domingo, 2 de junho de 2013

Mesa Diretora da CGADB vai julgar pastores


Mesa Diretora da CGADB vai julgar pastores

A Mesa Diretora da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) estará se reunindo nesta quarta-feira (22) para tratar sobre o processo do Conselho de Ética e Disciplina em relação aos pastores Samuel Câmara, Jônatas Câmara, Sóstenes Apólos e Ivan Bastos que supostamente cometeram quebra de decoro durante a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que aconteceu em Maceió em 2012.
Os pastores são acusados de tumultuarem a 5ª AGE que aconteceu entre os dias 6 e 8 de junho do ano passado. Menos de 2 mil pastores estiveram presentes neste evento que realizou a votação sobre alguns pontos importantes ligados à Assembleia de Deus.
O processo, que pode gerar a expulsão dos pastores, era para ter sido julgado em fevereiro, porém uma decisão judicial determinou que a decisão só fosse tomada após as eleições da CGADB.
Se o julgamento tivesse ocorrido na data prevista, por exemplo, o pastor Ivan Bastos não poderia ter sido eleito como 1º Tesoureiro. Os acusados fazem parte da chapa “CGADB Para Todos”.

Samuel Câmara é desligado da CGADB

Samuel Câmara é desligado da CGADB

A Mesa Diretora da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) decidiu nesta quarta-feira (22), após julgamento sobre  quebra de decoro, com sete votos a três, desligar o pastor Samuel Câmara de seu quadro de associados.
O Conselho de Ética e Disciplina alega que o pastor teria tumultuado a reunião da AGE que aconteceu em 2012 no estado de Alagoas.
Sóstenes Apolos, Jônatas Câmara e Ivan Bastos também estavam para ser julgados, porém os dois primeiros não compareceram na reunião por motivos médicos e Bastos, que agora é o 1º Tesoureiro da Mesa, só poderá ser julgado em uma Assembleia Geral Ordinária.
Samuel Câmara comentou a decisão através de sua página no facebook e disse se tratar de uma perseguição política e que irá recorrer.
O julgamento dos pastores estava marcado para o mês de janeiro, mas uma liminar da Justiça impediu que ele acontecesse antes das eleições da CGADB, que aconteceu em 11 de abril durante a AGO de Brasília.
Leia o comentário de Samuel Câmara sobre seu desligamento
Ao arrepio do Estatuto e do Regimento Interno, que não prevê esse tipo de sanção para a acusação de quebra de decoro alegada contra mim e os demais pastores já mencionados, a Mesa Diretora acaba de deliberar pelo meu desligamento da CGADB por sete votos a três. Votaram contra a decisão os pastores Antonio Dionísio, Jonas Francisco de Paula e Ivan Bastos.
Os processos contra  o pastor Sóstenes Apolos e Jônatas Câmara foram temporariamente suspensos porque ambos justificaram a sua ausência por razões de ordem médica. Já o pastor Ivan Bastos só pode ser julgado, neste caso, pela AGO por pertencer à Mesa Diretora da CGADB. 
Infelizmente optaram, mais uma vez, por cometer uma arbitrariedade. Rito sumário como nas piores ditaduras. Fica caracterizada a perseguição política e a determinação de tirar do caminho e atropelar qualquer um que levante a sua voz contra os desmandos da administração que há 25 anos comanda a CGADB.
Diante desta atitude arbitrária, repito o nosso lema: “Porque Deus não nos deu um espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor e de moderação”, 1 Timóteo 1.7. 
Vamos recorrer da decisão, com tranquilidade. Eles buscam promover mais uma cisão. Nós buscamos a unidade assembleiana. Insistimos que nos cubram com as suas orações.

A MORTE DA MORTE

 
Por Jorge Fernandes

Como adepto do existencialismo, vivi três meses de completa rejeição à idéia de Deus. Lá pelos meus dezenove anos, após “desviar-me” da igreja batista à qual era membro desde os dezesseis, vi-me seduzido pelo mundo, pela liberdade do mundo (livre para a devassidão), pela imoralidade, e o prazer carnal que ela trazia. A idéia de Deus que eu ouvira nas pregações, leituras bíblicas, e do testemunho de crentes fiéis não podia conviver com o meu novo estilo de vida, portanto, a primeira coisa a fazer era “matar” Deus, para não ter a consciência afligida, nem ninguém a cobrá-la.

E o que no princípio tornou-se uma festança, esbaldando-me em cada esquina, leviana e dissolutamente, foi dando lugar à dor, ao vazio e a desesperança. A mente, ao insurgir-se contra Deus, somente é capaz de ferir-se... desiludida, confusa, colide-se com o natural, e não é capaz de encontrar alívio em mais nada, apenas na própria dor. A mente flagela-se, dilacera-se, esmaga-se, não se aceita; incapaz de curvar-se, engendra saltos ainda mais profundos, e o que lhe resta é a própria autodestruição. O suicídio torna-se o alívio derradeiro: a suprema escolha ilógica do indivíduo, porque viver é por demais desalentador, é um esforço sobre-humano.

Como não há verdade objetiva nem absoluta, o existencialista sofre, angustia-se, revolve-se na existência frouxa da paixão, que, maquinalmente, o mergulha no poço da incerteza, ou na fuga à nulidade, à completa ignorância de si mesmo, do seu semelhante e do mundo.

Via-me como os personagens dos desenhos Looney Tunes que, invariavelmente, precipitavam-se no abismo ao serem perseguidos ou ao perseguirem alguém. Sequer percebiam o chão fugir-lhes sob os pés, e quando davam por si, estavam em queda-livre, de encontro à realidade, dura como o chão era para o Coiote, e quebravam a cara. A perseguição do Coiote ao ingênuo mas rápido Bip-Bip era irreal. Porém, o existencialismo despreza os outros, ridicularizá-os, ri-se deles enquanto chora convulsivamente diante do espelho... sem esperança... é patético.

Mesmo envolto em trevas, não me foi possível suportar o ateísmo [também os demônios crêem que há um só Deus, e estremecem (Tg 2.19)]. Porém, eu não queria abrir mão da imoralidade, da pretensa liberdade que me levava, única e exclusivamente, ao pecado, e a sugestionar e induzir outros incautos ao pecado [alguns nem tão incautos... outros, apenas a esperar um empurrãozinho]. Então, adeqüei-me ao deísmo, a idéia de que Deus não estava nem aí para a sua criação; como afirmei tolamente inúmeras vezes: “Deus fica no céu, e eu aqui! Ele não me incomoda, eu não mexo com Ele!”. Era o cúmulo da arrogância, da blasfêmia, da rebeldia contra Deus. Era a minha natureza caída opondo-se desavergonhadamente a Ele... Menos de um ano após a minha saída da igreja, eu acreditava em um deus impessoal, não cria no diabo, nem no inferno, e sentia-me confortado em saber que, no fim das contas, esse deus salvaria a todos, não condenaria ninguém, e que haveria um paraíso, mesmo eu sendo o que era, fazendo o que fazia. Mas esse aparente conforto não trouxe paz, porque a verdadeira paz, a paz interior, somente Cristo é capaz de propiciá-la [Jo 14.27]. Pelo contrário, quanto mais eu tentava fugir da idéia da morte, mais era atacado por ela, e as noites só eram possíveis após doses cavalares de álcool. De certa forma, mantinha-me anestesiado à noite, e anestesiava-me durante o dia, na espera da tarde chegar, e poder enfim embriagar-me novamente.

O que ficou claro nesses vinte anos, é que a aparente trégua entre mim e Deus não me trouxe tranqüilidade. Ao manter a distância, afastando-me mais e mais d’Ele, sobreveio-me uma dor crônica, infligindo-me tormentos, abrindo feridas que não foram curadas, mesmo com todos os paliativos filosóficos, estéticos e sentimentais administrados. Coube-me buscá-los, aplicá-los, desfrutar de momentâneo alento, e rejeitá-los por sua ineficiência... são quando as frustrações tornam o viver um flagelo, algo insuportável. O tempo passa, os métodos também, e ao olhar-se para si mesmo, vê-se apenas o fracasso. Então, a morte que fustigava, revela-se como a amiga mais próxima, aquela que nos revelará exatamente o que somos, da maneira mais temível, dura e impiedosa: “és pó e em pó te tornarás” [Gn 3.19]. Segue-se a loucura as vezes, a apatia as vezes, a irresponsabilidade, ou a negação outras vezes... como se possível fosse abandonar a vida, apagá-la completamente, como se jamais tivesse existido.

Então, quando tudo parecia perdido, Deus, do qual mantínhamos uma grande distância, encurta-a, aproximando-nos d’Ele. Não há como explicar... 

Imediatamente, somos içados do fundo do abismo. Instantaneamente, toda a treva se faz luz; toda tormenta se torna em bonança; toda aflição se torna em alegria... uma alegria inconcebível e surpreendente, tão magnífica que nos lança ao chão, e de joelhos, choramos o arrependimento pela rebeldia, pela afronta à santidade de Deus, clamando pelo Seu perdão. Cristo, o justo que morreu pelos injustos, para levar-nos a Deus [1Pe 3.18], é a fonte de toda essa transformação. Num átimo, sabemos o que somos; sabemos quem é Deus, e o que Ele começa a promover em nós pelo poder regenerador do Espírito Santo: antes mortos, agora vivos! Antes, andando segundo o curso deste mundo, em ofensas e pecados, éramos filhos da desobediência [Ef 2.2]; agora, pela misericórdia de Deus, pelo Seu muito amor com que nos amou, deu-nos vida em Cristo nosso Senhor [Ef 2.4-5]. Antes, fazendo a vontade da carne, na imoralidade (porque todo ato que não glorifica a Deus é pecado), éramos filhos da ira; agora, ao recebermos a Cristo, crendo no Seu santo nome, pelo Seu poder, somos feitos filhos de Deus, “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” [Jo 1.12-13]. É indizível... e resta-nos somente quedar admirados, e render-nos gratos diante da intervenção pródiga que nos libertou dos laços da morte, fruto da graça e misericórdia do nosso Senhor, pois éramos arredios e andávamos dispersos, e Cristo nos reuniu em um só corpo, como filhos de Deus [Jo 11.52].

Então, a nossa mente rebelde, que em toda altivez se levantava contra o conhecimento de Deus, pelo Seu poder, foi levada cativa à obediência de Cristo [2Co 10.5], o qual levou cativo o cativeiro, para que Deus habitasse entre nós [Sl 68.18]. Porque somos novas criaturas, “as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” [2Co 5.17]... Sonho? Delírio?... Não! Mas fé! Não uma fé humana, claudicante, flutuante, como “nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva” [2Pe 2.17]. Não. É uma fé viva, sobrenatural, que provém de Deus, sendo Sua doação a nós [Ef 2.8]; pois, “a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo. Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” [1Tm 1.14-45].

A morte já não exerce mais o seu domínio, pois passamos da morte para vida, pela vida que Cristo nos deu na Sua morte.

O Vale da Sombra da Morte

 
Por Maurício Zágari

Parece nome de filme de terror: o Vale da Sombra da Morte. Que imagem horripilante. Mistura em apenas uma expressão três conceitos que metem medo: “Vale” fala de um lugar desprotegido, ladeado por altas e perigosas escarpas, onde é fácil ser vitima de um emboscada ou uma avalanche.”Sombra” nos lembra o medo mais primitivo do ser humano: o escuro, a falta de luz, frio, ausência de sol, impotência diante dos perigos que porventura estejam escondidos onde não conseguimos ver. “Morte” dispensa comentários. Então “Vale da Sombra da Morte” é um lugar pavoroso, de medo, falta de proteção, total impotência, calafrios, depressão, imprevisibilidade, terror. Você já passou por esse lugar? Não é um lugar físico, mas espiritual, emocional e psicológico. Em algum momento da vida, a esmagadora maioria das pessoas atravessará esse vale. E precisamos nos preparar para isso, embora ele sempre nos trague quando menos esperamos.

Uns entrarão em suas regiões mais profundas, outros nas menos; uns ficarão nele muito tempo, outros nem tanto. Você sabe que está nele quando acorda chorando, quando os dias correm rápido e você percebe que já chegou outra segunda-feira sem que o tempo pareça ter passado, quando nada parece fazer sentido, quando a tristeza é sua companheira mais frequente, quando você não enxerga razão para sair da cama, quando o céu azul é cinza aos teus olhos, quando viver torna-se comer e dormir – se o apetite não desaparece. Quando a morte passa a não ser tão assustadora assim.
Só que aí acontece algo extraordinário.

Deus nos revela, por meio do Salmo 23 do rei Davi, uma outra possibilidade. Ele mostra uma mão estendida por entre o desespero que, para quem está em pleno Vale da Sombra da Morte, parece impossível, apenas uma miragem à distância. Mas para quem está em Cristo, essa miragem na verdade não é uma ilusão, é um vislumbre real do que está na linha do horizonte. O que precisa ser feito para chegar até essa  realidade é dar um passo. Depois outro. Depois juntar todas as suas forças para dar um terceiro. Um quarto vem arrastado e aos soluços. O quinto vem com um gemido. No sexto os pés nem desgrudam do chão, tão pesados estão. O sétimo é automático, sem vontade, querendo cair ao solo e ali ficar. Do oitavo em diante só Deus sabe como você consegue ir em frente. Mas… quando você menos espera… superou um dia. Depois outro. Depois outro. Depois outro. Depois outro. Depois outro e… quando se dá conta, aquele longínquo horizonte está debaixo dos seus pés. Seus olhos embaçados pelas lágrimas, junto com o abatimento da sua alma, não deixaram você perceber que as escarpas sumiram. Você levanta a cabeça. E o Vale da Sombra da Morte não está mais ali. E onde você está? Que lugar é esse onde você chegou?

O Salmo 23 responde: pastos verdejantes. Junto das águas de descanso. O local onde sua alma encontra refrigério. As veredas da justiça. É quando você consegue inspirar fundo e dizer: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda“. E você percebe, então, que a cada dolorido passo daquela jornada de uma ponta a outra do Vale da Sombra da Morte o milagre da graça aconteceu. Você se dá conta de que a bondade e a misericórdia certamente te seguiram por todos os dias da sua vida. E não a bondade e a misericórdia de qualquer um, mas daquele que nos prometeu que estaria conosco todos os dias, até a consumação do século. Todos os dias. Mesmo nos dias em que você esteve envolto na escuridão, na solidão e no pavor pela incerteza do que vinha à frente.


Então as lembranças daquele período terrível se tornam aprendizado. As feridas dos meses de sofrimento da hora de acordar à de dormir passam a ser cicatrizes de lembranças que doem mas não sangram mais. Estranhos com quem você esbarrou no caminho e lhe deram copos d’água em meio à sequidão tornam-se a face do amor. Deitado, então, nos pastos verdejantes, você lembra-se de que, enquanto caminhava sem enxergar direito devido à escuridão pelo estreito Vale da Sombra da Morte, só conseguia vislumbrar um lugar iluminado: de um lado, escarpas. Do outro, mais escarpas. À frente e atrás, sombras. Mas… acima de sua cabeça, lá estava ele, sempre presente e concedendo esperança: o céu.

Embora seja o local mais arrasador e apavorante que existe nesta terra, o Vale da Sombra da Morte tem uma função para o Reino de Deus: quando você chega ao lugar de paz, se consegue jamais se esquecer daquela jornada sombria, fria, solitária e apavorante que ficou para trás, agarra-se com todas as suas forças a um desejo premente e inapagável:  habitar na Casa do Senhor para todo o sempre.

Se você está neste momento de sua vida atravessando o Vale da Sombra da Morte, meu irmão, minha irmã, saiba que ao final dele há pastos verdejantes, águas de descanso, refrigério, justiça. Não tema mal nenhum, porque Jesus está contigo. Essa é minha esperança. Essa precisa ser a esperança de todos nós.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.

A Luta Contra o Pecado


Clodoaldo Machado

Quando aconteceu nossa conversão, imediatamente fomos colocados num campo de batalha. Iniciamos uma guerra que seguirá até o fim de nossas vidas neste mundo. Esta é a guerra contra o pecado. Somente os salvos travam esta batalha. Quando não éramos filhos de Deus, não oferecíamos resistência ao pecado, pelo contrário, Jesus disse que éramos escravos dele e, por isso, sempre o servíamos. "Digo- lhes a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado." (Jo.8.34). No momento de nossa conversão, Jesus nos libertou da escravidão do pecado, nos fez Seus servos e passamos então a ter o pecado como nosso inimigo.

Muitos crentes ignoram este fato e não parecem estar numa guerra. Como escreveu John McArthur: "Hoje, boa parte da igreja visível, parece imaginar que os cristãos devem estar numa diversão, e não numa guerra." (A Guerra pela Verdade. Editora Fiel. p.15). Se somos verdadeiros cristãos, estamos numa grande batalha e esta é uma batalha que requer nossa constante atenção. Ainda que não sejamos mais escravos do pecado, ele continua habitando em nós e quer exercer seu domínio. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, disse que em sua carne não habitava bem nenhum, pois sabia que ali era a habitação do pecado (Rm 7:18,20). Nesta batalha nosso inimigo não está longe, ele está muito perto, está dentro de nós, na nossa carne.
Como então podemos obter vitória nesta tão importante batalha?

Primeiro temos que ter a consciência de que esta batalha existe. Não podemos ignorar esta luta, não podemos ignorar nosso inimigo. Não podemos, de forma alguma, achar que esta é uma luta fácil. Quando um crente não tem consciência desta luta e não reconhece sua dificuldade, mas encara a vida cristã como um mero estilo de vida que escolheu para si, ele perde esta batalha. Sua vida então não reflete o caráter de Deus e Deus não é glorificado por ele. Infelizmente  vemos muitos que se dizem seguidores de Jesus e que não demonstram estar numa batalha. Desejam um evangelho que lhes ofereça muito entretenimento, muita distração, muitas frases de efeito, muita música (e estas sem letras pensadas e refletidas), muita diversão de fato. O caminho em que estão não se parece como aquele apontado por Jesus. Nosso Senhor foi enfático ao dizer que a porta é estreita e o caminho é apertado. "Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela." (Mt 7:13,14). Portanto, não se passa por este caminho como num passeio no bosque. Passa-se, sim, com os olhos bem abertos, vigilantes, observando minuciosamente para não sermos surpreendidos pelo inimigo. É preciso ter a consciência de que estamos numa batalha.

Segundo, é preciso sermos sensíveis à pessoa do Espírito Santo. Ao nos enviar para esta batalha, Deus não nos deixou a sós. Ele deu-nos seu Santo Espírito que sempre está conosco. Jesus disse: "E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco."(Jo 14:16). O que o Espírito Santo faz em nossas vidas? O evangelho de João nos diz que uma das coisas que Ele faz é nos ensinar e nos lembrar de tudo o que temos aprendido. "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." (Jo 14:26). Em nossa batalha contra o pecado, isto é muito importante. Quando somos lembrados daquilo que temos aprendido é para que pratiquemos e, assim, não soframos a derrota. Por isso, não devemos ignorar esta lembrança que o Espírito Santo nos faz. O apóstolo Paulo escreveu aos tessalonicenses: "Não apagueis o Espírito". (1 Ts 5:19). Por ignorar o agir do Espírito em sua vida, o crente se torna insensível e assim o apaga. Isso nos leva a concluir que muitos crentes podem estar caminhando fora dos padrões de Deus por estarem ignorando o agir do Espírito Santo em suas vidas.

Outra ação do Espírito Santo está relatada em Romanos 8:16: "O próprio Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus."  É uma ação importante dele ao nosso favor. No contexto deste versículo, o apóstolo Paulo está falando de nossa adoção na família de Deus. Ele está dizendo que agora somos Seus filhos e que esta adoção é tão verdadeira que o Espírito Santo testemunha ao nosso favor, afirmando o direito que temos de sermos tratados como filhos de Deus. Isso implica que Deus não deseja que nos esqueçamos de nossa identidade, somos Seus filhos. Termos a consciência constante desta nossa nova identidade ajuda-nos em nossa luta contra o pecado. Quando o pecado quer exercer seu domínio sobre nós, devemos lembrar de quem somos filhos e devemos ser santos como santo é o nosso Pai. Como filho de Deus, devo expressar Seu caráter, deve brilhar em mim Sua luz. Esquecer-me deste fato vai me levar à derrota e Deus não será glorificado.

Portanto, para se obter vitória sobre o pecado, é preciso ser sensível ao Espírito de Deus. Paulo escreveu que não devemos entristecê-lo, ao contrário, devemos fazer a sua vontade. "E Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes  selados para o dia da redenção." (Ef 4:30). Habitando em nós, Ele não nos deixa à vontade para pecar, Ele age e é preciso sermos sensíveis. Por isso Paulo escreveu: "Andai em Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne, porque a carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais porventura o que seja do vosso querer." (Gl 5:16,17). Assim, sejamos sempre sensíveis ao Espírito Santo, para que vençamos a batalha contra o pecado.

Por último, em nossa luta contra o pecado, temos a preciosa Palavra de Deus. Nosso Deus não nos envia para a batalha sem nos dar suprimento. Um soldado faminto não terá êxito. Por isso Ele nos alimenta com Seus preciosos ensinos. Não é sem motivo que Pedro escreveu que devemos desejar ardentemente, como crianças recém nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele nos seja dado o crescimento para a salvação (1Pe 2:2) . Sem os ensinos da Palavra sofreremos derrota. O crente que não tem interesse em aprender está perdendo o tempo todo. Deus deu Sua Palavra para que possamos lê-la e meditarmos nela. Não somente isto, mas também nos deu a Igreja para que possamos ser instruídos. Ele dotou pessoas com o dom do ensino que na igreja vão nos ensinar, nos admoestar, nos exortar através da Palavra. Isto vai nos dar forças para que prossigamos firmes nesta batalha.

Temos visto uma reformulação da igreja em muitos lugares. Um novo modelo surgiu no qual o ensino da Palavra de Deus tem sido substituído por outras atividades como teatros, músicas e filmes. Estas coisas não são ruins em si mesmas, mas tornam-se muito nocivas quando são colocadas como substitutas da Palavra de Deus formalmente pregada e ensinada. O método que Deus estabeleceu, no qual um fala e os outros ouvem, tem sido considerado obsoleto por muitos, e a Palavra de Deus tem perdido espaço em muitos arraiais. Paulo ordenou a Timóteo que pregasse a Palavra (2Tm 4:2). Ele deveria falar e outros ouvirem. Este é um expediente que nosso Senhor criou para que sejamos nutridos com Sua Palavra. Não rejeitemos, pois, o alimento espiritual, para que possamos estar sempre firmes em nossa luta. Certamente, sem o  envolvimento com uma igreja local que ensina com firmeza a Palavra de Deus o crente será derrotado.

Temos, portanto uma batalha para travar, porém não estamos sós. Deus tem estado conosco, tem nos dado Seu Espírito e Sua Palavra. Crentes verdadeiros estão sempre atentos, apostos como soldados vigilantes. Lembremos, portanto, que na nossa luta contra o pecado, ainda não temos resistido até ao sangue (Hb 12:4).

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Deus Faz Com Que As Pessoas Acreditem

A.W. Pink
"Do SENHOR vem a salvação."Jonas 2:9
Talvez esteja você maravilhado de que, se Deus é soberano, por que não salva todo mundo de seus pecados? Sabemos que Deus salva algumas pessoas, mas por que não salva também a outras? Não podemos dizer que algumas pessoas sejam demasiadamente más para que Deus não as salve, porque Paulo, o servo do Senhor, escreveu em 1 Timóteo 5:15 que ele foi o maior dos pecadores. Pelo que, se Deus pode salvar o primeiro dos pecadores, então ninguém é demasiadamente mau para não poder ser salvo. É então Deus incapaz de salvar alguns simplesmente porque eles não desejam serem salvos?
Antes de responder esta pergunta, pensemos acerca da experiência de pessoas que têm chegado a ser cristãs. Antes de chegar a serem crentes, elas não desejavam conhecer a Deus. Elas caminhavam pelos seus próprios caminhos e não pelos de Deus. Então, qual foi a mudança neles que as fez acreditar e se converter nas pessoas que são hoje? Um crente responderia nas palavras de 1 Coríntios 15:10: "pela graça de Deus sou o que sou". Contudo, todos os verdadeiros crentes dirão que, embora fossem responsáveis pelas suas próprias ações, pela Sua graça Deus foi capaz de controlar e dirigir as suas vontades. Isto significa que eles estiveram dispostos a receber a Cristo como Salvador, mas foi Deus quem primeiro lhes deu a disposição de crer. É só uma parte da verdade dizer que a gente não é convertida porque não quer acreditar. Não é toda a verdade. Por que então a gente não crê? A resposta é porque não têm fé. A fé é o dom de Deus, e Deus a concede às pessoas que Ele tem escolhido. Lemos em Atos 13:48 que todos aqueles que estavam ordenados para vida eterna acreditaram.
Assim sendo, a razão do por que Deus não salvou todo mundo é que Deus o Pai é soberano na salvação. Ele outorga o dom da fé salvadora só a quem Lhe apraz. Existem muitos textos na Bíblia que mostram que desde o Pai é soberano na salvação dos homens. Vamos a mencionar alguns exemplos.
Em primeiro lugar, em Romanos 9:21-23 nos diz que Deus é como um oleiro e nós, como o barro. As pessoas a quem Deus tem escolhido e as que não têm escolhido são inteiramente iguais em si mesmas. Se Deus não salvara aqueles que têm escolhido, então todo mundo se perderia; ou seja, todos iriam pro inferno. Mas Deus faz uma diferença entre as pessoas, assim como o oleiro faz da mesma massa diferentes classes de objetos, alguns para enfeitar e outros para usos ordinários.
Deus pode fazer o que quer com o que é dEle, ou seja, com a gente que Ele criou. O Juiz de toda a terra fará o que é justo. A Bíblia, como já temos visto em Atos 13:48, diz que todos os que foram escolhidos para a vida eterna acreditarão. Este versículo mostra claramente que o crer é o resultado da eleição de Deus. Também mostra que só certas pessoas têm sido escolhidas para a vida eterna, o qual significa que eles serão salvos de seus pecados. Este versículo ensina que todos aqueles que são escolhidos por Deus, sem lugar a dúvidas chegarão a acreditar no Senhor Jesus Cristo.
Em segundo lugar, Romanos 11:5 nos diz que existem pessoas no mundo que têm sido escolhidas pela graça de Deus. Também nos diz por que estas pessoas têm sido escolhidas para salvação. Não foram eleitas porque Deus visse de antemão que eram boas pessoas. Foram eleitas simplesmente pela bondade de Deus para com aqueles que não a merecem.
Em terceiro lugar, 1 Coríntios 1:26-29 nos diz que Deus não tem escolhido a muitos sábios, nem poderosos, nem muitos nobres para que acreditem nEle. Ao contrário, tem elegido a alguns dos mais vis e fracos para que sejam Seu povo. Isto nos mostra que é Deus definitivamente quem escolhe às pessoas para que sejam salvas, porque a eleição de gente débil e simples é prova de que a salvação não tem nada a ver com as qualidades das pessoas mesmas. A eleição é inteiramente pela bondade de Deus e não devido a nenhuma outra razão.
Em quarto lugar, em Efésios 1:3-5 lemos que Deus escolheu seu povo antes da fundação do mundo. Em amor os escolheu, para que viessem a serem santos e sem mácula, seus filhos e suas filhas. Isto mostra que o povo de Deus foi eleito antes da queda de Adão, e nos ensina também o motivo pelo que Deus os escolheu. Como o texto o indica, os indicou para serem adotados como filhos Seus, para louvor de Sua glória e de Sua graça (veja os versículos 5, 6 e 12). Também nos diz que foram escolhidos conforme o Seu propósito soberano e Seu beneplácito (veja os versículos 9-11).
Em quinto lugar, em 2 Tessalonicenses 2:13, o apóstolo Paulo agradece a Deus que tenha escolhido os Tessalonicenses para salvação, mediante a santificação pelo Espírito e a fé na verdade. Isto ensina que todo o povo de Deus é eleito para ser salvo e que é o Espírito Santo quem assegura que creiam a verdade.
Em sexto lugar, 2 Timóteo 1:9 declara que Deus chama e salva seu povo, não pelo que tenham feito, senão pela sua bondade e amor e Ele quis demonstrar aos Seus. Também ensina que isto foi determinado pelo conselho eterno da Trindade, antes que o mundo existisse.
Finalmente, a Bíblia nos diz claramente, em muitos outros textos, que Deus tem escolhido um povo para que seja salvo (veja os textos na nota no final deste capítulo). E já que foram eleitos por Deus, eles buscam a Deus. Assim sendo, não há necessidade de temer que Deus não tenha escolhido você; se você O está procurando sinceramente, com certeza é porque Deus escolheu você. Por natureza ninguém busca a salvação de Deus, porque todos estão espiritualmente mortos e separados de Deus. Então, se tu desejas a salvação que Deus dá, esse desejo é evidência de que Deus te ama e está operando em você. Esta é uma das verdades mais alentadoras que se encontram na Bíblia; não duvide, a fé é o dom de Deus. Assim que, se você acredita, Deus tem lhe dado essa fé, porque é o Seu desejo que você a tenha. Esta é uma verdade maravilhosa, não é?
TEXTOS BÍBLICOS:
Os seguintes textos afirmam que Deus tem escolhido um povo para salvação:
Efésios 1:4-5: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade".
Efésios 1:11: "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade".
Atos 13:48: "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna".
Marcos 13:20: "E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias".
Romanos 9:11-26: "Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada. E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados filhos do Deus vivo".
Romanos 11:5-7: "Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra. Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos".
João 15:16: "Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda".
Mateus 20:16: "Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos".
Mateus 22:14: "Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos".
2 Timóteo 1:9: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos".
2 Timóteo 2:10: "Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna".
1 Tessalonicenses 1:4-5: "Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus; porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós".
1 Pedro 1:1-2: "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia; eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas".
Romanos 8:28-30: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou".
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Por Quem Cristo Morreu?


A.W. Pink

"Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras" Atos 15:18
No Capítulo 4 vimos que Deus o Pai é soberano na salvação. Ele concede o dom da fé para que as pessoas possam crer. Deus dá esta fé só àqueles que Ele tem escolhido e sem dúvidas tem o direito de atuar como e quando quer neste assunto.
Agora, neste capítulo mostraremos que Deus o Filho é também soberano na salvação. Há quem predicam que Cristo morreu para fazer que a salvação do pecado fora possível para todo mundo. Porém, isto não pode ser verdade porque Jesus mesmo disse que Ele daria vida eterna só àqueles que lhe foram "dados" pelo Pai. Atente para as palavras de Jesus em João 17:2: "Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste".
Muitas passagens na Bíblia ensinam que Cristo morreu somente por aqueles que Deus escolheu. Vejamos algumas destas passagens. Temos visto que antes da fundação do mundo Deus escolheu um povo para ser salvo. A Bíblia ensina que Cristo veio ao mundo para fazer a vontade do Pai. Em João 6:38 lemos as seguintes palavras de Jesus: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". Também Jesus falou do povo que Deus lhe havia dado em João 17:6, dizendo: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste...". Fica claro então que Deus tem escolhido certas pessoas para serem salvas, e que Jesus, realizando a vontade de Deus, morreu para executar a salvação deles.
Outro ponto que devemos considerar é o seguinte: quando Jesus morreu, ele tomou o lugar dos pecadores culpados e sofreu em lugar deles, a fim de que eles não tivessem que sofrer o castigo pelos seus pecados. Se Jesus tivesse sofrido e morrido em lugar de todos, então ninguém teria que sofrer pelos seus pecados. Ou seja, Deus, sendo justo, não poderia exigir dois pagamentos pelos mesmos pecados, vendo-Se obrigado a deixar livres a todos.
No entanto a Bíblia fala de pessoas que morrem em seus pecados e a eles Jesus diz: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno..." (Mateus 25:41). Resulta claro então que Jesus não morreu por todos, porque existem algumas pessoas que receberão a maldição de Deus e terão de sofrer pelos seus pecados.
(Nota: também devemos ter em conta o fato de que muitas pessoas já estavam no inferno antes que Cristo viesse e morresse. Resulta evidente que Cristo não fez nada para salvar àqueles que já estavam perdidos antes de sua vinda).
Vemos em Hebreus 9:24 que Cristo Jesus "entrou (...) no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus". Também em Hebreus 7:25 diz: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles". Perceba que Jesus não está intercedendo a favor de todos (como também nos fala Romanos 8:34: "Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós."), que Cristo intercede só a favor dos eleitos. Cristo afirma isto mesmo quando diz em João 17:9: "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus". No Antigo Testamento, o sumo sacerdote intercedia diante de Deus em favor deste mesmo povo. Numa forma semelhante, Cristo tem realizado o sacrifício de si mesmo pelos pecados de todos aqueles que o Pai tem escolhido, e agora, como sumo sacerdote, ele intercede por eles no céu. Assim sendo, já que cristão só intercede a favor do povo eleito de Deus, isto quer dizer que morreu só por eles.
Em João 6:44 Cristo diz: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia". Também diz o mesmo em 6:65: "E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido". Isto ensina que é o poder divino o que faz com que o pecador esteja disposto a acudir a Cristo e que, por natureza, todos estão indispostos para vir. Sabemos que algumas pessoas nunca virão a Jesus. Por que não vêm? Alguns respondem que Jesus nunca constrange ninguém para recebê-Lo como Salvador. Em certo sentido, isto é verdade, mas em outro sentido está completamente errado. Cristo tem o poder para fazer com que a gente venha a Ele, porque Ele é Deus mesmo, o Todo Poderoso. Uma razão pelas quais muitas pessoas não vêm a Jesus é porque Cristo não teve o propósito de salvá-las. Cristo teve a intenção de salvar só àqueles que Deus tinha elegido. Ele usa seu divino poder para fazer que estas pessoas em particular estejam dispostas a recebê-Lo como Senhor e Salvador.
Cristo afirmava este ensino em muitos textos. Por exemplo, ele diz em João 6:37: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora". Em João 10:26 diz: "Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito".
Em João 5:21 diz que "...assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer". Em Mateus 11:27 Cristo diz que "...ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar".
Em Mateus 1:21 diz: "...e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". Jesus mesmo disse em Mateus 20:28 que veio dar sua vida em resgate por "muitos". Perceba que não diz que veio dar sua vida em resgate por "todos". Mateus 26:28 declara: "...isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados".
Em João 10:11, Cristo afirma que dará sua vida "pelas ovelhas". Efésios 5:25 afirma que Cristo entregou-se a si mesmo pela "Sua Igreja". Hebreus 9:28 declara que "...Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos...". Também vemos o mesmo no Antigo Testamento, na profecia de Isaias 53:12: "...ele levou sobre si o pecado de muitos...", e "pela transgressão do meu povo ele foi atingido" (versículo 8), e "...com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si" (versículo 11).
Finalmente, vamos prestar atenção em alguns textos da Bíblia que parecem ensinar que Jesus morreu por todos os homens sem exceção. Ao ler cuidadosamente estes textos perceberemos que realmente não ensinam tal coisa. Em 2 Coríntios 5:14 diz que Jesus morreu "por todos". No entanto, se lemos o versículo 15, podemos apreciar que "todos" referem-se a "todos os crentes".
Ao dizer "um morreu por todos" indica que Cristo morreu por todos os Seus. Em 1 Timóteo 2:6 diz que Cristo "se deu a si mesmo em preço de redenção por todos". mas a Bíblia usa esta palavra "todos" em várias maneiras: às vezes significa "alguns de cada classe", outras vezes a palavra "todos" pode significar "cada um de uma espécie em particular" ou "toda classe de pessoas".
Nesta passagem significa que Jesus morreu por toda classe de pessoas, ricos e pobres, poderosos e fracos. Já temos visto outras passagens que ensinam claramente que Cristo morreu por todos os eleitos de Deus. Outro versículo em Hebreus 2:9 nos diz que "pela graça de Deus, provasse a morte por todos". Mas em seguida declara que "todos" são somente os filhos de Deus. (O versículo 10 refere-se a muitos filhos, o versículo 11 os chama de "irmãos", o versículo 13 fala de "os filhos que Deus me deu", o versículo 16 os chama "a semente" de Abraão e o versículo 17 diz que Ele morreu "para expiar os pecados do povo").
Então, já vimos que a Bíblia mostra claramente que o Senhor Jesus morreu por aqueles que o Pai escolheu para salvação. Não há limite nem no valor nem no poder da salvação de Deus, porém em sua soberania Cristo tem assegurado que esta redenção seja aplicada somente ao povo que Deus escolheu. Portanto, posso fazer-lhe uma pergunta muito importante?
É você uma das pessoas eleitas por Deus? Você foi salvo por Jesus?

Lei e Graça: revelação divina


Por Jorge Fernandes Isah

Qual o objetivo da Lei? [1]Salvar? Condenar?

Há uma terrível confusão entre os cristãos. Muitos acham que a Lei teve, em algum momento da história, o caráter de salvar. Fica a pergunta: quem foi salvo? Houve um homem, apenas um, que fosse salvo por ela? Nenhum. Então, por que veio a Lei? “Foi ordenada por causa das transgressões”, disse Paulo [Gl 3.19], “porque onde não há lei também não há transgressão” [Rm 4.15]. Parece que é mais ou menos isso que não somente os ímpios querem, mas muitos cristãos também. Talvez numa forma inconsciente de antinomia; talvez por desejarem pecar livremente; talvez por descuido ou ignorância; talvez porque o laicismo grite mais alto do que a lei de Deus no coração. Ou seria, meramente, outra forma de soberba dos tempos modernos? Um intelectualismo estereotipado com o intuito de se apresentar como alguém civilizado, progressista e não-retrógrado? O certo é que a lei tem o caráter de revelar o pecado, mas não somente isso, de também puni-lo. Contudo, esse preâmbulo será alvo de outra postagem, o que me interessa agora é responder à pergunta: a Lei pode salvar? Ou Deus deu-lhe vida para que todos fossem julgados e condenados por ela?

Primeiro, como é de praxe, vamos às definições dos termos:
1) Lei – A palavra lei foi usada para traduzir o termo hebraico “tora”, que significa instrução ou doutrina, e a palavra grega “nomos”, que significa hábito estabelecido. Em ambos os casos indicam alguma regra ou regulamento imposto sobre o homem ou a natureza por um poder superior. Ao legislador reserva-se o direito de punir toda infração e desobediência.
2) Lei Natural – É a Lei de Deus gravada nos corações humanos “testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” [Rm 2.15]; ao ponto em que até mesmo os gentios que não têm a lei, ao fazerem naturalmente as coisas que são da lei, para si mesmos são lei [v.14].
3) Lei Mosaica – Ela se divide em:
a) Lei Moral – resumida nos Dez Mandamentos, ou Dez Palavras, que regula a relação do homem com Deus e o próximo.
b) Lei Civil – são aplicações ou amplificações da Lei Moral a casos específicos, detalhando os Dez Mandamentos.
c) Lei Cerimonial – regulava os ritos relativos ao sacerdócio e aos sacrifícios, o ministério no santuário do Tabernáculo e depois no Templo.
A lei natural escrita nos corações do homem, quando da Criação, não foi suficiente para que ele não pecasse; de tal maneira que, pela corrupção do homem, foi necessário escrevê-la, literalmente, para lembrar-nos da obrigação que temos diante de Deus.
Analisemos o caso de Adão: Se não houvesse a lei, a ordem expressa de Deus para não pecar/desobedecer, comendo do fruto da árvore do bem e do mal, ele estaria tranquilamente até hoje no Éden, pois não precisaria da lei para se salvar, já que estava “salvo”. Porém, quando Deus lhe deu o mandamento, ele teve o nítido caráter de revelar o pecado “latente” em Adão; mostrando a sua imperfeição do ponto de vista não da Criação, como algo bom, mas em relação a Deus. Os privilégios dos quais desfrutava, a partir da lei e do pecado [que invariavelmente aconteceria e não havia como não acontecer], perderam-se, e o homem passou a viver como uma miserável criatura. Com ele, o qual era o cabeça da humanidade, toda a Criação caiu, não do seu caráter perfeito, mas da ordem natural, tornando-se em caos [Gn 3.16-19]. O natural se tornou antinatural, e foi preciso que o próprio Deus, na pessoa de Cristo, encarnasse e viesse ao mundo para restabelecer a ordem perdida, primeiro, nos eleitos e, quando da sua segunda vinda, em todo o Cosmos.
Pausa.
Apenas para evitar confusão, o meu entendimento é de que a ordem lógica das coisas não foi essa, mas antes se deu pelo amor de Deus para com os eleitos e, assim, veio a Criação, a Queda, a Redenção e a Santificação. Deus determinou todas as coisas por causa dos eleitos e, por eles, fez ver ao mundo o seu amor, graça, justiça e glória, ainda que o mundo não possa ver nem entender, mas os que foram chamados exclusivamente por ele a Cristo, o verão como é.
Voltando da pausa.
Portanto, qualquer um que disser que a lei poderia levar à salvação, em alguma hipótese, estará a cometer um grave erro. Ela vem para condenar, revelando o pecado e decretando a punição do infrator, e do ponto de vista pedagógico, levar os eleitos a Cristo, do qual somos completamente dependentes para sermos restaurados. Com isso não estou a dizer que voltaremos à condição de Adão, no Éden, antes da Queda; que para muitos era perfeita, mas perfeita em quê? Ou em relação a quê? Se na primeira oportunidade Adão não exitou em pecar?
Para a maioria dos cristãos, e mesmo a maioria calvinista, regindo-se pelo pensamento de Agostinho [2], o primeiro homem podia escolher entre pecar e não pecar. Contudo, fica a pergunta: diante da lei, o que se evidenciou na natureza de Adão e em nós? O pecado. Não a possibilidade de rejeitá-lo, nem de se manter puro, incontaminado, mas uma disposição natural para a depravação, para a rebeldia. É o que Paulo parece dizer: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” [Rm 3.19]. Pensem comigo: se Adão não tivesse pecado, a lei o salvaria, mas o salvaria de quê? Qual justiça Adão buscaria na lei? Ela não lhe traria benefício algum, nenhum “extra” se a cumprisse, mas o de manter-se no estado em que se encontrava. “De toda a árvore do jardim comeras livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” [Gn 2.16-17]. A lei veio portanto para salvá-lo? Ou para condená-lo? Qual é o seu papel? Em que Adão foi favorecido? Em nada, porque a Queda era inevitável. A lei veio revelar que Adão [e nós, os quais pecamos juntamente com ele], não podia não pecar, mas certamente pecaria, como pecou. Porque Deus encerrou tudo debaixo do pecado; e guardou-nos debaixo da lei, desde Adão; e encerrou-nos para a fé que havia de se manifestar em Jesus Cristo, para que fôssemos justificados [Gl 3.21-24].
Assim, Cristo não veio restaurar a perfeição do homem, a qual não havia, mas fazer-lhe perfeito. Primeiro, por imputação, o seu sacrifício já nos fez e tornou-nos perfeitos nele; e segundo, de fato, quando na eternidade, ao contrário do Éden, será impossível ao homem pecar. Cristo veio restaurar a condição inicial do homem antes da lei, quando não havia a possibilidade de pecado, visto não haver o “aio” que estabeleceria e normatizaria uma conduta e prática pecaminosa. Antes da lei, era impossível para Adão pecar. Antes da lei, Adão não teria como cair. Sem a lei, Adão permaneceria em seu estado de pureza “irresponsável”. Sem a lei e seus preceitos, ele era “livre” e não poderia ser acusado de nenhuma transgressão, pois não havia o que transgredir. Mas quando Deus lhe deu uma ordem, e mostrou-lhe o castigo caso desobedecesse a ordem, Adão não pode resistir. Em sua natureza, o pecado ainda não se manifestara, mas estava pronto a se revelar, a se desenvolver, bastando para isso as condições necessárias, o momento propício para tornar público o que estava oculto. A lei, em sua condição explicitamente condenatória, trouxe o pecado à tona, e fez com que todos se tornassem injustificáveis em si mesmos; que a possibilidade de falar por meio das obras fosse silenciada definitivamente; “porque pela lei vem o conhecimento do pecado” [Rm 3.20]. E, por ela, somos feitos pecadores, e indesculpáveis diante de Deus.
A lei não traz vida para a salvação, mas a morte [Rm 7.9-11]. A lei não justifica, mas acusa. Jamais liberta, mas escraviza [Gl 4.21-31]. A lei poderia absolver alguém, hipoteticamente falando, se todos não fossemos pecadores. A lei poderia declarar um homem justo, se todos não fossem injustos. A lei promete uma vida impossível, e uma morte evidente. A lei reclama que se olhe a realidade do pecado, e é inadmissível não vê-lo. E por isso é maravilhosa, santa, perfeita, pois sem ela, jamais seria revelado aos eleitos o amor de Deus. Jamais haveria Cristo, homem, e a certeza de um dia sermos como ele. Jamais seríamos perfeitos, mas num estado de falsa perfeição. A lei não nos exalta, mas humilha. Traz sobre todos os ímpios a ira de Deus [Ef 2.3]. Nos coloca em nossos devidos lugares, como carentes, desesperadamente sujeitos à misericórdia, autoridade, graça e poder de Deus. A lei nos põe debaixo da maldição, para sermos resgatados por Cristo, o qual se fez maldição por nós [Gl 3.13].
Em todos os aspectos da lei, ela não tem como nos salvar, nem alguém pode ser salvo por ela. Se a lei pudesse trazer vida, a justiça teria sido por ela; mas aprouve a Deus nos chamar à vida por seu Filho Amado Jesus Cristo. Por ele, somos feitos santos, e nos fará de fato santos, não porque escolhemos ser santos, mas porque ele nos escolheu santificar; e, uma vez com ele, com ele estaremos para sempre em perfeição e santidade.
Concluindo, a lei foi criada por Deus para estabelecer e determinar o caráter pecaminoso de nossa alma, do contrário não haveria pecado, pois não haveria transgressão, nem inobservância da lei. O que exclui qualquer possibilidade de justiça e justificação, de tal forma que estaria o homem livre para agir segundo o seu coração, sem impedimento, como um homem sem lei [Rm 7.9].
Não há nenhuma oferta de “boas novas” na lei, hipotética ou real, que propõe a salvação estando à disposição de todos que aceitassem a tarefa de obedecê-la até à perfeição; especialmente porque, além de Cristo, ninguém mais foi capaz de cumpri-la, logo, não há base para qualquer suposição teológica que corrobore a justificação legal.
A lei trouxe a justiça ao nos tornar injustos, revelando a justiça de Deus e a necessidade de sermos justificados por ele. Em outras palavras, o que ela revela é o completo desperdício e inutilidade do homem buscar a justiça de Deus na lei, sendo ela mesma a revelar-nos a sua ineficiência para a salvação. Foi o que Paulo disse: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus” [Gl 2.19].
Adão, ainda que não houvesse lei teria de ser regenerado em sua natureza; o que a lei fez foi revelar-lhe, e a todos nós, que os seus caminhos eram maus, e de que carecia de Deus para ser resgatado, transformado, e colocado na trilha dos seus perfeitos e santos caminhos.

Sobre julgar o próximo

 
Por Maurício Zágari
A senhora que faz limpeza em minha casa é uma irmã em Cristo. Há alguns dias ela chegou para o trabalho, tocou a campainha e abri a porta. Ela não deu dois passos dentro de casa e disparou a falar sobre o pastor fulano de tal, que fora preso porque tinha estuprado não sei quantas mulheres, isso, aquilo e aquilo outro. “No trem vindo pra cá todo mundo só falava sobre esse assunto”, disse, tentando puxar papo e dar continuidade à polêmica comigo. Eu estava por fora da história e, por isso, fiquei escutando enquanto ela, empolgadíssima, praticamente mandava o tal pastor para o inferno, já julgado e condenado. Depois de relatar a arrepiante história com a empolgação de uma criança que ganhou um presente novo, ela ficou enfim em silêncio, enquanto aguardava que eu disparasse palavras de condenação ao tal pastor. Eu pensei um segundo e disse a ela: “Bem, vamos aguardar que se prove que de fato ele é culpado, não é? E, se for, vamos orar pela restauração da vida dele”. Pela cara dessa senhora percebi que era tudo o que ela não esperava ouvir. Porque é muito mais gostoso e empolgante acreditar que algum cristão cometeu um pecado cabeludo do que crer na sua inocência – afinal, saber que os outros pecaram faz com que nos sintamos melhor com nossa própria natureza pecaminosa, como se o pecado alheio tivesse a capacidade de diminuir o nosso. Pude perceber que ela ficou sem ação diante do que falei, pois esperava que eu – como todas as pessoas do trem – começasse a alimentar a polêmica, assumir a culpa do homem e relegá-lo para o sétimo círculo do inferno. Só que não é isso que a Bíblia ensina.

Na faculdade de Jornalismo, aprendemos uma regra básica da profissão: nunca ouça um lado só da história. Pois todo relato sempre terá mais de uma versão, mais de um ponto de vista, e os implicados sempre vão defender os seus interesses. Isso é algo tão evidente que, se assim não fosse, não haveria juízes para intermediar disputas, nem árbitros, para dizer se foi pênalti ou não: o atacante sempre vai afirmar que o zagueiro pôs a mão na bola dentro da área e o zagueiro sempre vai negar. Por isso, ninguém conhece uma moeda por inteiro sem ver suas duas faces. No entanto, muito frequentemente nós assumimos verdades sobre outros só porque “alguém disse”. O que, em linguagem bíblica, é exatamente o que significa “julgar o próximo”.

Existe a regra de ouro do trânsito que, se for aplicada a sua vida, vai ajudá-lo muito a não cometer o pecado do julgamento: “Na dúvida, não ultrapasse”. Em outras palavras, se alguém te diz algo negativo sobre um terceiro indivíduo que não está ali para se defender, não assuma imediatamente como uma verdade, mesmo que a pessoa que te passou a informação em questão seja alguém próximo de você, o seu melhor amigo ou alguém da sua família. Sempre desconfie.

Lembre-se que uma mera afirmação contada como uma grande verdade não quer dizer absolutamente nada: se eu digo que o céu é vermelho ele não será menos azul por causa disso. Mas nós, seres humanos,  somos como grandes papagaios, que propagamos maldosas inverdades, meias-verdades ou realidades distorcidas só porque alguém nos falou – e como o ser humano tem um prazer sádico e inerente de falar mal dos outros, repetimos a quem quiser ouvir sem ter sequer escutado o que os réus têm a dizer. E acreditamos em tudo! Tenho visto isso com uma frequência avassaladora entre nós, cristãos. Lembre-se das mulheres que foram a Salomão para ele decidir de qual das duas era o filho. Ambas juravam de pés juntos que eram a mãe. Salomão não acreditou, simplesmente tirou a prova dos nove e averiguou sabiamente os fatos em sua totalidade.

Uma passagem bíblica específica sobre o assunto é o julgamento de Jesus, relatado em Mateus 26. Não só porque mostra como é a coisa mais fácil do mundo levantar falsas testemunhas cheias de provas e afirmações contra alguém, mas, principalmente, porque mostra o exemplo do Mestre acerca de como reagir. Repare: “Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas“. Veja que estamos falando de pessoas que na sociedade eram altamente conceituadas, eram sacerdotes e autoridades e que apresentaram muitas provas. Mas foi tudo articulado com um único objetivo: sujar o bom nome daquele homem.

Vamos adiante: “Mas, afinal, compareceram duas, afirmando: Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias. E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardou silêncio“. De tudo, as antipalavras do Mestre são o que mais me maravilha. O homem que teve sua honra achincalhada e seu nome lançado na lama não berrou nem esperneou para se defender. Não apresentou provas ou testemunhas que o inocentassem. Mas “guardou silêncio”. Confirmando Isaías 53.7: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca“. Eis o padrão cristão.

Sei que é difícil, pois nossa natureza clama por justiça. Mas foi o que o manso Cordeiro fez. Em seu exemplo, ele demonstrou que o juízo de Deus é muito, muito, mas muito mais severo que o dos homens – e do que qualquer coisa que você possa fazer para revidar ataques ou maledicências contra você. Lembre-se de Hebreus 10.31: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo“. E tem mais uma coisa: um cristão autêntico – aquele que errou no passado, se arrependeu de seus pecados, alcançou a misericórdia de Deus e se esforça por não errar mais – não condena pessoas, ainda que sejam culpadas. Pois sabe que elas são tão pó como ele. Porque o cristão que se arrependeu de fato de seus erros e sabe que o ser humano é passível de errar e ser reerguido por Cristo não devolve mal com mal. Ora e torce pela restauração do pecador. O cristão de verdade não quer prejudicar ninguém – pois sempre tem a esperança de que o outro chegue ao arrependimento e produza frutos para o Reino de Deus. O cristão de verdade não destrói: constrói. Pois quem veio para destruir você sabe quem é.

Em Romanos 12, Paulo nos ensina algo que quase nenhum cristão faz: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor“. Depois de mostrar o que espera aquele que receberá a vingança de Deus pelo mal que praticou contra o próximo, o apóstolo nos diz o que fazer: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem“. Mas isso só faz quem é cristão de verdade.

Essa é a atitude bíblica. Esse é o procedimento. É isso o que pelo menos devemos tentar fazer. Vejo pessoas famosas do “meio evangélico” indo para a TV e a Internet para, em vez de pregar o Evangelho, agredir, atacar, ofender. Os modelos que a Igreja tem hoje agem contrariamente aos ensinamentos de Jesus. Não siga esses exemplos, meu irmão, minha irmã. Há muitos frequentadores de igreja que desejam o mal ao próximo. Que estimulam o disse-me-disse sobre o último escândalo da moda. Sem meias palavras: isso é demoníaco. É assim, entre outras coisas, que se mede um verdadeiro servo de Deus: como ele zela pelo próximo, em especial os que erraram contra si. Então, se você de fato é trigo e não joio, preserve as pessoas e lute em aconselhamento e oração para que cheguem ao arrependimento e à salvação.

Minha sugestão sincera: não se junte à massa dos que tomam de Deus o papel de juiz. Se pastor fulano estuprou alguém, se o irmão da tua igreja cometeu esse e aquele pecado, se estoura a última polêmica gospel… a atitude mais bíblica que você tem a fazer é se calar. Não se assente na roda dos escarnecedores cristãos. Não alimente o disse-me-disse. Não ponha lenha na fogueira. Sei que o Diabo fica tentando pôr a lenha na sua mão, mas resista a ele. Deixe que a língua coce, garanto que depois passa. Tente guardar silêncio e agir com amor perdoador e sofredor, pois aí a justiça do alto funcionará em favor de todos: dos acusados e dos acusadores. Inclusive você.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Dez motivos para não participar da “Marcha para Jesus”


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Por Rev. Ageu Cirilo de Magalhães Jr.

No dia, 03/09/2009, o então Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
Estavam ali, naquele ato, alguns líderes do governo, juntamente com o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella, e os bispos da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes. A sanção do presidente veio apenas tornar oficial uma prática que se repete a cada ano. Considerando o tamanho do evento e a quantidade de irmãos que mobiliza, alisto abaixo dez motivos que cada cristão deveria considerar para não participar desta marcha. As informações que dão base à análise podem ser encontradas em sites de promoção da marcha:
1. A igreja que organiza a maior parte da marcha é conduzida por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais frequente em algumas denominações. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo. Após a traição e suicídio de Judas, os apóstolos escolheram outro para ocupar seu lugar (At 1.15-20), mas, como foi feita esta escolha? Que critérios foram usados? 1º) Ter sido discípulo de Jesus durante o seu ministério terreno; 2º) Ter sido testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, ninguém que não tenha sido contemporâneo de Cristo ou dos apóstolos (como Paulo o foi) pode sustentar para si o título de apóstolo;
2. A igreja que organiza a marcha ensina a Teologia da prosperidade (crença de que o cristão deve ser próspero financeiramente), Confissão positiva (crença no poder profético das palavras — assim como Deus falou e tudo foi criado, eu também falo e tudo acontece), Quebra de maldições (convicção de que podem existir maldições, mesmo na vida dos já salvos por Cristo) e Espíritos territoriais (crença em espíritos malignos que governam sob determinadas áreas de uma cidade);
3. A filosofia da marcha está fundamentada em uma Teologia Triunfalista (tudo sempre vai dar certo, não existem problemas na vida do crente), tendo como base textos como Êxodo 14 (passagem de Israel no mar Vermelho) e Josué 6 (destruição de Jericó);
4. De acordo com os sites que organizam a marcha, uma das finalidades dela é promover curas e libertações;
5. A marcha não celebra culto, mas “show gospel”;
6. Os líderes do movimento propagam que a marcha tem o poder de “mudar o destino de uma nação”;
7. Na visão do grupo, com base em Josué 1.3: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, a marcha é uma reivindicação do lugar por onde passam na cidade;
8. Na visão do grupo, a marcha serve para tapar as “brechas deixadas pelos atos ímpios de nossa nação”;
9. Na visão do grupo, a marcha destrói “fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas em nossas cidades e regiões”;
10. A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12).
Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos.
Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do evangelho. As pesquisas indicam que os evangélicos já somam 25% da população brasileira, no entanto, a imoralidade, a corrupção e a violência estão cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, bem como as marchas não têm gerado transformação de vida em nosso povo.
A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrando no alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).
Que Deus nos restaure essa visão.