segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Quero orar certo, mas não sei a vontade de Deus.
Por Josemar Bessa
Muitas vezes sabemos o
que queremos, mas não sabemos o que Deus quer. Ainda assim, desejamos
orar de forma que Deus seja honrado e nós edificados. Como fazer isso?
Quando sabemos o que
queremos, temos o impulso de orar para que Deus opere um milagre para
que nosso desejo, ainda que difícil, seja atendido. Alguém diz: “Não
quero ser assim, mas como orar se não sei o que Deus quer?”
Podemos esquecer a
questão e orar somente pelo que queremos – Mostrar nossa necessidade,
mostrar que ela é razoável... Mas se isso é tudo que eu oro, estou em
grande perigo de fazer o que Tiago advertiu-nos contra: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para gastar com seus próprios deleites” – Tiago 4.3
Como podemos então saber
que estamos pedindo mal? Uma das muitas pistas, é que vamos começar a
confiar no que queremos mais no que o próprio Deus para nos satisfazer,
imaginando que a vida de plena satisfação depende daquilo que queremos.
Outra dica que de que pedimos mal... é que começamos a nos preocupar de
que Deus não vai fazer o que queremos. Falamos: “Faça a Tua vontade...” –
mas desconfiamos de que isso possa ser bom.
Muitas vezes ao
percebermos que essa abordagem em nossa oração pode não ser útil a nós,
pode ser até mesmo destrutiva... e então partimos para outra – Oramos
apenas sobre o que Deus quer. Por exemplo – não sei a vontade de Deus em
relação a situação específica que estou vivendo – mas sei que a vontade
de Deus é glorificar Seu Nome em tudo, edificar através de minha vida a
Sua igreja e infundir em minha vida aquilo que na verdade irá trazer ou
produzir em mim maior alegria nEle.
Então posso fincar o pé
apenas nesta abordagem – naquilo que eu sei que Deus quer com certeza.
“Pai, eu não sei qual é Tua vontade nesta situação específica, mas oro
para que Tu faças qualquer coisa que glorificará o Teu Nome e edificar a
Tua Igreja e me trazer maior alegria em Ti”
Essa é uma maneira
maravilhosa de orar a Deus. Devemos orar assim sem dúvida. Mas se isso é
tudo o que eu oro – corro dois perigos – Um, é de não estar sendo
honesto como Deus sobre os verdadeiros desejos do meu coração. Outro, é
que eu poderia não receber algo que Deus quer me dar por não estar
pedindo nada específico a Deus – não sabendo nem se recebi, se tiver
recebido. Essa é outra advertência de Tiago – “...nada tendes, porque
não pedis.” -Tiago 4:2
Que outra abordagem mais
sábia e que não nos deixasse expostos a esses perigos poderíamos usar?
Talvez tenhamos que fazer em duas etapas, abordar dois pontos.
Primeiro – Pedir a Deus
para fazer a Sua vontade – ou seja, aquilo que glorificará mais o Seu
Nome, aquilo que edificará a Sua Igreja – me fazendo útil para isso na
circunstância – e aquilo que me fará por fim mais satisfeito nEle, em
tudo o que Ele é.
Então peço a Deus para
mudar meu coração de tal maneira que eu queira e deseje de fato a Sua
glória mais do que aquilo que eu estou desejando. Que mude meu coração
para abraçar a resposta que faça a minha vida mais útil na edificação da
Igreja, seja qual resposta for. E que por fim, faça meu coração confiar
nEle para me satisfazer infinitamente mais do que aquilo que neste
momento eu estou desejando, uma satisfação plena infinitamente maior do
que qualquer resposta específica a minha oração. Ou seja: “Pai, eu venho
a Ti somente no Nome de Jesus. Quero confessar que estou preocupado e
ansioso, e isso está sugando o frescor da minha vida. Eu tenho desejado
isso mais do que a Tua glória, o que significa de forma óbvia que eu não
estou me deleitando, me deliciando em Ti como o meu Tesouro todo
satisfatório. Me perdoe por amor e através de Cristo. Mude meu coração.
Me ajude diariamente a ver que a Tua glória é a minha maior alegria. Me
ajude, através do Teu Espírito, a ver que desde que o que Tu vais fazer
irá lhe trazer maior glória, irá me trazer também a maior alegria.”
Então posso continuar sinceramente – “Faça o que irá trazer maior glória
para Ti. Faça o que irá contribuir para a maior edificação da Tua
Igreja. Faça tudo o que me trará a maior alegria em Ti.”
Então oramos e
persistimos em orar até que nosso coração seja mudado e não estejamos
mais ansiosos e preocupados com o que pode acontecer, porque estamos
agora contentes com o que Deus escolher fazer.
Agora posso ira para o
segundo ponto – e peço especificamente a Deus para fazer o que eu acho,
sondando sinceramente meu coração – que vai glorificá-lo mais, que irá
mais contribuir com a edificação de sua igreja e me fazer mais
satisfeito nEle do que em qualquer outra coisa – me fazendo experimentar
Ele mais profundamente como meu tesouro totalmente satisfatório.
Deus nos deu diretrizes
na Sua Palavra para nossa vida pessoal, nossa vida profissional, nossas
famílias, nossa igreja... e Ele quer que eu expresse o que eu acho ser
melhor em todas essas áreas. Posso orar então – “Pai, estou nesta
situação... oro a Ti que operes, milagrosamente ou não... para que isto
aconteça... Isto é o que eu acredito ser o melhor para minha família,
tua igreja, minha maior alegria em Ti em não em outra coisa... Sei
perfeitamente que apenas uma palavra Tua, e isso se resolverá. Então é
isto que eu oro neste momento. Eu gostaria que as coisas fossem assim...
em Nome de Jesus, amém”
Muitas vezes, o que Deus
fez? O oposto do que eu pedi. Enfrentei tristezas, mas que foram
vencidas porque eu sabia que isso iria glorificar mais a Cristo, o que
deixava óbvio que seria me satisfazer mais. Também sabia que porque orei
fervorosamente não escondendo o que meu coração desejava e Deus não
concedera, Ele faria algo que glorificaria mais o Seu Nome, edificaria
mais a Sua Igreja, e aumentaria a minha alegria nEle.
Os benefícios de se orar
assim são enormes. Nos ajuda a sermos honestos com Deus sobre o
verdadeiro estado de nossos corações. Nos ajuda e leva a confiarmos mais
e mais em Deus como o tesouro de nosso coração, mais do que qualquer
resposta específica à oração feita. Ajuda a desejarmos a cada dia mais a
glória de Deus sobre todas as coisas ou sobre qualquer coisa na vida.
Orar assim nos faz perguntar a nós mesmos honestamente o que queremos,
mantendo o nosso coração em Deus como nosso Tesouro Totalmente
Satisfatório.
Orar assim me ajuda a
orar fervorosamente pelo que eu acho ser melhor, sendo o mais sensível a
Palavra possível, enquanto me faz confiar de coração que Deus realmente
fará o que é o melhor. Me faz orar corretamente e me faz orar
honestamente.
Tenho, todavia, contra ti algumas coisas...
Por Pr. Silas Figueira
“Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os
que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas
diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e
praticarem a prostituição”. Ap 2.14
“Tenho, todavia,
contra ti algumas coisas...”
A igreja de
Pérgamo não era perfeita, pois não existe nenhuma igreja local perfeita. Apesar
do elogio que o Senhor faz à igreja, havia ali pessoas que estavam se deixando
levar pela sedução diabólica. Apesar de sua constância, o pecado introduziu-se
nela imperceptivelmente. O maior perigo não era a perseguição, e sim a
perversão. Se Satanás não pode derrotar a igreja, tenta ingressar nela. A
proposta agora não é substituição, mas mistura. Não é apostasia aberta, mas
ecumenismo. A ameaça mortal vinha de dentro e, infelizmente, é o que mais temos
visto em nossas igrejas hoje, as chamadas heresias domésticas. Durante muito
tempo lutamos contra as Testemunhas de Jeová, contra os Mórmons, contra os
Adventistas, mas hoje estamos nos deixando seduzir pelo evangelho da prosperidade,
pelo pensamento positivo, pelo determinismo. Doutrinas orientais têm invadido
as nossas igrejas de forma caudalosa, psicologia ao invés do Evangelho
transformador está tomando os púlpitos de nossas igrejas. Líderes que estão na
mídia distorcendo as Escrituras com uma teologia louca, levando os incautos a
se decepcionarem com Deus, pois eles, em nome de Deus, fazem promessas que
distorcem o puro Evangelho.
Algum tempo atrás havia um determinado pastor pregando na televisão dizendo que qualquer líder ou igreja que prega que o crente tem que ficar rico é um enganador. Ele disse assim: “não pense que todo mundo vai ficar rico não, isso é balela, é cascata; qualquer pastor que promete riqueza a todo mundo é um cara de pau safado, um pilantra, ludibriador de fé. Digo aqui rasgado mesmo porque não tem conversa. Quem te falou que todo mundo vai ficar bem financeiramente? Quem te falou que todo mundo vai ficar rico? Onde está isso na Bíblia?” Meses depois, este mesmo pastor estava na televisão dizendo tudo ao contrário do que havia dito antes (parece até música do Raul Seixas). Ele disse meses depois assim: “você só vai experimentar estas coisas o dia em que você aprender a ser liberal, se não você só vai ouvir e nunca experimentar em sua vida. Agora, Deus tem falado ao meu coração e vou dizer pra vocês, e quero ser profeta de Deus para que algum irmão que está me vendo pela TV e que estão aqui; Deus tem falado ao meu coração, Deus nesta reta final da igreja, Ele quer dar riquezas para crente, mas não quer dar riqueza para miserável... Deus quer dar riquezas para crentes liberais que vão investir na obra de Deus...” Depois esse pastor pega uma Bíblia de estudos que ensina como alcançar vitória financeira. Quanta contradição!
“... pois
tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão...”
Os cristãos de
Pérgamo tinham conservado o nome de Jesus e não renunciaram à sua fé nele sob a
pressão de perseguição iminente, mas eles deixaram que a moral dos pagãos os
influenciasse [1]. Alguns dos
membros da igreja haviam atendido a festivais pagãos e, provavelmente, até
mesmo participado das imoralidades que caracterizavam essas festas. Semelhantes
práticas haviam ocorrido entre os filhos de Israel nos dias de Balaão. A
história de Balaão pode ser encontrada em Números 22-24. Este homem era
conhecido como profeta e criam que ele tinha poder de lançar maldição sobre
toda uma sociedade. Devido a essa fama, Balaão prostituiu os seus dons com o
objetivo de ganhar dinheiro. Este homem foi contratado por Balaque, rei de
Moabe a fim de amaldiçoar Israel.
Quando Israel chegou às campinas de Moabe, além de Jordão, na frente de Jericó, o rei dos moabitas encheu-se de pavor. A visão que Balaque tinha de cima das colinas era aterradora. Ele olhava do alto dos montes e via uma multidão inumerável na campina. Por isso ele convocou um conselho de Estado e disse: “Agora, lamberá esta multidão tudo quanto houver ao redor de nós, como o boi lambe a erva do campo” (Nm 22.4).
Devido a essa situação, Balaque manda chamar Balaão para amaldiçoar o povo de Israel. Mas cada vez que Balaão abria a boca para amaldiçoar o povo de Deus, as palavras do Senhor o faziam proferir palavras de benção e não de maldição. Então Balaque ficou bravo com ele. Balaão, movido (de acordo com 2Pe 2.15 e Jd 11) por ganância, aconselhou Balaque a enfrentar Israel não com um grande exército, mas com pequenas donzelas sedutoras. Aconselhou a mistura, o incitamento ao pecado. O que Balaão não pode fazer, o pecado fez. O tropeço foi devastador! Pedra de tropeço (skandalon, no grego) é uma armadilha feita com um chamariz. Em Nm 31.16 diz: “Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve praga entre a congregação do SENHOR”. Devido a isso, o Senhor se voltou com ira contra os israelitas e eles se tornaram fracos e vulneráveis.
O pecado enfraquece a igreja. A igreja só é forte quando é santa. Sempre que a igreja se mistura com o mundo e adota o seu estilo de vida, ela perde o seu poder e sua influência [2].
Em Pérgamo parece que a maioria dos membros da igreja continuava a andar na verdade. Somente uns poucos, quer em plena comunhão ou apenas em casual associação com a igreja, tinham deixado o caminho estreito e se desviado pelos atalhos da especulação e do erro. Mas o Cristo ressurreto, o pastor-líder de seu rebanho, foi ofendido tanto pela desobediência da minoria como pela indiferença da maioria [3]. Dessa forma, a igreja tornou-se infiel. A doutrina de Balaão é a mistura das coisas santas com as profanas. É ter um pé na igreja e outro no mundo.
“...para
comerem cousas sacrificadas aos ídolos...”
A frase “comer coisas sacrificadas aos ídolos”
pode referir-se tanto à carne comprada no mercado, que antes fora sacrificada
em algum templo pagão e depois vendida no mercado, como as festas organizadas
nos templos em honra aos diversos deuses. Um problema em relação a carne que os
cristãos compravam no mercado público tinha surgido em Corinto, e Paulo se
estendeu sobre este assunto, dizendo que nada é em si impuro, e, enquanto
alguém não tem problemas de consciência, não há nada de errado em comer esta
carne (1Co 8.7-13). Ao mesmo tempo ele diz que é impossível beber o cálice do
Senhor e o cálice dos demônios (1Co 10.21), referindo-se neste caso, sem
dúvida, à participação dos cristãos nas festas pagãs, que implicavam na
adoração de demônios [4]. Na
igreja de Pérgamo aqueles que seguiam a doutrina de Balaão não viam nenhum mal
em participar desse tipo de festa, argumentando que o ídolo em si nada é. No
entanto o Senhor aqui condena veementemente tais práticas. Nos dias atuais,
quantos crentes deixando seus filhos participarem de festa junina nas escolas,
essas festas não deixam de ser festas pagãs só porque estão sendo realizadas em
ambiente escolar, estas festas, mesmo no ambiente escolar, são dedicadas a
demônios. Outros comem doces dedicados a Cosme e Damião, outros estão
participando normalmente de festa de Halloween. E quantos estão trazendo para
dentro de suas igrejas hábitos pagãos e até mesmo fazendo festas semelhantes às
festas juninas, e ainda dão o nome de “Festa
Genuína”. Não tem como ser fiel a Cristo plenamente e participar destas
festas pagãs ou até mesmo copiá-las. O apóstolo Paulo em Rm 12.1 nos diz para
não tomarmos a forma deste mundo, mas termos a nossa mente transformada pelo
poder de Deus, e a palavra para “transformação”
no grego no texto citado é “metamorfose”,
é o processo da lagarta para borboleta.
Davi quis trazer a arca de Deus para Jerusalém num carro de boi (2Sm 6.1-11), no entanto ele estava imitando os filisteus quando a devolveram (1Sm 6.11,12). Quando Davi estava trazendo a arca para Jerusalém o boi tropeça e o carro vira derrubando a arca; Uzá prontamente estende a mão para protegê-la e é imediatamente morto, esmagado pelo carro. No entanto, o texto nos diz que quem matou Uzá foi o Senhor por causa da irreverência de Uzá. Deus feriu Uzá porque Davi e o sumo sacerdote não tinham observado os mandamento do Senhor que dizia que somente os levitas é que poderiam transportá-la (Nm 1.47-52). Ela deveria ser transportada nos ombros pelos levitas e não num carro de boi como estava sendo transportada. Essa boa intenção gerou morte por causa da desobediência aos mandamentos de Deus. Uzá é um exemplo do perigo inerente de alguém ter zelo por Deus, sem conhecimento da Sua Palavra e dos Seus caminhos. E é exatamente o que mais temos visto em muitas igrejas por aí, um zelo extremo pelo Senhor, mas sem observar a Sua Palavra. Pessoas até bem intencionadas, mas totalmente alienadas em relação à Palavra de Deus. Pastores e líderes fazendo com que seus liderados entrem em choque com a Palavra de Deus os levando a morte. Pastores que estão ensinando em seus púlpitos que o que vale é a experiência, é o sentir, é a emoção, mas completamente longe do ensino que gera vida, transformação e alegria real na presença de Deus. As Escrituras não falam tudo de tudo, mas contêm tudo que Deus deseja que saibamos sobre Seu amor e Sua salvação e acerca da reação requerida de nós diante dEle. Observe-a!
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Parecido com o Melhor de Todos

Pr. Clodoaldo Machado
Um
ensino claro na Bíblia é que os crentes em Cristo Jesus devem ser como
Ele. Ser parecido com Jesus é uma frase que muitos crentes já ouviram,
para não dizer que já disseram. Paulo escreveu aos Romanos: “Porquanto
aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho,
a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29,
ênfase acrescentada). Deus estabeleceu Jesus como o modelo que o
agrada, aliás, em duas oportunidades Ele falou que Jesus é o Seu Filho
amado em quem tem prazer (Mt 3.17; 17.5). Portanto não é segredo para o
crente que Deus tem o propósito de torná-lo semelhante a Jesus.
Se
devemos então ser como Jesus devemos compreender como foi a vida dEle,
apesar de parecer um tanto óbvio dizer que todo crente deve
compreender como foi a vida de Jesus. Parece também ser redundante, já
que a maioria dos crentes afirma compreender muito bem como foram os
anos de vida de nosso Senhor entre nós. Lembram-se do seu nascimento
virginal, de sua tentação, dos milagres que operou, do seu sofrimento na
cruz. De forma geral parece que a vida de Jesus está na memória de
todo crente, até mesmo de alguns que não confiam nEle. Alguém, porém,
disse com sabedoria que é preciso compreender não somente o que a
Bíblia diz, mas também o que ela quer dizer quando diz o que diz. Isto é
verdade sobre a forma como Jesus viveu, muitos sabem dos fatos
acontecidos em sua vida, no entanto ficam aquém dos ensinos ali
ministrados.
Olhemos
para o relato bíblico sobre as horas que antecederam a crucificação.
Mateus 26.36-45, conta-nos que após ter deixado o cenáculo, onde havia
comido com os discípulos a última páscoa, Jesus foi ao Getsêmani. Seu
propósito era orar. Era por volta da meia noite e nosso Senhor começava
a sentir o sofrimento da crucificação e resolveu então falar com o Pai
em oração. Neste período, o Filho amado de Deus revelou detalhes de
seu relacionamento com o Pai. Nesta revelação podemos compreender uma
parte de como foi sua vida neste mundo e dar um passo adiante na
compreensão do que significa ser como Jesus.
Profundamente triste
Mateus
conta-nos no versículo 37 que Jesus começou a entristecer-se e a
angustiar-se. A consciência do que estava para acontecer fez com que
Ele sofresse antecipadamente. João escreveu que Jesus sabia todas as
coisas que estavam para vir sobre Ele (Jo 18.4). Nada do que estava para
acontecer naquelas horas que se seguiriam era surpresa para o nosso
Senhor. Ali naquele jardim Ele começou a sofrer e a angustiar-se. Era
uma dor emocional profunda a ponto de levar o suor de Jesus a se tornar
como gotas de sangue (Lc 22.44). Sob tensão emocional vasos capilares
subcutâneos se rompem levando o sangue a se misturar com o suor e a sair
pelas glândulas. Seu sofrimento era intenso. Sabendo que estava para
receber a ira de Deus por causa de nossos pecados, Jesus sofreu e
angustiou-se. No versículo 38 Jesus verbaliza a Pedro, João e Tiago o
quanto estava sofrendo: “Então, lhes disse: A minha alma está
profundamente triste até à morte.” Nosso modelo neste mundo passou por
profundo sofrimento.
O
que isso significa para nós? Ser um crente em Jesus significa ter
sofrimento neste mundo, significa ter momentos de angústia profunda. Se
somos chamados a ser como Ele, e se Ele passou por isso, significa que
também podemos passar. Deus pode ter em seus planos momentos de
sofrimento e angústia para nós. Jesus, por exemplo, falou que mostraria a
Paulo o quanto lhe importava sofrer pelo seu nome (At 9.16). O próprio
Paulo, junto com Barnabé, ensinava os crentes que através de muitas
tribulações é necessário entrar no reino dos céus (At 14.22). Pedro
escreveu que fomos chamados para isto, ele afirmou que Cristo sofreu em
nosso lugar, deixando-nos o exemplo para seguirmos seus passos (1Pe
2.21). É certamente claro que nosso sofrimento nunca se assemelhará ao
de Jesus. Ele não tinha pecados e passava por um sofrimento injusto.
Nosso sofrimento é de alguma forma justo, pois somos pecadores. Se Jesus
sofreu e angustiou-se é possível que também passemos por isso neste
mundo.
Submissão total
Mateus
também registra um pedido que Jesus fez ao Pai. O versículo 39 relata
que Jesus adiantou-se um pouco, e prostrado sobre o rosto orou: “Meu
Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu
quero, e sim como tu queres.” Temos mais um exemplo precioso daquele
que é nosso modelo. Ele foi submisso ao Pai. Em uma atitude de total
dependência e submissão Ele pediu ao Pai que, se possível, fosse
afastado dele o cálice que estava para beber. O cálice não era a dor
física que Ele estava para sentir, muitos passaram e ainda passam pela
dor da crucificação. Isso não era o pior para Ele. O cálice também não
era o temor dos homens que estavam para o prender. Ainda que fossem maus
e estivessem prestes a demonstrar toda a ira que sentiam sobre Ele,
Ele não os temia. Jesus havia dito aos seus discípulos que não temessem
aqueles que matam o corpo e nada mais podem fazer (Lc 12.4). Nesta
hora Ele não temeria aqueles que havia ensinado seus discípulos a não
temer. O que Jesus temia naquele momento não era a dor física, também
não era o que as pessoas poderiam fazer com Ele. Ele temia a ira de
Deus pela qual teria que passar. O cálice era muito pesado e Ele pediu
para não beber. Não pode haver coisa pior do que estar separado da
comunhão com Pai, e era isso que estava para acontecer. Jesus receberia
a ira de Deus na cruz e Ele pediu que isso não acontecesse caso fosse
possível.
Nosso
Senhor, entretanto agiu em perfeita submissão. Ele não fez exigências,
não determinou a Deus o que deveria acontecer, Ele não repreendeu
qualquer demônio naquela hora. Jesus simplesmente pediu ao Pai e
afirmou: “Todavia não seja como eu quero, e, sim, como tu queres”
(v.39). Que exemplo de submissão! Ele sabia que estava para acontecer
algo terrível, algo que estava lhe causando profunda tristeza, no
entanto Ele disse que não importava sua vontade, mas a do Pai. A maior
dor que qualquer ser humano possa sentir não se aproxima à que Jesus
sentia naquela noite no Getsêmani, e Ele aceitaria passar por ela se
fosse a vontade do Pai.
Ser
como Jesus é também ter que se submeter integralmente a Deus. É ter
que confiar que Ele fará sempre o que for melhor para seus servos,
incluindo momentos de sofrimento. Jesus naquela hora estava cumprindo
aquilo que havia dito aos seus discípulos dias antes quando afirmou que
não tinha vindo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em
resgate por muitos (Mt 20.28). Paulo disse que Ele se esvaziou assumindo
a forma de servo (Fl 2.7). A palavra usada para servo no grego
significa literalmente escravo. Escravos não têm vontade própria.
Escravos são em tudo obedientes aos seus senhores. Escravos vivem com um
único propósito que é fazer a vontade de seu senhor. Escravos eram
inclusive punidos até mesmo com a morte se ousassem desobedecer a seus
senhores. Foi isso que Jesus se tornou um servo, em tudo obediente ao
Pai.
Somos
chamados a ser servos de Deus. Somos seus escravos, não temos vontade
própria. Ele decide tudo sobre nossas vidas. Seguir o exemplo de Jesus
significa submeter-se totalmente e a Deus, sabendo o que isto
significa. A vontade de Deus para nossa vida pode incluir coisas que não
gostamos. Talvez situações pelas quais não imaginemos ter que passar
possam ser a vontade de Deus para nós. Pedro escreveu que Deus pode
desejar que soframos (1Pe 3.17). Quando pensam que devem se submeter a
Deus, muitos crentes não consideram que Jesus foi submisso ao Pai até a
morte e morte de cruz. Ser como Jesus é estar disposto a passar pelo
que Ele passou. O apóstolo Paulo entendeu isso perfeitamente. Quando
escreveu aos filipenses ele disse que havia considerado todas as coisas
como refugo e desta forma ter a comunhão dos sofrimentos de Cristo,
conformando-se com Ele na sua morte (Fl.3.10). Ser como Jesus não inclui
somente a glória nos céus, significa que o caminho até lá é estreito e
difícil de andar por ele.
Resposta negativa
Mateus
fala que Jesus orou três vezes e em todas ele repetiu as mesmas
palavras (v. 44). Aqui temos algo maravilhoso a respeito de nosso
Senhor. Ele recebeu uma resposta negativa. O Filho Amado de Deus,
aquele em quem o Pai tinha prazer recebeu “não” como resposta. O Filho
que ouviu o Pai certa vez dizer-lhe “pede-me, e eu te darei as nações
por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Sl 2.8),
agora ouviu o Pai dizer-lhe “não” a um pedido que lhe havia feito. Jesus
terminou a oração e voltou a encontrar seus discípulos e numa
demonstração de conformidade com a resposta recebida disse: “Eis que é
chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de
pecadores” (v. 45). Deus havia dito a Ele que não atenderia seu pedido e
Ele não se queixaria disso.
Ser
como Jesus é também estar preparado para ouvir Deus dizer-nos “não”.
Creio que muitos dos que são chamados de cristãos não conhecem a Deus
de fato, pois o vêem como alguém que lhes fará tudo o que quiserem e na
hora que pedirem. Portam-se como crianças mimadas que exigem resposta
rápida e positiva. É lamentável, mas muitos dos que chamam a Deus de
Senhor não entrarão no reino dos céus, pois não O conhecem
verdadeiramente. Aquilo que chamam de Senhor não é o Deus da Bíblia. O
Deus da Bíblia nos chama de seus servos e muitas vezes nos diz “não” aos
pedidos que lhe fazemos. Ele sabe o que é melhor para nós e por isso
não nos atende em tudo o que lhe pedimos. O apóstolo Paulo experimentou
isso. Ele estava sofrendo numa situação a que ele chamou de espinho na
carne. Era algo ruim, doloroso, difícil de passar. Paulo conta-nos que
três vezes pediu ao Senhor que o livrasse daquele problema, mas a
reposta para ele foi negativa. O Senhor disse a Ele que a graça lhe
bastava (2Co 12.7-9). Paulo não se frustrou com Deus, não entrou em
depressão, não chorou pelos cantos da igreja procurando chamar a atenção
das pessoas para o seu problema, pelo contrário o apóstolo, que
afirmou ser um imitador de Cristo, disse: “De boa vontade, pois, mais
me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de
Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas
necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo.
Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.9-10). Ser
como Jesus é aceitar “não” como resposta.
Que
diferença esta verdade de tantas falácias que são ditas em nossos dias
sobre Deus. Deus é apontado como alguém que está a disposição para
fazer tudo o que pecadores quiserem, basta ordenar que Ele faça, basta
que determinem e Ele os atenderá. Se o melhor dos filhos, aquele que
nunca desobedeceu, nunca pecou, foi tentado em todas as coisas e
permaneceu irrepreensível, ouviu o Pai dizer-lhe “não”, por que nós
pecadores não compreendemos quando Ele nos diz “não” também?
Não
gostamos de ouvir “não”, parece ser uma palavra que dói nos ouvidos. É
uma palavra que desde quando éramos crianças irrita-nos. Devemos
lembrar, entretanto que a verdade desta palavra é muito importante no
relacionamento com Deus. Mesmo quando não havia pecado na humanidade
Deus a usou. Nossos pais Adão e Eva estavam na perfeição do jardim e
Deus lhes disse: “da árvore do conhecimento do bem e do mal não
comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn
2.17). A base do relacionamento deles com Deus estava em compreender o
significado daquele “não”. Quando entregou os dez mandamentos, em oito
deles Deus usou a Palavra “não”. Será que isso não nos comunica nada?
Nosso Deus diz-nos com freqüência a palavra que talvez menos gostamos de
ouvir: “não”! Ser como Jesus é saber desta realidade e seguir a Deus
como Ele é de fato e não como queremos que seja.
Jesus
falou sério quando disse o que significava segui-lo. Andar após Ele
não é como um passeio no bosque, não é como caminhar a beira-mar
ouvindo o barulho das ondas e observando uma bela paisagem. Ele disse
que o caminho é apertado e poucos se acertam com ele. Ele disse que
segui-lo é ser contrariado todos os dias. Ser como Ele é saber que
haverá sofrimento e angústia; ser como Ele é estar disposto a ser
submisso a Deus em tudo; ser como Ele é ter a disposição de ouvir uma
das mais dolorosas palavras, “não”.
No mercado da fé: até consórcio para quem quer viajar a Israel
A
busca pela proximidade com Deus está criando no Brasil um lucrativo
mercado de viagens religiosas. São mais de 3,5 milhões de passeios por
ano realizados fora do país, segundo estimativas do Ministério do
Turismo. Um dos locais mais visados é Israel. Grupos religiosos chegam a
formar agências de viagens e mesmo oferecer consórcios para os fiéis.
Só em 2012, 60 mil brasileiros foram para Jerusalém por questões religiosas, de acordo com o Ministério de Turismo de Israel.
Um dos casos curiosos é o do apóstolo
Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, de Manaus.
Ele lidera um dos maiores movimentos neopentecostais do país, tendo
seguidores inclusive no Espírito Santo.
Além de pastor, é dono da agência Terra
Nova Group, responsável em realizar as peregrinações para Israel. Em
suas mensagens no YouTube, o apóstolo afirma que é necessário que todo o
cristão vá pelo menos uma vez para Israel. O líder também estabelece a
cada um dos pastores uma meta de no mínimo 10 pessoas que devem ser
conquistadas para as caravanas.
No
site da agência, além da contratação do pacote de viagens, que custa em
média US$ 5 mil (R$ 10 mil), o consumidor pode contratar consórcio, sem
consulta ao SPC e à Serasa, com carta de crédito de R$ 7 mil a R$ 10
mil. O fiel interessado pode pagar o consórcio em 12 ou 48 prestações.
Apesar de mostrar as condições do
consórcio, o site não disponibiliza contrato nem explica qual é o órgão
responsável pelo produto de valores mobiliários. Para conseguir
informações, a reportagem ligou para a agência em Manaus, e a atendente
disse que lá funcionava a Embaixada de Israel.
Outro lado
A GAZETA também contatou o diretor de
Caravanas da agência, Marcus Almeida. Segundo ele, o consórcio do Terra
Nova Group foi adaptado e pertence ao Banco Rodobens. “Pegamos um
consórcio de serviços e demos o nome de Consórcio de Israel”.
A operação, garantiu, é legal. E ao
realizar caravanas, o grupo visa a incentivar a ida à Terra Santa. “Ir
para Israel é inevitável. Nós incentivamos todos a irem para lá, mas não
obrigamos a comprar conosco. As metas estabelecidas não são comerciais e
sim espirituais”.
Almeida acrescenta que o contrato do
consórcio é fechado junto à Rodobens e que a atendente errou ao falar
Embaixada de Israel. Ele explica que o nome certo é Embaixada Cristã de
Jerusalém. “Com o consórcio, apenas buscamos facilidades para as
pessoas. Somos os maiores divulgadores de Israel no país. Já chegamos a
levar 3,5 mil pessoas para lá em um ano. Neste ano, devemos levar mil
pessoas”.
Segundo a Embaixada de Israel, não há
autorização para que nenhuma entidade utilize o nome do órgão por
questões religiosas nem comerciais.
A instituição também explica que brasileiros gastam em média US$ 3,5 mil (R$ 7 mil) para viajar ao país.
Em nota, a Rodobens declara que não
possui nenhum tipo de relação com a instituição denominada Terra Nova
Group, desconhecendo totalmente eventual oferecimento de consórcio por
essas pessoas em seu nome. O banco diz também não autorizar o uso de
seus produtos por meio de sua rede de prestadores de serviços e
parceiros comerciais.
A rede da fé
Kit comunhão
No YouTube apresenta o kit comunhão, que
vem com artigos para a “Santa Ceia” e óleo ungido. O pacote custa R$
300 e promete ajudar pessoas com problemas espirituais, emocionais, de
depressão, questões financeiras, entre outras questões.
Cartão de crédito
Várias igrejas oferecem cartões de
crédito para os fiéis. Algumas afirmam disponibilizar um cartão
missionário, com o dinheiro arrecadado seria possível levantar recursos
para realizar missões, como é o caso da Assembleia de Deus.
Lojas virtuais
Igrejas ou empresas ligadas a
denominações religiosas também realizam o comércio de produtos, como
CDs, canecas, chaveiros e artigos religiosos. No ramo católico
carismático, o Canal Canção Nova tem uma loja virtual na internet para
vender produtos e arrecadar recursos para a construção do Santuário do
Pai das Misericórdias.
Feiras
Tanto no ramo católico quanto cristão
evangélico, são realizados eventos como feiras. No setor católico, há
caso de roupas e batinas para padres que chegam a custar R$ 7 mil. No
nicho evangélico neopentecostal, as feiras, além de Bíblias eletrônicas
semelhantes a um MP4, são vendidas até pílulas de emagrecimento
milagroso.
Sites de compras coletivas
O mercado da fé tem mexido até com o
setor de compras coletivas. Um grupo criou o Clube das Ovelhas, que
vende livros e diversos produtos gospel.
Shopping do Pastor
Para pastores que estão fundando suas
igrejas, há páginas na internet que oferecem produtos como manto
sagrado, chaves da bênção, galão de água consagrada ou outros objetos
neopentecostais.
O outro lado: Igrejas se calam
A reportagem, durante a última semana,
procurou pastores e líderes das igrejas. Silas Malafaia, segundo a
assessoria de imprensa, estaria com a agenda cheia e não teria como dar
entrevistas. Para a Mundial do Poder de Deus, foi enviado e-mail, feitas
ligações para a igreja, para o setor administrativo e para a
comunicação, e nenhuma resposta foi enviada. A Igreja Internacional
também não respondeu aos e-mails e aos telefonemas. A Universal também
foi procurada, mas não respondeu aos e-mails nem retornou às chamadas. O
canal Canção Nova, também consultado pela reportagem, não respondeu aos
questionamentos apresentados.
***
Catedral e o juízo gospel – por Ricardo Alexandre
“Uma
manchete um tanto malandra e o rastro de destruição estava feito. Mais
um capítulo do livro “Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar”
Apesar de haver me convertido ao
cristianismo de tradição protestante antes mesmo de começar a escrever
profissionalmente, sempre fui desconfiado de qualquer coisa parecida com
o que é conhecido como segmento “gospel”. Nunca cogitei me alinhar com
tal target nem como profissional muito menos como consumidor e, se você
me permite generalizar, sempre achei que a música evangélica era, no
fundo, uma saída fácil para que artistas sem chance no mundo pop
pudessem dar seus autógrafos, ter seus produtos licenciados e viver seu
sonho de star. O chamado “rock gospel” do início dos anos 1990 não
diminuiu minha antipatia, muito pelo contrário. Música para mim sempre
foi assunto sagrado demais para ser profanada por pseudos.
Mas aconteceu que em 1999 a gravadora
WEA anunciou a contratação do grupo carioca Catedral, embalado naqueles
típicos projetos de marketing vergonhosos vindos de grandes gravadoras: a
multinacional queria oferecer a banda como uma espécie de substituta da
Legião Urbana, especialmente do lado mais espiritualizado e
“conselheiro” da banda de Brasília – dali alguns anos, de fato
contrataria o tecladista da Legião, Carlos Trilha, para produzi-los e
reforçar a conexão. Do lado do quarteto evangélico, o desejo declarado
era romper com o mercado dito gospel e avançar para o mercado dito
secular, passo que se anunciava já havia alguns anos, em músicas cuja
temática religiosa eram mascaradas em letras de amor.
O Catedral havia surgido em 1988 fazendo
um som que em nada lembrava a Legião nem suas matrizes estéticas. Mas
encontrou seu nicho de mercado no mesmo balaio que deu certa (má) fama
ao grupo Cogumelo Plutão, por exemplo, o de pretensos estepes do grupo
de Brasília. Em tempos em que o “serviço de implantação de novos
produtos no mercado” andava de vento em popa entre as gravadoras e as
rádios, a música “Eu quero sol nesse jardim” já tocava em FMs jovens.
Nem a Legião Urbana soaria tão caricaturalmente Legião Urbana quanto
naquela balada de violãozinho com vocal empostado e letra sobre jardins,
luz da manhã e azul do céu. Marcelo Bonfá chamou o grupo de “cópia
paraguaia”; Dado Villa-lobos de “Denorex” (o xampu do slogan “parece,
mas não é”).
Recebi o disco na redação da Usina do
Som e encomendei ao talentoso repórter Ricardo Pieralini que visitasse o
Catedral e descobrisse aonde eles queriam chegar com tudo aquilo.
Lembro de tê-lo advertido de que dinheiro era a menor das tentações, uma
vez que o mercado gospel já era muito mais promissor do que o mercado
secular, realidade que só se acentuou nos anos seguintes. E o repórter
foi em sua missão.
Pieralini voltou dizendo que, sem
compartilhar da minha desconfiança, não havia encontrado nada além do
que encontrava em todo artista que entrevistava: quatro pessoas querendo
atingir um número sempre maior de pessoas. Na verdade, penso hoje eu, o
Catedral tentava fazer na época, com o talento de que dispunham, o que
um número razoável de bandas cristãs brasileiras tenta fazer atualmente:
dar um passo fora do seguro target gospel, dialogar com a sociedade, e
influenciá-la como fizeram Bob Dylan ou o U2. Mas o Catedral não sabia
se explicar e ninguém parecia muito interessado em entendê-los.
Tínhamos, pelo menos um título chamativo – ou apelativo, se você
preferir, para buscar audiência na home do site, àquela altura o maior
sobre música da América Latina, com mais de um milhão de usuários
cadastrados: “A igreja é uma merda”.
No terceiro ou quarto parágrafo do
texto, a um clique de distância, a frase era explicada. A banda dizia,
ou queria dizer, que, artisticamente, manter-se restrito ao circuito
formado por frequentadores de igreja, é um beco sem saída, é restritivo,
uma porcaria, um cocô, uma merda. Foi um título maldoso, não posso
negar, minha máxima culpa. Não mais maldoso do que as maldades que eu já
reservei ao Cidade Negra, é verdade, mas ainda assim pilantra, um tipo
de manchete que só se explica no meio do texto, uma técnica que eu me
recusei a repetir desde então, por mais ingênuo e despreparado que seja o
artista que deixa escapar uma frase como essa.
A diferença entre o Cidade Negra e o
Catedral é que a maldade em direção a estes me levaram a conhecer as
profundezas do farisaísmo gospel. A “notícia” de que o Catedral haveria
“renegado”, “apostatado” e “zombado do corpo de Cristo” grassou com uma
velocidade absurda, sem tempo para contextualizar a frase infeliz.
Aquele foi o conteúdo mais acessado do site até então. Lembro de, no
sábado, dia seguinte à publicação, descendo em direção ao litoral, ter
cruzado com nada menos do que três rádios evangélicas repercutindo a
notícia, nunca consultando a banda, sempre em tom de impiedade e
condenação. A gravadora MK Publicitá, responsável pelo lançamento dos
seis álbuns anteriores do grupo, aproveitou para fazer marketing e
anunciou imediatamente o recolhimento dos álbuns, por causa da “quebra
de compromisso” do grupo com a igreja. Vários pastores e músicos vieram a
público praticar o velho esporte de arvorarem-se santos diante do que
supunham ser o desvio dos outros.
A repercussão foi tanta, e as pressões
da gravadora tamanhas contra um site que, de fato, dependia da simpatia
das companhias, que decidimos tirar a reportagem do ar na segunda-feira,
deixando um rastro impressionante de destruição.
Combinei com Pedro Só, meu diretor, que
eu em pessoa conduziria uma grande reportagem sobre o mercado gospel –
desde aquela época sinônimo de audiência e controvérsia, tudo pelo que
babávamos diariamente. Seria a primeira vez em sete anos de carreira que
eu escreveria algo relacionado a religião.
Meus primeiros entrevistados foram
justamente os músicos do Catedral (o fair-play em me receber
cordialmente, em meio à tormenta em que se meteram, é gesto de nobreza
de espírito que me impressiona até hoje). A partir dali mergulhei no
enxofre: travei uma hora de conversa surreal com a bispa Sônia Hernandes
em que ela começava tentando me convencer de suas boas intenções em
registrar a palavra “gospel” em seu nome e terminava chorando
nervosamente; me impressionei com o pensamento vivo de Yvelise de
Oliveira, dona da MK Publicitá, segundo o qual os desejos mais elevados
de todo artista gospel não eram maiores do que dar autógrafo e tirar
fotos ao lado dos fãs; e fui verdadeiramente iluminado por uma
professora de música numa faculdade de teologia batista, quando ela me
chamou a atenção para o macaqueamento dos modelos americanos entre os
góspeis brasileiros.
Guardo essas entrevistas em cassete até
hoje. Teria rendido uma reportagem histórica, mas a bolha da internet
estourou e os jornalistas com os salários mais altos foram os primeiros a
serem cortados de suas redações. O Catedral lançou outros discos pela
WEA, frequentou o Disk MTV e o Rock Gol, tornou-se ainda mais parecido
com a Legião Urbana, processou a MK Publicitá, ganhou, e entrou na
década de 2010 com um trânsito razoável entre os dois mercados. (O
gospel brasileiro é o único gênero musical em que os próprios artistas
pensam em termos de “mercado” como se fosse um contingente artístico).
Os músicos brasileiros de matriz cristã consideram o evento “Usina do
Som” como um marco para que outros nomes se acovardassem em dar o passo
fora de seu segmento. A Usina do Som, gastando em banda pelo sucesso de
público e sem ideia de como reverter isso em receita, foi diminuindo de
tamanho até fechar em 2005, justamente o ano do advento da web 2.0. E eu
aproveitei o tempo livre para finalmente terminar meu primeiro livro,
Dias de luta: O rock e o Brasil dos anos 80.
Ricardo Alexandre
BOAS INTENÇÕES QUE LEVAM A MORTE
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Por Pr. Silas Figueira
2Sm
6. 1-23
A Bíblia nos relata que
o Rei Davi depois que se estabeleceu como rei de Israel, quis trazer a Arca do
Senhor que estava na casa de Abinadabe para Jerusalém. Só que nesse percurso
ouve um incidente que marcou a sua vida, é que Uzá, um dos que estavam guiando
o carro que trazia a Arca do Senhor quando viu que o boi havia tropeçado e a
Arca estava para cair, ele colocou a mão nela para evitar que isso ocorresse. O
texto bíblico relata que Uzá, por ter feito isso, o Senhor o matou. A narrativa
bíblica é muito clara em relação a isso, veja: “Quando chegaram à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e a
segurou, porque os bois tropeçaram. Então, a ira do SENHOR se acendeu contra
Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverência; e morreu ali junto à arca de
Deus” (2Sm 6.6,7). Porque Deus
fez isso com um homem tão bem intencionado? Havia naquele ambiente temor e
tremor diante de Deus. As pessoas ali, a começar pelo próprio rei, estavam
alegres e cultuando a Deus levando a Arca para Jerusalém, e de repente Deus se
levanta com ira santa e mata aquele homem. Porque isso ocorreu? Porque a ira de
Deus se acendeu contra Uzá? Durante muito tempo eu me questionei a respeito
desse texto até o dia em que eu parei de questionar e procurei em oração
estuda-lo e descobri porque isso tudo ocorreu. Vamos analisar esse texto e
observar as lições que esse episódio tem para nos ensinar e que se adapta muito
bem para os dias de hoje, mas para isso temos que retornar cerca de oitenta
anos, no tempo do sacerdote Eli.
O contexto histórico. Na
época do sacerdote Eli os seus dois filhos Hofni e Finéias, que eram também
sacerdotes, estavam em pecado. Apesar de eles serem responsáveis em levar o
povo a cultuar a Deus e interceder por ele, estes dois sacerdotes estavam
agindo na contra mão das suas funções. Além de menosprezarem o sacrifício a
Deus oferecido pelo povo, eles também se deitavam com as mulheres que serviam à
porta da tenda da congregação (1Sm 2.12-17, 22-26). O Senhor então falou para o
sacerdote Eli que sua família não continuaria mais no sacerdócio e o sinal que
Eli receberia como prova de que isso provinha do Senhor era que os seus dois
filhos morreriam no mesmo dia, pois Eli honrava mais aos seus filhos que a Deus
(1Sm 2.27-34). Entenda uma coisa, os filhos do sacerdote Eli eram sacerdotes,
mas eram homens que segundo a Bíblia, eram filhos de Belial, ou seja, eles eram
homens sem valia ou rebeldes. Homens que não se importavam com o Senhor (1Sm
2.16).
Nesse período, houve
uma guerra entre Israel e os Filisteus. Na primeira batalha os filisteus
venceram (1Sm 4.2), então os israelitas tiveram a brilhante ideia de levar para
o campo de batalha a Arca do Senhor, pois para eles, aquela batalha havia sido
perdida porque o Senhor não estava com eles através da Arca. Observe o texto: “Mandou, pois, o povo trazer de Siló a arca
do SENHOR dos Exércitos, entronizado entre os querubins; os dois filhos de Eli,
Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da Aliança de Deus” (1Sm 4.4). Para
o povo a Arca da Aliança representava somente um patuá, um amuleto, pois eles
não entendiam que a manifestação da glória do Senhor no meio do seu povo vinha
de uma vida consagrada e o Senhor não tem compromisso com quem não tem
compromisso com Ele. No entanto, o povo era o reflexo do que era o ofício
sacerdotal naquela época. Sacerdotes de si mesmos e não do Deus Altíssimo.
Sacerdotes segundo a vontade do povo e não segundo os princípios estabelecidos
por Deus em sua Palavra. Não eram diferentes dos líderes que temos visto nos
dias de hoje. Como disse Judas, irmão de Jesus em sua epístola a respeito dos
líderes que estavam se levantando em sua época: “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de
ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá.
Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade,
banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se
apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação
dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas; ondas bravias
do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as
quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre” (Jd 11-13). E este
mesmo espírito está até hoje em nosso meio, agindo na vida e no ministério de
muitos líderes por aí.
Como Deus não compactua
com o pecado e para cumprir a Sua Palavra já antes anunciada ao sacerdote Eli,
os israelitas perderam a batalha, os seus dois filhos morreram e a Arca do
Senhor foi levada pelos filisteus. Quando a notícia chegou a Siló, o sacerdote
Eli que estava assentado numa cadeira ao pé do caminho, pois temia pela Arca do
Senhor, quando soube que a Arca havia sido tomada pelos filisteus, caiu para
trás, quebrou o pescoço e morreu, pois era um homem pesado e idoso, ele tinha
noventa e oito anos. Ele havia julgado Israel por cerca de quarenta anos. A
nora do sacerdote Eli, esposa de Finéias, quando soube que a Arca havia sido
tomada, que seu sogro havia acabado de falecer e que seu marido havia morrido
também; ela, que estava para dar a luz teve seu filho naquele momento, mas não
se alegrou com o nascimento do filho e ainda pôs o nome dele de Icabô, que quer
dizer: “Foi-se a glória de Israel”
(1Sm 4.12-22). Tudo isso devido a consequência do pecado de um pai que não
ousou com autoridade repreender seus filhos, por deixa-los exercendo o
sacerdócio e ainda permitir levar a Arca da Aliança para o campo de batalha
mesmo depois de ter ouvido o que o Senhor lhe havia dito.
A Arca ficou na terra
dos filisteus por cerca de sete meses (1Sm 6.1). Nesse período eles foram
atacados por várias enfermidades e pragas de ratos que estavam destruindo a
terra (1Sm 6.5). Diz a Bíblia que lhes nasceram tumores e
muitos morreram devido a isso. A Arca do
Senhor foi então enviada para cinco cidades diferentes e onde a Arca chegava
isso ocorria. Então resolveram devolver a Arca aos israelitas com uma oferta de
cinco ratos e cinco tumores ambos de ouro dentro de um cofre, representando os
males que os estavam assolando. Colocaram em um carro novo guiado por duas
vacas com crias. Diz-nos as Escrituras que elas foram em direção à terra dos
israelitas andando e berrando, mas sem se desviarem nem para a direita nem para
a esquerda (1Sm 6.12). Por fim chegou ao território dos israelitas e a Arca
ficou na casa de Abinadabe e consagraram seu filho Eleazar para guardar a Arca
do Senhor (1Sm 7.1).
Nos dias do rei Davi. Passaram-se
cerca de oitenta anos, Davi já estava estabelecido como rei em Israel, então
ele propôs em seu coração trazer a Arca do Senhor que estava na casa de
Abinadabe em Quiriate-Jearim (1Cr 13.5), para Jerusalém. Nesse percurso houve
então esse incidente e nos diz a Bíblia que Davi muito se desgostou por isso
ter ocorrido. Mas a questão é, porque isso ocorreu já que o rei estava tão bem
intencionado? Vamos mostrar os erros que Davi cometeu passo a passo e os erros
que as outras pessoas cometeram também.
Primeiro erro: Davi foi
consultar ao povo e não a Deus (1Cr 13.1-4).
“Consultou
Davi os capitães de mil, e os de cem, e todos os príncipes; e disse a toda a
congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do SENHOR, nosso Deus,
enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos em todas as
terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos
seus arredores, para que se reúnam conosco; tornemos a trazer para nós a arca
do nosso Deus; porque nos dias de Saul não nos valemos dela. Então, toda a
congregação concordou em que assim se fizesse; porque isso pareceu justo aos
olhos de todo o povo.”
Davi agiu como alguns
tipos de líderes que querem estar bem com o povo, fazer a vontade deles e ao
mesmo tempo ver se a sua vontade está de acordo com o gosto dos liderados. E
ainda usam o nome de Deus para satisfazerem o seu egocentrismo. Observe o final
do texto: “porque isso pareceu justo aos olhos
de todo o povo”, ou seja, as pessoas é que estavam
ditando o que queriam. O que mais temos visto hoje em dia são igrejas ao gosto
do freguês, e esse tipo de “igreja” é formada por pessoas que não tem
compromisso com Deus, mas com o seu prazer e suas vontades. Os líderes por sua
vez são os balconistas que estão para servi-los e agrada-los.
Segundo erro: Davi
trouxe a Arca do Senhor imitando os filisteus (2Sm 6.3).
“Puseram
a arca de Deus num carro novo e a levaram da casa de Abinadabe, que estava no
outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo.”
Isso deu certo com os
filisteus, mas não foi isso que a Lei determinava. A Arca deveria ser levada nos
ombros pelos levitas e não em carro novo:
“Também
lhe farás moldura ao redor, da largura de quatro dedos, e lhe farás uma
bordadura de ouro ao redor da moldura. Também lhe farás quatro argolas de ouro;
e porás as argolas nos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés. Perto da
moldura estarão as argolas, como lugares para os varais, para se levar a mesa”
(Êx 25.25-27).
“Os
filhos dos levitas trouxeram a arca de Deus aos ombros pelas varas que nela
estavam, como Moisés tinha ordenado, segundo a palavra do SENHOR” (1Cr
15.15).
Outro detalhe importante, não era
qualquer levita que podia levar a arca, deveria ser os filhos de Coate (Nm 4).
Somente os coatitas que podiam lidar com as coisas santíssimas. Hoje em dia tem
gente que pensa fazer tudo de qualquer maneira passando a frente dos
verdadeiros responsáveis na igreja. Todo mundo pensa que pode ser pastor e vai
por aí a fora. Outra coisa a Arca deveria ser coberta e quem pusesse a mão nela
morreria (Nm 4.15). Uzá sofreu as consequências do que já estava escrito na Lei
do Senhor. Tem gente que lê a Bíblia e pensa que o que está nela não é bem
assim, que as coisas hoje estão diferentes, e vai por aí. Cuidado, com Deus não
se brinca! Os filisteus simbolizam o mundo e Davi estava imitando o mundo. Mas
isso tem ocorrido em muitas igrejas hoje. Tem muitas igrejas se mundanizando,
ao invés de observarem a Palavra de Deus observam as últimas novidades e como
podem aplica-las em suas igrejas, são como os atenienses na época de Paulo, que
só queriam saber as últimas novidades (At 17.21). Recentemente eu vi uma igreja
que tinha um ringue de luta livre dentro dela, outra tinha lutas de capoeira.
Se a igreja pretende competir com o mundo em divertimento certamente irá
perder, primeiro porque a igreja não tem esse papel e segundo, a igreja foi
levantada para adorar a Deus e não agradar as pessoas. Devemos ir a igreja para
ouvir a voz de Deus e não uma palavra que nos agrade. Devemos ir a igreja
cultuar a Deus e não nos divertir. Para isso existem os cinemas, teatros e
shows dos mais diversos por aí. Quer se divertir vá para o mundo, quer adorar a
Deus vá a um culto. Eu não adoro a Deus imitando o mundo, mas negando a mim
mesmo e tomando a minha cruz. Foi isso que Jesus nos ensinou (Lc 9.23).
Terceiro erro: Uzá e
Aiô não quiseram contrariar o rei Davi. Esses dois
homens eram netos de Abinadabe, filhos de Eleazar, eles sabiam muito bem como
Arca deveria ser transportada e a maneira como o rei estava fazendo estava
totalmente errada. O rei deveria ser corrigido, mas nenhum deles deve coragem
de desafiar as suas ordens. Eles foram coniventes com o erro. Uma coisa é
administrar uma nação outra é culto a Deus. Eles foram completamente diferentes
dos sacerdotes da época do rei Uzias. Diz-nos a história bíblica que o rei Uzias
resolveu oferecer incenso no templo e foi barrado pelos sacerdotes (2Cr 26.16-20).
O texto nos fala assim:
“Mas,
havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e
cometeu transgressões contra o SENHOR, seu Deus, porque entrou no templo do
SENHOR para queimar incenso no altar do incenso. Porém o sacerdote Azarias
entrou após ele, com oitenta sacerdotes do SENHOR, homens da maior firmeza; e
resistiram ao rei Uzias e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar
incenso perante o SENHOR, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são
consagrados para este mister; sai do santuário, porque transgrediste; nem será
isso para honra tua da parte do SENHOR Deus. Então, Uzias se indignou; tinha o
incensário na mão para queimar incenso; indignando-se ele, pois, contra os
sacerdotes, a lepra lhe saiu na testa perante os sacerdotes, na Casa do SENHOR,
junto ao altar do incenso. Então, o sumo sacerdote Azarias e todos os
sacerdotes voltaram-se para ele, e eis que estava leproso na testa, e
apressadamente o lançaram fora; até ele mesmo se deu pressa em sair, visto que
o SENHOR o ferira.”
Aquele não era o papel do rei, ele
poderia ser rei, mas dentro da Casa do Senhor quem tinha autoridade eram os
sacerdotes. Eles desafiaram o rei e não permitiram tal atitude. Já Uzá e Aiô
não tiveram a mesma coragem e permitiram que o rei Davi fizesse o que bem lhe
agradara. O resultado com Davi foi morte de Uzá, já no caso de Uzias a lepra
recaiu sobre ele. Devemos seguir a Palavra para agradar a Deus e não aos
homens. Ainda que tais homens estejam revestidos de autoridade o que não nos
obriga a satisfazê-los e nem seguir as suas leis. Estamos vivendo uma época em
que muitas pessoas querem nos dizer como devemos adorar a Deus. Como devemos
ver o pecado, não como pecado, mas como algo natural e que não ofende a Deus;
afinal de contas Deus é amor. Estão tentando nos dizer como devemos educar
nossos filhos. Dizem-nos que o homossexualismo não é pecado contra Deus
(teologia inclusiva). Tentam até controlar o que fazemos com o nosso dinheiro
ensinando que o dízimo é coisa do AT com suas mais esdruxulas teologias. Pessoas
sem nenhuma autoridade espiritual tentando nos convencer a relativar a Palavra
de Deus. Pessoas assim agem da mesma forma que Satanás agiu com os nossos
primeiros pais (Gn 3). Mas nós não seguimos homens, o que nos direciona é a
Palavra de Deus, pois se não for assim geraremos morte e não vida.
Outro problema aqui detectado é o que
podemos chamar de culto à celebridade. Uzá e Aiô deixaram de cultuar a Deus
para cultuar o rei Davi. Fizeram uma celebração não ao Rei dos reis, mas a um
rei terreno e falho. Hoje o que mais se vê por aí é show e não culto a Deus. As
pessoas vão ao culto para ver o cantor famoso, a banda de sucesso, o pregador
das multidões, mas Deus que é bom mesmo não é cultuado.
Quarto erro: indiferença
para com as coisas de Deus. Aiô e Uzá eram netos de
Abinadabe e filhos de Eleazar. Os dois sacerdotes cresceram com a Arca em sua
casa e aquilo se tornou algo familiar para eles. O fato de toda a sua vida ter
conhecido a Arca aliando à geral indiferença poderia ter gerado neles
sentimento de excessiva familiaridade com a mesma. Eles não tinham zelo pelo
sagrado, aquilo se tornou corriqueiro para eles. Daí eles fizeram como o rei
queria, pois para eles aquilo não importava muito. Isso me chama a atenção para
a nova geração que está crescendo em nossas igrejas, principalmente filhos de
pastores que correm o mesmo risco de verem a igreja como um ganha pão do pai ou
ver o pai pastor como uma celebridade e que ele, como filho do pastor, podendo
fazer qualquer coisa na igreja e fora dela, pois ele é filho do “dono da
igreja”. E é exatamente isso que temos visto por aí. Filhos de pastores que não
tiveram ainda uma experiência de conversão e estão seguindo inclusive a
“carreira” do pai. A culpa de tudo isso, geralmente, são dos pais. Veja a
história do sacerdote Eli que é um bom exemplo disso e até mesmo das dos filhos
de Samuel posteriormente:
“Tendo
Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel. O
primogênito chamava-se Joel, e o segundo, Abias; e foram juízes em Berseba.
Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à
avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito”
(1Sm 8.1-3).
Muitas vezes o pastor
tem tempo para as famílias da igreja, mas não dá a devida atenção aos seus
próprios filhos. Filhos de pastor não são pastorzinhos e muito menos devem ser
tratados de forma diferente dos filhos dos membros da igreja. Isso é muito
sério.
E o que gerou tudo isso? Morte. Quem
anda na contra mão da Palavra de Deus tendo a responsabilidade de ensiná-la e
não a faz gera morte em sua vida e na vida dos outros. Deu não foi mau com Uzá,
Deus foi bom com o povo, pois se Ele não fizesse isso o erro continuaria e Ele
não compactua com o erro. Saiba de uma coisa, a Bíblia nos ensina como devemos
cultuar ao nosso Deus, mas tem muita gente querendo fazer do seu jeito. O
Senhor Jesus disse que devemos adorar a Deus em espírito e em verdade (Jo
4.23,24) e não com o espírito de mentira. Cuidado por onde você anda!
Devido a esse ocorrido, Davi deixou a
Arca na casa de Obede-Edom por cerca de três meses. E nos diz o texto sagrado
que a casa deste foi abençoada por causa da arca que estava em sua casa.
Observe que em momento algum as Escrituras dizem que a casa de Abnadabe foi
abençoada, mas nos diz que a casa de Obede-Edom e tudo que ele tinha foi
abençoado (2Sm 6.11,12). Sabe por que disso? Postura diante do sagrado.
Reverência diante das coisas de Deus. Isso faz toda diferença em nossas vidas
também.
Davi então resolve trazer a Arca para
Jerusalém, só que desta vez de forma correta. Os levitas a estavam trazendo em
seus ombros:
“Os
filhos dos levitas trouxeram a arca de Deus aos ombros pelas varas que nela
estavam, como Moisés tinha ordenado, segundo a palavra do SENHOR”
(1Cr 15.15).
Quais
foram as consequências dessa atitude correta em relação a Arca do Senhor?
Primeiramente Davi se
alegrou (2Sm 6.15). Desta vez não houve morte, mas
abundância de alegria na presença de Deus. Como disse Deus a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás
aceito?” (Gn 4.7a). Deus age de acordo com os seus preceitos
pré-estabelecidos em Sua Palavra, ou seja, Deus é lógico. E bem sabemos que o
salário do pecado é a morte (Rm 6.23). A Palavra de Deus é a nossa regra de fé
e prática, mas tem muitas pessoas que são meros expectadores e não praticantes.
O próprio Senhor Jesus falou para os saduceus que eles erravam por
desconhecerem as Escrituras e o poder de Deus (Mt 22.29). Esse desconhecimento
leva ao erro e o erro a morte. Mas quando conhecemos e praticamos temos
abundante alegria em nossas vidas.
Segunda coisa, Davi abençoou o povo (2Sm
6.18). Por
Davi estar abençoado ele tinha condições de abençoar as pessoas também. E isso
ocorre conosco também. O senhor nos chamou para sermos canal de bênção na vida
das outras pessoas. Quando Deus chamou Abraão para deixar sua terra, seus
parentes e amigos e seguir para um lugar que ele ainda não sabia ao certo onde
seria, para ali criar uma nova nação e estabelecer um povo para Deus, deu-lhe
uma recomendação nestes termos: "Sê
tu uma bênção". Tal imperativo definiu um perfil diferente na vida de
Abraão. Ser bênção, e não simplesmente viver à procura dela, faz uma grande
diferença. Muitos hoje perguntam por que a Igreja Evangélica no Brasil, que
tanto cresceu nas últimas décadas, não tem promovido as mudanças que
imaginávamos iria promover quando tivesse as oportunidades que tem hoje.
Arriscaria uma resposta simples: tornamo-nos consumidores religiosos com todos
os direitos que um consumidor tem.
Ao invés de ser bênção, queremos receber
bênçãos; usamos a igreja, a família e a sociedade para alimentar nossas
ambições mais mesquinhas. Não somos mais agentes de transformação; viramos
espectadores ingratos e exigentes. Ao invés de promover a prosperidade social,
transformamo-nos em parasitas sociais, querendo cada vez mais e melhor para nós
e não para os outros. A conversão é a transformação do ser passivo num ser
ativo; do paciente num agente; do parasita social num ser solidário; do
consumidor religioso num canal de bênção e cura para os outros. A solução para
as mazelas sociais que vivemos em nosso país não será conquistada por uma
Igreja que exige o melhor para si; que reivindica o direito de ser cabeça e não
cauda; que busca a sua prosperidade em detrimento da miséria dos outros.
A vida de muitos homens e mulheres de
Deus ao longo da História foi ricamente abençoada porque viveram dominados pelo
sentimento de dívida. Isso fez deles pessoas gratas, generosas, entregues,
corajosas. Não esperavam que os outros viessem consolá-los; eles consolavam. Não
viviam exigindo ou reivindicando direitos, mas carregavam um enorme senso de
dívida; não viviam aguardando que alguém fosse procurá-los - eles é que
procuravam. Eram bênção na vida dos outros e, consequentemente, eram
abençoados.
Ser bênção para a vida dos outros é
criar os meios para que a graça de Deus os envolva trazendo salvação,
reconciliação, cura e libertação. É criar os meios para que o cansado encontre
alívio, para que o doente ache consolo, para que o perdido seja achado. E usar
os dons e talentos que Deus nos deu para criar novas esperanças e para
alimentar a fé dos outros [1].
Terceira coisa: Davi foi abençoar a sua
casa (2Sm 6.20a). A manifestação da glória de Deus precisa estar em
nossa casa. Parafraseando uma palavra de Jesus que disse: “Que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua casa”. Há vários exemplos bíblicos de
pais que enfrentaram problemas familiares sérios, isso não é para nos mostrar
que ninguém está isento de problemas, mas acima de tudo, para nós vigiarmos e
evitarmos seguir os mesmos exemplos negativos que eles cometeram. A Bíblia é um
espelho e ela reflete a minha condição espiritual como também o da minha
família, mas ela reflete para concertarmos o problema e não só para
identifica-los. Há na Bíblia promessas de bênçãos sem medida para o nosso lar,
leia o Salmo 128 e você verá isso. Mas para que eu possa ser canal de bênção
para minha família é necessário eu ser uma pessoa abençoada, e de que forma eu
sou abençoado, andando em conformidade com Deus e com a Sua Palavra. Não
fazendo do Evangelho uma religião, nem uma filosofia de vida como muitos fazem,
mas tendo o Senhor Jesus como SENHOR em minha vida. Entregando-lhe a direção da
minha vida e deixando-o direcionar os meus passos assim como fez Rute a moabita:
“Faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver”
(Rt 1.17).
AS ADVERSIDADES
EXISTEM
Agora entenda uma coisa, não é por
andarmos de forma correta na presença de Deus que iremos agradar todo mundo. Quando
Davi foi para sua casa para abençoá-la ele encontrou resistência e até mesmo
rejeição pelo que havia feito. Mical, sua esposa, filha de Saul, não se agradou
nem um pouco com a atitude de Davi:
“Voltando
Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com
ele e lhe disse: Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos
olhos das servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um vadio qualquer!”
(2Sm 6.20).
Mas Davi lhe respondeu sem pestanejar:
“Disse,
porém, Davi a Mical: Perante o SENHOR, que me escolheu a mim antes do que a teu
pai e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do SENHOR,
sobre Israel, perante o SENHOR me tenho alegrado. Ainda mais desprezível me
farei e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste, delas
serei honrado” (2Sm 6.21,22).
Que tenhamos essa mesma postura diante
dos nossos opositores. Jesus já nos havia alertado que os nossos inimigos
seriam os de nossa própria casa:
“Não
penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim
causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora
e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt
10.34-36).
A vida cristã é feita de escolhas, se
escolhermos andar com Cristo seremos muitas vezes perseguidos, mas teremos a
Sua companhia conosco todos os dias. Como disse Pedro em sua carta:
“Amados,
não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos,
como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário,
alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo,
para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo
nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa
o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino,
ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas,
se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com
esse nome” (1Pe 4.12-16).
Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis a
Sua Palavra mesmo que venhamos sofrer perseguição. Que não venhamos ser
encontrados desqualificados, mas aprovados pelo Senhor de nossas almas. Que o
Senhor nos ajude a sermos suas fiéis testemunhas todos os dias.
Que Deus nos abençoe!
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