terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Predestinação de Todas as Coisas



Por John Gill

Sobre a doutrina da predestinação, pode ser considerada igualmente, em geral, relativa a TODAS AS COISAS que foram, são e que haverão de ser, ou feitas no mundo; todas as coisas acontecem sob a determinação e desígnio de Deus; “Ele fez”, como a assembléia de ministros diz em sua confissão, “de toda a eternidade, imutavelmente ordenou tudo quanto vem a suceder”; ou, como eles expressam em seu catecismo, “os decretos de Deus são sábios, livres e santos atos do conselho de Sua vontade”; como, de toda a eternidade, Ele tem, pela Sua própria glória, imutavelmente pré-ordenado tudo o que vem a acontecer ao longo dos tempos: e esta predestinação e pré-desígnio de todas as coisas, podem ser deduzidos do pré-conhecimento de Deus. “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.” (do grego aion, “desde a eternidade”) Atos 15:18. Elas são conhecidas por Ele como futuras, como haverão de ser, os quais vieram a ser assim pela Sua determinação em relação a elas. A razão porque Ele sabe como elas haverão de ser, é por causa que Ele determinou como elas deveriam de ser: da providência divina e Seu domínio sobre o mundo, que é “segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11). Ele fez todas as coisas de acordo com o que ou como determinou em Sua mente. A predestinação neste sentido não é outra coisa senão a eterna providência, no qual a atual é a sua execução.

Negar isto é negar a providência de Deus e Seu domínio sobre o mundo, o que deístas e ateístas fazem; pensar e falar menos que isto é desprezar a Deus, como Ele não tendo toda a sabedoria e conhecimento e soberania sobre o mundo. Uma vez mais, a verdadeira maravilha, profecia ou predição das coisas que estão por vir, não poderia ser sem uma predestinação delas; dos quais há muitos exemplos nas Escrituras; como o tempo de permanência dos israelitas no Egito exatamente 430 anos como fora profetizado, e sua saída daquele lugar; os setenta anos de cativeiro deles em Babilônia como foi predito e seu retorno ao fim deste tempo; o exato tempo da vinda do Messias como foi profetizado; e muitos outros mais, e alguns em sua maior parte aparentemente casuais e inesperados; como o nascimento de pessoas pelo nome uma centena ou várias centenas de anos antes deles nascerem, como Josias e Ciro; e de um homem carregando um cântaro de água em tal tempo para tal lugar (1 Reis 13:2) como poderiam essas coisas serem anunciadas com exatidão, senão por determinação e desígnio?
Nada vem a suceder da parte de Deus por casualidade, nada é feito sem Seu conhecimento, nem sem a Sua vontade e nada sem a Sua determinação. Todas as coisas, mesmo as mais diminutas em relação as Suas criaturas e o que é feito neste mundo em todos os períodos e eras é pelo Seu desígnio. Como prova vejamos as seguintes Escrituras:

Eclesiastes 3:1-2: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;”

Jó 14:5: “Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles”.

Daniel 4:35: “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?”
Efésios 1:11: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;”

Atos 17:26: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;”

Mateus 10:29-30: “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”

Predestinação pode ser considerada como especial em relação a pessoas em particular e para coisas espirituais e eternas; ao passo que predestinação em geral diz respeito a todas as criaturas e coisas, mesmo sendo temporais e públicas.

Primeiro, o próprio Senhor Jesus Cristo é o objeto da predestinação; Ele foi preordenado para ser o mediador entre Deus e o homem; para ser propiciação pelo pecado; para ser o Redentor e Salvador de Seu povo; para ser o cabeça da Igreja, Rei dos santos e Juiz da Terra: por isso Ele foi chamado, eleito de Deus e Sua escolha foi única; e tudo o que aconteceu por Ele ou foi feito por Ele, foi pelo determinado conselho e pré-conhecimento de Deus; mesmo todas as coisas relativas aos Seus sofrimentos e morte: como prova disto, eis as seguintes Escrituras:

Romanos 3:25: “Ao qual Deus propôs (do grego preordenado) para propiciação;”
I Pe 1:20: “O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo,” que é o Cordeiro (veja também o capítulo 2:4).

Lucas 22:29 : “E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou”

Atos 17:31: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Veja também capítulo 10:42).

Isaías 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma”; (veja também Mt 12:18).

Lucas 22:22: “E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!” (Veja também Salmos 109).

Atos 2:23: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;”

Atos 4:28: “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.”

Segundo, anjos também são objetos da predestinação, tanto os bons quantos os maus; os santos anjos foram os escolhidos para a vida e para continuarem em seu estado de felicidade por toda a eternidade: e sua perseverança nisto e eterna felicidade são devido a eterna escolha deles em Cristo, seu cabeça; “Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas,” (I Tm 5:21). Os anjos maus são os rejeitados de Deus e deixados neste estado miserável que sua apostasia os trouxe, sem qualquer provisão de graça e misericórdia para com eles: eles estão entregues “às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;” (ou então, de acordo com o determinado conselho e vontade de Deus) (II Pe 2:4, Mt 25:41).

Terceiro, predestinação que as Escrituras especialmente tratam, é o que diz respeito ao homem e consiste de duas partes, eleição e reprovação; uma é a predestinação para a vida, a outra para a morte.

Primeiro. Eleição é uma predestinação para a vida, é um ato da livre graça de Deus, de Sua soberana e imutável vontade, pelo qual desde toda a eternidade Ele escolheu em Cristo da multidão de todo o gênero humano, alguns homens, ou um certo número deles, para serem participantes das bençãos espirituais aqui e felicidade futura, para a glória de Sua graça.

Segundo. Os objetos da eleição são alguns homens, não todos que uma escolha supõe; tomar todos não seria uma escolha; chamou, portanto, um “remanescente, segundo a eleição da graça” (Rm 11:5). Estes são um certo número, que embora desconhecido para nós, em relação a quantidade e quem eles sejam, são conhecidos por Deus: “O Senhor conhece os que são seus” (II Tm 2:19). E ainda que eles sejam “uma multidão, a qual ninguém podia contar” (Ap 7:9), no entanto, quando comparados com os que não foram escolhidos, eles são poucos; “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 20:16). Estes são os tirados fora da mesma multidão do gênero humano, não importando o estado desta multidão, se considerada pura ou corrupta, todos estavam em um mesmo nível quando a escolha foi feita: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9:21). Estes não são todas as nações, igrejas e comunidades, mas indivíduos em particular, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro; “Amei a Jacó” & etc, “Saudai a Rufo, eleito no Senhor” (Rm 9:13 e Rm 16:13). Eleição não é um conjunto de proposições ou de características, mas de pessoas; ou um homem sob tais e tais características, como crença, santidade, etc, mas pessoas, como “nem tendo feito bem ou mal” (Romanos 9:11); antes eles não tinham feito nenhum nem outro.

1. Este ato de eleição é um ato da graça livre de Deus, pelo qual Ele não é movido por qualquer motivo ou condição no objeto escolhido, nem pela Sua presciência sobre eles: razão porque é chamada de “eleição da graça”; concernente com o que o Apóstolo raciocina de forma forte e invencível; “...se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.” (Rm 11:6). Está de acordo com a soberana e imutável vontade de Deus e não de acordo com a vontade ou obras do homem; “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,” (Ef 1:5 e verso 11), “havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”; consequentemente permanece imutavelmente firme e indubitável, mesmo “o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama”, (Rm 9:11).

2. Este ato de eleição independe de fé, santidade e boas obras, como as causas ou condições; a fé provém dela; é um fruto e efeito dela, é garantido por ela, e teve consequência dela: “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (At 13:48), por esta razão é chamada de “a fé dos eleitos de Deus” (Tt 1:1) e embora santidade seja um meio provado no ato da eleição, não é causa dela; nós não somos escolhidos porque somos santos, mas “para que fôssemos santos” (Ef 1:4); boas obras não aparecem primeiro, mas vem após a eleição; isto é negado a eles, como antes observado, e isto foi aprovado antes de tudo ser feito (Rm 9:11 e 11:5,6) eles são os efeitos dos decretos de Deus e não a causa deles; “as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. (Ef 2:10).

3. O ato da eleição foi feito EM Cristo, (não em Adão) como o cabeça, em quem todos os eleitos foram escolhidos e em cujas mãos por este ato de graça foram colocados como Seu povo, graça e glória e isto em eterno ato de Deus nEle; “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1:4) e dessa maneira, o apóstolo diz aos tessalonicenses que “por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação” (II Ts 2:13) não da primeira pregação do evangelho a eles, ou do tempo de sua conversão por ele, mas do começo dos tempos, até mesmo de toda a eternidade. Consequentemente, nada que foi feito no tempo poderia ser a causa ou condição dela. Os homens são escolhidos neste ato pela graça e para glória futura; todas as bençãos espirituais, adoção, justificação, santificação, fé na verdade e salvação por Jesus Cristo. Salvação é o fim proposto em relação ao homem; santificação do Espírito e fé na verdade são os meios apontados e preparados para este fim. “... nos elegeu nele”, “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” “E nos predestinou para filhos de adoção”, etc (Ef 1:4,5). “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;” (II Ts 2:13). “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (I Pe 1:2). “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. (I Ts 5:9).

Ambos, modos e fins são sem dúvida para escolhas individuais – desde que este é um ato da imutável vontade de Deus; esses são os redimidos pelo sangue de Cristo. Ele morreu por seus pecados e ficou satisfeito por eles: eles são justificados pela Sua retidão e nenhuma acusação pode ser feita contra eles; eles são efetivamente chamados pela graça de Deus; eles são justificados pelo Seu Espírito; eles perseverarão até o fim e finalmente não poderão ser enganados nem perecer, mas serão eternamente glorificados. “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena?” Este é o eleito (Rm 8:33).“Pois é Cristo quem morreu”(vers. 34). “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Rm 8:30). “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24); mas isto não é possível.

4. O resultado final de tudo isto em relação a Deus, é a Sua própria glória; a glória de toda a Sua divina perfeição; a glória de Sua sabedoria em formar tal plano, em fixar começo e fim e preparar os meios para isto; a glória de Sua justiça e santidade, na redenção e salvação dos que escolheu, através do sangue, retidão e sacrifício de Seu Filho; e a glória da riqueza de Sua graça e misericórdia exibida em Sua bondade para eles através de Seu Filho; e o conjunto total de tudo isto é “Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,” (Ef 1:6).

Esta é agora a doutrina bíblica da predestinação, ou essa parte dela que é chamada de eleição; de onde aparece para ser ABSOLUTA E INCONDICIONAL, sem restrições de qualquer coisa no homem como a causa e condição dela no tempo ou eternidade. O senhor Wesley acredita que “eleição é como uma divina designação de alguns homens para a felicidade eterna”; assim ele reconhece uma eleição particular e pessoal e chama isto de eterno decreto; mas acredita que é algo condicional: mas se isto é condicional, a condição é para ser citada; ele deixou de citar a condição; ele deixou de citar este ponto para nós, e em qual passagem da Escritura ela está; isto faz dele um enganador, e eu insisto sobre isto, ou senão ele nos daria sua noção não bíblica de eleição condicional. Marcos 16:16 não é a manifestação deste decreto, mas uma declaração da revelada vontade de Deus: e não cita para nós qual será o estado eterno dos crentes e descrentes: mas crentes, como tais, que são crentes verdadeiros, são os eleitos de Deus; mas por conseguinte a razão porque eles são os eleitos de Deus não é causa ou condição de sua eleição, mas sua eleição é a causa de sua fé; eles foram escolhidos quando não tinham feito nem o bem nem o mal e assim antes de crerem: e eles creram em tempo, em consequência de serem ordenados para a vida eterna, desde a eternidade passada: fé no tempo propício, eleição antes do mundo existir; nenhuma circunstância temporal pode ser a causa ou condição do que é eterno. Isto é a doutrina das Escrituras. Se o senhor Wesley não observa isso, deixe-o ouvir os artigos de fé de sua própria igreja [A Igreja da Inglaterra, ou Igreja Episcopal]; o sétimo, do qual segue:

“Predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus por meio do qual (antes da fundação do mundo) Ele desde sempre decretou pelo Seu conselho, secretos para nós, salvar da desgraça e danação os que Ele escolheu em Cristo dentre toda a espécie humana e os trouxe a Cristo para perpétua salvação como vasos de honra. Para que eles sejam investidos com tão excelente benefício de Deus, ser chamado de acordo com o propósito de Deus pelo Seu Espírito trabalhando no tempo devido: eles através da graça obedeceram ao chamado: eles são justificados livremente: eles são feitos filhos de Deus por adoção: eles são feitos a imagem de Seu único primogênito o Filho de Deus, Jesus Cristo: eles andam religiosamente em boas obras e na longanimidade e misericórdia de Deus, eles obtem eterna felicidade”. Este é um artigo em conformidade com as Escrituras; um artigo em que ele como um verdadeiro filho da igreja traiçoeiramente se afastou; um artigo no qual o senhor Wesley deve ter subscrito e concordado; um artigo que deve ser proeminente diante de seus olhos, contanto que subscrições e juramentos oficiais representem qualquer coisa para ele.

A doutrina da eleição como acima declarada e estabelecida de forma tão clara à luz das Escrituras e mostrada com tal evidência que é impossível para toda sabedoria e sofisma humano pôr de lado; o outro ramo da predestinação necessariamente segue, o qual não negamos, mas mantemos. O senhor Wesley alega ter encontrado uma eleição em que não implique em uma reprovação; mas que eleição pode ser essa, que a inteligência humana não pode delinear; se alguns foram escolhidos, outros foram rejeitados; e a noção de eleição do senhor Wesley em si mesma implica nisto;

I. O outro ramo da predestinação é comumente chamado de reprovação; o qual é segundo um imutável decreto de Deus, de acordo com Sua soberana vontade, pelo qual Ele determinou tomar alguns homens de toda a raça humana, do qual ele escolheu outros para legitimamente puni-los em relação ao pecado com eterna danação, para a glória de Seu poder e justiça. Este decreto consiste de duas partes, uma negativa e uma positiva; a primeira é chamada por alguns de preterição ou abandono, uma desistência de alguns quando outros são escolhidos; o qual não é outra coisa senão uma não-eleição; esta é chamada de pré-danação, sendo o decreto de Deus para condenar ou rejeitar os homens pelo pecado.

II. Primeiro, preterição é um ato de abandonar ou de deixar alguns homens quando Ele escolheu outros, de acordo com Sua soberana vontade e satisfação; do qual ato está em clara evidência na Sagrada Escritura; bem como necessariamente implica no ato eletivo de Deus o qual há incontestável prova. Estes são “o resto”, os que permaneceram como não-eleitos enquanto que outros o foram; “os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos”. (Rm 11:7), ou pessoas eleitas que obtem justiça, vida e salvação em consequência de serem escolhidas e o resto delas foram deixadas e permanecerão em seu estado de ignorância e trevas e por seus pecados entregam-se a cegueira e dureza de coração. Esses são os que foram deixados de fora do livro da vida enquanto que outros tem seus nomes escritos desde a fundação do mundo; do qual se diz: “esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. (Ap 13:8 e capítulo 17:8)

Segundo, pré-danação é o decreto de Deus para condenar o homem por causa do pecado, ou puni-lo com eterna danação por causa dele; e este é o sentido das Escrituras; e esta é a visão que elas nos dão desta doutrina. “O SENHOR fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. (Pv 16:4). Não que Deus tenha feito o homem para condená-lo; as Escrituras não dizem tal coisa, nem nós; nem é este o sentido da doutrina que defendemos; nem inferimos tal coisa disto. Deus não fez o homem nem para condenená-lo nem para salvá-lo, mas para Sua própria glória, que é Seu objetivo final em nos criar, o qual é respondido se ele é salvo ou perdido: mas o significado é, que Deus designou o homem mau para o dia ruim e destruição por sua perversidade. “... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.”(Jd 4). Por esta razão os objetos deste decreto são chamados “vasos da ira” (Rm 9:22), que é pelo pecado. E agora o que há de chocante nesta doutrina ou desagradável às perfeições de Deus? Deus não condena nenhum homem, mas por causa do pecado, e Ele decretou condenar nenhum, mas por causa do pecado [assim ele o fez].

Terceiro, este decreto, dizemos, está de acordo com a soberana vontade de Deus, nada pode ser a causa de Seu decreto senão Sua própria vontade: deixe o objeto desta parte do decreto que é chamada preterição, que considerou nem corrupto ou puro todo o gênero humano, como criaturas caídas ou não, eles são considerados na mesma visão e em igual nível com os escolhidos; e portanto, nenhuma outra razão pode ser dada, mas a vontade de Deus, que Ele deveria tomar alguns e deixar outros. E embora neste ramo que é um desígnio do homem para a condenação, o pecado é a causa deste decreto, a condenação; no entanto, isto é a vontade de Deus que a causa do decreto em si mesmo, por esta invencível razão ou de outro modo Ele deveria ter designado todos os homens para a condenção, desde que todos os homens são pecadores; deixe qualquer outra razão ser designada se isto puder ser, porque Ele decidiu condenar alguns homens pelos seus pecados e não outros,

Quarto, o propósito de Deus nisto tudo é glorificar a Si mesmo, Seu poder e Sua justiça; Seus desígnios são “por Si mesmo”, para Sua própria glória e isto entre o resto, “Deus, querendo mostrar a sua ira”, Sua justiça vingativa, “e dar a conhecer o seu poder,” na punição dos pecadores pelo pecado, “suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;” (Rm 9:22).

Os inimigos do crente em Jesus Cristo

Por Júnior Rubira
“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33).

Jesus Cristo deixou bem claro aos seus discípulos que estes enfrentariam adversidades e diversos inimigos por causa da pregação do Evangelho, seriam perseguidos, caluniados e entregues a morte, passariam por muitas aflições, porém com a garantia de vitória sobre cada provação pois pela Graça do Mestre suportariam todas estas coisas (Mt 10:16-31; Mc 13:9).

Cristo sempre os estimulou para que pregassem com ousadia e não temessem pelas próprias vidas, sempre com o sentimento de total entrega à causa do Evangelho do Reino, tendo em vista sempre a glória futura e não as dificuldades do presente. Os pregadores do Reino de Deus ao longo da história enfrentaram vários inimigos de ordem espiritual e natural, tiveram que resistir aos sistemas governamentais corruptos e pagãos, aos falsos profetas e falsos mestres, enfrentaram privações e tentações pessoais, portanto podemos identificar três inimigos básicos de todo cristão genuíno:

1. O Mundo: Devemos entender por mundo todo o sistema contrário à mensagem do Evangelho que impera na sociedade, com todos os falsos conceitos que ele possui e com todas as práticas que desagradam a Deus. Devemos ter amor na pregação do Evangelho crendo no resgate de pessoas que são prisioneiras deste sistema maligno, mas não podemos amar as coisas que são do mundo, ou seja, suas falsificações, práticas pecaminosas e ideais anticristãos.

O mundo jaz no maligno, as pessoas estão cegas em seu entendimento pelo deus deste século e satanás usa este sistema maligno de todas as maneiras para impedir o avanço do Evangelho e a salvação das almas, não podemos nos constituir amigos deste mundo em seus ideais e práticas, antes devemos proclamar o desejo de Deus segundo o Evangelho (1 João 5:19; 2 Coríntios 4:4; Tiago 4:4; 2 Coríntios 10:3-5).

Devemos nos defender das ofensivas deste sistema corrompido segundo a armadura espiritual que Deus tem nos dado (Ef 6:13-18), não ignorando os ardis do inimigo (2 Co 2:11), vivendo com sobriedade e vigilância (1 Pd 5:8), e claro, combatendo com a fé que nos foi dada, sendo esta a vitória que vence o mundo (1 J0 5:4-5).

2. A Carne: Por carne devemos compreender o princípio pecaminoso que está dentro de todo homem, a carne é representação da natureza pecaminosa, a corrupção original pela qual todos ficamos indispostos para as coisas que são de Deus transgredindo Sua Lei (Rm 3:9-18, 23), estes impulsos pecaminosos são identificados pelas obras más dos homens (Gl 5:16-21) e só podem ser controlados pela inteira dependência do Espírito de Deus que em sua obra regeneradora produz transformação espiritual no crente (Gl 5:22-25).

Sobre isto declara a Confissão de Fé de Westminster:

Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são regenerados; e, embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia tanto ela, como os seus impulsos, são real e propriamente pecado.

Rom. 7:14, 17, 18, 21-23; Tiago 3-2; I João 1:8-10; Prov. 20:9; Ec. 7-20; Gal.5:17.

Sendo assim, nossa luta contra a carne deve ser constante.

3. O Diabo: Este ser maligno se opõe a Deus e a Seus servos, se valendo de enganações e sutis ciladas contra o crente, é persistente em procurar um momento oportuno para tentar tragar os escolhidos e tem poder, embora limitado, que jamais devemos subestimar (2 Co 1:22; Ef 2:11; 1 Pd 5:8; Ef 6:12; 1 Jo 4:4; Jd 9).

Porém não devemos temer as forças espirituais do mal, afinal Jesus Cristo venceu todos os principados e potestades na cruz do Calvário, expondo-os publicamente, triunfando deles e decretando nossa absolvição de todo escrito de dívida (Cl 2:12-15). Cristo é quem esmagará debaixo dos nossos pés a satanás! (Rm 16:20).

Conclusão

Não devemos temer nenhum adversário, nenhuma tribulação ou qualquer outra coisa que se levante contra nós, pois estamos guardados em Jesus Cristo, não pereceremos pois estamos nas mãos do Deus Todo-Poderoso, que é fiel para nos livrar de tropeço e nos apresentar em alegria no último dia, nEle somos mais do que vencedores! (Jo 10:27-28, 16:33; Rm 8:1, 31-39; Jd 24-25).
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” (Rm 8:18). Deus vos abençoe!

Por Pr. Silas Figueira
Certa ocasião eu ouvi a história de um homem que tinha uma pequena mercearia, nela ele vendia de quase tudo. Só que as coisas não estavam indo muito bem, as vendas haviam caído um pouco. Então ele teve uma “brilhante” ideia, ele resolveu comprar frangos e vende-los em seu comércio. Ele os comprava a cinco reais o quilo e os revendia a quatro reais o quilo. Alguém soube disso e chamou-lhe a atenção por ele estar tendo prejuízo nesse negócio. Mas a resposta que aquele homem deu foi surpreendente, ele respondeu para o seu interlocutor: “E o movimente? Você viu o quanto aumentou o movimento?”
Existem muitas igrejas assim hoje. Igrejas que para atrair uma quantidade maior de pessoas barateiam a graça de Deus para terem um maior movimento. O prejuízo não é da liderança, mas das pessoas que frequentam esses lugares, pois não ouvem o Evangelho Transformador, mas um falso evangelho moldador. Um evangelho sem valor, pois não leva as pessoas a Cristo, mas as levam a um prejuízo espiritual. Não gera vida, mas mantém as pessoas mortas em seus delitos e pecados. É o “evangelho” entretenimento, onde as pessoas vão para sentirem-se bem, não o Evangelho confrontador que leva as pessoa a saírem com os olhos rasos d’água por se verem perdidas e necessitadas do Salvador Jesus.

Como falou A. W. Tozer: "Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e desta nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica – um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior. A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendermos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência".


Esse é o evangelho que tem infestado muitas igrejas. Muitos líderes sucumbiram a esse empobrecimento teológico dando lugar a mensagem de autoajuda e deixaram a ajuda do alto; deixaram a mensagem da cruz para ministrarem uma mensagem onde ela se quer é citada. Mas ensinam que o ouvinte faça sacrifícios de uma oferta X ou de uma oferta Y para alcançarem o favor divino. E, infelizmente, muitos acreditam nisso.
Vi recentemente um vídeo em que um determinado pregador disse que o livro que ele havia escrito era mais importante que a Bíblia, pois nesse tal livro as pessoas teriam todas as respostas para a sua vida. Triste não é ouvir isso, triste é saber que esse tal livro foi lançado por uma editora que se diz evangélica e tendo apoio de um pastor que até alguns anos atrás era tido como uma pessoa séria teologicamente (dentro da teologia que ele pregava).
Isso serve de alerta para todos nós que procuramos pregar um evangelho puro e simples; com Mamom não se brinca. Por isso que Jesus nos alertou dizendo que nós não podemos servir a dois senhores, a Deus e as riquezas (Mt 6.24). E mas uma vez a Bíblia nos alerta, “aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12), nos mostrando que é possível sucumbirmos diante das tentações.
Paulo escrevendo a Timóteo lhe alertou dizendo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1Tm 4.16). Essas palavras precisam ecoar em nossa consciência todos os dias. Devemos cuidar de nós mesmos e da doutrina, não podemos nos dar ao luxo de sermos frouxos teológicamente. Não devemos deixar de ler a nossa Bíblia e muito menos de estudá-la, pois temos tanto responsabilidade com nós mesmos, quanto com outras pessoas. Precisamos entender que não vivemos para nós mesmos. Como disse o Senhor a Caim: "Onde está Abel, teu irmão?" (Gn 4.9), o Senhor nos faz a mesma pergunta. Somos embaixadores do Reino e não pregamos a nós mesmos como nos falou o apóstolo paulo.
Mas fica uma pergunta: será que temos que alertar as pessoas contra esses falsos líderes? Creio que sim. Pois a Bíblia nos diz que devemos fazê-lo: “Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1.10,11). Os profetas assim o fizeram, as cartas Paulinas são um alerta contra as heresias que estavam entrando nas igrejas em sua época. As sete cartas dirigidas as igrejas da Ásia também foram um alerta a tais situações (Ap 2 e 3). Diante disso não podemos nos calar.

Porém, antes de qualquer coisa, temos que vigiar para não cairmos nessa mesma armadilha. Por isso que o apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas disse: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1). Paulo alerta que podemos ser tentados também, e pior, ceder a tetação como aluns o fizeram.
Que há um empobrecimento teológico em muitos púlpitos isso é um fato, mas que tal coisa não ocorra conosco, pois, assim como muitos sucumbiram a essa tentação – e não há necessidade de citarmos nomes – corremos também o risco de cedermos também se deixarmos de confiar em Deus e sermos guiados pelas nossas emoções e pelas aparências. Ló foi guiado pelos seus olhos e foi parar em Sodoma. Esse é o lugar onde vai parar as pessoas que se deixam levar pela ganância. É muito triste vermos tantas igrejas cheias de pessoas vazias. Vazias da graça de Deus, vazias da palavra transformadora que traz alento ao coração, vazias da Palavra que norteia a vida em todos os sentidos.

Que o Senhor nos ajude e nos guarde desse mal que tem invadido muitas igrejas.

Que o senhor o abençoe!

domingo, 6 de janeiro de 2013

A TRÍPLICE CONVERSÃO DO CRISTÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Oscar Cullmann disse que os cristãos necessitam de três conversões. A primeira é do mundo para Cristo, o arrependimento. A segunda, para a igreja, o compromisso. A terceira, para o mundo, o testemunho. O termo “conversão” é usado no sentido de mudança radical na vida.Um cristão é um convertido a Cristo. Não se nasce cristão. Deus tem filhos, mas não netos. Não se é cristão por geografia ou por nascer em lar cristão. Cristão é quem crê em Jesus e o segue: “As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão” (Jo 10.27-28). O cristão ouve a Jesus, é conhecido por ele, segue-o e tem a vida eterna.
A segunda conversão é à igreja. Ela é obra do sangue de Jesus: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9-10). Quem rejeita a igreja alegando seus defeitos é arrogante e não entendeu o evangelho. Presume-se perfeito. Faz-se juiz da igreja. É ruim de convivência e culpa os outros. Está em pecado. Mas é tão orgulhoso que nem nota isso. A igreja é imperfeita, mas um dia será perfeita: “Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele” (1Jo 3.2).
A igreja local não é uma faceta do corpo de Cristo. Ela é o corpo de Cristo: “Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo” (1Co 12.27). Não se pode seguir a Jesus sem ser igreja. Quem o segue já é igreja e deve amá-la: “Porque ninguém odeia o seu próprio corpo. Pelo contrário, cada um alimenta e cuida do seu corpo…” (Ef 5.29). Ame a igreja, corpo de Cristo, do qual você faz parte. Isto é compromisso. O convertido a Cristo é convertido à igreja.
A terceira conversão é para o mundo. É o testemunho. O monasticismo surgiu na Igreja Católica no século IV, como busca de santidade fora da sociedade. O protestantismo recusou esta visão alienada e insistiu na vida social. Como Jesus, a igreja não é do mundo: “Assim como eu não sou do mundo, eles também não são” (Jo 17.16). Mas é enviada ao mundo, como Jesus: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei” (Jo 17.18).
Ela deve ser diferente do mundo. Mas não pode se alienar. Deve mostrar Jesus ao mundo. O valor do sal não é no saleiro, mas na comida. Sal guardado não salga. O cristão deve ser apaixonado pela vida. Deve viver os valores de Jesus onde está. Há pastores apaixonados por conventos, mas ele não é nosso campo de ação. É o mundo.
Você se converteu do mundo para Cristo. Converta-se à igreja. Converta-se ao mundo. Foi salvo? Engaje-se na igreja, e testemunhe ao mundo. Não use apenas palavras. Use o caráter.

Se há guerra dentro, haverá guerra fora!


Por Josemar Bessa
Se pudéssemos ir para o sol o conflito entre nós iria conosco. Se chegarmos a Marte, descobriremos que a guerra nos seguirá. Se construirmos naves que sondem e nos levem além da nossa galáxia, as “armas” de guerra irão conosco. A história do mundo foi e é escrita com sangue em cada uma de suas páginas.
Nos dias dos heteus, e os hicsos, e os elamitas, e os sumérios, nos dias de Tiglate-Pileser e Salmanasar e Senaqueribe e Assurbanipal, nos dias de Nabopolassar e Nabucodonosor, nos dias de Ciro, e Cambyses , e de Dario, e Xerxes, e de Artaxerxes, nos dias de Filipe da Macedônia e Alexandre, o Grande; nos dias da Cassandro e Antígono, e Lisímaco e Ptolomeu, e Antíoco, e Seleuco, nos dias de Pompéia, e César e Hannibal, e Scipio, nos dias de Átila, e Genghis Kahn, e Kublai Khan, e Tamerlão, nos dias de Carlos Magno e Napoleão, e Wellington, e nos dias de Bismarck e o Kaiser Wilhelm II, e Hitler...Guerra! Há um conflito no coração do universo, e sua história é escrita com sangue.
Por quê? Por orgulho pessoal. O pecado começou no coração de Lúcifer quando ele levantou-se contra Deus por orgulho. Nabucodonosor disse: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a minha glória e majestade para o meu excelente?" E Alexandre, o Grande sentou-se nas margens do rio Indus e chorou porque não havia mais nenhum mundo para conquistar. Napoleão disse: "A conquista me fez, e conquista deve manter-me." Você pode imaginar a emoção que sentiu Hitler, o povo alemão, a juventude da Alemanha... quando centenas de milhares de pessoas levantaram as mãos com suas tochas e bradaram “Heil Hitler”? Orgulho pessoal, orgulho nacional... ORGULHO!

Por quê? Pela supremacia nacional, por exemplo. Hamilcar tomou seu pequeno menino, Hannibal, e fez o rapazinho jurar ódio eterno e destruição do Império Romano. O Japão na Segunda Guerra Mundial lutou por seu lugar ao sol, isso é algo inerente ao espírito humano caído.
"Som, o som do clarim, preencha o pífaro!

Deixe todo o mundo tremer e proclamar,

Há mais glória em uma hora de luta

Do que em uma era sem um nome!"
Tudo o que é externo pode tentar controlar, mas jamais deter o que flui do coração do homem.
A violência é um fator constante na história humana, e simplesmente todo o desenvolvimento tecnológico em nada trouxe melhoras morais para nosso mundo e cultura, e não trará. Quando a igreja pensa que mudará a cultura com ações que se equivalem aquilo que o mundo tem feito, num esforço de auto-melhoramento... ela é tão irrelevante quanto tudo que o homem faz nesta direção.
Todo o tipo de perversão inunda o coração humano, tentar reformá-lo é obra fútil. Vivemos numa cultura tão bestializada, que fazer violência a uma tartaruga ( ou ao ovo da tartaruga) é infinitamente mais grave do que fazer violência e matar uma criança por nascer.
Guerras, assassinatos, roubos, estupro, vandalismo, tráfico de drogas, violência doméstica, raiva no trânsito, crueldade...

Por quê? Como tudo isso se perpetua na vida humana?

A análise marxista (que é a mesma de grande número de cristãos hoje ) diz que tudo isso tem a ver com a economia, o abismo entre ricos e pobres, a luta de classes... A prosperidade estatal devia ser a resposta... Mas os países que abraçaram o marxismo têm sido e foram os países mais violentos do mundo no último século, com milhões e milhões de mortos.

A análise darwiana é que este é simplesmente o homem, o macaco nu, lutando por seu território e direitos de acasalamento, afastando quaisquer agressores... Ou seja, isso é o que a vida é – é a resposta fatalista evolutiva. Mas o homem ira evoluir e evoluir...
A psiquiatria e a psicologia moderna nos dão uma miríade de respostas contradizentes...

Mas o que diz o Cristianismo? "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós?” Tiago 4:1

É uma verdadeira tragédia quando a resposta da “igreja” seja a mesma do mundo – tentando aplicar assim os “remédios” inúteis que o mundo vem tentando desde sempre, achando que a igreja nada mais é que uma grande Ong tentando mudar o mundo dessa forma junto com as milhares de Ongs existentes, ou seja, mais do mesmo...

A Fonte de Nossa Violência

"Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?" Tiago nos leva para dentro de nós mesmos e nos mostra a origem dos nossos problemas e do problema que nós somos. Ele diz que há uma guerra civil acontecendo dentro e não fora. Nosso prazeres estão descontrolados e deformados, e em campanha e disputa em todos os membros de nosso corpo.
Eles estão lutando por gratificação, e para ter toda a gratificação a sua própria maneira – Eis o problema – o ciúme, a ambição, o egoísmo e a luxúria estão todos lutando todo o tempo para se expressarem, buscando expressão máxima. Essa é a verdadeira análise – esta é a análise do cristianismo, este é o diagnóstico de Deus da condição humana.
Toda sua abordagem é essencialmente pessoal e interior. Ela não diz, é a luta de classes, é o processo evolutiva natural, ou é uma doença, e o homem precisa de cura com análise e comprimidos... Não! O cristianismo diz “De onde vem as guerras e pelejas? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês?"
Seus desejos próprios são a causa de todas as violências – entre países, entre casais, em todas as grupos sociais... Não o seu ambiente, não a sua casa infeliz, não o seu pai sem amor, seu marido insensível, violência do seu bairro, a dor que sofreu, ou sua pobreza... coisas assim são resultados que se retroalimentam exarcebando mais ainda as “paixões que guerreiam dentro de vocês” - mas eles não são responsáveis... o problema está dentro e “de suas paixões...”
Não posso culpar minha educação pelo meu comportamento... Pessoas que se dizem horrorizados com a falta de paz no mundo, fazem protestos... Largam suas esposas quebrando a paz e vivendo uma guerra no lar enquanto clamam por paz no mundo – “as paixões que guerreiam dentro de vocês!”
Não podemos apontar a conduta dos nossos pais como explicação para as “guerras que existem entre nós” – não posso apontar minha composição genética... Todas essas respostas são fugas. Nosso ambiente não justifica as guerras, ele é o resultado das paixões que guerreiam dentro de nós!
Então, o problema é que os nossos desejos estão em guerra dentro de nós, e é inevitável que essa guerra ecloda na vida externa.
Sempre foi assim. Nossos primeiros pais tiveram um filho primogênito, Caim – Não havia uma “sociedade” em volta... Lutas sociais... mas ele assassinou o seu irmão. O problema nunca foi externo.
Queda! Alienação de Deus. Estas coisas aconteceram no início da história humana: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?” - Tiago 4:1
Não é trágico que muitos que se dizem “igreja” tenham uma visão oposta ao claro ensino bíblico, e acreditem que medidas, estratégias humanas... irão externamente resolver o problema da guerra da alma humana, sendo a guerra e peleja externa apenas um reflexo dela? Não é trágico quando a igreja chega ao mesmo diagnóstico errado do mundo, e se esforce para aplicar os mesmos remédios que o homem vem tentando desde sempre?

Se a origem da violência está dentro de cada pessoa, não é esta conclusão desesperadora? Sem dúvida é. Mas a Verdade de Deus não nos deixa no desespero, mas isso, já é assunto para outro artigo. Por hora, encerremos com as palavras de Cristo:

Se Deus quer que todos os homens se arrependam, então temos um problema. Não, uma heresia.



Por Mizael Reis
Se existe uma questão discutida na teologia reformada cuja longevidade parece-nos não ter fim, é a conciliação que se procura fazer entre a redenção particular e o querer de Deus em desejar que todos os homens se arrependam e sejam salvos. Confesso que, só de escrever tal coisa, me envolve a clara convicção de que tal conciliação não me parece ser possível, posto que, a meu ver se contradizem claramente, ou ainda, faz com que o desejo e as palavras de Deus se contradigam. Sei que tal tema é de arquear as sobrancelhas, e sei que serão muito mais levantadas pela forma com a qual tratarei a questão. Contudo, muitos de nós vivemos com mistérios, os quais nós chamamos de paradoxos. A interpretação tradicional sustenta sua crença resignadamente admitindo humildemente o paradoxo da questão. Eu também admito certo grau de mistério na forma como eu, e alguns poucos teólogos enxergamos o problema proposto. Mas permanecerei crendo neste mistério do que render-me ao outro. Um direito que me assiste. Sei que para os reformados que discordam da crença de que Deus deseja que todos os homens se arrependam, essa visão é amplamente comprometedora, da qual fluem algumas outras inconsistências. Eu, porém, no presente artigo ater-me-ei a questão do inclusivismo.

Creio que se defendermos a crença de que Deus, embora eleja alguns da raça caída para salvação, deseja que todos os homens sem exceção sejam salvos, tal visão, a meu ver, desaguará em duas crenças, das quais uma antes era raramente defendida mas encontra terreno amplo atualmente, e a outra é defendida por um considerável número de reformados. A primeira é o inclusivismo que será tratado nessa primeira postagem, e a segunda é a expiação ilimitada que se opõe a redenção particular que será tratada em um artigo posterior.
Analisemos primeiramente o inclusivismo. Antes, uma sintética definição do inclusivismo se faz necessária. O inclusivismo diz que Deus salva pessoas por meio de Cristo, a sua revelação especial e tais pessoas constituem-se em povos cujas terras o evangelho já alcançou. Porém, existem pessoas, habitantes de terras nas quais o evangelho ainda não foi anunciado, e por essa razão, muitos têm morrido sem que pudessem ouvir a mensagem do evangelho. Deus, em sua infinita misericórdia, a fim de oportunizar a salvação a estes, provê outros meios além da revelação especial para salvá-los. Tais meios constituem-se em outras formas de se “crer em Deus” de uma forma “justa”, sincrética e moralmente conciliatória com o cristianismo. Assim o chamado “problema soteriológico do mal” é resolvido, respondendo a complexa [para alguns] pergunta que se segue: Como Deus salva os não evangelizados? O inclusivista responde: Por outros meios [religiões, natureza, conduta de ética semelhante a cristianismo], pois eles não conhecem a Cristo, e destiná-los ao inferno sem que antes possam ter tido a oportunidade de crer no verdadeiro Deus é no mínimo inconciliatório com a crença num Deus cuja natureza é amor. Por mais que para muitos, tal tema nada possa contribuir ou convergir para a discussão em apreço, analisemos a minha tese. Primeiro relembremos o versículo-chefe dessa discussão:

“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” [Ezequiel 18.23]


Retoricamente Deus pergunta se porventura ele se
compraz na morte do ímpio. Creio que a chave para compreendermos tal versículo está contida no verso 31:

“Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel?” [ v.31]

A quem tal pergunta foi direcionada? A qual povo tal exortação foi estendida? A todos os povos? Evidente que não, mas à Israel somente. Agora reflitamos. Se Deus não deseja que o ímpio pereça, e se por ímpio entendermos todos os ímpios, indistintamente e sem exceção a povoarem o planeta - leve em conta os que povoavam o mundo no tempo dessa mensagem - a enumerar todos os ímpios da terra, e se entendermos assim, e interpretarmos a ocorrência dessa palavra, pela qual Deus demonstrou um desejo semelhante dessa forma, não haveria uma inconsistência em Deus, de querer a salvação de todos os ímpios, mas ao mesmo tempo, expressar tal desejo unicamente à Israel por meio da mensagem que só a eles foi transmitida? Sabemos que no tempo que antecedeu a plenitude dos tempos, Deus ocultou sua graça a todos os povos, revelando-a seletivamente à Israel, e isso é o que entendemos por abrangência do evangelho do NT, em detrimento da seletividade da eleição no AT, onde nesta a salvação foi claramente restringida por Deus somente ao seu povo, Israel. Por essa razão não me admira o fato de, por exemplo, haver 159 ocorrências da palavra misericórdia somente nos salmos, quase sempre ditas e contidas numa súplica, e todas elas terem sido feitas por lábios israelitas, e não por povos por Deus rejeitados. Algumas passagens ajudam-nos a compreendermos a restritividade de Deus no AT, como o que se segue:

“Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranha às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. [Ef 2.12]


O texto acima é claro, ao ponto de distanciar-nos de quaisquer interpretações que não se alinhem à seguinte conclusão: Deus privou povos no AT de conhecerem o seu nome e por ele serem salvos.


Na verdade, existem passagens no AT, pelas quais Deus revelou-nos o seu desejo futuro de abrigar outros povos além, de Israel, ao grande reduto do evangelho, a ser revelado de igual modo no tempo futuro. À Israel Deus disse:
“O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos;” [DT 7.7]
No Início do capítulo no qual o verso acima está incluído, Deus diz que dará as terras de nações estranhas ao seu povo escolhido. Deus ordena a destruição desses, tal como destruiu os homens em tempos diluvianos, valendo-se da mesma justiça que lhe compete. Em seguida, Deus fala-lhes sobre a eleição com a qual foram contemplados, e cuja qual as outras nações, chamadas por Deus de estranhas, não receberam. O que parece mais coerente dizer sobre o paradeiro dos que Deus não se revelou? Ou seja, qual foi o destino das nações as quais Deus não se propôs se revelar a elas? Salvação? Mas como poderíamos supor tal coisa, posto que, no NT Deus diz ter rejeitado tais nações, como se pode concluir no verso abaixo?

“Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranha às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. [Ef 2.12]

Ou ainda, pelo texto abaixo:

“Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” [1 Pe 2.10]

Essa é a magnitude do evangelho em relação o tempo da Lei. Neste, Deus resgatou pra si, um único povo, de uma única língua e raça, a fim de torná-lo sua propriedade, e por ela ser glorificado, acima e diante de outras nações, cada qual com seus respectivos deuses. É certa que Deus pregou a povos estranhos como a Nínive. Porém, isso se constitui, a meu ver, numa exceção de prerrogativa divina, da qual não podemos inferir uma regra. Pois a própria realidade a eximiria, bem como os versículos que a sustentam. Deus não quis salvar todos os povos antes do evangelho. Tal ato de misericórdia estava reservado, por Ele mesmo, para a revelação do evangelho. É fato que no tempo do AT Deus restringiu-se, decretatoriamente, a revelar-se somente a Israel, como se vê, claramente no texto abaixo:
“Porque és povo santo ao SENHOR teu Deus; e o SENHOR te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu próprio povo.” [DT 14.2]



Ou pela pena de Amós:



“De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” [Am 3.2]



Mesmo podendo recorrer a outros versículos, por meio dos quais tal conclusão se enrobusteceria mais e mais, atenho-me aqui, para fazer uma pergunta: Como Deus pode desejar a salvação de todos os homens, e, por conseguinte, não desejar a morte dos ímpios, e isso sem exceção, se Ele mesmo foi quem se propôs a revelar-se privadamente a Israel, e dele, resgatar o seu povo exclusivo? Como poderíamos conciliar a interpretação mais popular de Ezequiel 18.23 com o fato inconteste de que o próprio Deus não se revelou a todos os povos no antigo testamento, banindo-os a condenação? É como diz Paulo, tais povos [nós, gentios] eram sem Deus no mundo, e ele diz isso aos gentios, esclarecendo-os de que em tempos pregressos ao do evangelho, eles não tiveram a oportunidade que hoje gozam, de serem salvos. Isso porque Deus não quis, e nisso consiste a grandiosidade do tempo do evangelho em relação ao tempo da lei. Neste, Deus salvou um povo, de uma única língua e raça. Naquele, Deus pretende salvar muitos homens. Não apenas de um povo, mas de todo povo, de toda raça, tribo e língua. No AT, vemos uma promessa futura, na qual Deus promete aumentar as cercas que delimitam sua provisão misericordiosa às demais nações:



“E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos.” [Ag 2.7]



“Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome.” [Sl 86.9]



Assim, compreendemos terminantemente a áurea promessa do derramamento do Espírito Santo, a ser derramado em todas as nações:



“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” [JL 2.28]


No evangelho, os salvos não são chamados de uma única nação, senão de todas as nações serão recolhidos e comporão o povo exclusivo de Deus.


Mediante a prova bíblica, tal verdade é irrefutável. As Escrituras são sobejamente claras. Foi Jesus quem disse que, a pregação do evangelho é estendida a todas as nações: “Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações” [Mc 13.10] Os profetas, porém, em tempos de Israel foram revestidos por tal alçada mundialmente englobadora? Não, não foram. Senão vejamos: A palavra de Jeremias foi essa: “Ouvi a palavra que o SENHOR vos fala a vós, ó casa de Israel.” [Jr 10.1] A Missão de Ezequiel foi de igual modo restritiva à casa de Israel: “E dize ao rebelde, à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Bastem-vos todas as vossas abominações, ó casa de Israel!” [Ez 44.6]. Amós não foi diferente: “Porque assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me, e vivei.” [Am 5.4]. Por essas bases poderemos compreender por qual razão em “tempos passados [Deus] deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos” [At 14.2]



Diante do que disse, não há possibilidade de sustentar a crença de que Deus deseja que todos os homens se salvem, visto que ele mesmo não quis que tal coisa acontecesse, a menos, e ai chego ao cerne da proposta do artigo, que se creia que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, e para atingir tal propósito, ou ainda justificar tal querer, se creia que Deus provê meios diferentes para a sua salvação, meios que se somarão à mensagem da revelação especial, cuja qual muitos povos a desconhecem. Vejamos um exemplo. Das nações rejeitadas por Deus no AT, encontram-se os egípcios. A tenda da congregação não chegou até eles, eles não possuíam a arca, que simboliza a presença de Deus, e sequer entraram no templo da Glória de Deus, para nele o devotarem culto. Reflita nisso ao lado da leitura do texto chave da questão:



“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” [Ezequiel 18.23]



Esse texto compreende tal nação? O querer de Deus envolve-os? Se não, como Deus não deseja que o ímpio egípcio não morra, se a mensagem contida no texto acima, não lhes foi direcionada, senão aos Israelitas? Eles sequer souberam dessa mensagem. Sequer ouviram-na pelo profeta. Eram como diz Paulo “Sem Deus no mundo” [Ef 2.12]



A meu ver, a única solução para essa questão, embora a Escritura não a ratifique [Assim creio, por ser restritivista] é o inclusivismo. A única forma de afirmar que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, será conciliar tal coisa com uma crença na qual Deus procure oportunizar a salvação a todos indistintamente e tal crença consiste no Inclusivismo. Isso não é universalismo. O universalismo é determinista, pois diz que Deus inevitavelmente salvará a todos. O inclusivismo, ao contrário, diz que Deus faz a salvação ser potencialmente possível a todos os povos, mesmo aos que estão além dos marcos do seu povo, havendo ainda a possibilidade de condenação. Mas ninguém será condenado, sem que antes não tenha tido a clara oportunidade dada por Deus de se converter. E essa é a única visão com a qual se poderá afirmar categoricamente que Deus não deseja que nenhum ímpio seja condenado ao inferno. Afirmar que Jesus é o único caminho que nos conduz a salvação, ao lado da afirmação de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos, inclusive os que morreram sem terem sequer ouvido o nome de Jesus, nas terras onde, muitos ainda morrerão sob tal condição, é expor Deus a uma visão mais turva e nublada da qual se acarretará implicações ainda mais desastrosas.



Concluindo, creio que a crença de que Deus deseja que todos os homens sem exceção se salvem redundará sem sombra de dúvida no Inclusivismo, a única linha teológica que afirma estar a salvação cabalmente ao alcance de todos os homens no mundo, e que sempre esteve, a despeito da ausência de Jesus Cristo.

"Só Presto Contas a Deus"

Por Augustus Nicodemus Lopes

Esse é o pensamento do evangélico típico de nossos dias.

Quando fui perguntado recentemente por alguém sobre a maior necessidade da igreja evangélica no Brasil não tive dúvidas em responder que é o exercício da disciplina bíblica. Sei que existem igrejas que disciplinam seus membros e líderes e até cometem abusos nisso. Mas creio que já se tornaram a minoria. Na minha avaliação, a grande maioria das igrejas de todas as denominações não exerce a disciplina eclesiástica sobre seus membros e líderes, ou quando o fazem, o fazem de forma equivocada, arbitrária e sem levar em consideração os ensinamentos das Escrituras sobre o assunto.
 
Para mim esse assunto é relevante, pois a disciplina da Igreja tem como alvo manter a sua pureza e restaurar os faltosos, e se constitui numa das marcas da verdadeira Igreja de Cristo. Onde os pecados passam impunes, os faltosos não são repreendidos, corrigidos e restaurados, onde os líderes cometem pecados públicos claros e não dão conta a ninguém de seus atos, poderá estar ali a verdadeira Igreja do Senhor, pela qual ele derramou seu sangue precioso, em busca de um povo puro e santo?
 
Para mim, tudo começa pela absoluta falta de dar conta de seus atos que caracteriza líderes e membros
 
das igrejas. Ninguém se sente devedor a ninguém, senão a Deus – esquecendo que foi o próprio Deus quem instituiu a disciplina eclesiástica como instrumento do seu desejo de manter a Igreja pura e restaurar os caídos. Isso é claro especialmente no caso de líderes que construíram seu império eclesiástico e que não se encontram debaixo de qualquer pessoa ou grupo que poderia corrigi-los e discipliná-los em caso de falta. Pecam impunemente em nome do perdão e da tolerância divina.
 
As próprias igrejas não exercem a vigilância, o zelo e o cuidado que deveriam para com seus membros faltosos. Preferem ocultar os pecados cometidos ou exercer algum tipo de restrição que mal pode ser reconhecida como disciplina. E os membros – não se sentem obrigados a prestar contas de seus atos às igrejas que freqüentam e portanto, em caso de serem argüidos de seus pecados e erros, não se sujeitam e não acatam qualquer medida corretiva e simplesmente mudam-se para outra igreja.

Na minha opinião, é um estado caótico de coisas, que compromete a imagem dos evangélicos diante do povo, que toma conhecimento do comportamento irregular de líderes e crentes pela mídia. Juntamente com a crise de identidade e doutrinária, a falta de disciplina contribui para o agravamento da situação de UTI em que a igreja evangélica brasileira se encontra.