quarta-feira, 16 de abril de 2014

Evangélicos e católicos devem se unir?


Por Ciro Sanches Zibordi
 
Há exatos dois anos, o Vaticano divulgou um documento pelo qual afirmou que a Igreja Católica Romana é a única a reunir todos os requisitos da comunidade fundada originalmente por Jesus e seus apóstolos. O texto, que retoma um polêmico documento do ano 2000 — denominado Dominus Iesus, cujo autor é Joseph Ratzinger, atual papa —, é obra da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga casa de Ratzinger, no Vaticano. Trata-se do órgão responsável pela pureza teológica do catolicismo.
Bento XVI sempre se posicionou contra o relativismo. Mas a divulgação desse documento revelou uma estratégia para transformar o romanismo num referencial religioso e moral único, além de guardião da herança cristã. O papa defende a ideia de que não se pode igualar todas as religiões cristãs, colocando-as num mesmo “saco”. Além disso, reafirma, modéstia à parte, que o catolicismo é o único meio pelo qual se pode alcançar a salvação espiritual com a ajuda da fé em Jesus Cristo!

Segundo o padre Augustine di Noia, subsecretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o tal documento não visa a alterar o compromisso com o diálogo ecumênico, mas a afirmar a identidade católica.

Mas pergunto: É mesmo o romanismo o único a reunir todos os requisitos da comunidade fundada por Cristo e seus apóstolos? Ora, quem conhece um pouquinho da História sabe que o cristianismo não teve início com a igreja católica romana. Antes, um pseudocristianismo surgiu em 312, quando o imperador Constantino, após derrotar Magêncio, fez uma aliança entre Estado e Igreja. Desde então, começou a emergir essa igreja cheia de desvios em relação à Palavra de Deus. Haja vista a mariolatria, a “infalibilidade” papal, a veneração de “santos”, etc.

O papa pretende manter a pureza teológica do catolicismo, que se arvora como o guardião da herança cristã... Meu Deus! Que pureza teológica é essa? Ah, sim, a “pureza” da teologia romanista, pois, como se sabe, a igreja da maioria vem, através dos séculos, “dando de ombros” para a teologia biblicocêntrica, não preservando a verdadeiramente pura e sã doutrina (cf. Tt 2.1; 2 Tm 3.16,17; Is 8.20; 1 Co 4.6).

Sabemos que o catolicismo romano não é o único meio pelo qual se pode alcançar a salvação (com a ajuda da fé em Jesus Cristo). Segundo o tal documento, Jesus seria um mero coadjuvante na obra salvífica, haja vista a mediação ser realizada de fato pelo romanismo! Isso é o que podemos chamar de “santa” prepotência! Por que o papa e seus cardeais não se curvam ante a verdade irrefutável de 1 Timóteo 2.5? Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens! Não é necessária a comediação do romanismo, que na verdade é uma “comédia em ação”, com todo o respeito...

Apesar do “coerente” e “imparcial” documento em apreço, a igreja da maioria pretende manter inalterado o seu ideal ecumênico... Ora, é óbvio que o romanismo continuará se aproximando das outras religiões, principalmente das consideradas “seitas evangélicas”, a fim de conquistar pela “simpatia” o maior número de fiéis. Aliás, certos cantores evangélicos têm cedido canções para padres pop star e dito que há católicos mais convertidos do que os evangélicos... Eu até concordo que haja evangélicos desviados, nominais, não-salvos ou que perderam a salvação por serem profanos... Mas, biblicamente, é impossível que um seguidor do romanismo (adorador de Maria) seja mais convertido que um verdadeiro cristão, salvo e compromissado com a Palavra de Deus!

Sinceramente, a julgar pela situação de muitas igrejas ditas evangélicas, me pergunto: O que seria pior, pertencer à igreja da maioria e adorar Maria, ou pertencer a certas igrejas “evangélicas” que estimulam os crentes a se autovalorizarem ao extremo, seguindo a um evangelho antropocêntrico, triunfalista, experiencialista ou predestinalista, que crê cegamente no bordão “Uma vez salvo, salvo para sempre”?

Sei que “duro é esse discurso”, mas não podemos chegar a outra conclusão à luz do que diz a Palavra de Deus em 1 Coríntios 15.1,2: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão”.

Glória seja dada a Jesus Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens!

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Esforço do Legalismo e o Amor

Quem ama se alegra na alegria da pessoa amada.

Por John Piper
Em 2Coríntios 1.23-2.4, Paulo escreve sobre uma visita que não fez e uma carta penosa que teve de enviar. Ele explica os sentimentos mais profundos do seu coração com tudo isso: Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto; não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados. Isto deliberei por mim mesmo: não voltarei a encontrar-me convosco em tristeza. Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa. Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.

Observe como o fato de Paulo buscar a alegria deles e a sua própria tem relação com o amor. No v. 2 ele dá a razão por que não fez outra visita dolorosa a Corinto: "Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?" Em outras palavras, a motivação de Paulo aqui é preservar a sua própria alegria. Ele está dizendo: "Se eu destruir a alegria de vocês, a minha também se destruirá. Por quê? Porque a alegria deles é exatamente o que lhe dá alegria!

Em 2Coríntios 1.24 fica claro que a alegria que está em vista é a alegria da fé. É a alegria de conhecer e descansar na graça de Deus — a mesma alegria que levou os macedônios a serem generosos (2Co 8.1-3). Quando essa alegria existe em abundância em seus convertidos, Paulo sente grande alegria pessoalmente. E ele lhes diz sem constrangimento que a razão por que não quer roubar-lhes a alegria é que isso o privaria da alegria dele. É assim que fala um cristão que busca o prazer.

No v. 3 Paulo diz a razão por que lhes enviou uma carta penosa: "Isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa". Aqui sua motivação é a mesma, exceto num ponto. Ele diz que não queria ser entristecido. Ele quer alegria, não sofrimento. Ele é um cristão que busca o prazer! Mas aqui ele vai um passo além do v. 2. Ele diz que a razão por que quer alegria e não sofrimento é que tem confiança de que a alegria dele também é a deles: "Confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa".

Portanto, o v. 3 é o inverso do v. 2. No v. 2 ele afirma que a alegria deles é também a sua; isto é, quando eles estão alegres ele se sente feliz com a alegria deles. E no v. 3 ele afirma que a sua alegria é a alegria deles; isto é, quando ele está feliz eles se sentem felizes com a alegria dele. Depois, o v. 4 torna a relação com o amor explícita. Ele diz que a razão por que lhes escreveu foi "para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida". Então, o que é amor? O amor existe em abundância entre nós quando a sua alegria é minha e a minha alegria é sua. Não estou amando apenas porque busco sua alegria, mas porque a busco como minha.

Digamos que eu fale a um dos meus filhos: "Seja bonzinho com seu irmão, ajude-o a arrumar o quarto, tente fazê-lo sentir-se contente, não infeliz". Como seria se ele ajudasse a limpar o quarto, mas resmungasse o tempo todo e transpirasse descontentamento? Haveria virtude em seu esforço? Não muito. O que está errado é que a felicidade do seu irmão não é a sua. Ao ajudar seu irmão, ele não está buscando sua própria alegria na felicidade do seu irmão. Ele não está agindo como um cristão que vive para o prazer. Seu esforço não é o esforço do amor. É o esforço do legalismo — ele age por mera obrigação, para não ser castigado.

SALVO!, MAS CARNAL!

Por Fabio Campos
Texto base: “... porque ainda sois carnais...” – I Co 3.3a

Uma breve nota precisa ser dita antes de discorrer o assunto proposta no título: “Salvo!, mas carnal”! Não estou tratando de incrédulos, mas de irmãos e irmãs salvos em Jesus Cristo e que sem dúvida alguma herdarão o reino dos céus. Por isso que os refiro como “salvos!, contudo, carnais.

Posto isto, entendo que a maturidade cristã é construída paulatinamente. Ser maduro é ser “experimentado” nas coisas de Deus. Muitos do que são “maduros” na fé também precisa examinar-se para identificar seus pontos fracos e poder trata-los pela graça de Cristo para chegar a “estatura do varão perfeito” (Ef 4.13). Temos nossas áreas de imaturidade! Todavia, é importante salientar que tempo de igreja e de conversão não pode ser o crivo para analisar tal estágio. Muitos crentes com mais de quarenta anos de vida cristã ainda são imaturos na fé. Conhecem as Escrituras, mas não conseguem pratica-las no convívio social e na igreja local. São como crianças que decoram versículos, mas não compreende o significado para poder aplica-lo na sua vida cristã.

Dentro das comunidades cristãs, grande parte dos irmãos, é imatura. É aquilo que Paulo diz: “carnais, meninos em Cristo” (1 Co 3.1). Vejamos então a luz das Escrituras à postura de um “crente carnal”.

1. Invejoso: Paulo diz que os meninos na fé são invejosos (1 Co 3.3). Até choram com os que choram, mas não consegue se alegrar com os que se alegram. Quanta disputa por cargo tem dividido nossas igrejas. A impressão que tenho é que trata de pessoas frustradas na vida secular - que pelo dom dispensado por Deus, enxergam uma oportunidade no evangelho de ser apreciado pelas pessoas.

2. Contenciosos: Esse tipo de irmão gosta de jogar uns contra os outros. É sectário! Faz seu próprio partido e pelo litígio dividem a igreja entre “direita” e “esquerda”. Arrazoe no seu coração e peça discernimento a Deus quando você estiver próximo deles. A Bíblia nos ensina para não “aplicarmos o nosso coração a todas as palavras que se diz, porque logo mais presenciará tal pessoa falando mal de você” (Ec 7.21).

O capítulo 3 [13-18] da Carta de Tiago trata justamente deste tipo de comportamento. O qual ele denomina como “animal e demoníaca”. É importante frisar que Tiago alerta aqueles que diziam ser sábios e inteligentes (v.13). Isto nos mostra que o nosso conhecimento teológico e bíblico não nos faz maduros e cristãos espirituais. Ajuda! Mas o comportamento, diante disso, através de um espírito manso e tranquilo -, é o que mais vale perante de Deus (1 Pe 3.4). Muitos têm uma aparente maturidade – uma excelente teologia – são persuasivos e habilidosos nas articulações dos argumentos – mas diante de Deus, são carnais.

Tiago convoca um debate com estes irmãos para provar quem é o mais sábio. Porém, sua refutação não é teológica nem apologética, mas comportamental: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria” (Tg 3.13 NVI).

Partindo deste pressuposto Tiago começa expor sua refutação diante daqueles que se entendia por “sábio” e “inteligente”. Ele começa a denunciar os “frutos da árvore”, pois assim disse o Senhor: “pelos frutos os conhecereis”. Estes “sábios” e “entendidos” abrigavam no seu coração “inveja e amargurada”. Tinham sede por “discussões tolas”. Este é o ponto mais forte do debate - quando Tiago diz: este tipo de sabedoria é “terrena”, “animal” e “demoníaca” (Tg 3.15).

O grande teólogo norte-americano, Benjamin Breckinridge Warfield, disse: “Antes de ser erudito o ministro [posso acrescentar aqui os irmãos] deve ser devotado a Deus, [e o] mas grave erro é colocar estas coisas em contradição” ¹. Paulo exortar aqueles que estão mais maduros na fé a não “agradar a si mesmos”, antes, suportar as “debilidades dos fracos” (Rm 15.1). Repare que não se trata de uma algo fácil. O próprio apóstolo pede uma força tarefa: “não agradar a si próprio”. Este tipo de atitude só pode ser praticado por alguém que realmente possui um coração devotado a Deus.

O maior erudito que o cristianismo já teve – Paulo de Tarso -, diz que “o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus” (1 Co 8. 1-3 NVI). Paulo diz neste trecho que “o saber nos faz conhecidos aos homens” e o “amor nos faz conhecidos de Deus”. Fica em nosso “colo” a decisão de quem queremos ser conhecidos.

Tiago continua a expor sua refutação confrontando à “sabedoria” daqueles que diziam ser sábios. Desafiando estes irmãos, Tiago diz: “se você é sábio, então mostre isso em mansidão mediante um proceder digno através das suas obras” (v. 13). “Segundo a Bíblia de estudo Palavras Chaves”, a “mansidão” que Tiago diz, trata do “resultado da decisão de um homem forte de controlar as suas reações, em submissão a Deus” (p. 2368). Você tem argumento – conhece do assunto – mas assim como o homem forte que sabe controlar suas reações, controla seus impulsos pecaminosos falando o que é certo da forma certa, mesmo que contrariado - tudo por amor a Deus.

“A Bíblia de estudo Palavras Chaves” diz que a “sabedoria” que Tiago usa em seu argumento “representa a sabedoria divina, [que é] a capacidade de regular o relacionamento da pessoa com Deus” (p. 2398). Trata do temor ao Senhor que é o princípio de toda sabedoria. É o ato de você olhar para o “débil” na fé com temor e tremor por ser ele alguém salvo e remido pelo Senhor Jesus Cristo (Rm 14.1). Esta sabedoria não compara a si mesmo com os homens da sua volta, mas olha para a luz e entende que a“Palavra de Deus esclarece e dá entendimento ao simples” (Sl 130.130). Como disse o apologista C. S. Lewis: “Quem está no processo de se aperfeiçoar, cada vez mais compreende com maior clareza o mal que existe em si”. Ele [o maduro na fé] percebe que nada é, quando entende que somente em Cristo há “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2.3).

Dentro da ortodoxia cristã o termo “verdade” é muito defendido. De fato tem que ser! Só que Tiago diz que se procedermos com a “sabedoria terrena”, estaremos “mentindo contra a verdade” (v. 14). Pode ter certeza, quando há “confusão e toda espécie de coisas ruins”, tal atitude provém do “Maligno” (v 15-16). Paulo diz também que o “ciúme” e a “contenda” são sentimentos de homens que ainda não cresceram na fé e que seu comportamento é o mesmo das pessoas do mundo (1 Co 3.3).

Irmãos, como apreciador da teologia ortodoxa reformada - por ter alguns artigos escritos com teor apologético - confesso que muitas das vezes sou tentando, após ter feito algo com excelência, a me gloriar do que fiz comparando-me com os irmãos de menos “instrução”. Preciso lutar contra minha natureza pecaminosa! Que Deus tenha misericórdia da minha vida! Joshua Harris eEric Stanford diz que “se você estiver segurando alguma coisa que, ao cair, possa explodir e machucar outras pessoas, você a manejará com todo cuidado” ². Para mim é muito mais fácil defender a fé – articular os argumentos – fazer teologia e apologética – do quê dominar o meu espírito (Pr 16.32) e guardar o meu coração (Pr 4.23). A verdadeira sabedoria não destrói pessoas, mas edifica. É justamente isso que Tiago e Paulo através do Espírito Santo nos ensinam. Uma sabedoria que brota do “novo nascimento”, da água e do Espírito, e não somente da mente. Como disse Jonathan Edwards: “precisamos ter luz na mente e fogo no coração”. Creio ser este o maior desafio: “produzir” os frutos e receber os dons em humildade usando-os somente para a Glória de Deus.

Precisamos crescer em “graça” junto do conhecimento. Se formos “ortodoxos na teologia”, mas os atributos [abaixo] listados por Tiago não tiver em nós, seremos os mais hipócritas - ostentado uma sabedoria mundana “travestida de piedade”. Seremos os piores hereges e por Deus seremos refutados:

“Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores”. – Tg 3. 17-18 NVI

Em temor, pense nisso!

Soli Deo Gloria!

Como identificar falsos mestres


Por Denny Burk
O apóstolo Paulo escreveu a Tito que pastores não devem apenas pregar fielmente, mas também “convencer os que o contradizem” (Tito 1.9). A ideia é muito simples. O ministério pastoral não é meramente de edificar, mas também de derrubar. Como Paulo disse em outro lugar, envolve derrubar toda especulação e altivez que se levante contra o conhecimento de Deus (2 Coríntios 10.5). Falhar em fazer isso é má-prática ministerial e algo perigoso para o povo de Deus.

Dada essa obrigação, se torna imperativo ser capaz de identificar falsos mestres quando eles aparecem. Às vezes o falso ensinamento surge de fora da igreja. Às vezes, de dentro. O Novo Testamento ensina que uma reposta mais rigorosa é devida quando ele surge de dentro. Assim, pastores fiéis precisam aprender a identificar e lidar com falsos mestres. Mas como fazemos isso?

A Bíblia sugere pelo menos seis características que normalmente identificam os falsos mestres. Nem todo falso mestre exibe todas essas características ao mesmo tempo, mas muitas vezes apresentam uma combinação de alguns desses traços.

1. Falsos mestres contradizem a sã doutrina

Mesmo no primeiro século, durante a vida dos apóstolos, havia um corpo doutrinário autoritativo que funcionava como regra de fé e prática. Judas chama isso de “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 3). Paulo chama de “sã doutrina segundo o evangelho da glória do Deus bendito” (1 Timóteo 1.10-11). Em outro lugar, é o “padrão das sãs palavras” e de “bom depósito” (2 Timóteo 1.13-14), as “palavras da fé” e “boa doutrina” (1 Timóteo 4.6). João chama de “a doutrina de Cristo” (2 João 9).

No primeiro século, a sã doutrina consistia no Antigo Testamento, além das palavras apostólicas que Cristo atribuiu aos apóstolos. A autoridade apostólica eventualmente era escrita, conforme os apóstolos começaram a morrer. Para nós, o padrão da sã doutrina – a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos – é a escritura, o Antigo e o Novo Testamento. O falso ensinamento, portanto, é qualquer ensinamento que foge dessa norma. Um falso mestre é qualquer um de dentro da igreja que se oponha ao que a Bíblia ensina (1 Timóteo 6.3; 2 João 9).

2. Falsos mestres promovem imoralidade

Judas nos mostra que falsos mestres muitas vezes se esgueiram na igreja e “transformam em libertinagem a graça de nosso Deus” (Judas 4). Libertinagem significa falta de restrição moral, especialmente na questão da conduta sexual. É uma total supressão das normas morais da escritura. É uma vida que permite comportamentos que a Bíblia condena. Pedro diz que tais mestres negam o Senhor Jesus ao perseguirem “suas práticas libertinas” (2 Pedro 2.2). Uma pessoa que não é dominada pela palavra de Deus é muitas vezes dominada por suas próprias paixões. Não há poucos charlatões que se infiltram nas igrejas com seu carisma apenas para se mostrarem aproveitadores sexuais do rebanho.

Alguns deles tentarão justificar sua própria imoralidade sexual ou a imoralidade dos outros. Mas muitas vezes não irão enfrentar com força os assaltos às normas morais da escritura. Isso é muito óbvio. Pelo contrário, eles irão redefinir os termos da Bíblia para que não mais os acusem de suas ações perversas. Aqueles que redefinem o ensinamento bíblico a respeito de casamento e sexualidade caem nessa categoria.

3. Falsos mestres diminuem a importância do pecado e do juízo

Esse é o traço dos falsos mestres que compartilham em comum com os antigos falsos profetas. Jeremias os descreve dessa forma:

porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. (Jeremias 6.13-14)

Falsos mestres caracteristicamente diminuem o pecado. Ao invés de chamar “as falhas” de pecado, eles simplesmente dizem “não há nada para ver, prossigam”. Os falsos mestres dizem aos pecadores, a quem Deus irá julgar, que eles não são tão ruins assim e que não há necessidade de temer o julgamento de Deus. Eles separam o amor e a graça de Deus de sua santidade. Eles dizem ao povo, que deveria ter toda a razão para temer o julgamento de Deus, que eles realmente não tem nada a temer. Eles fogem do confronto que a verdade traz e dizem aos pecadores qualquer coisa que seus ouvidos queiram ouvir (2 Timóteo 4.3-4).

4. Falsos mestres são motivados por ganância e ganho egoísta

Pedro diz que, em sua “avareza”, falsos mestres se aproveitam do povo de Deus com “palavras fictícias” (2 Pedro 2.3). De fato, o coração deles é “exercitado na avareza” (2 Pedro 2.14). Paulo diz que os falsos mestres supõe “que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6.5). Pregadores que amam dinheiro e ganho material muitas vezes dirão o que for necessário para aumentar seu piso salarial. São mercenários, não seguindo o chamado de Deus, mas aquele que pagar mais. Irão abraçar qualquer novidade. Irão coçar onde quer que os pecadores desejem. Transformam o ministério em fonte de lucro porque são motivados por ganância. Tome cuidado com pastores que parecem ter apetite por ganho material. Essa é uma grande marca de um falso mestre.

5. Falsos mestres causam divisão

Falsos mestres irão tentar convencer o rebanho que a sã doutrina causa divisão. Mas isso é uma mentira. Esse é, na verdade, o falso ensinamento que busca dividir e conquistar o povo de Deus. Judas nos alerta a respeito deles dessa forma:

No último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus (Judas 18-21)

Quem causa dissensão no meio do povo? Não aqueles que ensinam a sã doutrina. O povo de Cristo se une ao redor da verdade e se dividem por conta do erro. Falsos mestres são aqueles que levam o povo para longe do padrão da verdade divina em direção ao erro.

6. Falsos mestres enganam o rebanho

Jesus nos diz para nos acautelarmos “dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas” (Mateus 7.15). O falso mestre nunca aparece a nós com uma placa pendurada no pescoço onde se lê “sou um falso mestre”. O falso mestre aparece disfarçado de cristianismo. Ele possui a forma da piedade mas nega seu poder (2 Timóteo 3.5). Se o falso mestre aparenta e soa como cristão, então como saberemos se ele é um falso mestre? Jesus nos diz como podemos saber: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7.16). Em outras palavras, o que eles fazem muitas vezes diz mais sobre quem eles são do que o que dizem.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Depressão em cristãos


Por Walter McAlister
Era um dia de sol. Elias tinha lançado o desafio. Israel se achava nas garras de uma idolatria nacional. Acabe e sua rainha, Jezabel, tinham estabelecido o culto a Baal como religião oficial. Como servo do Altíssimo, o profeta foi levantado para chamar o povo de volta à aliança que o Senhor havia feito com Israel: seriam o seu povo e Ele, o seu Deus. Se tão somente lhe servissem, nenhuma outra nação gozaria de todos os benefícios da promessa feita a Moisés no Monte Sinai. Mas o rei tinha tomado uma estrangeira por esposa. Etbaal, o monarca dos sidônios, se aliou a Acabe e, para selar o acordo, deu sua filha para ser sua rainha – prática comum entre a realeza da época. Com ela foi junto a culto a Baal. E, gozando da cobertura do trono de Israel, aquela religião nefasta se alastrou. Os israelitas chegaram ao ponto de praticar sacrifício de sangue e orgias em praça pública – tudo para agradar o falso deus e garantir prosperidade nas colheitas e proteção contra inimigos.

O desafio era ousado, mas simples, como a Bíblia registra em 1 Reis 18: sobre um altar de pedras, um animal esquartejado seria exposto e o verdadeiro Deus mandaria fogo para consumir o sacrifício. Quatrocentos e cinquenta profetas de Baal invocaram o seu deus. Horas se passaram. Nada aconteceu. Não veio fogo. A deidade invocada não compareceu. Sua impotência ficou óbvia para todos.

Elias mandou encharcar o sacrifício a Jeová com água até encher a vala cavada ao redor do monte de doze pedras, ajuntadas como altar. Não poderia haver dúvidas de que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó era o verdadeiro. A sua vez chegou e, mediante a oração de Elias, o Senhor mandou fogo do céu – que consumiu o sacrifício e até a água escorrida para o chão. Em choque, o povo assistiu e reconheceu a falsidade do culto ao qual tinha sido seduzido. Seguraram os profetas de Baal e o próprio Elias passou cada um deles à espada. Matou 450 profetas de uma só vez.

O que a Bíblia não diz é que isso é muito cansativo. Matar 450 pessoas com uma espada após erguer um altar e orar não é para qualquer um. O homem estava gasto, enfraquecido, exausto. Estava na hora de tirar férias e desfrutar do triunfo que o Senhor lhe concedeu. Agora sim haveria o restabelecimento do culto ao verdadeiro Deus em Israel. Mas… isso não aconteceu. Assim que Jezabel recebeu a notícia, já em 1 Reis 19, mandou dizer a Elias que o episódio não ficaria impune. Certamente ela teria a sua vingança e o profeta seria um homem morto. Fraco e exausto, aquela virada perante uma vitória quase certa foi um golpe para ele, que, então, foge para o deserto.

Ali vemos algo que poucos reconhecem, hoje em dia. Elias se viu numa profunda depressão. Sei que depressão não é um termo bíblico, tampouco teológico. Mas ele fugiu para um lugar ermo. Em seguida, pediu a Deus para morrer. Sim, o vitorioso Elias queria morrer. O revés foi uma rasteira emocional de proporções inimagináveis. Qualquer um que já sofreu de depressão, ou que conhece alguém amado que sofre desse mal, enxerga no profeta alguém que certamente estava muito mais do que “para baixo”.

Depressão não é uma derrota espiritual. É uma condição humana que pode surgir por muitas razões. Certamente, uma derrota nos deixa para baixo. Mas… pedir para morrer? Isso é forte. Muito além de tristeza momentânea, o desejo pela morte é claramente um sintoma de depressão.

Servos de Deus passam por isso. Pessoas piedosas e espirituais também. O termômetro emocional sobe e desce, mesmo na vida de cristãos cheios de fé. Alguns passam por isso devido às circunstâncias. Mas há outras fontes de depressão. Existe o desequilíbrio químico, a menopausa, uma carência hormonal e até um trauma forte (como no caso de Elias). Todos esses fatores podem vir à baila e desencadear um processo que leva tempo para ser resolvido.

Nesses casos, a confissão positiva, o encorajamento e uma chamada à responsabilidade para ser um “vencedor” não ajudam. Temos de entender que o que está acontecendo dentro dessas pessoas resiste a estímulos externos. Resiste aos apelos dos que dependem delas. É algo sobre o qual não têm controle. Querem reagir, mas não conseguem. Seu mundo ficou cinza. Seus sentidos ficaram lerdos. Sua percepção da realidade fica distorcida. Medos surgem. Medos sem fundamento. Choram por nenhuma razão aparente. Frequentemente não conseguem parar de chorar por horas. Sua energia desaparece. Muitos ficam acamados por horas e horas, dias e dias, para o desespero dos que querem ajudar.

Se for o caso de uma esposa, o marido se vê impotente de protegê-la desse mal. Por mais que procure ajudar, apoiar e reafirmar seu amor, ela fica prostrada. E o cônjuge passa a se sentir triste, com raiva, revoltado (até com Deus). Volta e meia a pergunta salta de seus lábios: “Por quê, Senhor?!” Os médicos dizem que quem vive com alguém deprimido acaba deprimido também. Tem os sintomas, mas sem a doença – é uma síndrome chamada fadiga por compaixão.

Sei o que é isso. Tenho sido aquebrantado pela condição da minha amada esposa, Martinha. Vítima de dor crônica e menopausa, ela sofre de depressão já há alguns anos. Muitos queriam que eu escondesse o fato. “Pessoas não vão entender”, dizem. Pois está na hora de entender. Não conheço uma pessoa mais piedosa, de oração, amorosa e criativa do que ela. Apesar das dores, é uma menina de coração. É autora premiada de livros infantis, uma mãe de oração e criou dois filhos que honram o seu Senhor e andam nos Seus caminhos. Se alguém tem fé e um espírito leve é Martinha. Mas ela sofre.

O que tem ajudado é o tratamento. Muitos rejeitam medicamentos como se tomá-los fosse uma derrota espiritual. Posso assegurar que essa é uma das mentiras mais cruéis que já ouvi. Os que afirmam isso não têm a menor noção do que estão falando. Deus deu ao homem a capacidade de tratar males. A Medicina não é a rejeição da fé. Seja uma Aspirina para dor de cabeça, uma cirurgia de apendicite ou um antidepressivo, essas coisas são uma dádiva da ciência que Deus nos deu a capacidade de criar.

Para você que se esconde, torcendo para que ninguém descubra a sua dor, saiba que está em boa companhia. Elias sofreu disso. Minha Martinha sofre disso. E Deus não o abandonou. Por que sofremos tanto? Não é uma pergunta teológica para mim. É um clamor. Sei o que a Bíblia diz. Sei que Deus me ama. Sei que esses “sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.” (2 Co 4.17). Ainda choro e sinto-me muito mal. Mas é nessa esperança que me lanço. Quando as lágrimas vêm, é nessa fé que me estribo. Não perca a sua. Deus sabe o que faz. Por favor, creia nisso.

Na paz,
+W

Depressão, o cárcere da alma


Por Rev. Hernandes Dias Lopes
A depressão foi definida por Andrew Solomon como um parasita que suga a seiva da nossa vida. É como engolir seu próprio funeral e vestir-se de uma roupa de madeira. A depressão é o cárcere da alma, a masmorra das emoções, o cativeiro que priva milhões de pessoas de nutrirem na alma, a esperança do amanhã. A depressão é classificada como uma doença e, essa doença, que possui múltiplas causas, atinge ricos e pobres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. A depressão é uma doença que provoca muitas outras. Se não tratada convenientemente pode desembocar em tragédias irremediáveis. A depressão é a principal causa do suicídio no mundo.
John Piper, em seu livro O Sorriso Escondido de Deus, trata deste assunto com esmerado cuidado. Há duas posições que circulam no meio evangélico sobre o assunto, que revelam um desequilíbrio perigoso. A primeira delas liga a depressão à ação demoníaca. Os defensores dessa vertente afirmam que as pessoas deprimidas estão oprimidas e até possuídas por demônios. A segunda interpretação vincula a depressão a algum pecado específico ainda não confessado. Assim, uma pessoa fica deprimida porque esconde algum pecado que precisa ser confessado e abandonado. Não subscrevemos essas duas interpretações. Julgamo-las deficientes e assaz injustas. É muito verdade que uma pessoa pode ficar deprimida em virtude de seu envolvimento com demônios e também como resultado de algum pecado escondido. Porém, uma pessoa pode ser assolada pela depressão, mesmo levando uma vida cheia do Espírito Santo. Assim como um indivíduo pode ser cheio do Espírito e ter um problema cardíaco, também uma pessoa pode estar plena da presença de Deus e enfrentar o drama da depressão.
Se há várias causas que provocam a depressão, também há vários sintomas que a revelam. O primeiro sintoma é que a pessoa deprimida é tomada por uma desesperança crônica e passa a enxergar a vida pelas lentes escuras do pessimismo. Não vê uma luz no fim do túnel nem janelas de escape. Foi o que aconteceu com o profeta Elias. Pensou que somente ele havia restado dos profetas de Deus em Israel, quando na verdade sete mil ainda não haviam se dobrado a Baal. O segundo sintoma é olhar para a vida pelas lentes do retrovisor. Uma pessoa deprimida sente uma saudade mórbida dos bons tempos que se foram e se desespera diante das incertezas do seu futuro. Sente-se num calabouço existencial e sem ânimo e forças para sair desse cárcere da alma. Nessa saga cheia de pavores, flerta com a própria morte. Não que seu desejo seja de fato morrer, mas é que sente uma dor tão profunda na alma que o único alívio que consegue vislumbrar é o alívio da morte. Não podemos subestimar esses presságios que rondam a alma de uma pessoa depressiva. Isso é uma espécie de alarme, uma trombeta que precisa de encontrar ouvidos sensíveis. É por essa razão, que o terceiro sintoma de uma pessoa deprimida é um completo desânimo quanto ao futuro. É o desejo de fechar as cortinas da vida e colocar um ponto final na existência.
Como devemos lidar com a depressão? Como ajudar uma pessoa deprimida? Primeiro, precisamos orar por ela e com ela. Depois, precisamos cientificar-nos se essa pessoa está recebendo o tratamento médico adequado para a sua doença. Ainda, precisamos estar perto dela, oferecendo-lhe um ombro amigo, um ouvido atento e um coração generoso. Finalmente, precisamos compartilhar com ela a esperança do evangelho, o poder da graça de Deus e o consolo das Escrituras. Deus nos vivifica segundo a sua Palavra. Ele tira a nossa alma do cárcere. Ele acende uma luz de esperança no túnel escuro do nosso sofrimento. Deus arranca os gemidos da nossa alma e coloca em nossos lábios, um cântico de vitória. Em síntese, trata-se da depressão com remédio, terapia e fé.

Separado dos pecadores ou comilão e glutão?



Por Josemar Bessa
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado,separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” - Hebreus 7:26 - Apenas parte da verdade nos leva ao completo erro.

Muitas vezes o homem vai até as Escrituras não para ser transformado por ela, mas para tentar encontrar uma justificação para o seu estilo de vida, estilo de vida que não flui da prioridade de ver Deus glorificado na sua vida, mas centrado em si e em seus deleites.

Esse tipo de motivação fecha os olhos do entendimento das Escrituras. Muitos justificam seu estilo de vida (muitas vezes até dizem estarem sendo apenas missionais) baseado num texto de Mateus 11.19 que diz: “...e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores” -Mateus 11:19

É assim que Cristo se descreveu? É assim que Mateus descreveu Jesus? É assim que o Pai descreveu o Filho. Jesus foi referido por seus inimigos como“glutão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” – Esses mesmos inimigos disseram: “Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios” Lucas 11:15 – Esses mesmos homens disseram que João Batista tinha demônio: “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio” - Mateus 11:18

Jesus não era nenhuma das coisas que a expressão quer mostrar, nem ele procurou tal reputação. Essa era a maneira de os Fariseus... difamarem o Filho de Deus, João Batista...

Ele era um “amigo de publicanos e pecadores”, apenas no sentido de que os levantou e salvou ( como Zaqueu, por exemplo, ou o próprio Mateus ) – os tirou para fora do lamaçal do pecado e colocou seus pés sobre a rocha. Tentar usar a difamação dos Fariseus como desculpa para o mundanismo, mostra a mesma hostilidade, por fim, a quem Cristo de fato era – O Deus santo, o santo Filho de Deus: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” - Hebreus 7:26 – Separado dos pecadores. Essa não é uma definição que flui dos fariseus – mas de Deus.

Ele era um “amigo de publicanos e pecadores”, apenas no sentido de que os levantou e salvou, mas não em adotar ou incentivar a sua vida e seu estilo de vida de amor ao pecado, usando seu linguajar chulo, obsceno... por abraçar seus valores moldados pelo pecado, por abraçar o pecado como entretenimento... abraçando essas coisas a fim de ganhar sua admiração ou ganhar a adesão deles como discípulos... Isso é simplesmente cometer a mesma blasfêmia dos fariseus – Ele era “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores...” – Ele confrontou a maldade e repreendeu seus pecados tão corajosamente como ele pregou contra os erros dos fariseus: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno”. - Mateus 18:7-8

Cristo também comeu e bebeu com fariseus - “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa” -Lucas 7:36 – tão facilmente como Ele comeu com publicamos. Nenhum dos dois – publicanos ou fariseus – moldaram a vida dEle. A vida dos dois grupos era uma vida que desonrava a Deus, digna de Seu desprazer e juízo – e os dois grupos de homens foram chamados ao arrependimento e a mudança radical operada pelo Espírito Santo que leva o homem a viver como Paulo descreveu: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus -.Romanos 12:1-2

A diferença significativa entre o cobrador de imposto típico, não é que sua vida não mudou e ele continuou com o mesma visão e estilo de vida, mas achou Jesus legal. A diferença é exatamente que eles estiveram mais dispostos a confessar seu pecado, seu estilo de vida ofensivo a Deus e confessar sua própria necessidade desesperada de perdão e transformação de sua vida que os fariseus. A diferença foi exatamente não continuarem sendo os mesmos. É o que aconteceu com Mateus. Ele foi chamado ao arrependimento e foi completamente transformado: “E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na recebedoria um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu”. Mateus 9:9 – Ou seja, ninguém pode usar o cobrador, publicano Mateus, para justificar sua falta de transformação que afeta toda a sua vida, valores... do mundo para Deus, do pecado para a santidade...

A Bíblia não faz a menor sugestão que Jesus assumiu a aparência e o estilo de vida de um publicano, seus prazeres pecaminosos... tenha se tornado um glutão... (par dizer pouco)... a fim de ganhar a aceitação de uma subcultura sem Deus. Ele não o fez. Ele mesmo era e é o Deus santo, “separado dos pecadores!”.

Enaltecer símbolos de indulgência carnal, como se fossem válidos como emblemas da identidade espiritual, não passa de desculpa de um coração mundano. Nenhuma indulgência carnal pode promover a glória e a causa do reino de Deus.

Quando disfarçamos o estilo de vida do homem sem Deus e em seus pecados como estratégias... isto não altera a sua verdadeira natureza. O homem que faz isso na verdade se assemelha a Ló, que armou sua tenda na direção de Sodoma, e não com Cristo, que é “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores...”

A descrição e visão que os fariseus tinham de Filho de Deus: “...e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores” -Mateus 11:19 - “Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios” Lucas 11:15.

A descrição de Deus: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus...” - Hebreus 7:26

Que descrição encontra a alegria do teu coração e molda sua vida?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A confiabilidade dos Evangelhos

Por Davi Lago



Podemos citar três razões que demonstram a confiabilidade da narrativa dos evangelhos:

Razão nº1: Os evangelhos foram escritos num período próximo aos eventos narrados. Isso é muito importante porque indica que os evangelhos foram escritos por testemunhas oculares e pessoas próximas às diversas testemunhas oculares. O fato de as testemunhas oculares estarem vivas no tempo em que os evangelhos foram escritos é crucial porque elas poderiam desmentir qualquer informação mentirosa.

Há muitas evidências que demonstram que os evangelhos foram escritos cedo. Há evidências internas, como por exemplo: o livro de Atos termina bruscamente com Paulo esperando seu julgamento (At 28.31) o que indica que Lucas, o autor, terminou o livro naquele período. Sabe-se que Paulo foi martirizado entre 63 e 64 d.C. Sabe-se também que o livro de Atos foi escrito por Lucas depois de seu evangelho (At 1.1). Logo, o evangelho de Lucas foi escrito no máximo, apenas trinta anos após o ministério de Jesus.

Outro exemplo de evidência interna é a ausência de qualquer referência no Novo Testamento da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Isso claramente aponta o fato de que todos os livros no Novo Testamento foram escritos em data anterior a 70 d.C. É notável o fato de que Jesus profetizou que Jerusalém seria destruída (Mc 13.1-4,14,30). E Jerusalém foi realmente destruída no ano 70 d.C. assim como Jesus profetizou. Sem dúvida os autores do Novo Testamento, que estavam preocupados em provar que Jesus é o Filho de Deus, teriam citado o cumprimento dessa profecia para apoiar sua argumentação.

Há também evidências relacionadas aos papiros com fragmentos do Novo Testamento que sobreviveram até nossos dias. O papiro conhecido como Chester Beatty é datado de 200-250 d.C.; o papiro Bodmer II de 200 d.C.; o papiro Early Chrisitian de 150 d.C.; e o papiro John Rylands MSS de 130 d.C. Esses papiros comprovam que os evangelhos foram escritos em data próxima aos eventos narrados.

Há evidências relacionadas aos escritos patrísticos. Por exemplo, a epístola de Policarpo aos filipenses foi escrita em 120 d.C., as cartas de Inácio em 115 d.C. e a epístola de Clemente aos coríntios em 95 d.C. Todos esses escritos contém inúmeras citações dos evangelhos e demais textos do Novo Testamento.

Portanto, se concluí que os evangelhos passam do teste mais ácido de todos os escritos da Antiguidade. Os evangelhos foram escritos na mesma geração que viu os eventos narrados. O fato dessa geração ter preservado os evangelhos para as gerações posteriores indica o fato de que não houve nenhuma distorção ou fraude na narrativa dos eventos.

Razão nº2: Os eventos narrados nos evangelhos são solidamente apoiados pelas descobertas históricas e arqueológicas. A arqueologia comprova a historicidade de eventos, pessoas e lugares descritos nos evangelhos. Por exemplo: Em Lucas 2.1-3 está escrito que foi realizado um censo no período em que Quirino era governador da Síria. Sabe-se hoje que os romanos realizavam um censo a cada 14 anos e que esses censos tiveram início com César Augusto. Inscrições encontradas em Antioquia confirmam que Quirino iniciou seu governo em 7 a.C. Em Lucas 3.1 é citado um governador chamado Lisânias. Foi encontrada uma inscrição próximo à cidade de Damasco que comprova a existência dele. Em João 19.13 é mencionado um pavimento de pedra, chamado Gábata, localizado no palácio de Pilatos. O arqueólogo William Albright comprovou que esse pavimento existiu, foi destruído em 70 d.C. e reconstruído pelo governador Adriano. Esses são apenas alguns exemplos das descobertas arqueológicas que comprovam a historicidade dos eventos narrados nos evangelhos.

Razão nº3: Os evangelhos não foram alterados com o passar dos séculos. Esse fato é comprovado por evidências maciças. Primeiro, há cerca de 4.000 manuscritos completos do Novo Testamento em grego espalhados pelos museus do mundo, e cerca de 13.000 manuscritos com fragmentos do Novo Testamento. É uma diferença monumental se comparado com outras obras da Antiguidade: há apenas dez manuscritos de Guerras Gálicas de Júlio César, dois manuscritos de Anais de Tácito, e sete manuscritos gregos das obras de Platão.

Segundo, os manuscritos do Novo Testamento foram encontrados em diversas localidades como Egito, Síria, Turquia, Itália, Grécia e Palestina.

Terceiro, os manuscritos do Novo Testamento que sobreviveram aos nossos dias foram escritos transcritos próximos aos manuscritos originais escritos pelos próprios autores. Há papiros com fragmentos do Novo Testamento que datam de 50 a 100 anos após a escrita dos originais. Há manuscritos completos que datam de 400 anos após a escrita dos originais (por exemplo: Codex Sinaiticus, Codex Alexandrino, Codex Vaticanus). Há uma diferenaça descomunal aos outros escritos da Antiguidade. Por exemplo: o manuscrito mais antigo que temos da História de Tucídes, é de 1300 anos após o original; História de Heródoto de 1350 anos; Guerras Gálicas de Júlio César de 950 anos; História de Tácito de 750 anos; Anais de Tácito de 950 anos. Entre os milhares de manuscritos do Novo Testamento que possuímos hoje, há diferenças mínimas, que são apontadas em notas de rodapé nas traduções modernas. Essas diferenças mínimas em nada alteram a doutrina cristã e podem ser superadas através da análise do que diz a maioria dos manuscritos.

A conclusão a que os estudiosos chegam é que nenhum outro documento da Antiguidade é tão confiável como os evangelhos e os demais livros do Novo Testamento.