segunda-feira, 15 de julho de 2013

Abaixo à Teologia




Por Lourenço Stelio Rega
Nas décadas de 70 e 80, líderes exigiam que os seminários formassem pastores e não teólogos. Já ouvi muitos sermões e palestras em que o preletor faz descaso contra o estudo, como se a dedicação ao conhecimento bíblico e teológico fosse algo demoníaco ou perda de tempo. Hoje tenho ouvido até líderes de elevada magnitude afirmarem que o que forma um pastor não é um curso de Teologia e, muito menos, reconhecido pelo MEC.
De fato o que faz uma pessoa ser pastor é ser portadora do dom e vocação pastoral, é o chamado de Deus, mas isto não é tudo. Nessa linha de raciocínio tenho a impressão que podemos estar defendendo a ideia de que se é vocacionado vai dar certo! Os fracassos com algumas de nossas instituições denominacionais demonstraram o inverso. Creio que essa argumentação contra o estudo e o preparo de um líder não passa de sofisma.
Você iria num médico apenas considerando que ele é vocacionado como médico, contudo, sem ter ele se preparado para o exercício da Medicina? Um pastor é como um “médico” de vidas, se não for preparado para o exercício de seu dom e vocação fará muito estrago na vida de suas ovelhas e da igreja, como tem ocorrido em muitas ocasiões.
Nosso vício pragmático é uma das causas deste maléfico sofisma, pois reduzimos Cristianismo a trabalho na igreja, então um jovem vocacionado deve apenas aprender a pregar, dirigir assembleias, fazer visitas, redigir atas e pronto. Deve aprender a fazer coisas. Para que investir mais tempo? Assim, os seminários precisam formar pastores e não teólogos! Pergunto: é possível formar médicos, sem Medicina? É possível formar engenheiros, sem Matemática? Precisamos ter coragem de colocar estes argumentos no cadinho da prova.
Quanto à oficialização dos cursos teológicos pelo MEC, já procurei demonstrar em diversas ocasiões que a demonização que é feita sobre o assunto deixa de considerar a legislação vigente e experiências bem sucedidas em nosso meio. A legislação dá liberdade curricular e se um seminário quer ser liberal, conservador ou fundamentalista, é opção de sua mantenedora. A escolha de professores, modelagem de currículo, etc, vai depender de qual cor se deseja dar ao curso.
Agora pergunto: como manter cursos de graduação à margem da Lei? Se um curso é de graduação ou pós-graduação em Teologia deve ser legalizado em vez de funcionar de forma clandestina. Pergunto mais: se podemos dar aos nossos alunos condições de ter um diploma reconhecido que lhe proporcione reconhecimento público, oportunidade de prosseguir em seus estudos em outros níveis para melhor servir ao reino de Deus, por que não o fazemos? O pior de tudo é que, por desconsiderarmos este assunto há seminários (inclusive batistas), “esquentando” diplomas de cursos livres, oferecem cursos clandestinamente à margem da lei. Por que não se reclama contra isso?
Outro dia vi numa lista de internet argumento de que devemos aceitar legalizar nossos cursos de Teologia, pois isso seria ir contra nosso princípio de separação entre igreja e Estado. Seguindo este argumento então as igrejas devem pedir baixa em seu CNPJ e deixar de entregar a declaração anual de Pessoa Jurídica à Receita Federal?
 
Tenho a impressão de que neste assunto existem causas “ocultas” ou “místicas” não declaradas, que não conseguem dar conta em responder estas questões.
 
Não defendo o MEC, o que defendo é a legalidade. Se para oferecer cursos de graduação a lei exige a oficialização, não há outro caminho, como não há outro caminho de manter uma igreja sem a devida legalização. É uma questão de respeito à lei. Mas também é uma questão de conhecer a legislação educacional e saber se valer dela para a manutenção de nossa liberdade religiosa. E isso nossos seminários oficializados estão sabendo fazer em geral. Pena que, em geral, quem discute o problema o faz sem conhecer a legislação e, muitas vezes, sem avaliar os projetos pedagógicos destes seminários. Precisamos ter coragem de colocar esse assunto sobre a mesa e discuti-lo com fatos, em vez de passionalmente.
Mas isto (MEC) é apenas um detalhe. O importante aqui é a valorização do bom preparo de nossos futuros líderes. Não basta saber fazer coisas, é preciso ter fundamentação bíblica e teológica para não ser seduzido pelas ideologias do mundo, para saber como conduzir com segurança o povo de Deus neste mundo sem Deus. Como pregar profunda e seriamente a Palavra, como cuidar de vidas, aconselhar, etc, sem o devido preparo (com MEC ou sem MEC)?
Precisamos parar de tratar a dedicação ao estudo e à pesquisa como um pecado e tarefa de desocupados. Temos duras advertências contra a preguiça na Bíblia. Vamos colocar a mão na consciência e rever nosso posicionamento sobre o assunto. Vamos valorizar o estudo da Bíblia, da Teologia, para aprofundar mais ainda nossos sermões, palestras, aconselhamento ao povo, etc.

O Que é Propiciação?



Por Pr. Silas Figueira
Às vezes encontramos na Bíblia algumas palavras não tão comuns, e a intenção de Deus obviamente não é de que somente conheçamos estas palavras, mas que tomemos consciência de que elas se referem a realidades espirituais, e que estas realidades existem para serem desfrutadas real e plenamente pela Igreja. A Igreja é a depositária do Evangelho, não só das palavras, mas também das realidades espirituais nomeadas ou denominadas por estas palavras. Falamos recentemente sobre o que é Expiação. Hoje queremos abordar o termo Propiciação. Qual o seu significado e qual a importância dela para nós.

DEFINIÇÃO

 “Propiciação”, o que é isto exatamente? O termo é enigmático e muitos nunca ouviram falar dele, a não ser em algum versículo bíblico em que a palavra aparece. E talvez não tenham se apercebido dele. A melhor explicação para o termo é que nos diz que “propiciação significa a remoção da ira mediante a oferta de algum presente”. Era um ato presente na política internacional no Oriente Antigo, quando um rei de alguma nação, para se manter seguro, enviava presente a outro rei, de uma nação mais forte. Era um gesto destinado a cultivar boas relações.

NO SENTIDO BÍBLICO

O verbo hebraico que traz a ideia de propiciação é kipper, com a ideia de fazer amizade, de juntar partes opostas e até mesmo em conflito. No Novo Testamento, a ideia mais próxima é “reconciliação”. A ideia do Novo Testamento se entende bem em 2Coríntios 5.21. O sentido do texto é que Deus ofereceu Cristo como presente ao mundo para fazer as pazes com o mundo. É um conceito que nos parece estranho, mas mostra que, no Novo Testamento, Deus toma a iniciativa, em Jesus, de propor as pazes ao homem.1

Podemos dizer que propiciar é colocar-se a favor de alguém. O homem estava contra Deus, havia pecado, e por tanto o juízo de Deus estava contra ele, de maneira que algo deveria ser feito para que Deus pudesse estar a favor do homem e não contra ele. Propiciar é fazer todo necessário para que o homem se volte para Deus, e Deus para o homem; mas faltava uma base para que isto ocorresse por isso Deus enviou Jesus Cristo Jesus para ser a nossa propiciação.

Podemos ver isto na primeira epístola do apóstolo João. Nela vemos o primeiro aspecto da obra da cruz de Cristo como nossa propiciação,

1 João 2:1, 2 :

“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.

A palavra grega (hilasmos) traduzida "propiciação" em 1 João 2.2 e 4.10 aparece somente estas duas vezes no Novo Testamento. Esta palavra descreve um aspecto importantíssimo da salvação. Esta palavra significa satisfação e dá a ideia de aplacar a ira de Deus em relação ao pecado do homem. Nesta passagem João mostra que Jesus propicia a Deus com relação a nossos pecados.

Hernandes Dias Lopes citando Augustos Nicodemos diz que a propiciação está ligada aos sacrifícios do Antigo Testamento. Animais eram sacrificados e o seu sangue derramado como “pagamento” pelo pecado (Lv 16.14,15; 17.11). Os sacrifícios eram oferecidos para cobrir os pecados e afastar a ira de Deus sobre os pecadores. Cristo é o sacrifício, providenciado pelo próprio Deus, que satifaz a justa ira de Deus pelos nossos pecados, e desvia essa ira de Deus sobre nós, apaziguando a Deus e nos reconciliando com Ele (1Jo 4.10; Rm 3.25,26; 1Pe 2.24; 3.18).2

Se Deus é santo e não suporta o pecado como então remover a ira de Deus? No Antigo Testamento nós podemos observar que a ira de Deus não se removia, ela se desviava. Observe o que o salmista nos fala:

“Ele, porém, que é misericordioso, perdoa a iniquidade e não destrói; antes, muitas vezes desvia a sua ira e não dá largas a toda a sua indignação”. Salmo 78.38.

O pecado tem um preço e o preço é a morte (Ez 18.20 e Rm 6.23). O pecado é tão sério aos olhos de Deus que exige a morte do pecador. A única maneira de se aniquilar o peso do pecado é com a morte. Por isso Deus instituiu o sacrifício no culto do Antigo Testamento para ensinar este aspecto. É a morte, através do derramamento do sangue, que faz a propiciação ou expiação dos nossos pecados.

Jesus não é apenas o propiciador, ele é a propiciação. Como ele fez isso? Para defender-nos diante do tribunal de Deus era necessário que a lei violada por nós fosse cumprida e que a justiça de Deus ultrajada por nós fosse satisfeita. Jesus veio como nosso fiador e substituto. Ele tomou sobre si os nossos pecados. Ele sofreu o duro golpe da lei em nosso lugar. Ele levou sobre si a nossa culpa. Ele bebeu sozinho o cálice da ira de Deus contra o pecado. ele se fez pecado por nós. Ele foi humilhado, cuspido, espancado, moído. Ele morreu a nossa morte. A cruz é a cruz é a justificação de Deus. Pelo seu sacrifício, nossos pecados foram cancelados. Agora estamos quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus. Agora estamos justificados. Jesus é a nossa propiciação pelos nossos pecados.3  

Os sacrifícios de animais, como vimos, aplacavam a ira de Deus momentaneamente. Por isso foi necessário a vinda de Jesus como nosso Cordeiro Pascal para morrer por nós e ser a nossa propiciação diante de Deus. Como está escrito:

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito” (1 Pe 3.18).

Nada ocorreu de mais nobre na história da humanidade, do que a obra do calvário. O Justo morrendo pelos injustos, para que os injustos fossem feitos justiça de Deus. “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que, n’Ele, fôssemos feitos justiça de Deus”. ( 2 Co 5.21).

domingo, 14 de julho de 2013

A Crocodilagem da Fé


Por Pr. Silas Figueira

Muitos líderes não tem nenhuma vergonha na cara de fazer chacota com as crises que as pessoas estão passando. Muitos se aproveitam desse momento de fragilidade, seja na área emocional, profissional, familiar, na saúde para brincar com a fé dessas pessoas e arrancar delas tudo o que elas tem. Primeiro lhes arranca o dinheiro, depois lhes arrancam a fé e por fim leva essas pessoas a total bancarrota espiritual.

Temos visto isso ocorrer em todos os seguimentos da igreja que se diz evangélica, mas que a muito tempo se tornou uma servidora fiel de Satanás. Líderes que sem nenhum pudor, sem nenhum temor manipulam a Palavra de Deus para se beneficiarem. São os Caifás modernos, são pessoas que se utilizam da religião para enriquecerem, são monstros cruéis, leviatãs camuflados de sacerdotes enganando o povo que anda cego em busca de um milagre. E é exatamente na crise, na fragilidade e da fragilidade humana que esses crocodilos se alimentam. Se alimentam da dor de uma mãe que está vendo seu filho indo para as drogas, que está vendo sua filha na prostituição, um pai de família desempregado e vendo dia após dia as contas de acumularem e o alimento se acabar no armário. Se aproveitam daquela esposa que está vendo seu casamento se acabar e lutando com todas as suas forças não vendo resultado o do seu esforço.

Esses crocodilos fantasiados de sacerdotes do Deus Vivo são instrumentos de Satanás vendendo os seus martelos poderosos, as suas meias milagrosas, as suas águas bentas que tudo purifica, o sal grosso, a arruda, a rosa, a toalha encharcada de suor e meleca do apóstolo. Como se diz por aí, crente não acredita em cartomante, mas adora uma revelagem, e o que mais vemos por aí são crentes buscando revelação. Esses Caifás modernos não poupam nem crianças ...

Mas tudo isso ocorre porque o brasileiro é um povo místico e imediatista, querem o milagre não importa de onde venha nem quanto custa. Vivem de campanha em campanha. Quem alimenta essa máfia de crocodilos são as próprias pessoas que as buscam ávidas por ver o milagre. Muitos, é bom lembrar, são levados como ovelhas para esses matadouros, são inocentes, mas outros já são crias antigas desse sistema viciante e não sabem ou não querem sair dessa roda viva em busca das migalhas alcançadas. Eu creio que muitos ali alcançam alguns benefícios, pois Satanás é ardiloso e nós conhecemos os seus desígnios e ardis. Alguns milagres são fabricados, outros ocorrem na mente de gente que desesperadamente quer ver alguma coisa acontecer, nem que seja na vida dos outros. É uma porta de emprego que se abre, é um namorado que se arranja, é uma bênção nessa ou naquela outra área que se alcança. Mas tudo isso não procede de Deus, pois Deus não tem compromisso com os que falam em seu nome aquilo que Ele não disse e nem prometeu.

O evangelho Puro e Simples, o Evangelho transformador que trás ao coração do homem esperança, alento, renova a fé e opera o maior milagre que pode ocorrer na vida de uma pessoa que é a salvação, esse tem sido esquecido ou muito pouco procurado e por causa disso alguns tem se vendido a esse mercado das campanhas, dos atos proféticos, das unções e jejuns de Daniel.

Estou escrevendo isso com um peso e uma grande tristeza no coração por ver pessoas inocentes sendo roubadas daquilo que é mais bonito na vida de uma pessoa o prazer de servir a Deus pelo o que Ele é e não pelo o que Ele dá e faz. Que o Senhor nos ajude a livrar das garras de Satanás essas pobres almas encarceradas do engodo da mentira.

Quando a regra de fé é a própria Prática...


Por Rev. Ageu Magalhães
 
“A Bíblia é nossa única regra de fé e prática” – qualquer crente com certo tempo de igreja já ouviu esta frase, pelo menos uma vez. Mas, é triste observar que a frase não tem passado de um mero aforismo. Para a maioria dos evangélicos a Prática (e não a Palavra) é a verdadeira regra de fé. Explico:
Quando um líder de igreja está prestes a formular uma lei ou a responder a uma consulta de concílio inferior e, ao invés de perguntar “O que diz a Bíblia?”, pergunta “Qual tem sido a prática da igreja?” ele acaba de mostrar onde está a base de sua fé.
Da mesma forma, quando o membro de igreja elogia um pastor chamando-o de “equilibrado”, ou refere-se a uma igreja como sendo “equilibrada” ele revela, sem saber, o quanto a Prática tem prevalecido sobre a Palavra em sua mente.
Esta forma de pensar tem mais a ver com a dialética de Hegel do que com a Palavra de Deus. Para Hegel a história é um movimento de confronto entre tese (afirmação) e antítese (oposição da tese) gerando assim a síntese.
Desta forma, o que é um pastor “equilibrado”? É um pastor que não fica nos denominados “extremos”. Mas, e se a verdade estiver exatamente no extremo? Por exemplo, um pastor crê que dinheiro é prova de fé e ensina que crente tem de ser rico. O outro pastor, no outro extremo, crê que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males e que cobiça é pecado e não virtude. Onde fica o equilíbrio? No meio do caminho entre o certo e o errado? O meio certo é o alvo a ser alcançado?
E quando o assunto é culto? Onde estará a vontade de Deus: na síntese entre um culto certo e um culto errado ou no que a Palavra aponta como sendo o culto certo?
Portanto, de volta ao início, a Bíblia é a nossa única regra de fé e de prática. A sociedade é dialética. Faz sínteses entre o certo e o errado, gerando mais conceitos errados. Nós, crentes, temos nas mãos a Palavra de Deus, poderosa para “destruir fortalezas, anulando sofismas” (2Co 10.4) Cabe a nós não sermos seguidores de Hegel, mas de Cristo. Levando a ele, cativo, todo pensamento à sua obediência.

Ordenando aos Hereges


Por Vincent Cheung

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. (1 Timóteo 1:3-4)
Um dos principais deveres de um ministro cristão é combater falsas doutrinas. Paulo provavelmente tinha algo definido em mente quando escreveu a Timóteo. É possível que a igreja estivesse sendo ameaçada com um precursor do gnosticismo, ou de alguma forma de misticismo judaico, ou uma mistura dos dois. O contexto histórico exato não é essencial para o entendimento e aplicação dessa passagem, visto que Paulo primeiro declara um princípio amplo, que Timóteo deve por um fim a homens que ensinam “falsas doutrinas”. Ele não pretende dizer que essas falsas doutrinas particulares deveriam ser detidas, mas todas as outras são permitidas. Todas as falsas doutrinas devem ser detidas.
Um ministro cristão que esteja indisposto ou que seja incapaz de fazer isso é um devedor, e introduz uma vulnerabilidade à sua igreja. Ele poderia estar indisposto de se opor a falsas doutrinas por não considerar que doutrinas sejam algo essencial. Mas elas são essenciais, visto que fornecem definição e orientação com respeito a cada aspecto da fé cristã. Não existe nenhuma fé cristã, e dessa forma nenhum conhecimento de Deus e de Cristo, nenhuma salvação, nenhuma justificação e santificação, nenhuma adoração a Deus, nenhuma comunhão com os santos, e nenhuma esperança de vida eterna, sem as doutrinas cristãs. Sem doutrinas, não há nada. Então, um ministro poderia ser incapaz de se opor às falsas doutrinas porque teme confrontar os heréticos, ou porque careça de conhecimento e inteligência para refutá-los. Seja qual for a razão, essa é uma séria deficiência num ministro, e desse ser tratada com extrema urgência.
Não devemos permitir que o mundo nos ensine como lidar com os falsos mestres. Alguns ministros têm maior respeito pelos padrões não cristãos de cortesia acadêmica do que pelo Senhor Jesus Cristo. E se eles querem parecer intelectuais e respeitáveis diante do mundo, e polidos de acordo com o padrão do mundo, então não prestam para serem pregadores do evangelho. Paulo não diz a Timóteo que dialogue com os falsos mestres, ou aprenda a perspectiva deles, mas que ordene-os a parar.
Algumas pessoas pensam que a melhor forma de lidar com falsas doutrinas é debatê-las num fórum público, de forma que os cristãos possam ouvir os dois lados e decidirem por si próprios. Novamente, essa visão procede do mundo, e impõe democracia e liberdade de expressão na política da igreja. A Igreja do Deus Vivo não é uma democracia. Jesus Cristo é Rei – sua opinião é verdade, e seu mandamento é lei. Ninguém tem o direito de se opor a ele ou expressar visões alternativas. Sem dúvida, seus ministros podem debater falsas doutrinas, mostrando de que formas esses ensinos são errôneos, mas eles não podem fazer isso interminavelmente, e eles devem falar com autoridade, ordenando que os falsos mestres cessem com as suas heresias.

A banalização do sagrado


Por Rev. Hernandes Dias Lopes
O espírito pós-moderno tem levado muitos crentes à banalização do sagrado. Milhares de pessoas entram pelos umbrais da igreja evangélica, mas continuam prisioneiras de suas crendices e de seus pecados. Têm nome de crente, cacuete de crente, mas não vida de santidade. Em vez de ser instruídas na verdade, são alimentadas por toda sorte de misticismo forâneo às Escrituras. Em vez crescerem no conhecimento e na graça de Cristo, aprofundam-se ainda mais no antropocentrismo idolátrico, ainda que maquiado de espiritualidade efusiva. Dentro desta cosmovisão, os céus estão a serviço da terra. Deus está a serviço do homem. Não é mais a vontade de Deus que deve ser feita na terra, mas a vontade do homem no céu. Tudo tem de girar ao redor das escolhas, gostos e preferências do homem. O bem-estar do homem e não a glória de Deus tornou-se o foco central da vida. Assim, o culto também tornou-se antropocêntrico. Cantamos para o nosso próprio deleite. Louvamo-nos a nós mesmos. Influenciados pela síndrome de Babel, celebramos o nosso próprio nome.
Nesse contexto, a mensagem também precisa agradar o auditório. Ela é resultado de uma pesquisa de mercado para saber o que atrai o povo. O ouvinte é quem decide o que quer ouvir. O sermão deixou de ser voz de Deus para ser preferência do homem. Os pregadores pregam não o que o povo precisa ouvir, mas o que o povo quer ouvir. O misticismo está tomando o lugar da verdade. A auto-ajuda está ocupando o lugar da mensagem da salvação. Assim, o homem não precisa de arrependimento, mas apenas de libertação, visto que ele não é culpado, mas apenas uma vítima. O pragmatismo pós-moderno está substituindo o genuíno evangelho.
A banalização da teologia desemboca na vulgarização da ética. Onde não tem doutrina bíblica sólida não pode haver vida irrepreensível. A teologia é mãe da ética. A ética procede da teologia. Onde a verdade é substituída pela experiência, a igreja pode até crescer numericamente, mas torna-se confusa, doente e corrompida. O povo de Deus perece quando lhe falta o conhecimento. Onde falta a Palavra de Deus, o povo se corrompe. Outrossim, onde não há santidade, ainda que haja ortodoxia, o nome de Deus é blasfemado.
A banalização do sagrado é visto claramente nas Escrituras. O profeta Malaquias denunciou com palavras candentes o desrespeito dos sacerdotes em relação à santidade do nome de Deus, do culto, do casamento e dos dízimos. A religiosidade do povo era divorciada da Palavra de Deus. As coisas aconteciam, o povo vinha ao templo, o culto era celebrado, mas Deus era não honrado.

Jesus condenou, também, a banalização do sagrado quando expulsou os vendilhões do templo. Eles queriam fazer do templo, um covil de salteadores; do púlpito, um balcão de negócios; do evangelho, um produto de mercado e dos adoradores, consumidores de seus produtos. O livro de Samuel, outrossim, denuncia esse mesmo pecado. O povo de Israel estava em guerra contra os filisteus, pensando que Deus estava do lado deles, mesmo quando seus sacerdotes estavam em pecado. Porém, quatro mil israelitas caíram mortos na batalha, porque o ativismo não substitui santidade. O povo, em vez de arrepender-se, mandou buscar a arca da aliança, símbolo da presença de Deus. Quando a arca chegou, houve grande júbilo e o povo de Israel celebrou vigorosamente ao ponto de fazer estremecer o arraial do inimigo, mas uma derrota ainda mais fatídica foi imposta a Israel e trinta mil soldados pereceram, os sacerdotes morreram e a arca foi tomada pelos filisteus. Alegria e entusiasmo sem verdade e sem santidade não nos livram dos desastres. Rituais pomposos sem vida de obediência não agradam a Deus. Deus está mais interessado em quem nós somos do que no que fazemos. Deus não aceita nosso culto nem nossas ofertas quando ele rejeita a nossa vida. Antes de Deus aceitar o nosso culto, ele precisa agradar-se da nossa vida. É tempo de examinarmo-nos a nós mesmos e voltarmo-nos para o Senhor de todo o nosso coração.

sábado, 13 de julho de 2013

Otimismo não é fé!



Por Josemar Bessa

Vivemos numa época em que a igreja confunde pensamento positivo com fé. Mas é sutil, ao olharmos para os problemas da vida, da sociedade, da igreja... acharmos que o otimismo simplesmente é a chave...

Quem tem menos chance de sobreviver a um campo de prisioneiros de guerra? Provavelmente nenhum de nós experimentou tal situação... Quem tem menos chance de sobreviver?

Um otimista!

Espere antes de discordar. Segundo o general Stockdale, que foi mantido em cativeiro por oito anos durante a Guerra do Vietnã e foi torturado inúmeras vezes antes de finalmente ser liberto e voltar para casa, foi principalmente – quase em sua totalidade – os otimistas que não saíram de lá vivos.

Que explicação ele dá para isso? Ele diz: “Eles foram os únicos que disseram – ‘Nós vamos estar em casa até o Natal'. E o natal chegava e nada tinha acontecido. Então eles diziam, ‘Nós vamos estar em casa até a Páscoa’. E a Páscoa chagava e nada. ‘Estaremos em casa até o dia de Ações de Graças...’ Nada! E então seria no Natal novamente... E eles morreram de um coração partido e desiludido”

Mero otimismo é completamente diferente do que podemos chamar de fé realista: - “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” - Romanos 14:8

Em completo contraste com o que podemos chamar de falso otimismo, Stockdale atribui a sua sobrevivência a fé realista. Ele diz: “Você nunca deve confundir a fé que você por fim pode prevalecer sobre aquela situação, com o “otimismo” que faz esvair toda a disciplina para enfrentar os fatos mais brutais de sua realidade atual, seja o que ela possa ser no momento”. 

Isso que é que podemos chamar de O Paradoxo Stockdale – A fé supera o otimismo! Ou seja, abandonar a ideia que é apenas uma miragem no deserto. Que temos balas de prata para matar o monstro... que tudo simplesmente vai se ajustar... mas que somos chamados a perseverar em meio as aflições – “Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência” - Tiago 1:3 – “...e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” - Romanos 5:2-4

Devemos aplicar esse princípio as nossas vidas, nossos ministérios... Muitas vezes tudo que os cristãos fazem é entreter otimismo sem fim na “próxima grande coisa” – na próxima “grande estratégia” – no próximo “grande método” – no próximo “grande avanço”... em suas vidas, igrejas... A consequência é o aumento do número de cristãos, pastores, igrejas... desiludidos. Como disse Stockdale, “morrendo de corações partidos”.

Só podemos evitar isso abandonando todo otimismo centrado na próxima grande coisa, ministério, personalidade... no próximo grande sermão, técnica, estratégia, contextualização, filme, música... achando que isso será o ponto de virada para corrigir nossa vida, igreja... Tudo isso nos tira da realidade e por fim explode em nossa cara.

Devemos enfrentar a realidade brutal em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas igrejas, em nossa sociedade... Tendo uma fé inabalável na Palavra de Deus. Na Sua promessa que não pode falhar de que ela nos fará perseverar: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” - Judas 1:24 – Irá edificar a Sua igreja: “...edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” - Mateus 16:18 – Fará tudo cooperar para o bem daqueles que Ele chamou soberanamente: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” - Romanos 8:28 – Quer vivamos, quer morramos:“Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” - Romanos 14:8

Otimismo não é fé. Mas a fé é otimista

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Reflexões Oportunas para um Gigante que Acabou de Acordar



ogiganteacordouPor Guilherme Barros

“Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá (1 Coríntios 13.10)

Em meio a tantas manifestações no nosso País, surgem vários sociólogos para problematizar o que está acontecendo, filósofos para defender o livre pensamento, economistas para analisar a relação das manifestações com a crise econômica, e várias bandeiras são defendidas no meio destes movimentos. Devido a uma enorme diversidade de questões levantadas, há uma grande dificuldade para definir qual a proposta do movimento. Sabemos como começou. A primeira bandeira levantada foi a indignação com o aumento de 0,20 centavos na passagem dos ônibus. Porem hoje este movimento ganhou projeções muito maiores, e a passagem de ônibus já virou uma gota dentro de um oceano de reivindicações feitas por um povo incontrolável e indignado.
Ao analisar todo esse movimento, vejo que o clamor desses manifestantes, em minha opinião, é pela restauração e reestruturação da classe política, que segundo eles é o âmago do problema. Mas sendo sinceros com nós mesmos, vemos que os problemas éticos e morais em nossa sociedade não começam lá em Brasília, mas em nosso coração que na Bíblia é chamado de “Desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). O gigante acordou, mas ainda precisa abrir os olhos e ver que a raiz do problema não está no governo, ou no próximo, mas em nós mesmos!
E para chegarmos a soluções práticas, precisamos identificar a raiz do problema. Se o problema está no governo atual, uma simples troca de poderes, e cassação de alguns políticos irá resolvê-lo. Mas nem eu, nem o povo acreditamos nesta utopia. Se o problema está no processo eleitoral viciado, que não apresenta como opções elegíveis os governantes que realmente governariam bem nosso País, podemos tentar forçar uma candidatura de um desses líderes de movimento nas próximas eleições e elegê-lo com nossos votos. Mas provavelmente isso é o que uma grande parte das pessoas que estão à frente das manifestações deseja, e ao assumirem o poder irão aderir ao sistema enganando todo o povo que o elegeu. (É válido lembrar-nos do Ex-presidente da República, e tudo o que ele defendia antes de assumir o poder). Se o problema está no sistema Democrático, podemos tentar um golpe de estado e eleger um governante do nosso povo. Mas isso já aconteceu, e não deu muito certo. (Digamos que a probabilidade deste representante se tornar um ditador tirano é de 99%).
Porém o problema está ao mesmo tempo em todas estas coisas. Como assim? O problema está intrínseco em todas as nossas ações, sistemas, pensamentos, decisões e etc. O nome desse problema é: PECADO! E identificar este problema nos traz uma nova visão de como resolvê-lo. Simplesmente não temos a condição em nós mesmos de solucionar esta questão. Não há sociólogos, filósofos, economistas, administradores, por mais eficientes que sejam, que possam solucionar o problema do pecado. Mas há alguém que pode, ou melhor, já o fez! O gigante acordou, mas antes de se levantar ele precisa se humilhar, cair de boca no pó, reconhecer que sua natureza é corrupta, e que não há chance de mudança partindo de sua própria força!
Jesus Cristo é a solução para todos os nossos problemas sociais, existenciais, morais, éticos etc. Ele é o único que conhece e esquadrinha o nosso coração, quando nem nós mesmos conseguimos desvendá-lo. Quando nós nos despimos das nossas próprias forças e nos lançamos aos seus pés, Ele pela sua maravilhosa graça substitui nosso coração de pedra, corrupto, enganador e etc. e nos dá um novo coração, de carne, sensível aos seus mandamentos e ordenanças e capacitado para exercer os frutos do espírito (Ez 11). A sociedade perfeita é a que reconhece Cristo como Senhor, e o povo como escravos dEle. Nesta sociedade sem pecado não há sofrimento, nem morte, nem dor. A alegria é plena e eterna (Ap 21.4).
Este reino existe, mas ainda não podemos desfrutar dele integralmente, mas podemos e devemos propagar seus valores em nossa sociedade, pois mesmo agora, podemos experimentar do que é uma nação abençoada por Deus, mesmo que não por completo. Quanto mais a nação se afasta do Senhorio de Cristo, mais miserável e insuportável ela se torna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). No entanto quanto mais próxima à nação estiver da Palavra de Deus, mais prospera ela será, e melhor de se viver (Sm 33.12). Entretanto nada será comparado aos “novos céus e nova terra”, onde tudo será perfeito.
Que vivamos nesta esperança da volta do nosso Rei, que reinará com toda autoridade e justiça. Onde a alegria de Seu povo será plena e eterna. O gigante acordou, mas que ele saiba que antes de gritar: “FORA DILMA!” Ele deveria estar clamando: “MARANATA! VOLTA LOGO SENHOR JESUS!”.

Duas visões da Expiação: Dois “Cristos”


Por John W. Robbins

Nesses dias de assistência médica para todos, educação para todos, direitos para todos, e oportunidade para todos, parece quase inevitável que o Evangelho de Jesus Cristo seja obscurecido pelo ensino religioso popular da salvação para todos. Os ideais democráticos de igualdade e oportunidades iguais têm invadido tanto a teologia como a política.

A maioria das igrejas nos Estados Unidos que se chamam de cristãs rejeitam o Evangelho. Elas ensinam, se são liberais, que Jesus foi um bom homem, até mesmo um mártir, mas que ele não morreu no lugar de ninguém; ou, se são conversadoras, que Jesus morreu no lugar de todos, deseja que todos os homens sejam salvos, e oferece salvação a todos. Mas realmente faz pouca diferença se uma igreja é grande, respeitável e liberal e ensina que Jesus não morreu por ninguém; ou se ela é entusiástica, crescente e conservadora e ensina que Jesus morreu por todo mundo: O resultado é o mesmo: Jesus Cristo não salva realmente ninguém — absolutamente ninguém. Tanto os liberais como os conservadores concordam que as pessoas se salvam pelo exercício de suas vontades. O “Cristo” conservador torna a salvação possível, se as pessoas apenas permitirem que ele entre em seus corações; o “Cristo” liberal aponta o caminho para salvação, se as pessoas simplesmente seguirem seu exemplo. Nenhum dos “Cristos” salva.

Os liberais são talvez mais francos em negar o Evangelho; eles dizem que Jesus foi apenas um bom exemplo ou um bom professor: Eles não pretendem apresentá-lo como um Salvador. Os conservadores disfarçam o fato de que eles não têm nenhum Evangelho — nenhuma boas novas — dizendo que Deus ama todo homem e oferece a salvação a todos. Mas o significado tanto da mensagem liberal como da mensagem conversadora é a mesma: Nem um bom professor moral, nem uma mera oferta de salvação realmente salva. Nem os liberais ou os conversadores, nem os humanistas ou arminianos têm um Salvador. O “Cristo” liberal é, na melhor das hipóteses, uma alma corajosa que suportou a injustiça ao invés de renunciar sua crença na humanidade; o “Cristo” conservador é um ser covarde e impotente que implora para que as pessoas permitam que ele entre em seus corações.

O que nem liberais ou conservadores, protestantes ou católicos romanos, carismáticos ou fundamentalistas ensinarão é a doutrina bíblica da expiação: Deus o Pai, possuindo todo poder e todo conhecimento, desde a eternidade escolheu os indivíduos específicos que ele salvaria; Deus o Filho, possuindo todo poder e todo conhecimento, se tornou carne para propiciar a ira do Pai, morrendo no lugar daqueles a quem o Pai escolheu; e Deus o Espírito Santo, possuindo todo poder e todo conhecimento, irresistivelmente e no tempo devido, dá aos eleitos pelo Pai e resgatados pelo Filho a fé e salvação que Cristo adquiriu para eles. Essa doutrina bíblica da Expiação é o Evangelho, as boas novas, sobre o que Deus fez para o seu povo. é as boas novas sobre Jesus Cristo, o autor e consumador da nossa fé. A salvação é um dom de Deus para o seu povo do princípio ao fim.

A teologia bíblica, particularmente a doutrina da expiação, não é democrática; ela confronta os ideais modernos de igualdade e oportunidades iguais. Mas Deus não é um Salvador que se apresenta como uma oportunidade igual para todos. Cristo morreu e ora somente por aqueles a quem o Pai lhe enviou para salvar. É somente eles a quem Cristo realmente salva. A salvação deles ilustra a misericórdia de Deus, pois eles não têm o que reivindicar do seu Criador, e são tão pecadores como aqueles que são condenados. A condenação dos réprobos ilustra a justiça de Deus. Tanto os eleitos como os condenados ilustram sua soberania.

Muitos daqueles a quem Deus predestinou ao inferno têm sido muito religiosos. Há dois mil anos atrás, eles eram os líderes religiosos de Israel, os escribas e fariseus. Parece não tem havido uma grande mudança nesses últimos dois mil anos, pois hoje muitos incrédulos são membros, suportam financeiramente e lideram grandes igrejas e organizações religiosas nos Estados Unidos; eles são descritos em Mateus 7:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

A doutrina da expiação é o coração da mensagem bíblica. Ela é a doutrina cristã, juntamente com a doutrina da inerrância da Escritura, sobre a qual o mundo em sua sabedoria diabólica tem concentrado os seus ataques. Nesse livro o Dr. Clark traz uma clareza inigualável de pensamento e expressão para uma doutrina cristã crítica, e sua explanação sistemática da expiação enriquecerá os leitores crentes. Mas para aqueles que estão perecendo, como Paulo diz, a mensagem desse livro terá o cheiro de morte. Oramos para que o Deus eterno e todo-poderoso, que opera todas as coisas segundo a sua vontade entre os exércitos do céu e da terra, faça com que aqueles que leiam A Expiação creiam na verdade sobre o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Sobre batalha espiritual: discernindo nossa luta

Em nome de uma batalha espiritual contra satanás, os proponentes da “Teologia da Batalha Espiritual”, guerreiam espiritualmente contra principados e potestades com alguns conceitos estranhos à palavra de Deus.
Mas, o que é, então, Batalha Espiritual? É a luta diária do cristão contra satanás e seus demônios, travada nas regiões celestiais. É um conflito entre os filhos da Luz e as forças das trevas. É um combate real contra o diabo.
Se, de fato, existe essa batalha espiritual, não podemos enfrentá-la com conceitos avessos ao Evangelho. São muitos os ensinos do movimento de batalha espiritual que contraditam a palavra de Deus. Veremos neste post, apenas alguns, tais como:
Deus e satanás batalham em igualdade. O Senhor Deus e o senhor diabo duelam, como iguais, pelo controle da terra e doo universo e tudo que neles há. O bem e o mal estão em um conflito dualístico pela soberania do universo. No entanto, isso não é verdade, Deus é o Senhor do universo, da terra, da história e de tudo que existe. Sl 89.11. Nesta batalha, Deus é o Senhor e o diabo é o servo. O diabo está sob o controle soberano de Deus.
Possessão demoníaca de crentes. Os crentes que dão “brecha” para satanás podem ficar endemoninhados, ou aqueles que, em não estando preparados espiritualmente, enfrentam as forças da maldade. Se for apenas crente, com toda certeza ficará possuído, mas, se for discípulo de Jesus Cristo, claro que não, pois a vida do discípulo está oculta com Cristo em Deus, e o maligno não toca. Cl3.3. O discípulo é templo do Espírito Santo e, nesse templo, o diabo não entra. I Co 6.19
Quebra de maldições. Pessoas que ainda não foram totalmente libertas precisam passar por uma “sessão” de quebra de maldições, para que as maldições familiares que as atinge por hereditariedade espiritual, passada por espíritos que agem na família, sejam quebradas. Entretanto, quem é de Cristo não precisa de “sessões” de quebra de maldições, porque já passou pela “sessão” da Cruz e, nesta, Ele se fez maldição, para que todas as nossas maldições fossem quebradas e nos tirou do império das trevas e maldições, e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor. Gl 3.3; Cl 1.13
Unção de lugares e pessoas. Os guerreiros espirituais derramam “óleo ungido” para que os demônios que agem em determinado lugar sejam expulsos. Ungem-se, também, pessoas, para sejam libertas da opressão e possessão demoníaca. No entanto, o Evangelho nos ensina que é Deus por meio da oração e do jejum é que libertam territórios e pessoas do diabo. Mt 17.21
Isto posto, vamos à palavra para saber o que fazer e como vencer esta batalha espiritual que se apresenta todos os dias à nossa frente querendo nos destruir. Ef 6.10-20
Paulo escrevendo aos Efésios disse que nós travamos esta batalha, não contra seres humanos, mas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Ele diz que precisamos estar firmes contra as ciladas diabo, resistir no dia mau e permanecer inabaláveis.
Nesta batalha espiritual, a força para enfrentá-la vem do Senhor. Na resistência contra as ciladas do nosso inimigo é preciso buscar forças na fonte de todo o poder que é o mesmo que ressuscitou Jesus de entre os mortos.
Além da força do poder de Deus temos uma armadura, na luta contra os poderes das trevas. O cinturão da verdade de Deus; a couraça da justiça de Cristo imputada a nós pela fé somente; o calçado do evangelho da paz, que é o meio pelo qual fomos pacificados com Deus; o escudo da Fé que nos protege dos dardos inflamados do maligno; o capacete da Salvação que Jesus conquistou para nós na cruz do calvário;  a espada do Espírito que é a palavra de Deus.
E orar em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos.
O Senhor é Soberano, o seu poder e a sua armadura, e a nossa oração exercem proteção contra o diabo e as suas ciladas contra as nossas almas.
Discirna isso, é simples assim!

O Que é Expiação?


Por Pr. Silas Figueira

EXPIAÇÃO – O dicionário define o termo expiação como: reparar um erro, uma falta; pagar um crime; remir ou remir-se: expiou arduamente por seu erro; vive expiando-se por seus erros. (Não confunda com espiar).

Sua natureza típico-profética. Os sacrifícios do AT não tinham apenas significação cerimonial e simbólica, mas também espiritual e típica. Eram de caráter profético, e representavam o Evangelho na Lei. Foram destinados a prefigurar os sofrimentos vicários de Jesus Cristo e sua morte expiatória. A conexão entre eles e Cristo já vem indicada no Velho Testamento. No Salmo 40.6-8 o Messias é apresentado como a dizer: “Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado, não os requeres. Então eu disse: Eis aqui estou eu, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei”. Nestas palavras, o Messias substitui os sacrifícios do Velho Testamento pelo Seu grande sacrifício. Vão-se as sombras quando chega a realidade que elas fracamente projetam, Hb 10.5-9. No Novo Testamento há numerosas indicações de que os sacrifícios mosaicos eram típicos do superior sacrifício de Jesus Cristo. Há claras indicações, e até afirmações expressas, no sentido de que os sacrifícios do Velho Testamento prefiguravam Cristo e Sua obra, Cl 2.17, onde é evidente que o apóstolo tem em mente todo o sistema mosaico; Hb 9.23, 24; 10.1; 13.11, 12. Varias passagens ensinam que Cristo realizou pelos pecadores, num sentido mais elevado, o que se dizia que os sacrifícios do Velho Testamento efetuavam por aqueles que os ofereciam, e que Ele o fez de maneira semelhante, 2 Co 5.21; Gl 3.13; 1 Jo 1.7. Ele é chamado “o Cordeiro de Deus”, Jo 1.29, evidentemente em vista de Is 53 e do cordeiro pascal, “Cordeiro sem defeito e sem macula”, 1 Pe 1.19, e mesmo “nossa Pascual”, ou “nossos Cordeiro pascal”, que foi imolado por nós, 1 Co 5.7. E por que os sacrifícios mosaicos eram típicos, naturalmente lançam alguma luz sobre a natureza do grande sacrifício expiatório de Jesus Cristo.1

O pecado requer punição, e a justa penalidade da provocação contra Deus é o tormento sem fim no inferno. Visto que o castigo é interminável, não há escape ou restauração para aqueles que estiverem sob a ira divina. Um outro teria que morrer no lugar do pecador para que esse ficasse livre e para que a justiça de Deus fosse satisfeita ao mesmo tempo. Contudo, “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23) e, assim, nenhum ser humano está qualificado para morrer pelos pecados de outro, visto que cada um mesmo é culpado disso, e receberia o justo castigo somente por seus próprios pecados, se tivesse de sofrer sob a ira divina.

A única solução é um ser humano inocente morrer por outro, e assim sofrer verdadeiramente a penalidade do pecado que ele mesmo não merecia. Isso foi o que Jesus fez pelos eleitos: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Embora Jesus não tivesse pecado (Hb 4.15), ele sofreu como um pecador, visto que Deus soberanamente imputou a culpa dos eleitos sobre ele. Assim, aqueles por quem ele agiu como um cabeça federal — a saber, os eleitos — receberiam sua justiça perfeita também por imputação.2

Podemos concluir que Expiação significa que Deus dá o perdão dos pecados àqueles que se arrependem deles e se reconcilia com o pecador. Mas não para por aí: Essa reconciliação requer o sacrifício de alguém em substituição ao pecador arrependido. Lembre-se de que a pena estabelecida por Deus ao pecador lá no jardim do Éden foi a morte. (Gn 2. 17) Essa morte é muito mais do que a morte física, é a total separação da presença de Deus.

O pecador merece o justo castigo por ter ofendido a Deus com o pecado, mas o amor de Deus é tão grande que abençoou o ser humano com uma forma de ter o seu pecado perdoado sem ter de morrer.

No Antigo Testamento, os substitutos que davam a vida no lugar dos pecadores arrependidos eram os animais. Eles eram sacrificados no lugar do pecador arrependido. Morriam em seu lugar. Dessa forma Deus se satisfazia e perdoava o pecador. O sacrifício era aceito por Deus

quarta-feira, 10 de julho de 2013

QUANTO VOCÊ COBRA PARA PREGAR?

Por Pr. Silas Figueira

Alguns anos atrás eu estava no gabinete da igreja quando o telefone tocou. Quando atendi ao telefone, a pessoa do outro lado da linha disse que queria falar com o pastor Silas e se ele estava. Eu lhe disse que era o pastor Silas quem falava. Então ele se apresentou e me disse que era de uma igreja batista de uma outra cidade e se haveria a possibilidade de pregar em sua igreja em um congresso de jovens, me explicando que já havia ligado para o Pr. Silmar Coelho, mas nessa data ele estaria nos Estados Unidos, e que havia ligado para a cantora Eyshila, mas ela também não poderia estar no congresso naquela data. Então eles se lembraram de mim e resolveram ligar para ver se haveria a possibilidade de estar pregando no congresso. Eu olhei a minha agenda e verifiquei que na data que queriam, apesar de ser um feriado prolongado, eu estaria livre. Então veio a famosa pergunta:

- Quanto o senhor cobra para estar pregando em nosso congresso?

Então lhe falei que não cobrava nada. Ele surpreso me disse:
- Nada?!
- Nada. Respondi.

Então o rapaz me disse com muita empolgação:

- Pois eu quero lhe dizer que o senhor receberá uma boa oferta da igreja.

Confesso para vocês que eu fiquei surpreso, pois alguns anos antes eu havia pregado nessa igreja e ela não tinha paredes e eu nada cobrei e nem nada recebi. Voltei para pregar lá novamente, dessa vez já havia paredes e me deram uma oferta para cobrir as despesas da gasolina. Queridos, confesso para vocês uma coisa, não cobria a metade da gasolina que eu havia gasto, mas tudo bem.

Enquanto ele me falava pensei comigo: “Vou levar um grupo da igreja para esse congresso”. Mas aí ele completou:

- Não só uma boa oferta, mas o senhor terá todas as despesas pagas e dormirá num hotel fazenda excelente que temos aqui na cidade.

Meus irmãos, na mesma hora eu desisti de levar comigo a igreja; só vou com a minha esposa e não vou nem levar as crianças, meus filhos nessa época ainda eram bem novos. Hotel fazenda, boa oferta e ainda todas as despesas pagas. Que mudança. Que benção. Como estava mudada a igreja. Tão liberal e tão próspera.

Enquanto eu pensava nisso, o abençoado no outro lado da linha me disse assim:
- Pastor o senhor é muito famoso aqui em nossa cidade.
Aí eu pensei: “Famoso?” Ta certo que eu havia pregado lá duas vezes, e confesso que foi uma benção, mas famoso? Foi quando perguntei:
- Eu? Famoso?
- É. O senhor é muito famoso aqui, afinal de contas o senhor não é o pastor Silas Malafaia?
Então eu falei:
- Não meu irmão, eu sou o pastor Silas Alves Figueira.
- Ué! Ai não é a Assembléia de Deus da Penha?
- Não querido, aqui é a uma igreja batista e fica em Teresópolis.
- Ah pastor me desculpe pelo King Kong que eu paguei! Eu queria falar era com o pastor Silas Malafaia, o senhor não tem o telefone dele aí não?
- Não meu irmão, eu não tenho.

Queridos, tudo bem que eu não sou o Malafaia, mas também não sou nenhuma “Mala Sem Alça”. Por qual motivo o Malafaia tem boa oferta, despesa paga e hotel fazenda e para o Malafeia não têm nada? Só porque ele é famoso? Por que será que para o Pastor Silmar Coelho e para a cantora Eyshila podia ter honras financeiras e para o Malavazia não podia ter nada? Será que só eles merecem não ter gastos financeiros?

Fico imaginando eu e a minha querida esposa chegando à cidade e dando de cara com os cartazes, “Hoje estará conosco o famoso pregador Silas Malafaia.” E chega ao congresso o não famoso Malavazia com a sua digníssima esposa, que não se chama Elizete, mas Cláudia. Graças a Deus que o abençoado falou que o outro era famoso e eu achando que era eu. Já parou para pensar que situação eu iria enfrentar e eles?

Meus irmãos esse ocorrido me fez ver que quanto mais famoso você for, mais honras você recebe, como se a honra estivesse na fama e não na pessoa. Eu não tenho nada contra o pregador ou cantor receber uma oferta por ir a uma igreja para ministrar, o que eu não aceito é essa cobrança que se anda fazendo por aí. Pregadores e cantores cobrando para ministrar e cobrando alto, exigindo coisas que não tem lógica. Eu soube de um pregador que após pregar foi convidado a ir à casa de uma família da igreja para jantar. Quando ele viu que o jantar era sopa (pois estava muito frio naquela noite), ele disse para o dono da casa que por “aquilo” ele não dava graças, e foi jantar em outro lugar. Quanta arrogância entre os “famosos”, muitos vieram de lugares pobres, e muitos deles nem tinham o que comer direito, mas basta um pouquinho de fama e já começa o chilique, não como isso, não como aquilo. Onde isso vai parar meu Deus? Se alguém souber a resposta me diga por favor.

Pr Silas Alves Figueira, que não sabe o telefone do Malafaia.