domingo, 7 de agosto de 2011

COMO SE TORNAR UM PREGADOR "FAMOSO"

(A TRAJETÓRIA DE UM FENÔMENO)

Pensando naqueles que não puderam acompanhar diariamente os módulos do curso de maior "sucesso" na blogosfera cristã “Como se tornar um pregador famoso”, segue abaixo todo o conteúdo do mesmo, juntamente com a sua conclusão.

APRESENTAÇÃO


Estaremos ministrando com exclusividade, um curso destinado a todos aqueles que sonham com o estrelato, como pregadores do evangelho. O curso é gratuito. Basta clickar no blog e sua inscrição será feita automaticamente. Todos os dias será postado um módulo do curso. Se você perder algum módulo, poderá acessar posteriormente os arquivos do blog e atualizar-se. Depois de terminado o curso, se você não se tornar famoso, não nos responsabilizaremos. O método que adotaremos já foi, e ainda é observado por muitos pregadores famosos da atualidade. Se deu certo para eles, pode dar certo para você também! Divulgue e participe!

MÓDULO 01

A humildade é fundamental no início da carreira de um candidato ao "estrelato" como pregador. Num primeiro momento, aceite o máximo de convites para pregar. Pregue em igrejas grandes, médias, pequenas, ricas, pobres, no centro, nas favelas, nos morros, nos sítios, na capital, no interior. O que vale é pregar, não importa onde. Se for o caso, você pode até se oferecer para pregar (sempre com um ar de humildade, não esqueça). Se levar jeito, os convites tenderão a se multiplicar.

MÓDULO 02

Nosso segundo módulo tratará sobre a mensagem que será pregada. No começo, seja o mais simples e objetivo possível. Muitos pregadores que já alcançaram o sucesso, iniciaram sua trajetória contando seu testemunho de conversão, associando a este, a mensagem da palavra de Deus. Seja o mais bíblico possível. Textos de difícil interpretação ou polêmicos, nem pensar. Se você pregar algo que "cheire" a heresia, vai se queimar logo no início da "carreira". No próximo módulo trataremos sobre a aparência do pregador.

MÓDULO 03

Simplicidade. Essa palavra expressa muito bem a maneira como o pregador, candidato a "fama" deve se apresentar. Cabelos bem cortados, higiene pessoal impecável, roupas não extravagantes bem passadas, sapatos engraxados, são requisitos desejáveis. Nada de grife (marca) famosa (pelo menos por enquanto), isso pode constranger seu público ainda muito humilde e pobre. Procure sempre a discrição, fazendo o possível para que sua imagem não tire a atenção da Palavra. Sua imagem é seu cartão de apresentação, e a primeira impressão geralmente é a que fica. No próximo módulo estudaremos sobre "gratificações" ou "ajudas de custo".

MÓDULO 04

No início da caminhada rumo a “fama”, quando for convidado para pregar, não estipule nenhum valor de cachê, oferta, ajuda, ou como queira chamar. Se ao final do culto, nem a gasolina ou passagem lhe derem, não faça cara feia, não reclame, nem questione. Abra um sorriso largo e diga que se precisarem, você estará pronto para retornar e pregar novamente. Tenha paciência, pois chegará o tempo dos bons “cachês”! No próximo módulo trataremos sobre cartões de apresentação e apostilas.

MÓDULO 05

Já está na hora de confeccionar um "cartão" de apresentação e algumas apostilas. Com relação ao cartão, comece com o título "CONFERENCISTA", isto impressiona. Na primeira viagem para outro estado (mesmo que você resida numa fronteira) mude o título no cartão para "CONFERENCISTA INTERESTADUAL", e assim sucessivamente até alcançar o status de "CONFERENCISTA INTERNACIONAL". As apostilas (e quem sabe alguns CD's) vão lhe ajudar a cobrir algumas despesas pessoais. No próximo módulo: a formação teológica do "CONFERENCISTA".

MÓDULO 06

Títulos acadêmicos são interessantes. Dá um certo ar de credibilidade e ajuda na melhora do "status". O candidato a "fama" como pregador, deve fazer um curso de teologia, se possível um mestrado e doutorado, mesmo se depois de ficar famoso acabe se auto-proclamando Doutor em Porcaria. No próximo módulo "Quando chega a fama, o que fazer?".

MÓDULO 07

A essa altura, depois de colocar em prática as orientações dos módulos anteriores, com uma boa dose de paciência e sorte, a fama certamente já estará batendo em sua porta. Daí em diante se torna necessário mudar alguns hábitos e posturas. Lembre-se sempre que você não é mais um "Zé Ninguém".

1. Convites

Lembra-se daquela história de aceitar o máximo de convites possível e de pregar em qualquer igreja, independente do tamanho ou condição social? Pois bem, esqueça. Pregador famoso não aceita qualquer convite (que deve passar agora por sua secretária), nem prega em qualquer igreja ou lugar. Se lhe convidarem para pregar em Camboriú, faça charminho e diga que vai dar uma olhada na agenda.

2. Pregação

Se pregar ou ensinar uma "heresiazinha" não vai ter problema algum. Agora você já tem uma "legião" de fãs, discípulos, adeptos, etc., que morrerão e matarão por você. Suas heresias para eles são "verdades absolutas", acima da própria Bíblia sagrada. Pregue sobre teologia da prosperidade, vitória financeira, amarre ou mande os demônios para longe (mesmo eles não indo), faça um ar de agressividade, cara feia, isto impressiona. O que vale é o que você diz. Você é o "cara"!

3. Aparência

Capriche no visual excêntrico. Faça plásticas no rosto, ajeite o cabelo, faça a sobrancelha, abuse na maquiagem, use ternos extravagantes (amarelo vermelho, rosa, etc.), sapatos também. Use apenas roupa de grife (Armani, Broksfield, Polo, etc.). Jogue no lixo suas convicções passadas. Não ligue para quem lhe chamar de "moderninho", de "mauricinho" da fé, etc. É mera intriga da oposição.

4. Cachê

Quanto ao cachê, você agora é quem dita as regras. Manter um status de pregador famoso custa caro. Estipule o seu preço, exija os melhores vôos, hotéis e restaurantes. Não dê moleza. Convidar pregador famoso não é para quem quer, é para quem pode.

5. Publicações e Produções

Apostila e CD é negócio para pobre. Escreva livros, grave DVD's, crie um site na internet, tenha o seu próprio programa na TV. Você agora é uma "marca" lucrativa.

6. Formação Acadêmica

Chame todos os seus títulos acadêmicos de "PORCARIA DE NOME". Apesar de ser uma grande hipocrisia de sua parte, seus discípulos vão gostar de ouvir isso, principalmente os frustrados e incultos. Abuse de arrogância quando falar de teólogos (apesar de você ser um).

7. Liderança das igrejas e convenções

Não se dobre diante de "presidentes" de igrejas ou convenções. Não se intimide com ninguém. Quando a coisa apertar, use sua oratória e jogue o povo contra a liderança. Desafie os pastores na tribuna da igreja (ou pela TV), isso dá um certo ar de "autoridade profética". Se qualquer grupo ou pessoa "pegar muito no seu pé", lhe incomodar com duras críticas, mande-os "PARA O QUINTO DOS INFERNOS", chame-os de hipócritas, opositores da "grande obra" que você está realizando. Mande vê, sem pena, sem dó e sem ética!

CONCLUSÃO DO CURSO

Amados, o curso “como se tornar um pregador famoso” (ou um "fenômeno"), trata-se de um retrato crítico de uma dura e triste realidade vivenciada pela igreja evangélica no Brasil e no mundo. Muitos jovens e homens de Deus, chamados e capacitados pelo Senhor para o Ministério da Palavra, acabaram cedendo ante as tentações proporcionadas pela “fama”, influenciados por alguns pregadores que estão ocupando espaços na mídia, em grandes eventos evangélicos, mas que se distanciaram da simplicidade e humildade, características indispensáveis na vida de um “servo” de Deus. Esses “astros luminosos dos palcos da fé” ou "fenômenos" começaram bem, mas se desviaram do salutar modelo bíblico (2 Tm 4.5). Adotaram uma postura arrogante, relativizaram valores, semearam heresias, contendas e insubmissão, afrontaram líderes, e arrebanharam para si multidões de meninos alienados e massificados (Ef 4.14). Querido irmão, se o Senhor Jesus te chamou para ser um pregador e ensinador de sua Palavra, faça isso com temor e tremor (1 Co 2.3), não confie em suas habilidades de oratória (1 Co 2.4), não busque para si a honra e a glória que só pertencem a Deus. Para os que são admiradores daqueles que assim agem, deixo também uma palavra de reflexão: Não apóie a sua fé em sabedoria (ou mera sutileza) de homens (1 Co 2.4-5). Agradecemos as manifestações de apoio, ao mesmo tempo que pedimos desculpas para todos que ficaram confundidos com os nossos reais propósitos.
Com lágrimas nos olhos, e com um coração ardendo em zelo pela causa do Mestre, um abraço e a paz do Senhor!

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Morte Amaldiçoada, porém Bendita


própria forma da morte de Cristo não carece de grande mistério. A cruz era maldita não apenas na opinião humana, mas também por decreto da lei divina [Dt 21.23]. Logo, enquanto é nela alçado, Cristo se faz sujeito à maldição. E se impôs agir assim para que, enquanto ela é transferida para ele, eximidos fôssemos de toda maldição, a qual, em conseqüência de nossas iniqüidades, nos estava reservada, ou, antes, pendia sobre nós. Isto fora prefigurado até mesmo na lei. Pois as vítimas oferecidas pelos pecados e no Antigo Testamento eram expiatórias, as chamavam aschamot, vocábulo com que, com propriedade, se designa o próprio pecado. Com esta aplicação do termo, o Espírito quis indicar que elas equivaliam a [katharmát – sacrifícios ou ritos de purificação], que tomariam sobre si e susteriam a maldição devida às transgressões. O que, porém, fora representado figurativamente nos sacrifícios mosaicos, isso se exibe em Cristo, atualizado no arquétipo. Portanto, para que levasse a efeito a justa expiação, ofereceu ele a própria vida como um ascham, isto é, um sacrifício expiatório do pecado, como o diz o Profeta [Is 53.10], sobre o qual lançada, de certa maneira, a mancha e a pena, para que deixe de ser-nos ele imputado.
Mais explicitamente, isto mesmo testifica o Apóstolo, quando ensina que “Aquele que não conhecera pecado, foi pelo Pai feito pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” [2Co 5.21]. Ora, o Filho de Deus, absolutamente limpo de toda mácula, revestiu-se, entretanto, do opróbrio e da ignomínia de nossas iniqüidades, e por seu turno nos cobriu de sua pureza. O mesmo parece ter Paulo contemplado quando, em referência ao pecado, ensina ter sido o mesmo condenado em sua carne [Rm 8.3]. Pois, de fato, o Pai anulou o poder do pecado, quando a maldição foi transferida para a carne de Cristo. Indica-se, portanto, com esta afirmação, que em sua morte Cristo foi imolado ao Pai como vítima expiatória, para que, efetuada propiciação por seu sacrifício, não mais nos apavoremos com a ira de Deus.

Agora está claro o que significa essa afirmação do Profeta: “As iniqüidades de todos nós foram postas sobre ele” [Is 53.6], isto é, Aquele que haveria de expungir a sordidez dessas iniqüidades foi das mesmas coberto mediante imputação transferida.

Símbolo deste fato, atesta-o o Apóstolo, foi a cruz, na qual Cristo foi pregado. “Cristo”, diz ele, “nos redimiu da maldição da lei, conquanto se fez maldição por nós. Pois foi escrito: Maldito é todo aquele que pende em um madeiro, para que a bênção de Abraão em Cristo alcançasse os povos”[Gl 3.13, 14; Dt 21.23]. O mesmo Pedro visualizou quando ensina que “no madeiro Cristo levou nossos pecados” [1Pe 2.24], visto que do próprio símbolo da maldição compreendemos mais claramente que foi posto sobre ele o fardo de que havíamos sido oprimidos.
Nem se deve, contudo, entender que Cristo tenha arrostado com esta maldição de modo tal que ele próprio tenha sido dela avassalado. Pelo contrário, em arrostando-a, antes abateu, quebrantou, destroçou-lhe todo o poder. Conseqüentemente, a fé apreende na condenação de Cristo uma absolvição; em sua maldição, uma bênção. Pelo que, não sem causa, magnificentemente proclama Paulo o triunfo que Cristo alcançou para si na cruz, como se esta, que era plena de ignomínia, fosse convertida em carro triunfal. Pois ele diz que foi “pregada na cruz a nota de dívida que nos era desfavorável, e os principados foram totalmente desbaratados, e, assim despojados, foram exibidos em público” [Cl 2.14, 15]. Tampouco isso surpreende, pois, como o atesta outro Apóstolo, “pelo Espírito Eterno Cristo se ofereceu a si mesmo” [Hb 9.14], donde procede essa transmutação de natureza das coisas. Mas, para que estas coisas finquem firme raiz em nosso coração, e no íntimo se nos arraiguem, venham-nos sempre à mente seu sacrifício e ablução. Pois, nem poderíamos confiar com certeza que Cristo nos é redenção [1Co 1.30] resgate [1Tm 2.6] e propiciação [Rm 3.25]; a menos que viesse a ser-nos a vítima sacrificial. E por isso tantas vezes se faz menção de sangue onde a Escritura expõe o modo da redenção. Bem que, entretanto, o sangue de Cristo derramado valeu não apenas para satisfação, mas também serviu de lavagem para purgar-nos as imundícias.

sábado, 6 de agosto de 2011

Em Juazeiro do Norte - Por Ana Paula Valadão

Estar em Juazeiro do Norte para entronizarmos Jesus sempre seria um motivo de alegria. Mas, desta vez, a nossa ministração tinha um gosto de conquista ainda maior para toda a Igreja do Senhor Jesus. Fomos convidados pela prefeitura da cidade, para encerrarmos 3 dias de celebração do centenário da cidade. Na verdade, seria o 1º dia do novo centenário, e isso significava muito em meu coração. O cenário do interior nordestino, uma cidade de 250 mil habitantes, com apenas 10 mil evangélicos, e de uma história bastante resistente à nossa mensagem, fazia deste convite algo muito especial. Confesso que, enquanto me preparava para a viagem passei mal e senti medo. Ajoelhei-me aos pés da cama e pedi meu esposo para orar por mim. Meu pai também orou pela minha ida, e fui fortalecida, especialmente, quando ouvindo Senhor em meu coração: “Tenho um povo nessa cidade. Vá e encoraje-o!”.


Até hoje a Igreja evangélica ali sofre, na pele, algumas perseguições. Outro dia mesmo uma equipe de evangelistas apanhou em um culto ao ar livre que tentaram fazer em uma cidadezinha próxima a Juazeiro. São histórias e mais histórias assim, e nossa própria impressão ao orarmos por aquela viagem nos dava a certeza de que esta seria uma ministração especial em nossa trajetória até aqui.
Antes mesmo de viajarmos também experimentamos um pouquinho desta rejeição. A prefeitura, que estava patrocinando todos os eventos do centenário, não pôde depositar o dinheiro de nossas passagens. Um irmão em Cristo teve que pagar e será ressarcido pela prefeitura. No hotel onde nos hospedamos, enquanto a outra banda, do outro dia de show, estava com toda sua equipe hospedada na melhor ala, nós ficamos em quartos sem água quente, alguns com apenas um cano e não chuveiro, outro sem janela, apenas um buraco na parede. Estas coisas são pequenas e não desmotivaram nossa equipe. Pelo contrário, nos animamos muito em poder relembrar que estávamos ali por uma causa e missão muito maior que nosso conforto. Como lembrou nossa equipe, o que o Pr João Osmar sempre ensina no CTMDT: “A Causa será sempre maior e as dificuldades serão sempre menores!”.
fomos buscados no aeroporto, e transportados do hotel para o local do evento, por irmãos da Igreja que nos serviram com muito amor. Algumas vezes, nossos técnicos tiveram que ir e voltar do hotel para o local do evento a pé, pois nenhum transporte foi provido para nós. Outra vez quero elogiar minha turma, tão disposta! Estávamos muito felizes, junto com os irmãos, pois já era um grande avanço podermos ministrar naquele Parque da Cidade, em um evento aberto, de entrada franca, como nunca havia acontecido antes em 100 anos de história!
Ao chegar ali, mais desafios. Na noite anterior, do show da outra banda, deixaram os camarins imundos e nós mesmos tivemos que limpar. Irmãos das igrejas e minha equipe faxinou o local, que tinha até fezes humanas na entrada do camarim. Parecia um recado bem claro de que não éramos bem vindos. Nem sequer uma cadeira deixaram ali para nós. Tiraram tudo. As cortinas do palco foram rasgadas. Vários detalhes da produção do evento, que tinham sido acordados, e que estavam presentes no show anterior, não foram cumpridos conosco. Por prudência nós levamos vários equipamentos desde BH, sem os quais teríamos que “juntar” o que as Igrejas tinham para tentar tocar.

Havia um palco paralelo, onde outras bandas também se apresentaram, e naquela noite, um cantor de forró evangélico, muito conhecido na região, o Felipão, estava preparado para tocar com sua equipe. A cena era muito triste. Aquele palco estava ainda pior que o nosso, de tanta imundície, e sem nenhum equipamento. Combinamos que eles tocariam depois de nós, no mesmo palco, e somamos forças, pois ele nos ajudou colocando uma cortina de luzes de LED que ajudou a tornar o palco mais bonito.
Na cidade algumas ações contra nós aconteciam no meio do povo. Pessoas influentes da cidade promoveram um abaixo assinado contra nossa visita. Uma TV local divulgou que não éramos bem vindos. O “tiro saiu pela culatra”. Muita gente ficou chateada com essa atitude e mesmo não sendo evangélicos muitos decidiram ir ao evento. Fomos chamados pela TV Globo para participarmos do jornal do meio dia. Temos a impressão de que esta foi ordem do Rio, pois a Som Livre, nossa distribuidora, que faz parte do grupo Globo, divulgou nossa vinda, e um dos compromissos deles conosco é tratar-nos com o mesmo respeito com que qualquer artista é tratado.
Fomos muito bem recebidos na emissora, mas a primeira pergunta que me fizeram, ainda nos bastidores, foi exatamente: “Como vocês se sentem sendo evangélicos, numa cidade tão católica?”. A entrevista nesta grande emissora foi uma oportunidade de falar para a cidade que estávamos ali com uma mensagem de paz, do amor de Cristo, que também somos cristãos e queríamos abençoar Juazeiro, como temos feito por onde passamos. Confesso que o clima era tenso, e que ao final agradeci a Deus por outra vez ter cumprido a promessa de que me daria a palavra ao abrir de minha boca, pelo Espírito Santo.
Diante de tantas adversidades não esperávamos muita gente. A intensidade de nossos louvores não dependeria disso, pois sabemos do poder de nossa adoração, mesmo quando ninguém, além dos céus, nos escuta. Aliás, em reunião com alguns pastores da cidade, quando orávamos na noite anterior ao culto, eles leram a Palavra de II Crônicas 20, quando Josafá e os israelitas louvavam à frente do exército e Deus pelejou por eles. Esta mesma Palavra me tinha sido dada em Natal, há exatamente 1 semana, na sexta-feira antes de nossa gravação.
Nos regozijamos no Senhor, e profetizei que, assim como por 3 dias o povo de Israel recolheu os despojos, assim começavam 3 tempos de Deus, de conquista e tomada do despojo naquela cidade. Debaixo desta Palavra reafirmamos nossa compreensão do poder do louvor nos ares da cidade, ainda que não houvesse muita gente no evento.
Para nossa surpresa a Polícia confirmou que 40 mil pessoas estavam ali! Os pastores, unidos, oraram. Um grupo de dança reunido de algumas igrejas, dançou a música “Brasil” do Diante do Trono e foi muito emocionante ver aquele clamor de II Crônicas 7:14 subir aos céus naquele lugar. O Prefeito, apesar de muitas pressões contrárias, nos honrou e foi ao evento. Ali, ele fez uma oração que os pastores escreveram em um papel para que ele, como autoridade na cidade, pedisse perdão a Deus pelos pecados e entregasse Juazeiro ao Senhor Jesus. Foi muito importante este momento.
Quando começamos a ministrar, a direção que tinha vindo ao meu coração enquanto orava, foi confirmada. Deveríamos adorar e exaltar o nome do Senhor Jesus, declarando que não há outro que se compare a Ele. Cantamos várias canções com esta mensagem. “Não há outro igual a Ti” foi a frase mais marcante. Só o Senhor é santo. Só o Senhor é digno. Para mim, a experiência também era nova, pois devido à pós-produção do nosso recém gravado “Sol da Justiça”, nossos cantores estavam em estúdio e não puderam viajar. Eu estava cantando sozinha, e sentia o fluir de uma preciosa unção que me capacitava. Eu sentia a adoração subir não apenas no palco, mas em todo aquele lugar. Então, cantamos “Deus de amor”, pois esta canção veio a mim meditando em como nosso Deus é maravilhoso, e nossa vida com Ele só fica mais bonita. Ao contrário, outros deuses sujeitam seus servos a coisas tão sujas e feias. Nosso Deus é lindo!

Show Forró Gospel do momento no Brasil

O cantor Felipão, ex-vocalista da banda Forró Moral fez a abertura da 36º Expocorrente, foi a primeira vez que um show gospel foi realizado na feira. O cantor se converteu a cerca de 4 anos e animou a noite de (13/07) com um repertório composto de canções suas e grandes sucessos do gênero em rítimo de forró.

















Um buraco em nossa santidade

Tenho uma preocupação crescente de que os evangélicos mais jovens não levem a sério o chamado bíblico para a santidade pessoal. Eles estão muito tranquilos com o mundanismo em seus lares, muito descansados com o pecado em suas vidas, muito satisfeitos com a imaturidade espiritual de nossas igrejas.

A missão de Deus no mundo é salvar um povo e santificar seu povo. Cristo morreu “para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15). Fomos escolhidos em Cristo “antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4). Cristo “amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5.25-27). Cristo “deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14).

J.C. Ryle, o Bispo de Liverpool do século XIX, estava certo: “Devemos ser santos, pois esse é o grande fim e propósito pelo qual Cristo veio ao mundo… Jesus é um Salvador completo. Ele não tira meramente a culpa do pecado de um pecador, Ele faz mais – Ele destrói seu poder (1 Pe 1.2; Rm 8.29; Ef 1.4; 2 Tm 1.9; Hb 12.10)”. Meu medo é que, enquanto corretamente celebramos, e em alguns lugares redescobrimos, do que Cristo nos salvou, reflitamos pouco e nos esforcemos pouco em relação a para que Cristo nos salvou.

A busca da santidade não ocupa o espaço que deveria em nossos corações. Existem muitas razães para a relativa negligência da santidade pessoal.

Jesus é um Salvador completo. Ele não tira meramente a culpa do pecado. Ele faz mais – Ele destrói seu poder.

1) No passado, era muito comum igualar santidade com abster-se de algumas práticas tabus como beber, fumar e dançar. Em uma geração anterior, piedade significava que você não praticasse essas coisas. Gerações mais novas tem pouca paciência com esse tipo de regras. Eles ou discordam dessas regras ou descobrem que já têm todas as justificativas, logo não há nada para se preocupar.

2) Junto com a primeira razão há o medo de que a paixão pela santidade transforme você em um tipo de resquício estranho de uma era passada. Logo que se começa a falar sobre palavrão ou filmes ou música ou modéstia ou pureza sexual ou autocontrole ou simplesmente piedade, as pessoas ficarão nervosas, tememos que outros nos chamem de legalista, ou pior, de fundamentalista.

3) Vivemos numa cultura do legal, e ser legal significa que você deve se diferenciar dos outros. Isso geralmente significa ir mais além em relação ao vocabulário, ao entretenimento, ao álcool, e à moda. É claro, santidade é muito mais que essas coisas, porém, num esforço de ser cool muitos cristãos descobriram que santidade não tem nada a ver com essas coisas. Eles aceitaram voluntariamente a liberdade cristã, mas não têm buscado sinceramente a virtude cristã.

4) Entre muitos cristãos liberais, uma busca radical pela santidade é frequentemente suspeita, porque qualquer conversa de comportamento certo ou errado parece farisaico e intolerante. Se devemos ser “irrepreensíveis e sem mácula”, é necessário distinguir entre os tipos de atitudes, ações e hábitos que são puros e os tipos que são impuros. Esse tipo de distinção te coloca em problemas com os fiscais do pluralismo.

5) Entre os cristãos conservadores, existe às vezes a noção errônea de que, se somos verdadeiramente centrados no Evangelho, não falaremos sobre regras ou imperativos ou exortaremos cristãos ao esforço moral. Para ser claro, existe um risco de ensino moralista por aí, mas algumas vezes, vamos ao outro extremo e agimos como se a Bíblia não falasse sobre moral. Estamos tão ansiosos em não confundir indicativos com imperativos (um argumento que defendi várias vezes) que, se não formos cuidadosos, nos livraremos de todos os imperativos. Tememos palavras como diligência, esforço e obediência. Diminuímos versos que nos chamam a por em ação a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12) ou nos ordenam a nos purificar de tudo o que contamina o corpo e o espírito (2 Co 7.1) ou nos advertem mesmo contra qualquer menção de imoralidade entre os santos (Ef 5.3).

Descubro que você pode encontrar muitos jovens cristãos hoje que estão realmente empolgados em relação à justiça e serviço a nossas comunidades. Você pode encontrar cristãos inflamados quanto ao evangelismo. Você encontra muitos crentes das gerações XYZ apaixonados por uma teologia precisa. Sim e Amém para tudo isso. Mas onde estão os cristãos conhecidos por seu zelo pela santidade? Onde está a paixão correspondente por honrar a Cristo com uma obediência semelhante à Cristo? Precisamos de mais líderes cristãos em nossos campi, em nossas cidades, em nossos seminários, que dirão com Paulo: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem” (Efésios 5.15)?

Qual foi a última vez que tomamos um verso como Efésios 5.4 – “Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças” – qual a última vez que pegamos um verso como esse e começamos a tentar aplicá-lo a nossas conversas, piadas, filmes, vídeos do Youtube, televisão ou compras? O fato é que se você ler as epístolas do Novo Testamento você encontrará poucos mandamentos explícitos para que evangelizemos e muitos poucos mandamentos que nos dizem para cuidarmos dos pobres em nossas comunidades, mas existem muitos e muitos versos no Novo Testamento que nos instruem, de uma forma ou outra, a ser santos como Deus é santo (por exemplo, 1 Pedro 1.13-16).

Não desejo denegrir qualquer outra ênfase bíblica que chama a atenção dos jovens evangélicos. Mas creio que Deus gostaria que fôssemos mais cuidadosos com nossos olhos, nossos ouvidos e nossa boca. Não é pietismo, legalismo, ou fundamentalismo levar a santidade a sério. É o caminho de todos aqueles que foram chamados para uma santa vocação por um Deus santo.

A Bíblia e a Reencarnação

A Segurança da Bíblia: Consideremos essas palavras de Allan Kardec: "No cristianismo encontram-se todas as verdades" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5). A Bíblia sempre foi a única base doutrinária e regra de fé e conduta dos verdadeiros cristãos. Em 2ª Timóteo 3.16 está escrito: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça".

Jesus Cristo, tido pelo Kardecismo como a segunda revelação de Deus aos homens (Moisés seria a primeira), afirmou a solidez e a inspiração plenária da Bíblia. Em João 17.17, orando ao Pai, Ele diz: "A tua palavra é a verdade" (cf. Salmo 119.160). Quando tentado, sempre usando a expressão "está escrito", Ele respondeu citando o texto de Deuteronômio 8.3: "Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4.4). Em Mateus 24.35 diz: "Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão". Ele sempre usou a Bíblia para ensinar, redargüir, corrigir ou instruir em justiça.
Aos saduceus, que não criam na ressurreição, Jesus respondeu: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22.29). Jesus ainda nos manda examinar as Escrituras, pois são elas que testificam da Sua obra redentora: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5.39-40).
Na parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16.19-31), Jesus mais uma vez demonstra a Sua convicção nas Escrituras ao narrar a resposta dada pelo patriarca Abraão ao rico, quando este, no Sheol-Hades (inferno), lhe pedira que enviasse Lázaro aos seus irmãos: "Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos" (versículo 29). Jesus reporta-se a Moisés e aos Profetas para nos informar que nenhuma outra forma de revelação poderia ser apresentada aos homens (inclusive a mediúnica), pois, por meio de ambos, foi-nos dada a verdadeira revelação – a Bíblia.
O Que a Bíblia diz Sobre Reencarnação? O Minidicionário Aurélio conceitua o verbo Reencarnar da seguinte forma: "1. Reassumir (o espírito) a forma material. 2. Tornar a encarnar". Ao contrário da ressurreição, que é a volta do espírito ao mesmo corpo, a reencarnação significa o retorno do espírito a um novo corpo, sucessivamente, até alcançar a evolução.
Na verdade, a não ser por meio de uma exegese forçada, não há na Bíblia qualquer referência direta ou indireta à reencarnação. Ao contrário, as Escrituras ensinam que, da mesma maneira como Jesus veio ao mundo uma só vez, também ao homem está ordenado morrer uma única vez: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9.27). O sacrifício único de Jesus, ao morrer na cruz, é mais que suficiente para nos libertar dos pecados e nos conduzir a Deus: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" (1 Pedro 3.18).
Todo o ensinamento bíblico é no sentido de que só poderemos morrer uma única vez até o juízo final de Deus. Jesus não somente ressuscitou três dias após Sua morte, como também incluiu a ressurreição entre os Seus milagres (João 11.11-44). Diversas outras passagens da Bíblia demonstram a realidade da ressurreição (Daniel 12.2; Isaías 26.19; Oséias 6.2; 1 Coríntios 15.21-22; João 5.28-29; Atos 24.15; Apocalipse 20.6). Em todos esses textos, ressuscitar significa o retorno do espírito ao seu próprio corpo (ver também 1 Coríntios 15.12-22).
Então, se não Existe Reencarnação, o que Faço Para ser Salvo? A resposta está em Atos 16.31: "...Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa". Somente através da nossa fé, pura e incondicional, é que obteremos a salvação, mediante Jesus Cristo. Ele mesmo disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11.25). Não há outro caminho e nenhuma outra verdade além desta (veja João 14.6). Não adianta esperar uma outra existência, pois esta é a única oportunidade. Jesus, somente Ele, é quem nos dá a vida eterna: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10.28). Então, busque hoje mesmo a Jesus Cristo, entregue-Lhe seu coração e Ele o ouvirá: "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10.13).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A mais nova INVENÇÃO neopentecostal: a música "parabéns para você "é do diabo.

Fico impressionado com essa mania de alguns "evangélicos "satanizarem todas as coisas. Pois é, em nome da espiritualidade já se afirmou que a Xuxa é satanista, que a Disney é do capeta e que o natal é obra do cramulhão.


Há pouco recebi a informação de alguns dos "ghostbusthers gospel " estão a ensinar que a palavra RATIMBUM cantada no parabéns para você é uma palavra mágica usada pelos magos persas na Idade Média. Segundo os "gospelbusthers", elas eram pronunciadas assim e ao contrário fazendo o mestres dos magos surgir das cinzas e realizar os desejos de quem os proclamou. Os adeptos desta crença afirmam:

“Por muito tempo cantamos inocentemente um "parabéns" para alguém que está aniversariando. Mas até aqui tudo bem. O que muitos não sabem é que depois da música vem um tal de ratimbum (isso significa: eu amaldiçoo você). Muitos não sabem, mas os demônios se divertem em muitas festas até cristãs. Esse ratimbum é pronunciado até para os pastores e devemos tomar cuidado porque é essa mesma a finalidade do maligno.”

Sinceramente fico admirado com o esforço que alguns "evangélicos" fazem para encontrar evidências de que todas as coisas são do diabo.

Caro leitor, as igrejas que vivenciam este tipo de comportamento manifestam uma enorme ignorância quanto aos ensinamentos bíblicos. Cristo nos libertou de todo tipo de rito e superstição. Nele e por ele verdadeiramente somos LIVRES. Em outras palavras isto significa dizer que não somos amaldiçoados por cantar parabéns para você no aniversário de alguém. Além disso, afirmar que ratibum é do diabo significa o desconhecimento do que seja uma Onomatopéia.

Onomatopeia é uma figura de linguagem na qual se imita um som com um fonema ou palavra. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. Por exemplo, para os índios tupis tak e tatak significam dar estalo ou bater e tek é o som de algo quebrando. As onomatopeias, em geral, são de entendimento universal.

No parabéns para você Ratibum significa o fechamento musical de uma fanfarra. "Rá", o tarol, "Tim", os pratos, "Bum", o bumbo. "Parará tim bum" é outro exemplo que demonstra de maneira prolongada o rufar do tarol.

Pois é cara pálida, mais uma vez afirmo que o Evangelho de Cristo se contrapõem em muito aos ensinos dos teólogos quixotescos. Em Jesus e por Jesus somos libertos da escravidão do pecado, e do domínio do diabo e do misticismo.

Pense nisso!

Como posso criar um criminoso?

A Bíblia nos ensina em Provérbios 22:6: “Ensina a criança no o caminho que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele”. A chefia de polícia de Houston, Texas (EUA), publicou as seguintes diretrizes irônicas sobre a educação de filhos:


Como posso conduzir meu filho a caminhos errados?

1 - Desde pequeno, dê ao seu filho tudo que ele deseja;

2 - Ache graça quando seu filho disser palavrões, pois assim ele ficará convencido da sua originalidade;

3 - Não lhe dê orientação espiritual. Espere que ele mesmo escolha "sua religião" depois dos 21 anos de idade;

4 - Nunca lhe diga que ele fez algo errado, pois isso poderia deixá-lo com complexo de culpa;

5 - Deixe que seu filho leia o que quiser... A louça deve ser esterilizada, mas o espírito dele pode ser alimentado com lixo;

6 - Arrume pacientemente tudo que ele deixar jogado: livros, sapatos, meias. Coloque tudo em seu lugar. Assim ele se acostumará a transferir a responsabilidade sempre para os outros;

7 - Discuta freqüentemente diante dele, para que mais tarde ele não fique chocado quando a família se desestruturar;

8 - Dê-lhe tudo em comida, bebida e conforto que o coração dele desejar. Leia cada desejo nos seus olhos! Recusas poderiam ter perigosas frustrações por conseqüência;

9 - Defenda-o sempre contra os vizinhos, professores e a polícia; todos têm algo contra seu filho!

10 - Prepare-se para uma vida sem alegrias – pois é exatamente isso que o espera!

Quem “educar” seus filhos dessa maneira, realmente deve esperar anos difíceis, pois a Bíblia diz em Provérbios 29:15b: “...a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”. Aquele, entretanto, que seguir a Palavra de Deus na educação, experimentará o que diz Provérbios 29:17: “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma”.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Deus Não é Obrigado a ter Misericórdia

O privilégio que pertence aos filhos de Deus é que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1 Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.

Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua misericórdia, salvar um homem e deixar outro para sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom. 9:15-16).

Alguns ficam muito zangados com este ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a verdade da soberania de Deus mantém-se firme como uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.
A doutrina da soberania de Deus traz grande alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final. Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis, mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO. Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi "segundo a sua vontade". Deus Se apraz na misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua eterna graça.
Louvemos ao Senhor que nos amou quando estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de Deus. Freqüentemente desprezamos essa miseri¬córdia. Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas misericórdias que duram para sempre. Quão maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos concedeu é que, através do poder divino do Espírito Santo, já nascemos de novo.
Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo, regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos novas criaturas em Cristo?
Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e bem comportada não lhes dará uma entrada para o reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não importa se vocês viveram uma boa vida ou se desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta transformação sobrenatu¬ral em vocês. Esta mudança é o resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.
Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam distanciados, mas agora foram trazidos para perto de Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-se diante dEle.
A maneira que esta mudança foi operada em nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras ensinam claramente que o Espírito de Deus opera através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.
O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz. Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho. Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma das mais solenes e importantes palavras em todas as Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina não for pregada.
Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você, então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua ira.

Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".



O dia mau na vida do homem

Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” Efésios 6:13


O que significa esse “dia mau”? Alguns dizem que á a vida inteira do cristão. Jacó, já à beira da morte, lamentou: “Poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida” (Gn. 47.9). Cristo advertiu os discípulos: “No mundo passais por aflições” (Jo. 16.33). Mas este sofrimento generalizado é a porção de qualquer pessoa, afinal, todos nós somos herdeiros das conseqüências do pecado.
Contudo, no texto citado, o Apóstolo Paulo está indicando algo bem mais específico. É um dia que se distingue de todos os demais. Ele traz uma novidade, algo que os outros dias não apresentam, males como: desastres naturais (uma enchente destruindo a propriedade); desastres materiais (a casa sendo assaltada); desastres físicos (uma doença terminal); desastre final (a chegada do último inimigo, a morte vem para ceifar mais uma vida). Seja qual for a natureza específica desse momento, ele poderá ser suavizado como o devido preparo: “Tomai toda armadura de Deus, para que possais resistir (permanecer inabalável) no dia mau” (Ef. 3.13). Deus já providenciou os recursos necessários para que sejamos mais que vencedores no “dia mau”.

Vamos observar algumas características da visitação desse “dia mau”:

O “dia mau” é inescrupuloso, isto é, não tem pena de sua vítima. Seja qual for a natureza desse mal, ele vem para desorientar e machucar, não leva em conta os sentimentos de ninguém.
O dia, em si, não é pecado, ou seja, a pessoa que recebe esta visitação não se torna culpada de pecado. O pecado é sempre a transgressão da lei de Deus (1Jo. 3.4). O dia mau é algo que vem sobre nós involuntariamente e sem a nossa participação.

Também devemos lembrar que esse dia mau, normalmente, não vem por cauda de um pecado específico que estamos abrigando em nossa vida. Entendemos que, para o cristão, o dia mau vem com a soberana permissão de Deus, e é por isso que Ele está presente conosco nestas aflições: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl. 12.4).

Muitas vezes, esse “dia mau” é permitido para provocar uma manifestação da sinceridade da nossa fé. Nós vamos permanecer fiéis no meio da tribulação e glorificaremos a Deus, ou negaremos a fé a fim de nos livrarmos da aflição? Lembremo-nos de Jó.

Esse dia mau é permitido para nos fazer lembrar que este mundo é assim mesmo e, portanto, impróprio para a construção de esperanças permanentes. Abraão, sentindo a sua vulnerabilidade, “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb. 11.10). De forma semelhante, sentindo a nossa insegurança, devemos buscar refúgio sob as asas do Deus poderoso, o Deus que envia o seu auxílio (Rt. 212; Sl. 57.3)

Uma outra característica a ser abordada é que o “dia mau” é inevitável, isto é, há de chegar, independente do nosso estado espiritual. Em Eclesiastes capítulo 8, versículo 8, está escrito: “Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tão pouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguas nesta peleja”. A morte é um temido exemplo de “dia mau”. Com o nosso nascimento, ela já foi anunciada: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, depois disso, o juízo” (Hb. 9.27). Devemos ter consciência da imutabilidade das determinações de Deus, porque Ele mesmo já se pronunciou: “Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei” (Is. 46.11). Quando a ordem da morte é emitida, não há como resistir, temos de ir.
O “dia mau” é também inescusável, isto é, não há desculpas para justificar a nossa falta de preparo. Já fomos advertidos: haverá dias maus para cada pessoa, “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” (Ef. 6.13). Podemos meditar sobre esta necessidade em termos de dever e prudência:
O nosso próprio dever. A Bíblia ensina: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho” (Pv. 14.8). Sabemos que dias maus nos aguardam, portanto, devemos estar preparados. A boa providência de Deus nos oferece inúmeras oportunidades para ficarmos prevenidos contra estas visitações negativas, e oportunidades são dadas a fim de serem aproveitadas. O escritor aos Hebreus exclamou: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb. 2.3).
À luz da prudência. Eis a voz das Escrituras: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim, como sábios, redimindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef. 15-16). Este preparo para o “dia mau” é uma questão de prioridade. Devemos sentir uma urgência na exortação do Apóstolo Paulo: “Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação” (2Cor. 6.2). É muito difícil e até impossível se vestir em pleno dia mau; achando-se nu, permanecerá nu e desabrigado. Não sabemos a hora da chegada. Portanto, devemos ser prudentes e nos preparar para aquele dia. “O choro de remorso por causa de oportunidades desperdiçadas não traz nenhum auxílio e nem consolo: Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” (Ef. 6.13).
A própria experiência pessoal deve nos ensinar que estamos expostos a todo tipo de mal. Contudo, apesar das duras evidências da realidade desse dia temível, percebemos que poucos se preparam. Evidentemente, é mais cômodo adiar qualquer decisão, ou esconder-se atrás de formas de mentiras, tais como: este dia não existe, é só para nos amedrontar; talvez este dia possa chegar, mas é reservado somente para os idosos, eu ainda sou muito jovem, não vou me preocupar com estes assuntos por enquanto; este dia mau é o castigo de Deus para pecadores, mas eu sou crente, protegido contra tais adversidades, por isso não preciso me incomodar com tais coisas negativas.
O que devemos fazer para estarmos devidamente preparados? É necessário desembaraçar-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, e firmarmos todas as nossas esperanças em Jesus Cristo, porque Ele é a armadura de Deus (Hb. 12.1-2). “Mas revesti-vos do Senhor Jesus, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13.14).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os anos ocultos de Jesus

Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras. E uma única referência à juventude de Jesus. O Evangelho de Lucas nos conta que, aos 12 anos, ele viajou com os pais de Nazaré a Jerusalém para celebrar o Pessach, a Páscoa judaica. Quando José e Maria retornavam a Nazaré, perceberam que Jesus tinha ficado para trás. Procuraram o garoto durante 3 dias e decidiram voltar ao Templo, onde o encontraram discutindo religião com os sacerdotes. “E todos que o ouviam se admiravam com sua inteligência” (Lucas 2:42-49).
Isso é tudo. Jesus só volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. É quando o conhecemos realmente. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém, a fuga com os pais para o Egito – para escapar de uma sentença de morte impetrada por Herodes, rei dos judeus – e a volta para Nazaré. Da vida adulta, o ajuntamento dos apóstolos e a pregação na Galileia, além do julgamento e da morte em Jerusalém. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos? Qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento nesses 18 “anos ocultos”? Afinal, o que ele fez antes de profetizar na Galileia?

A notícia para quem deseja reconstruir o Jesus histórico é que novas análises dos Evangelhos, documentos históricos e achados arqueológicos nos dão pistas sobre a sociedade da época. E dessa forma podemos chegar mais perto de conhecer o homem de Nazaré. E entender o que passava em sua cabeça.


O pedreiro cheio de irmãos

Uma coisa é certa. Aos 13 anos, Jesus celebrou o bar mitzvah, ritual que marca a maioridade religiosa do judeu. E é bem provável que ele tenha seguido a profissão de José, seu pai. Carpinteiro? Talvez não. “Em Marcos, o mais antigo dos Evangelhos, Jesus é chamado de tekton, que no grego do século 1 designava um trabalhador do tipo pedreiro, não necessariamente carpinteiro”, diz John Dominique Crossan, um dos maiores especialistas sobre o tema. Para o historiador, os autores de Mateus e Lucas, que se basearam em Marcos, parecem ter ficado constrangidos com a baixa formação de Jesus. E deram um jeito de melhorar a coisa. Mateus (13:55) diz que o pai de Jesus é que era tekton. E Lucas omitiu todo o versículo.
As mesmas passagens de Marcos e Mateus informam que Jesus tinha 4 irmãos (Tiago, José, Simão e Judas), além de irmãs (não nomeadas). Mas dá para ir mais longe a partir dessa informação. “Se os nomes dos Evangelhos estão corretos, a família de Jesus era muito orgulhosa da tradição judaica. Seus 4 irmãos tinham nomes de fundadores da nação de Israel”, diz a historiadora Paula Fredriksen, da Universidade de Boston. “Seu próprio nome em aramaico, Yeshua, recordava o homem que teria sido o braço direito de Moisés e liderado os israelitas no êxodo do Egito, mais de mil anos antes.”
Assim, a família teria pelo menos 9 pessoas, mas nem por isso era pobre. Nazaré ficava a apenas 8 km de Séforis – um grande centro comercial onde o rei Herodes, o Grande, governava a serviço de Roma. Com a morte dele, em 4 a.C., militantes judeus se revoltaram contra a ordem política. Deu errado: o general romano Varus chegou da Síria para reprimir os rebeldes. E seu amigo Gaio completou o serviço, queimando a cidade. “Homens foram mortos, mulheres estupradas e crianças escravizadas”, diz Crossan. Mas a destruição de Séforis teve um lado positivo: Herodes Antipas, filho do “o Grande”, transformou o lugar num canteiro de obras. Isso trouxe uma certa abundância de empregos para a região. Um pequeno boom econômico. Então o ambiente ao redor da família de Jesus não era de privações. “A reconstrução da cidade deve ter gerado muito trabalho para José”, diz Paula Fredriksen.
Jesus nasceu no ano da destruição da cidade, 4 a.C. Ou perto disso. O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu no tempo de Herodes, o Grande (4 a.C. ou antes). Lucas coloca o nascimento na época do primeiro censo que o Império Romano promoveu na Judeia. E isso aconteceu, segundo as fontes históricas romanas, em 6 a.C. A única certeza, enfim, é que “foi por aí” que Jesus nasceu. E que o ódio contra o que os romanos tinham feito em Séforis permeava o ambiente onde ele viveu. “Não é difícil imaginar que Jesus pensou muito sobre os romanos enquanto crescia”, diz Crossan.
Na década de 20 d.C., quando Jesus estava nos seus 20 e poucos anos, o sentimento antirromano cresceu mais ainda. Pôncio Pilatos assumiu o governo da Judéia cometendo o maior pecado que poderia: desdenhar da fé dos judeus no Deus único.
Mas, em vez de se unir contra o romano, os judeus se dividiram em seitas. Os saduceus, por exemplo, eram os mais conservadores. Os fariseus eram abertos a ideias novas, como a ressurreição – quando os justos se ergueriam das tumbas para compartilhar o triunfo final de Deus. Os essênios viviam como se o fim dos tempos já tivesse começado: moravam em comunidades isoladas, que faziam refeições em conjunto seguindo estritas leis de pureza. Já os zelotes defendiam a luta armada contra os romanos.
Em qual dessas seitas Jesus se engajou na juventude? Não há consenso entre os pesquisadores. Para alguns, porém, existem semelhanças entre a dos essênios e o movimento que Jesus fundaria – ambas as comunidades viviam sem bens privados, num regime de pobreza voluntária, e chamavam Deus de “pai”. Essa hipótese ganhou força com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947. Eles trouxeram detalhes sobre uma comunidade asceta de Qumran, que viveu no século 1 e estaria associada aos essênios. O achado ar-queológico não provou a ligação entre Jesus e essa seita. Até porque os essênios eram sujeitos reclusos, ao passo que Jesus foi pregar entre as massas da Galileia e Jerusalém.

Jesus podia não ser essênio. Mas, para alguns estudiosos, seu mentor foi João, o mestre




Dois dos 4 Evangelhos começam a falar de João Batista antes de mencionar Jesus. É em Marcos e João. O homem que batizaria Cristo aparece descrito como um profeta que se vestia como um homem das cavernas (“em pelos de camelo”) e que vivia abaixo de qualquer linha de pobreza traçável (“comia gafanhotos e mel silvestre”).
Para a historiadora britânica Karen Armstrong, outra grande especialista no tema, isso indica que João pode ter sido um essênio. A vocação “de esquerda” que Jesus mostraria mais tarde, inclusive, pode vir da ligação do mestre João com a “sociedade alternativa” dos essênios. “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, ele diria mais tarde.
Os Evangelhos não falam de João como mestre de Jesus. Nada disso. Ele apenas reconhece Jesus como o Messias na primeira vez que o vê. Os textos sagrados também informam que ele usava o batismo como expediente para purificar seus seguidores, que deviam confessar seus pecados e fazer votos de uma vida honesta.
Então Jesus aparece pedindo para ser batizado. Na Bíblia, esse é o primeiro momento em que vemos o Messias após aqueles 18 anos de ausência.
Depois de purificado nas águas do rio Jordão, Jesus parte para sua vida de pregação, curas e milagres. A vida que todos conhecem.
Para quem entende esse relato à luz da fé, isso basta. Mas é pouco para quem tenta montar um panorama da vida de Jesus, um retrato puramente histórico de quem, afinal, foi o homem da Galileia que sairia da vida para entrar na Bíblia como o Deus encarnado. E uma possibilidade é que Jesus tenha sido um discípulo de João Batista. Discípulo e sucessor.
As evidências: tal como João Batista, Jesus via o mundo dividido entre forças do bem e do mal. E anunciava que Deus logo interviria para acabar com o sofrimento e inaugurar uma era de bondade. Em suma: tanto um como o outro eram o que os pesquisadores chamam de “profetas apocalípticos”. E se os Evangelhos jogam tanta luz sobre João Batista (Lucas fala inclusive sobre o nascimento do profeta, assim como faz com Jesus), a possibilidade de que a relação deles tenha sido mais profunda é real.

O grande momento de João Batista na Bíblia, porém, não é o batismo de Jesus. É a sua própria morte. Morte que abriria as portas para o nosso Yeshua, o Jesus da vida real, começar o que começou.


E Yeshua vira Cristo

João Batista podia se vestir com pele de animal e se alimentar de gafanhotos. Mas tinha a influência de um grande líder político. Prova disso é que morreu por ordem direta de Antipas. O Herodes júnior tinha violado o 10º mandamento da lei judaica: “Não cobiçarás a mulher do próximo”. Não só estava cobiçando como estava de casamento marcado com a ex-mulher do irmão, Felipe. João condenou a atitude do rei publicamente. E acabou executado.
Mateus deixa claro como Jesus, então já com seus 12 discípulos e em plena pregação, recebeu a notícia: “Ouvindo isto, retirou-se dali para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades”. Logo na sequência, o Cristo emenda o maior de seus milagres. Sentido com a fome da multidão que ia atrás dele, pegou 5 pães e dois peixes (tudo o que os apóstolos tinham) e foi dividindo. Passava os pedaços aos discípulos, e os discípulos à multidão. “E os que comeram foram quase 5 mil homens, além das mulheres e crianças” (Mateus 14:21). Horas depois, no meio da madrugada, outro milagre de primeiro escalão: Jesus apareceria para os apóstolos andando sobre as águas.
Esses episódios, claro, são parte da vida conhecida de Jesus (ou da mitologia cristã, em termos técnicos). Mas deixam claro: a morte de João foi importante a ponto de ter sido seguida de dois dos grandes episódios da saga de Cristo.
O filho do pedreiro assumiria o vácuo religioso deixado pelo profeta. Agora sim: Yeshua caminharia com as próprias pernas. E começaria a virar Jesus Cristo. “Ele não só assumiu o manto de João, mas alterou sua doutrina. A diferença interessante entre João Batista e Jesus Cristo é que Jesus ergueu o manto caído de Batista e continuou seu programa mudando radicalmente sua visão”, diz Crossan.

Ele continua: “João dizia que Deus estava chegando. Mas João foi executado e Deus não veio”. Ou seja: para o pesquisador, Jesus teria ficado tão chocado ante a não-intervenção divina que mudou sua visão sobre o que o Reino de Deus significava.

“João Batista havia imaginado uma intervenção unilateral de Deus. Jesus imaginou uma cooperação bilateral: as pessoas deveriam agir em combinação com Deus para que o novo reino chegasse”, diz o pesquisador. Ou seja: não adiantaria esperar de braços cruzados. O negócio era fazer o Reino dos Céus aqui e agora. Como? Primeiro, extinguindo a violência. Mas e se alguém me der um soco, senhor? “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” (Lucas 6:29). Depois, amando ao próximo como a ti mesmo, ajudando ao pior inimigo se for necessário, como fez o bom samaritano da parábola famosa… Em suma, a essência da doutrina cristã.

A natividade

Agora, um aparte: chamar de “anos ocultos” apenas a juventude de Jesus é injustiça. O nascimento também é uma incógnita completa. A começar pela data de nascimento: 25 de dezembro era a data em que os romanos celebravam sua festa de solstício de inverno, a noite mais longa do ano. Não porque gostassem de noites sem fim, mas porque ela marcava o começo do fim do inverno. Praticamente todos os povos comemoram esse acontecimento desde o início da civilização – nossas festas de fim de ano, a semana entre o Natal e o Ano-Novo são um reflexo disso. O dia em que Jesus nasceu não consta na Bíblia – foi uma imposição da Igreja 5 séculos depois, para coincidir o nascimento do Messias com a festa que já acontecia mesmo – com troca de presentes e tudo.
“Na verdade, não sabemos nada histórico sobre Jesus antes de sua vida pública, já que os dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas [os que relatam o nascimento] são basicamente parábolas, não história”, diz Crossan. De acordo com Mateus, José soube num sonho que Maria daria à luz um menino concebido pelo Espírito Santo. Quando Jesus nasce, magos surgem do Oriente e seguem uma estrela que os conduz a Jerusalém. Lá, eles ficam sabendo que o Cristo nasceu em Belém. Seguindo a estrela, os magos chegam à cidade para adorar o menino e lhe regalam com ouro, incenso e mirra. Mas Herodes fica perturbado com o nascimento e manda soldados matarem todos os bebês de até 2 anos em Belém. Assim, José foge com a família para o Egito e depois vai morar em Nazaré, na Galileia, onde Jesus é criado.

Não há nenhum relato, em qualquer fonte antiga, sobre o rei Herodes massacrar crianças em Belém, ou em seus arredores, ou em qualquer outro lugar. Nenhum outro autor, bíblico ou não, menciona isso”, diz o teólogo americano Bart D. Ehrman no livro Quem Foi Jesus? Quem Jesus Não Foi?

No relato de Lucas, o anjo Gabriel vai à casa de Maria, em Nazaré, e lhe avisa que daria à luz um futuro rei. E que o “Filho de Deus” se chamaria Jesus. Maria era uma virgem prometida a José, e o anjo lhe explicou que o filho seria gerado pelo Espírito Santo. Lucas diz que naquela época, “quando Quirino era governador da Síria”, um decreto do imperador Augusto obrigou os súditos a se registrar no primeiro censo do Império. Todo mundo devia retornar à cidade de origem para se alistar. Como os ancestrais de José eram de Belém, ele foi com Maria grávida para lá. Jesus nasceu em Belém pouco depois, e foi envolvido em panos na manjedoura. Lá o menino recebeu a visita de pastores e foi circuncidado aos 8 dias, para depois passar a infância em Nazaré.

“Os problemas históricos em Lucas são ainda maiores”, diz Ehrman. “Temos registros do reinado de Augusto, e em nenhum deles há referência a um censo para o qual todos teriam de se registrar retornando ao lar dos ancestrais.”


Ok, mas afinal por que Mateus e Lucas fazem Jesus nascer em Belém? Bom, de acordo com uma profecia do livro de Miqueias, do Antigo Testamento, o salvador viria de lá. Por que de lá? Porque era a cidade do rei Davi, o mais lendário dos soberanos de Israel.

Depois que o general Pompeu invadiu a Judeia, em 63 a.C., e fez dela província do Império Romano, os profetas passaram a dizer que um rei da linhagem de Davi inauguraria o “reino de Deus”. Chamavam essa figura de “o ungido” – já que Davi e outros reis israelitas haviam sido ungidos com óleo. Os Evangelhos foram escritos em grego, o inglês da época. E em grego “ungido” é christos. O Cristo tinha que nascer em Belém. Yeshua provavelmente era de Nazaré mesmo.
Os Evangelhos, por sinal, são obra de autores desconhecidos. É apenas uma convenção dizer que foram escritos por Marcos (secretário do apóstolo Pedro), Mateus (o coletor de impostos), João (o “discípulo amado”) e Lucas (o companheiro de viagem de Paulo). Além disso, os escritores não foram testemunhas oculares. “O autor de Marcos escreveu por volta do ano 70. Mateus e Lucas, de 80. E João, no final dos 90″, diz Karen Armstrong. E claro: “Eram cristãos. Eles não estavam imunes a distorcer as histórias à luz de suas crenças”, diz Ehrman. Afinal, “evangelho” deriva da palavra grega euangélion, que significa “boas novas”. O objetivo dos autores não era escrever a biografia de Jesus, e sim propagar a nova fé. Levando isso em conta, chegamos a outra polêmica: os anos considerados como os mais conhecidos da vida de Jesus também são cheios de episódios misteriosos. Vejamos.
Yeshua sai da vida para entrar na Bíblia

Talvez tenha sido em busca de audiência que Yeshua rumou com os discípulos da Galileia para Jerusalém, por volta do ano 30 d.C. Depois de 3 anos pregando na periferia, já seria hora de atuar no palco principal.

Jerusalém era o pivô do fermento espiritual judaico, e milhares de judeus iam para lá na Páscoa. Os Evangelhos nos dizem que Jesus causou um tumulto no local, destruindo as banquinhas de câmbio (que trocavam moedas estrangeiras dos romeiros por dinheiro local cobrando uma comissão), já que seria uma ofensa praticar o comércio em pleno Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado da Terra para os judeus. Por perturbar a ordem pública, ele foi condenado à cruz. Parece historicamente sólido, mas o episódio central do Novo Testamento também é fonte de reinterpretações.
No julgamento, por exemplo, a multidão teria pedido que Barrabás, um assassino, fosse solto em vez de Jesus – já que era “costume” da Páscoa. Esse costume, porém, não é mencionado em nenhum lugar, exceto nos Evangelhos. Além disso, Jesus pode não ter sido exatamente crucificado, mas “arvorificado”. É a teoria (controversa, é verdade) do arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Suas pesquisas indicam que as vítimas dos romanos eram mais comumente crucificadas em árvores, pregando uma tábua de madeira no tronco para prender os braços do condenado. Seja como for, não há por que duvidar de que ele tenha sido executado. Roma usava e abusava do expediente para tentar manter o controle das regiões que conquistava. Segundo Flávio Josefo, historiador judeu do século 1, numa só ocasião 2 mil judeus foram executados
A história de Jesus não acaba aí, claro. “Alguns discípulos estavam convencidos de que ele ressuscitara. E que sua ressurreição anunciava os últimos dias, quando os justos se reergueriam das tumbas”, diz Armstrong. Para esses judeus cristãos, Jesus logo retornaria para inaugurar o novo reino. O líder do grupo era Tiago, irmão de Jesus, que tinha boas relações com fariseus e essênios. E o movimento se expandiu. Quando Tiago morreu, em 62, Jerusalém vivia o auge da crise política. Em 66, romanos perseguiram os judeus com medo de uma insurgência. Os zelotes se rebelaram e conseguiram manter as tropas do Império afastadas por 4 anos. Com medo de que a rebelião judaica se espalhasse, Roma esmagou os revoltosos. Em 70, o imperador Vespasiano sitiou Jerusalém, arrasou o Templo e deixou milhares de mortos.

“Não temos ideia de como seria o cristianismo se os romanos não tivessem destruído o Templo”, diz Armstrong. “Sua perda reverbera ao longo dos livros que formam o Novo Testamento. Eles foram escritos em resposta à tragédia.”

Para os pesquisadores, então, os textos sagrados refletem a realidade da Judeia do final do século 1 – e não a do início, a que Jesus viveu de fato. Por exemplo: Barrabás personificaria os sicários, judeus que saíam armados de punhais para matar romanos na calada da noite, como uma forma de vingança pela destruição do Templo. E que por isso mesmo eram assassinos amados pela população.
Quer dizer: Barrabás seria um personagem típico da década de 70 d.C., inserido no episódio da morte de Jesus, fato que aconteceu na década de 30 d.C, num momento em que o ódio aos romanos e o louvor a quem se dispusesse a matá-los não eram tão violentos.
Até a época em que os Evangelhos foram escritos, o movimento de Jesus era apenas um entre as várias seitas judaicas. Os primeiros cristãos se diziam “o verdadeiro Israel” e não tinham intenção de romper com a corrente principal do judaísmo. Mas tudo mudou com a destruição do Templo.
Ela intensificou a rivalidade entre as facções judaicas. “Em sua ânsia por alcançar o mundo gentio (o dos não-judeus), os autores dos Evangelhos estavam dispostos a absolver os romanos da execução de Jesus e declarar, com estridência crescente, que os judeus deviam carregar a culpa”, diz Armstrong. João, o Evangelho mais virulento, declara que os judeus são “filhos do Diabo” (João 8:44). Até o autor de Lucas, que tinha uma visão mais positiva do judaísmo, deixou claro que havia um bom Israel (os seguidores de Jesus) e um Israel mau – os fariseus.
A rixa com os fariseus tem lógica, já que eram competidores diretos dos judeus cristãos. “Num extremo do judaísmo estavam os saduceus, a ala mais conservadora. No outro, os essênios, a mais radical. Já os fariseus e os judeus cristãos estavam no meio. Eles lutavam pela mesma coisa: a liderança do povo, que estava entre as duas pontas”, diz Crossan.
Não é surpresa, aliás, que os livros do Novo Testamento contenham tantas contradições entre si. “Quando os editores finais do Novo Testamento juntaram esses textos, no início da Idade Média, não se incomodaram com as discrepâncias. Jesus havia se tornado um fenômeno grande demais nas mentes dos cristãos para ser atado a uma única definição”, diz Armstrong. Os Evangelhos atribuídos a Marcos, Lucas, Mateus e João seriam finalmente selecionados para o cânon da Igreja. Dezenas de outros evangelhos ficaram de fora.
Só no século 2, quase 100 anos após a morte de Jesus, começam a aparecer relatos sobre ele no centro do Império. Um deles é uma carta do político romano Plínio ao imperador Trajano. Plínio cita pessoas conhecidas como “cristãs” que veneravam “Cristo como Deus”. Outra fonte é o historiador romano Tácito, que menciona os “cristãos (…), conhecidos assim por causa de Cristo (…), executado pelo procurador Pôncio Pilatos”. Suetônio, que escreveu pouco depois de Tácito, informa sobre uma perseguição de cristãos, “gente que havia abraçado uma nova e perniciosa superstição”. Uma “superstição” cuja mensagem convenceria cada vez mais gente, a ponto de, no século 4, o imperador romano em pessoa (Constantino, no caso) converter-se a ela. E o resto é história. Uma história que chega ao seu segundo milênio. Com 2 bilhões de seguidores.

Silas Malafaia e Morris Cerullo vendem “unção da medida extra” por 911 reais


 
Silas Malafaia trouxe Morris Cerullo ao Brasil mais uma vez para vender bênçãos. Desta vez, a benção a ser vendida, ou melhor, conquistada a quem ofertar para o programa divide-se em três partes: (1) discernimento do tempo em que estamos, segundo o Cerullo um tempo de bênçãos para quem seguir o homem de deus (Deus Mamom); (2) abertura dos olhos espirituais, para que o crente enxergue que eles estão falando a verdade e que, por isso, a oferta tem que ser feita; (3) a dádiva da medida extra de deus, na qual nunca mais a pessoa ficará doente (nem febre, segundo o Cerullão!), e (4) onde o crente receberá a riqueza dos ímpios, tipo o povo hebreu que levou as riquezas do Egito quando fugiu de lá.

É, mas tudo tem um preço… Nesse caso, para conquistar essas bênçãos, o fiel terá que desembolsar 911 reais.

911 é um número interessante. É a junção dos 900, valor pedido na primeira vinda do Cerullão, há dois anos, e do 11, afinal estamos em 2011. Na verdade, isso é conjectura minha, pois não explicaram o porquê desse valor. Porém, para quem gosta de teoria da conspiração, 911 tem um significado ainda maior, por juntar os dois números preferidos dos satanistas: o 9 e o 11.

Segundo o site Iluminatti Experts, “de acordo com o ex-satanista William Schnoebelen (Lúcifer Destronado, pág. 149), o número ‘nove é um dos números mais apreciados pelos satanistas, pois é o único número que se reduz a si mesmo sempre’ (faça o teste pegando qualquer número múltiplo de nove e depois somando seus algarismos – o resultado será sempre nove). Outra informação interessante é que os ocultistas usam o número 999 como disfarce para o número 666 (já que aquele é só uma inversão deste). Já o número onze, de acordo com David Meyers (também ex-satanista e autor do site Last Trumpet Ministries), ‘é o número de Aquário, porque Aquário é o décimo primeiro signo no Zodíaco’.”

Se o 911 foi escolhido de propósito ou não, não sei. Mas é fácil observar na “pregação” do Cerullo várias evidências de engano gospel:

- a forma de mistificar sua profecia, obrigando a quem assiste a repetir, em vários pontos do vídeo, palavras ou frases;

- a tentativa de obter obediência cega, como quando, no final, o Cerullão diz para o fiel não hesitar para ligar para o programa, afinal “hesitação é como um pecado”. Assim, só do fiel ousar pensar em duvidar do homem de deus, já estará pecando contra Deus. Também é pedido que o fiel só ligue na hora em que o profeta de deus decidir.

- a farsa das falsas lágrimas de unção do Cerullo, em 27:15min do vídeo. Notem que ele não está chorando, mas mesmo assim dramatiza a situação, levando um lenço para enxugar os olhos.

- a fabricação da “unção do riso”, 33:30min, onde o Cerullão começa a rir de unção, e o Malafaia começa a rir atrás, porém numa risada tão falsa que, se estivesse em Hollywood, levaria o Framboesa de Ouro de pior ator.

Existem muitas outras falhas gospel nessa nova profetada, mas não estou com estômago para rever o programa. O fato é que a tal bênção será dada a quem ofertar, e esse receberá, “inteiramente grátis”, a Bíblia da Oração do próprio Morris Cerullo (já que a Bíblia da Vitória Financeira já caiu em total descrédito).

E mais! Quem tiver maior fé (em outras palavras, maior conta bancária), deverá doar não 911, mas 10.011 reais para o programa. Nesse caso, o profeta de deus Cerullão imporá sua santa e ungida mão no papel com o nome desses ofertantes especiais.

Enfim, “creia nos profetas para a prosperidade”, palavras do pastor. É pegar ou largar.

Que realmente Deus (o verdadeiro) dê discernimento ao Seu povo e abra seus olhos espirituais, para não caírem na lábia dos profetas de Mamom de nosso tempo

domingo, 31 de julho de 2011

Ateus espalham outdoors polêmicos em Porto Alegre



O objetivo, segundo a entidade, é combater o preconceito contra quem não acredita em nenhum deus.

"Religião não define caráter." "Somos todos ateus com os deuses dos outros." Com mensagens como essas, outdoors elaborados por uma associação que reúne ateus começaram a ser espalhados por Porto Alegre.

A campanha já vinha sendo realizada em diversos países, com anúncios em ônibus, há dois anos.

No Brasil, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos diz que empresas de transporte de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e São Paulo rejeitaram a proposta de publicidade, feita no final do ano passado.


Os motivos alegados eram desde conteúdo ofensivo até o veto a mensagens que estimulem a "discriminação de credo". "Chegamos a contratar o serviço. Mas, na última hora, disseram que não ia rolar", conta o presidente da entidade, Daniel Sottomaior.

A solução encontrada foi usar os outdoors convencionais. Quatro já foram fixados por ruas da capital gaúcha. O gasto, estimado em R$ 7.000, foi bancado por doadores da entidade. Porto Alegre é a primeira capital no país a receber a iniciativa. A expansão para outras cidades vai depender de mais doações.

A campanha gerou polêmica em outros países. Na Inglaterra, em 2009, foram publicadas mensagens dizendo: "Deus provavelmente não existe". A associação brasileira diz que a iniciativa busca a "igualdade plena" entre ateus e religiosos.