segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Perfeito amor



 
Por Maurício Zágari
Tenho lido e ouvido muitas coisas sobre o amor cristão. Vozes de todos os lados levantam as mais variadas teorias sobre como deve ser o amor entre nós, que pertencemos à família de Cristo. Já ouvi de tudo. E já vi de tudo. Adeptos de diferentes linhas são bem-sucedidos e malsucedidos em suas vidas amorosas ou afetuosas. Parece não haver a fórmula infalível da felicidade afetiva, que comprove na prática o que muitos defendem na teoria. Por isso fui às Escrituras tentar encontrar uma resposta. Não tenho a petulância de dizer "é assim" ou "é assado", mas podemos seguir pistas bíblicas que dão uma boa base para responder: afinal, como nós, cristãos, devemos amar?

O amor é algo divino. Quando João diz em sua primeira epístola que "Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele", vemos que amor não é invenção de filmes de Hollywood ou de livros água com açúcar para adolescentes, é uma verdade bíblica e celestial absoluta. O amor existe. E é algo que identifica-se diretamente com a essência do Criador. Tanto é assim que 1 Coríntios 13 nos dá o retrato falado do amor ágape, o amor celestial. Não, não podemos usar esse texto para escrever cartas apaixonadas para nosso namorado ou nossa esposa, o amor a que Paulo se refere aqui é o de Deus e não o dos homens: jamais a humanidade pecadora e imperfeita conseguirá amar desse modo. Na prática é simplesmente um ideal inatingível.

Apesar disso, podemos e devemos ver no amor de Deus um exemplo a ser seguido no amor entre os homens. Quando Jesus diz na famosa passagem de João 3.16, "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna", uma coisa fica clara: o amor que agrada Deus é aquele em que quem ama abre mão de si pelo outro. É o famoso "amor sacrificial". É o mesmo princípio proposto por Paulo em Efésios 5, onde  lemos "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós". Logo em seguida, nesse mesmo capítulo, vemos a mulher sendo conclamada a submeter-se ao marido e o marido a amar a esposa como Cristo amou a Igreja. Em tudo aqui o que fica claro é o interesse da pessoa amada sendo posto acima do próprio interesse.

Isso traz implicações de proporções inimagináveis. Se você ama alguém vai fazer o que for preciso para que o outro seja feliz. Vai abrir mão do próprio bem-estar pelo do outro. Nem que para isso tenha de destruir sua própria imagem e abrir mão, literalmente, do amor-próprio para que quem se ama trilhe um caminho que será melhor para ele. Se o melhor para quem você ama exige que desconstrua o que ele/ela admira em você, meu irmão, minha irmã, faça. Desglorifique aos olhos do outro o que ele mais admira na sua pessoa. É preciso que quem você ama esteja por cima e você, por baixo, se preciso for. Não foi o que João Batista fez por amor ao seu primo - que ele sabia que era o Verbo? "Convém que ele cresça e que eu diminua" é uma regra sólida do amor bíblico. Por amor à humanidade Filipenses 2.7 mostra que Jesus esvaziou-se de sua glória. Dispa-se da sua também, se é necessário para que quem você ama fique bem.

O amor verdadeiro exigirá grande sacrifício e abnegação. Deus manda Abraão sacrificar o próprio filho, "a quem ama" (Gn 22.2),  para provar seu amor ainda maior pelo Senhor. Se Pedro ama Cristo precisa deixar tudo de si para cuidar das ovelhas do Mestre. Enquanto todos fugiram para cuidar da própria segurança, João, o discípulo amado, correu o risco de ser morto mas não abriu mão de ficar junto ao seu amigo durante toda a crucificação. Abrir mão de si pelo outro. Sacrificar-se. Desglorificar-se. Humilhar-se. Perdoar. Diminuir-se, se preciso for. Caso contrário não é amor bíblico.

O amor cristão necessariamente existe para a glória de Deus. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é uma regra elementar dentro dessa visão. Dizer que se ama Deus é fácil, difícil é fazer com que o amor ao próximo como a si mesmo seja fato perceptível. É impossível glorificar o Senhor se você não exerce o amor pelo próximo em atitudes práticas. Aquele que diz que glorifica Deus e ama o próximo, mas põe os próprios interesses acima dos das outras pessoas, não glorifica Deus nem ama o próximo. Quem desampara o próximo não glorifica Deus nem ama o próximo. É por isso que o egocêntrico não glorifica Deus nem ama o próximo: ama o próprio ventre. Crê que o outro existe em função de si. Esquece que Romanos 12.10 afirma: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros". E é muito fácil identificar quem não põe o outro acima de si e, portanto, não ama o próximo nem a Deus - e assim não o glorifica: o tal agirá sempre em seu próprio favor.

O amor bíblico também é belo. Cantares de Salomão nos mostra com clareza que Deus não nos propõe um amor de casamentos arranjados pelos pais ou desprovidos de um sentimento de profundo encantamento pela pessoa amada. Salomão era completamente embevecido pela amada e vice-versa. Amo a Deus não só porque racionalmente há razões para isso: eu o amo também porque Ele me deslumbra. Porque não há um dia sequer em que Ele deixe de atravessar meu coração. Nos períodos de minha vida em que razões variadas me fizeram cego a Cristo em meu coração e o mantiveram apenas na minha razão foi quando cometi os pecados mais torpes e vergonhosos de minha existência.

Não é porque o amor da ficção é romântico que isso desmereça o romantismo do amor verdadeiro. Amor não é uma decisão. Isso soa bacana e espiritual para os ouvidos, mas é um descompasso com a vida real e mesmo com o amor bíblico. Não fosse assim, como explicar declarações de amor como "Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho" (Ct 1.2); "Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Como és formoso, amado meu, como és amável!" (Ct 1.15,16); e "Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace" (Ct 2.5,6)?

Marcos 10.21 nos mostra o encontro de Jesus com o homem que preferiu as riquezas do que dar seus bens aos pobres e seguir o Mestre. Racionalmente o Senhor tinha tudo para chamar aquele rapaz de "hipócrita" para baixo. Mas o sentimento de Cristo por Ele foi empático, compassivo, pulsante. Diz a Palavra: "Jesus, fitando-o, o amou". Sim, amor bíblico também é um magnífico sentimento. No episódio da ressurreição de Lázaro, Jesus chora de compaixão diante do sofrimento daquelas a quem amava, embora racionalmente Ele soubesse que iria ressuscitar o amigo e que o sofrimento cessaria. Mas o Cristo que despiu-se de sua glória não conseguia despir-se do coração derramado pelos seus irmãos. Deus amou Jacó e aborreceu Esaú (Rm 9.12) - explique-me esse amor pela razão, sendo que Jacó era um detestável trambiqueiro, mentiroso e enganador. Você é pai ou mãe? Tente convencer alguém de que seu amor por seu filho é apenas racional ou "uma decisão". Boa sorte com isso. Conheço pais de filhos nada amáveis que fazem tudo por eles - e certamente não o fazem porque é o certo a ser feito, mas porque são unidos por um sentimento profundo. Por que entre marido e esposa o sentimento também não deve ser considerado no ponto de partida? Por que o amor entre homem e mulher seria um mero ato que tem sua gênese no racional? E por que amar o próximo deveria desconsiderar afetos? Repare com atenção e perceberá que, em geral, pessoas mais cerebrais fazem muito menos pelos outros do que pessoas afetuosas. Por tudo isso, não vejo base bíblica para a teoria de que amor é, primordialmente e originalmente, apenas uma decisão.

Haveria muito mais a se dizer sobre o amor bíblico. Mas o resumo é que sou obrigado a concluir que, para que possamos dizer que alguém ama como Deus deseja, é preciso que seu amor seja formado pela tríade razão + ação + emoção. O amor bíblico é razão porque exige critérios no trato com o ser amado, como a opção racional de pô-lo em primeiro plano. O amor bíblico é ação porque exige atitudes práticas que demonstrem esse amor, como a negação e a diminuição de si mesmo em prol do outro. E o amor bíblico é emoção porque se quisermos amar como Deus precisamos sentir em nós o pulsar do sentimento magnífico que o Pai demonstrou ter pelas suas criaturas, o Filho por aqueles por quem morreu e o Espírito Santo por aqueles a quem estende sua maravilhosa graça.

Ame com esse amor. Pois embora nenhum homem seja capaz de amar com o amor ideal, buscar essa meta o aproximará mais daquele que é a fonte, a expressão máxima e a mais pura essência do perfeito amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.

Se não tiver amor…

Amor1 
Por Maurício Zágari

Minha filha ganhou de presente de aniversário um item de segunda necessidade e resolvi trocar na loja por um sapato, algo mais importante neste momento. A vendedora chegou dizendo que tinha o must da hora. Imaginei que fosse algo como uma sola especial, um formato ergonômico, qualidades realmente importantes, um avanço de fato significativo. Mas, para meu espanto, a grande novidade é que o sapatinho, além de ser cheio de lantejoulas e acender luzes a cada pisada, também muda de cor. Hm. Tá. Pisquei algumas vezes, olhei para a sorridente vendedora com olhar entre o estoico e o incrédulo e optei por outro modelo, que fosse apenas confortável e que estivesse uns dois números acima do que calça minha filha, para durar por mais tempo. Algo de fato útil. E não o que não acrescenta nada. Sapato que pisca? Que muda de cor? Para quê? Pensando nisso, me dei conta de que essa valorização de coisas desimportantes em detrimento das fundamentais não ocorre só na indústria dos calçados. No nosso meio vivemos o mesmo fenômeno.


Vamos pensar. Em primeira análise, um sapato serve para proteger nossos pés dos pedregulhos da caminhada, para evitar que uma topada quebre uma unha, para resguardar nossos frágeis pés dos danos que longos passeios lhes causariam. Só que o que está sendo valorizado neles são características que não têm a ver com nada disso. A Bíblia nos ensina que o cerne da nossa fé é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Mas o que tem estado sob os holofotes são aspectos secundários, que não mereceriam muito de nosso tempo.


Amor3Um exemplo: em vez de discutirmos o que temos feito para ajudar órfãos e viúvas em suas tribulações (que é, segundo Tiago, “A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada”), estamos gastando horas e mais horas, por exemplo, em debates sobre a eterna querela “calvinismo versus arminianismo”. Outro exemplo: em vez de nos unirmos para encontrar o melhor caminho para discipular vidas, investimos nosso precioso tempo discutindo se crente pode ou não fazer tatuagem e usar piercing. E assim seguimos, gastando litros de saliva para defender nossos pontos de vista sobre temas que não mereceram nenhuma ou quase nenhuma atenção de Jesus.


Nos três anos em que passou ensinando, Cristo falou muito sobre arrependimento e perdão. Interessante é que nunca vi uma conferência teológica sobre o tema – mas já vi sobre questões como Missão Integral,  sobre “a Igreja relevante” (precisa de uma conferência para saber que a Igreja relevante é aquela que ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo?!) e outros temas do gênero. E, enquanto ficamos num interminável disse-me-disse sobre se embarcamos ou não em novidades, a Igreja segue em grande parte incompetente quando o assunto é perdoar e amar. E, entenda: quando falo “Igreja” não estou me referindo a uma quimera maligna e institucional à qual devemos nos opor como Quixotes contra moinhos de vento, tampouco a meia dúzia de líderes malignos e corruptos.


Ao me referir a “Igreja”, estou falando sobre eu e você. Pessoas.


A Igreja tem estado fora de foco. No Cristianismo, a teologia é fundamental e o sobrenatural é indispensável, mas muitos de nós estão perdidos entre teologismos sem vida e misticismos exagerados. Decoramos livros de duas mil páginas sobre se o Evangelho deve mudar de cor mas esquecemos de atentar para coisas simples, como se ele tem uma sola que proteja nossos pés na caminhada da vida. Ou perdemos tempo cobrando que o povo fique gritando “glória” na hora da pregação em vez de dirigir nossa atenção para se temos agido conforme a lâmpada para nossos pés.


Amor4Copiando Martin Luther King: eu tenho um sonho. Meses atrás, meu sonho era ver uma grande limpeza na Igreja: o fim da Teologia da Prosperidade, a extinção da heresia da confissão positiva, a pulverização das práticas neopentecostais esdrúxulas, a maturação do lado infantil da Igreja emergente, a erradicação do envolvimento da Igreja na política partidária, a destruição do sistema de celebridades gospel, a prisão de falsos líderes evangélicos que enganam o povo com suas campanhas estelionatárias,  a eliminação de teologias apócrifas e distorcidas e muito mais.


Só que meu sonho mudou. Pois parei. Suspirei. Respirei fundo. Pequei. Apanhei. Fui moído sob muitos aspectos. Travei longas conversas com o Senhor. E, com tudo isso, refleti. E cheguei à conclusão de que essa é uma guerra que, na sociedade pluralista e descentralizada em que vivemos, nunca terá fim. É tentar segurar o vento. Ou deter as águas de um tsunami com as mãos. Em outras palavras: é perda de tempo. Não somos mais a Igreja de 1.700 anos atrás, que resolvia suas disputas num concílio e decidia no voto se algo era heresia ou ortodoxia: o monstro de nossos dias tem muito mais tentáculos e, para se dobrar à verdade bíblica, depende muito menos de blá blá blá pseudoapologético e muito mais de oração. Muito menos de cansativos debates e muito mais de contrição. Muito menos de agressões e polêmicos manifestos on-line e muito mais da manifestação prática do fruto do Espírito nos relacionamentos.


A Igreja está com uma boca do tamanho do mundo para falar, mas com um coração do tamanho de uma formiga para amar.


Nos esquecemos que só Deus muda as coisas, mas, por vaidade, queremos nos tornar os paladinos do Evangelho. Triste Igreja nos tornamos, inchada em seu ego mas a léguas de distância daquilo que de fato muda o mundo. Hoje, concentro minhas energias no mais elementar do Evangelho: amor ao próximo. Vida de santidade. Perdão dos pecados. Ajuda aos necessitados. Jesus de Nazaré.


Amor5Depois de um período de quase um ano de reflexão, oração e leituras direcionadas das Escrituras, hoje acredito que Jesus está pouquíssimo interessado se eu sou calvinista ou arminiano, se sou adepto da Missão Integral ou não, se minha igreja tem cinco ou dez vitrais, se congrego com 50 ou 5.000 membros, e muitíssimo preocupado com o fato de eu dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, hospedar o forasteiro, vestir quem está nu, visitar o enfermo, ver o presidiário. Não adianta querermos combater sistemas de pensamento e doutrinas teológicas aviltantes enquanto ao nosso lado um pobre morre de fome, um pecador é abandonado pelos irmãos, um doente padece solitário, um órfão chora de frio, uma viúva pede esmolas nas janelas de nossos carrões com ar-condicionado, um perdido caminha a passos largos para as trevas. Primeiro o que vem primeiro e depois o resto.  Jesus veio à terra para estender a mão. Mas e nós? Temos feito isso? Ou temos investindo nosso tempo em debater qual é a melhor forma de estender a mão enquanto a mantemos encolhida?


A vaidade humana impera entre nossas lideranças. A arrogância teológica impera entre nossos acadêmicos. O ambição por poder e dinheiro impera por trás das paredes de muitas igrejas. O amor ao próximo e a preocupação com os outros mais do que conosco mesmo desapareceu enormemente da cristandade. Amamos o próximo quando e conforme nos convém. Valorizamos o outro quando nos interessa. Estendemos a mão para quem tem algo a nos oferecer. Essa é a igreja falida.


Amor2A Igreja pulsante e viva não tem lantejoulas ou luzes pisca-pisca. Ela tem um solado firme de amor ao próximo. Não perde seu tempo com discussões intermináveis ou com vaidades teológicas, mas se dedica a abrir mão de si pelos outros. Não se preocupa se o que amarra melhor é um cadarço de algodão ou sintético, mas sim com a busca da santidade. Aliás, cadarço para quê?


Só o que peço a Deus é que nunca deixe morrer em meu coração esse amor. Amor por Cristo, expresso em amor pelo próximo. Glória ao Pai, expressa em amor pelo próximo. Louvor ao Espirito Santo, expresso em amor pelo próximo. Quero um sapato simples. Pode ser de tiras de couro bruto, solado rígido e sem tingimento. Os sapatinhos com lantejoulas e luzes brilhantes deixo para os vaidosos e aqueles que querem ver seus nomes em letras de neon e suas fotos em banners e cartazes. Para os arrogantes donos da verdade. Aqueles que glorificam os holofotes enquanto dizem “Soli Deo Gloria” da boca para fora. Que fazem o que criticam. Que não agem como pregam. Que tomam todas as decisões pensando somente em si. Que são a expressão do século 21 dos fariseus da época de Jesus. E falo com conhecimento de causa, porque eu já fui assim. Já corri atrás do vento, vivi de forma hipócrita e me preocupei com o que não é pão. Basta.


Amor. E que Deus nos livre de tudo o mais.

O incompreensível amor de Deus

 
Por Maurício Zágari
Ultimamente tenho meditado muito sobre o amor de Deus. Tenho lido sobre sua graça e sobre seu perdão, que são frutos de seu amor. Um amor tão mal-compreendido, tão humanizado em nossos louvores e concepções.  Algo tão acima da capacidade humana - de compreender, aceitar, reproduzir. A maior e, provavelmente, única forma que o ser humano tem para se aproximar do amor de Deus é vivenciando, experimentando, sendo alvo desse amor. E quando conseguimos, quando sua suave presença nos alcança, sentimos o seu perdão sobre nossa multidão de pecados e a concepção que temos sobre Cristo e sobre seu relacionamento conosco muda totalmente: entramos numa nova dimensão na nossa caminhada de fé. E nos tornamos, creio eu, cristãos melhores.

As duas passagens principais que falam sobre o amor de Deus são as as conhecidíssimas João 3.16 e 1 Coríntios 13. Tenho aplicado nos últimos tempos em minha vida o método de leitura da Bíblia de meditar por vezes uma semana um único trecho, estudar sobre ele em fontes diversas, deixar-me "engravidar" daquela passagem e das lições e virtudes ali contidas. Fiz isso em João 3.16, pois esse versículo é repetido tantas vezes nas igrejas que sua magnitude se banaliza e chega a passar despercebida por nós. Leia com atenção e vamos até além, ao normalmente ignorado versículo 17:  "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". Que extraordinário. Que sublime. Que humilhante.
 
Deus amou a mim e a você de tal forma que por isso abriu mão de sua glória celestial, de estar assentado no trono sendo louvado dia e noite pelos anjos, para vir à terra, sentir frio, calor, dor, desprezo, acusações, solidão, a coroa de espinhos, o açoite, a Cruz. E qual foi a única razão que o levou a isso? Dar a seres pecadores, desprezíveis, falhos, desobedientes, egoístas e rancorosos a vida eterna. Ou seja: Deus amou a mim e a você tanto que abriu mão de castigar-nos com o fogo que nunca se apaga, como seria justo, para exercer a misericórdia, sacrificar-se e, assim, conceder-nos vida eterna: o direito de passar os bilhões de anos que virão pela frente junto a Ele. Em outras palavras, o amor de Deus fez tudo isso para que nós pudéssemos estar juntos por toda a eternidade, glorificando seu santo nome.

O Filho, ao encarnar-se, sabia que viria por quem não o merecia. Eu não mereço o amor do Senhor. Pois pequei e destituído estou da glória de Deus. Não, não mereço. Mas mesmo assim Ele olhou para este saco de ossos, pele, defeitos, doenças, podridão que eu sou e... me amou. Quem entende? Só entende quem compreende a graça. Esqueça as frases feitas que você responde de bate-pronto: "O que é graça?". "Favor imerecido". Ok, sabemos disso. Mas vamos tentar parar e refletir mais profundamente sobre esse conceito.
 
Graça é Jesus, o Santíssimo, o Puríssimo, o Cordeiro sem mancha... fazendo-se como alguém nada santo, nada puro, cheio de manchas, justamente para trazê-lo para si e dizer: "Apesar de tudo isso, se te arrependeres, ainda assim terás o meu perdão, esquecerei teus erros, desafiarei como teu advogado junto ao Pai que atirem a primeira pedra e estaremos juntos no Paraíso". Chegam a vir lágrimas nos olhos só de pensar nisso. O conceito de graça desafia nossa inteligência, nosso senso de justiça, tudo o que é humano. Pois somos ególatras, vingativos, rancorosos, imperdoáveis. Somos impiedosos. Literalmente: sem piedade. Somos o contrário exato de Cristo. O pecado que carregamos dentro de nós nos desfigurou a esse ponto. É por isso que dependemos tanto da soberania do Senhor: porque somos tão opostos que sem Ele nada podemos fazer.

O versículo 16 por si só já é magnífico, por revelar o caráter do Cordeiro. Um caráter traduzido em domínio próprio. Mansidão. Fé. Bondade. Amabilidade. Paciência. Paz. Alegria. E... amor. E no versículo seguinte vem a coroação: "Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele". Isso me emociona. A humanidade é uma desgraça. Eu e você somos atoleiros de pecados. Somos o vômito do cão. Somos dignos do inferno. Quem discorda disso não entendeu o que o pecado fez com o gênero humano, como nos tornou totalmente depravados e como somos o avesso de Cristo. Merecíamos, todos nós, o veredicto: CULPADO. Não adianta, meu irmão, minha irmã, eu e você nascemos com esse veredicto escrito em nossas testas. Nossa sentença deveria ser a mesma do diabo: o lago de fogo e enxofre. Mas aí... entra em cena o amor de Deus.
 
E esse amor diz que Cristo não veio para dar esse veredicto. Que Ele não veio julgar. Não veio nos condenar. Jesus não veio à terra com prego e martelo nas mãos para nos executar - como merecemos - e nos crucificar. Ele veio com as mãos e os pés expostos em oferta para que eu e você fossemos salvos por ele. Meu Deus, que amor incompreensível! Nós não sabemos nem dar a outra face, nascemos com gosto de sangue e de rancor na boca, enquanto Ele estendeu seu amor, como se dissesse: "Não mate o culpado, mate a mim, o inocente, eu me dou no lugar dele. Eu o perdoo. Eu não o condeno. E, com isso, eu o salvo. E que creiam nisso, para que este meu gesto permita o que eu mais quero: estar a eternidade ao lado dele - desse grande pecador arrependido pela minha graça".

Não tenho como descrever, definir ou explicar o amor de Deus. Sinto-o apenas em ação, no perdão que ele me estende. O que eu fiz para merecer isso? Absolutamente nada. Nem mesmo crer nele é mérito meu, visto que o arrependimento dos meus pecados é fruto da atividade daquele que convence do pecado, da justiça e do juízo. Deus me estende a graça. Deus me dá a fé. Deus me convence do pecado. Deus intercede por mim como advogado. Deus me regenera. Deus me justifica. Deus me põe de pé. Tudo vem de Deus. Tudo. A mim resta agradecer, louvar e adorar por esse amor. Do qual tenho absoluta certeza que não sou digno.

1 Coríntios 13 apenas corrobora tudo isso. Ao contrário do que muitos pensam, o amor ali descrito não é o humano, é o ágape, o amor de Deus. Usar 1 Coríntios 13 numa carta para sua namorada, por exemplo, é um erro de interpretação bíblica. Venha lendo desde o capítulo 12 e no contexto verá que está sendo falado sobre os dons de Deus. E esse capítulo descreve o amor de Deus. Nenhum, absolutamente nenhum humano ama ou é capaz de amar daquela maneira. Só Deus. Só Deus.
 
Que o Cordeiro seja glorificado por esse amor, traduzido na graça que nos permitirá passar a eternidade ao lado dele... amando. Como será a vida eterna após a morte para os salvos? Não sei com certeza. A Bíblia dá algumas pistas. Mas de uma coisa tenho certeza: os eleitos de Deus viverão pelos séculos dos séculos experimentando o amor mais inexplicável que existe e já existiu em todo o universo. Um amor que hoje tem forma de Cruz, mas na eternidade terá forma de um homem com mãos e pés furados e os braços abertos para os arrependidos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O AMOR DE DEUS DEMONSTRADO NA CRUZ


Por Pr. Silas Figueira

Texto base Jo 19.17-27

INTRODUÇÃO

O livro do profeta Isaías, no capítulo 53.4 nos diz que "certamente, Ele (Jesus) tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si..." Isaías nos fala da crucificação de Jesus de forma vívida. E essa profecia foi predita cerca de 800 anos a.C. Essa profecia se cumpriu cabalmente na vida de Jesus. Não só essa, mas muitas outras também.

Quando olhamos para o monte caveira e contemplamos a cruz que estava no meio, nós vemos o Senhor Jesus pagando um alto preço pelos nossos pecados. Vemos literalmente se cumprindo a profecia do profeta Isaías quando nos diz que "o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (ls 53.5b). Da mesma forma nos falou Pedro em sua primeira carta: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" (1Pe 3.18). E como escreveu o apóstolo Paulo aos Colossenses: "tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz" (Cl 2.14). E Paulo escrevendo aos Gálatas nos diz também: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo,  a fim de que recebêcemos, pela fé, o Espírito prometido" (Gl 3.13, 14).

Quando eu olho para cruz de Cristo eu vejo, pelo menos, cinco coisas básicas:

1 - Quando olho para a cruz de Cristo eu vejo que aquela cruz era minha e sua, e não de Jesus (Jo 19.17).

Quando eu olho para cruz eu vejo que aquela cruz era para mim e para você. Apesar de o texto dizer que Jesus carregou a sua cruz... No entanto eu digo que aquela cruz era nossa, pois em Isaías 53.5 nos diz que "Ele, Jesus, foi transpassado pelas nossas transgressões...". Perceba que o texto é enfático quando diz "NOSSAS TRANSGRESSÕES", e não de Jesus.

Na verdade, Jesus carregou a cruz que seria de Barrabás. E quem foi Barrabás?  Este nos diz a Bíblia, era salteador e assassino (Lc 23.19; 25). Jesus foi morto na cruz no lugar de um assassino, no lugar de um desordeiro, em meu e no seu lugar.

Barrabás simboliza toda a humanidade em rebelião contra o nosso Deus. Veja o que o apóstolo Paulo nos fala em Efésios 2.1-3: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais".

Barrabás não era pior que nenhum de nós. Diante de Deus, todos nós éramos merecedores da morte eterna. Por isso que eu afirmo que AQUELA CRUZ ERA NOSSA. Há uma poesia do Gioia Junior que nos fala com muita propriedade o que estamos falando aqui. A poesia nos fala assim:

Nada era dele
Disse um poeta um dia,
Fazendo referência ao Mestre amado:
O berço que Ele usou na estrebaria,
Por acaso era dele? Era emprestado!

E o manso jumentinho,
Que em Jerusalém chegou montado
E palmas recebeu pelo caminho,
Por acaso era dele? Era emprestado!

E o pão - o suave pão,
Que foi por seu amor multiplicado
Alimentando a multidão
Por acaso era dele? Era emprestado!

E os peixes que comeu junto ao lago,
Ficando alimentado. Esse prato era seu? Era emprestado!

E o famoso barquinho?
Aquele barco em que ficou sentado
Mostrando à multidão qual o caminho
Por acaso era seu? Era emprestado!

E o quarto em que ceou ao lado dos discípulos
Ao lado de Judas que o traiu, de Pedro, que o negou
Por acaso era dele? Era emprestado!

E o berço tumular, que depois do calvário foi usado
De onde havia de ressuscitar
Por acaso era dele? Era emprestado!

Enfim, nada era dele!
Mas a coroa que Ele usou na cruz era dele!
E a cruz que carregou e onde morreu,
Essas eram de fato de Jesus! "

Isso disse um poeta certa vez,
Numa hora de busca da verdade;
Mas não aceito essa filosofia
Que contraria a própria realidade.

O berço, o jumentinho, o suave pão,
Os peixes, o barquinho, a sepultura e o quarto
Eram dele a partir da criação;
Ele os criou - assim diz a Escritura;
Mas a cruz que Ele usou, a rude cruz,
A cruz tosca e mesquinha,
Onde meus crimes todos expiou,
Essa cruz não era sua! Essa cruz era minha!

Mas uma vez eu repito: aquela cruz era minha e sua!

2 - Em segundo lugar, quando eu olho para cruz de Cristo eu vejo o maior crime da história (Jo 18.38; 19.4, 6, 17, 18).

Jesus não havia cometido crime algum. Aliás, o próprio Pilatos sabia que por inveja é que o haviam entregado (Mt 27.18). Mas ele não teve coragem de enfrentar o povo. Também a sua esposa lhe pediu para não se envolver com aquele justo (Mt 27.19). Pilatos foi aconselhado a não se envolver, mas não tem como não se envolver com Jesus. Quer queira, quer não, todos nós estamos envolvidos com Jesus. Todos nós estamos envolvidos neste crime. Pois Jesus foi morto pelas nossas transgressões, como nos fala Is 53.5. Eu matei Jesus, você matou Jesus. Nós matamos o Senhor da vida.

Por isso, mais uma vez eu afirmo que este foi o maior crime da história, pois a Bíblia nos diz em 1Co 5.21 que "aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós...". E em Hb 4.15 nos diz que "antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado".

Infelizmente muitas pessoas não tem dimensão do quando é horrendo o pecado aos olhos do nosso Deus. A Bíblia nos fala que são os nossos pecados que nos afastam do nosso Deus. Isaías nos fala exatamente assim: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça" (Is 59.2).

Por isso que quando Cristo se deu na cruz por nós, Ele estava pagando um alto preço para nos reconciliar novamente com o Pai, pois essa harmonia havia sido quebrada por Adão no Paraíso (Gn 3). Mas da mesma forma como o pecado nos separou do Pai, Ele fez uma promessa de que nos reconciliaria consigo novamente. Veja o que Ele disse em Gn 3.15: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". E esta profecia se cumpriu em Cristo. Veja o que Paulo nos fala em Colossenses 2.14, 15: "Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz, e, despojando os principados e as potestsdes, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz".

A vitória de Cristo na cruz do calvário pôs fim ao império de Satanás sobre a vida do homem, principalmente sobre a vida do cristão. O autor de Hebreus nos diz que Jesus através de sua morte destruiu aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo (Hb 2.14). O diabo não tem poder sobre a vida da Igreja, pois somos filhos de Deus. E o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos nos diz que o acusador foi derrotado e quem está em Cristo não sofre mais nenhuma condenação: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

Por isso que mais uma vez afirmamos que a morte de Jesus na cruz foi o maior crime de toda a história da humanidade. Aquele que não tinha pecado, se fez pecado por nós.

3 - Em terceiro lugar, quando olho para cruz de Cristo, eu vejo que o Pai estava em Cristo cumprindo a Sua Palavra (Jo 19.23, 24, 28, 31-37).

A cruz não foi um acidente. Não foi algo que não estava nos planos do nosso Deus. Pelo contrário, tudo estava planejado desde a eternidade passada. Em Apocalipse 13.8 nos fala que o Cordeiro (Jesus) foi morto desde a fundação do mundo. Aliás, existe uma das passagens que mostra o Seu sacrifício de forma vívida; foi quando Abraão oferece Isaque em sacrifício. Assim como Abraão entregou o filho que amava em sacrifício ao Senhor, embora Isaque não fora sacrificado, mas o Pai foi até o fim quando entregou o seu Filho em sacrifício em nosso lugar.

Observe o quadro da cruz e veremos o cumprimento profético:
A sua morte na crucificação – Jo 19.17-27 conf. Is 53.
As vestes divididas - v. 23,24 conf. Sl 22.18.
A sede que Jesus teve - v. 28, 29 conf. Sl 69.21.
Seus ossos que não foram quebrados - v. 32, 33, 36 conf. Êx 12.46; Nm 9.12; Sl 34.20
Que Jesus seria transpassado - v. 37 conf. Zc 12.10, Ap 1.7.
Até onde Jesus seria sepultado já estava profetizado - Mt 27.59, 60 conf. Is 53.9.

Aquele que cobriu de bênçãos sem medida aos carentes e multiplicou o pão e peixe para alimentar as multidões, agora na morte está vendo as suas vestes sendo também divididas.

Aquele que disse que quem tivesse sede viesse a Ele (Jo 7.37, 38), agora no momento de sua sede lhe deram vinagre.

Aquele que, segundo as Escrituras, não esmagaria a cana quebrada, nem apagaria a torcida que fumega (Is 42.3; Mt 12.20), ou seja, Jesus não se desfaz do que ainda é. Ainda que não tenha nenhum valor aos olhos de muitos. Com a cana as crianças faziam flautas, mas quando ela se quebrava elas jogavam fora e faziam outra. Jesus nos acolhe ainda que não venhamos mais produzir mais nenhuma música, nenhum som, quando todos nos desprezam e querem nos jogar fora, o Senhor nos acolhe em seus braços. Como disse o Senhor em Isaías 49.15: "Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho de seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti".

Da mesma forma o pavio da lamparina quando não dá mais luz necessária e só solta fumaça, deve ser substituído. Mas o Senhor diz para nós nesta noite que ainda que a nossa luz esteja fraca e não produzamos a mesma claridade, o Senhor não nos apaga, mas pelo contrário, renova as nossas forças e nos diz que ainda somos úteis em seu Reino. Pedro estava como numa cana quebrada e como um pavio que fumega, mas o Senhor o restaurou e Pedro se tornou um dos maiores líderes da Igreja Primitiva.

4 - Em quarto lugar, quando eu olho para cruz de Cristo, eu vejo o Rei dos reis e o Senhor dos Senhores (Jo 19.19, 20).

Pilatos, ainda que sem saber, estava mostrando ao mundo que aquele que estava pendurado naquela cruz era o Senhor dos Senhores, e, o mais importante triunfando sobre todos, apesar de parecer que não.

Pilatos escreveu um título e o mandou colocar no cimo da cruz dizendo: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. E é interessante que ele escreve em três idiomas, Hebraico, Grego e Latim.

O hebraico simboliza todo poder religioso.
O grego simboliza todo poder cultural e filosófico.
O latim simboliza todo poder bélico.

Em tudo que existe o Senhor Jesus é Senhor, é Rei. Ele é o Deus supremo. Veja o que nos diz Atos 2.32-36: “A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Observe também o que nos fala o apóstolo Paulo em Filipenses falando da exaltação de Cristo: “...a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2.8-11).

5 - E em quinto lugar, quando olho para cruz de Cristo eu vejo o amor do Pai se manifestando no Filho por nós (Jo 19.30).

TETELESTAI foi a palavra que Jesus disse na cruz. Está consumado. Está pago. Não há mais dívida.


TETELESTAI" é uma expressão grega que pode ser traduzida como "está consumado", "totalmente pago" ou "dívida cancelada". No século I, quando um criminoso era preso, seus delitos eram registrados em um papiro conhecido como "cédula de dívida" ou "escrito de dívida". Ao cumprir a pena e chegando a ocasião de sua liberdade, o juiz responsável pela soltura do condenado, riscava a cédula, especialmente na parte onde os crimes estavam apontados, e, no rodapé, escrevia TETELESTAI. Pronto! O indivíduo não devia mais nada à justiça. Estava livre da condenação e, agora, poderia desfrutar da paz e da liberdade.

O apóstolo Paulo se apropria desta figura jurídica para nos transmitir a profundidade do alcance da obra redentora de Cristo, pois como pecadores que somos, contra nós também há uma “cédula de dívida”, a saber, uma série de transgressões cometidas ao longo da vida. Esta cédula constitui-se em um poderoso instrumento de acusação. Ela nos silencia, nos humilha, pois não há como contradizê-la, não há como negá-la. Nela se registram todas as nossas maldades, todas as nossas mentiras, toda perversidade que praticamos. Ela aponta para a destruição dos que ali constam (Ap.20: 12). Entretanto, o apóstolo Paulo declara que Cristo “riscou o escrito de dívida, tirando-o do meio de nós, cravando-o na cruz”. Ou seja, Jesus Cristo com sua morte vicária (substitutiva), pagou a dívida que tínhamos para com Deus. Vale a pena lembrar que na cruz do Calvário, segundo o Evangelho de João (19:30), Cristo declarou “Está consumado!” (TETELESTAI), sendo, inclusive, sua derradeira palavra.                   

Quando falamos do amor de Deus nós o encontramos nas próprias palavras de Jesus quando Ele disse em Jo 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira...”

“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” Jo 15.13.

E o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos nos diz: “Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.7-10).

Deus nos prova o Seu grande amor para conosco através da morte do Seu Filho na cruz por nós.

CONCLUSÃO

Quando você olha para cruz o que você tem contemplado? Será que quando você olha para cruz você consegue contemplar a maior prova de amor já registrada na história, ou fica se lamentando que não é amado por Deus? O Senhor da glória não precisa demonstrar mais amor por nós, pois isso ele já o fez por nós quando nos deu o próprio Filho para morrer por nós na cruz pagando a nossa dívida. Creio que um dos textos que mostra isso de forma muito clara é João 3.14-17: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”.


Pense nisso e fique na Paz!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

7 problemas da Falsa Religião


Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem perceber, o trabalho de seus inimigos....

Por Jonathan Edwards

A questão mais crucial para a raça humana e para todo o indivíduo é: quais as características que distinguem as pessoas que gozam o favor de Deus - aquelas que estão de caminho para o céu? Ou, de outra forma: qual a natureza da religião verdadeira? Que tipo de religião pessoal é aprovado por Deus?

É difícil dar uma resposta objetiva para esse tipo de questão controversa; mais difícil ainda escrever objetivamente a respeito. O mais difícil é ler objetivamente sobre o assunto! Não é fácil sustentar o que é bom em avivamentos religiosos, examinando e rejeitando ao mesmo tempo o que é ruim neles. Contudo, seguramente temos que fazer as duas coisas se quisermos que o reino de Cristo prospere.

Admito que há algo muito misterioso no assunto; existe tanta coisa boa misturada com tanta coisa má na Igreja! É tão misterioso quanto a mescla de bem e mal no cristão como indivíduo; mas nenhum desses mistérios é novo. Não é novidade o florescimento de religião falsa em tempo de avivamento, ou o aparecimento de hipócritas entre os verdadeiros fiéis. Isso ocorreu no grande avivamento no tempo de Josias, como vemos em Jr 3:10 e 4:3-4. O mesmo se deu nos dias de João Batista. João despertou toda a Israel por suas pregações, mas a maioria apostatou pouco depois. João 5:35 - "por um tempo, estão dispostos a se alegrar em sua luz". O mesmo ocorreu quando o próprio Cristo pregou; muitos O admiraram por um tempo, mas poucos foram fiéis até o fim. De novo, a mesma coisa ocorreu quando os apóstolos pregaram, como sabemos pelas heresias e divisões que perturbaram as igrejas durante o tempo dos apóstolos.

Essa mistura da religião falsa com a verdadeira tem sido a maior arma de satanás contra a causa de Cristo. É por isso que devemos aprender a distinguir entre a religião verdadeira e a falsa - entre emoções e experiências que realmente advêm da salvação e as imitações que são exteriormente atraentes e plausíveis, porém falsas.

Deixar de distinguir entre religião verdadeira e falsa, tem conseqüências terríveis. Por exemplo:

(1) Muitos oferecem adoração falsa a Deus, pensando ser aceitável a Ele, mas que Ele rejeita.

(2) Satanás engana a muitos sobre o estado de suas almas; desse modo arruína-os eternamente. Em alguns casos, satanás leva as pessoas a pensar que são extraordinariamente santas, quando na realidade são o pior tipo de hipócritas.

(3) Satanás estraga a fé dos verdadeiros crentes; mistura deformações e corrupções à religião, causando os verdadeiros crentes a se tornarem frios em suas emoções espirituais. Ele confunde também a outros com grandes dificuldades e tentações.

(4) Os inimigos explícitos do cristianismo se animam quando vêem a Igreja tão corrompida e desviada.

(5) Os homens pecam na ilusão de estarem servindo a Deus; portanto, pecam sem restrições.

(6) Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem perceber, o trabalho de seus inimigos. Destroem o cristianismo com muito mais eficiência que os inimigos declarados podem fazer, na ilusão de o estarem fazendo progredir.

(7) Satanás divide o povo de Cristo e coloca-os uns contra os outros; os cristãos disputam acaloradamente, como que com zelo espiritual. O cristianismo degenera em disputas vazias; as partes em disputa correm para lados opostos, até que o caminho correto, ao meio, fica totalmente negligenciado.

Quando os cristãos vêem as terríveis conseqüências da falsa religião passar por religião verdadeira, suas mentes ficam perturbadas. Não sabem para onde se voltar nem o que pensar. Muitos duvidam da existência de qualquer realidade no cristianismo. Heresia, incredulidade e ateísmo começam a se propagar.

Por essas razões, é vital que façamos todo o possível para compreender a natureza da verdadeira religião. Até que o façamos, não podemos esperar que os avivamentos tenham longa duração, nem podemos esperar muito proveito de nossas discussões e debates religiosos, uma vez que sequer sabemos sobre o que estamos discutindo.