sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Seguindo a Deus de Perto


“A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63:8.).

Por A. W. Tozer

O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.

Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.

Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “... o Senhor o segura pela mão” (Sl 37:24.).

Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus. De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.

A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.

Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra. Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.

Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".

Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.

O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.

Esse intercâmbio, entre Deus e a alma, pode ser constatado pela percepção consciente do crente. É uma experiência pessoal, isto é, não vem através da igreja, como Corpo, mas precisa ser vivida, por cada membro. Depois, em conseqüência dele, todo o Corpo será abençoado. E é uma experiência consciente: isto é, não se situa no campo do subconsciente, nem ocorre sem a participação da alma (como, por exemplo, segundo alguns imaginam, se dá com o batismo infantil), mas é perfeitamente perceptível, de modo que o homem pode “conhecer” essa experiência, assim como pode conhecer qualquer outro fato experimental.

Nós somos em miniatura, (excetuando os nossos pecados) aquilo que Deus é em forma infinita. Tendo sido feitos a Sua imagem, temos dentro de nós a capacidade de conhecê-lO. Enquanto em pecado, falta-nos tão-somente o poder. Mas, a partir do momento em que o Espírito nos revivifica, dando-nos uma vida regenerada, todo o nosso ser passa a gozar de afinidade com Deus, mostrando-se exultante e grato. Isso é este nascer do Espírito sem o qual não podemos ver o reino de Deus. Entretanto, isso não é o fim, mas apenas o começo, pois é a partir daí que o nosso coração inicia o glorioso caminho da busca, que consiste em penetrar nas infinitas riquezas de Deus. Posso dizer que começamos neste ponto, mas digo também que homem nenhum já chegou ao final dessa exploração, pois os mistérios da Trindade são tão grandes e insondáveis que não têm limite nem fim.

Encontrar-se com o Senhor, e mesmo assim continuar a buscá-lO, é o paradoxo da alma que ama a Deus. É um sentimento desconhecido daqueles que se satisfazem com pouco, mas comprovado na experiência de alguns filhos de Deus que têm o coração abrasado. Se examinarmos a vida de grandes homens e mulheres de Deus, do passado, logo sentiremos o calor com que buscavam ao Senhor. Choravam por Ele, oravam, lutavam e buscavam-nO dia e noite, a tempo e fora do tempo, e, ao encontrá-lO, a comunhão parecia mais doce, após a longa busca. Moisés usou o fato de que conhecia a Deus como argumento para conhecê-lO ainda melhor. “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o Teu caminho, para que eu Te conheça, e ache graça aos Teus olhos” (Ex 33:13). E, partindo daí, fez um pedido ainda mais ousado: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33:18). Deus ficou verdadeiramente alegre com essa demonstração de ardor e, no dia seguinte, chamou Moisés ao monte, e ali, em solene cortejo, fez toda a Sua glória passar diante dele.

A vida de Davi foi uma contínua ânsia espiritual. Em todos os seus salmos ecoa o clamor de uma alma anelante, seguido pelo brado de regozijo daquele que é atendido. Paulo confessou que a mola-mestra de sua vida era o seu intenso desejo de conhecer a Cristo mais e mais. “Para O conhecer” (Fp 3:10), era o objetivo de seu viver, e para alcançar isso, sacrificou todas as outras coisas. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3:8).

Muitos hinos evangélicos revelam este anelo da alma por Deus, embora a pessoa que canta, já saiba que o encontrou. Há apenas uma geração, nossos antepassados cantavam o hino que dizia: “Verei e seguirei o Seu caminho”; hoje não o ouvimos mais entre os cristãos. É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus. Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lO. Esse conceito nos é apresentado como sendo o mais ortodoxo, e muitos não aceitariam a hipótese de que um crente instruído na Palavra pudesse crer de outra forma. Assim sendo, todas as palavras de testemunho da Igreja que significam adoração, busca e louvor, são friamente postas de lado. A doutrina que fala de uma experiência do coração, aceita pelo grande contingente dos santos que possuíam o bom perfume de Cristo, hoje é substituída por uma interpretação superficial das Escrituras, que sem dúvida soaria como muito estranha para Agostinho, Rutherford ou Brainerd.

Em meio a toda essa frieza existem ainda alguns — alegro-me em reconhecer — que jamais se contentarão com essa lógica superficial. Talvez até reconheçam a força do argumento, mas depois saem em lágrimas à procura de algum lugar isolado, a fim de orarem: “Ó Deus, mostra-me a tua glória”. Querem provar, ver com os olhos do íntimo, quão maravilhoso Deus é.

É meu propósito instilar nos leitores um anseio mais profundo pela presença de Deus. É justamente a ausência desse anseio que nos tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. A complacência é inimigo mortal do crescimento cristão. Se não existir um desejo profundo de comunhão, não haverá manifestação de Cristo para o Seu povo. Ele espera que o procuremos. Infelizmente, no caso de muitos crentes, é em vão que essa espera se prolonga.

Cada época tem suas próprias características. Neste exato instante encontramo-nos em um período de grande complexidade religiosa. A simplicidade existente em Cristo raramente se acha entre nós. Em lugar disso, vêem-se apenas programas, métodos, organizações e um mundo de atividades animadas, que ocupam tempo e atenção, mas que jamais podem satisfazer à fome da alma. A superficialidade de nossas experiências íntimas, a forma vazia de nossa adoração, e aquela servil imitação do mundo, que caracterizam nossos métodos promocionais, tudo testifica que nós, em nossos dias, conhecemos a Deus apenas imperfeitamente, e que raramente experimentamos a Sua paz.

Se desejamos encontrar a Deus em meio a todas as exteriorizações religiosas, primeiramente temos que resolver buscá-Lo, e daí por diante prosseguir no caminho da simplicidade. Agora, como sempre o fez, Deus revela-Se aos pequeninos e se oculta daqueles que são sábios e prudentes aos seus próprios olhos. É mister que simplifiquemos nossa maneira de nos aproximar dEle. Urge que fiquemos tão-somente com o que é essencial (e felizmente, bem poucas coisas são essenciais). Devemos deixar de lado todo esforço para impressioná-lO e ir a Deus com a singeleza de coração da criança. Se agirmos dessa forma, Deus nos responderá sem demora.

Não importa o que a Igreja e as outras religiões digam. Na realidade, o que precisamos é de Deus mesmo. O hábito condenável de buscar “a Deus e” é que nos impede de encontrar ao Senhor na plenitude de Sua revelação. É no conectivo “e” que reside toda a nossa dificuldade. Se omitíssemos esse “e”, em breve acharíamos o Senhor e nEle encontraríamos aquilo por que intimamente sempre anelamos. Não precisamos temer que, se visarmos tão-somente a comunhão com Deus, estejamos limitando nossa vida ou inibindo os impulsos naturais do coração. O oposto é que é verdade. Convém-nos perfeitamente fazer de Deus o nosso tudo, concentrando-nos nEle, e sacrificando tudo por causa dEle.

O autor do estranho e antigo clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A nuvem do desconhecimento), dá-nos instruções de como conseguir isso. Diz ele: “Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não Suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo a sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus, esse é o mais agradável exercício espiritual”.

Em outro trecho, o mesmo autor recomenda que, em nossas orações, nos despojemos de todo o empecilho, até mesmo de nosso conhecimento teológico. “Pois lhe basta a intenção de dirigir-se a Deus, sem qualquer outro motivo além da pessoa dEle.” Não obstante, sob todos os seus pensamentos, aparece o alicerce firme da verdade neotestamentária, porquanto explica o autor que, ao referir-se a “ele”, tem em vista “Deus que o criou, resgatou, e que, em Sua graça, o chamou para aquilo que você agora é”. Este autor defende vigorosamente a simplicidade total: “Se desejamos ver a religião cristã resumida em uma única palavra, para assim compreendermos melhor o seu alcance, então tomemos uma palavra de uma sílaba ou duas. Quanto mais curta a palavra, melhor será, pois uma palavra menor está mais de acordo com a simplicidade que caracteriza toda a operação do Espírito. Tal palavra deve ser ou Deus ou Amor”.

Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18:20), e com essas palavras tornou-a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um princípio espiritual, um princípio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa — Deus — de maneira pura, legítima e eterna.

Ó Deus, tenho provado da Tua bondade, e se ela me satisfaz, também aumenta minha sede de experimentar ainda mais. Estou perfeitamente consciente de que necessito de mais graça. Envergonho-me de não possuir uma fome maior. Ó Deus, ó Deus trino, quero buscar-Te mais; quero buscar apenas a Ti; tenho sede de tornar-me mais sedento ainda. Mostra-me a Tua glória, rogo-Te, para que assim possa conhecer-Te verdadeiramente. Por Tua misericórdia, começa em meu íntimo uma nova operação de amor. Diz à minha alma: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem” (Ct 2:10). E dá-me graça para que me levante e te siga, saindo deste vale escuro onde estou vagueando há tanto tempo. Em nome de Jesus. Amém.

A Fé que Salva


Por Solano Portela

O movimento histórico conhecido como a Reforma do Século 16 ocorreu há quase 500 anos, iniciado quando Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517, pregou 95 teses, ou declarações, na porta da catedral de Wittenberg, que pastoreava. Lutero foi um homem que atravessou uma profunda experiência de conversão, pela qual teve os olhos abertos à simplicidade dos ensinamentos contidos na Bíblia. Comparando esses ensinamentos com o que era pregado e praticado na igreja dos seus dias, Lutero encontrou diferenças marcantes. Ele verificou como, ao longo do tempo, distorções haviam sido introduzidas, de tal forma que o povo era conservado em ignorância espiritual, privado das verdades reveladas na Palavra de Deus que podem levar à salvação. Os reformadores (Lutero e os que se seguiram a ele) procuraram resgatar a mensagem que salva e que pode levar os homens de volta ao seu destino original, reconciliando pecadores com o Deus santo que rege os céus e a terra.
Os historiadores têm, normalmente, identificado quatro pilares da Reforma do Século 16. Quatro temas principais que dominaram os escritos e ensinamentos dos reformadores, por serem essenciais à propagação da sã doutrina. Esses “pilares” são normalmente identificados por palavras latinas, não tão difíceis de compreender: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide e Solus Christus. Vamos identificar esses significados e ver a relação deles, um para com os outros, bem como a razão da Reforma ter se concentrado nesses temas.
Sola Scriptura, significando que somente as Escrituras providenciam a fonte do nosso conhecimento religioso, das coisas espirituais cujo conhecimento é essencial à compreensão da vida. Essa era uma ênfase necessária, pois a igreja havia incorporado muitas doutrinas que não procediam da Bíblia, mas meramente de tradições humanas. Questões tais como culto às imagens, a existência do purgatório, etc., faziam parte das doutrinas ensinadas ao povo. Os reformadores, investigaram e deram um sonoro “não” a esse ensino e à consideração da “tradição” como fonte de autoridade igual ou superior à Palavra de Deus. Eles consideraram, corretamente, que isso era mortal para a saúde espiritual de qualquer um e da própria igreja.
Sola Gratia, significando que somente a Graça de Deus é a origem da nossa salvação. Na época da reforma, e mesmo nos nossos dias a tendência humana é a de exaltar a habilidade humana de salvar-se a si mesmo. Os reformadores apontaram que a Bíblia indica sem sombra de dúvidas que somente a graça de Deus, o favor não merecido da parte dele, origina um meio de salvação. Estamos todos mortos em delitos e pecados e, conseqüentemente, nada podemos fazer para nossa própria salvação. A iniciativa, de providenciar um plano de salvação, é de Deus e dele procedem todas as providências, nesse sentido.
Sola Fide, significando que somente a Fé é o meio pelo qual nos apropriamos da salvação efetivada por Cristo Jesus para o seu povo. Se a iniciativa da salvação é a graça de Deus, a Fé representa a resposta a essa iniciativa. Essa ênfase, extraída da Bíblia, era muito necessária, pois enfatizava-se as ações humanas como forma de se adquirir a salvação. Vendiam-se indulgências – pedaços de papel que, segundo os vendedores, representavam uma espécie de passaporte para o céu. Quanto mais se contribuía, mais certeza se obtinha, diziam eles, do perdão de pecados – do próprio comprador ou de parentes ou amigos que desejava beneficiar. Lutero e os demais reformadores, não encontraram qualquer base para esses ensinamentos nas Escrituras. Eles identificaram a Fé como sendo a resposta humana, provocada pelo toque regenerador do Espírito Santo de Deus, no processo de salvação.
Solus Christus, significando que somente Cristo é a base da nossa salvação. Somos salvos somente pelos méritos e pelo sacrifício de Cristo e não com base em qualquer outra situação ou ação humana. Cristo é o nosso único intermediário – assim a Bíblia especifica – e isso contrasta com tudo o que se ensinava, e ainda se ensina, relacionado com a intermediação de Maria e de outros “santos”.
Além dos “quatro pilares”, acima explicados, adiciona-se normalmente mais um: Soli Deo Gloria– Glória a Deus somente, significando o propósito da existência de nossas pessoas e de tudo o que temos ao nosso redor. Essa ênfase, igualmente bíblica, foi surgindo com o trabalho dos reformadores que se seguiram a Lutero, especialmente com o de João Calvino, que ensinou a doutrina da vocação – o chamado de Deus para que nos envolvamos em todos os aspectos da vida, sempre centralizando nossas ações na glória que é devida a Deus. Deus fez todas as coisas para sua própria glória e nos enquadramos em nossa finalidade e encontramos a felicidade quando abraçamos esse ensino em nossas vidas.

No meio desses pontos cardeais, dessas ênfases centrais nas doutrinas bíblicas, é interessante notarmos que Martinho Lutero considerava a questão da fé: Sola Fide – Somente a Fé, como sendo aquela ênfase crucial, que devia ser propagada e defendida a qualquer custo. Obviamente que, para ele, todas as demais eram importantes, mas com a questão da fé – como único e exclusivo meio pelo qual nos apropriamos da salvação – ele tinha um cuidado todo especial. Possivelmente isso ocorreu porque foi estudando a doutrina da fé que ele foi atingido pela contundência da mensagem divina de salvação. Lutero, atribulado porque estava acostumado a ouvir a pregação das indulgências, ou a validade de relíquias e amuletos, como meios de se tornar agradável a Deus, identificou-se como “um pecador perante Deus com a consciência atribulada”. Ele estudava a carta de Paulo aos Romanos, mais especificamente o capítulo 3, quando se deparou com a declaração: “o justo viverá pela fé”, no verso 28. Lutero escreveu o seguinte: “...então eu compreendi que a justiça de Deus é o fundamento de direito pelo qual, pela graça e pela misericórdia, ele nos justifica através da fé. Imediatamente eu me senti como se tivesse atravessado uma porta aberta e penetrado no paraíso”.

Assim, a justificação pela fé passou a ser uma das doutrinas centrais dos que abraçaram a fé reformada, que ficaram historicamente conhecidos como “protestantes”. Lutero escreveu, ainda: “esta doutrina é a principal e a angular. Somente ela gera, nutre, constrói, preserva e defende a igreja de Deus; sem ela a igreja de Deus não sobreviverá por uma hora”. O ensinamento bíblico, principalmente contido no terceiro capítulo de Romanos, sobre a justificação pela fé, não significa que nós somos considerados justos com base na fé. A base de nossa justificação é Cristo e o seu sacrifício na cruz, com a subseqüente vitória da morte, obtida em sua ressurreição. Somos salvos, portanto, pela Graça de Deus, por meio da fé, com base no trabalho de Cristo. Explicando o que é justificação, João Calvino nos ensina que ela “consiste no perdão dos pecados e na imputação da justiça de Cristo”. Uma das expressões que ele utiliza, é a de que os cristãos são “inseridos na justiça de Cristo”. Ou seja, não temos justiça própria, mas recebemos a justiça de Cristo sobre nós.

Na carta de Paulo aos Efésios (capítulo 2, versos 8 a 10), lemos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. A fé, aqui mencionada, é essa fé que salva. Aprendemos, nestes versos, que somos salvos somente pela graça proveniente de um Deus soberano. A fé, é o meio – “mediante a fé”. Mas note que não temos qualquer razão ou motivo de nos orgulharmos de termos exercitados fé. Nem temos qualquer prerrogativa ou direitos perante Deus. Somente exercemos a fé, porque ela é dom de Deus. Ele é que nos concede esse meio de resposta ao seu toque salvador. Aprendemos, também, que a salvação não vem das obras – não podemos nos orgulhar, ou nos gloriar, das nossas ações, pois elas não levam à salvação. No entanto, somos instruídos sobre o verdadeiro relacionamento entre graça, fé e obras (ações). Não existe graça verdadeira, sem a respectiva fé que salva. Não existe fé salvadora, sem as evidências dessa salvação, dessa transformação de vida – as obras, as ações de mérito, representadas pelo cumprimento dos mandamentos e das diretrizes divinas contidas nas Escrituras e que existem “para que andemos nelas”.

Essa é a fé que salva. A fé que não é simplesmente uma manifestação mística em algumas coisas. Muitos têm fé sincera em objetos que não podem salvar – em ídolos, em ritos de umbanda, em espíritos desencarnados. Mesmo em sinceridade, essa fé leva à perdição. Somente a fé em Cristo Jesus é fé salvadora (Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”). A fé que salva é conseqüência natural da graça. A fé que salva não é incompatível com as obras, mas as obras são uma conseqüência necessária a essa fé. Há quase 500 anos os reformadores entenderam isso e resgataram essa doutrina que não estava sendo ensinada e se encontrava velada debaixo do entulho de tradição humana que a havia soterrado. Você entende que essa fé é o único meio para a sua salvação?

Interprete: Você morreria por doutrina?


Por Matthew Barrett
Deus, abra os olhos do rei da Inglaterra! Essas foram as últimas palavras de William Tyndale (1494-1536) numa sexta-feira, 16 de outubro de 1536, pouco antes de ser estrangulado e queimado. Alguém pode pensar que Tyndale foi queimado por ser um cristão, por professar fé em Jesus Cristo. Entretanto, você estaria enganado. Tyndale foi martirizado por rejeitar o papado e por insistir em traduzir a Bíblia para o vernáculo comum. Como Tyndale havia proclamado, “Eu desafio o papa, e suas leis;e, se Deus me livrar, eu irei um dia fazer que o garoto que anda em qualquer carroça aqui na Inglaterra saiba mais de Bíblia do que o próprio papa!” Caso você não esteja chocado pelo derramamento de sangue de Tyndale, deixe-me enfatizar isso mais uma vez: Tyndale não morreu por crer em Jesus (como mártires cristãos de hoje). Ele morreu por acreditar nas verdades da Reforma.
Nós estaríamos errados se pensássemos que Tyndale, que traduziu a Bíblia do grego para o inglês, era uma exceção. Como Tyndale havia testemunhado, muitos outros reformadores morreram por crimes muito menores contra a Igreja Católica Romana. Homens foram jogados na prisão e executados por andarem com os escritos de Lutero. Além de Tyndale, uma multidão de outros mártires poderiam ser citados. Considerem o reinado da rainha Maria (1553-58), conhecida como “Bloody Mary”. John Rogers foi o primeiro a ser martirizado em seu reinado. Rogers foi queimado por ensinar as verdades da Reforma. De fato, Rogers incentivou Tyndale a distribuir o Novo Testamento em Inglês.
Outros- mais famosos como Hugh Latimer e Nicholas Ridley – seguiriam os passos de Rogers. Ambos rejeitaram a autoridade papal e a massa Romana e se enterraram em sua condenação em 16 de outubro de 1655. Quando Latimer e Ridley foram amarrados um de costas para o outro (para serem queimados), Latimer soltou a famosa frase: “Que seja de bom conforto, Mr. Ridley, e interprete bem. Neste dia nós acenderemos uma vela para a graça de Deus na Inglaterra que eu creio que nunca se apagará – interprete a vela.”
Lições de seus Testemunhos
O que é tão incrível sobre a morte destes homens? Eles não somente estavam prontos a morrerem porque eram cristãos, mas também porque criam nas doutrinas que importavam. Homens como Tyndale, Rogers, Latimer, Ridley e muitos outros estavam dispostos a serem queimados por doutrinas como Sola Scriptura e Sola Fide. Já que não estamos correndo o risco de sermos queimados por traduzirmos as escrituras para o inglês ou por crermos nos solas da Reforma, há inúmeras lições que podemos tirar destes testemunhos.
Primeiro, já que essas eram verdades por que muitos cristãos morreram, nós deveremos valorizá-las e não tomá-las como garantidas. Quando abrir a Bíblia nas manhãs para a devocional, tire um minutinho para se lembrar que homens como Tyndale morreram para que você pudesse ler a Bíblia em sua língua. Eu me lembro do exemplo de Steve Lawson, pastor da Christ Fellowship Baptist Church em Mobile, Alabama. Na primeira página da Bíblia de Lawson, ele colocou uma gravura de John Rogers e, nas últimas páginas, uma gravura que mostrava seu martírio, sendo queimado. Para Lawson, essas gravuras o lembravam que, toda vez que ele abria a Palavra de Deus, cristãos como Rogers deixaram suas vidas para que essas grandes verdades fossem proclamadas hoje.
Em Segundo lugar, “interprete” hoje ao ficar firme pelas doutrinas que esses homens morreram para defender. Não seja relativo no seu comprometimento com a doutrina, até mesmo ao ponto de colocar sua popularidade, carreira, reputação e sucesso em xeque. Hoje nós não nos defrontamos com o fato de podermos morrer por doutrinas como a justificação pela fé somente e o sacerdócio universal. Por isso, ao testemunhar dessas doutrinas, nós deveríamos ser ainda mais enfáticos, lembrando-nos do custo delas.
Em outras palavras, se esses homens estavam dispostos a morrer por tais verdades, quanto mais eu devo estar disposto a viver e permanecer firme nelas hoje? Muitos exemplos vem a mente. Se você é um pastor, ministrando em uma igreja complicada, não diminua o seu comprometimento com a verdade, mesmo quando aqueles em sua congregação criticam as doutrinas que você proclama. Ou então você é um professor cercado de colegas liberais. Seja firme em afirmar a sã doutrina, mesmo se custar sua carreira. Talvez você seja um estudante que está sendo criticado por crer que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e inerrante. Permaneça determinado e imutável na sua afirmação sobre a Palavra de Deus. Você pode também ser um cristão que é tentado a rejeitar a doutrina da punição eterna ou a exclusividade do evangelho. Esteja atento para não ser vítima de falsa doutrina e falhar em escutar a admoestação de Paulo e o seu aviso para somente escutar a sã doutrina (1Tm 6.3-4; cf. 1Tm 4.6; 2Tm4.2-3; Tt1.9; 2.1).
Se eles estavam dispostos a morrer por tais verdades, quanto mais devo estar disposto a viver e permanecer firme nelas?
Estamos dispostos a lutar não só pelo fato de sermos cristãos, mas também pelas doutrinas cristãs? Que estejamos entre aqueles que como Latimer disse: “interpretemos”.
Nota do Tradutor: A palavra “interprete” foi traduzida do inglês -play the man- que também pode ser traduzida como “seja corajoso”. Entretanto foi escolhida “interprete” pelo sentido da frase usada por Latimer dar margem para essa visão.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Como Morreremos?

Por John Blanchard
Woody Allen, o famoso diretor de filmes, roteirista e ator, disse certa vez: "Não tenho medo de morrer. Só não quero estar lá quando isso acontecer". Esta citação incomum é famosa, mas fatalmente defeituosa. Deus tem, em seu calendário, a data da morte de cada pessoa. E não há nada que alguém possa fazer para cancelar ou adiar este compromisso designado por Deus. "Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte" (Ec 8.8).

Para milhões de pessoas ao redor do mundo, a inevitabilidade da morte traz um sentimento de tristeza à vida. Damien Hirst, o artista britânico conhecido internacionalmente (cuja fortuna é estimada em mais de 300 milhões de dólares), disse ao Dayly Telegraph Review: "A morte é definitivamente uma tema em que eu penso todos os dias... Você tenta evitar isso, mas é uma coisa tão grande que você não pode evitar".

A Bíblia fala sobre muitos que, "pelo pavor da morte", estão sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hb 2.15). Em casos inumeráveis, as algemas de tais pessoas foram forjadas pelo temor do desconhecido. Como o professor Edgar Andrews disse: "A incerteza gera o temor. E o temor produz escravidão mental, traz infelicidade inescapável à vida e rouba dos homens a paz e a alegria duradouras". No entanto, este cenário preocupante não deve incluir os cristãos, especialmente porque eles têm a segurança de estarem "em Cristo" (2 co 5.17), aquele que realizou o que John Owen chamou de "a morte da morte". Quando temos um entendimento claro do que isso significa, uma expressão resume o modo como devemos nos aproximar da morte inevitável, e essa expressão é com gratidão.

Primeiramente, devemos ser gratos pelo fato de que, na providência e Deus, fomos poupados da morte até que fomos salvos. Uma vez em minha infância e duas vezes em minha adolescência, fui resgatado da morte. Como adolescente, quando eu estava em minha ilha nativa de Guernsey, caí em um enorme barril de água no vinhedo onde meu pai trabalhava e fui salvo somente porque aconteceu que um trabalhador passava por lá no momento da queda. Anos mais tarde, eu nadava à meia-noite nos mares agitados em frente aos rochedos da costa sul da ilha e estava em perigo de afogar-me, quando fui resgatado por um nadador mais forte. Pouco tempo depois, escorreguei enquanto tentava passar por um despenhadeiro; em desespero, minha mão agarrou uma planta bastante forte para segurar-me. Se eu não tivesse sobrevivido nesses três incidentes, não poderia ter escrito este artigo, e meu espírito estaria agora em "abismos de trevas" (2 Pe 2.4), aguardando a sua união com meu corpo ressurreto, para que eu seja lançado, em corpo e alma, no inferno.
Quando os discípulos de Jesus retornaram de uma missão de pregação, regozijando-se com os resultados admiráveis que tinham visto, Jesus lhes disse: "Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus" (Lc 10.20). À medida que nossa vida terrena prossegue em direção ao seu fim inevitável, devemos ser constantemente gratos pelo fato de "ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8) e de que Deus nos poupou até que nos trouxe à apropriação da morte e ressurreição de Cristo realizadas em nosso favor.

Segundo, devemos ser gratos porque temos sido preservados. O apóstolo João escreveu com o coração entristecido a respeito daqueles que "saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos" (1 Jo 2.19). Embora fossem membros da igreja organizada e visível, a sua deserção mostrou que eles não tinham parte na promessa de que "aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt 24.13). Quando pensamos em nossa própria vida, levando em conta não somente os muitos "perigos, labutas e armadilhas", do hino de John Newton, mas também dúvidas, temores, provações, tentações, defeitos, fracassos, comprometimento e covardia, bem como as ocasiões em que caímos em algum pecado que nos assediava "tenazmente" (Hb 12.1), quão gratos devemos ser pela bondade e misericórdia de Deus. Quando acrescentamos a solene verdade de que cada um de nós compartilha do testemunho de Paulo no sentido de que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18), não importando há quanto tempo somos crentes, temos de considerar como mais do que um pequeno milagre o fato de que temos sido preservados.

Quando visitei a Biblioteca Billy Graham, perto de Charlotte (Carolina do Norte), o item que mais me impressionou foi a lápide de pedra rústica que marca o sepulcro de Ruth Bell Graham, a esposa do evangelista. Ela morreu aos 88 anos, em 14 de junho de 2007. A lápide contém uma aprazível inscrição: "Fim da Construção – Obrigado por Tua Paciência". À medida que nos aproximamos da morte, devemos ser constantemente gratos a Deus por sua paciência e graça sustentadora.

Em terceiro, devemos ser gratos pela promessa do que está adiante. Em abril de 2010, no funeral de Malcom McLaren, empresário da banda de rock Sex Pistols, o seu carro fúnebre estava envolvido com um dos versos de uma das canções da banda: "Muito rápido para viver, muito rápido para morrer". McLaren havia levado uma vida deslumbrante, caótica, glamorosa, agitada e dispendiosa. Atrás do carro fúnebre, uma carruagem que levava os enlutados tinha um sinal que indicava o suposto destino de McLaren: "Lugar Nenhum". Sim, a aniquilação não é mais do que pensamento anelante e não elimina, de modo algum, a terrível verdade de que os ímpios encaram "o castigo eterno" (Mt 25.46). Para os cristãos, a perspectiva é maravilhosamente diferente:

Pense no que estará ausente. "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Ap 21.4). Não haverá mais tentações a enfrentarmos, cargas a levarmos, culpas a lamentarmos, doenças a combatermos, perguntas sem resposta a desconcertar-nos, ignorância a humilhar-nos, desejos insatisfeitos a frustrar-nos. Nada que contaminou e maculou nossa vida na terra estará lá para nos envergonhar. Não haverá arrependimentos, remorsos, pensamentos de coisas passadas, desapontamentos e causas perdidas. E o melhor de tudo é que não haverá o pecado em nós para nos infestar. Como disse J. I. Packer: "Não haverá nenhum pecado no céu, pois aqueles que estão no céu não o terão mais em si para pecarem de alguma maneira". Não é surpreendente que Davi tenha clamado a Deus: "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (Sl 16.11).

Pense nos que estarão presentes. O céu é o lar de "incontáveis hostes de anjos" (Hb 12.22), incluindo querubins, serafins e arcanjos, seres que nunca pecaram e têm louvado e servido a Deus em unidade gloriosa e harmoniosa desde o momento de sua criação. Todo o povo redimido de Deus – uma "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9) – estará no céu.

E o melhor de tudo é que o nosso Salvador estará lá. Desde que minha querida esposa, Joyce, foi chamada para o lar, no ano passado, tenho permanecido na certeza de que, como a sua lápide afirma, ela está agora "com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.23), compartilhando da inconcebível bem-aventurança desfrutada pelos "espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.23). Um amigo meu, cego desde os 18 anos de idade, gosta de dizer: "A próxima pessoa que verei será Jesus". É impossível imaginar a maravilha do que significará ver a Jesus "como ele é" (1 Jo 3.2). No entanto, no cumprimento do plano de Deus de que seu povo seja conformado "à imagem de seu Filho" (Rm 8.29), a Bíblia mantém uma promessa ainda mais admirável: "Seremos semelhantes a ele" (1 Jo 3.2). Que perspectiva impressionante! Considerando as indicações de João, em 1 João 3, seremos santos como Jesus é santo, seremos justo como ele é justo, seremos puros como ele é puro. Até os crentes mais fracos na terra serão membros gloriosos do que D. L. Moody chamou de "a aristocracia de santidade". Admiravelmente, não nos sentiremos inconvenientes na presença de Cristo.

Ora, como morreremos? Talvez não tenhamos uma jornada fácil pelo "vale da sombra da morte" (Sl 23.4); talvez seja prolongada e dolorosa. Não importando o quanto a nossa paciência (e a nossa fé) seja provada, devemos fazer essa jornada inevitável com gratidão pelo fato de que por meio da insondável graça de Deus fomos salvos da penalidade do pecado, conhecemos a bondade e a misericórdia de Deus em preservar-nos na fé. E podemos estar seguros de que, como escreveu John Bunyan, "a morte é apenas uma passagem de uma prisão para um palácio". Com uma mão trêmula, apenas três dias antes de sua morte, D. Martyn Lloyd-Jones escreveu, em um pedaço de papel, para sua esposa, Bethan, e para sua família: "Não orem por cura. Não me impeçam de ir para a glória". Não há honra para nosso Pai celestial quando relutamos em ir para o lar. Ironicamente, à luz de sua opinião sobre a segurança eterna, John Wesley pôde dizer sobre os seus primeiros metodistas: "Nosso povo morre bem". Se morrermos com um coração grato, faremos o mesmo.

Nota: A esposa de John Blanchard partiu para estar com o Senhor em 17 de fevereiro de 2010.

O SENTIDO DA VIDA

 
Por Isaltino Gomes Coelho Filho
No livro Não verás país nenhum, Inácio de Loyola Brandão, um dos grandes cronistas e contistas brasileiros, imagina a cidade de São Paulo após uma guerra nuclear mundial. A maior e mais rica cidade do hemisfério sul está em péssima situação, absolutamente destroçada. Não há mais energia nem alimentos. Acabou-se, por completo, a vida vegetal. Não há mais chuvas. A vida, enfim, é terrível. Mas a última coisa que as pessoas deixaram foi seus carros. Quando não puderam mais se locomover neles, por falta de combustível ou por cessação da energia motor, e tiveram que ficar parados, recusaram-se a deixá-los. Loyola mostrou, assim, como as pessoas se apegam às máquinas e bens materiais como valor último da vida. Elas não têm coisas. As coisas as têm.

Ele segue na mesma linha do americano Pat Frank, em Ai, Babylon, que imagina a Flórida destruída por um ataque nuclear. Não há mais eletricidade nem combustível. A vida volta às suas condições elementares. As pessoas trocam carros de luxo, que agora são absolutamente inúteis, por galinhas, e lanchas a motor por um punhado de sal.

Isto levanta uma questão: O que é, realmente, essencial à vida? Lutamos e nos esforçamos por supérfluos sem os quais nossos antepassados sempre viveram. E razoavelmente bem. Aonde se vai hoje, por exemplo, encontramos pessoas falando ao celular. Ele é tão essencial assim? É muito útil. Foi assim que, num acidente na estrada, numa ocasião, pude algumas pessoas para tomarem providências com meus familiares. Mas já vi gente, em supermercado, telefonando para saber qual a marca de extrato de tomate deveria levar! Como essas pessoas viviam antes? Essas coisas que nos encantam e enchem os olhos e nos fazem pessoas realizadas e com status são, realmente, essenciais?

O psicanalista Erich Fromm declarou que a vida moderna transformou as pessoas em sombras ansiosas e desprovidas de amor. Diz ele: “A maioria dos norte-americanos acredita que estejamos numa sociedade de consumo (…) de gente feliz, que gosta de se divertir, que viaja em aviões à jato, e cria o máximo de felicidade para todos”. Mas diz ele que, ao contrário, este estilo de vida conduz à ansiedade, à vulnerabilidade, e em prazo maior, à desintegração da nossa cultura, o que é desastroso para a maioria das pessoas.

Centramos nossa vida na posse de coisas. Mas Jesus disse que “a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui” (Lc 12.15). Há valores maiores: dignidade, integridade pessoal, credibilidade, paz interior, paz em casa, paz com Deus, a vida em ordem. Provérbios 15.16-17 retrata bem isso: “Melhor é ter pouco com o temor do SENHOR do que um grande tesouro acompanhado de inquietação. Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo acompanhado de ódio”. Baseado neste texto, seguindo a Linguagem de Hoje, preguei, meses atrás, sobre “Quando rúcula é melhor que picanha”. O simples com Deus e com paz é melhor que o mais nobre sem Deus e sem paz. Buscamos tanto coisas e nos esquecemos de que elas não têm o poder de encher nossa vida de sentido. Mas um bom relacionamento com Deus e uma boa vida doméstica vale mais. Não há dinheiro que pague ter boa comunhão com Deus e um lar amoroso.

Sim, nada é mais valioso que a paz com Deus, a certeza de se estar acertado com ele, provar seus cuidados e ter a certeza da vida eterna. Paulo perdeu tudo o que tinha por amor a Cristo. Até a vida. Mas declarou, com júbilo: “Eu sei em que tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1.12). Sua vida, mesmo com todas as dificuldades que enfrentou, foi uma vida jubilosa, cheia de sentido, e que marcou o mundo para sempre. Por um motivo muito simples: era uma vida comprometida com Jesus Cristo.

Sua vida está legal? Você vive bem, tranquilo, realizado, seguro e confiante no futuro? Lembre-se que confiar em coisas é confiar no nada. Não confie em coisas, em si próprio, muito menos em conceitos humanos. Ponha sua confiança em Jesus Cristo. Você descobrirá o que muitos outros descobriram: que a vida com Cristo passa a ter outro sentido. Um sentido muito mais rico. Creia nele. Vale a pena.

O DEUS CRIADO A IMAGEM E SEMELHANÇA DO HOMEM!



Por Fabio Campos

Desde o princípio o homem não se contentou em ser apenas “imagem e semelhança” de Deus. Se metendo em várias astúcias, uma proposta sempre foi do seu agrado: “Coma do fruto e sereis como Deus”. Blaise Pascal com muita propriedade disse que “Deus fez o homem a sua imagem, e o homem devolveu a gentileza”. O desejo primário em ser como Deus nasceu no coração de Lúcifer. O homem faz de tudo para se salvar. Purgar os pecados acusados pela consciência é a principal razão para tantas religiões e ritos existentes no mundo. Ser chamado de “sensitivo”, “poderoso”, “profeta”, ou ser considerado aquele que está acima dos demais em espiritualidade, é um alimento e tanto ao ego o qual deseja ser seu próprio “deus” e o “deus” dos outros.

O grande e maior problema da humanidade nunca foi o desejo de ser mais humano. As guerras e contendas provem do desejo em satisfazer a cobiça da carne. Então, nada melhor do que se tornar um “deus” que tem poder em dominar o outro. Este desejo é maligno. A dificuldade permeia nos corações incrédulos em se submeter ao Senhorio do Senhor. A serpente tem enganado a muitos no meio gospel. Muitos estão sendo arrastados para longe da simplicidade de Cristo, fazendo “bezerros de ouro” para adorar e por homens ser adorados.

Muitos pastores, bispos e apóstolos não se contentam com o simples. Requintar o evangelho com “unções especiais”, “sacerdotais” - conduzir a “arca da aliança”; pendurar o “mezuzá” nas batentes e acender o candelabro – traz a conotação e fama de “super-espiritual”. Títulos ministeriais? É o anseio de um coração vazio do Espírito Santo e cheio de si mesmo. Falam da Bíblia, mas não a conhecem. É necessário que Ele [Jesus] cresça e que nós diminuamos. Quanta baboseira que nada tem haver com a simplicidade e o Evangelho de Jesus. Gostam das “últimas novidades” - da nova revelação – da nova direção – dos atos proféticos – do derramar de 30 litros de azeite na consagração do seu rei.

Irmãos, vamos nos apegar ao que é humilde. Não sejamos sábios aos nossos próprios olhos. Tocar o Shoffar traz a impressão de uma alta espiritualidade, mas nunca trará o amor fraternal que prefere dar mais honra ao próximo a si mesmo. Dizer ter tido a revelação que este é o ano de Abraão, de Pedro, de Paulo, só faz do líder um ser “angelical” e não o servo de todos. Dominar o próximo argumentando ser o “ungido” de Deus - o líder - aquele que recebe a palavra “Rhema”-, é agir com desonestidade com Escrituras (1 Pe 5.1-4). O líder segundo o coração de Deus nunca constrangerá a ninguém - antes, conduzirá seus liderados espontaneamente e de boa vontade - jamais será um centralizador imperial, dominador dos que lhe foram confiados.

O maior desafio e o mais difícil para todo o cristão não é ser um super-espiritual – nem tão pouco conquistar cargos dentro da hierarquia eclesiástica. Tudo isso ficará por aqui quando o Supremo Pastor, Jesus Cristo, se manifestar. O maior desafio do cristão é ser parecido com Jesus, e ter assim o mesmo sentimento que nEle houve; pois, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo.

O diabo nos quer “divinizar” – Deus quer-nos “humanizar”. Quanto mais humano nos tornarmos, mais parecidos com Deus ficamos. Porém, quanto mais divinos tentamos ser, mais parecidos com Lúcifer nos tornamos. Portanto, seja nossa atitude a mesma de Cristo Jesus, que foi encontrado na forma “humana”, esvaziando-se a si mesmo, tornando-se “semelhante aos homens”.

Só há um Deus, e você não é Ele!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

"O que importa é que Cristo está sendo pregado". Mesmo?



Por Augustus Nicodemus Lopes 

Um amigo no Twitter me perguntou se Filipenses 1:18 não justificaria o show gospel. Acho que ele tinha em mente o festival gospel na Globo e a hipotética novela da Globo com uma heroína evangélica e as apresentações de cantores gospel em programas seculares.

Para quem não lembra, Paulo diz o seguinte em Filipenses 1:15-18:

“Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp 1:15-18).

A interpretação popular desta passagem, especialmente desta frase de Paulo no verso 18, “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” – é que para o apóstolo o importante era que o Evangelho fosse pregado, não importando o motivo e nem o método. A conclusão, portanto, é que podemos e devemos usar de todos os recursos, métodos, meios, estratégias, pessoas – não importando a motivação delas – para pregarmos a Jesus Cristo. E que, em decorrência, não podemos criticar, condenar ou julgar ninguém que esteja falando de Cristo e muito menos suas intenções e metodologia. Vale tudo.

Então, tá. Mas, peraí... em que circunstâncias Paulo disse estas palavras? Se não me engano, Paulo estava preso em Roma quando escreveu esta carta aos filipenses. Ele estava sendo acusado pelos judeus de ser um rebelde, um pervertedor da ordem pública, que proclamava outro imperador além de César.

Quando os judeus que acusavam Paulo eram convocados diante das autoridades romanas para explicar estas acusações que traziam contra ele, eles diziam alguma coisa parecida com isto: “Senhor juiz, este homem Paulo vem espalhando por todo lugar que este Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, que nasceu de uma virgem, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, e que está assentado a direita de Deus, tendo se tornado Senhor de tudo e de todos. Diz também que este Senhor perdoa e salva todos aqueles que creem nele, sem as obras da lei. Senhor juiz, isto é um ataque direto ao imperador, pois somente César é Senhor. Este homem é digno de morte!”

Ao fazer estas acusações, os judeus, nas próprias palavras de Paulo, “proclamavam a Cristo por inveja e porfia... por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias” (verso 17).

Ou seja, Paulo está se regozijando porque os seus acusadores, ao final, no propósito de matá-lo, terminavam anunciando o Evangelho de Cristo aos magistrados e autoridades romanos.

Disto aqui vai uma looooonga distância em tentar usar esta passagem para justificar que cristãos, num país onde são livres para pregar, usem de estratégias no mínimo polêmicas para anunciar a Cristo. Tenho certeza que Paulo jamais se regozijaria com isto, pois ele mesmo disse:

“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Co 2:17).

“Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (2Co 4:1-2).

“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1Co 2:1-5).

Portanto, usar Filipenses 1:18 para justificar que qualquer estratégia serve para anunciar o Evangelho é usar texto fora do contexto como pretexto

Os 5 fofoqueiros que você encontrará EM 2014



Por Tim Charllies 

A fofoca é um problema sério. É um problema em casa, no trabalho, na igreja local e no evangelicalismo em geral. É um problema na blogosfera, nas mídias sociais e em muitos outros lugares. Em seu livro Resisting Gossip [Resistindo à fofoca], Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau” e mostra que quando o livro de Provérbios usa a palavra “fofoca”, ele o faz na forma substantiva, não na verbal. Em outras palavras, a Bíblia se preocupa menos com as palavras que são ditas e mais com o coração e a boca que geraram tal destruição. Palavras importam, mas elas são simplesmente o que transborda do coração. Como sempre, o coração é o coração da questão.

Matthew Mitchell define fofoca como “espalhar más notícias pelas costas de outra pessoa como fruto de um coração mau”.

A seguir, há uma galeria de fofoqueiros retirada do livro de Mitchell, cinco diferentes fofoqueiros que você encontrará em sua vida.

FOFOQUEIRO #1: O ESPIÃO

O primeiro tipo de fofoqueiro, e eu sei que você já deu de cara com essa pessoa antes, é O Espião. Salomão o descreve em Provérbios 11.13: “Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo.” O Espião é um informante, uma pessoa que acumula segredos para que ele possa usá-los para sua vantagem pessoal. É aquela pessoa que está sempre escutando os rumores e que parece sempre saber sobre a vida de todo mundo. Seus ouvidos estão sempre atentos. A principal motivação do Espião é o poder. Pode ser a emoção de saber algo antes de todo mundo, ou pode ser o poder que ele conquista quando ameaça outros de revelar seus segredos. Ele usa a informação para se elevar e para destruir outros.

FOFOQUEIRO #2: O RESMUNGÃO

O segundo fofoqueiro é O Resmungão e nós podemos encontrá-lo em Provérbios 16.28: “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.” O Resmungão reclama e critica. Ele critica outras pessoas e reclama delas pelas costas. Ele espalha todos os seus segredos, descreve exatamente como ele se sente sobre eles e, então, se justifica ao dizer: “Eu apenas precisava desabafar um pouquinho.” Porque ele é infeliz, e porque a infelicidade ama companhia, ele atrai outras pessoas às suas reclamações. Sua motivação é, geralmente, ciúme ou inveja. Ele quer o que a outra pessoa tem e resmunga porque não tem aquilo.

FOFOQUEIRO #3: O FALSO

Todos conhecemos O Falso, não é mesmo? O Falso é um reclamão, mas ele é mais do que isso. Ele também é bravo e malicioso e procura destruir os outros. Ele pode falar completas mentiras para deixar alguém para baixo, ou ele pode se envolver em uma campanha de difamação. Ele procura por alguma coisa, qualquer coisa, tudo que há de errado nos seus inimigos e faz questão de que todos saibam sobre essas coisas; se ele não consegue descobri-las, ele as inventa. O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida. Essa ofensa, ou o que ele pensa ser ofensa, o levou à amargura, a qual se enraizou e motivou este desejo de vingança. Hoje, muitas dessas pessoas abrem web sites e fazem seu trabalho da forma mais barulhenta e pública possível.

O Falso é, muitas vezes, motivado pela vingança de alguma ofensa grave, uma oportunidade perdida ou alguma dificuldade adquirida.

FOFOQUEIRO #4: O CAMALEÃO

O Camaleão é a pessoa que usa a fofoca para se encaixar no grupo do trabalho, da escola, da igreja ou, até mesmo, da família. Ele é desesperado para se misturar e ser aceito. Já que todos fofocam, ele fofoca também, assim ele pode entrar na conversa. Já que o respeito vem através do compartilhamento de fatos quentes sobre os outros, ele os descobre e, então, compartilha tal informação. Sua motivação é o temor – o temor do homem. Ele teme o que os outros pensarão dele, e, especialmente, tem medo de ser excluído do grupo. Provérbios 29.25 o descreve bem: “Quem teme o homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro.”

FOFOQUEIRO #5: O INTROMETIDO

O último tipo de fofoqueiro é O Intrometido. O Intrometido é a pessoa que é ociosa, e sua ociosidade leva à intromissão e à fofoca. Provérbios 26.17 lhe diz: “Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia.” Nós vemos O Intrometido nas duas cartas de Paulo aos Tessalonicenses e nós vemos A Intrometida na primeira carta a Timóteo.

O Intrometido ama a excitação que vem da fofoca e adora viver vicariamente através das histórias de outras pessoas. O Intrometido adora estar online, onde ele pode vasculhar sites de fofocas de celebridades em nome da diversão e sites de fofocas de celebridades cristãs em nome do discernimento.

Muitos de nós já conhecemos essas pessoas. Muitos de nós já fomos essas pessoas.Cada um de nós precisa desesperadamente do perdão de Deus e de Sua graça santificadora.

O ESCANDALOSO AMOR DE DEUS



Por Fabio Campos

Henry Nouwen conta a história de um velho que costumava a meditar cedinho a cada manhã sob uma enorme árvore na margem do Ganges. Certa manhã, depois de ter terminado sua meditação, o velho abriu os olhos e viu um escorpião flutuando sem defesa sobre a água. Enquanto o escorpião se aproximava da árvore pela água, o homem depressa estirou-se sobre uma das longas raízes que se espraiavam rio adentro e estendeu a mão para resgatar o animal que se afogava. Logo que o tocou o escorpião picou-o. Instintivamente o homem recolheu a mão. Um instante mais tarde, depois de recuperar o equilíbrio, ele estirou-se novamente sobre as raízes para salvar o escorpião. Desta vez o escorpião o picou tão gravemente com sua cauda venenosa que a mão do homem ficou inchada e ensanguentada e seu rosto contorcido de dor.

Naquele momento um passante viu o velho estirado no chão lutando com o escorpião e gritou:

- Ei, velho, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna. Você não sabe que pode se matar tentando salvar esse escorpião ingrato?

O velho virou a cabeça. Olhando nos olhos do estranho, disse calmamente:

- Meu amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, isso não muda a minha natureza de salvar.

O amor de Deus é um escândalo ao mundo, por isso que não o aceitou. Cristo crucificado é loucura para os que se perdem, mas poder de Deus aperfeiçoado na fraqueza do homem que foi salvo. A graça do Senhor Jesus escandaliza. Ela desestrutura toda dogmática convencional meritória. Os religiosos pedem sinais. Os ascéticos asseguram sua salvação com as próprias mãos e temem em perdê-la. Se nada fiz para merecer a graça de Deus, por que, então, temo em perdê-la?

Aos sábios deste mundo este amor é loucura. Contudo, a loucura de Deus é mais sábia do que a dos os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. A mensagem da morte escandalizou a Pedro, e Jesus o repreendeu severamente dizendo estar ele [Pedro] preocupado com o reino dos homens. A graça de Deus é uma ofensa aos legalistas. Não basta o favor de Deus, é preciso merecê-lo. Não! Somos escorpiões picando constantemente a mão Daquele que nos salvou. Nascido e gerado debaixo da ira de Deus. Contudo, a misericórdia triunfou sobre o juízo, e por Ele, por amor ao Seu Nome, decidiu assim renovar as misericórdias todas as manhãs.

O mundo tropeça nas suas obras de caridade. A igreja busca a lei da justiça e sem um pingo de discernimento, pensam que alcançam - exigem o que nunca lhe foi de direito. São confundidos porque se escandalizam da Rocha que é imutável no seu amor. Anunciar a circuncisão resolve todos os problemas de diálogo com o mundo, porém, anula o escândalo da cruz. Precisamos e assim também preciso eu voltar à pureza do evangelho e simplicidade devida a Cristo por meio do escândalo da cruz. O maior desafio da igreja é ser parecida com Jesus. Precisamos entender que Deus é o ser mais livre que há no universo e por isso faz todas as coisas conforme a sua vontade - muitas das vezes suas dádivas serão dispensadas em lugares inesperados.

O amor de Deus é ilimitado, e não há nada que você faça ou deixe de fazer para Deus te amar mais ou menos. No seu caráter não há sombra de mudanças. Segui-lo pelo discipulado é a resposta deste amor. Não é a coisa mais importante, trata-se da única. “Falta-te uma coisas! dê tudo o que você tem e siga-me”. Crer em um Deus pessoal que chama e conduz é o resultado da fé verdadeira. Certa vez, uma senhora orando, escutou de Deus que disse ao seu coração: “Mais agradável para mim do que todas as suas orações, sacrifícios e boas palavras é que você creia que eu a amo”.

De fato, quem teme ainda não está aperfeiçoado no amor, pois o verdadeiro amor lança fora todo medo. Não há como ser indiferente a tudo isto. Não trata de moralismo ou regras de conduta. Trata-se de um novo nascimento - da água e do Espírito-, pois o desejo de todo nascido de Deus é fazer a vontade do seu Senhor sem medir esforços. Agora a lei é escrita nos corações e gravada no mais profundo de nosso ser. Este amor nos abre para novas prioridades e refaz a importância dos eventos de nossa agenda. Nas palavras de Brennan Manning “a cruz é ao mesmo tempo símbolo de nossa salvação e Pedrão da nossa vida”.

O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos amados. O seu amor nos constrange e sua bondade nos conduz ao arrependimento. Só o nascido de Deus pode ama-lo de todo o entendimento, de todo o intelecto e com todas as suas forças. Este amor cobre uma multidão de pecados. O contrário disto é a lei retributiva – “faça e será feito”. O escandaloso amor de Deus ofende os primeiros trabalhadores quando o denário é dado na mesma proporção dos últimos. Não há nada que possa atrair verdadeiramente um homem a Deus além do Seu eterno amor. Não há! – e assim segue o escândalo da cruz por meio do favor imerecido de Deus. O Senhor continua a chamar homens e mulheres para esta comunhão de paz através de Jesus Cristo, confundido assim, o sábio na sua sabedoria – o forte na sua força – e, o rico na sua riqueza. Se o arrependimento e a mudança de vida não vierem por meio do amor, muito menos uma conversão genuína se dará através do temor. Pois Ele mesmo disse...,

“Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim” - Oseias. 11:4a NTLH

Soli Deo Gloria!

O conhecimento de Deus na criação e o Evangelismo

conhecimentoevan

Por Alex Daher

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis. (Romanos 1.20).
Todas as pessoas em todos os lugares do mundo sempre estiveram inundadas com o conhecimento de Deus através da criação. Para onde quer que alguém olhe, ali está uma manifestação visível do Deus invisível. A terra está cheia da glória de Deus (Is 6.3) e os céus proclamam essa glória o tempo todo (Sl 19.1).
Refletindo sobre esse fato – chamado geralmente de revelação geral (ou natural), Stephen Charnock (1628-1680) lista dez atributos de Deus que podem ser vistos através da natureza:
(1) o poder de Deus, ao criar um mundo a partir do nada; (2) a sabedoria de Deus, na ordem, variedade e beleza da criação; (3) a bondade de Deus, na provisão que Deus faz para Suas criaturas; (4) a imutabilidade de Deus, porque se Ele fosse mutável, Ele não possuiria a perfeição do sol e dos corpos celestes, “nos quais nenhuma mudança tem sido observada”; (5) Sua eternidade, porque Ele precisa existir antes daquilo que foi feito no tempo; (6) a onisciência de Deus, pois como Criador Ele precisa necessariamente conhecer tudo o que Ele fez; (7) a soberania de Deus, “na obediência que suas criaturas devem a ele, ao observar suas várias ordens e ao se moverem no espaço em que ele as coloca”; (8) a espiritualidade de Deus, pois Deus não é visível, “e quanto mais espiritual é uma criatura no mundo, mais pura ela é”; (9) a suficiência de Deus, pois Ele deu a todas as criaturas um início, então o ser delas não era necessário, o que significa que Deus não precisava delas; e finalmente (10) Sua majestade, vista na glória dos céus.¹
De um lado, então, temos as cosmovisões ateísta e agnóstica, que defendem a ideia de que Deus não existe (ateísmo) e de que não é possível realmente saber se Deus existe ou não (agnosticismo). Do outro lado temos a cosmovisão cristã, afirmando que “os atributos invisíveis de Deus [...] claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, por meio das coisas criadas” (Rm 1.20). Segundo o testemunho bíblico, portanto, o problema do homem não é falta de evidência, mas um coração insensato que obscuresse o entendimento (v.21) e deixa o homem em um estado de ignorância espiritual. John Piper explica nestes termos:
Nossos corações centrados em nós mesmos distorcem nossa razão ao ponto de que somos incapazes de concluir inferências verdadeiras sobre o que realmente está lá. Se nossa desaprovação à existência de Deus é suficientemente forte, nossas capacidades sensoriais e racionais não serão capazes de inferir que ele está lá. [...] A corrupção do nosso coração é a raiz mais profunda de nossa irracionalidade.²
Implicações para o Evangelismo
Diante da realidade de que o homem não dá a glória e gratidão que são devidas a Deus, podemos pensar em algumas implicações relacionadas ao evangelismo:
  • 1) Não há pessoas inocentes. Mesmo aqueles que nunca ouviram o Evangelho estão em rebelião contra Deus. “Devemos abandonar o mito do indígena inocente”.³ Não há nenhum justo, nem um sequer (Rm 3.10-18).
  • 2) O problema da humanidade é a dureza de coração, não simplesmente seu comportamento externo ou sua incapacidade intelectual. Somente um novo coração (Ez 36.26) através do novo nascimento (Jo 3.3) pode resolver nosso problema de cegueira espiritual. E somente o Espírito Santo tem poder para isso.
  • 3) O evangelho deve ser pregado. Como o cristianismo histórico tem afirmado: O conhecimento de Deus através da criação é suficiente para condenar, mas não para salvar. Somente a mensagem do evangelho pode levar o homem à reconciliação com o Criador e ao verdadeiro conhecimento que dá a vida eterna (Jo 17.3, 1 Jo 2.3). “E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14).
Isso deve nos impulsionar a pregar o Filho de Deus crucificado e ressurreto para a remissão de pecados. O conhecimento que salva está disponível somente em Cristo, “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). A natureza não pode salvar. Apenas Cristo é capaz de revelar o conhecimento de quem Deus é para a salvação (Jo 1.18).
Por causa disso, aqueles que desistem de sua rebelião com Deus, se arrependem e recebem a Cristo pela fé, o fazem somente por causa da ação da graça soberana de Deus em seus corações. Não foi algum tipo de resto de bom senso pós-queda, um raciocínio mais desenvolvido ou boa capacidade de reflexão. Não fosse pelo Evangelho de Cristo, toda a humanidade teria permanecido em um estado de incredulidade, mesmo diante de tantas manifestações dos atributos de Deus na criação. Não fosse a misericórdia do Rei, todos os súditos rebeldes seriam justa e eternamente condenados.
Que essa realidade nos mova a compaixão por aqueles que estão fora de Cristo, e tenhamos a mesma convicção de Spurgeon: “Evangelismo é um mendigo contando a outro mendigo onde encontrar pão”. E assim aqueles que antes estavam cegos possam olhar para a natureza com os olhos iluminados pela fé e dizer:
“Quanto contemplo os teus céus, obra dos teus dedos,
e a lua e as estrelas que estabeleceste,
que é o homem, que dele te lembres?
E o filho do homem, que o visites?” (Salmos 8.3-4)
Para o louvor da glória da graça de Deus por meio de Jesus Cristo (Ef 1.6).

¹ BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. A Puritan Theology: Doctrine for life, Grand Rapids, MI: Reformations Heritage Books, 2013. Kindle Edition, locations 738-745, tradução nossa.
² PIPER, J. Think: The life of the mind and the love of God, Wheaton, IL: Crossway, 2013. p. 63, tradução nossa.
³ Ponto defendido na exposição Por que devemos pregar aos gentios? de Augustus Nicodemos na 27ª Conferência Fiel, realizada em Outubro de 2011. Disponível em: http://vimeo.com/30519014.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

NECESSIDADE OU PRIVAÇÃO?


 


Por Fábio Campos

Pedimos a Deus por diversas vezes o que não precisamos. De fato, pedimos mal, pedimos para nosso próprio deleite. A cobiça fomentada pelo “marketing e a propaganda” gera em nós o murmúrio que nos torna insatisfeitos com aquilo que possuímos. As privações viram necessidades. Quando digo “necessidade”, trato do essencial, daquilo que fisiologicamente não há como viver com a falta. Ninguém consegue viver sem comida, bebida e roupa. Já “privação” é o ato de privar-se de algo que não necessita meramente ser essencial. A comida é essencial, mas aquilo que quero comer não é o essencial - seja pelo valor ou por uma questão de saúde – logo me privo de algo em busca de outro. Em tempos de recesso financeiro posso trocar restaurantes por lanchonetes. Essa é a diferença. O marketing não cria a necessidade! A necessidade é inerente à natureza do homem. Porém, nesta falta, o marketing trabalha para “despertar o desejo”. “Você precisa se vestir, então compre na Louis Vuitton e sinta-se mais importante do que os que compram na Renner” -, este é o papel do marketing diante de uma necessidade.

Quando entendemos esta diferença, entre “necessidade x privação”-, pela mente renovada, o Espírito Santo nos torna grato por aquilo que já possuímos. Passamos a viver contente em qualquer circunstância. Israel quem o digo no deserto. Quanta murmuração contra Moisés e Arão. A loucura chegou ao nível de eles desejarem morrer na podridão e servidão do Egito por lá haver carne e pão com fartura. O Senhor providenciou-lhes o Maná - o pão que desceu dos céus. A necessidade era suprida pelo pão, mas agora o povo queria carne. Este é o espírito desconte que peca contra Deus. Fazer do pão que perece a necessidade, enquanto nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos. Nosso Pai que está nos céus sabe de nossas necessidades antes mesmo de as pedirmos. Muitos acumulam coisas para sua própria destruição. Quanto mais se tem, mas difícil fica em desprender-se quando necessário. Creio ser este o motivo porque muitos irmãos [talvez a maioria] passam por “privações”. Não que não existam cristãos ricos ou que todo rico não é salvo em Cristo; de forma nenhuma! Porém, muitos têm o livramento de desejar encher o seu celeiro para que possa descansar sua alma na incerteza das riquezas. Nossas necessidades são supridas por Deus; seja ela física ou espiritual; tudo vem pela mão do Senhor. O cristão entende e se alegra na multiplicação; mas para que haja multiplicação se faz necessário multiplicar também as necessidades. Os cinco mil pães não veio pela providencia divina somente por causa dos doze discípulos, mas pela multidão faminta de homens e mulheres que tiveram a demanda do essencial [a fome].

A providência de Deus é diária. A paz em meio às aflições é para quando há aflições. Afligimo-nos tanto pela ansiedade, e nos falta à paz por muitos momentos, simplesmente, porque colocamos nosso coração na possibilidade do amanhã - em algo que não aconteceu, e por muitas vezes não irá acontecer [ex. ser manado dispensado pela empresa que se é colaborador]. Se acontecer, naquele momento, não vai faltar à paz. Mas em nosso imediatismo queremos a paz especificamente para isso quando ainda não aconteceu? O que precisamos fazer é lançar a ansiedade sobre Ele, pois tem cuidado de nós. O Maná era para ser colhido diariamente e comido no mesmo dia, não podendo juntar para o dia seguinte. Basta a cada dia seu próprio mal.

Israel na sua cobiça juntou a porção do maná não somente a do dia, mas pensou no amanhã [não por prudência, mas pela falta de fé na providencia diária de Deus]. Aquele que precisava colher um pouco mais, não lhe sobrava e nem faltava; o que colhia pouco, da mesma forma ocorria - não faltava e nem sobrava. A ordem era... “Ninguém deixe dele [maná] para manhã”. Eles, porém, não deram ouvidos. Deixaram do maná para comer no dia seguinte. O que aconteceu? Estragou, deu bichos e cheirava mal. Muitas vezes retemos o que Deus disse para gastar e gastamos o que Deus disse para reter. Em ambos os casos vamos colher consequências prejudiciais - ou vai estragar ou vai faltar.

Quando Deus nos pede algo ele respalda. O descanso ao povo foi estabelecido para ser cumprido no sábado. Neste dia nem o maná podia-se colher. Contudo, na sexta, a porção enviada pelo Senhor era dobrada, o que mostra que o Senhor tem o controle até mesmo das necessidades mais básicas da vida do cotidiano. Deus cuida de nós nos mínimos detalhes, fato é que todos os fios de nossa cabeça estão na contabilidade divina. Não é errado orar pelas necessidades básicas da vida ou algo que possa trazer um bem-estar e conforto à família. Contudo, usar Jesus como chave do sucesso para suas conquistas terrenas é muita mediocridade.

Não vivemos contentes em toda e qualquer situação porque fazemos da privação a necessidade. Se você está alimentado e vestido, isto é um sinal que Deus cumpriu com sua a Palavra. Ter paz com Deus é viver contente tanto na abundancia como na escassez. É fazer da motivação do realizar a glória de Deus; é saber que os tesouros verdadeiros são juntados nos céus; é vender tudo e segui-lo; é deixar de viver para que Ele viva em mim; é ser achado nEle, ciência e sabedoria de Deus.

Que Deus derrame da sua paz para que possamos dar “glórias” em toda e qualquer situação, sabendo que Ele nos proporciona ricamente aquilo que precisamos [necessidade] para o nosso aprazimento. O resto é lucro!