sábado, 23 de fevereiro de 2013
Algumas vezes o Senhor mata seus amados
Por John Piper
Algumas pessoas são, por natureza, fortes, duras, práticas, não
sentimentais. Outras são afetuosas, calorosas, de fala mansa,
emocionalmente sensíveis. Algumas, surpreendentemente, são uma mistura.
Em geral, aquilo que faz essas diferentes pessoas se sentirem amadas é
bem diferente.
Ser avaliado por essas diferentes pessoas pode ser desanimador. As
reações delas a um sermão ou a um comentário em uma conversa pode ficar
em polos opostos – uma se sente profundamente amada, outra se sente
desencorajada pela dureza áspera.
O que devemos fazer? Acho que devemos investir nossas vidas
mergulhando nas Escrituras de forma que nos tornemos o tipo de pessoa
que se sente amada por aquilo que a Bíblia descreve como amoroso.
Parece-me que a maioria de nós tem mais dificuldade em se sentir
amada através de uma dura disciplina do que através de afeto e palavras
de afirmação. Assim sendo, para me guardar de atribuir motivos não
amorosos a Deus ou às pessoas, presto especial atenção àqueles lugares
na Bíblia onde coisas duras são amorosas.
Por exemplo, Paulo faz uma afirmação surpreendente sobre o Senhor nos julgando para que não sejamos condenados.
É impressionante porque isso inclui nos matar. Eu poderia usar uma
palavra mais agressiva (nos destruir) ou uma palavra mais leve (tirar
nossa vida). Aqui está o que ele diz sobre cristãos nascidos de novo que
estavam desonrando a Ceia do Senhor:
Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. 30 Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo (1 Coríntios 11.29-32).
Então, alguns morreram¹ por causa do abuso na Ceia do
Senhor. Isso é chamado de “disciplina”. “Somos disciplinados para que
não sejamos condenados”. Isso é chamado de ser “julgado pelo Senhor”.
“Quando somos julgados pelo Senhor…”.
E por que isso que o Senhor faz é amoroso? Porque o objetivo do
Senhor ao matar seus próprios amados é para que “não sejam condenados
com o mundo”.
Pense nas implicações disso. Uma implicação parece ser que Deus prevê
a trajetória natural da vida de uma pessoa em direção ao pecado que é
incompatível com a regeneração. Ele interrompe a vida deles antes que
eles cheguem lá, garantindo assim sua salvação eterna.
Duas coisas parecem estranhas (como muitas vezes acontece com os caminhos de Deus!):
1) Uma vez que Deus inclina o coração (Provérbios 21.1; 2
Tessalonicenses 3.5), por que não proteger seu povo de tal pecado futuro
colocando o temor de Deus no coração deles, de maneira que eles não se
afastem dele (Jeremias 32.40)? Por que matá-los para protegê-los?
Resposta: Ele não nos diz. Uma possibilidade é que
Deus tem a intenção de nos mostrar quão sério nossa desobediência é. Uma
maneira de mostrar nossa necessidade de um Salvador por causa do nosso
pecado é Deus trabalhando em nós o que é agradável aos seus olhos
(Hebreus 13.21). Outra maneira, talvez mais chocante, é a disciplina
definitiva da morte. Deus tem mais caminhos na bolsa da
inescrutabilidade do que percebemos (Romanos 11.33).
2) Se aqueles que são nascidos de novo e eternamente seguros (1 João
2.19; Filipenses 1.6) são mortos para evitar que eles sejam condenados
com o mundo, isso significa que os eleitos podem perder a salvação?
Resposta: Não. Mas isso confirma que há padrões de
pecados que são absolutamente incompatíveis com a salvação. E Deus
levará nossas vidas ao invés de nos deixar sucumbir a esses padrões.
Portanto, mergulhemos nossas mentes em tais passagens das Escrituras
para que nos tornemos o tipo de pessoa que se sente amada quando nossas
vidas (ou a vida daqueles que amamos) são levadas por um todo-sábio,
todo-amoroso Salvador.
Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas

Por John MacArthur
Esta
não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se
introduziu na igreja. Isso tem acontecido em todas as principais
épocas da história da igreja. Batalhas pela verdade têm rugido na
comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja
estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica
que os falsos mestres na igreja logo se tornaram um problema
significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho
chegasse. Quase todas as principais epístolas do Novo Testamento
abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo
estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos "falsos
apóstolos, obreiros fraudulentos", que se transformavam em apóstolos de
Cristo (2 Coríntios 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar.
Afinal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: "E
não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de
luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformam
em ministros de justiça" (w. 14-15).
Seria
uma ingenuidade deliberada negar que isso pode acontecer em nossos
tempos. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo
presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da
época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou.
Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração
seguinte (1 Timóteo 6.20-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na
verdade incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência
da re-alidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir
nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a
obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé.
Em
sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja
Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa
realmente uma vitrine maravilhosa de oportunidades para a igreja de
Jesus Cristo. A arrogância que dominava a era moderna está em suas
agonias de morte. O mundo, na sua maior parte, foi apanhado em
desilusão e confusão. As pessoas se sentem inseguras a respeito de
quase tudo e não sabem que rumo tomar em busca da verdade.
Entretanto,
a pior estratégia para ministrar o evangelho num clima assim é os
cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva
pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa
perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao
espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade,
de modo definitivo, através de seu Filho (Hebreus 1.1-2). E temos,
nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem (2 Pedro
1.19-21).O pós-modernismo é simplesmente a expressão mais atual da
incredulidade mundana. Seu valor essencial — uma ambivalência dúbia
para com a verdade — não passa de ceticismo destilado em sua essência
pura. No pós-modernismo, não existe nada virtuoso nem genuinamente
humilde. Ele é uma rebelião arrogante contra a revelação divina.
De
fato, a hesitação do pós-modernismo no tocante à verdade é a antítese
exata da confiança ousada que, segundo as Escrituras, é o direito de
família de todo crente (Efésios 3.12). Essa segurança é operada pelo
próprio Espírito de Deus naqueles que crêem (1 Tes-salonicenses 1.5).
Precisamos valorizar essa segurança e não temer confrontar o mundo com
ela.
A
mensagem do evangelho, em todos os fatos que a constituem, é uma
proclamação clara, específica, confiante e autorizada de que Jesus é
Senhor e de que Ele dá vida eterna e abundante a todos os que crêem.
Nós, que conhecemos verdadeiramente a Cristo e recebemos aquela dádiva
da vida eterna, também recebemos da parte dEle uma comissão clara e
específica de transmitir com ousadia a mensagem do evangelho, como
embaixadores dEle. Se não demonstrarmos igualmente clareza e nitidez
em nossa proclamação da mensagem, não seremos bons embaixadores.
Mas
não somos meros embaixadores. Somos, ao mesmo tempo, soldados
comissionados a guerrear em favor da defesa e disseminação da verdade,
face aos ataques constantes contra a verdade. Somos embaixadores com
uma mensagem de boas-novas para as pessoas que andam em trevas e vivem
na região da sombra da morte (Isaías 9.2). E somos soldados — com
ordens para destruir fortalezas ideológicas e derrubar as mentiras e
enganos engendrados pelas forças do mal (2 Coríntios 10.3-5; 2 Timóteo
2.2-4).
Observe
atentamente: nossa tarefa como embaixadores é levar as boas-novas às
pessoas. Nossa missão como soldados é destruir idéias falsas. Devemos
manter esses objetivos no seu devido lugar; não temos o direito de
declarar guerra contra as próprias pessoas, nem de entrar em
relacionamentos diplomáticos com idéias anti-cristãs. Nossa guerra não
é contra a carne e o sangue (Efésios 6.12); nosso dever como
embaixadores não nos permite transigir com qualquer tipo de filosofia
humana, engano religioso ou outro tipo de mentira nem a nos alinhar
com alguma delas (Colossenses 2.8).
Se
parece difícil manter essas duas tarefas em equilíbrio e na
pers-pectiva adequada, isso acontece porque elas são realmente
difíceis.
Judas
certamente entendeu isso. O Espírito Santo o inspirou a escrever a
sua breve epístola a pessoas que estavam lutando com essas mesmas
questões. Contudo, ele as exortou a batalharem diligentemente pela fé,
contra toda falsidade, ao mesmo tempo que faziam tudo que lhes era
possível para livrarem almas da destruição: arrebatando-as "do fogo...
detestando até a roupa contaminada pela carne" (Judas 23).
Somos,
portanto, embaixadores e soldados; procuramos alcançar os pecadores
com a verdade, ao mesmo tempo que envidamos todos os esforços para
destruir as mentiras e outras formas de mal que os mantêm na
escravidão mortífera. Esse é um resumo perfeito do dever de todo
cristão na guerra pela verdade.
Martinho
Lutero, aquele nobre soldado do evangelho, lançou este desafio diante
dos cristãos de todas as gerações que o sucederam, ao dizer:
Se,
com a voz mais elevada e a exposição mais nítida, eu professar toda
porção da verdade de Deus, mas não confessar exatamente o pormenor que o
mundo e o Diabo estão atacando naquele momento, não estou confessando
a Cristo, ainda que esteja professando-0 com ousadia. Onde a batalha
ruge, ali é provada a lealdade do soldado. E ficar firme em todos os
demais pontos do campo de batalha é mera fuga e vergonha, se o soldado
falhar naquele pormenor.
Quem é Deus?
Por Josafá Vasconcelos
Geralmente se tem por certo que todos
conhecem a Deus. Mas isso não corresponde à realidade. A ideia que as
pessoas tem de Deus é completamente distorcida e parcial. Primeiro por
falta de informação e conhecimento, tira-se conclusões apressadas
baseadas apenas na sabedoria popular. Embora possuamos o que Calvino
costumava chamar de "sensus divinitat", isto é, um senso inato
de que há um Deus e que podemos ter um certo conhecimento Dele através
do que nos revela a natureza, a ponto de sermos inescusáveis, o pecado
afetou nossa mente de tal forma que não somos mais capazes de ter uma
compreensão correta a respeito Dele por nós mesmos. Para falar a
verdade, nem somos dignos de cogitar a respeito de Deus ou, de modo
atrevido, perscrutá-lo. Deveríamos tremer só de pronunciarmos o Seu
Santo Nome, quanto mais de termos o desplante de sondá-lo; quem somos
nós? Somos todos como aqueles cegos da fábula oriental que foram levados
para saber como era um elefante. Começaram a tatear as partes do
paquiderme e anunciavam suas conclusões: o primeiro, apalpando a tromba,
gritou: "o elefante é como uma grande serpente!", o segundo abraçando
uma das pernas replicou: "não, é antes como um grosso tronco de
árvore!", e o terceiro, fazendo deslizar as mãos pelos lados do imenso
animal, retrucou: "É como uma parede ambulante!". Assim, uns dizem:
"Deus é amor!", outros: "Deus é Luz!", e ainda "Deus é verdade!", mas
sempre de forma parcial. Se desejamos ser salvos, precisamos conhecer a
Deus. Jamais teremos conhecimento correto da salvação tendo noções
distorcidas do Deus que salva. Então, qual seria a descrição confiável
do Criador? Como saber com Ele é? Jamais saberíamos se Ele mesmo não
quisesse graciosamente Se revelar. Felizmente Ele quis e o fez,
condescendendo com a nossa humílima condição, até onde podíamos
alcançar, Deus se revelou nas Escrituras! É através do Santo Livro, a
Palavra de Deus, que podemos, de forma correta, saber quem Deus é.
Contudo,
é bom que saibamos desde já que nunca seremos capazes de compreendê-lo
devido à Sua incomensurável grandeza. Somos criaturas finitas e jamais
abarcaremos o infinito. Somos criaturas, Ele é o Criador! A Bíblia diz
que "Ele habita em luz inacessível onde homem algum jamais penetrou..."
(I Tm 6:16). Mas de forma alguma se trata de um deus como o concebem os
deístas, ausente e totalmente alheio às suas criaturas e ao destino
delas. O Deus da Bíblia é um Deus imanente, que se compadece, age na
vida dos filhos dos homens e habita com eles: "Porque assim diz o Alto e
o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: num alto e
santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para
vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos
contritos" (Is 57:15).
A Confissão de Fé de Westminster, documento de doutrina importantíssimo das Igrejas Reformadas, escrito pelos puritanos do século XVII, homens piedosos, distinguidos por sua fidelidade às Escrituras, faz a seguinte afirmação a respeito de Deus:
"Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo segundo o conselho de sua própria vontade, que é reta e imutável, e para a sua própria glória. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o buscam; é, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado". Isto corresponde exatamente ao que a Bíblia ensina a respeito de Deus.
Observe bem esta frase: "completamente livre e absoluto, fazendo tudo segundo o conselho de sua própria vontade que é reta e imutável..." Lembre-se, nós estamos falando de um DEUS! Às vezes, não nos damos conta disso, estamos vivendo uma época tão soberba que parece que Deus é um igual, se não, pelo menos de alguém superior, mas que tem de prestar conta de seus atos. Como se dissessem: "nós permitimos que você exista, desde que seus atos como Deus estejam dentro dos nossos padrões de justiça! Queremos que você seja uma Deus de amor e respeite nosso livre arbítrio". Aliás, foi exatamente isso que Erasmo de Roterdã, um teólogo católico humanista, disse a Lutero numa discussão que travaram sobre a doutrina bíblica da Eleição. Erasmo, defendendo o livre arbítrio, disse a Lutero: "Deixa Deus ser amor! Ao que Lutero, defendendo a livre e soberana vontade de Deus em escolher os seus, respondeu: "Deixa Deus ser Deus!". Quando o apóstolo Paulo, defendendo a mesma doutrina em Romanos capítulo 9:8-24, responde a uma suposta objeção ao direito de Deus ter misericórdia de quem lhe aprouver ter misericórdia e compaixão que quem lhe aprouver ter compaixão, responde: "Mas, ó homem, que és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou, por que me formaste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?". Seria mais ou menos se o dono de uma cerâmica recebesse, por parte das latrinas, uma reclamação formal pelo fato de não terem sido pratos! Ainda que tenham sido feitas com esmero, perfeitas e brilhantes! Ainda que tenhamos sido criados à imagem e semelhança de Deus, não passamos de criaturas. É bobagem essa estória de que fomos criados para fazermos o que quisermos, dotados de livre arbítrio e tudo mais, isso não é verdade. Fomos criados para obedecer a Deus, ser aquilo para o qual fomos criados e fazer o que Ele planejou que fizéssemos: "glorificar a Deus e goza-lo para sempre". O que Deus formulou para o homem no paraíso não se tratou de uma opção soberana de escolha concedida a ele entre pecar ou obedecer, ao contrário, era obedecer ou obedecer, pecar seria a morte!
Gostaria também de destacar a palavra "santíssimo" e o parágrafo final da Confissão: "é contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado".
Você já havia pensado neste aspecto considerando a pessoa de Deus?
Admitimos facilmente que Ele é santo sem nos apercebermos das sérias
implicações disso, contudo há sérios problemas para pecadores como nós
no fato de Deus ser santo! Se Ele é santo, terá que ser justo, odiar o
pecado e não ter por inocente o culpado! A Bíblia nos relata a visão que
Isaías, um santo profeta, teve da glória de Deus: "No ano da morte do
rei Usias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as
abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele;
cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os
pés e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo,
santo, santo é o Senhor dos Exércitos, toda terra está cheia de sua
glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava e a casa se
encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou
homem de lábios impuros, e habito no meio de homens de impuros lábios, e
os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!". A visão é gloriosa
e nos dá um vislumbre do que é a glória de Deus. Os Serafins, criaturas
santas que assistem constantemente na presença de Deus, temem a Sua
santidade. Está escrito: "Eis que Deus não confia nem nos seus santos;
nem os céus são puros aos seus olhos" (Jó 15:15), eis a razão porque
tinham seis asas. Com duas cobriam o rosto e com duas cobriam os pés.
Isto é um símbolo que significa reverência para com a santidade de Deus.
Estes seres celestiais, criados em pureza, não são achados dignos e nem
mesmo podem suportar o esplendor da glória que refulge na face daquele
que está sentado no trono; têm que cobrir o rosto, têm que cobrir os
pés; as asas designadas para voar significam a presteza que devem ter
para cumprir as suas ordens e não podem dizer outra coisa senão: "Santo!
Santo! Santo! É o Senhor dos Exércitos!". Que pureza! Que glória! Que
santidade! Deus habita em luz inacessível, onde homem algum jamais
penetrou! Todos os homens que tiveram apenas um vislumbre de Sua glória
caíram como mortos! "Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus
vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem
suportar a sua indignação" (Jr 10:10).
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O cativeiro intelectual do evangelho
Por Roosevelt Nunes
Na primeira
epístola a Timóteo, Paulo honra a Igreja com o título de “coluna e
fundamento da verdade”. Sobre isso, Calvino afirma: “a Igreja é a coluna
da verdade porque, através de seu ministério, a verdade é preservada e
difundida”. Embora a criação possibilite que conheçamos a realidade do
mundo físico, este conhecimento é imperfeito e confuso por causa do
pecado que corrompeu o intelecto humano. A revelação geral só é
corretamente entendida por aquele que, mediante a iluminação do Espírito
Santo, entende a especial [1].
Diante disto, a Igreja não
pode fugir da mesa do debate público. E não deve fazer isso por temor ao
Senhor, que deseja ver sua criação restaurada, e por amor ao próximo,
uma vez que a humanidade vive num estado de caos por causa das trevas em
que se encontra. Entretanto, hoje predomina um espírito de acomodação: a
Igreja se exime da crítica dos valores de nossa cultura, utilizando
avaliações seculares para fins de discussão. Caímos no erro do
reducionismo: a mensagem cristã só se destina à salvação pessoal.
“E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável…” (Rm 1.28a). Com base nesse versículo, Francis Schaeffer fala que, como os homens preferiram não reconhecer Deus no campo do conhecimento, Deus os entregou a uma mente destituída de critérios em todas as áreas da vida, tornando-se absolutamente loucos. Nesta condição, a realidade é enxergada de forma distorcida e, portanto, a sua análise terá uma série de equívocos. Os esforços dos cientistas sociais, por exemplo, alcançarão apenas os sintomas dos males da sociedade, nunca chegarão ao diagnóstico da doença, pois desprezam a Queda e o seu efeito sobre toda a criação.
Não sou favorável ao descarte de toda produção humana, mas julgo fundamental que não se esqueça o estado do autor: um homem caído. Passemos os olhos pelos diversos movimentos intelectuais, inicialmente de protesto, depois predominantes, tais como modernismo, existencialismo e relativismo, e veremos um elemento em comum: uma clara postura de oposição a Deus. Se passarmos a olhar o mundo através das lentes desses sistemas de crenças, ficaremos tateando na escuridão. “Porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato. E inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.21,22).
Deus deseja que a criação corrompida pelo pecado seja restaurada. Para tanto, a Igreja precisa ter uma postura ativa na discussão dos rumos de todas as áreas da vida. Na prática, isso resulta numa guerra cultural declarada entre a cosmovisão cristã e as várias cosmovisões seculares e espirituais que estão em ordem de combate contra elas [2]. O enfraquecimento de nossa posição nessa batalha se dá quando fazemos uma separação entre vida espiritual e secular, limitando o alcance do evangelho, reduzindo o mesmo a uma simples crença particular. Essa dicotomia, na prática, faz com que giremos em torno de dois pólos, o isolamento cultural e o ativismo pueril, sem a transformação do mundo decaído pela Palavra de Deus. E as conseqüências dessa mentalidade afetam também a esfera da fé privada. Como não somos ensinados a desenvolver uma cosmovisão bíblica, uma fé firmada no coração e na mente, quando nos encontramos num ambiente intelectualmente hostil, como a universidade, viramos presas fáceis às pressões da cosmovisão vigente, podendo levar a um afastamento gradual de nossas crenças.
Precisamos de uma religião do cérebro (educação em cosmovisão e apologética) para nos equiparmos na análise e crítica de cosmovisões concorrentes que encontraremos no mundo afora [3]. Só respondendo ao chamado de submeter toda existência ao comando do Deus que se revela nas Escrituras, a Igreja, o corpo de Cristo, será de fato coluna e fundamento da verdade. Do contrário, a verdade do evangelho continuará presa num cativeiro intelectual.
“E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável…” (Rm 1.28a). Com base nesse versículo, Francis Schaeffer fala que, como os homens preferiram não reconhecer Deus no campo do conhecimento, Deus os entregou a uma mente destituída de critérios em todas as áreas da vida, tornando-se absolutamente loucos. Nesta condição, a realidade é enxergada de forma distorcida e, portanto, a sua análise terá uma série de equívocos. Os esforços dos cientistas sociais, por exemplo, alcançarão apenas os sintomas dos males da sociedade, nunca chegarão ao diagnóstico da doença, pois desprezam a Queda e o seu efeito sobre toda a criação.
Não sou favorável ao descarte de toda produção humana, mas julgo fundamental que não se esqueça o estado do autor: um homem caído. Passemos os olhos pelos diversos movimentos intelectuais, inicialmente de protesto, depois predominantes, tais como modernismo, existencialismo e relativismo, e veremos um elemento em comum: uma clara postura de oposição a Deus. Se passarmos a olhar o mundo através das lentes desses sistemas de crenças, ficaremos tateando na escuridão. “Porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato. E inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.21,22).
Deus deseja que a criação corrompida pelo pecado seja restaurada. Para tanto, a Igreja precisa ter uma postura ativa na discussão dos rumos de todas as áreas da vida. Na prática, isso resulta numa guerra cultural declarada entre a cosmovisão cristã e as várias cosmovisões seculares e espirituais que estão em ordem de combate contra elas [2]. O enfraquecimento de nossa posição nessa batalha se dá quando fazemos uma separação entre vida espiritual e secular, limitando o alcance do evangelho, reduzindo o mesmo a uma simples crença particular. Essa dicotomia, na prática, faz com que giremos em torno de dois pólos, o isolamento cultural e o ativismo pueril, sem a transformação do mundo decaído pela Palavra de Deus. E as conseqüências dessa mentalidade afetam também a esfera da fé privada. Como não somos ensinados a desenvolver uma cosmovisão bíblica, uma fé firmada no coração e na mente, quando nos encontramos num ambiente intelectualmente hostil, como a universidade, viramos presas fáceis às pressões da cosmovisão vigente, podendo levar a um afastamento gradual de nossas crenças.
Precisamos de uma religião do cérebro (educação em cosmovisão e apologética) para nos equiparmos na análise e crítica de cosmovisões concorrentes que encontraremos no mundo afora [3]. Só respondendo ao chamado de submeter toda existência ao comando do Deus que se revela nas Escrituras, a Igreja, o corpo de Cristo, será de fato coluna e fundamento da verdade. Do contrário, a verdade do evangelho continuará presa num cativeiro intelectual.
Deus Controla a História

Arthur W. Pink
"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:36
Até
agora temos visto que Deus controla tudo, incluindo a salvação das
pessoas que Ele tem escolhido. Deus o Pai escolheu certas pessoas para
serem salvas; Deus o Filho morreu para salvá-las, e Deus o Espírito
Santo lhes outorga a vida espiritual. Mas, está Deus controlando tudo
conforme um plano determinado ou está continuamente mudando este
plano? Neste capítulo veremos que Deus está controlando tudo de acordo
a um plano fixo e predeterminado.
Muita gente ficaria de
acordo com que Deus sabe de antemão o que acontecerá no futuro. Assim
sendo, se Deus sabe o que sucederá, isto só pode significar que no
passado Ele decidiu o que devia acontecer; já que se Deus não tivesse
decidido o que sucederia, não poderia ter conhecido com plena certeza o
que haveria de acontecer. A presciência (pré-conhecimento) de Deus
não faz que as coisas aconteçam,; elas acontecem devido a que Ele já
tinha decidido que sucedessem. Em Atos 15:18 diz que Deus conhecia o
que ia acontecer desde antes que o mundo começasse: "Conhecidas são a
Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras". Isto significa
que Deus tem um plano fixo e que não o muda.
Vejamos
qual foi o plano de Deus quando fez o mundo e todas as pessoas que o
habitam. A Bíblia nos diz em Provérbios 16:4 que Deus fez todas as
coisas para Si mesmo. Em Apocalipse 4:11 diz que Deus criou todas as
coisas para Seu próprio prazer. Quando criou o mundo e especialmente
quando criou o homem, tinha a intenção de manifestar sua própria
glória. No obstante, Deus sabia perfeitamente, antes de criar o homem,
que ele cairia. Portanto, antes que o mundo fosse feito, Deus decidiu
salvar a muitas pessoas por meio do Senhor Jesus Cristo. Assim sendo, a
salvação de muitos pecadores através de Cristo Jesus fez parte do
plano de Deus antes que o mundo fosse feito. Deus planejou manifestar a
sua bondade através da salvação de muitas pessoas pecadoras. E sendo
que Deus sempre tem controlado o mundo desde a criação, Ele é
perfeitamente capaz de executar seu plano de salvar a muitos pecadores
dos seus pecados.
Num capítulo anterior vimos que Deus
controla as coisas inanimadas e os animais. Também vimos que Deus tem
usado tanto as coisas inanimadas como os animais para proteger, cuidar e
ainda advertir o seu povo escolhido. Assim sendo, tanto as coisas
inanimadas como os animais são utilizados por Deus em seu plano. Mas,
como controla Deus os homens para efetuar seu plano de salvar seu povo
de seus pecados? Primeiro consideraremos como Deus opera na vida dos
seus, aqueles que têm sido escolhidos para serem salvos.
Em primeiro lugar, Deus vivifica espiritualmente seu povo escolhido.
Em
si mesmas, estas pessoas não são diferentes das outras; ou seja, não
desejam obedecer a Deus, assim como os outros também não o desejam.
Porém Deus muda a natureza das pessoas que Ele tem escolhido a fim de
que eles desejem realmente ser santos e obedecê-Lo. Esta mudança é tão
grande que a Bíblia a define como "um novo nascimento". Ser
vivificados espiritualmente não é meramente uma mudança temporal de
opinião, senão um câmbio completo, o qual alcança a pessoa completa
(sua mente, suas emoções e sua vontade). Esta mudança dura para sempre e
é operada em conformidade com o plano de Deus.
Em segundo lugar, Deus dá fortaleza e poder a seu povo.
Mediante
este poder os crentes são capacitados para realizar o que Ele lhes
ordena. Eles são capacitados para mostrar em suas vidas os frutos do
Espírito: o amor, o gozo, a paz, a paciência, a fé, a mansidão e a
temperança.
Em terceiro lugar, Deus guia as pessoas escolhidas a fim de que voluntariamente realizem as coisas que Lhe agradam.
Em
quarto lugar, Deus cuida de seu povo para que nesta vida possam
continuar amando-O e servindo-O, cumprindo assim o Seu plano.
Em
todas estas formas Deus efetua seu propósito de salvar a muitas
pessoas de seus pecados. Mas também Deus efetua seus propósitos
controlando a muitas pessoas malvadas. Vejamos como é Seu controle
sobre este tipo de pessoas.
Em primeiro lugar,
às vezes Deus evita que a gente má realize coisas malvadas. Em
Números 23 a Bíblia nos fala de um homem chamado Balaão, quem tinha
sido contratado para amaldiçoar o povo de Deus (os israelitas). Balaão
mesmo queria amaldiçoá-los, porém Deus o deteve. Em vez de
amaldiçoá-los, Deus fez com que ele os abençoasse. Assim, pois, Deus
às vezes detém as pessoas malvadas de realizarem coisas perversas.
Em segundo lugar,
às vezes Deus muda o pensamento das pessoas más a fim de que façam a
Sua vontade. Por exemplo, quando os israelitas, o povo de Deus, foi
cativo dos persas, Deus fez que o rei da Pérsia (Ciro) emitisse um
decreto para a reconstrução do templo em Jerusalém.
O rei Ciro era um homem muito malvado, mas a sua mente foi mudada de modo que ele fizesse a vontade de Deus.
Em terceiro lugar,
às vezes Deus faz com que surja o bem das más ações das pessoas
perversas. Isto se manifesta especialmente na crucifixão do Senhor
Jesus Cristo. Apesar de que os homens maus simplesmente queriam
matá-lo, foi por meio de Sua morte na cruz que Cristo salvou de seus
pecados a todo seu povo escolhido.
Em quarto lugar,
às vezes Deus faz que as pessoas más se tornem piores. (Assim o diz
Romanos 9:18: "…e endurece a quem quer"). Deus faz com que sejam
incapazes de ver o bom e o verdadeiro. Assim aconteceu com Faraó, o
rei dos egípcios, de tal maneira que ele chegou a ser cada vez mais
cruel com os israelitas. Para nós é difícil compreender por que Deus
realiza tais coisas, mas podemos estar seguros de que o Juiz Justo de
toda a terra não pode cometer injustiça, e que Ele manifesta a Sua
grandeza e Sua soberania quando age assim.
Então, Deus tem
um propósito definido ao controlar o mundo e os seus habitantes.
(Isto significa que Deus controla a história e seus acontecimentos). O
plano de Deus é salvar a uma grande multidão de pessoas dos seus
pecados. Ele dá ao seu povo eleito vida espiritual, poder, guia e
proteção. Ele também impede, debilita, dirige ou incomoda o que a
gente má faz. Assim sendo, todas as coisas são controladas por Deus e
Ele efetua perfeitamente seu plano de salvar seu povo dos seus pecados.
Que maravilhosa sabedoria e glória pertencem a Deus! não deve
maravilhar-nos que os crentes O louvem pelo que Ele é e pelo que Ele
tem feito.
TEXTOS BÍBLICOS:
Salmo 147:15-18: "O que envia o seu mandamento à terra; a sua palavra corre velozmente. O que dá a neve como lã; esparge a geada como cinza; o que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio? Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as águas".Isaias 14:27: "Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?"Isaias 46:9-10: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade".Provérbios 21:1: "Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer".Provérbios 19:21: "Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do SENHOR permanecerá".
A Soberania de Deus e as Nossas Orações

Por Arthur W. Pink
"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve." 1 João 5:14
Existem algumas perguntas que surgem na mente das pessoas quando pensam acerca da soberania de Deus.
Já
dissemos que as pessoas são incapazes de escolher ser salvos de seus
pecados a menos que Deus mesmo mude sua natureza pecaminosa.
Então,
a primeira pergunta que responderemos é esta: se Deus realiza o
câmbio na natureza das pessoas, por que devem esforçar-se os crentes
em pregar o evangelho a todos? temos aprendido que por natureza os
homens são pecaminosos, que por si mesmos não podem escolher crer em
Cristo. Por que, então, os crentes devem urgir às pessoas a crerem? A
resposta é esta: aos crentes lhes é ordenado por Deus pregar o
evangelho a todos.
Não pregamos o evangelho
pensando que os ouvintes inconversos tenham em si mesmos a capacidade
para receber a Cristo como seu Senhor. Pregamos porque sabemos que
isto é o que Deus tem nos comissionado fazer.
Sabemos
que quando o evangelho é pregado, Deus mesmo fala eficazmente a
alguns daqueles que escutam. Àquelas pessoas que Deus tem escolhido,
lhes é dada a disposição para crer. Crer que Deus está no controle de
tudo é de grande ajuda e estímulo para a pregação evangélica. Os
crentes sabem que as pessoas escolhidas por Deus se arrependerão dos
seus pecados quando escutem acerca de Jesus Cristo o Salvador.
De
fato, esta convicção de que Deus está realizando seus propósitos
mediante a pregação, é a base da verdadeira pregação evangélica. Veja
Isaias 55:10-11, 2 Coríntios 2:14-17, Romanos 10:14-15 e 1 Pedro 1:23.
Em
segundo lugar, outra pergunta que pode surgir é esta: se Deus tem
determinado o que vai acontecer, e se também tem o controle sobre tudo
o que acontece, então, existe alguma razão para orar? Se Deus já tem
tomado todas as decisões, seguramente a oração não tem valor algum.
Nós não podemos mudar a vontade de Deus. A nossa resposta é a
seguinte: devemos entender o significado verdadeiro da oração. Alguns
dizem que a oração é a forma em que Deus permite que as nossas
vontades tenham influência no que acontece. Mas a Bíblia ensina
claramente que é Deus quem faz com que as coisas sucedam. Portanto, a
idéia de que as nossas orações fazem que as coisas aconteçam é errada.
Outras pessoas dizem que a oração é uma forma de conseguir que Deus
mude a Sua vontade. Mas, como já vimos, Deus já tem decidido exatamente
o que vai acontecer. A oração não é algo que possamos usar para mudar
as coisas; a nossa oração não muda a vontade de Deus.
A
oração é a maneira assinalada por Deus para honrá-Lo. A oração é um
meio de adoração a Deus. a oração é o reconhecimento de que dependemos
totalmente de Deus, por todo o que somos e o que temos. A oração é o
método divino para pedir a bênção de Deus.
A
oração faz com que percebamos quão pequenos e fracos somos, e quão
grande é Deus. a oração é um dom de Deus para seu povo, a fim de que
eles Lhe peçam as coisas que Deus tem determinado. As orações dos
crentes formam parte do plano de Deus para efetuar os Seus propósitos
eternos. (Veja os seguintes textos que afirmam esta verdade: Mateus
5:10; 1 João 5:14; Romanos 8:26-27).
Além
disso, Deus tem determinado que a oração seja um meio para efetuar
sua vontade, tal como a pregação do evangelho é o meio utilizado por
Deus para salvar os pecadores. As orações dos crentes formam parte do
plano de Deus para executar Seus propósitos eternos.
Assim
sendo, quando os crentes oram não o fazem para mudar o plano de Deus,
senão para que o pano de Deus seja executado. Os crentes podem orar
por certas coisas com confiança porque sabem que estão incluídas no
plano de Deus. Quando dizemos a Deus as nossas necessidades, estamos
encomendando-nos ao Seu cuidado, e Lhe suplicamos que trate com elas
de conformidade com Seu plano. Então, pode perceber-se que a oração é
basicamente uma atitude, uma atitude de dependência total de Deus. A
oração é o oposto de dizer a Deus o que Ele tem que fazer, porque a
oração pede para que a vontade de Deus seja feita. Assim, isto
responde a nossa pergunta acerca da razão para orar. Os crentes oram
por coisas que concordam com o plano que Deus tem pré-determinados, ou
seja, coisas que são parte do mesmo plano de Deus. Os crentes oram,
não para mudar o plano de Deus, senão para aceitá-lo e achar a bênção
de Deus através desse plano.
Em
terceiro lugar, talvez a seguinte pergunta tenha chegado a inquietar
você: Se Deus tem decidido todo o que sucede, então por que devem
preocupar-se os crentes em serem bons? Se Deus tem planejado que os
crentes serão bons, então, por que devem preocupar-se de sê-lo eles
mesmos?
Mais uma vez, a
resposta básica é que os crentes fazem bem, porque Deus tem lhes
mandado fazer o que é bom. Em realidade, o conhecimento de que Deus
controla todas as coisas ajuda os crentes a realizar o que é bom.
Os
crentes confiam em que Deus pode lhes dar a capacidade de realizar
coisas boas. Os verdadeiros crentes sabem que em si mesmos não têm o
poder de fazer o que Deus tem lhes ordenado. É, portanto, que confiam
em que Deus pode lhes dar a fortaleza que necessitam para obedecer a
Sua vontade.
Por último,
talvez você tenha pensado que é injusto e cruel de parte de Deus
escolher só certas pessoas para serem salvas. Porém, lembre-se do
seguinte: se Deus não tivesse escolhido e salvo alguns, então ninguém
teria sido salvo do pecado. Se Deus não tivesse escolhido ninguém,
então todos nós teríamos morrido em nossos pecados. Deus não é injusto
ao escolher salvar alguns e outros não, porque ninguém tem o direito
de ser salvo, quer dizer, Deus não "deve" a salvação para ninguém. A
salvação é inteiramente um assunto da bondade de Deus para as pessoas
que não a merecem. Deus tem mostrado sua bondade a certas pessoas,
segundo melhor Lhe pareceu a Ele (veja Mateus 11:25-27).
Nós
poderíamos pensar que teria sido melhor que Deus salvasse todos, mas
não estamos capacitados para decidir isto. Não somos capazes de ver e
compreender todo o que Deus vê e compreende. Os caminhos de Deus não
são como os nossos caminhos, e nós não podemos compreendê-los
integramente (Veja Isaias 55:8-9 e Romanos 11:33-36). Todo quanto
podemos dizer é que Deus tem demonstrado seu amor na eleição e salvação
de gente que não merece sua bondade. Então, permita-me fazer-lhe uma
última pergunta: É você uma das pessoas que Deus tem escolhido para
salvação? Existe algum desejo em seu coração de ser uma das pessoas
que pertencem a Deus?
TEXTOS BÍBLICOS:
João 17:6, 9: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. (...) Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus".2 Pedro 1:3: "Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude".Efésios 2:10: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas".1 Pedro 1:5: "Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo".1 Samuel 3:18: "Então Samuel lhe contou todas aquelas palavras, e nada lhe encobriu. E disse ele: Ele é o SENHOR; faça o que bem parecer aos seus olhos".Jó 1:20-21: "Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR".
Deus Sempre Responde à Oração?

Por A. W. Tozer
Contrariamente à opinião popular, o cultivo de uma psicologia da crença acrítica não é um bem incondicional e se levado longe demais, pode tornar-se positivamente um mal: O mundo inteiro caiu estupidamente nas arapucas do diabo, e a arapuca mais mortal é a religiosa. O erro nunca parece tão inocente como quando se acha no santuário.
Um
campo em que armadilhas aparentemente inofensivas, mas de fato mortais,
aparecem em grande profusão é o da oração. As doces noções sobre oração
existentes são tantas que não caberiam num volumoso livro, todas elas
erradas e sumamente prejudiciais às almas dos homens.
Penso
agora numa dessas falsas noções que se acha muitas vezes em locais
aprazíveis, em sorridente consórcio com outras noções de inquestionável
ortodoxia. É a de que Deus sempre responde à oração. Este erro aparece
entre os santos como uma espécie de terapia filosófica para todos os
fins, para impedir que algum cristão decepcionado sofra um choque forte
demais quando se evidencia que as suas expectativas, calcadas na oração,
não se estão cumprindo. Dá-se a explicação de que Deus sempre responde à
oração, seja dizendo Sim, seja dizendo Não, ou substituindo o favor
desejado por alguma outra coisa.
Ora,
seria difícil inventar um artifício mais bonito que esse para salvar a
situação do suplicante cujos pedidos foram negados por sua
desobediência. Assim, quando uma oração não é respondida, ele só tem de
sorrir vivamente e explicar: “Deus disse Não”. Isso tudo é muito cômodo.
Sua hesitante fé é salva de confusão e permite que sua consciência
minta tranqüilamente. Mas eu pergunto se isso é honesto.
Para
receber-se resposta à oração, como a Bíblia emprega o termo e como
historicamente os cristãos o tem entendido, dois elementos precisam
estar presentes: (1) Um claro pedido feito a Deus, de um favor
específico. (2) Uma clara concessão desse favor, feita por Deus, em
resposta ao pedido. É preciso que não haja nenhum desvio semântico,
nenhuma troca de rótulos, nenhuma alteração do mapa durante a viagem
empreendida para ajudar o embaraçado turista a encontrar-se a si mesmo.
Quando
nós dirigimos a Deus a petição de que Ele modifique a situação em que
nos achamos, isto é, de que Ele responda a oração, precisamos preencher
duas condições: (1) Devemos orar segundo a vontade de Deus e (2) devemos
estar naquilo que os cristãos à moda antiga muitas vezes chamam de
“território da oração”; isto é, devemos estar vivendo de modo agradável a
Deus.
É vão pedir a Deus que aja de
maneira contrária aos Seus propósitos revelados. Para orar com
confiança, o peticionário deve assegurar-se de que a súplica se enquadra
na livre vontade de Deus quanto ao Seu povo.
A
segunda condição também é de vital importância. Deus não se pôs na
obrigação de acatar pedidos de cristãos mundanos, carnais ou
desobedientes. Ele só ouve e responde às orações dos que andam em Suas
veredas. “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança
diante de Deus; e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos
os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que lhe é agradável… Se
permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o
que quiserdes, e vos será feito” (1 João 3:21, 22; João 15:7).
Deus
deseja que oremos e deseja responder às nossas orações, mas Ele faz o
nosso uso da oração como privilégio, fundir-se com o Seu uso da oração
como disciplina. Para recebermos respostas à oração precisamos cumprir
os termos de Deus. Se negligenciarmos os Seus mandamentos, as nossas
petições não serão levadas em consideração. Ele somente alterará
situações à solicitação de almas obedientes e humildes. O sofisma,
Deus-sempre-responde-às-orações, deixa sem disciplina o homem que ora.
Pelo exercício desta peça de lisonjeiro casuísmo, ele ignora a
necessidade de viver sóbria, justa e piedosamente neste mundo, e de fato
entende a peremptória recusa de Deus a responder sua oração como sendo a
própria resposta. É natural que tal homem não cresça em santidade; que
nunca aprenda a lutar e a esperar; que nunca saiba o que é ser
corrigido; que nunca ouça a voz de Deus, convocando-o para ir avante;
que nunca chegue ao ponto em que estaria moral e espiritualmente apto
para ter respondidas as suas orações. Sua filosofia errônea o arruinou.
Por
isso exponho a má teologia em que se firma a sua má filosofia. O homem
que a aceita nunca sabe onde está; nunca sabe se tem a verdadeira fé ou
não, pois, se o seu pedido não é atendido, ele evita a conclusão certa
com o artifício de declarar que Deus fez girar a coisa toda e lhe deu
outra coisa. Ele não se sujeitará a atirar num alvo, de modo que não se
sabe se é bom ou mau atirador.
De certas pessoas Tiago diz claramente: “… pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”
Dessa breve sentença podemos aprender que Deus rechaça alguns pedidos
porque aqueles que os fazem não são moralmente dignos de receber a
resposta. Mas isto nada significa para aquele que foi seduzido pela
crença em que Deus sempre responde à oração. Quando um homem desses pede
e não recebe, faz um passe de mágica e identifica a resposta com alguma
outra coisa. A uma coisa ele se apega com grande tenacidade: Deus nunca
manda ninguém embora, mas invariavelmente atende todos os pedidos.
A
verdade é que Deus sempre responde à oração que se harmoniza com a Sua
vontade revelada nas Escrituras, contanto que aquele que ora seja
obediente e confiante. Além disto, não nos atrevemos a ir.
A.W.Tozer.
A maior de todas as “heresias” protestantes
Por Sinclair Ferguson
Comecemos
com uma pergunta de prova de história da igreja. O cardeal Roberto
Belarmino (1542-1621) não foi uma figura para se desconsiderar. Ele era o
teólogo pessoal do Papa Clemente VIII e uma das figuras mais capazes no
movimento de Contra-Reforma no Catolicismo Romano do século dezesseis.
Em uma ocasião, ele escreveu: “A maior de todas as heresias protestantes
é ______________.” Complete, explique e discuta a afirmação de
Berlarmino.
Como
você responderia? Qual a maior de todas as heresias protestantes? Talvez
a justificação pela fé? Talvez o Sola Scriptura, ou uma das palavras de
ordem da Reforma?
Tais
resposta fazem sentido lógico. Mas nenhuma delas completam a frase de
Belarmino. O que ele escreveu foi: “A maior de todas as heresias
protestantes é a certeza.”
Um
momento de reflexão explica o motivo. Se a justificação não é apenas
pela fé, apenas por Cristo, apenas pela graça — se a fé precisa ser
completada por obras; se a obra de Cristo é de alguma maneira repetida;
se a graça não é gratuita e soberana, então alguma coisa sempre precisa
ser feita, ser “adicionada” para que a justificação final seja nossa.
Este é exatamente o problema. Se a justificação final é dependente de
algo que temos de completar, não é possível desfrutar da certeza de
salvação. Pois então, teologicamente, a justificação final é contingente
e incerta, e é impossível para qualquer um (à parte de uma revelação
especial, concedida por Roma) ter certeza da salvação. Mas se Cristo fez
tudo, se a justificação é pela graça, sem obras contributivas; é
recebida pelas mãos vazias da fé — então a certeza, mesmo “certeza
completa” é possível para todo crente.
Não me
admira que Belarmino tenha pensado que a plena, gratuita e irrestrita
graça era perigosa! Não me admira que os Reformadores tenham amado a
carta aos Hebreus!
Eis o
motivo. Conforme o autor de Hebreus pausa para respirar no clímax de sua
exposição da obra de Cristo (Hebreus 10:18), ele continua seu argumento
com um “pois” ao estilo de Paulo (Hebreus 10:19). Ele, então, nos urge a
aproximarmo-nos “em plena certeza de fé” (Hebreus 10:22). Nós não
precisamos reler toda a carta para ver o poder lógico de seu “pois”.
Cristo é nosso Sumo Sacerdote; nossos corações foram purificados de uma
má consciência assim como nossos corpos foram lavados com água pura
(v.22).
Cristo
se tornou de uma vez por todas o sacrifício por nossos pecados, e foi
ressurreto e vindicado no poder de uma vida indestrutível como nosso
sacerdote representativo. Pela fé nele, somos justos diante do trono de
Deus como ele é justo. Por sermos justificados em sua justiça, sua
justificação singular é nossa! E nós podemos perder essa justificação
tanto quanto ele pode cair do céu. Assim, nossa justificação não precisa
ser completada nada mais do que a justificação de Cristo precisa!
Com isso
em vista, o autor diz: “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre
quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:14). A razão pela qual
podemos ficar de pé diante de Deus em plena certeza é porque agora
experimentamos nossos corações “purificados de má consciência” os corpos
“lavados com água pura” (Hebreus 10:22).
“Ah,”
replicou a Roma do Cardeal Berlamino, “ensine isso e aqueles que creem
nisso viverão em licença e antinomismo.” Mas ouça, então, à lógica de
Hebreus. Desfrutar desta certeza leva a quatro coisas: Primeiro, uma
firme fidelidade à nossa confissão de fé apenas em Jesus Cristo como
nossa esperança (v.23); segundo, uma cuidadosa consideração de como
podemos encorajar uns aos outros ao “amor e às boas obras” (v.24);
terceiro, uma comunhão contínua com outros cristãos em adoração e todo
aspecto de nossa amizade (v.25a); quarto, uma vida na qual exortamos uns
aos outros para nos mantermos olhando para Cristo e sendo fieis a ele,
conforme o tempo de sua volta se aproxima (25b).
Esta é a
boa árvore que produz bons frutos, não o contrário. Nós não somos
salvos pelas obras; somos salvos para as obras. De fato, nós somos o
trabalho de Deus trabalhando (Efésios 2:9-10)! Assim, ao invés de levar a
uma vida de indiferenças moral e espiritual, a obra definitiva de Jesus
Cristo e a plena certeza da fé que ela produz, fornece aos crentes o
mais poderoso ímpeto para viver para a glória e o prazer de Deus.
Ademais, tal plena certeza é arraigada no fato de que o próprio Deus fez
tudo isso por nós. Ele revelou seu coração a nós em Cristo. O Pai não
requer a morte de Cristo para persuadi-lo a nos amar. Cristo morreu
porque o Pai nos ama (João 3:16). Ele não está à espreita atrás de seu
Filho com um intento sinistro desejando nos fazer mal se não fosse pelo
sacrifício que seu Filho fez! Não, mil vezes não! — o próprio Pai nos
ama no amor do Filho e no amor do Espírito.
Aqueles
que desfrutam de tal certeza não vão aos santos ou a Maria. Aqueles que
olham apenas para Jesus não precisam olhar para nenhum outro lugar. Nele
nós desfrutamos a pena certeza da salvação. A maior de todas as
heresias? Se for uma heresia, deixe-me desfrutar da mais bendita de
todas as “heresias”! Pois ela é a verdade e a graça do próprio Deus!
A igreja da moda
Por Renato Vargens
Outro dia passei de carro juntamente com minha esposa em frente uma
escola na agradável e pacata cidade de Niterói. Lembro que na ocasião
fiquei impressionado com a quantidade de automóveis parados em frente ao
educandário. No mesmo instante, tomado por perplexidade, emiti um
comentário dizendo: "Quanta gente! Essa escola está abolutamente
lotada!" Mal terminei de falar, minha esposa replicou dizendo: "Essa é a
escola da moda. Eles nem são tão bons assim, o ensino não é dos
melhores e os professores nem são tão qualificados, mas é a escola da
moda."
Pois é, não sei se você já percebeu mais entre as igrejas é assim
também. Por incrivel que pareça existem igrejas que se transformaram em
Igrejas da moda e como tais estão absurdamente lotadas, todavia, o fato
de estarem repletas de pessoas não significa necessariamente que sejam
saudáveis. Na verdade, ouso afirmar que algumas igrejas da moda, além
de possuírem um púlpito fraco, possuem uma Escola Bíblica deficiente,
cujos pastores e professores são desprovidos de bom conteúdo teológico.
Bom, isso não importa não é mesmo? O que vale é que o povo está sendo
"abençoado" não é verdade? Lamento lhe contrariar, mas importa e muito,
até porque o fato de ser membro de uma igreja saudável não significa
necessáriamente fazer parte da igreja da moda.
Isto posto, gostaria de elencar algumas diferenças entre uma igreja saudável e uma igreja da moda:
Uma igreja saudável vive para glória de Deus; uma igreja da moda vive para o engrandecimento do seu próprio nome.
Uma igreja saudável adora; uma igreja da moda promove entretenimento.
Uma igreja saudável prega a Palavra; uma igreja da moda anuncia conceitos de autoajuda.
Uma igreja saudável prega Cristo e a necessidade de arrependimento e conversão; uma igreja da moda prega como ser próspero.
Uma igreja saudável prega o evangelho; uma igreja da moda prega o que dá certo.
Uma igreja saudável prega, vive e ama as Escrituras; uma igreja da moda relativiza a Palavra do Senhor.
Uma igreja saudável vive em comunhão; uma igreja da moda promove ajuntamento descompromissado.
Uma igreja saudável estuda as Escrituras; uma igreja da moda defende as idéiasda psicanálise.
Uma igreja saudável jamais negocia a verdade; uma igreja da moda desconhece a verdade.
Uma igreja saudável é centrada no evangelho; uma igreja da moda é personalista.
Uma igreja da saudável permanece; uma igreja da moda esmore.
Uma Igreja saudável persiste, uma igreja da moda desiste.
Uma igreja saudável é; uma igreja da moda deixa de ser.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Um Jesus brasileiro
Por Luciano Martini
Tenho a impressão de
que nunca se ouviu falar tanto a respeito de Jesus no Brasil como
atualmente. Se ligarmos o televisor veremos programas evangélicos,
católicos, espíritas, seicho-no-ie e até umbandistas falando de Jesus.
Nas livrarias então, podemos encontrar o Jesus executivo, o Jesus
psicólogo, o Jesus vendedor, o Jesus consultor financeiro, o Jesus
revolucionário, o Jesus casado com Maria Madalena, o Jesus milionário, o
Jesus reencarnado, entre outros… Definitivamente, no Brasil, Jesus é
pop, Jesus é top marketing. Há para todos os gostos, desde o Jesus
semelhante ao gênio da lâmpada de Aladim, mas que ao invés de me
conceder apenas três desejos está disposto a me obedecer
indefinidamente, até o Jesus alienígena que veio em um disco voador e
partiu incompreendido pelos terráqueos, mas que um dia voltará como o
“Cristo Maitreya”.
Parece que a maioria dos
brasileiros não tem dificuldade em crer em Jesus, a dificuldade aparece
na hora de crer no que Ele disse. É preferível olhar para o Nazareno e
dizer quem ele é, do que acreditar quando Ele diz: – EU SOU. Acontece
que como salientou C.S. Lewis: “Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus,
ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por
ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode
prostrar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém
venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um
grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis
deixá-la”.
Enxergar Jesus como um mestre de moral, ou um executivo moderno, ou um espírito de luz é o mesmo que não enxergá-lo. Não estou dizendo com isso que o ensino mais amplo de Jesus não pode trazer princípios para áreas como a psicologia, administração, relações humanas etc; estou dizendo que Ele não veio para isso.
A leitura do Evangelho deixa muito claro que não temos como abraçar apenas o enfoque que queremos, ou escolhemos, a respeito de Jesus. Ele não veio para conquistar nossa admiração, veio para morrer por nós, nos reconciliar com Deus. Usar o nome de Jesus como referência, sem, no entanto, dar crédito as suas palavras é ultrajar a sua obra.
“- Quem o povo diz que sou? Eles responderam: – Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros que é Elias; e outros, que é um dos profetas antigos que ressuscitou.
- E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? – perguntou Jesus.
Pedro respondeu:- O Messias que Deus enviou.” (Lucas 9.18b-20)
Enxergar Jesus como um mestre de moral, ou um executivo moderno, ou um espírito de luz é o mesmo que não enxergá-lo. Não estou dizendo com isso que o ensino mais amplo de Jesus não pode trazer princípios para áreas como a psicologia, administração, relações humanas etc; estou dizendo que Ele não veio para isso.
A leitura do Evangelho deixa muito claro que não temos como abraçar apenas o enfoque que queremos, ou escolhemos, a respeito de Jesus. Ele não veio para conquistar nossa admiração, veio para morrer por nós, nos reconciliar com Deus. Usar o nome de Jesus como referência, sem, no entanto, dar crédito as suas palavras é ultrajar a sua obra.
“- Quem o povo diz que sou? Eles responderam: – Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros que é Elias; e outros, que é um dos profetas antigos que ressuscitou.
- E vocês? Quem vocês dizem que eu sou? – perguntou Jesus.
Pedro respondeu:- O Messias que Deus enviou.” (Lucas 9.18b-20)
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