quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS



“Não toqueis em meus ungidos, não maltrateis meus profetas” (Salmo 105.15, King James).

Por Isaltino Gomes Coelho Filho

No meu grupo de estudos teológicos em Monte Dourado, no Vale do Rio Jari (imponente tributário do majestoso Amazonas), alguém levantou esta questão de não tocar nos ungidos do Senhor, exatamente quando estudávamos Tito, no tocante ao caráter do obreiro. Comentei que o Salmo 105.15 vem sendo usado equivocadamente, para defender a intocabilidade de obreiros que esgrimem o texto para se colocarem acima da crítica. Eles são ungidos do Senhor e nada se lhes pode fazer, mesmo quando estão em pecado.

A questão é que, embora os termos hebraicos sejam mesmo meshiahay e nabhyay (“meus ungidos” e “meus profetas”), a alusão não é a uma classe de homens, como os profetas quando da profecia já institucionalizada, e sim a família eleita, os patriarcas até Jacó. O contexto é bem claro: todo o salmo alude a Israel no Egito. A ordem para não tocar nos ungidos e profetas do Senhor, no texto, foi dirigida às nações pagãs, por onde a família eleita peregrinou, antes de chegar ao Egito. São os episódios envolvendo Abraão, Isaque e Jacó em seus conflitos com seus vizinhos. Esses vizinhos deviam saber que não podiam tocar na família ungida, os ungidos e profetas de Deus. O episódio de Gênesis 20.1-7 elucida isso bem. Não se podia tocar em Sara. Em Gênesis 20.7 aparece, pela primeira vez, o termo “profeta” (nabhi) e é aplicado a Abrão. Os ungidos e profetas intocáveis e não maltratáveis, no texto, são os patriarcas. Não o pastor do século 21. Tanto é assim que à frente dos meshiahay e nabhyay, os ungidos e profetas, foi enviado “um homem, José, vendido como escravo” (v. 17). Ele salvou os ungidos e profetas da fome, ao introduzi-los no Egito.
 
Minha preocupação não é ser do contra nem mostrar que todo mundo está errado. É, isso sim, alertar para que textos bíblicos não sejam usados fora do contexto para provar teses para as quais eles não foram destinados. O pastor deve ser respeitado e obedecido (Hb 13.17). Quando faz seu trabalho bem feito deve receber salário em dobro. O “dupla honra” (diplês timês), de 1Timóteo 5.17, significa “dobrados honorários”, como bem traduziu a King James.O pastor há que ser respeitado e bem pago. Mas não está acima da crítica e não é intocável. A igreja local tem autoridade sobre ele, bem como tem autoridade sobre todos os crentes. Aliás, é preciso resgatar a autoridade da igreja. Ela não está subordinada a pessoas, mas ao seu Senhor, e seus membros estão debaixo da autoridade dela.
 
Mas o confortador é saber que Deus adverte ao mundo para não tocar nos que são seus, no seu povo. A igreja de Jesus se compõe de homens e mulheres que são os ungidos e os profetas de Deus neste mundo. Quando se encontrou com Saulo no caminho de Damasco, Jesus não lhe perguntou por que ele perseguia os membros da seita O Caminho. Perguntou-lhe: “Por que me persegues?” (At 9.5). A perseguição que Saulo fazia aos seguidores de Jesus era vista pelo Senhor como uma perseguição a ele, o Senhor. Ele toma as dores do seu povo. Se o pastor for perseguido por membros da igreja que se lembre que o Senhor Jesus vê e acerta as contas com aqueles membros da igreja. Eu, particularmente, sem ser o queridinho do Papai do céu, experimentei isso. Deixei com Deus para que cuidasse da situação. Ele cuidou. O tempo é o segundo melhor juiz dos eventos (o primeiro é Deus) e mostra quem é quem.
 
Pastores: lideremos nossos rebanhos, mas sejamos humildes para reconhecer nossos erros e evitemos colocar-nos acima da crítica. Ovelhas: respeitem, amem e honrem seus pastores. Dêem-lhes sustento digno. Pastores e ovelhas: o Senhor cuida de nós. Não briguemos. Entreguemos a Deus. Mundo: respeite o povo de Deus.

O Problema do Mal

Por Carlos Osvaldo Pinto

A existência do mal, em suas variadas formas, mas particularmente naquelas que são aparentemente injustificadas, levanta dificuldades lógicas e psicológicas quanto à existência e/ou ao caráter de Deus. Embora raramente isso seja levantado pelos que argumentam contra a existência de Deus por causa da presença do mal no universo, o problema não é uma questão de grau, mas de simples existência.

 “Mal” é um termo de difícil definição, em particular devido à natureza limitada de nosso conhecimento e à falta de um acordo quanto à perspectiva a partir da qual tentar uma definição.

Via de regra, mesmo teístas ardorosos acabam adotando uma definição antropocêntrica do mal, e isso lhes dificulta um tratamento exegético adequado da evidência bíblica.

Por outro lado, uma definição mais teocêntrica fecha a possibilidade de um diálogo significativo com os “ateólogos”.

Em geral, um evento é entendido como “mal” (ou, se quisermos adjetivar, “mau”) se:

  • Causar algum dano (de qualquer dimensão) ao bem estar físico e/ou emocional de uma criatura capaz de sensação;
  • Ocorrer algum tratamento desumano ou injusto de uma criatura capaz de sensação;
  • Causar perda de oportunidade ou desenvolvimento por causa de doença e/ou morte, particularmente “prematura”;
  • Impedir que um indivíduo leve uma vida significativa e/ou virtuosa;
  • Violar algum código moral ou roubar direitos essenciais a alguém;
  • Constituir a “privação” ou a deterioração de algum “bem”.

Taxonomia do Mal


Mal Moral. Esta categoria engloba males que resultam do mau uso da capacidade de escolha de algum agente moral. Inclui atos específicos de “maldade” (mentira, desonestidade, violência, destruição) em maior ou menor grau.

Mal Natural. Em contraste com o mal moral, o mal natural resulta da operação de processos naturais, nos quais nenhum agente moral pode ser responsabilizado pelo dano resultante. Exemplos clássicos são desastres naturais como furacões e tornados, terremotos e maremotos, deslizamentos de terra e enchentes, e também doenças devastadoras como a leucemia e o mal de Alzheimer.

Uma qualificação importante

Boa parte do que é considerado males naturais consiste, na verdade, de males morais precipitados por negligência, ganância ou pura e simples estupidez humana.

  • Câncer no pulmão pode ser causado por fumo inveterado.
  • Destruição em massa num terremoto pode ser causada pela ganância de empreendedores ou neligência de governantes (ou ambos).
  • Enchentes têm como causa frequente a irresponsabilidade de cidadãos e/ou  governantes.

Quando causados pelo exercício da vontade de agentes morais, tais males são melhor qualificados como morais, ou pelo menos híbridos, i.e., males naturais exacerbados por erros de natureza moral.

Uma maneira alternativa de dizer isso seria classifcar como  males naturais apenas aqueles cuja ocorrência não pode ser atribuída a agentes morais meramente humanos.

Uma categoria à parte é a do chamado mal hediondo, no qual agentes morais exacerbam a violência, a crueldade, a desumanidade em nome de preferências ou ojerizas pessoais.

Holocausto

  • Linchamentos tipo Ku-Klux-Klan (e garotões de Brasília)
  • Cárceres privados e incestos
  • É geralmente essa categoria de males que provoca o desafio dos ateólogos à existência de Deus.

Maneiras Excludentes de Lidar Com o Problema


Ilusionismo – Negar a realidade do mal

Monismos orientais e ocidentais advogam que há uma única realidade e que o mal é uma ilusão.

  • O hinduísmo tradicional diz que todo o mundo material é maya (ilusão).
  • Baruc Spinoza argumentou que nada pode ser taxado de mau pois faz parte da infinita bondade do quadro total.
  • Ciência Cristã afirma que “o mal . . . Não tem base real. É um erro do homem mortal.”

Respostas ao Ilusionismo

A impressão da existência do mal é uma persistência universal. Como explicar essa impressão?

Será que é prova de bom senso negar totalmente a percepção sensorial de todas as pessoas? Isso tornaria a própria percepção do panteísta altamente suspeita.

Se o mal é apenas ilusão, por que a dor que ele causa é real no nível mais íntimo do ser humano?

O Ateísmo – Afirmar a realidade do mal e negar a realidade de Deus

Um silogismo famoso (Epicuro, Hume, etc.)

  • Se Deus é Todo-Poderoso, Ele pode eliminar o mal.
  • Se Deus é Todo-Benevolente, Ele eliminará o mal.
  • Mas, o mal continua a existir.
  • Logo, Deus como entendido pelos teístas, não existe.
  • I.e., se existir, não será onipotente.
  • I.e., se existir, não será onibenevolente.

O Ateísmo – Negar a bondade de Deus ou negá-lO como a Realidade Última.

Um outro silogismo

  • Ou (1) nosso senso moral existe porque Deus quis assim ou (2) Deus quis assim porque o senso moral sempre existiu.
  • Se (1) é fato, Deus é arbitrário quanto ao que é certo, e não é essencialmente bom.
  • Se (2) é fato, Deus não é a Realidade Última, pois ao menos uma vez esteve sujeito a algum padrão externo.
  • Em qualquer um dos casos acima, ou em ambos, Deus não é o que os teístas reivindicam.
  • Logo, Deus como entendido pelos teístas, não existe.

O Ateísmo – Há outras abordagens usadas por ateólogos para propor a inexistência de Deus ou a improbabilidade de Sua existência.

Deus e o mal são logicamente incompatíveis.

Deus e o mal são praticamente incompatíveis.

Deus poderia ter criado um mundo sem a presença do mal.

  • Esta é a forma mais comum de crítica ao teísmo cristão em nossos dias.
  • Ela não precisa recorrer às pressuposições embutidas nos silogismos anteriores.

Respostas Cristãs ao Ateísmo

Jay Adams ilustra uma abordagem calcada na soberania de Deus, baseando-se em Rm 9.17 (no livro The Grand Demonstration: A Biblical Study of the So-Called Problem of Evil, 1991), e argumentando que o propósito do mal (e da misericórdia) é revelar a natureza de Deus.

Vários outros autores seguem em parte o argumento de Leibnitz (este é o melhor dos mundos possíveis), sugerindo que embora este não seja o melhor dos mundos, é o melhor (e necessário) caminho para o melhor dos mundos (onde sequer a possibilidade do mal venha a surgir eternamente).

Para que o mal inexistisse, Deus poderia

(a)    não ter criado mundo algum;

(b)   ter criado um mundo sem criaturas livres;

(c)    ter criado um mundo onde criaturas livres não pecassem;

(d)   ter criado um mundo onde criaturas livres pecassem.

A resposta teísta à alegação dos ateólogos que os cenários (a), (b) e (c) são melhores que o cenário (d) é que o cenário (d) é o caminho para que tais criaturas livres eventualmente fossem definitiva e eternamente livres da presença e da ameaça do pecado e do mal por uma redenção em que o próprio Deus experimentasse o maior dos males em favor de Suas criaturas.

Maneiras Abrangentes de Lidar Com o Problema


Aqui afirma-se a realidade de Deus e do Mal.

Dentre várias formas abrangentes, destacam-se:

O Dualismo

O Panenteísmo (ou teologia do processo)

O Finitismo em várias formas

  • Deus não é onipotente
  • Deus não é onisciente
  • Deus não era livre (ou soberano) para não criar

O Dualismo – O Bem e o Mal em eterna oposição

Primeiro argumento dualista

  • Bem e mal são antitéticos.
  • Nada pode originar o seu oposto.
  • Logo, Bem e Mal são eternos.

Resposta teísta

  • A segunda premissa só é verdade em termos essenciais, não em termos incidentais.
  • Além disso, a existência de opostos não garante a eternalidade de seus primeiros princípios.

Segundo argumento dualista

  • Deus é o criador de tudo que existe.
  • O mal é algo que existe.
  • Logo, Deus é o autor do mal.

Resposta teísta

  • A primeira premissa é verdade em termos essenciais, não em termos incidentais. Deus criou os elementos necessários à combustão, mas não os incêndios. Deus concedeu a liberdade, mas não é responsável pelo seu mau uso.
  • Além disso, o mal não é uma entidade criada independente, mas a deterioração ou privação de algum bem numa entidade no que tange à sua natureza. Isso não equivale a negar a realidade do mal, mas sua realidade independente.

O Panenteísmo – Deus é coextensivo com a Criação

No panenteísmo o mal é inerente à matéria, que é vista como eterna ou pré-existente

  • Deus não é o criador mas o modelador.
  • O mal é algo que existe continuamente e será derrotado incrementalmente pela ação conjunta de Deus e dos que O Seguem.
  • Deus quer, busca, tenciona, tenta e trabalha para eliminar o mal, mas ainda não tem poder agregado suficiente para fazê-lo.

Resposta teísta

O Neo-Teísmo – Há limitações autoimpostas por Deus ao criar seres moralmente livres.

  • O neo-teísmo alega interpretar as Escrituras mais corretamente ao reconhecer limitações em Deus.
  • Alega ainda atribuir uma atividade mais direta de Satanás nos chamados males naturais.
  • Alega que a liberdade humana seja absoluta (ou libertária) para que Deus seja isento do Mal.
  • Define mal (e bem) em termos essencialmente humanos (aquilo que nos causa medo, dor e tensão).

Respostas Teístas ao Neo-Teísmo

  • O neo-teísmo lê seletivamente e deixa de lado aspectos contextuais e literários que justificam supostas limitações divinas.
  • Concede a Satanás muito mais campo de ação do que as Escrituras sugerem, mesmo à luz de “ele foi homicida desde o princípio” (Jo 8.44).
  • Acaba por isentar Deus da responsabilidade pelo bem, já que a criatura é plenamente responsável e livre.
  • Desconsidera a glória de Deus como o propósito último e maior do universo (que inclui o desfrute de Deus pela criatura que a Ele responda em fé).

Algumas Sugestões


Precisamos abordar a questão do mal a partir de uma plataforma de fé, e não apenas de reação aos argumentos dos ateólogos. Mais precisa ser dito e escrito a partir das Escrituras.

Não basta apontar para os argumentos dos ateólogos como fruto apenas de uma reação emocional à existência do mal (embora esse fator me pareça preponderante).

Precisamos cuidar para não sermos insensíveis à dor genuína, enquanto tentamos não ser coniventes com a mera especulação diletante.

Precisamos lidar exegeticamente com as alegações do neo-teísmo e com a atitude laissez-faire que ele tende a produzir.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

ESSE VASO SOU EU (LEGENDADO)

As Maneiras e os Porquês do Todo-Poderoso

Por Rev. Allen M. Baker

"Tocar-se-á a trombeta na cidade, sem que o povo se estremeça? Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?" (Am 3.6).
 
O enorme terremoto de 9.0 na escala Richter que abalou o Japão no dia 11 de março e o tsunami resultante, capturados tão espetacular e terrivelmente nos vídeos, produziu até 19 de março 18.000 mortes, não mencionando o possível desastre nuclear na usina de Fukushima, que poderia causar milhares de outras mortes.
Como devemos ver essas coisas? São meros acidentes? É apenas um terremoto, ou seja, um fenômeno natural explicado apenas em termos científicos? Isso é um julgamento de Deus sobre o Japão, uma nação orgulhosa em que somente 1% dos habitantes são cristãos? Devemos nós, como um budistas pode fazer, apenas aceitar isso como destino, admitindo que ninguém pode controlá-lo, ou devemos simplesmente deixar para lá?
Como em qualquer circunstância da vida, nossa única fonte é a Bíblia. E o que ela diz sobre catástrofes? João Calvino, em um comentário sobre Amós 3.6, diz que o som de uma trombeta recordava a Israel que Deus não fazia nada sem primeiro revelar seus segredos aos seus profetas. Nas palavras de Calvino: "O povo de Israel foi extremamente estúpido em não se arrepender depois de tantos avisos. Permaneceram em sua perversidade, embora tenham sido constrangidos pelos mais poderosos meios". Calvino prossegue e diz que Amós nos recorda que as calamidades não acontecem por acaso... que o governo deste mundo é realizado por Deus e que nada acontece senão pelo seu poder. A palavra (no hebraico rah) traduzida neste versículo por "mal" significa qualquer coisa adversa a nós. É a mesma palavra hebraica usada em Isaías 45.6-7, onde o profeta diz: "Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas". A versão bíblica em português traduz "rah" em ambos os versículos pela palavra "mal". E faz isso em vários outros versículos: "a árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2.9); "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal!" (Is 5.20); "e ficareis consolados do mal que eu fiz vir sobre Jerusalém, sim, de tudo o que fiz vir sobre ela" (Ez 14.22).
Portanto, podemos descartar várias possibilidades quanto ao porquê da terrível devastação ocorrida no Japão. Primeira, isso não for mero acidente. Não foi apenas um terremoto que pode ser explicado em termos científicos. É claro que há uma explicação científica para o que aconteceu. De modo algum, os crentes devem depreciar os meios secundários que Deus designou. Deus opera pela maneira como criou e, agora, sustenta toda a sua criação (At 17.26). E a razão fundamental para catástrofes naturais é a queda no pecado realizada por Adão e Eva. Isso tornou o mundo rendido ao pecado, corrompido e necessitado de redenção, algo que Deus promete repetidas vezes em sua Palavra (Is 66.22-24; Rm 8.20-23; 2 Pe 3.13). Segunda, nós rejeitamos a explicação budista e sua conseqüente reação estóica. Certamente, devemos lamentar e entristecer-nos pela perda de vidas, bem como devemos orar pelo povo do Japão e pelos que realizam o trabalho de socorro. Devemos contribuir financeiramente para esse trabalho.
No entanto, a catástrofe foi um julgamento de Deus sobre pessoas de coração duro e orgulhosas? É claro de Amós, Isaías, Ezequiel e todos os profetas que Deus trouxe julgamento sobre as nações de seus dias porque elas estavam longe dele, envolvidas em todas as maneiras de comportamento licencioso, ímpio e destrutivo, colocando-se a si mesmos contra Deus. Também sabemos que Paulo declarou que a ira de Deus é revelada (tempo presente, voz passiva, modo indicativo de apokalupto, de onde temos nossa palavra apocalipse) do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça (Rm 1.18). Em outras palavras, Deus está sempre trazendo sua ira ao mundo porque persistimos no viver ímpio. Mas, podemos dizer sem equívocos que Deus está julgando o Japão por causa de rejeição perpétua das ofertas de graça por meio de muitos japoneses crentes e missionários que trabalham diariamente para levar o Japão a Cristo?
Para responder essa pergunta, precisamos primeiramente considerar uma situação semelhante trazida à atenção de Jesus. Em Lucas 13.1-5, falaram a Jesus sobre alguns galileus cujo sangue foi misturado, pelo ímpio Pôncio Pilatos, com os sacrifícios que eles realizavam. E, por uma boa medida, esses indagadores de Jesus queriam o que ele pensava sobre o recente acidente de construção em que dezoito pessoas foram mortas quando uma torre desabou sobre eles. A pergunta era: "Você acha que esses galileus eram maiores pecadores do que todos os outros galileus porque sofreram esse destino? E os que morreram no acidente de construção eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?" Adequando essa pergunta ao nosso contexto moderno, diríamos: a nação japonesa é mais ímpia e merecedora do julgamento de Deus do que somos nos Estados Unidos ou na Inglaterra? Aqueles que morreram no terremoto, no tsunami ou de exposição à radiação eram mais ímpios do que nós o somos? A maneira como Jesus respondeu essas perguntas nos dá a resposta que precisamos em nossa situação específica. Jesus disse aos seus questionadores: "Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis". O que Jesus estava dizendo? Estava respondendo as perguntas por focalizar-se no que julga mais importante. A questão não é quão ímpias essas pessoas tinham sido. Elas não eram mais ímpias do que qualquer outra pessoa. Quando comparados com a lei de Deus, descobrimos que ninguém é justo, nem mesmo um (Rm 30.10, ss.). Temos uma tendência de especular sobre essas coisas, mas elas não são a preocupação no coração de Jesus. Ele muda o assunto diretamente para seus questionadores, procurando incutir-lhes a verdade de que, se não se arrependessem, todos pereceriam igualmente.
Portanto, devemos ver qualquer catástrofe como uma chamada de "despertamento" divina e graciosa. Devemos ver a Deus em todas essas coisas. Essas calamidades servem como advertências para que todas as pessoas parem e perguntem a si mesmas: "E se meu carro, com meu querido filhinho dentro, tivesse sido levado pelas ondas gigantes de cinco metros de altura, enquanto o limpador de pára-brisa traseiro limpava o vidro? O que nos teria acontecido? Aonde iríamos depois da morte? Essas são as perguntas que nós e todas as pessoas devemos fazer a nós mesmos! Não podemos dizer com certeza que Deus está executando vingança sobre o Japão. Evidentemente, Deus fez isso a nações, conforme as Escrituras, e isso deixa claro o princípio bíblico de que ele está revelando continuamente sua ira no mundo. É melhor deixarmos essas questões nas coisas secretas de Deus (Dt 29.29).
E por que Deus mostra seu magnífico e grandioso poder de maneiras terríveis? Em última análise, ele faz tudo para o louvor e glória de sua graça (Ef 1.3-14); e, freqüentemente, suas maneiras grandiosas e terríveis humilham as pessoas e nações, atraindo muitos a Cristo, para obterem a salvação eterna. Lembro-me da haver orado pela Nicarágua depois do terremoto de 1973, pedindo a Deus que trouxesse aquelas queridas pessoas a Cristo como resultado da devastação. Quase imediatamente após o terremoto, milhões de nicaragüenses começaram a vir a Cristo, e o movimento continua até hoje. Que Deus faça essa mesma obra no Japão. E, por favor, ore pelo Japão, pela igreja japonesa, por seus pastores e missionários nativos que têm labutado fielmente, durante tantos anos, e visto tão pouco fruto. Talvez essas coisas aconteceram num tempo como este para que haja uma grande colheita de almas nesta nação que tem feito tanto no aspecto econômico, mas permanece nas trevas do xintoísmo e do culto aos ancestrais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal, uma boa nova de grande alegria

  Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O Natal é a celebração do nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Muitos cristãos hesitam em comemorar o Natal e outros chegam mesmo a fazer oposição a essa comemoração, em virtude de não sabermos, com exatidão, a data precisa em que aconteceu esse fato auspicioso. Ainda outros desaconselham a celebração do Natal em virtude dos vários adendos acrescidos à festividade como presépio, árvore enfeitada e Papai Noel. Entendemos, que esses acréscimos não fazem parte do verdadeiro Natal e não devem distrair nossa atenção. Precisamos, portanto, resgatar o verdadeiro sentido do Natal e devolvê-lo a seu verdadeiro dono, Jesus Cristo, nosso Salvador. 
A celebração do Natal é legítima, pois o primeiro Natal foi motivo de festa no céu e na terra, comemorado pelos anjos e pelos homens. A grande notícia anunciada pelo anjo do Senhor, aos pastores de Belém foi: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11). Natal é a verdade bendita de que o Eterno entrou no tempo, Deus se fez homem e o Senhor dos senhores se fez servo. Natal é o cumprimento do plano da redenção, traçado nos refolhos da eternidade. Natal é a concretização da promessa do Pai e o cumprimento das profecias anunciadas pelos patriarcas e profetas. Natal é a consumação da esperança de Israel. Na plenitude dos tempos, o Cristo de Deus, nasceu de mulher, nasceu sob a lei, para nos redimir dos nossos pecados.

Natal não é festa gastronômica. Natal não é o comércio guloso capitaneado pelo velho bojudo de barbas brancas. Natal não é troca de presentes nem ruas enfeitadas com cores policromáticas. Natal é a luz do céu invadindo a escuridão da terra. Natal é o Verbo eterno de Deus, se fazendo carne para habitar entre nós, cheio de graça e de verdade. Natal é o Deus que nem o céu dos céus pode contê-lo esvaziando-se, a ponto de nascer como um bebê numa pobre vila da Judéia. Natal é o criador e dono do universo despojando-se de sua glória para calçar as sandálias da humildade, fazendo-se pobre para tornar-nos ricos. Natal é a proclamação embalada nas asas da alegria, anunciando que Jesus é o Salvador do mundo, o Messias prometido, o Senhor do universo.

Natal é a evidência mais eloquente do amor de Deus aos pecadores. Quando Deus criou o universo, fê-lo pela palavra do seu poder. Quando Deus criou o homem, colocou a mão no barro. Porém, quando Deus desceu para resgatar o homem entrou no barro, pois o Verbo se fez carne, vestiu pele humana e armou sua tenda entre nós. Natal é a consumação da maior dádiva de Deus ao homem. Deus amou o mundo e deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Deu-o não a quem merece, mas a pecadores indignos. Deu-o não para ser exaltado entre os homens, mas para ser cuspido por eles. Deu-o não para entrar na história como o Rei da glória, mas para carregar a cruz maldita, como servo sofredor. Deu-o não na última hora, mas desde a eternidade!

Natal é a festa da salvação. É a celebração que nos remete ao plano eterno de Deus, quando a própria Trindade, no recôndito dos tempos eternos, decidiu nos amar e nos destinar para a salvação. Nesse projeto divino, o Pai envia o Filho e o Filho se submete ao Pai. Nesse decreto eterno, o Pai escolhe um povo e o dá como presente a seu Filho. O Filho deixa a glória que sempre teve com o Pai e desce para morrer em favor desse povo. O Espírito Santo, regenera e sela esse povo como propriedade exclusiva de Cristo. Agora, nós, povo de Deus, povo redimido, alcançado pela graça, devemos exaltar pelos séculos sem fim, o Cordeiro de Deus, por tão grande salvação.

Que o Natal de Jesus seja celebrado por todos nós, com fervor efusivo, com alegria indizível e com entusiasmo sem igual!

O Evangelho da Mentira

Por A.W. Pink
Satanás não é um iniciador; ele é um imitador. Deus tem um Filho unigênito, o Senhor Jesus Cristo; de modo similar, Satanás tem o “filho da perdição” (2 Ts 2.3). Existe uma Trindade Santa; de maneira semelhante, existe a Trindade do Mal (Ap 20.10). Lemos nas Escrituras a respeito dos “filhos de Deus”? Lemos também sobre os “filhos do maligno” (Mt 13.38). Deus realmente realiza em seus filhos tanto o querer como o executar a sua boa vontade? Somos informados que Satanás é o “espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.2). Existe um “mistério da piedade” (1 Tm 3.16)? Também existe um “mistério da iniqüidade” (2 Ts .7).
A Bíblia nos diz que Deus, por meio de seus anjos, sela os seus servos em suas frontes (Ap 7.3)? Aprendemos igualmente que Satanás, por meio de seus agentes, coloca uma marca sobre as frontes de seus servidores (Ap 13.16). As Escrituras nos revelam que o “Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1 Co 2.10)? De maneira semelhante, Satanás possui as suas “coisas profundas” (Ap 2.24). Cristo realiza milagres? Satanás também pode fazer isso (2 Ts 2.9). Cristo está assentado em seu trono? De modo semelhante, Satanás tem o seu trono (Ap 2.13). Cristo possui uma Igreja? Satanás tem a sua sinagoga (Ap 2.9). Cristo é a luz do mundo? De modo similar, o próprio Satanás “se transforma em anjo de luz” (2 Co 11.14). Cristo designou os seus apóstolos? Satanás também possui os seus apóstolos (2 Co 11.13). Tudo isso nos leva a considerar o “Evangelho de Satanás”.
Satanás é um arquiimitador. Ele está agora em atividade no mesmo campo em que o Senhor Jesus semeou a boa semente. O diabo está procurando impedir o crescimento do trigo, utilizando-se de outra planta, o joio, que em aparência se assemelha muito ao trigo. Em resumo, por meio de um processo de imitação, Satanás está almejando neutralizar a obra de Cristo. Portanto, assim como Cristo tem um evangelho, Satanás também possui um evangelho, que é uma imitação sagaz do evangelho de Cristo. O evangelho de Satanás se parece tanto com aquele que procura imitar, que multidões de pessoas não-salvas são enganadas por este evangelho.
O apóstolo Paulo se referiu a este evangelho, quando disse: “Admirame que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7). Este falso evangelho estava sendo proclamado mesmo nos dias do apóstolo, e uma terrível maldição foi lançada sobre aqueles que o pregavam. O apóstolo continuou: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (v. 8). Com a ajuda de Deus, nos esforçaremos para explicar, ou melhor, para desmascarar este falso evangelho.
O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem mesmo um programa de anarquia. Este evangelho não promove conflitos ou guerras, mas tem como alvo a paz e a unidade. Não procura colocar a mãe contra a filha, nem o pai contra o filho; ao invés disso, ele fomenta o espírito de fraternidade pelo qual a raça humana é considerada uma grande “irmandade”. Este evangelho não procura mortificar o homem natural, e sim aprimorá-lo e enaltecê-lo. O evangelho de Satanás defende a educação e a instrução, apelando ao “melhor que há no íntimo do ser humano”; tem como alvo fazer deste mundo um habitat tão confortável e agradável, que a ausência de Cristo não será sentida e Deus não será necessário. O evangelho de Satanás se esforça para manter o homem tão ocupado com as coisas deste mundo, que não tem ocasião nem inclinação para pensar no mundo por vir. Este evangelho propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade e da benevolência, ensinando-nos a viver para o bem dos outros e sermos bondosos para todos. Apela fortemente à mentalidade carnal, tornando-se popular entre as massas, porque ignora os solenes fatos de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, está alienado da vida de Deus, morto em delitos e pecados, e de que a única esperança se encontra em ser nascido de novo.
Em distinção ao evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina que a salvação se realiza por meio das obras; incute na mente das pessoas a idéia de que a justificação diante de Deus ocorre com base nos méritos humanos. A frase sagrada do evangelho de Satanás é: “Seja bom e faça o bem”; mas falha em reconhecer que na carne não habita bem algum. O evangelho de Satanás anuncia uma salvação que se realiza por meio do caráter, uma salvação que é o reverso da ordem estabelecida por Deus, em sua Palavra — o caráter se manifesta como fruto da salvação. As ramificações e organizações deste evangelho são multiformes. Temperança, movimentos de reforma, associações de cristãos socialistas, sociedades de cultura ética, congressos sobre a paz, todas estas coisas são empregadas (talvez inconscientemente) em proclamar este evangelho de Satanás — a salvação pelas obras. Cristo é substituído pelo cartão de apelo; o novo nascimento do indivíduo é trocado pela pureza social; e a doutrina e a piedade são substituídas por filosofia e política. A cultivação do velho homem é considerada mais prática do que a criação de um novo homem em Cristo Jesus, enquanto a paz universal é procurada sem a interposição e o retorno do Príncipe da Paz.
Os apóstolos de Satanás não são donos de bares e negociantes de escravos brancos; em sua maioria, eles são ministros do evangelho ordenados por igrejas. Milhares daqueles que ocupam os púlpitos das igrejas modernas não estão mais engajados em apresentar as verdades fundamentais da fé cristã; eles deixaram de lado a verdade e se entregaram a fábulas. Em vez de magnificarem a grande vileza do pecado e revelarem as suas eternas conseqüências, tais ministros minimizam o pecado, por declararem que este é apenas uma ignorância ou uma ausência do bem. Em vez de advertirem seus ouvintes a fugirem da “ira vindoura”, tais ministros tornam Deus um mentiroso, por declararem que Ele é muito amável e misericordioso e que, por isso mesmo, não enviará qualquer de suas criaturas para o tormento eterno. Em vez de declararem que, “sem derramamento de sangue, não há remissão”, tais ministros apenas apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a seguirem os passos dEle. Temos de afirmar a respeito desses ministros: “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.3). A mensagem deles talvez pareça bastante plausível, e seu objetivo, digno de louvor; todavia, lemos a respeito deles: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras” (2 Co 11.13-15). Além do fato de que centenas de igrejas estão sem líderes que proclamem fielmente todo o conselho de Deus e apresentem o caminho de salvação dEle, também temos de encarar o fato de que a maioria das pessoas destas igrejas provavelmente têm de aprender a verdade por si mesmas

domingo, 23 de dezembro de 2012

A Pessoa de Cristo: Sua Divindade

Quatro declarações devem ser compreendidas e afirmadas a fim de se obter uma imagem completamente bíblica da pessoa de Jesus Cristo:

1. Jesus Cristo é plena e completamente divino.

2. Jesus Cristo é plena e completamente humano.

3. As naturezas divina e humana de Cristo são distintas.

4. As naturezas divina e humana de Cristo estão completamente unidas em uma pessoa.

A Divindade de Cristo


Muitas passagens da Escritura demonstram que Jesus é plena e completamente Deus:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (João 1.1,14)

Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. (João 1.18)

Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! (João 20.28)

[...] deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! (Romanos 9.5)

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens [...] (Filipenses 2.5-7)

[...] aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus [...] (Tito 2.13)

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder [...] (Hebreus 1.3)

[...] mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; [...] Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos [...] (Hebreus 1.8,10)

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo [...] (2Pedro 1.1)

 

O Entendimento de Jesus Acerca da Sua Própria Divindade


Embora as passagens citadas acima claramente ensinem a divindade de Cristo, essa verdade é frequentemente desafiada. Alguns dizem que Jesus jamais reivindicou ser Deus e que tais versículos foram escritos por seus discípulos, que o divinizaram por causa do impacto que ele causara em suas vidas. Jesus, é dito, via a si mesmo tão somente como um grande mestre moral semelhante a outros líderes religiosos. Todavia, o entendimento de Jesus acerca da sua própria divindade nos Evangelhos não dá suporte a essa perspectiva. Ele claramente via a si mesmo como Deus. Isso pode ser visto primariamente de seis maneiras.

1. Jesus ensinava com autoridade divina. Ao final do sermão do monte, “estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mateus 7.28-29). Os mestres da lei no tempo de Jesus não tinham qualquer autoridade própria. A sua autoridade vinha do seu uso de autoridades anteriores. Mesmo Moisés e os demais profetas do AT não falavam por sua própria autoridade; antes, diziam: “Assim diz o Senhor”. Jesus, por outro lado, interpreta a lei dizendo: “Ouvistes o que foi dito aos antigos. [...] Eu, porém, vos digo” (ver Mateus 5.22, 28, 32, 34, 39, 44). Essa autoridade divina é demonstrada com surpreendente clareza quando ele fala de si mesmo como o Senhor que julgará toda a terra e dirá aos ímpios: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mateus 7.23). Não é de admirar que as multidões estavam maravilhadas ante a autoridade com a qual Jesus falava. Jesus reconhecia que as suas palavras carregavam o peso divino. Ele admitia a autoridade permanente da lei e punha suas palavras no mesmo nível dela: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5.18); “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24.35).

2. Jesus tinha um relacionamento único com Deus o Pai. Quando era um jovem menino, Jesus se assentou com os líderes religiosos no templo, maravilhando as pessoas com as respostas que dava. Quando seus pais distraídos finalmente encontraram o seu adolescente “perdido”, ele respondeu dizendo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2.49). A referência de Jesus a Deus como “seu Pai” é uma declaração radical do relacionamento único, íntimo com Deus, acerca do qual ele já tinha plena consciência. Uma afirmação semelhante feita por um indivíduo não tinha precedentes na literatura judaica. Jesus ainda levou esse tratamento pessoal singular a um outro nível ao dirigir-se a Deus o Pai usando a afetuosa expressão aramaica “Abba”.

3. A maneira preferida de Jesus referir-se a si mesmo era o título Filho do Homem. A expressão “um filho de homem” podia significar simplesmente “um ser humano”. Mas Jesus referia-se a si mesmo como o Filho do Homem (sugerindo o singular, bem-conhecido Filho do Homem), o que indicava que ele via a si mesmo como o Filho do Homem messiânico de Daniel 7, o qual haveria de governar o mundo inteiro por toda a eternidade:

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído. (Daniel 7.13-14)

Jesus estabelece a sua autoridade divina como o glorioso Filho do Homem messiânico ao declarar que ele tem o poder de perdoar pecados e que é o senhor do Shabbath: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Marcos 2.10-11); “E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Marcos 2.27-28).

4. O ensino de Jesus enfatizava a sua própria identidade. Jesus veio ensinando o reino de Deus, no qual ele é o Rei. O seu ensino lidava com muitos tópicos, mas era, sobretudo, acerca de si mesmo que ele ensinava. A sua pergunta aos discípulos, “Quem dizeis vós que eu sou?” (Mateus 16.15), é a questão primordial do seu ministério.

5. Jesus aceitou adoração. Talvez a mais radical demonstração da certeza de Jesus quanto à sua divindade estava no fato de que, ao ser adorado, como às vezes ele foi, ele aceitava tal adoração (Mateus 14.33; 28.9,17; João 9.38; 20.28). Se Jesus não acreditasse que ele era Deus, ele deveria ter veementemente rejeitado ser adorado, como Paulo e Barnabé fizeram em Listra (Atos 14.14-15). O fato de um judeu monoteísta como Jesus aceitar adoração de outros judeus monoteístas mostra que Jesus estava consciente de possuir uma identidade divina.

6. Jesus se igualou ao Pai, e como resultado disso os líderes judeus acusaram-no de blasfêmia:

Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus. (João 5.17-18)

Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU [uma clara alusão ao nome sacro e divino de Yahweh; cf. Êx 3.14]. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo. (João 8.58-59)

Eu e o Pai somos um. Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar. [...] Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. (João 10.30-33)

Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu [uma referência a Daniel 7; ver ponto 3]. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte. (Marcos 14.61-64)

 

Implicações da Divindade de Cristo


Porque Jesus é Deus, as seguintes coisas são verdadeiras:

1. Deus pode ser conhecido definitiva e pessoalmente em Cristo: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18); “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9).

2. A redenção é possível e foi realizada em Cristo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

3. No Cristo ressurreto, assunto e entronizado nós temos um Sumo Sacerdote que simpatiza conosco que tem um poder infinito para suprir nossas necessidades: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).

4. Adoração e obediência a Cristo são apropriadas e necessárias.

 

Erros Históricos Acerca da Divindade de Cristo


A mais antiga e radical negação da divindade de Cristo é chamada ebionismo ou adocionismo, a qual foi ensinada por uma pequena seita judaico-cristã no primeiro século. Eles acreditavam que o poder de Deus veio sobre um homem chamado Jesus para habilitá-lo a cumprir o papel messiânico, mas que Cristo não era Deus. Uma heresia cristológica posterior e mais influente foi o arianismo (início do século IV), o qual negava a natureza eterna e plenamente divina de Cristo. Ário (256-336 d.C.) acreditava que Jesus era o “primeiro e maior dos seres criados”. A negação ariana da divindade plena de Jesus foi rejeitada pelo Concílio de Nicéia em 325. Naquele concílio, Atanásio demonstrou que, segundo a Escritura, Jesus é plenamente Deus, sendo da mesma essência do Pai.

A grandeza de pedir perdão

Por Maurício Zágari
Há alguns dias uma pessoa me pediu perdão. Foi alguém que me causou mal meses atrás ao fazer afirmações a meu respeito que foram muito além de quem eu sou, de minhas atitudes e das verdadeiras intenções de meu coração. Confesso que eu jamais esperaria que, passado tanto tempo, chegasse aquele e-mail, com palavras tão cristãs: "Por ser essa vil pecadora, peço-lhe humildemente perdão por tudo o que lhe fiz, por ter deixado o mal exercer o domínio da minha vida, quando permiti que o pecado entrasse em meu coração (...) A vida não para pra gente consertar os erros, porque erros não se consertam, apenas os confessamos e esperamos que pela misericórdia sejamos perdoados". Admito que fiquei muito comovido.  Muito, muito, muito. Chorei uma manhã inteira. Pois, embora o perdão seja um dos alicerces do Evangelho, poucos são os que têm a grandeza de realmente superar seu orgulho e reconhecer os erros. Mesmo que no passado aquela pessoa tenha apresentado para pessoas importantes em minha vida uma imagem distorcida de mim e de meus atos, no presente seu gesto tornou-a admirável aos meus olhos. E tenho certeza que muito mais aos olhos de Deus.
Existe uma ideia de que admitir um erro e pedir perdão seria "se rebaixar". Mas é exatamente o contrário: é um gesto de bravura, humildade bem-aventurada e que prova crescimento espiritual de um servo de Deus. Quando li o email eu não perdoei tal pessoa - pois já a tinha perdoado meses antes em meu coração e em oração. Mas a fiz saber que estava perdoada e aproveitei para também lhe pedir perdão por todo mal que porventura lhe tivesse feito. Quer saber? Foi um dos sentimentos mais maravilhosos que tive em toda a minha vida. Pois, ao perdoar e pedir perdão, o Reino de Deus se fez presente, o Evangelho genuíno se manifestou e eu creio piamente que os anjos no Céu sorriram e festejaram.
Perdao2É certo e seguro, meu irmão, minha irmã, que há alguém a quem você deve pedir perdão. Eu mesmo creio que tenho no mínimo umas 50 pessoas de quem preciso lavar os pés. Dificilmente existe um ser humano que não tenha de humilhar-se por algum mal feito ao próximo, alguma injustiça cometida, algo que disse e provocou feridas. O que é bom, entenda, pois a humilhação aos olhos de Deus é totalmente diferente da humilhação aos olhos dos homens, não é um ato de inferiorizar-se, é um ato sublime. Você pode ter julgado alguém erradamente. Ou difamado essa pessoa. Pode ter tirado dela algo que não lhe pertence. Pode ter magoado seu coração. Pode ter mentido. Pode ter machucado fisicamente. Pode ter prejudicado financeiramente. Pode tê-la passado para trás no trabalho. Pode ter sido injusto em alguma situação. Pode ter feito fofoca sobre ela. Pode ter tomado seu cargo na igreja. Pode ter agido contra ela por inveja ou interesses materiais. Pode ter feito milhões e milhões de coisas que prejudicaram ou magoaram alguém.
A boa notícia é que pedir perdão está ao seu alcance.
Perdao3Em sua carta aos colossenses (3.13,14), Paulo descreve o caminho da grandeza: "Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós". O apóstolo não diz que conviver com pessoas pecadoras é fácil. Conviver comigo, que sou um tremendo pecador, é muito difícil, eu sei. Admiro quem me suporta. Mas quem o faz está cumprindo esse mandamento divino. Temos de suportar-nos e não segregarmos. Esse é o primeiro passo. Em seguida, vem o xeque-mate: temos de nos perdoar mutuamente. Não somente ficar esperando que nos peçam perdão: devemos tomar a iniciativa. Nesse sentido, essa pessoa que me pediu perdão foi muito mais grandiosa do que eu, pois deu o primeiro passo, ainda mais sem saber que já tinha sido perdoada e submetendo-se a possíveis reações hostis que eu poderia ter.
E isso é algo que precisamos ter em mente: nunca esperar o outro vir até nós, importa que façamos a nossa parte. Peça perdão sem esperar ser perdoado ou sem esperar uma boa reação. Faça o que tem de fazer. Faça o que é certo. Faça Jesus se orgulhar de você. Mas se alguém vier primeiro até você e pedir perdão de coração contrito... perdoe. Não importa a dimensão do mal cometido. Importa, isso sim, a dimensão da graça de Deus. Você não faz ideia do bem que perdoar promove em nosso coração. Pedir perdão, então, é algo libertador. Magnânimo. Engrandecedor. Não perca uma oportunidade sequer de fazê-lo, é um dos maiores prazeres e das maiores alegrias que um cristão pode sentir. É, literalmente, divino.
Tudo isso caminha na contramão da nossa cultura. A sociedade prega que devemos estar sempre por cima e manter nosso orgulho. Só que, para o Senhor, é o contrário: "Os insensatos zombam da ideia de reparar o pecado cometido, mas a boa vontade está entre os justos" (Provérbios 14.9). No Reino de Deus, o que te faz grande é se pôr por baixo. Preferir os outros em honra. Humilhar-se para ser exaltado. Tomar na cara sem revidar. Em tudo isso Deus agirá em favor de Seus filhos que procederem conforme o padrão do Reino e não o deste mundo.
Perdao4Quando tais falácias foram ditas a meu respeito tempos atrás, eu poderia ter revidado, retaliado, me defendido, posto a boca no trombone - ou seja, ter agido conforme a raiva e o ódio do mundo. Mas já tinham me ensinado àquela altura que o caminho da Cruz é o de não devolver mal com mal, fazer o bem a quem nos faz mal, orar e abençoar quem nos persegue. E, o mais difícil de tudo: não se defender. Mesmo que rangendo os dentes, suportar tudo calado. Não ficar tentando desmentir exageros ditos a seu respeito e que não condizem com a realidade. E por quê? Simplesmente porque foi o que Jesus fez. É a atitude bíblica, como Paulo deixa claro em Romanos 12. Tenho certeza de que a opção de suportar em silêncio, sem me defender ou dar o troco, pesou no mundo espiritual para o bem de todos e, enfim, para esse pedido de perdão. Que me permitiu levar a essa pessoa a paz de saber que já estava perdoada e também lhe pedir perdão por qualquer mal que lhe tenha feito. Em resumo: para fazer o Evangelho entrar em ação e ter consequência.
Deus criou mecanismos perfeitos de funcionamento das coisas: quando não revidamos Ele nos abençoa. Quando não devolvemos mal com mal Ele nos abençoa. Quando aguentamos o vitupério em silêncio sem nos defendermos Ele nos abençoa. Quando temos a grandeza de pedir perdão Ele nos abençoa. Quando concedemos perdão Ele nos abençoa. O modo de ser e agir do Reino é maravilhoso. É lindo. Nunca será defendido nos filmes de Hollywood ou nas novelas da televisão, somente nas páginas das Escrituras. As atitudes cristãs fazem as pessoas se aproximarem entre si. Fazem as pessoas se aproximarem de Deus. Dá a elas a aparência de Cristo. Se agirmos sempre como Jesus agiu estaremos pondo no rosto do manso Cordeiro um largo sorriso.
Perdao5Você fez mal a alguém, meu irmão, minha irmã, mesmo que tenha sido sem querer ou num momento impulsivo ou de raiva? Não perca tempo: peça perdão ainda hoje. Alguém te feriu muito? Não perca tempo: perdoe-o antes mesmo que ele lhe peça perdão. Disseram que você fez muito mais do que fez - ou mesmo o que não fez? Ou mesmo acreditaram no que foi dito sem ao menos lhe perguntar se tudo condiz com a realidade? Entregue nas mãos do Pai de amor, como o Filho de amor fez. E, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, não abra a boca. Entregue a situação para Deus e espere. É difícil? Pode ser, mas é cristão.
O Natal está chegando. Esse pedido de perdão chegou em boa hora, pois me lembrou enfaticamente do significado primordial dessa celebração cristã. A vinda do Verbo para reconciliar, perdoar, unir, restaurar. Domingo passado estive em um culto na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro e, ao som do belíssimo "Gloria"  de Vivaldi, entoado por um grande coral e um lindo órgão, chorei novamente, emocionado, lembrando-me do real sentido do Natal. Ali agradeci a Deus por ter-se dado por nós e nos ensinado a ser como Ele é. Perdoador. Manso. Humilde. Amoroso. Contrito. Um embaixador da paz.
Gostaria de terminar com a letra desse hino de Vivaldi, que resume bem a gratidão que sinto neste momento e o que todos devemos dizer ao Senhor - palavras que o coral de anjos cantou ao anunciar o nascimento de Jesus aos pastores no campo próximo a Belém (Lucas 2.14):
Perdao6Gloria, gloria! Gloria, gloria in excelsis Deo! (Glória, glória! Glória, glória a Deus nas alturas!)
Peça perdão a quem precisa pedir. Hoje. Agora. Já. Não espere. Não perca tempo. Não condicione isso a qualquer coisa: nunca diga "só pedirei perdão se...". Não! Passe a mão num telefone, escreva um email, vá até a outra pessoa... e aja conforme o coração de Jesus. Não espere um segundo mais. Eu te asseguro que isso te fará admirável aos olhos dos homens. E, muito mais, de Deus.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Arrastado por Deus para ser salvo

Por Natan de Oliveira

"Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a Tua mão (de Deus) e o Teu conselho (de Deus) predeterminaram que se fizesse". Atos 4.27-28.

Críticos da doutrina da predestinação revelam sua ignorância da doutrina, fraqueza e insuficiência nas suas leituras (principalmente das Escrituras), logo que abrem a boca para criticar o tema em questão.
Uma das críticas mais constrangedoras (eu fico com vergonha do cara que me diz estas coisas) é quando ele me diz "Então somos marionetes nas mãos de Deus?".
“A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinação.” Provérbios 16.33
Desconhece o crítico (e logo revela poucas horas de leituras) que Deus ordena as coisas de tal forma, que a vontade da criatura nunca é violentada, muito pelo contrário, Deus muda a mente do elemento e ele de uma hora para outra se sente atraído pelas coisas de Deus.
"... e segundo a Sua vontade Ele (Deus) opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" Daniel 4.35
Portanto, aquele que vem ao Senhor, não vem arrastado e aos berros, com Deus gritando nos seus ouvidos "AGORA EU VOU TE SALVAR E NÃO ADIANTA ESPERNEAR...".
Não!
No novo nascimento primeiro Deus muda o coração e a predisposição natural da pessoa.
Sendo que a partir de então, a pessoa ao ouvir o Evangelho passa a reagir com atenção e fome espiritual, e não mais com ódio velado em uns ou com indiferença procrastinadora em outros.
Não é necessário que a pessoa seja arrastada.
O elemento vem andando pelas próprias pernas.
"Todo o que o Pai me dá VIRÁ A MIM (Jesus); e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora... ... E a vontade do Pai que Me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que Me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia." João 6.37 e 39
Perceba que o que determina se o cara vai ressuscitar no último dia para salvação, não é o seu livre-arbítrio, mas sim o fato de se saber se ele foi ou não dado pelo Pai ao Filho.
Se o Pai deu seu nome para que Cristo Jesus pagasse o preço dos teus pecados na cruz, então diz a Palavra de Deus que VOCÊ VIRÁ A JESUS.
Se o Pai não deu seu nome... Então nada mais resta do que lamentar pela tua miserável condição.
E existem pessoas que acham que tem o poder de frustrar a vontade de Deus Pai...
“O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” Provérbios 16.9