domingo, 21 de outubro de 2012

Reflexões sobre profecias humanas

Por Isaltino Gomes Coelho Filho
 Em um dos meus pastorados, assumi pregar uma série de sermões sobre Cristo no Apocalipse. Não analisaria o livro, mas veria os retratos de Cristo. Dispondo de cerca de 30 comentários sobre o Apocalipse e algumas versões bíblicas, julguei ter material suficiente. E tinha. O bastante para me confundir e me deixar perplexo com a facilidade com que as pessoas fazem “profecias”. Preparei a primeira mensagem, “O cartão de visitas do Cristo glorificado” (1.4-6), e fui para a mensagem no texto de 1.7. O tema seria “Ele vem!”. Um dos livros que usei, embora superficialmente, foi o comentário de Champlin sobre o Novo Testamento. O comentarista remete os leitores a um artigo no volume 1 (o comentário do Apocalipse está no 6): “A tradição profética e a nossa era”. E afirma sobre o artigo: “Que a história julgue a veracidade do que é dito aqui. Que o leitor consulte, mas não condene antes do tempo!” (p. 374). Meu exemplar da obra de Champlin está datado de 4.2.1980. Passados 32 anos, a história julgou seu artigo. Pinço trechos de sua obra, sem os comentar. Como ele pediu, que o leitor julgue. Nada tenho contra o autor, mas é para vermos o risco de declarações humanas feitas como se fossem oráculos do Senhor. As citações são do artigo “A tradição profética e a nossa era”, às páginas 180-184 do volume 1 de O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. (1) “Nossos filhos, se não nós, veremos Israel nacionalmente convertido a Cristo. Dentro dos próximos 35 anos Israel tornar-se-á a poderosa nação cristã ‘missionária’, a mais fanática de todas, substituindo certas nações que agora arcam com a responsabilidade missionária”. (2) “Ezequiel 38 e 39 descrevem a posição da Rússia nos últimos dias (...). Tudo começará com a invasão russa nas terras dos combatentes árabes e judeus (pois esse conflito prosseguirá interminavelmente) e isso provocará o início da Terceira Guerra Mundial (...). Isso terá lugar em algum ponto perto do fim do século XX”. (3) Sobre o anticristo: “Cremos que esse homem já vive, a confiar nas declarações de certos místicos contemporâneos, que se sabe possuírem poderes preditivos (...). É perfeitamente possível, conforme já foi predito por alguns deles, que o anticristo tenha nascido a 5 de fevereiro de 1962. Notemos que esse ‘ano’ é igual a 666 numericamente considerado, pois se adicionarmos 1+9+6+2 = 18, ou seja, três vezes seis (...). No começo da década de 1990 esperamos vê-lo”. (4) Sobre a Terceira Guerra Mundial: “Grande terremoto atingirá Israel dando a seus inimigos árabes uma vantagem momentânea do que resultará a invasão das terras de Israel. Perdas imensas terão lugar, em ambos os lados, e isso continuará até cerca de 1988 (...). Por volta do ano 2000, as forças comunistas terão sido isoladas no Oriente Médio”. (5) “Em meio a esse pior de todos os holocaustos, subitamente se tornará visível no firmamento o sinal do Filho do homem, uma grande cruz luminosa. Jesus será visto corporalmente entre os soldados israelenses, que estarão lutando pela sobrevivência da própria nação, quando estiverem quase perdendo a esperança de que isso será possível. As notícias de que Jesus está conosco se propagarão como um incêndio por todo o Israel. Os homens serão convocados para a vitória. Israel proclamar-se-á uma nação cristã; e tendo sobrevivido tornar-se-á a mais poderosa nação cristã da época”. (6) Sobre cataclismos: “A geologia revela-nos que por muitas vezes, na história do globo terrestre, seus pólos magnéticos subitamente mudaram de posição, provocando imensos dilúvios destruidores (...). Alguns cientistas predizem que isto pode estar próximo. Isso pode ter algo a ver com a derrubada do anticristo e pode estar associado ao segundo advento de Cristo” (o itálico é meu). No volume 2, no comentário sobre Lucas 21.9 (p. 202): “A Terceira e a Quarta Guerras Mundiais, que esperamos para antes de 2025 – a terceira virá antes do fim do nosso século XX – serão guerras atômicas”. Champlin não está só. Muitos devem se lembrar das precipitações sobre o alinhamento dos planetas, em 1982. Lawrence Olson lançou um livro intitulado O alinhamento dos planetas. Meu exemplar é da quinta edição, mas outras foram tiradas. Quanto argumento vazio, mal alinhavado, sem sentido algum! Tudo para provar que Jesus poderia voltar em 1982! E o que dizer de A agonia do grande planeta Terra, de Lindsey, que vendeu uma edição em três meses! Quanta impropriedade, quanta exegese a fórceps, com passagens sacadas do contexto, e fatos históricos mal interpretados! O Mercado Comum Europeu era dado como o Império Romano Redivivo assim que chegasse a dez nações, cumprindo profecias de Daniel e Apocalipse (p. 88). Já são 25 nações. Jean- Jacques Servan Schreiber é insinuado como o “fuehrer do futuro”. Na obra Evangélicos em crise, Paulo Romeiro transcreve pregação de Valnice Coelho marcando a volta de Cristo para 2007 (p. 182). Passaram-se cinco anos, Cristo não voltou e ela, convenientemente, se calou. Impressiona a empáfia com que pregadores fazem afirmações deste tipo. Errando, não se desculpam! E ainda são levados a sério! Não quero ridicularizar Champlin, Olson, Lindsey e Valnice. Seus adeptos farão vistas grossas a seus erros e me criticarão por “tocar nos ungidos do Senhor”. Cegueira mental e espiritual é terrível! Mas o leitor que tem bom senso pode avaliar seus escritos. Não desprezo tais pregadores. Mantenho comigo a obra de Champlin, consulto-a em alguns textos e ele me elucida porque nem só de equívocos vive uma pessoa. Mas não me calo com a falta de seriedade no que se chama de “profecia” e na pompa egomaníaca com que seus autores as proferem. É incrível: há quem os justifique! Talvez por causa de uma citação de Demóstenes, registrada no livro de Lindsey: “Cremos em qualquer coisa que quisermos”. Deve ter sido por isto que ele escreveu A agonia... O Antigo Testamento nos dá o fio de prumo para analisarmos os chamados “profetas” de hoje. Diz Deuteronômio 18.21-22: “E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás”. Se não se cumprir, a profecia não é de Deus. Simples, não é? Mas não é tudo. Se o profeta falar, o que ele disser se cumprir e ele se valer disto para desviar o povo da Palavra, deve ser rejeitado. Diz Deuteronômio 13.1-5: “Se levantar no meio de vós profeta, ou sonhador de sonhos, e vos anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o sinal ou prodígio de que vos houver falado, e ele disser: Vamos após outros deuses que nunca conhecestes, e sirvamo-los, não ouvireis as palavras daquele profeta, ou daquele sonhador; porquanto o Senhor vosso Deus vos está provando, para saber se amais o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Após o Senhor vosso Deus andareis, e a ele temereis; os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis; a ele servireis, e a ele vos apegareis. E aquele profeta, ou aquele sonhador, morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos desviar do caminho em que o Senhor vosso Deus vos ordenou que andásseis; assim exterminareis o mal do meio vós”. Não quero o apedrejamento desses profetas. Só mostro que em vez de ouvi- -los devemos rejeitá-los. O padrão é a Palavra de Deus. Se a temos como autoritativa e revelação completa, fiquemos com ela. Ela basta. Passou da hora de dar um basta em revelações, profecias, visões, sonhos e interpretações particulares que avultam em nosso meio. Rejeitemos a megalomania de pregadores que se dizem “canal especial de Deus para esta geração”. Diz Jeremias 23.28: “O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale fielmente a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor”. Por fim, guardemos Isaías 8.20: “A Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva”. Firmemo-nos na suficiência das Escrituras e afirmemos um princípio hermenêutico: quando a Bíblia é explícita, somos explícitos e falamos. Quando ela se cala, nós não inventamos e nos calamos. Que cessem as comichões nos ouvidos e voltemos ao apego às Escrituras. Elas são a verdade. Sobriedade no ensino bíblico nunca fez mal a alguém.

Não acredito em templos

Por Pablo Massolar 
Uma vez perguntaram a Jesus onde era o lugar correto para se adorar a Deus. Quem fez essa pergunta foi uma mulher, samaritana, que não pertencia à "religião oficial" da época. Os judeus consideravam os samaritanos idólatras e impuros. Ela tão pouco teria, aos olhos dos moralistas, uma vida "santa" e "irrepreensível" para se aproximar e fazer tal questionamento ao Senhor, pois se tratava de uma mulher que já havia passado por cinco casamentos e o atual marido, bem... não era de fato marido dela. Um escândalo até mesmo para os discípulos de Jesus que achavam inapropriada aquela conversa. A resposta de Jesus foi simples: sugerindo não se tratar do lugar físico/geográfico. A adoração a Deus deve ser pessoal, interior, espiritual e sincera. A primeira coisa que salta aos olhos de quem lê o relato completo do Novo Testamento é que Jesus quebra muitos paradigmas, a começar por tirar da religião e do templo a exclusividade da mediação e do relacionamento com Deus. Nossa oração e adoração não dependem de um altar construído para serem ouvidas. O altar, o templo, o lugar de culto é o próprio coração. A segunda coisa é que, diferentemente da tendência da religião de dizer quem é puro ou não, quem é mais especial, Deus não nos avalia por questões meramente morais ou sociais. Foi Jesus mesmo quem disse que prostitutas e corruptos poderiam ser mais dignos de entrar no Reino de Deus do que alguns que se consideram exclusivamente santos, mas vivem de forma hipócrita (Mateus 21.31). O encontro com Deus é transformador, sim. E radical. Mas nem por isso acontece somente nos ambientes ou dias santificados pela igreja ou pelas religiões dos homens. Particularmente não acredito em templos ou em religiões como lugares e entidades sagrados em si mesmos. Acredito no Deus que não cabe dentro das religiões, não é totalmente explicado pela razão humana, ri dos tratados teológicos, não se detém nos limites impostos pelas tradições vazias. Ele conversa com ateus, pagãos e também faz amizade com quem é considerado "afastado de Deus". Deus é maior do que a própria Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Livros são confissões humanas, limitados, mas a Palavra de Deus é eterna e pode ser escrita até mesmo nos corações de quem não sabe ler, de quem não tem acesso ao papel. O Deus apresentado por (e em) Jesus é o Deus que ama até as últimas consequências, que entende a aflição humana, se comunica multiformemente, que se compadece ao invés de condenar. É o Deus que tem mais prazer na reconciliação do que na condenação e não leva em conta o tempo da ignorância. "Misericórdia quero" é o que Deus grita enquanto a religião vocifera "morte aos impuros". Vejo uma multidão esquecida, adoecendo nos arredores da igreja. É gente que não encontrou abrigo, não foi acolhida, foi expulsa e considerada "fora dos padrões". Muitas vezes projetamos no outro o santo que não conseguimos ser e dizemos "enquanto você não se tornar como um de nós, não será aceito em nosso meio". Muitos, a partir desse ponto, decidem viver uma vida apenas de aparências, sem transformação real, simplesmente para serem "aceitos". Nos esquecemos que quem santifica e transforma é Deus e não nossas imposições, arrogâncias e externalidades. É a caminhada, o dia a dia, que vai nos tratando, curando, limpando as feridas, trabalhando e completando a obra de Deus em nós. Não é no tempo que queremos, mas na compreensão e confiança de que quem opera tanto o querer como o realizar é Deus. Neste sentido, até mesmo numa conversa de mesa de bar, Deus pode operar com graça, curar e inflamar corações cansados e sobrecarregados. Por que não? Os religiosos de hoje torcerão o nariz da mesma forma como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, quando o acusaram de andar com pecadores. Mas Deus trabalha sem se importar com o que falam. Enquanto uns ordenam, outros decretam e outros ainda profetizam suas impressões puramente carnais e humanas, o Senhor vai dando vista aos cegos e ouvidos aos surdos que estão fora dos domínios dos templos. Nenhuma religião é dona de Deus. Nenhum sacerdote é detentor exclusivo da voz de Deus. Nada que não se pareça com o amor ou com o espírito de Jesus pode ser chamado de Evangelho ou Bíblico, ainda que dito e ordenado pelas grandes instituições religiosas. Pense nisso!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PROCURANDO OU EVITANDO SARNA PARA SE COÇAR?

Por Isaltino Gomes Coelho Filho
 “Procurando sarna pra se coçar”. Este é um ditado que se aplica a pessoas que procuram problemas. Por algum motivo, elas têm necessidade de se envolverem em encrencas. A Bíblia nos fala de duas pessoas que passaram pelo mesmo problema, a tentação sexual. Uma a abraçou e se deu mal. A outra fugiu do problema e se deu bem. Uma procurou sarna para se coçar, e a outra evitou coceira. Uma das histórias está em Gênesis 39.7-9 (“E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo. Porém ele recusou, e disse à mulher do seu SENHOR: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem; Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?”). A outra, em 2Samuel 11.2-4 (“E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista. E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa.”). O ideal seria você ler as duas histórias por completo, na sua Bíblia, para entender bem o assunto, porque elas continuam. Mas vamos examinar como estas duas pessoas agiram e observar que quem procura sarna para se coçar acaba encontrando e depois se coça muito. José evitou a sarna, Davi procurou. Quem evita se dá bem. Quem procura, acha. José entendeu bem a questão: “Há coisas que não posso”. Davi raciocinou assim: “Posso tudo”. José entendeu que como administrador dos bens do patrão tudo estava em suas mãos. Menos a mulher dele. Davi seguiu o caminho errado. Cobiçou a mulher de outro homem. Mais tarde José foi recompensado por Deus, por sua atitude. Davi precisou tramar a morte de um homem, uma criança morreu e ele foi exposto à vergonha. Os bens eram de José; mas a dona da casa, do patrão. Ele a recusou. Davi fez o oposto: cobiçou a mulher de um subordinado. Ele era o rei, e as pessoas que exercem autoridade e têm poder algumas vezes se acham acima da lei. Perdem o bom senso. Acham que podem tudo, que não há limites para elas. José se impôs limites. Muita gente hoje age como Davi. Acha que pode tudo e não aceita limites. Está procurando sarna para se coçar. Vai encontrar. Nós precisamos de limites. Não se pode fazer o que se quer. Necessitamos de autocontrole, que é fruto do Espírito Santo (Gl 5.23). José foi humilde e Davi foi soberbo. Sobre soberba, a Bíblia diz: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”. “Concupiscência” significa “desejo muito forte” (1Jo 2.16). Davi mostrou um desejo carnal muito forte e foi soberbo, ou seja, arrogante. É bom lembrarmos que não podemos fazer todas as coisas. Há limites. Quem acha que pode tudo está procurando sarna para se coçar. Os dois correram. José, literalmente, correu do pecado: “E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora” (Gn 39.12). Davi correu para o pecado, foi atrás: “E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa” (2Sm 11.3). O erro começou quando viu a mulher se banhando. Um homem com um mínimo de educação desviaria o olhar. Ele fixou o olhar. Procurou sarna para se coçar. A Bíblia faz uma advertência bem séria: “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? Assim ficará o que entrar à mulher do seu próximo; não será inocente todo aquele que a tocar” (Pv 6.27-29). Não brinque com o pecado. Não procure sarna para se coçar. Corra do erro! Os resultados foram óbvios: José padeceu pela sua fidelidade e foi exaltado. Davi desfrutou do pecado e foi humilhado. José sentiu a ira de uma mulher rejeitada (Gn 39.13-20). Penou um bocado, mas Deus lhe fez justiça. Deus sempre faz justiça a quem obedece a seus ensinos. Davi abusou da lealdade de um servo e quis se livrar dele (2Rs 11.6-15). Com esta atitude, ele desceu ao fundo do poço moral. Que tristeza! A mesma mão de Deus que socorreu José puniu Davi. José foi honrado perante os homens. Davi foi humilhado. Por isso, não procure sarna para se coçar. Nunca perca sua honra! Dizia uma música antiga: “Não existe pecado do lado de baixo do equador”. Existe pecado, sim, nos dois hemisférios. E tem conseqüências drásticas. Ele atrai, mas cobra um preço alto. Tome bastante cuidado com o perigo. Fuja dele. Seja íntegro. Seja fiel a Deus. Seja fiel aos seus valores espirituais. Não procure sarna para se coçar. Porque quem procura acha. Imite a conduta de José e nunca aja como Davi.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Marketing cristão e o desafio de ser um pequeno cristo

Propagandas sobre religião às vezes me irritam. Sei que o marketing de Jesus é legal, mas tentar sistematizar resultados dando exemplos aparentes do antes e depois de nascer de novo pode se tornar confuso. Gera aquela lógica: “veja como fulano era sem Jesus, veja como ele ficou agora com Jesus”! Não vejo isso como fundamental.
Qualquer organização filantrópica ou projeto social pode mudar a vida aparente de pessoas. De fato, elas podem ficar bem melhores afetivamente, profissionalmente, esteticamente (mais gordinhas, magrinhas) ou até se libertarem das drogas.


 

Tirinha utilizada por usuários do Facebook
A grande verdade é que a conversão pode nos livrar de certos vícios, mas não garante essa vida linda vistas em algumas tirinhas populares de algumas redes sociais. Aparência na vida cristã já diz tudo: superficialidade. Mas a vida como um todo reflete o que Deus quer de cada um.
Imagine se eu fosse fazer uma tirinha demonstrativa da vida de Paulo, por exemplo, como ficaria antes da conversão e depois? Mais gordinho? Mais conservado? Mais bem vestido? Só especulação… Ninguém curtiria ser e sofrer como Paulo após converter-se a Cristo. (Marketing Zero não é?)
Mas já que estamos na era do Fast food, vejo que a ignorância passa a ser um direito de todos, a informação disponível a todos, mas o conhecimento um desafio. Portanto, conhecer é preciso. Ler é preciso. Pensar é preciso.
As redes sócias comprovam a superficialidade de parte dessa geração. Um simples quadrinho com conteúdo de clichê tipo “Quem ama Jesus compartilha, quem só gosta curte”, ou algo do tipo “Esta pessoa aqui é um Vencedor”, etc. faz com que diversas pessoas em suas mais agudas diferenças por instantes ocupem o mesmo lugar ideal. Tudo isso por conta de um efeito, de um clichê. Assim como verdades soltas são compartilhadas, mentiras maquiadas são difundidas. Ao fim de tudo, o que resta-nos é uma tremenda disparidade entre a marketagem e a realidade.
Sem descarta as vantagens dela, termino sugerindo que o grande perigo das redes sociais é continuar a reproduzir pessoas superficiais, cidadãos idiotizados e cristãos que não sabem ainda o real sentido de ser um pequeno cristo.

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O lugar mais importante na igreja

Por Maurício Zágari
Sim, existe um lugar mais importante na igreja. É o local onde, em geral, se senta quem mais importância tem em um culto público. Não fica no ponto mais visível, não é a cadeira de espaldar mais alto da plataforma nem os bancos onde se sentam os músicos do louvor. Também não é a poltrona do tesoureiro, a sala do administrador ou o cômodo onde se reúne o conselho de presbíteros. O gabinete pastoral tampouco é o lugar mais importante em uma igreja, bem como o banco mais próximo do púlpito. Não é, também, o tanque batismal ou a mesa da Ceia. Bem, se não é nenhum desses lugares... qual é? Não há dúvidas de que Jesus é a pessoa mais importante em uma igreja, mas, como ele não habita mais aqui do que ali, sua onipresença o põe igualmente em todos os lugares do santuário ao mesmo tempo. Está tão presente na mesa da Ceia como naquele membro que come o pão e bebe o vinho. Ele está tanto no púlpito onde é ministrada a palavra quanto no meio do povo que a recebe. Pois a mesa da Ceia e o púlpito não têm razão de ser sem que haja quem ceie e quem ouça - logo, a importância do memorial está atrelada a quem se lembre da Cruz e a importância da proclamação está atrelada a quem a receba e viva por ela. Mas será que depois de Deus há uma segunda pessoa mais importante na igreja - e que ocupa, consequentemente, o lugar mais importante? Sim, há. Mateus 25.31-40 relata: "Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes". Essa passagem deixa claro que Cristo associa sua imagem de modo íntimo à daqueles que mais precisam de socorro, amparo, auxílio, amor. Jesus associa Sua própria pessoa ao faminto e ao sedento (os desamparados), ao forasteiro (o que depende de orientações), ao nu (o que precisa desesperadamente de algo), ao enfermo (o aflito e fraco) e ao preso (o solitário e isolado). Em suma, infere-se que Jesus diz que sua presença se faz mais do que tudo naqueles que precisam de uma mão estendida, de socorro, de um ombro, de uma palavra de consolo e conforto. De amor. Minha experiência e a de qualquer irmão que tenha o cuidado de conversar com quem está no santuário antes de o culto começar mostra onde os tais costumam se sentar: no último banco. O último banco - aquele mais escondido, onde se pode chorar sem que ninguém perceba, onde o desesperado e o aflito costumam sentir-se mais seguros. É o cantinho da igreja onde quem costuma se ver como indigno geralmente se refugia. Portanto, para mim, o lugar mais importante na igreja é o último banco do santuário. A razão de ser da Igreja é glorificar Deus. E isso se faz, acima de tudo, cumprindo o maior mandamento, ou seja, amando ao Senhor sobre todas as coisas e... ao próximo como a si mesmo. Portanto, no âmbito do relacionamento com Deus, a melhor forma de glorificá-lo é devotando-lhe amor, e isso se faz por meio da obediência ("Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama", disse Jesus em João 14.21a). Já no âmbito do relacionamento com o próximo, a melhor forma de dar glória a Deus é doando-se pelo outro, cuidando de suas feridas - como Jesus deixa claro na parábola do bom samaritano, relatada justamente para explicar quem é nosso próximo. E na igreja quem mais precisa ter suas feridas cuidadas em geral se abriga no último banco. Logo, se você quer glorificar Deus amando o próximo como a si mesmo, aqui vai uma dica: sempre concentre suas atenções em quem está sentado no fundo. Ali deve estar o nosso foco. Do púlpito e da mesa da Ceia vêm o aprendizado e a proclamação. No último banco deve estar esse aprendizado sendo posto em prática. O Evangelho pregado de púlpito é a mensagem que desperta. O Evangelho praticado no último banco é a mensagem que despertou alguém. Por isso, deixo aqui a minha sugestão: quando você chegar à igreja antes de o culto começar não vá direto bater papo com seus amigos ou sentar-se no seu lugar para ficar sem fazer nada até o início da celebração. Em vez disso, dirija-se a quem está no último banco. Sente-se ao seu lado. Pergunte seu nome. Apresente-se e pergunte como ele está. Ouça sua resposta. Ore com ele. Aconselhe. Apresente-o ao seu pastor. Convide-o para a comunhão. Dê atenção. Dê afeto. Dê a ele o de beber, o de comer, vista-o. O mesmo procure fazer ao final do culto. Você vai reparar que, geralmente, pessoas ficam ainda por algum tempo sentadas no último banco após a bênção final e a despedida. Provavelmente porque anseiam desesperadamente por algo mais. Seja você esse algo mais. Leve afeto até elas. Visite-as no isolamento de seu banco. Reflita Cristo para elas. Ame-as. Sim, o último banco da igreja é seu lugar mais importante. Pois ali costumam estar as melhores oportunidades de praticar aquilo que é pregado no púlpito. Faça essa experiência. E você verá como é maravilhoso ocupar o lugar de maior honra que pode haver para um cristão dentro de uma igreja cristã: o lugar onde se estende a mão para o triste, o caído, o abatido, o pecador, o desesperado, o deprimido. Paz a todos vocês que estão em Cristo, Mauricio

Problema de Relacionamentos é o maior motivo da demissão de Pastores. Conflitos pessoais sãos responsáveis pela quase totalidade dos casos

Por Vagner Vaelat 
Mais de um em cada quatro pastores (28%) dizem que foram forçados a sair de uma igreja após ataques pessoais e críticas de membros de suas congregações. Este e outros dados são parte da nova pesquisa apresentada por Marcus Tanner, da Texas Tech University. Os pastores pesquisados tiveram uma pontuação alta nos testes, indicando estresse pós-traumático, crises de ansiedade, problemas de depressão e de saúde física. Em reportagem do Huffington Post, a mesma pesquisa é analisada. Chamados de “matadores de sacerdotes”, esses grupos são quase onipresentes nas igrejas. “Todo mundo sabe que isso está acontecendo, mas ninguém quer falar sobre isso”, afirma Marcus Tanner em uma entrevista. “A grande maioria das denominações não está fazendo absolutamente nada”. Por outro lado, os pastores e líderes que saem das igrejas não recebem a ajuda de que necessitariam, completa Tanner. Paralelo a isso, estudo da Virginia Tech University sobre as congregações norte-americanas diz que 9% das igrejas registraram algum conflito grave nos últimos dois anos que resultou na saída de um pastor ou líder remunerado. Curiosamente, os principais motivos para a saída dos pastores não são questões morais ou doutrinárias, mas apenas conflitos pessoais. Ambos os estudos fazem parte de uma matéria publicada na revista Christianity Today deste mês. Os levantamentos realizados entre as igrejas e pastores indicam que esse tipo de situação independe da denominação. Todas têm problemas em um percentual parecido. Foram analisados dados oficiais de igrejas batistas, luteranas, de Cristo, metodistas, pentecostais, presbiterianas e não denominacionais. Ao todo, foram 582 pastores e líderes entrevistados, 410 homens e 172 mulheres, de 39 denominações, com idade entre 26 e 55. Os participantes foram questionados se alguma vez precisaram sair de um ministério “devido à negatividade constante, ataques pessoais e críticas de parte dos membros”. As pesquisas da Texas Tech e da Virginia Tech indicam que 55 dos ministros que foram forçados a sair da igreja que lideravam sofreram graves conseqüências psicológicas. “Este estudo mostra que a rescisão forçada é um problema sério e cruel, que tem efeitos angustiantes sobre aqueles que passam por isso… É importante que as organizações cristãs reconheçam o problema e tomem medidas para aumentar a conscientização e buscar soluções”, afirmam os pesquisadores Marcus Tanner, Anisa Zvonkovic e Jeffrey Wherry no artigo que publicaram na edição mais recente da Revista de Religião e Saúde. Enquanto isso, a edição brasileira da revista Christianity Today publicou este mês uma reportagem mostrando que mais de 1.5 mil pastores desistem do ministério todo mês. A reportagem da Christianity Today oferece algumas “dicas” ou “sinais” que um ministro pode estar correndo perigo de ser demitido: 1. Sermões muito curtos (menos de 20 minutos) Igrejas indicam que o comprimento do sermão e questões de homilética são a principal causa que gera algum tipo de reclamação/conflito que resulta na saída de um líder. Pastores com sermões mais longos têm menor chance de serem cobrados pelas igrejas nesse sentido. 2. Igreja com poucos homens Se 90 por cento ou mais dos membros e visitantes regulares são mulheres, as chances de alguma questão resultar na saída do pastor são de 20% dos casos. Segundo os dados da pesquisa, cerca de 7% das igrejas pesquisadas tinham esse perfil. 3. O pastor ou líder principal é mulher Igrejas lideradas por pastoras ou missionárias são quase duas vezes mais propensas a ter um conflito sério com a liderança. Congregações com liderança mista (homem e mulher) tiveram um número quase igual de conflitos com os fiéis. 4. O pastor é jovem Se o pastor da igreja tiver menos de 30, há uma chance de 29% que ele saia após dois anos de ministério local. A média dos pastores mais velhos é de três anos e meio. 5. Os membros são “crentes antigos” Se entre 75 e 89% da igreja for composta por pessoas com mais de 60 anos, as chances de o pastor ser mandado embora é três vezes maior que nas demais congregações. Não há adultos com menos de 35 anos, as chances são ainda maiores. 6. A maioria dos membros são da classe C Se de 56 a 74% dos membros a igreja podem ser considerados “classe C” ou D, a pesquisa mostra que 50% de igrejas com esse perfil perdem seus líderes por causa de conflitos. Mas quando 100% da igreja pertence à mesma classe social, as chances de conflitos diminuem 75%. Com informações Christianity Today e Huffington Post

sábado, 29 de setembro de 2012

As boas novas do evangelho num mundo de más notícias

 
Por Rev. Hernandes Dias Lopes

O mundo está empapuçado de más notícias. Tem um prazer mórbido de se alimentar com as informações dragadas do submundo do crime, da corrupção e da violência. Notícia boa não vende jornal nem desperta interesse. O homem corrompido refestela-se com os petiscos imundos do pecado. É nesse contexto de mazelas e decadência que Paulo escreve sua carta aos Romanos, para falar do evangelho. Destacamos, aqui, algumas lições:
 

Em primeiro lugar, qual é a natureza do evangelho. O evangelho trata das boas novas de salvação num mundo imerso na mais completa perdição. O homem morto em seus delitos e pecados é escravo da carne, do mundo e do diabo. É filho da ira e caminha para a perdição. Está no reino das trevas e sob a potestade de Satanás. Sem qualquer mérito existente nesse homem, Deus o amou. Mesmo sendo inimigo de Deus, o próprio Deus caminhou na sua direção para reconciliá-lo consigo mesmo por meio de Cristo Jesus. O Evangelho, portanto, é Deus buscando o perdido. É Deus abrindo para o pecador um novo e vivo caminho para o céu. O evangelho é a expressão da graça de Deus, manifestada em Cristo, aos pecadores perdidos.

Em segundo lugar, quais as atitudes que devemos ter em relação ao evangelho. O apóstolo Paulo assumiu três atitudes importantes em relação ao evangelho. "Eu sou devedor" (Rm 1.14). "Eu estou pronto a anunciá-lo" (Rm 1.15). "Eu não me envergonho" (Rm 1.16). Somos devedores porque Deus nos confiou esse tesouro e não podemos retê-lo apenas para nós. Precisamos ser mordomos fiéis na entrega fiel dessa mensagem salvadora. Devemos estar prontos a anunciar o evangelho em todo tempo, em todo lugar, a todas as pessoas, de todas as formas legítimas, usando todos os recursos disponíveis. Não podemos nos envergonhar dessa mais importante mensagem, a boa nova de que Deus nos amou e enviou seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna!


Em terceiro lugar, qual é a eficácia do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação. Porque Deus é onipotente, o evangelho também o é. Não há outra alternativa para o homem ser salvo a não ser pelo evangelho. Não há pecador tão arruinado moralmente e tão perdido espiritualmente que o evangelho não possa alcançá-lo. O evangelho não é um poder destruidor. É o poder de Deus para a salvação. É o poder que levanta o caído, que encontra o perdido e dá vida ao que está morto em seus pecados. O evangelho revela-nos que a salvação está em Cristo e somente nele. Nenhuma religião pode salvar o homem. Nenhum credo religioso pode reconciliar o homem com Deus. Nenhum sacrifício ou obra humana pode aliviar a consciência do pecador nem mesmo conduzi-lo à salvação.


Em quarto lugar, qual é a exigência do evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. O evangelho de Cristo oferece salvação a todos sem acepção, mas não a todos sem exceção. Há uma limitação imposta. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê e não para aqueles que permanecem incrédulos e impenitentes. A ideia de que no dia final todos serão salvos está absolutamente equivocada. A salvação universal, ou seja, para todos sem exceção é uma grande falácia. A ideia de que aqueles que rejeitaram o evangelho serão destruídos e deixarão de existir, também, não possui amparo nas Escrituras. A Palavra de Deus fala de bem-aventurança eterna e tormento eterno. O inferno não é a sepultura nem a cessação da existência. O inferno é um lugar um estado de penalidades eternas que está no final de toda vida sem Cristo.


Sabendo que o evangelho é a melhor notícia, vindo do céu, da parte do próprio Deus, acerca da salvação eterna em Cristo Jesus, oferecendo-nos redenção, remissão de pecados e vida eterna, precisamos tomar duas atitudes: Primeira, recebermos com gratidão, pela fé, essa gloriosa oferta. Segunda, comprometermo-nos a proclamar essa mensagem com senso de urgência, no poder do Espírito Santo.

O que a Teologia da Prosperidade, igreja virtual, culto show... tem em comum?

Por Josemar Bessa
 
Nossa geração deseja todas as coisas que os povos idólatras do passado desejavam, e quando a igreja deseja ser relevante para mentes assim, ela entra no mesmo jogo.
 
Pense na idolatria no passado. Ela tinha uma fórmula simples. Tudo que a maioria das pessoas buscam é uma maneira simples de resolver seus problemas, ser “feliz”... um atalho. A fórmula deles era crie um deus, esculpa um deus numa madeira, ou ouro, ou... e o deus irá entrar neste ícone que você criou. Assim você tem um deus no seu meio e um deus controlável. Você agora tem toda a atenção dele quando você quiser e para os seus próprios fins.

Agrade a esse deus, satisfaça as necessidades dele, e ele satisfará as suas. Você tem com ele um elemento de barganha. Eles precisam de comida e sacrifícios... você precisa de benções. Faça a sua obrigação e ele estará obrigado a fazer a dele. Esse era a ideia... não parece com a maior parte do “evangelho” pregado hoje?

Outra característica da idolatria é que ela é fácil. O deus não tinha interesses morais em você, era uma atividade religiosa vã. A questão era: faça o que quiser com a sua vida, contanto que você ofereça os sacrifícios exigidos. O resto é contigo. Como e bom ouvir um “evangelho” assim...

Por isso a idolatria sempre é conveniente. Deuses do mundo antigo eram fáceis de encontrar, um para cada necessidade, o acesso era em toda parte, você pode levar o amuleto para casa, enquanto se desloca...

A idolatria era normal. E como isso define para a maioria das pessoas o seu padrão – a maioria faz isso – quase todos prestam culto assim... Todo mundo faz isso. Cultuar assim não pode estar errado.

A idolatria é lógica para a mente natural. Nações são diferentes, pessoas são diferentes... suas necessidades e desejos são diferentes... Obviamente deve haver uma divindade diferente, ou que pelo menos se ajuste a todas essas diferenças. Dessa forma cada um pode encontrar algo que lhe seja confortável e satisfaça suas necessidades. Isso não é lógico? Quanto mais opções melhor, mais pessoas podem ser alcançadas.

A idolatria era e é agradável aos sentidos. Temos que ter algo que impressione vários sentidos das pessoas – audição, visão, tato... para ajudá-las ver o seu deus... objetos de contato, de fé... é muito difícil alguém ficar impressionado com algo que não pode ver, tocar, sentir...

A idolatria sempre é indulgente. Grande parte dos sacrifícios não exige de fato muito sacrifício do adorador, ele continua senhor de sua própria vida... e depois de tudo ele podia desfrutar do sacrifício... sobrava muito para o homem... bebida, comida... ou os benefícios que seriam recebidos... não havia perdas reais. Generosidade para com os deuses colocava você na festa deles...

A idolatria era sensual... Todo sistema era cheio de erotismo. Que assunto mais encanta essa geração? Como os sermões seriam, na mente de muitos, mais interessantes se estivessem cheios de erotismo... sensualidade... como podemos ter mais, como podemos ser mais plenos e realizados eroticamente... esse é o grande tema da nossa geração, dentro e fora da igreja. A idolatria naqueles dias era assim, sensual. Os rituais poderiam se transformar em orgias. Sexo na terra significava sexo no céu, e sexo no céu significava chuva na terra, colheitas e grandes rebanhos... ah! Os deuses da fertilidade...

Você pode perceber porque havia e há tanta atração na idolatria? Você pode ver porque Israel ao se misturar com os povos nunca esses povos se voltavam para Deus e sim Israel para a idolatria?

Você como esse tem sido o ponto nevrálgico da igreja no mundo? Você entende porque o mundo está na igreja e a “igreja” ao crescer o mundo não tem se tornado como a igreja mais o oposto tem acontecido? Você como a estratégia de ser cada vez mais parecido com o mundo em seus valores, temas... já é uma derrota disfarçada de estratégia?

Porque nossa geração, porque muitos que estão na igreja visível tem esse coração que diz: “Eu quero uma espiritualidade que me deixe senhor de mim mesmo, que me custe pouco, que seja fácil de ver, fácil de fazer, que tenha poucos limites éticos e doutrinários, que me garanta o sucesso, que me faça sentir bem, que não me ofenda, que não ofenda os que me rodeiam... pregue isso e eu ouvirei.”

A tragédia é que nós, nossa geração, grande parte das pessoas que enchem as igrejas... querem o mesmo que todos os povos idólatras mostrados na Bíblia queriam.

Podemos ir a todas essas coisas de uma maneira um pouco diferente, mas...

Queremos uma fé que nos leve as coisas desejadas e que garanta o sucesso em nossas vidas (Evangelho da prosperidade).

Queremos um discipulada que é sempre conveniente (Igreja virtual).

Queremos uma religião ritualística ( Cristianismo nominal ).

Queremos culto que satisfaça desejos não espirituais ( Culto ao entretenimento)...

Queremos seguir a Deus de uma maneira que faça sentido para o mundo, que nos faça sentir bem, e que seja fácil para qualquer homem natural entender.

Em toda a Bíblia, nos dois Testamentos, a idolatria sempre foi a maior tentação para o povo de Deus. Dê uma olhada honesta ao seu redor, para dentro do seu próprio coração – e diga a verdade, a idolatria ainda é a maior tentação para aqueles que se dizem povo de Deus. Ainda é, nunca minimize isso, pois esse foi um erro trágico no passado, e ainda é o erro trágico de nossos dias.

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém”.
1 João 5:21

Deus: 100% complexo, 100% simples

Por Maurício Zágari
Nossos dias são vinhetas da MTV: alucinados, corridos, confusos, barulhentos, nonsense. TV, internet, games, apps… a lista não acaba. Impossível não querer que isso nos afete. Afeta. E, quando vemos, fomos sequestrados pelo turbilhão da vida pós-moderna. Fomos cooptados. Sugados. É quase uma lobotomia consciente. Mas, de repente, por meios que você jamais imaginaria, Deus põe o dedo sobre os lábios e diz: “Shhhhhhh, acalma-te e cala”.  Quando vem esse tranco, cessa o acelerar do coração, estanca-se  a produção de adrenalina e, motivados pelas mais diversas razões, paramos. Chega. Hora de respirar. Retroceder. Voltar para a retaguarda. Se esconder da humanidade. Correr para longe da multidão de vozes e buscar o isolamento, deixando Deus refazer tudo. E, em meio a todo o ruído ensurdecedor do silêncio que se apresentou a mim quando vivi isso descobri algo encantador: a simplicidade.
De início é pura dor. Dói e dói muito. Mas, acredite, com o tempo você descobre que é um privilégio. Mesmo que seja pelas razões mais dolorosas: se você consegue viver o século 18 em pleno século 21, desfrute. Quem passa por isso experimenta uma época única e inédita na vida. Um período de introspecção, reflexão, oração; época de repensar, refazer, mudar, reconstruir. De buscar o silêncio e fugir do barulho. Em certos momentos, farfalhar de páginas e a voz dos meus pensamentos muitas vezes é o máximo a que me permito ou me foi permitido. Simplicidade.
Em nossos dias, algo raro de se conseguir e muito desvalorizado. Uns são empurrados a viver a simplicidade pelas circunstâncias. Outros, por perdas. Outros, ainda, pela depressão. Ou a descoberta de uma doença terminal. Há os que busquem a vida monástica. Ou a reclusão urbana. Seja qual for a razão ou o meio, conseguir trancar-se ou ser trancado numa bolha em meio ao corre-corre da existência nos leva a um lugar psicológico e espiritual que é puro silêncio.
Simplicidade traz paz. É comida sem requinte, bate-papos triviais, vento nos cabelos, rir de piada sem graça, a incerteza dos planos do Alto para nós e a certeza de que a vida é muito mais do que nos fizeram crer. É viver com pouco dinheiro, descobrir que um punhado de amigos que se preocupam vale mais do que multidões de amigos da boca pra fora, que Dorothy estava certa ao bater seus calcanhares. E, quando a simplicidade te alcança, ali você descobre Deus como nunca antes.
Deus é o ser mais complexo do mundo. Impossível compreendê-lo, desista. Como explicar alguém que não teve começo nem terá fim, que é um e três, que é amor e fogo consumidor, que vira homem sem deixar de ser glória? Não dá. Eu não consigo. Os que tentam acabam criando ídolos. Não, não consigo.  Mas tentei, por muito tempo tentei. Busquei nos livros. Busquei nas conferências. Busquei até os neurônios fritarem. E, sem querer, foi na simplicidade involuntária que percebi que o ser mais complexo do mundo é também o mais simples.  100% complexidade, 100% simplicidade.
A simplicidade de Deus está em muitas coisas. Está, por exemplo, em podermos chamá-lo de Pai. Há coisa mais simples do que deitar no colo de um pai e simplesmente desfrutar do afago nos cabelos? Consequentemente, também está na simplicidade do amor paterno. Saímos do chiqueiro, voltamos cabisbaixos para casa e lhe dizemos com o coração sincero que só queremos ser servos, absolutamente certos de que carregaremos para sempre a lama grudada em nossa alma. E Ele balança a cabeça ante nossa puerilidade e diz com carinho que não entendemos nada: o anel será posto em nosso dedo e o banquete estará na mesa.  É tão só isso que você fica paralisado, sem entender ou se ver digno de um amor tão simples, só deixando os lábios tremerem em silêncio enquanto as lágrimas descem por seu rosto. E você, perdoado, aprende a perdoar. Hoje entendo por que minha filha me beija e agarra meu pescoço após sair de um merecido castigo. Pois o amor de Deus é simples como o amor de uma criança. Quem complica somos nós, adultos bobos.
A simplicidade de Deus torna-se visível quando Ele não se apresenta como uma quimera de vinte tentáculos, dez olhos e fúria titânica, mas como o mais singelo dos animais: o manso Cordeiro. De balido baixo. Calmo. Pacífico. Não, não encontro mais Deus nos berros e barulhos, nos shows e nos gritos de êxtase. Tenho me encontrado com Ele nos momentos de penumbra, nos entardeceres na beira da praia,  nas manhãs de chuva em que - achamos – que não temos o que fazer, que o dia está monótono. Mas monotonia é simplicidade pedindo para ser explorada, é o Rei chamando para conversar. Pois Ele está conosco todos os dias, até a consumação do século, sejam dias de céu azul ou cinzentos. E saber isso basta. É simples. Não é complicado. Ele é e Ele está. Feliz é quem descobre isso a tempo.
É no silêncio da oração sussurrada, na felicidade da lágrima de agonia, na alegria dos joelhos que doem contra o chão duro, na paz da vida destruída… que você olha Deus nos olhos. Jó olhou e viu. Pois nada mais ele tinha. Em meio a sua desgraça, só restou a Jó o monturo e o caco de telha. Sua vida, embora devastada, tornou-se simples. E, em meio à simplicidade, Jó vislumbrou a essência do Redentor e disse a Ele aquilo que todo cristão deveria dizer:
“Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42.3-6)
Por muito tempo busquei Deus na complexidade e hoje vejo o quanto isso me afastou dele. Não desejo mais um Deus complexo, frio e distante. Agora que descobri a simplicidade do carpinteiro de Nazaré quero vivê-la em sua plenitude, pois foi nela que meus olhos o viram. Não quero perder nunca mais esse reflexo em minhas retinas. E que eu morra depois de viver uma vida da qual o meu Salvador possa se orgulhar -  amando a ele e ao próximo, sem devolver mal com mal, depositando meu tesouro no lugar certo e tratando das feridas de quem estiver caído à beira do caminho. É hora de viver essa simplicidade, para que a hora de morrer faça sentido. Simples assim.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que é a Cabala?

Por Joaquim de Andrade INTRODUÇÃO Durante séculos, o significado, a finalidade e o uso da cabala estiveram envoltos no mais profundo mistério. E só tinham acesso a ela os estudiosos que, muitas vezes, pagavam com a própria vida na fogueira o preço por tal conhecimento. Geralmente se entende por cabala a “sabedoria” oculta dos rabinos judeus da Idade Média; porém, é apenas uma de suas ramificações ou a maneira hebraica de interpretar à Bíblia. Segundo alguns autores, a origem desta ciência remonta aos antigos caldeus, donde a teriam derivado os judeus durante o seu cativeiro em Babilônia, adaptando-a a interpretação esotérica de suas escrituras e de algumas passagens bíblicas. Todavia, outros autores lhe atribuem uma origem muito mais antiga que a dos próprios caldeus. Além dessa Cabala teórica, criou-se um ramo prático relacionado com as letras hebraicas, como representações ao mesmo tempo de sons, números e idéias. Acrescida de algumas lendas maçônicas. ALGUMAS IDÉIAS DA CABALA Como fica claro a partir dos estudos anteriores, a cabala não é um sistema único com princípios básicos que podem ser explicados de uma maneira simples e linear, mas, ao contrário, consiste de uma multiplicidade de abordagens diferentes, amplamente separadas uma das outras e completamente contraditórias. No entanto, a partir da data da aparição do Sefer ba-Babir ( é a mais antiga obra de literatura cabalística, ou seja, o primeiro livro que adota a abordagem e a estrutura simbólica do ensinamento cabalístico) a Cabala possuiu uma linha comum de símbolos e idéias que os seguidores aceitaram como uma tradição mística, ainda que diferissem uns dos outros quanto a interpretação do significado exato destes símbolos, as implicações filosóficas inerentes a eles, e também aos contextos especulativos através dos quais tornou-se possível considerar essa estrutura comum como uma espécie de teologia mística do judaísmo. Mas mesmo dentro dessa estrutura, duas etapas devem ser diferenciadas: a.) a linha dos símbolos da Cabala primitiva até e inclusive o período Safed, i.e., a teoria das Sefirot como se cristalizou em Gerona, nas diversas partes do Zohar, e nos trabalhos de cabalistas até Cordovero. b.) a linha de símbolos criada pela Cabala luriânica, que dominou principalmente o pensamento cabalístico desde o século XVII até épocas recentes. O sistema luriânico vai além da doutrina das Sefirot, apesar de fazer um amplo e enfático uso de seus princípios, e se baseia no simbolismo dos partsufim. Além disso, duas tendências básicas podem ser discernidas no ensino da Cabala. Uma tem uma direção fortemente mística expressa em imagens e símbolos cuja proximidade interior ao reino do mito é freqüentemente muito marcante. O caráter da outra é especulativo, uma tentativa de dar aos símbolos um significado direcional mais ou menos definido. Em grande parte esta perspectiva apresenta a especulação cabalística como uma continuação da filosofia, uma espécie de camada adicional superposta a ela através de uma combinação dos poderes do pensamento racional e da meditação contemplativa. As exposições especulativas do ensino cabalístico dependem grandemente das idéias da filosofia neoplatônica e aristotélica como eram conhecidas na Idade Média, e se expressavam na terminologia costumeira destes campos. Daí que a cosmologia da Cabala é delas emprestada e de maneira nenhuma original, e é expressa na doutrina medieval comum dos intelectos e esferas separadas. Sua real originalidade repousa nos problemas que transcedem esta cosmologia. Como a filosofia judaica, a Cabala especulativa moveu-se entre duas grandes heranças, a Bíblia e o judaísmo talmúdico por um lado e a filosofia grega em suas diferentes formas por outro . O traço original e adicional, no entanto, foi o novo impulso religioso que procurou integrar-se a estas tradições e iluminá-las de dentro. PERGUNTAS E RESPOSTAS ACERCA DA CABALA 1 – O que notabilizou Abraão Abulafia? Além da doutrina Sephiroth, ele também propagou com êxito o misticismo da letra (Guematria, Notarikon e Temurah) assim como o tratamento cabalístico dos nomes de Deus, que ele considera ser o objetivo da ciência secreta. 2 – O que se entende por Guematria? Guematria (geometria) é a substituição de uma palavra significativa num versículo bíblico, etc., por uma outra cujas letras possuem o mesmo valor numerológico, ou por uma concepção com a qual a letra correspondente está relacionada. 3 – O que se entende por Notarikon? Notarikon (de notariacum, que significa abreviação) é o tratamento das letras de uma palavra como as primeiras letras de uma setença ou grupo de sentenças. Em outras palavras, o tratamento de uma palavra aparentemente importante como uma abreviação secreta. 4 – O que se entende por Themurah? A substituição das letras de uma palavra significativa, ou uma palavra que necessita de explicação de um modo tal que daí se origina uma nova palavra. Assim se originam novas palavras ou palavras-números que podem, além disso, ser tratadas de acordo com a Gematria. O misticismo da letra foi considerado a parte principal do cabalismo e o mesmo teve grande influência. UM CABALISTA MUITO IMPORTANTE Isaac Lúria (1534-1572), um ídolo para seus seguidores antigos e mais recentes, também chamado “o leão” (Ari, que significa Adonenu Rabbi Jizchak, o nosso Senhor Rabino Isaac) ou Riha-Kâdôch (Santo Isaac). Ele acreditava que podemos colaborar com a salvação do mundo através de uma poderosa atenção (“Kewanah”), intenção e pensamento (concentração) durante a prática de rituais religiosos; através da constante absorção pessoal do Zohar, pela recitação atenta de certas formulas cabalísticas; por orações relacionadas com entrega total a meditação; e também por piedosos exercícios de penitência, com o que se pode alcançar uma consciência sobrenatural, a alma e a perfeição, ensinou também a transmigração das almas. Ele não deixou nada escrito, declara que quando se concentrava seriamente em alguma coisa, as fontes de sabedoria sobrenatural ficavam ato poderosamente expostas para ele que perdia por completo a capacidade de escrever, e que até falar e lhe tornava difícil, a fim de comunicar algumas de suas revelações aos seus alunos. Veja Mt 8.8; Lc 8.29; At 16.16-19; At 8.9-11. Seus ensinos são conhecidos em virtude principalmente das anotações do seu melhor aluno, Chajjim Vidal (ben Josef Calabrese), que viveu de 1543 a1620, e registrou em seus próprios escritos, especialmente em Ez chajjim (Árvore da Vida), muito do que tinha assimilado durante seu breve aprendizado no último não de vida de Lúria (1571-1572). Gostaria de citar algumas experiências de Lúria. Dizia-se que ele visitava todas as noites a “academia celestial” e que aí recebia revelações da mais alta sabedoria; acreditava-se que sua alma era uma “centelha do espírito de Moisés” De fato, foi até afirmado que ele era o “Messias, o filho de José” significando que era o predecessor do verdadeiro Messias (o filho de David).Também lhe foram atribuídos muitos milagres. Diz Bloch: “É devido a Isaac Lúria e Chajjim Vidal o fato de representações místicas, fanáticas e supersticiosas, e rituais ascéticos e muito especiais terem influenciado a vida do judaísmo como um todo. segundo eles o Zohar era venerado de um modo que lembra a idolatria, e que uma vasta e prolífica literatura foi desenvolvida da mistura do Zohar, a Bíblia e o Talmude, resultando nas mais deformadas fantasias”. SURGE UMA SEITA DENTRO DA CABALA Com o pseudomessias Sabbathai Zewi, um cabalista de Esmirna, com quem quase todo o judaísmo concordou. Mesmo depois que se converteu ao islamismo em 1666, em Adrianópolis (com medo de ser morto pelo governo turco), o fanatismo por ele gerado não esmoreceu, mas, pelo contrário, foi propagado por toda a Europa através de entusiásticos missionários. Ainda era um poder espiritual no século XVIII. As influências sabbathairianas pegou o famoso e o mais arrogante talmudista e pregador Rabino Jonathan Eibeschtuz (1690-1764), justamente respeitado pela ciência moderna, foi suspeito de tendências deste movimento, mais e que por conseguinte atraiu sobre si a severa exploração de Jacó Emden. O movimento foi considerado herético pelo fato de ter remodelado os ensinamentos do Zohar a respeito da atividade dos três princípios, “Pai, mãe e filho, convertendo-os numa doutrina trinitária e messiânica que correspondia largamente a idéias cristas semelhantes, nas quais a Divindade era considerada um ser triádico; “o pai era encarnado no filho”(ou seja, Sabbathai), contendo o divino “Schechinah” (o Espírito Santo). Veja Mt 3.16,17; 28.19; Rm 8.9; 1 Co 12.3-6; 2 Co 13.14; 1 Pe 1.2; Jd 20.21 TEÓLOGOS CATÓLICOS E FILÓSOFOS SE APEGARAM A CABALA É interessante observa-mos que a Cabala alcançou até mesmo os chamados cristãos porque eles acreditavam ter encontrado na Cabala provas de que o judaísmo, apesar de sua resistência a religião cristã, era conduzido, de um modo perifrástico, pelo Espírito Santo, de acordo com o princípio básico do dogma cristão; de modo que, em particular por suas altamente elogiadas doutrina secretas, e a despeito delas, a verdade do cristianismo estava demonstrada. Os seguidores de Platão, sendo os filósofos naturalistas desse tempo, viram na Cabala um bem-vinda combinação do monismo teosófico-metafísico e naturalista; e acreditaram ter encontrado o caminho que leva a uma solução do mistério do mundo. DOUTRINAS DA CABALA Dentro da Cabala pelo menos tanto se pode falar de uma doutrina de imortalidade, reencarnação, transmigração da alma, fé, salvação, etc… ou de uma ética talmúdica, e assim por diante. A Cabala está numa posição relativamente forte desde que se descobriu que o Zohar é um ponto culminante e um foco das doutrinas cabalísticas vigentes, ao passo que o Pardes Rimmonium, ao mesmo tempo, sistematizou esse material de modo que doutrinas adicionais ou divergentes apenas tem que ser agregadas. Os ensinamentos da Cabala estão divididos em seções: 1. Metafísica da Cabala: as doutrinas do absoluto e suas emanações. 2. Antropologia da Cabala: psicologia e ética 3. Magia da Cabala: misticismo da letra e Cabala prática. PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE AS DOUTRINAS DA CABALA 1- Que é a Divindade? A doutrina de Deus dentro da Cabala e a seguinte: “O inteligível supremo, o ser puro, ou o absoluto. Dentro da pura concepção do supremo está contida a idéia implícita de que somente pode existir um ser. Esse ser puro deve, além disso, em contraste com o imaginável e perceptível, ser singular em todos os aspectos, nem complexo nem mutável. Em oposição as coisas perecíveis, o absoluto (ou a Divindade) é o infinito, ou seja, fora do tempo e do espaço; é incondicional, o que significa ano ser causado ou confinado por nada; salvo ele próprio, portanto, inconcebível. Tudo isso está compreendido na expressão En sôph (o infinito, o incondicionado, o absoluto). De acordo com a Cabala, o mundo material nada mais é senão uma ausência de ser puro – energia primeva debilitada. A doutrina cabalística da emanação é energética filosófica, dinâmica metafísica, em que a Divindade ou o absoluto é o ser puríssimo, assim como a energia suprema (actus purus) Como podemos observar um conceito um tanto panteista e hindu a respeito do Soberano do Universo. Veja Jo 8.44; 2 Cr 6.14; Is 42.8; Dt 4.39. 2 – Qual é o significado do “Reino das 10 Sephiroth (Malkuth)? Num sentido, essas Septiroth representam a fronteira, a porta de acesso ao mais próximo mundo inferior, Beriah. Também a palavra Altereth (grinalda), como as Sephiroth são freqüentemente chamadas, inclui a concepção de unir e ligar, assim como a indicação do lugar inferior de Sephirah em oposição ao mais alto (Kether, coroa). Assim como a grinalda enquanto toucado pertence ao domínio da coroa, mas assume uma posição inferior, também as 10 Septiroth pertencem as mais elevada emanações, mas são as mais baixas dentre elas. 3 – O que o mundo Beriah contém? As 10 formas ou conceitos primevos de criação. No platonismo e neoplatonismo, esses conceitos são representados como seres inteligentes espirituais. 4 – Qual a antropologia da Cabala Do mesmo modo que as Septiroth (a despeito de sua duplicação) ou o domínio Sephirah (apesar de sua triplicado) representam um organismo mundial autônomo, a alma, apesar de suas “partes”(assim chamadas), é um todo orgânico auto-suficiente. De acordo com os ensinamentos dos cabalistas, existe uma liberdade da alma, todas as almas tornam-se abençoadas, significando com isso que todas retornarão as regiões superiores onde se originaram. Uma doutrina semelhante é a do exegeta e teólogo Orígenes. 5 – Quando nasceu a alma? Como emanação do absoluto poderia ter existido eternamente e ter tido, por conseguinte, uma preexistência ideal, uma vez que, de acordo com a doutrina dos cabalistas, todas as almas foram criadas ao mesmo tempo. Portanto, por um lado, a alma é eterna, e por outro, teve um começo anterior a toda e qualquer existência física. Em conexão com os estudos talmúdicos sobre a preexistência, os cabalistas ensinam que ela estava no domínio Yetsirah, especificamente numa parte das esferas dos céus Araboth chamada Guph. 6 – De acordo com essa doutrina, todas as almas ingressaram na existência física terrena? Não, algumas almas ainda estão esperando. Veja 1 Co 15:46; Zc 12.1. Para os cabalistas elas serão parcialmente encontradas na primeira existência terrena, embora em sua maior parte passem por transmigrações através de diferentes e sucessivos períodos terrenos de existência. Algumas almas já se elevaram para uma vida superior. Há diferentes opiniões com respeito para onde vão as almas, a esse respeito. De acordo com as opiniões mais racionais dentro da Cabala, a meta final da alma perfeita é o desprendimento no absoluto, o “oceano da Divindade”. Ainda com relação a alma, para eles a alma no estado da pré-existência entra num estado consciente. Tem conhecimento de seus pensamentos, de modo que, também de acordo com Platão, toda a ciência terrena nada mais é senão uma recordação retrospectiva desse conhecimento presidencial. Elas ingressam com a finalidade de se aperfeiçoarem 7 – Mas não e ensinado que as almas pecaram na existência pré-existêncial, e, portanto, tinham que entrar nos corpos? Sim e não. A escola de Lúria, em particular, advoga que originalmente todas as almas estavam unidas na preexistência dos primeiros seres humanos, isto é, na idéia do homem, e pecaram, portanto, ao mesmo tempo que o primeiro homem. Assim ano ingressaram no mundo como uma punição direta, mas, sobretudo, para efeito de purificação depois de terem assumido a forma física ideal no domínio Beriah. Para que alma atinja a perfeição moral ela tem que ter vencido suas deficiência materiais e finalmente retornando, como vencedoras da luta contra a imperfeição. Isso só e conseguido pôr metempsicose, a doutrina da transmigração das almas. Veja Rm 4.5; Ef 2.8,9; 1 Jo 5.11,12 8 – Onde está essa origem? Não está inteiramente claro. Muitos cabalistas admitem uma existência pessoal continuada das almas purificadas no mundo de Yetsirah, Beriah ou das Sephiroth, de tal modo que as partes individuais da alma regressam a diferentes seções. Outros falam de uma confluência das almas, um refluxo de todas as emanações para o infinito, o absoluto, o Oceanos Divinitatis. Se esse curso é um outro processo de emanação, como ensinam os estóicos (e outros), ano é mencionado, uma vez que no sentido ético somente a emanação presente é considerada. 9 – Do que se trata a magia cabalística? Da evocação de poderes sobrenaturais por meio do santo nome de Deus e de diferentes formas desse nome (composição de letras, etc.) Nós sabemos que a Cabala trabalha tanto com a magia branca como a negra também conhece a evocação de poderes demoníacos, embora rejeite isso como feitiçaria. Veja Dt 18.10-12; Gn 41.24; Jr 14.14; Lv 19.26. 10 – Em que basear a crença de que milagres podem ser realizados com o nome de Deus? A Bíblia já menciona a realização de milagres “em nome de Deus”( e em hebraico be-schem – pelo nome),. Como o nome de algo deve expressar o seu caráter, o nome de Deus também é a expressão e revelação do seu ser. E como o ser da Divindade é poder absoluto (onipotência), o uso do seu nome deve ser uma apreensão do seu nome, uma absorção do seu poder (até onde for possível). As letras individuais, do nome de Deus também são partes do ser, a energia da Divindade. Por conseguinte, o conhecimento de diferentes combinações, de acordo com certas regras, fornece a capacidade de evocar um certo poder para um determinado propósito. 11 – Também são usados os nomes dos anjos? Sim, bem como outras fórmulas mágicas. Os anjos são considerados servos de Deus, isto é, escoadouros para o poder da Divindade, e as fórmulas mágicas são usadas “em nome” da Divindade. Isso está de acordo com o uso da fórmula original, o nome de Deus. Veja Gn 3.1-5; I Tm 4.1; 2 Co 4.4; 1 Jo 4.1. Alguns exemplos de metamorfose: Certa vez, um rabino encontrou em seu caminho uma feiticeira que tentou fazer-lhe uma bruxaria. Ele preferiu o Nome, convertendo a feiticeira num burro que alegremente levou ao mercado para vender. 12 – E exorcismo? Para o Cabalistas Salomão tinha o mundo inteiro de espíritos e ele sujeito pelo Schem (gravado em eu anel de sinete e corrente) até que o demônio Asmodi lhe roubou o anel e assim obteve poder para si próprio. O bandido Salomão ficou errando até o dia em que finalmente obteve o anel de volta ao encontrá-lo no estômago de um peixe, quando decretou o imediato banimento de Asmodi. Também é interessante a história de Lúria, do exorcismo de um espírito que possuía uma mulher. O espírito era a alma de um judeu afogado que ano tinha leito mortuário e ano fizera penitência. Depois de errar por longo tempo, fora-lhe permitido entrar numa mulher quando ela estava praguejando e essa mulher, epiléptica e histérica, sofreu terrivelmente. Lúria fala e age com o atormentador da infeliz do mesmo modo que um exorcista cristão; insulta-o e deixa que ele lhe conte a sua história. Com a ajuda do “Nome”, ele obriga finalmente o espírito a retirar-se para um dos dedos do pé da mulher, o que ele faz com a usual violência. O eminente rabino Low, de Praga (Judá ben Bezalêl), que faleceu em 1600) teria feito aparecer os patriarcas e filhos de Jacó diante de Rudolfo II, por meio do poder do Schêm. 13 – Que línguas podem ser entendidas com a ajuda do Schêm? Ele ensinam que aquele que deseja realizar algum ato mágico deve possuir total pureza física, e o correto agrupamento de símbolos, assim como sua correta pronunciação (um segredo somente conhecido de muito poucos), são essenciais. Aquele que diz a fórmula num estado de impureza morrerá ou, pelo menos, arriscará sua vida, porquanto se tornará também impuro durante o ato milagroso. O Schêm só pode ser empregado por homens. Além de Lilith, uma jovem chamada Ichtahar usou o Schêm para encontrar refúgio no céu quando o anjo Schamchasu quis prostituí-la. Esse, porém, é um caso individual, provavelmente originário da mitologia babilônica. 14 – Para que fins são usados os amuletos? Para inspirar amor e matar inimigos, mas são especialmente usados para proteção contra demônios e toda a espécie de calamidades. Eles contem vários nomes de Deus e dos anjos, assim como fórmulas com bênçãos ou maldições, e combinações obscuras e quase incompreensíveis de letras. O Talmude fornece um profilático contra doenças dos olhos (no tratado Pesachim 120A), a fórmula “Schebririn”, a qual é escrita de tal maneira que as letras da palavra decrescendo uniformemente fazem o mesmo com a doença. Mais famosa é a fórmula “Abracadabra” que passeia por tudo quanto é livro de magia e foi elogiada como um meio contra a febre pelo romão Serenus Sammonicus.. 15 – O que significa “Abracadabra” Abbara Kedabra significa “some depressa como estas palavras”; recita-se para aquele que está doente. Todas as outras explicações são, em sua maioria, muito improváveis (por exemplo, Ab, ruach, dabar, significando pai, espírito, “palavra” ou filho), ou ainda mais forçadas do que essa (por exemplo, o Abed Kadabar do dr. Fischer, significando “faça o determinado”, uma fórmula de receita para a qual, entretanto, as letras precisam ser mudadas). 16 – O que contem os outros amuletos? Combinações cifradas secretas, cujas palavras tem, por vezes, uma relação peculiar e parcialmente misteriosa com as doutrinas das Sephiroth e outras, um exemplo disto é o quadro de Sete. 17 – Qual a diferença no resultado entre os amuletos e o Schêm falados? A ação do amuleto é, de um modo geral, constante e duradoura; a pronunciação “Nome” é de breve duração, porém mais poderosa. Além disso, a ação de amuletos é principalmente negativa e impeditiva, ao passo que a fórmula falada é sobretudo produtiva, criativa e evocadora. 18 – Como é provado que o Cabalismo estava familiarizado com poder de sugestão? São inúmeros os textos cabalistas que descrevem extensamente os meios para auto-hipnose, pelo uso de apropriadas e sugestivas representações, etc. Para contemplar os segredos da divindade, o cabalista que desejar isto, deve jejuar em determinados dias, colocar a cabeça entre os joelhos enquanto está assentado, e quando deitado, deve recitar vários hinos e fórmulas que são descritas. Essas fórmulas meio cantadas, meio recitadas, com seus ritmos flutuantes, margens pálidas e pensamentos vagos são indicados para influenciar outros. E, finalmente os cabalistas ano ignoram sugestivo efeito hipnótico de olhar um objeto brilhante, de escutar uma água caindo lentamente. 19 – Que mais pertence a magia cabalista? Astrologia, Fisionomia (a arte de julgar o caráter pelos traços do rosto), Quiromancia (a arte de advinhar pela leitura das linhas das mãos). A descoberta magica de tesouros fontes de objetos, ladroes e etc., assim como a interpretação de sonhos, que pertencem a magia inferior só vieram acontecer em épocas subsequente, tem maiores afinidades com as crendices populares e muito pouco a ver com que eles chamam de verdadeiro cabalismo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Você está "cansando" Deus?

Por Josemar Bessa
"Vocês têm cansado o Senhor com as suas palavras. Como o temos cansado? Vocês ainda perguntam.” - Malaquias 2:17 

O povo de Deus tem um longa história de murmurações e reclamações dirigidas a Deus. Desde de o Éden de alguma forma o homem tenta responsabilizar Deus por aquilo que ele acha não estar acontecendo segundo seus desejos, ou para justificar seus erros. As coisas não eram diferentes nos dias do profeta Malaquias. Entre outros argumentos levantados em suas murmurações eles diziam: 1) O Senhor está tratando os maus como os bons. 2) Tu estás sentado no “céu” não fazendo nada a respeito dos problemas evidentes. Tu devias vir e julgar os ímpios. Eles desejavam o Deus que lançou as 10 pragas no Egito, que fez fogo descer sobre o monte Carmelo e trouxesse julgamento aos seus inimigos. Não havia neles NENHUM zelo pela glória de Deus. Eles só queriam que seus problemas fossem embora, então eles resmungaram, murmuraram... É fácil estar descontente também. Vivemos vidas ocupadas, aborrecida muitas vezes, achamos não ter o dinheiro suficiente, saúde suficiente, não somos reconhecidos o suficiente, a igreja local não tem sido boa para mim o suficiente... “estou muito magro, estou muito gordo, estou com baixa auto-estima, sou muito baixo, sou muito alto, queria estar casado, queria estar solteiro, queria outro carro, queria outro emprego, queria outro chefe, queria ter filhos, os filhos vieram na hora errada...” – e por aí vai, choramingando como crianças de 3 ou 4 anos de idade. Mas Deus chama o seu povo a paciência, longanimidade... e que confiem nEle. Quando realmente cremos que Deus está trabalhando todas as coisas de acordo com a sua boa vontade e para nosso bem final, estamos livres para viver como Paulo diz em Filipenses 2.14: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.” Mas como eles insistiram, Deus disse “Eu virei a vocês trazendo juízo.” - Malaquias 3:5 Eles estavam acusando Deus de omissão, de fazer vista grossa para o pecado ( dos outros, é claro, e não o deles). Eles queriam que Ele derrubasse os maus como nos bons e velhos tempos. Que surpresa, como sempre o homem fica, eles ficaram quando o Senhor atendeu o seu pedido e prometeu vir para perto deles para exercer julgamento. Os Israelitas, como é comum, tinham o “dom” de saber exatamente o que estava errado como o mundo inteiro, com todas as outras pessoas. Esse era o problema, as outras pessoas... como hoje é tão comum – o problema é a igreja, são os outros... Eles nunca pensaram que pedir a Deus para consertar as coisas, que acusá-lo de omissão, poderia implicar em Deus corrigi-los. Ter o “dom” de ver o problema no mundo inteiro nos cega para um Deus que irá nos confrontar naquilo que nos recusamos a ver em nós mesmos. Qualquer oração nesta base não passa de ser uma voz que “cansa” Deus. Felizmente, o Senhor não veio apenas para julgamento, Ele veio sobre eles para refiná-los. Ele veio para fazer deles um povo que realmente estivesse firme em sua Aliança, Deus veio martelar a espada sobre a bigorna para que o mundo pudesse ver neles um reflexo do Deus santo que Ele é. A verdadeira piedade flui através de um fogo refinador da parte de Deus para nós. Se queremos santidade, se queremos a comunhão da presença de Deus, se devemos ser fiéis... isso certamente significará dificuldades e repreensão... mas se tudo o que fazemos é exercer o “dom” de ver o problema no mundo, na igreja, nos outros... “cansamos” Deus e nos enganamos chamando isso oração. Você terá que olhar o trabalho de Deus em você, e ao invés de “cansa-lo” com murmurações, terá que dizer como Davi: “Foi bom para mim ser afligido, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119.71).

É proibido sofrer!

Por Pablo Massolar
"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente. A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito. 



Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que seja vencedor segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando o jogo com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado. Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós. Perder ou ganhar, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida. Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados. Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo para ganhar a Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiro vencedor é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus. O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente. Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jo 1.21). O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória. O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Por que o céu é melhor?

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O céu é um lugar preparado para pessoas preparadas. O céu é um lugar de bem aventurança eterna e um estado de felicidade eterna. O céu é a casa do Pai, o paraíso, o seio de Abraão, a Nova Jerusalém. O céu é o lugar onde está o trono de Deus e onde os salvos reinarão com Cristo pelos séculos sem fim. Destacaremos, agora, algumas razões pelas quais podemos afirmar categoricamente que o céu é melhor. Em primeiro lugar, o céu é melhor porque lá não entrará pecado. O pecado que entrou no mundo trazendo a morte não entrará no céu. Nada contaminado entrará na Cidade Santa. No céu não haverá tristeza nem dor; não haverá choro nem pranto; não haverá doença nem luto. O pecado que tenazmente nos assedia agora, não desfilará mais no paraíso. Se fomos libertos da condenação do pecado na justificação e se estamos sendo libertos do poder do pecado na santificação, seremos libertos da presença do pecado na glorificação. O corpo de glória que receberemos, não estará mais poluído pelo pecado nem sujeito a ele. Em segundo lugar, o céu é melhor porque lá não haverá mais despedida. A vida neste mundo é marcada por encontros e desencontros, alegrias e tristezas. Aqui celebramos o nascimento e choramos pela morte. Aqui, vemos nossos amigos e familiares sendo ceifados, deixando em nosso coração uma dor avassaladora. Aqui, choramos à beira da sepultura. Aqui, temos o coração rasgado pela saudade. Porém, no céu, não haverá mais despedida; não haverá mais adeus. Estaremos sempre juntos, sem rusgas nem mágoas, sem conflitos nem separações. Nossa comunhão será perfeita. Seremos uma só família, um só rebanho, uma só igreja. Em terceiro lugar, o céu é melhor porque lá Deus vai enxugar dos nossos olhos toda lágrima. A vida aqui é marcada pela dor. O pecado trouxe sofrimento ao mundo. Choramos a dor das perdas, a dor da enfermidade e a dor do luto. Aqui, a mulher dá à luz com dores e o homem granjeia seu pão com o suor do rosto. Aqui, a terra produz espinhos que acicatam nossos pés. Aqui, choramos pelas nossas fraquezas e pelos nossos pecados. Choramos porque os homens escarnecem de Deus e zombam de sua lei. Choramos porque o mundo jaz no maligno. Porém, no céu, Deus vai enxugar dos nossos olhos toda a lágrima. O dor que nos assola o peito vai ser banida para sempre. O céu é lugar de gozo e paz, alegria e celebração. Em quarto lugar, o céu é melhor porque lá veremos a Jesus face a face. No céu entraremos para a festa das bodas do Cordeiro. Essa festa será no melhor lugar, com as melhores companhias, com a melhor música, com as melhores roupas e com a melhores iguarias. Essa festa nunca vai acabar. Exaltaremos pelos séculos dos séculos aquele que nos remiu com seu sangue. Proclamaremos para sempre sua graça. Ergueremos nossa voz para dizer que nosso Deus é digno de receber a honra, a glória e o poder. Lá veremos a Jesus em toda a sua glória e fulgor. Contemplaremos sua face. Prostrar-nos-emos aos seus pés e depositaremos diante dele as nossas coroas! Em quinto lugar, o céu é melhor porque lá serviremos a Deus com perfeição. O céu não será lugar de ócio. O céu será dinâmico e vibrante. Os servos de Deus o servirão. O céu será lugar de trabalho e realização. Aqui, nosso trabalho para Deus é imperfeito e incompleto. Aqui, nossas obras são maculadas pelo pecado e nossas justiças não passam de trapos. Porém, no céu nossas obras serão deleitosas ao Senhor. Nosso serviço será completo, perfeito e digno daquele nos amou e enviou-nos seu Filho para nos libertar do império das trevas e nos levar para o seu reino de luz. Diante do exposto, faço-lhe uma pergunta importante e urgente: Você já é um cidadão do céu? Está caminhando para o céu? Anseia pelo céu? Lembre-se: Jesus é a porta do céu e o caminho para o céu. Renda-se a ele, agora. Arrependa-se de seus pecados e creia no Filho de Deus. Então, venha e faça parte conosco dessa bendita família que vai morar no céu.