.24-28; 1Co 6.9-11). Essa lei visa não apenas legitimar o ilegítimo, tornar moral o imoral, mas também, punir com os rigores da lei, aqueles que, por dever de consciência, não podem se curvar ao erro. Povo de Deus, não podemos nos calar diante dessas ameaças!

O PASTOR E A SUA FAMÍLIA


Por Pr. Silas Figueira

Quando Dietrich Bonhoeffer estava encerrado na prisão nazista escreveu um sermão para o casamento de uma sobrinha sua. Disse ele: “O casamento é maior que o amor que vocês têm um pelo outro. Ele tem em si grande dignidade e força por ser a ordenança santa através da qual Deus planejou a perpetuação da raça humana, até os fins dos tempos. No amor que os une, vocês veem apenas a si mesmos no mundo, mas ao se casarem tornam-se um elo na cadeia das gerações que Deus faz aparecer e partir para a Sua glória, chamando-as para o seu Reino... Seu amor é propriedade particular, mas o casamento não pertence apenas a vocês; é um símbolo social, uma função de responsabilidade”.

Com o advento do cristianismo, o casamento alcançou santidade e significação tais como nunca se ouviu falar nos tempos antigos. A dignidade da mulher, de há muito esquecido, foi como que redescoberta, e seu valor reconhecido. Nem mesmo a lei romana ou a mosaica concediam à mulher direito em pé de igualdade com os do homem, em importância e santidade. No cristianismo, a esposa, tanto quanto o marido, têm direitos à total fidelidade do companheiro. A esposa deixa de ser meramente a ajudadora do marido na vida presente, para ser coerdeira com ele da vida eterna (1Pe 3.7).

A mais elevada concepção de casamento, nos tempos antigos, era a de um relacionamento moral. O casamento cristão é algo ainda mais sublime – um mistério (Ef 5.32). Esse mistério é o relacionamento entre Cristo e a Igreja, que é o reflexo do casamento. Por isso que as vidas pública e privada do pastor devem estar em harmonia.

James K. Bridges citando Spurgeon disse que em seu livro Lições a Meus Alunos, Charles Spurgeon exorta os ministros a se empenharem a fim de que o caráter pessoal se harmonize, sob todos os aspectos, com o ministério que Deus lhe confiou. Ele conta a história de uma pessoa que pregava tão bem e vivia tão mal, que quando ele estava no púlpito, todos diziam que ele nunca deveria sair dali; e quando não estava no púlpito, todos diziam que ele nunca deveria tornar a subir nele. Depois, Spurgeon desafia-nos com essa analogia: “Que nunca sejamos sacerdotes de Deus no altar e filhos de Belial fora das portas do tabernáculo”.1  A vida cristã do pastor começa dentro de casa, junto a sua família e não dentro da igreja, atrás do púlpito. Temos visto muitos pastores que são como Naamã, herói para a comunidade e leproso dentro de casa. Alguém ovacionado na nação, mas rejeitado dentro do próprio lar. Muitos são sacerdotes dentro da igreja e filhos de Belial para a família. Não são poucos os casos de pastores em crise familiar e não são poucos que já partiram para o divórcio.

Porque isso tem ocorrido com a família pastoral? Creio que isso ocorre porque muitos pastores tem rejeitado o conselho de Paulo a Timóteo: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)(1Tm 3.1-5). Grifo nosso.

Certa revista publicou interessante matéria sobre o piloto automático: "Um dos grandes prodígios da ciência moderna é o piloto automático. Enormes bombardeiros e aviões de transporte cortam o espaço a centenas de quilômetros por hora, com a terra coberta pelas nuvens, ou pela escuridão; seguem, porém, o seu curso com os movimentos automaticamente controlados por giroscópios".

A agulha giratória é usada quando o piloto determina o rumo a ser seguido pelo aparelho; mesmo que o seu destino fique além-mar, ele sabe que será atingido. É possível que nós, pais, pastores, ainda não tenhamos marcado quaisquer alvos. No entanto, chegou a hora de fazê-lo; estamos, afinal de contas, conduzindo algo muito mais precioso do que os aviões de carga; estamos conduzindo toda a nossa família.

Já que o ministério pastoral começa dentro de casa, o pastor deve ter o cuidado redobrado em relação ao seu lar. Para isso, o pastor deve observar três coisas básicas:

1º PLANEJE O SEU CASAMENTO

Em nenhum outro lugar encontramos o padrão divino para o casal expresso de maneira mais clara e simples que no primeiro comentário bíblico a respeito do relacionamento entre o homem e a mulher. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.28). “Unir-se ao cônjuge” é uma expressão que abrange todos os aspectos do relacionamento entre marido e mulher. Por isso, é de vital importância que aquele que se sente chamado para o ministério cristão – pastor, evangelista, missionário – seja extremamente cuidadoso em escolher o cônjuge. No namoro, o provável candidato ao ministério deve ter cuidado em namorar somente cristãs não só nascidas de novo, mas cheias do Espírito Santo e que esta esteja disposta a servir no ministério com o seu marido aonde o Senhor mandar.

O jugo desigual não é só de crente com o descrente, mas pode ser também entre crentes, principalmente em relação ao ministério. Se o pastor tem um chamado específico para um determinado lugar e a esposa não quer o acompanhar já começa a crise no lar. Por isso que um lar deve ser constituído com muita oração e discernimento espiritual, pois aquilo que poderia ser uma bênção pode tornar-se uma maldição.

2º TENHA EM MENTE QUE O CASAMENTO DEVE SER INDISSOLÚVEL

O casamento deve ser para toda a vida. E esta é uma união permanente. No projeto de Deus o casamento é indissolúvel. Ninguém tem autoridade para separar o que Deus uniu. Por isso que antes de falar sobre divórcio, Jesus falou sobre o casamento (Mt 19.3-6). Podemos comparar o casamento a uma viagem a dois, onde muitas coisas podem ocorrer nesse trajeto até que a morte os separe. Por isso que o marido e a mulher devem estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade. Só a morte pode separá-los (Rm 7.2; 1Co 7.39).

Creio que se o casal observar esses dois princípios básicos a palavra divórcio não existirá no vocabulário do cônjuge. O casamento foi a única instituição estabelecida por Deus antes da queda. Ele deve ser considerado digno de honra por todos os povos, em todos os lugares, em todo o tempo (Hb 13.4). O casamento é uma instituição divina para os cristãos e para os não cristãos, e Deus é testemunha dessa aliança, quer eles entendam ou não. Por isso, Deus odeia o divórcio tanto daqueles que o conhecem quanto daqueles que não o adoram como Senhor (Ml 2.16).2 Embora a sociedade pós-moderna esteja fazendo apologia ao divórcio, os princípios de Deus não mudaram, nem jamais mudarão.

3º O CASAMENTO NÃO PODE SER POR CONVENIÊNCIA

O casamento não é mera conveniência para vencer a solidão, nem um expediente para perpetuação da raça. Primeiro, e acima de tudo, o casamento é o espelho do relacionamento divino-humano. Todo casamento foi feito para representar a Deus: Seu relacionamento consigo mesmo – Pai, Filho e Espírito Santo – como também o Seu relacionamento com o Seu povo (Ef 5.32). O pastor precisa ter em mente que o casamento exatamente isso, pois ele precisa vivenciar essa comunhão com o seu cônjuge como também ensinar aos futuros casais.

Quem embarca em um casamento por conveniência está fadado a viver uma vida infeliz e ser uma infelicidade na vida da esposa e dos filhos. Busque em Deus uma esposa, pois esta o Senhor tem para o pastor, veja o que Salomão tem a nos dizer a respeito disso em Pv 18.22: “O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR”. Deus, mais do que ninguém, está interessado em ver o lar do pastor abençoado.

Prioridades na família

 
Por Rev. Hernandes Dias Lopes

A família é um projeto de Deus. Foi a primeira instituição divina. E foi criada para a glória de Deus e nossa felicidade. Para que a família colime esse elevado propósito, necessário se faz que observemos algumas prioridades.
Em primeiro lugar, Deus precisa vir antes das pessoas. Devemos amar a Deus com toda a nossa alma e de toda a nossa força. Devemos buscar em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça. Para ser um discípulo de Jesus é preciso estar disposto a deixar pai e mãe e amá-lo mais do que qualquer outra pessoa, por mais achegada que seja a nós. Deus ocupa o primeiro lugar em nossa vida, ou então, ainda não sabemos o que é segui-lo. O que é importante destacar é que, quanto mais amamos a Deus, mais amamos nossa família e mais fortes ficam nossos relacionamentos interpessoais. A nossa relação com Deus cimenta os demais relacionamentos, colocando-os dentro de uma correta perspectiva.
Em segundo lugar, o cônjuge precisa vir antes dos filhos. Pecam contra o cônjuge e contra os filhos, aqueles que colocam os filhos em primeiro plano e o cônjuge em segundo plano. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é amar, com desvelo, o nosso cônjuge. A maior necessidade dos filhos é ver o exemplo dos pais. Não há família saudável onde os relacionamentos estão fora dos trilhos. Investimos nos filhos, quando investimos em nosso casamento. Cuidamos dos filhos, quando priorizamos nosso cônjuge.
Em terceiro lugar, os filhos precisam vir antes dos amigos. Precisamos ter discernimento para buscarmos as primeiras coisas primeiro. Nossos amigos são importantes, mas nossos filhos são mais importantes. Aqueles que não cuidam da sua própria família estão em total descompasso com o projeto de Deus. Não podemos sacrificar nosso relacionamento com os filhos para dar mais atenção aos nossos amigos. Nenhum sucesso vale a pena quando o preço a pagar é o sacrifício dos nossos filhos. Os pais precisam entender que seus filhos são prioridade. Precisam investir neles o melhor do seu tempo e o melhor de seus recursos. Precisam criá-los na admoestação e na disciplina do Senhor. Não podem procá-los à ira para quem não fiquem desanimados.
Em quarto lugar, as pessoas devem vir antes das coisas. Vivemos numa sociedade materialista e consumista. As prioridades estão invertidas. As pessoas esquecem-se de Deus, amam as coisas e usam as pessoas. Devemos, ao contrário, adorar a Deus, amar a pessoas e usar as coisas. Quando colocamos coisas no lugar de pessoas tornamo-nos insensíveis e apartamo-nos do projeto de Deus. Há pessoas que, infelizmente, têm mais cuidado com o carro do que com os membros da família. São mais zelosos com seus objetos pessoais do que com os relacionamentos dentro de casa. Amam mais os bens materiais do que os membros da família.
Em quinto lugar, o reino de Deus precisa vir antes dos nossos projetos. Temos visto muitos crentes dando para a Deus a sobra dos seus bens, de seus talentos e do seu tempo. São pessoas que só se preocupam com as coisas terrenas. Correm atrás de seus próprios interesses enquanto a obra de Deus fica relegada a segundo plano. Essas mesmas pessoas, nas palavras do profeta Ageu, semeiam muito e colhem pouco; vestem-se, mas não se aquecem; comem, mas não se satisfazem; e o salário que recebem, colocam-no num saco furado. O pouco que trazem, Deus o assopra, porque não aceita sobras, uma vez que requer primícias. Precisamos buscar em primeiro lugar o reino de Deus. Precisamos investir as primícias da nossa renda na promoção do reino de Deus. Precisamos investir em causas de consequências eternas. Nossa felicidade pessoal e familiar alcançarão sua plena realização, quando essas prioridades estiverem alinhadas em nossa vida

Felicidade é bíblico?


Por Maurício Zágari

Felicidade é um conceito bíblico? Depende. Como assim, “depende”? Numa época em que a heresia neopentecostal transformou o lema mentiroso do “pare de sofrer” num dogma com base na Teologia da Prosperidade, a reação dos defensores da sã doutrina é jogar o pêndulo com toda força para o outro lado. Mas devemos ir com calma. O mesmo Deus que diz “quem quiser vir após mim tome a sua cruz e siga-me” também diz “qual é o filho que pedindo ao pai pão ele lhe dará pedra ou pedindo peixe lhe dará uma serpente?”. Então o que as Escrituras nos mostram é que o Evangelho é um caminho pedregoso, sem garantia de felicidade: você pode ser um bom cristão e ainda assim ser infeliz até o fim de seus dias. Mas, por outro lado, o coração amoroso do Pai pode criar muitos momentos de felicidade durante essa caminhada pedregosa e aliviar por sua graça as dores dos pés que fazem a jornada.
O anseio de todo ser humano é ser feliz. Isso é instintivo. Queremos viver longe de dores, frustrações, desilusões, desamores, problemas. A meta de cada um de nós é acordar de manhã sorrindo, se espreguiçar e passar o dia com um sorriso no rosto. Ah, a vida é bela!, anelamos dizer a cada por-do-sol lindo no horizonte, com um livro de Fernando Pessoa nas mãos, uma música gostosa no fone e a cabeça da pessoa amada no colo, com um cafuné que tem sabor de repouso, descanso e felicidade. Fale a verdade: você não gostaria de viver isso? Mas aí chega Jesus e estraga tudo.
Isso mesmo. Sabe aqueles filmes em que, de repente, tem um som de vitrola arranhando e o personagem cai do sonho e se vê numa situação de dureza? Pois no Evangelho é exatamente assim. Você está lá, no Arpoador, curtindo o entardecer, sentindo a brisa do mar, quando, sem aviso, o som que vem é o da agulha arranhando o long play. É quando Jesus te sacode pelos ombros e diz: “Tome a sua cruz e siga-me”. Pra quem só quer uma vida de alegria perene isso é o fim da picada.
Não, meu irmão, minha irmã, viver não é um parque de diversões. Viver segundo os preceitos bíblicos, então, é para os fortes. E, paradoxalmente, só se torna forte quem se põe fraco aos pés do Mestre. Pois a alternativa a tomar a cruz e seguir a Cristo é o inferno. Mas a boa noticia é que o Senhor nos diz, em paráfrase: “Tome a sua cruz e siga-me… mas não desanime nem fique ansioso, pois você pode lançar os seus fardos sobre mim: eu tenho cuidado de você”. Sim, o Evangelho é para os fortes, e a nossa força tem nome: impotência. E é aí que entra a possibilidade da felicidade.
Como assim?
Mas o que impotência tem a ver com felicidade? Isso, na verdade, aprendi com minha filha. Tenho uma filhinha com 11 meses de idade. Ela é impotente. Ainda não consegue andar sozinha, nem se alimentar. Não se veste sem ajuda e se sente dor depende que o papai pare tudo para lhe dar um pouco de analgésico. Para ela, eu e a mãe somos Deus. Quando ela leva um tombo, a tomo no colo, com ela aos berros, faço carinho, sussurro palavrinhas de amor, esfrego o dodói e ela… sorri.
E um sorriso, quando não é fingido, é o maior sintoma de felicidade. Se você quer medir seu nível de felicidade, basta ver com que frequência você sorri quando ninguém está olhando.
Quando bate a fome ela começa a gemer e apontar para a comida. Não raro chora. Aí chega papai ou mamãe, aqueles seres divinos que porão o papá na sua boquinha e farão a sensação de fome sumir. E, quando a primeira colherada chega a sua boca ela… sorri. Sede? Papai dá suquinho na mamadeira e o choro vira… sorrisos. Sono? Uma boa embalada e a ranzinzice vira olhinhos fechados e uma noite de sonhos tranquilos (e acredita que ela dorme… sorrindo?) Carência? Uma engatinhada até meus pés, uma escalada nas minhas pernas e um pedido de colo com aquela carinha de Gato de Botas do Shrek e bracinhos estendidos derrete o coração do paizão, que pega aqueles oito quilos de amor no colo e… sorrisos.
Mas isso tudo só acontece por uma razão: porque ela entrega suas infelicidades aos cuidados de quem pode transformar sua impotência em…. sorrisos de felicidade.
O Evangelho não nos promete felicidade. A mensagem da graça é dura. Exige renúncia das nossas vontades. Quem não deixar pai e mãe por amor a Cristo não é digno dele. Ou seja: quem não abrir mão do que mais ama não é digno do Salvador. “Venda tudo, dê aos pobres e vambora pra Cruz”, foi a resposta de Jesus para o “mancebo de qualidade”. Dureza. Renúncia. Dificuldade. Choro. Impotência.
Sinto-me constantemente impotente na estrada pedregosa. Mas aí eu engatinho até os pés do Pai, escalo suas pernas, estendo os bracinhos e faço cara de Gato de Botas do Shrek. Aí, se por sua graça papai me pegar no colo, eu sei que vou sorrir de felicidade.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.