sábado, 15 de março de 2014

Pecados favoritos!

Por Josemar Bessa

James Hamilton (1814-1867) – olhando para casas cobertas de neve no inverno, nos mostra algo essencial para a vida espiritual. Ele diz: “Em uma manhã de inverno, eu tenho notado uma fileira de casas de campo com uma grande camada de neve em seus telhados... mas com o passar do dia, grandes fragmentos de neve começam a cair a partir do beiral mais e mais a medida que a manhã avança. Até que, como uma avalanche, todo o monte de neve do telhado deslizou sobre as calçadas... e antes do pôr do sol, eu podia ver cada telhado tão limpo e seco como se fosse véspera do verão.

Mas eu pude observar, que aqui e ali, havia casas com seu manto de neve ainda sobre seus telhados com um colar de gelo duro em torno dele que o impedia de cair.

O que fez a diferença? A diferença era o que se encontrava dentro!

Algumas dessas casas estavam vazias, ou o solitário morador delas se encolheu quieto por não haver lenha para sua lareira, enquanto o lar povoado, com fogo na lareira, agitação, atividade... criou tal calor interior, que o inverno externo e sombrio não pode sustentar o gelo, perdeu seu controle e a massa de gelo não pode continuar presa a casa. O gelo caiu e foi pisado nas calçadas.

É possível, por um processo externo, empurrar grande parte do volume de neve do telhado gelado com esforço, parte por parte. Mas ele vai se formar de novo. Ele precisa de um calor interior para criar um degelo total.”

Assim, por processos diversos, um homem pode se livrar da conduta ( todo o peso ) dos pecados visíveis, mas ele precisa de um calor interno e escondido, um calor vital dentro, para produzir uma tal separação entre a alma e as suas iniquidade que o afligem. Esse calor é o amor de Deus derramado em abundância – o brilho (como as lareiras acesas e a atividade naquelas casas) gentil que o Consolador difunde na alma da qual Ele faz Sua casa. Sua habitação derrete a alma e os seus pecados favoritos em pedaços, que despencam como a neve naqueles telhados, e faz com que a indolência, outo-indulgência, racionalizações... caiam dissolvidos pelo calor interno gerado por Ele, caiam de um coração se dissolvendo em amor na contemplação da beleza da Sua santidade... esse é o fogo que tudo derrete... que pecados favoritos poderiam permanecer?

A santidade não é algo opcional. Acreditar na verdade bíblica da Soberania de Deus, na Graça soberana... aponta para o imperativo da santificação. O mundanismo em quem fala sobre a graça é sempre fruto da separação impossível da graça e da verdade, como se fossem coisas antagônicas. A manifestação da glória de Deus em sua perfeição em Cristo e em toda a Palavra mantém sempre estas duas coisas juntas: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:14

A nossa santidade foi planejada por Deus na eternidade: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” - Tito 2:11-12 – É assim que a graça se manifesta. A graça de Deus se manifestou e isso sempre produz santidade. A “graça de Deus se manifestou” aponta, é uma referência a Cristo. Ele já veio e esse plano eterno mostra que a nossa santidade é fruto de planejamento eterno.

A linguagem junto com a eleição sempre é esta – aponta para a santidade, “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12 – e qualquer ensino das Doutrinas da Graça que não apontem para isso, mas como uma liberdade para ser e viver como o homem natural, caracterizado pela sociedade que nos cerca, é uma grosseira falsificação da Verdade, o que não tem sido incomum nestes dias.

A santidade está enraizada no conselho eterno de Deus: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” - Romanos 8:29 – O propósito divino é mostrados na nossa conformidade a Cristo. Isto nada mais é que Santidade. A semelhança com Cristo é a santidade, e é de suma importância isso ficar claro para nós. Podemos ter inúmeras habilidade, conhecimento teológico, capacidade intelectual, habilidades na comunicação, mas se não há semelhança com Ele, não há santidade.

Como podemos saber que fomos eleitos, pergunta John Owen – A resposta sempre vem – Deus destinou que você seja santo? Ainda temos um combate com o pecado mesmo sendo homens regenerados, e sem a Graça nós falharíamos completamente neste combate, mas o plano eterno de Deus é o impulso e poder necessário e suficiente para o crescimento em santidade.

A imagem de Deus foi quebrada no homem quando este pecou – a obra eterna de Deus visa exatamente nos livrar de tudo que não é Cristo em nós, santificação! O propósito de Deus é que sejamos à imagem de Seu Filho, e a isto fomos eleitos e predestinados. Em Romanos, Paulo continua dizendo que NADA vai frustrar esse plano – Satanás?... Quem pode ficar no caminho de Deus? Quem pode destruir Seu propósito? Em seu poder Onipotente e Soberano Deus em seu plano restaura o universo para que ele reflita Cristo. Ele “desconstrói” os eleitos e reconstrói nosso caráter, vida... para sermos semelhantes a Cristo. Deus está determinado que você (se de fato é igreja de Cristo) vai ser transformado na mesma imagem de Cristo. Santidade nos eleitos de Deus não é uma ameaça, mas um motivo de alegria, adoração, humildade... porque a santidade foi comprada pela obra perfeita de Cristo para todos aqueles que Deus chamou eficazmente.

Precisamos ver que o papel de Cristo na santificação se estende para muito além da compra somente, a santidade foi adquirida por Cristo – não como um trabalho adicional, Justificação e Santificação estão ligadas entre si e inseparáveis. Minha santificação é tão comprada como qualquer outro aspecto da salvação. Podemos ficar tão focados no sangue de Cristo que perdoa, que perdemos de vista que ele também compra a nossa santificação e santidade. Não há nenhuma benção no Evangelho que vem de algo além de Cristo e este crucificado. Nós não recebemos nada ( e nem poderíamos ) que Ele não tenha comprado por sua obediência e expiação: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.” - Hebreus 2:14-17

A morte de Cristo é uma realidade multifacetada, e isto é assim porque o pecado não é uma massa única e independente em nossos corações, mas o pecado é tecido multidimensionalmente em nossas vidas. A salvação no Sangue derramado na Cruz é uma perfeita expiação que corresponde a esse pecado. Estamos indo para sermos um dia totalmente santificados – o que significa que não haverá nenhum vestígio de pecado em nós – e esse processo poderoso e infalível em todos os que Deus elegeu, começa imediatamente no momento que o homem é regenerado: “que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” Gálatas 1:4

Muitas vezes o entendimento das pessoas sobre a cruz é completamente superficial – temos que enxergar as múltiplas dimensões do pecado e entendermos claramente as múltiplas dimensões da obra feita na cruz: “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.” - Efésios 1:4

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12

Voltando a James Hamilton (1814-1867,

Há um habitante na casa?
Ele está agindo?
A lareira está acesa?
Há calor interno?
Como o gelo poderia permanecer no telhado?

Todo pecado entra em colapso!

Fé para Operar Milagres

Por Arthur W. Pink   

Durante o último século, dois erros cardeais foram cometidos a respeito de muita coisa contida nos Evangelhos – erros que têm prevalecido muito entre cristãos professos e que têm produzido grande destruição. Cada um desses erros dizem respeito àquela interpretação e aplicação do conteúdo dos quatro Evangelistas quanto ao que pertence e o que não pertence ao povo do Senhor hoje. O primeiro desses erros foi dispensacional. Foi erroneamente adotada a opinião de que, como o ministério de nosso Senhor limitou-se à Palestina, enquanto o Templo ainda estava de pé em Jerusalém, este foi, portanto, de caráter exclusivamente “judaico”, e os santos de nossa era devem voltar-se apenas para as Epístolas do Apóstolo dos gentios em busca de suas ordens de marcha. Tal erro é refutado pelos versos iniciais de Hebreus (onde o ministério de Cristo é contrastado com o dos Profetas), e pelo fato de que a grande divisão de tempo entre a.C. e d.C. é datada a partir do nascimento de Cristo, e não da Sua morte ou mesmo da Sua ascensão.

O segundo erro é prático. Aqui o pêndulo balançou para o extremo oposto. No primeiro caso, uma tentativa insidiosa e persistente foi feita para privar os santos de uma parte valiosa da sua legítima herança, tirando deles preceitos necessários e promessas preciosas sob o pretexto de que eram propriedade exclusiva dos judeus. Mas, no último caso, que agora deve ocupar mais completamente a nossa atenção, promessas que foram feitas a uma classe particular foram distribuídas universalmente, promessas que pertenciam apenas aos apóstolos e aos cristãos primitivos têm sido erroneamente aplicadas a todos os crentes em geral. O resultado foi que falsas expectativas foram geradas, vãs esperanças despertadas, selvagem fanatismo encorajado – e aqueles que entraram em contato com esta perversão da Verdade têm visto que efeitos trágicos se seguiram – milhares fazendo completo naufrágio da fé.

Sem dúvida parecerá a alguns de nossos amigos que estamos pisando agora em solo delicado, pois assegurar-lhes de que alguma das promessa feitas por Cristo aos Seus discípulos, promessas que vários de nossos leitores podem ter aprendido que são bases legítimas para apoiarem a sua fé, não pertencem – em seu sentido primário – de modo algum a eles, deve se mostrar inquietante e desapontador. Portanto, prosseguiremos cuidadosa e lentamente, e pediremos que ponderem com especial diligência o que se segue. “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em Meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” (Mc 16:17, 18). Ora, estas são as palavras do Senhor Jesus, mas será podemos nos apropriar delas hoje e esperar um cumprimento literal das mesmas? Há aqueles que respondem com um enfático Sim, embora duvidemos muito de que muitos leitores regulares destas páginas façam isso.

Ora, os versos que acabamos de citar dizem respeito aos milagres que acompanharam a pregação do Evangelho nos primeiros dias desta dispensação cristã, e é preciso notar devidamente que esses milagres resultaram do exercício da fé. Isto acreditamos que será tão evidente para os nossos leitores que não ocasionará nenhuma dificuldade. Mas existem outras passagens nos Evangelhos que tratam do mesmo assunto – promessas similares dos lábios do Salvador que podem não parecer tão simples – e é a elas que nos voltamos agora. “E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:22). Esta mesma promessa, ligeiramente diferente, encontra-se novamente em: “Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis” (Mc 11:24). Quantas vezes esta promessa tem sido apropriada por cristãos e sinceramente pleiteada diante de Deus, apenas para não receber nenhuma resposta. Os tais têm atribuído esta falta de resposta ao fracasso da sua fé (ou são informados de que esta é a causa), ao invés de perceberem que estavam apoiando a sua fé em um fundamento ilegítimo.

“E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:22). Nossa primeira preocupação deve ser averiguar a quem essas palavras foram primeiramente dirigidas, e a circunstância que as ocasionou – considerações que geralmente são de primeira importância como auxílios a uma verdadeira aplicação de um verso, pois, se o contexto é ignorado, equívocos certamente se seguirão. Os versos imediatamente precedentes registram a maldição de nosso Senhor sobre a figueira e o efeito que isto causou sobre aqueles que O assistiam. O verso 20 diz: “E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?”. Marcos nos diz: “E Pedro (o porta-voz dos apóstolos), lembrando-se, disse-Lhe: Mestre, eis que a figueira, que Tu amaldiçoaste, se secou” (11:21). Foi então que Cristo respondeu: “Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito; e, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:21, 22).

Deve ser lembrado que, em uma data anterior, Cristo havia designado 12 de Seus discípulos para pregarem o Evangelho e realizarem milagres em confirmação à sua comissão. “E, chamando os Seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade” (Mt 10:1) – esses poderes miraculosos eram primariamente aquilo a que Paulo se referia quando falou que “os sinais do Seu apostolado foram manifestados entre vós” (2 Co 12:12). Lucas nos informa que, “depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da Sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir” (10:1), mandando que “curassem os enfermos” (v. 9). Os mesmos devidamente voltaram e declararam: “Pelo Teu nome, até os demônios se nos sujeitam” (v. 17). Assim, fica bastante claro que a promessa de Mt 21:22 foi feita àqueles que estavam na posse de poderes miraculosos, e era designada para o seu encorajamento pessoal.

Antes de avançarmos, assinale-se que o que estamos apresentando neste artigo não é novidade de nossa própria invenção, mas antes uma linha de interpretação (ah, desconhecida de muitos nesta época superficial) exposta por muitos eminentes servos de Deus do passado. Por exemplo, em suas notas sobre Mt 21:21, 22, Thomas Scott escreveu: “Quando Jesus observou a surpresa dos discípulos, Ele novamente lhes mostrou a energia da fé, com uma referência especial ao poder de operar milagres em Seu nome. Sempre que uma ocasião apropriada para realizar um milagre em apoio à sua doutrina se oferecesse, e fossem confiando no Seu poder e não duvidando da Sua cooperação, eles não apenas seriam capacitados a realizar obras tão maravilhosas como a de secar a figueira infrutífera, mas até o Monte das Oliveiras, pelo qual estavam então passando, poderia, à sua palavra, ser removido e lançado no mar! Ou seja, nada que empreendessem seria impossível para eles”. Do mesmo modo, Matthew Henry também disse sobre Mc 11:22, 23, “Isto deve ser aplicado primeiro àquela fé de milagres com que os apóstolos e os primeiros pregadores do Evangelho foram dotados, os quais fizeram maravilhas em coisas naturais”.

Indaguemos, a seguir, quanto à extensão desta promessa: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis”. Embora esta linguagem seja indefinida e não limitada, não estamos autorizados a tirar a conclusão de que deva ser tomada sem qualquer limitação. A partir do contexto imediato, fica bastante claro que esta promessa dizia respeito exclusivamente à operação de milagres. O objetivo de Cristo era assegurar os Seus apóstolos de que, se eles orassem com fé por qualquer dom ou poder sobrenatural em particular, esse dom ou poder seria concedido a eles. Mas não temos base para crer que, se aqueles apóstolos orassem por algo diferente, não importa quão firme a sua expectativa, eles receberiam o mesmo. Eles não tinham justificativa para estender os termos da promessa além do que era autorizado pelo propósito óbvio de seu Mestre naquela ocasião especial.

Embora os Doze tenham sido dotados de poderes sobrenaturais, se tivessem orado pela concessão sobre si mesmos de qualquer benção temporal ou espiritual, não haveria absolutamente nada nesta promessa particular que garantisse uma resposta a qualquer desses pedidos. Assim como nós, os apóstolos e os cristãos primitivos estavam sujeitos à pobreza, doença, e todas as provações e aflições comuns desta vida presente. Não temos motivo para duvidar de que eles – pois eram homens sujeitos às mesmas fraquezas que nós – orassem pela sua remoção ou mitigação, contudo, sabemos, a partir de outras Escrituras, que suas orações a respeito destas coisas nem sempre eram atendidas. Isto mostra de uma só vez que a promessa de Mt 21:22 não era universal, pois, neste caso, eles poderiam ter buscado quaisquer favores temporais com a mesma fé e certeza de serem ouvidos que quando orassem para que milagres fossem operados pelas suas mãos.

Mas consideremos agora a condição que nosso Senhor estabeleceu: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis”. A mesma estipulação encontra-se novamente na passagem paralela: “Todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis” (Mc 11:24). Esta promessa feita por Cristo com respeito à operação de milagres estava assim condicionada ao exercício de um certo tipo de fé. Se aqueles aos quais ela foi feita realmente expressassem a fé exigida, então a sua fé asseguraria absolutamente o cumprimento da promessa. Por outro lado, se falhassem em expressar a fé especificada, então a sua petição não seria concedida. Assim como a maioria das promessas da Escritura, esta também era condicional.

Mateus 17 fornece-nos uma ilustração dos apóstolos sendo incapazes de realizar um milagre desejado por causa do seu fracasso em satisfazer à condição vinculada à promessa que estamos aqui considerando. Ali lemos acerca de um certo homem vindo até Cristo em favor de seu filho extremamente aflito, implorando ao Salvador para que tivesse misericórdia dele, e dizendo: “Trouxe-o aos Teus discípulos; e não puderam curá-lo” (v. 16). Após o Senhor ter curado o jovem possesso pelo demônio, Seus discípulos perguntaram por que foram incapazes de realizar este milagre. Sua resposta é instrutiva, pois confirma definitivamente o que dissemos antes: “E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível” (v. 20). A seguir, devemos indagar em que esta fé para operar milagres diferia de qualquer outro tipo de fé. A resposta: ela se apoiava em um fundamento completamente diferente. Em primeiro lugar, ela só poderia ser exercida por aqueles que haviam sido especialmente dotados de poder sobrenatural para operar milagres, o que pertencia apenas aos servos de Cristo no começo desta era cristã. E, em segundo lugar, tal fé deveria se apoiar implicitamente nas promessas específicas que Cristo havia feito aos tais, a saber, que, contando eles com a Sua assistência para capacitá-los para isto, Ele infalivelmente confirmaria a Sua palavra a respeito do mesmo. A mesma coisa pode ser vista, conforme assinalado em um parágrafo anterior, nas promessas registradas em Mc 16:17, 18. Estas eram bem distintas daquela fé que assegura a vida eterna, apoiando-se em um tipo completamente diferente de promessa. Em prova do que foi dito por último, reportamos a At 3. Ali lemos acerca do mendigo que era coxo desde o seu nascimento pedindo esmolas dos apóstolos enquanto estavam entrando no Templo. A ele Pedro disse: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (v. 6, e cf. “em Meu nome” em Mc 16:17). Mais tarde, explicando aos espectadores maravilhados o que havia acontecido, Pedro, após acusá-los de terem entregado o Senhor Jesus a Pilatos, declarou que Deus glorificou a Seu Filho, acrescentando, “e pela fé no Seu nome fez o Seu nome fortalecer a este” (At 3:16). Pedro, então, havia definitivamente tido fé nas promessas que haviam sido feitas aos apóstolos em Mt 21:21, 22 e Mc 16:17, 18, etc.

A fé salvífica consiste na apropriação do Evangelho pelo coração; é apegar-se ao Próprio Cristo tal como é oferecido nele aos pobres pecadores; é confiar na misericórdia de Deus no Redentor. Mas a fé para realizar milagres só poderia ser eficazmente exercida por aqueles a quem promessas especiais para a operação de tais coisas tivessem sido feitas. Cristo havia dotado os apóstolos com poderes sobrenaturais e havia dado a certeza de que Ele os assistiria na realização de sinais maravilhosos para a glória do Seu nome e a extensão do Seu reino. E essa promessa dEle devia ser o fundamento da sua fé. Assim, a fé deles tinha um fundamento tão definido e seguro para se apoiar como a nossa hoje em conexão com a vida eterna. Apesar disso, a primeira era imensamente inferior a esta última. Judas tinha uma, mas não a outra. Por isso Paulo declara que era possível naqueles dias ter fé para “remover montanhas” e, contudo, ser destituído de um santo amor (1 Co 13:2).

Depois de tudo o que foi assinalado acima, deveria ser óbvio que os cristãos hoje estão totalmente desautorizados a aplicar tal promessa a si mesmos em qualquer caso a que se sintam inclinados, e que os ministros do Evangelho estão seriamente iludindo os seus ouvintes quando lhes dizem: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis”. Estamos plenamente cientes de que alguns pregadores piedosos, mas mal orientados, aplicaram tão erroneamente este texto que alguns crentes devotos tomaram esta promessa para si mesmos. Contudo, isto não é prova de que qualquer deles estivesse certo em fazer isto. Temos pessoalmente assistido a mais de um “culto de cura pela fé”, onde tal promessa era “reivindicada” pelo que estava encarregado, e testemunhamos o patético desapontamento do doente indo embora mancando em suas muletas no final. Quantas pessoas de pensamento moderado foram levadas a declarada infidelidade por tal fiasco apenas aquele Dia revelará. Talvez alguns de nossos leitores esteja começando a compreender melhor o nosso sentido quando dizemos, de vez em quando: Muitos que não entendem o sentido de um verso são frequentemente enganados pelo seu som.

“E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:22). Já temos visto que esta promessa foi feita àqueles que haviam sido dotados de poderes sobrenaturais, e que foi dada com o propósito de encorajá-los a exercerem fé em que Cristo continuaria a assisti-los em sua operação de milagres, para a glória do Seu nome e o bem da Sua causa. Também temos demonstrado que os próprios apóstolos não tinham absolutamente nenhuma autorização para aplicar esta promessa particular a bençãos ordinárias, quer de natureza temporal ou espiritual. Deveria, portanto, ficar bem evidente que os cristãos hoje não têm nenhum direito de se apropriarem desta promessa para si mesmos e esperarem um cumprimento literal da mesma. Para deixar isto ainda mais claro, que as seguintes considerações sejam cuidadosamente ponderadas. Nem mesmo os cristãos primitivos foram todos dotados com dons sobrenaturais. Prova disto encontra-se naquela declaração do Apóstolo: “Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos os dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?” (1 Co 12:29-30). Isto é ainda mais surpreendente pelo fato de que esses dons extraordinários abundavam mais copiosamente em Corinto do que em qualquer outra das igrejas apostólicas; contudo, estas questões, com sua forte ênfase, claramente denotam que não havia uma igualdade de dons. O propósito óbvio de Paulo aqui era suprimir, por um lado, todo o descontentamento e inveja, e, por outro, todo o orgulho e arrogância, pois ele os havia lembrado expressamente de que o Espírito reparte Seus dons “particularmente a cada um como quer” (v. 11).

A manifesta limitação da promessa que estamos aqui considerando proíbe que os cristãos hoje lhe deem uma aplicação geral e universal: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis”. Há muito poucas passagens na Escritura onde a expressão “todas as coisas” deve ser entendida sem restrição, e certamente esta não é uma dessas poucas. O “e” precedente claramente se conecta ao que é dito no verso 21, e, portanto, deve significar todas as coisas que ali estão em vista, a saber, a operação de milagres. Conforme temos anteriormente assinalado, esta promessa não dava nem aos próprios apóstolos carta branca, de modo que, se orassem por qualquer coisa (desde que o fizessem com fé inabalável), seria certo que infalivelmente receberiam a mesma. Quanto menos, então, os cristãos ordinários hoje podem dar tal escopo a esta promessa!

A própria Escritura registra mais de um caso de almas piedosas sinceramente suplicando a Deus por certas coisas, e o Espírito Santo não comunicou nenhuma sugestão de que foi porque oraram incredulamente que seus pedidos não foram concedidos. Moisés (Dt 3:23-26) é um caso em questão. Do mesmo modo também Davi jejuou e orou em favor de seu filho doente para que se recuperasse, contudo ele morreu (2 Sm 12:16-19). Do mesmo modo também, nesta era do Novo Testamento, vemos que o amado Apóstolo suplicou ao Senhor três vezes para que o seu espinho na carne fosse removido (2 Co 12:7-9), contudo não foi; embora ele recebesse segurança do Senhor – “A Minha graça te basta” – para suportar a aflição. Não há dúvida de que Paulo estava familiarizado com esta promessa de Mt 21:22! Certamente, então, os cristãos agora não têm nenhum direito de exercer fé nela quando estiverem orando por alguma coisa. Se os cristãos de hoje decidirem se apropriar de Mt 21:22 para si, então eles devem fazer isto sobre o princípio de que, crendo que uma coisa é verdadeira, ela se tornará verdadeira. A linguagem usada por Cristo naquela ocasião é clara demais para ser confundida: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” – no mesmo sentido é: “Todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis” (Mc 11:24). Mas este princípio de que crer que uma coisa é verdadeira necessariamente a torna verdadeira é manifestamente insustentável e errôneo. Se eu orasse pela salvação de alguém que Deus não havia escolhido eternamente em Cristo, nenhuma crença de minha parte efetuaria a sua salvação; e insistir que Deus deveria salvá-la seria presunção, e não fé. Se eu estivesse seriamente doente e cresse que Deus me curaria, nenhuma crença dessa natureza realizaria a minha cura; e, se essa não fosse a vontade do Senhor para mim, então tal “crença” seria fanatismo, e não fé.

Como os cristãos de nosso tempo não têm direito de se apropriarem desta promessa especial para si, eles não têm nenhuma autorização para pedirem qualquer favor, seja temporal ou espiritual, privado ou público, absoluta e insubmissamente. A verdadeira oração não é um esforço de trazer a vontade divina em sujeição à nossa, mas de procurar submeter as nossas vontades às de Deus. O que o Senhor predestinou não pode ser mudado por qualquer apelo nosso, pois nEle não há “mudança, nem sombra de variação” (Tg 1:17). Os decretos eternos de Deus foram moldados por bondade perfeita e sabedoria inerrante, e, portanto, Ele não tem necessidade de abandonar a execução de qualquer parte deles: “Mas, se Ele resolveu alguma coisa, quem então O desviará? O que a Sua alma quiser, isso fará” (Jó 23:13). É uma idéia extremamente grotesca e desonrosa para Deus supor que a oração foi designada com o propósito de a criatura exercer os seus poderes persuasivos de modo a induzir o Todo-poderoso a dar alguma coisa que Ele não queira conceder.

“Esta é a confiança que temos nEle, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve” (1 Jo 5:14). Ah, é nisto que precisamos nos apegar e de acordo com isto precisamos agir nesta era barulhenta e presunçosa. Chegamos ao Trono da Graça não como ditadores, mas como suplicantes. Aproximamo-nos daquEle que está assentado nele não como iguais, mas como mendigos. Vamos ali não para exigir os nossos direitos, mas para suplicar favores. Não ficamos de pé em nossa dignidade, mas dobramos os joelhos em consciente indignidade. Apresentamos não ultimatos, mas fazemos “petições”. E essas petições não fazemos em um espírito de auto-afirmação, mas em humilde submissão. Se nos aproximamos do Trono da Graça de uma forma correta, vamos aí conscientes da nossa ignorância e insensatez, plenamente seguros de que o Senhor conhece muito melhor do que nós o que seria bom nos conceder e o que seria melhor nos recusar.

Deus propôs infalivelmente quando e onde e sobre quem Ele concederá o Seu favor, e os cristãos não têm nenhum direito, e, quando em seu são juízo, nenhum desejo de pedir que Ele altere alguma das Suas determinações a respeito seja deles mesmos ou de outros. Consequentemente, como eles não têm meios de saber de antemão o que Ele decretou concernente à concessão de algum favor específico, eles não têm justificativa para Lhe pedir absolutamente qualquer coisa, mas antes devem proferir cada pedido com franca submissão à Sua boa vontade. Eles podem desejar grandemente ver a salvação de alguma pessoa particular, mas, como não sabem se ela é um dos eleitos de Deus, eles não devem pedir isto incondicionalmente, mas sujeitos ao Seu propósito divino. Eles podem ter algum amado gravemente doente, e, embora seja tanto o seu dever como privilégio pedir pela sua recuperação, eles não devem orar por isso absolutamente, mas em sujeição à vontade de Deus.

Cristo nos deixou um exemplo perfeito de submissão em oração, assim como em tudo o mais. Contemple-O no jardim do Getsêmane – a antecâmara do Calvário – entrando em Seus sofrimentos inconcebíveis. Note a Sua postura: Ele não está ereto, mas sobre os Seus joelhos, e depois sobre a Sua face. Ouça a Sua linguagem: “Pai, se queres, passa de Mim este cálice; todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua” (Lc 22:42). Era o Seu santo desejo que o Pai removesse aquele cálice terrível dEle, se graciosamente Lhe aprouvesse fazer isto; mas, se não, Ele pedia que a Sua petição fosse negada e a vontade de Seu Pai cumprida. Será que podemos, em face disto, meu leitor, chegar perante Deus e insistir que algum pedido nosso seja concedido, independente de estar ou não de acordo com a vontade divina? Decerto que não; antes, devemos sinceramente buscar graça para emularmos o exemplo deixado para nós pelo Redentor.

De fato, é triste testemunhar e ler acerca de muita coisa que está sucedendo no mundo religioso atual. Não é também que o espírito ilegal da época tenha tido uma influência maligna sobre as igrejas; antes, o mal começou nas igrejas e depois infestou a sociedade em geral. A Lei de Deus foi banida dos púlpitos antes que a ilegalidade se tornasse tão predominante no estado. A irreverência caracterizou os bancos antes que a infidelidade andasse à espreita pelas ruas. O Altíssimo foi insultado na oração pública antes que se tornasse coisa comum tomar o Seu nome em vão no palco e nos programas de rádio. Ao invés de se curvarem perante o Trono da Graça, muitos conduziram suas “devoções” públicas como se eles mesmos ocupassem esse Trono. Submissão genuína e sem reservas à vontade divina agora é uma coisa do passado, exceto entre aquele insignificante remanescente ao qual foi dado, pela Sua graça, corações quebrantados e contritos.

Como os cristãos não têm nenhum direito, nesta época, de exercerem fé na promessa de Mt 21:22, então, claramente eles não têm nenhum direito de exercer fé em seus próprios sentimentos peculiares. Os próprios apóstolos que possuíam poderes sobrenaturais não criam que absolutamente todas as coisas que pedissem seriam concedidas a eles porque tinham sentimentos peculiares a respeito daquilo que pediam; mas eles criam que, quando pedissem que um milagre fosse operado por eles, Cristo os capacitaria para isto, porque eles baseavam a sua fé na Sua promessa para esse fim. Eles sabiam que a promessa fora feita à sua fé, e não aos seus sentimentos. Este sendo o caso dos próprios apóstolos, quanto menos o cristão ordinário pode agora reivindicar um cumprimento de Mt 21:22 por causa de algum forte sentimento a que ele esteja sujeito!

Mas, embora os cristãos hoje não tenham uma promessa para se apoiar tal como a de Mt 21:22, alguns deles têm um profundo sentimento de que aquilo pelo que oram será concedido. Isto é absolutamente errado e repreensível. Não temos absolutamente nenhuma garantia escriturística para basear a nossa confiança de sermos ouvidos em algum sentimento, por mais profundo e persistente, e não devemos esperar que Deus nos responda a menos que possamos alegar alguma promessa Sua. Não há promessas na Palavra feitas a quaisquer sentimentos. Todas as promessas do Evangelho são feitas a santos exercícios ou afeições, e a nada a que os homens sejam totalmente passivos. Nossos corações são enganosos mais do que todas as coisas, e aqueles que se apoiam em impulsos interiores e sentimentos secretos estão em grande perigo de incorrer nos erros mais grosseiros e nas ilusões mais brutais. Tanto espíritos maus como o Espírito Santo podem impressionar nossas mentes.

Muitos têm orado por favores particulares com a certeza equivocada de que, se os pedirem com fé resoluta, esses favores certamente lhes serão concedidos. Esta idéia “levou George Whitefield a esperar confiantemente aquilo que ele não tinha direito de esperar confiantemente. Ele tinha um filhinho amável e promissor, que ele ardentemente desejava e orava para que pudesse ser um ministro eminentemente útil; e ele teve sentimentos tão fortes e favoráveis a seu respeito que esperava confiantemente que o mesmo seria aquilo que ele desejava e orava ardentemente que fosse. Mas seu filho morreu quando tinha por volta de quatro anos, e o evento não apenas o desapontou, mas curou-o de seu erro” (N. Emmons, a quem somos endividados por vários pensamentos nesta discussão). Podemos acrescentar que, quando C. H. Spurgeon estava morrendo, dezenas de milhares jejuaram e ofereceram oração especial para que sua vida fosse poupada; mas, como a sequência mostrou, isso não estava de acordo com a vontade de Deus.

Ao procurar corrigir um erro, devemos nos esforçar por nos guardarmos de outro. Embora a promessa de Mt 21:22 não diga respeito a nós hoje, existe grande número de promessas tanto no Antigo como no Novo Testamento que os cristãos podem legitimamente tomar para si mesmos e pleitear diante de Deus. Nessas promessas eles têm todo o encorajamento para orar com fé por aquilo que podem sensatamente desejar. Deus nunca disse à semente de Jacó: “Buscai-Me em vão”, mas assegurou-os de que, se orarem corretamente, eles serão ouvidos, e ou receberão o que pedem ou algo melhor para a Sua glória e para o seu bem. A fim de orar corretamente, eles devem orar com um desejo real pelas coisas que pedem, e com uma submissão genuína à vontade de Deus, quer Ele conceda ou negue suas petições. Quando um crente apresenta petições apropriadas a Deus, de um modo correto, fundamentado nas promessas divinas, então ele não deve duvidar nem da Sua prontidão nem da capacidade de concedê-las, quer por conta da sua própria indignidade ou por causa de alguma dificuldade no caminho. “Se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve” (1 Jo 5:14).

sexta-feira, 14 de março de 2014

Deus é Gay?


Por Walter McAlister

Recentemente vi uma foto, em um aplicativo chamado Pinterest, de um rapaz de cabeça raspada e sem camisa que bradava em direção ao céu. O que me chamou a atenção é que em seu peito trazia escrito God is gay, ou Deus é gay. A imagem me causou espécie, claro. Mas, desde então, me pus a refletir sobre ela.

Muitos procuram no Estado uma espécie de reconhecimento. Seja pela obtenção de direitos políticos ou pela sanção dos poderes constituídos, desejam autenticar a sua existência. Essa ânsia de reconhecimento existe, claramente, nos grupos mais diversos, inclusive na própria igreja dos nossos tempos. Queremos bíblias expostas em praças e na entrada de prédios públicos, sabe-se lá por que — como se isso tivesse algum valor. Não tem. Mas muitos percebem a exposição de objetos de cunho religioso em lugares públicos como um tipo de avanço do Evangelho. Só que não é.

Aquele rapaz obviamente não se contenta com um movimento político. Ele quer se afirmar pela declaração do que crê ser a natureza de Deus. Mas Deus não é gay. Nem tampouco é homem, mulher, alto, baixo, branco, negro, de esquerda ou de direita, revolucionário ou conservador. Deus é além. Está acima de tudo. E Ele se revelou. Só que, ao afirmar que Deus é qualquer uma dessas coisas, o que fazemos? Tentamos atribuir legitimidade à nossa identidade, às nossas convicções ou às nossas vindicações. Ao atribuir o que seja a Deus, o que de fato estamos tentando é afirmar da forma mais inquestionável possível o que somos. Pois, afinal, o que há acima de Deus?

O problema é que, ao atribuir ao Senhor a nossa imagem, fazemos violência à sua imagem. Pois sua imagem não se limita à nossa. É certo que as Escrituras dizem que fomos criados à sua imagem e semelhança. Trazemos no cerne da humanidade a imagem de Deus, embora gravemente chamuscada pelo pecado. A violência que praticamos contra essa imagem reside no fato de tentarmos definir Deus pelo que fizemos com essa semelhança. Assim como o filho que trai o pai e depois quer que ele seja culpado pelos seus atos, nós traímos a nossa origem, rejeitando a sua imagem, para, em seguida, atribuirmos o que fizemos ao Criador. É uma falácia repetida ad nausium, geração após geração. E essa falácia é o fundamento de toda idolatria. Pois, ao fazermos Deus à nossa imagem e semelhança, rejeitamos a sua verdadeira imagem. Veja o que Paulo escreveu no primeiro capítulo de sua carta aos romanos:

18 Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, 19 pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 20 Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; 21 porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. 22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos 23 e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. 24 Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a degradação do seu corpo entre si. 25 Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. 26 Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. 27 Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão. 28 Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. 29 Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, 30 caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; 31 são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. 32 Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.

O texto não poderia ser mais claro. Só não entende quem não quer. Rejeitamos a verdadeira imagem de Deus, que vemos claramente no seu Filho, Jesus Cristo. Não somente lhe devemos honra e glória, mas devoção e reverência. Reverência à sua imagem. Reverência ao seu nome. Reverência à sua Palavra, que é a revelação de quem Ele realmente é. A questão aqui não é se Deus é ou não gay. A questão é que Deus não se parece conosco. Tragicamente, nos parecemos cada dia menos com Ele.

Na paz,

Quem é Deus?

Por Josafá Vasconcelos
 
Geralmente se tem por certo que todos conhecem a Deus. Mas isso não corresponde à realidade. A ideia que as pessoas tem de Deus é completamente distorcida e parcial. Primeiro por falta de informação e conhecimento, tira-se conclusões apressadas baseadas apenas na sabedoria popular. Embora possuamos o que Calvino costumava chamar de "sensus divinitat", isto é, um senso inato de que há um Deus e que podemos ter um certo conhecimento Dele através do que nos revela a natureza, a ponto de sermos inescusáveis, o pecado afetou nossa mente de tal forma que não somos mais capazes de ter uma compreensão correta a respeito Dele por nós mesmos. Para falar a verdade, nem somos dignos de cogitar a respeito de Deus ou, de modo atrevido, perscrutá-lo. Deveríamos tremer só de pronunciarmos o Seu Santo Nome, quanto mais de termos o desplante de sondá-lo; quem somos nós? Somos todos como aqueles cegos da fábula oriental que foram levados para saber como era um elefante. Começaram a tatear as partes do paquiderme e anunciavam suas conclusões: o primeiro, apalpando a tromba, gritou: "o elefante é como uma grande serpente!", o segundo abraçando uma das pernas replicou: "não, é antes como um grosso tronco de árvore!", e o terceiro, fazendo deslizar as mãos pelos lados do imenso animal, retrucou: "É como uma parede ambulante!". Assim, uns dizem: "Deus é amor!", outros: "Deus é Luz!", e ainda "Deus é verdade!", mas sempre de forma parcial. Se desejamos ser salvos, precisamos conhecer a Deus. Jamais teremos conhecimento correto da salvação tendo noções distorcidas do Deus que salva. Então, qual seria a descrição confiável do Criador? Como saber com Ele é? Jamais saberíamos se Ele mesmo não quisesse graciosamente Se revelar. Felizmente Ele quis e o fez, condescendendo com a nossa humílima condição, até onde podíamos alcançar, Deus se revelou nas Escrituras! É através do Santo Livro, a Palavra de Deus, que podemos, de forma correta, saber quem Deus é. 
 
Contudo, é bom que saibamos desde já que nunca seremos capazes de compreendê-lo devido à Sua incomensurável grandeza. Somos criaturas finitas e jamais abarcaremos o infinito. Somos criaturas, Ele é o Criador! A Bíblia diz que "Ele habita em luz inacessível onde homem algum jamais penetrou..." (I Tm 6:16). Mas de forma alguma se trata de um deus como o concebem os deístas, ausente e totalmente alheio às suas criaturas e ao destino delas. O Deus da Bíblia é um Deus imanente, que se compadece, age na vida dos filhos dos homens e habita com eles: "Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos" (Is 57:15).

A Confissão de Fé de Westminster, documento de doutrina importantíssimo das Igrejas Reformadas, escrito pelos puritanos do século XVII, homens piedosos, distinguidos por sua fidelidade às Escrituras, faz a seguinte afirmação a respeito de Deus:

"Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo segundo o conselho de sua própria vontade, que é reta e imutável, e para a sua própria glória. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o buscam; é, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado". Isto corresponde exatamente ao que a Bíblia ensina a respeito de Deus.

Observe bem esta frase: "completamente livre e absoluto, fazendo tudo segundo o conselho de sua própria vontade que é reta e imutável..." Lembre-se, nós estamos falando de um DEUS! Às vezes, não nos damos conta disso, estamos vivendo uma época tão soberba que parece que Deus é um igual, se não, pelo menos de alguém superior, mas que tem de prestar conta de seus atos. Como se dissessem: "nós permitimos que você exista, desde que seus atos como Deus estejam dentro dos nossos padrões de justiça! Queremos que você seja uma Deus de amor e respeite nosso livre arbítrio". Aliás, foi exatamente isso que Erasmo de Roterdã, um teólogo católico humanista, disse a Lutero numa discussão que travaram sobre a doutrina bíblica da Eleição. Erasmo, defendendo o livre arbítrio, disse a Lutero: "Deixa Deus ser amor! Ao que Lutero, defendendo a livre e soberana vontade de Deus em escolher os seus, respondeu: "Deixa Deus ser Deus!". Quando o apóstolo Paulo, defendendo a mesma doutrina em Romanos capítulo 9:8-24, responde a uma suposta objeção ao direito de Deus ter misericórdia de quem lhe aprouver ter misericórdia e compaixão que quem lhe aprouver ter compaixão, responde: "Mas, ó homem, que és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou, por que me formaste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?". Seria mais ou menos se o dono de uma cerâmica recebesse, por parte das latrinas, uma reclamação formal pelo fato de não terem sido pratos! Ainda que tenham sido feitas com esmero, perfeitas e brilhantes! Ainda que tenhamos sido criados à imagem e semelhança de Deus, não passamos de criaturas. É bobagem essa estória de que fomos criados para fazermos o que quisermos, dotados de livre arbítrio e tudo mais, isso não é verdade. Fomos criados para obedecer a Deus, ser aquilo para o qual fomos criados e fazer o que Ele planejou que fizéssemos: "glorificar a Deus e goza-lo para sempre". O que Deus formulou para o homem no paraíso não se tratou de uma opção soberana de escolha concedida a ele entre pecar ou obedecer, ao contrário, era obedecer ou obedecer, pecar seria a morte!
 
Gostaria também de destacar a palavra "santíssimo" e o parágrafo final da Confissão: "é contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado". Você já havia pensado neste aspecto considerando a pessoa de Deus? Admitimos facilmente que Ele é santo sem nos apercebermos das sérias implicações disso, contudo há sérios problemas para pecadores como nós no fato de Deus ser santo! Se Ele é santo, terá que ser justo, odiar o pecado e não ter por inocente o culpado! A Bíblia nos relata a visão que Isaías, um santo profeta, teve da glória de Deus: "No ano da morte do rei Usias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, toda terra está cheia de sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de homens de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!". A visão é gloriosa e nos dá um vislumbre do que é a glória de Deus. Os Serafins, criaturas santas que assistem constantemente na presença de Deus, temem a Sua santidade. Está escrito: "Eis que Deus não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos" (Jó 15:15), eis a razão porque tinham seis asas. Com duas cobriam o rosto e com duas cobriam os pés. Isto é um símbolo que significa reverência para com a santidade de Deus. Estes seres celestiais, criados em pureza, não são achados dignos e nem mesmo podem suportar o esplendor da glória que refulge na face daquele que está sentado no trono; têm que cobrir o rosto, têm que cobrir os pés; as asas designadas para voar significam a presteza que devem ter para cumprir as suas ordens e não podem dizer outra coisa senão: "Santo! Santo! Santo! É o Senhor dos Exércitos!". Que pureza! Que glória! Que santidade! Deus habita em luz inacessível, onde homem algum jamais penetrou! Todos os homens que tiveram apenas um vislumbre de Sua glória caíram como mortos! "Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação" (Jr 10:10).

Deus não se ajusta!

Por Josemar Bessa

"Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido. Ah! se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal. Exporia ante Ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos. Saberia as palavras que ele me respondesse, e entenderia o que me dissesse" (Jó 23.1-5).

Imagine isto: uma convocação de pessoas irritadas se reunindo numa montanha para ter uma sessão de queixas com Deus.
A primeira pessoa a apresentar o seu caso é Moisés. Ele agarra firmemente seu bordão e dá um passo autoritário à frente. Olha dramaticamente para a esquerda e depois seu olhar se desvia a direita. Faz uma pausa deliberada, cofiando a barba esvoaçante. Ele olha diretamente para Deus e estronda numa voz poderosa:"Deus, nós nos conhecemos muito bem. O Senhor fez um bom trabalho no Mar Vermelho e com o exército de Faraó. Mas, será que eu não poderia ter colocado pelo menos um pé na terra de Canaã? Tenho esta queixa contra o Senhor há milhares de anos e preciso desabafar. Minha experiência com o Senhor não tem sido totalmente agradável. Fui deliberadamente exaltado para depois ser humilhado. Tudo que fiz foi bater na rocha! Que mal a nisso!"

"Olhe" - Moisés continua, elevando a voz emocionado. "Desisti do conforto do Egito, como segundo em autoridade ao Faraó. Segui ao Senhor sem vacilar. Tudo o que obtive em troca foram 40 anos nos confins de um terrível deserto, outros 40 anos tratando com uma multidão de pessoas que se comportavam como mentecaptos mal agradecidos, e depois morri justamente 30 dias antes de todos os outros entrarem na Terra Prometida! Estou desgostoso. O Senhor simplesmente não é 'justo'!
Deus sorri reverentemente e em silêncio faz um aceno par o próximo da fila.

João Batista pigarreia nervosamente, lançando um olhar pra o papel amassado que guarda na mão. Ele começa, "Deus, sei que o Senhor é reto e santo, mas estou realmente aborrecido. Quanto mais penso, tanto mais me enraiveço. Deixe-me fazer uma pergunta: O Senhor já teve que comer gafanhotos? Eu tive - UFA! Além disso, o Senhor me obrigou a andar por morros e vales, gritando sobre o arrependimento com toda a força dos meus pulmões. E isso não é tudo. Depois de trabalhar tanto por sua causa, terminei numa cela da prisão e, a seguir sem cerimônia alguma minha cabeça foi cortada! Isso não é 'justo'! Acredito que me explorou para proveito próprio. É dessa forma que age? Se agrada em espremer as pessoas, tirando tudo delas e depois jogá-las fora? É isso que faz?"

Deus sorri brandamente e acena pra o outro indivíduo. Este se porta como um aristocrata. Seu nome é Jó. Ele passa levemente o dedo pelo nariz e fala, "Deus, sei que o Senhor tem tudo sobre controle. Mas, penso que é um 'desmancha-prazeres cósmico' . Deve ficar sentado em seu trono esperando que alguém esteja gozando a vida ao máximo, e então ri sinistramente e torce satisfeito as mãos. Posso ver isso claramente: o que faz é esmagar tudo o que essa pessoa tem. Não tente fugir agora; estou aqui para comprovar pessoalmente o fato de que esse é um dos seus passatempos favoritos".

Neste ponto todos concordam vigorosamente com a cabeça e resmungam afirmativamente.

Jó continua, "Fui vítima indefesa. Sem consultar-me o Senhor deu ao diabo permissão para me destruir. Perdi 7.000 ovelhas, 3.000 camelos, meu gado, jumento, servos, sete filhos e minhas três preciosas filhas. Isso não é tudo. Enquanto me sentava nas cinzas de minha casa queimada, cuidando de meus tumores, minha mulher me disse que eu havia perdido a integridade e que deveria blasfemar contra o Senhor e morrer. Deus, não consigo compreender como isso aconteceu comigo. O Senhor é 'injusto' em suas ações, não só comigo..."

Ao olhar a fila, Deus vê muitas pessoas cuja raiva está crescendo. João se queixa de seus "Benefícios da Previdência Social" no asilo de loucos na ilha de Patmos. Os outros discípulos estão reclamando sobre suas experiências desconcertantes com o martírio, Jeremias se queixa das condições do calabouço, onde ele ficava enterrado na lama praticamente até as orelhas.
Paulo tem uma longa lista de reclamações: Naufragou três vezes, não teve como se vestir, passou fome, foi amargamente perseguido, apedrejado, rejeitado pelo sistema religioso, encarcerado e finalmente cortaram o seu pescoço. José está extremamente reivoso por ter sido vendido como escravo, caluniado pela mulher do seu patrão, e atirado numa cela por anos... Seu único crime foi um sonho! O honesto e puro Estevãoainda tem lugares inchados e ferimentos por ter sido apedrejado até a morte.

Deus também não pode esquecer de Davi. Ele foi caçado como um animal raivoso pelo invejoso Saul. A seguir, depois de trinta minutos de pecado com Bete-Seba, Davi colheu literalmente o caos em sua família e no reino durante 40 anos. Cada um tem uma pasta cheia de "fatos" que justificam sua queixa básica contra Deus.

Em meio ao nosso sofrimento, nossas emoções se descontrolam. Essa é a razão de necessitarmos de um regime de impacto através da ajuda objetiva das Escrituras. Nós aqui, no séculoXXI só nos ajustamos a justiça de Deus tendo um conhecimento categórico sobre Ele. ( Você pode ver então a tragédia e o engano diabólico do 'evangelho da prosperidade?' ) - Ele é uma mentira e nos faz crer num Deus que é mera ficção. É importante também para nós compreender suas (deDeus) intenções a nosso respeito porque quando estamos sofrendo, no geral questionamos seus motivos e sua integridade.

Alguém talvez diga: "Mas Deus é tão misterioso, ninguém pode saber realmente quem Ele é"! Embora seja verdade que Deus é tão grande que nenhum pensamento humano pode contê-lo plenamente, temos, como seus filhos, capacidade de conhecê-lo. Nossa responsabilidade é colocar o conhecimento que temos sobre Deus em nossa mente e depois pedir ao Espírito Santo que o torne uma realidade viva tanto nos bons como nos maus momentos.

Os seguintes atributos de Deus estão prontos para serem bombardeados para o nosso tanque de pensamentos desde já. Preparado?

01. Deus sabe tudo (At 15.18)

02. Deus é santo (1Pe 1.15,16). Ele lhe dá o poder para andar na luz.

03. Deus é amor (1Jo 4.8). Ele está vitalmente interessado no nosso bem maior.

04. Deus é verdadeiro (Rm 3.4). Ele cumpre todos os acordos sem queixar-se as suas costas.

05. Deus não tem de dar contas a ninguém (Is 40.13-14). O que Deus faz por você não é devido a um sendo de obrigação.

06. Deus é Todo-Poderoso (Ap 19.6). Você pode sentri-se protegido pelo seu cuidado.

07. Deus é infinito e eterno (Sl 90.2) - Ele tem o ponto de vista perfeito com relação ao seu sofrimento.

08. Deus é invariável e imutável (Tg 1.17). Ele não é neurórico em sua atitude compassiva para com você.

09. Deus é Onipresente (Sl 139.1-24). Você não pode fugir da atuação dEle em sua vida.
10. Deus é reto e justo (Sl 19.9). Ele não faz acepção de pessoas.

11. Deus é o Rei do Universo (Ef 1.1-23). Ele tem tudo sob controle, inclusive a sua situação.

Nós muitas vezes desejamos que Deus se ajuste ao nosso modo de pensar. Quando esta é a abordagem, não leva muito tempo para compreendermos que estamos empenhados numa tarefa inútil. Se, porém, nos ajustarmos adequadamente aos pensamentos de Deus, nosso valor como seus servos aqui na terra irá aumentar aos olhos dEle. Podemos então deixar de lado nossos sofrimentos e levar o poder curativo da cruz de Cristo a outros que estão sofrendo. Nós nos ajustamos categoricamente ao modo de pensar de Deus.
Em resumo, Deus não vai se ajustar aos seus pontos de vista. Você pode tentar manipular a atenção dEle com choro, súplicas ou desvios. Mas depois de tudo ter sido dito e feito, você ainda terá de ajustar-se aos pensamentos de Deus, como revelados na Palavra.

Você talvez fumegue um pouco e aja insensatamente durante algum tempo, mas mais cedo ao mais tarde, depois do esgotamento total, terá de enfrentar o fato de que Ele não vai se mover. Ele está no controle. Ele é o Criador. Você sua criatura. Os cristãos humildes não tem problema com esta realidade, poque uma vez compreendida, eles entram numa esfera de maior liberdade, vida e amor dentro dos limites de sua herança espiritual.

Fonte: Josemar Bessa

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um coração como o de Cristo

Amor1

Por Maurício Zágari

Vivemos dias curiosos na história da Igreja. Atualmente é muito fácil você se dizer cristão sem que, necessariamente, tenha um coração como o de Cristo. Muita gente se chama cristã mas não tem um relacionamento pessoal e íntimo com Jesus de Nazaré. Existem algumas características que mostram com clareza quem foi verdadeiramente alcançado pela graça do Cordeiro e ingressou no reino de Deus. Precisamos examinar nosso coração constantemente, para ver se não estamos fugindo do padrão que o Senhor estabeleceu para aqueles a quem adota como filhos. E, de todas as características de um cristão autêntico, uma se destaca: ele prioriza o próximo.

Assim como “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16), quem é morada do Espírito Santo entrega-se pelos outros. Devemos ter em nós “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

Que exemplo! Numa época em que muita gente nas igrejas crê e prega que o cristão é o “vitorioso”, o que faz e acontece… Jesus nos ensina que é preciso esvaziar-se de si mesmo, servir, nivelar-se aos pequenos, humilhar-se, dar a vida pelos demais. Isso é ser cristão. “O grande mandamento na Lei [é]: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-40)

Época triste vivemos, em que muitos acreditam que serão dignos se tiverem cargos de destaque na igreja, títulos eclesiásticos garbosos, pompa e circunstância. É quando olhamos para Jesus e vemos que aquele Deus – nascido numa estrebaria de segunda categoria e posto no lugar onde bichos fedorentos se alimentavam, cercados por moscas e cheiro de estrume – abriu mão de tudo isso. Pelo contrário, lavou os pés dos pecadores. “Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.12-15).

Seu palácio foi uma carpintaria. Sua coroa não foi de ouro e diamantes, mas de espinhos. Seu trono não foi uma poltrona no centro da plataforma, mas uma cruz. Seu séquito não foi de bajuladores e serviçais, mas de escarnecedores que cuspiam nele e lhe batiam. Sua glória foi ficar nu ante todos, rasgado e furado enquanto o ofendiam. A lealdade que recebeu foi a traição e a debandada daqueles por quem se entregou. Distribuiu amor; recebeu bofetões, catarro, palavrões, abandono, traições, acusações falsas, desprezo, dor.

Mas chegou o terceiro dia. E, então, veio a perfeição. Aquele que serviu assentou-se à direita do Pai e foi servido pelos anjos. Aquele que foi ridicularizado tornou-se entronizado. Aquele que foi humilhado recebeu toda a glória. Jesus, após muito sofrer, não descansou, mas permanece conosco todos os dias, para levar sobre si os fardos de todos os que estão cansados e sobrecarregados.

Nós, porém, não queremos abrir mão de nada. Nosso coração inclina-se para o dinheiro, para acumular pilhas de bens materiais, para receber reconhecimento e fama. Queremos ter mais e mais seguidores nas redes sociais. Queremos prestígio. Não abrimos mão de nosso tempo pelo próximo. Não nos preocupamos com os demais de fato. Não choramos com os que choram, só desejamos nos alegrar com os que se alegram. Queremos que lavem os nossos pés – afinal, pagamos pelo serviço. Nosso coração está cheio de nós mesmos e vazio de amor ao próximo. E nos chamanos “cristãos”? Jesus disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34-35). Claro como água. Só é discípulo de Jesus quem ama o outro. E isso inclui o xexelento, o fedorento, o intragável, o revoltado, o desviado, o pecador, o leproso, o que não tem nada a lhe oferecer, o que vive precisando de você, o chato, o que tem mau hálito, o que te ofendeu e você não consegue perdoar. Aqueles que são tão ruinzinhos como você e como eu. Quer ser discípulo de Jesus, isto é, um cristão? Ame gente como você e eu: a ralé da humanidade, a escória.

Mas uma ralé por quem o Cordeiro de Deus entregou sua vida. Sim: a ralé vale o preço de sangue – e o sangue de Cristo.

Paulo escreveu: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 1.1-2). Imitamos Deus? Andamos em amor? Nos entregamos como sacrifício? Negamos a nós mesmos e tomamos diariamente a nossa cruz? Se não o fazemos, “cristão” é um título que não nos pertence.

Amor! Só isso revela um coração cristão; um coração vivo e pulsante, que pulsa no ritmo do coração de Deus.

Precisamos nos examinar diariamente. Como anda o seu coração? Para que ele se inclina? O que você tem feito pelo próximo? Quem vem primeiro na sua vida? Quanto tem perdoado? Quanto tem chorado com os desesperados? Quanto tem se alegrado com a felicidade alheia que custou a sua?

Você quer ter um coração cristão, isto é, um coração como o de Cristo? Um coração no qual permanece o amor de Deus? Então ouça a voz do céu: “Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo 4.12).

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício