segunda-feira, 7 de maio de 2012

FESTIVAL DE LOUVOR


Os erros dos clichês cristãos pós-modernos

Por Maurício Zágzri
Vivemos a era das frases curtas. De repente a nossa fé pulou no imaginário de uma enorme parcela da Igreja brasileira da Bíblia e dos livros para adesivos de automóvel, 140 caracteres do twitter, fotos com frasezinhas do Facebook, slideshows no YouTube, blogs com três ou quatro parágrafos. Preguiçosos que somos, passamos a ser governados por teologia fast food em vez de por leituras com introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo de algum tempo, fiz uma coletânea de clichês gospel que ouço pelos arraiais evangélicos (das igrejas organizadas aos desigrejados) para que possamos comentar cada um. Leia e veja se você já não ouviu essas frases serem repetidas montes de vezes - sem que aqueles que as falam tenham gasto cinco minutos refletindo sobre seu significado. Vamos analisá-los biblicamente e historicamente: - "Eu declaro/decreto a bênção" - Bênçãos são benefícios vindos unilateralmente de Deus e por decisão soberana dEle. Ninguém pode declarar ou decretar uma bênção, pois está fazendo aquilo que só o Senhor pode fazer. Quem o faz toma o lugar de Deus e, portanto, pratica idolatria. Sem falar que essa afirmação, fruto da chamada "Confissão Positiva", tem raízes em religiões demoníacas de Nova Era (saiba mais sobre isso no post Demonologia da Prosperidade). - "Eu tomo posse da bênção" - "tomar posse" significa literalmente se apossar de algo que não é seu. Quem "toma posse" é um posseiro, ou seja, alguém que invadiu um local que não lhe pertence e impõe pela força e presença o domínio sobre o que é dos outros. Como vimos acima, bênção é um benefício outorgado por Deus, por sua soberania. Quem quer "tomar posse" de uma bênção está dizendo, em outras palavras, que vai arrancar do Senhor na marra aquilo que quer para si e que só receberia se fosse concedido pelo Todo-Poderoso. Logo, essa frase, (cunhada com base no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrou na Terra Prometida e teve de "tomar posse" dela na base da briga, visto que era habitada por outros povos) é uma afronta à vontade soberana de Deus, que concede bênçãos a cada um conforme lhe apraz e não porque as tomamos dele à força. - "Tá amarrado" - parte do princípio de que podemos atar demônios com amarras espirituais. Não existe tal expressão na Bíblia e o que as Escrituras nos ensinam a fazer com os demônios é expulsá-los imediatamente quando se manifestam, e não amarrá-los. Não vemos nenhum exemplo bíblico de Jesus ou os apóstolos "amarrando" demônios. O padrão bíblico é: "Cala-te e sai". Jesus não perdia tempo dialogando com demônios, apenas os mandava ficar quietos e então os expulsava. O único episódio de possessão em que Jesus vai além do "cala-te e sai" é o do gadareno. E, mesmo assim, a ordem de Cristo não é amarrar ninguém, mas sair na hora da pobre alma atormentada. - "Temos que voltar ao modelo da Igreja primitiva" - se fizermos isso, estamos lascados. A Igreja primitiva, ao contrário do que existe no imaginário popular cristão, estava a anos-luz da perfeição. Em Atos lemos casos como os de Ananias e Safira, discordâncias com os judaizantes, brigas internas entre crentes como Paulo e Pedro, duplas missionárias sendo divididas por discordâncias. A esmagadora maioria das epístolas do NT foi escrita para consertar as montanhas de erros que os primeiros cristãos cometiam. Na Ceia do Senhor muitos iam só para matar a fome e os que levavam mais não dividiam com quem não tinha posses. Se lemos as sete cartas às igrejas de Apocalipse vemos como a maioria estava distante da vontade de Deus. Nos 313 anos em que houve perseguição do Império Romano aos cristãos, surgiu o fenômeno dos "lapsi", aqueles que, ao contrário dos mártires, negavam Jesus perante as autoridades para salvar suas vidas - e não foram poucos os que fizeram isso. Nas catacumbas, que eram essencialmente cemitérios subterrâneos, os cristãos mais ricos tinham direito a sepulturas mais luxuosas que os pobres e, muitas vezes, ganhavam câmaras inteiras exclusvas para suas famílias. Havia muitos privilégios concedidos aos abastados na Igreja primitiva. Além disso, a Igreja primitiva foi assolada por montes e montes de heresias que surgiram em seu seio, como gnosticismo, sabelianismo, modalismo, monofisismo, eutiquianismo, pelagianismo, marcionismo, ebionismo e outros "ismos" que denunciam como ela era dividida, como havia desacordos, divergências de visão e rachas. Tudo isso mostra que retomar o modelo da Igreja primitiva não é viver um Evangelho puro e simples, como muitos pensam, é voltar a uma época cheia de enormes poluições, divisões, pecados e problemas no seio do Corpo de Cristo. Igualzinho aos nossos dias. - "Os primeiros cristãos se reuniam em lares e não em templos, por isso devemos voltar a esse modelo" - os primeiros cristãos, aqueles cheios de imperfeições que vimos acima, só se reuniam em lares por uma única razão: como por 313 anos o cristianismo foi considerada uma religião criminosa pelo Império Romano, qualquer um que se confessasse cristão tinha seus bens tomados, era preso, torturado e morto. Por isso, o culto a Jesus tinha de ser feito de modo escondido. O único lugar onde havia um mínimo de privacidade eram os lares dos cristãos, que podiam simular uma visita social e ali realizavam suas liturgias. Mas, com o Edito de Milão, no ano 313, decreto que liberou a religião cristã, imediatamente os que se ocultavam, ávidos por comungar com mais irmãos, começaram a erguer templos onde pudessem se ajuntar e reverenciar o Senhor coletivamente. Em pouco tempo, graças à liberdade religiosa, o culto em lares tinha sido extinto. Para fazer um paralelo com nossos dias, é só ver o caso da China, por exemplo, onde não se pode cultuar Jesus publicamente e por isso lá existe a chamada "igreja subterrânea", ou seja, os irmãos são obrigados a se reunir em pequenos grupos, nos porões de suas casas, para cultuar Jesus em oculto. Se você perguntar a um membro desses grupos em lares se eles preferem esse tipo de modelo ou se gostariam de ter templos onde se reunir em maior quantidade e celebrar a liturgia da adoração com muito mais irmãos (como eu já fiz, em entrevistas com membros da Igreja subterrânea chinesa para reportagens que escrevi), verá que TODOS eles dão preferência ao ajuntamento em santuários, onde poderiam comungar em maior número, num local dedicado e visível, que servisse de referência para os não cristãos em sofrimentos saberem que ali podem encontrar ajuda. Uma reunião num lar dificilmente será encontrada por quem está vivendo aflições que só Deus pode aliviar, o que não ocorre se você tem um templo bem visível. - "Jesus não criou uma religião" - a palavra "religião" vem do latim "religare" e significa "ligar duas partes separadas". Portanto, em sua essência, religião cristã é o contato entre Cristo e o homem, é o "religare" entre o Pai e o filho. Religião, assim, é relacionamento, é intimidade. Logo, quando ora você pratica religião. Quando lê a Bíblia você pratica religião. Etimologicamente, qualquer pessoa que se liga a Deus é um religioso sim senhor, pois pratica o "religare". Portanto, ao ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus nos estava ensinando a ser religiosos, no sentido de sabermos nos comunicar bem com o Pai. Quando ouvimos "pedis e nada recebeis pois pedis mal", o que está sendo dito é "você está praticando mal a sua religião". É claro que, como muitas palavras da língua portuguesa (como "manga", que pode ser a fruta ou uma parte de uma blusa), o termo "religião" pode ter o significado de "prática organizada de uma fé", basta ver no dicionário. É a "famigerada" instituição. Em geral é nessa acepção que a frase em questão é dita. Nesse sentido, quando Jesus diz a Pedro que sobre Ele (a Pedra) seria erguida Sua Igreja, o Mestre está estabecendo-se como o alicerce, o fundamento da fé que se seguiria pelos milênios a seguir. Só que Ele em nenhuma passagem da Bíblia especifica como o homem deveria manter o Corpo sobre esse fundamento. Isso é uma decisão que Jesus deixou a cargo do homem. Fato é que se Jesus nunca instituiu uma organização religiosa que o tivesse como alicerce, também nunca proibiu. Repare que o que Jesus critica, por exemplo, nos maus fariseus em momento algum é sua organização ou o fato de cultuarem Deus de modo institucional, sua crítica a eles era uma questão do indivíduo, do coração, e não da instituição: a hipocrisia, a falsa aparência de piedade, a religiosidade aparente sem um "religare" autêntico, sempre questões de foro pessoal e nunca institucional. - "Jesus nunca construiu templos, por isso devemos nos reunir em lares" - se Jesus nunca construiu templos, também nuca construiu casas. Por esse argumento, se não devemos adorá-lo em templos institucionais também não poderíamos adorá-lo em lares. Dá na mesma. A resposta e a solução para essa pendenga de se podemos ou não cultuar Jesus em templos está em duas passagens bíblicas. Em João 4.19ss, lemos o diálogo entre o Mestre e a samaritana: "Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Eis a primeira resposta: seja no templo, num lar, no monte ou em Jerusalém, importa adorar em espírito e em verdade. Se é o que a pessoa faz, não se pode condenar o local só porque Jesus nunca construiu um edifício. Temos que lembrar que os discípulos adoraram muitas vezes o Senhor na cadeia. E Jesus também nunca construiu uma cadeia. Outra passagem reveladora que contradiz essa frase incoerente está nas palavras de Jesus relatadas em Mateus 18.20: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles". Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo de uma igreja institucional Ele ali não estará? Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo do tipo que Jesus nunca ergueu Ele não se fará presente? A resposta é óbvia. Então o fato de Jesus nunca ter construído um templo, uma igreja ou uma catedral é absolutamente irrelevante, desde que haja ali dois ou três reunidos em Seu nome e o adorando em espírito e em verdade. Quem perde tempo combatendo isso e advogando furiosamente a reunião em lares só está perdendo tempo. - "Não cai uma folha da árvore se Deus não deixar" - embora faça sentido biblicamente, visto que Deus é soberano e controla tudo o que ocorre no universo, sejam fatos bons ou tragédias, essa frase não está em nenhum lugar da Bíblia. - "Sou cristão, não evangélico" - essa frase é fruto da vergonha de ser designado pela mesma nomenclatura de igrejas e pastores que têm enlameado o bom nome da Igreja evangélica. Então, para evitar ser associados por amigos e parentes a esses grupos, muitos têm optado por se dizer apenas "cristãos" e repudiam enfaticamente o nome "evangélico". Mais do que deixar de ser evangélicos, se tornam antievangélicos. Isso é nonsense, pelo simples fato que não resolve nada. Os que enlameiam nosso nome também se dizem "cristãos". Pela mesma lógica, deveríamos abandonar esse termo também? A resposta é óbvia. Etimologicamente, "evangélico" é o que segue o Evangelho de Jesus. Historicamente, "evangélico" é o que segue o Evangelho conforme resgatado pela Reforma Protestante. Logo, se você é cristão, professa o Evangelho de Cristo e coaduna com os cinco "solas" da Reforma... você é evangélico, queira ou não. É uma nomenclatura de 500 anos que define quem tem essas características. Renegar isso é dizer que você não é o que você é. Portanto, em vez de dizer "não sou o que sou, sou só cristão" por vergonha de ser associado a igrejas e pastores dos quais se envergonha, o ideal é deixar claro para os de fora que nós somos sim evangélicos, enquanto os que praticam atrocidades em nome da fé é que não são. Se alguém faz piadinha pelo fato de você ser evangélico, em vez de mudar sua nomenclatura aproveite a oportunidade e explique para o piadista a razão de você portar esse honroso nome, fale que evangélico significa "aquele que segue o Evangelho de Cristo conforme resgatado pelos reformadores", explique por que os falsos cristãos não são evangélicos e aproveite para explicar o que são as boas-novas da salvação do genuíno Evangelho de Cristo. Assim, ser humilhado por ser evangélico é uma excelente oportunidade não de mudar por vergonha o que te define, mas sim de explicar aos não cristãos o que é o Evangelho da salvação. De e-van-ge-li-zar. A escolha é sua. - "Deus é amor e por isso não controla as tragédias nem desastres naturais, como os tsunamis" - essa heresia teológica vem sendo pregada por um pequeno grupo que segue a linha do Teísmo Aberto americano, uma linha de pensamento que no Brasil foi chamada por um pastor evangélico que não se diz evangélico de Teologia Relacional. Ele e mais um punhado de pastores e acadêmicos celebrados nas mídias sociais (além de um grupinho de pessoas que tentam pegar carona em suas celebridades para se promover) começaram a propagar essas ideias pelas redes sociais, dizendo que Deus abriu mão de sua soberania e não controla as tragédias que ocorrem no mundo. Segundo essa heresia, Deus só está preocupado em relacionamentos e o conceito de Jeová controlando as forças da natureza seria fruto da incorporação de valores da filosofia e da religião grega no Cristianismo. Esquecem que Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão, que Jesus acalmou a tempestade, que o Sol "parou" e retrocedeu, que houve um terremoto no momento em que Jesus entregou o seu Espirito... para essa heresia tudo isso são metáforas, o que associa esse pensamento à diabólica Teologia Liberal de Bultmann e outros teólogos - segundo a qual a Bíblia não é literal e muitos de seus relatos são apenas fábulas. Ao propagar essa afirmação, os adeptos da Teologia Relacional destituem Deus daquilo que é indissociável de Sua essência: Seu poder absoluto sobre todas as coisas e Sua soberania sobre tudo o que ocorre no universo. É, portanto, uma afirmação antibíblica e anticristã. - "Padussinhô" - cumprimento que originalmente tinha um significado muito bonito e bíblico: "A paz do Senhor". O problema é que a expressão de popularizou de tal forma que as pessoas nem pensam mais no significado do termo. Passam umas pelas outras no corredor da igreja e soltam um "Padussinhô" sem nem se tocar do profundo significado da expressão. Da próxima vez que você for saudar alguém com essas palavras, concentre-se em seu belo significado: que você está desejando a aquele irmão a paz que excede todo o entendimento vinda do Príncipe da Paz, que saudava seus amigos desejando exatamente a mesma coisa. Lembra das palavras do Mestre ao chegar, ressurreto, entre os discípulos, por exemplo, em Lucas 24? "Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!". Não deixemos uma saudação tão significativa perder seu sentido: ao a falarmos, que de fato estejamos desejando paz a aquela pessoa. Só um porém: você já parou para pensar o que exatamente significa "paz"? Significa "Quietação de ânimo, sossego, tranquilidade, ausência de dissensões, boa harmonia, concórdia, reconciliação". Vale a pena investir um tempo meditando sobre cada um desses valores que dedicamos aos irmãos. - "Temos que contextualizar o Evangelho à cultura de cada época e sociedade" - a afirmação em si é correta, isso é exatamente o que temos de fazer. Não adianta pregarmos o Evangelho no século 21 de túnica e sandália de couro. O problema é que alguns setores da Igreja têm levado essa ideia correta além no limite de segurança. Têm conduzido esse conceito ad absurdum. Com isso, tentam com tanta força e ímpeto falar a linguagem de nossos tempos para atrair o mundo que acabam muitas vezes sendo mais mundo que Igreja. É o que ocorre, principalmente, entre a chamada Igreja emergente: os próprios pastores acabam cometendo excessos e absurdos como pregar falando palavrões de púlpito e recomendar a ida a seus membros a shows de artistas com letras anticristãs e estéticas agressivas, como Ozzy Osbourne e Titãs (grupo que tem canções altamente antibíblicas, como "Igreja", "Homem Primata" e "Epitáfio"). É preciso muita cautela. Pois nunca podemos esquecer que o Evangelho é, sempre foi e sempre será escândalo para os que não creem e que é contracultura. Isso em qualquer época e em qualquer cultura. - "Fala, Deus" - geralmente é dito quando um pregador diz algo que o irmão ou a irmã acham que deveria ser ouvido por alguém da igreja ou por toda a congregação. É uma espécie de "toma, desgraçado, que Deus tá dizendo aquilo que eu penso que você deveria ouvir". Na maioria das vezes não é dito com amor no coração e, por isso, é algo reprovável. A não ser que a exortação seja para si mesmo. Aí... fala, Deus! - "Eis que eu te digo..." - nos arraiais pentecostais significa que está começando uma profecia da parte de Deus. Nada contra. Sou pentecostal e creio na atualidade dos dons. O problema é que ser "profeta" dá status entre os irmãos, como se a pessoa que profetiza fosse merecedora de um amor especial da parte de Deus. Por isso, não são poucas as pessoas que simulam profecias e, com isso, cometem o gravíssimo pecado de pôr nos lábios do Senhor o que Ele não falou. Sem falar do estrago causado junto à pessoa a quem a falsa profecia foi dirigida, que vai acreditar que Deus lhe deu algum direcionamento que na verdade não deu. Assim, antes de dizer "eis que eu te digo"... trema! - "Em nome de Jesus" - a expressão é bíblica e o Mestre nos autorizou a usá-la. A questão é que muitos a estão usando com significados que não deveriam ter, como se fosse um "abracadabra". Como disse Walter McAlister no livro "O Fim de uma Era", tem sido usada com o sentido de "tem que dar certo". "Eu vou conseguir esse emprego em nome de Jesus". "Você vai namorar fulano, em nome de Jesus". "O liquidificador vai funcionar agora, em nome de Jesus". Na verdade, qual é o significado bíblico dessa expressão? Quando alguém permite que outra pessoa faça algo em seu nome, está lhe concedendo a autoridade pessoal que detém. Por exemplo, se um soldado raso chega a um capitão e lhe diz para preparar um automóvel o capitão não lhe obedecerá, pois o soldado não tem autoridade de solicitar isso a um superior. Mas se um general diz a um soldado raso: "Vá até o capitão em meu nome e lhe diga para preparar um automóvel", aquele soldado acabou de receber a autoridade que o general tem sobre o capitão para aquela tarefa especifica. Então ele pode chegar ao capitão e dizer: "Estou vindo em nome do general solicitar que prepare o carro" e o capitão obedecerá o soldado porque o pedido é segundo a autoridade do general. Em nome dele. Com Jesus é igual. Os homens não têm autoridade de expulsar demônios. Mas quando você expulsa "em nome de Jesus", é a autoridade que nos foi concedida por Deus que está realizando aquele feito. Do mesmo modo, ser humano algum tem poder em si para curar uma doença sem ser por meios médicos. Mas se você ora "em nome de Jesus" pela cura, é a capacidade milagrosa de curar que Jesus tem e que nos foi concedida que está atuando. Ou seja, a forma correta de usarmos essa expressão é somente quando podemos substitui-la por "segundo a autoridade de Jesus concedida a mim para este fim". - "Jesus não criou hierarquias nem liturgias" - errado. Basta você ver que no céu existem anjos e arcanjos. O prefixo "arc" significa "o principal", "o primeiro", "o de maior autoridade". Por isso, arcebispo é o principal dos bispos. Do mesmo modo, fica claro que no reino celestial o arcanjo tem um papel hierarquicamente superior a um anjo. Esse princípio do mundo espiritual também é aplicado na terra. A Bíblia manda respeitarmos as autoridades e diz que nenhuma autoridade há que não tenha sido constituída por Deus. Também manda servos obedecerem seus senhores. Afirma à mulher que deve ser submissa ao marido. Ou seja, em todas as instâncias da vida humana - seja política, profissional ou familiar - as Escrituras deixam claro que há uma hierarquia. Seria de se estranhar muito que justamente na vida espiritual isso não ocorresse. A Bíblia deixa claro que havia na Igreja do primeiro século pessoas com cargos de supervisão (o "bispo", conforme mencionado nas epístolas a Tito e Timóteo. Os apóstolos tinham um papel de liderança, basta ver no episódio de Ananias e Safira e basta reparar como Paulo dá determinações às igrejas em suas epístolas. E aqui cabe uma observação: hierarquia não quer dizer que alguém é melhor do que outro ou mais especial. Simplesmente que desempenha uma função com maior poder de decisão. É como o capitão de um time de futebol: ele é igual aos demais, mas dentro de campo é quem dá as decisões. E, acima dele, está o técnico, que tem, inclusive, o poder de decidir substituir o capitão. Já a liturgia fica clara quando Jesus institui a Ceia. É um cerimonial litúrgico por natureza: tem ordem, as etapas seguem uma ordem, há um modo de proceder, há a repetição da forma de fazer a cada vez que se celebra. A História conta que os encontros da Igreja no primeiro século seguiam uma liturgia não muito diferente dos cultos de hoje, com louvores cantados, a leitura das cartas ou textos considerados canônicos e uma exposição do Evangelho por quem liderava o encontro. Logo, hierarquia e liturgia não foram, como alguns equivocadamente afirmam, instituídos pelo imperador Constantino ao oficializar a fé cristã como religião oficial do Estado: são bem anteriores - no mínimo 200 anos anteriores. - "Posso ser cristão em casa, sozinho, sem congregar" - esse é um erro vindo do desconhecimento sobre a essência de nossa fé. O Evangelho é, por essência, um estilo de vida coletivo. 1 Coríntios 12 deixa claro que somos um corpo. Um membro decepado de um corpo é uma anomalia grotesca. Jesus nunca propôs o isolamento como padrão e, mesmo quando se retirava para orar sozinho, levava consigo alguns de seus apóstolos. Portanto um cristão que não congrega está desobedecendo o padrão divino. - "Não existe pecadinho ou pecadão" - existe sim. A partir do momento em que existe um pecado (a blasfêmia contra o Espirito Santo) que não tem perdão e que a Bíblia diz que há pecados que são para a morte e outros que não são (independente da interpretação que se dê a isso, há muitas: "Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte" - 1 Jo 5.16,17.), automaticamente fica claro que há gradações. Só haver um pecado imperdoável já é prova disso. No sentido de que qualquer pecado é desobediência a Deus... naturalmente todo pecado é equivalente, mas isso não desmerece que em suas consequências há sim níveis. A Bíblia é clara quanto a isso. - "Manto!" - essa só pentecostal entende. Se bem que eu sou pentecostal e até hoje não entendi isso. Por enquanto é isso. Se você se lembrar de mais algum clichê dos nossos dias usado nas igrejas, entre desigrejados, entre tradicionais ou pentecostais...não importa, entre cristãos em geral, basta acrescentar nos comentários. Só peço uma coisa: explique por que aquela palavra, expressão ou frase está biblicamente incorreta. Apenas mencioná-la não vai acrescentar. Se for o caso, faremos uma apreciação em cima do seu comentário. Quem sabe assim, parando para pensar sobre o que falamos sem pensar... paremos um pouco para pensar sobre o que falamos! E, talvez, seja o caso de eliminarmos certas frases feitas do nosso meio que parecem corretas mas na verdade só servem para confundir. Ou não servem para nada mesmo. Tão ligados na fiação, varão e varoa dos mantos de fogo? Paz a todos vocês que estão em Cristo.

domingo, 6 de maio de 2012

Brasil é o segundo maior país em número de cristãos


Uma pesquisa realizada pelo Centro Pew de Pesquisa dos Estados Unidos revelou que o Brasil é o segundo país com maior número de cristãos do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. De acordo com os dados levantados há mais de 175 milhões de cristãos no Brasil e cerca de 246 milhões nos Estados Unidos. Ao todo, são 2,18 bilhões de cristãos no mundo, o que significa 31,7% da população mundial. A pesquisa também mostrou que não há uma região onde o cristianismo predomina, em1910 amaioria dos cristãos estava na Europa, mas hoje os números estão divididos sendo 34% deles na América no Norte edo Sul,26% na Europa, 23,6% na África Subsaariana, 13,1% na Ásia e apenas 0,6% no Oriente Médio e norte da África. No contexto geral da pesquisa 51,4% dos cristãos do mundo são católicos, 36,7% são protestantes e 11,9% ortodoxos. Entre os protestantes o maior número de fiéis são pentecostais, cerca de 72% dos entrevistados que se declararam protestantes. No ranking dos países com maior número de cristãos, está os Estados Unidos, o Brasil eem seguida o Méxicocom mais de 107 milhões de cristãos. Em 10º está a Guatemala com mais de 13 milhões. Fonte: Gospel Prime

sábado, 5 de maio de 2012

Pastor terá que pagar indenização por chamar vizinha de “filha do diabo”

Um pastor pentecostal foi condenado pela Justiça de Santa Catarina a pagar uma indenização de R$1.500,00 para uma vizinha do templo que moveu uma ação contra o líder religioso alegando que durante um culto ela foi chamada de “filha do diabo”. Segundo informações do jornal Estado de Minas, a autora do processo mora ao lado do templo e estava na porta de sua casa conversando com sua filha e o namorado desta quando o pastor a chamou de “filha do diabo” e ainda afirmou que ela precisava “se tratar com Deus”. Em sua defesa o pastor que não teve o nome revelado alegou “legítima defesa da igreja e da própria fé que professa” e também disse ao juiz que a vizinha sempre debochava dos frequentadores da igreja. Mas como ele não conseguiu apresentar testemunhas que confirmassem o comportamento dela a Justiça resolveu cobrar a indenização do pastor. O caso aconteceu na cidade de Palhoça e a sentença de primeiro grau já havia decretado o pagamento da indenização, mas o pastor recorreu e então a 5º Câmara de Direito Civil do TJ manteve a decisão. O relator da matéria, o desembargador Monteiro Rocha, sentenciou dizendo que o pastor violou o direito de crença da autora do processo. “Tem-se que o réu (…), por ação voluntária, violou o direito de crença da autora, causando-lhe ofensa, por discriminação e por falta de solidariedade e fraternidade ao seu patrimônio ético. Por isso, tem o dever de indenizar a autora”, disse.

Seita diz que mundo termina em 30 de junho

A seita Crescendo em Graça (Growing in Grace International, nos EUA) ignora a suposta previsão do calendário maia, que teria determinado o fim do mundo para 21 de dezembro deste ano. É bem antes! 30 de junho! De acordo com o líder da seita, o portorriquenho José Luis de Jesús Miranda (na foto acima), apenas os seus seguidores sobreviverão ao fim do mundo. Os fiéis acreditam que o Jesus de Miami é a segunda encarnação de Jesus Cristo (na verdade, segundo a crença deles, o apóstolo Paulo). Eles têm tatuado em várias partes do corpo o número 666. Mas não tem nada a ver com o anticristo. Para eles, o 666 significa “prosperidade, amor e riqueza”. A Crescendo em Graça foi fundada pelo ex-pastor pentecostal Jesús no início dos anos 80 em Miami, onde tem seu centro principal de operações. Ela opera hoje em 35 países, incluindo o Brasil, e tem canal de TV. Após o apocalipse de 30 de junho, Jesús, chamado de Papai, e os seus seguidores dizem que vão governar o mundo com “justiça e igualdade”. Fonte: Web Evangelista. Fonte Primária: O globo. *** No dia 30 de junho, deixe-me ver onde devo estar….Cruzes! Vou fazer uma tatoo na perna com o nome: “Dia do caminhoneiro”. Antognoni Misael, quem tem antena que sintonize.

Deus: eu uso, abuso, e Ele ainda me serve assim…

Deus como eu te amo! Sou apaixonado por Ti! Estou neste emprego de luxo porque tivestes misericórdia de mim Tenho um belíssimo carro porque tua graça me basta Vivo sem doença porque não falto a um culto E minha conta bancária só vive engordando porque sou dizimista! Deus… Infelizmente tem gente que não sabe te usar. Eles não querem de volta o que o diabo roubou! Pelo contrário, alguns crentes ficam lendo a Bíblia demais, E querem te reduzir a folhas de papel! Deus, Tu és maior que a compreensão humana! Por isso a minha experiência contigo vale mais do que mil palavras nas escrituras. Pois quando te sinto, me arrepio, choro, me derramo… Me jogo nessa vibe só pra saber o tens preparado pra mim. Na verdade Deus…Quero te confessar… Não sei se já percebestes… eu sou um adorador extravagante! Uso as melhores roupas, Me alimento nos mais caros restaurantes. Pois sei que a Tua luz resplandece em mim por onde quer que eu vá E tenho certeza que todos vêem que eu sou diferente… Que sou bem quisto na sociedade, Que faço viagens por exterior, Que tenho aparelhos sofisticados, Pois sempre ando na frente de todos quando o assunto é bens de consumo, Que fico em hotéis 5 estrelas, Que enfim, sou cabeça e não cauda. Só peço desculpas, Deus, porque não curti muito aquele teu livro… Tu sabes né!? O que quero é ser Feliz contigo! Isso é tudo. Aliás, como disse antes, sempre vou a igreja, E lá louvo com muita intensidade e entrega as canções famosas. Choro quando a pregação é emocionante, Volto pra casa satisfeito porque tenho certeza de que me recompensarás. Enfim…Deus…sabe o que é que é… tenho o pedido do mês! Minha esposa vai fazer uma plástica nos EUA pra ficar gostosona pra mim. Te peço Deus, “usa aquelas mãos do cirurgião! Tu és o Médico plástico das plásticas”! Outra coisa também Deus… Tô pensando em comprar uma casa na praia…mas falta grana! Imagina aí Deus… uma mansão à beira mar pra mostrar aos ímpios o Teu poder! Deus, como diz a canção: “ mestre eu preciso de um milagre”! Faz este milagre! Reconheço – às vezes peço demais! Eu uso, abuso, e sei que sempre me serves assim… Por que tuas mi$ericórdias duram para sempre E a Tua gra$a me basta.

VISITAS DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2009 ATÉ H


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Facebook e o 7º Mandamento ou Biquini, sutiã e calcinha.

Por Kenneth Wieske
Uma mulher entrou no meu escritório alguns dias atrás. Ela estava quase-vestida, usando apenas sutiã e calcinha. Só tem uma mulher no mundo que tem o direito de estar comigo vestido assim: minha esposa. Mas esta mulher que entrou no meu escritório alguns dias atrás, não era minha esposa. Eu fiquei muito constrangido. Constrangida ela não ficou de forma alguma. Vamos chamar ela de “Sem-Vergonha”. A Sem-Vergonha não ficou constrangida, pois ela engoliu a mentira da nossa sociedade moderna. Esta mentira diz o seguinte: se o sutiã e a calcinha estiverem da mesma cor e feitas de um tecido que se pode usar na água, então não são roupas íntimas—são roupa de banho. A Sem-Vergonha se declara Cristã, mas mesmo assim ela parece não ter problema em expor o corpo dela para o mundo inteiro. Imagino que ela ficaria talvez com vergonha de andar no shopping ou visitar uma família, vestida apenas de sutiã e calcinha. Mas por alguma razão, ela não percebe problema nenhum em escolher uma foto dela assim vestida como foto do perfil do Facebook. Foi assim que ela entrou no meu escritório: pela tela do meu computador. Eu tenho centenas de “amigos” no Facebook que mal conheço. Aceito qualquer solicitação de amizade de pessoas que se declaram Cristãos, pois quero ampliar minha rede de contatos com pessoas crentes para promover o trabalho de várias entidades e instituições reformadas com as quais trabalho. Quando um contato no Facebook postar coisas indecorosas ou promove pensamentos, atitudes ou atos não Cristãos, eu apago logo. Quero compartilhar com você as razões pelas quais eu apaguei a Sem-Vergonha. 1. O corpo dela pertence ao seu marido (1 Cor. 7:4). Se ela não estiver casada, ela deve guardar o corpo dela para o seu futuro marido. O corpo dela não é para ser exposto para o mundo inteiro ver; muito menos é para ser exposto na tela do meu computador. 2. Ver o corpo de uma outra mulher não promove minha santificação nem edifica o meu casamento (Pv 5:15-20; Jó 31:1). Deus criou o homem de tal forma que ele experimenta uma reação muito forte quando vê o corpo de uma mulher. Esta reação dentro do casamento é linda e promove o verdadeiro amor. Fora do casamento, é vergonhosa e traz destruição e tristeza. Neste mundo atolado na imoralidade e perversão sexual, é necessário muita vigilância para o homem guardar a sua pureza sexual. Quando outras mulheres se apresentam quase despidas diante dos olhos de um homem, isto em nada ajuda nesta luta contra o pecado. 3. Se apresentar em público descoberta é uma negação da obra de Cristo (Gn 3:21, Is 61:10, Ez 16, Ap 3:18). Quando o homem caiu em pecado, a sua nudez foi exposta. Deus deu roupas para cobrir a vergonha de Adão e Eva. Um animal teve de morrer para que a nudez deles fosse coberta. Isto foi uma pregação da obra de Cristo, que ficou exposto e nu na Cruz, tomando para Si a nossa vergonha, e derramando o seu sangue para que sejamos cobertos com as roupas brancas da justiça do Cordeiro. A forma que nós nos vestimos reflete algo sobre o nosso entendimento do evangelho. Quando homens e mulheres Cristãos expõem seus corpos publicamente, estão de uma certa forma apagando a manifestação do poder da obra de Cristo em suas vidas. Em vez de se vestir em traje decente, com modéstia e bom senso, eles imitam o mundo que se gloria na sua vergonha. A coisa triste é que muitos que se dizem seguidores de Cristo acharão esta reação radical demais. Tem uma razão por isto: estamos tão atolados no mundanismo que nem percebemos. O Cristianismo superficial e mundano dos nossos dias produz Cristãos superficiais e mundanos. O Cristianismo ensinado por Cristo e os apóstolos, contudo, é uma total transformação da vida em todos os aspectos, acompanhado por um compromisso radical com a santidade. Se a única diferença entre o mundo e a Igreja é que estes estão do lado de dentro da parede da Igreja, e aqueles do lado externo, então não conhecemos o verdadeiro Cristianismo que proclama: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5:17).

A Heresia do Egocentrismo

Por John MacArhtur
O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja". Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior. Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo. Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio ego pretensioso. De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis. Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano. Koinonia As descrições bíblicas de comunhão na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo. Traduzida diferentemente por "comunhão", "compartilhamento", "cooperação" e "contribuição", esta palavra é derivada de koinos, a palavra grega que significa "comum". Ela denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta, sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum. Koinonia era uma das quatro atividades essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por "participarem [koinonia] da assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção bíblica de comunhão cristã. Uns aos outros Esse fato é ressaltado também pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef 4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3). No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes. Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4.16). Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26). Até aquelas partes do corpo aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19). Qualquer evidência de egoísmo é uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente qualquer tipo de egocentrismo. Escravos de Cristo A linguagem de escravo do Novo Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue, propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio. Escrevi um livro inteiro sobre este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva. Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva. No entanto, em todo o Novo Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro. Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo. Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem lugar na vida da igreja. O próprio senhor Jesus ensinou claramente este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total autorrenúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23). Os doze não foram rápidos para aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso, na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15). Foi um argumento do maior para o menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos. Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes. Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não "a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ex funkeiro vira crente e promove o Passinho do Abençoado em igreja


Quando o meu deus sou eu

Por Maurício Zágari 
Sempre que lemos a passagem do bezerro de ouro em Êxodo 32 temos um sentimento ruim com relação ao povo de Israel. Deus o tinha livrado do Egito, fez aquele incrível milagre da abertura do Mar Vermelho (você consegue imaginar a experiência de ter visto e vivido aquilo?) e ainda assim aquelas pessoas tomaram as rédeas de sua vontade, passaram por cima da vontade do Senhor e fizeram o que lhes parecia mais conveniente. Dá para entender a decepção de Moisés ao ver aquilo, traduzida numa fúria que o fez quebrar as tábuas com os mandamentos. Sim, aquelas pessoas foram de uma falta de fé, de um imediatismo e de um egoísmo atroz. Mas... por que as condenamos? Já parou para pensar que se estivesse entre eles você faria parte da multidão idólatra? E a explicação é simples: faz parte da má natureza humana não ter paciência de esperar em Deus e resolver tomar as rédeas de seu destino, sem aguardar por aquilo que o Senhor planejou fazer. Israel erigiu o bezerro de ouro simplesmente porque não teve fé suficiente para esperar o tempo de Deus. Só que o tempo chegou e Moisés desceu do monte. O resultado você sabe. Nas palavras de Deus, quem não tem fé para esperar por Sua ação e erra pela autossuficiência é "corrupto" e "desviado". Ouça o que Ele diz a Moisés: "Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado". O desagrado do Todo-Poderoso é claro. A partir do versículo 9, Ele deixa claro que não há como abençoar quem assim o faz: "Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma". Duro. Uma leitura superficial nos leva a crer que a ira do Pai se acende apenas pela idolatria. Mas se formos fundo nessa passagem veremos o que havia no coração do povo, a origem dessa idolatria. Em Êxodo 1, as causas de todo o problema ficam bem claras: "Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós". Aí está. O povo queria respostas rápidas. Não soube esperar. Queria que Moisés já tivesse descido. Estava impaciente. Não teve fé de que a demora tinha uma razão divina. Como quem esperava "tardou", o povo decidiu resolver da sua forma, à sua maneira, com suas próprias mãos. Pecado. Aquele povo sem fé, sem paciência e sem esperança estava tão ávido por resolver logo as coisas - da sua maneira - que veja a hora em que a Bíblia revela que começaram a adorar o bezerro: "No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se". Repare a pressa: eles madrugaram. A avidez daqueles que eram chamados de "povo de Deus" fez com que acordassem de madrugada para cometer seu pecado, tão impacientes que estavam. Se Deus não resolve, vamos nós mesmos tomar a frente! E logo! Esperar o sol nascer para quê? A partir do versículo 21, temos a explicação ainda mais profunda da falta de fé, impaciência, autossuficiência e consequente idolatria do povo de Deus: "Perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que trouxeste sobre ele tamanho pecado? Respondeu-lhe Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que o povo é propenso para o mal". Eis aí, meu irmão, minha irmã. O mal que carregamos em nosso coração é o grande culpado. Somos maus e por isso não acreditamos que Deus pode fazer o melhor para nós se apenas esperarmos mais um pouco. Somos maus e por isso nos guiamos por vista e não por fé. Somos maus e por isso tomamos das mãos de Deus a solução para nossas dúvidas e questões. Somos maus e por isso praticamos a idolatria: seja a de um bezerro de ouro, seja a de nós mesmos, quando nos pomos no lugar de Deus, o atropelamos e dizemos "seja feita a MINHA vontade". Tomamos as decisões no tempo que achamos conveniente de forma "desenfreada", como diz o versículo 25. Isto é, sem freios, sem nada que nos faça parar: a razão, conselhos, pregações, testemunhos, exortações, nada. Nada nos freia. Nada nos para. Queremos e por isso fazemos, mesmo que saibamos que deveríamos esperar o tempo de Deus. Moisés era a pessoa certa. Era por Moisés que deviam esperar. Mas, pela impaciência e falta de fé de que Moisés chegaria, o povo pegou um substituto, Arão, e com ele fez o bezerro de ouro. Pobres miseráveis. A Bíblia nos revela o desfecho daquele pecado: desgraça. Três mil homens foram mortos a espada. E mais: "Feriu, pois, o Senhor ao povo". Falta de fé. Impaciência. Autossuficiência. Idolatria. Pecado. Uma coisa leva à outra. A última etapa dessa sequência é morte e sofrimento. Meu irmão, minha irmã. Se você deseja algo de Deus, não deixe que as aparências o enganem. Não se deixe conduzir pelas circunstâncias ou pelo que humanamente falando parece ser. Deus não trabalha segundo padrões humanos. Deus não age no tempo do homem. A lógica de Deus não é a nossa lógica. Deus cria situações aparentemente sem solução, verdadeiros becos sem saída, apenas para saber até onde vai a sua fé nEle. Você confia ou não? Crê no que parece impossível ou não? Na maioria das vezes o mal que há em nós nos leva a esquecer nossa fé e agir de modo que possamos "ver", "controlar". Mas sem fé é impossível agradar a Deus. E aí não esperamos Moisés. Pegamos um Arão qualquer e dizemos: "Você serve. Pois você estamos vendo e com você à vista temos como controlar nossas vidas. Agora faça o bezerro de ouro". Pronto. A desgraça está feita. Tenha fé. Tenha paciência. Tenha confiança. Jesus não é só alguém em quem fingimos confiar quando cantamos "Rompendo em fé" nos cultos. Isso é mole de fazer. Cantar e não fazer é facílimo. Facílimo e mentiroso. Pois na hora que precisamos romper em fé mesmo... será que o fazemos? Ou assumimos o controle da situação, nos aliançamos com Arão e pecamos? Deus não se interessa por um povo que não confia nele. Os que não souberam esperar acabaram mortos ou feridos. É assim que você quer acabar? Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Onde Estão Os Mortos?

Por Ebenézer Soares Ferreira
 Os justos, ao morrerem, vão logo para o céu. Há pessoas que procuram contestar o ensino claro das Escrituras sobre o estado desincorporado dos mortos. Baseiam-se elas em textos bíblicos que nada lhes oferecem para escorar sua doutrina do "sono da alma", que é, especialmente, esposada pelos sabatistas. Em Lucas 23.43, se lê: "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso". Para que sirva aos seus planos doutrinários, eles colocam dois pontos após a palavra hoje e, assim, fica o texto: "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo hoje: estarás comigo no paraíso". Deste modo, o texto fica totalmente modificado. Segundo essa leitura, um dia o crente irá para a bem-aventurança eterna. Mas não se sabe quando. Outros não usam do expediente acima citado, mas procuram afirmar que o paraíso não é o céu. Dizem os sabatistas que, ao morrer, o crente fica dormindo na sepultura. O corpo se decompõe, mas a alma fica ali. Só na volta de Cristo, ouvindo a sua voz, ele acordará e, então, haverá a ressurreição e, em seguida, o juízo. Dizem que o texto de Lucas 23.43 não prova que Jesus foi ao céu com o ladrão arrependido, no dia em que ele morreu. Para provar isto, citam João 3.13, que diz: "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem". À primeira vista, parece realmente contradição. Mas, não o é. O leitor desavisado pode cair na armadilha dos que acatam a doutrina do "sono da alma". O que ocorre é que a pessoa não familiarizada com as regras de hermenêutica bíblica se deixa induzir por explicações que não são plausíveis com o teor da Bíblia, no que tange ao destino dos que partem para o além. O leitor deverá verificar que Jesus está tendo um colóquio com Nicodemos (João 3.1-21). Este se surpreende, se deslumbra (João 3.7), com os maravilhosos ensinos que Jesus apresenta sobre o novo nascimento. Jesus lhe diz: "Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?" (v. 10). E Jesus ainda adiciona: "Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho!" (v. 11). Aqui é Jesus quem se admira da ignorância de um reputado mestre em Israel, que ignora as coisas mais simples sobre o reino de Deus. Jesus, então, adiciona: "Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais?" (v. 12). The Interpreter's Bible, comentando sobre este texto, diz: "Nosso Senhor estava f
ancamente desapontado com Nicodemos… Se nós nos escandalizamos com os ensinos de coisas terrenas para as quais há analogias humanas e que podem ser verificadas pela experiência humana, como poderemos nos aprofundar nas coisas de Deus, para entendermos as coisas celestiais? Somente um que tenha conhecimento direto dessas coisas pode comunicá-las a nós. Somente o Filho do homem que esteve no céu e que desceu do céu é que pode fazer isso. As coisas celestiais são aqueles mistérios que homem algum pode declarar, mas somente podem ser declarados pelo Filho do homem, que desceu do céu. Ninguém jamais subiu ao céu para trazer os segredos divinos. Com as palavras "Ora, ninguém subiu ao céu senão o que desceu do céu, o Filho do homem", Jesus como que está desmentindo a tradição rabínica que dizia que Moisés tinha subido ao céu para trazer as tábuas das dez palavras. É que "Moisés, sendo mero homem, não fora capaz de subir ao céu, à esfera da realidade absoluta, para trazer a este mundo as fontes da vida", como escreve J.W. Shepard, na obra The Christ of the Gospels, página 102. O ínclito teólogo W.C. Taylor, em seu comentário ao Evangelho de João (3 volumes, totalizando 1.214 páginas), comentando o texto "Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai…" (Jo 20.17), declara: "traduzindo 'Não subi', os curiosos e os autores de credos e dogmas, de teorias sabatistas, de sistemas de doutrinas antibíblicas a respeito do estado "intermediário" (entre a morte e a ressurreição), todos esses aproveitadores heterogêneos dessa tradução errada estabelecem, nas suas próprias cabeças, anarquia a respeito do testemunho da Bíblia. Investem com uma Escritura contra outra Escritura e ficam com aquela que lhes parece mais útil para seus fins." E, mais à frente, o dr. Taylor acentua: "Menciono Atos 2.34, a fim de demonstrar que a tradução aqui discutida não deve ser igual à de Atos 2.34, mas fiel ao tempo diferente do verbo que, em João 20.17, é o perfeito. Eu não subi de modo a permanecer atualmente face a face com o Pai lá no céu. Estou aqui, mas não para ficar. É um intervalo curto entre minha visita ao céu ontem e a minha ida definitiva para o Pai, na hora da minha ascensão. Ainda não ascendi, não tive essa ascensão, de modo a ser minha subida definitiva ao céu para ocupar meu trono mediatório. Esse é o sentido do que Jesus disse a Maria Madalena. Jesus absolutamente não disse: "Não subi ao Pai". Traduzir assim é pecado contra sua linguagem. No momento de sua morte, Ele bradou em alta voz: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23.46). Ele disse ao criminoso convertido, numa das cruzes do Calvário: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23.43). João diz que Ele "rendeu o espírito". A quem, senão ao Pai? Para onde, senão para a casa de seu Pai, em doce antecipação de sua volta definitiva daí a uns quarenta dias? Mas, o tempo perfeito do verbo ASCENDER trata de sua ascensão formal. Jesus foi ao céu quando morreu, mas subiu definitivamente para o céu e ficou, na ascensão. Nós nos unimos com Ele no céu no momento de nossa morte." (Taylor, W.C. Evangelho de João. Rio: Casa Publicadora Batista, 1945, 1o volume, pp. 325-326). Meu mestre de Escatologia, no Southwestern Baptist Theological Seminary, em Fort Worth, Texas, USA, dr. Ray Summers, afirmava: "Os justos desincorporados estão com Deus. A declaração em Eclesiastes 12.7, de que o espírito volta a Deus, que o deu, acha-se repetida em passagens do Novo Testamento" (Summers, R. A Vida no Além. Rio: JUERP, 2a ed, tradução de A. Ben Oliver, 1979, pág. 31). Em meu livro Dificuldades Bíblicas e Outros Estudos, volume 1, 2a edição, ao comentar sobre João 3.23 e 20.17, cito muitos teólogos que abonam a doutrina que esposamos neste artigo. Todos são unânimes em afirmar a mesma verdade aqui apresentada, de que Jesus, ao expirar na cruz, foi imediatamente ao paraíso, levando para lá como um troféu de sua obra realizada aqui na terra o ladrão que se convertera. Os ímpios, aos morrerem vão logo para o inferno Isso é o que ensina a Escritura Sagrada. Na célebre parábola do "Rico e Lázaro" (Lucas 16.19-31), Jesus inculca justamente esse ensino. Lázaro está no "seio de Abraão". Essa é uma expressão metafórica da presença de Deus. Abraão, o "pai da fé", o "amigo de Deus", é tido, entre os judeus, como a figura máxima, porque Deus lhe fez a promessa de fazer dele uma grande nação (Gênesis 12.1-3). Daí usarem a expressão "estar no seio de Abraão", que equivalia a dizer estar gozando das delícias celestiais. Essa expressão "seio de Abraão" e "paraíso" são sinônimos de céu. Já o rico epulão está no Hades (inferno), de onde, ao erguer os olhos, estando em tormentos, "viu ao longe a Abraão e Lázaro, no seu seio" (Lucas 16.23b). O Dr. Ray Summers comenta: "Os maus desincorporados estão sofrendo castigo. Foi assim o caso do rico. Ele morreu e achou-se imediatamente em estado de tormento. A intensidade de seu sofrimento se reflete na sua súplica pelo ministério confortador de Lázaro e no desejo de que seus irmãos escapassem daquele destino" (Summers, R., op. cit. p. 35). A "Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira" assim diz no ítem XVIII, sobre a morte: "Com a morte, está definido o destino eterno de cada homem. Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam "dormir no Senhor" (Dn 12.2,3; Jo 5.28,29; At 24.15; 1Co 15.12-24). Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus (Mt 13.49,50; 25.14-46; At 10.42; 1Co 4.5; 1Co 5.10; 2Tm 4.1; Hb 9.27; 2Pe 2.9; 3.7; 1Jo 4.17; Ap 20.11-15; 22.11,12). Conclusão Pelo que expusemos, usando os textos bíblicos e de acordo com os seus contextos, e mais as citações de eminentes teólogos batistas e a "Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira", não fica dúvida de que a resposta à pergunta "Onde estão os mortos?" é essa mesma: Os justos estão no céu e os ímpios, no inferno. O apóstolo Pedro, em sua 1a epístola, capítulo 3, versos 18 a 20, escreveu: "Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água." Alguém denominou esse texto de "O Oráculo negro do Novo Testamento"; e outro, de crux interpretum. É no Credo Apostólico que aparece a frase: "descensus ad ínferos". Não é de hoje que os comentadores bíblicos buscam desatar o "nó górdio" desse problema. Alguns, sem muita base, vão logo lançando o que descobriram, julgando que isso é a verdade axiomática. Aceitam qualquer magister dixit. Outros preferem se abster de se pronunciar sobre certos temas bíblicos, considerando-os como um "ovo de Colombo". Eis algumas perguntas que deveriam ser feitas e comentadas, se o espaço nos permitisse: 1. Que espírito eram estes referidos por Pedro? Têm aparecido três tipos de respostas: 1) São os anjos decaídos (2Pedro 2.4; Judas 6); 2) Os patriarcas; 3) Os rebeldes do tempo de Noé. 2. Quem pregou? São sugeridos os nomes: 1) Cristo; 2) Noé; 3) Os apóstolos; 4) O Espírito Santo. 3. A quem se pregou? Há duas sugestões: 1) Aos bons; 2) Aos maus. 4. Em que prisão? Há quatro sugestões: 1) No inferno; 2) No tártaro; 3) À "prisão do corpo"; 4) À "prisão do pecado". 5. O que foi pregado? Sugerem: 1) Salvação; 2) Condenação; 3) Sua vitória. 6. Em que espírito? Sugerem: 1) No Espírito Santo; 2) No espírito de Cristo; 3) No espírito do demônio. 7. Em que tempo isso ocorreu? 1) Durante o tempo em que o corpo esteve na sepultura; 2) No tempo de Noé. Agora, vejamos a interpretação que se coaduna com o teor geral da Bíblia. Pedro está escrevendo a sua primeira epístola "aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia" (cap. 1.1). Exorta os crentes a terem uma vida exemplar e os anima quanto à perseguição que sofriam e que ainda viriam a sofrer, pois, de Roma, onde Nero imperava, se irradiava a terrível perseguição contra os cristãos. Eles estão dispersos, mas, ali, a perseguição os atingiria. Pedro lhes mostra, então, como foi o comportamento de Cristo. Eles deveriam imitá-lo. Eles deveriam estar cônscios de que, assim como o espírito de Cristo estivera, no passado, com Noé (v. 20), que recebeu afrontas, escárnios, provações mil quando pregava aos antediluvianos, os "peregrinos", do mesmo modo, deviam, pacientemente, receber as perseguições, pois, para eles, estava assegurada a maravilhosa esperança – a ressurreição, que Cristo prometera. Tendo morrido, Cristo foi, durante o tempo em que seu corpo esteve na sepultura, tanto ao céu, onde levou o ladrão arrependido (Lucas 23.43), quanto ao inferno, para demonstrar o seu poder. Ali, aos "espíritos em prisão" que foram rebeldes, nos dias do patriarca Noé, e que rejeitaram a longanimidade de Deus, enquanto se preparava a Arca, e durante 120 anos de pregação, ali, repito, aos "espíritos em prisão", Jesus fez a proclamação de seu triunfo sobre a morte e o pecado, descendo "às partes mais baixas da terra", como afirma o apóstolo Paulo em Efésios 4.9. Portanto, proclamou sua vitória àqueles que não o aceitaram, quando pregou, através de Noé, o que, em última análise, foi também proclamação condenatória. Existe oportunidade de salvação após a morte? Alguns inferem do texto em tela que há oportunidade de salvação após a morte. É ledo engano. Vêem coisas que o texto não diz. Querem se basear na expressão "pregou aos espíritos em prisão". Não existe uma segunda oportunidade de salvação após a morte. O que ocorre, após esta, é o juízo (Hebreus 9.27). Vê-se que o verbo empregado por Pedro é ekêryxen, que se deriva de kerysso, que significa "proclamar u'a mensagem como um arauto". Se Pedro quisesse ensinar oportunidade de salvação após a morte, não teria usado o verto citado, mas, sim, euangelizamai, cujo sentido é "pregar ou levar as boas-novas". Mas Pedro não faria isto, porque sabia que só há salvação nesta vida. A Igreja Católica ensina que Jesus, no intervalo que ocorreu entre sua morte e a ressurreição, desceu ao limbus patrum. Ali pregou aos fiéis do Velho Testamento, para poderem alcançar a salvação. Isso é engano. Hendel Haris e outros eminentes eruditos têm verificado que as primeiras palavras do versículo 19 (no qual também, en ho kai) contêm as letras do nome Enok. Acham que, no original, estava "Enok foi e pregou". Mas, por distração de algum copista, a frase foi modificada. A hipótese é aceitável. Porém, os manuscritos antigos não apresentam a forma que Hendel sugere. E, por remate, cito o que escreveu o célebre bispo de Hipona, Agostinho: "Os espíritos encarcerados na prisão são os ímpios que viviam no tempo de Noé, cujos espíritos ou almas se achavam presos na escuridão da ignorância, como em uma prisão; Cristo pregou a eles, não na carne, pois ainda não se encarnara, mas no espírito, isto é, em sua natureza divina" (Ad Evodiam, ep. 99). Observação: Deixo de comentar a primeira parte, onde são feitas as sete perguntas, para não alargar o artigo. Em meu livro Dificuldades Bíblicas – Vol. 3, será publicado o estudo completo desse trecho bíblico.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Não quebre meu galho

Por Adeildo Nascimento Filho
Existe uma história antiga, cujo autor eu não conheço, que fala sobre um homem que escorregou na beira de um penhasco. Enquanto ele caía conseguiu se segurar num galho. Sentindo a situação piorar cada vez mais começou a gritar em direção do abismo: “Socorro. Tem alguém aí?” foi quando ouviu uma voz que lhe disse: “Olá. Eu sou Deus, estou aqui. Apenas solte do galho e se jogue que eu te seguro”. O homem pensou por alguns instantes e gritou novamente: “Tem alguém mais aí?”. Fé. Negócio complicado este. Fé no invisível. Piorou. Difícil colocar a fé naquilo que não vemos, não tocamos. Normalmente, e acredito que na maioria das vezes, a fé cristã é confundida com pensamento positivo. Com foco otimista no que ainda está por vir. Isso tem rendido alguns milhões para alguns espertos que começaram a comercializar este tipo de fé. Um misto de autoajuda com palavras positivistas e deterministas que acham um terreno extremamente fértil no coração de pessoas sofridas, pobres e esquecidas pelos nossos poderes públicos e escravizadas num país em que a divisão de renda não é lá essas coisas. A quem diga que a canalização dos pensamentos positivos, a verbalização dos desejos e por aí vai sejam um “segredo” dado a poucos agraciados que tem enriquecido, sarado e prosperado de uma maneira nunca antes vista. A junção deste pensamento com mensagens cristãs tem produzido um sincretismo avassalador que tem encontrado abrigo em vários ouvidos e corações. Tudo embalado em lindos pacotes floridos e coloridos produzidos e entregues em enormes campanhas de divulgação do tipo “seus problemas acabaram”. Tudo muito diferente da mensagem pregada por um carpinteiro pobre, nada bonito, nada elegante, nada midiático e muito menos engomado. Quem se jogaria de sua vida abastada, tranquila e próspera na conversa de um judeu maluco que aparece dizendo ser o filho de Deus? C.S. Lewis já havia dito isto há algum tempo atrás quando falou que Jesus não deixou espaço para dúvidas, ou era louco ou era o filho de Deus, nada além disso. Hoje já acharam o meio termo dessa história e o estão usando para angariar fundos. Jesus líder, executivo, empreendedor, psicólogo, ensinador, professor, comunicador, poeta, artista, rebelde, assistente social e por aí vai. Tudo para comprovar que “tem mais alguém aí” além do Deus encarnado, do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tudo para tirar o foco do calvário. Note que as mensagens atuais de fé (a prova daquilo que não vemos) perderam o foco das coisas que não conseguimos ver e tocar e sutilmente deram lugar a mensagens mais palpáveis e visíveis, ou seja, é fácil se identificar com um executivo, psicólogo, etc. e muito mais difícil se identificar com alguém que deixa toda a sua glória e que morre por seus inimigos. É muito mais fácil se identificar e seguir um grande general do que alguém que oferece a outra face depois de uma bofetada. É mais fácil ter como parâmetro homens ricos e prósperos do que imitar alguém que vende tudo o que tem e dá aos pobres. Mais fácil acreditar na casa nova, no carro e na promoção do que tomar uma cruz em suas costas. A maioria até pede por socorro e busca referenciais de fé, mas quando são apresentados ao verdadeiro evangelho preferem clamar por “alguém mais” além Dele. Os espertos de plantão entenderam o novo clamor social e produziram o que eu diria ser um “Jesus Light”. Um salvador para cada tipo de freguês. Uma fé para cada tipo de necessidade. Assim ninguém precisa dar saltos de fé. Todo mundo seguro, torcendo para que seus galhos não quebrem até que passe alguém que os tire de lá sem a necessidade de que se joguem. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” Hb 11:1

Vergonha e Desabafo


Sinto vergonha! Quando percebo as virtudes cristãs e as bases que solidificam a nossa fé, serem trocadas por evasivas filosóficas que condicionam a Verdade ao relativismo agonizante da medida do homem, e o Deus soberano sendo transformado em um ser apequenado, surpreso e cheios de sonhos infantis. Sinto vergonha! De ver a teologia ser tratada como uma abominação do conhecimento a ponto de muitos ditos “cristãos” aconselharem a fugir dela para não ter a sua “fé” esfriada; ou, sendo tratada como um mero conjunto de doutrinas do saber empírico, gerando teólogos que disputam preciosismos doutrinários em detrimento do povo cristão que anseia por unidade e paz. E assim, o púlpito foi transformado em um moderno areópago para demonstrações de oratória e homilética, em vez de lugar para a manifestação do poder de Deus pela sua Palavra por meio do Espírito. Sinto vergonha! Por acompanhar as disputas televisivas de muitos pastores midiáticos e seus ministérios gigantescos despejando promessas que Deus não fez. Brigando por coisas que não pertencem ao Reino, manipulando o telespectador para as vultosas doações numa verdadeira barganha celestial. Sinto vergonha por terem feito da oportunidade de comunicar o evangelho em uma corrida por audiência com direito a demonstração de quem mais expulsa demônios, de quem mais cura, de quem mais realiza feitos miraculosos, etc. Sinto vergonha! Quando a Bíblia é cada vez mais usada de acordo com o “achômetro” de cada um, ou como um livro mágico, enquanto fazem das experiências, que são bem pessoais, serem transformadas em doutrinas e normas, criando com isso, cadeias idolátricas em torno dos “vasos” que operam “moveres” que glorificam o homem e não mais a Deus. Sinto vergonha! De ver o misticismo, o bruxismo e o paganismo adentrar na Igreja Evangélica Brasileira e cada vez mais a ética, o exemplo e o viver a Palavra com dignidade se tornar um ideal utópico em vez de normalidade cristã. Sinto vergonha! Quando calvinista e arminianos se escalpelam em guerras que levam ao desgaste fraterno e o desamor crescente entre os irmãos. Sinto vergonha! Que o outrora povo protestante, não mais proteste, não mais examine, não mais discerna; que expressa uma espiritualidade fantasmagórica e caminhe por caminhos que não são os nossos; caminhos que não podemos e que não devemos ir. Sinto vergonha! Que este povo, que dantes recebera a alcunha de “os bíblicos” não mais leia, estude, nem perscrute como Bereanos a Palavra que lhes foi dada, e passou a confiar plenamente nos pregadores estranhos e suas “revelações esdrúxulas”, tendo-as como verdade absoluta sem ao menos um exame acurado nas Escrituras. Sinto vergonha! Que a Escola Bíblica Dominical, os Cultos de Doutrina e Orações sejam flagrantemente negligenciados e trocados por qualquer entretenimento fácil e alienante. Sinto vergonha dos cultos centrados no homem e em busca de bens de consumo numa ânsia neoliberal desenfreada e sem precedentes na história eclesiástica, enquanto remissão de pecados e o retorno de Cristo quase não mais constarem nas pautas dos sermões dominicais. Sinto vergonha de mim, por minha inércia, impotência e vontade de desistir, pelo riso ante as cenas dantescas que se tornaram tão comuns hoje em dia e que deve nos levar a o choro, jejum e oração. Mas não te renego, nem te desprezo e não desisto de ti, simplesmente por te amar Igreja Evangélica Brasileira. Em Cristo, que se entregou pela Igreja.

Thalles Roberto é ungido Pastor com direito a profecia de Estevam Hernandes


Algumas indagações ferveram em minha mente após ver este vídeo. Confesso que não tenho tanto conhecimento bíblico e preciso de ajuda. Me respondam por favor: - Thalles sentiu vontade de ser pastor e foi ungido – É assim que funciona a coisa? - Herança sacerdotal?- Alguém me explique o que é isso? - O Espírito do Senhor se aparta de nós na Nova Aliança? – Como assim? - Que saia fogo de minhas mãos – Haducken? - Ungido pastor sob línguas estranhas é algo sinistro – Cadê os intérpretes? - “Apóstolo” Estevam Hernandes ungindo Thalles? – Não há perigo de ele receber a “unção” da grana suja do Estevão!? Gente, estas indagações irônicas não estão aí pra tentar diminuir ou deslegitimar o trabalho de Thalles. O preocupante, e que eu já consigo ver como realidade, são as decisões precipitadas e a triste hierarquização no reino – quando o cara é cantor, que se acha levita e se intitula pastor fico a procurar quais as reais motivações diante do ministério. Pensemos. Infelizmente, em muitos casos, após se tornarem astros, ricos, famosos, muitos buscam ou a insubmissão de líderes e se auto promovem a pastor, ou tomados por uma má orientação decidem, sem preparo teológico algum, serem além de cantores, pregadores de púlpito sem qualquer chamado. Se escavacarmos o dossiê de alguns dos astros do Gospel, notaremos que a grande maioria após a fama, inventaram um pastoreio. Mas fico pensando, será se eles realmente exercem um pastoreio de forma integral, com excelência, ou se apenas carregam esse título em detrimento de uma prioridade de agenda de show’s? Eu ainda vejo uma certa validade em canções de Thalles como “Ele é contigo”, “Deus do Impossível”, por exemplo, mas como a Bíblia diz que “as más companhias corrompem os bons costumes (1 Coríntios 15:33), eu não tenho dúvidas, o negão tá se cercando de gente peçonhenta. Então, com muito din din dos shows que não param de entrar e convivendo com gente como Estevam Hernandes, R.R. Soares, dentre outros, certamente este novo pastor não terá problemas com a teologia da prosperidade e outras teologias estranhas à Palavra, terminando de se confirmar como mais um o vexame gospel. Falo isso sem nenhum tipo de desejo ou pessimismo, mas tentando manter os pés nos chãos e compreendendo que estes são, realmente, tempos difícies.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fábrica de loucos

Por Pr. Weber Esta semana tomei conhecimento de um dado estatístico assustador: 70% dos pacientes internados em manicômios do Brasil são de origem evangélica. Sinceramente, perdi o chão. Que a religião pode ser um fator que contribui para o desequilíbrio psíquico, ao mesmo tempo que pode constituir um espaço confortável para desequilibrados mentais, eu já sabia, o que não sabia era que a contribuição evangélica para este desastre fosse tão acentuada. A razão para esse trágico dado passa pela teologia, pela liturgia, e principalmente pelo compromisso do resgate de um Cristianismo mais bíblico, emoldurado pela Verdade escrita e não pela “verdade” sensitiva. Já não é de agora que denominações inteiras cultivam e estimulam um emocionalismo barato, sem o menor temor de rotular suas práticas ao “mover do Espírito Santo”. Com isso, transformam suas reuniões e grandes encontros num autêntico espetáculo do circo dos horrores, com gente caindo pra todo lado, tremendo, correndo, saltando e expressando sua insanidade em gargalhadas descontroladas, tudo isso sob a bandeira de um suposto “avivamento espiritual”. O mais preocupante em todo esse processo é a falta de alguém lúcido e psicologicamente são, que seja capaz de sugerir um exame criterioso das Escrituras. A espiritualidade cristã jamais será moldada por qualquer geração doente. A chancela do que é saudável e do que é doentio é dada pelo próprio Cristo, por Seu ensino e exemplo. A tentativa de desenvolver uma espiritualidade vinculada à cultura ou às tendência de qualquer desequilibrado que aparece, contando uma visão ou uma revelação, só contribui para aumentar o número dos que dão entrada em clínicas psiquiátricas em meio a verdadeiros surtos psicóticos. O pior de tudo isto é que ninguém fala absolutamente nada.
É bem provável que a causa deste silêncio seja o despreparo teológico da maioria e a construção de certos paradigmas podres. Um deles é relacionar o estudo teológico à falta de unção. Com todo respeito, não há estupidez maior do que esta. Na verdade, é a resistência ao texto que colocou o movimento evangélico no Brasil e no mundo sob suspeita. Uma rápida leitura dos Evangelhos, deixará em qualquer leitor minimamente atento, a real impressão de que o ministério de Jesus foi reflexivo. Ele nunca tencionou provocar transes e catarses. Suas mensagens e ensinamentos tinham o objetivo de fazer sua audiência pensar. Logo, embarcando na boléia de Jesus, Sua espiritualidade tinha um caráter mais cognitivo do que sensitivo, por isso Ele foi chamado de Mestre. Já estou antevendo os comentários que chegarão: “O intelectualismo é morte”; “a letra mata”; “a teologia não presta pra nada”… Mas, vou correr o risco e fazer uma colocação final. Todo cristão precisa estar comprometido com Cristo e o seu ensino. Nenhuma manifestação que escape ao escrutínio bíblico e não faça parte das práticas pessoais de Cristo e dos apóstolos, merece ser considerada, sequer analisada como possivelmente legítima, sob o risco de se abraçar a loucura ao invés da fé. Pense nisto! Sola Escriptura!

domingo, 29 de abril de 2012

Silas Malafaia: dois pesos e duas medidas

É contraditório que líderes evangélicos, alguns deles midiáticos, combatam com veemência a mordaça gay, representada pela insistência de alguns parlamentares em aprovar o PLC 122/06, enquanto, no âmbito executivo, admitem não haver qualquer dificuldade em dar apoio a candidatos que apóiem a Marcha do Orgulho Gay desde que apóiem também a Marcha Para Jesus ou eventos religiosos de qualquer outra natureza. Este posicionamento ficou bem claro na fala do pastor Silas Malafaia, em seu programa do dia sete de abril, quando mostrou a incoerência do Ministério Público Federal em pedir-lhe esclarecimentos por certas expressões, que não passaram de metáforas, para sermos justos, empregadas em seu discurso ano passado, na Marcha Para Jesus em São Paulo, contra o uso de símbolos católicos na Marcha do Orgulho Gay para vilipendiar a fé católica. Mostrou em sua defesa o discurso do Senador Magno Malta no plenário do Senado, que recebeu aparte do senador Lindberg Farias favorável ao pastor Silas Malafaia, sob os protestos do setor LGBT do PT, já que o programa do partido é muito claro nessas questões. Deputados já foram punidos por infringirem essas normas. Mas para quem não sabe, conforme informa o blog Holofote Net, Lindberg, o defensor de Malafaia, assinou o pedido de desarquivamento do PLC 122/06 e, como deputado federal, votou contra a PEC 25/95 que proibia o aborto em qualquer situação. No entanto, como tem pretensões políticas em 2014, provavelmente como candidato a Governador do Estado do Rio, nada como dar uma aliviada para atrair setores evangélicos para a sua candidatura. Mas o ponto a destacar aqui é a contradição entre atacar a mordaça gay e ao mesmo tempo apoiar candidatos a cargos majoritários, como o de prefeito, por exemplo, que sejam condescendentes com os evangélicos, mesmo que, do modo como a causa gay se insinua no Congresso Nacional, façam dela um dos pontos fortes de sua administração, tema este também já tratado no Holofote Net e no blog do Júlio Severo.
Sobre o assunto, que já começa a pipocar nas redes sociais, houve quem defendesse tal contradição com a tese de que o executivo governa para todos, e não para um grupo em particular, razão pela qual temos de aceitar, digamos, essas ambiguidades. É óbvio que a tese é válida nos termos para os quais o candidato é eleito, qual seja o de administrar a cidade, o estado ou o país e garantir que todos tenham do Estado aquilo que lhes é de pleno direito. Este não é o caso da Marcha do Orgulho Gay e da Marcha Para Jesus, a primeira de caráter reivindicatório, embora transvestida de manifestação cultural; a segunda, olhada primariamente em suas raízes, com a finalidade de proclamar a Cristo numa sociedade secularizada. Foi assim que surgiu na Europa, embora hoje possa ter outras conotações. No entanto, em ambos os eventos não cabe qualquer patrocínio do Estado, a não ser aquilo que lhe compete, como, entre outras coisas básicas, ter um plano de operação em que conste prestar segurança, cuidar do trânsito e disponibilizar socorro médico. Quanto a isso, sou coerente com o que escrevi neste blog sobre a proposta do Senador Crivella, em 2007, que incluía as igrejas evangélicas como beneficiárias da Lei Rouanet de incentivo à cultura. Veja aqui. Defendo a separação total entre a Igreja e o Estado. Todavia, no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes vai muito além disso por estar comprometido até a medula com o movimento gay. Como estamos em ano eleitoral, com o intuito de amenizar tal comprometimento e angariar simpatia entre os evangélicos, chegou a dizer há cerca de dois meses, em Encontro do Conselho de Pastores do Rio, que a cidade terá a maior Marcha Para Jesus de todos os tempos. Ora, a fala do prefeito casa-se de maneira perfeita com a fala do pastor Silas Malafaia, que pode ter usado o argumento já mencionado acima para preparar o terreno com vistas a apoios futuros. A prova que Eduardo Paes tem fortes compromissos com o movimento gay está no vídeo abaixo, preparado pela Riotur, empresa administrada pelo município, para atrair turistas homossexuais do exterior. Isso fica claro em matéria do jornal britânico, The Guardian, como citado no Holofote Net, o qual diz que as políticas implementadas por Paes tem por fim tornar o Rio a maior referência aos homossexuais. O vídeo apresenta o Rio de Janeiro como a cidade da diversidade sexual, com cenas chocantes, beirando à pornografia, e infringe a própria legislação brasileira. Quem viaja com frequência, já viu nos aeroportos do país dezenas de cartazes que combatem o turismo sexual como crime, sem tipificar a forma da sexualidade. Ora, o que faz o vídeo de Eduardo Paes, senão estimular o turismo sexual? Por outro lado, uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e sancionada pela então Governadora, Rosinha Garotinho, proíbe a venda de cartões postais que exponham mulheres em trajes sumários e estimulem, com isso, o turismo sexual. Mas o vídeo de Eduardo Paes, com suas imagens sensuais homoafetivas, infringe, por analogia, a própria lei estadual.

sábado, 28 de abril de 2012

Vencendo as crises antes do divórcio

Alguém disse que: “o Casamento é uma fortaleza sitiada, cercada, quem está fora quem entrar, quem está dentro quer sair”. Este tem sido o versículo mais usado nos nossos convites de casamento, muitos dos quais já terminaram num Cartório. Um amor à prova de vendavais precisa de maturidade. Inspirado no amor de Deus será um amor forte, aceso e tão rico que ninguém pode comprá-lo. Parece que nos envolvemos demais com o romantismo dos contos de fada e desprezamos o amor bíblico e maduro que fortalece os relacionamentos. Os casais precisam redescobrir este livro. Precisamos com urgência de um programa de apoio às famílias que discuta a fundo as questões diárias que nos levam a essas crises e com coragem tratarmos da saúde conjugal afetada. I – ESTEJAMOS ATENTOS A ALGUMAS QUESTÕES FUNDAMENTAIS Sem vigilância mútua nosso casamento se expõe. Essa vigilância implica em avalia-ções freqüentes. Quando nos avaliamos, de algum modo corremos o risco dessa liberdade, mais vale a pena. Alguns mitos precisam ser banidos no começo da vida conjugal: 1 – Nenhum casamento vem pronto e acabado – A felicidade do casamento é artesanal e requer paciência. Durante o noivado traçamos o projeto. Agora temos a vida inteira para a construção e reformo ou aprimorar o acabamento. O amor deverá ser vivenciado pela renúncia, diálogo aberto e liberdade de expressão. 2 – Qualquer casamento está potencialmente sujeito à separação – Somos pecadores, falíveis e o Evangelho não nos isenta de tribulação. Mas alguns preferem ser ufanistas cegos que pensam que serão felizes por causa da sua fé apenas piedosa. Outros influenciados pelo pessimismo que se abate sobre as famílias desistiram na primeira dificuldade. Em ambos os casos, tem resultado uma vivência amarga, porque as fraquezas não foram tratadas com amor. 3 – Nem todos estão preparados para encarar as diferenças individuais – Nosso risco começa no noivado. Nós sabemos da diferença mas disfarçamos por causa da conquista. Não discutimos e até nem “brigamos” por essas questões e “despachamos a bagagem” para dentro do casamento. Ser diferente é simplesmente normal. No aconselhamento pré-nupcial sempre en-contramos noivos que me dizem que são “almas gêmeas”, e isso não raro, resulta em choque futuro. O segredo, para mim, consiste em tirar bom proveito dessas diferenças em função da unidade. Este é um dos grande segredos da vida conjugal. 4 – Muitas vezes os grupos de apoio são também grupos de pressão – Muitos dos casamentos que já acabados resultaram da pressão de pais, familiares, sociedade e mesmo a igreja. Mas nem sempre nós estamos convicto do que queremos. O mesmo grupo que escolhe para nós um casamento poderá nos cobrar depois o nosso fracasso. A Igreja precisa incentivar o poder in-dividual de decisão e apoiar. II – PRECISAMOS DE SABEDORIA PARA VENCER AS CRISES Encarar a crise como normal e que precisa ver vencida com amor é preciso identificar o ponto trazido ao casamento ou adquirido na trama doméstica da inter-relação. Falaremos de crises mas na verdade queremos falar de níveis de relacionamento. A crise vem da não compreen-são de um bom relacionamento 1 – Crise de mando e de poder – Os três Poderes em nossa casa - Talvez uma das sérias. Geralmente não resolvida no noivado vai tomando força e prejudicando a boa relação conjugal. O autoritarismo e a subserviência são dois pontos fracos. Na maioria das vezes o autoritário é machista e freqüentemente desfaçado de conteúdo bíblico. Se Deus for mesmo o Senhor da nossa família e aprendermos o que Deus ensinou ao primeiro casal sabe-remos administrar harmonicamente a nossa família. 2 – Crise de economia e finanças – o dinheiro desponde por tudo - Esta crise está intimamente ligada a de mando e poder. Se Deus for o Senhor da casa e a nossa visão de mordomia for bíblica, ninguém será sócio majoritário. Primeiro o Reino de Deus, segundo o casal harmonicamente, com sabedoria, incluindo os filhos discutirão juntos as suas decisões. 3 – Crise sócio-familiar – os demais da família - Quando dois se casam, um leque de fraternidade ou de intrigas podem estar se abrindo. O casal precisa dar espaço aos demais familiares até o limite e não interferir em qualquer decisão a ser tomada pelos dois. Muitos pais falham porque continuam a dirigir seus filhos por “controle remoto”. 4 – Crise de criatividade, falta humor e relaxamento no lazer – Em geral os noivos procuram ser criativos, cheios de bom humor e promovem seu lazer. Quando se casam, em nome de muita ocupação, ganhar mais dinheiro ou muitos cursos, enterram esta chance de vida ao casamento. Saber “quebrar o gelo” e dar um novo toque de alegria a relação conjugal é para muitos a porta da saída da crise. 5 – Crise afetivo-sexual – o que a falta de carinho pode fazer - Muitos casais se queixam sempre da famosa diferença entre ser noivo e ser casado. É como se tivessem sido enganados. Muitas promessas não cumpridas. E no afeto a crise é grande. Quando abandonamos os pequenos gestos começamos a “matar” o afeto do outro por nós. Cada um deve Ter liberdade de se expressar livremente e o outro de entender o seu gesto. As outras crises atingem a esta e quando não temos mais motivo para estarmos juntinhos e aquecidos, em qualquer idade, entramos numa área de risco e não raro tem sido aqui a porta da infelicidade. Este tratamento não tem contra-indicação, serve em qualquer idade. 6 – Crise da fé bíblica – Espiritualidade - Na verdade, a resposta à todas essas crises está na Palavra de Deus. Muitas vezes para convencer a família, igreja e pastor dizemos que estamos “no plano de Deus”, mas é o cultivo diário da Bíblia, oração em família, testemunho da palavra que manterão a família em pé. Sem espiritualismo falso. CONCLUSÃO Jamais minimize a crise nem a superestime. Juntos em oração, renúncia e franco diálogo, muitas crises serão vencidas. É preciso incrementar o aconselhamento bíblico da família nas igrejas e grupos de casais de mútua ajuda e que sejam confidentes.