domingo, 20 de janeiro de 2013

COMPRE O LIVRO E AJUDE AS CRIANÇAS CARENTES DE LA PENÍNSULA, PERU





No Peru, 26% das crianças em idade escolar estao fora das escolas. 30% das crianças sofrem desnutriçao. Milhares de crianças vivem em condiçoes extremamente precarias, nos chamados Assentamentos Humanos, periferias paupérrimas ao redor das cidades.
No inicio do ano passado os irmaos Edemar Miqueta e Evandro Martin visitaram a cidade de Piura para conhecer de perto a obra missionaria realizada no Peru. Durante a visita, eles gravaram um documentario que conta um pouco da historia das crianças e das familias beneficiadas pelo Projeto PEPE, um programa pré-escolar que leva educaçao, alimentaçao e inclusao social às crianças de familias com poucos recursos:
A visita deles também rendeu um livro fotográfico, onde a realidade do Assentamento Humano La Peninsula é retratada. A renda com a venda do livro é destinada ao Projeto Piura, e será usada para melhorar a vida de mais crianças peruanas. Incentivamos os pastores que desejam ajudar missoes a adquirir o livro e divulgar em sua igreja.
A todos os amigos, pedimos que divulgue em suas redes sociais, e motivamos você a aquirir o livro. Nao podemos prometer a você a “unçao financeira dos ultimos dias”, mas posso assegurar que  você ajudará a mudar a vida de uma criança peruana!
Para adquirir é só entrar em contato com SYNC CULTURAL pelo telefone (41) 3575-0025.
O preço do livro é de apenas 25 reais.

À seguir, algumas fotografias retiradas do livro:








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Púlpito Cristão

Deus viu Matrix antes de você!




Por Josemar Bessa
Jamais tente pregar um pós-evangelho para um mundo pós-moderno. Há uma arrogância comum em nossos dias que nos leva a ideia tola de que devemos apresentar nosso mundo e nossa cultura a Deus (encantado como ficamos com ela), pensamos que Deus tem algo para saber e aprender sobre ela.

Deus quando revelou a Sua Palavra já conhecia tudo exaustivamente. Conhecia o fim desde o princípio: “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” -  Isaías 46:10

Foi Deus ( e não o oposto ) que ensinou a Jonas como Nínive era – Deus é Onipresente e eterno. Ele conhecia desde o princípio os escritos de Confúcio, o pensamento e o misticismo oriental... o pensamento e obra de todos os filósofos – Sócrates, Platão... os escritos de Immanuel Kant, Nietzsche, Jean Paul Sartre... Você não apresenta o mundo a Deus para Ele rearranjar as coisas, reescrever e melhorar Sua Palavra para ser “relevante” nesta geração ou em qualquer outra. Deus é que apresenta o mundo a você e dá o Seu veredicto sobre o mundo em todas as gerações, todas as culturas... 

Desde toda a eternidade Deus está familiarizado com o pensamento pós-moderno... não tente “ensinar” nada disso a Ele, não tente bolar algo que faça a revelação que Ele fez de Si mesmo em Sua Palavra, a revelação do Seu caráter Santo, algo mais “relevante” para o mundo pós moderno.  Deus viu Matrix antes de você existir, antes de todos os tempos, Deus conhece o Ipad, Ipod, Iphone, redes sociais, Facebook, Twitter... muito antes de você existir– não se sinta avançado para tentar lhe dar conselhos e fazer adendos ao Seu plano eterno.

Se este mundo tecnológico te fascina, se o pensamento atual, se esta cultura de parece avançada... saiba que não há novidades nela para Deus... Deus sabe tudo desde a eternidade. Sabe tudo sobre esse papo de pluralismo, politicamente correto, sobre a teoria política dessa cultura, indicadores econômicos, índice de violência... sabe o nome de todos os grandes líderes políticos de todos os tempos, as grandes mentes acadêmicas de agora e das que virão... sabe  o que cada um pensa ou já pensou...você NÃO apresenta, você não pode apresentar o mundo a Deus, deixe Deus apresentar o mundo a você.

Então como devemos ser?

Paulo era um homem extraordinário, teve um chamado e ministério extraordinário, foi enviado para realizar um trabalho extraordinário... Ele conhecia profundamente a história, ele estava familiarizado com a filosofia e era bem versado tanto nas tradições e cultura judaica quanto na cultura Greco-romana. Ele não tentou apresentar essas culturas a Deus para que Deus pudesse lhe dar uma mensagem relevante.

Havia poucos assuntos queele não podia falar com desenvoltura, ele podia discutir e debater todos os temas, sua mente era interessante tanto para a cultura judaica quando a Greco-romana. Mas ele fez da proclamação do evangelho aos pecadores e edificação da igreja o objeto de sua vida e ele escolheu Cristo crucificado para ser o tema de seu ministério!

Não importa para onde ele foi, ele levou esse assunto com ele. Não importa qual cultura, qual filosofia...

Não importa para onde ou quem ele se dirigiu, sempre dirigiu a sua atenção para este ponto.

Ele sabia o que o homem exigia e o que o homem preferia, mas não direcionava o que fazia por isso. Como ele escreveu aos Coríntios, “os judeus pedem sinais miraculosos e os gregos buscavam sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles a quem Deus chama eficazmente, tanto judeus quanto gregos, Cristo é o poder e a sabedoria de Deus”1Co 1.22-24

Esse era o assunto de Paulo – Cristo crucificado!

Nós temos, ao esquecer o assunto que Deus ordenou ser pregado a todas as gerações,  nos colocado na frente da Sabedoria infinita e do poder de Deus. O que Paulo mais desejava era exatamente sair do caminho do poder de Deus, não ser um “obstáculo” para a verdade de Deus e Seu poder com suas ideias.

O pensamento constante de Paulo era de que ninguém pode colocar sua esperança ou sua fé em sua eloquência ou capacidade de entender melhor sua geração e cultura, do que no Deus eterno. Tudo que Paulo desejava era mostrar a verdade do Cordeiro crucificado “antes da fundação do mundo” Deus não tem pensamentos posteriores – isso era claro para ele.

Então o que Paulo fez? O que você devia fazer, o que eu devia fazer, o que qualquer líder devia fazer... Ele morreu na cruz todos os dias. Ele morreu para a ideia de mostrar suas capacidades intelectuais. Ele morreu para a ideia de que sua eloquência impressionante poderia fazer a diferença. Ele morreu para as demandas de sua geração, para as demandas de sua cultura – tanto Judaica quanto a Greco-romana. Ele morreu para a auto-confiança. Ele morreu para seus poderes naturais. Ele morreu para a ideia de que uma apresentação atraente para aquelas culturas faria alguma diferença para o coração irregenerado e inimigo de Deus. Ele morreu...

Ele então estava lá em fraqueza, temor e tremor... pregando a loucura e o escândalo da cruz! para quê? Para que nossa fé, a minha e a tua, no século XXI, diz ele, não se apoiasse ou descansasse na sabedoria de um homem, mas no poder de Deus, no poder de Deus manifestado em Seu Filho, o poder de Cristo e este crucificado.

Não olhe para essa cultura, para o mundo pós-moderno, nosso mundo tecnológico,... como algo significativo... logo, daqui a alguns anos, décadas, séculos... tudo isso estará mofado e será olhado pelos homens no futuro como algo atrasado e primitivo... então não trate a cruz como uma relíquia história do passado que deve ser rearranjada a luz da nossa geração “brilhante” e “relevante”. A cruz é o poder de Deus para mudar tudo em sua vida. Se você quiser ser discípulo de Cristo, terá que tomar a velha cruz todos os dias, no meio desta cultura, do pensamento pós-moderno... contar ao mundo as maravilhas do Deus santo, do Deus que foi pregado na cruz, do Deus que não muda, do Deus que odeia o pecado, do Deus que salva por graça, do Deus que condena ao inferno, da bondade e da severidade de Deus... Então todo resultado estará nas mãos de Deus e a fé de ninguém estará baseada na sabedoria humana. E assim Deus receberá toda a glória.

“os judeus pedem sinais miraculosos e os gregos buscavam sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles a quem Deus chama eficazmente, tanto judeus quanto gregos, Cristo é o poder e a sabedoria de Deus”1Co 1.22-24

Paulo tinha boas razões para fazer essa escolha e nenhuma razão para não fazê-lo, mesmo que isso lhe custasse tudo.

Primeiro porque não existe assunto mais abrangente que esse. Cristo crucificado é o centro onde o tempo e a eternidade, Deus  e o homem, pecado, justiça e santidade, vida e morte se encontram.

Segundo, Cristo crucificado é o teatro onde Deus exibe suas perfeições, desdobra seus propósitos, mantém seus direitos e justiça, confunde seus inimigos e assegura sua glória.

Terceiro, Cristo crucificado é o instrumento pelo qual a morte é destruída, o pecado é vencido, os rebeldes são reconciliados, santos santificados e o céu é  aberto.

Quarto, Cristo crucificado, a cruz de Cristo é o objeto que confunde a razão humana, surpreende os anjos, atrai os pecadores, transmite santidade e fornece assunto para louvor ser fim por toda eternidade.

Quinto, Cristo crucificado é o assunto mais honrado que existe. Sintoniza as harpas, a música do céu e preenche as mais doces canções da terra.

Sexto, Cristo crucificado é o meio pelo qual o Espírito Santo trabalha  na conversão dos pecadores, na consolação dos santos, na santificação dos crentes e no estabelecimento da igreja de Deus.

Mesmo num mundo e numa geração pós-tudo, essa ainda seria a única mensagem de Deus para o mundo!

Forbes divulga fortuna dos pastores evangélicos: Edir Macedo lidera lista

Edir Macedo tem fortuna estimada em quase 2 bilhões 

A revista Forbes divulgou a lista dos pastores evangélicos brasileiros que possuem generosas fortunas. O campeão é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, dono de fortuna de R$ 1,9 bilhão. O segundo na lista dos ricaços é o fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. Valdemiro Santiago possui fortuna de R$ 450 milhões, segundo a Forbes.
A lista é completada por Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, com R$ 305 milhões, seguido de Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Ele é dono de fortuna estimada em R$ 255 milhões. Estevam Hernandes Filho e Bispa Sônia, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, possuem renda de aproximadamente R$ 155 milhões. A fortuna dos líderes evangélicos foi calculada pela Forbes com base em inquéritos e investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

AS ESCRITURAS E O PECADO


Por A. W. Pink
Há seriíssimas razões para crermos que grande parte da leitura e do estudo bíblicos, nestes últimos poucos anos, não tem sido de grande proveito para aqueles que disso se tem ocupado. E vamos mais longe; pois tememos grandemente que, em muitos casos, isso tem sido antes uma maldição do que uma bênção. Estamos perfeitamente cônscios de que esta é uma linguagem dura, mas não mais forte do que o caso exige. Os dons divinos podem ser sujeitados a uso errôneo, e as misericórdias divinas podem ser alvo de abusos. Que assim tem sido, naquilo que aqui salientamos, é evidente através dos frutos produzidos.
Até mesmo o homem natural pode (e com freqüência o faz) atirar-se ao estudo das Escrituras com o mesmo entusiasmo e prazer que faria se estudasse as ciências. Quando assim faz, aumenta o seu cabedal de conhecimentos, mas também aumenta o seu orgulho. Tal como o químico atarefado em fazer experiências interessantes, o pesquisador intelectual da Palavra é invadido de satisfação ao fazer ali alguma descoberta; mas a alegria deste último não é mais espiritual do que a alegria daquele primeiro.
Outrossim, tal como os sucessos de um químico geralmente acentuam o seu senso de importância própria, levando-o a olhar com desdém para outros, que sejam mais ignorantes que ele mesmo, assim também, desafortunadamente, dá-se no caso daqueles que investigam a numerologia, a tipologia, a profecia bíblica e outros temas dessa natureza.
O estudo da Palavra de Deus pode ser levado a efeito com base em vários motivos. Alguns lêem-na a fim de satisfazerem seu orgulho literário. Em certos círculos tornou-se algo respeitável e popular a obtenção de um conhecimento geral do conteúdo da Bíblia, simplesmente por ser considerado como defeito de educação a ignorância dela. Outros lêem a Bíblia para satisfazer seu senso de curiosidade, como o fariam com qualquer outro livro famoso. Ainda outros lêem-na para satisfazer seu orgulho sectarista. Esses consideram um dever estar bem familiarizados com as crenças particulares de sua própria denominação, pelo que também buscam ansiosamente textos de prova que dão apoio ao que eles chamam de ''nossas doutrinas''. Ainda há aqueles que lêem a Bíblia com a finalidade de argumentar com êxito com aqueles que discordam de suas opiniões. Em toda essa atividade, entretanto, não há qualquer pensamento acerca de Deus, não há qualquer anelo pela edificação espiritual, e, portanto, não há qualquer beneficio real para a alma.
Assim sendo, de que maneira nos podemos beneficiar da Bíblia? A passagem de II Timóteo 3:16,17 não nos fornece clara resposta para essa pergunta? Lemos ali: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Observemos o que aqui é omitido: as Sagradas Escrituras não nos foram dadas a fim de satisfazer nossa curiosidade intelectual e nem nossas especulações carnais, e sim para habilitar-nos para toda boa obra, e isso mediante o ensino, a reprovação e a correção. Envidaremos esforços por ampliar isso com a ajuda de outros trechos bíblicos.
1. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o convence de pecado.
Este é o seu primeiro préstimo: revelar a nossa depravação, desmascarar a nossa vileza, tornar conhecida a nossa iniquidade. A vida moral de um homem pode ser irrepreensível, seu trato com os seus semelhantes pode ser sem faltas; mas quando o Espírito Santo aplica a Palavra ao seu coração e à sua consciência, abrindo os seus olhos fechados pelo pecado para que perceba a sua relação e a sua atitude para com Deus, então ele exclama: "Ai de mim! Estou perdido!" (Isaías 6:5). É desse modo que toda a alma verdadeiramente salva é levada a perceber a necessidade que tem de Cristo. "Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes" (Lucas 5:31). Contudo, somente quando o Espírito aplica a Palavra, com poder divino, é que qualquer indivíduo é levado a sentir-se enfermo, enfermo até à morte.
Essa convicção, que impressiona o coração com o fato de que o pecado produziu tremenda devastação na constituição humana, não se restringe à experiência inicial, que precede de imediato à conversão. De cada vez que Deus bendiz a sua Palavra em meu coração, sou levado a sentir quão longe ando do padrão que Ele me apresenta, a saber: "...tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento" (I Pedro 1:15). Aqui, por conseguinte, temos o primeiro teste a ser aplicado: quando leio acerca dos tristes fracassos de diferentes personagens das Escrituras, isso me faz perceber quão infelizmente parecido com eles eu sou? E quando leio sabre a vida bem-aventurada e perfeita como a de Cristo, isso me faz reconhecer quão terrivelmente diferente sou eu dEle?
2. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o faz entristecer-se por causa do pecado.
Com respeito ao ouvinte do solo rochoso foi dito que "...esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração..." (Mateus 13:20, 21). Porém, acerca daqueles que foram convencidos de pecado, sob a pregação de Pedro, está registrado que eles se sentiram compungidos em seus corações (ver Atos 2:37). O mesmo contraste se verifica hoje. Muitos ouvem um sermão floreado ou um discurso sobre a ''verdade dispensacional'', que exibe a capacidade de oratória ou mostra a habilidade intelectual do orador, mas que, usualmente, não contém qualquer aplicação à consciência. Aquela exposição é recebida com aprovação, mas ninguém é humilhado diante de Deus e nem é levado a andar mais perto dEle, por ela.
Porém, deixe-se que um servo fiel do Senhor (o qual pela graça divina não busca adquirir reputação por ''brilhantismo'') faça os ensinamentos bíblicos exercerem pressão sabre o caráter e a conduta, desvendando os tristes fracassos até mesmo dos melhores entre o povo de Deus, e embora a multidão despreze o mensageiro, as pessoas realmente regeneradas sentir-se-ão gratas pela mensagem que as leva a se lamentarem diante de Deus e a clamarem: "Desventurado homem que sou!" (Romanos 7:24). Assim acontece quando lemos pessoalmente a Palavra. E assim sucede quando o Espírito Santo a aplica de tal maneira que sou levado a ver e a sentir minha corrupção íntima, para que eu seja verdadeiramente abençoado.
Que palavra encontramos no trecho de Jeremias 31:19: "Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade!"
Meu prezado amigo, você conhece algo parecido com essa experiência? Os seus estudos da Palavra de Deus produzem um coração quebrantado e o levam a humilhar-se perante Deus? Fica você convicto de seus pecados, de tal modo que é levado a arrepender-se diariamente perante ele? O cordeiro pascal tinha de ser comido com ''ervas amargas'' (Êxodo 12:8). Por semelhante modo, quando realmente nos alimentamos da Palavra, o Espírito Santo a torna "amarga" para nós, antes de tornar-se doce ao nosso paladar. Notemos a ordem das coisas, no trecho de Apocalipse 10.9: "Fui pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele então me fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo ao teu estômago, mas na tua boca, doce coma mel". Essa será sempre a ordem da experiência: primeiramente deve vir a lamentação, e somente depois vem o consolo (Mateus 5:4); primeiro a humilhação, e depois a exaltação (I Pedro 5 :6).
3. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o conduz à confissão de pecado.
As Escrituras são proveitosas para a "repreensão" (II Timóteo 3:16); e a alma honesta está pronta a reconhecer as suas próprias faltas. Mas acerca do indivíduo carnal é declarado: "Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (João 3:20). "Deus tenha misericórdia de mim, um pecador", é o clamor dos corações renovados; e cada vez que somos revivificados pela Palavra (Salmo 119), recebemos nova revelação e renovada convicção de nossas transgressões aos olhos de Deus. "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Não pode haver prosperidade nem frutificação espirituais (Salmos 1:3), enquanto ocultarmos em nosso seio as nossas culpas secretas; somente quando são livremente reconhecidas perante Deus, e isso com detalhes, é que desfrutaremos de Sua misericórdia.
Não há paz real para a consciência e nem descanso para o coração, enquanto sepultarmos a carga do pecado não confessado. O alívio só nos é outorgado se confessarmos o pecado a Deus. Notemos bem a experiência de Davi: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos, pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio." (Salmos 32:3,4).
Essa linguagem figurada mas vigorosa lhe parece ininteligível? ou a sua própria história espiritual a explica? Há muitos versículos nas Escrituras que nenhum comentário pode interpretar satisfatoriamente, mas que a experiência pessoal pode fazê-lo. Verdadeiramente bem-aventuradas são as palavras seguintes: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado." (Salmos 32:5)
4. O indivíduo se beneficia da Palavra, espiritualmente falando, quando ele odeia o pecado com maior profundidade.
"Vós, que amais o SENHOR, detestai o mal: ele guarda as almas dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios" (Salmos 97:10). "Não podemos amar a Deus sem odiar aquilo que Ele odeia. Não somente devemos evitar o mal, recusando-nos a continuar nele, mas também devemos declarar guerra contra ele, voltando-nos contra ele com indignação no íntimo" (C.H. Spurgeon).
Um dos testes mais seguros que se pode aplicar à professada conversão é a atitude do coração para com o pecado. Sempre que o princípio de santidade houver sido implantado, necessariamente haverá repulsa por tudo quanto é profano. E se nosso repúdio ao mal for genuíno, então seremos gratos quando a Palavra reprovar até mesmo o mal de que nem suspeitávamos.
Essa foi também a experiência de Davi: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; par isso detesto todo caminho de falsidade" (Salmos 119:104). Observemos atentamente que não devemos meramente "abster-nos do pecado", pois "detesto"; e não somente a "alguns" ou "muitos" pecados, mas antes, a "todo caminho de falsidade", e não apenas a "todo mal" mas a "todo caminho de falsidade". E continua o salmista: "Por isso tenho por em tudo retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade" (Salmos 119:128).
No entanto, dá-se exatamente o contrário no caso do ímpio: "De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? " (Salmos 50:16,17).
E em Provérbios 8:13, lemos: "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho, e a boca perversa, eu os aborreço". Ora, esse temor piedoso nos vem através da leitura da Palavra (ver a passagem de Deuteronômio 17:18,19). Com razão, pois, é que alguém declarou: "Enquanto não odiarmos ao pecado, não poderemos mortificá-lo, ninguém clamará contra o pecado, como os judeus clamaram contra o Cristo: ''Crucifica-O! Crucifica-O!'', enquanto realmente não abominar o pecado como Ele foi abominado" (Edward Reyner, 1635).
5. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a abandonar o pecado.
"Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (II Timóteo 2:19). Quanto mais lemos a Palavra com o objetivo definido de descobrir o que é agradável e o que é desagradável ao Senhor, mais a Sua vontade tornar-se-á conhecida por nós; e se os nossos corações forem corretos diante dEle, mais ainda os nossos caminhos se harmonizarão com a Sua vontade. Então é que andaremos "na verdade" (II João 4).
No fim do sexto capítulo da segunda epístola aos Coríntios algumas promessas preciosas são dadas àqueles que se separarem dos incrédulos. Observemos, naquela passagem, a aplicação feita pelo Espírito Santo. Não diz o Senhor "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, consolemo-nos e nos entreguemos à complacência...", e, sim: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito..." (II Coríntios 7:1).
"Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João I5:3). Eis aqui uma outra importante regra, par meio da qual nos deveríamos testar com freqüência: a leitura e o estudo da Palavra de Deus está produzindo a purgação de minha conduta? Desde os dias antigos vinha sendo feita a indagação: "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?" E a resposta do salmista inspirado declara: ''Observando-o segundo a Tua Palavra" (Salmo119:9).
Sim, não basta ler a Palavra, crer nela ou memorizá-la; mas é preciso haver a aplicação pessoal da Palavra ao nosso "caminho". É quando "damos ouvidos" a exortações como aquelas que estipulam: "Fugi da impureza!" (I Coríntios 6:18), "Fugi da idolatria" (I Coríntios 10:14), "... foge destas cousas..." – da cobiça apaixonada pelo dinheiro (1 Tim. 6:11) e "Foge, outrossim, das paixões da mocidade" (II Tim. 2:22), é que o crente é levado a separar-se do mal, na prática; pois então o pecado não somente tem sido confessado, mas também tem sido "deixado" (ver Provérbios 28:13).
6. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o fortalece contra o pecado.
As Sagradas Escrituras nos foram dadas não somente com o propósito de revelar-nos a nossa pecaminosidade inata, ou a fim de mostrar as muitas e muitas maneiras mediante as quais carecemos "da glória de Deus" (Romanos 3:23), mas igualmente para ensinar-nos como podemos obter livramento do pecado, como podemos ser livres de desagradar a Deus. "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmos 119:11). E de cada um de nós é requerido o seguinte: "Aceita, pego-te, a instrução que profere, e põe as suas palavras no teu coração" (Jó 22:22).
O de que precisamos é, particularmente, dos mandamentos, das advertências, das exortações da Bíblia, para que sejam como que nosso tesouro particular; devemos memorizá-los, meditar sobre os mesmos, orar a seu respeito e pô-los em prática. Eis a única maneira eficaz de se evitar que um terreno qualquer seja invadido por ervas daninhas: é semear ali a boa semente: "...vence o mal com o bem" (Romanos 12:21). Por conseguinte, quanto mais "ricamente" estiver habitando em nós a Palavra de Cristo (ver Colossenses 3:16), menos espaço haverá para o exercício do pecado, em nossos corações e em nossas vidas.
Não é suficiente apenas assentirmos à veracidade das Escrituras, mas é necessário que elas sejam recebidas em nossos afetos. É uma verdade soleníssima aquela em que o Espírito Santo especifica a base da apostasia, "...porque ao amor da verdade eles não receberam" (II Tessalonicenses 2:10, grego).
"Se essa semente ficar apenas na língua ou na mente, para que seja apenas uma questão de palavras ou de especulação, não demorará muito para que desapareça. A semente que jaz à superfície será apanhada pelas aves do céu. Portanto, que cada qual a esconda no profundo do ser; que vá dos ouvidos para a mente, da mente para o coração; e que ela penetre cada vez mais profundamente. Somente ao exercer ela um domínio soberano sobre o coração, é que a receberemos na força de seu amor – quando ela é mais cara para nós que nossas concupiscências mais queridas, então nos apegamos a ela". (Thomas Manton).
Não há qualquer outra coisa que nos preserve das infecções deste mundo, que nos livre das tentações de Satanás, que se mostre preservativo tão eficaz contra o pecado, como a Palavra de Deus recebida em nossos afetos: "No coração tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão" (Salmos 37:31). Enquanto a verdade mostrar-se ativa em nosso íntimo, despertando-nos a consciência e sendo realmente amada par nós, seremos preservados da queda. Quando José foi tentado pela esposa de Potifar, respondeu ele: "... como, pois, cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39:9). A Palavra de Deus se achava em seu coração, pelo que também prevaleceu sobre os seus desejos. Essa é a inefável santidade, o grandioso poder de Deus, o qual é poderoso tanto para salvar como para destruir.
Nenhum de nós sabemos em que ocasião será sujeito às tentações; portanto, é mister estarmos preparados contra elas. "Quem há entre vós que ouça isto? que atenda e ouça o que há de ser depois?" (Isaías 42:23). Sim, compete-nos antecipar o futuro e nos fortalecermos intimamente para ele, entesourando a Palavra em nossos corações, para as emergências futuras.
7. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a praticar o contrário do pecado.
"... o pecado é a transgressão da lei" (I João 3 :4). Deus diz: "Farás...'', mas o pecado retruca: "Não quero". Deus diz: "Não farás...", e o pecado diz: "Farei". Assim, pois, o pecado é a rebeldia contra Deus, é a determinação do indivíduo seguir o seu próprio caminho (ver Isa. 53:6).
Isso capacita-nos a entender que o pecado é uma espécie de anarquia no campo espiritual, o que pode ser comparado com o ato de sacudir uma bandeira vermelha no rosto de Deus. Ora, a atitude oposta ao pecado contra Deus é a submissão a Ele, da mesma maneira que o contrário da iniqüidade é a sujeição à lei. Portanto, praticar o contrário do pecado é andar na vereda da obediência.
Esta é uma das outras grandes razões pelas quais as Escrituras nos foram dadas: tornar conhecida a senda pela qual devemos andar, o que agrada a Deus. As Escrituras são proveitosas não somente para repreensão e correção, mas também para a "instrução na justiça".
Neste ponto, pois, encontramos outra importante regra mediante a qual devemos testar freqüentemente a nós mesmos: Os meus pensamentos estão sendo formados, o meu coração está sendo controlado e a minha conduta e as minhas obras estão sendo regulamentadas pela Palavra de Deus? Eis o que o Senhor exige: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). E aqui temos a declaração de como devem ser expressos a nossa gratidão e os nossos afetos por Cristo: "Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos" (João 14:15). Para tanto, é necessário a ajuda divina. Davi orava: "Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo" (Salmos I19:35).
"Precisamos não somente de luz para reconhecermos o nosso caminho, mas também de um coração bem disposto para andar por esse caminho. A orientação é necessária por causa da cegueira das nossas mentes; e os impulsos eficazes da graça são necessários par causa da fraqueza dos nossos corações. Não cumpriremos o nosso dever mediante a mera noção das verdades, a menos que as abracemos e as sigamos". (Manton). Notemos que o salmista falava sabre a "... vereda dos Teus mandamentos..." Não aludia ele a algum caminho pessoal, auto-escolhido, e, sim, a um caminho bem demarcado; não se trata de uma estrada "pública", mas de uma vereda ''particular''.
Que tanto o escritor como o leitor se aquilatem, honesta e diligentemente, como na presença de Deus, pelas sete coisas acima enumeradas. O estudo da Bíblia, prezado amigo, o tem tornado uma pessoa mais humilde, ou mais orgulhosa – orgulhosa com o conhecimento que assim adquiriu? Esse estudo o elevou na estima de seus semelhantes, ou o rebaixou a um lugar inferior, na presença de Deus? Tem isso produzido, em sua experiência, uma atitude de mais profunda repulsa e asco par si mesmo, ou tornou-o mais complacente? Isso tem feito com que aqueles que entram em contato consigo, aos quais talvez você ensine, digam: "Gostaria de ter o seu conhecimento sobre a Bíblia!"; ou isso os tem levado a orar: "Senhor, dá-me a fé, a graça e a santidade que tens conferido a meu amigo ou professor?'' "Medita estas cousas, e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto" (1 Timóteo 4:15).
Extraido do livro de A. W. Pink Enriquecendo-se Com a Bíblia, Ed. Fiel, 1979.

Como Perdoar Setenta vezes Sete



Por John Piper
A parábola conta a história de um rei cujo servo lhe devia a quantia espantosa de 10 mil talentos (18.24). "Para compreender a exorbitância dessa quantia, basta dizer que o rei Herodes tinha uma renda anual de cerca de 900 talentos, e que a Galileia e a Peréia [a 'terra além do Jordão'], no ano 4 a.C, pagaram 200 talentos em impostos." Aparentemente, a quantia foi exagerada de propósito (assim como dizemos "zilhões" de dólares) ou o servo era um oficial de alta patente que conseguiu apropriar-se de quantias enormes do tesouro do rei ao longo dos anos. Seja como for, Jesus descreve essa dívida como praticamente incalculável.
O rei ameaçou vender o servo e sua família. Mas "o servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: 'Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo' [uma promessa aparentemente impossível de ser cumprida, em vista da quantia]. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir" (v. 26,27). Esse perdão é tão grandioso quanto o tamanho da dívida, e esse é o ponto principal. Jesus quer incutir em nossa mente que o pecado é uma dívida incalculável para com Deus. Jamais poderemos saldá-la. Jamais teremos condições de acertar as contas com Deus. Não há penitência, boas obras ou justificativas capazes de pagar a dívida da desonra que lançamos sobre Deus com nossos pecados.
O servo, porém, não recebeu aquele perdão pelo que este representava: magnífico, imerecido, destinado aos humildes de coração ou a quem suscita misericórdia. Jesus não relata nenhuma palavra de gratidão ou de admiração daquele servo. Incrível! Simplesmente relata acontecimentos incompreensíveis logo após o perdão.
Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: "Pague-me o que me deve!" Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: "Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei". Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida, (v. 28-30)
O "perdão" recebido por aquele homem não lhe abrandou a ira. Ele agarrou o conservo e começou a sufocá-lo.
O rei tomou conhecimento do caso e ficou (legitimamente) ira¬do (v. 34). Disse ao servo: " 'Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?' Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia" (v. 32-34). A conclusão da parábola atinge em cheio a questão da ira e do perdão. Jesus diz: "Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão" (v. 35).
A mensagem principal da parábola é que Deus não tem obrigação de salvar quem diz ser seu discípulo, se esse pretenso discípulo não tiver recebido a dádiva do perdão pelo que ele realmente representa — infinitamente precioso, estupendo, imerecido, destinado aos humildes de coração e a quem suscita misericórdia. Se dissermos que fomos perdoados por Jesus, mas não houver em nosso coração nenhuma brandura para perdoar os outros, não receberemos o perdão de Deus (v. Mateus 6.14,15; Marcos 11.25).
Lembre-se, a parábola foi contada para ajudar Pedro a entender o mandamento de Jesus de perdoar setenta vezes sete (Mateus 18.22). Isto é, foi contada para ajudar-nos a lidar com a ira que surge naturalmente em nosso coração quando alguém nos ofende centenas de vezes. A solução, diz Jesus, é viver com plena consciência desta maravilhosa dádiva: fomos perdoados de uma dívida muito maior que todos os erros cometidos contra nós. Explicando melhor: devemos viver com plena consciência de que a ira de Deus contra nós foi eliminada, apesar de termos pecado contra ele muito mais que setenta vezes sete. Esse modo de viver produzirá um coração quebrantado, contrito, alegre e terno, que governará nossa ira. A única ira benéfica é a ira moldada por um coração humilde.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus

Por Vincent Cheung

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus, a Timóteo, meu amado filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor. (2 Timóteo 1.1-2)
 
Como Paulo escreve em outro lugar, ele foi “circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu” (Filipenses 3.5). Ele era um dos fariseus, uma seita muito rigorosa da religião judaica. Antes de se converter à fé cristã, tudo isso contava como algo, mas depois ele perceberia que seu pano de fundo não lhe rendeu nenhum favor aos olhos de Deus. Ele teria que se chegar a Deus de outra forma.
Lucas apresenta-o em Atos 7. Ele era chamado Saulo naquele tempo, e consentiu quando os judeus apedrejaram Estevão até à morte. De uma perspectiva não cristã, ou da perspectiva daqueles cegos para a verdade, Saulo era um judeu perfeito, um fariseu justo, um erudito altamente credenciado. Contudo, a verdade era que ele era um cúmplice do assassinato de um homem inocente. Em Atos dos Apóstolos, essa é a primeira coisa que aprendemos sobre ele.
Saulo continuou nessa direção, e Atos 9 registra que ele “respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor”. Ele recebeu autoridade do sumo sacerdote para visitar Damasco, a fim de capturar e aprisionar os cristãos dali. Parece que uma pessoa que perseguiria, aprisionaria e até mesmo assassinaria outros deve ser séria sobre suas próprias convicções. De fato, ele era um homem zeloso. Mas como mais tarde admitiria, ele agiu em “ignorância e incredulidade”. Seu zelo não era informado pela verdade, e não procedia de uma abertura para com Deus, ou fé no que Deus tinha revelado. Aqueles que se opõem e perseguem os cristãos são, por definição, pessoas injustas e sem inteligência.
Sua religião não o tornou um homem piedoso. Fez dele um assassino. O problema não estava na religião em si. Saulo tinha um tipo específico de religião: ou foi essa religião que o tornou um assassino, ou ele tornou-se um assassino porque seu comprometimento a essa religião era defeituoso ou distorcido. Contudo, sua devoção à sua religião pareceria “irrepreensível” (Filipenses 3.6). Dessa forma, mesmo que houvesse um lado pessoal e subjetivo em seu grande erro, havia também um lado público e objetivo.
Havia algo errado em sua religião. Não estou me referindo à religião do Antigo Testamento. Esse é o equívoco que muitas pessoas fazem – eles assumem que a religião dos judeus e dos fariseus era a religião do Antigo Testamento. Não, embora a religião deles fosse baseada no Antigo Testamento, em geral era muito diferente e mesmo antagônica a ele, contradizendo-o em espírito e em letra. Algumas pessoas cometem o equívoco de pensar que os fariseus eram hostis a Jesus porque eles eram muito inflexíveis quanto a seguir a lei de Moisés ou o Antigo Testamento. Mas eles faziam o oposto. Jesus disse que eles anulavam os mandamentos de Deus por meio das suas tradições (Mateus 15.6). Eles tinham inventado regras e costumes que eram supostamente consistentes com os mandamentos de Deus, mas que na verdade redefiniam e substituíam os mandamentos de Deus em suas vidas. Ele disse que a profecia de Isaías se aplicava a eles: “Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens” (Mateus 15.9).
A religião dos judeus e dos fariseus não era a religião do Antigo Testamento. Era um sistema que eles tinham fabricado para se escusarem de aceitar as palavras dos profetas. Jesus disse que eles nem mesmo criam no Antigo Testamento: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo?” (João 5.46-47). A fé em Cristo, e dessa forma a fé no Novo Testamento, segue-se naturalmente da fé no Antigo Testamento, porque Cristo cumpriu o Antigo Testamento. Os judeus e os fariseus não seguiam a revelação de Deus, mas sua própria tradição humana. Devemos corrigir a ideia que eles eram hostis a Cristo porque eram muito obcecados com a precisão em sua doutrina e obediência. Não, eles eram hostis a Cristo porque se preocupavam muito mais sobre como evitar crer e obedecer à palavra de Deus enquanto davam a aparência de devoção religiosa, e Cristo expôs a hipocrisia deles.
Assim, Paulo, ou Saulo, era um homem zeloso. Mas esse zelo por sua religião o levou a ódio e assassinato contra o povo de Deus. Alguns poderiam dizer que isso era um caso de zelo mal direcionado. Isso não é inteiramente errado, mas a questão não era tão simples. Zelo não é uma atitude ideologicamente neutra – uma pessoa é zelosa por algo. Visto que uma pessoa é zelosa por algo, isso significa que zelo tem conteúdo, e visto que o conteúdo – as crenças ou ideologias – pode ser correto ou errado, então o zelo pode ser correto ou errado. Portanto, quando o zelo de uma pessoa o leva a fazer algo errado, se esse zelo é consistente com e um produto de sua ideologia pelo que ele é tão zeloso, então o próprio zelo é errado. Ele não é apenas um zelo mal direcionado, mas um zelo errado ou perverso, e um tipo diferente de zelo daquele zelo pelo que é verdadeiro e correto.
Não devemos supor que Paulo tinha uma atitude zelosa natural que era boa em si mesmo, mas apenas mal direcionada, e que esse zelo fez dele um crente mais eficaz uma vez que o zelo foi redirecionado pelo evangelho. Novamente, isso assume que zelo pode ser considerado em si mesmo, à parte daquilo pelo que a pessoa é zelosa, de forma que uma pessoa pode usar o mesmo zelo para esse ou para aquele, dependendo de como ele é direcionado. Contudo, o zelo não pode ser separado da ideologia. Não, Paulo tinha o tipo errado de zelo, um zelo que o tornou um assassino. Era um tipo de zelo que, por sua própria admissão, era baseada na “ignorância e incredulidade”. O zelo que ele exibiu como um cristão era baseado num fundamento inteiramente diferente, um que foi gerado pela obra do Espírito e um entendimento correto da graça do Senhor Jesus Cristo. E visto que o Espírito opera em todos do povo de Deus, e visto que todos do povo de Deus podem entender a graça de Deus, todos os cristãos podem possuir grande zelo pelas coisas de Deus. Isso não é algo que pertence a pessoas como Paulo à parte do evangelho, mas algo que é tornado disponível a todos os que creem no evangelho.
A fé de Jesus Cristo era o cumprimento das palavras dos profetas. Paulo não viu isso no início. Ele percebeu Cristo como uma ameaça à sua religião, embora grande parte dela não fosse procedente da religião do Antigo Testamento, mas da tradição humana, isto é, da invenção humana. Assim como Ismael zombou de Isaque, o filho da promessa, e assim como os fariseus perseguiram Cristo, o Filho da Promessa, os judeus perseguiram os cristãos. Os herdeiros da tradição humana sempre perseguirão os herdeiros da revelação divina. Não devemos ter a mínima simpatia pela posição de Paulo antes de sua conversão. Ele seguia a tradição em vez da Palavra de Deus. Seu entendimento da lei era errado. Ele nem mesmo cria no que foi escrito por Moisés. Se tivesse crido na Palavra de Deus, ele teria crido no evangelho de Cristo prontamente. Mas ele não o fez. Ele estava errado.

12 conselhos preciosos para pregadores da Palavra



Por Renato Vargens
Hoje é domingo e em todo Brasil um número incontável de pastores e pregadores subirão aos púlpitos de suas igrejas onde pregarão o Evangelho da Salvação Eterna.
Isto posto, gostaria de oferecer a esse exército de ministros algumas dicas preciosas para a preparação, desenvolvimento e aplicação da mensagem:
1- Pregue para a glória de Deus. A motivação do ministro deve ser a glória do Senhor e não a exaltação do seu próprio nome e ministério.
2- Evite o improviso. Suba ao púlpito convicto daquilo que irá falar ao coração daqueles que o Senhor os confiou.
3- Mate-se de estudar e ressuscite através da oração. O ministro que não dedica tempo ao estudo bíblico e a oração não vale um vintém.
4- Não caia na tentação de pregar um sermão politicamente correto. Pregue a Palavra Deus! Pregue as Escrituras.
5- Você não foi chamado por Deus para promover entretenimento aos ouvintes. Você é um pregador do Evangelho. Anuncie Cristo, pregue Cristo e proclame as inexoráveis verdades da Palavra de Deus.
6- Não seja superficial. Muito pelo contrário, seja profundo não suas colocações. Contudo, lembre-se que profundidade não está relacionado a a falar de modo difícil. Spurgeon por exemplo era profundo, todavia, qualquer pessoa que o ouvia conseguia entendê-lo.
7- Não pregue outra coisa a não ser Cristo Crucificado. Você não foi chamado para pregar técnicas de psicanálise, psicologia humana, ou auto-ajuda. Você não foi chamado para pregar outra mensagem a não ser o Evangelho de Cristo.
8- A Bíblia deve ser a fonte da sua mensagem. Por mais interessante e profundo que seja um livro, a Biblia é a nossa única e exclusiva regra de fé, portanto, é dela que devemos extrair e fundamentar nossos sermões.
9- Cuidado com a arrogância. O púlpito é um lugar santo. Você não foi chamado para testesmunhar sobre os seus feitos e sim sobre a grandeza de Deus. Os puritanos tinham por hábito nunca relatarem no pulpito aquilo que faziam ou deixavam de fazer e sim expor as Escrituras.
10- Pregue com fogo e razão. Jonathan Edwards costumava dizer que o pregador precisa ter luz na mente e fogo no coração.
11- Pregue com o coração enchargado pelo amor. O pregador que não ama não pode pregar o evangelho. O amor é um dos fundamentos da nossa mensagem. O pregador ama as pessoas por isso prega.
12 – Pregue exclusivamente a Palavra de Deus.
E por fim lembre-se: “O pregador não é um profissional; seu ministério não é uma profissão.” (E.M. Bounds)
Pense nisso!

QUANDO O “MINISTÉRIO” ATRAPALHA A VIDA CRISTÃ


Por Samuel Toralbo
Em tempos, onde a deturpação do significado do ministério eclesiástico é alarmante, os propósitos e as motivações no ingressamento da vida ministerial são estarrecedores e preocupantes. As intenções e os propósitos equivocados podem ser gerados por inúmeras razões – através de uma cultura religiosa que interpreta crescimento espiritual, ou vida vitoriosa somente quando o individuo é chamado para o ministério eclesiástico, onde jargões como: “Um dia você também estará aqui no púlpito”, ou “Deus não te chamou para ser mais um no meio do povo, mas para se assentar aqui no púlpito em meio aos príncipes” são bastante comuns em inúmeros ajuntamentos de cristãos, descaracterizando assim o significado do discípulo de Cristo Jesus. Não é raro o crescimento da motivação ministerial simplesmente pelo fato do desejo pessoal pelo status, objetivos financeiros, ou até mesmo por falta de opções ou oportunidades na vida profissional.
De modo que, primeiramente é importante ponderar que, o ministério não é uma questão de ordem que acontece na horizontal (que parte do homem), mas antes, é uma escolha que acontece na vertical (é Deus quem chama e capacita para o serviço ministerial) – “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,” (Efésios 4.11)
O objetivo não é desestimular aqueles que foram chamados para o santo ministério, mas antes, alertar aqueles que não sendo chamado, a evitar o encantamento do “glamour ministerial” que é vendido por algumas lideranças insanas desprovidas de amor e verdade. É loucura ingressar no ministério eclesiástico sem nunca ter sido chamado por Deus para o mesmo.
O apóstolo Paulo declara: “Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.” (I Timóteo 3.1), Paulo não afirma que, aquele que desejar o ministério receberá o mesmo, mas apenas diz que é um excelente desejo. E mais do que isto, em seguida Paulo expõe a lista de características que deve pautar o ministério eclesiástico, como quem diz: “Está pronto para uma vida de renuncia, perseguições, e sofrimento?”
A grande deturpação na atualidade é que a lista de considerações que encontramos em Paulo para aqueles que desejam o ministério não passa nem perto de algumas outras listas que tem sido oferecida aos novos pretendentes ao ministério cristão. Enquanto que, na listagem de Paulo o obreiro precisar ser:
- irrepreensível,
- marido de uma mulher,
- vigilante,
- sóbrio,
- honesto,
- hospitaleiro,
- apto para ensinar,
- não dado a vinho,
- não espancador,
- não cobiçoso de torpe ganância,
- moderado,
- não contencioso,
- não avarento,
- que governe bem sua casa,
- não neófito (inexperiente na caminha da fé),
- e com bom testemunho,
Na listagem de algumas “lideranças” pós moderna, o que consta como observações para a vida ministerial é:
- ser carismático,
- manter a visão da igreja em arrecadações e desafios financeiros,
- manifestar os dons espirituais,
- elegante e de boa aparência,
- atingir a meta de arrecadação mensal,
- pregar uma mensagem bacana e motivacional,
- ostentar o sucesso “espiritual” (bons carros, roupas, joias, e bens materiais), para estimular a fé dos irmãos.
- e manter sempre a imagem de um herói (super homem)
Observe a disparidade na natureza do significado do ministério cristão que acompanhava a igreja primitiva com, aquela que, paira em algumas congregações cristãs no século XXI. Recentemente perguntei a um pregador em que consistia o seu interesse em pregar o evangelho, o que logo me respondeu: “dinheiro”. De modo que, a compreensão equivocada do significado do ministério cristão, fatalmente gerará motivações pervertidas e adoecidas.
Atualmente, parece pairar no ar uma certa irresponsabilidade por parte de algumas lideranças que unge, consagra, e separa ao ministério cristão, pessoas que nunca Deus chamou para o tal oficio.
Sendo de grande importância neste momento a reflexão sobre a declaração paulina que diz: “Cada um fique na vocação em que foi chamado.” (I Coríntios 7.20). Certamente, Paulo estava querendo evitar desmandos e enganos na igreja em Corinto, desejando que os irmãos entendessem a importância de uma vida pacificada, tranquila e relevante através de Cristo Jesus, naquilo que foram chamados, não necessariamente no ministério eclesiástico.
Certa vez, Martinho Lutero foi abordado por um homem que acabará de se converter. Desejando desesperadamente servir ao Senhor, ele perguntou a Lutero:
“O que devo fazer agora?”
Lutero respondeu: “Atualmente, qual é sua profissão?”.
“Sou um sapateiro”.
Para surpresa dele, Lutero respondeu: “Então faça um bom sapato e venda por um preço justo”.
Fica evidente a dificuldade na compreensão deste princípio bíblico em uma geração (contemporânea) ávida pela exposição publica ministerial, onde a ideia é de que todos devem ser apóstolos, pastores, ou possuir algum tipo de poder supra-humano.
Porém, a verdade eterna de Deus permanece afirmando que, nem todos cristãos foram chamados ao pastorado, mas todos convocados para uma vida piedosa, nem todos serão profetas, mas todos discípulos de Cristo, nem todos se tornarão evangelistas, mas todos deverão anunciar as boas novas de salvação, nem todos serão mestres, mas todos manifestação o conhecimento do evangelho, e por fim, nem todos serão chamados apóstolos, mas “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;” (João 1.12)
Sendo assim, melhor é terminar a caminhada cristã sendo salvo em Cristo Jesus, sem nunca ter sido pastor ou apóstolo, do que, ingressar no ministério sem ter sido chamado por Deus e terminar a carreira como um obreiro reprovado e relativizado na fé e na esperança.

ESQUIZOFRENIA GOSPEL



Por Zilton Alencar
A esquizofrenia não é considerada doença, mas transtorno mental que ataca pelo menos 1% da população mundial. Dentre as suas muitas manifestações, uma das mais comuns se caracteriza por delírios paranóides, aonde a pessoa se sente perseguida, odiada, rodeada de inimigos. Entretanto, se observarmos o universo “gospel” de nossos dias, veremos que 1% de esquizofrênicos em nosso meio é uma porcentagem modesta ante o quadro que se nos apresenta. Os crentes de um modo geral se sentem eternos perseguidos por uma cifra enorme de inimigos, tanto dentre vizinhos incrédulos, patrões perseguidores, colegas de trabalho escarnecedores e maus, e até irmãos da fé, dentro de nossas Igrejas, sentados ao nosso redor e derredor nos cultos de adoração a Deus. O “esquizofrênico Gospel” se considera assim, odiado pelos de fora e até pelos próprios irmãos, ao melhor estilo de José, filho de Jacó, que anseiam e trabalham diuturnamente pela sua queda. Querem sua posição no coral, na equipe de louvor, na classe de EBD, no corpo de Obreiros, na direção do Círculo de Oração… Querem seu emprego, seu salário e sua posição empresarial ou profissional, querem seus dons e talentos e alguns mais afoitos querem até o seu casamento, seu marido ou sua esposa, os seus filhos obedientes, a harmonia de seu lar!
Infelizmente, somos ensinados e “treinados” a agirmos assim. Tanto as mensagens que são pregadas em nossos púlpitos como as músicas que infestam nosso cancioneiro gospel contribuem para que esta esquizofrenia se alastre entre nós. Interpretações equivocadas do AT levam muitos pregadores a julgar que somos rodeados uma grande nuvem de inimigos.
Os hits de nossa “Parada de Sucessos Gospel” contribuem também ― e muito!― para fomentar este mal. Grande parte dos “hinos” atuais falam que nossos inimigos estão constantemente tramando contra nós, mas serão destruídos, teremos vitória sobre eles, eles contemplarão de pé a nossa vitória etc. A canção “RESSUSCITA-ME” mostra que os nossos inimigos “estão tentando sepultar as nossas alegrias, e querem ver os nossos sonhos cancelados”. “SABOR DE MEL” segue o mesmo padrão, pois no dia de nossa vitória os nossos inimigos vão estar na plateia, enquanto nós estaremos no palco, devidamente honrados, e aqueles arrependidos.
Os crentes também são os maiores e mais fieis adeptos das teorias de conspiração que pululam nas redes sociais e sites, e que estão invadindo nossas igrejas e seus cada vez mais escassos e simplórios Cultos de Doutrina e EBD. Ao invés de aproveitarmos estes Cultos para ensinarmos as Escrituras e a sã doutrina, ensinamos as teorias loucas e as fábulas, tão combatidas no NT (1 Tm 1:4; 4:7; Tt 1:14; 2 Pe 1:16).
Existem os ímpios (e até crentes!) que usam até da feitiçaria em seu afã de nos destruir. Fazem “despachos” para nos matarem, para nos lançarem no leito, para que percamos o emprego, para que haja separação de meu casamento e coisas afins…
Mas ainda existe aqui aonde moro a famosa “macumba gospel”, chamada de “oração contrária”. Muitos crentes que eu conheço se dizem vítimas de irmãos-inimigos que, não suportando qualquer sinal de prosperidade em suas vidas, passam a orar contra eles, pedindo a Deus que não mais os abençoe, que seus negócios não prosperem etc. Sinceramente, não consigo imaginar um Deus cujo atributo eterno é a justiça ouvindo e atendendo qualquer tipo de oração que se enquadre nesta categoria! Se Deus me ouve somente nas petições que são da Sua vontade (1 Jo 5:14), para que temer qualquer oração que não se enquadre nesta condição?
E assim caminha a cristandade… Igrejas cheias de crentes que se recusam a conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 6:3), que desconhecem e descumprem as Escrituras, que se julgam perseguidos e rodeados de inimigos Uma epidemia de esquizofrenia digna de algumas considerações à luz da Escritura:
1. Nosso inimigo não é a carne e nem o sangue (Ef 6:12). Neste aspecto, reside a certeza de que os que nos rodeiam não são nossos inimigos, e mesmo os que assim se declaram não são os nossos verdadeiros inimigos. O diabo é o inimigo, e é a este inimigo em particular a quem devemos combater, e não aos inimigos de carne e sangue. Erramos, pois, primordialmente por não sabermos reconhecer quem é nosso verdadeiro inimigo, e cometemos tal erro primário porque nos recusamos a dar ouvidos às Escrituras!
2. Cremos em um Deus protetor. Ele, dentro da Sua soberana vontade, protege aqueles que são Seus filhos por adoção em Cristo. Desde o AT ele já fazia isto, tratando Israel sob proteção. Quando Balaque alugou os “serviços proféticos” de Balaão para amaldiçoar o povo de Deus, o próprio Senhor lhe respondeu pela boca do profeta mercenário: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?” (Nm 23:8). Logo, não há NADA que os nossos “inimigos” façam contra nós que venha nos fazer qualquer efeito maléfico, se não for a vontade do Senhor.
3. Em nenhum lugar do Novo Testamento somos orientados a viver este tipo de paranoia, medo, fobia, ojeriza de nossos inimigos. O Evangelho nos ensina a não resistirmos às provocações deles. Quem nos ferir a face, demos a outra. Quem quiser nossa túnica, cedamos a capa. Quem quiser nos obrigar a caminhar uma milha, caminhemos duas. E tudo isso voluntariamente (Mt 5:38-42)! Paulo, escrevendo aos romanos, prescreveu com detalhes: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:17-21).
4. Jesus deixou muito claro qual deve ser nossa relação com os que se posicionam abertamente como nossos inimigos: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céu…” (Mt 5:43-45). Nossa postura enquanto seguidores de Cristo não é desprezar, retaliar ou mesmo orar pedindo que eles sejam fulminados, julgados, desejar que eles assistam humilhados à nossa exaltação etc. Paulo reafirma esta mesma verdade quando ensina à igreja em Roma: “Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12:14).
Lamentavelmente, pregadores e suas “mensagens”, cantores e seus “hinos” têm-nos ensinado uma relação completamente antibíblica com os nossos inimigos. Eles estão fomentando em nosso meio não uma submissão ao que ensinam as Escrituras, mas um ensino mau e legalista de que devemos resistir aos nossos inimigos, odiá-los, orar pedindo a Deus justiça e juízo sobre eles. Somos chamados ao AMOR, e este amor não se resume aos nossos irmãos na fé, pois bem nos ensinou nosso Mestre: “se amardes os que vos amam, que galardão havereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:46-48). Se insistimos nõ ouvir a Jesus, mas seguir falsas pregações e dar ouvidos a hinos espúrios, não estamos contribuindo para nossa própria esquizofrenia?
Voltemos à Palavra! Observemos aonde caímos, e tornemos para o caminho (Ap 2:4-5)! Desprezemos os ensinos errados! Roguemos ao Senhor que nos cure desta esquizofrenia louca! Mesmo que tenhamos inimigos declarados, que a inimizade não parta de nós. Oremos por eles! Falemos bem deles! Abençoemos! Estevão, o primeiro mártir de nossa fé, mesmo sendo apedrejado orou por seus inimigos na hora de sua morte (At 7:60); suas últimas palavras foram A FAVOR de seus algozes. Na época da Igreja Primitiva parece que não existiam esquizofrênicos no seio da Igreja. Pelo menos Estêvão e os primeiros mártires sabiam se portar varonilmente, mesmo rodeados de inimigos. Perdoavam e abençoavam. Que suas vidas nos sirvam de exemplo, e nos estimule a mudar nossa conduta, antes que esta “esquizofrenia gospel” vire uma epidemia real, incurável e incontrolável