terça-feira, 28 de maio de 2013

As criações de Deus e a retórica do diabo

Por: Percival Puggina
Há muitos anos, participei de um debate sobre direito de propriedade, reforma agrária, MST, invasões, etc.. Não lembro mais o título do evento, mas a instituição promotora era uma organização religiosa. O debate consistia em uma série de sucessivas e breves manifestações, coisa do tipo cinco minutos cada para um, entre eu e o meu contendor, a quem vamos chamar, aqui, de "o outro".Fui o primeiro a falar, expondo o que penso a esse respeito. Quando conclui a exortação inicial, senti que meus pontos de vista haviam sensibilizado o auditório. O outro proferiu umas poucas palavras, deu de mão num violão e, com bela voz, desatou uma canção cujo refrão, várias vezes repetido, dizia mais ou menos assim: "Deus criou o mundo para todos. E o diabo fez as cercas". O efeito no auditório foi arrasador. Percebi que quase todo mundo se bandeara para o lado oposto.

Era preciso argumentar. Foi o que fiz, denunciando que aquele refrão continha conhecida arapuca retórica, dessas que são usadas quando alguém quer vencer um debate sem ter razão. No caso, tratava-se de afirmar algo absolutamente correto - "Deus criou o mundo para todos" - e de justapor a e essa afirmação, uma outra, inteiramente falsa, na expectativa de que a segunda, assim, meio que por osmose, ganhe credibilidade pelo contato com a primeira. Deus criara o mundo sem cerca e sem uma infinidade de outras coisas necessárias, como paredes, telhados e portas, lavouras, silos, estradas, linhas de transmissão de energia, sistemas de irrigação e drenagem, planos de saúde e por aí afora. Afirmar que tais iniciativas, bens e serviços eram criações demoníacas apenas por não terem saído das mãos de Deus constituía um disparate... Deus atribuíra ao homem dar continuidade à sua obra criadora. E isso era uma grande responsabilidade.

O outro não se deu por achado e voltou à carga, desta feita sem violão. Ele, agora, queria argumentar. Afirmou que as benfeitorias humanas que eu havia descrito - telhados, paredes, portas, etc. - eram derivadas daqueles bens originalmente criados por Deus para todos e, por consequência dessa ordem natural da Criação, deveriam estar à disposição de todos, sem qualquer apropriação individual. Armara outra armadilha retórica, como demonstrei ao público. Ela era idêntica à anterior na finalidade, mas diferente na forma. Tratava-se de fazer uma afirmação correta - a de que aquelas benfeitorias eram derivadas da Criação - extraindo daí uma conclusão disparatada. A vítima do embuste era levada a crer que de uma afirmação verdadeira só se extraem conclusões verdadeiras. Mas isso é falso. Na verdade, Deus criara para todos e não designara o modo como suas criaturas humanas haveriam de gerir tais bens. Deixou tal tema à deliberação dos povos. E os povos, autonomamente, podem decidir se o fazem: a) sob regime de propriedade privada entendida de um modo insusceptível de restrição; b) sob regime propriedade privada onerada pela função social; c) sob regime de apropriação dos bens pelo Estado; d) sob regime de uma confusa administração coletiva, sem qualquer espécie de proprietários, fórmula que estava sendo defendida pelo outro. Acrescentei que a primeira era uma evidente fonte de dominação; que a segunda, herdeira da sã filosofia e do Direito Natural, era adotada em quase todas as sociedades modernas; que a terceira, experimentada durante várias décadas pelos países comunistas, foi mãe da miséria social e do totalitarismo por concentrar no Estado o poder político e o poder econômico; e que a quarta jamais fora testada por ser absolutamente insana. A ideia de um mundo no qual tudo pertencesse a todos poderia ser graficamente representada como a antecâmara do inferno.

Quando a palavra retornou ao meu oponente, ele apelou para o Ato dos Apóstolos, livro do Novo Testamento que relata a vida dos primeiros tempos do cristianismo. Ali, no capítulo 4, versículos 32 a 34, leu o que se conhece: os primeiros cristãos tinham tudo em comum e não havia necessitados entre eles. Completada a leitura, olhou-me e disse: "De onde tirou o senhor a ideia de que Deus não se manifestou sobre o assunto? Aí está, na experiência dos primeiros cristãos, o projeto do Criador".

O que est
ávamos assistindo a era uma terceira armadilha retórica... O outro sabia o que estava fazendo, mas o auditório tende a crer em quem fala com a Bíblia na mão. Quando me retornou o microfone, mostrei que ele havia proclamado apenas meia verdade. A outra parte da verdade ficara ardilosamente oculta por ser inconveniente à tese que ele sustentava. E qual era essa outra metade? Ora, os primeiros cristãos de Jerusalém, convencidos de que o Mestre voltaria em breve para Juízo Final, venderam o que tinham e colocaram seus bens em comum. Passavam o tempo em oração, curando enfermos e pregando ao povo. De fato, não houve necessitados entre eles, até acabarem as provisões e os recursos materiais. A atitude que haviam adotado perante as necessidades da vida trouxe consequências que transparecem das epístolas em que o apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos e aos Coríntios, conclama essas comunidades a socorrerem "os pobres que há entre os santos de Jerusalém". Já na sua segunda carta aos tessalonicenses, o apóstolo dos gentios, preocupado com que via acontecer, advertia: "Quem não trabalhar, também não há de comer". Com efeito, quem estende um colchonete no chão e fica esperando que Deus o socorra ou que alguém o regale com o fim da pobreza, acaba na fila da cesta básica ou no bolsa-família.

Ouvindo em Casa

  
Por Tedd Tripp

Quão bem você se comunica? A maioria de nós dará uma resposta tendo em vista nossa habilidade de apresentar nossos pensamentos e ideias de uma forma convincente. No entanto, gostaria de sugerir que a mais fina arte da comunicação em nossa vida familiar não é o expressar de nossas ideias. É entender os pensamentos e as ideias de outras pessoas na família.

Este é um tema recorrente no livro de Provérbios. "O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior". (Provérbios 18:2). A preocupação de um tolo em uma conversa é colocar para fora o que está dentro dele. Mesmo quando não está falando, ele não está realmente ouvindo. Ele está formulando o que dirá em seguida. Seu próximo voleio na conversação não é devolver a bola que você passou, mas passar uma nova bola.

Todos nós já fomos tolos em nossas conversas. Anos atrás, tive uma conversa com meu filho antes de dormir. Eu tinha que dizer algo. Ele logo percebeu que teria que ouvir. No final do meu monólogo, eu disse: "Bom, fico feliz que tivemos essa oportunidade de conversar. Eu vou orar e depois você pode dormir". Depois de alguns minutos, ele bateu na porta do meu quarto: "Pai, você disse que ficou feliz que nós tivemos uma boa conversa. Eu só quero ressaltar que eu não disse nada". Eu fui um tolo naquela noite. Eu poderia ter tido uma verdadeira conversa. Poderia ter feito boas perguntas. Tudo o que queria dizer poderia ter sido dito em um contexto de fazer meu filho falar abertamente. Ao invés disso, não encontrei prazer algum em compreendê-lo; eu estava interessado apenas em expressar a minha opinião.

Um próximo versículo em Provérbios 18 observa, "Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha" (versículo 13). O tolo responde sem ouvir verdadeiramente, sem levar em consideração ou pensar com atenção. Ter pressa em falar é vergonhoso. Quando não ouvimos, demonstramos uma consideração mínima pelas palavras das pessoas e uma consideração máxima pelas nossas.

Os pais geralmente respondem antes de ouvir. Sua filha começa a lhe fazer uma pergunta, mas você a interrompe:

"Eu sei o que você vai perguntar. A resposta é 'não'".

"Mas, pai," ela responde.

"Qual parte do 'não' você não entendeu?".

 

"Mas, pai, eu nem fiz minha pergunta"

"Você não precisa fazer sua pergunta. Sou seu pai, eu sei o que você vai dizer antes de falar".

Minha filha nunca sai de um diálogo desses agradecida por ter um pai que pode ler mentes. Ela se sente irritada. Ela se sente impotente diante do meu capricho. Talvez eu tenha até quebrado o princípio de Efésios 6:4: "Pais, não provoqueis vossos filhos à ira".

Observe a virtude de ouvir citada em Provérbios 20:5: "Como águas profundas, são os propósitos do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobri-los". Os objetivos e as motivações do coração humano não são descobertos com facilidade. A paciência, competência e habilidade de uma pessoa compreensiva são necessárias para trazer à tona essas águas profundas.

 Várias nuances da importância de ouvir são refletidas nesses versículos. Provérbios 18:2 coloca a prioridade sobre onde encontramos prazer em nossas conversas. O sábio se deleita em compreender a pessoa com a qual está falando. Provérbios 18:13 enfatiza que devemos desacelerar para que possamos responder tendo plena compreensão do que está sendo dito. Provérbios 20:5 focaliza a escuta ativa. Ouça o que está sendo dito e o que não está sendo dito e faça perguntas que trazem à tona as águas profundas de dentro do coração.

A vida familiar floresce com a escuta atenciosa. Demonstramos respeito pelos outros quando os escutamos. Quando ouvimos, afirmamos: "Eu valorizo você e o que você está dizendo; valorizo tanto que farei o que puder para facilitar a sua comunicação. Acredito que o tempo que dedico a ouvir é um bom investimento. Ouvirei e encontrarei alegria em compreender o significado e a intenção de suas palavras".

A escuta ativa fortalece os relacionamentos. Esposas, filhos e maridos desejam ser compreendidos. O que mais, além de ouvir, poderia expressar melhor o desejo de ter relacionamentos significativos? O que poderia comunicar melhor o desejo de conhecer e compreender alguém? Quando você ouve os outros, a sua influência em suas vidas aumenta. As relações são fortalecidas.

O ouvir estreita os laços de lealdade e de compromisso com o outro. As pessoas têm o desejo de serem compreendidas, de sentir que suas palavras são importantes e que as suas ideias são ouvidas com atenção.

O ouvir com atenção é importante para a vida familiar. Sua família é a comunidade social mais fundamental para o seu filho. A vida familiar florescerá em lares onde as pessoas não somente falam, mas também ouvem. O que constrói a união no casamento e a lealdade dos filhos? Um marido que escuta, que se deleita na compreensão, constrói um casamento. Uma esposa que ouve, e pode até mesmo reformular as palavras do marido em suas próprias palavras, constrói um casamento. Os casais que são hábeis em fazer perguntas que trazem à tona as águas profundas do coração edificam um casamento. Será que o seu cônjuge sente que as palavras dele são valorizadas, que você se deleita na compreensão, e tenta entender e pensar sobre as questões com clareza? Será que o seu cônjuge se sente seguro de que as palavras dele não serão distorcidas de acordo com a sua conveniência? Cônjuges que ouvem dão exemplo de habilidades de comunicação eficaz e de relacionamentos bíblicos às crianças que os observam.

Queremos que nossos filhos sejam bons ouvintes. Queremos que valorizem as nossas palavras, então modelamos o tipo de habilidade de escuta que queremos incutir para os nossos filhos. As palavras de Salomão para seu filho não poderiam ser mais claras:


"Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida" (Provérbios 6:20-23).

 Ouvir com atenção oferece aos filhos grandes tesouros: orientação, proteção e instrução. Luz e vida são encontradas ao ouvir a mamãe e o papai.

O que nos impede de sermos ouvintes atenciosos? Há uma resposta simples e uma resposta profunda. A resposta simples é que ouvir custa caro. Exige mudar o ritmo no qual vivemos as nossas vidas. Isso leva tempo. Lembro-me de uma noite de conversa com um hóspede que ficou em casa por muito tempo. Eu fiz uma pergunta e me sentei, enquanto ele ponderava a resposta por 45 minutos. Isso pode ser um exemplo extremo, mas a conversa é muitas vezes marcada por longas pausas de meditação, reflexão, organização de pensamentos e ideias. Com frequência, uma conversa profunda com um bom ouvinte será a bigorna na qual serão martelados os pensamentos complexos e os sentimentos profundos.

A resposta mais profunda para a pergunta tem a ver com a nossa humanidade. Somos membros de uma raça caída. Somos orgulhosos, e as pessoas orgulhosas não ouvem bem. Somos um povo medroso, e o medo nos impede de confiarmos uns nos outros. Consideramo-nos maiores do que deveríamos. Temos o coração endurecido pelo engano do pecado. Temos uma compulsão egoísta de servirmos a nós mesmos, e muitas vezes estamos demasiadamente cheios de nós mesmos para ouvirmos aos outros com uma atitude humilde.

Esses não são somente problemas de comunicação, mas são problemas espirituais. Nosso orgulho, medo e egoísmo trabalham contra a humildade definida em Tiago 1: "Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus". (vv. 19-20). É necessária uma renovação interna radical se quisermos ser prontos para ouvir e tardios para falar.
 
 
 
Felizmente, não fomos abandonados aos nossos recursos e esforços no aperfeiçoamento próprio. Cristo veio ao nosso mundo. Pense em como a encarnação fala às nossas necessidades de comunicação. Ele valorizou tanto a compreensão e a identificação conosco que se fez carne. Jesus não ficou lá nos céus assistindo nossas lutas. Ele veio até nós. Ele assumiu um corpo como o nosso. Ele teve uma psicologia humana. Ele experimentou tudo o que experimentamos, sem nunca pecar. Ele viveu em nosso mundo. Ele é capaz de ver o mundo através de nossos olhos. Hebreus 2 nos lembra de que ele tinha que ser feito semelhante a seus irmãos em todos os sentidos, tinha que se identificar completamente conosco para que pudesse nos redimir. Isso significa que ele conhece as nossas dificuldades em ouvir. Ele também foi tentado a falar quando deveria ter ouvido. Isaías 53:7 diz que, como um sacrifício em nosso favor, ele nem sequer abriu a sua boca. Nosso Salvador enfrentou esse desafio antes de nós. E triunfou. Ele acertou.
 
 
 

A chave para nós é que Jesus Cristo vivenciou as mesmas dificuldades de ouvir que nós enfrentamos. "Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados". (Hebreus 2:18). Isso significa que eu posso me achegar a um Salvador disposto, capaz e poderoso, em meus tempos de dificuldade. A sua experiência de vida no meu mundo - como aquele que permanece plenamente homem e plenamente Deus - permite que ele me ajude a enfrentar a tentação de falar, quando eu deveria ouvir.

Refutando as doutrinas das igrejas orgânicas



Por Denis Monteiro

Tentarei ser breve em minhas respostas às citações feitas pelos adeptos deste modelo de igreja.
IGREJA ORGÂNICA: "As igrejas orgânicas se reúnem principalmente nos lares dos seus membros, como fazia a igreja no primeiro século."
RESPOSTA: Temos que entender o motivo do porquê. Não se podia ter igrejas (templos) construídos na época dos apóstolos até o fim de 380 d.C com a oficialização da religião do império. Os primeiros cristãos mudavam as cidades, mexiam com o sistema, eram intelectuais... Podemos dividir esse período em: “Período Apostólico” (30-70 d.C), “Período Sub-apóstólico” (70-135 d.C) e “Período dos Mártires e da Institucionalização da Igreja” (135-313 d.C). O termo “Apóstolo” significa “enviado”, em grego. Missionários itinerantes, que tiveram contato com Jesus de Nazaré. Foram testemunhas oculares. Até o ano 100 d.C os cristãos ainda são bem desconhecidos. Os romanos os confundem com os judeus. Aos poucos, o cristianismo vai mostrando sua existência. Era o início da “Grande Igreja”.

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos (época das perseguições), porque a sua religião era vista como uma ofensa ao Estado representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano. Aos poucos se propagou em Roma e pelo império.

As principais e maiores perseguições foram as do imperador Nero, no século I (morte de Paulo, Pedro), a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304 que tinha por objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso, Diocleciano, após ter renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade.

No século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no
tempo do imperador Teodósio (379-395), em religião oficial do Estado (380). O imperador romano, por esta época, convocou as grandes assembleias dos bispos, a saber, os concílios e a Igreja puderam então dar início à organização de suas estruturas territoriais.
As Catacumbas, as galerias escavadas, que eram usadas como esconderijo ou sepultura, exclusivamente por cristãos... As galerias muitas vezes têm dois ou três metros de altura e, de um a dois metros de largura, porém algumas vezes são menos espaçosas. É o lugar de ajuntamento onde os cristãos primitivos se reuniam para adorarem ao seu Deus e Salvador. (As catacumbas de Roma; Beijamim Scott; CPAD)
Infelizmente, as catacumbas de Roma não servem de inspiração para algumas igrejas, para que realizem seus cultos. Analisemos um texto: "Porque, se entrar na vossa sinagoga algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido." (Tiago 2.2)

Veja que o autor do texto toma o sentido judaico de igreja para aplicar à igreja aonde é direcionada a carta. A palavra "sinagoga" tem como sentido construções onde aquelas assembleias judaicas solenes eram organizadas. Ou seja, percebe-se que antes mesmo das perseguições se concretizarem, possivelmente já havia um lugar de reunião como descreve Tiago, irmão do Senhor.

IGREJA ORGÂNICA: "...aplicam suas ofertas no cuidado dos necessitados e na plantação de novas igrejas orgânicas, ao invés de aplicá-los em manutenção de templos e em salários de ministros profissionais."
RESPOSTA: A forma que estão aplicando as ofertas é bíblico, e isso eu reconheço (Tg 1.27; 1º Tm 5.16). Mas dizer que as ofertas não são para a manutenção de templos e salários dos ministros, é antibíblico. Vejamos algumas passagens que nos provam ao contrário:
"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja MANTIMENTO na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos," (Malaquias 3.10 - ênfase do autor).
"Os presbíteros que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. 18 Porque diz a Escritura: Não atarás a boca ao boi quando debulha. E: Digno é o trabalhador do seu salário."(1ª Timóteo 5.17,18)
IGREJA ORGÂNICA: "..suas reuniões são participativas-livres - todos participam ativamente (ministram e são ministrados) - não há clérigos; qualquer irmão pode trazer uma palavra, orar, compartilhar um cântico, uma poesia etc. (com base em 1 Cor. 14.26-27)."
RESPOSTA: Bom, como provado no argumento acima, a pessoa responsável por trazer a mensagem e/ou o ensinamento era e é o presbítero (pastor). Não existe base bíblica para que não haja uma hierarquia eclesiástica, pois a Bíblia nos mostra claramente que havia os apóstolos (homens que andaram com Jesus) e diáconos (homens encarregados de servi a mesa (Atos 6). Quanto a oração não há restrição bíblica para que haja na igreja, conquanto que seja com ordem e decência. A onde que os apóstolos ensinaram que temos que ficar recitando poesia dentro da igreja?
IGREJA ORGÂNICA: "Cristo é o Cabeça das igrejas orgânicas e dirige diretamente as reuniões, por meio do Espírito Santo e não por meio de liturgias fixas."
RESPOSTA: Sim, cremos que Cristo é o cabeça da Igreja, cremos porque a Bíblia nos diz. Sobre a liturgia, ela é bíblica e os adeptos da igreja orgânica, citando 1º Coríntios 14.26,27, deram um tiro no próprio pé, pois o que Paulo fez é uma ordem litúrgica: "Portanto, meus irmãos, o que é que deve ser feito? Quando vocês se reúnem na igreja, um irmão tem um hino para cantar; outro, alguma coisa para ensinar; outro, uma revelação de Deus; outro, uma mensagem em línguas estranhas; e ainda outro, a interpretação dessa mensagem. Que tudo seja feito para o crescimento espiritual da igreja." Veja que a palavra "outro" define a ordem que se deva seguir ou respeitar, como provado pelo próprio Paulo: "Portanto, façam tudo com decência e ordem." Nós, reformados, presamos pela liturgia e cremos que, por intermédio dela, Deus age por seu Espirito. A palavra liturgia significa, segundo o tradicional dicionário, o culto público e oficial instituído por uma igreja; um ritual ou cerimonial religioso. A palavra liturgia tem sua origem primeira no grego leitourgia, que significa serviço, ritual ou de outra natureza; um serviço prestado a alguém em necessidade, executar um serviço (religioso). Os escritores do N.T. adotaram a terminologia em relação à compreensão cristã da responsabilidade perante Deus e da solicitude generosa pelos seres humanos. A palavra substantiva e seus correlatos verbais e nominais aparecem no Novo Testamento cerca de 15 vezes.[1][2]
IGREJA ORGÂNICA: "...pastores são simples pais de família, maduros na fé e na idade (presbíteros), exemplos para os demais; são voluntários..."
RESPOSTA: Sim, tais pastores têm que ser pais de família (1º Tm 3.1-6). Já sobre o pastor ser "velho", por achar que a idade cria experiência, engano (O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento. Pv 1.7) Timóteo, filho na fé de Paulo, era jovem e pastor (1º Tm 4.12). Ser pastor não é ser voluntário como em uma ONG. Ser pastor é um chamado Divino, um dom dado por Deus. Paulo aos Efésios deixa isso bem claro: "E ele deu uns [para] pastores" (Efésios 4.11).

domingo, 26 de maio de 2013

Marcos Nunes Valeu a Pena


Marcos Nunes Ao vivo em Goiania - Vou Orar por Voce


Cristo, a escritura e o cristão

bible
Por Marcelo Berti
A escritura é fonte de prazer (Sl.1.2) e o fundamento do sucesso (Js.1.8) para o cristão que nela medita de dia e de noite e aplica em sua vida os princípios apresentados por Deus em suas páginas (veja mais aqui). A escritura é o depósito da verdade divina que transforma a vida daquele que se dedica a conhecer a Deus através de seus escritos. É nela que Deus se dá a conhecer Sua pessoa e vontade por meio de Cristo. No capítulo 17 do evangelho de João nós encontramos a mais expressiva oração de Cristo. Segundo nos instrui o evangelho, Cristo ora por Si mesmo (v.1-5), por Seus discípulos (v.6-19) e por fim por todos nós (v.20-26). E nessa oração encontramos três características de Cristo, como nosso mediador e revelador do Pai que nos impelem a conhecê-Lo ainda mais profundamente. É portanto, fundamental para o cristão que almeja desfrutar de um relacionamento de intimidade com Deus conhecer a verdade divina através de Jesus Cristo.

1. Cristo manifesta o nome do Pai

Jesus Cristo é a verdade (Jo.14.6) que liberta (8.32) e aquele que pode explicar quem o Pai é (1.18), por que Ele é o único que desfrutou a eternidade com o Pai (1.1), que veio do Pai (16.28), aos homens (1.14) para manifestar a verdade sobre Ele (3.13). Essa verdade é reconhecida pelo próprio Senhor, pois em sua oração ele mesmo afirma: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo” (v.6; cf. v.25). Jesus Cristo afirma que Ele mesmo deu a conhecer o nome de Deus, Yahweh, que significa “Eu Sou”. Isso provavelmente se refere ao fato de que o próprio Cristo usou esse mesmo nome sobre Si mesmo (8.58) e por diversas vezes o usou em relação à sua identidade como o Pão da vida (6.35), Luz do mundo (8.12), Bom Pastor (10.11) e assim por diante.

Mas, também devemos considerar que o termo “nome” significava muito mais para os judeus do que somente a descrição nominal de um indivíduo; para eles, o “nome” de uma pessoa era também a descrição do caráter ou natureza de um indivíduo. Tiago e João eram chamados de Boanerges, o que significa Filhos do Trovão (Mar.3.17). José, um dos parceiros ministeriais de Paulo, era chamado Barnabé, que significa Filho da exortação (At.4.36). Simão, o discípulo de Cristo, foi chamado de Cefas que significa pedra (Jo.1.42; Mat.4.18; 16.18). Esses nomes foram assim dados por serem a descrição da personalidade ou natureza de cada indivíduo. Portanto, Cristo é Aquele que manifesta o Pai nas suas características e natureza. Não podemos conhecer a Deus a parte de Cristo, nem mesmo à parte do evangelho. Onde encontramos a manifestação do nome do Pai? Nas escrituras sagradas é quem encontramos o que precisamos saber sobre Deus por meio de Cristo Jesus. É por isso que o cristão deve se dedicar a conhecer a Deus por intermédio das escrituras.

2. Cristo transmite a palavra do Pai

Cristo também afirma que Ele mesmo teria se encarregado de transmitir as palavras de Deus aos seus discípulos: “Eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste” (Jo.17.8). Ele é o mediador entre Deus e os homens (2Tm.2.5) autorizado a propagar a mensagem do Pai e que apresenta tudo o que recebeu do Pai aos discípulos (15.15). Em Sua incarnação, Cristo humildemente oferece aos homens somente aquilo que recebeu do Pai (14.10), de tal forma que até mesmo seus discípulos reconhecem que Ele é o único que tem palavras de vida eternal (6.68). É interessante notar, que Cristo não é apenas aquele que ofereceu (no passado) as palavras de Deus, mas Ele ainda o faz hoje (no presente): “Eu lhes tenho dado a tua palavra” (v.14).

Entretanto, a transmissão da palavra do Pai realizada por Cristo foi rejeitada pelos homens que o crucificaram e ainda o é em nossos dias por todos que não O recebem por meio da nossa pregação do evangelho. Contudo, os discípulos de Cristo nos dias de sua encarnação receberam as palavras de Deus transmitidas por Cristo (v.8) e agora crêem que Cristo fora enviado pelo Pai ao mundo. Eles também reconhecem que Seu ensino vem do Pai (v.7) e que esse ensino é a verdade divina. Portanto, se quisermos ser bons seguidores de Cristo, precisaremos seguir o exemplos de Seus discípulos e receber a mensagem de Cristo estampada nas sagradas escrituras e reconhecê-la como a mensagem de Deus. Afinal, é a partir de Cristo que podemos conhecer a Deus verdadeiramente.

3. Cristo transmite a Glória do Pai

Por fim, Cristo também transmite aos Seus discípulos a Glória que recebeu do Pai: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado” (v.22). A vida de Cristo teve por objetivo maior o glorificar a Deus (v.4), mesmo que isso significasse passar pela morte (Lc.22.42). Ele foi obediente até a morte de cruz (Fp.2.8) e pela obediência consumada foi aperfeiçoado (Hb.5.8-9). Tudo isso aconteceu em função de que a Glória de Deus estava em primeiro lugar em sua vida.

Isso precisou ser assim por que Cristo trocou a alegria que lhe estava proposto pelo sacrifício que faria por nós em uma cruz (Hb.12.2). Cristo se esvaziou (Fl.2.6) da Glória que tinha com o Pai desde a eternidade (Jo.17.5) para que pudesse transmitir unicamente a glória do Pai aos homens, a mesma glória que o próprio Pai teria dado ao Filho para Seu ministerio entre nós (v.22).

O objetivo de Cristo em assim fazer era que pudéssemos chegar à unidade com o Pai, do mesmo modo que Ele o Pai desfrutam de unidade (v.22): “Eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade” (v.23). Esse relacionamento harmonioso do cristão com Cristo e com o Pai é o fundamento da unidade da comunidade de fiéis. É essa unidade que garante o testemunho da verdade de Cristo ao mundo: “para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (v.24). Essa unidade não é institucional, como se a organização de uma igreja refletisse o caráter de Deus. Essa unidade é espiritual e relacional. A partir da salvação o cristão é convidado para um ambiente de relacionamento de paz com Deus (Rm.5.1), e no desenvolvimento desse relacionamento com Deus é que os cristãos podem encontrar a verdadeira unidade.

Conclusão

Se é em Cristo que encontramos a verdadeira manifestação da pessoa do Pai, as palavras do Pai e mesmo a glória de Deus, nós cristãos devemos nos empenhar em conhecê-lo profundamente. E claro, não existe melhor livro para conhecê-Lo senão as inspiradas escrituras de Deus. Portanto, a prazerosa meditação diária das escrituras é uma excelente maneira de conhecer a Deus e a Cristo, Seu Filho.

sábado, 25 de maio de 2013

Mais de 500 mil pessoas lotam a Cinelândia na Marcha para Jesus

 
Gabriel, de 6 anos, emocionou ao cantar para um público estimado em 500 mil pessoas (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Foi um espetáculo de fé, paz e muita devoção. Depois de acompanhar nove trios elétricos pela Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, centenas de milhares de fiéis e fãs de música gospel transformaram a Cinelândia num grande palco de adoração a Deus, na tarde deste sábado (25). De acordo com informações da PM, por volta das 17h, cerca de 500 mil pessoas participavam dos shows no palco montado para Marcha para Jesus.
Entusiasmadas e muito emocionadas, famílias inteiras cantavam a plenos pulmões acompanhando verdadeiros ídolos gospel,  como Aline Barros, André Valadão, Talles Roberto, Eyshila, Josiane, Bruna  Karla e muitos outros.
Gabriel, de 6 anos, emocionou ao cantar para
público estimado em 500 mil pessoas (Foto: Alba
Valéria Mendonça/ G1)
Teve até quem chegasse às lágrimas com a música cantada pelo pequeno Grabriel Almeida da Silva, de apenas 6 anos. Com desenvoltura e fervor de gente grande, ele arrebatou a plateia.
"Canto desde que tenho 2 anos, na minha igreja, na Tijuca. Não fiquei nervoso, já sabia o que tinha de fazer", disse o menino, que sonha em ser cantor gospel, como Aline Barros e Cristina Mel. "Se Deus quiser, esse vai ser o meu destino".
Saulo Arantes, morador de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, preferiu ir de metrô direto para a Cinelândia e assim garantir um bom longar na frente do palco para ver, principalmente, André Valadão. Com as mãos erguias para o céu e os olhos fechados disse se sentir em sintonia com Deus.
"Viemos aqui para louvar o Senhor e levar adianta suas mensagens de paz, amor e fraternidade", disse Saulo.
Carregando uma imensa bandeira do Brasil, cem fiéis do Ministério de Madureira, da cidade de Macaé, no Norte Fluminense, fizeram questão de acompanhar toda a marcha para demonstrar sua fé.
"Viemos com a missão de levantar a bandeira do Senhor", disse Geisiane Gomes.
 
André Valadão, um dos ídolos gospel, conquista a multidão na Cinelândia (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
 
André Valadão, um dos ídolos gospel, conquista a
multidão na Cinelândia (Foto: Alba Valéria Mendonça/
G1)
 
A artistas e líderes religiosos cantaram e  transmitiram palavras de louvor e adoração. O evento deste ano tem como tema "Jesus, uma vida com atitude". Segundo um dos coordenadores da Marcha, Wellington Júnior, e expectativa que o espetáculo de fé deste ano tenha o dobro do público do evento de 2012, já que há igrejas que pela primeira vez aderiram à Marcha para Jesus.
Não é o caso de Mauricéia de Souza Moscoso, moradora da Penha, que há 15 anos participa do evento. Junto com a amiga Sônia Lima, ela buscava um lugar nas escadas da Biblioteca Nacional, em frente ao palco para ter uma visão melhor do show.
"Um show tão bonito assim a gente não pode perder. Fiz questão de fazer a caminhada e, se Deus quiser, terei energia e alegria para ficar até o fim. Essa marcha é em favor das famílias. Espero que a nação se converta a Cristo e a Jesus. Essa é uma festa para famílias", disse Mauricéia.
As amigas Mauricéia e Sônia: energia e alegria para aguentar os shows até o final (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
 
 
As amigas Mauricéia e Sônia: energia e alegria para
aguentar os shows até o final (Foto: Alba Valéria
Mendonça/ G1)
Os nove trios elétricos que animam a Marcha para Jesus, no Centro do Rio, na tarde deste sábado (25), começaram a chegar na Cinelândia por volta das 16h. No local está armado um palco, onde o DJ Marcelo Araújo animava milhares de pessoas antes do show de música gospel com quase 20 artistas que será realizado até as 21h, segundo os organizadores.
Inicialmente eram esperadas 300 mil pessoas no evento evangélico - número semelhante ao do evento de 2012 -  que acontece na cidade há 15 anos e é promovido pelo Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro.
Ruas fechadas
O esquema especial de trânsito na região começou às 4h. A pista lateral da Avenida Presidente Vargas foi interditada a partir da Praça da República. Desde as 14h, estão fechadas a Avenida Rio Branco, entre a Avenida Presidente Vargas e Avenida Almirante Barroso, e a Avenida Chile, entre a Rua do Lavradio e a Rio Branco. Às 16h, a interdição foi estendida até a Rua Santa Luzia.Não é permitido estacionar no entorno do evento.
Quem for de transporte público, já vai chegar no lugar certo. A SuperVia disponibilizou trens extras para atender ao público que participará do evento.
Está prevista a utilização de 200 ônibus fretados, que terão identificação diferenciada. Eles deverão seguir pela Avenida Rodrigues Alves até a Avenida Barão de Tefé, acessando a Avenida Venezuela, onde serão retidos e conduzidos pela Avenida Rio Branco até a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, sentido Avenida Brasil, para o desembarque do público.
 

A Igreja Precisa de Teologia?

Por João Alves dos Santos

Introdução e Conceitos

É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e, sim, de vida”. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana, por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. E até a “boa teologia”, quando se torna um fim em si mesma, pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. Não é disto que falamos aqui. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja.
E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica, Teologia é o estudo de Deus, ou, definindo mais formalmente, “é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra” (B.B. Warfield). Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam, conscientemente, que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.
Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz, quem somos nós em relação a Ele, o que Ele requer de nós,etc., se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe; o segundo, de que Ele pode ser conhecido, embora não de modo exaustivo e completo; e o terceiro, de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência - Revelação Geral - Sl19:1,2; At 14:17), como, principalmente, nas Santas Escrituras (Revelação Especial - Hb1:1,2; 1 Pd 1:20,21). É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. Nosso conhecimento de Deus não é intuitivo, nem natural, mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. “Fazer teologia”, portanto, não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras, nem mesmo “descobrir” a Deus, mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Por isso, qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base, meio e princípio regulador não é “teologia”, devidamente entendida.
A palavra “teologia” não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente, no N.T., é “doutrina” ( “didache” ou “didaskalia”, no grego), que vem de uma raiz que significa “ensinar” e pode se referir tanto ao ato de ensinar, propriamente, como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17;1Tm 6:3-4; 2Tim 4:3-4; Tito 1:2,9, etc.). Podemos dizer, de modo mais completo agora, que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra, e que são apresentadas de modo sistemático, na forma de um corpo de doutrinas. A essa forma ordenada de doutrinas, dá-se inclusive, o nome de “Teologia Sistemática”. O adjetivo aqui, não altera o conceito de “teologia”.
Assim entendidas, fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. Mas voltemos ao nosso tema. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Elas se baseiam em duas falsas antíteses:
1. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas. Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, mesmo que extraídas corretamente da Bíblia, a que damos o nome de “doutrina”, mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo, mas pela própria pessoa de Cristo; nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação, mas pelo próprio ato expiatório. É possível alguém ser “bom teólogo”, nesse sentido, e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. A doutrina realmente não salva. A obra de Cristo, devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente, é que assegura essa graça. Seu nascimento sobrenatural, Sua vida de perfeita obediência à Lei, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição, Sua ascensão e assentamento à direita do Pai, Sua segunda vinda, são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos.
Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição, há dois mil anos atrás, garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. A doutrina não salva, mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). Doutrina sem fato é mito, mas fato sem doutrina é mera história.
O Cristianismo, portanto, consiste em “fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos”, na expressão de B.B. Warfield. Ele diz: “A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem; mas se isso não for um fato histórico também, nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados”( Selected Shorter Writings, vol 2, p. 234). Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. Quando João diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14), não está apenas apresentando um fato; está explicando-o também. Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões,e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas.
Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). Podemos hoje entender que “os céus manifestam a glória de Deus” (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Sem essa explicação, sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador, gerando a idolatria (devido ao pecado), como lemos em Rm 1:18-32. Não é o acontece quando as pessoas dizem que “a natureza é sábia”, ou quando a chamam de “mãe natureza”?. Sem a revelação do Criador, a criatura toma o seu lugar. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale, e não somente que Ele aja.
Concluímos, portanto, que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2; 2Tm 2:2; Tito 1:9; Ef 4:11), pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo.
2. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida, não em doutrina. Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo, as emoções, o sentimento religioso do homem, e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto, à razão. “Religião é vida e a vida é dinâmica, fluente; a doutrina é estática, fria, e, portanto, não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo”, dizem. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina, desde que mutável, adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às “necessidades” da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. Até chamam a isso de “teologia contemporanizada” ou “contextualizada”. Segundo esse ponto de vista, não é a doutrina que deve dirigir a vida, mas esta àquela. “A letra mata, mas o espírito vivifica”, argumentam. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância, mas também no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã, não a sua norma. Há até quem interprete assim a célebre divisa: “Igreja reformada sempre se reformando”.
Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer, com base na palavra de Deus, que o Cristianismo é vida e não doutrina, ou, primeiramente vida, depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira, então não haverá verdade absoluta, nem princípio fixo, nem revelação objetiva. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo, da “piedade”, das emoções. Não admira que haja tanta “fluidez” e instabilidade entre os que assim pensam, e que sejam facilmente levados “por todo vento de doutrina”. Para estes, a doutrina é o que menos interessa.
Concordamos também que Cristianismo é vida, e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta, nos moldes escriturísticos, falta a alma da verdadeira religião. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo, é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho, depois nos dias de Lutero e Calvino, depois nos dias de Warfield e dos Hodge e, assim, sucessivamente, até os nossos dias, para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. O princípio de que “a Igreja reformada deve estar sempre se reformando” visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade, não alterá-la, para que seja aplicável em todas as épocas. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Reformar é voltar às origens, ao que foi intencionado no princípio por Deus. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina.
Foi a doutrina bíblica, tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja, que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida, no século XVI. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. É a doutrina que dá característica à vida.
Sem dúvida, não estamos afirmando que apenas a doutrina, independente da obra santificadora do Espírito, produz vida. A doutrina é, isto sim, o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que, sem esta, ninguém verá o Senhor (1 Ts 4:3; Hb 12:14). É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor, que é quem nos santifica (Lv 20:7-8; Ef 5:26). Nas epístolas paulinas, a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. Rm 1-11: doutrina; 12-16: prática). Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo, em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 15 :17) e em João 7:17, onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”.
O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto, da razão, para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. Por isso, o ensino da doutrina é indispensável na Igreja, tanto através do púlpito como pelos estudos semanais, pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração, mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17).

Conclusão

Concluímos, portanto, que a Igreja precisa da Teologia, porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã.

É crucial ser direcionado pela Verdade


Amando a Deus por amar a Verdade

Por John Piper
Nosso interesse pela verdade é uma expressão inevitável de nosso interesse por Deus. Se Deus existe, Ele é a medida de todas as coisas, e o que Deus pensa é a medida de tudo o que devemos pensar. Não se interessar pela verdade é o mesmo que não se interessar por Deus. Amar a Deus intensamente implica amar a verdade na mesma proporção. Ter a vida centralizada em Deus significa ser direcionado pela verdade no ministério. Aquilo que não é verdadeiro não procede de Deus. O que é falso é contrário a Deus. Indiferença para com a verdade equivale à indiferença para com a mente de Deus. A pretensão é rebeldia contra a realidade, e quem faz a realidade é Deus. Nosso interesse pela verdade é apenas um eco de nosso interesse por Deus.
Biblicamente, a urgência de sermos direcionados pela verdade é vista pelo menos de três maneiras. Primeiramente, Deus é verdade. Toda a Trindade é a verdade. Deus Pai é verdadeiro, e nada pode anular a completa fidelidade e confiabilidade em todas as suas promessas e afirmações. "E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem" (Rm 3.3-4).
Deus Filho, que é a própria imagem do Pai, é verdadeiro. Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). Em Apocalipse 19.11, João viu a Jesus glorificado como fiel e verdadeiro: "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça".
Deus Espírito, que pessoalmente, no seu ministério em nós, vive a vida do Pai e do Filho, é o Espírito da verdade. Jesus disse: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim... quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (Jo 15.26; 16.13).
Amar a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito, significa amar a verdade. Buscá-los é buscar a verdade. Paixão pela vindicação dEles no mundo envolve uma paixão pela verdade. Não há qualquer separação entre Deus e a verdade. A expressão "Deus é" precede "Deus é amor"; e "Deus é" tem um conteúdo e significado. Deus é uma coisa e não outra coisa. Ele tem caráter. Sua natureza possui características que O definem. O interesse pelo verdadeiro Deus, que não é criado à nossa imagem, é o fundamento de uma vida direcionada pela verdade.
A segunda maneira em que podemos perceber a urgência bíblica de sermos direcionados pela verdade é a terrível advertência de que não amar a verdade equivale a suicídio eterno. Paulo falou sobre um iníquo que, no final dos tempos, virá "com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.9-10). Amar a verdade é uma questão de perecer ou ser salvo. Indiferença para com a verdade é a característica peculiar da morte espiritual.
Paulo foi mais além, contrastando o crer na verdade com o ter prazer na impiedade — "A fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (2 Ts 2.12). Isto mostra que o crer na verdade envolve as afeições, visto que a sua alternativa é "deleitar-se" em outra coisa. Isto também mostra que a verdade é moral e não apenas cognitiva, pois a sua alternativa é a impiedade e não apenas a falsidade. O convincente impacto desta passagem bíblica é que amar a verdade — crer na verdade com todo o coração — é uma questão de vida ou morte eterna.
A terceira razão por que digo que ser dirigido pela verdade é tão urgente se encontra no fato de que o Novo Testamento retrata o viver cristão como o fruto do conhecer a verdade. Por exemplo, quando Paulo disse: "Não sabeis?", como uma repreensão ou um incentivo, em relação a algum comportamento, estava mostrando que o verdadeiro conhecimento mudaria o comportamento. "Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não" (1 Co 6.15). Isto significa que conhecer a verdade a respeito do corpo redimido de um crente é uma poderosa fonte de castidade.
"Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne... Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Co 6.16,19). Não conhecer a verdade é uma grande causa de irreverência e imoralidade. A verdade é uma fonte de viver cristão santo. Você conhece a verdade, e a verdade o torna livre — do pecado para Deus.
Amar a verdade é uma marca de uma visão de mundo centralizada em Deus; é obediência ao primeiro e grande mandamento.

Amando a Deus por amar a Verdade


Por John Piper
Nosso interesse pela verdade é uma expressão inevitável de nosso interesse por Deus. Se Deus existe, Ele é a medida de todas as coisas, e o que Deus pensa é a medida de tudo o que devemos pensar. Não se interessar pela verdade é o mesmo que não se interessar por Deus. Amar a Deus intensamente implica amar a verdade na mesma proporção. Ter a vida centralizada em Deus significa ser direcionado pela verdade no ministério. Aquilo que não é verdadeiro não procede de Deus. O que é falso é contrário a Deus. Indiferença para com a verdade equivale à indiferença para com a mente de Deus. A pretensão é rebeldia contra a realidade, e quem faz a realidade é Deus. Nosso interesse pela verdade é apenas um eco de nosso interesse por Deus.
Biblicamente, a urgência de sermos direcionados pela verdade é vista pelo menos de três maneiras.
Primeiramente, Deus é verdade. Toda a Trindade é a verdade. Deus Pai é verdadeiro, e nada pode anular a completa fidelidade e confiabilidade em todas as suas promessas e afirmações. "E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem" (Rm 3.3-4).
Deus Filho, que é a própria imagem do Pai, é verdadeiro. Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). Em Apocalipse 19.11, João viu a Jesus glorificado como fiel e verdadeiro: "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça".
Deus Espírito, que pessoalmente, no seu ministério em nós, vive a vida do Pai e do Filho, é o Espírito da verdade. Jesus disse: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim... quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (Jo 15.26; 16.13).
Amar a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito, significa amar a verdade. Buscá-los é buscar a verdade. Paixão pela vindicação dEles no mundo envolve uma paixão pela verdade. Não há qualquer separação entre Deus e a verdade. A expressão "Deus é" precede "Deus é amor"; e "Deus é" tem um conteúdo e significado. Deus é uma coisa e não outra coisa. Ele tem caráter. Sua natureza possui características que O definem. O interesse pelo verdadeiro Deus, que não é criado à nossa imagem, é o fundamento de uma vida direcionada pela verdade.
A segunda maneira em que podemos perceber a urgência bíblica de sermos direcionados pela verdade é a terrível advertência de que não amar a verdade equivale a suicídio eterno. Paulo falou sobre um iníquo que, no final dos tempos, virá "com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.9-10). Amar a verdade é uma questão de perecer ou ser salvo. Indiferença para com a verdade é a característica peculiar da morte espiritual.
Paulo foi mais além, contrastando o crer na verdade com o ter prazer na impiedade — "A fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (2 Ts 2.12). Isto mostra que o crer na verdade envolve as afeições, visto que a sua alternativa é "deleitar-se" em outra coisa. Isto também mostra que a verdade é moral e não apenas cognitiva, pois a sua alternativa é a impiedade e não apenas a falsidade. O convincente impacto desta passagem bíblica é que amar a verdade — crer na verdade com todo o coração — é uma questão de vida ou morte eterna.
A terceira razão por que digo que ser dirigido pela verdade é tão urgente se encontra no fato de que o Novo Testamento retrata o viver cristão como o fruto do conhecer a verdade. Por exemplo, quando Paulo disse: "Não sabeis?", como uma repreensão ou um incentivo, em relação a algum comportamento, estava mostrando que o verda­deiro conhecimento mudaria o comportamento. "Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não" (1 Co 6.15). Isto significa que conhecer a verdade a respeito do corpo redimido de um crente é uma poderosa fonte de castidade.
"Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne... Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Co 6.16,19). Não conhecer a verdade é uma grande causa de irreverência e imoralidade. A verdade é uma fonte de viver cristão santo. Você conhece a verdade, e a verdade o torna livre — do pecado para Deus.
Amar a verdade é uma marca de uma visão de mundo centrali­zada em Deus; é obediência ao primeiro e grande mandamento.

É verdade que Jesus nunca se referiu ao casamento homossexual?

 
Por Daniel Akin
Hoje é popular, entre aqueles que promovem casamento entre pessoas do mesmo sexo, dizer que Jesus nunca se referiu a essa questão, que Ele permaneceu em silêncio sobre o assunto.

Aqueles que afirmam o entendimento tradicional e histórico do casamento entre homem e mulher frequentemente são admoestados a ir ler a Bíblia mais cuidadosamente. Se nós o fizermos, nos dizem, veremos que Jesus nunca se direcionou a essa questão. Assim, a questão que quero levantar é: “essa afirmação está correta?” É verdade que Jesus nunca falou sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Quando alguém vai aos Evangelhos para ver exatamente o que Jesus disse, descobrirá que Jesus se direcionou muito claramente tanto a questões sobre sexo quanto sobre casamento. Ele se referiu tanto ao bom uso quanto ao mau uso. E, ao falar sobre os assuntos, Ele deixa claro que as questões do coração são de crítica importância.

Primeiramente, o que Jesus diz sobre sexo? Jesus acreditava que o sexo é uma boa dádiva de um tremendo Deus. Ele também acreditava que o sexo era uma boa dádiva para ser desfrutada em uma aliança de casamento monogâmico e heterossexual. Nisso Ele é claro como cristal. Em Marcos 7, Jesus se direciona ao fato de que todo pecado é, no fim das contas, uma questão do coração. Jesus nunca procurou modificação de comportamento. Jesus sempre procurou transformação de coração. Transforme o coração e você verdadeiramente transformará a pessoa.

Assim, quando Ele lista um catálogo de pecados em Marcos 7.21-33, Ele deixa claro que todos esses pecados eram fundamentalmente questões do coração. Jesus quer erradicar os ídolos do coração.  Entre aqueles pecados do coração que frequentemente levam a ações pecaminosas, Ele inclui tanto imoralidade sexual quanto adultério. (Marcos 7.21).  A expressão “imoralidade sexual”, num contexto bíblico, refere-se a todo comportamento sexual fora da aliança de casamento entre um homem e uma mulher. Portanto, Jesus via o sexo antes do casamento, o adultério e o comportamento homossexual como pecados. E Ele sabia que a cura para cada um é a transformação do coração que é possível por meio das boas novas do Evangelho. O Evangelho nos transforma para que sejamos capazes de não fazer aquilo que nós queremos, mas aquilo que Deus quer. Aqui encontramos a verdadeira liberdade e prazer.

Em Segundo lugar, o que Ele fala sobre casamento? É verdade que Jesus nunca falou sobre a questão em termos de gênero? A verdade é simplesmente não. Ele nos dá Sua perspectiva sobre isso quando se refere à questão em Mateus 19.4-6. Ali, falando sobre a instituição do casamento, Jesus é claro quando diz: “Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’ Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe.”. Que Jesus era comprometido com o casamento heterossexual não poderia ser mais evidente. Um homem deve deixar seus pais e unir-se a uma mulher que se torna sua esposa. Isso é casamento heterossexual. Que Ele também era comprometido com a permanência e fidelidade do casamento é, também, claro.

Então, como podemos resumir a questão? Primeiramente, Jesus veio para libertas todas as pessoas de todo pecado. O pecado, Ele estava convencido, originava-se no coração e era, no fim das contas, uma questão do coração. Em segundo lugar, Jesus deixou claro que o sexo é uma boa dádiva de um Deus tremendo, e essa boa dádiva deve ser desfrutada em uma aliança matrimonial heterossexual. É simplesmente inegável que Jesus entendia o casamento heterossexual como projeto e plano de Deus. Em terceiro lugar, Jesus vê toda atividade sexual fora dessa aliança como pecado. Em quarto lugar, é uma estratégia interpretativa muito perigosa e ilegítima colocar entre parênteses as palavras de Jesus e lê-las da forma que você gostaria. Não devemos isolar Jesus de Sua confirmação de que o Velho Testamento é a Palavra de Deus, nem separá-lo de Seu contexto do primeiro século judeu. Em quinto lugar, e essas são realmente boas novas, Jesus ama tanto o pecador heterossexual quanto o pecador homossexual e promete perdão gratuito e completa libertação para todo aquele que vai a Ele.

João 8 conta a história de uma mulher pega em adultério. Os legalistas religiosos queriam apedrejá-la, mas Jesus intervém e impede sua morte. Então, Ele olha para a mulher e, com graça e bondade, diz a ela que Ele não a condena. Em seguida, Ele diz “Vá e não peques mais”. Em Mateus 11.28, Jesus fala a todos nós, sobrecarregados sob o terrível peso e carga do pecado. Ouça essas gentis palavras do Salvador, “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Essa é a esperança que se encontra em Jesus. Essa é a esperança que se encontra no Evangelho. Quer alguém seja culpado de pecado heterossexual ou homossexual, achará graça, perdão e liberdade aos pés da cruz onde o terreno é sempre plano.

Quando confiei completamente em Jesus como meu Senhor e Salvador aos 20 anos, decidi que queria pensar como Jesus e viver como Jesus o resto da minha vida.  Quando se refere ao sexo, quero pensar como Jesus. Quando se refere a casamento, quero pensar como Jesus. Isso significa que eu vou afirmar a aliança matrimonial heterossexual. Isso também significa amar cada pessoa independentemente de suas escolhas de estilo de vida. Isso significa, como Seu representante, proclamar o Evangelho estendendo a outros a graça transformadora do Evangelho, que nos encontra como estamos, mas maravilhosamente não nos deixa da mesma forma. Essa é uma esperança e uma promessa que os seguidores de Jesus orgulhosamente oferecem a todos, porque formos destinatários dessa mesma maravilhosa graça.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

“Deus se fez homem”… Ahn?!!


Por Elyse Fitzpatrick
Ok! Espere um momento. Nós estamos realmente muito ocupados e esta época do ano gera todo tipo de responsabilidades adicionais e até algumas distrações, mas o que o título desse post está dizendo mesmo? “ Deus se tornou homem”? …Hummm… Sério?!
O Natal é uma época do ano quando o mundo inteiro é forçado a reconhecer que algo surpreendente e significativo aconteceu. Sim, eu sei que a maioria do barulho natalino não tem a ver com o que nós chamamos a encarnação, mas a verdade é que a própria encarnação altera o mundo de tal forma que mesmo o mercantilismo mais crasso é forçado a render seu cinismo. Palavras como “esperança”, “paz” e “amor” aparecem em sacos de compras. Canções exaltando o nascimento obscuro de um bebê aparentemente ilegítimo são cantaroladas pelos shoppings e em todos os lugares. De repente até mesmo os mais endurecidos entre nós, lembra-se de amigos e familiares de longa data para e retorna para um momento do que realmente importa: a casa, a fé e abnegação. Algo surpreendente aconteceu: Deus se fez homem.
Agora, se os não-cristãos respondem a encarnação desta forma, pode-se supor que os cristãos que entendem a realidade sob a sombra deste feriado deveriam ser transformados pela verdade da encarnação todos os dias … mas somos nós? Ficamos chocados quando vemos o bebê na manjedoura? Será que nós balançamos a cabeça e ficamos maravilhados? Ou, então, deixamos a encarnação, e o que Ele fez, de lado e nos focamos naquilo que precisamos fazer? Se for esse o seu caso, aqui estão algumas ideias para ajudar a lembrar o significado da encarnação para você, sobre Ele:
  • A encarnação mostra quão fracos nós somos: Pois, quanto poder e influência tem um bebê? E ainda assim, Ele é o Salvador que precisávamos.
  • O Nome do bebê encarnado, “Jesus” mostra nossa real necessidade: Precisamos de um Salvador do nosso pecado e não de uma reforma moral. Precisamos de um resgatador, não um guru (Mt 1:21)
  • A encarnação nos mostra, de todo jeito, que Ele é como a gente. Ele sofreu como criança. Ele foi tentado de toda forma, como fomos, e ainda assim sem pecado. Ele sabe o que é passar frio, ser dependente, morrer…sim, até ressuscitar.
  • A encarnação nos diz que o natal nunca acaba. Quando guardamos toda decoração e devolvemos todos os presentes errados, Ele ainda continuará sendo o Deus/Homem, intercedendo por nós, tendo a mesma carne que a gente. Natal nunca terminará para Jesus. Ele está eternamente transformado.
  • A encarnação significa que a única pessoa qualificada, por natureza, para pagar por nosso pecado, o fez. A encarnação sempre significou, desde o início, levar Jesus e a gente, para a cruz.
  • A encarnação significa que temos cumprido toda a lei. Porque nós estamos unidos com ele e ele conosco, nós amamos a Deus e ao próximo perfeitamente, porque ele amou. Somos justos porque o Homem-Deus já fez tudo o que precisava ser feito. Nós somos justificados.
  • A encarnação significa que quando entrarmos no céu seremos recebidos por alguém como a gente, mas com cicatrizes nas mãos e pés. Ele será o único com cicatrizes.
A história do natal é em última análise, uma história daquilo que Jesus já fez por nós. É a história dEle, sobre o que a obra dele alcançou por conta de seu amor por sua noiva. Vamos pedir a Deus para nos ajudar a celebrarmos o natal, a encarnação, o ano todo, vamos? Ele fez tudo. Nós somos amados. Que grande presente.