sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ESTARIA O SALVO LIVRE PARA PECAR?


Por Cláudia Castor

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. I Coríntios 6:12
Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.I Coríntios 10:23

Ao lermos o que o apóstolo Paulo deixa registrado em sua carta ao povo de Corinto, pode nos surgir o pensamento: Estaria o homem livre para então decidir cometer ou não pecado? Tudo ou todas as coisas inclui aqui o que Deus abomina? Certamente esta primeira leitura e interpretação do texto aqui registrado seria ingênua, para não dizer distorcida da Palavra de Deus. Ao meditarmos em um texto da Bíblia, não podemos nos basear apenas nele para sua interpretação. C. H. Spurgeon disse que: “ se alguém ao ler parte da Bíblia, fora de seu contexto, e disser “Eureka”, certamente deixou o diamante para contentar-se apenas com um caco de vidro.” A Palavra de Deus tirada de seu contexto perde seu valor espiritual e passa apenas a cacos, muitas vezes usados para defender e propagar heresias ou erros cometido e dar-lhes ares de espiritualidade.

Comecemos nossa reflexão pela palavra “lícita”. A palavra lícita significa permitida, possível, tendo como seu antônimo impossível, aquilo que não me é permitido. Façamos uma divisão aqui entre o homem carnal e o espiritual. Nossa sociedade é regrada através de leis que nos permitem ou não determinados atos, quando ferimos atos que em nossa sociedade são proibidos, desacatamos a lei e sofremos as conseqüências por ela determinada. No mundo em que vivemos, embora estejamos aqui e ainda assim não pertencermos a este mundo, estamos ligados as suas condutas e moralmente convidados a praticar e tomar nossas decisões a partir do que será bom para toda a sociedade como um todo. Se essas condutas designadas pela sociedade que vivemos ferem a Palavra de Deus, cabe-nos como cidadãos do céu, optar pela conduta espiritual, mesmo que sofrendo consequências desagradáveis por tal opção. Melhor é servir a Deus do que aos homens (At 5.29). Então o que Paulo estaria falando aqui. Primeiro, sua missão sempre foi falar ao homem espiritual e certamente esta mensagem foi destinada a pessoas convertidas ao Senhor Jesus e que já entendiam o que é se tornar servo do Deus altíssimo. Quando tomamos uma decisão ao lado do Senhor Jesus já não nos é mais permitido pecar. Simplesmente Deus, através de Jesus, nos faz novas criaturas e tal opção não cabe mais em nossas vidas. Pecar sempre nos afastará de Deus e não consiste numa escolha, mas em obediência a Deus e a sua Palavra. O pecado nunca foi lícito ao homem e sua desobediência nos trouxe a queda. Adão não obteve a permissão de comer da árvore do bem e do mal. Sua desobediência e omissão acarretaram a queda de toda a humanidade e a ação e iniciativa de Deus foi em tornar a ter comunhão com o homem caído. O pecado nunca foi e nunca será lícito aos que querem viver piedosamente o evangelho, serem servos do Senhor Jesus e suas testemunhas fiéis aqui neste mundo.

A que então Paulo estaria se referindo a dizer que era permitido, mas não se deveria fazer? Para entendermos é necessário entendermos o propósito para que fomos chamados: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis de liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros.” ( Gl 5.13) Liberdade não consiste em dizer sim a tudo e todos, mas em ter o bom senso e o discernimento espiritual de decidir entre o melhor para Deus, para seu Reino, o que implicará no melhor para mim e toda a sociedade em que vivo. Aqui entendemos que Deus nos fez seres racionais e que devemos usar da razão nas decisões que tomamos: “Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.”( Ef 5.17). Entender a vontade de Deus através da ação do Espírito Santo em nossas vidas é fundamental para tomar decisões corretas em nossas vidas. Ao usar a razão devemos estar com nossa mente da forma que o próprio apóstolo deixou registrado: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” ( Fil 4.8). Pois só tendo a mente de Cristo poderemos crescer e amadurecer de forma correta: “antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo...” (Ef 4.15.) Como posso como nova criatura em Cristo Jesus e tendo sua mente achar que o pecado me é lícito? Esta não é uma escolha dada aos que decidem pela obediência a Deus e a sua Palavra e se deixam serem transformados por seu Espírito. Deus não nos chamou para contradizer tudo o que foi pregado no Evangelho da Cruz: “Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” ( I Ts 4.7). Um Deus Santo requer santidade, somos justificados em Cristo Jesus e santificados pelo nosso Deus que é Santo e não existe nEle sombra de variação. Nos é lícito ser livre para dizer não, a verdadeira liberdade consiste em escolhas e escolhas corretas, Deus desumanizaria o homem se tirasse dele o direito de dizer não ao pecado e optar por Deus e a obediência a sua Palavra. O valor intrínseco do ser humano consiste no respeito de Deus as nossas escolhas mesmo que firam sua santidade, não tendo com isto co-responsabilidade nestas escolhas, apenas não poderia contradizer a natureza humana de ser sua imagem e semelhança e de seu valor intrínseco de escolha que o humaniza e simplesmente trocar por um valor instrumental, onde Deus decidiria de antemão o dizer não em nosso lugar e o sacrifício de Cristo estaria aniquilado.

Este texto deixado pelo apóstolo Paulo não exorta acerca do pecado, Deus não admite o pecado, abomina e odeia o pecado, mas ama o pecador e nos dão direito de optar pela obediência e atitude da confissão e do arrependimento como caminho de volta aos seus braços e não uma escolha se quero ou não fazer. Paulo aqui se endereçava ao povo de Corinto. Esta igreja que estava situada nesta cidade apresentava ainda vários problemas devido a sociedade em que estava inserida e foi por Paulo incansavelmente admoestada, conduzida a uma nova vida e testemunho cristão. Nesta passagem, devemos voltar ao tempo e entender que muitos costumes da sociedade daquele lugar não representavam pecado diante de Deus, mas não contribuíam para identificá-los como novas criaturas em Cristo. Paulo aqui, na verdade, faz um apelo à igreja de Corinto que tudo aquilo que possa associá-los a uma vida distante de Deus e impedir que outros vejam a glória de Deus em suas vidas seja retirado do meio deles, para que novas vidas possam ser ganhas pelo seu testemunho e pela diferença que deveriam fazer naquele local. As pessoas deveriam olhar e dizer: verdadeiramente este é um novo povo, lavado e remido pelo sangue do Cordeiro, fazem diferença não só no mundo espiritual, mas entre os que têm vivido apartados de Deus. Como nos deixa o grande legado de John Stott: ““Testemunho não é sinônimo de autobiografia. Quando estamos realmente testemunhando, não falamos de nós mesmos, mas de Cristo.” Fica aqui a reflexão. Como temos tomados nossas decisões para que os que estão a nossa volta possam ver Cristo e tudo que Ele faz na vida daqueles que o servem? Muitas vezes optamos pela omissão, pelo calar, saiba que a falta de decisão já é a sua escolha e como diz um dito popular: quem cala consente. Fomos chamados como arautos do Rei, aquele que vai à frente gritando, anunciando a chegada do Rei, assim deve ser nossa vida em tudo e com todos, gritar, proclamar a chegada do Rei dos reis e a sua salvação, seja em nossas palavras, atitudes, gestos, escolhas e decisões, Cristo deverá estar sempre em primeiro lugar, sendo anunciado a todos os povos e nações. Deus nos abençoe e nos dê discernimento de agir e decidir segundo o Espírito Santo de Deus. A Deus toda honra, toda glória pelo século dos séculos, amém.

Salvo de quê?

Por R.C. Sproul
Certa vez, fui confrontando por um jovem na Filadélfia que me perguntou: “Você está salvo?” Minha resposta para ele foi: “Salvo de quê?”. Ele foi pego de surpresa com a minha pergunta. Obviamente, ele não tinha pensado muito sobre o significado da questão que estava perguntando. Certamente eu não estava salvo de ser interrompido na rua e abordado com a pergunta “Você está salvo?”.

A questão de ser salvo é a questão suprema da Bíblia. O assunto das Sagradas Escrituras é o tema da salvação. Jesus, em sua concepção no ventre de Maria, é anunciado como o Salvador. Salvador e salvação caminham juntos. O papel do Salvador é salvar.

Perguntamos novamente: Salvo de quê? O significado bíblico de salvação é amplo e variado. Na forma mais simples, o verbo salvar significa “resgatar de uma situação perigosa ou ameaçadora”. Quando Israel escapa da derrota nas mãos de seus inimigos no campo de batalha, ele se diz salvo. Quando as pessoas se recuperam de uma doença com risco de vida, elas experimentam salvação. Quando a colheita é resgatada de praga ou seca, o resultado é a salvação.

Usamos a palavra salvação de uma maneira similar. Diz-se que um boxeador foi  ”salvo pelo gongo” se o round termina antes do árbitro iniciar a contagem. Salvação significa ser resgatado de alguma calamidade. No entanto, a Bíblia usa o termo salvação em um sentido específico para se referir à nossa redenção definitiva do pecado e à reconciliação com Deus. Neste sentido, a salvação é da calamidade final – o juízo de Deus. A salvação final é realizada por Cristo, “que nos livra da ira vindoura” (1Ts 1.10).

A Bíblia anuncia claramente que haverá um dia de julgamento, em que todos os seres humanos serão responsabilizados diante do tribunal de Deus. Para muitos, esse “dia do Senhor” será um dia de trevas, sem luz. Esse será o dia em que Deus vai derramar sua ira contra os ímpios e impenitentes. Será o holocausto final, a hora mais escura, a pior calamidade da história humana.  Ser liberto da ira de Deus, que muito certamente virá sobre o mundo, é a salvação definitiva. Esta é a operação de resgate que Cristo executa para o seu povo, como seu salvador.

A Bíblia usa o termo salvação não só em muitos sentidos, mas em muitos tempos. O verbo salvar aparece em praticamente todos os possíveis tempos da língua grega. Há o sentido de que fomos salvos (desde a fundação do mundo); estávamos sendo salvos (pela obra de Deus na história); somos salvos (por estar em um estado justificado); estamos sendo salvos (por estarmos sendo santificados ou tornado santos) e seremos salvos (por experimentar a consumação da nossa redenção no céu). A Bíblia fala da salvação em termos de passado, presente e futuro.

Às vezes, nós igualamos a nossa salvação presente com a nossa justificação. Em outros momentos, vemos a justificação como um passo específico na ordem total ou plano de salvação.

Por fim, é importante notar outro aspecto central do conceito bíblico de salvação. A salvação é do Senhor. Salvação não é uma iniciativa humana. Os seres humanos não podem se salvar. A salvação é uma obra divina, que é realizada e aplicada por Deus.  Somos salvos pelo Senhor e do Senhor. É o ele quem nos salva da sua própria ira.

"Conheço as tuas obras... que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome" - Carta à Filadélfia


Por Pr. Silas Figueira

“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”. Ap 3.7
“Ao anjo da igreja...”

Entre as sete cartas às igrejas no Apocalipse, encontramos duas que não contêm nenhuma crítica: A carta à igreja em Esmirna, uma congregação pobre que enfrentava perseguição, e a carta à igreja em Filadélfia, uma congregação fraca e limitada, mas que dependia de Deus. Os homens tendem a medir força e qualidade em termos de tamanho, poder e riqueza. Jesus vê as igrejas de forma diferente. Independente de sucesso em termos mundanos, Jesus olha para o caráter e o coração de cada discípulo e de cada igreja. Ele anda no meio dos candeeiros e sabe muito bem quem pertence a ele.

Evidentemente, tinha havido uma recente perseguição em Filadélfia, mas os cristãos (apesar da forte pressão) mantiveram sua fé. Como em Pérgamo, onde Antipas foi cruelmente martirizado, também em Filadélfia os cristãos tinham corajosamente permanecido firmes. Eles estavam pacientemente suportando tribulação e humilhação por amor a Cristo [1].

“... Filadélfia...”

 Esta era a mais jovem das sete igrejas da Ásia. Esta cidade foi fundada por colonos que vieram de Pérgamo sob o reinado d e Átalo II nos anos de 159 a 138 a. C. Átalo amava tanto ao seu irmão Eumenes que o apelidou de Philadelphos, que quer dizer aquele que ama a seu irmão, ou amor fraternal. Daí o nome da cidade. A cidade de Filadélfia gozava de uma localização estratégica de acesso entre os países antigos de Frígia, Lídia e Mísia. A região produzia uvas, e o povo especialmente honrava a Dionísio, o deus grego do vinho. A cidade servia como base para a divulgação do helenismo às regiões de Lídia e Frígia. Localizava-se num vale no caminho entre Pérgamo e Laodicéia. A cidade fora castigada por vários terremotos e as pessoas viviam assustadas pela instabilidade. Existiam muitos terremotos e grandes tremores de terá na cidade de Filadélfia. Muitos viviam em tendas fora da cidade. Paredes rachadas e desabamentos eram coisas comuns na cidade. Era uma região perigosamente vulcânica. O terremoto do ano 17 d.C., que destruiu Sardes, também atingiu Filadélfia e reconstruída pelo imperador Tibério. Mas para a igreja assustada com os abalos sísmicos da cidade, Jesus diz: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá...” (3.12) [2].

Em alguns momentos de sua história, a cidade recebeu nomes mostrando uma relação especial ao governo romano. Por volta do ano 90 d.C., com ajuda imperial, a cidade de Filadélfia tinha sido completamente reconstruída. Em gratidão, passaram o nome da cidade para Neocesaréia – a nova cidade de César. Durante o reinado de Vespasiano, foi também chamada de Flávia (nome da mulher dele, e a forma feminina de um dos nomes dele). Jesus então, aproveitando essa situação cultural diz para a igreja que os vencedores teriam um novo nome (3.12). Não o nome de César, mas o nome de Deus. Atualmente, a cidade de Alasehir fica no mesmo lugar, construída sobre as ruínas de Filadélfia [3].

“... Estas coisas diz o santo...”

Jesus revela-se como aquele que é santo. Como cabeça da Igreja, é santo em seu caráter, palavras, ações e propósitos. Ele é completamente santo [4]. Aqui no Apocalipse  santo é um título de Deus (4.8; 6.10), mas Jesus é também chamado assim diversas vezes (Mc 1.24; Lc 4.34; Jo 6.69; 1Jo 2.20), mostrando que Ele tinha uma vida sem pecado e totalmente dedicada a Deus.  

“... o verdadeiro...”

A palavra verdadeiro ou genuíno tem dois significados diferentes. No contexto grego a palavra significa o que é real, que corresponde à realidade. Mas no contexto hebraico ela significa o que é fiel e confiável. No Antigo Testamento Deus é o que mantém para sempre a sua fidelidade (Sl 146.6), isto é, podemos confiar que ele sempre cumprirá as suas promessas. Quando o Antigo Testamento fala do Deus verdadeiro isto acontece sempre no sentido de que ele é fiel (Êx 34.6) à sua promessa do pacto. No contexto de Filadélfia o verdadeiro lembra o pacto que Deus fez com Israel nos tempos do Antigo Testamento e que ele agora cumpriu fielmente na Igreja, em Jesus Cristo [5].

Hernandes Dias Lopes falando de Jesus dentro desse contexto diz que Ele não é uma cópia de Deus, é o Deus verdadeiro. Havia centenas de divindades naqueles dias, mas somente Jesus podia reivindicar o título de verdadeiro Deus [6].

 “... aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”.

A chave de Davi podemos entender somente olhando para o Antigo Testamento. Em Isaías 22.22 diz: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá”. Eliaquim recebeu a chave como novo administrador das coisas do rei e, já que assim ele era representante do rei, ele estava autorizado a exercer autoridade plena em nome do rei. A Chave de Davi é a chave da casa de Davi – o Reino messiânico [7]. A chave do Reino de Deus pertencia a Israel, mas agora na verdade pertence a Jesus, o Messias davídico (Ap 5.5). Por isso que somente Cristo pode abrir a porta do Reino messiânico aos homens, Israel perdeu esse privilégio.

Vemos aqui como Jesus tirou essa autoridade dos judeus e deu a Igreja. O Senhor condena o legalismo dos judeus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!” Mt 23.13) e transfere a autoridade de porteiro à Igreja: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.” Mt 16.19). Dessa forma Pedro e os outros cristãos têm de dar as boas vindas não somente aos judeus, mas aos samaritanos e aos gentios como membros permanentes do Reino (At 2, 8, 10). Assim, todo conceito expresso nas palavras: chave, porta, templo e coluna torna-se cristão, e é a base para a transferência acima mencionada. Os judeus precisarão aprender que “eu te amei” [8]

“Conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome”. (Ap 3.8)

“Conheço as tuas obras...”

Essa é uma declaração comum em todas as cartas, no entanto aqui não há maiores detalhes destas boas obras. A igreja de Filadélfia era tão rica em boas obras que ela agradava ao Senhor. Mesmo tendo pouco poder, pouca influência e sendo pequena, ela só mereceu elogios e nenhuma crítica [9].

“... eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta...”

 A igreja era pequena em tamanho e em força, mas grande em poder e fidelidade. Deus na verdade escolhe as coisas fracas para envergonhar as fortes. Sardes tinha nome e fama, mas não vida. Filadélfia não tinha fama, mas tinha vida e poder. A igreja tinha pouca força, mas Jesus colocou diante dela uma porta aberta, que ninguém pode fechar. A igreja é fraca, mas seu Deus é Onipotente. A nossa força não vem de fora nem de dentro, mas do alto [10].

Porta aberta, no conceito do Novo testamento, quer dizer uma oportunidade para o ministério e pregação do evangelho. Alguns exemplos são muito claros (At 14.26,27; Cl 4.3,4). A primeira porta é a porta da salvação. Jesus disse em João 10.9 que Ele é a porta da salvação, da liberdade e da provisão. A segunda porta é a porta da evangelização. As angústias da cidade são como que o grito de socorro de homens carentes do evangelho. Jesus fala de uma porta de oportunidade para se pregar o evangelho [11]. Por causa da sua localização geográfica, pois ela situava-se junto às fronteiras de Mísia, Lídia e Frígia, a igreja de Filadélfia estava tendo a oportunidade de propagar as boas novas da graça do Reino de Deus de forma ampla. Assim como ela expandiu a cultura grega, agora ela estava tendo a oportunidade de expandir o evangelho de Cristo.
             
“... a qual ninguém pode fechar...”

A porta foi divinamente aberta, e só o Senhor poderá fechá-la. Aqui ele fala especificamente da natureza das oportunidades dadas aos discípulos em Filadélfia, mas garante que as portas ficariam abertas. Hoje, quando Deus abre portas de oportunidade para nós, devemos aproveitá-las (Tiago 4:17) [12]. Os judeus de Filadélfia eram agressivos em sua hostilidade em relação à igreja, e diziam que somente eles – Israel – tinham acesso à porta do Reino de Deus. Cristo assegura à igreja que os judeus não terão sucesso em seu propósito de fechar a porta do Reino de Deus para a igreja [13].

“... que tens pouca força...”

“Sei que tens pouca força” é a melhor tradução segundo George Ladd [14]. Não é o tamanho nem a força da igreja que determinam seu ministério, mas sua fé e obediência aos mandamentos do Senhor. Ou, ainda, não é o tamanho nem a força da igreja que determina seu ministério, mas o seu ministério é determinado pela fé e obediência para com o Senhor. Se Jesus abriu as portas, então Ele veria a disponibilidade da comunidade em andar e passar por ela. Talvez a congregação fosse pequena, ou talvez fosse composta predominantemente das classes mais baixas da sociedade romana, o que fazia que ela tivesse pouca influência sobre a cidade [15].

Jorge Henrique Barro faz uma comparação entre a igreja de Filadélfia e as igrejas no Brasil em relação ao tamanho das congregações. Ele diz que nem é preciso fazer muitas pesquisas para chegar a conclusão que a maioria das igrejas brasileiras não passa de duzentos membros. Mas não podemos nos esquecer, diz ele, de que são igrejas com menos de duzentos membros que estão desenvolvendo a maioria dos ministérios no Brasil atual. O poder de uma igreja não está no tamanho nem na força-influência que ela possui, pois seu poder está proporcionalmente ligado à sua fidelidade à Palavra e à sua fidelidade ao nome de Cristo [16].

“... entretanto, guardaste a minha palavra...”

Os crentes da igreja de Filadélfia achavam-se fielmente submissos à Palavra de Deus. Pregavam-na, ensinavam-na, obedeciam-na, viviam-na e a compartilhavam. Não se afastaram da Palavra. Qualquer coisa que fizessem, era dirigida pela Palavra de Deus.

“... e não negaste o meu nome”.

Esta igreja não se envergonhava do Evangelho. Muitos em Filadélfia, especialmente os judeus incrédulos, forçavam os crentes a negligenciar os ensinamentos de Cristo e a negar a fé [17]. Obediência e compromisso são os destaques da igreja de Filadélfia. Obediência à Palavra de Jesus e compromisso que assume as consequências de honrar o seu nome. Duas características que valem ouro; duas características que todo pastor sério anseia e busca em sua comunidade. Trata-se da centralidade da palavra e da centralidade de Cristo na comunidade (Jo 14.15) [18].

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Criador e criaturas: O que significa ser imagem e semelhança de Deus?




O livro do Gênesis afirma que o homem é um ser criado à imagem e semelhança de Deus: “Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’ [...] Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.26-17). Analisemos esse texto e suas implicações:

Criou Deus o homem

O homem é, portanto, uma criatura. Há uma diferença abismal entre Deus, como Criador, e o homem, como criatura, que jamais poderá ser apagada. O homem é barro mais sopro divino.

Há várias implicações do fato de o homem ser uma criatura de Deus:

1. Os seres humanos não têm existência independente. Ou seja, o homem é um ser dependente de Deus. Sem Deus, não haveria homem. O homem não gerou a si mesmo, nem é autoexistente. Somente Deus é incriado, sendo portanto, autoexistente (Sl 90.2).

2. A humanidade faz parte da criação. Por mais diferentes que os homens sejam dos outros seres criados por Deus, ele não é tão distinto do restante deles a ponto de não ter nenhuma relação com eles. O homem é parte da sequência da criação.

3. Há um vínculo comum entre todos os seres humanos. A doutrina da criação significa que estamos todos relacionados uns com os outros.

O homem é, portanto, uma criatura, mas como revela o texto de Gn 1.26-27, ele não é uma criatura qualquer, mas sim um ser feito à imagem e semelhança de Deus.

À sua imagem e semelhança

O comentarista bíblico Derek Kidner afirma que as palavras imagem e semelhança se reforçam mutuamente, não havendo, portanto, distinção teológica entre elas[1]. Andrés Ibáñez Arana afirma que a palavra hebraica equivalente à imagem, significa reprodução, imitação, ser igual, enquanto que a equivalente à semelhança significacópia[2]. Portanto, dizer que o homem é imagem e semelhança de Deus, significa dizer que o homem é como Deus, reflete a Deus. Isso é elucidado em Gênesis 5.3: “Aos 130 anos, Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem; e deu-lhe o nome de Sete”. Perceba que Sete é imagem e semelhança de Adão. Ou seja, assim como um filho se parece com seu pai, o homem se parece com Deus.

Toda a Escritura Sagrada irá mostrar em que o homem é como Deus. A humanidade reflete Deus na sua racionalidade, criatividade, capacidade de comunicação, espiritualidade, capacidade de dominar, de tomar decisões, e assim por diante.

O fato de sermos imagem de Deus, ou seja, termos a estampa de Deus em nós, constitui também uma declaração de propriedade. Jesus disse aos seus questionadores: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”. “De César”, responderam eles. E ele lhes disse: “Então deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.20,21). O ser humano pertence a Deus, assim como a terra e tudo o que nela há (Sl 24.1).

Outro elemento importante da imagem de Deus em nós é a nossa consciência de Deus. O teólogo R.K. McGregor Wrigth afirma: “Quando um cachorro está em dificuldade, ele não ora, apenas corre. Calvino chamou a consciência humana da presença de Deus de ‘semente da religião’ e de ‘senso da divindade’. Blaise Pascal observou que há um ‘buraco em forma de Deus’ no coração humano que só Deus pode preencher”[3].

Wrigth afirma ainda que quando Deus criou Adão, ele também tinha em mente a encarnação futura de Jesus Cristo, porque Jesus era “o Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo’ (Ap 13.8). Em outras palavras, a natureza de Adão foi criada de tal modo que a pessoa do Filho de Deus pudesse ter uma expressão pessoal perfeita através dele na encarnação do Cordeiro. Desse modo, Jesus é chamado de “a imagem de Deus” em 2Co 4.4. Novamente em 2Co 3.18, Paulo descreve nossa transformação progressiva na imagem de Cristo. O ser humano deve ser renovado à imagem de Cristo (Rm 8.29; Gl 4.19; 1Pe 1.4; 1Jo 3.2).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Muçulmano decapita cristão e provoca: “Jesus não veio para salvá-lo”



confrontos-na-siria-320x193 As forças rebeldes jihadistas da Síria continuam sua perseguição implacável que deseja eliminar o cristianismo do país. Enquanto líderes políticos mundiais discutem qual o melhor caminho para a busca da paz, cristãos são mortos diariamente.
Os horríveis ataques contra ortodoxos, maronitas e católicos são justificados pelo apelido de “cruzados” que receberam dos soldados rebeldes. Moradores que fugiram da pequena cidade de Maalula contaram a jornalistas da agência France Press que desde que os jihadistas invadiram a cidade, na semana passada, estão forçando as pessoas a se converter ao islamismo.
“Eles chegaram à nossa cidade ao amanhecer… gritavam: ‘Nós somos da Frente Al-Nusra e viemos tornar a vida miserável para os cruzados”, disse uma mulher identificada como Marie que agora está refugiada na capital Damasco. O termo “cruzados” remete aos soldados cristãos que participaram das Cruzadas que tentaram retomar Jerusalém das mãos dos árabes na Idade Média.
Uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo, Maalula se tornou um símbolo internacional por seu valor estratégico na ameaça de tomada da capital, que marcaria a derrota do regime de Bashar Al-Asaad. A pequena cidade vivia em harmonia religiosa há séculos. No verão, a população é de 4.500 pessoas, dentre elas cerca de 3.000, na maioria cristãos, vêm de Damasco e de outros países. Já no inverno a população fica reduzida a duas mil pessoas, e então os muçulmanos são a maioria.
Marie estava entre as centenas de outros cristãos que participaram do enterro de cristãos que acabou se tornando uma marcha de protesto contra os invasores patrocinados pela Al Qaeda. O movimento enfureceu ainda mais alguns líderes dos rebeldes que ocupam a cidade.
Adnan Nasrallah, 62, conta que uma explosão destruiu parte de uma igreja perto de sua casa. “Eu vi pessoas usando faixas da Al-Nusra na cabeça que começaram a atirar nas cruzes. Um dos atiradores, colocou uma pistola na cabeça do meu vizinho e obrigou-o a se converter ao Islã, obrigando-o a repetir que só Alá é Deus e Maomé o único profeta… Depois, ele disse aos outros soldados: Este é um dos nossos agora”.
Nasrallah disse que quando os rebeldes chegaram à cidade, muitos de seus vizinhos muçulmanos se alegraram, mas nem todos.
Outra moradora de Maalula, a jovem Rasha conta que os jihadistas assassinaram brutalmente seu noivo Atef e outros cristãos da cidade.
“Liguei para o celular e um deles respondeu: Bom dia. Somos do Exército Livre da Síria. Você sabia que seu noivo era um membro que apoiava o regime [do presidente] e por isso tivemos de cortar a garganta dele?”
Enquanto Rasha ainda tentava entender o que estava acontecendo, o homem contou sarcasticamente que Atef foi “convidado” a renunciar sua fé e se converter ao islamismo, mas se recusou. “Jesus não veio para salvá-lo”, finalizou o rebelde.
[Com informações de Christian Post, via Gospel Prime. Divulgação: Púlpito Cristão]
***
Esta semana o Pastor Renato Vargens postou informações sobre notícias trágicas na Síria e registrou o seguinte:
Vale a pena ressaltar que com a guerra na Síria, radicais muçulmanos perseguem a igreja com maior veemência. A ameaça de invasão norte-americana prejudica os cristãos, que são vistos como representantes do ocidente em terra islâmica. Ore pela igreja sofredora naquela país! Se puder pare um minuto de sua atividade e interceda conosco neste momento.”
(…) notícias deste nipe me deixam profundamente agoniado. Até quando a igreja de Cristo vai continuar brincando no playground? Até quando viveremos num mundo de fantasia? Nossos irmãos estão sofrendo e morrendo por causa de Cristo e nós aqui deixando a vida nos levar.
Estou angustiado, com a alma apertada e com lágrimas nos olhos!
Irmãos, não cessemos de orar pela paz na Síria. Notícias como esta só aumentam minha convicção de que não somos desse mundo, nossa pátria é os Céus, mas que jamais podemos nos esquecer da igreja perseguida, das quais o mundo não quis receber.
Arrazoemo-nos diante desta situação. Choremos, oremos e clamemos!

Doutorando em Ciência Socais aponta o forró eletrônico como resposável pela “degeneração” da música popular



garota safada2 

Olá pessoal, encontrei esta matéria e achei muito pertinente. Não sei se vocês do Norte ou Sul do país já ouviram falar em uma banda conhecida por “Garota Safada”. Pois é, aqui no Nordeste ela tem sido uma das promotoras da prostituição e bebedice através da música. Arrastando multidões, este grupo que na verdade, enquanto arte, pra mim não passa de um esterco sonoro foi alvo de uma tese de doutorado que conjectura sobre a decadência da música popular brasileira. Leia a matéria abaixo:

Tese de doutorado sobre a “degeneração” da música brasileira

A música brasileira está decadente – sans élégance. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma frase como essa. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas não prestam.
Um estudo acadêmico parte do forró eletrônico, ouvido à exaustão em todo o Nordeste, para investigar o que muitos chamam de “degeneração” da música popular. O professor Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve o título de doutor em Ciências Sociais com a tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O pesquisador defende que o gênero preferido entre os nordestinos faz parte de uma engendrada indústria cultural, por meio da qual são criadas e sustentadas formas de dominação na produção e na audição desse tipo de música.
Segundo ele, quando uma banda de forró eletrônico recorre a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil, ela está criando mecanismos para a formação de um sistema de concepção e circulação musical. Nele, nada é feito ou produzido por acaso. Tudo acaba virando racionalizado, padronizado ou massificado.
O ideal de uma vida festeira, regada de uísque, caminhonete 4×4 e raparigas (mulheres) é hoje um símbolo de status e prestígio para muitos dos ouvintes. Ninguém quer ficar de fora da onda de consumo. Numa das partes da pesquisa, Costa analisou o conteúdo das letras dos cinco primeiros álbuns da banda Garota Safada e descobriu que 65% das músicas falam de amor, 36% de sexo e 26% de festas e bebedeiras.
“Parte expressiva das canções de maior sucesso veicula a ideia de que a verdadeira felicidade acontece ‘no meio da putaria’, ou seja, nos momentos de encontros com os amigos nas festas de forró”, escreveu Costa. “Não se produz determinada música acreditando plenamente que se está criando uma pérola de tempos idos, mas sim um produto para agradar em um mercado competitivo muito paradoxal: deve-se ser igual e diferente concomitantemente.” Ou seja, a competitividade do mercado induz à padronização dos hits.
“O que move o cotidiano é isso mesmo: sexo, amor, prazer, diversão. O forró e quase toda música popular sabem muito bem usar desse artifício para mover suas engrenagens”, explicou Costa. “Não é por acaso que as relações sexuais são tão exploradas pelas canções de maior apelo comercial a ponto de se tornarem coisificadas à maneira de clichês industriais.”
REFERENCIAL TEÓRICO
Outros gêneros musicais também recorrem a estratégias semelhantes. O forró eletrônico consegue se diferenciar dos demais ao dar uma roupagem de “nordestinidade”, criando a identificação direta com o seu público. Mas o objetivo final de todos é proporcionar diversão. O problema, segundo Costa, é que “se vende muito pão a quem tem fome em demasia”.
Costa baseou sua pesquisa no referencial teórico de Theodor W. Adorno, um dos ideólogos da Escola de Frankfurt. O pesquisador procurou atualizar o conceito de indústria cultural a partir da constatação de que as músicas do forró eletrônico são oferecidas como parte de um sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e sua produção obedece a critérios com objetivos de controle sobre os efeitos do receptor (capacidade de prescrição dos desejos).
O pesquisador recorreu ainda a autores como Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson para abordar o gênero musical a partir da leitura dos estudos culturais (a complexa rede das relações sociais e a importância da comunicação na produção da cultura), que dialogam com outro conceito anterior, o de hegemonia, de Antonio Gramsci. Pierre Bourdieu também serve de referencial teórico.
Ao amarrar essas teorias, o pesquisador argumenta que o público consumidor de músicas acaba fazendo parte de esquemas de consumo cultural potentes e difíceis de serem contestados. Neles, até o desejo acaba sendo imposto. Em entrevista a FAROFAFÁ, Costa exemplifica esse fato com a atual “cobrança” pelo consumo de álcool, onde a sociabilidade gira em torno de litros de bebidas.
“O que se bebe, quanto se bebe e com quem se bebe diz muito acerca do indivíduo. O forró não é responsável por isso, mas reforça.” Para o pesquisador, o consumo de bebidas se relaciona com a virilidade masculina, que, por sua vez, se vincula à reprodução do capital.
“Não reconheço grande valor estético (no forró eletrônico), mas considero um estilo musical que consegue, em ocasiões específicas, cumprir o papel de entreter”, afirmou. O pesquisador ouve todo tipo de música (samba-canção, samba-reggae, rock nacional dos anos 1980 e 1990, bolero, tango, entre outros), mas sua predileção é por nomes como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra.
Para cobrir essa lacuna sobre o gênero que iria pesquisar, Costa entrevistou nomes como Cavaleiros do Forró, Calcinha de Menina, Balança Bebê eForró Bagaço. O seu objetivo foi esquadrinhar desde uma das maiores bandas de forró eletrônico do Rio Grande do Norte até uma banda do interior que mal consegue fazer quatro apresentações por mês e cobra em torno de R$ 500 por show.
É dentro desse contexto de consumo de massa de hits que nascem e morrem, diariamente, pelas rádios e carrinhos de CDs piratas, que prevalece o forrozão estilo “risca a faca” e “lapada na rachada”, para uma população semiformada (conceito adorniano de Halbbildung), explica Costa. Sobra pouco ou nenhum espaço para nomes consagrados do gênero.Entre os extremos de quem ganha muito e quem mal consegue sobreviver com o forró, o professor constatou que o sucesso é um elemento em comum, e algo difícil de ser obtido. Depende de substanciais investimentos financeiros e também do acaso – ter um hit pelas redes sociais ajuda. É por isso que Costa afirma que Aviões do Forró e um forrozeiro tecladista independente estão em lados completamente opostos, mas ainda têm algo basilar em comum: a indústria cultural.
Luiz Gonzaga, por exemplo, embora seja o símbolo maior do gênero e tratado com respeito pela maioria dos nordestinos, acaba sucumbindo a essa indústria cultural. “A competição é desigualmente assimétrica para o grande Lua. O assum preto gonzagueano, nesse sentido, bateu asas e voou.”
Costa diz não ser um pessimista ou só um crítico ferrenho do forró eletrônico. Tampouco que tem pouca esperança de que a música brasileira seja apenas uma eterna engrenagem da indústria cultural. Ao contrário, é dentro dela própria que ele vê saídas para o futuro da produção nacional. “Se vejo alguma possibilidade de mudança pode estar justamente nesses estúdios caseiros de gravação de CDs, nas bandas de garagem, no funk das periferias, no tecnobrega paraense. Não afirmo que a via é essa, mas que é um devir, uma possibilidade que pode não ir para além do sistema, mas minar algumas de suas bases”, concluiu.

PRE-PARA: as dicas de beleza da Ana Paula Valadão estão ‘bombando’ no universo feminino



ana paula 

Por Antognoni Misael
Após o irmão André Valadão deixar suas dicas sobre a moda do crente e criar a sua própria grife, agora é a vez de Ana Paula Valadão dá suas dicas de Maquiagem no 3º Congresso de Mulheres Diante do Trono:

Abrindo as portas da sua vaidade pessoal, Ana Paula não só nos revela o quanto gosta de se maquiar, mas deixa as crentes conservadoras literalmente “piradas” por não serem autorizadas por suas lideranças a se apresentarem com um make fashion e bacana que ela produz no vídeo acima.
Eu particularmente, não vejo problema algum quanto a mulher se maquiar e zelar por sua beleza. O contrário disso sim, me preocupa. Mas, não seria exagero de minha parte se pensarmos na construção estereotipada do que é ser um(a) “valadete”? Ou seria?
Sem desmerecer o trabalho desta família no meio evangélico, apesar de seus desvios teológicos e dos eventos esquisitos como a “unção do cai cai”, os “piolhos nas cadeiras”, a “unção do leão”, o Diante do Trono ainda divide opinião no meio evangélico quando promovem alguma notícia ou fato incomuns.
Atualmente, visitando a sua home Page, notamos que o DT expandiu o seu papel de  Ministério de Adoração, e agora já exibe seu ofício comercial e lucrativo em cima do próprio logo tipo $acramentado ao longo desses anos.

loja dt

Não sei por onde passa esta linha tênue entre reino de Deus e lucro em detrimento da fé. Não sei se a ideia de ganhar o Brasil para Cristo tem a ver com a propagação de suas próprias marcas, como sendo as marcas do reino. Contudo, começo a aspirar que brevemente alguma linha de produtos de beleza com o nome da Ana pode vir por aí, pois consumidores é o que parece não faltar.
Apenas sei que, diante deste vídeo acima posso ponderar que:
1) Aquelas irmãzinhas ‘desmulambadas’ que há tempos vivem com a auto estima zerada vão agora ter a oportunidade de dar uma melhorada nos seus cabelos, maquiagem e roupas. Com as dicas da Ana, um “show das poderosas do reino” pode acontecer… Quem crê? (PREpara)
2) A personalização de si próprio tem se tornado uma doentia tendência no meio gospel (Thalleco que o diga). Cristãs tem perdido as suas identidades para serem valadetes: muitas cantam com a Ana, falam como a Ana, se vestem como a Ana, e agora, até poderão se maquiar como ela.
P.S.: Sem falar daqueles “irmãozinhos” que curtem as vaidades femininas e que precisam ser tratados quanto a sua apresentação pessoal. Por isso, oremos pra que esse universo da moda valadete não desfavoreça a simplicidade do Evangelho, nem acentue a fraqueza dos seus fãs especiais.
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A graça de Deus nos capacita a enfrentar o sofrimento


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

A vida é a professora mais implacável: primeiro dá a prova, e depois a lição. C. S. Lewis disse que “Deus sussurra em nossos prazeres e grita em nossas dores”. Paulo fala sobre um sofrimento que muito o atormentou: o espinho na carne. Depois de ser arrebatado ao terceiro céu, suportou severa provação na terra. Há um grande contraste entre estas duas experiências de Paulo. Ele foi do paraíso à dor, da glória ao sofrimento. Ele experimentou a bênção de Deus no céu e bofetada de Satanás na terra. Paulo tinha ido ao céu, mas agora, aprendeu que o céu pode vir até ele.

Charles Stanley em seu livro Como lidar com o sofrimento, sugere-nos algumas preciosas lições.

Em primeiro lugar, há um propósito divino em cada sofrimento (2Co 12.7). Há um propósito divino no sofrimento. O nosso sofrimento e a nossa consolação são instrumentos usados por Deus para abençoar outras vidas. Na escola da vida Deus está nos preparando para sermos consoladores. Jó morreu sem jamais saber porque sofreu. Paulo rogou ao Senhor três vezes, antes de receber a resposta. O que Paulo aprendeu e que nós também precisamos aprender é que quando Deus não remove “o espinho”, é porque tem uma razão. Deus não permite que soframos só por sofrer. Sempre há um propósito. O propósito é não nos ensoberbecermos.

Em segundo lugar, é possível que Deus resolva revelar-nos o propósito de nosso sofrimento (2Co 12.7). No caso de Paulo, Deus decidiu revelar-lhe a razão de ser do “espinho”: evitar que ficasse orgulhoso. Quando Paulo orou nem perguntou por que estava sofrendo, apenas pediu a remoção do sofrimento. Não é raro Deus revelar as razões do sofrimento. Ele revelou a Moisés a razão porque não lhe seria permitido entrar na Terra Prometida. Disse a Josué porque ele e seu exército haviam sido derrotados em Ai. O nosso sofrimento tem por finalidade nos humilhar, nos aperfeiçoar, nos burilar e nos usar.

Em terceiro lugar, o sofrimento pode ser um dom de Deus (2Co 12.7). Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós e não por nós. Jacó disse: “Tendes-me privado de filhos; José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas cousas em sobrevêm” (Gn 42.36). A providência carrancuda que Jacó pensou estar laborando contra ele, estava trabalhando em seu favor. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque através desse incômodo, Deus o protegeu daquilo que ele mais temia – ser desqualificado espiritualmente.

Em quarto lugar, Deus nos conforta em nossas adversidades (2Co 12.9). A resposta que Deus deu a Paulo não era a que ele esperava nem a que ele queria, mas era a que ele precisava. Deus respondeu a Paulo que ele não estava sozinho. Deus estava no controle de sua vida e operava nele com eficácia. Precisamos compreender que Deus está conosco e no controle da situação. Precisamos saber que Deus é soberano, bom e fiel. Jó entendeu isso: “Eu sei que tudo podes e ninguém pode frustrar os teus desígnios”.

Em quinto lugar, pode ser que Deus decida que é melhor não remover o sofrimento (2Co 12.9). De todos, esse é o princípio mais difícil. Quantas vezes nós já pensamos e falamos: “Senhor por que estou sofrendo? Por que desse jeito? Por que até agora? Por que o Senhor ainda agiu?”. Joni Eareckson ficou tetraplégica e numa cadeira de rodas dá testemunho de Jesus. Fanny Crosby ficou cega com 42 dias e morreu aos 92 anos sem jamais perder a doçura. Escreveu mais de 4 mil hinos. Dietrich Bonhoeffer foi enforcado no dia 9 de abril de 1945 numa prisão nazista. Se Deus não remover o sofrimento, ele nos assistirá em nossa fraqueza, nos consolará com sua graça e nos assistirá com seu poder. A graça de Deus nos capacita a lidar com o sofrimento, sem perdermos a alegria nem a doçura (2Co 12.10) .

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

II MARCHA PARA JESUS - UBAITABA / A.LEAL








Quero orar certo, mas não sei a vontade de Deus.


Por Josemar Bessa

Muitas vezes sabemos o que queremos, mas não sabemos o que Deus quer. Ainda assim, desejamos orar de forma que Deus seja honrado e nós edificados. Como fazer isso?

Quando sabemos o que queremos, temos o impulso de orar para que Deus opere um milagre para que nosso desejo, ainda que difícil, seja atendido. Alguém diz: “Não quero ser assim, mas como orar se não sei o que Deus quer?”

Podemos esquecer a questão e orar somente pelo que queremos – Mostrar nossa necessidade, mostrar que ela é razoável... Mas se isso é tudo que eu oro, estou em grande perigo de fazer o que Tiago advertiu-nos contra: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para gastar com seus próprios deleites” – Tiago 4.3

Como podemos então saber que estamos pedindo mal? Uma das muitas pistas, é que vamos começar a confiar no que queremos mais no que o próprio Deus para nos satisfazer, imaginando que a vida de plena satisfação depende daquilo que queremos. Outra dica que de que pedimos mal... é que começamos a nos preocupar de que Deus não vai fazer o que queremos. Falamos: “Faça a Tua vontade...” – mas desconfiamos de que isso possa ser bom.

Muitas vezes ao percebermos que essa abordagem em nossa oração pode não ser útil a nós, pode ser até mesmo destrutiva... e então partimos para outra – Oramos apenas sobre o que Deus quer. Por exemplo – não sei a vontade de Deus em relação a situação específica que estou vivendo – mas sei que a vontade de Deus é glorificar Seu Nome em tudo, edificar através de minha vida a Sua igreja e infundir em minha vida aquilo que na verdade irá trazer ou produzir em mim maior alegria nEle.

Então posso fincar o pé apenas nesta abordagem – naquilo que eu sei que Deus quer com certeza. “Pai, eu não sei qual é Tua vontade nesta situação específica, mas oro para que Tu faças qualquer coisa que glorificará o Teu Nome e edificar a Tua Igreja e me trazer maior alegria em Ti”

Essa é uma maneira maravilhosa de orar a Deus. Devemos orar assim sem dúvida. Mas se isso é tudo o que eu oro – corro dois perigos – Um, é de não estar sendo honesto como Deus sobre os verdadeiros desejos do meu coração. Outro, é que eu poderia não receber algo que Deus quer me dar por não estar pedindo nada específico a Deus – não sabendo nem se recebi, se tiver recebido. Essa é outra advertência de Tiago – “...nada tendes, porque não pedis.” -Tiago 4:2

Que outra abordagem mais sábia e que não nos deixasse expostos a esses perigos poderíamos usar? Talvez tenhamos que fazer em duas etapas, abordar dois pontos. 

Primeiro – Pedir a Deus para fazer a Sua vontade – ou seja, aquilo que glorificará mais o Seu Nome, aquilo que edificará a Sua Igreja – me fazendo útil para isso na circunstância – e aquilo que me fará por fim mais satisfeito nEle, em tudo o que Ele é.

Então peço a Deus para mudar meu coração de tal maneira que eu queira e deseje de fato a Sua glória mais do que aquilo que eu estou desejando. Que mude meu coração para abraçar a resposta que faça a minha vida mais útil na edificação da Igreja, seja qual resposta for. E que por fim, faça meu coração confiar nEle para me satisfazer infinitamente mais do que aquilo que neste momento eu estou desejando, uma satisfação plena infinitamente maior do que qualquer resposta específica a minha oração. Ou seja: “Pai, eu venho a Ti somente no Nome de Jesus. Quero confessar que estou preocupado e ansioso, e isso está sugando o frescor da minha vida. Eu tenho desejado isso mais do que a Tua glória, o que significa de forma óbvia que eu não estou me deleitando, me deliciando em Ti como o meu Tesouro todo satisfatório. Me perdoe por amor e através de Cristo. Mude meu coração. Me ajude diariamente a ver que a Tua glória é a minha maior alegria. Me ajude, através do Teu Espírito, a ver que desde que o que Tu vais fazer irá lhe trazer maior glória, irá me trazer também a maior alegria.” Então posso continuar sinceramente – “Faça o que irá trazer maior glória para Ti. Faça o que irá contribuir para a maior edificação da Tua Igreja. Faça tudo o que me trará a maior alegria em Ti.”

Então oramos e persistimos em orar até que nosso coração seja mudado e não estejamos mais ansiosos e preocupados com o que pode acontecer, porque estamos agora contentes com o que Deus escolher fazer.

Agora posso ira para o segundo ponto – e peço especificamente a Deus para fazer o que eu acho, sondando sinceramente meu coração – que vai glorificá-lo mais, que irá mais contribuir com a edificação de sua igreja e me fazer mais satisfeito nEle do que em qualquer outra coisa – me fazendo experimentar Ele mais profundamente como meu tesouro totalmente satisfatório. 

Deus nos deu diretrizes na Sua Palavra para nossa vida pessoal, nossa vida profissional, nossas famílias, nossa igreja... e Ele quer que eu expresse o que eu acho ser melhor em todas essas áreas. Posso orar então – “Pai, estou nesta situação... oro a Ti que operes, milagrosamente ou não... para que isto aconteça... Isto é o que eu acredito ser o melhor para minha família, tua igreja, minha maior alegria em Ti em não em outra coisa... Sei perfeitamente que apenas uma palavra Tua, e isso se resolverá. Então é isto que eu oro neste momento. Eu gostaria que as coisas fossem assim... em Nome de Jesus, amém”

Muitas vezes, o que Deus fez? O oposto do que eu pedi. Enfrentei tristezas, mas que foram vencidas porque eu sabia que isso iria glorificar mais a Cristo, o que deixava óbvio que seria me satisfazer mais. Também sabia que porque orei fervorosamente não escondendo o que meu coração desejava e Deus não concedera, Ele faria algo que glorificaria mais o Seu Nome, edificaria mais a Sua Igreja, e aumentaria a minha alegria nEle.

Os benefícios de se orar assim são enormes. Nos ajuda a sermos honestos com Deus sobre o verdadeiro estado de nossos corações. Nos ajuda e leva a confiarmos mais e mais em Deus como o tesouro de nosso coração, mais do que qualquer resposta específica à oração feita. Ajuda a desejarmos a cada dia mais a glória de Deus sobre todas as coisas ou sobre qualquer coisa na vida. Orar assim nos faz perguntar a nós mesmos honestamente o que queremos, mantendo o nosso coração em Deus como nosso Tesouro Totalmente Satisfatório.

Orar assim me ajuda a orar fervorosamente pelo que eu acho ser melhor, sendo o mais sensível a Palavra possível, enquanto me faz confiar de coração que Deus realmente fará o que é o melhor. Me faz orar corretamente e me faz orar honestamente.

Tenho, todavia, contra ti algumas coisas...


Por Pr. Silas Figueira

“Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição”. Ap 2.14

“Tenho, todavia, contra ti algumas coisas...”
           
A igreja de Pérgamo não era perfeita, pois não existe nenhuma igreja local perfeita. Apesar do elogio que o Senhor faz à igreja, havia ali pessoas que estavam se deixando levar pela sedução diabólica. Apesar de sua constância, o pecado introduziu-se nela imperceptivelmente. O maior perigo não era a perseguição, e sim a perversão. Se Satanás não pode derrotar a igreja, tenta ingressar nela. A proposta agora não é substituição, mas mistura. Não é apostasia aberta, mas ecumenismo. A ameaça mortal vinha de dentro e, infelizmente, é o que mais temos visto em nossas igrejas hoje, as chamadas heresias domésticas. Durante muito tempo lutamos contra as Testemunhas de Jeová, contra os Mórmons, contra os Adventistas, mas hoje estamos nos deixando seduzir pelo evangelho da prosperidade, pelo pensamento positivo, pelo determinismo. Doutrinas orientais têm invadido as nossas igrejas de forma caudalosa, psicologia ao invés do Evangelho transformador está tomando os púlpitos de nossas igrejas. Líderes que estão na mídia distorcendo as Escrituras com uma teologia louca, levando os incautos a se decepcionarem com Deus, pois eles, em nome de Deus, fazem promessas que distorcem o puro Evangelho.

Algum tempo atrás havia um determinado pastor pregando na televisão dizendo que qualquer líder ou igreja que prega que o crente tem que ficar rico é um enganador. Ele disse assim: “não pense que todo mundo vai ficar rico não, isso é balela, é cascata; qualquer pastor que promete riqueza a todo mundo é um cara de pau safado, um pilantra, ludibriador de fé. Digo aqui rasgado mesmo porque não tem conversa. Quem te falou que todo mundo vai ficar bem financeiramente? Quem te falou que todo mundo vai ficar rico? Onde está isso na Bíblia?” Meses depois, este mesmo pastor estava na televisão dizendo tudo ao contrário do que havia dito antes (parece até música do Raul Seixas). Ele disse meses depois assim: “você só vai experimentar estas coisas o dia em que você aprender a ser liberal, se não você só vai ouvir e nunca experimentar em sua vida. Agora, Deus tem falado ao meu coração e vou dizer pra vocês, e quero ser profeta de Deus para que algum irmão que está me vendo pela TV e que estão aqui; Deus tem falado ao meu coração, Deus nesta reta final da igreja, Ele quer dar riquezas para crente, mas não quer dar riqueza para miserável... Deus quer dar riquezas para crentes liberais que vão investir na obra de Deus...” Depois esse pastor pega uma Bíblia de estudos que ensina como alcançar vitória financeira. Quanta contradição!
           
“... pois tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão...”

Os cristãos de Pérgamo tinham conservado o nome de Jesus e não renunciaram à sua fé nele sob a pressão de perseguição iminente, mas eles deixaram que a moral dos pagãos os influenciasse [1]. Alguns dos membros da igreja haviam atendido a festivais pagãos e, provavelmente, até mesmo participado das imoralidades que caracterizavam essas festas. Semelhantes práticas haviam ocorrido entre os filhos de Israel nos dias de Balaão. A história de Balaão pode ser encontrada em Números 22-24. Este homem era conhecido como profeta e criam que ele tinha poder de lançar maldição sobre toda uma sociedade. Devido a essa fama, Balaão prostituiu os seus dons com o objetivo de ganhar dinheiro. Este homem foi contratado por Balaque, rei de Moabe a fim de amaldiçoar Israel.

Quando Israel chegou às campinas de Moabe, além de Jordão, na frente de Jericó, o rei dos moabitas encheu-se de pavor. A visão que Balaque tinha de cima das colinas era aterradora. Ele olhava do alto dos montes e via uma multidão inumerável na campina. Por isso ele convocou um conselho de Estado e disse: “Agora, lamberá esta multidão tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo” (Nm 22.4).

Devido a essa situação, Balaque manda chamar Balaão para amaldiçoar o povo de Israel. Mas cada vez que Balaão abria a boca para amaldiçoar o povo de Deus, as palavras do Senhor o faziam proferir palavras de benção e não de maldição. Então Balaque ficou bravo com ele. Balaão, movido (de acordo com 2Pe 2.15 e Jd 11) por ganância, aconselhou Balaque a enfrentar Israel não com um grande exército, mas com pequenas donzelas sedutoras. Aconselhou a mistura, o incitamento ao pecado. O que Balaão não pode fazer, o pecado fez. O tropeço foi devastador! Pedra de tropeço (skandalon, no grego) é uma armadilha feita com um chamariz. Em Nm 31.16 diz: “Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve praga entre a congregação do SENHOR”. Devido a isso, o Senhor se voltou com ira contra os israelitas e eles se tornaram fracos e vulneráveis.

O pecado enfraquece a igreja. A igreja só é forte quando é santa. Sempre que a igreja se mistura com o mundo e adota o seu estilo de vida, ela perde o seu poder e sua influência [2].
Em Pérgamo parece que a maioria dos membros da igreja continuava a andar na verdade. Somente uns poucos, quer em plena comunhão ou apenas em casual associação com a igreja, tinham deixado o caminho estreito e se desviado pelos atalhos da especulação e do erro. Mas o Cristo ressurreto, o pastor-líder de seu rebanho, foi ofendido tanto pela desobediência da minoria como pela indiferença da maioria [3]. Dessa forma, a igreja tornou-se infiel. A doutrina de Balaão é a mistura das coisas santas com as profanas. É ter um pé na igreja e outro no mundo.

“...para comerem cousas sacrificadas aos ídolos...”

A frase comer coisas sacrificadas aos ídolos” pode referir-se tanto à carne comprada no mercado, que antes fora sacrificada em algum templo pagão e depois vendida no mercado, como as festas organizadas nos templos em honra aos diversos deuses. Um problema em relação a carne que os cristãos compravam no mercado público tinha surgido em Corinto, e Paulo se estendeu sobre este assunto, dizendo que nada é em si impuro, e, enquanto alguém não tem problemas de consciência, não há nada de errado em comer esta carne (1Co 8.7-13). Ao mesmo tempo ele diz que é impossível beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios (1Co 10.21), referindo-se neste caso, sem dúvida, à participação dos cristãos nas festas pagãs, que implicavam na adoração de demônios [4]. Na igreja de Pérgamo aqueles que seguiam a doutrina de Balaão não viam nenhum mal em participar desse tipo de festa, argumentando que o ídolo em si nada é. No entanto o Senhor aqui condena veementemente tais práticas. Nos dias atuais, quantos crentes deixando seus filhos participarem de festa junina nas escolas, essas festas não deixam de ser festas pagãs só porque estão sendo realizadas em ambiente escolar, estas festas, mesmo no ambiente escolar, são dedicadas a demônios. Outros comem doces dedicados a Cosme e Damião, outros estão participando normalmente de festa de Halloween. E quantos estão trazendo para dentro de suas igrejas hábitos pagãos e até mesmo fazendo festas semelhantes às festas juninas, e ainda dão o nome de “Festa Genuína”. Não tem como ser fiel a Cristo plenamente e participar destas festas pagãs ou até mesmo copiá-las. O apóstolo Paulo em Rm 12.1 nos diz para não tomarmos a forma deste mundo, mas termos a nossa mente transformada pelo poder de Deus, e a palavra para “transformação” no grego no texto citado é “metamorfose”, é o processo da lagarta para borboleta.

Davi quis trazer a arca de Deus para Jerusalém num carro de boi (2Sm 6.1-11), no entanto ele estava imitando os filisteus quando a devolveram (1Sm 6.11,12). Quando Davi estava trazendo a arca para Jerusalém o boi tropeça e o carro vira derrubando a arca; Uzá prontamente estende a mão para protegê-la e é imediatamente morto, esmagado pelo carro. No entanto, o texto nos diz que quem matou Uzá foi o Senhor por causa da irreverência de Uzá. Deus feriu Uzá porque Davi e o sumo sacerdote não tinham observado os mandamento do Senhor que dizia que somente os levitas é que poderiam transportá-la (Nm 1.47-52). Ela deveria ser transportada nos ombros pelos levitas e não num carro de boi como estava sendo transportada. Essa boa intenção gerou morte por causa da desobediência aos mandamentos de Deus. Uzá é um exemplo do perigo inerente de alguém ter zelo por Deus, sem conhecimento da Sua Palavra e dos Seus caminhos. E é exatamente o que mais temos visto em muitas igrejas por aí, um zelo extremo pelo Senhor, mas sem observar a Sua Palavra. Pessoas até bem intencionadas, mas totalmente alienadas em relação à Palavra de Deus. Pastores e líderes fazendo com que seus liderados entrem em choque com a Palavra de Deus os levando a morte. Pastores que estão ensinando em seus púlpitos que o que vale é a experiência, é o sentir, é a emoção, mas completamente longe do ensino que gera vida, transformação e alegria real na presença de Deus. As Escrituras não falam tudo de tudo, mas contêm tudo que Deus deseja que saibamos sobre Seu amor e Sua salvação e acerca da reação requerida de nós diante dEle. Observe-a!