sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Divisão nas igrejas afeta a vida dos membros e o ministério


Por Rafael Dantas
Processos de divisão em igrejas evangélicas deixam sequelas na congregação e na vida espiritual dos membros.
No início, o Evangelho espalhou-se graças à presença do próprio Senhor Jesus. Mais tarde, após sua morte e ressurreição, coube aos novos convertidos ao recém-criado cristianismo romper com suas tradições religiosas e sair pregando as boas-novas do Reino. Em pouco tempo, a nova cresceu e, como não poderia deixar de ser, surgiram as primeiras divergências entre seus seguidores. A lei de Moisés perdera a validade ou não? Os mortos voltariam à vida antes ou depois do retorno do Senhor? A circuncisão continuava obrigatória? Depois, vieram as diferenças teológicas – e mesmo gigantes da , como os apóstolos Paulo e Pedro, tiveram suas diferenças por causa de interpretações conflitantes acerca do Evangelho. Quando a Igreja ganhou formas institucionais e o clero se fortaleceu, as divisões passaram a ocorrer, principalmente, por questões internas e administrativas. A falta de consenso, seja por motivos espirituais ou simples disputa de poder, levou a cristandade a grandes rachas, como o ocorrido em 1054, entre cristãos do Ocidente e do Oriente, ou a Reforma Protestante do século 16.
A verdade é que, ao longo destes dois mil anos e pelos mais diversos motivos – ou desculpas –, igrejas cristãs seguem tendo dificuldades em manter a sua unidade, gerando novas divisões e afetando a vida e o ministério de seus fiéis. Na história recente das igrejas evangélicas brasileiras, grandes separações aconteceram, tanto nos grupos históricos – como a Igreja Batista, que viu surgir em seu meio um segmento avivado nos anos 1960 –, como nas igrejas pentecostais e neopentecostais. E as separações acontecem tanto em nível denominacional como dentro das próprias comunidades locais, em geral por mero desentendimento entre seus líderes e, muitas vezes, gerando igrejas vizinhas – e até rivais – de mesma . “A divisão é intrínseca à experiência da Igreja cristã: simplesmente, nunca houve um cristianismo indiviso”, aponta o professor Joanildo Burity, coordenador do mestrado sobre e globalização do Departamento de Teologia e Religião da Universidade de Durham, na Inglaterra.
As razões que desencadeiam essas cizânias, na opinião dos especialistas, incluem desde a vaidade pessoal dos líderes até insubordinação, dificuldades de se trabalhar em equipe e interesses pessoais nocivos. Há também os motivos espirituais – caso das divergências teológicas ou de vocações ministeriais legítimas, que são sufocadas por lideranças centralizadoras. “Dificilmente, a divisão é provocada por uma ovelha, mas quase sempre por um pastor ou líder”, argumenta o pastor Osvaldo Lopes dos Santos, presidente da União das igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB). A denominação, introduzida no Brasil no século 19 pelo missionário e médico escocês Robert Kalley, enfrentou uma grande cisão em 1967, por causa da adesão de alguns pastores ao avivamento espiritual.
Se, por um lado, as separações em igrejas contribuíram para a acelerada disseminação do cristianismo no mundo, devido à multiplicação do número de congregações, por outro geram verdadeiros traumas emocionais e de nos membros, geralmente os que mais sofrem com as divisões. “Toda ruptura, quer seja pessoal ou institucional, sempre causa algum tipo de trauma emocional, psicológico, social, e, no caso da igreja, um espiritual”, continua Osvaldo. “Trata-se de um divórcio eclesiástico, que afeta profundamente a história e a identidade de um povo, removendo as suas bases e criando um grande vazio existencial por um longo tempo.”
Os cismas que acontecem no meio das igrejas evangélicas são uma das inúmeras causas das transferências de membros entre igrejas. A flutuação é grande – hoje em dia, é comum se encontrar crentes que já foram ligados a diversas congregações. Caso de R.M., carioca de 50 anos que, a fim de evitar constrangimentos, pediu à reportagem para não ser identificado. “Converti-me na Assembleia de Deus”, conta. “Mas, três anos depois, o pastor rompeu com o Conselho e abriu sua própria igreja. Fui com ele e mais uns trinta irmãos”. O novo trabalho prosperou, mas aí foi a vez de o pastor ser vítima da divisão – um missionário da igreja, insatisfeito com sua liderança, saiu e levou consigo boa parte dos membros. R., decepcionado, por pouco não caiu na . “Não fui atrás nem de um, nem de outro. Achei absurdo que homens que se diziam de Deus ficassem brigando entre si.”, reclama. Hoje, o funcionário público congrega na Igreja Cristã Maranata. “Há muito de vaidade e interesses pessoais nesses rachas, e pouco do Evangelho”, opina.
CREDIBILIDADE COMPROMETIDA
“Os crentes que mais sofrem com processos de divisão são justamente os neófitos na , que ainda possuem uma visão romantizada da igreja”, aponta o pastor Altair Germano, coordenador pedagógico Faculdade Teológica da Assembleia de Deus em Abreu e Lima (Fateadal), em Pernambuco. “As pessoas ficam marcadas por essas rupturas”. No entender do educador, atitudes de divisão podem criar grandes males espirituais para os membros de uma igreja que se fragmenta – “Embora, em alguns casos, a divisão seja até necessária”, ressalva. Mesmo assim, pondera, levantar as questões de maneira pública não é o melhor caminho. “As demandas e questões que suscitam divisões denominacionais precisam ser tratadas pelos líderes com sabedoria, temor, respeito e amor cristão.”
Até mesmo falar sobre as experiências de divisão é difícil tanto para os líderes, como para os membros das igrejas que sofreram esse tipo de situação. O pastor Josivaldo Carlos, 42, da Igreja Batista Missionária, já foi membro de uma igreja tradicional na periferia de Olinda (PE) antes de iniciar o próprio ministério. Há dez anos, um processo de mudança radical, implantada por um pastor que chegou à congregação, afastou rapidamente os membros mais antigos. “Eles se sentiram excluídos pela nova liderança. A maior parte se espalhou pelas igrejas vizinhas, mas uns até abandonaram o Evangelho.”
Josivaldo lamenta que os estragos da divisão vão além das paredes da igreja – trazem descrédito não apenas para as instituições que passam pelo problema, mas para o Evangelho, como um todo. “Existem consequências muito grandes nesses momentos. Uma delas é o prejuízo ao caráter evangelístico da igreja”, comenta. “Os novos convertidos sofrem um abalo na muito grande. Eles esperam da igreja algo novo, querem satisfazer um vazio da alma. Quando se deparam com uma separação que cria um ambiente muito hostil, a decepção é grande. Afinal, no lugar onde tinham a expectativa de encontrar soluções, acabam encontrando mais problemas”, declara Josivaldo.
Para Rinaldo Silva, de 24 anos, do Recife, o que o motivou a deixar a igreja onde congregava foi o que chama de uma crise interna. Envolvido em vários trabalhos na igreja, ele foi levado a deixar o ministério onde se batizara e foi para outra congregação, na mesma localidade, com uma série de irmãos, por conta das mudanças promovidas por um novo pastor, que eram contrárias aos princípios da igreja. “Esses momentos criam períodos de fraqueza espiritual muito grande. Leva os membros a se fecharem; muitos não querem mais saber de igreja nem de participar do Corpo de Cristo. Com o tempo, a pessoa nem quer mais buscar a Deus”. Anos após, com o fim da crise, Rinaldo retornou a igreja de origem, onde congrega até hoje. O aposentado João Neto, 54 anos, também passou por um processo de divisão na sua antiga igreja. Desvios doutrinários instabilidade na congregação, que culminou numa divisão, seis meses depois. “A igreja tinha um perfil e uma história que foram desrespeitados. A unidade da congregação foi enfraquecida. Entre os mais antigos, é uma tristeza ver uma trajetória ser interrompida.
Outro grupo de fiéis que demora a superar o embate das divisões são aqueles crentes que possuem longas trajetórias em uma mesma igreja. “Geralmente, aqueles que têm uma caminhada histórica em sua denominação é que apresentam dificuldades maiores numa situação como esta. Aos poucos, aquela sensação de vazio vai se dissolvendo e um novo tempo se estabelece em nossas vidas, porque, afinal, Deus nunca desiste de nós e ele é poderoso para guardar o nosso depósito até o dia final.

Liberalismo e Teologia Relacional: O evangelho dos bebês chorões

 
Por Leonardo Gonçalves
Desculpa por destruir o seu patriotismo hipócrita que ressurge a cada quatro anos, mas há algo que nem a copa do mundo consegue disfarçar: O Brasil é o maior depósito de sucata teológica do mundo. Tudo o que não funciona nos países de primeiro mundo é trazido, adaptado e aplicado aqui na república dos bananas.

Uma das mais recentes porcarias importadas para o nosso país se chama Teologia Liberal. Mas, o que é essa tal de “Teologia Liberal”? Bem, trocando miúdos, podemos dizer que teologia liberal é um movimento teológico com raízes no século XVIII, que mescla doutrina bíblica com filosofia e ciências sociais, propondo uma exegese subjetiva e a relativização do texto sagrado.

Há algum tempo atrás, uns pirados começaram a sobrepor-se à autoridade das Escrituras. Um destes caras, chamado Rudolf Bultmann, disse que é impossível interpretar um texto sem pressuposições, então ele passou a interpretar a bíblia à luz das suas crenças pessoais. Como neste mundo heresia se propaga como mato (e o diabo também dá uma mãozinha neste processo), um monte de babões com vontade de aparecer acompanhou o Bultmann na sua loucura, e logo a coisa se espalhou.

Permita-me um parêntesis, pois quero te explicar o quanto a interpretação do senhor Bultmann e dos seus colegas liberais – tanto dos seus antecessores, como dos seus sucessores – é absurda:

Imagine que você um dia escreva um livro, contando uma história que você considera muito importante, e falando acerca das suas crenças. Digamos que eu receba o seu livro, contando a sua história, e comece a interpretá-lo à luz da minha vida, das minhas crenças e da minha história. O que você acharia disso? Já te imagino dizendo: “Ei, espera aí: Não foi isso que eu disse!”, ao que eu ia responder: “Não importa o que você disse, mas o que eu penso que você deveria dizer”. Seria uma loucura!

Feito este parêntesis, volto aos trilhos para dizer que nenhuma interpretação de texto pode ser mais burra e ao mesmo tempo mais arrogante que as ideias dos teólogos liberais. Ora, o seu texto não deve ser interpretado de acordo com as minhas crenças e minhas ideias, e sim de acordo com as crenças e ideias do autor. E não foi no seminário que aprendi isso, mas nas aulas de língua portuguesa e literatura do ensino fundamental. Gente, isso é óbvio demais!

Porém, apareceram no cenário teológico brasileiro uns caras pirados que querem interpretar a bíblia a luz das suas crenças, e que negam (ou na melhor das hipóteses, reinterpretam) o sentido do pecado, da salvação, da vida eterna em Cristo, e alguns chegam a negar a morte vicária (morte pelos pecados) de Jesus, bem como o seu nascimento virginal.

Alguns destes caras, com seus corações dominados por pressupostos mundanos, praticam uma exegese afeminada e começam a chamar Deus de mãe! Segundo eles, a paternidade de Deus é o reflexo de um principio machista que predomina nas culturas antigas, mas agora, os suprassumos da intelectualidade pós moderna, pastores fracassados que abdicaram da teologia bíblica em virtude de seus pecados e que agora ficam posando de filósofos existencialistas quando na verdade sequer conhecem a obra de Sartre ou Kiekgaard, bagunçam ainda mais o coreto evangélico nacional, pregando uma teologia do Deus “maricas”.

Sinceramente, creio que alguns pastores ao invés da “Água Branca”, andam tomando água turva nas fontes seculares do paganismo pós-moderno, e na tentativa de ser relevantes, acabam pagando de palhaços aos olhos de quem tem o mínimo de conhecimento teológico-filosófico e um pouquinho de discernimento. Outro, ao invés de dirigir os pecadores à Casa de Misericórdia (pois este é o significado da palavra “Betesda”), ensina as pessoas a confiarem num Deus fracassado e trapalhão que há muito tempo atrás perdeu as rédeas do Cosmos e agora deposita toda a sua fé em gente miserável e pecadora como nós. Sim, já não é o homem que tem que depositar sua fé em Deus, mas Deus é que tem que acreditar no homem.

Percebeu o grau da loucura destes pastores?

Seus sermões trazem um pouco de tudo, porque eles são bem ecléticos em suas crenças. De um modo inexplicável, estes dois pastores conseguem reunir o que há de pior em cada sistema teológico, bater tudo no liquidificador, acrescentando ao final uma colher de Open Theism, e assim fazem a sua omelete epistemológica.

Mas esta omelete liberal e neoarminiana tem dado indigestão em muita gente, e penso que é tempo de focar nossa munição em denunciar estes bebês chorões, quase sempre deprimidos em seus artigos, que reclamam de tudo, pregam contra a injustiça social e a disparidade dos povos, mas retiram dos crentes o que eles tem de mais precioso: “A crença em um Deus soberano e criador, o qual tem todas as coisas sob controle, que intervém diretamente na história, fazendo com que todas as coisas cooperem para o bem dos que lhe amam, e dos que por seu divino decreto foram chamados”.

Como eram as pessoas salvas antes de Cristo?



Por J. Warner Wallace

Fé somente em Cristo somente

Como Cristãos, acreditamos que somos salvos pela graça de Deus, através da fé no Salvador (Jesus Cristo); é fé somente, em Cristo somente. A salvação, então, é dependente de algo que Deus tem feito para nós ao invés de algo que nós fazemos para nós mesmos. Sabemos que as nossas boas obras simplesmente não nos podem salvar, e também reconhecemos que Jesus fez tudo necessário por nós; Ele morreu na cruz para pagar o preço de nosso pecado. Da cosmovisão Cristã, Deus não existe somente, mas Ele tem algo para nos salvar e tudo que Ele requere é que nós coloquemos a nossa fé em Jesus para nossa salvação. Mas o que dizer de todas aquelas pessoas que viveram e morreram antes de Jesus nascer? Se a fé em Jesus for necessária, como eles poderiam ser salvos antes de seu aparecimento? Bem, aqueles que viveram antes de Jesus foram salvos exatamente da mesma forma que você e eu somos salvos; pela graça de Deus e através da fé deles no Salvador! Aqueles que viveram antes de Jesus entenderam o que é a graça e eles colocaram a fé deles no Redentor que está vindo…

Eles Entenderam a Graça

Esses crentes primitivos amavam a Deus e queriam viver com ele para sempre. Eles ouviam atentamente às palavras de Deus ao passo que estas eram reveladas pelos profetas e a escritura. Como resultado, eles entenderam a natureza da graça. Davi, por exemplo, escreveu sobre o perdão e a graça de Deus:

Salmos 32:1-5

Bem-Aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano. Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Selá. Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. Selá.

Davi estava completamente ciente da natureza do dom gratuito de Deus da salvação, e Paulo deixa isso claro para nós quando ele descreve o conhecimento que Davi tinha a este respeito:

Romanos 4:6-8

Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:

Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos.

Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Davi claramente entendeu que todos nós somos pecadores que devemos ser salvos pela Graça de nosso Deus (como Paulo diz, “sem as obras”). Davi não era o único crente da antiguidade que sabia que eles seriam salvos pela fé deles, mesmo que o Salvador ainda não havia chegado. O Novo Testamento nos diz que os nossos heróis da fé entenderam o papel que a fé desempenhou na salvação deles:

Hebreus 11:13

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

Esses crentes da antiguidade certamente sabiam que suas boas obras não poderia salvá-los; como Isaías, eles sabiam que a ‘bondade’ deles não era ‘bom o suficiente’:

Isaías 64:6

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.

Os crentes da antiguidade também sabiam que o padrão de Deus era impossivelmente alto. Eles sabiam que quando eram comparados a Deus, eles ficaram aquém do alvo e, como Davi, eles sabiam que até mesmo sacrifícios de animais não agradaria um Deus Santo:

Salmo 40:6

Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.

Eles Esperavam um Messias

Os crentes da antiguidade sabiam que as próprias obras deles eram repetidamente insuficientes aos olhos de um Deus Santo. Com o conhecimento limitado de Deus que lhes foram dados naquela época, eles entenderam que Deus teria que fazer algo dramático para salvá-los. Os seguidores de Deus que viveram antes de Jesus colocavam a fé deles no Salvador que estava por vir e que foi descrito desde os primórdios dos tempos. Deus disse a Adão e Eva que um de seus descendentes eventualmente derrotaria Satanás…

Gênesis 3:15

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

Abraão entendeu que Deus providenciaria um sacrifício para o pecado, assim como ele entendeu que Deus providenciaria um sacrifício substitutivo para tomar o lugar de seu próprio filho quando Deus chamou Abraão para sacrificar Isaque:

Gênesis 22:28

E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.

Revendo, milhares de anos atrás, Paulo nos lembra de que a fé de Abraão salvou-o. Abraão levou Isaque ao ponto do sacrifício, completamente esperando que Deus, em Sua bondade, providenciaria um “cordeiro”:

Romanos 4:3

Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Embora Abraão não tenha nunca completamente entendido o papel que Jesus desempenharia algum dia, ou a forma exata em que Deus viria à terra para ser um sacrifício para todos aqueles em necessidade desesperada de um Salvador, ele sabia que Deus completaria tudo o que ele havia prometido e ele olharia adiante ao dia da vinda do Messias:

João 8:56

Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

Jó teve uma expectativa e esperança parecida por um Redentor. Ele sabia que Deus, de alguma maneira, salvá-lo-ia, mesmo se ele estivesse incerto sobre os detalhes exatos:

Jó 19:25-26

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus…

De uma forma semelhante, Moisés também esperava e acreditava na vinda do Messias, e ele antecipou a recompensa da Salvação:

Hebreus 11:26

Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

Moisés até escreveu uma escritura que apontava para a vinda do Senhor!

João 5:46

Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele.

E Moisés não estava solzinho. Sabemos que muitos dos profetas do Velho Testamento e homens sábios também falaram da vinda do Salvador. Enoque, por exemplo, falou sobre a segunda vinda do Messias:

Judas 14

E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos…

Embora Enoque não escrevesse sobre isto na escritura, é razoável assumir que ele também falou sobre a primeira vinda de Jesus e sua missão na terra! Crentes escutaram acerca do Messias de seus profetas que claramente descreveram onde Ele nasceria:

Miqueias 5:2

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Os profetas também descreveram como o Messias seria traído:

Zacarias 11:12

Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.

Os profetas também descreveram como o Messias morreria:

Isaías 53:5

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades  o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

E os profetas também descreveram o fato de que o Messias seria ressuscitado:

Salmos 16:10

Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.

Isaías 26:19

Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.

De fato, tanto foi escrito e predito sobre o Salvador, mesmo aqueles que precederam Jesus foram capazes de reconhecer a Sua chegada!

Atos 10:43

A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.

Os detalhes eram claros para aqueles que honestamente amavam a Deus suficientemente para examinar as escrituras. Por isso que Jesus esperava que alguém como Nicodemos entendesse a verdade do Evangelho até mesmo antes de Sua (Jesus) aparição:

João 3:10

Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

Uma Fé Suficiente Somente no Messias Somente

Os santos do Velho Testamento entendiam o papel e a importância da fé, e eles esperavam a vinda do Redentor e Messias que os salvaria. Eles realmente não deveriam nos surpreender, porque de acordo com a Bíblia, o sacrifício de Jesus na cruz foi planejado por Deus desde o começo do tempo.

Apocalipse 13:8

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

Aqueles que amaram a Deus e viveram antes que Jesus soubesse que os seus pecados seria expiados pelo sacrifício deste Salvador.

Isaías 53:6

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Romanos 3:25

Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

Assim como nós, estes crentes da antiguidade foram salvos pela graça somente, por meio do Salvador somente, mesmo se o entendimento deles acerca do Salvador não fosse tão completo como o nosso hoje. Alguns podem argumentar que a fé deles era incompleta; eles não entenderam a exata identidade do Messias, e eles não sabiam exatamente como Deus cumpriria o sacrifício necessário para salvá-los. Mas pense um pouco sobre isso. Quem dentre nós tem uma fé verdadeiramente ‘completa’? Se você for um Cristão, é você ‘completamente’ conhecedor em relação a tudo que possa ser conhecível sobre Deus, o Salvador deste e o plano de Salvação? Que nível de teólogo você deve ser para ser salvo? Deve a sua fé ser ‘completa’ ou há algum nível de ‘suficiência’ requerido? O quanto que você precisa ‘saber’ para ‘saber’ se você está salvo?

Você consegue responder todas as perguntas acerca da Trindade, por exemplo? Você entende completamente como é que Jesus pôde ser completamente humano e mesmo assim completamente Deus ao mesmo tempo? A sua falta de entendimento ‘pleno’ o desqualifica da Salvação? De cada um de nós é esperado fazer o máximo que podemos fazer com a informação que temos. Um dia, cada um de nós será responsabilizado pela informação que recebemos de Deus. Seremos perguntados: “O que você fez com o que eu revelei a você?” Assim como nós, os santos do Velho Testamento fizeram o máximo que podia com o que foi revelado a eles. Eles depositaram toda a sua fé em tudo o que Deus lhes havia dado. E essa fé em Deus e em Sua promessa de um Salvador futuro foi suficiente para eles serem incluídos na família de Deus.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Deus se Revela


Por Clóvis Gonçalves
“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” Rm 1:19-20
Introdução
Deus colocou a eternidade no coração do homem. A idéia de Deus é um fato inescapável a todos, mesmo aqueles que negam sua existência pensam em Deus para poderem negá-lo. Isto acontece porque é impossível ao homem fugir da revelação de Deus que, num certo sentido, é universal.
O que queremos dizer por revelação? É a comunicação por parte de Deus aos homens de fatos que de outra forma ele não poderia conhecer. Revelar é retirar o véu para mostrar algo que estava encoberto, oculto. Quando se trata de fatos a respeito de Deus e de suas obras, revelação é a comunicação que Deus faz de si mesmo, da criação, de seu governo providencial e do destino dos seres morais (homens e anjos), coisas que o homem não pode descobrir apenas com a razão.
É comum a confusão entre revelação, inspiração e iluminação, por estarem relacionadas entre si. Contudo, em seus sentidos teológicos devemos manter a distinção entre elas. Já definimos revelação, como a comunicação divina de uma verdade. A inspiração é a operação sobrenatural pela qual Deus controla os homens no processo de registrar a revelação recebida. Por exemplo, quando Deus avisou José por sonho que Herodes queria matar o menino Jesus foi uma revelação, quando Lucas registrou o fato em seu Evangelho o fez por inspiração. Iluminação, por sua vez, é a operação do Espírito Santo sobre os que lêem a Palavra de Deus, ajudando-os na compreensão. Mais poderia ser dito sobre as relações entre revelação, inspiração e iluminação, mas para os propósitos deste artigo é o bastante.
Soberania de Deus na revelação
Precisamos reconhecer que a revelação é um ato livre de Deus. Se quisesse, Deus poderia deixar a humanidade às cegas acerca de sua existência, de seu poder e de suas obras. Eles jamais poderiam alcançar, por si mesmos, um conhecimento verdadeiro a respeito dEle. Mas aprouve a Deus mostrar-se às suas criaturas.
Ao escolher revelar-se, contudo, Deus não abriu mão de sua soberania e não dá a todos o mesmo tipo e grau de conhecimento acerta dEle. Jesus disse “graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11:25-26). Embora afirmemos que ninguém há no mundo que não tenha algum tipo de revelação de Deus, não podemos afirmar que Ele se revela pelos mesmos meios e de igual forma a todos.
Além disso, ainda que a revelação seja suficiente para nossa vida na terra e morada no céu, não é exaustiva, mas limitada por Deus. “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre” (Dt 29:29). Até mesmo esta limitação que Deus impõe em sua revelação denota sua bondade para conosco, pois não poderíamos suportar tanto conhecimento: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16:12). Creio que nem em toda eternidade conheceremos Deus completamente, posto que é infinito.
Revelação geral e especial
A revelação que Deus dá a todos os homens sem excessão é chamada de revelação comum ou geral. Esta é a revelação de Deus através da natureza (Criação) e da História (Providência), por exemplo.
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor” (Sl 19:1-6). É a mesma revelação referida por Paulo quando escreveu que “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1:19).
Em que pese o fato dessa revelação ser universal, ela é insuficiente para a salvação. Nada diz a respeito da morte de Jesus em nosso favor ou da justificação pela graça mediante a fé. Contudo, ela é suficiente para tornar os homens indesculpáveis perante Deus, como diz o texto: “tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1:20).
Para que o homem seja “sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15) é necessário uma revelação que vá além da revelação natural, chamada de especial. Esta revelação nos foi dada na pessoa de Jesus Cristo e encontra-se registrada na Bíblia Sagrada.
“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1:1-3).
Jesus é a revelação tão perfeita de Deus que podia dizer “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14:9). E esta revelação de Jesus Cristo encontra-se registrada na Bíblia Sagrada, por isso o Senhor disse “examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39). Tudo o que precisamos saber para nossa vida na terra e para nos preparar para a vida no céu, encontra-se registrada na Escritura que “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16-17).
Nossa atitude diante da revelação
A primeira atitude diante da revelação de Deus é aceitá-la. Paulo afirma que “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1:18). Porém, como a revelação de Deus na Escritura revela a nossa impiedade e perversão, nossa reação natural é suprimir essa verdade. Daí a necessidade da graça de Deus, pois “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Sob a operação da graça de Deus chegamos à fé e mediante esta somos justificados.
Tendo recebido a revelação como vinda de Deus, devemos ser gratos a Deus por se mostrar a nós. Lembremos que Jesus referiu-se à revelação de Deus com expressão de gratidão, dizendo “graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11:25). Com nos era totalmente impossível descobrir Deus sem que se revelasse a nós, devemos agradecer sempre por tê-lo feito. Do contrário, passaríamos a vida inteira tateando no escuro.
Finalmente, devemos adorar a Deus. O grande erro denunciado em Romanos é que os homens “tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1:21). Contemplar a glória de Deus revelada na natureza e nas Escrituras sempre deve nos levar a adoração. Paulo exulta dizendo “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36)
Conclusão
Como acabamos de ver todo homem recebe porção do conhecimento de Deus, suficiente para torná-lo inescusável. No juízo final, os homens serão julgados pelas suas obras, de acordo com a luz que receberam. Ninguém poderá alegar que foi injustiçado ou alegar desconhecer as bases de seu julgamento, pois a sua consciência será testemunha contra si. Entretanto, vimos também que a revelação de Deus como salvador veio através de Jesus Cristo, de quem a Bíblia é testemunha. Crendo nEle você não apenas escapa do juízo, mas é levado com segurança ao céu, podendo contemplar Aquele de quem temos apenas réstias de Sua glória. Leia a Bíblia, creia em Cristo e viva!

A nova fé: quem precisa dela?



A pequeníssima epístola de Judas nunca foi tão atual e profética (com o perdão dessa expressão desgastada). O versículo 3 encoraja a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (RC). A expressão “fé que uma vez foi dada aos santos” faz pensar nas novidades teológicas no ambiente cristão (ainda que com cem, duzentos anos ou mais).
A fé dada há dois mil anos já era suficiente para realizar o seu papel e levar-nos a cumprir a carreira proposta. Pensar que essa fé dada uma vez pudesse ou devesse atingir um estágio de evolução ou alcançar posteriormente alguma revelação, por mais privilegiada que fosse, é uma certeza estranha ao Evangelho. A fé dada uma vez aos santos era, por si, pronta e acabada, usando um termo pobre para explicar tamanha riqueza.
Ninguém precisa de uma “nova fé”, porque Cristo não está promovendo ou delegando uma fé nova ou diferente da que entregou aos santos há dois mil anos. Alguém está cansado do Evangelho como ele é, é caso admissível. Há irmãos que vivem de novidade em novidade e precisam de estímulo extra para “fazer funcionar” algum mecanismo ou fazer girar alguma roda, mesmo que da fortuna. Mas não há novidade: a fé foi dada uma vez aos santos. Ponto final.
É inconcebível uma nova revelação que já não tenha ocorrido entre os apóstolos, como é impensável alguma nova associação da fé com um ramo da ciência no intuito de fazer a fé ganhar novo vigor, assumir significado renovado e fazer sentido no contexto pós-moderno. Nada disso existe. É preciso muita fé para crer que o homem de hoje – justo hoje! – está redescobrindo um novo jeito de construir sua espiritualidade ou estabelecer diálogo com “outros saberes”. Nada disso é necessário. A fé é um caso à parte, independente. Ou você crê ou não crê. Mas remodelar a fé ou o seu significado etimológico para que ela desça ao nosso nível é perversão e por isso, no mesmo versículo, Judas diz que queria escrever sobre a “salvação comum”, mas mudou o texto para “encorajar-nos a batalhar pela fé”.
Preservar a fé é crucial para manter a salvação sobre a qual ele queria escrever. E ele usa todo o texto da epístola demonstrando quais são as ameaças à fé: falsos irmãos que se desviaram mas permanecem nas reuniões (v. 4); os incrédulos que estão fora da Igreja (v. 5); os pervertidos (v. 10); os egoístas individualistas que são insubmissos (v. 12); os murmuradores (v.16); os escarnecedores (v. 18); os maliciosos (v. 19).
As novidades que têm sido introduzidas na Igreja nos últimos tempos faz da pequena carta de um dos irmãos de sangue de Jesus um verdadeiro “jornal do dia”. Leia-a, é curta, apenas 25 versículos da mais clara e saudável revelação. Eu creio na Bíblia como Palavra de Deus e sei que ela está ensinando a verdade para todo aquele que crê que a fé foi dada um vez aos santos… e não precisou de amuleto para andar nem de plástica para parecer nova.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A nova fé: quem precisa dela?



A pequeníssima epístola de Judas nunca foi tão atual e profética (com o perdão dessa expressão desgastada). O versículo 3 encoraja a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (RC). A expressão “fé que uma vez foi dada aos santos” faz pensar nas novidades teológicas no ambiente cristão (ainda que com cem, duzentos anos ou mais).
A fé dada há dois mil anos já era suficiente para realizar o seu papel e levar-nos a cumprir a carreira proposta. Pensar que essa fé dada uma vez pudesse ou devesse atingir um estágio de evolução ou alcançar posteriormente alguma revelação, por mais privilegiada que fosse, é uma certeza estranha ao Evangelho. A fé dada uma vez aos santos era, por si, pronta e acabada, usando um termo pobre para explicar tamanha riqueza.
Ninguém precisa de uma “nova fé”, porque Cristo não está promovendo ou delegando uma fé nova ou diferente da que entregou aos santos há dois mil anos. Alguém está cansado do Evangelho como ele é, é caso admissível. Há irmãos que vivem de novidade em novidade e precisam de estímulo extra para “fazer funcionar” algum mecanismo ou fazer girar alguma roda, mesmo que da fortuna. Mas não há novidade: a fé foi dada uma vez aos santos. Ponto final.
É inconcebível uma nova revelação que já não tenha ocorrido entre os apóstolos, como é impensável alguma nova associação da fé com um ramo da ciência no intuito de fazer a fé ganhar novo vigor, assumir significado renovado e fazer sentido no contexto pós-moderno. Nada disso existe. É preciso muita fé para crer que o homem de hoje – justo hoje! – está redescobrindo um novo jeito de construir sua espiritualidade ou estabelecer diálogo com “outros saberes”. Nada disso é necessário. A fé é um caso à parte, independente. Ou você crê ou não crê. Mas remodelar a fé ou o seu significado etimológico para que ela desça ao nosso nível é perversão e por isso, no mesmo versículo, Judas diz que queria escrever sobre a “salvação comum”, mas mudou o texto para “encorajar-nos a batalhar pela fé”.
Preservar a fé é crucial para manter a salvação sobre a qual ele queria escrever. E ele usa todo o texto da epístola demonstrando quais são as ameaças à fé: falsos irmãos que se desviaram mas permanecem nas reuniões (v. 4); os incrédulos que estão fora da Igreja (v. 5); os pervertidos (v. 10); os egoístas individualistas que são insubmissos (v. 12); os murmuradores (v.16); os escarnecedores (v. 18); os maliciosos (v. 19).
As novidades que têm sido introduzidas na Igreja nos últimos tempos faz da pequena carta de um dos irmãos de sangue de Jesus um verdadeiro “jornal do dia”. Leia-a, é curta, apenas 25 versículos da mais clara e saudável revelação. Eu creio na Bíblia como Palavra de Deus e sei que ela está ensinando a verdade para todo aquele que crê que a fé foi dada um vez aos santos… e não precisou de amuleto para andar nem de plástica para parecer nova.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A Igreja é o reflexo do seu pastor



Por Pr. Silas Figueira 

A Igreja é o reflexo do seu pastor e, se o pastor se espelha nas Escrituras Sagradas, a igreja que ele pastoreia irá refletir esta mesma imagem. Mas o que temos visto por aí nesses últimos anos é uma total descrença no ministério pastoral, pois muitos não estão refletindo a imagem de Cristo. Foi feita uma pesquisa a respeito das três classes que estão mais desacreditadas e a conclusão que se chegou foi: os políticos, a polícia e os pastores. Isso tem ocorrido porque os pastores estão deixando de ser aquilo que pregam. Muitos estão mais envolvidos com as coisas dessa terra do que com o seu chamado. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: “Meus filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer país do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de ser embaixadores do Reis dos reis e do Senhor dos senhores”.

A crise que tem atingido a sociedade tem respingado na Igreja, e o pior, tem chegado até o púlpito. Embora estejamos vivenciando um crescimento numérico na Igreja Brasileira, não temos visto a transformação da nossa sociedade. Tudo isso é um reflexo de que a Igreja não tem tido uma mensagem transformadora, mas uma mensagem moldadora. Uma mensagem que faz bem aos ouvidos, mas que não transforma o coração. E tudo isso, infelizmente, vem do púlpito. Outros por medo de perderem o seu lugar na igreja local se tornam boca do povo para Deus e não boca de Deus para o povo, ou seja, pregam o que o povo quer ouvir e não o que eles precisam ouvir.

Pastores que agem assim são, geralmente, pastores com muita “unção”, mas sem nenhum caráter. É bom lembrar que o caráter sustenta a unção e não vive versa. Há uma crise pastoral e ela precisa ser sanada muito rapidamente, para que a próxima geração não esteja totalmente perdida. Estamos vivendo uma crise ministerial isso é um fato. E isso começa com a teologia que muitos seguem. Muitos estão abraçando várias teologias, menos a bíblica. Vejamos o que tem atuado em muitas igrejas hoje:

O Evangelho da Prosperidade – onde a benção e a graça de Deus sobre a pessoa é medida pelos bens que ela possui. Teologia esta que está na maioria dos púlpitos das igrejas pentecostais e neopentecostais. Descobri recentemente um detalhe interessante nesta teologia, que Cristo morreu na Cruz do Calvário para que eu tivesse muita saúde, carro zero, casa na praia e ser muito rico, ou seja, Jesus não passa de um gênio da lâmpada.

Teologia Inclusiva – A Teologia Inclusiva, como a própria denominação sugere, é um ramo da teologia tradicional voltado para a inclusão, prioritariamente, dos homossexuais. Segundo os seus adeptos, a Teologia Inclusiva contempla uma lacuna deixada pelas estruturas religiosas tradicionais do Cristianismo, pois, por meio da Bíblia, compreende que todos os que compõem a diversidade humana, seja ela qual for, têm livre acesso a Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. É o famoso venha como está e fique como está.

Alguns textos que condenam o homossexualismo: Gn 19; Lv 18.22, 20.13; Rm 1.24-28,32; 1Co 6.9,10; 1Tm 1.8-10. Mas Deus é poderoso para mudar a vida dessas pessoas.

Teísmo Aberto ou Teologia Relacional – O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas. Deus não é soberano. Deus ignora o futuro, pois Ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

Igrejas Emergentes – As igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno. É “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta”. Teologia passa longe dessas igrejas.

Missão Integral – Esse evangelho não passa de uma variante protestante da Teologia da Libertação. Os que defendem essa teologia são líderes cristãos que continuam trancados no armário do socialismo.1

Teologia Liberal (Liberalismo Teológico) – A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus”. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de “teólogo liberal”. Um pequeno exemplo nós encontramos em relação à existência de Jó. Para os liberais ele não passa de uma alegoria, mas então eu me questiono porque que em Ez 14.14, 20; Tg 5.11 falam dele como se ele fosse um personagem real. Então eu fico com a Bíblia e não com os defensores dessa teologia. Bem disse Jesus “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).

O que temos visto hoje em dia, são muitos pastores confusos teologicamente em seus ministérios. O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala que a igreja evangélica brasileira vive um fenômeno estranho. Estamos crescendo explosivamente, mas ao mesmo tempo estamos perdendo vergonhosamente a identidade de evangélicos. O que na verdade está crescendo em nosso país não é o evangelho, mas outro evangelho, um evangelho híbrido, sincrético e místico. Vemos prosperar nessa terra uma igreja que se diz evangélica, mas que não tem evangelho. Prega sobre prosperidade, e não sobre salvação. Fala de tesouros na terra, e não de tesouros no céu.

Nessa babel de novidades no mercado da fé, o Ver. Hernandes Dias Lopes identifica alguns tipos de pastores2:

Primeiro, há pastores que são mentores de novidades. São pastores marqueteiros. Quando um pastor entra por esse caminho, precisa ter muita criatividade, pois uma novidade é atraente por algum tempo, mas logo perde seu impacto. Aí é preciso inventar outra novidade. É como chiclete. No começo você mastiga, ele é doce, mas depois você começa a mastigar borracha.

Segundo, há pastores que são massa de manobra. São pastores sem rebanho que estão a serviço de causas particulares de obreiros fraudulentos.

Terceiro, há pastores que deliberadamente abandonaram a sã doutrina. Muitos pastores inexperientes, discipulados por esses mestres do engano, abandonam o caminho da verdade e se capitulam à heresia. É importante afirmar que o liberalismo é um veneno mortífero. Aonde ele chega, mata a igreja. Há muitas igrejas mortas na Europa, na América do Norte e, agora, há igrejas que estão flertando com esse instrumento de morte também no Brasil. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha edificado uma igreja saudável. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha sido instrumento de Deus para um grande reavivamento espiritual.

Quando, uma igreja chega ao ponto de abandonar sua confiança na inerrância e suficiência das Escrituras, seu destino é caminhar rapidamente para a destruição.

A teologia define o caráter e à medida que o pastor se afasta da teologia bíblica, automaticamente ele irá se afastar de Deus e seguir outra direção. Mudar a mensagem para agradar aos ouvintes é mercadejar a Palavra de Deus. Os bancos não podem controlar o púlpito. O pastor não pode ser seduzido pelas leis do mercado, mas deve ser um fiel despenseiro de Deus (1Co 4.1,2). O dever do pregador não é encher o auditório, mas encher o púlpito. Querendo as pessoas ou não ouvir a verdade, não temos que fazer marketing religioso e de falar apenas o que elas querem ouvir. A crise moral e espiritual está por demais enraizadas para ser solucionada com remendos superficiais. Por isso precisamos urgentemente reavaliar a nossa teologia, a nossa fé e o nosso ministério para não cairmos também no descrédito assim como muitos tem caído.

A Maldição do Homem Moderno


 

Por  A.W. Tozer


Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje — a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.


Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir — nem sentirá — a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.

Temos nos tornado uma sociedade “profana” — completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar — coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.

Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno — ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”

Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar minhas chances”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances — quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias — os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.

Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).

Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.

Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.

Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”

Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”