segunda-feira, 3 de março de 2014

POBRE HOMEM, VITORIOSO À VISTA DOS HOMENS, DERROTADO DIANTE DE DEUS!


Por Fabio Campos
Texto base: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”. (Pr. 16.32 NVI).
O que faz grandes homens naufragarem na fé? Quantos de nós vimos este tipo de situação? um guerreiro, o qual não só colocávamos a mão, mas o corpo inteiro no fogo em confiança na integridade e caráter daquele que se apresentava diante de nós. O que fez Davi cair com Bete-Seba? O que dizer de Salomão que até ídolos adorou? O que dizer de Sansão, um guerreiro de força incomparável, tornou-se um “cachorrinho” inofensivo acariciado por Dalila?
Nem tudo que vemos de fato é! A Escritura ilustra esta verdade dizendo que, “como joia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa” (Pr 11.22 RA). O homem que não controla o seu espírito nem sua paixão, nunca verá o “porco” [considerado impuro para os judeus], apenas a “formosura da mulher”. Quantos e quantos impérios foram destruídos por conta de um segundo de prazer! Seus olhos estavam na “formosura” e não na “impureza” do porco.
Quando vejo algum irmão (a) expondo seu dom naquilo que faz para o Senhor, de forma ostensiva, confesso que fico preocupado. Na qualidade de alguém virtuoso, ouve-se mais e fala-se menos (Tg 1.19). Pessoas que acabam de se converter e já querem ganhar o mundo. Pela impetuosidade não criam raízes; piores somos nós [velhos de casa] que fomentamos esta síndrome messiânica na vida destes. Muitos são os estragos, e como não têm raiz, também não frutifica. Crescem! Secam! E em pouco tempo, morrem! Paulo se preparou oito anos para iniciar seu ministério; Jesus, trinta! Hoje, jovens são ordenados a pastor sem nenhum preparo teológico e maturidade espiritual.
A Bíblia é clara, não podemos ser “precipitados a ordenar alguém a liderança” (1Tm 5.22), para que, ensoberbecendo-se, incorra na condenação do diabo (1 Tm 3.6). Antes de qualquer cargo eclesiástico, é preciso conhecer o Senhor (Jr 9.23.24). Muitos estão aí dizendo, “Senhor, Senhor”! Profetizando, expulsando demônios e fazendo muitos sinais e maravilhas. Contudo, Jesus “nunca os conheceu” (Mt 7.21-23). Não é que Ele já os conheceu um dia! Não! A Bíblia é clara: “Nunca vos conheci”.
O longânimo é sábio! Diferente do que é “estourado”. Este “exalta a loucura” (Pr 14.29). Melhor é o paciente do que o arrogante (Ec 7.8). A despeito de “longanimidade”, trata de alguém paciente, tardio em irar-se - sua sabedoria não o leva “precipitadamente” a ira. O resultado disto tudo é a paciência, que faz qualquer ser humano inteligente. Sensato se torna porque controla o seu gênio (Pr. 19.11).
O domínio próprio é a maior segurança de um homem: “Quem não sabe se controlar é tão sem defesa como uma cidade sem muralhas” (Pr 25.28 NTLH). Na nota de rodapé da Bíblia Shedd, “domínio próprio”, é “conservar o espírito dentro dos limites”. Por isso desconfio daqueles que são espalhafatosos ao expor sua fé e os seus “dons espirituais”. Não considero isso como ousadia, mas alguém que pode, assim como Pedro, falar a Cristo que nunca o negará, até que chegue a primeira luta e a pressão dos homens com suas ameaças.
É do agrado de Deus e a Ele de grande valia, “o homem de espírito manso e tranquilo” (1 Pe 3.4). As pessoas mais bonitas espiritualmente falando são as mais discretas. Elas têm discernimento! São sensatas, modestas -, sabem entrar e sair glorificando a Deus apenas com suas obras. Sua preocupação não é em “chamar a atenção para si”. Sua beleza não está no exterior onde o mundo percebe, mas sim no coração, o qual só Deus pode ver e revelar pelo Espírito aos de sua volta.
Não veja seu “ímpeto espalhafato” como virtude! Mas que antes sua palavra seja temperada com sal, agradável, para saber como responder a cada um (Cl 4.6). Não é você quem vai iniciar para depois afirmar; as pessoas é quem vão perguntar primeiro, pois enxergarão algo em você e encontrarão graça em suas palavras. Assim, então, tenha vitória diante de Deus, pelo domínio do seu espírito, antes de pensar nas vitorias diante dos homens, pela conquista de uma guerra. Ninguém vai impressionar a Deus com os seus dons e com os seus talentos. Encha-se do Espírito Santo! Só assim você poderá agradá-lo.
Portanto, antes de gloriar-se em ter ganhado 100 almas para Cristo – de ter profetizado aquilo que aconteceu – ou de ter expulsado demônios – e ter plantado muitas igrejas -, examine a si mesmo e veja se há os frutos do verso abaixo na sua espiritualidade. Se não houver, o que foi dito acima, mesmo tratando de virtudes, de nada valerá:
“Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. (...) ““... [somente] as pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza”. – Gálatas 5. 22-24 NTLH
Soli Deo Gloria!

Papo vazio!

         

Por Josemar Bessa

Amor ou Lei? Essa dicotomia é feita o tempo todo em nossa geração. Colocar o amor contra a lei como se fossem coisas mutuamente excludentes é um erro extremamente comum. Nós vivemos numa época de frases feitas, repetidas exaustivamente nas conversas pessoais, redes sociais... então você ouve: “Você quer ter uma religião de amor ou uma religião da lei?
Todo essa conversa, apesar de ser tão comum, é completamente anti-bíblica. O amor, por exemplo, é uma ordem da lei: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” - Deuteronômio 6:5 – “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” - Levítico 19:18 – “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” - Mateus 22:36-40
Quando falamos sobre o dever de amar (como a Bíblia define o amor e não a cultura), estamos expressando a lei. Então, como é óbvio, se você incute em sua mente que a lei não importa, o amor deve ser jogado fora, pois ele (sua verdadeira expressão) é o resumo da lei.
Jesus, ao contrário do que é feito tão comumente em seu nome, jamais diz algo parecido com – “você quer ter uma religião de amor ou uma religião da lei?” – Para Cristo não existe de forma nenhuma nenhum amor por ele além de mantê-la: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” João 14:21 – “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” - João 14:15
Tudo isso é ligado, por Cristo, inexoravelmente a comunhão verdadeira que o homem tem com Ele e com o Pai – observar os seus mandamentos – quando O obedecemos, guardamos seus mandamentos, evidenciamos que o amamos. Quando o amamos fica evidente o amor do Pai por nós, e todos a quem o Pai ama, Cristo ama e se revela a eles: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” - João 14:21 - É impossível definir “permanecer no amor de Jesus” – como algo separado ou além de guardar os mandamentos claros que dele fluem – “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” - João 15:10 – Não há possibilidades, segundo Cristo, de alegria verdadeira, plenitude de alegria fora da busca por santidade: “Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.” - João 15:11
A lei é uma expressão do que Ele é, uma expressão do seu caráter – é o plano de Deus para o seu povo santificado desfrutar de comunhão com Ele.
Os Salmos estão cheios de declarações de amor e deleite profundo aos mandamentos de Deus – são expressões naturais do coração regenerado – “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” – “Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.” - Salmos 19:10
Jamais tememos amar, meditar e repousar sobre a lei, jamais como um meio demerecer a justificação ou ser justificado, mas como expressão inexorável deter sido justificado pela graça que há em Cristo e ter recebido por graça uma nova natureza. Por isso o apóstolo da Graça diz: “...vamos continuar no pecado para que a graça abunde" Romanos 6:1 – “Deus me livre!” – Diz Paulo: “De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?” Romanos 6:2 - Poderia ser mais claro?

A GRAÇA DE DEUS



A graça comumente é conhecida como o favor imerecido de Deus ao homem pecador.

A teologia divide a graça em comum e especial. A graça comum é aquela que é comunicada a todos os homens, dando-lhes bênçãos sem medida. É por meio dela que Deus controla o mundo para que este não sucumba. A graça especial é soteriológica, pois é por ela que o homem é salvo. É a comunicação da salvação de Deus ao pecador.

A reforma protestante do século XVI afirmou que é tudo pela graça. O termo “sola gratia” define isso, pois, tudo que o homem possui, e, em especial, a salvação, é pela graça somente.

A graça de Deus é muito difundida, mas pouco compreendida. Neste sentido, precisamos compreender o que é a graça de Deus para que a difundamos com discernimento e verdade.

I – A GRAÇA É UM ATRIBUTO DO SER DE DEUS.

E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá”. I Pe 5. 10

Deus tem em seu ser toda graça. É pleno de graça e favor. A graça é um atributo do ser de Deus. Isto quer dizer que Deus é gracioso em essência e ação. Ele a revela como qualidade de sua essência.

A graça é eterna como Deus é eterno. Paulo escrevendo ao jovem Timóteo diz que: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos;”. Tm 1. 9. A graça já existia Nele, na eternidade, antes de ser exercida aos homens. Ou seja, Deus é graça em si mesmo, mesmo se não a tivesse comunicado na criação de todas as coisas. A graça não depende de sua comunicação para ser graça, ela é simplesmente graça porque faz parte dos atributos perfeitos de Deus.

Por outro lado, Deus é gracioso ao comunicar sua graça aos homens. Paulo escrevendo aos efésios diz:“Para mostrar nos século vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela benignidade para conosco em Cristo Jesus”. Ef 2.7. Apesar de Deus ser satisfeito em si mesmo pela essência graciosa que há Nele, Paulo mostra que Deus é gracioso na demonstração e comunicação de sua graça aos homens em Jesus Cristo. Aqui fica evidente que Deus comunicou o seu atributo aos homens.

Este atributo nos dá uma visão verdadeira de quem é Deus e, nos mostra, que não faz nada que não seja fruto de Sua infinita graça. Mesmo o exercício de sua justiça e ira são cheios de graça

II – A GRAÇA MANIFESTADA EM JESUS CRISTO.

“E o verbo se fez carne, e habitou entre vós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Jo 1.14

O Verbo eterno de Deus se encarnou e revelou plena e perfeitamente a graça de Deus. Um dos propósitos do Evangelho de João era combater a heresia conhecida gnosticismo, que afirmava que a matéria era má, e Deus, neste aspecto, não poderia tocar a matéria, não poderia de maneira alguma ter criado o mundo, e muito menos se tornado prisioneiro em um corpo. Para os gnósticos, quem criou o mundo foi uma das emanações de Deus, e não o próprio Deus. Neste sentido, João escreve que o divino Filho de Deus, que também era Deus, encarnou-se e habitou entre os homens, e quem O viu, contemplou a Sua glória como a do unigênito do Pai cheio de graça e de verdade.

Daí ser Jesus a encarnação, manifestação e personificação plena da graça divina.

Jesus é a plenitude da graça divina. João. 1.16 “E todos nós recebemos da sua plenitude, e graça por graça”. A palavra usada para plenitude é “pleroma”, que quer dizer, neste contexto, a soma de tudo o que se encontra em Deus. Em Cristo estava manifestada e encarnada toda a graça divina. João, também, diz que recebemos desta plenitude graça por graça, graça sobre graça, graça em lugar de graça. A graça manifestada por Cristo é dinâmica, quem a recebe sempre estará mergulhado em graça, saindo de uma graça para outra graça.

2 Co 8.9 “Conhecereis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rica, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos”. 

Jesus é manifestação da graça divina. “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. Tito 2.11. A graça divina se manifestou, apareceu de modo súbito e surpreendente em Jesus Cristo. A graça se manifestou, e é uma pessoa, e seu nome é Jesus. Esta Graça manifestada trouxe salvação a todos os homens. Aqui há uma epifania da graça de Deus.

III – A GRAÇA APLICADA PELO ESPÍRITO SANTO.

A Graça é aplicada ao homem pelo Espírito Santo. Um dos principais pontos da teologia reformada ou calvinista é a graça irresistível. É a afirmação de que Deus por meio do Espírito Santo age no coração do pecador, tornando-o inclinado a não mais resistir à graça de Deus.

A graça é irresistível para aqueles que o Espírito Santo regenerou. A graça é irresistível para aqueles que foram vivificados por Deus. A graça é irresistível porque é operada pelo Espírito Santo, regenerando o rebelde, e fazendo-o não mais resistente ao amor gracioso de Deus.

Por outro lado, a graça é totalmente resistível. Os pecadores que não foram iluminados pelo Espírito Santo, a resistem em todo o tempo. Os pecadores que ainda não foram vivificados estão impermeáveis às ações da graça de Deus. Os pecadores que não foram transplantados por Deus, que não trocaram o coração de pedra pelo de carne, ainda estão endurecidos à graça de Deus.

A melhor forma de entender a graça aplicada pelo Espírito Santo é discernindo a sua eficácia. A graça é irresistível porque é eficaz. Ela cumpre o propósito soberano de Deus na salvação do pecador. Ela é implantada eficazmente no coração do que outrora era resistente à vida de Deus.

Para melhor entendermos a ação e aplicação irresistível da graça de Deus é necessário apreciar alguns textos das Escrituras.

Em Atos 7.51 lemos: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais”. Este texto corrobora com a graça irresistível, dizendo que o homem em todo o tempo resiste à graça Deus. Quem resiste à graça, são homens que ainda estão com os corações incircuncisos, endurecidos pelo pecado, homens que ainda não receberam a “circuncisão da graça”, que não receberam um novo coração de carne, que pode receber os mandamentos da vida. Homens que ainda não foram regenerados pelo Espírito Santo.

Em 2 Coríntios 4.4-6 lemos: “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo”. Este texto, também, afirma a graça irresistível, porque mostra que os olhos dos incrédulos foram cegados pelo diabo, e estão impedidos de receber a luz do Evangelho de Cristo. Isto acontece até que Deus, em sua soberania diga: “Haja luz”, e os que estavam em trevas são iluminados e são resplandecidos em seus corações pela luz da graça, que os traz ao conhecimento da glória de Deus.

Em João 1.12-13 lemos: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Todos aqueles que o receberam e creram em seu nome, não nasceram de sua vontade, mas foram regenerados pelo Espírito.

Em João 6.44 lemos: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. Não há possibilidade de alguém que está resistindo à graça de Deus ir até Jesus, se o Pai, pela vocação interna do Espírito santo, não o trouxer. Este trabalho de trazer o pecador a Deus é feito pela graça irresistível. O termo “trouxer”, no texto grego, é “trazer à força”, para uma melhor compreensão do significado da passagem, é preciso ter em mente alguns pescadores puxando com força a rede cheia de peixes para dentro do barco. Mesmo que os peixes continuem resistindo, não havia a mínima possibilidade de saírem da rede. São trazidos à força. Isto quer dizer que a “força” da graça irresistível de Deus vence a nossa irrestibilidade.

A Graça tem o seu nascedouro em Deus, a sua revelação em Jesus Cristo e a sua aplicação pelo Espírito Santo. Assim, com esta compreensão, devemos difundi-la ao mundo

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os 5 fofoqueiros que você encontrará

Por Tim Charllies 
A fofoca é um problema sério. É um problema em casa, no trabalho, na igreja local e no evangelicalismo em geral. É um problema na blogosfera, nas mídias sociais e em muitos outros lugares. Em seu livro Resisting Gossip [Resistindo à fofoca], Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau” e mostra que quando o livro de Provérbios usa a palavra “fofoca”, ele o faz na forma substantiva, não na verbal. Em outras palavras, a Bíblia se preocupa menos com as palavras que são ditas e mais com o coração e a boca que geraram tal destruição. Palavras importam, mas elas são simplesmente o que transborda do coração. Como sempre, o coração é o coração da questão.

Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau”.

A seguir, há uma galeria de fofoqueiros retirada do livro de Mitchell, cinco diferentes fofoqueiros que você encontrará em sua vida.

FOFOQUEIRO #1: O ESPIÃO

O primeiro tipo de fofoqueiro, e eu sei que você já deu de cara com essa pessoa antes, é O Espião. Salomão o descreve em Provérbios 11.13: “Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo.” O Espião é um informante, uma pessoa que acumula segredos para que ele possa usá-los para sua vantagem pessoal. É aquela pessoa que está sempre escutando os rumores e que parece sempre saber sobre a vida de todo mundo. Seus ouvidos estão sempre atentos. A principal motivação do Espião é o poder. Pode ser a emoção de saber algo antes de todo mundo, ou pode ser o poder que ele conquista quando ameaça outros de revelar seus segredos. Ele usa a informação para se elevar e para destruir outros.

FOFOQUEIRO #2: O RESMUNGÃO

O segundo fofoqueiro é O Resmungão e nós podemos encontrá-lo em Provérbios 16.28: “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” O Resmungão reclama e critica. Ele critica outras pessoas e reclama delas pelas costas. Ele espalha todos os seus segredos, descreve exatamente como ele se sente sobre eles e, então, se justifica ao dizer: “Eu apenas precisava desabafar um pouquinho.” Porque ele é infeliz, e porque a infelicidade ama companhia, ele atrai outras pessoas às suas reclamações. Sua motivação é, geralmente, ciúme ou inveja. Ele quer o que a outra pessoa tem e resmunga porque não tem aquilo.

FOFOQUEIRO #3: O FALSO

Todos conhecemos O Falso, não é mesmo? O Falso é um reclamão, mas ele é mais do que isso. Ele também é bravo e malicioso e procura destruir os outros. Ele pode falar completas mentiras para deixar alguém para baixo, ou ele pode se envolver em uma campanha de difamação. Ele procura por alguma coisa, qualquer coisa, tudo que há de errado nos seus inimigos e faz questão de que todos saibam sobre essas coisas; se ele não consegue descobri-las, ele as inventa. O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida. Essa ofensa, ou o que ele pensa ser ofensa, o levou à amargura, a qual se enraizou e motivou este desejo de vingança. Hoje, muitas dessas pessoas abrem web sites e fazem seu trabalho da forma mais barulhenta e pública possível.

O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida.

FOFOQUEIRO #4: O CAMALEÃO

O Camaleão é a pessoa que usa a fofoca para se encaixar no grupo do trabalho, da escola, da igreja ou, até mesmo, da família. Ele é desesperado para se misturar e ser aceito. Já que todos fofocam, ele fofoca também, assim ele pode entrar na conversa. Já que o respeito vem através do compartilhamento de fatos quentes sobre os outros, ele os descobre e, então, compartilha tal informação. Sua motivação é o temor – o temor do homem. Ele teme o que os outros pensarão dele, e, especialmente, tem medo de ser excluído do grupo. Provérbios 29.25 o descreve bem: “Quem teme o homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro.”

FOFOQUEIRO #5: O INTROMETIDO

O último tipo de fofoqueiro é O Intrometido. O Intrometido é a pessoa que é ociosa, e sua ociosidade leva à intromissão e à fofoca. Provérbios 26.17 lhe diz: “Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia.” Nós vemos O Intrometido nas duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses e nós vemos A Intrometida na primeira carta a Timóteo.

O Intrometido ama a excitação que vem da fofoca e adora viver vicariamente através das histórias de outras pessoas. O Intrometido adora estar online, onde ele pode vasculhar sites de fofocas de celebridades em nome da diversão e sites de fofocas de celebridades cristãs em nome do discernimento.

Muitos de nós já conhecemos essas pessoas. Muitos de nós já fomos essas pessoas.Cada um de nós precisa desesperadamente do perdão de Deus e de Sua graça santificadora.

Fonte: Reforma 21

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ATOS – A CONTINUAÇÃO DA OBRA DE CRISTO



Por Pr. Silas Figueira
Texto basa: At 1.1-5
INTRODUÇÃO
O livro de Atos foi escrito por Lucas, o médico amado e companheiro do apóstolo Paulo (Cl 4.14), a um homem chamado Teófilo. Não podemos dizer ao certo quem era esse Teófilo, senão que parece ter sido um cidadão romano de alta posição, tanto que no Evangelho de Lucas ele é chamado de excelentíssimo (Lc 1.3). Outros pensam que este Teófilo era um cidadão grego; seu nome significa Amigo de Deus. 
Este livro é a continuação do evangelho de Lucas. O evangelho Lucas registra o que o Senhor Jesus começou a fazer e ensinar, já aqui em Atos ele registra que a vida de Jesus e seus ensinamentos continuam, só que agora, através dos seus discípulos. 
Podemos dizer que no Evangelho de Lucas o Senhor exerceu o Seu ministério de forma pessoal e pública, já em Atos o Seu ministério foi continuado através do Espírito Santo na vida dos seus discípulos, ou seja, através da Igreja. Embora Jesus esteja agora na glória, à mão direita do trono do Pai, Ele ainda realiza sua obra no mundo presente. 
O livro de Atos começa de onde o Evangelho de Lucas terminou, com a ressurreição do Nosso Senhor e a ordem para que os seus discípulos permanecessem na cidade de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49). 
O livro de Atos nos fala do nascimento da Igreja em Jerusalém e de sua expansão até aos confins da terra. No entanto este Evangelho pregado não foi por pessoas eruditas e de grande influência na sociedade, mas por homens e mulheres simples (At 4.13). Eles não tinham nada que os recomendasse, não tinham grandes nomes, graduação, dinheiro, meios de comunicação e de propaganda. Não tinham absolutamente nada. E, contudo, o que sabemos é que esse punhado de pessoas iletradas e ignorantes “alvoroçou o mundo” como nos fala Atos 17.6. Em menos de dois séculos o cristianismo tornou-se a força mais poderosa dentro do grande Império Romano. 
O que podemos aprender nesses primeiros versículos de Atos? Vejamos:
1 – Em primeiro lugar, a pessoa de Jesus era a mensagem central que eles pregavam (At 1.1,2).
A pessoa do Senhor Jesus era o tema da mensagem que a Igreja Primitiva pregava. Assim como era o tema do Evangelho de Lucas. Podemos dizer que o Cristianismo não é um ensino. É uma Pessoa. E, infelizmente, é isso que tragicamente tem sido esquecido na época atual em muitas igrejas. 
O conhecimento da pessoa do Senhor Jesus é fator único que a Igreja tem que ter. Muitos conhecem a sua doutrina, mas não O conhecem, ou, muitos pregam uma falsa doutrina por também desconhecê-Lo. 
A igreja tem a finalidade de pregar, em primeiro lugar, sobre a Pessoa do Senhor Jesus e depois sobre os seus ensinamentos. As duas coisas devem sempre andar juntas. 
Observe o que Lucas nos fala no verso 1: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”. A palavra COMEÇOU é enfática. Lucas está dizendo a Teófilo que tudo que ele escreveu no Evangelho não é nada mais que o começo, mas que estava tendo continuidade através da Igreja. 
Em seu Evangelho Lucas nos diz quem era Jesus. 

Lucas nos apresenta Jesus como o Deus encarnado - No capítulo 1.26-38 nos fala que o anjo Gabriel vai até a cidade da Galiléia, chamada Nazaré falar com Maria. Ele lhe disse que desceria sobre ela o Espírito Santo e ela ficaria grávida, pelo que também o Filho nela gerado seria chamado de Filho de Deus. 
Lucas nos mostra através do seu evangelho que Jesus não nasceu como as demais pessoas. Veio da eternidade para o tempo; veio do céu para a terra. Isso é Cristianismo.
Lucas também nos apresenta como Jesus viveu e o que ensinou – Em seu evangelho, Lucas escreveu o que Jesus começou a fazer e a ensinar. Lucas fala dos seus ensinamentos e dos seus milagres. Tudo isso está nos Evangelhos. Ele ensinou sobre si mesmo. Disse Ele: “Antes que Abraão existisse eu sou” (Jo 8.58). Ele se denominou “Filho do homem” que era um título messiânico. Falava com autoridade e não como os escribas (Mt 7.29). Ele operava sinais e maravilhas entre o povo. 
Lucas também fala de como Jesus foi morto e depois de três dias ressuscitou – Jesus foi preso, julgado, condenado e morto na cruz, mas ao terceiro dia ressuscitou. 
Lucas escrevendo a Teófilo lhe diz que aquilo tudo que Jesus começou a realizar estava tendo continuidade através da Igreja e que ele era prova cabal disso. Lucas mostra através do livro de Atos que o Cristianismo não é uma ideia filosófica ou política. Lucas mostra que o Cristianismo por ele apresentado é real, pois está firmado na pessoa de Jesus Cristo. 
O fato de o Evangelho de Lucas ter tratado do que Jesus “começou a fazer e a ensinar” mostra-nos duas coisas. Primeira: A Igreja teve seu começo no Evangelho. O Evangelho de Lucas encerra-se com um grupo convicto de crentes. Eles já não eram um grupo facilmente disperso de discípulos, mas um corpo comissionado, unido, devoto, esperando ser revestido com poder do alto (Lc 24.46-56). Em outras palavras, eles já eram a Igreja.
Segunda: a obra de Deus não terminou com a ascensão de Cristo. Como já foi observado, o livro de Atos mostra o que Jesus continuou a fazer e ensinar pelo Espírito Santo através da Igreja. 
2 – Em segundo lugar, as provas da ressurreição de Jesus (At 1.3)
Não adoramos o Cristo morto que esteve vivo, mas o Cristo vivo que esteve morto (Ap 1.18), e que por quarenta dias se apresentou várias vezes a muitas pessoas. Há pelo menos dez aparições de Jesus narradas nos evangelhos e em 1 Coríntios:
1 – A Maria (Mc 16.9-11; Jo 20.14-28)
2 – Às mulheres (Mt 28.9,10)
3 – Aos dois discípulos no caminho de Emaús (Mc 16.12,13; Lc 24.13-22)
4 – A Pedro (Lc 24.34)
5 – Aos dez discípulos (Lc 16.14; Lc 24.36,43; Jo 20.19-23)
6 – Aos discípulos e Tomé com eles (Jo 20.26-29)
7 – A sete discípulos no mar da Galileia (Jo 21.1-24)
8 – Aos doze discípulos na montanha da Galileia (Mt 28.16-20; Mc 16.15-18)
9 – A Tiago (1Co 15.7)
10 – A Paulo (At 15.8)
Lucas dá ênfase à ressurreição. Não haveria nenhuma Igreja Cristã se não houvesse ressurreição. Outros grandes líderes se levantaram, no entanto morreram e estão sepultados até hoje. Mas Jesus nasceu, morreu, mas ressuscitou e está vivo pelos séculos dos séculos (Ap 1.18). Esta era a mensagem da Igreja e esta deve ser a nossa mensagem hoje também. 
Quantos hoje em nossas igrejas vivem um evangelho do Cristo morto. Pois, a partir do momento que uma pessoa vive sem dar nenhum testemunho em sua vida de que o Senhor vive nele, nota-se que o Cristo que essa pessoa serve continua morto, pois quem diz que serve ao Senhor que vive pelos séculos dos séculos testemunha em sua vida dessa nova vida. Pois nos diz o apóstolo Paulo em Gl 5.19,20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. 
Agora, quem serve a um Cristo morto não vive na plenitude do Espírito como nos fala Gl 5.22-25. 
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. 
Porém quem serve a um Cristo morto vive na prática do pecado descrita em Gl 5.19-21:
Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.
Você serve a um Cristo morto ou a um Cristo vivo?
3 – Em terceiro lugar, que eles não ficariam órfãos (At 1.4,5)
Jesus mais uma vez reafirmou a promessa do Pai de que eles não ficariam órfãos, mas que eles iram receber o Espírito Santo. 
Lucas faz uma transição da ressurreição de Cristo para a promessa do Espírito. A descida do Espírito estava condicionada a subida de Cristo (Jo 7.39). 
Observamos duas coisas interessantes aqui:
Primeiro, o Pai prometeu o Espírito Santo e a igreja deveria esperá-lo - At 1.4 (Jl 2.28-32; Jo 14.16; Gl 3.14; Ef 1.13). Jesus reafirmou esta promessa várias vezes: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14.26). “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim” (Jo 15.26). “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16.7).
Essa espera deveria ser com obediência irrestrita. Eles não poderiam se ausentar de Jerusalém. O lugar do fracasso haveria de ser o território da vitória. O mesmo lugar onde Cristo foi humilhado, ali deveria ser também ser exaltado. O palco do padecimento deveria ser também o cenário do derramamento do Espírito. Eles deveriam esperar até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49). dez dias depois essa promessa se cumpriu.

Segundo, o Batismo com o Espírito Santo (At 1.5). O Senhor está dando ênfase aqui ao que iria acontecer em Atos 2, ou seja, a vinda do Espírito Santo sendo derramado sobre as 120 pessoas que estavam ali reunidas no cenáculo. Essas 120 pessoas representavam a Igreja de Cristo, apesar de tão poucos ali reunidos. O Batismo no Espírito Santo como defendem os pentecostais não é a ênfase aqui nesse texto e nem em Atos 2. 
O Batismo no Espírito Santo ocorre no momento da conversão, já o revestimento de poder que leva a pessoa a profetizar, falar novas línguas, ter o dom de cura, assim como nos fala Paulo em 1Co 12-14 é outra coisa. 
Em 1Co 12.13 Paulo nos fala assim: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. No momento da conversão, independentemente de classe social, raça, o crente passa ser morada do Espírito. E através do Espírito em nós somos capazes de testemunhar com autoridade a respeito de Cristo. 
Não querendo me prolongar nesse assunto, mas vejo que são necessárias algumas explicações a mais. A ênfase do revestimento com o Espírito Santo, na visão pentecostal começou a pouco mais de cem anos para cá. Na época dos pais da Igreja e até mesmo no período da Reforma Protestante tal assunto não era o ponto central da teologia reformada. O ponto central da Reforma Protestante era As Cinco Solas:
1 - Soli Deo Gloria (Glória somente a Deus)
A igreja romana ensinava e exigia uma devoção ao clero e aos homens santos que poderiam interferir diante de Deus para perdão de pecados e obtenção de bênçãos para os homens.
Quando se estava na presença do papa e dos cardeais a reverência deveria ser tamanha, beirando as raias de adoração, onde se demonstraria uma total submissão a estes.
Fundamentado nas Escrituras Ef 2. 1-10; Jo 4.24; Sl 90.2; Tg 1.17 e tantos outros textos, os Reformadores concluem que somente a Deus devemos dar glória.
Não podemos dispensar glórias a homens, pois não passam de míseros pecadores e são como trapos imundos e carecem da misericórdia e da gloria de Deus.
2 - Sola Fide (Somente a Fé)
O homem só pode ser salvo mediante a fé (a exclusividade da ação pela fé), sua alma só poderá ser liberta das chamas do inferno e das garras de Satanás mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
Não são penitências, sacrifícios ou compra de indulgências, que livrarão o homem da condenação eterna, mas a salvação é através da fé (Ef 2.8).
Após meditar no texto que diz: "O justo viverá da fé", Martinho Lutero percebeu que a justiça de Deus nessa passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus, pela fé como dádiva.
3 - Sola Gratia (Somente a Graça)
A única causa eficiente da salvação é a graça de Deus. Ninguém pode ser salvo por mérito próprio, por obras, sacrifícios penitências ou compra de indulgências. A única causa eficaz da salvação é a graça de Deus sobre o pecador, (Ef 2.8). Pela graça somos salvos mediante a fé, e isso não vem do homem é dom de Deus.
Nenhuma obra por mais justa e santa que possa parecer poderá dar ao homem livre acesso a salvação e ao reino dos céus, ocorrerá isso somente pela graça de Deus.
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se gloria". Ef 2.8 e 9
4 - Sola Christus (Somente Cristo)
Esse "somente" mostra a suficiência e exclusividade de Cristo no processo de salvação. Desde a eternidade Deus promove a aliança da redenção, onde o beneficiário seria o homem e o executor dessa aliança seria seu Filho unigênito "Jesus Cristo, o Messias prometido", portanto somente Cristo é o instrumento de nossa salvação.
O homem nada poderá fazer para sua salvação, pois Jesus Cristo realizou a obra da redenção ao ser sacrificado na cruz do calvário, vertendo o seu sangue como sacrifício por nossos pecados.
"E não há salvação em nenhum outro: porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dentre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" At 4.12.
5 - Sola Scriptura (Somente as Escrituras)
Somente as Escrituras são regra de fé e prática para o crente. As tradições as bulas e os escritos papais mão têm, não podem ser ou mesmo servirem de instrumento de fé e prática para o rebanho de Cristo, somente as Escrituras Sagradas. Elas foram escritas por homens inspirados por Deus, são instrumentos de revelação da vontade de Deus para nossa vida. Ao lê-la somos iluminados pelo Espírito Santo para entendê-la.
Martinho Lutero escreve: "Então, achei-me recém-nascido e no paraíso, toda as Escrituras tinham para mim outro aspecto, perscrutava-as para ver tudo quanto ensinam sobre a justiça de Deus"
Podemos ler em 2Tm 3. 16-17: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra".
No entanto, homens cheios do Espírito Santo deram a vida testemunhando de Cristo. Para sermos uma testemunha fiel de Jesus não há necessidade desse revestimento de poder, mas para testemunharmos dEle com todo poder é necessário ser convertido, ou seja, Batizado com o Espírito Santo que vem sobre nós no momento da conversão.
CONCLUSÃO
Lucas escreveu o seu primeiro tratado e deu continuidade ao que o Senhor continua fazendo, agora através da Igreja. Somos suas testemunhas e devemos como tais continuar a obra por Ele iniciada através dos seus primeiros discípulos.
Pense Nisso!

Posso chamar Deus de “você”?

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Por Maurício Zágari

Posso chamar Deus de “você”? Sei que essa parece ser uma pergunta boba e sem muita importância para nossa vida espiritual, mas tanta gente começou a chegar a mim com essa dúvida nos últimos tempos que resolvi dar uma certa atenção a ela. Confesso que eu mesmo nunca tinha gasto muito tempo pensando sobre isso e fiquei curioso: será que chamar o Senhor de “você” é desrespeitoso? Será que apenas o “tu” configura honra ao Altíssimo? Para chegar a um veredicto, precisei fazer uma pesquisa sobre as origens dos termos e sobre o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto. É o que apresento neste texto e você poderá tirar suas próprias conclusões.

É importante frisar que só decidi investir um certo tempo nessa investigação porque percebi que, de fato, o problema tem implicações práticas. O que ocorre, em geral, é que, se uma pessoa que considera desrespeitoso chamar Deus de “você” ouve um pregador se dirigir ao Todo-poderoso por essa forma de tratamento, um detalhe como esse pode prejudicar a receptividade à mensagem pregada. A preleção pode ter sido totalmente bíblica, mas o fato de o pregador ter se dirigido a Cristo como “você” fez o irmão (ou a irmã) sair do culto chateado. O mesmo ocorre no caso de um louvor, pois, se você não concorda que é digno dirigir-se a Jesus como “você”, ao ouvir um hino em que ocorra essa forma de tratamento vai se desligar do céu e fechar a cara. Acredite: não são poucas as pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis ao ouvir alguém chamar Deus de “você”, pois consideram que o “tu” sim é um tratamento digno para um rei, uma forma mais respeitosa e reverente de se dirigir à divindade.

Quero deixar bem claro que respeito totalmente quem desqualifica o “você” no tratamento de Deus. Mas permita-me apresentar minhas conclusões.

Para começar, fui investigar por que razão o uso do “tu” está tão associado na nossa mente com a forma correta de tratar Deus. E descobri que o motivo não tem absolutamente nada de bíblico. É uma razão meramente cultural. Acompanhe o raciocínio:

Tudo começa em Portugal. Lá, as pessoas se tratam, essencialmente, por “tu” – há muitos séculos. No dia a dia, é extremamente raro você ver um português se dirigir a outro por “você”. Simplesmente não faz parte da cultura lusitana, ao contrário do que ocorre no Brasil. Hoje, se você viajar a Portugal, verá que as pessoas na rua sempre vão se dirigir a você como “tu”, o que poderá ser um tratamento extremamente informal. Com isso em mente, lembre-se de quem foi o primeiro tradutor da Bíblia para a nossa língua: João Ferreira de Almeida (1628-1691). Ocorre que ele era não um brasileiro, mas, sim, um português. É de se considerar que ele escolhesse na tradução das Escrituras o termo mais utilizado no país em que nasceu e cresceu.

Portanto, Almeida não usou o “tu” por qualquer razão bíblica, mas simplesmente porque fazia parte do seu jeito de falar, da cultura em que estava inserido, do jeito que era usual na sociedade onde vivia.

Com o passar do tempo, as traduções Almeida Revista e Corrigida (ARC) e Almeida Revista e Atualizada (ARA) – as mais adotadas no Brasil até a chegada da Nova Versão Internacional (NVI) e que até hoje são extremamente utilizadas nas igrejas – mantiveram o “tu”, uma herança das origens portuguesas da tradução da Bíblia para nosso idioma e do jeito de falar do tradutor português de 400 anos atrás.

Logo, em sua raiz, o “tu” não representa necessariamente nenhuma formalidade, tampouco respeito. Era simplesmente o jeito de falar do português comum da época de Almeida.

Entendido isso, vamos analisar quais são as origens do termo “você”. Para nós, brasileiros do século 21, essa é uma forma de tratamento que transmite uma certa informalidade. Isso, junto ao fato de que nas traduções da Bíblia para o português Jesus sempre foi tratado por “tu” (pela razão que expliquei acima), acabou criando muita antipatia ao uso do “você” para se dirigir a Deus. Como estamos viciados em ler na Bíblia o Pai e o Filho serem tratados por “tu”, parece uma coisa estranha, fora de lugar, nos dirigirmos à divindade por “você”. Afinal, nunca vimos isso em Bíblia nenhuma (em português, ressalve-se). Mas precisamos entender o que significa, de fato, “você”, pois ela não é uma palavra que brotou do nada.

“Você” é um encurtamento de “vossa mercê”, um modo extremamente formal de tratamento, usado desde os tempos remotos em Portugal. “Mercê” significa “graça”, “misericórdia”. Com o tempo, as pessoas passaram a encurtar esse respeitoso modo de tratar, que se transformou em “vossemecê”, depois “vosmecê”, virou “vancê” e, por fim, “você”. Portanto, “você” significa “vossa graça”. E que significado mais lindo haveria numa forma de tratamento a Deus do que em algo que ressalta sua graça, sua misericórdia; aquilo que fez Jesus subir à cruz por cada um de nós? Graça, a maravilhosa graça!

E veja que interessante: em sua origem, o “vossa mercê” (“você”) era utilizado somente para se dirigir a gente a quem se devia tratar com muito respeito, enquanto o “tu” era usado em ocasiões informais. Atente para esta explicação: “mercê era o elevado tratamento dado na terceira pessoa aos reis de Portugal [...] No século 15, quando os soberanos portugueses adotaram o chamamento de alteza (vossa alteza, e sua alteza) foi o título de mercê começado a ser dado às principais figuras do Reino, nas principais casas fora da Família Real, generalizando-se a dado passo como forma de tratamento adotada pelos fidalgos entre si. Este processo é lento e gradual, mantendo-se alternativamente o tratamento antigo por vós em certos setores mais elevados da sociedade portuguesa, paralelamente ao de vossa mercê. O tu já então era reservado apenas às classes burguesas, e populares, utilizado na nobreza apenas quando existisse grande grau de intimidade, geralmente intimidade familiar, e de superiores para inferiores (pais para filhos, avós para netos, fidalgos para criados e populares). Os inferiores em dignidade (sobrinhos para tios, criados para patrões etc.) respondiam ao tu com que eram tratados na terceira pessoa, ou por vós, ou pelo tratamento correspondente à dignidade reconhecida à pessoa mais importante durante o diálogo”.

O resumo da ópera é que, em sua origem e por definição, o “você” era o tratamento dado a reis, nobres, fidalgos e gente merecedora do mais alto respeito e formalidade. Já o “tu” era um termo que fazia parte da linguagem do povão, usado com gente “inferior em dignidade”. Justamente o contrário do que os opositores a chamar Deus de “tu” compreendem ser o correto e digno, não é curioso? E isso ocorre porque, no Brasil, o “vossa mercê” começou a perder o status de linguagem usada para se referir às pessoas mais importantes quando, no século 16, os reis e nobres europeus passaram a solicitar ser chamados de “vossa excelência”, o que permanece até hoje entre nossas autoridades (você já deve ter visto na televisão deputados, por exemplo, se dirigirem a outros deputados utilizando esse tratamento). Com isso, o “vossa mercê” (ou “você”) passou a ter um uso mais amplo.

Constatamos, então, que o problema todo é uma mera questão de tradução. Almeida escolheu usar o “tu” porque essa era a palavra que fazia parte de seu dia a dia e sem nenhuma relação com reverência ou respeito.

Tendo visto isso, agora precisamos buscar respostas na exegese bíblica, isto é, na análise dos originais das Escrituras. Será que os textos originais fariam algum tipo de diferenciação nesse sentido? Vejamos:

Um exemplo seria a ocasião em que Pedro responde a Jesus quando o Mestre lhe pergunta três vezes se ele o ama (Jo 21.15-18). A resposta de Pedro é:“Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. O vocábulo original das Escrituras traduzido aqui por “tu” é su, que, no grego, refere-se à segunda pessoa do singular. Mas veja que revelador: Jesus, ao conversar com Pedro, usa exatamente a mesma palavra, su, para se dirigir a ele, como em “Respondeu Jesus: ‘Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa? Siga-me você‘” (Jo 21.22-23). Embora a tradução da NVI use “tu” quando Pedro se dirige a Jesus e “você” quando Jesus se refere a Pedro, nas línguas originais não há nenhuma diferença na forma de tratamento: é exatamente a mesma palavra, sem distinção.

Vamos pegar outros exemplos:

Na ocasião do batismo de Jesus, ele chega até João Batista, que lhe diz: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3.14). A palavra original que foi traduzida aqui por “tu” é, novamente, su. Quando Jesus está diante de Pilatos, o governador romano lhe pergunta: “Então, você é rei!” (Jo 18.37). Adivinha que termo no original em grego foi traduzido por “você”? Exato: o mesmo su. E sabe o que Jesus responde? “Tu dizes que sou rei” (Jo 18.37). A palavra original? Su de novo.

O que percebemos, então, é que o tempo todo Jesus era tratado por su e tratava os outros por su (evidentemente estou me referindo ao grego em que foi escrito o Novo Testamento e não ao aramaico que Jesus e seus discípulos usavam para conversar entre si ou ao latim que Pilatos falava).

Você poderia argumentar que Jesus estava sendo tratado assim porque ele não era visto como divino pelas pessoas, naquele momento e, por isso, não seria considerado digno de um tratamento mais elevado. Bem, esse argumento desmorona quando vemos a forma como o próprio Cristo se dirige ao Pai. Quando o Mestre está no Getsêmani, antes de sua prisão, ele ora e diz ao Todo-poderoso: “Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mc 14.36). Basta olharmos nos originais e veremos que a forma de tratamento permanece a mesma: su. E o Pai é tratado dessa forma ainda em outras passagens, como João 17.21, e não só por Jesus. Vemos, por exemplo, em Atos 4.24, Pedro e João conduzirem uma oração ao Pai, em que dizem “Ó Soberano, tu fizeste os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há!”. Por que pronome eles o tratam? Su.

A que conclusão podemos chegar? Constatamos que, na língua original em que foi escrito o Novo Testamento, o mesmo pronome de tratamento era utilizado quando Jesus se dirigia a um ser humano, quando um ser humano se dirigia a Jesus, quando Jesus se dirigia ao Pai ou quando um ser humano se dirigia ao Pai. Não havia distinção em nenhuma situação.

Logo, será que há algum mal em eu usar o mesmo pronome para me dirigir a um ser humano, ao Pai, ao Filho ou ao Espírito Santo? Bem… se na língua original do Novo Testamento não havia, por que haveria hoje?

Meu irmão, minha irmã, não chamamos Deus de “tu” por nenhuma razão bíblica, mas por pura herança cultural do vocábulo escolhido pelo português João Ferreira de Almeida quando ele passou o texto bíblico para o português 400 anos atrás. Se ele tivesse escolhido “você”, isso não representaria nenhum desrespeito. Muito pelo contrário, teria adotado o mesmo tratamento que era usado para se dirigir a reis, fidalgos e autoridades.

Por tudo isso, fica aqui minha carinhosa recomendação: se você não se sente bem dirigindo-se a Deus por “você”, não se dirija. “Tu” é igualmente válido pois, segundo as línguas originais da Bíblia, não há absolutamente nenhuma diferença. Mas, por favor, não condene quem chama o Senhor de “você”, porque tem a mesma validade na tradução e, além disso, historicamente é uma palavra que se usava para se dirigir aos mais elevados representantes da sociedade. Tem um belíssimo e digníssimo significado. Não criemos discórdias entre nós por causa disso.

“Você” significa “vossa mercê”, que, por sua vez, significa “vossa graça”. Que privilégio é poder chamar o Abba, o nosso paizinho celestial, de “você” e saber que, ao nos dirigirmos a ele, estamos ressaltando, no que dizemos, essa característica tão magnífica e salvadora do amor divino: sua maravilhosa graça.

Por isso, eu oro: Deus, que tu, você, vossa mercê, vossa misericórdia, vossa graça… em tudo seja glorificado!

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Mauricio