segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal, uma boa nova de grande alegria

  Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O Natal é a celebração do nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Muitos cristãos hesitam em comemorar o Natal e outros chegam mesmo a fazer oposição a essa comemoração, em virtude de não sabermos, com exatidão, a data precisa em que aconteceu esse fato auspicioso. Ainda outros desaconselham a celebração do Natal em virtude dos vários adendos acrescidos à festividade como presépio, árvore enfeitada e Papai Noel. Entendemos, que esses acréscimos não fazem parte do verdadeiro Natal e não devem distrair nossa atenção. Precisamos, portanto, resgatar o verdadeiro sentido do Natal e devolvê-lo a seu verdadeiro dono, Jesus Cristo, nosso Salvador. 
A celebração do Natal é legítima, pois o primeiro Natal foi motivo de festa no céu e na terra, comemorado pelos anjos e pelos homens. A grande notícia anunciada pelo anjo do Senhor, aos pastores de Belém foi: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11). Natal é a verdade bendita de que o Eterno entrou no tempo, Deus se fez homem e o Senhor dos senhores se fez servo. Natal é o cumprimento do plano da redenção, traçado nos refolhos da eternidade. Natal é a concretização da promessa do Pai e o cumprimento das profecias anunciadas pelos patriarcas e profetas. Natal é a consumação da esperança de Israel. Na plenitude dos tempos, o Cristo de Deus, nasceu de mulher, nasceu sob a lei, para nos redimir dos nossos pecados.

Natal não é festa gastronômica. Natal não é o comércio guloso capitaneado pelo velho bojudo de barbas brancas. Natal não é troca de presentes nem ruas enfeitadas com cores policromáticas. Natal é a luz do céu invadindo a escuridão da terra. Natal é o Verbo eterno de Deus, se fazendo carne para habitar entre nós, cheio de graça e de verdade. Natal é o Deus que nem o céu dos céus pode contê-lo esvaziando-se, a ponto de nascer como um bebê numa pobre vila da Judéia. Natal é o criador e dono do universo despojando-se de sua glória para calçar as sandálias da humildade, fazendo-se pobre para tornar-nos ricos. Natal é a proclamação embalada nas asas da alegria, anunciando que Jesus é o Salvador do mundo, o Messias prometido, o Senhor do universo.

Natal é a evidência mais eloquente do amor de Deus aos pecadores. Quando Deus criou o universo, fê-lo pela palavra do seu poder. Quando Deus criou o homem, colocou a mão no barro. Porém, quando Deus desceu para resgatar o homem entrou no barro, pois o Verbo se fez carne, vestiu pele humana e armou sua tenda entre nós. Natal é a consumação da maior dádiva de Deus ao homem. Deus amou o mundo e deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Deu-o não a quem merece, mas a pecadores indignos. Deu-o não para ser exaltado entre os homens, mas para ser cuspido por eles. Deu-o não para entrar na história como o Rei da glória, mas para carregar a cruz maldita, como servo sofredor. Deu-o não na última hora, mas desde a eternidade!

Natal é a festa da salvação. É a celebração que nos remete ao plano eterno de Deus, quando a própria Trindade, no recôndito dos tempos eternos, decidiu nos amar e nos destinar para a salvação. Nesse projeto divino, o Pai envia o Filho e o Filho se submete ao Pai. Nesse decreto eterno, o Pai escolhe um povo e o dá como presente a seu Filho. O Filho deixa a glória que sempre teve com o Pai e desce para morrer em favor desse povo. O Espírito Santo, regenera e sela esse povo como propriedade exclusiva de Cristo. Agora, nós, povo de Deus, povo redimido, alcançado pela graça, devemos exaltar pelos séculos sem fim, o Cordeiro de Deus, por tão grande salvação.

Que o Natal de Jesus seja celebrado por todos nós, com fervor efusivo, com alegria indizível e com entusiasmo sem igual!

O Evangelho da Mentira

Por A.W. Pink
Satanás não é um iniciador; ele é um imitador. Deus tem um Filho unigênito, o Senhor Jesus Cristo; de modo similar, Satanás tem o “filho da perdição” (2 Ts 2.3). Existe uma Trindade Santa; de maneira semelhante, existe a Trindade do Mal (Ap 20.10). Lemos nas Escrituras a respeito dos “filhos de Deus”? Lemos também sobre os “filhos do maligno” (Mt 13.38). Deus realmente realiza em seus filhos tanto o querer como o executar a sua boa vontade? Somos informados que Satanás é o “espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.2). Existe um “mistério da piedade” (1 Tm 3.16)? Também existe um “mistério da iniqüidade” (2 Ts .7).
A Bíblia nos diz que Deus, por meio de seus anjos, sela os seus servos em suas frontes (Ap 7.3)? Aprendemos igualmente que Satanás, por meio de seus agentes, coloca uma marca sobre as frontes de seus servidores (Ap 13.16). As Escrituras nos revelam que o “Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1 Co 2.10)? De maneira semelhante, Satanás possui as suas “coisas profundas” (Ap 2.24). Cristo realiza milagres? Satanás também pode fazer isso (2 Ts 2.9). Cristo está assentado em seu trono? De modo semelhante, Satanás tem o seu trono (Ap 2.13). Cristo possui uma Igreja? Satanás tem a sua sinagoga (Ap 2.9). Cristo é a luz do mundo? De modo similar, o próprio Satanás “se transforma em anjo de luz” (2 Co 11.14). Cristo designou os seus apóstolos? Satanás também possui os seus apóstolos (2 Co 11.13). Tudo isso nos leva a considerar o “Evangelho de Satanás”.
Satanás é um arquiimitador. Ele está agora em atividade no mesmo campo em que o Senhor Jesus semeou a boa semente. O diabo está procurando impedir o crescimento do trigo, utilizando-se de outra planta, o joio, que em aparência se assemelha muito ao trigo. Em resumo, por meio de um processo de imitação, Satanás está almejando neutralizar a obra de Cristo. Portanto, assim como Cristo tem um evangelho, Satanás também possui um evangelho, que é uma imitação sagaz do evangelho de Cristo. O evangelho de Satanás se parece tanto com aquele que procura imitar, que multidões de pessoas não-salvas são enganadas por este evangelho.
O apóstolo Paulo se referiu a este evangelho, quando disse: “Admirame que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7). Este falso evangelho estava sendo proclamado mesmo nos dias do apóstolo, e uma terrível maldição foi lançada sobre aqueles que o pregavam. O apóstolo continuou: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (v. 8). Com a ajuda de Deus, nos esforçaremos para explicar, ou melhor, para desmascarar este falso evangelho.
O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem mesmo um programa de anarquia. Este evangelho não promove conflitos ou guerras, mas tem como alvo a paz e a unidade. Não procura colocar a mãe contra a filha, nem o pai contra o filho; ao invés disso, ele fomenta o espírito de fraternidade pelo qual a raça humana é considerada uma grande “irmandade”. Este evangelho não procura mortificar o homem natural, e sim aprimorá-lo e enaltecê-lo. O evangelho de Satanás defende a educação e a instrução, apelando ao “melhor que há no íntimo do ser humano”; tem como alvo fazer deste mundo um habitat tão confortável e agradável, que a ausência de Cristo não será sentida e Deus não será necessário. O evangelho de Satanás se esforça para manter o homem tão ocupado com as coisas deste mundo, que não tem ocasião nem inclinação para pensar no mundo por vir. Este evangelho propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade e da benevolência, ensinando-nos a viver para o bem dos outros e sermos bondosos para todos. Apela fortemente à mentalidade carnal, tornando-se popular entre as massas, porque ignora os solenes fatos de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, está alienado da vida de Deus, morto em delitos e pecados, e de que a única esperança se encontra em ser nascido de novo.
Em distinção ao evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina que a salvação se realiza por meio das obras; incute na mente das pessoas a idéia de que a justificação diante de Deus ocorre com base nos méritos humanos. A frase sagrada do evangelho de Satanás é: “Seja bom e faça o bem”; mas falha em reconhecer que na carne não habita bem algum. O evangelho de Satanás anuncia uma salvação que se realiza por meio do caráter, uma salvação que é o reverso da ordem estabelecida por Deus, em sua Palavra — o caráter se manifesta como fruto da salvação. As ramificações e organizações deste evangelho são multiformes. Temperança, movimentos de reforma, associações de cristãos socialistas, sociedades de cultura ética, congressos sobre a paz, todas estas coisas são empregadas (talvez inconscientemente) em proclamar este evangelho de Satanás — a salvação pelas obras. Cristo é substituído pelo cartão de apelo; o novo nascimento do indivíduo é trocado pela pureza social; e a doutrina e a piedade são substituídas por filosofia e política. A cultivação do velho homem é considerada mais prática do que a criação de um novo homem em Cristo Jesus, enquanto a paz universal é procurada sem a interposição e o retorno do Príncipe da Paz.
Os apóstolos de Satanás não são donos de bares e negociantes de escravos brancos; em sua maioria, eles são ministros do evangelho ordenados por igrejas. Milhares daqueles que ocupam os púlpitos das igrejas modernas não estão mais engajados em apresentar as verdades fundamentais da fé cristã; eles deixaram de lado a verdade e se entregaram a fábulas. Em vez de magnificarem a grande vileza do pecado e revelarem as suas eternas conseqüências, tais ministros minimizam o pecado, por declararem que este é apenas uma ignorância ou uma ausência do bem. Em vez de advertirem seus ouvintes a fugirem da “ira vindoura”, tais ministros tornam Deus um mentiroso, por declararem que Ele é muito amável e misericordioso e que, por isso mesmo, não enviará qualquer de suas criaturas para o tormento eterno. Em vez de declararem que, “sem derramamento de sangue, não há remissão”, tais ministros apenas apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a seguirem os passos dEle. Temos de afirmar a respeito desses ministros: “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3). A mensagem deles talvez pareça bastante plausível, e seu objetivo, digno de louvor; todavia, lemos a respeito deles: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras” (2 Co 11.13-15). Além do fato de que centenas de igrejas estão sem líderes que proclamem fielmente todo o conselho de Deus e apresentem o caminho de salvação dEle, também temos de encarar o fato de que a maioria das pessoas destas igrejas provavelmente têm de aprender a verdade por si mesmas

domingo, 23 de dezembro de 2012

A Pessoa de Cristo: Sua Divindade

Quatro declarações devem ser compreendidas e afirmadas a fim de se obter uma imagem completamente bíblica da pessoa de Jesus Cristo:

1. Jesus Cristo é plena e completamente divino.

2. Jesus Cristo é plena e completamente humano.

3. As naturezas divina e humana de Cristo são distintas.

4. As naturezas divina e humana de Cristo estão completamente unidas em uma pessoa.

A Divindade de Cristo


Muitas passagens da Escritura demonstram que Jesus é plena e completamente Deus:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (João 1.1,14)

Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. (João 1.18)

Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! (João 20.28)

[...] deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! (Romanos 9.5)

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens [...] (Filipenses 2.5-7)

[...] aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus [...] (Tito 2.13)

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder [...] (Hebreus 1.3)

[...] mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; [...] Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos [...] (Hebreus 1.8,10)

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo [...] (2Pedro 1.1)

 

O Entendimento de Jesus Acerca da Sua Própria Divindade


Embora as passagens citadas acima claramente ensinem a divindade de Cristo, essa verdade é frequentemente desafiada. Alguns dizem que Jesus jamais reivindicou ser Deus e que tais versículos foram escritos por seus discípulos, que o divinizaram por causa do impacto que ele causara em suas vidas. Jesus, é dito, via a si mesmo tão somente como um grande mestre moral semelhante a outros líderes religiosos. Todavia, o entendimento de Jesus acerca da sua própria divindade nos Evangelhos não dá suporte a essa perspectiva. Ele claramente via a si mesmo como Deus. Isso pode ser visto primariamente de seis maneiras.

1. Jesus ensinava com autoridade divina. Ao final do sermão do monte, “estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mateus 7.28-29). Os mestres da lei no tempo de Jesus não tinham qualquer autoridade própria. A sua autoridade vinha do seu uso de autoridades anteriores. Mesmo Moisés e os demais profetas do AT não falavam por sua própria autoridade; antes, diziam: “Assim diz o Senhor”. Jesus, por outro lado, interpreta a lei dizendo: “Ouvistes o que foi dito aos antigos. [...] Eu, porém, vos digo” (ver Mateus 5.22, 28, 32, 34, 39, 44). Essa autoridade divina é demonstrada com surpreendente clareza quando ele fala de si mesmo como o Senhor que julgará toda a terra e dirá aos ímpios: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mateus 7.23). Não é de admirar que as multidões estavam maravilhadas ante a autoridade com a qual Jesus falava. Jesus reconhecia que as suas palavras carregavam o peso divino. Ele admitia a autoridade permanente da lei e punha suas palavras no mesmo nível dela: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5.18); “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24.35).

2. Jesus tinha um relacionamento único com Deus o Pai. Quando era um jovem menino, Jesus se assentou com os líderes religiosos no templo, maravilhando as pessoas com as respostas que dava. Quando seus pais distraídos finalmente encontraram o seu adolescente “perdido”, ele respondeu dizendo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2.49). A referência de Jesus a Deus como “seu Pai” é uma declaração radical do relacionamento único, íntimo com Deus, acerca do qual ele já tinha plena consciência. Uma afirmação semelhante feita por um indivíduo não tinha precedentes na literatura judaica. Jesus ainda levou esse tratamento pessoal singular a um outro nível ao dirigir-se a Deus o Pai usando a afetuosa expressão aramaica “Abba”.

3. A maneira preferida de Jesus referir-se a si mesmo era o título Filho do Homem. A expressão “um filho de homem” podia significar simplesmente “um ser humano”. Mas Jesus referia-se a si mesmo como o Filho do Homem (sugerindo o singular, bem-conhecido Filho do Homem), o que indicava que ele via a si mesmo como o Filho do Homem messiânico de Daniel 7, o qual haveria de governar o mundo inteiro por toda a eternidade:

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído. (Daniel 7.13-14)

Jesus estabelece a sua autoridade divina como o glorioso Filho do Homem messiânico ao declarar que ele tem o poder de perdoar pecados e que é o senhor do Shabbath: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Marcos 2.10-11); “E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Marcos 2.27-28).

4. O ensino de Jesus enfatizava a sua própria identidade. Jesus veio ensinando o reino de Deus, no qual ele é o Rei. O seu ensino lidava com muitos tópicos, mas era, sobretudo, acerca de si mesmo que ele ensinava. A sua pergunta aos discípulos, “Quem dizeis vós que eu sou?” (Mateus 16.15), é a questão primordial do seu ministério.

5. Jesus aceitou adoração. Talvez a mais radical demonstração da certeza de Jesus quanto à sua divindade estava no fato de que, ao ser adorado, como às vezes ele foi, ele aceitava tal adoração (Mateus 14.33; 28.9,17; João 9.38; 20.28). Se Jesus não acreditasse que ele era Deus, ele deveria ter veementemente rejeitado ser adorado, como Paulo e Barnabé fizeram em Listra (Atos 14.14-15). O fato de um judeu monoteísta como Jesus aceitar adoração de outros judeus monoteístas mostra que Jesus estava consciente de possuir uma identidade divina.

6. Jesus se igualou ao Pai, e como resultado disso os líderes judeus acusaram-no de blasfêmia:

Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus. (João 5.17-18)

Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU [uma clara alusão ao nome sacro e divino de Yahweh; cf. Êx 3.14]. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo. (João 8.58-59)

Eu e o Pai somos um. Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. [...] Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. (João 10.30-33)

Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu [uma referência a Daniel 7; ver ponto 3]. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte. (Marcos 14.61-64)

 

Implicações da Divindade de Cristo


Porque Jesus é Deus, as seguintes coisas são verdadeiras:

1. Deus pode ser conhecido definitiva e pessoalmente em Cristo: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18); “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9).

2. A redenção é possível e foi realizada em Cristo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

3. No Cristo ressurreto, assunto e entronizado nós temos um Sumo Sacerdote que simpatiza conosco que tem um poder infinito para suprir nossas necessidades: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).

4. Adoração e obediência a Cristo são apropriadas e necessárias.

 

Erros Históricos Acerca da Divindade de Cristo


A mais antiga e radical negação da divindade de Cristo é chamada ebionismo ou adocionismo, a qual foi ensinada por uma pequena seita judaico-cristã no primeiro século. Eles acreditavam que o poder de Deus veio sobre um homem chamado Jesus para habilitá-lo a cumprir o papel messiânico, mas que Cristo não era Deus. Uma heresia cristológica posterior e mais influente foi o arianismo (início do século IV), o qual negava a natureza eterna e plenamente divina de Cristo. Ário (256-336 d.C.) acreditava que Jesus era o “primeiro e maior dos seres criados”. A negação ariana da divindade plena de Jesus foi rejeitada pelo Concílio de Nicéia em 325. Naquele concílio, Atanásio demonstrou que, segundo a Escritura, Jesus é plenamente Deus, sendo da mesma essência do Pai.

A grandeza de pedir perdão

Por Maurício Zágari
Há alguns dias uma pessoa me pediu perdão. Foi alguém que me causou mal meses atrás ao fazer afirmações a meu respeito que foram muito além de quem eu sou, de minhas atitudes e das verdadeiras intenções de meu coração. Confesso que eu jamais esperaria que, passado tanto tempo, chegasse aquele e-mail, com palavras tão cristãs: "Por ser essa vil pecadora, peço-lhe humildemente perdão por tudo o que lhe fiz, por ter deixado o mal exercer o domínio da minha vida, quando permiti que o pecado entrasse em meu coração (...) A vida não para pra gente consertar os erros, porque erros não se consertam, apenas os confessamos e esperamos que pela misericórdia sejamos perdoados". Admito que fiquei muito comovido.  Muito, muito, muito. Chorei uma manhã inteira. Pois, embora o perdão seja um dos alicerces do Evangelho, poucos são os que têm a grandeza de realmente superar seu orgulho e reconhecer os erros. Mesmo que no passado aquela pessoa tenha apresentado para pessoas importantes em minha vida uma imagem distorcida de mim e de meus atos, no presente seu gesto tornou-a admirável aos meus olhos. E tenho certeza que muito mais aos olhos de Deus.
Existe uma ideia de que admitir um erro e pedir perdão seria "se rebaixar". Mas é exatamente o contrário: é um gesto de bravura, humildade bem-aventurada e que prova crescimento espiritual de um servo de Deus. Quando li o email eu não perdoei tal pessoa - pois já a tinha perdoado meses antes em meu coração e em oração. Mas a fiz saber que estava perdoada e aproveitei para também lhe pedir perdão por todo mal que porventura lhe tivesse feito. Quer saber? Foi um dos sentimentos mais maravilhosos que tive em toda a minha vida. Pois, ao perdoar e pedir perdão, o Reino de Deus se fez presente, o Evangelho genuíno se manifestou e eu creio piamente que os anjos no Céu sorriram e festejaram.
Perdao2É certo e seguro, meu irmão, minha irmã, que há alguém a quem você deve pedir perdão. Eu mesmo creio que tenho no mínimo umas 50 pessoas de quem preciso lavar os pés. Dificilmente existe um ser humano que não tenha de humilhar-se por algum mal feito ao próximo, alguma injustiça cometida, algo que disse e provocou feridas. O que é bom, entenda, pois a humilhação aos olhos de Deus é totalmente diferente da humilhação aos olhos dos homens, não é um ato de inferiorizar-se, é um ato sublime. Você pode ter julgado alguém erradamente. Ou difamado essa pessoa. Pode ter tirado dela algo que não lhe pertence. Pode ter magoado seu coração. Pode ter mentido. Pode ter machucado fisicamente. Pode ter prejudicado financeiramente. Pode tê-la passado para trás no trabalho. Pode ter sido injusto em alguma situação. Pode ter feito fofoca sobre ela. Pode ter tomado seu cargo na igreja. Pode ter agido contra ela por inveja ou interesses materiais. Pode ter feito milhões e milhões de coisas que prejudicaram ou magoaram alguém.
A boa notícia é que pedir perdão está ao seu alcance.
Perdao3Em sua carta aos colossenses (3.13,14), Paulo descreve o caminho da grandeza: "Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós". O apóstolo não diz que conviver com pessoas pecadoras é fácil. Conviver comigo, que sou um tremendo pecador, é muito difícil, eu sei. Admiro quem me suporta. Mas quem o faz está cumprindo esse mandamento divino. Temos de suportar-nos e não segregarmos. Esse é o primeiro passo. Em seguida, vem o xeque-mate: temos de nos perdoar mutuamente. Não somente ficar esperando que nos peçam perdão: devemos tomar a iniciativa. Nesse sentido, essa pessoa que me pediu perdão foi muito mais grandiosa do que eu, pois deu o primeiro passo, ainda mais sem saber que já tinha sido perdoada e submetendo-se a possíveis reações hostis que eu poderia ter.
E isso é algo que precisamos ter em mente: nunca esperar o outro vir até nós, importa que façamos a nossa parte. Peça perdão sem esperar ser perdoado ou sem esperar uma boa reação. Faça o que tem de fazer. Faça o que é certo. Faça Jesus se orgulhar de você. Mas se alguém vier primeiro até você e pedir perdão de coração contrito... perdoe. Não importa a dimensão do mal cometido. Importa, isso sim, a dimensão da graça de Deus. Você não faz ideia do bem que perdoar promove em nosso coração. Pedir perdão, então, é algo libertador. Magnânimo. Engrandecedor. Não perca uma oportunidade sequer de fazê-lo, é um dos maiores prazeres e das maiores alegrias que um cristão pode sentir. É, literalmente, divino.
Tudo isso caminha na contramão da nossa cultura. A sociedade prega que devemos estar sempre por cima e manter nosso orgulho. Só que, para o Senhor, é o contrário: "Os insensatos zombam da ideia de reparar o pecado cometido, mas a boa vontade está entre os justos" (Provérbios 14.9). No Reino de Deus, o que te faz grande é se pôr por baixo. Preferir os outros em honra. Humilhar-se para ser exaltado. Tomar na cara sem revidar. Em tudo isso Deus agirá em favor de Seus filhos que procederem conforme o padrão do Reino e não o deste mundo.
Perdao4Quando tais falácias foram ditas a meu respeito tempos atrás, eu poderia ter revidado, retaliado, me defendido, posto a boca no trombone - ou seja, ter agido conforme a raiva e o ódio do mundo. Mas já tinham me ensinado àquela altura que o caminho da Cruz é o de não devolver mal com mal, fazer o bem a quem nos faz mal, orar e abençoar quem nos persegue. E, o mais difícil de tudo: não se defender. Mesmo que rangendo os dentes, suportar tudo calado. Não ficar tentando desmentir exageros ditos a seu respeito e que não condizem com a realidade. E por quê? Simplesmente porque foi o que Jesus fez. É a atitude bíblica, como Paulo deixa claro em Romanos 12. Tenho certeza de que a opção de suportar em silêncio, sem me defender ou dar o troco, pesou no mundo espiritual para o bem de todos e, enfim, para esse pedido de perdão. Que me permitiu levar a essa pessoa a paz de saber que já estava perdoada e também lhe pedir perdão por qualquer mal que lhe tenha feito. Em resumo: para fazer o Evangelho entrar em ação e ter consequência.
Deus criou mecanismos perfeitos de funcionamento das coisas: quando não revidamos Ele nos abençoa. Quando não devolvemos mal com mal Ele nos abençoa. Quando aguentamos o vitupério em silêncio sem nos defendermos Ele nos abençoa. Quando temos a grandeza de pedir perdão Ele nos abençoa. Quando concedemos perdão Ele nos abençoa. O modo de ser e agir do Reino é maravilhoso. É lindo. Nunca será defendido nos filmes de Hollywood ou nas novelas da televisão, somente nas páginas das Escrituras. As atitudes cristãs fazem as pessoas se aproximarem entre si. Fazem as pessoas se aproximarem de Deus. Dá a elas a aparência de Cristo. Se agirmos sempre como Jesus agiu estaremos pondo no rosto do manso Cordeiro um largo sorriso.
Perdao5Você fez mal a alguém, meu irmão, minha irmã, mesmo que tenha sido sem querer ou num momento impulsivo ou de raiva? Não perca tempo: peça perdão ainda hoje. Alguém te feriu muito? Não perca tempo: perdoe-o antes mesmo que ele lhe peça perdão. Disseram que você fez muito mais do que fez - ou mesmo o que não fez? Ou mesmo acreditaram no que foi dito sem ao menos lhe perguntar se tudo condiz com a realidade? Entregue nas mãos do Pai de amor, como o Filho de amor fez. E, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, não abra a boca. Entregue a situação para Deus e espere. É difícil? Pode ser, mas é cristão.
O Natal está chegando. Esse pedido de perdão chegou em boa hora, pois me lembrou enfaticamente do significado primordial dessa celebração cristã. A vinda do Verbo para reconciliar, perdoar, unir, restaurar. Domingo passado estive em um culto na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro e, ao som do belíssimo "Gloria"  de Vivaldi, entoado por um grande coral e um lindo órgão, chorei novamente, emocionado, lembrando-me do real sentido do Natal. Ali agradeci a Deus por ter-se dado por nós e nos ensinado a ser como Ele é. Perdoador. Manso. Humilde. Amoroso. Contrito. Um embaixador da paz.
Gostaria de terminar com a letra desse hino de Vivaldi, que resume bem a gratidão que sinto neste momento e o que todos devemos dizer ao Senhor - palavras que o coral de anjos cantou ao anunciar o nascimento de Jesus aos pastores no campo próximo a Belém (Lucas 2.14):
Perdao6Gloria, gloria! Gloria, gloria in excelsis Deo! (Glória, glória! Glória, glória a Deus nas alturas!)
Peça perdão a quem precisa pedir. Hoje. Agora. Já. Não espere. Não perca tempo. Não condicione isso a qualquer coisa: nunca diga "só pedirei perdão se...". Não! Passe a mão num telefone, escreva um email, vá até a outra pessoa... e aja conforme o coração de Jesus. Não espere um segundo mais. Eu te asseguro que isso te fará admirável aos olhos dos homens. E, muito mais, de Deus.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Arrastado por Deus para ser salvo

Por Natan de Oliveira

"Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a Tua mão (de Deus) e o Teu conselho (de Deus) predeterminaram que se fizesse". Atos 4.27-28.

Críticos da doutrina da predestinação revelam sua ignorância da doutrina, fraqueza e insuficiência nas suas leituras (principalmente das Escrituras), logo que abrem a boca para criticar o tema em questão.
Uma das críticas mais constrangedoras (eu fico com vergonha do cara que me diz estas coisas) é quando ele me diz "Então somos marionetes nas mãos de Deus?".
“A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinação.” Provérbios 16.33
Desconhece o crítico (e logo revela poucas horas de leituras) que Deus ordena as coisas de tal forma, que a vontade da criatura nunca é violentada, muito pelo contrário, Deus muda a mente do elemento e ele de uma hora para outra se sente atraído pelas coisas de Deus.
"... e segundo a Sua vontade Ele (Deus) opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" Daniel 4.35
Portanto, aquele que vem ao Senhor, não vem arrastado e aos berros, com Deus gritando nos seus ouvidos "AGORA EU VOU TE SALVAR E NÃO ADIANTA ESPERNEAR...".
Não!
No novo nascimento primeiro Deus muda o coração e a predisposição natural da pessoa.
Sendo que a partir de então, a pessoa ao ouvir o Evangelho passa a reagir com atenção e fome espiritual, e não mais com ódio velado em uns ou com indiferença procrastinadora em outros.
Não é necessário que a pessoa seja arrastada.
O elemento vem andando pelas próprias pernas.
"Todo o que o Pai me dá VIRÁ A MIM (Jesus); e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora... ... E a vontade do Pai que Me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que Me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia." João 6.37 e 39
Perceba que o que determina se o cara vai ressuscitar no último dia para salvação, não é o seu livre-arbítrio, mas sim o fato de se saber se ele foi ou não dado pelo Pai ao Filho.
Se o Pai deu seu nome para que Cristo Jesus pagasse o preço dos teus pecados na cruz, então diz a Palavra de Deus que VOCÊ VIRÁ A JESUS.
Se o Pai não deu seu nome... Então nada mais resta do que lamentar pela tua miserável condição.
E existem pessoas que acham que tem o poder de frustrar a vontade de Deus Pai...
“O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” Provérbios 16.9

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cada um é livre para fazer o que quer

Ouvi esta frase, num programa de televisão: “Cada um é livre para fazer o que quer”. Ela me fez pensar.
O homem é dotado de capacidade de pensar e tomar decisões. É responsável por seus atos. Não se pode impor a alguém uma religião ou uma ideologia, por exemplo. Pais escrupulosos não imporão uma profissão a seus filhos. Respeitarão suas habilidades e o seu pendor. Neste sentido, a frase tem certa razão. Cada um faz o que quer de sua vida, sendo por isso responsável. Neste sentido, a liberdade é plena.
Mas nem sempre somos livres para fazermos o que queremos. Eu gostaria de fazer muitas coisas que simplesmente não posso. Neste sentido, não somos livres para fazer o que queremos. Querer não é poder. Podemos querer coisas que não podemos ter.
Há coisas que não apenas não podemos fazer, mas que não devemos fazer. Um homem pode desejar ter todas as mulheres do mundo, mas ficará no desejo. Alguém disse que Deus é mal humorado porque parte dos dez mandamentos começa com um não. Ele nos proibiu coisas boas que gostaríamos de fazer. Por isso diz uma música popular que “tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda”. As coisas boas são proibidas. Deveríamos poder fazer e ter todas as coisas que gostaríamos. Abaixo as leis, abaixo os conceitos moralistas, abaixo as religiões com suas regrinhas! Viva a anarquia, vivam os desejos, façamos o que queremos e chega de conversa.
Mas isso funciona? Por querer a mulher de Urias o rei Davi planejou a sua morte. Fez o que quis: adulterou e idealizou um assassinato. Mas pagou um preço muito alto pelo que fez. Pode-se fazer o que se quer ou é necessário ter regras? Liberdade é o direito de fazer o que se quer? O que uma pessoa quer e pensa ser seu direito pode ser a transgressão do direito de outra.
Deus colocou tantos não nos dez mandamentos não por mau humor, mas por saber que somos maus, que somos pecadores. É uma incoerência o conceito humanista de que o homem é bom. Se o homem é bom, por que a maldade e tantas desgraças? Dizer que ele é bom e que a sociedade o corrompe é uma incongruência. A sociedade não é pau nem pedra. É gente. A sociedade é a soma das pessoas, que são más. Davi confessou sua maldade inata, quando declarou: “eu nasci em iniquidade” (Sl 51.5). Isso é o que os teólogos chamam de “depravação, a capacidade inata no ser humano de buscar o mal”. O homem não é bom. É pecador. Bem disse Billy Graham, “o homem é exatamente aquilo que a Bíblia diz que ele é”.
Por ser pecador, o homem não pode fazer o que deseja, pensando que assim é livre. Disse Paulo: “o bem que quero, esse não faço; o mal que não quero, esse eu faço” (Rm 7.19). Quando seguimos nossos instintos e paixões, não nos realizamos, mas nos frustramos. Ouvimos a iniquidade, desprezando leis e princípios que orientam a vida, e nos tornamos como os irracionais, que não têm capacidade mental e seguem o instinto. E nos damos mal.
Fazer o que se quer não é ser livre. É ser escravo. Dos instintos. De uma natureza corrompida. Por isso Jesus disse que “todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). Não somos livres quando fazemos o que queremos, e regras e princípios não são algemas. Imaginemos um trem que quisesse trafegar fora dos trilhos para poder ser livre. Saísse dos trilhos e entrasse pelo gramado, cheio de flores, alegre e festivo. Ele afundaria, com seu peso. Há um lugar para ele transitar e fora deste lugar ele se imobiliza.
Liberdade não é o direito de se fazer o que se quer. O pensador cristão Elton Trueblood disse que “liberdade não é liberdade para, mas liberdade de”. Somos livres não para fazermos o que queremos, mas somos livres de alguma coisa. Somos livres para sermos o que Deus espera de nós. Como disse Kierkegaard: “Com a graça de Deus serei o que devo ser”. Jesus ilustrou isto muito bem: “se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8.36). Liberdade é a capacidade de poder gerir a sua vida. É a capacidade de viver sem ser escravo de vícios, de paixões vis, de drogas, da ansiedade, do medo do futuro. Desde quando uma pessoa escrava de um pedaço de papel com mato dentro, um cigarro, é livre? Desde quando alguém que não consegue livrar-se de uma garrafa é livre? Livre é a pessoa que pode dizer: “Isto me faz bem e eu aceito. Tenho forças para fazê-lo, mesmo não gostando”. Livre é a pessoa que pode dizer: “Isto é agradável, mas trará más consequências. É bom, mas tenho a capacidade de rejeitar”. Liberdade é o direito de saber usar bem a vida, de discernir entre o que se deve e o que não se deve.
Voltemos a Jesus: “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Ele dá discernimento espiritual e moral para sabermos o que buscar e o que evitar. Ele dá poder para vencer o que é agradável, mas daninho. Ele torna a pessoa livre. Muita gente censura os crentes, dizendo sermos escravos, que não podemos fazer muitas coisas. Não é que não podemos. É que não queremos. Não nos têm valor. Volto à questão do cigarro: é ridículo um adulto chupando sofregamente um mau cheiroso invólucro de papel com mato dentro, sem poder parar de fazê-lo, embora muitas vezes querido fazê-lo. Coisa triste um bêbedo, caído na sarjeta, escravo do álcool. Coisa deprimente e triste um casal se separando, com os filhos prejudicados, por causa da infidelidade conjugal de uma das partes.
Os crentes não vivemos debaixo de regrinhas. Vivemos na liberdade que Cristo nos deu. Ele nos abriu os olhos e capacitou nossa vida para vencermos o mal que desgraça e optarmos pelo bem que exalta.
Você pode ser livre. Pode deixar de fazer o que lhe prejudica e fazer o bem que sabe que deve fazer. Basta confiar em Cristo, fazendo dele seu Senhor, cedendo-lhe sua vida, confiando-lhe a direção do seu viver. Você descobrirá o que Jesus quis dizer com “e conhecereis a verdade e verdade vos libertará”. Jesus é a verdade que liberta. O resto é mentira. Seja livre. Assuma um compromisso com Cristo.

Jesus, o nome sobre todo nome

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O nome de uma pessoa é sua maior identidade. O nome representa a personalidade, o caráter e a missão de uma pessoa. Recebe-se um grande nome por herança, doação e conquista. Jesus tem o nome sobre todo o nome por essas três razões. O nome de Jesus é conhecido no céu, na terra e no inferno. Anjos, homens e demônios se curvam diante de sua majestade. Ele é o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, o Soberano dos reis da terra. Nele vivemos, nos movemos e existimos. Ele é a nossa vida, a nossa paz, a nossa alegria, a nossa herança, a nossa justiça, a nossa salvação.
Em primeiro lugar, Jesus herdou o maior de todos os nomes (Hb 1.4). Jesus é a exata expressão do ser de Deus, o resplendor máximo da sua glória, o herdeiro de todas as coisas. Por isso, herdou mais excelente nome do que os anjos e foi exaltado acima de todos os seres celestiais. Ele está entronizado acima dos querubins. Diante dele até os serafins cobrem o rosto. Ele é o Rei da glória e diante de sua majestade todo o universo se curva. Jesus é tudo em todos. Ele é o centro da eternidade e da história. Ele é o agente da criação, o sustentador do universo, o regente que governa os destinos da história e faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade. Não há nenhum nome que se compare ao nome de Jesus. Nenhum nome que esteja acima do nome de Jesus. Esse nome ele herdou do Pai.
Em segundo lugar, Jesus recebeu por doação o maior de todos os nomes (Fp 2.9-11). Pelo fato do Rei da glória ter se tornado servo e se humilhado até à morte e morte de cruz, Deus Pai o exaltou sobremaneira, acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus é o Senhor para a glória de Deus Pai. Não há salvação fora do nome de Jesus. Ele recebeu esse porque é o Salvador do seu povo (Mt 1.21). Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (At 4.12). Há poder no nome de Jesus para curar os enfermos (At 3.6). Há poder no nome de Jesus para libertar os cativos (Lc 10.17). Há poder no nome de Jesus para termos nossas orações respondidas (Jo 16.23). O nome de Jesus é o centro das Escrituras. Jesus é o Alfa e o Ômega. Ele é o Maravilhoso Conselheiro, o Deus forte, o Pai da eternidade e o Príncipe da paz. Jesus é Verbo eterno, o Emanuel, o Pão da vida, a Luz do mundo, a Videira verdadeira. Ele é o bom Pastor, a Porta das ovelhas, o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ele é a Ressurreição e a vida, Aquele que esteve morto, mas está vivo pelos séculos dos séculos. Ele é o Salvador, o Messias e o Senhor. Diante de seu nome reis e vassalos, ateus e religiosos, ricos e pobres, doutores e analfabetos, anjos, homens e demônios precisam se curvar. Seu nome está acima de todo nome que se possa referir no céu e na terra!
Em terceiro lugar, Jesus recebeu o maior de todos os nomes por conquista (Cl 2.15). Jesus triunfou sobre os principados e potestades na cruz, despojando-os e decretando sua consumada derrota. Foi na cruz que Jesus esmagou a cabeça da serpente. Foi na cruz que Jesus arrancou a armadura do valente e o expôs ao desprezo. Jesus venceu o diabo, a morte e o pecado. Ressuscitou triunfantemente, ascendeu ao céu e foi entronizado com glória e majestade, acima de todo principado e potestade. Ele tem as chaves da morte e do inferno. Jesus tem todo o poder e toda autoridade no céu e na terra. Ele tem o livro da história em suas onipotentes mãos. Em breve, ele voltará com grande poder e glória para julgar as nações. Então, ele calcará aos pés todos os seus inimigos e todos os reinos do mundo serão do Senhor e do seu Cristo e ele reinará pelos séculos dos séculos. O universo inteiro se ajoelhará para dizer: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro seja o louvor, e a honra, e a glória e o domínio pelos séculos dos séculos”. Então, depositaremos aos seus pés nossas coroas e o serviremos por toda a eternidade!

ISAÍAS 45:7 - Deus é o autor do mal?

Por Norman Geisler e Thomas Howe

"Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas". (Is 45.7)
PROBLEMA: De acordo com este versículo, Deus forma a luz e cria as trevas, faz a paz e cria o mal (cf. também Jr 18.11 e Lm 3.38; Am 3.6). Mas muitos outros textos das Escrituras nos informam que Deus não é mau (1Jo 1.5), que ele não pode nem mesmo ver o mal (Hc 1.13), nem pode ser tentado pelo mal (Tg 1.13).

SOLUÇÃO: A Bíblia é clara ao dizer que Deus é moralmente perfeito (cf. Dt32.4; Mt 5:48), e que lhe é impossível pecar (Hb 6.18). Ao mesmo tempo, sua absoluta justiça exige que ele puna o pecado. Este juízo assume ambas as formas: temporal e eterna (Mt 25:41; Ap 20.11-15).
 
Na Sua forma temporal, a execução da justiça de Deus às vezes é chamada de "mal", porque parece ser um mal aos que estão sujeitos a ela (cf. Hb12.11). Entretanto, a palavra hebraica correspondente a mal (rá) empregada no texto nem sempre tem o sentido moral. De fato, contexto mostra que ela deveria ser traduzida como "calamidade" ou "desgraça", como algumas versões o fazem (por exemplo a BJ). Assim, se diz que Deus é o autor do "mal" neste sentido, mas não no sentido moral - pelo menos não da forma direta.
 
Além disso, há um sentido indireto no qual Deus é o autor do mal em seu sentido moral. Deus criou seres morais com livre escolha, e a livre escolha é a origem do mal de ordem moral no universo. Assim, em última instância Deus é respnsável por fazer criaturas morais, que são responsáveis pelo mal da ordem moral. Deus tornou o mal possível ao criar criaturas livres, mas estas em sua liberdade fizeram com que o mal se tornasse real. É claro que a possibilidade do mal (i.e., a livre escolha) é em si mesma uma boa coisa.

Portanto, Deus criou apenas boas coisas, uma das quais foi o poder da livre escolha, e as criaturas morais é que produziram o mal. Entretanto, Deus é o autor de um universo moral, e neste sentido indireto, ele, em última instância, é o autor da possibilidade do mal. É claro, Deus apenas permitiu o mal, jamais o promoveu, e por fim irá produzir um bem maior através dele (cf. Gn 50.20; Ap 21-22).

A relação de Deus com o mal pode ser resumida da seguinte maneira:

DEUS NÃO É O AUTOR DO MAL:

- No sentido do pecado
- Mal de ordem moral
- Perversidade
- Diretamente
- Concretização do mal

DEUS É O AUTOR DO MAL:

- No sentido de calamidade
- Mal de ordem não moral
- Pragas
- Indiretamente
- Possibilidade do mal

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Senhor das Tentações

Por Vincent Cheung

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, o e pecado após ter se consumado, gera a morte.

Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por Sua decisão Ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos os primeiros frutos de tudo o que Ele criou. (Tg 1.13-18)

Séculos de tradição religiosa tem insistido em que Deus não pode ser o autor do pecado. Eu tenho refutado isto em um número de lugares.[1] Existe a aceitação de que para Deus ser a causa metafísica direta de todo o mal comprometeria a Sua retidão. Eu tenho demonstrado que isto não tem base e não é inteligente, e negar que Deus é o autor do pecado é negar também a Sua soberania e providência. De fato, é um ataque ao Seu próprio Ser e posição como Deus.

Pois que todo acontecimento, seja bom ou mal, tem de ter uma causa metafísica. Se não existe causa, então este acontecimento seria ele próprio Deus; contudo, não estamos falando sobre Deus, mas sobre o que acontece na Sua criação. Se a causa não é Deus, então deve ser alguma outra coisa. E se for alguma outra coisa, então este acontecimento e a sua causa estão fora do controle direto de Deus. Isto é uma forma da heresia do dualismo, a de que existem duas ou mais forças mais elevadas trabalhando no universo, talvez uma para reger o bem e a outra para reger o mal. É uma filosofia pagã, e é resultado da doutrina de que Deus não é o autor do pecado.

Todos os tipos de aceitações arbitrárias são contrabandeadas para dentro da discussão. Algumas pessoas pensam que para Deus ser o “autor” do pecado é o mesmo que Ele “cometer” pecado – isto é, para Deus causar o mal no sentido metafísico seria para Ele o mesmo que praticar o mal no sentido moral. Mas esta suposição é destruída apenas por se afirmá-la claramente deste modo. É óbvio que as duas pertencem a duas diferentes categorias de ações e acontecimentos. Acrescentando, uma vez que Deus é quem define o Bem e o mal, para Ele cometer o mal, Ele antes deve estabalecer que seria um mal Ele fazer tal coisa, e então ir adiante e fazê-la. Em outras palavras, a menos que Deus desaprove a Si mesmo, então o que for que Ele faça é justo por definição. Não cabe aos teólogos definir o mal para Ele, dizendo-Lhe que, mesmo sendo Deus sobre todas as coisas, Ele não deve reinar diretamente sobre o mal, mas que Deus tem que ser Deus somente sobre o bem, e satã deve ser o deus sobre o mal, para reger um reino que o próprio Deus não pode tocar. Tal doutrina é uma blasfêmia da mais alta categoria. Insistimos que Deus é o autor de todas as coisas; portanto Deus é o autor do pecado.

Algumas pessoas fazem a objeção de que se Deus controla diretamente todas as coisas, então isto se transforma na doutrina do panteísmo. Esta objeção nos economiza tempo porque ela imediatamente nos mostra a falta de inteligência deles e a sua habilidade inferior como pensadores, de modo que não os levaremos muito a sério daqui para frente. A objeção brota do absurdo princípio de que Deus se identifica com o que Ele controla, de modo que se Deus controla diretamente todas as coisas, então Ele é identificado com todas as coisas, o que é panteísmo. Sendo esta aceitação arbitrária e sem justificativa, nós eliminamos a objeção simplesmente pela exposição e rejeição da hipótese.

A pessoa que exibe a suposição é então deixada com um infeliz dilema. Ou seja, já que eles assumem que Deus se identifica com aquilo que Ele controla, então eles têm de negar que Deus controla diretamente qualquer parte da Sua criação, ou têm de afirmar que Deus é identificado com qualquer coisa que Ele tenha controle direto. Eles precisam então afirmar que Deus não tem controle direto sobre qualquer coisa, ou que Deus é identificado com pelo menos uma parte da Sua criação. Qualquer das duas opções faria deles não-Cristãos. Em sua tentativa de apresentar uma objeção inteligente contra a total soberania de Deus e controle direto sobre todas as coisas, eles se tornaram pagãos e heréticos.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Irmãos, sobrenatural não significa estúpido

Por John Piper
 
Se alguém lê meu último post, “Irmãos, o Ministério é Sobrenatural” (não profissional), e diz: “Então você acha que não importa se cantamos desafinados, pregamos de forma incompetente e não oferecemos estacionamento?”, minha resposta é: “Isso é apenas estupidez”.
 
Importa se você pensa que a única alternativa para mal feito é “profissional”. Se a única maneira que você tem para estimular a excelência em sua igreja é estimular o “profissionalismo”, eu diria que você precisa de um vocabulário maior.
 
A bagagem agregada à palavra “profissionalismo” não ajuda se estamos tentando ser um povo sobrenatural de Deus. E é isso que queremos ser: O Corpo de Cristo, raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade particular de Deus, templo do Espírito Santo, família de Deus, santos, chamados, Caminho, noiva de Cristo, e mais. Não é conveniente querer ser uma noiva profissional.
 
Onde a Busca Começa
 
Então, quando renuncio a busca por profissionalismo, isso significa que não aspiro por excelência? Não. Mas, de fato, eu começo minha busca por excelência na minha busca por excelente perdão. Excelente misericórida. Excelente paciência. Excelente gentileza. Excelente humildade. Excelente autocontrole. Excelente andar de acordo com o evangelho (Gálatas 2.14).
 
É isso que Paulo tinha em mente quando nos disse para imitar o infinitamente excelente Deus. “Sejam imitadores de Deus… e andem em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Efésios 5.1-2). Não sei se Jesus cantava afinado ou se sua túnica não tinha nenhum vinco, mas sei que suas habilidades em devolver o mal com o bem eram indescritivelmente belas.
 

Busca Se Estende

Então Paulo estende a busca: “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4.8). Assim, depois que nossos corações tiverem passado por uma renovação do evangelho, o próximo cômodo a ser reformado é a nossa mente: Pense nessas coisas excelentes. Preencha sua mente com excelência. Beleza. Justiça. Pureza. Honra.
 
A próxima coisa que sai da boca de Paulo é a seguinte: “Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim” (Filipenses 4.9). Assim, o coração renovado pelo evangelho e a mente reformada pela excelência “põe em prática essas coisas”. Importa como as coisas são feitas. Em casa. Na igreja. Em qualquer lugar. Nós “praticamos” excelência.
 

Temperado com Missão

Então devemos construir edifícios esplendorosos? Talvez. Mas não muitos. A prioridade colocada na opulência dos templos e palácios no Antigo Testamento pertencia a uma era da religião do tipo “venha-e-veja”. Como a rainha de Sabá que veio a Israel e ficou impressionada diante da riqueza de Salomão (1 Reis 10.5). Mas o Novo Testamento não tem nenhuma ênfase na opulência, porque é mais uma religião do tipo “vá-e-conte”. O impulso missionário domina o impulso doméstico. Somos peregrinos. Somos enviados. “Não levem nada pelo caminho: nem bordão, nem saco de viagem, nem pão, nem dinheiro, nem túnica extra” (Lucas 9.3). Esse dito não é normativo para todas as missões, mas ele tempera tudo.
Então a busca por excelência está sempre temperada por uma mentalidade orientada a missões com uma inclinação em direção à simplicidade. É uma inclinação, não algo absoluto. Talvez haja lugar para uma catedral aqui e ali. Mas o povo de Deus não se inclinará a morar em palácios. E a vasta obra do reino acontecerá principalmente em locais sem sofisticação.
 

Excelência Discreta

Mas e a maneira que fazemos as coisas? E a música, por exemplo? Lembramos do salmista dizendo: “Glória e majestade estão diante dele, força e formosura, no seu santuário” (Salmos 96.6). “Cantem-lhe uma nova canção; toquem com habilidade ao aclamá-lo” (Salmos 33.3). Formosura. Com habilidade. Isso significa de forma profissional? Em todo o meu ministério pastoral, nunca orei para a adoração ser feita profissionalmente.
 
A categoria que consideramos mais útil se chama “excelência discreta”. O adjetivo “discreta” significa que a qualidade do ato deve ajudar, e não impedir, o objetivo espiritual do ministério. Liderar adoradores tem como objetivo, pelo poder do Espírito de Deus (1 Pedro 4.11), despertar a atenção da mente e as afeições do coração para a verdade e beleza de Deus e do evangelho. O modo de cantar e tocar um instrumento que ajuda isso acontecer não é bem descrito como “profissional”.
 
Procurando por um Milagre
 
Mas “excelência discreta” nos ajuda a chegar ao problema. Ela nos lembra que pessoas são distraídas não apenas por música de qualidade ruim, mas também pela ostentação da sutileza musical. Adoração comunitária não é um recital. O santuário não é uma sala de orquestra. O grito de “Bravíssimo!” para uma virtuosa performance (o que pode ser totalmente apropriado em uma sala de concerto) tem o foco oposto daquilo que estamos procurando para a manhã de domingo. Estamos procurando o milagre da comunhão com Deus.
O mesmo se aplica à pregação. De um lado, presbíteros devem ser “aptos para ensinar” (1 Timóteo 3.2). Dotados. Hábeis. Capazes. Eficazes. Por outro lado, existe um tipo de oratória suave e fácil, e um tipo de casualidade bacana, sábia, “antenada” e até mesmo estudada que pode causar tanta distração da presença de Deus quanto o embaraço autoconsciente do principiante nervoso.
 
Espiritual Não Significa Má Qualidade
 
Excelência discreta significa que o conteúdo, linguagem, tom de voz, gesticulação e conduta servirão aos objetivos espirituais da mensagem: o despertamento do morto e a edificação da fé nos santos pelo poder de Deus. Não há um levantar profissional dos mortos. E nenhuma edificação profissional do templo da alma.


Portanto, irmãos, nós (ainda) não somos profissionais. Nosso objetivo é sobrenatural. Portanto, nossos meios são definidos e moldados pelo Espírito de Deus. A excelência que buscamos serve a comunhão espiritual com Deus. Ela não causa distração. Mas espiritual não significa má qualidade. E sobrenatural não significa estúpido.


domingo, 16 de dezembro de 2012

CRER E CRER: PROMULGADA A LEI DE DEUS SOBRE O HOMOSSEXUALISMO

Por Wadislau Martins Gomes

O crente crê; o incrédulo crê; o teísta crê; o ateu crê; o cientista crê; e o inculto também crê. É crença que não acaba mais. O crente em Jesus Cristo crê na Bíblia. O incrédulo crê que nada crê. O teísta crê que existe um Deus. O ateu crê que Deus não existe. O cientista crê que há alguma coisa aí para ser crida. O certo é que não há nenhuma outra base para qualquer conhecimento, a não ser a fé. A menos que você prefira dizer como o cara que viu o camelo, no zoológico: “Esse bicho não existe!”

Fé é mesmo coisa difícil de tragar. Até a descrição do conceito, de início, parece complicada: a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem (Hb 11.1). Como é que pode haver certeza do que é esperado e convicção do que não é visto? Valha-me Deus! E ele vale. Pense assim: se alguém não sabe coisa alguma sobre o que procura, nem se achar, saberá o que é. Se há alguma coisa sendo tratada, certamente algo é sabido e esperado, mesmo que não seja visto – ainda. Um exemplo disso é a Tabela Periódica dos elementos. Ela permanece tal como foi proposta, boa e genial. À época, foram calculadamente deixados em branco os espaços necessários para colocar elementos sabidamente existentes, mas desconhecidos. Havia fé em que, um dia, os elementos faltantes se encaixariam.

É algo como isso que está faltando, não na fé revelada, mas na evangelização do nosso povo. Sabe por que é que tanta gente não aceita ou abandona ou “muda” a fé cristã histórica a fim de acomodar a fé insossa? É que muitos que receberam o evangelho em fé não repensaram suas vidas em arrependimento – não reviram conceitos e comportamentos próprios da vida anterior nem se preparam para testemunhar o evangelho por meio de palavras e vidas coerentes. Assim, ficam na mente e no coração alguns espaços vazios que tornam difícil a digestão da fé. Tomando emprestada a figura de João, a fé é amarga no “estômago, mas... na... boca, doce como mel” (Ap 10.9). Mas como desejamos mel na boca ainda que com o estômago cheio de abelhas, os que creem que não creem e os que dizemos crer nem sempre estamos dispostos à coerência que a fé exige.

De fato, esse alheamento da fé faz parte do conhecimento natural do Deus desconhecido (At 17.22-31). O que quer que professemos, acabamos adorando algum tipo de deus. No entanto, só um é o verdadeiro. Ele é o Criador de todas as coisas e o próprio ambiente do homem, diante de quem teremos de prestar contas dos atos do nosso corpo. Vem, daí, uma questão: Como é que ficamos diante de duas declarações de fé, a do regenerado e a do não regenerado?

De um lado, o supremo e soberano Deus promulgou um termo de justiça, primeiro exarado na lei (Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação; Lv 18.22) e, depois, arrazoado no Novo Testamento. De outro lado, os supremos juízes da nossa terra passam julgado sobre os méritos do homossexualismo, com argumentos tais como: “a família é a base da sociedade, não o casamento” (Ministro Ayres Britto, considerando inconstitucional o artigo do Código Civil que trata a união estável usando os termos "homem e mulher"); ou "Desde que duas pessoas, somente" (Ministro Cézar Peluso, sem explicar a razão da restrição); ou "A união homoafetiva deve ser reconhecida como união estável para efeitos de proteção do Estado" (Ministro Luiz Fux). Todos eles, cuidando da causa, sequer chegam à questão do âmago do indivíduo – o vazio que só poderá ser ocupado pela adoração de Deus.

Com base na fé e na justiça (Rm 1.16-17) e movido por gracioso débito de amor para com todos os homens, crentes e incrédulos (vv. 13-15), Paulo faz um arrazoado mais profundo (1.18.32): a humanidade de agora não é a mesma como foi criada, mas experimenta uma separação interna e externa. No entanto, algumas coisas são certas e esperadas.

(i) Há uma dissociação com a essência da identidade humana, Deus, que é o ambiente de todo homem (vv. 18-20; 3.23; cf. At 17.24-29; Cl 1.15-17; Jo 1.1-4). O traço de personalidade que permanece havendo é a certeza de Deus está aí; a Bíblia diz que, de uma ou outra forma, todo mundo tem consciência do Deus verdadeiro, ainda que muitos a reprimam (cf. Rm 2.14-15).

(ii) Há uma crise de identidade psicológica em que racionalidade e irracionalidade geridas pela vontade decaída, equilibram-se e desequilibram-se em um turbilhão emocional (Rm 1.21-22; cf. 7.13-20).

(iii) Há uma dissociação da identidade humana com a natureza criada, que faz o homem não se diferenciar do mundo material e animal. Conquanto todos tenhamos certeza de não sermos deuses, ainda assim, tentamos assumir o papel. Na verdade, a própria tentativa – de controlar o mundo e as pessoas, de desejar justiça ou de reconhecer a injustiça, e de querer redimir o que está errado – é uma admissão do conhecimento de Deus. E é também uma admissão do pecado humano; pelo menos, de não querer reconhecer o Criador e Redentor de todas as coisas (Rm 8.22).

(iv) Há uma crise de identidade sexual (Rm 1.24-32). Negando o Criador, a criatura perde as dimensões de individualidade e coletividade, de igualdade e pluralidade, e de propósito e finalidade. Assim é que pares sem ovários e leite e pares sem testículos e sêmen pretendem uma vida sexual (lat., seco, “divisão da raça”) e muitos anseiam filhos.

(v) Há a convicção do testemunho de Deus, em Cristo e pelo seu Espírito, que ilumina a todo homem, externa e internamente, sobre a verdade e sobre o pecado (Jo 1.9-11; 16.7-11).

Certamente, este último item vem prenhe de esperança. Paulo mesmo disse que todos nós caímos em um ou outro pecado e, assim somos réus de todos eles (Rm 3.10). Em outro lugar, ele disse que não deveríamos nos enganar, pois nenhum impuro, idólatra, adúltero, efeminado ou homossexual, ladrão, avarento, bêbado, maldizente ou caluniador, ou corrupto apreenderia o código de fé e justiça do reino dos céus: Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (1Co 6.8-11). De um lado, Deus não discrimina um grupo como o de homossexuais, mas a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos (Rm 11.32; cf. 2.11); de outro, sua Palavra não esconde os resultados da injustiça e dos desvios da fé. Sobretudo, ela diz:

Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão [Jesus Cristo] que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos (At 17.30-31).