segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Diabo, Jesus, o músico e o pastor


por Augusto Guedes
Tenho alguns amigos que são pastores e também músicos. Um deles, após uma reunião de organização de um grande evento interdenominacional, referindo-se à falta de unidade e de cooperação, comentou entristecido: “não sei qual dessas ‘tribos’ é mais difícil de conviver: se a dos pastores ou a dos músicos!”
Pessoalmente entendo o comentário, pois também faço parte de ambas as tribos. Ao mesmo tempo, me pergunto: o que torna essa afirmativa uma verdade? O que tais “tribos” têm em comum, que ratificam tal observação? Talvez porque, principalmente, pastores e músicos sejam tentados da mesma forma que Jesus foi, e quando estes não conseguem resistir, tornam-se pessoas difíceis. Mas, quais as tentações que Jesus sofreu e que podem proporcionar esse tipo de comportamento e comparação?
O Diabo, como um ser milenar, sabe exatamente como fazer para nos instigar, atrair, e confundir. É algo tão sutil que nem todos conseguem identificar como certas propostas convidativas e aparentemente espetaculares são, na realidade, diabólicas e provocam completo engano - além de fazerem um tremendo mal à igreja. Ora, se ele foi capaz de tentar o próprio Jesus, imagine o que ele não gostaria de fazer conosco!
Muitas vezes, as nossas tarefas ministeriais nos propiciam situações semelhantes às de Jesus em Mateus 4, em que, embora não percebamos, estamos frente a frente com o inimigo: normalmente em lugares altos, como por exemplo palcos e púlpitos, sendo sutilmente estimulados por ele à vaidade e à busca por poder, por meio de desafios lícitos, aparentemente necessários, respaldados na Palavra e expressos pelos nossos simples atos de fazer e ordenar. E pelo desejo de ter, o que pode muitas vezes representar uma atitude de obediência e conseqüente adoração ao tentador.
Infelizmente nem todos percebemos que por trás do aparente poder e da fama pode haver atitudes de quem se prostra e, mesmo de forma inconsciente, coloca o controle nas mãos do inimigo. Apesar de desejarmos ser como o Mestre Jesus, nem sempre conseguimos identificar que tais situações muitas vezes são provas a que o mesmo Espírito que o levou ao deserto está nos submetendo hoje. Pecamos na busca por reconhecimento e afirmação pessoal, quando a cobiça nos atrai e nos seduz. Os desejos de agir, controlar e possuir certamente são muito perigosos à vida tanto do pastor quanto do músico, e é exatamente por meio deles que se pode constatar a queda na mesma tentação feita a Jesus.
A história tem comprovado que o resultado dessa busca por poder e fama, de forma consciente ou não, tem gerado o desenvolvimento e a manutenção de práticas, que mesmo aparentemente inexpressivas, evidenciam o quanto a mesma tentação feita a Jesus não só está latente, mas, em muitos casos, atendida por parte das duas tribos: a dos “músicos” e a dos “pastores”. ‘Fazer’, ‘ordenar’, e ‘ter’ são verbos que não só traduzem as ações e o sentimento sugeridos pelo diabo na direção de desviar a atenção de Jesus e promover a sua queda, mas que servem de balizadores para os nossos dias, nos permitindo um autoexame, uma reflexão pessoal e sincera com relação às nossas atitudes no exercício daquilo que entendemos e muitas vezes chamamos de “nosso ministério”.
O FAZER
O empreendedorismo tornou-se uma das marcas mais importantes da sociedade atual. “Agenda cheia” virou sinônimo de competência e produtividade. Jamais pensamos nelas como empecilhos aos nossos alvos. Enquanto as atitudes de Jesus no seu ministério eram primeiramente voltadas para as pessoas, dedicando-lhes tempo comendo, conversando, caminhando, orando, curando, nós, nos “nossos” ministérios, buscamos ações estratégicas finais voltadas normalmente para o desenvolvimento e a manutenção das instituições.
Se o ministério de Jesus aqui no mundo estava focado em relacionamentos, o nosso é centrado em realizações. Muitas vezes, ao invés de exercermos ministérios por causa das pessoas, nos relacionamos com as pessoas por causa dos ministérios. Tarefas tornam-se fins e não meios, e processos firmam-se como mais importantes do que pessoas. Metas não faltam, como se não dependêssemos do Espírito para que as coisas aconteçam. A idéia do “bom pastor”, utilizada equivocadamente em relação a homens, e não a Jesus, passou a estar mais relacionada àquele que empreende do que ao que cuida das ovelhas.
Em nome de uma excelência na proclamação do evangelho, somos tentados a um ativismo cada vez maior, que nos é prazeroso, principalmente para aqueles movidos por desafios, e que, sob o respaldo da Palavra, sutilmente promove completo engano, nos afastando das pessoas e tornando a igreja mais parecida com uma produtora de é-ventos ou com uma indústria de crentes em série, do que com as metáforas de “família” e “corpo” apresentadas por Paulo.
Dessa forma, o exercício dos dons deixa de ser uma conseqüência espiritual das reuniões dos irmãos para ser mão-de-obra especializada, parte de um serviço departamentalizado chamado de ministérios, prestado por gente apaixonada pelo que faz, numa carga horária interminável, muitas vezes por só se sentir reconhecida e amada se estiver executando algo.
Precisamos aprender a ser igreja, e não a fazer igreja; ao invés de fazer música, talvez ser música para Deus; e ao invés de promover reinos de homens, ser Reino de Deus.
O TER
Enquanto Jesus “não tinha onde reclinar a cabeça”, alguns de nós pastores e músicos dos dias atuais temos não apenas carrões de últimos modelos, mansões nos bairros mais nobres, investimentos e salários bem superiores à média das famílias das congregações às quais dizemos pertencer. No caso dos pastores, os nossos púlpitos - onde ninguém mais prega - com algumas pequenas exceções; as nossas visões “dadas por Deus”, que, por isso, fragilizam qualquer possibilidade de questionamento; as nossas doutrinas, que muitas vezes nos promovem mais do que ensinam a outros; e porque não lembrar dos nossos rebanhos, que além de aplaudirem as nossas performances, nos dão poder de representatividade em diversas ocasiões, fazendo com que sejamos convidados a participar de reuniões, projetos e eventos, muito mais pelo número de membros que ‘temos’ do que por aquilo que simplesmente podemos oferecer.
Também temos os nossos cargos, que se confundem com os nossos títulos e nos conferem uma “autoridade”, na maioria das vezes outorgada ao invés de naturalmente conquistada pelo nosso viver. No caso dos músicos não é diferente. Logo se institui o título de “Levita”, como se fosse coisa dos dias atuais, ou de “Ministro de Louvor”, “Pastor de Artistas”, “Líder de Adoração”, etc., na tentativa inconsciente de se formar um clero da música, a exemplo do “consagrado” clero da palavra, que transpõe certas pessoas para um patamar superior de importância e não de serviço, onde o “Ter” também representa poder e conseqüente fama, quando temos os nossos trabalhos (leia-se CDs, DVDs, etc.), nossos públicos, nosso estilo musical, nossa imagem, nossa banda, nossa carreira, nosso fã-clube, e muita coisa mais, que parecem passar a ser mais nossas, numa perspectiva mundana, do que fruto da graça do Bondoso Pai.
Em nome de um sucesso no crescimento do Reino de Deus, somos tentados a cada vez mais procurarmos TER, dentre outras coisas, grandes comunidades e grandes públicos, ações plenamente realizáveis, principalmente para aqueles que possuem maior carisma, que nos enchem de satisfação pessoal e muitas vezes de orgulho, mas que sutilmente nos levam à promoção de controle e manipulação de massas, seja através do discurso ou da música; bem como ao controle e a manipulação de indivíduos, por meio de verdadeiros “abusos espirituais” em que terminamos machucando, ferindo, e muitas vezes matando “em nome de Deus” – a exemplo da “disciplina” que deixou de ser um ato de amor para ser um ato de terror – tudo isso apoiado por verdadeiras estruturas que envolvem desde equipes de marketing até de logísticas, que impressionam pelo tamanho, levando a igreja a assumir características mais de empresa do que daquilo que ela realmente deveria ser: grupos relacionais centrados no Cristo Vivo. E aí o patrimônio, desde o chamado “templo” até o menor parafuso reserva que está na caixa de ferramentas; a hierarquia, desde aquelas mais formais àquelas aparentemente mais livres; e a instituição, desde a denominação da qual fazemos parte até o tipo de serviço executado por alguém ou mesmo pelo grupo de reuniões menores, tudo isso passa a ser mais importante do que as pessoas, a verdadeira igreja.
O ORDENAR
A ação de ordenar é a maior demonstração visível de poder, embora nem toda ordem necessariamente contenha autoridade legítima. As idéias de que ‘competente’ é aquele que “faz”, e de que ‘bem-sucedido’ é aquele que “tem”, nos trazem a falsa sensação de que o sucesso no ministério, como acontece nas coisas mundanas, está no ‘agir’ e no ‘possuir’. No entanto, o relato deste episódio por Mateus nos ensina exatamente o contrário. Foi o abrir mão de “transformar pedras em pães”, mesmo num momento absolutamente necessário aos olhos humanos, e de possuir “todos os reinos deste mundo e a glória deles” mesmo numa perspectiva extremamente atraente e privilegiada aos olhos de quem está num lugar alto, que qualificaram Jesus para ordenar: “retira-te, Satanás”.
Certa vez, num congresso, ouvi que para Deus sucesso significa fidelidade, e foi o que qualificou a autoridade de Jesus para tal.
Em nome do exercício de nossa autoridade, muitas vezes somos tentados a uma busca por poder, que embora muitas vezes baseada na Palavra, sutilmente nos leva a práticas de controle e manipulação como já mencionamos acima. Este é um “prato cheio” para encantar pastores que quando ministram a Palavra tornam-se mestres no uso de apelos emocionais, aparência física e linguagem para “vender” seus argumentos, peritos em imitar a forma em lugar da substância, bem como para músicos, que quando ministram o louvor fazem o mesmo, com o acréscimo de toda a força própria da música para mexer com as emoções, utilizando-a da pior forma para conseguir seus objetivos pessoais em nome de uma exaltação a Deus.
Parece que o texto nos ensina que para seguir a Jesus atuando naquilo que chamamos de nossos ministérios temos que renunciar a muitas coisas. Tentações que têm a ver com o agir, o controlar, o possuir, fazendo-nos mais pastores do que gestores, ou mais servos do que servidos, ou mais apoiadores do que possuidores, ou ainda, sem tanta notoriedade a fim de exercer uma verdadeira autoridade que pode num só ordenar dizer o contrário de “fica, Satanás" e você foi possivelmente tentado a pensar, ao ler no início o título deste texto, que eu estaria comparando o embate que existiu entre o Diabo e Jesus, ao dos pastores e músicos. A grande realidade é que essa deve ser uma relação de cooperação e não de competição. Somos todos igualmente tentados, e, felizmente, Jesus não se permitiu cair.
Vale, então, uma pregação e uma canção sobre a graça de Jesus. E que o Pai das luzes e das artes seja glorificado com as nossas opções de vida e ministério.
Augusto Guedes é um dos pastores da Comunidade de Discípulos em Fortaleza. É músico, diretor-executivo do Instituto Ser Adorador (ISA) e profissional do segmento imobiliário.
P.S. De quebra – se desejar continuar lendo – acrescentei ao extenso texto algumas atitudes simples e práticas do cotidiano (e você pode aumentar a lista), que só confirmam o fato de que muitos de nós, músicos e pastores, caímos rotineiramente na mesma tentação de Jesus.
Músicos e pastores que só participam de eventos quando vão tocar ou falar;
Quando não é o caso, rotineiramente chegam atrasados, marcam presença e saem antes;
Que nunca sentam para ouvir;
Que valorizam grandes auditórios e platéias;
Que pregam sermões ou cantam canções para os outros e nunca para si;
Que possuem verdadeiros fãs-clubes, embora nem sempre explícitos;
Que desenvolvem dependentes e não apreciadores da sua arte de falar ou tocar;
Que fazem distinção entre grupos, tais como ministradores e ministrados;
Que olham para as pessoas como números e, muitas vezes, cifrões;
Que caem na tentação da casa cheia, do bolso cheio e da agenda cheia;
Que para se reunir têm que agendar com a secretária;
Que têm mais jeito de servido do que de servo;
Que cultivam uma distância, um campo minado nos relacionamentos;
Que em nome de uma visão seguem sempre à frente e jamais ao lado, com carreiras solos e posições hierarquizadas, em que sempre estão no topo;
Que têm o poder outorgado por uma função e não reconhecido por uma natural autoridade;
Que no argumento de uma suposta autoridade jamais escutam, apenas falam;
Que quando calado num diálogo não é porque está ouvindo, mas sim já pensando na resposta;
Que possuem relacionamentos superficiais e não profundos;
Que os processos valem mais do que as pessoas;
Que dedicam mais tempo e energia a tarefas e eventos;
Que têm suas agendas repletas de eventos e não de relacionamentos;

domingo, 7 de abril de 2013

Nuvem em formato de anjo chama atenção na Flórida

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Nesta quinta-feira  uma nuvem que segundo testemunhas, se parecia com um anjo chamou atenção de milhares de pessoas no sul da Flórida, nos Estados Unidos.
Segundo dados do site WPVT, a nuvem em forma de anjo foi rapidamente associada à recente escolha do novo Papa, onde muitos encararam como uma confirmação divina para o Papa Francisco.
De acordo com a emissora, mais de 34.000 pessoas viram as fotos da nuvem em sua página no Facebook e centenas de pessoas compartilharam seus sentimentos sobre o significado do fenômeno natural.
Além das pessoas que viram um sinal religioso no fato, outras afirmaram que a nuvem se assemelhava a outras coisas, como um macaco. Outros espectadores falaram ainda sobre o termo científico para esse tipo de associação, lembrando que “ver formas e rostos em objetos não humanos é chamado de pareidolia”.

Pesquisa revela que Coca-Cola é mais conhecida que Jesus Cristo no mundo

Pesquisa revela que Coca-Cola é mais conhecida que Jesus Cristo no mundo
A empresa de consultoria Interbrand, apresentou uma pesquisa onde mostra que no ano de 2012 a Coca-Cola é a marca internacionalmente mais conhecida. Criada em 1886, a multinacional produz cerca de 3.500 produtos, está presente em todos os 200 países do globo e investe por ano aproximadamente dois bilhões de dólares em publicidade.
Os resultados da pesquisa foram impressionantes, pois ao redor do mundo 94% das pessoas conhecem ou já ouviram falar da marca de refrigerante, superando o número de pessoas que reconhecem a crus como símbolo do Cristianismo, que não passa de 54% das pessoas de todo o mundo que tenham este conhecimento.
O Instituto de Consultoria de Marketing Sri Sharada estudou as estratégias de promoção da Coca-Cola e afirma : “A pesquisa garante que essa marca é reconhecida por mais de 94% da população do mundo. Há muitos fatores que contribuem para o sucesso da Coca-Cola, no entanto, os principais fatores de seu sucesso são inovação, marketing, e globalização”.
Segundo o site Unfinished Task [Tarefa inacabada], que acompanha o crescimento da população e o número total de cristãos, estima que dos quase 7 bilhões de habitantes do planeta, 3.6 bilhões de pessoas “não tem oportunidade de ouvir e compreender o Evangelho.

Missionários presos no Senegal recebem liberdade provisória



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Rev. José Dilson e Marlí – APMT (esquerdo); e Missionária Zeneide Novaes – Missão Servos (direito)
A APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, da Igreja Presbiteriana do Brasil, vem com extrema alegria informar a todos que nossos irmãos Rev. José Dílson Alves da Silva (APMT), e Zeneide Novaes Morais (Missão Servos), receberam a liberdade provisória hoje 05/04/2013, às 16h10m. Já estão fora do presídio. No prazo de até 30 dias, haverá o julgamento do processo.
Tanto o Rev. José Dílson como a Zeneide cumprirão os procedimentos que envolvem a sua liberdade provisória. O juiz responsável pelo caso definirá quais serão os protocolos que ambos deverão observar nessa fase.
Precisamos continuar a orar e buscar a sabedoria do Senhor para que os advogados contratados pelo APMT – IPB tenham a sabedoria no acompanhamento processual e no levantamento de provas para inocentá-los definitivamente.
Expressamos a mais alta estima e gratidão a todos aqueles que têm investido seu tempo para que essa causa chegue a bom termo e glorifique ao Deus que nos chama para servi-lo e adorá-lo.
Em nome de toda a equipe da APMT no Brasil e no Senegal,
Rev. Marcos Agripino C. de Mesquita
Executivo da APMT – IPB

Matthew, filho do Pr. Rick Warren, comete suicídio, diz igreja

Rick Warren com sua esposa
 
Matthew DeLuca, NBC News
O filho mais novo de Rick Warren, autor do livro “Uma Vida com Propósito,” cometeu suicídio, o pastor evangélico disse numa carta aos membros de sua igreja no sábado.
Matthew Warren, o filho mais novo de Warren e sua esposa Kay, morreu depois de uma longa batalha com doença mental, de acordo com a declaração da Igreja Comunidade Saddleback Valley em Lake Forest, Califórnia. A igreja pediu que “todos se unam a nós em oração pela família Warren inteira” no sábado.
“Aos 27 anos de idade, Matthew era um jovem incrivelmente amável, gentil e compassivo cujo espírito doce era ânimo e consolo para muitos,” a Igreja Saddleback disse na declaração. “Infelizmente, ele também sofria de doença mental que provocava profunda depressão e pensamentos de suicídio.”
Warren escreveu sobre a morte de seu filho numa carta emotiva para sua igreja, chamando seu filho de um “homem incrivelmente amável, gentil e compassivo.”
“Nenhuma palavra pode expressar o sofrimento e a angústia que estamos sentindo neste momento,” Warren escreveu na carta. “Ele tinha um intelecto brilhante e um dom de sentir quem estava sofrendo mais ou estava mais desconfortável numa sala. Ele faria contato direto com essa pessoa para se envolver com ela e lhe dar encorajamento.”
“Apesar dos melhores médicos, medicamentos e conselheiros dos Estados Unidos e apesar de orações por cura, a tortura da doença mental nunca diminuiu,” Warren escreveu aos membros da igreja. “Hoje, depois de uma tarde divertida junto com minha esposa e eu, numa onda momentânea de desespero em seu lar, ele tirou a própria vida.”

Dory e a música do demônio!





Por Josemar Bessa

Tiago diz: “Irmãos, não se queixem uns dos outros, para que não sejam julgados. O Juiz já está às portas!” - Tiago 5:9 – Murmurar, mau-humor... é a epidemia de uma geração que tem mais conforto do que qualquer outra geração que já existiu.

Tiago está falando sobre o pecado de murmurar contra as outras pessoas... É um pecado terrível, diz Deus... destrói... Ele julgará! Reclamar é a coisa mais comum no coração caído... por isso é a coisa mais comum em nossa sociedade, e infelizmente, na igreja, naqueles que dizem estar em Cristo... Reclamamos sobre tudo! Leia as redes sociais, por exemplo, e veja qual é o tema mais recorrente.

Paulo se junta a Tiago ao dizer: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” - Filipenses 2:14-15 – Nenhum dos dois coloca isso como algo periférico, um diz: “...para que não sejam julgados. O Juiz está às portas” – o outro: “...para que sejais...filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa...” – Não há nada de periférico nas afirmações apostólicas.

Paulo diz: “Fazei TODAS as coisas sem murmuração...” – Não é possível olhar o ensino bíblico e tratar desse assunto como um defeito de sua personalidade, temperamento... deve haver verdadeiro arrependimento vendo esta realidade como uma expressão da natureza caída e pecaminosa. Não é apenas desabafo... não devemos dar outro nome para fugirmos da claro mandamento de Deus, é pecado!

Quando penso em resmungos, mau-humor... lembro de “Procurando Nemo” – Rsrsrsrs – Dory, no filme, repreende de maneira delicada o pai de Nemo – que tinha um problemão, seu único filho desaparecido... mas que de forma nenhuma era desculpa para a manifestação de uma personalidade resmungona... Dory o repreende chamando-o de senhor “Grumpy Gills” – (Guelras mal-humoradas) – cantando para ele uma canção para o animar, nos lembrando que murmuração e mau humor são irmãos gêmeos.

Tiago e Paulo estão falando com pessoas vivendo problemas graves nas igrejas locais... em suas vidas pessoais... perseguições mortais... martírio... E para os mais sensíveis, vamos ser sinceros, Paulo e Tiago não são tão doces e fofos como a Dory é com o pai de Nemo.

O contexto deles naqueles dias era a realidade do duro sofrimento. A presença da perseguição: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” - Filipenses 1:29  - “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” - Tiago 5:10-11. Se seus resmungos eram inaceitáveis e pecado, diante do sofrimento, perdas, morte por martírio, perseguição, prisão... imagine as motivações das reclamações de nossos dias diante da face de Deus? A questão do Espírito Santo através desses textos é nos pressionar com a Verdade que em meio a QUALQUER dificuldade, reclamar, murmurar, mau-humor... nunca é uma opção para um filho de Deus.

As coisas mais banais como trânsito, filas... qualquer pequena coisa que nos atinge... qualquer esbarrão que outras pessoas nos dão... leva ao mau-humor, rispidez, frases no Facebook, sarcasmo, deboche... PECADO! Está em toda parte! Qualquer pressão sobre você, Bum!!! Resmungar sobre os outros e a situação é o caminho imediato... Mesmo só em sua mente seria pecado, mas queremos ir mais, tornar tudo palavras, ir mais, escrever numa rede social para o mundo ver... Abraçando assim o pecado como algo precioso...

Você não pode fazer isso ao mesmo tempo que retém a Verdade de Deus em sua vida – “Retendo a palavra da vida” - Filipenses 2:16 -  Quando reclamamos é porque abraçamos as dificuldades, abraçamos um “ego sensível”... e não a Palavra de Deus, suas promessas, soberania... Estamos dizendo para Deus: “Meu coração é muito mais afetada pelos problemas do que pela tua Graça!”

O que Tiago está dizendo, por exemplo, em linguagem mais clara, é: “Cale a boca e pare de reclamar!” – Como? Você pergunta – Tiago responde com Paulo – Paciência!! “Suportando-vos uns aos outros em amor” (Efésios 4.2) o que é contrastado com retaliação em 1 Tessalonicenses 5.14,15. A palavra usada – stenazo, para resmungar... tem como significado aqui duplo – Que os filhos de Deus não devem reclamar com os outros SOBRE suas dificuldades e também não devem culpar os outros POR suas dificuldades.

Uma pessoa resmungona culpa outros por seus problemas, culpa situações... e está constantemente frustrado, estressado, irritado com suas dificuldades e sofrimentos, e faz com que todos saibam sobre isso com suas palavras. Normalmente isso acontece com as pessoas mais próximas, mas agora com o fenômeno das redes sociais... elas tem sido usadas como o megafone desse pecado para os que estão distantes. Isso não é um pequeno tropeço, diz Paulo e Tiago, é pecado! Teste-se: Pergunte ao seu cônjuge, amigos se eles tem sido os destinatários de seus resmungos. Leia o que você escreveu nas redes sociais no último mês...

Os dois apóstolos dizem – coloquem uma mordaça na sua boca e seja paciente. Pense em Israel caminhando no deserto... foram redimidos da escravidão no Egito... você foi redimido por Cristo? – O deserto não era um lugar confortável... havia pessoas demais próximas... as condições não eram boas... muitas vezes faltava água... eles caminharam resmungando... e nunca chegaram a terra prometida. Podemos clamar a Deus com gemidos, e Deus ouve e ajuda, mas filhos de Deus nunca podem resmungar. Essa é a grande marca da incredulidade. Um minuto no céu e nós veremos o horror infinito de uma única reclamação. Despejamos o tempo todo nossa impaciência. Costumo ver pessoas que levaram anos para entender uma doutrina, derramando impaciência, sarcasmo... para quem está demorando dias para entender...  Nós não exigimos idade adulta instantânea, maturidade... mas exigimos que aqueles que são maduros parem de resmungar. Normalmente os que mais reclamam são os que dão mais motivos para que todos reclamassem dele.

Grandes bênçãos são minimizadas, pequenos problemas são ampliados... Foi assim que uma multidão morreu no deserto. Pense em toda profunda Doutrina ensinada na Carta aos Efésios... a magnificência de cada uma delas sendo definidas... depois disso, a resposta que é exigida de nós é que “com toda a humildade e mansidão, sejamos pacientes suportando uns aos outros em amor” – Efésios 4.2

Tiago não nos deixa só no negativo: “Cale a boca!” – Ele nos mostra o positivo, em como nossa vida deve ser modelada: “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” - Tiago 5:10-11 – Dificuldades insondáveis caíram sobre ele. Dez filhos mortos. Todos os bens perdidos. Amigos que o perseguem e não consolam. Esposa com conselhos de morte... doença física com aflição indescritível... Tiago está dizendo: Você acha que tem problemas? Olhe para Jó! Siga por este caminho...

O maior de todos os antídotos é olhar para Cristo: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” - Isaías 53:7 -  Se ele não abriu a boca nestas circunstâncias... tomando nossas maldições sobre a cruz... o único homem santo e inocente que jamais viveu... Se sofrendo como nosso substituto, pelas nossas transgressões, não “abriu a boca”... quando sendo inocente foi espancado, cuspido, crucificado, assassinado... morrendo pelos pecados dos resmungões, como continuaremos no pecado? Como o justificaremos? Ele absorveu a ira de Deus que era nossa. O que temos para reclamar? Não podemos ser filhos de Deus, brilhar como luzeiros em meio as trevas sendo senhores e senhoras “Grumbly Gills”. Ele capacita a todos os que Ele regenera a viverem alegremente em todas as circunstâncias:

“Regozijai-vos sempre.” -  1 Tessalonicenses 5:16

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos”. - Filipenses 4:4

Lembre-se da bela canção de Dory para o pai de Nemo. Não cante música diferente. É Melhor ser mudo que murmurar, pois essa é a música do demônio!

sábado, 6 de abril de 2013

Autoridade para manipular crentes!


Fiquei feliz em receber o convite para estar escrevendo ao blog dos 30. Com certeza este espaço será ótimo para a nossa reflexão profunda, pois o nível dos artigos estão excelentes. Espero contribuir de alguma forma também.
Hoje gostaria de abordar sobre um assunto que tem me causado inquietações constantes, tamanha gravidade dos fatos.
É notório que, atualmente vivemos em uma crise no meio eclesiástico Brasileiro. Muitas pessoas estão deixando de frequentar à igreja, desiludidas, feridas e desanimadas com o ambiente eclesiástico. Alguns podem afirmar o contrário, tendo em vista as últimas pesquisas que apontam um crescimento na população evangélica Brasileira, ou até mesmo por causa das diversas igrejas existentes em nosso país que possuem suas "super lotações" (MIR, Renascer, Sara Nossa Terra, IURD, igreja Mundial, Fonte da Vida, Luz para os Povos, etc.), porém não podemos esquecer que - no mínimo, na mesma proporção - ocorre também a saída de pessoas de tais igrejas por diversos motivos, tais como: decepções, abusos autoritários, manipulações, distorções bíblicas, ênfase no dinheiro, etc.
Tenho lido muitos artigos na internet que vem sendo divulgados sobre o tema, também existem diversos livros que estão sendo lançados pelo mundo com o objetivo de encontrar explicações para esta crise eclesiástica, tentando apontar algumas soluções para contornar a situação. Atualmente estou lendo o livro "Porque você não quer mais ir à igreja" - de Wayne Jacobsen e Dave Coleman - que trata exatamente sobre este tema.
Creio que é chegado o momento de abordarmos este assunto, com responsabilidade e temor, e começar a analisar alguns aspectos críticos e preocupantes desta problemática.
Em síntese, na minha opinião, o "ponto nefráugico" está exatamente na questão teológica. Os ensinamentos Bíblicos de muitas igrejas são superficiais, indutivos, interesseiros, fragmentados e místicos.
Superficiais, porque falta um preparo teológico hermeneuticamente correto, falta dedicação, falta zelo pela palavra de Deus e falta pregações expositivas, pois é repassado um ensino bíblico "enlatado" e fragmentado em detrimento de uma interpretação exegeticamente honesta e correta. Indutivos e interesseiros, porque visa exclusivamente os interesses particulares de seus líderes. Fragmentados e místicos, porque é pregado passagens fora de seus devidos contextos para que as mesmas sejam alegoricamente colocadas de uma forma mística.

Tudo isso, ao meu ver, se torna o ponto de partida para os "absurdos" que vemos hoje em dia.

Um desses "absurdos" que mais influenciam na saída de pessoas dessas denominações é exatamente o que vou colocar a seguir. Trata-se de um assunto delicado, pois toca diretamente na parte estrutural das denominações. Falarei sobre "autoridades eclesiásticas".
Para quem se afastou da igreja, ou para quem está congregando em alguma, quando escutam esta frase, logo vem em mente à figura da liderança principal da igreja, aquela pessoa eloquente e "ungida" que é supostamente "bem preparada" teologicamente, aquele que foi escolhido por Deus para ser o líder da igreja, a voz que decide tudo sobre a congregação, a palavra final e absoluta - a "cobertura espiritual" da igreja, a “autoridade eclesiástica” de todos os membros da mesma.
É impressionante e assustador a quantidade de casos que já presenciei de líderes que usam e abusam desta suposta "autoridade".
Um exemplo posso citar logo abaixo. Veja o que um conhecido Bispo de uma igreja neopentecostal colocou a respeito de sua "autoridade" perante os demais membros:

Quando você estuda a Bíblia percebe, entre outras coisas, a importância da cobertura espiritual sobre nossas vidas. Cobertura esta manifestada através da Igreja e de suas autoridades delegadas. A cobertura espiritual é o condutor do que a Igreja pode nos oferecer. Como a Igreja é o Corpo do nosso Senhor Jesus, tudo o que o Senhor Jesus pode fazer em nós e através de nós acontece quando estamos sujeitos à cobertura espiritual. [...] Foi Deus que instituiu a cobertura espiritual em nossas vidas, e segundo o Apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, ela foi constituída para o nosso bem. Ela é importante para nossa vida, pois demarca limites em nossas vidas. [...] O nosso Deus é um pai bondoso e atencioso. Como bom Pai que é Ele estabelece limites para crescermos saudáveis e através da autoridade espiritual por Ele constituído é que somos edificados para este crescimento. Reconheça a cobertura espiritual de Deus para a sua vida. A cobertura da Igreja, pois com ela você poderá declarar que “nenhuma arma forjada contra você prosperará”, pois este é seu direito como membro coberto da Igreja de Jesus.
Autor: Bispo Fábio Sousa


Vejam o quão oportunista é este discurso acima. Posso afirmar com conhecimento de causa - conheço bem esta denominação - que tal colocação é ensinada e repassada à todos os membros desta igreja, os pastores ensinam aos seus discípulos o mesmo conteúdo que aprenderam de sua "cobertura espiritual", e assim por diante. Para todos que começam a frequentar os cultos desta denominação, recebem tais ensinamentos.
A “autoridade” é colocada diretamente nos líderes da denominação, para que ninguém ouse a se levantar com alguma coisa dita, ensinada ou praticada por tais líderes. O famoso discurso de "não toqueis nos ungidos de Deus".

O primeiro argumento que podemos analisar é que, o ensino de cobertura espiritual carece de sustentação exegética.
Frank Viola, em seu livro "Quem é tua cobertura?", com muita propriedade disserta sobre o tema, veja abaixo:

- É surpreendente que a palavra “cobertura” apareça apenas uma vez em todo o NT. É usada referindo-se à cabeça coberta da mulher (1 Cor. 11:15). Ao passo que o Antigo Testamento (AT) utiliza pouco este termo, sempre o emprega referindo-se a uma peça do vestuário natural. Nunca é utilizado de maneira espiritual ligando-o a autoridade e submissão.
Portanto, a primeira coisa que podemos dizer acerca da “cobertura” é que há escassa evidencia Bíblica para construir-se uma doutrina. Não obstante, incontáveis cristãos repetem como papagaios à pergunta “quem-é-tua-cobertura?” e insistem nela como se fosse a prova do ácido que mede a autenticidade de uma igreja ou ministério.
Se a Bíblia silencia com respeito à idéia da “cobertura” o que é que se pretende dizer com a pergunta, “Quem é tua cobertura”? A maioria (se insistíssemos) formularia esta mesma pergunta em outras palavras: “A quem você presta contas?”.
Mas isso suscita outro ponto difícil. A Bíblia nunca remete a prestação de contas a seres humanos, mas exclusivamente a Deus! (Mat. 12:36; 18:23; Luc. 16:2; Rom. 3:19; 14:12; 1 Cor. 4:5; Heb. 4:13; 13:17; 1 Ped. 4:5).
Por conseguinte, a sadia resposta Bíblica à pergunta “a quem prestas contas?” É bem simples: “presto contas à mesma pessoa que você, a Deus”. Assim, pois, é estranho que tal resposta provoque tantos mal entendidos e falsas acusações.
Deste modo, embora o tom e o timbre do “prestar contas” difira apenas da “cobertura”, a cantilena é essencialmente a mesma, e sem dúvida não harmoniza com o inconfundível canto da Escritura.
Trazendo à Luz a Verdadeira Pergunta que se Esconde Atrás da Cobertura Ampliemos um pouco mais a pergunta. Que é que se pretende realmente dizer na pergunta acerca da “cobertura”? Permito-me destacar que a verdadeira pergunta é, “Quem te controla?”.
O (maléfico) ensino comum acerca da “cobertura” realmente se reduz a questões acerca de quem controla quem. De fato, a moderna igreja institucional está construída sobre este controle.Consequentemente, a gente raras vezes reconhece que é isto que está na base da questão, pois se supõe que este ensino esteja bem ancorado nas Escrituras. São muitos os cristãos que crêem que a “cobertura” é apenas um mecanismo protetor.
Assim, pois, se examinarmos o ensino da “cobertura”, descobriremos que está baseado em um estilo de liderança do tipo cadeia de comando hierárquico. Neste estilo de liderança, os que estão em posições eclesiásticas mais altas exercem um domínio tenaz sobre os que estão debaixo deles. É absurdo que por meio deste controle de direção hierárquica de cima para baixo se afirme que os crentes estejam protegidos do erro.
O conceito é mais ou menos o seguinte: todos devem responder a alguém que está em uma posição eclesiástica mais elevada. Na grande variedade das igrejas evangélicas de pós guerra, isto se traduz em: os “leigos” devem prestar contas ao pastor. Que por sua vez deve prestar contas a uma pessoa que tem mais autoridade.O pastor, tipicamente, presta contas à sede denominacional, a outra igreja (muitas vezes chamada de “igreja mãe”), ou a um obreiro cristão influente a quem considera ter um posto mais elevado na pirâmide eclesiástica.
De modo que o “leigo” está “coberto” pelo pastor, e este, por sua vez, está “coberto” pela denominação, a igreja mãe, ou o obreiro cristão. Na medida que cada um presta contas a uma autoridade eclesiástica mais elevada, cada um está protegido (“coberto”) por essa autoridade. Esta é a idéia.Este padrão de “cobertura-responsabilidade em prestar contas” se estende a todas as relações espirituais da igreja. E cada relação é modelada artificialmente para que encaixe neste padrão. É vedada qualquer relação fora disto – especialmente dos “leigos” com respeito aos “líderes”.

Mas esta maneira de pensar gera as seguintes perguntas: Quem cobre a igreja mãe? Quem cobre a sede denominacional? Quem cobre o obreiro cristão?
Alguns oferecem a fácil resposta de que Deus é quem cobre estas autoridades “mais elevadas”.
Mas esta resposta enlatada demanda outra questão: O que impede que Deus seja diretamente a “cobertura” dos “leigos”, ou mesmo do pastor?

Sem dúvida, o problema real com o modelo “Deus-denominação-clero-leigos” vai bem além da lógica incoerente e danosa a que esta conduz. O problema maior é que este modelo viola o espírito do Novo Testamento, porque por trás da retórica piedosa de “prover da responsabilidade de prestar contas” e de “ter uma cobertura”, surge ameaçador um sistema de governo que carece de sustento bíblico e que é impulsionado por um espírito de controle.
***
O ensino da cobertura espiritual se encaixa exatamente neste sentido que Frank Viola explicou acima. Seria uma espécie de "proteção espiritual" de líderes para com seus "controlados" membros da igreja. Quem estiver debaixo da cobertura, supostamente estará protegido de ataques do maligno, de doenças, de crises financeiras, etc. Ao contrário, quem ousará ir contra sua própria “cobertura espiritual”, aquele que é “autoridade espiritual” sobre sua própria vida? Vejam só a gravidade do problema, é aí que começa a manipulação eclesiástica que (também) tem contribuído para desistências congregacionais de pessoas.
O referido Bispo erra em afirmar que o crente tem que estar debaixo de uma cobertura para se proteger, pois com isso ele nega a responsabilidade individual de cada um perante seus atos (Rm 14:12), e o pior, condiciona um poder de proteção espiritual para ele próprio, proteção esta que só Jesus pode nos dar. O Bispo afirma que "o agir de Jesus" no crente está condicionado ao mesmo estar debaixo da cobertura deles. Um absurdo! Onde está isso na Bíblia?

Se alguém pecar, não vai ser uma "cobertura" que vai livrar esta pessoa das consequências de seu pecado. E também não vai ser uma "cobertura eclesiástica" que vai livrar o Cristão da "contaminação do mundo". A santificação do Cristão agora depende de cobertura espiritual? Absolutamente não!
Este ensino escraviza e acomoda o Cristão a uma falsa proteção de líderes que, na verdade estão interessados em somente controlar e manipular os membros de suas mega-congregações. É Deus quem nos guarda e protege e não um líder eclesiástico com sua falsa doutrina de "cobertura de controle".
O referido Bispo, abusando de sua teologia distorcida, erra também na afirmação de que nas igrejas existem "autoridades delegadas" que seriam os líderes eclesiásticos. O mesmo cita Romanos 13 para averbar sua colocação de que o Cristão deve se submeter as "autoridades delegadas por Deus".

Claro que temos obrigação de nos submeter às autoridades, conforme esta passagem nos mostra, porém estas autoridades citadas em Romanos de maneira alguma são os líderes eclesiásticos!
Romanos 13, pelo contexto, é direcionado especificamente as “autoridades governamentais e jurídicas”. Não há evidência, nem margem exegética nenhuma para afirmar que “também” é direcionada a “autoridade eclesiástica”. Quem afirmar o contrário estará torcendo o texto sem seguir o contexto, desrespeitando assim as regras de exegese e hermenêutica!

Para se ter uma idéia desta tamanha distorção, Jesus foi bem categórico quando falou sobre este mesmo assunto:

"Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Mt 20:25-28 (Grifo meu).

Nesta passagem, a Bíblia nos narra quando a mulher de Zebedeu - mãe de Tiago e João - veio até Jesus com seus filhos para pedir que colocasse em seu reino os mesmos em posição de honra e autoridade ao lado direito e esquerdo de Cristo(vs 21). Porém, Jesus foi categórico com eles, como podemos constatar nos versos seguintes.
Será que Paulo em Romanos estaria se contradizendo com JESUS sobre o tema? Será que realmente existem crentes que são “autoridades superiores” perante outros crentes na igreja? Com certeza não! Quem se contradiz são aqueles que afirmam que Rm 13 é direcionado também para a autoridade eclesiástica. Não existe base bíblica neotestamentária para que um crente tenha autoridade espiritual sobre outro crente. Isso é invenção de líderes dominadores que querem manipular e controlar o rebanho da Igreja de Cristo.
A única “autoridade espiritual” que existe na igreja perante os crentes é JESUS. A Bíblia diz em Mt 28:18 Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”. (grifo meu)

Jesus é o cabeça do corpo de Cristo, nós todos somos os membros. Nenhum membro do corpo pode exercer superioridade através de autoridade espiritual a outro membro, somente o cabeça (que é Cristo) é que controla todo o corpo. É assim na igreja. Jesus tem autoridade sobre toda a igreja. Todo crente que estiver em Cristo tem a mesma autoridade espiritual que é concedida através de Jesus (1Pe 2:9). O véu foi rasgado, todos nós temos acesso. A unção é a mesma, a autoridade é a mesma, o acesso ao Pai é igual para todos! (Veja 1 Co 12).
A igreja com certeza é uma instituição organizada que foi estabelecida por Cristo, pois sabemos que existem dons e ministérios necessários para a edificação e organização da congregação. Sabemos também que algumas funções têm como objetivo de liderar e coordenar a igreja. Se não fosse assim, teríamos uma verdadeira baderna, e o culto ao a Deus com decência e ordem, não seria possível. Porém, nenhum desses dons autentica o direito de ser “autoridade espiritual” sobre os demais crentes.

É importante colocar que não devemos confundir a “autoridade” de Romanos 13 com a “obediência e submissão” de Hebreus 13:17, vejamos:

Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”. Hb 13:17 (grifo meu)

Analisando esta passagem:

Obedecei = deixar-se guiar / submeter-se

Submisso (vocábulo "submeter") = grego: hupotaso = sujeição voluntária / obediente / respeitoso / sujeito.

Repare agora na diferença etimológica comparando-se à palavra “autoridade” citada em Rm 13:

Autoridade = poder de mandar / domínio / poder público. (dicionário Aurélio).

Termo grego para autoridade: Exousia = deriva da palavra exestin, que significa uma ação possível e legítima que pode ser levada a cabo sem obstáculo.

Frank Viola comentou sobre esta questão também:

- A autoridade (exousia) relaciona-se com manifestação e comunicação de poder. Mais especificamente, a autoridade é o direito de realizar uma ação particular. A Escritura ensina que Deus é a fonte única de toda autoridade (Rom. 13.1), e esta autoridade foi conferida à Seu Filho (Mat. 28:18; João 3:30-36; 17:2).
Apenas Jesus Cristo tem autoridade. O Senhor Jesus disse claramente, “Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”. Ao mesmo tempo, Deus delegou Sua autoridade aos homens e mulheres deste mundo para propósitos específicos.
Por exemplo, na ordem natural, Deus instituiu diversas esferas onde Sua autoridade deve ser exercida (Efésios 5:22-6:18; Col. 3:18-25). Estabeleceu certas “autoridades oficiais” com o propósito da preservação da ordem sob o sol. Aos oficiais governamentais, como reis, magistrados e juízes, foi dada esta autoridade (João 19:10, 11; Rom. 13:1 ss.; 1 Tim. 2:2; 1 Ped. 2:13-14).
A autoridade oficial é autoridade conferida a um oficio estático. Funciona independente das ações da pessoa que a ocupa. A autoridade oficial é autoridade posicional e fixa. Enquanto a pessoa ocupar o cargo, tem autoridade.Quando alguém exerce as funções de autoridade, o recipiente chega a ser “uma autoridade” por seu próprio direito. É por esta razão que se exorta aos cristãos que se sujeitem aos líderes governamentais – não importando seu caráter (Rom. 13:1; 1 Ped. 2:13-19).Nosso Senhor Jesus, assim como Paulo, mostraram espírito de sujeição quando compareceram ante a autoridade oficial (Mat. 26:63-64; Atos 23:2-5). De maneira similar, devemos sempre nos sujeitar a esta autoridade. A ausência de lei e o desprezo pela autoridade são sinais de uma natureza pecadora (2 Ped. 2:10; Judas 8). Ao mesmo tempo, a sujeição e a obediência são duas coisas bem diferentes, e é um erro fatal confundi-las.

Sujeição Versus Obediência.

Em que difere a sujeição da obediência? A sujeição é uma atitude. A obediência é uma ação. A sujeição é absoluta. A obediência é relativa. A sujeição é incondicional. A obediência é condicional. A sujeição é um assunto interior. A obediência é um assunto exterior.

Deus nos convoca a ter um espírito de humilde sujeição diante daqueles que Ele colocou em autoridade sobre nós na ordem natural. Contudo, não podemos obedecer-los se nos mandam fazer o que viola Sua vontade, porque a autoridade de Deus é maior que qualquer autoridade terrena.

Não obstante, você pode desobedecer enquanto se submete. Pode desobedecer a uma autoridade terrena mantendo um espírito de humilde sujeição. Pode desobedecer e ao mesmo tempo manter uma atitude de respeito e reverencia distinto do espírito de rebelião, injuria e subversão (1 Tim. 2:1-2; 2 Ped. 2:10; Judas 8).
A desobediência das parteiras hebréias (Ex. 1:17), os três jovens hebreus (Dn. 3:17-18), Daniel (Dn. 6:8-10), e os apóstolos (Atos 4:18-20; 5:27-29) exemplificam o principio de estar sujeito a uma autoridade oficial ao mesmo tempo em que desobedece quando esta se choca com a vontade de Deus.
Se Deus estabelece autoridade oficial para operar na ordem natural, ele não instituiu este tipo de autoridade na igreja. É por essa razão que os líderes eclesiásticos silenciam diante dos argumentos de Paulo na esfera da autoridade em Efésios 5-6 e Colossenses 3.
Deus dá autoridade (exousia) aos crentes para exercer certos direitos. Entre eles está a autoridade (exousia) de serem feitos filhos de Deus (João 1:12), possuir propriedades (Atos 5:4), decidir casar-se ou não (1 Cor. 7:37), decidir o que comer ou beber (1 Cor. 8:9), curar enfermidades (Mar. 3:15), expulsar demônios (Mat. 10:1; Mar. 6:7; Luc. 9:1; 10:19), edificar a igreja (2 Cor. 10:8; 13:10), receber bênçãos especiais associadas a certos ministérios (1 Cor. 9:4-18; 2 Tes. 3:8-9), ter autoridade sobre as nações e comer da árvore da vida no reino futuro (Ap. 2:26; 22:14).

Mas em nenhuma parte a Bíblia ensina que Deus deu autoridade (exousia) aos crentes sobre outros crentes!

Recordemos a palavra de nosso Senhor em Mateus 20:25-26 e Lucas 22:25-26 onde condena as formas de autoridade tipo exousia entre seus seguidores. Este fato deve ser motivo para uma séria reflexão.
Portanto, sugerir que os líderes na igreja devem exercer o mesmo tipo de autoridade que os dignitários representa logicamente um salto e uma excessiva generalização. Uma vez mais, o NT nunca vincula a exousia aos líderes da igreja, nem estabelece que alguns crentes tenham exousia sobre outros crentes.
Sem dúvida, o AT descreve os profetas, sacerdotes, reis e juízes, como autoridades oficiais. Isto se deve ao fato destes “ofícios” serem sombras da autoridade ministerial do próprio Jesus Cristo. Cristo é o verdadeiro Profeta, Sacerdote, Rei e Juiz. Mas no NT nunca encontramos qualquer passagem que descreva ou represente algum líder enquanto autoridade oficial. Isto inclui os guardiões locais, assim como aos obreiros de fora.
Para ser franco, a noção de que os cristãos têm autoridade sobre outros cristãos é um exemplo de exegese forçada e, como tal, é biblicamente insustentável. Quando os líderes da igreja exercem o mesmo tipo de autoridade que desempenham os oficiais governamentais, tornam-se usurpadores!
Certamente, a autoridade funciona na igreja, mas esta autoridade que funciona na ekklesia é notavelmente diferente da que se exerce na ordem natural. Isto faz sentido na medida em que a igreja não é uma organização humana, mas um organismo espiritual. A autoridade que opera na igreja não é oficial. É orgânica!

***
Nós devemos ter os nossos líderes e pastores de uma maneira respeitosa e submissa, no sentido de “deixar os mesmos nos guiar na Palavra e no ensino de Deus”. Devemos confiar com segurança que os mesmos são servos de Deus para cuidar, apascentar e ensinar a Igreja de Cristo e também para coordenar a igreja em sua forma funcional e organizacional. O Pastor merece honra, reconhecimento e respeito de todos da Igreja. Porém o líder também é humano, sujeito a erros e a pecados, bem como a exortação e repreensão.
Mas, jamais devemos ter nossos pastores ou líderes como se fossem superiores aos demais irmãos da igreja, como se os mesmos possuíssem “unção diferenciada” ou “poderes especiais”. Somos co-herdeiros em Cristo, o véu foi rasgado e temos acesso à vida através de Jesus, bem como a unção procede diretamente de Deus para todo o Corpo de Cristo. Temos todos a mesma unção e os mesmos direitos, não precisamos de nenhum “homem mediador” para ter acesso ao pai. O único mediador entre Deus e os homens é JESUS CRISTO!

Currais, pocilgas, galinheiros e cobertura espiritual



Por Renato Vargens

Há pouco estava conversando com um amigo que me relatou que um apóstolo de sua cidade, havia transformado sua igreja em um "curral eleitoral". Incomodado com isto, resolveu confrontar o apóstolo afirmando-lhe de que não era correto manipular o povo de Deus em detrimento a valores escusos. No entanto, para surpresa do meu amigo, o apóstolo respondeu dizendo: Eu faço curral, pocilga e galinheiro e tudo mais que a minha cobertura espiritual ordenar.

Caro leitor, se não bastasse o absurdo de fazer do povo de Deus massa de manobra, esse profeteiro do diabo acredita e dissemina doutrinas absolutamente antagônicas aos ensinos das Escrituras. Há pouco, Renê Terra nova afirmou que o motivo de João Batista ter sido decaptado se deveu ao fato de ter duvidado da autoridade de Jesus, introjetando sorrateiramente sobre os seus liderados o falso ensino de que ele como patriarca apostólico não pode ser questionado, mesmo porque, se alguém o fizer sofrerá severas consequências espirituais.

Pois é, para as igrejas que adotam o sistema de cobertura, o discipulo não pode fazer absolutamente nada sem a autorização do seu "discipulador". Nesta perspectiva, o pastor tem poder para determinar aquilo que o seu seguidor deve fazer. Sei de casos de pessoas que não podem mudar de casa sem que o pastor concorde, ou de outros que não podem vender absolutamente nada, sem que a autoridade espiritual aceite o fato. Além disso, é comum observarmos que os pastores em questão, usam do nome de Deus para decidir se o discípulo deve ou não namorar, se pode ou não ir para a praia, se deve ou não ter filhos, ou como deve se portar dentro de suas próprias casas. Tais lobos interferem na da vida comum do lar, intervindo na educação dos filhos ou até mesmo na vida sexual do casal.

Infelizmente tais homens, ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo sua propriedade particular. Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde ditadura e arbitrariedade se misturam.
Para nossa vergonha, aqueles que porventura ousam opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis sendo chamados de rebeldes e tornando-se passíveis de punição, cuja consequência final é a exclusão e exposição pública.

Há pouco soube da história de uma moça que ao migrar de comunidade para outra foi amaldiçoada pelo pastor, que lhe disse que caso não se arrependesse e voltasse para a sua igreja morreria de câncer. Ora, por favor, pare e pense: Isso não parece macumba? Sinceramente em não consigo entender este evangelho pregado pelos lobos da fé. Infelizmente, em nome de Deus, tais pessoas rogam “pragas e desgraças” para aqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade. Em certas igrejas a palavra “rebeldia” tem sido usada para todo aquele que foge dos caprichos fúteis de uma liderança enfatuada. Em tais comunidades, discordar do pastor quase que implica com que o nome seja colocado na “boca gospel do sapo”.

Se não bastasse esse grande imbróglio, os membros das comunidades despóticas vivem em constante estado de pavor, isto porque, em virtude do pânico impetrado pelos ditadores da fé, temem sofrer sanções espirituais, levando-os a uma vida cujo comportamento é quase que esquizofrênico.

Isto posto, sou obrigado a afirmar que a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra trás valores, virtudes e princípios como afetividade, amor e respeito.

Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras. Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor, posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso Senhor como a comunidade dos santos.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Homofobia: Não cabe ao cristão discriminar


Por Elben M. Lenz César

Além de não poder praticar nem dar seu aval à conduta sexual adulterina e à homossexual, o cristão precisa aprender a arte da convivência com aqueles que as praticam. Por ter se comprometido espontaneamente com Cristo ao se converter, o cristão é membro de uma comunidade cristã e responsável por seu comportamento e testemunho. Porém, ele não é retirado do mundo, da sociedade no meio da qual vive. Segundo Paulo, o cristão não deve ficar separado dos não-cristãos, que vivem a seu bel-prazer. Para viverem separados, os cristãos “teriam de sair deste mundo” (1Co 5.10, NTLH), atitude com a qual Jesus não concorda. Na oração sacerdotal do Cenáculo, Jesus é claro: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17.15, NTLH). Retirado do mundo, o cristão jamais seria “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5.13-16).

Por uma questão de princípios, se o cristão não se retira da sociedade, ele tem de aprender a conviver com seus contemporâneos e vizinhos, sem se deixar influenciar ou enredar por eles. Convivência e conivência são coisas distintas: “convivência” é viver com outra pessoa; “conivência” é cumplicidade, colaboração, conluio.

Não cabe ao cristão discriminar, desprezar, odiar, maltratar, humilhar ou apedrejar o homossexual ou a lésbica, em uma sociedade em que há muitos outros desvios, como a injustiça, a avareza, o consumismo, a hipocrisia, a idolatria, o ódio, a vingança, a arrogância, a frivolidade e assim por diante. Cabe ao cristão conviver com todas essas pessoas, com temor e tremor, sem espírito de superioridade, reprovando todas essas coisas mais pela conduta do que pelas palavras.

O ensino de Paulo tem um valor imenso se o contexto for considerado. Não há concessão alguma ao desregramento sexual. No mesmo capítulo, o apóstolo é enfaticamente contrário à presença de certo indivíduo da comunidade cristã de Corinto que estava tendo relações com a mulher de seu pai (já morto ou não), provavelmente sua madrasta. Ele deveria ser temporariamente afastado dos privilégios da comunidade, até que sua natureza carnal fosse suplantada pela nova natureza (1Co 5.1-5). No capítulo seguinte, Paulo recorda que entre os membros fundadores da comunidade cristã havia ex-homossexuais ativos e ex-homossexuais passivos, bem como muitos outros ex-isto-e-aquilo (1Co 6.9-11).

Na comunidade, o critério seria um; na sociedade, seria outro. Não se pode exigir que o não-cristão se comporte como cristão, mas é lícito exigir que o cristão se comporte como cristão.

Marco Feliciano, direitos humanos e a desordem pública



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Por Ruy Marinho
Eu sei que o assunto está extremamente saturado no momento. Mas eu não posso deixar de expor a minha opinião pessoal.
Como cristão reformado e calvinista, sou declaradamente discordante da teologia que o Pr. Marco Feliciano segue por entender que é distorcida, mística, destrutiva e compromete a integridade das Escrituras.
Discordo do fato dele utilizar o título de “pastor” para se promover a cargos políticos, pois creio que o chamado pastoral é inegociável. Concordo com Spurgeon, quando disse certa vez ao seu filho: “Meu filho, se Deus te chamou para ser missionário, eu ficaria triste ao ver-te ser reduzido a um rei”. Neste sentido, compartilho a mesma opinião que o Rev. Augustus Nicodemus: “Quando o pastor ganha certa popularidade, e depois se elege, ele tem que renunciar o ofício de pastor, pois se ele falar qualquer bobagem, essa lama respinga em toda a igreja evangélica. Fazendo isso, ele preserva a Igreja de vexames, e evita toda essa bagunça que estamos vendo”.
Por fim, não votei e jamais votaria em Marco Feliciano como político por entender que ele não possui preparo suficiente para representar os princípios cristãos na esfera política, além de ter feito alianças com expoentes marxistas, como por exemplo, o seu apoio à candidatura da Dilma para presidente, dentre outros problemas políticos e pessoais.
Porém, não posso deixar de julgar com reta justiça a questão do referido deputado perante o contexto atual em que vivemos na política de nosso país. O momento é muito grave e requer de nós, cristãos, um posicionamento contundente e atuante em defesa da família e dos bons costumes.
Infelizmente carecemos de políticos cristãos sérios e bem preparados, comprometidos com um testemunho íntegro fiel às Escrituras. Oro para que no Brasil tenhamos políticos segundo Romanos 13, acima de tudo tementes a Deus, que representem os princípios cristãos da família, bem como que a igreja tenha uma participação mais efetiva na esfera política, não com candidatos “pastores”, mas com políticos cristãos muito bem preparados para esta área de atuação tão delicada e corrompida.
Mas, contentando-se com o que temos atualmente – tendo em vista à urgência do momento, sejam pastores ou padres políticos, creio que obviamente eles irão defender os princípios e valores morais tradicionais “básicos”, independente de suas linhas teológicas, das quais eu possa discordar. São eles que atualmente estão na “linha de frente” dessa verdadeira guerra intelectual instalada no ambiente político brasileiro. Querendo ou não, são os que combatem diretamente o marxismo cultural instalado na esfera política, ideologia que tem como um dos principais objetivos destruir os princípios cristãos na sociedade.
Diante do exposto, a realidade é que o deputado Marco Feliciano, além de ter sido democraticamente eleito com mais de duzentos mil votos, ele foi legalmente constituído presidente da referida Comissão dos Direitos Humanos e Minorias pelos próprios deputados membros desta comissão. Se ele vai desenvolver o seu papel de forma íntegra e correta, só o tempo vai nos dizer. Neste caso, temos que “pagar para ver” e cobrá-lo se não cumprir com o esperado.
Mas, a grande questão que devemos contrabalancear é a violenta intolerância religiosa e a baderna promovida pelos ativistas “gaysistas” e outros esquerdistas aliados, ideologicamente contrários não somente ao Marco Feliciano, mas também aos princípios cristãos. Perseguir, humilhar, achincalhar, escarnecer e ridicularizar alguém por ter feito “declarações filosóficas” (obviamente desastrosas e algumas teologicamente questionáveis) é no mínimo contraditório – para não dizer criminoso, pois o caminho para denunciar qualquer suspeita de ato criminal é a Justiça. Se alguém acha que o Marco Feliciano cometeu algum crime, que acione a Justiça e formalize a sua denúncia. Porém, os ativistas “gaysistas” parecem ignorar as leis. Afinal, eles chegam no extremo da desordem pública ao promover um violento terrorismo emocional, inconstitucional e repulsivo, ao ponto de desrespeitar as leis vigentes em nosso país e até mesmo à nossa Carta Magna, haja vista o protesto ilegal feito na porta da Igreja de Marco Feliciano pelos militantes gays, que aos gritos de palavras de desordem, palavrões e ameaças de agressão, violaram o ambiente de culto religioso protegido pela Constituição Federal (veja aqui). Até mesmo assuntos urgentes, onde a preservação de vidas humanas dependem das atividades da CDHM, foram completamente desrespeitadas pelos ativistas intolerantes (veja aqui).
Chegando ao cúmulo da contradição, notamos que por algum motivo que precisa ser apurado, os mesmos ativistas esquerdistas que aprontam a maior baderna na “casa do povo”, não fazem a mesma “algazarra democrática” para protestar por algo muito mais grave do que qualquer declaração filosófica, ou seja, pelo fato de políticos condenados pela justiça (José Jenuíno, João Paulo Cunha e Paulo Cesar Maluf) ocuparem a Comissão de Constituição e Justiça – de todas as comissões a mais importante do Congresso Nacional, além da nomeação como presidente do Senado Federal o Senador Renan Calheiros, também condenado pela justiça. Quanta incoerência!
Portanto, quero registrar a minha nota de repúdio a perseguição que o deputado Marco Feliciano está sofrendo por parte dos ativistas “gaysistas”, dos demais aliados marxistas e até mesmo da mídia. Desejo que ele “não renuncie” e continue firme na resistência à toda essa perseguição religiosa. Mesmo discordando dele no que concerne aos campos teológico e ético, espero que ele desempenhe com coerência e honestidade a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, onde há muito tempo tem sido colocado como ênfase principal a parte das “minorias” em detrimento dos direitos humanos de fato.
Soli Deo Gloria!