segunda-feira, 14 de abril de 2014

Depressão em cristãos


Por Walter McAlister
Era um dia de sol. Elias tinha lançado o desafio. Israel se achava nas garras de uma idolatria nacional. Acabe e sua rainha, Jezabel, tinham estabelecido o culto a Baal como religião oficial. Como servo do Altíssimo, o profeta foi levantado para chamar o povo de volta à aliança que o Senhor havia feito com Israel: seriam o seu povo e Ele, o seu Deus. Se tão somente lhe servissem, nenhuma outra nação gozaria de todos os benefícios da promessa feita a Moisés no Monte Sinai. Mas o rei tinha tomado uma estrangeira por esposa. Etbaal, o monarca dos sidônios, se aliou a Acabe e, para selar o acordo, deu sua filha para ser sua rainha – prática comum entre a realeza da época. Com ela foi junto a culto a Baal. E, gozando da cobertura do trono de Israel, aquela religião nefasta se alastrou. Os israelitas chegaram ao ponto de praticar sacrifício de sangue e orgias em praça pública – tudo para agradar o falso deus e garantir prosperidade nas colheitas e proteção contra inimigos.

O desafio era ousado, mas simples, como a Bíblia registra em 1 Reis 18: sobre um altar de pedras, um animal esquartejado seria exposto e o verdadeiro Deus mandaria fogo para consumir o sacrifício. Quatrocentos e cinquenta profetas de Baal invocaram o seu deus. Horas se passaram. Nada aconteceu. Não veio fogo. A deidade invocada não compareceu. Sua impotência ficou óbvia para todos.

Elias mandou encharcar o sacrifício a Jeová com água até encher a vala cavada ao redor do monte de doze pedras, ajuntadas como altar. Não poderia haver dúvidas de que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó era o verdadeiro. A sua vez chegou e, mediante a oração de Elias, o Senhor mandou fogo do céu – que consumiu o sacrifício e até a água escorrida para o chão. Em choque, o povo assistiu e reconheceu a falsidade do culto ao qual tinha sido seduzido. Seguraram os profetas de Baal e o próprio Elias passou cada um deles à espada. Matou 450 profetas de uma só vez.

O que a Bíblia não diz é que isso é muito cansativo. Matar 450 pessoas com uma espada após erguer um altar e orar não é para qualquer um. O homem estava gasto, enfraquecido, exausto. Estava na hora de tirar férias e desfrutar do triunfo que o Senhor lhe concedeu. Agora sim haveria o restabelecimento do culto ao verdadeiro Deus em Israel. Mas… isso não aconteceu. Assim que Jezabel recebeu a notícia, já em 1 Reis 19, mandou dizer a Elias que o episódio não ficaria impune. Certamente ela teria a sua vingança e o profeta seria um homem morto. Fraco e exausto, aquela virada perante uma vitória quase certa foi um golpe para ele, que, então, foge para o deserto.

Ali vemos algo que poucos reconhecem, hoje em dia. Elias se viu numa profunda depressão. Sei que depressão não é um termo bíblico, tampouco teológico. Mas ele fugiu para um lugar ermo. Em seguida, pediu a Deus para morrer. Sim, o vitorioso Elias queria morrer. O revés foi uma rasteira emocional de proporções inimagináveis. Qualquer um que já sofreu de depressão, ou que conhece alguém amado que sofre desse mal, enxerga no profeta alguém que certamente estava muito mais do que “para baixo”.

Depressão não é uma derrota espiritual. É uma condição humana que pode surgir por muitas razões. Certamente, uma derrota nos deixa para baixo. Mas… pedir para morrer? Isso é forte. Muito além de tristeza momentânea, o desejo pela morte é claramente um sintoma de depressão.

Servos de Deus passam por isso. Pessoas piedosas e espirituais também. O termômetro emocional sobe e desce, mesmo na vida de cristãos cheios de fé. Alguns passam por isso devido às circunstâncias. Mas há outras fontes de depressão. Existe o desequilíbrio químico, a menopausa, uma carência hormonal e até um trauma forte (como no caso de Elias). Todos esses fatores podem vir à baila e desencadear um processo que leva tempo para ser resolvido.

Nesses casos, a confissão positiva, o encorajamento e uma chamada à responsabilidade para ser um “vencedor” não ajudam. Temos de entender que o que está acontecendo dentro dessas pessoas resiste a estímulos externos. Resiste aos apelos dos que dependem delas. É algo sobre o qual não têm controle. Querem reagir, mas não conseguem. Seu mundo ficou cinza. Seus sentidos ficaram lerdos. Sua percepção da realidade fica distorcida. Medos surgem. Medos sem fundamento. Choram por nenhuma razão aparente. Frequentemente não conseguem parar de chorar por horas. Sua energia desaparece. Muitos ficam acamados por horas e horas, dias e dias, para o desespero dos que querem ajudar.

Se for o caso de uma esposa, o marido se vê impotente de protegê-la desse mal. Por mais que procure ajudar, apoiar e reafirmar seu amor, ela fica prostrada. E o cônjuge passa a se sentir triste, com raiva, revoltado (até com Deus). Volta e meia a pergunta salta de seus lábios: “Por quê, Senhor?!” Os médicos dizem que quem vive com alguém deprimido acaba deprimido também. Tem os sintomas, mas sem a doença – é uma síndrome chamada fadiga por compaixão.

Sei o que é isso. Tenho sido aquebrantado pela condição da minha amada esposa, Martinha. Vítima de dor crônica e menopausa, ela sofre de depressão já há alguns anos. Muitos queriam que eu escondesse o fato. “Pessoas não vão entender”, dizem. Pois está na hora de entender. Não conheço uma pessoa mais piedosa, de oração, amorosa e criativa do que ela. Apesar das dores, é uma menina de coração. É autora premiada de livros infantis, uma mãe de oração e criou dois filhos que honram o seu Senhor e andam nos Seus caminhos. Se alguém tem fé e um espírito leve é Martinha. Mas ela sofre.

O que tem ajudado é o tratamento. Muitos rejeitam medicamentos como se tomá-los fosse uma derrota espiritual. Posso assegurar que essa é uma das mentiras mais cruéis que já ouvi. Os que afirmam isso não têm a menor noção do que estão falando. Deus deu ao homem a capacidade de tratar males. A Medicina não é a rejeição da fé. Seja uma Aspirina para dor de cabeça, uma cirurgia de apendicite ou um antidepressivo, essas coisas são uma dádiva da ciência que Deus nos deu a capacidade de criar.

Para você que se esconde, torcendo para que ninguém descubra a sua dor, saiba que está em boa companhia. Elias sofreu disso. Minha Martinha sofre disso. E Deus não o abandonou. Por que sofremos tanto? Não é uma pergunta teológica para mim. É um clamor. Sei o que a Bíblia diz. Sei que Deus me ama. Sei que esses “sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.” (2 Co 4.17). Ainda choro e sinto-me muito mal. Mas é nessa esperança que me lanço. Quando as lágrimas vêm, é nessa fé que me estribo. Não perca a sua. Deus sabe o que faz. Por favor, creia nisso.

Na paz,
+W

Depressão, o cárcere da alma


Por Rev. Hernandes Dias Lopes
A depressão foi definida por Andrew Solomon como um parasita que suga a seiva da nossa vida. É como engolir seu próprio funeral e vestir-se de uma roupa de madeira. A depressão é o cárcere da alma, a masmorra das emoções, o cativeiro que priva milhões de pessoas de nutrirem na alma, a esperança do amanhã. A depressão é classificada como uma doença e, essa doença, que possui múltiplas causas, atinge ricos e pobres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. A depressão é uma doença que provoca muitas outras. Se não tratada convenientemente pode desembocar em tragédias irremediáveis. A depressão é a principal causa do suicídio no mundo.
John Piper, em seu livro O Sorriso Escondido de Deus, trata deste assunto com esmerado cuidado. Há duas posições que circulam no meio evangélico sobre o assunto, que revelam um desequilíbrio perigoso. A primeira delas liga a depressão à ação demoníaca. Os defensores dessa vertente afirmam que as pessoas deprimidas estão oprimidas e até possuídas por demônios. A segunda interpretação vincula a depressão a algum pecado específico ainda não confessado. Assim, uma pessoa fica deprimida porque esconde algum pecado que precisa ser confessado e abandonado. Não subscrevemos essas duas interpretações. Julgamo-las deficientes e assaz injustas. É muito verdade que uma pessoa pode ficar deprimida em virtude de seu envolvimento com demônios e também como resultado de algum pecado escondido. Porém, uma pessoa pode ser assolada pela depressão, mesmo levando uma vida cheia do Espírito Santo. Assim como um indivíduo pode ser cheio do Espírito e ter um problema cardíaco, também uma pessoa pode estar plena da presença de Deus e enfrentar o drama da depressão.
Se há várias causas que provocam a depressão, também há vários sintomas que a revelam. O primeiro sintoma é que a pessoa deprimida é tomada por uma desesperança crônica e passa a enxergar a vida pelas lentes escuras do pessimismo. Não vê uma luz no fim do túnel nem janelas de escape. Foi o que aconteceu com o profeta Elias. Pensou que somente ele havia restado dos profetas de Deus em Israel, quando na verdade sete mil ainda não haviam se dobrado a Baal. O segundo sintoma é olhar para a vida pelas lentes do retrovisor. Uma pessoa deprimida sente uma saudade mórbida dos bons tempos que se foram e se desespera diante das incertezas do seu futuro. Sente-se num calabouço existencial e sem ânimo e forças para sair desse cárcere da alma. Nessa saga cheia de pavores, flerta com a própria morte. Não que seu desejo seja de fato morrer, mas é que sente uma dor tão profunda na alma que o único alívio que consegue vislumbrar é o alívio da morte. Não podemos subestimar esses presságios que rondam a alma de uma pessoa depressiva. Isso é uma espécie de alarme, uma trombeta que precisa de encontrar ouvidos sensíveis. É por essa razão, que o terceiro sintoma de uma pessoa deprimida é um completo desânimo quanto ao futuro. É o desejo de fechar as cortinas da vida e colocar um ponto final na existência.
Como devemos lidar com a depressão? Como ajudar uma pessoa deprimida? Primeiro, precisamos orar por ela e com ela. Depois, precisamos cientificar-nos se essa pessoa está recebendo o tratamento médico adequado para a sua doença. Ainda, precisamos estar perto dela, oferecendo-lhe um ombro amigo, um ouvido atento e um coração generoso. Finalmente, precisamos compartilhar com ela a esperança do evangelho, o poder da graça de Deus e o consolo das Escrituras. Deus nos vivifica segundo a sua Palavra. Ele tira a nossa alma do cárcere. Ele acende uma luz de esperança no túnel escuro do nosso sofrimento. Deus arranca os gemidos da nossa alma e coloca em nossos lábios, um cântico de vitória. Em síntese, trata-se da depressão com remédio, terapia e fé.

Separado dos pecadores ou comilão e glutão?



Por Josemar Bessa
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado,separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” - Hebreus 7:26 - Apenas parte da verdade nos leva ao completo erro.

Muitas vezes o homem vai até as Escrituras não para ser transformado por ela, mas para tentar encontrar uma justificação para o seu estilo de vida, estilo de vida que não flui da prioridade de ver Deus glorificado na sua vida, mas centrado em si e em seus deleites.

Esse tipo de motivação fecha os olhos do entendimento das Escrituras. Muitos justificam seu estilo de vida (muitas vezes até dizem estarem sendo apenas missionais) baseado num texto de Mateus 11.19 que diz: “...e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores” -Mateus 11:19

É assim que Cristo se descreveu? É assim que Mateus descreveu Jesus? É assim que o Pai descreveu o Filho. Jesus foi referido por seus inimigos como“glutão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” – Esses mesmos inimigos disseram: “Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios” Lucas 11:15 – Esses mesmos homens disseram que João Batista tinha demônio: “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio” - Mateus 11:18

Jesus não era nenhuma das coisas que a expressão quer mostrar, nem ele procurou tal reputação. Essa era a maneira de os Fariseus... difamarem o Filho de Deus, João Batista...

Ele era um “amigo de publicanos e pecadores”, apenas no sentido de que os levantou e salvou ( como Zaqueu, por exemplo, ou o próprio Mateus ) – os tirou para fora do lamaçal do pecado e colocou seus pés sobre a rocha. Tentar usar a difamação dos Fariseus como desculpa para o mundanismo, mostra a mesma hostilidade, por fim, a quem Cristo de fato era – O Deus santo, o santo Filho de Deus: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” - Hebreus 7:26 – Separado dos pecadores. Essa não é uma definição que flui dos fariseus – mas de Deus.

Ele era um “amigo de publicanos e pecadores”, apenas no sentido de que os levantou e salvou, mas não em adotar ou incentivar a sua vida e seu estilo de vida de amor ao pecado, usando seu linguajar chulo, obsceno... por abraçar seus valores moldados pelo pecado, por abraçar o pecado como entretenimento... abraçando essas coisas a fim de ganhar sua admiração ou ganhar a adesão deles como discípulos... Isso é simplesmente cometer a mesma blasfêmia dos fariseus – Ele era “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores...” – Ele confrontou a maldade e repreendeu seus pecados tão corajosamente como ele pregou contra os erros dos fariseus: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno”. - Mateus 18:7-8

Cristo também comeu e bebeu com fariseus - “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa” -Lucas 7:36 – tão facilmente como Ele comeu com publicamos. Nenhum dos dois – publicanos ou fariseus – moldaram a vida dEle. A vida dos dois grupos era uma vida que desonrava a Deus, digna de Seu desprazer e juízo – e os dois grupos de homens foram chamados ao arrependimento e a mudança radical operada pelo Espírito Santo que leva o homem a viver como Paulo descreveu: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus -.Romanos 12:1-2

A diferença significativa entre o cobrador de imposto típico, não é que sua vida não mudou e ele continuou com o mesma visão e estilo de vida, mas achou Jesus legal. A diferença é exatamente que eles estiveram mais dispostos a confessar seu pecado, seu estilo de vida ofensivo a Deus e confessar sua própria necessidade desesperada de perdão e transformação de sua vida que os fariseus. A diferença foi exatamente não continuarem sendo os mesmos. É o que aconteceu com Mateus. Ele foi chamado ao arrependimento e foi completamente transformado: “E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na recebedoria um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu”. Mateus 9:9 – Ou seja, ninguém pode usar o cobrador, publicano Mateus, para justificar sua falta de transformação que afeta toda a sua vida, valores... do mundo para Deus, do pecado para a santidade...

A Bíblia não faz a menor sugestão que Jesus assumiu a aparência e o estilo de vida de um publicano, seus prazeres pecaminosos... tenha se tornado um glutão... (par dizer pouco)... a fim de ganhar a aceitação de uma subcultura sem Deus. Ele não o fez. Ele mesmo era e é o Deus santo, “separado dos pecadores!”.

Enaltecer símbolos de indulgência carnal, como se fossem válidos como emblemas da identidade espiritual, não passa de desculpa de um coração mundano. Nenhuma indulgência carnal pode promover a glória e a causa do reino de Deus.

Quando disfarçamos o estilo de vida do homem sem Deus e em seus pecados como estratégias... isto não altera a sua verdadeira natureza. O homem que faz isso na verdade se assemelha a Ló, que armou sua tenda na direção de Sodoma, e não com Cristo, que é “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores...”

A descrição e visão que os fariseus tinham de Filho de Deus: “...e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores” -Mateus 11:19 - “Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios” Lucas 11:15.

A descrição de Deus: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus...” - Hebreus 7:26

Que descrição encontra a alegria do teu coração e molda sua vida?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A confiabilidade dos Evangelhos

Por Davi Lago



Podemos citar três razões que demonstram a confiabilidade da narrativa dos evangelhos:

Razão nº1: Os evangelhos foram escritos num período próximo aos eventos narrados. Isso é muito importante porque indica que os evangelhos foram escritos por testemunhas oculares e pessoas próximas às diversas testemunhas oculares. O fato de as testemunhas oculares estarem vivas no tempo em que os evangelhos foram escritos é crucial porque elas poderiam desmentir qualquer informação mentirosa.

Há muitas evidências que demonstram que os evangelhos foram escritos cedo. Há evidências internas, como por exemplo: o livro de Atos termina bruscamente com Paulo esperando seu julgamento (At 28.31) o que indica que Lucas, o autor, terminou o livro naquele período. Sabe-se que Paulo foi martirizado entre 63 e 64 d.C. Sabe-se também que o livro de Atos foi escrito por Lucas depois de seu evangelho (At 1.1). Logo, o evangelho de Lucas foi escrito no máximo, apenas trinta anos após o ministério de Jesus.

Outro exemplo de evidência interna é a ausência de qualquer referência no Novo Testamento da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Isso claramente aponta o fato de que todos os livros no Novo Testamento foram escritos em data anterior a 70 d.C. É notável o fato de que Jesus profetizou que Jerusalém seria destruída (Mc 13.1-4,14,30). E Jerusalém foi realmente destruída no ano 70 d.C. assim como Jesus profetizou. Sem dúvida os autores do Novo Testamento, que estavam preocupados em provar que Jesus é o Filho de Deus, teriam citado o cumprimento dessa profecia para apoiar sua argumentação.

Há também evidências relacionadas aos papiros com fragmentos do Novo Testamento que sobreviveram até nossos dias. O papiro conhecido como Chester Beatty é datado de 200-250 d.C.; o papiro Bodmer II de 200 d.C.; o papiro Early Chrisitian de 150 d.C.; e o papiro John Rylands MSS de 130 d.C. Esses papiros comprovam que os evangelhos foram escritos em data próxima aos eventos narrados.

Há evidências relacionadas aos escritos patrísticos. Por exemplo, a epístola de Policarpo aos filipenses foi escrita em 120 d.C., as cartas de Inácio em 115 d.C. e a epístola de Clemente aos coríntios em 95 d.C. Todos esses escritos contém inúmeras citações dos evangelhos e demais textos do Novo Testamento.

Portanto, se concluí que os evangelhos passam do teste mais ácido de todos os escritos da Antiguidade. Os evangelhos foram escritos na mesma geração que viu os eventos narrados. O fato dessa geração ter preservado os evangelhos para as gerações posteriores indica o fato de que não houve nenhuma distorção ou fraude na narrativa dos eventos.

Razão nº2: Os eventos narrados nos evangelhos são solidamente apoiados pelas descobertas históricas e arqueológicas. A arqueologia comprova a historicidade de eventos, pessoas e lugares descritos nos evangelhos. Por exemplo: Em Lucas 2.1-3 está escrito que foi realizado um censo no período em que Quirino era governador da Síria. Sabe-se hoje que os romanos realizavam um censo a cada 14 anos e que esses censos tiveram início com César Augusto. Inscrições encontradas em Antioquia confirmam que Quirino iniciou seu governo em 7 a.C. Em Lucas 3.1 é citado um governador chamado Lisânias. Foi encontrada uma inscrição próximo à cidade de Damasco que comprova a existência dele. Em João 19.13 é mencionado um pavimento de pedra, chamado Gábata, localizado no palácio de Pilatos. O arqueólogo William Albright comprovou que esse pavimento existiu, foi destruído em 70 d.C. e reconstruído pelo governador Adriano. Esses são apenas alguns exemplos das descobertas arqueológicas que comprovam a historicidade dos eventos narrados nos evangelhos.

Razão nº3: Os evangelhos não foram alterados com o passar dos séculos. Esse fato é comprovado por evidências maciças. Primeiro, há cerca de 4.000 manuscritos completos do Novo Testamento em grego espalhados pelos museus do mundo, e cerca de 13.000 manuscritos com fragmentos do Novo Testamento. É uma diferença monumental se comparado com outras obras da Antiguidade: há apenas dez manuscritos de Guerras Gálicas de Júlio César, dois manuscritos de Anais de Tácito, e sete manuscritos gregos das obras de Platão.

Segundo, os manuscritos do Novo Testamento foram encontrados em diversas localidades como Egito, Síria, Turquia, Itália, Grécia e Palestina.

Terceiro, os manuscritos do Novo Testamento que sobreviveram aos nossos dias foram escritos transcritos próximos aos manuscritos originais escritos pelos próprios autores. Há papiros com fragmentos do Novo Testamento que datam de 50 a 100 anos após a escrita dos originais. Há manuscritos completos que datam de 400 anos após a escrita dos originais (por exemplo: Codex Sinaiticus, Codex Alexandrino, Codex Vaticanus). Há uma diferenaça descomunal aos outros escritos da Antiguidade. Por exemplo: o manuscrito mais antigo que temos da História de Tucídes, é de 1300 anos após o original; História de Heródoto de 1350 anos; Guerras Gálicas de Júlio César de 950 anos; História de Tácito de 750 anos; Anais de Tácito de 950 anos. Entre os milhares de manuscritos do Novo Testamento que possuímos hoje, há diferenças mínimas, que são apontadas em notas de rodapé nas traduções modernas. Essas diferenças mínimas em nada alteram a doutrina cristã e podem ser superadas através da análise do que diz a maioria dos manuscritos.

A conclusão a que os estudiosos chegam é que nenhum outro documento da Antiguidade é tão confiável como os evangelhos e os demais livros do Novo Testamento.

Uma Análise Dos Cânticos Nos Evangelhos: O Magnificat E O Benedictus

 

Por Isaltino Gomes Coelho Filho 

  Introdução

Tem havido uma ênfase muito grande no Antigo Testamento, em nossas igrejas. Esta ênfase se verifica inclusive nas pregações e nos cânticos. Isto não é mau, em si. O autor deste trabalho é professor de Antigo Testamento e disciplinas correlatas, e autor de vários comentários exegéticos de livros do Antigo Testamento e se sente bem nesta porção da Bíblia. O problema é que alguns parecem esquecer que somos cristãos, somos regidos pelo Novo Testamento, que interpreta o Antigo, que somos filhos de nova aliança, prometida em Jeremias 31.31 e concretizada na instituição da ceia do Senhor, como lemos em Lucas 22.20. Muitas práticas e posições têm sido estabelecidas sem o parâmetro do Novo Testamento. Inclusive na área do louvor e de adoração. Isto se torna problemático para a igreja. Cristo tem sido empurrado para a periferia em muitas pregações e em muitas celebrações de louvor. E, em algumas ocasiões em que é lembrado, mais se assemelha a um Cristo da nova era, uma força ou uma energia, um emblema de uma espiritualidade vaga, do que a pessoa histórica em que Deus se encarnou e esteve entre nós.

Somos filhos de Novo Testamento, cuja teologia deve nos reger. Por isto que examinar seu ensino teológico sobre o conteúdo do louvor nos fará bem. Há hinos no Apocalipse, nas epístolas de Paulo e de Pedro, bem como nos evangelhos. Fiquemos por hora com dois dos cânticos mais conhecidos do Novo Testamento, e encontrados, ambos, no evangelho de Lucas. Um é o cântico de Maria (Lc 1.47-55), chamado de Magnificat, e o outro é o cântico de Zacarias (Lc 1.68-79), chamado de Benedictus. Como é a teologia deles? Que sinalizam para os cânticos contemporâneos, em termos de conteúdo?

 

Uma Pista Já Nos Títulos


O cântico de Maria é chamado de Magnificat por causa da primeira palavra em sua redação latina. "A minha alma engrandece ao Senhor" (Lc 1.46), diz-nos o texto em português. Mas magnificat é a expressão latina para "engrandece". É um cântico que exalta a grandeza de Deus, colocando o adorador como quem reconhece e exalta esta magnificência divina. A ênfase está na grandeza do Senhor. Nada de novo, pois o Salmo 139 é uma exultação plena sobre a majestade divina em vários aspectos. Mas guarde-se isto: a ênfase não está no adorador, mas na grandeza divina. A grandeza de Deus é o motivo central do cântico. Os cânticos são para engrandecer a Deus, e não para nos sentirmos bem, embora engrandecer a Deus não nos faça mal. Mas o foco deve ser Deus. Outros aspectos são secundários.

O cântico de Zacarias é chamado de Benedictus por causa da expressão latina para "Bendito", que é a primeira palavra do cântico (Lc 1.68). Ele segue uma estrutura comum nos cânticos de Israel. O cântico bendiz a Deus pelo agir divino no presente, que é a visitação divina na pessoa do menino, mas olha para o futuro, conforme se observa nos versículos 76-79. O cântico de Maria louva a Deus por aquilo que ele é. O cântico de Zacarias louva a Deus pelos seus atos na história, tanto no passado como no futuro. A ação de Deus na história é o motivo central do cântico do pai do Batista.

Os dois motivos centrais no dois cânticos são estes: Deus deve ser louvado pelo seu ser e pela sua obra. Pelo que é, pelo que fez e pelo que fará. Devemos adorar a Deus pelo seu caráter e por suas obras. Isto não traz nada de novo e todos concordaremos com isto, mas caminhemos mais um pouco em nossas observações.

 

Um Pouco Do Conteúdo Do Magnificat


Uma análise exaustiva do cântico de Maria nos tomaria muito espaço. Nosso propósito é uma visão geral que delineie o conteúdo do primeiro cântico de louvor a Deus no evangelho. Assim procedemos.

Começando pela exaltação do ser de Deus, o cântico logo nos desvela o sentimento da adoradora. "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador" (vv. 46-47). Onde temos "engrandece", o correspondente em hebraico seria "Proclama as grandezas". "Minha alma" não deve ser entendida como a parte espiritual da pessoa, mas tem o sentido de todo o ser de Maria. Não é um ato mecânico, mas algo profundo, com todo o seu ser. O cântico traz o sentido de uma pessoa totalmente absorta em Deus, derramada diante dele, agradecida. O primeiro cântico de louvor do Novo Testamento nos mostra o sentimento do adorador. Não é uma catarse nem entretenimento, mas um profundo reconhecimento de quem é Deus e do se está fazendo. É um momento de contrição. A verdadeira adoração parte de um coração rendido e absorto em Deus. Não há estrelismo humano, mas uma glorificação de Deus.

Sem qualquer preocupação de desconstruir a figura de Maria, ressaltemos a expressão "Porque atentou na baixeza de sua serva" (v. 48). Não é um cântico de superioridade, mas de claro reconhecimento de sua humildade. O que Maria recebeu do Poderoso foi por causa de sua graça. Ele "atentou". O mérito é dele. É óbvio que nossos cânticos devem expressar nossa fé e nossos sentimentos, mas devem deixar claro que tudo que recebemos de Deus é por bondade sua e não mérito humano. Não reivindicamos nem declaramos, mas dizemos ter recebido manifestações da bondade divina. Nossos cânticos não devem exaltar o humano, mas sim o divino. Muitos "momentos de louvor" em nossas igrejas mostram que as pessoas estão usurpando o lugar de Deus no culto. Ou querendo aparecer mais que ele ou, ainda, tentando manipular as pessoas, produzindo-lhes emoções. Produzir emoções na vida do adorador é obra do Espírito Santo. E o evangelho de Jesus é tão poderoso que não precisa que pessoas sejam manipuladas para ele produzir efeitos. Basta centrar o foco em Deus. Ele faz o resto.

De uma perspectiva pessoal, o cântico se desloca. De Maria, passa a falar do próximo. Fala dos que temem a Deus (v. 50), e diz que ele agiu contra os soberbos e poderosos (vv. 51-52), elevou os humildes (v. 52), cuidou dos famintos e puniu os ricos (v. 53). Saiu da esfera do "eu" para a esfera do "eles". Um cântico que não olha apenas para si, mas inclui os demais. Louvamos a Deus pela sua bondade para conosco, mas devemos reconhecer sua bondade para com os demais. O culto não é apenas "eu e Deus". É "eu, Deus e os outros". Embora Maria parta de sua experiência muito particular, sua gravidez pelo Espírito Santo, seu louvor inclui os demais. Evitemos o intimismo e um tipo de culto que se restrinja a nós. Mesmo no momento mais pessoal de nosso louvor devemos lembrar que Deus é misericordioso para com todos os fiéis e carentes. Cânticos e culto não podem resvalar para o intimismo. Há uma mensagem para todos e não apenas para o adorador em particular. Em nossa gratidão lembremos dos irmãos. Deus não é propriedade um adorador em particular, mas é o Senhor de todos os que crêem em Jesus.

Mais uma vez o cântico se desloca. Sai do próximo para o povo na sua totalidade: "auxiliou a Israel" (v. 54). É lamentável que tantos cânticos e tantos cultos sejam excludentes de faixas etárias. "Culto jovem", por exemplo, enfatiza o adorador, não Deus, e restringe o culto a uma faixa etária. Faz triunfar o aspecto cultural sobre o aspecto teológico. O culto é um pecúlio espiritual de todo o povo de Deus, dirige-se a todo o povo de Deus, e em sua dimensão horizontal fala de todo o povo. Maria entoa um cântico que sai de sua pessoa, de sua gratidão pessoal para o reconhecimento da bondade de Deus para com todos. Um cântico que vê a totalidade do povo de Deus e não apenas os sentimentos da adoradora. Oportuna lembrança para nós! O culto público, principalmente, não pode primar pelo privatismo e pelo exclusivismo. O individualismo de um mundo sem Deus tem marcado até mesmo alguns de nossos cânticos, em que parecem existir apenas duas pessoas, o cantante e Deus. O culto é dos demais irmãos, repartimos as bênçãos com eles, e nos alegramos com eles.

 

Um Pouco Do Conteúdo Do Benedictus


O Benedictus é introduzido pela declaração de que Zacarias "foi cheio do Espírito Santo, e profetizou" (v. 67). Vem com a força de ser uma declaração inspirada por Deus. Só por isto merece nossa especial atenção. "Bendito" (Benedictus) é o grego eulógetos, o mesmo termo que introduz o hino trinitariano de Efésios 1.3-14. Só é usado para Deus. Geralmente o termo está sempre celebrando um benefício especial que Deus concedeu a alguém. É um cântico que celebra uma bênção recebida.

A bênção é comunitária. Zacarias entende quem é o menino e louva a Deus pelo seu significado na história de Israel. O centro teológico do cântico é o versículo 72: "Para manifestar misericórdia a nossos pais, E lembrar-se da sua santa aliança". Esta idéia de misericórdia, que é central, se repete no versículo 78: "Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus...". As idéias principais, além da misericórdia, o hesed (amor imutável e eterno, o amor do pacto), são: salvação, liberdade, justiça e serviço. O cântico de Zacarias tem um profundo senso de história da salvação, o que é notável, sendo tão curto. A salvação não é um evento esotérico nem subjetivo. Está enraizada na história. E o Deus da história age movido pela sua misericórdia. Nossos cânticos não podem perder a historicidade da fé cristã de vista. E esta fé cristã não pode ser reduzida a meras sensações, como alguns de nossos cânticos têm feito. Isto é um empobrecimento de nosso credo.

A ação de Deus Pai na história desemboca no menino (v. 76 - "E tu, ó menino..."). É um hino cristológico. Isto se reveste de grande valor para nós. Cristo tem sido esquecido em muitos dos cânticos atuais. Somos cristãos e nosso louvor deve ser cristológico. A igreja celebra a Cristo e deve mostrar isto em seus cânticos. Precisamos cantar Cristo e a misericórdia do Pai. Porque Cristo é a maior manifestação da misericórdia do Pai. Podemos notar, sem muito esforço, que o cântico de Zacarias apresenta, na parte que trata do Pai, três divisões, no modelo de um sermão clássico: 1) Deus intervém (vv. 68-69); 2) Deus cumpre o prometido (v. 70); 3) Deus salva (vv. 71-74). A seguir, ocupa-se do menino, em quem Deus interveio, cumpriu o prometido e salva. Não é demais enfatizar isto: o cântico tem uma culminância na pessoa de Jesus. Cuidado para com nosso louvor nunca nos esquecermos de Jesus. E ele não pode ser uma vaga referência, mas o ponto culminante de nosso culto. Precisamos colocar Cristo no centro do púlpito e no centro do que cantamos.

 

À Guisa De Conclusão - A Visitação De Deus


Maria foi visitada pelo Senhor, através de seu anjo (Lc 1.26). Em seu cântico mencionou esta visitação (Lc 1.49). A idéia é expressa de maneira mais acentuada por Zacarias, em Lucas 1.68: "visitou e remiu o seu povo" e "nos há de visitar a aurora lá do alto" (Lc 1.79). A idéia de uma visitação de Deus está associada a sua entrada na história e na experiência dos homens, para libertá-los (Gn 50.24 e 26, Rt 1.6). Os dois primeiros cânticos de louvor do Novo Testamento celebram a visitação de Deus. Isto deve estar presente em nossos cânticos e cultos. Nós cantamos a visitação divina. Nós cantamos a entrada de Deus na história. Nós cantamos uma fé que se enraíza na história e cuja objetividade histórica é reconhecida. Não a reduzamos a sensações e ao sentimentalismo. O nascimento virginal, o ministério de Jesus, a cruz, a ressurreição, a ascensão, todos eles são temas históricos que devem ser cantados. Os corinhos atuais (ou qualquer que seja a nomenclatura que lhes dêem) se centram mais em sentimentos do adorador e apregoam uma religiosidade vaga, a-histórica. Isto não é a fé cristã. Nosso Deus age na história. Nós cantamos a entrada de Deus na história e o fato de que ele dirige a história.

No paganismo grego, as pseudas-divindades entravam na história para se divertir e afligir os homens. No cristianismo, Deus entrou na história para salvar os homens, para dar-lhes esperança e um sentido para suas vidas. Nossos cânticos e nossos cultos devem celebrar a esperança que Jesus nos trouxe. Devem expressar nossa salvação por causa da obra de Cristo, devem celebrar o rumo de vida que a igreja tem, devem proclamar nossa esperança. Somos o povo que Deus visitou e tomou para si, e devemos celebrar isto em nossa adoração.

Com tudo isto, podemos afirmar convictamente: o culto não é uma catarse para externar emoções, nem é um momento de entretenimento espiritual para nos sentirmos bem. Cânticos e cultos devem celebrar os atos de Deus por nós e expressar nossa gratidão pela sua obra por nossas vidas. E o referencial que nunca pode ser perdido é isto: cânticos e cultos da igreja devem ser cristológicos, exaltando a pessoa de Jesus Cristo, chamando a atenção para ele, exaltando sua pessoa e seu significado na história e na nossa vida. Se perdermos Cristo de vista, nosso culto será tudo, menos culto cristão. Maria e Zacarias nos ajudam a compreender isto um pouco mais.

Análise Bíblica Sobre A Psicopatia


Por Wilma Rejane

Acabo de ler o livro da Dra. Ana Beatriz B. Silva, intitulado “Mentes Perigosas. Julguei o tema tão instigante, que em apenas dois dias “devorei” as mais de duzentas páginas do Best Seller Brasileiro. Realmente o Recorde de vendas faz jus. A linguagem é simples e aprofundada, proporcionando ao leitor uma fácil compreensão do drama da psicopatia. Ao folhear as páginas da obra da Dra. Beatriz, fiquei na expectativa de que algum tratamento inovador apontasse para a solução. Mas não. A medicina julga o caso incurável e a médica, encerra o livro dizendo que “é mais sensato falarmos de ajuda para as vitimas dos psicopatas do que para eles mesmos” (cap. 11)

Separei alguns trechos do livro para firmar o debate do caso:

“Psicopatas em geral são indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores e que visam apenas o próprio beneficio. Eles são incapazes de estabelecer vínculos afetivos ou de se colocar no lugar do outro. São desprovidos de culpa ou remorso e, muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos. Em maior ou menor nível de gravidade e com formas diferentes de manifestarem os seu atos transgressores, os psicopatas são verdadeiros “predadores sociais” em cujas veias e artérias corre um sangue gélido” Pg. 37.

“As terapias biológicas (medicamentos) e as psicoterapias em geral se mostram, até o presente momento, ineficazes para o psicopata. Por mais bizarro que possa parecer,


os psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmo e não apresentam constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais como depressão, ansiedade, culpa, baixa auto-estima, etc. Não é possível tratar um sofrimento inexistente” Pg. 169.

"Uma característica chave na identificação de um psicopata é que ele é desprovido de consciência. O que é consciência? É a capacidade de amar. Psicopatas não amam” Capítulo 2: Psicopatas Frios e Sem Consciência.

A Bíblia e o Psicopata:
Como cristã, não pude deixar de buscar em minha mente e nas folhas do Livro Sagrado alguma referência ao tema. Não encontrei nada explícito. Se alguém souber, fará um favor coletivo em declarar. Meu primeiro ímpeto foi estudar as atitudes de Saul (não sei se isto é engraçado, patético ou revelador), mas ele é um sujeito um tanto frio que não firma laços afetivos com ninguém e põe em risco a vida dos filhos para alcançar seus objetivos. Se arrepende apenas da boca para fora, mente e apesar de todas as repreensões, morre no erro e negando a fé I Sm 28 (se é que ele tinha). Saul era um incurável? Incorrigível? Sem consciência?

Outro forte candidato a ser diagnosticado com o mal, seria Judas Iscariotes. Como pôde ser tão próximo de Jesus e fazer o que fez? Ser tão amado e desconhecer o amor? A Bíblia diz que ele se arrependeu de ter delatado Jesus aos inimigos, mas seu arrependimento foi bem parecido ao de Saul: Não conduziu ao novo nascimento. Apóstolo Paulo fala de dois tipos de arrependimento: Um para a morte e outro para a Vida (II Cor. 7:10)

Não estou dizendo que Saul e Judas eram psicopatas, por favor! No entanto, seus comportamentos eram semelhantes ao de um. A história do Rei Saul está descrita no Livro de I Samuel e a de Judas nos Evangelhos.

Ser Cristão e Psicopata?
Se psicopata não tem consciência e é incapaz de amar, logo, é impossível ser cristão e psicopata? “Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O Primeiro de todos os mandamentos é: Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. E o segundo semelhante a este é amaras o teu próximo como a ti mesmo” Mc 12: 28-30. Amar é a essência do cristianismo, o maior dos mandamentos. Ser cristão e não amar é como céu sem estrela, mar sem água (dá pra imaginar?)

Segundo a medicina, um psicopata pode fingir muito bem, enganando até os mais experientes, no entanto devido à superficialidade, em algum momento será descoberto. Ou seja, para a medicina é impossível ser cristão e psicopata. Eles podem casar, constituir família... porém devido à ausência de afetividade usará estes fatos para proveito próprio. Pessoas são como objetos para os psicopatas.

Doença ou Possessão Demoníaca?
A causa da Psicopatia é explicada da seguinte forma: “Esses indivíduos apresentam uma “desconexão” dos circuitos cerebrais relacionados à emoção. A parte do corpo responsável por este desequilíbrio é a região do lobo pré-frontal (região da testa) Psicopatas teem razão demais e total ausência de emoção” Cap. 10: De Onde Vem Tudo Isso? Essa tese é apoiada no caso de Phineas Gage que trabalhava em uma estrada de ferro no século XIX. Após sofrer um grave acidente onde uma barra de ferro atingiu sua região pré-frontal, ele nunca mais fora o mesmo. Após isso passou o resto da vida em bebedeira e aplicação de golpes.

O estudo do caso que revolucionou o diagnóstico da psicopatia, contudo, é controverso se considerarmos a batalha travada no campo da espiritualidade. A frieza emocional dos psicopatas que os conduz a matar, mentir e aplicar toda sorte de delitos, também pode ter origem no mundo das trevas: “Vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, pai da mentira” João 8: 44. Eis a origem da mentira: o diabo. Não é desordem biológica, mas espiritual. Jesus também faz referência a Caim, assassino de seu irmão Abel. Seria ele julgado psicopata pela medicina atual? Estaria em algum presídio, fazendo companhia a milhares de outros psicopatas?

A Medicina Não Cura, Jesus Cura?
È bem verdade que Caim, Judas, Saul e outros personagens bíblicos morreram sem demonstrarem arrependimento, porém: Saulo, o perseguidor da Igreja, assassino de cristãos, foi transformado em Paulo, grande Apóstolo! Servo de Deus, transformado pelo amor de Jesus, pela graça Redentora! O que dizer daquele ladrão crucificado ao lado de Jesus? Seria ele considerado psicopata, sem consciência? Foi salvo. Da condenação dos homens, direto para o Paraíso.

Minha intenção não é de forma alguma desmentir a medicina e desmerecer o trabalho de especialistas, quem sou para tamanha afronta? Mas, da mesma forma que a ciência biológica tenta explicar e encontrar soluções para as pessoas nestas condições, não seria demais acreditar que esse “defeito de fábrica” pode ser solucionado por Jesus. Será que uma vez psicopata, psicopata para sempre?!

A novelista e escritora Glória Perez, faz o prefácio do livro “Mentes Perigosas” e em uma clara alusão ao terrível fato envolvendo sua filha Daniella Perez, assassinada brutalmente por Guilherme de Pádua, relata: “psicopata não tem semelhante, ele nem sabe o que é isso”. Se psicopatas não teem cura, são incapazes de amar e manter laços afetivos, o que dizer do Guilherme de Pádua, que há mais de cinco anos professa a fé cristã? Conversão ou fingimento?

Ele Tomou Nossas Enfermidades
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido, Mas ele foi ferido por nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados” Is 53:4, 5.

Interessante, que o versículo não diz: Jesus sarou todas as enfermidades, menos a psicopatia. Ora, se Ele ressuscitou Lázaro após dias na sepultura, curou o endemoninhado de Gadara, a quem todos tinham como louco, e fez tantos outros milagres considerados impossíveis a medicina, não curaria um psicopata?

Milagre é a realização de Algo Considerado Impossível Aos olhos Humanos.
Se você convive com um psicopata, de forma direta e indireta, ore por ele. Está escrito: “Porque para Deus nada é impossível” Lc 1:37. As cadeias estão lotadas de homens e mulheres que cometeram crimes bárbaros e continuam de corações endurecidos para Deus. Bem perto de nós, do lado de fora das celas, convivemos percebida ou despercebidamente com pessoas doentes e perigosas em baixa ou alta escala. Não são necessariamente homicidas, mas aniquilam a vida humana de outras formas: despedaçando corações, e provocando perdas profundas. Contudo, escolho acreditar na Palavra de Deus, sempre, acima de todas as circunstâncias.


Sobre o Livro Mentes Perigosas
Recomendo a leitura desse livro, não é pelo fato de acreditar em milagres que ignoro o perigo que nos ronda. As dicas da Dra. Ana Beatriz são muito úteis e podem evitar que pessoas de bom coração sejam vitímas de psicopatas. Aliás, eles escolhem justamente aqueles que demonstram boa vontade para com o próximo. -Às vezes, nos perdemos nessa sede de amar os inimigos. - Se amar é preciso, viver em paz também o é. Os alarmes costumam tocar para avisar dos perigos de furacões e outras catástrofes, quem der ouvidos se salvará. Quando há algo errado em um relacionamento, o alarme também toca, ficar parado, é o mesmo que aceitar o erro para mais tarde (ou quem sabe instantâneamente) ser devorado por ele.

Fontes:
Livro Mentes Perigosas (link no artigo)
Bíblia Sagrada

The Next Generation – Buracos Teológicos.


Por Josemar Bessa

Nos episódios de Star Trek: The Next Generation ou nos longas da série, há algo frustrante que sempre acontece e que temos dificuldade de entender. O capitão da Enterprise (Consagrado na figura de Jean Luc Picard) – sempre que em situações terrivelmente perigosas, apesar da nave ter um escudo de proteção, deixa sempre este escudo desligado. Só depois que alguma nave desconhecida já está atacando perigosamente a Enterprise é que o capitão grita:“Levantar o escudo!” – Você pensa – por que não antes? Antes da nave ser danificada, antes de alguém morrer, antes do perigo se tornar em alguma tragédia...

Essa não é a mesma situação da maioria das pessoas que se dizem cristãos hoje? De grande parte das igrejas? Por que tantos erros teológicos prosperam na igreja – que segundo a Bíblia, devia ser o “Baluarte da Verdade?” – Ter os escudos de proteção desligados é um perigo mortal que a maioria corre o tempo todo.

Devíamos estar sempre alertas, com escudos teológicos sólidos levantados todo o tempo, pois o inimigo, suas ideias que fluem de nossa cultura pós-cristã, está sempre por perto. A palavra de ordem sempre foi: “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça” - Efésios 6:14

Essa é outra maneira de dizer – Paulo não conhecia a Enterprise – mantenha os escudos ligados. Se alguém, a cultura... está tentando convencê-lo de uma ideia contrária a Palavra de Deus, algo imoral, algo dito comum e normal em nossos dias... mantenha os escudos levantados. O problema é que se não sentimos o perigo, para que escudos de proteção? Se você está se sentindo seguro e confortável, para que escudo de proteção? Essa é a situação da grande maioria dos cristãos, que por isso, tem sido conformados a esta geração – Quando você está mais vulnerável e em que ponto essa geração tem fracassado?

Poderíamos mencionar tantas coisas, mas em primeiro lugar, nada é mais perigoso teologicamente quando você está desejando acreditar que algo seja verdade. Porque quando isso acontece, você irá fazer de tudo para se convencer de que aquilo é realmente verdade. Então, mesmo inconscientemente você irá deixar desligado os escudos de defesas da Palavra, abrindo caminho para acreditar no que você quer acreditar. Isto tem sido tão comum.

Sempre que eu me pego querendo que algo seja verdade ( porque é confortável para mim – porque vou poder estar mais conectado a cultura ao meu redor...), eu deveria imediatamente estar em guarda, com todos os escudos teológicos levantados. Essa é uma situação extremamente perigosa... É óbvio que não é só porque eu quero que algo seja verdade que aquilo se transforma em verdade. Saio do objetivo, saio do claro ensino bíblico, saio dos dados concretos... O significado disso deve ecoar sempre em nossas mentes – “querer acreditar” é perigosíssimo, porque neste momento eu desligo os escudos da Verdade e abro as comportas da racionalização para desligar a consciência... Quando “quero acreditar” no que a cultura diz, devia acender a luz vermelha. Mas é isso que acontece?

Em segundo lugar devia não só deixar o escudo teológico ligado, mas deveria reforçá-lo ao máximo quando é mais fácil acreditar.

A vida cristã, a vida com Deus, tem implicações práticas. A salvação afeta tudo o que fazemos. E muitas vezes não deixa a vida mais fácil num mundo que desconsidera a mente de Deus. Na verdade não só desconsidera, mas é hostil a Verdade. Então somos constantemente confrontados com a tentação de acreditar em algo porque vai facilitar nossas vidas. Por exemplo, é mais fácil fazer do mundanismo uma palavra oca de significado, porque então meu estilo de vida pode expressar a cultura a minha volta e não um Deus santo. É mais fácil acreditar que viver para adquirir bens materiais – redirecionando para isso todo tempo, trabalho, estudo, carreira, família... porque então eu não tenho que mudar meu estilo de vida confortável que não se diferencia dos paradigmas que impulsionam todos os homens a minha volta que estão mortos espiritualmente. 

É mais fácil acreditar que a minha relação com Deus é essencialmente um assunto privado entre mim e Ele, porque então eu posso justificar a minha falta de compromisso na edificação da igreja de Cristo, minha falta de comunhão numa comunidade local... É mais fácil acreditar que a evangelização é um dom espiritual para alguns, porque então não sinto a culpa por não estar propagando a verdade do Evangelho para a qual fui comissionado se estou em Cristo.

Acreditar que algo é verdadeiro por tornar a minha vida mais fácil, a continuar num estilo de vida mais fácil, a ir na direção mais fácil... é ter desligado todos os escudos de proteção. O caminho fácil acena em todas as relações nesta cultura, e é difícil ignorá-lo se os escudos de proteção não estiverem ligados.

Em terceiro lugar devemos estar totalmente atentos quando a cultura a nossa voltar quer que acreditemos. A cultura tende a nos formatar. É inevitável. Nós recebemos um fluxo constante de mensagens de nossa cultura sobre o que é bom e verdadeiro, sobre o que é belo, sobre o que vale a penas investir a vida, sobre o que é divertido... a maioria de nós nem sequer percebe o fluxo constante em que isso acontece. Então, ao nos sentirmos confortáveis e seguros, para quê escudos? Lenta e progressivamente esse fluxo constante nos molda. E nada pode ser mais fácil do que ir se deixando levar. Quando sentimos isso, deveríamos ligar o alerta vermelho e ligar todos os escudos. A pressão vem de todos os lugares: mídia, colegas, leitura... Começamos a pensar, eu não faço, mais isso é comum, normal... e esse é só o primeiro passo para perdermos toda a definição bíblica para a vida. Nossa cultura, por exemplo, quer desesperadamente que acreditemos que a homossexualidade e o casamento gay são normais, corretos... A corrente e o fluxo diário é muito forte. Você não quer ser visto como um troglodita, então, aos poucos... Sutilmente nossa cultura quer que acreditemos no consumismo, no individualismo ( é por isso que é tão comum hoje o que veio a ser chamado "desigrejados" – com desculpas piedosas escondemos o deus individualismo ) – a pregação da cultura sobre o individualismo, eu como capitão da minha história... entra em nossos poros todos os dias. E sabendo o quão fácil é apenas se deixar formatar e levar pelo fluxo, precisamos manter os escudos teológicos claros contra toda essa onda levantados a cada dia. Levantados contra cada uma dessas mensagens.

Em quarto lugar, devemos ligar todos os escudos quando a resposta obtida parece tão óbvia para a mente natural, o senso comum do homem sem Deus. Isso é extremamente perigoso porque se a resposta parece tão óbvia, por que se preocupar com isso. Naturalmente o homem, por exemplo, se vê como alguém livre, se vê como estando no centro... o humanismo secular sempre parece óbvio para a mente natural. O amor que aceita toda a espécie de erros e só afirma e nunca julga... parece tão óbvio para nossa cultura. Então pensamos – a resposta está logo ali. Se encaixa tão bem a minha mente, é tão confortável... Muitas pessoas jamais começam com a Bíblia – elas dizem –“olhe, é tão óbvio...” – É lógico que neste momento todos os escudos teológicos já estão desligados. Porque é lógico que não importa o que a Bíblia diz se eu já defini que algo é lógico, a partir desse ponto qualquer coisa contrária será ilógica. O que pareceu óbvio e lógico para Eva na sua conversa com a serpente se mostrou o oposto de toda lógica divina. Se achamos lógico, já não achamos perigoso – para que serviriam então escudos? Nós simplesmente desligamos. Relaxamos e continuamos na mesma direção. Então um “alienígena” – como em Star Trek – já fez um buraco em nossa nave, e a morte está a caminho.

Você percebe diariamente em quais situações você tem deixado os escudos de proteção desligados? Quando você está propenso a deixá-los desligados, você está num perigo morta. Essa é a razão de tantos erros prosperarem em nossos dias na igreja visível...

Queríamos acreditar,
era mais fácil acreditar,
nossa cultura queria que acreditássemos,
era mais lógico acreditar...

Então desligamos os escudos.