terça-feira, 23 de julho de 2013

Religião é dinheiro?


Por Derval Dasilio

Há mansões nesse lindo país”. O hino evangélico foi levado ao pé da letra quando pastores passaram a adquirir casas luxuosas na Flórida e no Brasil. Condomínios de luxo, prédios em bairros nobres, compõem o patrimônio da corrupção. Não só, porque dízimos e ofertas geram proventos de milhões para os parentes dos dirigentes e laranjas eclesiásticos que levam dinheiro para contas no exterior. Uma família milionária distribui as benesses a privilegiados (A Gazeta, ES – 08/fev/2012).

Nas semanas que antecedem a Páscoa de 2006, em Vitória (ES), diante das câmeras, um líder era preso pela Polícia Federal, juntamente com um suplente de senador, do bloco evangélico no Congresso Nacional (A Gazeta 8/mar/2006). Era trancafiado enquanto exibia um exemplar da Bíblia diante das câmeras. A acusação era de roubo ao erário e formação de quadrilha, estava ligado a um senador também evangélico. “Usam-se igrejas como fachadas, e como negócios religiosos”, sugeria o jornal. Também na Quaresma, 2012, no mesmo estado e região, a Igreja Cristã Maranata e a Assembleia de Deus passam por investigação policial e pelo Ministério Público Federal pelos mesmos motivos.

Para os novos evangélicos, “religião é dinheiro”, enquanto cometem abusos (evidentemente consentidos) contra a comunidade de fieis. O momento é identificado como “grandes igrejas, grandes negócios”. É possível conceber passivamente, sem indignação, a existência de “profissionais da santidade” – pessoas destacadas e separadas para a busca pessoal do “estado de perfeição espiritual”, como querem os evangélicos dessas denominações? Preocupações com a honestidade civil, cidadania, justiça e a solidariedade para com os fracos, desaparecem enquanto a “graça” materializada em moeda sonante é distribuída por mãos levianas? O “perdão” eclesiástico, obtido em prestações, dízimos e ofertas compulsórias, cessa quando o fiel para de pagar, ou ele tem que se endividar mais para continuar no sistema?

A polícia investiga o enriquecimento ilícito na Igreja Cristã Maranata, a partir de denúncias vindas de descontentes dentro da mesma. A direção do império evangélico, tentando abafar o assunto, protocolou uma ação na justiça de valor extremamente baixo. Traindo a cúpula, agindo em proveito próprio, o administrador do caixa único foi “descoberto” e acusado na justiça de um desvio de pouco mais de 2 milhões de reais. Uma auditoria externa, porém, para o acerto de contas interno, teria constatado um valor superior a 20 milhões somente nos últimos dois anos. A ação corria em segredo de justiça, mas vazou. A tv e a imprensa escrita publicam os desdobramentos da denúncia pública, desmentindo seguidamente as declarações oficiais da igreja em matérias pagas.

O Ministério Público passa a investigar a denominação. Um caso de polícia, na procura de criminosos espertalhões (que se defendem contratando raposas especializadas no crime organizado há anos). Seria uma tarefa relativamente fácil para a polícia, uma vez que o centralismo da direção numa mesma família milionária permitiria constatar, por meios legais, a fonte de enriquecimento de cada um de seus membros, e expressivos registros patrimoniais à custa dos fieis. Contratados pela cúpula, parentes chegam a ter proventos de 4 milhões (Gazeta Online 12/fev/2012). No “baixo-clero”, porém, não há salários. Como mariposas em torno do alto clero, um rebanho denominacional dos maiores do país é orientado a recusar a “infâmia da imprensa sensacionalista”. Mas esta fornece provas chocantes, de que a denominação evangélica funcionaria como um banco clandestino.

As perguntas estão no ar: por que o pastor vice-presidente não foi expulso de imediato, descoberto com a boca na botija, como se faz com fieis que cometem infidelidades e desvios bem menores? O vice-presidente seria um arquivo vivo, detentor de informações que envolvem o grupo diretor por inteiro? Se a igreja arrecada perto de 500 milhões por ano, prestações de financiamentos internos (habitação, veículos, planos de saúde etc.), dízimos e ofertas, sem distinção, por que se preocuparia com uma ninharia de 2 milhões desviados? O esquema envolve quantos, dos quase três mil pastores do movimento, e apoiadores políticos, congressistas, deputados e vereadores locais? Como, por anos a fio, a corrupção das lideranças teria passado despercebida, levando-se em conta a movimentação milionária através dos anos, sem o conhecimento das demais lideranças? Onde entra o Banco Central e a Constituição Federal? Seria possível uma comparação à prática comum no pentecostalismo dos últimos 40 anos, no Brasil, em negócios religiosos “livres” de obrigações fazendárias? Investigarão também a Assembleia de Deus, denunciada por uma fraude espetacular, na Grande Vitória (ES)?

O movimento neoevangélico pentecostal surgiu há quatro décadas, exatamente no momento em que denominações históricas (iniciadas por volta de 1850/70), século 19, começavam a rachar. Igrejas batistas, congregacionais, metodistas, presbiterianas, episcopais anglicanos, pertencentes ao período conhecido como “protestantismo de missões” – denominado histórico –, são atingidas pelas primeiras divisões pentecostais a partir de 1960. A Assembleia de Deus inaugurara o movimento pentecostal em 1910, e juntamente com a Congregação Cristã do Brasil (1912), construiu-se à parte das missões protestantes norte-americanas.

Bem-sucedido, o pentecostalismo anárquico, sem vínculo denominacional, das últimas quatro décadas – centenas de “igrejas de dono”, ou famílias –, também comprometeu a identificação “evangélica” e “pentecostal” por inteiro. As denominações evangélicas históricas, até o momento, têm passado ao largo da corrupção sistemática nesse cenário. Mais temas para a pesquisa da história social do protestantismo. O último censo do IBGE (2010) aponta, por estimativa, 31% de crentes evangélicos, hoje, no Brasil. Apenas 5% dos evangélicos brasileiros pertencem ao protestantismo histórico não-pentecostal.

A partir da Assembleia de Deus (a AD mais recente, fique claro, é ligada visceralmente à comunidade assembleiana nacional), Igreja Universal do Reino de Deus; Igreja Internacional da Graça, Igreja Internacional do Poder Deus, Igreja Batista da Lagoinha, Comunidade Sara Nossa Terra, Renascer em Cristo etc, apareceu o prefixo “neo” para os pentecostais dos afluentes das últimas décadas. Impérios eclesiásticos se formam, com uma movimentação financeira gigantesca que o fisco não alcança, controlados por famílias, ou clãs evangélicos, desde a fundação.

O movimento pentecostal da Maranata é discreto e contundente, diferente das denominações midiáticas, exuberantes, recentes. Sua ênfase na santidade e avivamento esconde o verdadeiro objetivo a alcançar? Sem dúvida, é um sucesso empresarial, entre outras. Aparentemente, estas denominações são altamente organizadas, e de eficiência inegável na arrecadação, conforme os números e nas estatísticas. Escândalos permanentes e recentes, porém, mostram a face oculta desse movimento vitorioso.

J. C. Ryle – O que é ser salvo?



poucos salvos Jc Ryle
Este é um assunto que precisa ser esclarecido. Até que saibamos disso, não faremos nenhum progresso. Por ser “salvo” eu posso ter em mente uma coisa, e você pode ter em mente outra. Deixe- me mostrá-lo o que a Bíblia diz sobre ser “salvo”, e então não haverá mal-entendidos.
Ser salvo não é meramente professar e chamar a nós mesmos de Cristãos. Podemos ter todas as partes exteriores do Cristianismo, e ainda estarmos perdidos apesar de tudo. Nós podemos ser batizados na Igreja de Cristo, participar da mesa de Cristo, ter conhecimento Cristão – ser reconhecidos como homens e mulheres Cristãs; e ainda sermos almas mortas por toda nossa vida – e ao fim, no dia do julgamento, se achar à esquerda de Cristo, entre os bodes. Não: isto não é salvação! Salvação é algo muito maior e mais profundo que isto. Agora, o que é?
(a) Ser salvo é ser liberado nesta vida presente da culpa do pecado, pela fé em Jesus Cristo, o Salvador. É ser perdoado, justificado, e livre de cada acusação de pecado, pela fé no sangue de Cristo e em Sua mediação. Todo aquele que com seu coração crê no Senhor Jesus Cristo, é uma alma salva. Ele não perecerá. Ele tem a vida eterna. Esta é a primeira parte da salvação, e a origem de todo resto. Mas isto não é tudo.
(b) Ser salvo é ser liberado nesta vida presente do poder do pecado, pelo novo nascimento, e santificado pelo Espírito de Cristo. É ser livre do domínio abominável do pecado, do mundo, e do diabo, tendo uma nova natureza introduzida em nós pelo Espírito Santo. Todo aquele que é dessa maneira renovado no espírito de sua mente, e convertido, é uma alma salva. Ele não perecerá. Ele entrará no reino glorioso de Deus. Esta é a segunda parte da salvação. Mas ainda não é tudo.
(c) Ser salvo é ser liberado no dia do julgamento, de todas as terríveis consequências do pecado. É ser declarado inocente, imaculado, irrepreensível, e completo em Cristo, enquanto outros são achados culpados e condenados para sempre. É ouvir aquelas palavras confortantes: – “Vinde, benditos!”; enquanto outros ouvem aquelas palavras atemorizantes: – “Apartai-vos de mim, malditos!” (Mateus 25.34,41). É ser aceito e confessado por Cristo, como um de Seus filhos e servos queridos, enquanto outros são rejeitados e lançados fora para sempre. É ser declarado livre da parte do iníquo: – do bicho que nunca morre, do fogo que nunca se apaga, do choro, do gemido, e do ranger de dentes, que nunca tem fim. É receber a recompensa preparada para os justos, no dia da segunda vinda de Cristo – o corpo glorioso, o reino incorruptível, a incorruptível coroa de glória, e a alegria eterna. Esta é a salvação completa.
Esta é a “redenção” que os verdadeiros Cristãos são encorajados a olhar e desejar (Lucas 21.28). Esta é a herança de todos os homens e mulheres que creem e nascem de novo. Pela fé eles já são salvos. Aos olhos de Deus sua salvação final é uma coisa absolutamente certa. Seus nomes estão no livro da vida. Suas mansões no céu já estão preparadas. Mas ainda há uma parte da redenção e da salvação que eles não alcançarão enquanto estiverem no corpo. Eles são salvos da culpa e poder do pecado; mas não da necessidade de vigiar e orar. Eles são salvos do medo e amor do mundo, mas não da necessidade diária de lutar. Eles são salvos da servidão do diabo; mas não são salvos de serem atormentados por suas tentações. Porém quando Cristo vier à salvação dos crentes estará completa. Eles já a possuem no broto Eles a verão então na flor.
Salvação é isto. É ser salvo da culpa, poder, e consequências do pecado. É crer e ser santificado hoje, e ser salvo da ira de Deus no último dia. O salvo que tem a primeira parte na vida presente, terá sem dúvida a segunda parte na vida por vir. Ambas as partes serão unidas. O que Deus juntou, nenhum homem tente dividir. Que ninguém sonhe que será salvo no fim, se primeiro não nascer de novo.
Que ninguém duvide, se nasceu de novo aqui, que certamente será salvo no mundo porvir.
Que nunca seja esquecido que o objetivo principal de um ministro do Evangelho é promover a salvação das almas. Eu afirmo como um fato certo que não é um ministro verdadeiro quem não sente isso. Não falo de mandamento de homens! Tudo pode estar sendo feito corretamente, e de acordo com as regras. Ele pode usar um casaco preto, e ser chamado de “reverendo”. Mas se a salvação das almas não é o grande interesse – a paixão dominante; o pensamento cativante de seu coração – ele não é um verdadeiro ministro do Evangelho: ele é um assalariado, e não um pastor. Congregações podem tê-lo chamado, mas ele não é chamado pelo Espírito Santo. Bispos podem tê-lo ordenado, mas não Cristo.
Para qual propósito os homens supõem que os ministros são enviados à frente? É meramente para usar um sobrepeliz, e ler as cerimônias, e pregar um certo número de sermões? É meramente para administrar os sacramentos, e oficiar em casamentos e funerais? É meramente para ter uma vida confortável, e estar em uma profissão respeitável? Não, sem dúvida! Nós somos enviados avante para outros fins que esses. Nós somos enviados para trazer homens das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus. Nós somos enviados para convencer homens a fugir da ira vindoura. Nós somos enviados para atrair homens do serviço do mundo para o serviço para Deus, para despertar os que dormem – para alertar o desatento – e “por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9.22).
Não pense que tudo acaba quando estabelecemos cerimônias regulares, e persuadimos as pessoas a assisti-las. Não pense que tudo acaba, quando congregações cheias estão reunidas, e a mesa do Senhor está repleta, e a escola paroquial está lotada. Nós queremos ver a obra manifesta do Espírito entre o povo, um senso evidente de pecado, uma fé vigorosa em Cristo – uma resoluta mudança de coração, uma separação nítida do mundo, uma andar santo com Deus. Em resumo, nós queremos ver almas salvas – e nós somos tolos e impostores, cegos condutores de cegos, se descansamos satisfeitos com qualquer coisa menos que isso.
Afinal, o grande objetivo de ter uma religião é ser salvo. Esta é a grande questão que temos que assentar em nossas consciências. O assunto para nossa consideração não é se vamos à igreja ou à capela – se nos aprofundamos em certos costumes e cerimônias – se observamos certos dias, e executamos um certo número de deveres religiosos. O importante é se, depois de tudo, nós seremos “salvos”. Sem isso todos os nossos atos religiosos são desgastantes e o labor é em vão.
Nunca, nunca nos contentemos com algo menos do que uma religião salvífica. Seguramente estar satisfeito com uma religião que não dá nenhuma paz na vida, nenhuma esperança na morte, nenhuma glória no mundo que virá, é estupidez infantil.

RELIGIÃO OU MAGIA?


Muita gente entre nós confunde religião e magia. Isto se deve a três fatores: a Bíblia vista como livro de receitas mágicas, o pastor visto como pajé, e o culto entendido como manipulação de forças espirituais. Os dois últimos são a base de cultos animistas e pagãos. Juntou-se-lhes a compreensão errada da Bíblia (primeiro item) e eis uma prática animista com tintura bíblica. Não se estuda a Bíblia para reger a vida por ela, mas para extrair práticas que legitimem a magia bíblica.

Há muitas diferenças entre magia e religião. Pelo espaço e natureza desta pastoral, cito três: (1) A magia busca manipular forças espirituais para benefício; a religião procura a vontade de Deus e o ajustar-se a ela; (2) A magia busca facilidade para viver; a religião busca maturidade para saber viver; (3) A magia busca resolver problemas pessoais, sem noção do outro; a religião se preocupa também com o próximo e o mundo. Na magia, a questão é: eu diante da força espiritual ou cósmica para resolver meu problema. Na religião, a questão é como ser usado por Deus como agente de transformação.

O evangelho não é magia. Alguns cultos não refletem sobre Deus, mas sobre como usá-lo. Ou são formatados para as pessoas se sentirem bem. Muitos cânticos seguem esta linha: criar uma sensação de bem estar, de relaxamento espiritual, em vez de proclamar as grandes verdades da Bíblia. A música evangélica não apenas expressa sentimentos, mas também proclama a grandeza de Deus, seu amor, sua salvação. Mas eis visão de magia: o culto é para nos sentirmos bem, não para estarmos diante do Totalmente Outro, do Transcendente, do Santo, e nos submetermos a dele.

A experiência de Isaías foi fantástica. Entre a fumaça viu Alguém no trono. Ficou aterrado (Is 6.5). Arrebatado em espírito, João teve uma visão do Cristo glorificado. Resultado: “Quando o vi, caí aos seus pés como morto” (Ap 1.17). O verdadeiro culto produz temor, reverência, consagração e serviço. Como Isaías: “E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” (Is 6.8). Há muita adoração e louvor hoje! Multiplicam-se cultos e reuniões evangélicas! Mas há escassez de santidade e de serviço. As pessoas vão aos cultos, sentem-se bem, fazem uma catarse, mas não são transformadas! Os líderes evangélicos não têm reputação de santos no Brasil, mas de espertalhões.

Magia ou religião? Liberação emocional ou adoração? O Deus verdadeiro, manifestado em Jesus, ou a estética do culto? Foi o Ruah (Espírito) de Deus quem falou ou a psiquê (a interioridade) que se manifestou? Magia aliena e produz uma vida vazia e artificial. A verdadeira religião, o evangelho de Jesus, produz segurança, equilíbrio, maturidade, realização. É dizer “achamos o Messias” (Jo 1.41).

Você busca magia ou religião?

MAÇONARIA - ORGANIZAÇÃO FRATERNA OU RELIGIÃO?


Por Fernando Galli.

Quando nossos amados irmãos em Cristo Jesus são convidados a se tornarem maçons, é lhes dito que a Maçonaria não é uma religião. Por quê? Porque os convidados a ingressar nela já possuem uma religião. Evidentemente, ninguém se sentiria bem em afirmar ter duas religiões. Poderíamos frequentar duas denominações da mesma religião cristã (Quadrangular e Batista, por exemplo), e mesmo assim seria estranho, mas jamais conseguiríamos ser judeus e cristãos ao mesmo tempo. Afim de evitar problemas com a consciência religiosa dos convidados, os maçons não se intutulam de religião, mas de organização, ordem ou fraternidade. Outros ainda definem a maçonaria como uma sociedade que objetiva unir os homens, no sentido mais amplo e elevado do termo e, por esse esforço de unir homens, admite pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção ou preconceito. Mas o que mostram os fatos? É uma organização ou uma religião?

O Conceito Maçônico de Religião

Antes de provarmos que a maçonaria é uma religião, precisamos entender o conceito que eles possuem de religião. Observe o que uma das obras de autores maçônicos descreve sobre isso:

"A idéia maçônica é a religião é absoluta, eterna e imutável; que não é um dogma, ou coleção de dogmas, mas uma reverência e humildade diante das ideias de infinitude e de Eternidade (...) As ideias de Deus, a retribuição, a vida vindoura - esses grandes fatos da religião não pertencem a uma só seita ou partido; constituem o fundamento de todos os credos. Religião (...) é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O sectarismo é apenas a estrutura material, mutável e falível." - Macoy, A Dictionary of Freemasonry, pp. 324, 325, "Religion".

O que essas palavras tentam nos ensinar? Um conceito maçônico de religião genérico, mas ao mesmo tempo relativista, que poderia ser enquadrado em todo tipo de credo. Para os maçons, a verdadeira religião não é o Cristianismo, o Budismo, o Islamismo, por exemplo, mas as verdades que perduram ontem, hoje e sempre nessas crenças, as quais foram desfiguradas pelo sectarismo. Em contrapartida, para o cristianismo, religião verdadeira é um modo de vida baseado na Palavra de Deus, a Bíblia, resultante da transformação que o Espírito Santo faz na vida de todo aquele que aceitou a Jesus como o seu único e suficiente Salvador. Outra obra maçônica confirma a idéia de religião no mundo maçônico:

"Seus imortais fundadores [religões] foram todos Mensageiros da Verdade única, que deram à humanidade seu evangelho de União e Fraternidade, para que através do amor as almas se religuem entre si ao Deus Supremo. Tal foi, em essência, a mensagem de Vyâsa, Hermes Trismegisto, Zarathustra, Orfeu, Krishna, Moisés, Pitágoras, Platão, Cristo, Maomet e outros. Por isso, a máxima imparcialidade deve presidir o estudo das religiões, para que seja realmente compreensivo a todos." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 368. Editora Pensamento. SãoPaulo.

Percebe-se, com a definição acima, que a verdadeira religião do ponto de vista maçônico não está centralizada em Jesus Cristo, o qual disse "Eu sou a verdade" (João 14:6), mas numa base comum, numa verdade comum a todas as formas de religião como nós concebemos. É nesses termos que a maçonaria se define como a verdadeira religião. Por isso, seu ícone Albert Pike, grande líder da maçonaria entre 1859 e 1891, escritor da mais importante obra maçônica Morals and Dogma, o qual era satanista declarado, escreveu sobre o que ele chama de religião filosófica maçônica:

"E a verdadeira e pura religião filosófica é a crença em Lúcifer, o igual de Adonai; Mas Lúcifer, Deus da luz e Deus do bem, está lutando pela humanidade contra Adonai, o Deus da escuridão e do mal." - Instructions to the 23 Supreme Councils of the World, Albert Pike, Grand Commander, Sovereign Pontiff of Universal Freemasonry, July 14, 1889.

Então, se a verdadeira religião filosófica para Albert Pike é a crença em Lúcifer (Satanás), o igual de Adonai (o nosso Deus na Bíblia, o Senhor), isso significa que a Maçonaria aceita como parte de seus integrantes seguidores do Diabo, e pior do que isso, que no Satanismo, que também é uma forma de religião, podemos encontrar a verdadeira religião dentro do conceito maçônico sobre esse tema.

Com todas essas declarações supracitadas, entendemos que algo muito maligno está por trás do conceito de religião na Maçonaria. Retiram Jesus do centro, igualam-no a Khisna, Pitágoras, Platão, Maomé e outros, e ainda permite que satanistas façam parte dessa suposta "religião verdadeira" com seus princípios morais, filosóficos e místicos. Pela declaração de Albert Pike, já sabemos o maligno que atua no meio maçom. Não é uma pena que cristãos (pastores e diáconos e membros) estejam no meio dessa religião maldita?

Por que a Maçonaria é Realmente Uma Religião?

J. Scott Horrell, cristão perseguido por maçons brasileiros (muitos deles pastores e diáconos da Convenção Batista Brasileira e de outras denominações cristãs), autor do livro Maçonaria e Fé Cristã, citou em sua obra as Nove Características de "religião" mencionadas na obra The Encyclopedia of Philosofy, de William Alston, verbete "Religion (Religião), também em Ankerberg, na obra Secret Teachings, páginas 37, 38, 286. (HORREL J. Scott. Maçonaria e Fé Cristã. Fraternidade beneficente ou religião pagã? Uma análise a partir do contexto brasileiro. Páginas 56, 57. Editora Mundo Cristão. São Paulo. 1995. Seguem, abaixo, as nove características de "religião" e trechos de obras maçônicas que comprovam a Maçonaria como enquadrada nessas características.

(1) "A Crença num Ser ou seres sobrenaturais." Crê a Maçonaria num Ser ou em seres sobrenaturais?" Sim. "

"A Maçonaria é uma organização fraterna (...). Não é uma religião; mas é uma sociedade de homens religiosos, na medida em que exige de seus membros que acreditem na existência de um "Ser Supremo". O nome desse Ser, o texto sagrado em que é revelado e a forma pela qual deve ser adorado são assuntos que cada maçom deve resolver por si." - MACNULTY, W. Kirk. A Maçonaria. Símbolos, segredos, significado. Página 9. WMF Martins Fontes. São Paulo. 2007.

"DEUS - Ser Supremo em que se alicerçam todas as religiões, e cuja denominação varia em cada povo, seita e instituição. A Maçonaria o designa sob o sugestivo título de O Grande Arquiteto do Universo."- FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 117. Editora Pensamento. São Paulo.

"No grau 28.o do Rito Escocês Antigo e Aceito figuram os sete anjos querubins, presidentes dos sete planetas conhecidos dos antigos [...]. "- FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 41. Editora Pensamento. São Paulo. "A Maçonaria não é espírita; contudo, não condena o espiritismo, e aceitaa presença dos irmãos que estão no oriente eterno [céu] e sua comunicação mental. Nas exéquias de um maçom, passados 33 dias, por ocasião da formação das cadeias de união, não raramente almas de defuntos apresentam-se tomando parte da cerimônia." - Dicionário Filosófico de Maçonaria, página 66; LIMA, Eliseu Dourado. RECCO, Myrian Cassou Terra. Andando com o Inimigo? Página 109. Editora Descoberta. Londrina -Cuririba. 2000.

Conforme se observa, a Maçonaria, mesmo negando ser uma religião, afirma disignar o Ser Supremo, Deus, como o Grande Arquiteto do Universo. Ensinam a existência de anjos. e de espíritos (almas) de falecidos maçons que se fazem presentes no 33.o dia após o sepultamento de um maçom. Então, enquadram-se na primeira característica de religião. Possuir um Ser ou seres sobrenaturais.

(2) "A distinção entre objetos sagrados e profanos." Entre os maçons, é sabido que há objetos sagrados e também os iniciados ali são chamados de profano. Por exemplo:

"BÍBLIA - Na grande maioria das Lojas maçônicas entre os povos cristãos constitui o seu Volume de Conhecimento Sagrado." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 41. Editora Pensamento. São Paulo.

"PROFANO - (...) Termo adotado (...) que na maçonaria se qualificam os não-iniciados." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 343. Editora Pensamento. São Paulo.

A maçonaria também possui outros objetos como o Compasso, O Esquadro, as Luvas, o Avental, etc. Todos com um significado filosófico e místico, e se místico, há por trás o conceito de sagrado.

(3) "Atos rituais orientados para esses objetos." Toda loja maçônica (grupo de maçons que se reúnem num templo) possui dezenas de ritos. Veja como isso é verdade:

"RITO - Solene ato religioso, e por extensão, qualquer das práticas e fórmulas usadas nos diversos cultos. (...) Na Maçonaria, que conta com algumas dezenas de Ritos, se entende como tal o conjunto de regras segundo as quais se praticam as cerimônias e se comunicam os graus, sinais, toques, palavras e todas as demais instruções secretas daí decorrentes." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 371. Editora Pensamento. São Paulo.

"Eu, ________________, juro e prometo, de minha livre vontade e por minha honra e por minha fé, em presença do Grande Arquiteto do Universo e perante esta assembleia de maçons [...] nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria que me vão ser confiados [...] nunca os escrever, gravar, imprimir [...] Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado na areia do mar [...] sendo declarado sacrilégio para Deus e desonrado para os homens. Amém.” – Juramento extraído da Série Apologética do Instituto Cristão de Pesquisas, Volume 6, página 118.

Não restam dúvidas de que na Maçonaria encontramos ritos de caráter religioso e cerimônias nas quais se verificam atos rituais dedicados aos objetos e até aos homens, como no caso da aceitação de iniciantes, chamados de profanos. Acima, lê-se o ritual de iniciação na religião maçônica.

(4) "Um código moral com sanção divina." A maçonaria possui o Código Maçônico, conforme afirma o Sr. Joaquim Gervásio de Figueiredo, que em sua obra se assina grau trigésimo:

"CÓDIGO MAÇÔNICO - Coletânea de preceitos que constituem o código moral da Maçonaria." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 371. Editora Pensamento. São Paulo.

"Mandamentos. Por fim, falemos um pouco dos mandamentos da Maçonaria. [...] Na verdade, esse texto surgiu na Internet e é reproduzido pelos sites ligados às Potências oficiais maçônicas. É adotado, pela maioria delas, por ser um texto conciso e reproduzir fielmente o pensamento maçônico. 1o. - Adora o Grande Arquiteto do Unverso. 2o. - O verdadeiro culto que se pode tributar ao Grande Arquiteto do Universo consiste nas boas obras. [...]" - COUTO, Sérgio Pereira. Maçonaria. Para não-iniciados. Paginas 32-34. Editora Universo dos Livros. São Paulo. 2007.

Assim, se os maçons confessam ter um código moral e mandamentos, evidentemente que creem serem estes sancionados pelo deus deles, o GADU - Grande Arquiteto do Universo. Pergunta-se, também, aos maçons, que se fazer boas obras é um sinal de culto a GADU, as boas obras que eles fazem nas suas Lojas não evidenciam culto a um deus, portanto, não seria a Maçonaria uma religião?

(5) "Sentimentos religiosos despertados por objetos ou rituais sagrados e relacionados, em teoria, com Deus ou deuses." Os maçons se enquadram nessa característica religiosa, até mesmo dentro de suas lojas. Observe:

"33o. - Concentra, ao menos, uma vez por dia, todas as vibrações da tua alma, no sentido de estares em contato com o Grande Arquiteto do Universo (Deus) ." - COUTO, Sérgio Pereira. Maçonaria. Para não-iniciados. Paginas 32-34. Editora Universo dos Livros. São Paulo. 2007.

"Quando um maçom morre, observa-se também o sentimento religioso numa das orações comumente feitas emfavor deles: "Que a alma de nosso irmão suba à sua celeste pátria. [...] Que o Grande Arquiteto do Universo receba-a benignamente e lhe conceda a recompensa dos justos." - Ritual dos Graus Simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito. LIMA, Eliseu Dourado. RECCO, Myrian Cassou Terra. Andando com o Inimigo? Página 109. Editora Descoberta. Londrina -Cuririba. 2000.

"A Escritura Sagrada é aberta sempre que a Loja está em obra e é usada nos juramentos. Entretanto, o Candidato jura sobre o livro que ele mesmo considera sagrado. Se houver irmãos de várias religiões na mesma loja, abrir-se-ão exemplares dos livros sagrados de cada uma. [...] Do ponto de vista metafísico, a Escritura Sagrada representa a origem divina da qual emanam o Espírito (Compasso) e a Alma (Esquadro)." - MACNULTY, W. Kirk. A Maçonaria. Símbolos, segredos, significado. Página 276. Editora WMF Martins Fontes. São Paulo. 2007.

Não há como negar sentimentos religiosos por objetos dentro da loja. O muculmano jurará sobre o Alcorão; o cristão sobre a Bíblia; o judeus sobre a Torah. Ninguém ousaria afirmar que jurar sobre um livro sagrado não desperta sentimento religioso.

(6) "A oração." No site da Grande Loja do Paraná há uma oração maçônica a GADU, com as seguites palavras:
"Humilhemo-nos diante de ti Grande Arquiteto do Universo! Ajudai-nos em nosso dia a dia derramando sobre nossas cabeças as suas bênçãos divinas! Fazei que nossos pensamentos sejam todos voltados para o bem, de nossos irmãos, de nossas famílias e de toda humanidade! Daí nos força e coragem para que possamos seguir seus passos como os astros criados por ti percorrem no infinito ao redor do Sol em trajetória perfeita! Que possamos ser fiéis às causas maçônicas, seguindo suas Leis e Regulamentos, de modo que possamos difundir todo o bem que nos ensinastes! Humilhemo-nos Senhor! Para que possamos não criticar quem quer que seja! Para que nossas mentes estejam sempre limpas! Iluminai-nos Senhor com o brilho de sua luz para que possamos irradiar bondade ao nosso redor! Lembrai-nos Senhor de que se julgamos somos passíveis de sermos julgados! Lembrai-nos que a máxima: Liberdade; Igualdade e Fraternidade estejam sempre em nossos corações! Assim Seja! AMEM!" - http://www.lojahugosimas.com.br/?q=node/76

Relataram-se, também, através de irmãos cristãos ex-maçons e de esposas de maçons falecidos que participaram de cerimônias fúnebres maçônicas orações em favor do maçom que partiu, com dizeres do tipo: "Irmão ______, para a luz!"

(7, 8) "Uma cosmovisão que engloba o lugar do indivíduo no mundo. A organização da vida ao redor dessa cosmovisão." Como toda religião possui uma cosmovisão, o relativismo e subjetivismo são convicções fundamentais da cosmovisão maçônica. Propõe-se a exclusão de todo e qualquer dogma. A verdade para a Maçonaria é relativa, pois nega-se a possibilidade de um conhecimento objetivo da verdade. Afirmam:

"A verdade absoluta não existe no mundo finito e condicionado onde vive o homem; ali só existem verdades relativas, em que o ser humano tem de se apoiar." - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Seus Mistérios. Seus Ritos. Sua Filosofia. Sua história. Página 371. Editora Pensamento. São Paulo.

Uma pergunta surge aos maçons, principalmente aos cristãos que por esse caminho se aventuram: "Jesus, para o maçom, é uma verdade absoluta?" (João 14:6) Nem mencionam o nome deJesus. Sobre seu Deus genérico, a Maçonaria lhe atribui nome, de forma subjetiva, e deixa, conforme vimos, a critério do maçom dar nome a seu deus, desde que creia num. Por isso, relemos:

"O nome desse Ser (...) são assuntos que cada maçom deve resolver por si." - MACNULTY, W. Kirk. A Maçonaria. Símbolos, segredos, significado. Página 9. WMF Martins Fontes. São Paulo. 2007.

Com isso em mente, os maçons (que professam o cristianismo ou não), no modo de viver como maçom, principalmente dentro da sua Loja, não pode confessar a Jesus como a verdade, com a desculpa de não magoar seus irmãos de outras religiões (Budismo, Xintoísmo, Judaísmo, etc) que não veem Jesus da forma bíblica e cristã. Fora e dentro da loja precisam viver fazendo boas obras como maçom para serem salvos e alcançarem o Oriente Eterno, e como cristãos basta-lhes a fé. (Efésios 2:8, 9) E nem podem falar da verdade que creem como maçons a não-maçons, porque é segredo. É uma verdade relativa, e secreta, destinada somente a eles. Exclusivismo característico de movimentos religiosos. Para eles não há dogmas, mas há landmarks, as quais chegam a dizer que pessoas com defeito físico não podem ser maçons, pois não poderão fazer os sinais secretos deles. Enquanto a verdade de Jesus convida aleijados, cegos, surdos e mudos até ele, a verdade relativa maçônica expele-os com a seguinte landmark:

"Por esse Landmark, os candidatos à iniciação devem ser isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimento e maiores. Um a muher, um aleijado ou um escravo não podem ingressar na fraternidade." - COUTO, Sérgio Pereira. Maçonaria. Para não-iniciados. Pagina 31. Editora Universo dos Livros. São Paulo. 2007.

Uma cosmovisão e prática nada a ver com o Cristianismo de Jesus. Então, por que um cristão deveria ser maçom? Infelizmente, há muitos entre nós. O interessante é como os maçons organizam a vida ao redor dessa cosmovisão.

"A Maçonaria [...] propaga os princípios morais e busca promover a prática do amor fratermo e da atividade caritativa entre todas as pessoas - não somente entre maçons." - MACNULTY, W. Kirk. A Maçonaria. Símbolos, segredos, significado. Página 9. Editora WMF Martins Fontes. São Paulo. 2007.

Enquanto que para o Cristão, Jesus é o nosso exemplo de amor, para o maçons não há um referencial tão especial como o de Jesus para amar a ponto de morrer por nós e nos salvar. Embora falem de uma lenda da morte de Hiran-Abiff que os motiva a imitá-lo, ele não é nada diante do que Jesus fez. Mas o ponto em questão é: Com um Deus genérico e subjetivo, com uma verdade relativa, dada a vários líderes de várias religiões, eles possuem uma cosmovisão sim, embora neguem isso para não serem enquadrados como religião, cosmovisão esta que molda a vida do maçom em relação à sua crença e seu modo de agir. Tanto que se admite sobre a influência do que consideramos cosmovisão maçônica:

"Para um maçom 'regular', a sociedade só será mais perfeita se isso decorrer do processo de aperfeiçoamento individual, de cada um, enquanto para um maçom 'irregular', o essencial é ser ele o agente de tal transformação da sociedade." - COUTO, Sérgio Pereira. Maçonaria. Para não-iniciados. Pagina 31. Editora Universo dos Livros. São Paulo. 2007.

Com essa cosmovisão de transformar a sociedade, justifica-se chegarem os maçons até mesmo a considerar como irmão espíritas, hinduístas, satanistas, budistas dentro da perspectiva maçônica. Deve ser horrível dentro da loja um cristão chamar um espírita de irmão, e fora dela tentar evangelizá-lo.

(9) "Um grupo social que é unificado pelas características acima." As Landmarks, as mais antigas leis que regem a maçonaria, e os mandamentos maçônicos, unem os maçons de todos os Ritos em seus ideais comuns. Os maçons formam um grupo social, que se ajudam financeiramente, espiritualmente e até juridicamente. Certo advogado cristão comentou:

"A causa estava ganha. Mas o advogado do meu oponente era maçom e o juiz também. Inexplicavelmente, perdi a ação."

É comum também, infelizmente, em muitas igrejas cristãs, pastores maçons deixarem seu pastorado para outros pastores maçons. Também, observa-se membros de igrejas batistas, metodistas e presbiterianas, os quais são maçons, formarem panelinhas, despejando da igreja com suas artimanhas todos aqueles, inclusive pastores, que se posicionarem contra a Maçonaria. Um pastor batista confessou:

"Quando me posicionei contrário à maçonaria numa determinada igreja da Convenção Batista do Rio de Janeiro, não demorou muito para me expulsarem de lá."

Por isso, nossos pastores são assediados pelos maçons. E novos pastores maçons significará novos pastores, diáconos e irmãos sem cargos no rol de membros maçônico.

Considerações finais

Pode-se constatar aqui que realmente a Maçonaria preenche todosos requisitos para uma religião. Tem um Deus, uma lojas (grupo de maçons) que se reúnem num templo. Oram. Creem em espíritos e em anjos. Possuem uma cosmovisão e um código de moral com sanção divina. Embora alguns maçons digam que ainda assim não são uma religião porque não possuem uma teologia e sacramentos, mas a partir do momento que possuem um deus, já há, mesmo que velada, ou não sistematizada, uma teologia. E quanto aos sacramentos, não seria apenas a ausência deles (batismo e ceia do Senhor) que descaracterizaria a Maçonaria como religião, diante de tantas evidêncas já apontadas. Espera-se, com esse texto, alertar os cristãos a evitarem em suas igrejas, com todo o respeito, que cristãos se filiem a essa religião satânica.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

10 Cristos culturais


Por David Schrock
 Jesus fez a Pedro, em Mateus 16.13, a pergunta mais importante da Bíblia: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é?”. A nossa reposta a essa pergunta é de importância eterna. Infelizmente, muitos “cristãos” hoje teriam problemas para definir quem Jesus é, pois muitos usam esse nome para promover diversas ideias.
De fato, como Stephen Nichols mostrou em seu fascinante estudo cultural, Jesus Made in America, Jesus se tornou um produto nos Estados Unidos, onde ele é utilizado para candidatos conquistarem eleitores e para Hollywod verder mais filmes.
Dessa forma, tão importante quanto apresentar uma visão positiva de Jesus quando pregamos a doutrina de quem é Cristo, é mostrar os falsos Cristos que têm conquistado a preferência em nossa sub-cultura cristã.
O que se segue são dez “Cristos culturais”, intencionalmente caricaturados para mostrar as falsas imagens de Cristo que tem sido reproduzidas. Certamente há outras. Adoraria ouvir o que vocês pensam sobre essa lista.
Aqui vamos nós…
 
1) O Jesus Terapêutico… é delicado e sutil, ele te ajuda a melhorar sua auto-estima através do pensamento positivo.

Seus seguidores minimizam o pecado e tratam a religião como um reforço para enfrentar a semana.

Lema: Você pode alcançar a sua melhor vida (grande sorriso).

2) O Jesus Treinador… vai te dar as dicas e as ferramentas para ser bem sucedido em qualquer coisa que você fizer.

Seus seguidores o procuram de acordo com o interesse pessoal – Jesus Gerente, Jesus Goleador, Jesus Casamenteiro.

Lema: Tudo posso naquele que me fortalece. (Filipenses 4.13)

3) O Jesus Ned Flanders… ama as crianças, a moralidade e te ajudar a fazer a coisa certa.

Seus seguidores vão à igreja, fazem o bem, votam baseados em valores e ajudam seus vizinhos.

Lema: Olá, vizinho!

4) O Jesus Guerreiro… é super macho e pode ser confundido com William Wallace ou Jack Bauer.

Seus seguidores (na maioria homens) se enfurecem contra as imagens feminilizadas de Jesus e confundem “masculinidade” com piedade.

Lema: Meu Jesus chuta o traseiro do seu Jesus.

5) O Jesus do Evangelho Social… melhora a sociedade através da justiça social e suprindo necessidades.

Silenciando o evangelho, esses seguidores constroem casas, alimentam os pobres e combatem a AIDS por Jesus.

Lema: Pregue o Evangelho e, se necessário, use palavras.

6) O Jesus Político… promove o ativismo idealístico e vem em duas variedades:

Cavalgando sobre um elefante1, luta contra o aumento dos impostos, clínicas de aborto e pelas orações nas escolas.

Cavalgando um jumentinho2, promove o cuidado com o meio ambiente e a igualdade de direitos.

Lema: Feliz a nação cujo Deus é o Senhor. (Salmo 33:12)

7) O Jesus Buginganga… se torna o talismã cristão. A presença dos produtos Jesus combate o pecado.

Seus seguidores se enfeitam com a parafernália cristã e focam em viver por Jesus.

Lema: OQJF? (O Que Jesus Faria?)

8) O Jesus Rock Band: baseia sua igreja nas atividades divertidas e música legal.

Seus seguidores vivem atrás de shows cristãos, acampamentos, retiros e outros eventos desse tipo.

Lema: Deus é fera!

9) O Jesus WordPress: é hiper ortodoxo e luta contra o erro teológico.

Seus seguidores amam ler livros, debater teologia e publicar picuínhas na internet.

Lema: Ame o Senhor seu Deus com todo seu ENTENDIMENTO.

10) O Jesus Paz e Amor: rejeita religiosos intolerantes e apenas ama a todos como eles são.

Seus seguidores questionam autoridades, verdades objetivas, julgamentos e a religião institucional, mas amam mentes abertas.

Lema: Deus é amor; tudo é espiritual.

Em cada uma dessas caricaturas há resquícios da verdade, mas normalmente a verdade desproporcional ou carente de outros aspectos bíblicos. O mais importante é que cada um desses falsos cristos falha ao manter Jesus na narrativa bíblica. Eles sequestram Jesus em nome de alguma outra causa e o colocam em uma história que não é a história de Deus. Assim, para podermos entender corretamente quem Jesus é, o Cristo, o Filho do Deus Vivo, devemos buscar um retorno às Escrituras e buscar sua identidade de Gênesis ao Apocalipse. Essa é a tarefa do pastor, do professor da escola bíblica e de todos os cristãos que acreditam na Palavra.

Que Deus nos ilumine para vermos Cristo na Escritura, e que ele nos mostre como nossa cultura tem moldado nosso entendimento de Jesus, para que possamos buscar uma visão correta de quem ele é, pois,quando o vemos, nos tornamos mais como Ele (1 João 3.2).

Que possamos buscar uma visão correta de quem Jesus é, pois quando o vemos, nos tornamos mais como ele

Sentindo toda tensão por tua infidelidade!


Por Josemar Bessa
Neemias 9 é uma oração. É uma oração muito parecida com a grande oração de Abraão ou a grande oração de Esdras em Esdras 9, ou a grande oração de Daniel em Daniel 9. Destina-se a nossa instrução. É feita para nos ajudar em nossa vida pessoal de verdadeira comunhão com Deus.

“...E pão dos céus lhes deste na sua fome, e água da penha lhes produziste na sua sede; e lhes disseste que entrassem para possuírem a terra pela qual alçaste a tua mão, que lhes havias de dar. Porém eles e nossos pais se houveram soberbamente, e endureceram a sua cerviz, e não deram ouvidos aos teus mandamentos. E recusaram ouvir-te, e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste, e endureceram a sua cerviz e, na sua rebelião, levantaram um capitão, a fim de voltarem para a sua servidão; porém tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficência, tu não os desamparaste. Ainda mesmo quando eles... Porém tu és justo em tudo quanto tem vindo sobre nós; porque tu tens agido fielmente, e nós temos agido impiamente...” - Neemias 9:15-33

Esta é uma oração. E eu quero dizer em primeiro lugar que o que temos aqui pertence à área da experiência. É experiencial o que temos aqui. Isso é mais do que apenas uma confissão de fé. Isso é mais do que apenas algo cerebral. Isso é mais do que confessar o que eles sabem. Esta é uma confissão de sua experiência. Eles sentem o peso da condenação como povo de Deus.

O Espírito de Deus veio sobre eles ao ouvirem a Palavra lida, conforme o Espírito Santo escreveu essa palavra em seus corações. Eles estão profundamente conscientes de que seus pais e eles próprios pecaram. Eles não estão vivendo uma relação com Deus que eles deveriam estar vivendo. Na oração não há racionalizações ou justificações.

É profundamente comovente. É quase como um casamento desfeito. É como se o povo de Deus fosse como uma esposa infiel, dizendo ao esposo, sentindo agora toda a apreensão e tensão e nervosismo por sua infidelidade, que este casamento está quebrando. E é quase como se o povo de Deus coletivamente estivessem chegando a Ele e dizendo: 'Eu quero que esse casamento dê certo. Eu fui infiel. Eu fui infiel. Você tem todo o direito de me expulsar. Você tem todo o direito de se divorciar de mim. Mas eu quero começar de novo. Eu vou fazer de tudo para que ele funcione. Eu te amo '. É uma confissão que está vindo de um coração partido. A Palavra tem quebrado seus corações ( E como isso é raro hoje, tanto individualmente quando coletivamente). Seu espírito está quebrado, quebrado do seu orgulho, quebrado de sua auto-confiança.

Eu me pergunto se você alguma vez chegou diante de Deus assim? Talvez eu devesse perguntar, você chegou diante de Deus assim recentemente? A Palavra de Deus tem quebrado teu espírito? Tocado em você? Condenado você? Mostrado onde você errou e se desviou e foi infiel como um crente, como cristão, como um membro da igreja?

Devemos perguntar isso a nós mesmos porque estar em Cristo é estar numa verdadeira relação com Deus que afeta cada segundo da vida. Queremos ouvir o que Ele tem para nos dizer. O que Ele tem falado com você tem tocado o reino da experiência cristã? Porque é lá que começa esta oração.

Observe, por outro lado, que esta oração concentra-se em Deus. O foco é sobre o pecado, uma vida que não está sendo vivida a altura do chamado, mas o foco está em Deus, refletindo sobre os atributos de Deus, refletindo sobre a graça de Deus, refletindo sobre o caráter de Deus, a misericórdia de Deus... Mais e mais e mais este capítulo de Neemias se volta para Deus.

É uma ótima maneira de reformar nossa oração. É a maneira bíblica de reformar nossa vida cristã. Não é tudo sobre o "eu". Não é tudo sobre a minha família. Não é tudo sobre a minha segurança pessoal. Não é tudo sobre a minha saúde. Trata-se do Senhor. Trata-se de Deus, esta aliança do Senhor, este Deus de Abraão, o Deus de nossos pais.

Observe que o que os levou a este ponto é na verdade um reconhecimento da intensidade de seu fracasso. Não há dica aqui de qualquer tentativa de desculpar-se.

Você percebe, nos versos 16-17, que eles se comparam ao Egito. Eles não são melhores do que o Egito. O Egito era seu inimigo. O Egito foi historicamente seu opressor, mas agora estão vendo que eles não são melhores do que o seu inimigo. Eles não são melhores do que o Egito. Isso é o caminho do crescimento. Eles cresceram. A adversidade fez isso. O julgamento fez isso. Isto os ensinou a confiar em Deus. Ensinou-lhes que não podiam ter confiança além da confiança que está no cerne das misericórdias da aliança de Deus. Esse é o único lugar certo e seguro para descansar.

Samuel Rutherford uma vez escreveu essas linhas, "A Graça cresce melhor no inverno." Talvez você esteja consciente de um inverno em sua alma agora. Talvez você esteja consciente que você não é o que você deveria ser, que você não está seguindo o Senhor tanto quanto você deveria. Você não está lendo a sua palavra ou sendo transformado por Sua palavra como deveria. Você está ciente disso. Você está consciente disso. O Espírito trouxe-lhe a sua atenção. Bem, use isso. Use isso para lançar-se sobre as misericórdias de Deus. Corra para o Senhor em sua fraqueza, sua fragilidade, em seu quebrantamento! "Senhor, dá-me uma percepção clara de meu pecado, que eu possa ter um maior senso de Sua beleza!"

quinta-feira, 18 de julho de 2013

VACA CADENTE - A Vida é Imprevisível


Por Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
A notícia é inusitada. Aconteceu em Caratinga, MG: “… uma vaca que pastava subiu no telhado de uma casa construída em uma ladeira e cujo teto fica abaixo do nível da rua. As telhas de amianto não resistiram ao peso do animal, que terminou caindo sobre um homem identificado como João Maria de Souza, de 45 anos, proprietário da casa e que dormia em sua cama no momento do acidente” (O dia, 15.7.13). João morreu, vítima de hemorragia interna e traumatismos múltiplos.
Que coisa! A pessoa dorme em sua casa e uma vaca lhe cai em cima! Raia ao absurdo. Imaginemos anos depois uma pessoa da família comentando com alguém que ignora o fato: “Uma vaca caiu na cama dele!”.
É a vida. Nem todos sofrem acidente deste tipo, mas como há surpresas! Há eventos que desmancham nossos esquemas, e mudam por completo nossa vida. Eu tinha 14 anos de idade quando meu primo Otávio Gomes Coelho me convidou para ir à igreja, onde se convertera há pouco. Fui. A vida mudou naquele dia.
No dia em que Bartimeu se sentou à porta de Jericó para esmolar não presumia que sua vida seria mudada para sempre. Jesus o curaria. Há eventos que não previmos e que causam grande mudança na vida. Por vezes, em uma fração de segundo. Uma pessoa sai para fazer compras e uma bala perdida o acha. Não podemos controlar nossa vida, nem sabemos como será nosso amanhã.
Ter certezas na vida é necessário. Alguns pensadores negam a possibilidade de certeza (ou verdade). O pensador Francis Schaefer ironizou um desses pensadores, que dizia que tudo na vida era acaso, que não há certeza alguma, mas, como gostava de cogumelos, selecionava os que comia. Queria ter certeza de não comeria um venenoso. Céticos e ateus têm dificuldades em viver de acordo com seus pressupostos. Lembro-me, a propósito, de uma professora de Psicologia que tive, e que certa vez declarou: “Não há absolutos!”. Disse-lhe: “Professora, esta afirmação é um absoluto!”.
Voltemos à imprevisibilidade da vida. Tiago criticou gente que faz planos detalhados para sua vida sem levar em conta que ela é imprevisível. “… Não sabeis o que acontecerá no dia de amanhã” (Tg 4.14). A vida não é matemática.
Não sabemos o que nos acontecerá amanhã, mas podemos crer naquele que tem o Amanhã em suas mãos. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” (Ap 21.6). Não sei como me será 2014. Nem sei se o verei. Mas sei que a vida está nas mãos Dele. Ele cuidou até hoje. E nada me faz pensar que não cuidará amanhã.
Talvez não me caia uma vaca na cabeça. A vida é imprevisível (um clichê, mas real). Mas Ele é previsível: Ele cuida de quem lhe entrega a vida. Faça isso. Não para evitar vacas cadentes. Para ter segurança. Funciona. A Bíblia diz que funciona. Milhões de fiéis, ao longo da história, comprovam isso.

O QUE É JUSTIFICAÇÃO?



Por Pr. Silas Figueira

A justificação é uma doutrina evangélica revelada por Deus, e não descoberta pelo homem. Tanto judeus como gregos são salvos da mesma maneira: não pelas obras da lei, mas pela graça de Deus.Em nossos dias, a verdade bíblica da justificação é desconhecida ou mal compreendida por muitos evangélicos. No entanto, ela foi a questão central levantada pela Reforma Protestante do século 16. Assim como o “sola Scriptura” foi denominado o “princípio formal” da Reforma, porque a Bíblia é a fonte de onde procedem todas as autênticas doutrinas cristãs, a justificação mediante a fé é o, seu “princípio material”, porque envolve a própria substância ou essência do que se deve crer para a salvação.

Justificação é o oposto exato de condenação. “Condenar” é declarar uma pessoa culpada; “justificar” é declará-la sem culpa, inocente ou justa. Na Bíblia, refere-se ao ato imerecido do favor de Deus através do qual Ele coloca diante de si o pecador, não apenas perdoando-o ou isentado-o da culpa, mas também aceitando-o e tratando-o como justo.2       

A justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador. Ela é singular, na obra da redenção, em que é um ato judicial de Deus, e não um ato ou processo de renovação, como é o caso da regeneração, da conversão e da santificação. Conquanto diga respeito ao pecador, não muda a sua vida interior. Não afeta a sua condição, mas, sim, o seu estado ou posição, e nesse aspecto difere de todas as outras principais partes da ordem da salvação. Ela envolve o perdão dos pecados e a restauração do pecador ao favor divino. O arminiano sustenta que ela inclui somente aquele, e não esta; mas a Bíblia ensina claramente que o fruto da justificação é muito mais que o perdão. Os que são justificados têm “paz com Deus”, segurança da salvação, Rm 5.1-10, e uma “herança entre os que são santificados”, At 26.18. Devemos observar os seguintes pontos de diferença entre a justificação e a santificação.

1. A justificação remove a culpa do pecado e restaura o pecador a todos os direitos filiais envolvidos em seu estado de filho de Deus, incluindo uma herança eterna. A santificação remove a corrupção do pecado e renova o pecador constante e crescentemente, em conformidade com a imagem de Deus.

2. A justificação dá-se fora do pecador, no tribunal de Deus, e não muda a sua vida interior, embora a sentença lhe seja dada a conhecer na vida interna do homem e gradativamente afete todo o seu ser.

3. A justificação acontece uma vez por todas. Não se repete, e não é um processo; é imediatamente completa e para sempre. Não existe isso, de mais ou menos justificação; ou o homem é plenamente justificado, ou absolutamente não é justificado. Em distinção disto, a santificação é um processo contínuo, que jamais se completa nesta existência.

4. Enquanto que a causa meritória de ambas está nos méritos de Cristo, há uma diferença na causa eficiente. Falando em termos de economia, Deus o Pai declara justo o pecador, e Deus o Espírito o santifica.

Hernandes Dias Lopes citando Warren W. Wiersbe diz que uma vez que fomos “justificados pela fé”, nunca mais seremos declarados culpados diante de Deus. A justificação também é diferente de “indulto”, pois um criminoso indultado ainda tem uma ficha na qual constam seus crimes. Quando um pecador é justificado pela fé, seus pecados passados não são mais lembrados nem usados contra ele, e Deus não registra mais suas transgressões (Sl 32.1,2; Rm 4.1-8).4   

Podemos concluir dizendo que a justificação é a resposta de Deus à mais importante de todas as questões humanas: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de Romanos 3.21-25. Biblicamente, a justificação é um conceito jurídico ou forense, e tem o significado de “declarar justo”. É o ato de Deus mediante o qual ele, em sua graça, declara justo o pecador, isentando-o de qualquer condenação. Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do latim, dá a ideia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no justificado. Mas o termo grego original dikaiosyne não se refere a uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus. Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua justiça imputada a nós.

Pode-se dizer que a justificação está estreitamente relacionada com três princípios da Reforma: “sola gratia”, “sola fides” e “solo Christo”. Daí, James Montgomery Boyce a define como “um ato de Deus pelo qual ele declara os pecadores justos somente pela graça, somente por meio da fé, somente por causa de Cristo”. Assim, a fonte da justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras.5

Marco Feliciano chama reunião de Dilma Rousseff com cantoras gospel de engodo



marco feliciano 2O  
deputado federal pastor Marco Feliciano (PSC-SP) criticou o encontro realizado pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (15) com um grupo de mulheres evangélicas no Palácio do Planalto.
Dilma recebeu o grupo de evangélicas, entre elas pastoras e cantoras, em um encontro articulado pelo Ministro da Pesca, senador Marcelo Crivella (PRB). Feliciano chamou o encontro de “engodo”.
O deputado fez várias críticas através de sua conta no Twitter e acusou Crivella de tentar fazer com que Dilma Rousseff fique “bem na foto com os evangélicos” em um momento em que a popularidade da presidente cai para 31,3%.
O parlamentar criticou a ineficácia da assessoria da presidente por ter preparado um encontro com cantoras e não com os líderes evangélicos. “Nada contra as cantoras, todavia, as convidadas nada sabem sobre o real motivo de suas visitas, ficar bem na foto com os evangélicos”, disse.
“A primeira manifestação foi liderada pelo pastor Silas Malafaia, que com líderes (pastores) de todo o Brasil dia 5/6 levaram 70 mil pessoas a Brasília. Mais uma vez o ministro Gilberto de Carvalho, ministra Gleise Hofffman confirmam o que uma vez desmentiram: o cargo dado ao ministro Crivella, porque Crivella ‘representa’ os evangélicos. Erro gravíssimo! Mais um tiro dado no pé, pois acende a indignação dos líderes evangélicos (sic)”, escreveu Feliciano.
Participaram do encontro Ana Paula Valadão, Bruna Karla, Cássia Helena de Sousa, Damares, Eyshila Oliveira Santos, Ezenete Alexandrina, Fernanda Hernandes Rasmussen, Irene Maria Hermenegildo Lopes Correa, Juliana Alonso Machado, Leonor Alonso Machado, Mara Maravilha, Maria do Carmo Araujo, Maurizete da Silva Catarina Acioli, Rubia Pinheiro Fernandes, Sonia Hernandes e Valnice Milhomens Coelho.
Marco Feliciano acusou Dilma de não ter recebido os pastores porque sabia que haveria uma conversa séria, com reivindicações. O parlamentar também afirmou que Dilma não manteve a palavra ao permitir a descriminalização do aborto.
“Na sexta feira alertei um assessor do ministro Gilberto de Carvalho, mas não adiantou, não respeitam, então que arquem com as consequências. Será que as cantoras pediram o veto do PLC 003/2013? Lei que tornará o aborto legal? Com certeza não e porquê? Porque não tem conhecimento! (sic)”, concluiu.
[Fonte: Gospel Prime]
***
Como dizem aqui na Paraíba: “o côco é seco”! Por isso com essa declaração de insatisfação do Feliciano para com o que ocorreu nesta audiência entre a Dilma e a turma do gospel, ao que me parece, haverá encontros e desencontros entre os famosos “representantes” do povo evangélico no Brasil.

Porque eu não quero uma teocracia cristã

Por Helder Nozima
A uniformidade de pensamento é um desejo buscado, consciente ou inconscientemente, por todos nós. Por mais "tolerantes" que sejamos, sempre há um segmento ideológico que é visto como "inimigo" e pelo qual não nutrimos simpatia. Como não é possível forçar todos a pensarem de modo agradável a nós, o pluralismo acaba se impondo não como o ideal de todos, mas antes como a melhor alternativa possível, superior à guerra e à violência. Melhor conviver com o diferente do que tentar exterminá-lo.
Contudo, a tentativa de impor um pensamento único sempre seduz parcelas significativas da sociedade. A História está cheia de exemplos, desde o nazismo alemão até o comunismo soviético, incluindo-se aí o fundamentalismo islâmico e até mesmo experiências puritanas de criar colônias nos Estados Unidos onde haveria uma única religião. O totalitarismo é uma tentação que não respeita nenhum tipo de fronteira.
Ao meu ver, é esse tipo de tentação que leva cristãos de vários matizes a defenderem uma teocracia cristã. Na verdade, já há proposta para criar o Partido Republicano Teocrata Cristão (PRTC). O objetivo expresso é o de promover a "adequação de todas as leis da nação às leis bíblicas", inclusive com apoio de muitos blogs calvinistas. Esse tipo de movimento é uma reação à aprovação e discussão de leis que ferem os princípios da Bíblia.

Contudo, esse fato exige uma discussão. Afinal, a teocracia cristã é o caminho que a própria Bíblia ensina para fazer valer o reino de Deus?

A necessidade da liberdade religiosa
Creio que a primeira coisa que deve ser analisada é a questão da liberdade religiosa. O sonho oculto de muitos segmentos, desde o mais tradicional dos reformados até o mais esotérico neopentecostal, é o de ver todos seguirem uma mesma fé, tendo a Bíblia formalmente reconhecida como estando acima de qualquer outra lei. Na verdade, muitos evangélicos não querem esperar pelo dia em que Jesus Cristo virá implantar seu Reino...querem vê-lo aqui, de modo visível, já! A separação entre Igreja e Estado não é mais vista como uma conquista que foi essencial para garantir a sobrevivência dos evangélicos em sociedades católicas. Agora, o sonho de muitos é ver as igrejas evangélicas comandando o Estado e impondo a sua agenda e pensamento a todos.

Contudo, Jesus Cristo nunca exigiu a conversão de todos os seus ouvintes aos seus ensinamentos. É interessante notar que Jesus não protesta porque ninguém proíbe os fariseus de ensinar ou porque o ensino pagão era tolerado pelo Estado romano. A arma usada por Jesus em seu ministério era a pregação da Palavra. Era por meio da persuasão, da oratória e dos debates que o Senhor esperava ganhar o coração dos ouvintes. Cristo nunca questionou porque o Estado romano não dava apoio ao seu sistema de fé.

O mesmo pode ser dito dos apóstolos. Eles são sempre retratados como sendo perseguidos por judeus ou pagãos, mas nunca como perseguidores daqueles que anunciam outra fé. Isso é evidenciado em Atos 19, quando os pagãos de Éfeso se revoltam contra a pregação de Paulo:
Pois um ourives, chamado Demétrio, que fazia, de prata, nichos de Diana e que dava muito lucro aos artífices, convocando-os juntamente com outros da mesma profissão, disse-lhes: Senhores, sabeis que deste ofício vem a nossa prosperidade e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas. Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram. Ouvindo isto, encheram-se de furor e clamavam: Grande é a Diana dos efésios! Foi a cidade tomada de confusão, e todos, à uma, arremeteram para o teatro, arrebatando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo. (Atos 19:24-29)
O tumulto é encerrado pelo escrivão de Éfeso, que apazigua a multidão afirmando o seguinte:
porque estes homens que aqui trouxestes não são sacrílegos, nem blasfemam contra a nossa deusa. (Atos 19:37)
É muito interessante notar isso no Novo Testamento. O desejo dos cristãos é o de terem liberdade para pregar a Palavra sem correrem o risco de serem presos. São os outros...os judeus e os pagãos quem buscam usar o Estado para prender os cristãos e impedir a disseminação da fé cristã. Os discípulos não cometiam sacrilégios nem blasfemavam contra Diana, embora deixassem claro que ela não era uma deusa de fato. Isso mostra uma busca pela liberdade religiosa, e não pela uniformidade religiosa.


Igreja e Estado são esferas distintas
Por que nem Jesus e nem os apóstolos reivindicam o apoio do Estado para a pregação evangélica? Uma das razões é dada pelo próprio Cristo: dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Convém aqui reler essa história:
Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo. Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador. Então, o consultaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade; é lícito pagar tributo a César ou não? Mas Jesus, percebendo-lhes o ardil, respondeu: Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se. (Lucas 20:19-26)

O ardil era esse: se Jesus dissesse que o imposto deveria ser pago, então Ele se colocava ao lado dos romanos e desagradava aos judeus. Se dissesse que não deveria ser pago, então os judeus se agradariam, mas Jesus poderia ser acusado diante dos romanos. O Mestre evita a resposta, ensinando que o povo deve dar a César o que é de César (respeito às leis, pagamento de impostos) e a Deus o que é de Deus (fé, adoração, devoção, o controle da vida).
Embora a separação entre o Estado e a Igreja seja um conceito posterior, creio que ele pode ser reconhecido aqui. Jesus não ensina que o Estado não deve obediência alguma a Deus. Afinal, o reino dos céus engloba todas as coisas, inclusive sim os governos. Mas isso não significa que tudo deva ser misturado. Há sim distinções.

Por exemplo, não cabe a Igreja decidir qual o melhor sistema de arrecadação tributária ou se um país deve ou não ter relações diplomáticas com outro. Os cristãos podem opinar sobre isso, mas a decisão pertence ao Estado, o qual, por sua vez, não deve decidir se a doutrina da predestinação é ou não correta. César é César, Deus é Deus.
Sei que aqui eu perdi o apoio de quase todos os calvinistas...afinal, a Confissão de Fé de Westminster, documento ícone da fé reformada, foi feita em um concílio convocado pelo Estado inglês. Contudo, não há base no Novo Testamento para que o Estado se envolva neste tipo de decisão. Esta não é uma questão de Governo, e sim de fé.

A natureza do Reino de Deus
Talvez muitos pensem que as ideias acima expostas ferem o ensino bíblico sobre o reino de Deus. Ele não é o Senhor de todas as coisas? A recusa dos homens em obedecê-Lo não é um pecado? Sim e sim, digo eu. Mas daí a querermos forçar o Estado a adotar leis bíblicas vai uma grande diferença.

Por quê? Ora, por causa da natureza presente do reino de Deus? Observe o que diz Jesus no momento em que ele é preso, como narrado em Mateus 26:51-54.
E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?
Repare que a espada não foi usada de modo arbitrário pelo apóstolo Pedro. Jesus estava para ser preso, uma turba com espadas e porretes ameaçava os apóstolos. Pedro quis apenas defender o seu Mestre. Mas Jesus reprovou essa atitude. Quem lança mão da espada (violência) perecerá por causa dela. Se o Cristo quisesse, poderia rogar ao Pai para ter a defesa de anjos. Porém, a espada angelical não era o caminho de defesa do reino.

Essa mesma ideia é repetida por Jesus quando ele é confrontado por Pilatos em João 18:33-37.
Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a meu respeito? Replicou Pilatos: Porventura, sou judeu? A tua própria gente e os principais sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
A violência e a coerção não irão promover o reino de Deus, que só se manifestará de modo plenamente visível neste mundo quando Cristo voltar. Por isso Jesus diz que seu reino não é terreno: não há exércitos ou ministros para defendê-lo. O objetivo de Jesus era o de dar testemunho da verdade. A testemunha busca convencer, mas quem pode impor a sentença é o Juiz. E a vinda de Cristo como Juiz está no futuro.
Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos; pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus. (1 Pedro 4:4-6)
Chegará sim o dia em que a verdade será manifesta e todos serão julgados, o dia em que todo aquele que rejeitou a Cristo sofrerá a pena por sua rebeldia. Mas, até lá...o dever da igreja não é o de antecipar a execução do juízo, mas sim o de testemunhar a favor da verdade. Testemunhar não é forçar ninguém a acreditar ou seguir, é tentar, da melhor forma possível, convencer os demais a crerem em nosso testemunho.

O mundo é incapaz de seguir a Deus
Mas, de todos os argumentos, o melhor para combater a ideia de uma teocracia cristã é o primeiro ponto do calvinismo: a depravação total. Por esta doutrina, o homem é simplesmente incapaz de, voluntariamente, seguir a Deus. Se o ser humano não for alcançado pela graça de Cristo, servir a Deus é algo impossível a ele, mesmo que o Estado tente obrigá-lo:
Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas o que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:5-8)
Ora, se os que estão seguindo o pendor (inclinação) da carne não podem estar sujeitos à lei de Deus e não são capazes de agradar a Deus, no que adiantaria criar uma teocracia cristã? Ela seria inútil! Não é isso que tornará o Brasil um país melhor. E isso se torna óbvio quando lemos o que a Bíblia diz sobre a lei de Deus:
Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus. (Hebreus 7:18-19)

Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. (Hebreus 10:1)
A lei de Deus não tem o poder de aperfeiçoar as pessoas e, por extensão, a sociedade. O Brasil só será transformado por meio da salvação dos brasileiros, da criação de novos homens que nascem segundo Cristo Jesus e, voluntariamente, seguem a lei de Deus. Só que isso não é uma obra do homem, mas sim de Deus. Um novo ser humano é algo que só Cristo pode fazer:
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:17)
Qual a solução?
Então, os cristãos devem cruzar os braços e deixar o Estado aprovar leis que ferem a Bíblia? Não! De modo algum. Devemos lutar, nas ruas, no Congresso, na Internet, onde for preciso para influenciar o mundo a seguir o Evangelho.

Para influenciar, não para impor.

Creio que este é o modelo bíblico de conduta política para os cristãos. Homens como José, Daniel e Mordecai não tentaram convencer o Egito, a Babilônia e a Pérsia a adorarem ao Deus de Israel. Eles influenciaram impérios a se adequarem às leis de Deus por meio de seus comportamentos e atuações políticas. No caso de Daniel e seus amigos, além de Mordecai, vemos que foram decisivos para impedir que os judeus fossem forçados a idolatria ou que fossem massacrados pelos caprichos da nobreza. Foram instrumentos de Deus em impérios que, guardadas as proporções, eram sociedades plurais.
Ao meu ver, o caminho continua sendo esse. O chamado de Deus para a Igreja é viver em um mundo plural e tentar influenciá-lo de todos os modos, mas sem impor a sua vontade. O objetivo dos cristãos é convencer a sociedade a obedecer a Deus...e não o de obrigá-la a fazer isso.
Os cristãos precisam entender que este mundo não é perfeito. Nossas decisões políticas, econômicas e sociais devem levar em conta as imperfeições do estado atual da criação: por isso é que existem policiais, soldados, leis penais e democracia. Seria ótimo viver em um planeta onde todos seguem a Deus! Mas isso não vai acontecer até Jesus voltar. Então, não adianta forçar o caminho nessa direção.

Precisamos aceitar o mundo como Deus quis que Ele fosse. E, para isso, é necessário aprender a conviver com os diferentes. Não há caminho melhor do que um onde exista liberdade de religião, de pensamento e de expressão. Não há caminho melhor do que o enfrentamento democrático e pacífico. Se, pela democracia, o Brasil escolher servir a Deus, ótimo! Mas, mesmo assim...as liberdades precisariam ser garantidas.

Que possamos refletir no ensino bíblico de Romanos 14:12.
Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.
Que assim seja. Amém! Soli Deo Gloria!