sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Maldição hereditária: eu acredito

Maledicência1
Por Maurício Zágari

Sim, eu creio em maldição hereditária. Não, não estou falando do tipo de maldição hereditária que você está pensando. O conceito amplamente difundido a define, em resumo, como a transmissão de um pecado (e suas consequências) de pai para o filho, depois para o neto, depois para o bisneto e assim por diante, o que abriria as portas para o Diabo agir em sucessivas gerações de uma mesma família. Absolutamente não é sobre isso que desejo falar. Quero tratar aqui de um conceito que eu mesmo inventei, a partir menos da teologia e mais da etimologia, ou seja, do significado das palavras. Assim, creio em um conceito de “maldição hereditária” que elaborei e que vejo como extremamente pernicioso. Permita-me explicar.

“Maldição”, pelo dicionário, pode significar “praga”, que é o sentido mais popular do termo. Só que a palavra tem a mesma raiz de “maldizer” (“maldito” seria, então, alguém sobre quem foi dito algo que não é bom, mas mal, logo, é “mal-dito”). Ou seja, “amaldiçoar” pode ter o sentido tanto de “rogar uma praga” quanto de “falar mal”, “promover maledicência”. E maledicência é a fofoca, a conversa escarnecedora, o tititi maldoso, a crítica destrutiva, o desdém pelas conquistas alheias, a conversação invejosa, as palavras que desqualificam o que é diferente só por ser diferente do que eu sou ou acredito, o desmerecimento de algo que é importante para o outro. Abrange desde o “vou te contar o que fulano fez mas é só pra você orar” até o sarcasmo e a ironia ao se referir ao próximo ou a algo relacionado ao próximo. Falar mal é… falar mal.

Já “hereditária” se refere a algo “que se recebe ou se transmite por herança” ou “que vem dos pais, dos antepassados”. Aqui me permito extrapolar esse sentido “familiar” para algo que se adquire não só de pai para filho, mas que faz parte do DNA cultural de um determinado grupo, ou seja, uma família, uma sociedade, uma turma de amigos ou mesmo uma igreja. Por esse conceito, por exemplo, o hábito de membros de determinada denominação se saudarem uns aos outros com “graça e paz”, “a paz do Senhor” ou “paz e bem” faz parte da hereditariedade desse grupo específico, do seu código genético cultural. É aquela coisa que um começa a fazer, o outro imita e logo todos adotam como algo natural e espontâneo.

Assim, juntando essas duas acepções do termo, o significado que inventei para “maldição hereditária” não tem nada a ver com um pecado ou uma praga passada sobrenaturalmente entre sucessivas gerações de uma família, mas sim à cultura de um grupo humano específico de praticar habitualmente a maledicência. Em outras palavras, o hábito disseminado em um determinado núcleo de pessoas de falar mal de outras. Portanto, sim, nesse sentido eu creio em “maldição hereditária”, pois vejo com muita frequência grupos em que falar mal de terceiros é tão natural como beber água. E estou me referindo a grupos de cristãos.

Sejamos sinceros: falar mal do próximo é algo que absolutamente todo mundo faz, em escalas diferentes e de formas distintas. É natural a seres humanos dizer coisas sobre outros seres humanos que configurem um certo grau de maledicência. Todos nós fazemos isso e negar seria hipocrisia. Mas estou me referindo a um patamar mais grave do problema. O que vejo é que existem certos grupos em que a maledicência, o maldizer, é visto de certo modo como uma virtude, algo natural, desejável e até engraçado. Em que há um certo orgulho por falar mal. É um jeito de ser que cria laços de intimidade entre os integrantes. Eles esperam que os outros membros daquele núcleo falem mal e os que não o fizerem acabam deslocados dos demais. Nesses grupos, o principal alvo de sua língua ferina em geral são os diferentes. Aqueles que, de algum modo, não compartilham daquilo que para os maledicentes culturais é habitual, valioso ou natural – sejam gostos, preferências, estilos de vida, ideias, valores e similares. Tristemente, isso acontece muito no nosso meio cristão.

É importante frisar que não estou me referindo a uma crítica saudável, construtiva ou, até mesmo, a conversas apologéticas válidas sobre aspectos errados ou heréticos de certos setores da igreja. Essa é a boa crítica e não configura falar mal, mas sim apontar erros com boa intenção, por amor à sã doutrina. Eu me refiro a falar mal mesmo, no sentido mais pejorativo do termo. Aquele maldizer que tem um certo veneno, uma “pimentinha”, que é uma boa dose de pura maldade. Você sabe do que estou falando.

Diga-me se estou errado: sente em volta de uma mesa com certos grupos pentecostais e você verá que não demorará muito para que comecem a falar mal dos irmãos de igrejas tradicionais, chamando-os de “frios” e coisas similares. Desdenhando e, de certo modo, inferiorizando. O mesmo sentimento você encontrará em grupos de tradicionais que maldirão e depreciarão muitos aspectos do meio pentecostal. Outro exemplo é a eterna querela reformados (calvinistas) versus arminianos, em que a maledicência ocorre com uma frequência impressionante em certos círculos. Voam farpas dos dois lados, com comportamentos que vão das piadinhas a comentários agressivos e ofensivos. Uma tristeza.

Uma das áreas em que esse meu conceito de “maldição hereditária” cresce cada dia mais é na musical. A coisa mais comum é você ouvir pessoas que preferem um certo gênero ou estilo no louvor falar tudo o que você possa imaginar de ruim de quem não aprecia o mesmo. Esse sentimento de “tribo”, de “os nossos certos e os deles errados” vem impregnado muitas vezes de sarcasmo, desprezo, piadinhas e desmerecimento, seja por músicas, seja por músicos, seja por quem gosta do que o maledicente não gosta. Uns acusam outros de superficialidade; outros acusam uns de estagnação e anacronismo. Sempre com palavras nada amorosas. Uma tristeza.

Que dizer então de teorias teológicas? Perco a conta do número de vezes em que ouvi maledicências de certos grupos de cristãos acerca daqueles que não acreditam no que eles acreditam no que se refere aos mais variados aspectos da teologia cristã. E volto a dizer: não estou me referindo a divergências respeitosas e saudáveis, mas a conversas ferinas, depreciativas, cheias de desdém. Os pontos de controvérsia são muitos, e vão de línguas estranhas a teorias escatológicas; de crenças à discordância sobre a forma de batismo em águas; de opiniões sobre como escolher o cônjuge a visões sobre como deve ser a liturgia do culto. Uma tristeza.

E há a maledicência motivada por questões insignificantes. Já ouvi tititis porque o marido passou o braço pelos ombros da esposa durante o culto, ou veneno destilado sobre a roupa do irmão beltrano, sobre o cabelo de sicrana… o céu é o limite quando se trata de temas para maledicentes. Porque todo amante da maledicência tem algo em comum: não importa muito o tema, desde que possa falar mal. Uma tristeza.

Enfim, tenho visto grupos e mais grupos que têm em sua natureza o pecado da maledicência visto como algo normal e aceitável – até mesmo um elemento de união entre seus membros. Só que não é. Falar mal é, biblicamente, um horror. Veja:

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]. Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar” (Cl 3.8). Viu ali a maledicência? Pois o falar mal é diretamente associado à natureza terrena e a práticas terríveis, como a ira e a avareza.

Salmos 62.3-4 vai além e indica que o maldizer é uma atitude clara de hipocrisia e falta de amor ao próximo – ou seja, é um pecado contra o Grande Mandamento: “Até quando acometereis vós a um homem, todos vós, para o derribardes, como se fosse uma parede pendida ou um muro prestes a cair? Só pensam em derribá-lo da sua dignidade; na mentira se comprazem; de boca bendizem, porém no interior maldizem”.

Mas tem mais. Em 1Timóteo 5.14, falar mal dos outros é diretamente denunciado como uma prática satânica: “Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não dêem ao adversário ocasião favorável de maledicência”.

Diante disso tudo, fica claro que o falar mal do próximo, em todas as suas acepções (com piadas, sarcasmo, ironia, maldade, falsa intenção de exortação ou o que for) é abominação para Deus.

Agora, por favor, preste atenção a algo: o objetivo deste texto não é estimular você a olhar para o lado e ficar apontando e acusando tal e tal pessoa ou grupo que seja praticante dessa “maldição hereditária”. Isso não teria nenhuma utilidade para o evangelho ou para a sua vida espiritual. Caso você detecte que há grupos de maledicentes por perto, o mandamento do Senhor quanto a eles é claro e objetivo: “Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam” (Lc 6.26-28). Não há margem para interpretação. O mandamento cristão é: se falarem mal de você, fale bem deles.

O que desejo com este post é levar você a refletir e responder à seguinte pergunta: “Será que eu faço parte de algum grupo que pratica habitualmente e/ou prazerosamente a maledicência?” Se você percebe que a pecaminosa prática da maledicência faz parte de um determinado grupo a que você pertença (seja família, turma de amigos, colegas ou mesmo os membros da sua igreja), o que deve fazer? Há dois caminhos a seguir.

Primeiro: converse com os que tais coisas praticam e os alerte sobre quão maligno é o que fazem. Traga à lembrança deles que é preferível calar do que maldizer: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef 4.29).

Segundo: se ainda assim os tais não ouvirem sua exortação e continuarem adeptos dessa cultura de “maldição hereditária”, afaste-se do grupo. Mateus 18 diz: “Se teu irmão pecar [contra ti], vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano”. Pois é melhor se afastar dos que amam falar mal dos outros do que permanecer contaminando-se com essa prática horrível. Em Mateus 5.29, Jesus recomenda: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno”. Arranque-se do grupo dos maledicentes antes que você sofra as consequências.

Que consequências? Vamos ouvir Tiago: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” (Tg 1.26). Em outras palavras, o irmão de Jesus está dizendo que a religião dos que não conseguem ficar calados se não têm algo edificante a dizer… não vale nada. Logo depois, ele dá o ultimato: “Com a língua bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!” (Tg 3.9-10). No grego original, a palavra traduzida aqui por “bênção” éeulogia, que significa “fala elegante”, ou “discurso justo”. Já “maldição” foi traduzida de katara, que quer dizer “execração”, ou seja, “ódio profundo” ou “aversão exacerbada” (segundo o dicionário Houaiss). Dá para conciliar uma fala elegante com outra que carregue em si ódio e aversão? Biblicamente, não.

Chama minha atenção a frase final de Tiago: “Meus irmãos, não pode ser assim!”. Repare, primeiro, que ele está se dirigindo a cristãos, o que prova que esse mal ocorre em nosso meio. E, segundo, ele afirma que não se pode amaldiçoar. Falar mal. Maldizer. Isso está errado. Precisamos mudar, se o fazemos. Precisamos exortar em amor os que o fazem. E, se continuarem se orgulhando e praticando a maledicência, devemos nos afastar da roda dos escarnecedores que existem em nosso meio.

Pare por um momento de pensar nos maledicentes que você conhece. Faça, isso sim, uma análise de si mesmo e de seu procedimento. Se você perceber que tem seguido o caminho da maledicência e decidir parar com isso, a teu respeito dirá a Palavra de Deus: “Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito” (Tg 3.2). E, se você decidir não se assentar mais na roda dos escarnecedores, a teu respeito diz a Palavra de Deus: “É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera” (Sl 1.3). Reflita e responda: como você prefere ser conhecido nos céus: como alguém perfeito, que dá fruto e cujas folhas não murcham… ou como alguém que pratica o mesmo que o Diabo?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Os atributos morais de Deus e o comportamento do cristão




“Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus” Lv 20:7

“Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”1Pe 1:16

Encontramos o padrão da vida cristã em Deus, e esse padrão é demonstrado através da Escritura Sagrada. Não adianta tentarmos inventar filosofias ou desculpas para nossas atitudes erradas. O padrão estabelecido por Deus é a Sua Palavra. Não adianta dizermos que somos falhos, isso nós já sabemos. Deus não pede, Ele manda que busquemos a santificação. Para o cristão, isso não é uma opção.

Ao procurarmos observar Deus através daquilo que Ele mesmo revela, encontramos os atributos morais. Essa moralidade é demonstrada de forma clara, e ela que devemos buscar em nossas vidas.

O cristianismo não é uma religião sem regras. Se assim fosse seria sinônimo de anarquia. Apesar de estarmos na Graça, Deus estabelece regras em sua palavra para que vivamos de forma digna e agradável a Ele. A afirmação de que temos liberdade em Cristo, não estamos debaixo da lei etc. tem sido apresentada como desculpa para se viver uma vida alienada de princípios bíblicos, descomprometida com a verdade escriturística e arraigada na anarquia. Ora, a anarquia é a estrutura social em que não se exerce qualquer forma de coação sobre o indivíduo. Esse tipo de atitude culminará na negação do princípio da autoridade, e consequentemente irá produzir a desmoralização, desrespeito e avacalhação do ambiente em que se vive. Tudo isso terá como resultado final a desordem, confusão e baralhada. Isto é, tudo será permitido em defesa da suposta liberdade em Cristo. Será permitido beber demasiadamente e cantar em um coral, ou prostituir-se descaradamente e subir nos púlpitos para se realizar apresentações, mentir, fofocar, provocar intrigas… tudo em nome da liberdade em Cristo. Muitos até afirmam que não podemos repreender alguém que está no erro, pois este será guiado pelo Espírito Santo, ou seja, impudentemente lançar-se-á nas costas do Espírito Santo a nossa própria responsabilidade.

Age-se com Deus, como se Ele não estivesse observando a nossa vida e não fosse nos pedir contas de nossas ações.

“Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”, foi o que disse Pedro. Essa santidade implica no afastamento e reprovação verbal e prática do pecado.

“Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (Tt 1:13), foi o que disse Paulo ao afirmar que a repreensão é bíblica e deve ser realizada se alguém deseja a saúde verdadeiramente espiritual. Em 1 Coríntios capítulo 5 encontramos Paulo repreendendo a igreja porque esta sabia de um jovem que estava cometendo pecado e ninguém lhe havia repreendido, mas estavam convivendo harmonicamente com tal situação. Ao estudarmos a moralidade de Deus, entendemos que Ele deseja que tenhamos a mesma atitude. Vejamos alguns pontos que julgamos importantes acerca de Deus. E entenda que ao usar a expressão ‘Deus’, refiro-me ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo:

Totalmente separado de tudo que é mal e que causa corrupção (Lv 11:44)
Totalmente perfeito, puro e íntegro (1Jo 1:5; Sl 99:9)
Odeia o pecado (Hc 1:13)
Sente prazer no que é santo e direito (Pv 15:9)
Não ouve aquele que insiste em continuar no pecado (Is 59:1-2)
Concede libertação a quem que se arrepende (1Pe 2:24)
Ao nos aproximarmos de Deus, algumas conseqüências surgirão, pois a santidade de Deus mostrará:
A realidade devastadora de nosso pecado (Jó 42:5-6)
A efetividade do arrependimento com a expiação através do sangue, antes do perdão (Hb 9:22)
A Graça remidora e o amor de Deus (Rm 5:6-8)
A necessidade de reverência e temor diante de Deus (Hb 12:28-29)
A veracidade da retidão de Deus (Sl 89:14)
A existência de regras e exigências por parte de Deus (Sl 145:17)
A execução das penalidades impostas pelas Suas leis (Sf 3:5)

A indignação contra o pecado e o amor a inteireza de caráter (Sl 11:4-7)
A punição para os perversos e injustos (Dn 9:12,14)
A concessão de perdão para o arrependido (1Jo 1:9)
A fidelidade ao cumprir a Sua Palavra e as Suas promessas (Ne 9:7-8)
A libertação e a defesa oferecidas ao Seu povo (Sl 103:6)
A recompensa para aqueles que foram justificados por Cristo (Hb 6:10)
A justificação daqueles que exerceram fé em Cristo (Rm 3:24-26)
A obliteração das penalidades que nós merecemos (Sl 103:8)
A doação de bênçãos para aqueles que não merecem (Ef 2:8-10)

Ao vermos a atitude de Deus para conosco só podemos chegar a uma conclusão: Quem se aproxima verdadeiramente de Deus sentirá um desejo irresistível de consertar a sua vida para se parecer mais com o Senhor.

A aproximação de Deus levará o indivíduo a entender a seriedade do pecado; a compreender a necessidade de se tratar o pecador e não agasalhar o seu pecado; a aceitar a existência de regras estabelecidas por Deus em Sua Palavra; a buscar a reverência, temor e respeito para com Deus e Sua obra; a demonstrar graça e misericórdia, sem se deixar confundir com harmonização com o pecado; a cumprir com fidelidade a vontade Divina; a doar-se em benefício dos outros, e em prol do Reino de Deus.

Quem se aproxima de Deus irá entender o quanto somos falhos e o quanto precisamos buscar a santidade. A santidade que nos faz parecer mais com Cristo, no meio de uma sociedade entregue ao pecado. A santidade que nos faz desejar estar com Cristo. A santidade que nos faz buscar o Reino de Deus e não este mundo. A santidade que nos faz parecer cada vez menos com o estereótipo estabelecido por um mundo cego espiritualmente.

Estar separado do pecado não é o mesmo que ser legalista, no sentido pejorativo da palavra, mas é ser um santo posicional, que busca uma santificação progressiva. É buscar ser santo em todos os aspectos. E se para a sociedade pós-moderna isso significa ser legalista, que sejamos antes legalistas do que mundanos, descomprometidos com Deus e alienados da instrução bíblica. Que sejamos, antes de qualquer coisa, servos que dão prazer ao Senhor, do que senhores que maltratam e alienam seus servos, agindo como se estivessem em pé de igualdade com o Senhor dos senhores.

Que sejamos servos de fato e de verdade, e não apenas de aparência. Que definitivamente possamos servir a Deus com aquilo que Ele nos deu, remindo o tempo, instruindo sinceramente o povo, conduzindo-os ao arrependimento e andando com ele, o povo, rumo ao objetivo proposto pelo Senhor. Que paremos de “matar” o tempo dentro de nossas casas com coisas supérfluas e luxos desnecessários e cumpramos a carreira que nos foi proposta.

Que possamos conduzir o povo até Cristo, e depois disso instruí-los em como proceder, e não conduzir o povo até nossos pensamentos particulares, alicerçados em nossas experiências pessoais, gerando um batalhão de alienados e idólatras de líderes mundanos e egocêntricos.

Que busquemos a Deus para parecermos mais com Ele.

HÁ SALVAÇÃO FORA DA IGREJA?

Por Fábio Campos
Não existe doutrina principal para o homem conhecer do que a da salvação. Por vezes penso que o “senso do sagrado” foi perdido por alguns. Tratamos o assunto de uma forma rasa, superficial, sem nenhuma tristeza para com os que se perderam do ponto de vista teológico. Quando o assunto é a alma do homem, precisamos abordar o tema com muito temor; não há como se regozijar na condenação de alguém; pois Deus não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.32). O contrário também é um fato que requer cuidado. Colocar todo mundo no céu [pela doutrina universalista] é roubar a casa do seu dono e dar moradia a qualquer um sem autorização do proprietário. Por isso precisamos de um equilíbrio trazendo o contexto à luz das Escrituras. 

A salvação no decorrer dos séculos foi apropriada por alguns grupos exclusivistas como sendo seu patrimônio. Muitas seitas disseram no decorrer da história que a salvação depende da conversão do indivíduo ao seu grupo, e que fora da sua religião, não há salvação. O proselitismo é forte dentro destes grupos (fica a dica para se diagnosticar uma seita; o exclusivismo religioso). O Senhor deu uma promessa para Abraão; “por meio de ti todas as nações serão benditas”. Isso foi cumprido na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 1.1-14). Nele não há grego nem judeu (Gl 3.28). Até os dias de hoje os judeus tomaram a eleição para si dizendo serem eles o único grupo que possui a salvação. Para minha surpresa já escutei que “não existe salvação fora do calvinismo”. Que absurdo! John Wesley está no inferno? A igreja católica romana em sua confissão diz que “fora da igreja não há salvação”.

O pai da reforma protestante, Martinho Lutero, certa vez, disse que “pode haver salvação fora da igreja, mas não fora de Cristo”. Muitos irmãos ficam de cabelo em pé com esta citação, por isso é necessário entender o contexto e o porquê Lutero disse tal coisa. Cipriano (200-258), um dos pais da igreja, certa vez disse: “Quem não tem a igreja como mãe, não pode ter Deus como Pai, e fora da igreja não existe salvação”. Na teologia de Cipriano quanto à salvação, vemos o início de um sistema penitencial plenamente formado. Eis então que surgem os manuais de penitencias para todo o tipo de pecado dentro das igrejas ocidentais (católicas romanas). Grandes teólogos argumentam que a teologia de Cipriano para unificar a igreja foi extrema demais e que o resultado foi um afastamento do cristianismo apostólico; ou seja, a igreja se institucionalizou segundo os padrões do império Romano. A partir daí, o vigário (substituto) de Cristo já não é mais o Espírito Santo, mas o bispo. Antes era “onde o Espírito estiver ali também estará sua igreja”. O Ensino passou a ser “onde estiver o bispo, ali também estará à igreja verdadeira”.


Neste contexto os pré-reformadores lutaram com as Escrituras nas mãos contra este distanciamento do ensino dos apóstolos. Em 1517 Lutero crava suas 95 teses na porta da catedral de Witterberg. Ao invés de usar “Só a igreja”, ele diz “Somente Cristo”. Dentro disso Lutero afirma que a salvação pertence a Deus e está com Cristo, autor e consumador de nossa fé (Hb 12.1-3), e não com a igreja. Agora todos que pela fé receberam a salvação em Jesus Cristo, em um só espírito, foram batizados em um só corpo e lhe foram dados de beber de um só Espírito (1 Co 12.13). Lutero diferenciou a igreja institucional do corpo místico de Cristo. Ou seja, “o Senhor conhece aquele que lhe pertence” (2 Tm 2.19), e no tempo devido, seus anjos, ajuntarão seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu (Mc 13.27). O homem é templo do Espírito Santo e o Reino de Deus está entre eles. Qualquer lugar físico, leitura bíblica, e a exposição dos ensinos dos profetas e apóstolos e o partir do pão com singeleza de coração são frutos da verdadeira Igreja, pois onde dois estiverem reunidos no Seu Nome, Ali Jesus se fará presente.


A Bíblia é clara em dizer que “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Todos estão condenados devido a sua desobediência (Rm 11.32), e que não há um justo sequer (Rm 3.10). Mas Deus enviou Seu Filho a semelhança de homem para condenar o pecado na carne, e todo o que nEle crer, não perecerá, mas já tem a vida eterna (Rm 8.1). O homem pode escapar do julgamento da Eclésia, mas não do trono de Deus (Ap 20.11-15). O julgamento terá um único crivo para a justificação ou para condenação, a saber, Jesus Cristo (At 17.31). Quem crer, não será condenado; quem não crer, este terá a condenação eterna.

Quando restringimos a salvação a um grupo institucional estamos dizendo que Deus habita em templos feitos por mãos humanas e depende deles para ser servido.

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas”. (At 17.24-25 NVI)

Se for a religião que tem o poder de salvar ou certa denominação, qual então seria a [Igreja] perfeita para poder conferir salvação ao homem? Visto que o corruptível, carne nem sangue, poderão herdar o Reino dos Céus. A igreja no seu organismo institucional é imperfeita e por isso não poderá salvar ninguém. Ela ensina o caminho, mas não é o caminho. Todos os pré-requisitos em como se achegar a Deus foram preenchidos unicamente na Pessoa do Filho de Deus e Deus o Filho, Jesus Cristo (Jo 14.6; 1 Tm 2.5). Nem todo membro de igreja que diz pertencer a Cristo, declarando ser Ele o Senhor da sua vida – os que pregam, expulsam demônios e realizam sinais e maravilhas no seu Nome - de fato, pertencem a Ele (Mt 7.21-23). Para muitos irmãos exclusivistas, caso a igreja de Corinto estivesse entre nós, com os seus erros doutrinários e com sua baixa moralidade, seria uma igreja de pessoas perdidas. O que dizer dos gálatas? E a igreja de Pérgamo, Tiatira e Laodiceia do apocalipse, todas com sérios problemas (Ap 2 - 3)? Imagino-os dizendo: “A única igreja verdadeira é a de Filadélfia, pois nela não se achou erro, e fora dela não há salvação”.

A salvação pertence a Deus. Jesus sendo o doador dela [salvação] por ser o salvador dá a quem quiser sem precisar dar satisfação a nenhum de nós, ou alguém se atreve a ser o seu conselheiro? É muito interessante o ensino deste Salvador. Ele dificultou a entrada dos ricos no Reino dos céus dizendo: "Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus” (Mc 10.23)! Dificultando mais ainda, Ele usa uma figura de hipérbole dizendo ser “mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" (Mc 10.25). Aos nossos olhos muitos queimarão no fogo do inferno. A reação dos discípulos é mesma que a nossa: Os discípulos ficaram perplexos, e perguntavam uns aos outros: "Neste caso, quem pode ser salvo” (Mc 10.26)? Neste momento entra a graça incompreensível de Deus: Jesus olhou para eles e respondeu: "Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus" (Mc 10.27 NVI). Jesus está dizendo não o que o homem considera possível, mas sobre o que parece impossível (27). Para um homem é impossível que o camelo passe pelo fundo de uma agulha, para Deus nada é impossível, pois não existe coisa difícil que possa superar sua sabedoria e misericórdia, a qual triunfa sobre o juízo.

Para os judeus os samaritanos eram filhos do diabo e predestinados a condenação eterna. Entra em cena novamente o Salvador, Aquele que venceu a morte e o inferno. Um mestre da Lei O interroga [Jesus] sobre a vida eterna. Jesus diz para ele que cumpra os dois principais mandamentos: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo” (Lc 10.27). O interprete da lei, teólogo e conhecedor profundo do Tanak, não satisfeito e querendo se justificar, disse, “quem é o meu próximo”. Era melhor ele ter ficado quieto.

O Salvador ilustra a atitude de um salvo genuíno ao mestre da lei. Um homem tinha sido espancado e assaltado estando praticamente morto. Passou por ele um sacerdote e um levita, homens constantes no templo. Ambos não o socorreram. O terceiro era um SAMARITANO. Pois é, o “endemoninhado” do samaritano foi o perfil que Jesus ilustrou a atitude de um salvo. Este diferente do sacerdote e levita, aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: ‘Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’ (Lc 10.34-35). Jesus disse para aquele mestre da lei, “vá e faça o mesmo que fez o samaritano”, pois aquele que de fato é salvo ama a Deus acima de todas as coisas e demonstra este amor amando o próximo como a si mesmo. O samaritano não era muito ortodoxo na teologia, mas na prática demonstrou ter fé que foi comprovada pelas obras. 

Teremos surpresas no céu! O salvador disse: “Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus (Mt 8.11); enquanto muitos que se dizem ser do Reino “serão lançados nas trevas exteriores” (Mt 8.12). O que dizer do ladrão na cruz que horas antes estava perdido blasfemando contra o Senhor Jesus. Mas em um momento de lucidez, convencido pelo Espírito, aos 45 minutos do segundo tempo, escuta do Senhor que é autor da Salvação: “Hoje mesmo estará comigo no Paraíso”. Meu Deus, que Deus é esse? Este é o Senhor Jesus! O ladrão na cruz foi justificado não pelas obras de justiça que tivesse feito, mas segundo a misericórdia de Deus (Tt 3.5). Ele nunca pertenceu a uma igreja [ou sinagoga]. Em uma questão de segundos foi inserido na Igreja Verdadeira - aquela que reina pela eternidade, pois um dia para Deus é como se fosse mil anos, e mil anos como se fosse um dia.

Não sou a favor do movimento dos desigrejados, pelo contrário. A Bíblia ordena que congreguemos (Hb 10.25) e que pelo dom dispensado pelo Espírito Santo possamos em unidade aperfeiçoar o corpo de Cristo (Ef 4.11). É na congregação que nos ajudamos. Se mantivermos comunhão uns com os outros, o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Congregar é um mandamento bíblico! O salvo faz alguma coisa; ele vive como salvo, digno da sua vocação. Porém, quando concordo com Lutero quando diz que “pode haver salvação fora da igreja”, digo que a pessoa que invocar o nome do Senhor, ainda que em um leito de morte, sem ao menos ter pisado em uma igreja, será salvo (Rm 10.13). O Dr. Martyn Lloyd-Jones na exposição que fez de Rm 8.16 que diz: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”, afirma que “o testemunho do Espírito ao nosso próprio espírito é mais do que o resultado de um processo racional, pelo qual o crente chega à certeza da salvação. Segundo ele, trata-se de uma certeza dada de forma imediata (sem o uso de meios) pelo Espírito, diretamente à nossa consciência”. O Senhor poder trazer a memória do perdido lembranças e ensinos ministrados no decorrer dos anos que poderão ser gemidos pelo Espírito invocando a vontade de Deus que ninguém pereça, mas tenha vida mediante o arrependimento dos pecados.

Porém, aqueles que discordam de Lutero precisam explicar em quem mais pode haver salvação se não for em Cristo. O Senhor não se restringe há um espaço de tempo. A mensagem do Evangelho é muito generosa (Jo 3.16) para ser doada por homens que dizem serem eles proprietários dessa salvação. Não estou fomentado que os homens se arrependam no leito de morte. Até mesmo porque estarão perdendo os benefícios ganhos pela comunhão com Deus através de Jesus Cristo: paz, mansidão, bondade, domínio próprio e outras coisas mais. Um salvo em Cristo não consegue ficar fora da comunhão dos santos. Minha questão não é com aqueles que se dizem salvos e não querem congregar. A questão que abordo é quando o indivíduo, no leito de morte, assim como o ladrão na cruz, se arrepende e invoca a Cristo. Não consigo compreender como um salvo fica fora da comunhão dos santos. Algo está errado.

Gostei muito de uma frase dita pelo Pastor Ariovaldo Ramos: “A pregação é um departamento dos homens; a salvação é um departamento de Deus”. O papel da igreja é pregar em tempo e fora de tempo, sabendo que quem dá o crescimento é Deus. Nós não temos provas empíricas do que o Espírito Santo tem feito no coração dos homens. Só Ele pode penetrar por Sua Palavra e discernir os pensamentos e as intenções do coração. Nossa obrigação é plantar e regar, porém o crescimento vem de Deus e poderá ser finalizado no último suspiro.

A salvação é pela graça, por meio da fé, não vem do homem, mas é um presente gratuito de Deus, para que ninguém se glorie diante dEle (Ef 2.8-9). O mundo será julgado pelo o que Cristo fez. E isso não depende das obras, mas daquele que chama (Rm 9. 11-12). Ele terá compaixão de quem quiser (Rm 9.15). Será inútil e tolo a criatura questionar o criador dizendo: “Nós trabalhamos o dia todo para ganhar o mesmo daqueles que trabalharam apenas uma hora”. Segue a resposta do dono da salvação: “Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom (Mt 20.15)? A salvação pertence a Deus e Ele dará a quem quiser, do modo que achar melhor, e na hora que Ele, pela sua soberana vontade, estabeleceu. Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus (Rm 9.16).

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! "Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? "Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?" Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

- Romanos 11.32-36 (NVI)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Gratidão Music 2013 de Ilhéus-BA.

 
Gratidão Music 2013.

Dia 14 de dezembro as 18 horas na Av. Soares Lopes acontecerá o Gratidão Music em Ilhéus.

O evento contará com a participação de Netto Paz (ex-vocalista da Banda Shalom), Levitas Pragod e Adoração sem fronteiras.

Entrada franca.

- Realização: Dep Ângela Sousa

- Apoio: AME
 
Dia 15 de dezembro vai ser em Aurelino Leal - Entrada Franca
 
O evento comemorará o dia da Cidade
 
Realização - Prefeitura M. de Aurelino Leal
 
Liu andrade - Prefeita

Pemela em Itabuna-BA.

Pemela em Itabuna-BA.

A cantora Pemela estará na cidade de Itabuna. O evento será realizado no dia 21 de dezembro de 2013 no espora de ouro em Itabuna

Grimma língua de Cobra e a “salvação” do Cristianismo!



Por Josemar Bessa

Falsos mestres com uma língua comum – com heresias óbvias, não são os mais perigosos. O problema está no falso mestre que tem uma língua bifurcada. Ela é capaz de discursos díspares, já que mistura coisas que mostram “amor”, “interesse ao próximo”, “o social”... com os mais sutis e devastadores desvios. Em toda a história da igreja homens que propagaram heresias destruidoras eram amáveis... Os teólogos liberais sempre foram diligentes estudantes do espírito da época.

Um século atrás eles eram conhecidos como “modernistas” porque os valores pós-iluministas foram o PRETEXTO que eles usaram para fazer avançar a agenda liberal. Eles, como agora, insistiam que, se a igreja se recusasse a mudar com o tempo, o próprio cristianismo se tornaria irrelevante. Exatamente o argumento atual.

Naturalmente, “mudar com os tempos”, se tornar “relevante”... significava cercear o evangelho de seus objetivos centrais e essenciais, para moldá-lo a uma agenda palatável do homem natural e daquilo que a cultura acha relevante.

Isso me lembra um personagem de O Senhor dos Anéis de J R. R. Tolkien – As Duas Torres – chamado Grimma Língua de Cobra. É óbvio, que mesmo sendo um agende do Sauron, senhor do escuro... Grimma sob o pretexto de cuidar de Théoden – Rei de Rohan, terra dos cavaleiros – usurpa a autoridade moral de Théoden, dissipando o poder moral do rei com uma língua bifurcada que pode misturar “bons conselhos” com veneno mortal. A história da igreja está cheia de Grimmas língua de Cobra deste o início.

No fim da vida do grande apóstolo da circuncisão ele deve que disser aos cristãos daqueles dias: “...como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” - 2 Pedro 2:1

O mesmo aviso flui dos lábios do apóstolo dos gentios: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.” - Atos 20:29-31 – O apóstolo da circuncisão e o apóstolo dos gentios falam a mesma coisa – ou seja, não devemos de forma alguma ficar surpresos ao descobrir que, em todos os tempos, a igreja de Deus foi tentada pelos enganos e erros de homens com línguas bifurcadas ( juntando amor e heresias, cuidado com o próximo e liberalismo...).
devoção Isso deixa sem discurso também todos esses que dizem que como há enganos e falsos líderes (exatamente o que Deus sempre avisou que haveria) se tornam anti-igreja – (foi avisado que sempre seria assim). Devemos esperar essas coisas e ainda assim nos manter firmes e inabaláveis. Há e sempre haverá “falsos irmãos” e “falsos mestres”, como anteriormente houve “falsos apóstolos”, “falsos profetas”, e até mesmo “falsos cristos”.

O drama é que o erro sempre flui de línguas bifurcadas que dizem que o evangelho para atingir a geração atual precisa de mudanças e adaptações. O perigo maior está não em quem tem uma língua só, voltada para heresias óbvias... mas sim os Grimmas língua de cobra – pois sua língua bifurcada pode misturar discursos escondendo seus desvios heréticos. Tão modernos, tão prontos a denunciar as heresias óbvias, tão contemporâneos, tão “relevantes”... tão Grimmas!

No filme de Peter Jackson, As Duas Torres – podemos ver nitidamente como Théoden vai se tornando, sob a influência de Grimma língua de cobra, numa mera casca de um homem, sem brilho, olhos vidrados... pois seu conselheiro com seu discurso “bifurcado” age sobre ele como um parasita que aos poucos o deixa vazio de tudo o que construiu a integridade do Rohan.

O discurso sempre parece “relevante” pois propõe, como Grimma língua de cobra, a salvação do cristianismo – o brado é igual o dos liberais tantos anos atrás – “O Cristianismo deve mudar ou morrer” – Quando mais ouvimos mestres assim, mais óbvias ficam suas línguas bifurcadas que misturam sutilmente o abandono da verdade com a relevância e salvação do Cristianismo”

Falsos mestres são mais perigosos ao manifestar grande devoção e manter boa moral... A respeito de Pelágio, Agostinho testifica que ele “sempre manteve uma vida de moral justa e decente” – e que mesmo no tempo em que começou a ensinar seus erros fatais, “sua reputação de piedade séria era grande em toda a igreja”. A quantidade de zelo exibida por falsos mestres às vezes é prodigiosa. Sua muitas vezes parece surpreendente.

A palavra mais comum nas boca de Grimma língua de Cobra é: “Será que realmente Deus quis dizer...?” – Em seguida a resposta virá: “Não!...” – Então começam a mostrar um evangelho que pode se aceito pelo mundo de um modo muito mais admirável e relevante... Releitura relativista da Bíblia começa sutilmente a substituir o que logo será chamado de dogmatismo... A proposta sempre é a de “salvar o cristianismo” – torná-lo “relevante” para a mente atual... a necessidade de que agora temos que respeitar valores diferentes... tudo tão moderno... tudo tão mais palatável para esta geração... línguas bifurcadas.

01) Falsos mestres exercem astúcia e engano ao difundir falsas doutrinas. Pedro claramente diz que ele “disfarçadamente introduziam heresias destruidoras”. E Paulo adverte aos Efésios que eles, “não deviam ser crianças, levadas pelas ondas do mar e soprados por todo vento de doutrina, pela astúcia humana que usa sempre de inteligentes técnicas de engano” – Efésios 4.14. Normalmente falsos mestres seguram ao máximo seus sentimentos ofensivos, ensinando-os aos iniciados, até chegar o momento de despejá-los ao ouvido de todos.

02) Falsos mestres prometem sempre muito mais do que realizam. Assim a pena de Pedro descreve o veneno das línguas bifurcadas: “Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” - 2 Pedro 2:18-19 – A liberdade prometida logo se tornou libertinagem. O “esclarecimento” das dificuldades consistia em deixar de lado doutrinas do Evangelho que ofende o homem natural, e logo uma multidão se simpatiza com o novo e mais “livre” modo de pensar.

03) Falsos mestre acabam por ser sempre prepotente. Ele pode tanto se gloriar em sua riqueza como pode fazer o oposto, e se gloriar em sua humildade, vida dedicada aos pobres... Ele se orgulham do número e do sucesso, ou então se orgulham de sua pobreza e generosidade... Língua bifurcada é assim. Só não se gloriam em toda a Verdade bíblica.

04) Falsos mestres sempre focam em agradar o ouvido humano. “Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.” - Gálatas 1:10 – “Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.” - 1 Tessalonicenses 2:4 – Pregam não para o lucro do coração humano, mas para o deleito do ouvido – “Que dizem aos videntes: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e vede para nós enganos.” - Isaías 30:10 – Falsos mestre não tem como relevância a santidade de Deus, mas sim a inteligência insignificante do homem – o foco de sua “relevância” nunca está no temor e reverência pela glória de Deus, mas é focada no homem, seu mundo, sua sociedade... “Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós.” - Jeremias 23:17 – Grimmas línguas de cobra são muito mais devastadores que hereges óbvios. Eles são sutis em passar esperanças fúteis.

Eles consideraram pura loucura os pregadores ressaltarem características difíceis que soam primitivas e ofensivas aos ouvidos modernos como a ira de Deus, a expiação pelo derramamento do seu sangue e especialmente, a punição eterna... Uma agenda comum com o mundo e a mente natural sempre será mais relevante para eles.

Eles dizem que as igrejas que insistirem nessas verdades perderão as gerações futuras, então, devem se acomodar ao pensamento moderno. O mundo, em constante mutação, mudou perifericamente algumas coisas ( essencialmente é o mesmo mundo alienado de Deus ) mas mais uma vez, não usando o nome, os liberais ainda estão reclamando que a igreja está ficando para trás, fora do passo do mundo e cada vez mais irrelevante. Agora, mesmo não se auto-denominando liberais ( são seria uma boa estratégia – uma língua bifurcada nunca faz isso), a linha de argumentação que eles usam e sua agenda é a mesma.

Não podem suportar como antes, nem acham relevante... especialmente o ódio de Deus ao pecado, a razão pela qual Cristo de fato veio ao mundo... esvaziando o significado profundo da cruz e substituindo por um que o mundo ache “sensível” – o exemplo de amor para construir um mundo melhor...

Não é nenhum segredo que o mundo sempre desprezou os aspectos essenciais da verdade bíblica. De fato, se você desejar manter o igreja em sintonia com o mundo, terá que sempre reavaliar e reajustar sua mensagem de vez em quando. Mas a igreja está proibida de cortejar o espírito da época, e uma das principais razões porque o evangelho é uma pedra de tropeço é que ele não pode ser adaptado para atender as preferências culturais ou cosmovisões alternativas. Em vez disso, ele as confronta.

A língua bifurcada de Grimma sempre está mais preocupada em ser contemporânea do que ser doutrinariamente ortodoxa, mais preocupada com a “relevância” e metodologia do que com a mensagem ofensiva da cruz, mas cativada com o que é politicamente correto para a cultura do que pela Verdade.

"Será que Deus realmente quis dizer?" – Sempre é o início do discurso de Grimma língua de cobra – foi assim com Eva no Paraíso e não é diferente hoje. A atitude de Gandalf ( No livro As Duas Torres ) com Grimma língua de cobra é a única que podemos tomar ainda hoje:

“Cale-se cobra” – Disse Gandalf de repente com uma voz terrível. “Quanto tempo faz que Saruman o comprou? Qual foi o preço prometido?” – “Cale-se, mantenha a sua língua bifurcada entre os dentes!” – O não precisa ser “salvo” pela “relevância”, precisa ser proclamado com fidelidade!

Não há outra maneira de manter-se fiel

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Igreja Ladeira Abaixo


Por mais que busque justificativas para as bizarrices encontradas no meio das igrejas não encontro. Parece-me uma luta inglória. Estou ficando enjoado e enojado diante daquilo que tenho visto e ouvido. A grande marca das igrejas é a estreiteza de mente e uma busca implacável pela mediocridade. Tirando um percentual de comunidades que ainda preservam a Sã Doutrina, esbarramos em número assustador de comunidades e principalmente as neo-pentecostais praticando um anti-cristinianismo.

Gostaria de apontar algumas situações que tem me levado a obviar tais comunidades e líderes.

1 - Tenho visto com muita freqüência uma nociva insistência por parte de um grande percentual da liderança evangélica em desprezar o saber e principalmente o saber teológico. Insistem em desprezar a história e suas lições. Insistem em abandonar os marcos deixados e fazendo assim encontram-se sem parâmetros para seus comportamentos. Creio que a busca por uma teologia sadia é mais dolorosa do que a aceitação tácita de heresias grotescas. O grande problema é que quanto mais as lideranças distanciam da Sã Doutrina mais comprometidas ficam com os erros doutrinários e depois não possuem a hombridade de voltar atrás. Muitos líderes ouviram o galo cantar e não sabem onde. Ouviram algumas afirmações no passado e nunca procuraram saber se eram ou não verdadeiras. Em meu tempo de mocidade havia um livro que fez muito sucesso. Seu autor era Don Gosset e o livro era Há Poder Em Suas Palavras. Virou Best Seller. Aceitávamos como verdade as palavras do autor, pois, este era americano e se era bom para os americanos deveria ser bom para os Brasileiros. Conceitos distorcidos que durante anos vivi. Mas como Paulo disse em sua carta aos corintos chegou o tempo de deixar as coisas de menino e buscar as coisas de adulto. Aprendi na faculdade que é preciso dialogar com os autores e checarmos as bases de suas afirmações. Procurar encontrar o cerne ideológico dos mesmos e separar joio do trigo. Depois de muitos anos percebo que boa parte da liderança evangélica ainda aceita acriticamente os livros e nunca empreendem um diálogo com seus autores. Estão assentados em bases frágeis e se aferrenham a elas como bóias salva-vidas. Quase sempre não se abrem para outros pontos de vistas e insistem em argumentos ultrapassados e com data de validade vencida.

Realmente existe uma resistência à pureza do Evangelho simplesmente por falta de amor à verdade como Paulo disse. “Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade”. II Tm. 3:7 - II Tes. 2:10.

2 – Tenho visto com freqüência uma atitude de lassidão em relação ao pecado. E isso acontece no meio da liderança evangélica e se espalha pelo corpo de Cristo. Destaco o fato de que pecados cometidos por líderes não são tidos como coisas hediondas, mas normais. Sempre apresentam o mesmo argumento idiotizante que não podemos julgar para não sermos julgados. Fico pensando, se julgar é incompatível com a fé cristã como denunciaremos os erros dentro de nossos arraiais? Se existe incompatibilidade entre julgamentos e o crer em Deus então logo não existe pecado nem erros, pois, os mesmos não podem ser julgados. Atribuem esse julgamento a Deus somente. Se assim fora, teremos que erradicar do Novo Testamento as denúncias de Paulo e Pedro que abertamente apontaram para o pecado e mostraram o que fazer. Eis alguns exemplos: I Cor. 5:1-5; II Tm. 2:14-18; II Pe. 2.

Pecados de lideranças devem ser tratados com a maior intensidade possível, pois, seus exemplos são seguidos por muitos. Cristo disse que “... e, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. Lc. 12:48.

Ficou normal um líder se divorciar e permanecer na mesma igreja como se nada tivesse acontecido. A igreja perdoa e tudo continua bem. Isso é uma aberração em nosso meio. Como permanecer na liderança aquele que não governou bem sua casa? Se houve adultério por parte da liderança, que exemplo foi dado para a igreja principalmente para os jovens. Muitos pensarão e agiram assim: “se o pastor pode também nós podemos”. E o que dizer sobre os pecados contra a Palavra? Afirmações grotescas que ultrapassam e contradizem a Palavra de Deus são tidas como verdadeiras. Quem faz tais afirmações por ter grande visibilidade torna-se oráculo celestial inquestionável e infalível.

Aqui está em foco a igreja, seus membros. Essa tendência de aceitação acrítica de tudo que é exarado dos púlpitos é algo doentio. Pessoas com grandes capacidades mentais em seus segmentos de atuações se anulam dentro das igrejas, pois, têm medo de pecar contra Deus. Vêm as maiores aberrações sendo derramadas sobre suas mentes e nada dizem. Tais pessoas andam no limite da idiotice. Não existe incompatibilidade entre fé e conhecimento. Nunca existiu. Qualquer afirmação que Deus revelou ou falou deve passar pelo crivo, crisol da Santa Palavra de Deus e se se constatar desvio deve ser desprezada por completo.

3 – Tenho visto com freqüência uma insistência em desprezar a Palavra em troca de revelações estapafúrdias. No meio neo-pentecostal isso é contumaz. Aceitam tudo como sendo de Deus e mesmo que ofenda a Palavra vale mais a pseudo-revelação. Isso da enjôo em qualquer um. Vi uns vídeos postados no youtube onde o pregador advinha a rua, o número da casa e trabalho das pessoas. O pregador dizia o tempo todo assim: “to entendendo Jesus, to entendendo Jesus...”. O que mais me entristeceu foi que pessoas que conheço pessoalmente aceitaram acriticamente tais coisas e achavam que eram revelações de Deus. Esse tipo de revelação já virou coisa comum no meio evangélico. A postura desses pregadores dá a entender que possuem uma comunhão especial com Cristo e que recebem revelações diretas e se intitulam profetas de Deus. Não pregam a Palavra, mas promovem espetáculos para as massas. Como diziam os romanos: “panis et circenses”. As pessoas rodopiam, caem, são arrebatadas, pulam como cangurus, choram e depois percebem que nada mudou. Paulo nos adverte contra tais homens: “Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento”. I Tm. 6:3-6.

Creio firmemente que as igrejas neo-pentecostais e suas lideranças inaptas estão jogando o evangelho ladeira abaixo. Creio que os estragos feitos são irreparáveis. Creio que o desprezo pelo ministério tem trazido mais vergonha do que glória para o nome de Cristo. Creio que o momento da igreja tenha passado no Brasil. Creio que os maiores culpados são aqueles que se calam covardemente diante de tais atrocidades. Creio que cada pastor consagrado sem o devido preparo, guardando as devidas proporções, será uma porta aberta para heresias e comportamentos exóticos e anti-bíblicos.

Por haver uma insistência em desprezar a Palavra o que sobra é a exaltação das emoções. Vale mais o sentir. Vale mais o arrepio. Vale mais o sensorial. Estou cansado de ver idolatria na igreja. Sim, idolatria mesmo. Quantos cultos têm como maior atrativo a entrada de um modelo da arca da aliança com seus querubins etc. Os líderes se vestem com longas batas e o povo e incentivado a tocar neste embuste em forma de arca da aliança. Em uma galeria em Belo Horizonte existe boxe somente para vender coisas ligadas à idolatria como: candelabro de sete pontas, modelos variados da arca da aliança, óleos especiais para unções variadas etc. Fiquei sabendo que em uma cidade do interior mineiro abriram uma loja gospel que vende kits para campanhas nas igrejas. Tudo já vem pronto é só pegar e distribuir. Se os kits não estiverem no balcão abrem um catálogo e você escolhe o que melhor lhe convier.

Precisamos encontrar o equilíbrio entre razão e emoção. Nossos cultos podem e precisam ser vivenciados com emoção, mas nunca emoção desprovida de razão. Paulo aponta para que nossos cultos sejam racionais e íntegros, mas isso virou carência.

4 – Tenho visto com freqüência uma insistência pelo imediatismo e pragmatismo. Como vivemos em uma sociedade Fast Food, as soluções para vida também devem ter essa característica. As igrejas estão oferecendo soluções milagrosas a qualquer custo. Estão oferecendo soluções que nunca chegarão. Afirmações mentirosas e incabíveis são feitas para atrair os incautos. As pessoas querem o imediato o curto prazo. Daí termos profecias esdrúxulas e mundanas. Quem não se interessa ou quer ter vitória financeira rapidamente? Quem não ofertaria dinheiro para alcançar cura, salvação e libertação financeira. Em um país que tem um governo assistencialista e uma população que quer levar vantagem em tudo, tais promessas ou profecias são juntar o útil ao agradável.

Por pensar somente no curto prazo estamos degradando o meio ambiente, multiplicando os assaltos, matando desavergonhadamente no útero materno. Vi um vídeo onde Edir Macedo defende o aborto como programa de planejamento familiar. Trata o aborto como solução para criminalidade e pobreza. Tais posturas somente apontam para o curto prazo. Quem deveria defender a vida a processa, condena e executa sua sentença de morte em menos de sete minutos de vídeo.

Pastores oferecem soluções mágicas para verem suas igrejas cheias e seus caixas abarrotados de dinheiro, pois, assim ganharão prestígio socialmente. Oferecem ocuidade para o vazio do homem. Fazem das pessoas massa de manobra para alcançarem seus objetivos mundanos. Esquecem-se que prestarão contas das almas a Cristo o Senhor. Perderam o temor do Senhor e tratam a Sua Obra como empresas e não como igreja.

O certo é que esta visão de curto prazo não leva lugar algum. Somente aumenta o vazio do homem e fortifica a desesperança já reinante.

Soli Deo Gloria

7 problemas da Falsa Religião


Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem perceber, o trabalho de seus inimigos....

Por Jonathan Edwards

A questão mais crucial para a raça humana e para todo o indivíduo é: quais as características que distinguem as pessoas que gozam o favor de Deus - aquelas que estão de caminho para o céu? Ou, de outra forma: qual a natureza da religião verdadeira? Que tipo de religião pessoal é aprovado por Deus?

É difícil dar uma resposta objetiva para esse tipo de questão controversa; mais difícil ainda escrever objetivamente a respeito. O mais difícil é ler objetivamente sobre o assunto! Não é fácil sustentar o que é bom em avivamentos religiosos, examinando e rejeitando ao mesmo tempo o que é ruim neles. Contudo, seguramente temos que fazer as duas coisas se quisermos que o reino de Cristo prospere.

Admito que há algo muito misterioso no assunto; existe tanta coisa boa misturada com tanta coisa má na Igreja! É tão misterioso quanto a mescla de bem e mal no cristão como indivíduo; mas nenhum desses mistérios é novo. Não é novidade o florescimento de religião falsa em tempo de avivamento, ou o aparecimento de hipócritas entre os verdadeiros fiéis. Isso ocorreu no grande avivamento no tempo de Josias, como vemos em Jr 3:10 e 4:3-4. O mesmo se deu nos dias de João Batista. João despertou toda a Israel por suas pregações, mas a maioria apostatou pouco depois. João 5:35 - "por um tempo, estão dispostos a se alegrar em sua luz". O mesmo ocorreu quando o próprio Cristo pregou; muitos O admiraram por um tempo, mas poucos foram fiéis até o fim. De novo, a mesma coisa ocorreu quando os apóstolos pregaram, como sabemos pelas heresias e divisões que perturbaram as igrejas durante o tempo dos apóstolos.

Essa mistura da religião falsa com a verdadeira tem sido a maior arma de satanás contra a causa de Cristo. É por isso que devemos aprender a distinguir entre a religião verdadeira e a falsa - entre emoções e experiências que realmente advêm da salvação e as imitações que são exteriormente atraentes e plausíveis, porém falsas.

Deixar de distinguir entre religião verdadeira e falsa, tem conseqüências terríveis. Por exemplo:

(1) Muitos oferecem adoração falsa a Deus, pensando ser aceitável a Ele, mas que Ele rejeita.

(2) Satanás engana a muitos sobre o estado de suas almas; desse modo arruína-os eternamente. Em alguns casos, satanás leva as pessoas a pensar que são extraordinariamente santas, quando na realidade são o pior tipo de hipócritas.

(3) Satanás estraga a fé dos verdadeiros crentes; mistura deformações e corrupções à religião, causando os verdadeiros crentes a se tornarem frios em suas emoções espirituais. Ele confunde também a outros com grandes dificuldades e tentações.

(4) Os inimigos explícitos do cristianismo se animam quando vêem a Igreja tão corrompida e desviada.

(5) Os homens pecam na ilusão de estarem servindo a Deus; portanto, pecam sem restrições.

(6) Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem perceber, o trabalho de seus inimigos. Destroem o cristianismo com muito mais eficiência que os inimigos declarados podem fazer, na ilusão de o estarem fazendo progredir.

(7) Satanás divide o povo de Cristo e coloca-os uns contra os outros; os cristãos disputam acaloradamente, como que com zelo espiritual. O cristianismo degenera em disputas vazias; as partes em disputa correm para lados opostos, até que o caminho correto, ao meio, fica totalmente negligenciado.

Quando os cristãos vêem as terríveis conseqüências da falsa religião passar por religião verdadeira, suas mentes ficam perturbadas. Não sabem para onde se voltar nem o que pensar. Muitos duvidam da existência de qualquer realidade no cristianismo. Heresia, incredulidade e ateísmo começam a se propagar.

Por essas razões, é vital que façamos todo o possível para compreender a natureza da verdadeira religião. Até que o façamos, não podemos esperar que os avivamentos tenham longa duração, nem podemos esperar muito proveito de nossas discussões e debates religiosos, uma vez que sequer sabemos sobre o que estamos discutindo.

RELIGIÃO OU MAGIA?


Muita gente entre nós confunde religião e magia. Isto se deve a três fatores: a Bíblia vista como livro de receitas mágicas, o pastor visto como pajé, e o culto entendido como manipulação de forças espirituais. Os dois últimos são a base de cultos animistas e pagãos. Juntou-se-lhes a compreensão errada da Bíblia (primeiro item) e eis uma prática animista com tintura bíblica. Não se estuda a Bíblia para reger a vida por ela, mas para extrair práticas que legitimem a magia bíblica.

Há muitas diferenças entre magia e religião. Pelo espaço e natureza desta pastoral, cito três: (1) A magia busca manipular forças espirituais para benefício; a religião procura a vontade de Deus e o ajustar-se a ela; (2) A magia busca facilidade para viver; a religião busca maturidade para saber viver; (3) A magia busca resolver problemas pessoais, sem noção do outro; a religião se preocupa também com o próximo e o mundo. Na magia, a questão é: eu diante da força espiritual ou cósmica para resolver meu problema. Na religião, a questão é como ser usado por Deus como agente de transformação.

O evangelho não é magia. Alguns cultos não refletem sobre Deus, mas sobre como usá-lo. Ou são formatados para as pessoas se sentirem bem. Muitos cânticos seguem esta linha: criar uma sensação de bem estar, de relaxamento espiritual, em vez de proclamar as grandes verdades da Bíblia. A música evangélica não apenas expressa sentimentos, mas também proclama a grandeza de Deus, seu amor, sua salvação. Mas eis visão de magia: o culto é para nos sentirmos bem, não para estarmos diante do Totalmente Outro, do Transcendente, do Santo, e nos submetermos a dele.

A experiência de Isaías foi fantástica. Entre a fumaça viu Alguém no trono. Ficou aterrado (Is 6.5). Arrebatado em espírito, João teve uma visão do Cristo glorificado. Resultado: “Quando o vi, caí aos seus pés como morto” (Ap 1.17). O verdadeiro culto produz temor, reverência, consagração e serviço. Como Isaías: “E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” (Is 6.8). Há muita adoração e louvor hoje! Multiplicam-se cultos e reuniões evangélicas! Mas há escassez de santidade e de serviço. As pessoas vão aos cultos, sentem-se bem, fazem uma catarse, mas não são transformadas! Os líderes evangélicos não têm reputação de santos no Brasil, mas de espertalhões.

Magia ou religião? Liberação emocional ou adoração? O Deus verdadeiro, manifestado em Jesus, ou a estética do culto? Foi o Ruah (Espírito) de Deus quem falou ou a psiquê (a interioridade) que se manifestou? Magia aliena e produz uma vida vazia e artificial. A verdadeira religião, o evangelho de Jesus, produz segurança, equilíbrio, maturidade, realização. É dizer “achamos o Messias” (Jo 1.41).

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