segunda-feira, 7 de abril de 2014

CULTO RACIONAL



Por Neto Curvina
“ROGO-VOS, POIS, IRMÃOS, PELAS MISERICÓRDIAS DE DEUS, QUE APRESENTEIS O VOSSO CORPO POR SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, QUE É O VOSSO CULTO RACIONAL” (ROMANOS 12:1)

O termo ‘racional’ remete a raciocínio. Parece bastante óbvio. Assim como também, por associação, se entende que somente os seres humanos podem apresentar tal culto, visto que somente eles possuem raciocínio. Os anjos também possuem raciocínio, porém, por natureza não possuem corpo, visto que são espíritos (Hebreus 1:14). Paulo está falando aqui exclusivamente à igreja.

O vocábulo correspondente na versão original o grego “logikên latreian”, ou seja, ‘culto racional’, também pode ser entendido, sem prejuízo, como ‘culto lógico’. De fato, há lógica na racionalidade e vice-versa. Quem acha que essas coisas trazem prejuízo à fé, precisa rever seus conceitos.

O que Paulo está querendo dizer à igreja de Cristo?

Por suas colocações vemos que há uma preocupação do apóstolo em mostrar aos irmãos a necessidade de que se realmente entenda a natureza de tudo isso, no caso, a igreja.

Por que estou aqui? Quem me trouxe aqui? O que vim fazer aqui? O que estão me ensinando é verdade? São questionamento que todos os crentes deveriam se fazer até que encontrassem respostas racionais para todos eles.

O contrário de culto racional é culto irracional. Ou seja, algo que é feito instintivamente, sem critérios ou razões que justifiquem os procedimentos adotados. Em um culto assim é praticamente impossível se seguir o que está escrito: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14:40) . É impossível que haja qualquer um dos dois componentes pedidos sem que se entenda a natureza de cada um. E é preciso racionalidade para que isso aconteça. Por isso Deus nos fez diferentes das demais criaturas, ou seja, nos criou à sua imagem e semelhança: para que o adorássemos em espírito e em verdade, conscientes de nosso ato e de nossa missão de adoradores.

O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (I Coríntios 15:23).

Esse é o padrão que deve ser perseguido pela igreja de Cristo. Deus se agrada de uma obra organizada.

Em dias atuais podemos identificar como grande adversário desse padrão, o excesso de emocionalismo que tem se alastrado no meio cristão. A busca incessante pelo êxtase e pela experiência sobrenatural extrabíblica, a incorporação de ‘anexos’ doutrinários à Palavra de Deus, como se esta não fosse suficiente e os modismos importados recheados de técnicas mirabolantes de quebra de maldições e encontros obscuros são os componentes deste fim de séc. XX e início de séc. XXI. O que não é uma surpresa, Paulo já alertava que essas coisas fatalmente aconteceriam (I Timóteo 4:1).

Nesse caldeirão doutrinário sem consistência – já que não se sustentam biblicamente – as pessoas estão se dirigindo às igrejas sem saber exatamente o que vão fazer por sua espiritualidade. Vão dançar, cantar, aplaudir, gritar, enfim, sem entrar no mérito dessas questões, quase sempre falta o elemento principal: a Palavra de Deus. Entram e saem alegres e exaustas. O problema é: entenderam a mensagem? A palavra que foi pregada edificou suas vidas? Deus falou com elas através de seu evangelho? Se à maioria dessas perguntas as respostas forem algo como “acho que sim”, algo está fora do lugar.

Cultos de estudo são sempre vistos como ‘enfadonhos’ e ‘entendiantes’. Já pensou, passar quase uma hora apenas consultando referências na Bíblia? Que chato, não? Agora observe Neemias 8:3 “E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” Estudo bíblico das seis da manhã até o meio-dia. Após isso, inclinaram-se, e adoraram o Senhor com o rosto em terra. Que lindo, não?

Uma proposta dessas nos dias de hoje seria impensável. Mas se o trabalho for uma celebração com um nome da moda, aí somente um dia inteiro é pouco.

A questão é que não há culto racional sem o entendimento da Palavra. Os ‘avivalistas’ de plantão trocam a bíblia por apostilas preparadas especialmente para direcionar as pessoas para a conclusão que lhes interessa. Seguem o exemplo das testemunhas de Jeová. Alguém já viu um deles evangelizando com uma bíblia em punho? Não, só vão às ruas com exemplares de ‘sentinela’ e ‘despertai’ ou, quando muito, com seus livretos particulares.

Por isso Paulo fala em ‘sacrifício vivo’. Ou seja, sacrifício da vontade da carne para fazer a vontade de Deus. E isso requer dedicação à sua Palavra e não somente àquilo que dá prazer, como por exemplo, ir para um retiro. Requer decência e ordem. Compromisso e organização

O ateísmo moderno e o analfabetismo teológico


Por Alex Belmonte

A palavra ateísmo em seus vários campos é de difícil definição, porém na sua etimologia a palavra vem do grego a, “não” e theos, “deus”, ou seja, é a descrença em deuses ou Deus, e também a descrença ou negação de qualquer realidade sobrenatural. Desde a Renascença, o termo passou a indicar a atitude de quem não admite a existência de uma divindade. Chamam-se ateus os que não admitem a existência de um ser Absoluto, dotado de individualidade e personalidade reais, livre e inteligente.

No Dicionário Teológico do teólogo Claudionor Corrêa de Andrade, temos a seguinte declaração mais ampla e direta acerca do ateísmo:

…O ateísmo é ainda a condição do homem que descarta a realidade do Único e Verdadeiro Deus (Rm. 1.28). No Antigo Testamento, temos uma referência a um ateísmo pragmático: não se preocupa com a essência, nem com a não existência do Todo-Poderoso; ensina que, na vida do ser humano, o Criador é perfeitamente prescindível (Sl. 10.4; 14.1). Os ateus, segundo os gregos, eram: 1) os ímpios; 2) os que não contavam com o concurso das forças sobrenaturais; 3) e os que manifestavam crença alguma nos deuses. (pág. 66 – 17ª Edição, 2008 – Ed. Cpad).

O ateísmo também fez raízes. O agnosticismo e o ceticismo, por exemplo, de certa forma entram no âmbito do ateísmo, porque o agnóstico é alguém que crê e propaga a doutrina que defende a incognoscibilidade de qualquer ordem de realidade desprovida de evidência lógica satisfatória. O termo foi criado por T.H. Huxley (1825 – 1895), para expressar o seu desprezo em face da atitude de certeza dogmática simbolizada pelas crenças dos antigos gnósticos. Nega a possibilidade de um conhecimento racional e certo de qualquer realidade transcendente. Para o agnosticismo a razão humana não pode adquirir uma ciência certa, a não ser das realidades apreendidas pela experiência sensível; apenas afirma que isso não se pode conhecer com certeza por meio da razão. Como sistema teológico foi condenado pelos apóstolos e pela Igreja. Sob qualquer forma que se apresente, o agnosticismo deve ser considerado segundo o sistema científico a que se amolda e também os pressupostos da teoria do conhecimento que adota.

Quanto ao termo “analfabetismo teológico” sugerido no título deste artigo, se trata de um resultado por meio do uso do método analítico e interpretativo, dentro do argumento e exposição teológica de grupos e pessoas atéias, cujo final é a clara evidência da falta de conhecimento e incapacidade da visão ateísta em sua tentativa de rejeitar a pura Verdade bíblica. O que restou disso foi a certeza de uma mera falácia por parte desses.

Partindo desse princípio a primeira coisa que encontramos é de fato a existência de seis tipos de ateísmo. Esses diferentes tipos revelam sua expansão de pensamento e atitude, além da não unidade de pensamento. São esses: O Ateísmo Tradicional, Mitológico, Dialético, Semântico, Conceitual e Prático.

Vamos explorar aqui apenas os tipos Mitológico e Dialético, desejando a abordagem dos demais num próximo e possível artigo.

O Ateísmo Mitológico. Os que defendem essa corrente acreditam que o mito “Deus” jamais foi um Ser, mas o modelo vivo pelo qual as pessoas viviam. Esse mito foi morto pelo avanço do entendimento e da cultura do homem. O mais destacado ateu dessa linha é Friedrich Nietzsche, nascido em Röcken (Alemanha) em 15 de outubro de 1844. Ele Faleceu em Weimar no dia 25 de agosto de 1900.

Nietzsche nasceu numa família luterana, filho de Karl Ludwig, seus dois avós eram pastores protestantes. O próprio Nietzsche pensou em seguir a carreira de pastor, entretanto, rejeita a fé durante sua adolescência, e prefere os estudos de filosofia afastando-se do estudo teológico. Ingressou no semestre de Inverno de 1864-1865 na Universidade de Bonn em Filologia Clássica.

Nietzsche baseou sua crença de que Deus jamais existiu em vários pontos fundamentais (Além do bem e do mal, pág. 23). Ele argumentou que o mal no mundo eliminaria ainda mais o Criador benevolente. Nietzsche julgou que a base para a crença em Deus era puramente psicológica, e exortou:

Rogo-vos, meus irmãos, permanecei fiéis à terra, e não creiais naqueles que vos falam de esperanças de outros mundos!”. Acrescentou: “No passado o pecado contra Deus era o maior pecado; mas Deus morreu, e esses pecadores morreram com ele. Agora pecar contra a terra é a coisa mais terrível. (Assim falava Zaratustra, pág. 125).

O Analfabetismo Teológico de Nietzsche. Analisando os principais pontos dentro do argumento de Nietzsche entendemos que sua apresentação acerca da não existência de Deus está totalmente equivocada (teológica e filosoficamente falando) e falha para o assunto em questão. Se Friedrich Nietzsche seguisse a linha de raciocínio coerente e sana, a raiz de sua ideia partiria justamente do detalhamento da morte psicológica de Deus. Para isso responderia as seguintes perguntas: 1. Se Deus de fato existiu de forma puramente psicológica (como afirmou) em que período isso ocorreu na mente humana? 2. Por que Deus morreu e seus efeitos psicológicos não morreram com Ele (se isso também era Deus)? 3. Quando Deus morreu? E como morreu? 4. Por que um Ser tão “insignificante e morto” ainda é lembrado até mesmo pelo ateísmo? (isso também é psicológico?) e 5. Como uma divindade que existiu apenas na psique humana pode permanecer influente de forma coletiva em pleno século XXI?

Infelizmente Nietzsche não pode nos responder a esses pontos, pois sua linha de raciocínio é deficiente e repugnante, e ficou mais particularizada do que compartilhada. Mas, contudo, chegamos à seguinte conclusão: Nietzsche como filósofo destacado, definiu erroneamente o termo “psicologia” quando procurou assim argumentar a não existência de Deus por esse caminho.

A Psicologia (do grego psykhologuía, de “psique, “alma”, “mente” e lógos, “palavra”, “razão” ou “estudo”) é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que um organismo faz) e os processos mentais através do comportamento. O principal foco da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano. Nietzsche ignorou ou talvez não alcançou o conhecimento de que paralela à psicologia científica aqui tratada existe também uma psicologia do senso comum ou quotidiana, que é o sistema de convicções transmitido culturalmente que cada indivíduo possui a respeito de como as pessoas funcionam, se comportam, sentem e pensam. A psicologia usa em parte o mesmo vocabulário, que adquire assim significados diversos de acordo com o contexto em que é usado. Assim, termos como “personalidade” ou “depressão” têm significados diferentes na linguagem psicológica e na linguagem quotidiana. A própria palavra “psicologia” é muitas vezes usada na linguagem comum como sinônimo de psicoterapia e, como esta, é muitas vezes confundida com a psicanálise.

O bem da verdade é a história da Psicologia se confunde com a Filosofia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na investigação da alma humana. Para Sócrates (469/399 a C.) a principal característica do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional. Platão (427/347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique. Já Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma integrada, e percebia a psique como o princípio ativo da vida.

Dessa forma, se alguém como Nietzsche afirma que a base para a crença em Deus era puramente psicológica, está na verdade afirmando a existência real de Deus como parte da própria existência humana. O uso do pensamento filosófico para argumentar a inexistência de Deus com base no argumento psicológico só poderia resultar numa única verdade: Deus sempre existiu e ainda existe no coração, na mente e na experiência humana.

O Ateísmo Dialético. Norman L. Geisler em sua Enciclopédia de Apologética (Ed. Vida) diz que houve uma forma passageira de ateísmo Dialético defendido por Thomas Altizer que propôs que o Deus transcendente do passado morreu na encarnação e crucificação de Cristo, e essa morte foi posteriormente realizada nos tempos modernos.

Na década de 1960 Thomas J. J. Altizer propagou a “morte de Deus” em nossa Era (correspondendo ao século XX da recente época). Para isso ele criou a “morte divina” em três estágios:

1º. A morte na encarnação, onde, de acordo com Altizer, o próprio Deus morreu quando se encarnou em Cristo. Segundo acredita, o céu ficou vazio, e esse Deus ao se tornar carne, ao que parece, cometeu suicídio. 2º. A morte na cruz. Sendo Cristo o próprio Deus acabou morrendo quando foi crucificado na cruz. Altizer acreditava que Cristo se limitou aos poderes divinos e não conseguiu se livrar da morte. 3º. A morte nos tempos modernos. Finalmente Deus morreu nos tempos modernos na teologia de Thomas Altizer. Ele morreu na consciência humana, na nossa época.

O Analfabetismo Teológico de Thomas Altizer. O argumento ateísta de Altizer é muito mais vexatório que o anterior exposto, tamanha é a evidencia de seu flácido conhecimento teológico, já que o mesmo afirmou que “só o cristão sabe que Deus está morto” (O evangelho do ateísmo cristão – Altizer, p. 25) se comparando assim com os cristãos.

Não é difícil identificar o limite no conhecimento de Altizer, pois de início percebe-se que lhe falta uma exegese correta da visão trinitariana, causando assim uma interpretação errônea de quem realmente é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Altizer não alcançou o conhecimento de que quando a Bíblia menciona a palavra “Deus” está se referindo á natureza, essência e substancia divina das três Pessoas distintas na trindade, e não um limite ás mesmas. Com isso é fácil o entendimento de que quando o Verbo se fez carne, o que aconteceu não foi a subtração da divindade, mas a adição da humanidade.

Outro erro argumentativo de Altizer é a criação dos estágios da morte de Deus. Se Deus morreu logo na encarnação como pode morrer novamente na crucificação? Logo, inconscientemente, Altizer mostra a sua fé em dois princípios doutrinários da Bíblia: 1º. Que houve uma encarnação. Sendo a encarnação de Cristo um milagre na esfera espiritual, Thomas Altizer acreditou nesse milagre (sem ele mesmo perceber), de acordo com seu relato. 2º. Que houve um dia uma crucificação, o que naturalmente vai gerar a ressurreição. Nenhum ateu pode acreditar na crucificação como realidade cristã sem aceitar a ressurreição como fato. O mínimo que poderia dizer é que “alguém um dia foi crucificado, não necessariamente o Cristo”.

Conclusão: O Rev. Dr. Alderi Souza de Matos, do Instituto Presbiteriano Mackenzie, em uma de suas contribuições literárias apresenta uma resenha traduzida, na argumentação de Lee Strobel, intitulada “Em defesa da fé” (Ed. Vida, 2002, p.363) onde inicia dizendo que um dos maiores desafios enfrentados pelos cristãos é a existência de certas questões espinhosas levantadas pelos céticos que parecem pôr em cheque algumas afirmações centrais da fé cristã. Isto vem acontecendo desde os primeiros tempos da igreja, como comprovam tanto os documentos do Novo Testamento quanto os escritos dos apologistas e polemistas, os defensores intelectuais do cristianismo no 2º e no 3º séculos.

Para Dr. Alderi o mundo contemporâneo, secularizado e pluralista, herdeiro do iluminismo e do racionalismo, continua a fazer formidáveis questionamentos à fé cristã, questionamentos esses que são um obstáculo para muitos descrentes e uma fonte de incertezas para um grande número de cristãos. Essas objeções concentram-se em torno de questões como a fidedignidade da Bíblia, a veracidade das alegações cristãs, bem como a natureza e o caráter de Deus.

O que propomos para o crente fiel à Palavra de Deus e o leitor da Bíblia é fazer uma análise a partir dos argumentos apresentados pelos céticos. Um estudo bíblico sistemático nos principais temas da fé revelará a falta de harmonia no argumento contrário às Verdades espirituais, e levará você ao crescimento e edificação. Busque interpretar a Bíblia respeitando os princípios e regradas da hermenêutica teológica. E para se manter na correta linha de análise, comece orando à Deus.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Antidoto Anti-Arminianismo - Parte 1


Por Marcelo Lemos
Introdução
Preciso começar com um ou dois esclarecimentos necessários: não considero os Arminiamos como cristãos inferiores, e nem questiono se são salvos ou deixam de ser; todavia, creio ter razões bíblicas suficientes para rejeitar completamente seus pilares teológicos. E também não considero o Calvinismo como sendo “O Evangelho”, pois o Calvinismo não salva ninguém – só Cristo salva! Creio, porém, que o Calvinismo é a exposição mais bíblica, racional e cristocêntrica para a Mensagem do Evangelho.
O Calvinismo sempre desperta interesse. Se o leitor tiver por costume frequentar comunidades cristãs no Orkut, saberá que quase todos os dias tópicos sobre algum tema relacionado ao Calvinismo surge na grande rede. E, quase sempre, muitas pessoas falam muito sobre o Calvinismo, sem que conheçam de fato a matéria.
Também é de se notar que boa parte daqueles que pretendem refutar o Calvismo estão convencidos de que seus argumentos são sólidamente bíblicos e racionais. De certo modo, tem-se a impressão que aceitar as Doutrinas da Graça é coisa do passado, só possível hoje em algumas mentes retrogadas e pouco esclarecidas. É verdade, no entanto, que o Calvinismo tem ressurgido com grande força em nossos dias, pois muitos estudantes das Escrituras estão percebendo a fragilidade do Castelo Arminiano. Porém, nem todos conseguem perceber a irracionalidade do sistema de Jacob Arminius.
Não são apenas arminianos que desconhecem as fragilidades de seu sistema teológico, até mesmo muitos calvinistas bem-intencionados acabam “tímidos” diante deste ou daquele ataque da lógica arminiana. O desconhecimento arminiano e a timidez calvinista têm cura. Nesta pequena série de artigos tentaremos apresentar o antidoto!
Mesmo que eu quissesse não me seria possível esconder de onde tirei a inspiração para estes artigos. An Antidote Against Arminianism , escrito pelo Rev. Christopher Ness é, na minha opinião, um grande e fundamental clássico da literatura polêmica contra o Arminianismo. Porém, quem leu a obra de Ness, e a comparar com esta série de artigos, acabará constatanto que nossa dependencia dela reside quase que exclusivamente na semelhança do título.
PARTE I
Compreendendo a Soberania de Deus
Você não pode enfrentar o Arminianismo, ou livrar sua mente dele, caso não tenha uma noção correta sobre o ensino bíblico a respeito da Soberania de Deus. A seguir apresentamos algumas visões acerca do que significa existir um Deus Soberano; segue-se a isto uma apresentação das devidas análises teológicas.
  1. O Arminianismo e a Doutrina da Soberania de Deus:
O sistema teológico arminiano divide a Soberania de Deus em dois campos: o absoluto e o parcial. Não usam exatamente estes termos, preferem falar sobre Vontade Absoluta e Vontade Permissiva de Deus. Por Vontade Absoluta compreendem tudo o que Deus efetivamente fará, sem que nada possa alterar o curso da História. Por exemplo, a Segunda Vinda de Cristo. Ainda que os homens possam – segundo eles, claro! – apressar ou retardar o Retorno do Messias, ninguém jamais poderá impedir que Ele retorne um dia. Em questões assim, eles admitem, Deus é Absolutamente Soberano.
Sobre isto um arminiano escreve: “Como Criador, ele tem agido, em todas as coisas, de acordo com sua própria vontade soberana. A justiça não tem, não pode ter, qualquer espaço aqui, pois nada é devido ao que não tem nenhuma existência. Aqui, portanto, ele pode, no sentido mais absoluto, fazer o que quiser com o que é seu. Conseqüentemente, ele criou os céus e a terra, e tudo o que neles há, em todo aspecto concebível, “segundo o beneplácito de sua vontade”. (1)
Todavia, Deus não é absolutamente soberano quando o assunto é o homem. Neste caso, Deus limita-se a reagir as ações humanas. Por exemplo, ainda que Deus queira salvar João da Silva, ele não pode efetivamente fazer isto, a menos que João da Silva permita que Deus assim o faça. Ensinam os arminianos que Deus permite a João da Silva aceitar ou rejeitar a Salvação. Por isso, dão a esta doutrina o nome de Vontade Permissiva.
Então, quando Deus salva alguém, segundo os arminianos, Ele não está fazendo isso apenas porque quis assim fazer; ou seja, “segundo o beneplácito de sua vontade”, mas sim, porque o homem aceitou (permitiu) que Deus o salvasse: “Sempre que, por essa razão, Deus age como Governador, como galardoador ou castigador, ele não mais age como um mero Soberano, unicamente por sua própria vontade e prazer, mas age como um Juiz imparcial, guiado em todas as coisas por invariável justiça”. Deus quis salvar este homem? Sim! Mas sua vontade não é decisiva, antes, limita-se a reagir a ação do homem. Portanto, a vontade do homem é decisiva e soberana, a vontade de Deus torna-se apenas reativa – deixando a salvação de ser um ato Soberano da Graça de Deus.
Não é possível compreender adequadamente o arminianismo se não nos damos conta da dicotomia existente em sua doutrina sobre a Soberania de Deus: “Então, que estas duas idéias de Deus Criador, o soberano Criador, e Deus Governador, o justo Governador, sejam sempre mantidas separadas. Vamos distingui-las uma da outra com o maior cuidado. Dessa forma daremos a Deus toda a glória de sua graça soberana, sem pôr em dúvida sua inviolável justiça”.
O Deus pincelado na Teologia Arminiana é um “Deus Limitado”; ao menos no que diz respeito a salvação dos homens. Ao relacionar-se com o Universo, a vontade deste Deus é completamente absoluta, mas não é assim quando este Deus se relaciona com o homem. Esta não-soberania da vontade de Deus ao tratar com o homem é expressamente declarada em outro lugar do mesmo portal teologico supra citado:
Deus é condicionado pelo fato que há almas humanas. Não é detrativo à Sua infinita soberania dizer que Ele é condicionado em Suas relações com os homens , pela vontade do homem . É uma condição que Ele escolheu colocar sobre Si mesmo quando criou os homens como seres morais livres. Ele certamente é um juiz indicado quanto a se ou não tal condição avilta Sua soberania…. Deus age onipotentemente mas sempre dentro de limites que preservam a liberdade moral e a responsabilidade do homem.” (The Person and Work of Jesus Christ, pp. 130-131, 157). (2)
“Deus controla a natureza de acordo com leis. Mas o homem está em um nível superior . Deus Se limitou em Seus métodos com seres livres…. Deus é limitado pela liberdade humana . Novamente, Deus é limitado em Seus métodos pelo pecado humano …. Deus deve reduzir Sua própria ação ao mínimo a fim de que não imponha Sua vontade . Concluímos, então, que Deus é limitado pela liberdade e pelo pecado humano para o método da eleição, e que ao executar Seu propósito, Ele deve, por causa destas limitações, trabalhar gradualmente e por meio de agentes humanos.” (The Christian Religion in Its Doctrinal Expression, pp. 268, 348, 349)
“Deus… pode prever como os homens agirão sem eficientemente decretar como eles agirão. Deus não é limitado na execução de Seus planos, exceto quando se limitou pelas escolhas do homem. … Deus estabeleceu certos limites gerais dentro dos quais Seu universo deve operar. Dentro desses limites Ele deu ao homem liberdade para agir.” (Lectures in Systematic Theology, pp. 346, 396).
Observe que para o arminianismo Deus pode até “prever” o que os homens farão, (com o Evangelho, por exemplo), mas isso não quer dizer que Ele tenha decretado as ações humanas. Sendo assim, Ele não decidiu quantas pessoas vão ser salvas, nem quantas vão ser condenadas. Isso pode parecer um boa idéia, não é mesmo? Errado! É um idéia aterradora, pois se Deus não decidiu quantas pessoas serão salvas, implica que Seu Plano não era infalível, uma vez estar limitado a vontade soberana dos homens. Infelizmente nem todos conseguem captar esta consequência lógica do pensamento arminiano; isto se deve a um desrespeito as regras da lógica: Se todos os homens podem ser salvos, segundo sua própria decisão, implica igualmente que todos podem ser condenados, segundo sua própria decisão – o que, por conseguinte, implica que o Plano de Deus jamais foi infalível, e só produz bons resultados porque o homem tem decidido cooperar com a Vontade do Senhor.
Eis, portanto, algumas das implicações do conceito arminiano sobre “Soberania de Deus”.
  1. O Teísmo Aberto e a Doutrina da Soberania de Deus
Apesar do Arminianismo, na prática, acabar anulando a Soberania de Deus na salvação humana, ele assim o faz de modo não-proposital; com efeito, o arminiano fará tudo para salvar a Soberania de Deus, mesmo quando, na prática, está negando que Deus seja soberano. Sim, tal atitude é irracional e revela a inconsistência de seu sistema de teologia, porém, permite que os arminianos continuem postos ao lado da ortodoxia evangélica, ainda que de modo precário. Eu os acusaria de erro, de inconsistência, de irracionalidade, mas não de heresia de perdição, como é o caso do Teísmo Aberto.
[Em todo o caso, torna-se heresia de perdição aquele arminianismo que se transforma em religião de obras, legalista.]
Mas, que há de tão pernicioso do Teísmo Aberto? Enquanto o arminianismo é inconsistente em sua defesa da Soberania de Deus (afirmando-a, e negando-a), o Teísmo Aberto, por sua vez, simplesmente rompe todas as barreiras teológicas, e declara: “Deus não é soberano!”. De certo modo, o Teísmo Aberto diz as mesmas coisas que o Arminianismo, porém, sem nenhuma preocupação em defender a Soberania de Deus.
Augustus Nicodemos Lopes, teólogo presbiteriano, aponta seis implicações trágicas da Teísmo Aberto:
1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.
2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.
3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.
4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.
6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus. (3)
Numa análise detalhada se constatará que o Teísmo Aberto diz exatamente as mesmas coisas que o Arminianismo. Todavia, a maioria dos arminianos não faz idéia de que seu sistema teólogico leva inevitavelmente a estas mesmas negações da Soberania de Deus. Apesar de sua teologia negar que Deus seja soberano, os arminianos creem – a seu modo – que Deus seja soberano sobre tudo e todos. Já os “relacionais” – teísmo aberto – declaram: “Deus soberano? Não!”.
3. O Ensino Bíblico Sobre a Soberania de Deus
Em comum, arminianos e teístas abertos acreditam que Deus tem sua vontade limitada pela vontade dos seres humanos. Para ambos, ainda que Deus deseje muito uma coisa, apenas poderá levar a cabo seu Plano, caso a criatura lhe permita tal façanha. Mas, segundo as Escrituras, Deus é soberano sobre tudo e todos. Ele é soberano sobre toda a criação do Universo, e é igualmente soberano sobre os seres morais que criou.
Interessante que num dos artigos arminianos que citamos na primeira seção, procura-se fazer uma distinção entre a soberania de Deus sobre a criação inanimada, e sua soberania sobre as criaturas morais. Ali o arminiamo escreveu: “Como Criador, ele tem agido, em todas as coisas, de acordo com sua própria vontade soberana. A justiça não tem, não pode ter, qualquer espaço aqui, pois nada é devido ao que não tem nenhuma existência. Aqui, portanto, ele pode, no sentido mais absoluto, fazer o que quiser com o que é seu. Conseqüentemente, ele criou os céus e a terra, e tudo o que neles há, em todo aspecto concebível, “segundo o beneplácito de sua vontade”.
Ou seja, Deus fez o que bem quis com os seres inamimados, e isso implica que suas ações são “segundo o beneplácito de sua vontade”. Em outras palavras, ele fez aquilo que lhe foi agradável, sem depender em nada do ser criado. Portanto, o arminiano sentencia: “Aqui, portanto, ele pode, no sentido mais absoluto, fazer o que quiser com o que é seu”. Mas, quando o ser criado é o homem, então Deus já não pode fazer o que bem entende. Ele precisa respeitar a vontade do homem, e submeter Sua propria vontade aos caprichos da criatura. Assim fala o Arminianismo (e, como vimos, também o Teísmo Aberto).
A Bíblia nega tal diferenciação. Segundo as Escrituras Deus é Soberano. Ponto final. E sobre o destino dos homens? Aqui pemanece Ele igualmente soberano. A Bíblia diz que:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçäos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundaçäo do mundo, para que fóssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoçäo por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” - Efésios 1.3-5.
Por qual razão Deus elege alguém? Por qual razão ele predestina o futuro de alguém? A Bíblia diz que foi “segundo o beneplácito de sua vontade!”. Não é interessante que os arminianos aceitem que Deus possa agir “segundo o beneplácito de sua vontade”, desde que tal afirmação não esteja relacionada ao destino eterno dos homens? Mas, é justamente isto que a Bíblia ensina: “… nos abençoou… nos elegeu n’Ele antes da fundação do mundo… e nos predestinou… segundo o beneplácito de sua vontade!”. Onde está, ó arminiano, sua tão desejada distinção na Soberania de Deus?
“A tendência atual é de deixar de lado doutrinas de Soberania Divina e Predestinação, de modo a obter espaço para a autocracia da vontade humana. O orgulho e a presunção do homem, de um lado, e a sua ignorância e depravação do outro, levam-no a excluir Deus e a exaltar-se a si próprio tanto quanto ele é capaz; e estas duas tendências combinadas afastam a maioria da raça humana para longe do Calvinismo.”Loraine Boettner
Que ensina o Calvinismo? Ensinamos que Deus é o Governante Supremo da História, e que Seu Eterno Plano não está a mercê de qualquer outro ser que não Ele mesmo. Este, cremos, é ensino claro das Escrituras:
Daniel 4:35: “…ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”.
Jeremias 32:17: “Ah! Senhor Deus! És tu que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido! Nada há que te seja demasiado difícil!”.
Mateus 28:18: “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”.
Efésios 1:22: “E sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja”.
Efésios 1:11: “nEle, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade”.
Isaías 14:24,27: “- O Senhor dos exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. Pois o Senhor dos exércitos o determinou, e quem o invalidará? A sua mão estendida está, e quem a fará voltar atrás?”.
Isaías 46:9 – 11: “- Lembrai-vos das coisas passadas desde a antigüidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade; chamando do oriente uma ave de rapina, e dum país remoto o homem do meu conselho; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei”.
Gênesis 18:14: “Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor?…”.
Jó 42:2: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido”.
Salmo 115:3: “Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz”.
Salmo 135:6: “Tudo o que o Senhor deseja ele o faz, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos”.
Isaías 55:11: “Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei”.
Romanos 9:20,21: “ Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?”.
As Escrituras acima questionam: “Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor?”. A isto muitos respondem: Deus é limitado pela vontade humana! O Espírito Santo está lutando com homens, querendo salvá-los; mas Ele não poder realizar sua vontade, a menos que o homem permita! Por outro lado, no Calvinismo afirmamos que se alguém morrer sem salvação é porque Deus não quis salvar tal pessoa, pois “tudo o que o Senhor deseja ele o faz!” (Salmo 135.6). Um Deus que não pode fazer aquilo que deseja não está presente nas Escrituras.
De fato, o Deus revelado nas Escrituras jamais pode ser frustrado em seus planos e desejos; sua soberania estende-se até aos menores detalhes da História:
Salmo 139:16: “Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles”.
Tiago 1:17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”.
Números 23:19: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?”.
Provérbios 16:33: “A sorte se lança no regaço; mas do Senhor procede toda a disposição dela”.
Jó 36:32: “Cobre as mãos com o relâmpago, e dá-lhe ordem para que fira o alvo”.
Isaías 45:7: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas”.
Amós 3:6: “…Sucederá qualquer mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?”
Atos 3:18: “Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado que o seu Cristo havia de padecer”.
Romanos 8:28: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.
Deus é soberano, ou nâo? É a esta questão básica que o estudante deve responder ao lidar com o dilema a respeito da soberania de Deus. Calvinismo é ensinar que Deus salva homens de seus pecados. Arminianismo é ensinar que o homem salva a si mesmo, ao aceitar a ajuda oferecida por Cristo. Calvinismo é ensinar que Deus tem um plano eterno e infalível. Arminianismo é ensinar que Deus sonha com o melhor, e espera que o homem não fruste seus planos…
Que Deus as Sagradas Letras retratam?
Continua…
REFERÊNCIAS:
  1. http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=373:consideracoes-sobre-a-soberania-de-deus&catid=101:john-wesley-as-obras-de-john-wesley-vol6-
  2. http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&task=view&id=223&Itemid=35
  3. http://www.monergismo.com/textos/presciencia/augustus_teologia_relacional.htm

NÃO HÁ NADA EM OCULTO QUE NÃO VENHA A SER REVELADO!

Por Fabio Campos
Texto base: “Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente”. – 1 Timóteo 5.24 NVI

Não há tragédia maior para um cristão cheio do Espírito Santo do que “desonrar o nome de Deus” (Pr. 30.9). Quanto mal traz uma situação exposta quando a “pedra de moinho já está ladeira abaixo”. Todos os que se alegram no pecado pensam que nunca serão descobertos. Seja aqueles que estão no adultério – seja os que estão defraudando alguém – sem exceção - se não se arrependerem, serão descobertos. “Uma hora a casa cai”!

O fruto antes de ser fruto é apenas uma semente. Ninguém vê a semente depois de plantada; o que vemos são os frutos. A Escritura diz que “as obras da carne são conhecidas” (Gl 5.19-21). Se a “igreja” assim como o povo de Israel, no Antigo Testamento, defende os falsos profetas, Deus levanta um Nabucodonosor e expõe a vista de todos através da mídia secular as riquezas dos cinco líderes evangélicos que lhes “trarão muitas dores” (1 Tm 6.10). Deus sempre traz o juízo quando a medida de maldade está cheia (Gn. 15.16). Não se deixem enganar, de Deus não se zomba (Gl 6.7).

Quantas surpresas [negativas] tive no meu pouco tempo de caminhada cristã. Pessoas pelas quais daria minha vida em defesa de sua integridade –, agora descobertas, enganando a todos já por muito tempo. Irmãos que se afastaram sem dar pelo menos um “tchal”. Foram como o “orvalho do campo” - chegaram de manhã, e a tarde já não existiam mais. O Senhor torna o pecado de alguns evidente justamente para não nos enganarmos com o joio pensando que trata-se de trigo. Muitas vezes pela falta de discernimento chamei “mal de bem e bem de mal”. Que Deus tenha misericórdia!

Até nisto Jesus é bondoso com aqueles que o temem. Ele nos livra de sermos “cúmplices nas obras infrutíferas das trevas” (Ef. 5.12). Do contrário em ser cúmplice, sua ordem é “reprovai-as”. O que eles fazem em oculto, só de falar, nos traz vergonha (Ef. 5.12). Muitas das vezes não entendemos o trabalhar de Deus. Não conhecemos os bastidores do coração do homem. Mas o Espírito sonda até as profundezas. Ele nos priva - e como luz e trevas se opõem - aquele que pratica o mal aborrece a luz e não chega para a luz, a fim de não ser descobertas suas [más] obras” (Jo 3.20).

Se o homem não se converter, Deus afiará sua espada (Sl 7.12). Muitos se acham tão importantes que não percebe o seu pecado (Sl 36.2). Todo filho de Deus é um “pecador arrependido”, diferente daqueles que se alegram da iniquidade. O Senhor repreende e disciplina o homem por causa do seu pecado (Sl 39.11). Todavia, a disciplina não é para os ímpios encharcados na maldade – mas para os filhos. O ímpio de dura cerviz não terá disciplina, apenas juízo - diferente do filho (Hb 12.1-12).

Com muito temor escrevi este artigo, pois está escrito: “... quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o homem que nele está” (1 Co 2.11). Como lamento pelas minhas mazelas e pelos meus pecados que sempre estão diante de mim. Quando o Espírito me convence do pecado, da justiça e do juízo naquilo que estou desagradando ao Senhor, a “tristeza segundo Deus que não produz remorso, mas o arrependimento” (2 Co 7.10), me leva a salvação: “os que confessam suas iniquidades alcançarão misericórdia” (Pr. 28.13). 

Os homens maus não entende o juízo de Deus (Pr. 28.5). Mas como são felizes aqueles que têm por princípio o temor a Deus. Estes terão os seus pecados encobertos debaixo das asas da misericórdia (Sl 32.1). O Senhor não “leva em conta o seu pecado, pois ele não é hipócrita em sua confissão” (Sl 32.1). Por isso todos os que são fieis oram ao Senhor e quando as muitas águas se levantarem, elas não o atingirão” (Sl 32.6). Que Deus tenha misericórdia da minha vida e me ensine a fazer a vontade dEle, antes da minha. Nos seus desígnios descanso contra todo tipo de acusação, pois “Deus julgará os segredos dos homens, mediante Jesus Cristo” (Rm 2.16).

“Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido.O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados”. – Lucas 12.2-3 NVI

Que Deus nos ajude!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

NETTO PAZ


Lázaro arrastou multidão em Cansanção.




 
Lázaro arrastou uma verdadeira multidão na noite deste sábado (29), para o Canta Cansanção 2014. O Cantor entrou em cena com a canção “De Quem é?” e em seguida com um dos maiores sucessos no meio gospel, “Passando Pela Prova”. Lázaro, cantou, dançou dentro do seu estilo, deu testemunhos e levou muita alegria para o público, que retribuiu acompanhando as canções. Entre as músicas do repertório escolhido para a apresentação, o cantor trouxe para o público, ”Ainda bem eu vou morar no céu”, “Vai mudar”, “Sai de cena” e “Eu sou de Jesus”.

Irmão Lázaro ressaltou a satisfação em participar mais uma vez do Canta Cansanção. “Me sinto em casa cantando para o público de Cansanção”.

Esta é a quarta vez que o cantor se apresentou na festa (2009, 2010, 2012 e 2014), que já teve Kléber Lucas, Fat Familly, Thallyta e Alice Maciel.

Além do Irmão Lázaro, a Banda Tributos,  Josimeiry Alves, Renata Rios, Trovão de Deus, Welton Soares, Samiles da Jé e o Grupo Kairos, animaram o evento.

O evento foi promovido pela Igreja O Brasil Para Cristo através do pastor Isaque Américo. Estiveram presentes pastores e obreiros de diversas denominações, além do prefeito Ranulfo Gomes, primeira-dama Vilma, vice-prefeito Paulinho, secretário executivo Frederico Macedo, e os vereadores Agnaldo Alcântara e Diodato Gois.

Precisamos de Homens de Deus


Por A. W. Tozer

Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. (I Cor 16.13)

A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.

A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.

Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.

Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.

Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.

A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.

Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens.

E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...

Você não pode agradar a homens e ser o escravo de Jesus Cristo.


Por Josemar Bessa

“Ó Senhores! Nós podemos pregar para as pedras ou para os homens e será a mesma coisa, a menos que o Espírito Santo use a Palavra para regenerar suas almas”. – Charles H. Spurgeon
A verdade tem bordas duras que não podem ser suavizadas. Mas há uma grande tentação de suavizá-las dependendo da força motivadora dentro de nós. Como medimos o sucesso? Que padrão temos usado na proclamação do evangelho? Que tipo de ministério é eficaz? Avaliamos economicamente? Contamos cabeças...?
É engraçado, mas muitas pessoas em nossos dias que dizem crer na soberania de Deus sobre todas as coisas, quando falam em sucesso, usam os mesmos meios de aferição do mundo. Muitos quando falam de Charles H. Spurgeon, começam a mencionar cabeças... Mas isso não é o fato relevante em Spurgeon, e sim o que Spurgeon ensinou. Multidão Charles Finney também conseguiu. A. W. Pink não experimentou em vida nada do que Spurgeon experimentou em sua vida ministerial, mas quão fiel a Verdade ele foi.
Onde está o ponto? Quando você faz um balanço de sua vida você usa os critérios do Ibope? Todos nós somos tentados a medir-nos comparando o que temos produzido com o que outros produziram... nós investimos demais na opinião dos corretores do poder em nossa sociedade, seja espiritual ou secular.
É impossível exagerar os efeitos devastadores que estão inexoravelmente consumindo a vida da igreja quando essa perspectiva é abraçada. A Verdade fatalmente é comprometida, cortando os cantos duros do evangelho, suavizando bordas que irão afastar o homem natural, a vontade de esconder a borda afiada da moralidade bíblica numa sociedade amoral, o desejo de ser relevante para um mundo que acha Deus irrelevante em suas reivindicações... Porque queremos um aumento de apoio, um aumento de número, um aumento de doadores, um aumento...
Preste atenção nas palavras de Paulo: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida...” - 2 Coríntios 2:15-16
Eis a norma bíblica para o sucesso!! Um “cheiro!” – A verdade articulada aqui pelo apóstolo Paulo é um poderoso remédio para a tentação de encontrar fórmulas que fatalmente irão comprometer a Verdade por desejar definir que“cheiro” seremos na vida das pessoas que ouvirem a verdade do evangelho.
Você deseja ser um cheiro de Deus para o mundo? Seja fiel na proclamação da Verdade. Seja fiel em todos os seus termos, pregue a loucura da cruz, não suavize a sua ofensa, proclame as promessas do evangelho, declare as consequências eternas... Jamais pense em como mostrar o evangelho de uma maneira que ele pareça mais favorável a depravação do coração natural do homem. Eis o padrão de Paulo: "Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. "Gálatas 1:10
Eis o ponto nevrálgico de qualquer estratégia voltada para ser atraente ao homem natural, independente da estratégia, a própria motivação de ser agradável ao homem já é um desvio - só a intenção mostra um desvio do propósito - "... Se eu estivesse ainda agradando aos homens eu não seria servo de Cristo" - Você não pode ser ambos.
Você não pode agradar a homens e ser o escravo de Jesus Cristo. Você não pode ser um soldado comprometido para agradar o seu comandante e ser um prazer para o homem natural que está em inimizade para com Deus: "...a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo." - Romanos 8:7 - Só há uma direção: "...como homens aprovados por Deus, a ponto de nos ter sido confiado por ele o evangelho, não falamos para agradar a pessoas, mas a Deus, que prova os nossos corações." - 1 Tessalonicenses 2:4
Só há duas respostas possíveis ao verdadeiro evangelho de Cristo – nós não procuramos induzir essa resposta. Quando a mensagem é dada a conhecer ao mundo, fatalmente haverá uma resposta. A neutralidade é impossível, não existe tal coisa em relação a Verdade de Deus. A indiferença ou apatia é um mito. Ignorar é negar a verdade... O homem está entre os que estão sendo salvos ou está entre os que estão perecendo – a mesma Verdade tem dois cheiros distintos. A palavra da cruz é “loucura” – absoluta loucura, ou é “o poder de Deus “ para a salvação – “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” - 1 Coríntios 1:18
A mensagem de Cristo proclamada por Paulo ( e não o mensageiro, ou a linguagem, ou o método...) é por si só responsável por dividir os ouvintes dessa maneira.
Sempre que a Palavra de Deus é proclamada uma fragrância é liberada. Para alguns é um aroma de vida, de esperança, de perdão, de regeneração, de justificação... Essas coisas não são manipuláveis – o mensageiro deve entregar o que recebeu para pregar. Esse aroma de vida é incomparável – nada pode ser comparado ao cheiro de vida exalado pelo Filho de Deus. O Espírito pela Palavra regenera o coração, desperta a vida, ressuscita alguém que estava“morto em delitos em pecados”... é maravilhoso!!! - “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados - Efésios” 2:1
Mas para outros, a Verdade do evangelho é um sufocante fedor venenoso.Cheiro de morte e não de vida. Charles Spurgeon nos lembra:
“O evangelho é pregado aos ouvidos de todos, mas ele só vem com poder para alguns. O poder que está no evangelho não está no mensageiro, sua eloquência, argumentos... caso contrário, os homens e seus métodos seriam conversores de almas. Também não está na técnica do pregador... caso contrário, consistiria na salvação pela sabedoria dos homens. Podemos pregar até nossas línguas apodrecerem, até o ar de nossos pulmões se esgotarem e morrermos, mas nunca uma alma será convertida a menos que haja o misterioso e soberano poder do Espírito Santo operando como quer naqueles que Ele quer operar. O Espírito Santo muda a vontade do homem. Ó Senhores! Nós podemos pregar para as pedras ou para os homens e será a mesma coisa, a menos que o Espírito Santo use a Palavra para regenerar suas almas”.
Mas veja, Paulo é uma fragrância de Deus independente da resposta da mensagem! ““Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte.”
Quando Paulo pregou e sofreu de cidade em cidade, apanhou, foi ridicularizado, difamado... e o nome de Jesus foi blasfemado. Paulo estava sendo uma fragrância de Deus (Um cheiro de morte). Quando no meio do sofrimento ele proclamou fielmente o evangelho e a Verdade foi abraçada, homens regenerados... ele foi uma fragrância de Deus ( Um cheiro de vida ).
Ao pregarmos a Verdade sem aparar as arestas duras para o homem natural, sem esconder parte da Verdade, sem tentar desenvolver técnicas para que o homem natural sinta um bom cheiro de um evangelho corrompido segundo suas paixões... Somos uma fragrância de Deus, mesmo quando a mensagem é completamente rejeitada.
A fragrância começa imediatamente a ser corrompida no momento em que nosso padrão de sucesso é o mesmo que o do Ibope. O que Paulo está dizendo é que mesmo se nossa “multidão” for pequena e insignificante para o Ibope, o sucesso é medido pela fidelidade – não determinamos sobre cada pessoa, ou “público alvo”, ou cultura... que tipo de fragrância seremos – “cheiro de vida ou cheiro de morte” – Se nosso esforços, nossa proclamação da verdade levarem a “vida” ou a “morte”, continuamos sendo o aroma de Cristo para Deus – “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo...” - 2 Coríntios 2:15. E somos o bom perfume de Cristo para Deus apenas quando pregamos Jesus verdadeiramente e biblicamente. Não tentamos definir se seremos“Cheiro de vida ou de morte”.
Isso é uma pílula muito difícil de engolir se o propósito é o sucesso e não a glória de Deus. É difícil de engolir se o nosso temor dos homens é maior que o nosso temor a Deus – se nós desejamos o louvor e a aprovação dos homens em detrimento do que vem de Deus. Quem acha duro demais tomar essa pílula, tenta negar, mas está servindo ao Pragmatismo e não a Deus.
Devemos ser um cheiro bom para Deus em Cristo, mesmo que ele seja um cheiro podre e de morte para o mundo que se perde, ou um cheiro agradável de vida para os que são regenerados pelo Espírito Santo.
Fonte: Josemar Bessa

O que o cristão pode ou não pode fazer

 
Por Maurício Zágari
Muita gente se opõe à fé cristã por causa dos mandamentos de Deus. Acham muito cheia de regras, de "pode" isso, "não pode" aquilo. Não querem se submeter a ordens, desejam ser donas de sua própria vida, sem ter ninguém que lhes diga o que podem e o que não podem fazer (ou devem e não devem). Esse pensamento está tão entranhado no inconsciente coletivo de nossa sociedade que chega a invadir as igrejas. O resultado são cristãos para quem a defesa de mandamentos bíblicos acaba tornando-se legalismo ou farisaísmo. Ou então irmãos confusos sobre sua conduta. Vamos pensar um pouco sobre isso.

Deus é soberano. Nós somos submissos. Deus é criador. Nós somos pó. Deus é todo-poderoso. Nós somos impotentes sobre quase tudo o que nos acontece. Ele manda. Nós obedecemos. Ele dita as regras do jogo. Nós as acatamos. Tudo isso é fato e quem se opõe a essas verdades não alcançou ainda a compreensão plena da natureza divina e da humana nem a revelação do Senhor. Sim: Ele é o manda-chuva. Se Ele fala, a nós só resta dizer "amém". E, se dizemos "amém" ao que Deus fala, não estamos fazendo nada além de nos pôr em nosso devido lugar.

Então, de forma bem crua e objetiva, é exatamente isso: Deus determina e nós abaixamos a cabeça. Ponto. Não há democracia na relação entre nós e o Senhor, assim como não há nas decisões que um pai toma por seu filho pequeno. Papai disse que é assim e acabou. Do mesmo modo, seria ingenuidade de nossa parte achar também que a graça de Deus é barata (para usar a expressão de Dietrich Bonhoeffer). Não é: o Criador tem um padrão ético e moral. O que, em outras palavras, significa que para Ele há atitudes certas e atitudes erradas. Deus não tolera tudo: se fazemos o que Ele considera errado  estamos pecando. E isso nos afasta dele e nos torna desesperadamente necessitados de Seu perdão. Portanto, sim: existem coisas que o cristão pode e que não pode fazer. Pode fazer o que Deus quer. Não pode fazer o que Deus não quer. E se desobedecer está transgredindo o padrão divino de certo e errado. Ponto final.

Até aqui a coisa foi pesada, não é? Assustou? Posto dessa forma para pessoas acostumadas à democracia parece que somos prisioneiros de um campo de concentração terreno, sujeitos a um ditador celestial tirânico e déspota. Sei que muitos veem o pode/não pode de Deus dessa forma. Só que, apesar de tudo o que eu disse até aqui ser bíblico, há uma outra forma de se ver a coisa. E ela passa pelos olhos do amor.

Se você ama seu pai, não lhe obedece apenas porque ele mandou. Obedece, acima de tudo, porque quer ver um sorriso no rosto dele. Quer vê-lo feliz. Quer que ele se orgulhe de você e lhe considere um bom filho. Se você ama a sua namorada, não deixa de chegar na hora marcada ao encontro porque caso contrário ela vai ficar fula por ter esperado tanto, mas por respeito a quem você respeita. Quando você deixa de assistir ao seu jogo de futebol predileto para levar sua mãe ao médico não o faz porque é o que tem de ser feito, mas porque se preocupa com ela e deseja vê-la bem.

Assim, existem duas maneiras de se encarar a obediência a Deus: como um fardo pesado e uma violação do nosso desejo e da liberdade de autodecisão ou como gestos de devoção praticados com felicidade e alegria para alguém que amamos profundamente. Descobri que quando desobedeço a Deus, ou seja, quando peco, não estou simplesmente infringindo ordens. É muito pior do que isso: estou faltando com amor a alguém que me amou profundamente a ponto de morrer por mim. Mais do que desobediência, é ingratidão e desamor. Não faz de mim apenas um transgressor: faz de mim alguém que se põe acima do Senhor na ordem de prioridades.

Vamos pegar como exemplo uma discussão bem contemporânea: o dízimo - e que não é o tema desta reflexão, falo sobre isso apenas para exemplificar. Depois que o fenômeno do neopentecostalismo e seus escândalos fizeram a entrega de dinheiro para igrejas tornar-se uma atitude questionável e suspeita, pela primeira vez na história eclodiu entre os próprios cristãos a ideia de que poderiam não entregar o dízimo. Acredite: qualquer argumento contra o dízimo que você possa levantar eu já ouvi. Porém, nenhum deles conseguiu até hoje me convencer de que não é um mandamento de Deus válido ainda na Nova Aliança. Só que não é por isso que entrego meu dízimo. Entrego por amor.

Pois o amor torna o peso de ordenança de um mandamento algo secundário e, até, desnecessário. Entrego o dízimo porque amo o que é feito com ele. Amo saber que um santuário onde pessoas são edificadas tem sua conta de luz paga graças a minha participação. Amo saber que meus pastores podem dedicar seu dia a visitar doentes e enlutados e a aconselhar almas em frangalhos porque eu participo do seu sustento. Amo saber que muitos missionários podem ser enviados e mantidos em locais aonde eu não tenho peito de ir porque entreguei o dízimo. Amo Deus. E é esse amor que me faz dizimar. Não a obrigação. É um prazer e não um peso ou um sofrimento.
Queiramos ou não, é bíblico: há coisas que o cristão pode fazer e coisas que não pode. O que tenta fugir disso usa de pura retórica. E se optarmos pela transgressão haverá um preço a ser pago. Mas muito mais importante do que ver a realidade dessa forma é saber que existem coisas que o cristão faz ou deixa de fazer por amor ou desamor a Deus. Prefiro entender o meu esforço por obedecer como um gesto realizado por apreço a Aquele que a si mesmo entregou-se por mim. Assim, obediência é gratidão. É afeto. É carinho. É amizade. É devoção. É amor.

Poucas coisas doem tanto quanto o olhar de tristeza no rosto de alguém que você ama provocado por algo que você tenha feito. Magoar quem você ama corrói. Imaginar esse olhar no rosto do Jesus que amo é o que hoje me motiva mais do que qualquer outra coisa a lutar para ser reto em meus caminhos, muito mais do que o medo do inferno ou a obediência temerosa de um pecador nas mãos de um Deus irado.

Pode, não pode... ok, não está errado, é bíblico. Só que, hoje, creio que a questão é muito maior do que essa. Passa, na verdade, por ama, não ama. Quando conseguimos ver dessa forma, o Evangelho ganha muito mais a cara de Jesus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício