segunda-feira, 14 de julho de 2014

Rejeitando os desejos da carne mas abraçando os desejos da mente.



Por Josemar Bessa

O apóstolo Paulo faz uma distinção entre os desejos da carne e dos pensamentos: “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

Ambos se opõe totalmente a Deus, ambos são fruto de nossa natureza caída (Carnais). Mas são diferentes e de maneira sutil podem penetrar fortemente onde o outro não se manifesta tão evidentemente.

Os desejos da carne parecem ser as mais grosseiros, as paixões mais sensuais, conectadas, por assim dizer, com a parte que gostaríamos de colocar como a mais inferior de nossa natureza. Os desejos da mente são aqueles que estão conectados com o que vemos muitas vezes até como qualidade superiores.

Alguns estão completamente mergulhados em toda sorte de frutos sensuais de luxúria, na satisfação deles avidamente... Enquanto outros, que podem desprezar tudo isso, ou pelo menos não são tentados ou pratiquem tão avidamente estes, realizam com igual ardor os sussurros de um caráter e disposição mais refinados.

Ambição de subir na vida, sede de poder sobre seus semelhantes, um desejo por fama, uma filosofia que parece moral mais que está em oposição a Verdade de Deus, descontentamento com a atual situação da vida, invejando outros em posições superiores a eles, riqueza, talento, realizações, posições mundanas, tentativa de felicidade fora de uma vida que em tudo glorifica a Cristo, ambição de sair da obscuridade, fazer um nome para si mesmo... “desejos da mente”.

Observe como Paulo coloca tudo isso no mesmo nível, os desejos da carne e da mente, e põe sobre eles o mesmo selo, ambos com a marca negra da desobediência e sua consequência nefasta, a ira de Deus.

Quando olhamos os desejos da carne se manifestando de maneira grosseira, tendemos a vê-lo como algo claro contra tudo o que Deus é, mas o que pensamos do comerciante incansável(ou em qualquer outra atividade), enérgico nos negócios, tendo como alvo da vida tão somente crescer... que põe em prática tudo que é necessário para isso, que racionaliza suas motivações, ou seus desvios na busca do crescimento?... Ele é igualmente culpado aos nossos olhos como aqueles que expressam os grosseiros frutos da carne?

O que pensamos do artista dedicado dia e noite no cultivo de suas habilidades como pintor, músico, escultor, escritor... ou em todas as outras atividades da vida... enterrados em seus livros... no ramo particular que escolheu seguir, cuja vida e energia é totalmente gasta em satisfazer todos esses desejos de sua mente?

Tanto quanto a sociedade, bem-estar público, o conforto próprio e de suas famílias, e o progresso do mundo estão em causa aqui... quando chegamos a pesar a questão diante de Deus, com a eternidade em vista, e as julgamos com a Palavra da Verdade, vemos imediatamente que não há diferença real entre eles,que o homem satisfazendo os desejos mais gritantes da carne e o erudito, o artista, o homem de negócios, o homem literário... em uma palavra, o homem do mundo, qualquer que seja o seu “mundo”... abraçado aos desejos da mente... ambos são da terra, são inimigos de Deus... Deus não está no centro do propósito de suas vidas, e se você pudesse olhar para o fundo de seus corações, muitas vezes ficaria evidente que o homem de “bem” voltado para os desejos da mente, com seu refinamento, educação... manifestam ser inimigos de Deus em suas mentes mais profundamente do que o libertino.

O pecado em ambos é a mesma coisa, e consiste no fato de que em tudo que eles procuram satisfazer é uma mente carnal que é inimizade contra Deus e Sua Palavra, que não são sujeitos a ela, e como disse o Apóstolo, nem mesmo o podem ser.

Deus (como se revelou em sua Palavra) não está em suas mentes, em seus pensamentos... apesar de viverem, respirarem, se moverem e existirem nEle, vivem inteiramente para si mesmos, e portanto, são rebeldes na definição mais profunda que Deus dá em Sua Palavra, alienados da vida de Deus, vivendo como se Deus não existisse ou como se existisse, existisse para eles e não eles para Deus.

“Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

VOCÊ VAI À IGREJA, MAS DEUS RECEBE O SEU CULTO?



Por Fabio Campos

Texto base: “O Senhor diz: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens”. – Isaías 29.13 (NVI)

O conceito de “culto” nos dias atuais tornou-se genérico e se distância em muito do seu real significado. Quando as pessoas dizem que vão ao culto, muitos fazem disto o momento do seu “sacrifício” para deixar Deus um pouco mais feliz, podendo assim, depois do dever de casa feito, angariar o “direito” de demandar as bênçãos divinas com a consciência mais tranquila.

Veja a motivação da grande maioria das pessoas nos dias de hoje - vão ao culto só para fazerem campanhas; votos de prosperidades; buscar o milagre que “hoje vai chegar”. Cerimônias e rituais são introduzidos na liturgia para atrair “fiéis”. Um “culto tal” para atrair fiéis? Pois é, os papéis se inverteram! Até onde sabemos e disto as Escrituras testificam é que, culto, é o ato de “homenagear a divindade através da adoração”. Logo, então, tudo o que vemos nestas igrejas que fazem do culto um meio para atrair pessoas a conquistarem os seus objetivos, certamente, não trata de culto, mas de um meio “supersticioso” para conseguir um fim físico ou espiritual por benefício.

Informo que Deus não se agrada deste culto e considera isso uma abominação ao Seu Santo Nome. A advertência dada por Deus através do profeta Isaias, concernente a isso, englobava – “um povo de aparente piedade, devoto, mas com o coração longe de Deus - interessado apenas no seu bem estar. Enganados pelo o seu coração - fechados para a voz da consciência - prestavam o culto através de regras ensinadas por homens” (Is 29.13).

O culto segundo a Bíblia é racional e não emocional. Não digo que não existe espaço para a alteração das emoções. Quem consegue permanecer com o seu coração de pedra na presença do Nosso Amado Senhor Jesus. O que dizer dos discípulos no caminho de Emaús ao escutar as Palavras do Senhor. Enquanto ouviam, seus corações queimavam. Engano, mas muito engano há em inibir as emoções no culto. Todavia, prestar culto a Deus é saber através do raciocínio a quem se está adorando e a forma reverente que Ele exige (Rm 12.1). A conotação dada por Paulo na carta aos Romanos [12.1], acerca disso, traz o sentido da“apresentação de um sacrifício”; “colocar de lado” para qualquer [outro] propósito. Ou seja, o culto é o homem quem dá a Deus e nunca o contrário -, Deus cultuar o homem. Ele é gracioso e faz muito mais do que pedimos ou pensamos, entretanto, cultuar a Deus é isso.

Lembro-me ainda quando católico; diziam-me que a cada missa que eu participava, mais um degrau eu subia rumo ao céu. Na minha mente ir à igreja era fazer um favor a Deus. Na mente de muitos evangélicos não é diferente. Você nunca pensou de onde vem tanta intrepidez destes para profetizar, determinar e decretar as bênçãos? “Já que estou fazendo tudo certinho, logo tenho o direito para conquistar tudo isso”, pensam eles.

Este tipo de culto é condenado por Deus. E assim Ele diz: “Quando lhes pediu que viessem à minha presença, quem lhes pediu que pusessem os pés em meus átrios” (Is 1.12?). Ninguém compra a bênção de Deus com sacrifico nenhum. Ele não tem prazer na compra da Bíblia “Ceruliana” de 900 reais. Ainda que haja um aparente quebrantamento com as mãos levantadas, Deus esconderá seus olhos destes (Is 1.15).

Muitos desigrejados estão difamando o ato de se reunir “como igreja”. Podem enganar a leigos e a uma multidão de homens, mas a Deus não se engana, pois ele mesmo disse para não deixarmos de congregar (Hb 10.25); e se reunindo, que fosse “com ordem e decência” (1 Co 14.40). Não podemos entrar de qualquer jeito na presença de Deus.

O Senhor sempre zelou por sua comunhão com o homem que Ele o criou. Desde o princípio Deus se reunia com o homem (Gn 3.8). Com a desobediência de Adão [e agora todos estão em Adão até a conversão a Jesus Cristo], Deus expulsou o homem de sua presença (Gn 3.24), passando então, depois de expulso, a ser um “errante pela terra” (Gn 4.14). Todavia, o Senhor sendo rico em misericórdia traçou um plano elaborado desde antes da fundação do mundo, cumprindo-o através de vários servos por Ele levantados. Moisés foi um destes. Ele legislou os preceitos Divinos e a importância do culto - como Deus o recebe através de regras e formas.

Quer ver o zelo de Deus para com o culto? Leia o livro de levíticos! A ordem deste culto perdurou por milhares de anos até chegar a “Plenitude dos Tempos” - quando Deus veio em carne na Pessoa do Filho Jesus cumprir todos estes preceitos - reconciliando os homens consigo mesmo - não imputando suas transgressões (2 Co 5.19). Como bem disse o grande teólogo Karl Barth: "O Deus Eterno deve ser conhecido em Jesus Cristo e não em outro lugar".

Hoje o nosso culto deve ser simplesmente a maneira de agradecermos por tudo o que Ele fez e por tudo o que Deus é. É o momento que nos desligamos dos acontecimentos lá de fora e nos concentramos, em gratidão, para darmos o nosso melhor, conhecendo assim a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Este ato [o de cultuar] é tão sério que Paulo faz uma severa advertência à igreja de Coríntios, concernente ao véu que era usado pelas mulheres na época [em sinal de respeito aos seus maridos], pois os anjos estavam assistindo o culto (1 Co 11.10). Rapaz, os anjos assistem o culto que prestamos a Deus. Senhor...! Misericórdia! Ainda bem que em Cristo minhas sandálias são retiradas ao entrar na sua presença. Sigo pelo Novo e Vivo caminho.

Portanto, amados, o culto é mais do cantar, ofertar e ouvir a Palavra. Tudo isso pode se tornar simples dogmas, litanias e liturgias decoradas, ensaiadas, sem amor e sem convicção, como diz a nota de rodapé da “Bíblia de estudo Shedd” [comentário de Is. 29.13]. Todas estas atividades [cantar, ofertar e ouvir a Palavra] faz parte, mas somente os que adoram o Pai em espírito e em verdade terão o seu culto recebido pelo Senhor como oferta de cheiro suave. Em compensação outros, o seu culto, para Deus, é simplesmente um “fogo estranho”.

Não vá à igreja simplesmente para assistir a um culto. Vá a igreja cultuar a Deus e participar da comunhão dos santos através salmos, orações e hinos espirituais que sejam dignos ao Nosso Senhor Jesus, segundo como ensina as Escrituras Sagradas.

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Com que personagem da Bíblia você se identifica?


Judas

Por Maurício Zágari

Sempre que lemos a Bíblia, nos identificamos mais com certos personagens e assumimos uma postura de oposição a outros. Isso é natural e todos fazemos isso. Como conhecemos bem as histórias das Escrituras, já sabemos a forma como os relatos acabam e, por isso, criamos empatia com os heróis – em geral, nos colocamos no lugar dos grandes homens e mulheres de Deus. O que não notamos é que, se estivéssemos no lugar dos vilões, muitas vezes provavelmente agiríamos exatamente como eles. Se você consegue perceber esse fato, muita coisa muda na sua forma de ser, você cresce em humildade e, assim, se aproxima de Deus. Deixe-me dar alguns exemplos, para deixar mais claro o que estou dizendo.

Na parábola do bom samaritano (Lc 10) todos olhamos torto e falamos mal daqueles malvados sem coração que passaram pela estrada e não prestaram socorro ao pobre homem que estava largado à beira do caminho. Todos cremos que agiríamos exatamente como o samaritano, que parou, cuidou do ferido, doou seu tempo e seu dinheiro a ele. Jamais nos identificamos com o sacerdote e o levita que foram cuidar de sua vida e de seus próprios interesses e não deram atenção ao homem que jazia ali, necessitado de uma mão estendida. Bem, agora pensemos na vida real. Tente calcular quantas vezes você viu alguém literalmente caído na rua, dormindo sob uma marquise ou desabado de embriaguez e parou para ajudá-lo. Foram muitas? Agora faça as contas de quantas vezes viu gente nessas situações e simplesmente continuou em seu caminho, sem fazer absolutamente nada pelos tais. Ouso dizer que você deu as costas ao seu semelhante muitas, mas muitas vezes mais do que parou para prestar auxílio. Estou errado? Se estou, você é uma pessoa bem melhor do que eu, que deixei pessoas caídas à beira do caminho infinitamente mais vezes do que parei para ajudar. Isso sem falar naquelas que, metaforicamente, estão feridas e desesperadas por amparo e socorro e que fingimos não ver e largamos para lá. A realidade é que não somos muito diferentes daquele sacerdote e do levita.

Outro exemplo: no caso da mulher adúltera (Jo 8), sempre olhamos para os escribas e fariseus com olhar condenatório. Como podem aqueles legalistas desalmados não perdoar a pobre mulher? Mas… sejamos sinceros. Ponha-se naquele lugar, naquele contexto. Se você estivesse no meio da multidão, será que não teria uma pedra em sua mão? Será que não olharia para aquela pecadora e pensaria que ela merecia mesmo aquela punição? Qual de nós, se estivesse naquela situação, pensaria em dizer “nem eu te condeno, vá e não peques mais”? Ouso dizer que a grande maioria cumpriria a lei e quebraria alguns dos ossos dela com prazer. Afinal, é o que fazemos hoje também. Sejamos francos: não somos muito adeptos do perdão, em nossa vida diária cremos que condenações sumárias e apedrejamento dos “pecadores” é o que agrada a Deus. Em geral, quando sabemos que um irmão pecou, exigimos juízo acima de tudo e não nos lembramos muito da graça, da restauração. Na internet, então, o que mais se vê hoje em dia são cristãos que vivem jogando pedras para todos os lados, acusando, atacando, ofendendo, alfinetando, lançando indiretas, apedrejando. Basta olhar redes sociais, blogs, sites e streams de vídeo de cristãos para perceber que há multidões de irmãos em Cristo que passam os dias tacando pedregulhos virtuais – numa postura de pretensa superioridade espiritual, exatamente como aqueles escribas e fariseus. A realidade é que não somos muito diferentes daqueles homens.

Vamos além. Pense no rico e em Lázaro (Lc 16). Todos condenamos aquele rico desumano e louvamos o mendigo. Mas, na vida cotidiana, quem de nós deixa de lado nem que seja por um tempo o conforto e os bens para dar aos pobres e necessitados algo que vá além das migalhas que caem de nossa mesa? Seria muito atrevimento meu dizer que não somos tão mais generosos assim do que aquele homem rico?

Davi e Golias, então, nos oferecem uma reflexão peculiar. Nenhum de nós jamais se considera o filisteu da história. Vivemos dizendo coisas como “temos de derrotar os gigantes”, ou “Quem é, pois, esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” e em 100% das vezes nos pomos no lugar de Davi. Jamais no de Golias. Mas pense um pouco. Quantas vezes você foi o mais forte em uma situação e humilhou o mais fraco? Quantas vezes usou de sarcasmo na sua fala contra quem discorda de você? Quantas vezes abusou do poder de que dispõe para rebaixar os menores? Em nossa superioridade, muitos cristãos oprimem os mais fracos. A realidade é que não somos muito diferentes de Golias.

Marta sempre é criticada por sua postura no relato de Lucas 10. Mas já perdi a conta de quantas vezes preferi enveredar pelo ativismo em vez de priorizar a intimidade com Jesus. Na teoria, sempre nos vemos como Maria, mas, na prática, agimos em incontáveis situações como Marta. Optamos por trabalhar para Deus em detrimento de comungar com ele. A realidade é que não somos muito diferentes de Marta.

E poderíamos prosseguir indefinidamente. Sempre admiramos Abigail e criticamos Nabal, sem reparar a quantidade de vezes em que nos negamos a ajudar quem nos pede auxílio. Sempre cremos que nunca agiríamos como Pedro e Judas, mas traímos diariamente Jesus com nossas atitudes pecaminosas e escolhas equivocadas. Sempre condenamos Pilatos, mas lavamos as mãos numerosas vezes diante de situações em que poderíamos interferir mas permanecemos apáticos em benefício próprio. Sempre achamos que somos exatamente como Estevão mas na primeiro risco que corremos saímos correndo covardemente e deixamos os outros para lá, como fizeram os discípulos no Getsêmani.

A realidade é que agimos diariamente como os vilões da história.

Não há crescimento na fé ou vida com Cristo sem o reconhecimento deste fato: nós erramos. Somos transgressores, mentirosos, egoístas, sovinas, egocêntricos, medrosos, ativistas, maus. Nossa natureza nos afasta do ideal cristão. Agimos exatamente como Paulo – não como o grande apóstolo Paulo, mas o grande pecador Paulo -, que revela sua natureza falha numa das confissões mais lindas da Bíblia (que não me canso de reproduzir nas reflexões que compartilho no APENAS, tamanho é o exemplo de humildade e transparência que Paulo dá por meio destas palavras):

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.14-25).

Nosso valor vem de Cristo. É ele quem nos justifica, santifica, edifica. É somente por ele que somos mais que vencedores. Longe de Jesus somos perdedores da pior espécie. Sem ele nada podemos fazer. Peço a Deus que essa percepção nos conduza sempre aos pés do Senhor, em humildade e reconhecimento de que somos pó. Só o Cordeiro nos livra do merecido inferno. O céu é um presente gracioso de Pai para filho. Somos os vilões da história da humanidade, mas Cristo tem o poder de nos regenerar, amenizando nossa culpa e absolvendo-nos de nossa vilania.

Meu irmão, minha irmã, seja sempre amoroso e gracioso com seu próximo. Lembre-se de que você não é tão melhor assim do que ele. Pense que muitas e muitas vezes as suas atitudes são iguaizinhas às dos vilões da Bíblia. Se você reconhecer esse fato, Deus vai exaltá-lo, ampará-lo e lhe dar graça. E, no último dia, você ouvirá do Pai: “Muito bem, servo bom e fiel…” (Mt 25.21).

Oração não é “magia branca”





Por Geoffrey Willour 

“E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.” (Jesus Cristo no Evangelho de Mateus 6.7-8, ARA)

“A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.”(Resposta da pergunta #98 do Breve Catecismo de Westminster)

A oração é o grande privilégio do crente. Quando nós crentes vamos ao encontro do nosso Pai celestial em oração, através da fé em Seu Filho Jesus Cristo, nosso único mediador, literalmente entramos pelo Espírito Santo no que pode ser descrito como outra dimensão. Na oração nós nos achegamos ao trono da graça, entramos no santuário interno, o celestial Santo dos Santos, a própria sala do trono da presença de Deus onde o Criador do universo é servido por anjos, apóstolos, santos e mártires, e toda a companhia celeste (Hebreus 4.14-16; 12.14-24,28-29; Apocalipse 4-5; 7.9-12). Quando Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados, tendo de uma vez completado a obra de expiação e entregado Seu espírito ao Pai, o véu no Templo separando o Santo lugar do Santo dos Santos foi rasgado em dois de cima a baixo, indicando que o Pai efetuou a redenção pelo Seu Filho e que agora o caminho para o Santo dos Santos foi aberto (todo o tempo) para todos o que creem (e não somente uma vez ao ano para o sumo-sacerdote (somente), como era antes na antiga aliança – veja Mateus 27.50-51). Na oração nós realmente nos achegamos a Deus em uma santa e íntima união pactual.

Assim, a ordenança da oração é poderosa. De fato, a tradição reformada e presbiteriana historicamente tem visto a oração como sendo em certo sentido um meio de graça (não no sentido de que Deus objetivamente oferece e sela Sua graça em nós, como Ele faz com a Palavra e os sacramentos, mas no sentido de que a oração é um meio pelo qual nós, pela fé, recebemos subjetivamente a graça de Deus em Cristo, que é oferecida objetivamente a nós pela Palavra e sacramentos). Portanto, a oração é uma coisa poderosa. Entretanto, hoje a prática da oração é vista com muitos equívocos, e existem muitas ideias falsas por aí sobre a oração. Um equívoco comum é uma visão do poder da oração que basicamente torna a oração numa forma de magia branca.

Como são alguns exemplos dessa visão da oração como uma forma de magia branca? Bem, querido leitor, deixe-me procurar responder essa questão te perguntando algumas coisas para colocar o problema em evidência. Você acha que suas orações são mais efetivas se elas são longas e prolixas? Você acha que seria mais abençoado por Deus e seria uma pessoa mais espiritual se você gastasse períodos prolongados na prática da oração? Você acredita que quanto mais pessoas estão orando por você, é mais provável que Deus ouça suas orações e te garanta as bênçãos e pedidos que você procura? Você acha que Deus estará mais propenso a te escutar se você conseguir uma pessoa em particular que você considera especialmente santa (por exemplo, seu pastor, ou um cristão maduro que você admira) a orar por você? Você acha que usando uma fórmula particular de oração (como a popular “oração de Jabez” ou a antiga “oração de Jesus”) vai conseguir a atenção de Deus melhor que usar suas próprias palavras na oração? Se você respondeu “sim” a quaisquer dessas perguntas, então você pode ter sido influenciado pelas noções populares, mas não-bíblicas, de oração, noções pagãs que basicamente tornam a oração em uma forma de magia branca.

As maiores expressões de oração como “magia branca” podem ser encontradas em certos círculos carismáticos e pentecostais, especialmente entre os chamados pregadores da prosperidade. Por exemplo, eu ouvi um pregador da prosperidade (do tipo “declare e reinvidique”) se gabando de como ele basicamente manda em Deus. A ideia em alguns dos círculos supostamente “cristãos” é que se você tem bastante fé pode basicamente “declarar e reinvidicar” suas bênçãos de Deus – incluindo as bênçãos de cura, saúde, riqueza, e prosperidade. Entretanto, isto passa o mais longe possível da doutrina bíblica sobre a oração. (Tente dizer a Jó, ou o Apóstolo Paulo, ou Estevão o Mártir – todos homens de oração profunda e sincera – que eles somente não tiveram fé o suficiente para “declarar e reinvidicar” suas bênçãos, ou que suas dificuldades e sofrimentos são evidência de uma fé fraca). Além de ser completamente blasfemo, é também completamente pagão. É o exemplo mais extremo de oração como magia branca. Isto transforma Deus em um capataz e sujeita o Criador à vontade da criatura. Não é um meio de fazer Deus de capacho ou dar ordens a Deus. Antes, é um caminho pelo qual nós expressamos nossa total dependência do Soberano do universo, e humildemente pedimos a Ele por coisas que são necessárias para nós e agradáveis à Sua vontade. É um meio pelo qual nós dizemos a Deus, “Seja feita a tua vontade” (e não, “Senhor, faça a minha vontade).

Quando os discípulos do nosso Senhor pediram que Ele os ensinasse como orar, Ele os ensinou um modelo de oração que veio a ser conhecido como a “Oração do Senhor”¹ (Lucas 11.1-4; Mateus 6.9-13). (Seria mais preciso a chamá-la de “a oração dos discípulos”, porque ela pretendia servir como modelo de oração para os seguidores de Jesus Cristo.) Enquanto muitas coisas podem ser ditas sobre esse modelo de oração, eu faria somente algumas observações. Primeiramente, esta oração é muito curta e direta ao ponto. Pode ser orada em menos de 30 segundos. Segundo, ela é muito íntima (Deus é chamado pelo crente de “Pai Nosso”) e simples, evitando o excesso de floreio e vã repetição caracterizados pela oração do tipo “magia branca” que acontece hoje. Terceiro, ela é completamente teocêntrica e focada no Reino. Somente uma das petições (“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”) se foca em nós e nossas necessidades terrenas, e mesmo assim somente pede pelo que precisamos (pão nosso de cada dia), e não o que nós poderíamos querer (saúde, riqueza, facilidade, conforto, prosperidade, etc.). Finalmente, ela é uma oração que manifesta uma atitude de total submissão à vontade de Deus, o oposto de tentar forçar Deus a servir nossos desejos ou interesses ou pautas. A oração “magia branca” procura usar Deus para propósitos egocêntricos. A oração verdadeira procura se submeter à vontade de Deus em humildade e gratidão. Quando somos tentados a nos inclinar ao modo de pensar da “oração magia branca”, faríamos bem em refletir sobre a Oração do Senhor.

A oração é um grande privilégio. A oração é poderosa. A oração é vital para a vida spiritual e a saúde tanto do crente individual como da igreja corporativa. Entretanto, oração não é magia branca, e Deus não é nosso Mordomo Cósmico. À medida que procuramos ser pessoas devotadas à Palavra e à oração, deixemo-nos lutar por uma teologia bíblica sobre oração, para a glória de Deus e para o nosso bem espiritual.

(Ao longo desse texto, eu realmente apreciei alguns dos comentários do Rev. Jonathan Fisk, pastor luterano do Sínodo de Missouri, faz do tema da oração perto do final desse recente vídeo do “Worldview Everlasting”. Foi dos comentários do Pastor Fisk que eu tirei a ideia de classificar as falsas noções de oração como “magia branca”.)

A igreja perfeita!



Por Josemar Bessa

Muitas pessoas num mundo que prega abertamente o individualismo, e cada homem como medida do que é bom e correto para si mesmo, tentam encontrar desculpas que racionalizem o problema nascido no Éden, o homem sendo “deus” de si mesmo.
Uma das desculpas é sempre tirar a responsabilidade pessoal pelo meu fracasso e colocá-lo em grupos maiores que não tem uma cara específica. Gostamos e abraçamos como desculpa os pecados institucionais, tão condenados diariamente, e pouco falamos dos pecados pessoais, que em última análise, são o nosso verdadeiro problema.

Muitos falam da imperfeição da igreja apenas como uma desculpa para sua vida vivida em torno de si mesmo.

Por exemplo, a unidade da igreja – A unidade da igreja (olhe para a igreja local) não significa a ausência de conflitos. Quando Cristo orou pela unidade, ele também orou pela santificação de sua igreja ( João 17.17). A necessidade de santificação pressupõe a presença do pecado, e presença do pecado resulta muitas vezes, como não podia deixar de ser, em desunião.

Cristo sabia disso, ele não ora de forma ingênua, ele orou por igreja verdadeiras num mundo real e caído, orou por igrejas imaturas, por igrejas perseguidas que lutariam com o medo..., igrejas que teriam problema com o orgulho, igrejas com membros pecadores... Ou seja, igrejas como as que o apóstolo Paulo fundou e dirigiu, e Pedro, e João... e tiveram que escrever cartas, admoestar, repreender... Igrejas como as que Jesus repreende através de João em Apocalipse 1-3. Mas a oração de Jesus ainda é que esses pecadores justificados, regenerados... estejam juntos, se mantenham juntos... Por quê? O plano de muitos hoje seria cada um ficar em sua casa até que todos fossem perfeitos para se juntarem. Mas Jesus os quer juntos e ora para que sejam santificados pela Palavra... pecadores que muitas vezes tem conflitos, juntos? Por que? Porque Jesus usa os pecados irritantes dos outros para expor nossos próprios pecados, criando oportunidades de tolerar, desenvolver a paciência, orar por transformação, aprender a perdoar... cumprindo assim uma instrução fundamental: “amar uns aos outros” ( Jo 13.34-35). Como Ele nos amou, como Ele amou os discípulos... se havia algo longe de qualquer perfeição era o grupo de discípulos que andou com Jesus naqueles três anos: Pedro, Tiago e João, Tomé... Quanto orgulho e disputa por primeiro lugar houve entre eles, quanto medo, quanta incredulidade... Tudo isso levou a desunião muitas vezes, mas a contenda que naturalmente leva a desunião traz consigo a possibilidade de refinar a igreja quando o pecado é confrontado, confessado... e o evangelho da graça é aplicado (Mt 18.21-35).

O crescimento na unidade da igreja não depende de faixa etária, música... Você cria tribos, “igrejas tribais” – Em torno da juventude, estilos musicais, vestes... Não é Cristo o ponto focal dessa união – ela é humana e carnal. Sempre é a isso que nossas estratégias levam.

A unidade da igreja depende da Palavra de Deus. Logo antes de Cristo orar pela unidade da igreja nos versos 20,21 de João 17, ele ora para que Deus santifique o seu povo. A sua oração deixa claro que a unidade tem uma base, a santificação. E ele afirma que a santificação flui da Verdade: “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade!”
Apenas quando nos humilhamos de fato sob a Palavra, não sobre partes, mas toda a Palavra, toda a Verdade. Quando abandonamos a ideia de determinar o que é relevante ou não nela, o que sempre é forjado na arrogância de um coração que não ama a Verdade, sempre que nos reunimos em torno de sua mensagem integral, mudanças espirituais verdadeira produzem unidade espiritual verdadeira.
Unidade construída em qualquer outra base, quer seja a personalidade do líder, o estilo, o ministério específico que se molda ao gosto natural de um grupo... está destinado ao fracasso aos olhos de Deus. Só quando a Palavra é central, os membros podem de fato ser reconciliados uns com os outros, aprender a perdoar uns aos outros, amar uns aos outros... a unidade da igreja depende de empenho de todos juntos crescerem na prática na compreensão da Palavra de Deus: “Santifica-os na Verdade!”

Muitos esperam o que nunca foi prometido por Cristo. Muitos esperam o que nunca foi experimentado por nenhuma das igrejas fundadas por Paulo, Pedro, João... A unidade da igreja não será plenamente realizada neste mundo. Portanto, muitos usam esse tema, como outros, apenas para disfarçarem sua recusa em viver o evangelho e crescer como povo e rebanho de Deus juntos. O que leva a compromisso, obediência, sujeição... e tantas outras coisas que apesar de ser o claro ensino bíblico, a mente desta geração detesta. Nesta geração um dos deuses mais cultuados é o individualismo. E muitos usam de várias desculpas para cristianizarem esse deus em suas vidas.

Muitos esperam hoje o que não está prometido até a volta de Cristo, o que o torna a pessoa inútil agora, no único tempo que ela tem neste mundo no trabalho de Deus na edificação da Sua igreja. Como Paulo poderia se manter útil e motivado em escrever cartas para as igrejas locais, pessoalmente lutar pela verdade de Deus nelas, pelo crescimento espiritual das pessoas... se pensasse assim?

A esperança do futuro não pode distorcer a percepção do presente. Todos nós devíamos saber, pelo claro ensino bíblico e pela nossa luta pessoal, que vivemos em um momento em que o Espírito e a carne coexistem numa guerra. Que o mundo é um inimigo poderoso, que Satanás engana e trabalha também em nosso meio. Devemos então, de modo realista, como Jesus, orar pela paz e união da igreja, buscar “se possível estar em paz com todos” – ou seja, no que depender de nós. Sermos filhos de Deus, ou seja, pacificadores no meio da igreja (Mt 5.9)... mas não ficarmos surpresos quando a desunião mostrar sua feia face. Devemos em momentos assim avaliar a nossa própria contribuição tanto na quebra da união, como na responsabilidade pela paz. Este é um assunto, como muitos outros, que nós temos o já, e temos também o “ainda não”.

Devemos avaliar a nossa própria contribuição para a luta, é preciso remover o registro do nosso próprio olho, e devemos esperar de novo no evangelho de Jesus Cristo. Sua paz é já, mas ainda não!

Exercer o perdão, a paciência, a longanimidade, a benignidade, a mansidão, o amor... é estar vivendo exatamente isso. Num perfeito ambiente de paz, esses frutos não estariam sendo desenvolvidos. Um dia esse tempo chegará.

Se tua aspiração fixa agora está no que ainda está no futuro, e com isso a tua desculpa está na imperfeição da igreja, sua motivação não pode ser a mesma dos apóstolos... nem mesmo a de igreja ao orar por sua igreja (João 17), mas não passa disso, desculpa e racionalização. No entanto, paz perfeita está prometida, e está prometida por um Deus soberano que não pode falhar e não falhará. Hoje já estamos em paz com Ele (Rm 5.1). Agora oramos pela união, temos nos tornado pacificadores, estamos sendo santificados pela Palavra... estamos engajados na batalha, e não procurando desculpas para fugir dela.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sobre a "bíblia Free style"

Por Rev. Ageu Magalhães

No dia 16/05/14 eu participei do Programa Vejam Só, da RIT-TV, tratando do tema "Igrejas underground e Bíblia Free style: Até que ponto estamos adaptando o Evangelho ao nosso gosto?". Ao meu lado estavam o Pr. Eber Cocareli, mediando o debate, e o criador da "bíblia Free style", o Pr. Ariovaldo Jr.

Tive uma boa impressão do Pr. Ariovaldo Jr. Percebi que estava diante de um homem crente e bem intencionado. Todavia, nossas posições foram opostas quanto ao assunto. Infelizmente, com um filho no hospital, eu não estava 100% no debate e, por isso, deixei de usar muita argumentação que poderia ter lançado para esclarecer melhor o tema.

Portanto, posto abaixo as razões pelas quais eu acho que a "bíblia Free style" é totalmente inapropriada para a leitura dos crentes e para qualquer tipo de evangelização.

1. Usa palavrões

Sempre foi ponto pacífico que crentes não falam palavrões. O povo de Deus sempre foi reconhecido por sua linguagem sadia e isso nunca precisou de defesa. Mas agora eis que surge uma geração dizendo que palavrão não tem importância, pois é algo "cultural e relativo". Vejamos o que a Bíblia nos diz:

Mateus 5.22 “Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo estará sujeito ao inferno de fogo.”

Mateus 12.36,37 “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado"

1 Coríntios 15.33 "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes".

Efésios 4.29 "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem".

Efésios 5.3,4 “Mas a impudicícia [falta de pudor – no grego pornéia] e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe [aischrotes – conversa imoral, baixa, obscena], nem palavras vãs [morologia – conversação boba] ou chocarrices [eutrapelia – linguagem baixa, libertinagem], coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças.”

Filipenses 4.8 "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento".

Colossenses 3.5-8 “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]. Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena [aischrologia – conversa imoral, baixa, obscena], do vosso falar".

Colossenses 4.6 "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um".

Tito 2.7,8 “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível [akatagnostos – que não cabe censura, nem reprovação], para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito.”

Tiago 1.26,27 “Se alguém supõe ser religioso deixando de refrear a sua língua, antes enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.”

E onde estão os palavrões da "bíblia Free style"? Perdoem-me os irmãos que, como eu, não falam palavras torpes, mas é necessário, neste caso, mostrar o absurdo:

"E Jesus terminou a explicação: "Pois o Reino de Deus é desse naipe! Vai ter gente safada, ladrões, cobradores de impostos, putas e traficantes que vão entrar no céu na frente de vocês." Mateus 21

Porra! Pra que zoar a desprezar a Igreja de Deus e envergonha os que nem comida tem? Vamo parar com essa palhaçada! 1 Coríntios 11

"Ahhh maluco! Teu jeito de falar dá a entender que você é um deles sim!". E pra escapar de ser pego, Pedro começou a xingar e a jurar: "Puta que o pariu, viu! Quantas vezes vou ter que falar que eu juro que não conheço esse homem?". Mateus 26

Tá foda a coisa por aqui, e chorando muitão eu escrevi pra que vocês conhecessem o amor que sinto por cada um aí. 2 Coríntios 2

E Jesus respondeu: “Vocês tão forçando a amizade pra ver se eu concordo com a putaria né? Pois o erro de vocês é não conhecer nem a Bíblia e nem o poder de Deus. Marcos 12

Vivam honestamente! Não vivam comendo ou bebendo além do que convém. Não fiquem procurando negócios desonestos, nem se metam com putarias, nem invejem ou briguem. Romanos 13

Tão falando por aqui que entre vocês andou rolando uma putaria dum tamanho que nem entre os pagãos se ouviu falar. 1 Coríntios 5

Os nossos corpos são membros de Cristo! Então pelamordeDeus, não façam do corpo de Cristo membros de uma puta. Não! Nããããão! Não sabem vocês que quem transa com uma puta, torna-se um corpo só com ela? 1 Coríntios 6

E como é justo entre os santos, que as putarias de todo tipo e o apego ao dinheiro nem exista entre vocês. Efésios 5

Uns ficam contando vantagem que preencheram a ficha de inscrição pra organizada comigo, outros com Apolo, uns com Pedro e outros com Cristo. Porra, gente! Por acaso faz diferença? 1 Coríntios 1

Mas mesmo eu sendo o mais foda nesse dom, ainda sim prefiro falar cinco palavras da minha própria inteligência pra que outros possam aprender algo, do que dez mil em idiomas desconhecidos. 1 Coríntios 14

E junto foi aquele brother que teve em todas as Igrejas conhecido o quanto o cara é foda no evangelho. 2 Coríntios 8

Ao ver esta cena, o religioso começou a falar baixinho: "Se Jesus fosse mesmo tão foderoso quando dizem, saberia que essa vagabunda aí não vale nada". Lucas 7

2. Usa palavras chulas

Palavras chulas são palavras baixas, grosseiras, inapropriadas. Na história da tradução da Bíblia os linguistas sempre se preocuparam em escolher termos dignos da santidade da Palavra de Deus. Esse cuidado não aconteceu na "bíblia free style". Alguns exemplos:

Se o seu computador é empecilho pra te deixar ser perfeito, quebra essa merda e joga no lixo. Mateus 5

Jesus sacou que os caras tavam falando merda e comentou: "Quem precisa de médico é quem tá doente. Mateus 9

"Se algum dos seus amigos fizer alguma merda, puxe ele no canto e quebre o pau. Se ele cair na real e pedir desculpas, você salvou seu amigo. Mas se o mané teimar, leva mais uns dois ou três pra por pressão. Se nem assim o safado reconhecer a cagada, leva a gangue inteira pra lhe dar uma surra moral! E se ainda sim o desgraçado não assumir o que fez, então nem considerem ele como amigo." Mateus 18

Prepararam o jegue colocando uns panos pra Jesus sentar sem machucar a bunda. Mateus 21

"As coisas que eu ensino vão ser repetidas no mundo inteiro, pra que nenhum bunda mole possa dizer que nunca ouviu falar do caminho que salva o homem, aí em seguida o mundo vai acabar." Mateus 24

Judas, percebendo a merda que havia feito, procurou os religiosos pra devolver o dinheiro que havia recebido. E lamentava dizendo: "Putz gente! Ferrei com Jesus! Mateus 27

Quando passou o cagaço, os guardas correram e avisaram os religiosos tudo que havia acontecido. Ao perceberem a merda que aquilo tudo ia virar, subornaram os guardas com muito dinheiro pra eles ficarem na miúda e fingirem que não sabiam de nada. Se cagaram de medo de Pilatos ficar sabendo de tudo. Mateus 28

“Pra entrar ladrão no banco, primeiro tem que ver se a segurança tá rendida. Senão mano, o ladrão se ferra. E já vou avisando vocês que falam essas asneiras todas que quem falar merda sobre o Espírito Santo não vai ser perdoado. Posso perdoar todo tipo de coisa, mas isso aí já é apelação!” Marcos 3

Jesus então tirou grandão seus discípulos: "Até agora vocês tão nessa bundamolice de não crer?". E a negada toda meio que sujou a cueca só de pensar nas coisas que Jesus era capaz de fazer. Afinal, quem era ele? Marcos 4

Precisamos é de tudo novo daqui pra frente. Se tentarmos remendar as coisas velhas, vai virar merda." Lucas 5

Mas uma viúva que era bem pobre, colocou duas moedas de 1 centavo na caixa. Tá ligado que com 2 centavos você não compra merda nenhuma, né? Marcos 12

Mas Deus não errou com ninguém! Quem faz um vaso tem poder pra escolher se ele será pra colocar flores ou pra ficar no banheiro recebendo merda de todos que ali moram. Tá achando ruim saber que Deus com muita paciência permitiu que viesse à existência um monte de vaso sanitário cheio de merda, que servem exatamente pra que Ele mostrasse sua raiva e poder? Romanos 9

O profeta Elias falou com Deus sobre a merda que tava virando o povo escolhido e a resposta que recebeu é que o próprio Deus havia separado pra si sete mil homens que não haviam mijado no barranco. Romanos 11

Tem gente que vive de datas especiais, mas outros acham que todos os dias são a mesma merda. Romanos 14

Tô falando de nego abusando da mulher do próprio pai! Vocês tão se achando os bonzões e nem se afetam a ponto de desejar afastar de perto de vocês quem faz essas merdas. 1 Coríntios 5

O guarda que vigiava Jesus, junto com os religiosos, vendo tudo que aconteceu, se mijaram. Mateus 27

Zacarias se cagou todo e gaguejava como uma criança pega fazendo arte em flagrante. O anjo o acalmou, dizendo: "Calma aí Zaca, eu não vim pra te sacanear não! Lucas 1

Aí Paulo respondeu: "Ô otoridade! Fique sabendo que eu sou judeu da cidade de Tarso, que não é pouca bosta na Cilícia não!". Atos 21

Se a rejeição do povo de Deus é salvação pro mundo, com certeza a aceitação deles será vida até pros mortos! Se o ovo tá podre, a gemada inteira vai ficar uma bosta. Romanos 11

3. Faz piada com o texto bíblico

A Bíblia sempre foi chamada de "sagrada" porque nela caminhos de vida e de morte são definidos. Ela não é um livro comum, mas um livro santo, inspirado por Deus. Davi o louva porque Ele magnificou acima de tudo o Seu nome e a Sua Palavra (Sl 138.2). Mesmo traduções e até paráfrases levam isso em consideração. Não a versão "free style", pois faz piada com o texto bíblico. Veja apenas alguns exemplos:

No meio dessa tentativa ridícula de "ajudar", uma nuvem os rodeou rapidamente e deu pra ouvir uma voz mais sinistra que do Cid Moreira: "Esse meu Filho é o cara! Só traz alegria ao meu coração. Fiquem quietos e escutem o que ele diz.". E os três seguidores de Jesus quase se mijaram de medo. Mateus 17

Aí os discípulos perguntaram: “Aí Jesus! Quer que a gente ore pra Deus mandar uma Genki Dama do céu pra destruir essa merda dessa cidade?”. E Jesus, dando bronca geral, explicou: “Putz, vocês realmente não sabem de que lado estão. Manés, eu não vim pra matar as pessoas, eu vim pra salvar!”. Lucas 9

Enquanto elas pensavam se ligavam pra polícia ou se iam no setor de achados e perdidos, apareceram duas pessoas que brilhavam muito. Não, não eram os vampirinhos emo da série Crepúsculo. Eram dois anjos. Elas obviamente se mijaram de medo. E os anjos disseram: "Pra que tão procurando gente viva em túmulo? Tão ficando loucas é? Jesus tá vivo. Ele avisou lá na Galiléia o que ia rolar." Lucas 24

Esse tal de José era especial por que quando a dona Maria (sua noiva) apareceu dizendo que tava grávida do Espírito Santo, ele obviamente sentiu que isso cheirava a chifre. Mas sendo um cara legal pra caramba, resolveu terminar o noivado discretamente. Mas naquela noite um anjo apareceu no meio de um sonho e de maneira bem convincente o persuadiu a aceitar a missão de ser pai do filho de Deus, que se chamaria Jesus. Eita homem santo esse tal de José! O moleque que se chamaria Jesus, além de nascer de uma virgem (pra não desmentir a profecia), também viria pra salvar o povo das cagadas deles. José, cabra macho e obediente, não transou com a dona Maria até que nascesse o menino que o ultrassom celestial havia prometido. Mateus 1

Tendo nascido Jesus em Belém, enquanto Herodes era governador, vieram a Jerusalém uns mágicos do oriente. Seus nomes eram David Copperfield, David Blaine e Criss Angel. Tá, não sabemos o nome deles. Mas que foi legal a piada, foi! Mateus 2

Aí o Espírito Santo levou Jesus pra um rolê, no deserto. E lá ficou cheio de propostas indecorosas por parte do diabo. Jesus acabou 40 dias e noites sem comer nada, mesmo havendo muitos Habbibs por perto. Mateus 4

Insatisfeito com a resposta de Jesus, o diabo o levou pra cima do World Trade Center (na época as duas torres ainda existiam), propondo que ele fizesse base jump dali. Jesus retrucou suave como uma voadora no peito: Não tente fazer Deus de otário. Mateus 4

Por fim o diabo levou Jesus pra frente da TV e mostrou tudo que tem de bom nesse mundo (incluindo Bacon, a Megan Fox e cerveja), prometendo dar todas aquelas coisas em troca de Jesus adorar o capiroto. Como Jesus não era besta nem nada, respondeu que só a Deus devemos adorar, até por que ele é o criador do bacon, Megan Fox e cervejas. Só restou então ao diabo vazar com o rabinho entre as pernas. Imediatamente após o capiroto vazar, os anjos trouxeram uma caixa de esfirras do Habbibs e uma Coca Cola bem gelada. Mateus 4

Sorte de quem for xingado, cuspido, e denunciado como abusivo no Facebook por causa de defender as minhas coisas. Pulem de alegria, por que fizeram o mesmo com os meus trutas antes de vocês, homens que tinham o poder do Espírito Santo de soltar Hadouken. Mateus 5

Deus faz gente boa e gente ruim ganhar na Mega Sena. Ele é igualmente justo para com todos. Mateus 5

"Quem me aceita é como se estivesse aceitando o Pai. Também quem receber vocês como profetas, serão recompensados de maneira justa. Quem der ainda que um copo de Coca-Cola e uma bolacha de água e sal pra alguém que está encarregado da minha missão, pode ficar tranquilo que não vai faltar bolacha recheada no céu". Mateus 10

Terminando de contar todas estas histórias, Jesus foi lááááá pro final da Judéia, pra lá do rio Jordão (acho que Judas perdeu suas botas aí, surgindo a expressão "onde o Judas perdeu as botas"). Um monte de gente ia junto, tipo quando o Forest Gump resolveu correr. Jesus resolvia todos os problemas de saúde da galera, na maior facilidade. Mateus 19

E Jesus soltou o hadouken final: "Se você quer ser 'o cara', então vende tudo o que tem e dá pra quem não tem nada. Faz a diversão dos pobres, mano! Aí vem viver comigo, nessa nossa vida loka". Então o cara abaixou a cabeça e saiu de fininho, por que era rico pra caramba e sentiu pena de se livrar dos carros, videogames, da empresa e do apartamento no Guarujá. Mateus 19

E Jesus explicou: "Vocês que largaram tudo pra serem meus seguidores, vou garantir umas cadeiras estilosas no céu, pra julgarem as doze tribos de Israel. Quem deixou as coisas materiais ou a família por minha causa, vai receber cem vezes mais no céu (menos sogra, claro), além da vida eterna." Mateus 19
Saindo Jesus do prédio do templo, os seus seguidores começaram a pagar pau pro tamanho da construção. Era igual ao que a Universal tá construindo em Sampa, só que mais bonito. Aí Jesus disse: "Tão vendo isso tudo? Não vai sobrar nada!". Mateus 24

"Aí vocês verão o meu Bat-Sinal no céu. Todo mundo vai ver e se lamentar. Vão me ver chegando em cima das nuvens, soltando hadoukens (com todos os especiais possíveis) e lasers pelos olhos. Vai ser o maior espetáculo da Terra!" Mateus 24

Se você soubesse quando o ladrão ia entrar na sua casa, ficaria esperto e faria umas armadilhas (tipo Esqueceram de Mim). Mateus 24

E ele pirou o cabeção. E gritava: "JESUS, FILHO DE DAVI! DÁ MORAL PRA MIM!". Ele então mandou chamar o cego e perguntou o que queria. O cego respondeu: "Eu queria uma moto Dafra... PEGADINHA DO MALANDRO! Ô Jesus! Eu quero enxergar!". E Jesus disse: "Enxerga então manolo! A sua plena convicção a respeito de quem sou te salvou." Lucas 18

Por isso é sabido que obter o favor de Deus não depende do que queremos ou do que fazemos. Mas depende somente de Deus (onde está seu livre-arbítrio agora, heim? HÁÁÁÁÁÁÁÁÁ). Romanos 9

Mas vocês FIEL, são de Jesus Cristo. 1 Corinthians 1

4. Distorce o sentido do texto

Como já deve ter ficado claro, a versão "free style" não é a Palavra de Deus apenas com linguagem diferente. É uma versão feita em cima do texto bíblico, mas sem exatidão alguma quanto ao escrito inspirado por Deus. O próprio autor insiste em dizer que não é uma tradução. E não é mesmo porque o sentido dos textos, em sua maioria, não é o original. Veja apenas três exemplos disso:

MATEUS 1.1-17

Na Tradução Almeida Revista e Atualizada:

Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos; Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias; Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias; Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a Matã; Matã, a Jacó. E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze.

Na "bíblia Freestyle"

Livro da geração de Jesus, o cara. Da descendência de Davi e também de Abraão. Depois de Abraão, muito sexo foi feito e muitas crianças nasceram por conta disso. Essas crianças cresceram, tornaram-se adultos e também fizeram mais sexo ainda. Até que quarenta e uma gerações se passaram e nasceu um cara muito jóia chamado José.

Onde está a distorção? No texto original o Espírito Santo escolheu cuidadosamente os personagens marcantes da genealogia de Cristo para nos ensinar algumas lições como, por exemplo, que o Messias descende de Abraão e Davi (v. 1-6), descende de uma linhagem de reis (v. 6-12) e de pessoas que não mereciam estar em uma genealogia messiânica, mas Deus as inseriu para mostrar sua graça e misericórdia. Estas pessoas são Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Judá.

A versão "freestyle" subtrai todo este ensino. Deus não colocou textos sem propósito nas Escrituras. Retirá-los é adulterar a Palavra de Deus.

MATEUS 5.13-16

Na Tradução Almeida Revista e Atualizada:

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

Na "bíblia Free style"

Vocês são a vodka da caipirinha, mas se a vodka for vagabunda, como que alguém vai beber essa porNão serve pra mais nada, senão pra acender a churrasqueira. Vocês trazem capacidade de enxergar a verdade nesse mundo. Não dá pra esconder um gordo atrás da cortina. Seja referência! A luz de dentro da geladeira é legal, mas não tem muita serventia quando a porta tá fechada. Brilhem do lado de fora, pra ninguém trupicar no pé da cama.

Na época de Jesus o sal tinha muita importância na preservação dos alimentos. Quando se matava um animal para alimentação, a forma de não deixar a carne apodrecer era salgando-a toda. Não foi sem sentido, então, que Jesus chamou os discípulos de sal da terra, pois em um mundo de apodrecimento, eles são o diferencial da preservação. A outra figura usada por Jesus, a da luz, aponta para o testemunho do cristão por meio das suas obras que devem ser vistas por todos, para que glorifiquem a Deus. A paráfrase da versão "freestyle" perdeu totalmente o sentido desta mensagem ao usar outros símbolos.

JOÃO 2.1-11

Na Tradução Almeida Revista e Atualizada:

Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser. Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. Jesus lhes disse: Enchei de água as talhas. E eles as encheram totalmente. Então, lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram. Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora. Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

Na "bíblia Free style"

Depois que passaram dois dias, Jesus e a sua mãe foram chamados para uma festa de casamento. Que diferente do tal “os noivos receberão os cumprimentos na igreja” resolveram dar uma big de uma festa com direito a poder levar os penetras. Pois é, igual aquela festa de igreja, acabou o vinho. A mãe de Jesus reclamou que o vinho acabou e pediu para Ele dar um jeito. Sabe como é, um milagre aqui outro ali que tal fazer o vinho brotar da água? Nessa Jesus responde pra mãe dele que não era hora dele sair do mocó. Mas sabe como é mãe, ela sempre tá disposta a mostrar foto feia, contar seus defeitos e mandar você fazer o negócio de qualquer jeito. A boa senhora manda o garçom cumprir exatamente o que o filho dela iria manda fazer. Rapaz, os caras juntaram um monte de barril de 120 litros, 120 litros malandro! Encheram de água e záz-tráz, virou vinho do porto. Aí o noivo que só tava pagando a conta, foi chamado pelo MC e ganhou um parabéns pela qualidade do vinho. Afinal, em festa com cunhando se serve primeiro patinho, picanha só no final, né não zezão?!

A versão "free style" joga fora o mais importante do texto: a presença dos discípulos. Jesus nunca fez um milagre sem propósito. Ele sempre tinha algo a ensinar. Por isso, os milagres são chamados de "sinais", porque apontam para um ensino. No caso do primeiro milagre, transformação da água em vinho, o objetivo era gerar fé no coração dos discípulos. Por isso o versículo 11 conclui o evento: "Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele." Aquele foi um milagre para os discípulos, por isso a multidão nem tomou conhecimento do ocorrido. Ao omitir isso, a versão "freestyle" corta o principal da mensagem, distorcendo o objetivo do ensino.

Conclusão

Concluo este texto dizendo que a "bíblia free style" é um equívoco. A linguagem é pecaminosa e blasfema. Por mais que o autor tenha tido boas intenções, deveria parar este trabalho e excluir o site. Não é linguagem apropriada para as coisas de Deus. Paulo instruiu a Tito dizendo: "No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito.” (Tt 2.7,8) Não há reverência e linguagem irrepreensível na "free style".

Quanto ao argumento de que as pessoas estão gostando, ora, nestes dias confusos há pessoas para todos os gostos e crenças. Até figuras folclóricas como "Inri Cristo" têm seguidores. O critério não é aprovação popular, é aprovação divina. E, geralmente, o que é aprovado por Deus não é popular entre homens. Paulo mostra isso claramente: "Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração." (1Ts 2.3,4)

Quanto ao argumento de que não é uma bíblia para crentes, mas para os não-crentes marginalizados, ele não se sustenta. As igrejas evangélicas têm nos seus bancos ex-bandidos, ex-drogados, ex-homossexuais, ex-bêbados, ex-punks, analfabetos e semi-analfabetos e todos foram alcançados pela Graça divina, por meio da pregação e explicação da Bíblia. Deus nunca precisou de uma versão com palavrões para atingir a estas pessoas. Pensar que Deus precisa deste tipo de "ajuda" é limitar o seu poder, é não confiar no poderoso Evangelho descrito em Romanos 1.16.

Nós precisamos pregar o Evangelho sim, a toda a criatura, mas sem nos esquecermos que "asarmas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus" (2Co 10.4). Confiemos nisso.
caria?

Não há justo, nem um sequer


Justo1

Por Maurício Zágari

“Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10). Esse pequeno trecho da carta de Paulo aos romanos deveria ser alvo de reflexões diárias de todo cristão. Mostra que toda a humanidade faz parte do mesmo grupo de indivíduos: gente imperfeita, errada, pecadora e desesperadamente carente de Deus. Da cruz. De Cristo. Ninguém é justo por si mesmo, mas somos feitos justos por meio do sangue de Jesus. Essa percepção deveria nos levar a uma posição de extrema humildade e misericórdia; afinal nenhum de nós é melhor do que o outro. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Meu irmão, minha irmã, eu e você somos culpados de transgredir toda a lei de Deus. Toda. Consequentemente, não somos melhores que o ladrão da cruz, Pilatos, Judas, os fariseus, Herodes, Charles Manson, Adolf Hitler, Mussolini… quem você quiser. Aliás, eu, você, seu pastor, o líder de jovens da sua igreja, os cantores mais famosos, os líderes da sua denominação, a dirigente do círculo de oração, madre Teresa de Calcutá… não importa: estamos todos no mesmo barco, que mina água todos os dias e afunda no mar de pecados. A salvação está exclusivamente em Jesus. Só. Ele é o único caminho. O único justo por mérito próprio. Ser humano nenhum vale alguma coisa por mérito pessoal, o enorme valor que temos vem por graça, justificação, misericórdia, adoção, concessão divina. Nosso valor não é uma característica inata, é um presente que recebemos. Somos galhos secos, o que temos de bom vem da seiva que corre para nós a partir da árvore em que fomos enxertados: Cristo. Uma leitura recente me fez enxergar isso com uma clareza ainda maior do que antes.

Ao ler o último exemplar da revista Cristianismo Hoje, me deparei com reportagens que me chamaram a atenção. Primeiro, o pastor sul-coreano David Yonggi Cho (foto), líder da maior igreja evangélica do mundo, a Yoido Full Gospel Church, foi preso e condenado a três anos de prisão pelo desvio do equivalente a R$ 30 milhões da igreja. Ele admitiu que cometeu o crime “movido pelo interesse de suprir dificuldades financeiras da obra missionária”. Segundo, o papa católico romano Francisco confessou publicamente que furtou um crucifixo do corpo de um colega morto, em pleno velório, quando era bispo em Buenos Aires. “Enquanto espalhava as flores, peguei a cruz que estava sobre o rosário”, admitiu.

Em comum, as duas histórias nos falam de líderes religiosos (independente da teologia ou doutrina que professam) que são referência em suas linhas de atuação e exemplos para seus seguidores e que cometeram pecados que nenhum de nós esperava que cometessem. Muita gente fica chocada ao tomar conhecimento de situações como essas. Ouço comentários do tipo “como pode, mas logo ele!”. A mim, porém, nada disso espanta. Pelo simples e bíblico fato de que, assim como eu e você, todos os líderes religiosos são pecadores, cometem atrocidades, acertam e erram, escorregam e caem. Pois são humanos. Necessitam diariamente de perdão por seus pecados. São iguaizinhos a mim. E a você.

Cada vez que leio relatos como esses, simplesmente me entristeço e penso “É, a Bíblia está certa mesmo”. Somos pó. Nossa natureza humana é má. Precisamos desesperadamente de Jesus de Nazaré. Vejo grandes homens de Deus confessarem pecados que comprovam que são simplesmente homens e isso me leva a ouvir com cada vez maior tristeza discursos de pessoas que se consideram cristãos mais santos do que outros e que, por isso, falam do próximo com superioridade. A queda de gigantes me mostra que devemos sempre amparar-nos, do maior ao menor, pois estamos todos no mesmo nível. Dos que ocupam os mais elevados cargos na hierarquia eclesiástica aos iniciantes na fé, todos equivalemos: somos aglomerados de pele, ossos, sangue e pecados e carecemos da piedade de nossos irmãos e da misericórdia de Deus. Todos exalamos o odor da desobediência e precisamos desesperadamente do perfume de Cristo.

Entenda que a compreensão acerca de nossa falibilidade não deve nos tornar abertos ao pecado ou confortáveis com ele. A transgressão à vontade divina deve ser sempre evitada, precisa constantemente ser alvo de nossas pregações, exortações e alertas. Sempre. Sempre. Sempre. Santidade não se negocia. O que considero triste é a postura de superioridade que alguns de nós assumem, por se considerarem espiritualmente menos falíveis do que os outros. E não tenho o olhar entristecido para essa postura a partir de mim mesmo: sigo o exemplo de Jesus, que criticou diversas vezes a hipocrisia dos mestres da lei e fariseus durante seu ministério terreno. O que Cristo sempre denunciava nesses doutores da teologia era a hipocrisia: serem pecadores não arrependidos e ficarem rebaixando, discriminando e atacando outros pecadores. É a velha história da trave e do cisco no olho, que você já conhece. E hoje, dois mil anos depois, a história se repete.

Quando leio relatos da queda de homens de Deus, meu coração rasga. Não só pelo pecado em si desses líderes, mas por ver muitos e muitos irmãos que – inacreditavelmente – parecem se alegrar com a queda deles. Como se tombos alheios valorizassem estarmos de pé. Podemos, por favor, chorar por eles? Será que você consegue orar por cada indivíduo pecador como você e pedir ao Santo dos Santos que os restaure e use de compaixão para com suas vidas? Se eles fossem membros da sua igreja ou pessoas de sua convivência diária, o que você faria? Será que os procuraria e lhes levaria palavras de conforto, amor, graça e reconstrução? Ou daria as costas, se afastaria, os largaria à própria sorte? A resposta a essa pergunta revela se você vive a hipocrisia ou a piedade – peço a Deus que seja a piedade.

E sempre devemos inserir na equação sobre como vemos esses homens que pecaram o fator arrependimento. Uma vez que cada um deles se arrepende do erro, confessa e deixa o pecado, está perdoado por Deus. Como poderíamos nós não perdoá-los se o próprio Criador os perdoou? Se Jesus foi à cruz por eles? Esses indivíduos, quando restaurados, podem e devem continuar exercendo seu ministério. Continuam sendo úteis para o Senhor. Seus livros continuam sendo valiosos e importantes, sua pregação segue sendo relevante, sua vida e seu ministério não morreram. Se você tem dificuldades de concordar com isso, lembre-se dos seus próprios pecados. Nada disso é graça barata: é graça, em sua essência mais pura e bíblica.

Precisamos compreender que o evangelho não são boas-novas de hipocrisia ou de superioridade: são boas-novas de salvação. Pois o que a cruz nos mostra acima de qualquer outra coisa é que a humanidade é toda perdida, nasceu igualmente destinada à miséria espiritual e só pode encontrar o caminho da paz em Jesus de Nazaré. Isso nos faz elevar os olhos para os montes, para o único que é digno de abrir os selos. Nossa pecaminosidade coletiva destaca a gloriosa pureza do Cordeiro de Deus.

Meu irmão, minha irmã, fuja do pecado. Esforce-se no poder de Deus para se libertar de práticas pecaminosas, de pensamentos maldosos e de tudo o que fere o Senhor. Viva uma vida dedicada à proclamação da santidade. Isso é bíblico e é o certo. Mas, em nome de Cristo, viva também uma vida devotada a levar indivíduos a se aproximar de Jesus. E isso não acontece falando mal ou pondo o dedo na cara: Cristo se manifesta por meio do amparo, do auxilio, do aconselhamento, da mútua sustentação, do chorar com quem chora, da piedade, da compaixão, do perdão, da restauração. Não acredito no evangelho do irmão do filho pródigo. Acredito no evangelho do pai do filho pródigo. Comparo a atitude daquele pai com a do seu obediente e leal filho mais velho e enxergo um retrato fiel das nossas atitudes hoje: de um lado, os que abraçam o pecador que retorna; de outro o que se entristece porque o pecador foi restaurado – é mais interessante apenas criticá-lo (afinal, nos sentimos menos pecadores do que ele). Uns querem promover o banquete; outros se recusam a entrar na mesma casa. Um é o evangelho do “Não há justo, nem um sequer”; o outro é a religião do “raça de víboras!”.

Podemos escolher que tipo de cristãos seremos: hipócritas ou graciosos. Jesus foi gracioso e repreendeu os hipócritas. Os fariseus e mestres da lei foram hipócritas e repreenderam o Gracioso. E você, como será?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício