terça-feira, 21 de maio de 2013

O seu deus é idiota?

IDIOTA 
Por João Pedro Cavani
Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece?” (Isaías 29:15)

Um dia, eu estava passando pelo calçadão da minha cidade por volta das 6 horas da tarde. Estava voltando do escritório da igreja onde eu trabalho; tinha ido lá pegar uns livros meus que ia precisar. Foi quando vi uma das cenas que mais me revoltou até hoje: uma mulher, vestida de saia e cabelo até o joelho, portanto uma crente como manda o figurino, que estava fumando. Foi instantâneo: ao chegar em casa, escrevi no meu mural do Facebook a situação que eu acabei de contar, e coloquei depois a seguinte frase: “esse tipo de gente deve achar que Deus é idiota”. Algumas pessoas naturalmente comentaram sobre a hipocrisia visível dessa mulher, mas um dos comentários ali a defendeu, dizendo que nós teríamos que “amá-la como Jesus a amou”, e que ninguém tem o direito de julgar o coração de ninguém.

Essa história ilustra o tempo no qual nós estamos vivendo. Esse é um tempo extremamente complicado, pois ninguém tem direito à opinião. É até irônico dizer isso, principalmente porque hoje existe uma facilidade imensa em relação a difundir as ideias que a gente tem: basta que as publiquemos, por exemplo, na internet, como eu fiz, e de maneira extremamente rápida e dinâmica muita gente vai ver e passar adiante. Só que ninguém gosta de ser contrariado, ou que alguém defenda uma ideia contrária à sua. Dessa forma, hoje temos um conceito de “cada um na sua” mais evidente do que a tempos anteriores. Funciona assim: você pensa estar certo? Ótimo para você e para quem concorda com você. Só não venha querer impor o seu ponto de vista sobre mim!

Claro que esse conceito prejudica muito o trabalho dos filhos de Deus, que são luz do mundo. O Deus deles afirmou ser “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), ou seja, ele é o parâmetro que define o que é certo e o que é errado. Se estiver de acordo com os princípios de Deus, está certo. Se não estiver, está errado. Acontece que, em algumas igrejas, esse conceito encontrou morada e as está tornando cheias, porém irrelevantes na sociedade na qual estão inseridas. Há uma mudança na mensagem da Bíblia, de forma a torná-la mais “aceitável”, e o que se pode perceber nos nossos dias é que o “Deus” dessas igrejas se tornou nada além de um idiota. Por quê? Porque ele ama, ou melhor, é obrigado a amar a todas as pessoas indistintamente, sem que esse amor cause nessas pessoas alguma mudança. Esse amor se tornou subjetivo, relativo, e meramente emocional. Esse amor nos faz chorar, mas nada acontece em termos práticos de forma a causar diferença na vida daqueles que Deus ama. Esse amor não é algo que nos constrange e nos incentiva a mudar, mas é algo que leva ao comodismo e a conformar-se em ser um mero pecador.

Gostaria de perguntar a você, então, se o seu Deus é um idiota, tal qual o “Deus” daquela mulher e o do de tantos outros por aí. Como o “Deus” no qual você crê te enxerga? Como o amor desse “Deus” age em você? Para isso, nada melhor do que investigar, na própria Palavra do único Deus verdadeiro, o que ele mesmo diz a respeito de situações assim. Proponho que nos baseemos em Isaías 29:9-16 para isso. Bora? =)

1.      Religião que embriaga (v. 9-12)

Você, provavelmente, já teve a experiência de cruzar o caminho de um bêbado. Você sabe que identificar uma pessoa bêbada é a coisa mais fácil do mundo, pois os sinais são claros: alguém que está bêbado fala de forma confusa, anda de forma cambaleante, quase caindo, e faz coisas esquisitas, as quais alguns (eu não!) acham até engraçadas. E aí é que está a coisa interessante nessa história: apesar dos sinais, o bêbado nunca admite que está bêbado, já reparou? E, em alguns casos, ele até tenta convencer as pessoas ao redor dele que não está bêbado. Isso sim que é engraçado! É extremamente óbvio constatar que uma pessoa está embriagada, porque os sinais são absurdamente claros. E, naturalmente, é inútil para o bêbado, por mais que se esforce, tentar negar o óbvio. E, de acordo com o texto de Isaías, era esse efeito que a religião que eles viviam na época estava provocando neles: a incapacidade de perceber o óbvio.

Deus, por intermédio de Isaías, disse ao povo: “bêbados estão, mas não de vinho; andam cambaleando, mas não de bebida forte” (v. 9). O que estava, então, embriagando o povo? Exatamente, a religião. Ela era nada além de algo que, em vez de alertar o povo da gravidade do seu estado, apenas o cegava e distorcia a sua visão. O Senhor derramou cegueira sobre o povo, fechando seus olhos e ouvidos, que eram os profetas (v. 10), de forma que eles não tinham a menor capacidade de entender a revelação do Senhor (v. 11), o que fazia a pecaminosidade do povo aumentar sem precedentes.

Vale lembrar que o livro de Isaías vem denunciar exatamente a questão do pecado do povo, e isso pode ser percebido desde o primeiro capítulo do livro. Nele, você verá que as palavras do livro são destinadas a Judá e Jerusalém (1:1), mas o Senhor se refere a eles como “Sodoma e Gomorra” (1:10), cidades destruídas no passado em razão da podridão moral que nelas havia. Pesado, hein?

Outro dado interessante: no Brasil, de acordo com o último censo do IBGE (2010), as religiões evangélicas foram as que mais cresceram, ao passo que o número de católicos diminuiu muito no país em relação aos últimos anos. Avivamento? Novos tempos? A grande pergunta é: esse crescimento produziu alguma alteração significativa na maneira de pensar do brasileiro? Eu não acho que isso tenha acontecido. Ao contrário, vemos muita heresia surgindo em todos os contextos, e temos muito mais notícias de “cristãos” dando vexame por aí do que realmente sendo sal e luz. Persegue-se bênçãos e mais bênçãos, mas não há preocupação com o que realmente importa: a luta contra o pecado. Expulsa-se capeta em tudo que é canto, mas a luta contra nós mesmos e nossas paixões foi abandonada.

Assim, esse crescimento todo vem de Deus? Claro que sim! Mas a pergunta é: com qual objetivo? Penso que nossa situação atual tem tudo a ver com o juízo que Deus executou no passado ao seu povo. Existem “profetas”, “apóstolos”, “pastores”, “missionários”, “irmãos”, e existem muitas “mensagens” e “profecias”. Contudo, elas provêm de pessoas que estão cegas, porque não são capazes de entender o que Deus quer falar. E o que ele quer falar?

2.      Juízo contra o cego (v. 13-16)

O que o Senhor faria em meio a uma situação dessas? Ele nos conta a partir de agora. Em primeiro lugar, ele constata os resultados de uma religião que embriaga: honras e glórias apenas com os lábios e não com o coração, e temor a Deus que consiste apenas em mandamentos de homens, aprendidos maquinalmente (v. 13). Com certeza, uma religião que cega o homem para a sua verdadeira essência só poderia gerar falsos adoradores. E é assim que o Senhor nos ensina a identificar uma religião falsa: ela ignora o que de fato o homem é, desvia o foco da nossa verdadeira necessidade, e produz gente cega. Mas, cegos em que sentido? Deus explica, dizendo que continuaria a fazer obra maravilhosa no meio daquele povo, a qual destruiria a sabedoria de seus sábios (v. 14). Essa sabedoria que seria destruída está denunciada nos versículos 15 e 16: aqueles que fazem tudo às escuras, escondidinhos, achando que ninguém está vendo, e depois querem negar o que fizeram. Diz o Senhor que essa atitude é tão absurda e impensável quanto um vaso de barro dizer a quem o fez algo como “não foi ele quem me fez! Eu apareci sozinho!”, e destina profundo juízo a quem assim pensa: “ai de você!” (v. 15).

É por isso que o cristianismo é único, e se diferencia de qualquer outro sistema de pensamento no mundo. Isso porque o cristianismo é o único sistema de pensamento que responsabiliza o autor do crime pelo próprio crime! Embora isso seja óbvio na teoria, na prática você vê que as coisas não são bem assim. Exemplificando: há quem diga que o ladrão é ladrão porque teve uma infância complicada e pobre, que o homossexual o é porque foi criado assim pelos pais, e que o usuário de drogas é um simples produto do meio em que ele vive. Sabe aquele adolescente em crise que vive dando trabalho aos pais? Coitado, a culpa não é dele, mas dos seus hormônios… sabe aquele jovem que cresceu nos caminhos do Senhor, mas que hoje vive longe deles? Então, é porque começou a andar com uma galera aí que fez a cabeça dele… coitado! A culpa não é dele! É exatamente contra essa ideologia que o Senhor se manifestou, e é exatamente assim que uma religião que ignora os princípios da sua Palavra também vai ensinar a pensar.

A Bíblia ensina que todos são pecadores porque nascem assim (Salmos 51:5), e, como vimos, nos mostra que é impossível separar a ação cometida de quem a cometeu. É por isso que todos nós somos culpados, e carecemos da glória de Deus (Romanos 3:23). Nossos pecados são produto das intenções do nosso coração e de nossos próprios desejos (Tiago 1:14), e não de uma fonte externa. Assim, pecamos porque queremos. Ninguém pode nos forçar a fazer algo se nós não queremos fazer. Pressão popular ou companhias não formam ninguém, e sim, mostram o que está habitando no nosso coração. Foi o próprio Jesus que disse: não é o que o homem põe na boca que o contamina, e sim o que já está lá, pois o que sai da boca do homem é reflexo do que está dentro dele (Marcos 7:20 – aliás, nesse mesmo capítulo, nos versículos 6 e 7, Jesus cita exatamente o texto que nós estudamos aqui).

Conclusão: quem é o idiota agora?

Até aqui, você aprendeu a perceber as coisas como Deus as percebe. Ele vê uma obra e já conclui que ela foi resultado de uma ação de alguém. Ela não existiria se alguém não a tivesse feito. Dessa forma, a religião que ele quer que nós assimilemos é aquela que não culpa a ninguém além de nós mesmos pelas nossas pisadas na bola.

Não seja mais um cego, que tenta colocar a culpa sempre em outras coisas. E não permita que a sua religião tire a culpa de cima de você. Somente através do reconhecimento de que nós mesmos somos os vilões, e não a sociedade, ou os políticos, ou qualquer outra pessoa, é que alguma coisa vai mudar. É isso que Deus quer que eu e você enxerguemos, pois só assim alguém pode experimentar profunda transformação o seu ser. Nada vai mudar enquanto a culpa que é nossa for atribuída a outra pessoa.

Deus não é idiota, pois ele sabe muito bem o que o homem é, e sabe que somente quando ele se convencer do que realmente é que as coisas vão mudar. Por isso, não o tenha como idiota, achando que você pode se livrar de uma culpa que é sua. E não se faça de idiota, fingindo que não é contigo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Thales Roberto e a idolatria gospel



thallecoPor Renato Vargens
Hoje a tarde, depois de ouvir uma canção composta por Thalles Roberto, escrevi o seguinte no Facebook:
“Prefiro pensar que o cantor Thalles Roberto escreve letras pobres e desprovida de boa teologia por ignorância e não por manipulação religiosa. Sinceramente a letra da música “Filho meu” é uma das mais heréticas que tive oportunidade de ouvir nos últimos meses. Ora, desde quando Deus corre atrás, oferece promessa arquivada, leva porta na cara e chora? Complicado não é verdade? Até quando a igreja brasileira continuará consumindo lixo? Até quando continuaremos cantando bobagens como essa em nossos cultos? Pois é, que Deus tenha misericórdia do seu povo.”

Pois é, foi só eu emitir uma critica quanto a letra da música entoada pelo famoso cantor que lá veio pedrada. O Interessante é que os argumentos utilizados pelos adeptos do movimento gospel são sempre os mesmos:
Não Julgue o irmão, isso não nos cabe…
Cuidado! Não toque no ungido do Senhor…
O que importa é que Cristo está sendo pregado…

Caro leitor, infelizmente diante do comportamento de muitos irmãos que super valorizam os cantores gospel, sou levado a conclusão que a idolatria tomou de assalto os nossos arraiais. Ora, ouso afirmar que movimento gospel foi o responsável pelo aparecimento de “idolos” entre os evangélicos. Do Oiapoque ao Chuí é comum observarmos a idolatria evangélica por parte de adolescentes e jovens que tem venerado seus cantores e artistas preferidos. Se não bastassem os fãs clubes evangélicos, cuja existência se fundamentam em exaltar seus ídolos, eis que alguns dos crentes em Jesus, optaram por transformar seus cantores prediletos em um tipo de deus.
Há pouco fiquei sabendo que o Thalles para vergonha nossa lançou no mercado um boneco chamado Thalleco.
Pois é, confesso que estou assustado com o rumo da igreja evangélica brasileira. Lamentavelmente parte dos evangélicos tem acreditado num evangelho absolutamente diferente do pregado por Jesus e pelos apóstolos.
Diante do exposto, resta-nos chorar diante do Senhor pedindo a ele que nos perdoe os pecados e mude definitivamente os rumos da Igreja de Cristo.
Maranata Senhor Jesus!

O Rosário e suas 15 promessas

.


1) Introdução
A Igreja Católica Apostólica Romana presta uma espécie de veneração especial a Maria, chamada hiperdulia (algo como hiper veneração). Todos os demais santos são merecedores apenas de dulia (veneração) e apenas a Deus é reservada a latria, que é a adoração.
Teoricamente estas definições podem até ser compreensíveis, porém a prática nos revela algo totalmente diferente.
João Paulo II, grande devoto de Nossa Senhora e que demonstrou isto em toda a sua trajetória como pontífice disse o seguinte no encontro com os jovens na Basílica Vaticana em 10 de janeiro de 1979:
“O assunto, para o qual desejaria chamar a vossa atenção neste momento, está muito perto da vossa sensibilidade. Quereria, de fato, deter-me convosco a contemplar ainda a cena maravilhosa que o mistério do Natal nos colocou diante dos olhos. É cena que vos é familiar: muitos de vós reviveram-na ativamente nestes dias, construindo o presépio nas suas casas. Pois bem, entre os protagonistas desta cena, convido-vos esta manhã a olhar para Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe."
A Igreja mesma nos sugere esta atenção particular para com Nossa Senhora: quis que o Último dia da oitava do Natal, e primeiro dia do ano novo, fosse consagrado à celebração da Maternidade de Maria. É evidente, pois, a intenção de dar realce ao “lugar” da Mãe, diria à “dimensão maternal” de todo o mistério do nascimento humano de Deus.
Não é intenção sua que isto se manifeste só neste dia. A veneração da Igreja para com Nossa Senhora — veneração que supera o culto de qualquer outro santo e toma o nome de “hiperdulia” — invade todo o ano litúrgico.” [1]
Esta é uma pequena demonstração de como a ICAR tem voltado o seu foco sistematicamente para Maria, tirando-o do único e verdadeiro Salvador, Jesus Cristo.
2) O surgimento do rosário
Um instrumento poderoso para este desvio do foco em Cristo, o Santo Rosário, surgiu aproximadamente no ano 800 e consistia na reza de 150 pais-nossos pelos leigos que não sabiam ler, de forma a imitar os monges que rezavam os Salmos (150). Com o passar do tempo formaram-se outros três saltérios com 150 aves-Maria, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria. O Rosário como conhecemos hoje surgiu em 1206, quando a Virgem teria supostamente aparecido a São Domingos e revelado que era uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores. O primeiro documento impresso que explica claramente como rezar o rosário surgiu em Colônia, na Alemanha, em 1476.
Ao longo do tempo recebeu algumas implementações, sendo a última em 16/10/2002 através da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae [2] publicada pelo papa João Paulo II em que adicionou-se mais 50 aves-Maria e 5 pais-Nosso sob o título de Mistérios Luminosos [3] aos já rezados mistérios gozosos, mistérios dolorosos e mistérios gloriosos. Desde tal data o rosário passou a ser composto por 212 aves-Maria, 4 salve-rainhas e 24 pais-nosso [4]. Pela distribuição das rezas fica notável que o foco não é Cristo, mas sim Maria.
3) “Revelações” acerca do rosário
Muitas são as informações que os católicos recebem acerca de diversas supostas aparições de Maria com uma mensagem de estímulo à reza do seu rosário:
Quero que saiba que, a principal peça de combate tem sido sempre o saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do novo testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu saltério” esta frase teria sido dita a São Domingo em uma aparição da Virgem Maria dos Católicos.
À Beata Alexandrina de Balasar, nascida em 1904 e falecida em 1955, a ICAR afirma que Nossa Senhora muitas vezes lhe falou do rosário, recomendando-o como arma eficaz contra as ciladas do demônio e como oração que agrada a Jesus, porque honra Maria, sua Mãe.
A ICAR diz que a reza do rosário agrada a Cristo, porém ela leva seus praticantes a distanciarem-se do nosso Senhor e Salvador e ter como foco principal a mãe de Jesus.
Dentre as muitas “revelações” dadas pela senhora dos católicos acerca do seu rosário, uma em especial é objeto deste artigo, pois faz com que os rezadores do terço deixem de depositar sua confiança em Cristo, nosso Senhor e único Salvador, e passem e esperar em Maria.
4) As 15 promessas do Santo Rosário
Alain de la Roche, titulado beato pela ICAR, nascido na França em 1428 e falecido na Holanda em 1475, afirma ter recebido uma mensagem especial de Maria acerca do seu rosário. Segundo ele, a senhora dos católicos lhe revelou 15 promessas para os que rezassem o rosário devotamente. Abaixo faremos um confronto entre estas promessas e o que a Bíblia nos diz acerca do que foi prometido:
1) A todos aqueles que recitarem o meu Rosário prometo a minha especialíssima proteção.
O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei? [Sl 27:1]
O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem. [Sl 118:6]
Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; porquanto tu foste o meu alto refúgio, e proteção no dia da minha angústia. [Sl 59:16]
2) Quem perseverar na reza do meu Rosário, receberá graças potentíssimas.
Porque o SENHOR Deus é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão. [Sl 84:11]
O homem de bem alcançará o favor do SENHOR, mas ao homem de intenções perversas ele condenará. [Pv 12:2]
Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. Porque o que me achar, achará a vida, e alcançará o favor do SENHOR. [Pv 8:34-35]
3) O Rosário será uma arma potentíssima contra o inferno, destruirá os vícios, dissipará o pecado e derrubará as heresias.
Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. [Sl 16:8-10]
Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. [Rm 5:19-21]
Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. [Gl 5:19-23]
4) O Rosário fará reflorir as virtudes, as boas obras e obterá às almas as mais abundantes misericórdias de Deus.
E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou [Rm 9:22-23]
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; [Ef 2:4-6]
As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. [Lm 3:22-23]
5) Quem confiar-se a Mim, com o Rosário, não será nunca oprimido pelas adversidades.
Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. [Jo 16:33]
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. [Fp 4:7]
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. [Mateus 11:28,29]
6) Quem quer que recitar devotadamente o Santo Rosário, com a meditação dos Mistérios, se converterá se pecador, crescerá em graça se justo e será feito digno da vida eterna.
Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. [Jo 16:7-8]
Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. [2Pe 3:18]
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; [Ef 2:8-9]
7) Os devotos do Meu Rosário na hora da morte, não morrerão sem os sacramentos.
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. [Rm 10:9-10]
8 ) Aqueles que rezam o Meu Rosário encontrarão, durante sua vida e na hora de sua morte, a luz de Deus e a plenitude das suas graças e participarão aos méritos dos abençoados no Paraíso.
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. [João 14:6]
9) Eu libertarei, todos os dias, do Purgatório, as almas devotas do Meu Rosário.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; [Ef 2:8-9]
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; (…) Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; (…) E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. [Mt 25:34,41,46] (não existe purgatório na Bíblia)
10) Os verdadeiros filhos do Meu Rosário gozarão de uma grande alegria no Céu.
…eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. [João 10:10b]
Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum; porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. [Apoc. 7:16,17]
11) Aquilo que se pedir com o Rosário se obterá.
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. [Jo 14:13]
Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. [Is 42:8]
12) Aqueles que propagarem o Meu Rosário serão por mim socorridos em todas as suas necessidades.
Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. [Is 46:1]
13) Eu consegui do Meu Filho que todos os devotos do Rosário tenham, por irmãos em sua vida e na hora de sua morte, os Santos do Céu.
E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. [Atos 4:12]
14) Aqueles que recitarem o Meu Rosário fielmente serão todos filhos meus amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus.
Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. [Rm 8:15]
15) A devoção do Santo Rosário é um grande sinal de predestinação.
Nele (Cristo), digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; [Ef 1:11]
Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis. [Ap 17:14]
5) Conclusão
É notório que a ICAR tem permitido e incentivado que seus fiéis afastem-se da verdadeira adoração ao único e exclusivo Senhor e Salvador Jesus Cristo ao desviarem seu foco para a mãe de Jesus, Maria, transformando-a em objeto de esperança [Rm 5:1-2] [Ef 4:4-6] [Cl 1:26-28] [1Ts 1:2-4] [2Ts 2:16] [1Tm 1:1] [Hb 10:23] [1Pe 1:21]
O conhecimento da Bíblia Sagrada, lida sem o filtro da tradição e do magistério, mas sim sob a iluminação do Espírito Santo nos revela o quão equivocada é a atitude de rezar para quem não pode salvar e esperar nas promessas de quem não pode cumpri-las.
Somente o Senhor Jesus é capaz de nos proteger, salvar, livrar do mal e dar Sua graça e misericórdia, pois em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. [At 4:12]
Caminhemos firmes olhando sempre para o autor e consumador de nossa fé, Jesus Cristo [Hb 12:2], esperando apenas Nele.

domingo, 19 de maio de 2013

Você é de fato um Cristão?


Por William Guthrie (1620-1665)
Você é cristão? Essa é a pergunta que estou fazendo e solicitando que pense a respeito. Quero que você pergunte a si mesmo como pode ter certeza que Jesus Cristo é seu Salvador, e que a misericórdia de Deus já lhe alcançou. Nos capítulos anteriores eu disse que podemos saber estas coisas - e examinamos as diferentes formas em que Deus age para trazer as pessoas a Si.
Agora quero apresentar alguns sinais ainda mais evidentes que mostram que uma pessoa é cristã autêntica. A fé é um desses sinais, pois a fé é necessária para que sejamos salvos do pecado. Como Paulo e Silas disseram ao carcereiro em Filipos, "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo" (Atos 16:31).
Apesar disso, às vezes as pessoas pensam que a fé é misteriosa - tão estranha e misteriosa que jamais a podem atingir. Para elas eu diria: a fé não é tão difícil como muitos pensam. Sim - a fé é dádiva de Deus, e não podemos produzi da. Mas, "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo" (Rom. 10:9). Leia a passagem inteira em Romanos, capítulo 10, versículos 5 a 13, e verá que Paulo está dizendo que a fé não é coisa difícil. De fato é uma questão da vontade e do coração. Significa chegar-se a Jesus Cristo, descansar e confiar nEle, apoiar-se nEle e achar nosso tesouro nEle. Fé é questão de querer a Jesus Cristo, e procurá-1o para salvação do pecado. Significa receber a Jesus desse modo. João diz: "a todos quantos o receberam, deu lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1:12). Fé significa vir a Cristo, buscando-O com anseio. "Tudo o que o Pai me dá virá a mim", diz Jesus, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (João 6:37). Fé significa buscar a Jesus e querer a Sua salvação -"Olhai para mim, e sereis salvos, vós todos os termos da terra" (Is. 45:22).
Assim a fé, do modo que estou falando no momento, não é algo difícil; não significa ter o entendimento de coisas difíceis sobre Deus. Inicialmente, fé não implica em crer que Deus me escolheu, ou que Deus me ama, ou que Cristo morreu por mim. Essas coisas são, de fato, difíceis. Mas a fé que traz a todos nós para as bênçãos de Deus não é assim; a fé que nos traz à salvação é questão de querer a Cristo, ser levado a Ele, apoiar-se e ter confiança nEle.
Mesmo assim, para alguns, essa fé salvadora é reivindicação excessiva. Dizem-nos que é excesso de confiança dizer que foram levados a Jesus Cristo. Entretanto, se devemos ser salvos, temos que ter aquela fé que nos conduz a Jesus Cristo e não nos deixa afastar dEle. Sem essa fé confiante, nada mais será suficiente. A não ser que creiamos, ainda estamos condenados por Deus. "Quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (João 3:18). Assim, ter fé salvadora não e nada demais para reivindicar. Se não podemos reivindicá-la, não temos esperança nenhuma.
Ainda assim, as pessoas dizem que não podemos ter certeza de possuirmos fé. O apóstolo João, no entanto, nos diz em sua Primeira Epístola que aquele que crê tem um testemunho em si mesmo (1 João 5:10). Noutras palavras,podemos saber que estamos confiando em Cristo. Como podemos saber disso? Bem, no último capítulo expliquei que muitas vezes descobrimos que Deus nos predispôs para a fé. Ficamos convencidos de que estamos perdidos; percebemos que não podemos nos salvar do pecado, e que somente Cristo é capaz de nos salvar completamente. Sabemos que essa é a única coisa boa que podemos fazer. Esse tipo de predisposição ocorre muitas vezes antes da vinda da fé verdadeira.
Outras coisas vêm com essa fé verdadeira. Se estamos confiando em Cristo, vamos querer que Ele controle as nossas vidas; aprenderemos do Seu ensino; vamos querer nos entregar completamente e sem reserva a Ele. Todas estas coisas, e outras mais, acompanham a fé autêntica; mas embora sejam evidências para nós, devo dizer ainda que, à parte delas, podemos saber em nós mesmos, pela ajuda costumeira do Espírito Santo, se realmente temos fé no Senhor Jesus Cristo -ou se não a temos.
Talvez ajude se eu disser um pouco mais sobre a natureza desta fé. A Bíblia a descreve de vários modos -pois a fé é uma experiência diferente para pessoas diferentes. Às vezes é descrita como querer se unir a Deus e à Sua paz. Isaías chama isso de "olhar para Deus": "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra" (Is. 45:22). Olhar pode parecer um ato de fé muito fraco, pois podemos olhar àquilo que não devemos aproximar nem tocar; podemos olhar a alguém a quem não temos coragem de falar. Contudo, Deus prometeu que aqueles que olharem para Ele com fé serão salvos do pecado. Isso é simplesmente evidenciado como olhar para Deus, querer ser unido a Deus. É dessa fé que a Bíblia fala ao se referir como "querer": "Quem quiser, tome de graça da água de vida" (Apoc. 22:17). Essa fé que olha para Deus também é descrita como ter "fome e sede de justiça" (Mat. 5:6).
Às vezes a fé é descrita com "dependendo do Senhor", ou "descansando" em Jesus Cristo. É colocada também como "confiando em Deus". Isaías nos diz que Deus conservará em paz perfeita aqueles cujas mentes estão fixas nEle, porque confiam nEle (Is. 26:3).
A fé também é descrita como "esperando por Deus". Deus prometeu: "os que confiam em mim não serão confundidos" (Is. 49:23). De fato, a Bíblia nos mostra claramente que Cristo pode fazer o bem aos pecadores segundo a necessidade deles. A fé nos leva a Cristo nos modos como Ele é descrito: quando ouvimos sobre Cristo como o pão da vida, a fé tem fome dEle; quando ouvimos sobre Cristo levantado da morte, a fé crê que Deus O levantou. A fé crê no nome de Jesus, conforme todos os modos em que Jesus é descrito.Deixem-me repetir, entretanto, que nem todos experimentam a fé do mesmo modo ou com o mesmo ímpeto. No Novo Testamento Jesus fala de certas pessoas que tinham uma grande fé. Um caso desses é o centurião (Mat. 8:10). Dessas falas de Jesus podemos perceber que enquanto outros tinham a fé autêntica, nem todos tinham uma grande fé. Assim, não imaginem que a fé tenha que se mostrarem todas as formas que descrevi, a fim de ser real.
Lembrem-se também, que a fé varia em vigor, até na mesma pessoa. As vezes a fé de alguém está forte e pode ser facilmente percebida; depois pode se tornar fraca e a incredulidade se torna mais forte.
Então, a fé se evidencia de muitos modos; mas o que está no âmago da fé verdadeira é o seguinte: estar contente e satisfeito com o plano da salvação de Deus, através de Jesus Cristo. Quando alguém está agradecido pela morte de Cristo no lugar dos pecadores (o que significa que Deus pode, em justiça, perdoar pecadores), então aquela pessoa tem a fé que salva pecadores. A fé salvadora significa desistir totalmente de pensar em conseguir o favor de Deus por meio das obras, e em lugar disso, descansar no que Cristo fez para tomar sobre Si o castigo devido ao pecador. Essa fé está em todos os que nasceram de novo - em todo o verdadeiro cristão -mesmo que não seja evidenciada por todas as maneiras sobre as quais falei.
Assim, o que devemos perguntar a nós mesmos é simplesmente o seguinte: estou satisfeito com o Senhor Jesus Cristo? Ele é aquele a quem dou mais valor do que a qualquer outra coisa? É precioso para mim, por ser o único caminho para Deus? Estar satisfeito com Jesus Cristo como aquele que carregou os nossos pecados e é o nosso único Salvador, é fé autêntica. Isso é crer com o coração. É estar satisfeito com o caminho de Deus para a salvação de pecadores através de Cristo; é concordar com o caminho de Deus para a salvação, e recebê-lo com alegria, através de Jesus Cristo. Deixem-me repetir, podemos saber se temos fé assim, pois não podemos ter dúvidas sobre isso se estamos descansando inteiramente em Jesus Cristo para nos levar a Deus, e se valorizamos o Senhor Jesus Cristo acima de todos e de tudo o mais. Aquele que crê desse modo não perecerá, mas terá "a vida eterna" (João 3:16).
Todavia, seria possível existir uma fé falsa que seja como a verdadeira e tão parecida que não podemos perceber a diferença? Ora, muitos admiram Jesus hoje, assim como muitos creram nEle quando viram os milagres que fez. Como poderemos distinguir essa falsa fé, fé simulada, da fé genuína, verdadeira?
Primeiro, a fé falsa nunca desiste totalmente da idéia de que podemos ajudar, ao menos um pouco, em nossa própria salvação do pecado. Fé falsa faz com que as pessoas perguntem, como o homem em Lucas 10:25: "que farei para herdar a vida eterna?" A falsa fé também quer apegar-se a outras coisas além de Cristo. Assim, a falsa fé nunca confia completamente em Cristo, e somente em Cristo.
Em segundo lugar, pessoas com falsa fé não querem que Cristo as dirija, ou faça a paz entre elas e Deus em todos os tempos, ou ensine-as e as guie. A falsa fé de fato não recebe a Cristo como rei, sacerdote e profeta.
Em terceiro lugar, a falsa fé não está pronta a seguir a Cristo pelas agruras, perdas e sofrimentos. A fé verdadeira quer somente a Cristo, não importa o que custe.Explicarei depois outras diferenças entre a fé autêntica e a falsa. Por exemplo, somente a fé autêntica tem o efeito de purificar a vida interna da pessoa (Atos 15:9). Onde houver fé autêntica, sempre haverá também todas as virtudes espirituais (Gal. 5:22-23).

A Fé que Salva


Por Solano Portela

O movimento histórico conhecido como a Reforma do Século 16 ocorreu há quase 500 anos, iniciado quando Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517, pregou 95 teses, ou declarações, na porta da catedral de Wittenberg, que pastoreava. Lutero foi um homem que atravessou uma profunda experiência de conversão, pela qual teve os olhos abertos à simplicidade dos ensinamentos contidos na Bíblia. Comparando esses ensinamentos com o que era pregado e praticado na igreja dos seus dias, Lutero encontrou diferenças marcantes. Ele verificou como, ao longo do tempo, distorções haviam sido introduzidas, de tal forma que o povo era conservado em ignorância espiritual, privado das verdades reveladas na Palavra de Deus que podem levar à salvação. Os reformadores (Lutero e os que se seguiram a ele) procuraram resgatar a mensagem que salva e que pode levar os homens de volta ao seu destino original, reconciliando pecadores com o Deus santo que rege os céus e a terra.
Os historiadores têm, normalmente, identificado quatro pilares da Reforma do Século 16. Quatro temas principais que dominaram os escritos e ensinamentos dos reformadores, por serem essenciais à propagação da sã doutrina. Esses “pilares” são normalmente identificados por palavras latinas, não tão difíceis de compreender: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide e Solus Christus. Vamos identificar esses significados e ver a relação deles, um para com os outros, bem como a razão da Reforma ter se concentrado nesses temas.
Sola Scriptura, significando que somente as Escrituras providenciam a fonte do nosso conhecimento religioso, das coisas espirituais cujo conhecimento é essencial à compreensão da vida. Essa era uma ênfase necessária, pois a igreja havia incorporado muitas doutrinas que não procediam da Bíblia, mas meramente de tradições humanas. Questões tais como culto às imagens, a existência do purgatório, etc., faziam parte das doutrinas ensinadas ao povo. Os reformadores, investigaram e deram um sonoro “não” a esse ensino e à consideração da “tradição” como fonte de autoridade igual ou superior à Palavra de Deus. Eles consideraram, corretamente, que isso era mortal para a saúde espiritual de qualquer um e da própria igreja.
Sola Gratia, significando que somente a Graça de Deus é a origem da nossa salvação. Na época da reforma, e mesmo nos nossos dias a tendência humana é a de exaltar a habilidade humana de salvar-se a si mesmo. Os reformadores apontaram que a Bíblia indica sem sombra de dúvidas que somente a graça de Deus, o favor não merecido da parte dele, origina um meio de salvação. Estamos todos mortos em delitos e pecados e, conseqüentemente, nada podemos fazer para nossa própria salvação. A iniciativa, de providenciar um plano de salvação, é de Deus e dele procedem todas as providências, nesse sentido.
Sola Fide, significando que somente a Fé é o meio pelo qual nos apropriamos da salvação efetivada por Cristo Jesus para o seu povo. Se a iniciativa da salvação é a graça de Deus, a Fé representa a resposta a essa iniciativa. Essa ênfase, extraída da Bíblia, era muito necessária, pois enfatizava-se as ações humanas como forma de se adquirir a salvação. Vendiam-se indulgências – pedaços de papel que, segundo os vendedores, representavam uma espécie de passaporte para o céu. Quanto mais se contribuía, mais certeza se obtinha, diziam eles, do perdão de pecados – do próprio comprador ou de parentes ou amigos que desejava beneficiar. Lutero e os demais reformadores, não encontraram qualquer base para esses ensinamentos nas Escrituras. Eles identificaram a Fé como sendo a resposta humana, provocada pelo toque regenerador do Espírito Santo de Deus, no processo de salvação.
Solus Christus, significando que somente Cristo é a base da nossa salvação. Somos salvos somente pelos méritos e pelo sacrifício de Cristo e não com base em qualquer outra situação ou ação humana. Cristo é o nosso único intermediário – assim a Bíblia especifica – e isso contrasta com tudo o que se ensinava, e ainda se ensina, relacionado com a intermediação de Maria e de outros “santos”.

Além dos “quatro pilares”, acima explicados, adiciona-se normalmente mais um: Soli Deo Gloria– Glória a Deus somente, significando o propósito da existência de nossas pessoas e de tudo o que temos ao nosso redor. Essa ênfase, igualmente bíblica, foi surgindo com o trabalho dos reformadores que se seguiram a Lutero, especialmente com o de João Calvino, que ensinou a doutrina da vocação – o chamado de Deus para que nos envolvamos em todos os aspectos da vida, sempre centralizando nossas ações na glória que é devida a Deus. Deus fez todas as coisas para sua própria glória e nos enquadramos em nossa finalidade e encontramos a felicidade quando abraçamos esse ensino em nossas vidas.

No meio desses pontos cardeais, dessas ênfases centrais nas doutrinas bíblicas, é interessante notarmos que Martinho Lutero considerava a questão da fé: Sola Fide – Somente a Fé, como sendo aquela ênfase crucial, que devia ser propagada e defendida a qualquer custo. Obviamente que, para ele, todas as demais eram importantes, mas com a questão da fé – como único e exclusivo meio pelo qual nos apropriamos da salvação – ele tinha um cuidado todo especial. Possivelmente isso ocorreu porque foi estudando a doutrina da fé que ele foi atingido pela contundência da mensagem divina de salvação. Lutero, atribulado porque estava acostumado a ouvir a pregação das indulgências, ou a validade de relíquias e amuletos, como meios de se tornar agradável a Deus, identificou-se como “um pecador perante Deus com a consciência atribulada”. Ele estudava a carta de Paulo aos Romanos, mais especificamente o capítulo 3, quando se deparou com a declaração: “o justo viverá pela fé”, no verso 28. Lutero escreveu o seguinte: “...então eu compreendi que a justiça de Deus é o fundamento de direito pelo qual, pela graça e pela misericórdia, ele nos justifica através da fé. Imediatamente eu me senti como se tivesse atravessado uma porta aberta e penetrado no paraíso”.

Assim, a justificação pela fé passou a ser uma das doutrinas centrais dos que abraçaram a fé reformada, que ficaram historicamente conhecidos como “protestantes”. Lutero escreveu, ainda: “esta doutrina é a principal e a angular. Somente ela gera, nutre, constrói, preserva e defende a igreja de Deus; sem ela a igreja de Deus não sobreviverá por uma hora”. O ensinamento bíblico, principalmente contido no terceiro capítulo de Romanos, sobre a justificação pela fé, não significa que nós somos considerados justos com base na fé. A base de nossa justificação é Cristo e o seu sacrifício na cruz, com a subseqüente vitória da morte, obtida em sua ressurreição. Somos salvos, portanto, pela Graça de Deus, por meio da fé, com base no trabalho de Cristo. Explicando o que é justificação, João Calvino nos ensina que ela “consiste no perdão dos pecados e na imputação da justiça de Cristo”. Uma das expressões que ele utiliza, é a de que os cristãos são “inseridos na justiça de Cristo”. Ou seja, não temos justiça própria, mas recebemos a justiça de Cristo sobre nós.

Na carta de Paulo aos Efésios (capítulo 2, versos 8 a 10), lemos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. A fé, aqui mencionada, é essa fé que salva. Aprendemos, nestes versos, que somos salvos somente pela graça proveniente de um Deus soberano. A fé, é o meio – “mediante a fé”. Mas note que não temos qualquer razão ou motivo de nos orgulharmos de termos exercitados fé. Nem temos qualquer prerrogativa ou direitos perante Deus. Somente exercemos a fé, porque ela é dom de Deus. Ele é que nos concede esse meio de resposta ao seu toque salvador. Aprendemos, também, que a salvação não vem das obras – não podemos nos orgulhar, ou nos gloriar, das nossas ações, pois elas não levam à salvação. No entanto, somos instruídos sobre o verdadeiro relacionamento entre graça, fé e obras (ações). Não existe graça verdadeira, sem a respectiva fé que salva. Não existe fé salvadora, sem as evidências dessa salvação, dessa transformação de vida – as obras, as ações de mérito, representadas pelo cumprimento dos mandamentos e das diretrizes divinas contidas nas Escrituras e que existem “para que andemos nelas”.

Essa é a fé que salva. A fé que não é simplesmente uma manifestação mística em algumas coisas. Muitos têm fé sincera em objetos que não podem salvar – em ídolos, em ritos de umbanda, em espíritos desencarnados. Mesmo em sinceridade, essa fé leva à perdição. Somente a fé em Cristo Jesus é fé salvadora (Atos 4.12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”). A fé que salva é conseqüência natural da graça. A fé que salva não é incompatível com as obras, mas as obras são uma conseqüência necessária a essa fé. Há quase 500 anos os reformadores entenderam isso e resgataram essa doutrina que não estava sendo ensinada e se encontrava velada debaixo do entulho de tradição humana que a havia soterrado. Você entende que essa fé é o único meio para a sua salvação?

Quando a regra de fé é a própria Prática...


Por Rev. Ageu Magalhães
 
“A Bíblia é nossa única regra de fé e prática” – qualquer crente com certo tempo de igreja já ouviu esta frase, pelo menos uma vez. Mas, é triste observar que a frase não tem passado de um mero aforismo. Para a maioria dos evangélicos a Prática (e não a Palavra) é a verdadeira regra de fé. Explico:

Quando um líder de igreja está prestes a formular uma lei ou a responder a uma consulta de concílio inferior e, ao invés de perguntar “O que diz a Bíblia?”, pergunta “Qual tem sido a prática da igreja?” ele acaba de mostrar onde está a base de sua fé.

Da mesma forma, quando o membro de igreja elogia um pastor chamando-o de “equilibrado”, ou refere-se a uma igreja como sendo “equilibrada” ele revela, sem saber, o quanto a Prática tem prevalecido sobre a Palavra em sua mente.

Esta forma de pensar tem mais a ver com a dialética de Hegel do que com a Palavra de Deus. Para Hegel a história é um movimento de confronto entre tese (afirmação) e antítese (oposição da tese) gerando assim a síntese.

Desta forma, o que é um pastor “equilibrado”? É um pastor que não fica nos denominados “extremos”. Mas, e se a verdade estiver exatamente no extremo? Por exemplo, um pastor crê que dinheiro é prova de fé e ensina que crente tem de ser rico. O outro pastor, no outro extremo, crê que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males e que cobiça é pecado e não virtude. Onde fica o equilíbrio? No meio do caminho entre o certo e o errado? O meio certo é o alvo a ser alcançado?

E quando o assunto é culto? Onde estará a vontade de Deus: na síntese entre um culto certo e um culto errado ou no que a Palavra aponta como sendo o culto certo?
Portanto, de volta ao início, a Bíblia é a nossa única regra de fé e de prática. A sociedade é dialética. Faz sínteses entre o certo e o errado, gerando mais conceitos errados. Nós, crentes, temos nas mãos a Palavra de Deus, poderosa para “destruir fortalezas, anulando sofismas” (2Co 10.4) Cabe a nós não sermos seguidores de Hegel, mas de Cristo. Levando a ele, cativo, todo pensamento à sua obediência.

Pecado ou Doença?


Por John MacArthur

Talvez a justificativa mais comum para escaparmos do sentimento de culpa seja a de classificar cada falha humana como uma espécie de doença. Alcoólatras e viciados em drogas recebem tratamentos clínicos por causa de sua "dependência química". Crianças que geralmente afrontam as autoridades podem livrar-se da reprovação sendo rotuladas de "hiperativas", ou por sofrerem de um desvio de atenção. Os glutões nunca são considerados culpados, pois sofrem de "desequilíbrio alimentar". Até mesmo um homem que abandona a vida em família e gasta seu dinheiro com prostitutas deveria ser olhado com compaixão, pois é um "viciado em sexo".

Um agente do FBI foi demitido após desviar dois mil dólares e gastá-los no cassino numa única tarde. Algum tempo depois, ele processou o FBI sob a alegação de que seu vício deveria ser entendido como uma incapacidade. Sendo assim, a demissão foi uma discriminação, um ato ilegal. Ganhou a causa! Além disso, seu seguro saúde teve que pagar sua terapia pelo fato de ser um viciado. É como se sofresse de uma apendicite ou unha encravada.

Atualmente, qualquer tipo de delito que o ser humano comete pode provavelmente ser explicado como uma enfermidade. O que antigamente denominávamos pecado é mais facilmente diagnosticado como um conjunto de incapacidades. Todo tipo de imoralidade e de conduta maldosa são agora identificados como sintomas desta ou daquela doença psicológica. O comportamento do criminoso, todo tipo de paixão imprópria e qualquer vício imaginável são passíveis de desculpas se receberem o rótulo de desequilíbrio emocional. Até mesmo os problemas mais corriqueiros como a depressão, a fraqueza emocional e a ansiedade também são universalmente definidos — quase que no mesmo nível—como desequilíbrios emocionais que neces¬sitam de cuidados médicos, e não classificados como doenças espirituais. A Associação Americana de Psiquiatras publicou um livro para ajudar os terapeutas no diagnóstico dessas novas doenças. The Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders [O manual de diagnóstico e estatística de distúrbios mentais] ( 3a edição, revista) — ou DSM-III-R, como popularmente entitulado — lista os seguintes "distúrbios":

• Distúrbio de Conduta — "um padrão de conduta persistente no qual os direitos básicos dos outros e as normas ou regras da sociedade concernentes às faixas etárias são violados".
• Distúrbio Oposicional Desafiante — "um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiante".
• Distúrbio Hislriônico de Personalidade — "um padrão difuso de emocionalidade excessiva e busca de atenção".
• Distúrbio Anti-Social de Personalidade — "um padrão de comportamento irresponsável e anti-social, que começa na infância ou no início da adolescência e continua na idade adulta".

E há muitos outros distúrbios semelhantes. Muitos pais, influenciados por tais diagnósticos, recusam-se a punir seus filhos pelo mau comportamento. Em vez disso procuram terapia para DOD, ou DHP, ou para qualquer novo diagnóstico que se encaixe no comportamento rebelde da criança.

Segundo um escritor, a abordagem em termos de doença do comportamento humano nos oprimiu tanto, como sociedade, que nos deixou malucos. Queremos fazer leis que inocentem jogadores compulsivos quando estes desviam dinheiro, e que forcem as companhias de seguros a pagarem pelo tratamento deles. Queremos tratar pessoas que não conseguem encontrar o amor, e que em lugar disso (se mulheres) vão atrás de homens superficiais e apáticos, ou (se homens) vivem infindáveis casos sexuais, sem encontrarem a verdadeira felicidade. E queremos chamar todas essas coisas — e muitas, muitas outras — de vícios.

O que esta nova indústria do vício deseja alcançar? Mais e mais vícios estão sendo descobertos, e novos viciados identificados, até que todos nós estejamos aprisionados em nossos pequenos mundos com outros viciados como nós, catalogados pelos interesses especiais da nossa neurose. Que mundo repugnante e desesperançoso de se imaginar! Enquanto isso, todos os vícios que definirmos aumentarão. '

Pior do que isso é que o rápido aumento do número de pessoas que sofrem desses tais novos "desequilíbrios" aumenta de modo mais rápido ainda. A indústria da terapia claramente não está solucionando o problema que as Escrituras chamam de pecado. Em vez disso, simplesmente conven¬cem as multidões de que estão desesperadamente desequilibradas, e portanto, não têm nenhuma responsabilidade pelo seu mau comportamento. Isso lhes dá permissão para entenderem que são pacientes e não malfeitores. Isso também as encoraja a se submeterem a um tratamento intenso — e caro — que dura anos a fio, ou melhor, a vida toda. Parece que esses novos desequilíbrios são enfermidades que ninguém espera superar completamente.

O pecado tratado como doença provocou um crescimento enorme da multibilionária indústria do aconselhamento e o recurso da terapia de longo prazo, ou até mesmo permanente, promete um brilhante futuro econômico aos profissionais da área. Um psicólogo analisou essa tendência e sugeriu que existe uma estratégia definida na maneira de o terapeuta comercializar seus serviços:

1. Continuar a psicologização da vida;
2. Das dificuldades fazer problemas e espalhar o alarme;
3. Tornar aceitável o fato de ter problemas e ser incapaz de resolvê-los sozinhos;
4. Oferecer salvação [psicológica, não espiritual].

Ele observa que muitos terapeutas propositadamente estendem o tratamento por anos, até mesmo depois que o problema que provocou a procura do profissional tiver sido resolvido ou esquecido. "Eles demoram tanto na terapia que o paciente torna-se muito dependente do terapeuta; e um período especial de tempo — às vezes seis meses ou mais — se torna necessário para que o paciente fique pronto para deixar terapia, Recuperação," a senha dos programas que seguem o padrão dos Alcoólicos Anônimos, é claramente definida como um programa para a vida toda. Crescemos acostumados com a imagem de uma pessoa que já é sóbria há quarenta anos, mas que, ao se levantar numa reunião do AA, diz: "Meu nome é Bill e sou um alcoólico". Agora, todos os viciados estão usando a mesma abordagem — incluindo viciados em sexo, em jogo, em fumo, pessoas que cedem facilmente à raiva, em espancamento de mulheres, em violentar crianças, em dívidas, em auto-abuso, em inveja, em comida ou em qualquer coisa que seja. Pessoas que sofrem de tais males são ensinadas a falarem de si mesmas como em "recuperação", nunca como "recuperadas". Aqueles que ousam pensar sobre si mesmos como já estando livres de seus desequilíbrios ouvem que estão negando seu problema.

Pecado: Desgraça ou crime? Pecador: Vítima ou criminoso?

Por Josemar Bessa

O homem sempre viu o pecado de forma completamente diferente de Deus. A uma síndrome de vitimização nascida desde o Éden que sempre prosperou na mente humana, e que infelizmente em nossos dias, faz parte da base de grande parte do que chamamos “evangelho” hoje.

O homem sempre tratou o pecado como uma desgraça, não como um crime, como uma doença, e não como culpo, como um caso para um médico cuidando de um inocente doente e não um caso para um juiz. Quando suas bases se tornam estas, o que chamamos evangelho se torna o que essencialmente forma todas as religiões e teologias humanas.

Não reconhecendo o aspecto essencial, que é judicial da questão, não reconhece que a verdadeira resposta depende completamente em se reconhecer a completa culpa e indignidade, não havendo nenhuma reivindicação a ser feita pelo homem, sendo, sabendo e sentindo sua completa culpa diante de um Deus santo e justo que em nada está obrigado a não ser exercer sua justiça, sendo Sua misericórdia, como a própria definição da Palavra exige, prerrogativa inteiramente de quem a exerce... só justiça pode ser reivindicada. Ao fugir disso, em nada o “evangelho” se difere de todas as religiões humanas – que não vê o homem na necessidade de sinceramente reconhecer a culpa ou criminalidade como malfeitor, e não vítima ou merecedor de algo.

O pecado é um grande mal, traz infinita culpa... E as tentativas do homem de removê-la apenas a aumenta. Os esforços dos homens em se aproximar de Deus baseado em sua vitimização, ou algo bom que ainda resida neles apenas agrava a culpa ao banalizá-la.

Só Deus pode lidar com o pecado, com o crime, como uma desonra a si mesmo e como empecilho da aproximação do homem a Ele. E jamais, sendo santo, Ele lida com a culpa do homem de forma arbitrária ou sumária por mero exercício da vontade ou poder, mas ao levá-lo para julgamento em Seu próprio tribunal justo, na cruz ou no inferno.

A ira de Deus será totalmente merecida, justa e certa. Mas quão grande é a dificuldade de um “evangelho” centrado no homem sequer mencioná-la. O apóstolo Paulo minuciosamente mostra isso na primeira parte da carta aos Romanos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens...” ( Romanos 1.18).

É completamente merecida. A verdade de Deus é conhecida: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” - Romanos 1:19-20. Mas essa verdade é completamente suprimida – isso desperta a ira divina, porque não é uma desgraça... é um crime. E seu fruto é a impiedade e injustiça. Muitos estão dispostos, mesmo nos púlpitos, pregar um outro “evangelho”, sem ira... mas a advertência é: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” - Efésios 5:6. “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” - Colossenses 3:6

Paulo fala não só claramente, mas duramente em Romanos 2.5: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” – Culpados, não vítimas! Somos responsáveis, estamos acumulando ira com cada ato de indiferença para com Deus – vivendo como definiu Agostinho – incurvatus in si – sendo deus de nós mesmos. Dando preferência para qualquer coisa acima de Deus. Esse não é um planeta de vítimas, mas de rebeldes. Cada batida de nossos corações, cada vez que o pecado é acariciado minuto a minuto neste mundo, cada vez que Deus, o doador de todas as coisas, é tratado como maçante... culpa, culpa, culpa: “...entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;”

Em Romanos 3.5-6, Paulo reintera: “Mas, se a nossa injustiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? ( Estou usando um argumento humano. ) Claro que não! Se fosse assim, como Deus iria julgar o mundo?”

O que poderia ser mais claro? Como um “evangelho” tão diferente pode ser pregado hoje? Porque é lógico que num mundo onde todos se veem como vítimas e o pecado como desgraça e não crime, o verdadeiro evangelho não seria visto como “relevante” para ele – e como a aceitação e parceria com o mundo é o grande objetivo em nossos dias – jogamos a verdade ofensiva no lixo. Paulo, inspirado pele Espírito, diz que esse Deus justo vai julgar o mundo com uma fúria terrível!

O problema é que o homem  acha que seus pecados não merecem esse tipo de ira – mas achar isso só mostra o quão culpado o homem é.

Um único pecado colocou o mundo inteiro sob o julgamento de Deus e trouxe a morte a todas as pessoas: “...mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá". - Gênesis 2:17“Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo.” - Romanos 5:17

Um único pecado trouxe tudo isso, e você tem cometido dezena de milhares de pecados contra este Deus. E cada pecado não é algo isolado, em cada pecado toda a lei de Deus é quebrada: “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente.” - Tiago 2:10. Ou seja, cada pecado é na verdade milhares de pecados. Você não só pecou milhares de vezes, mas cada um deles tinha a quebra de toda a lei de Deus.

Considere que uma única ofensa seria eternamente séria quando desonra um Deus infinitamente digno, uma desonra infinita. Portanto, uma punição infinita é merecida.

Só Deus pode resolver tão grande crime sendo perfeitamente justo, na cruz ou no inferno... qualquer solução vista que não essa, aumenta a culpa do desprezo a Deus em quem a propõe, e engana mortalmente quem a ouve: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” - Efésios 5:6. “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” - Colossenses 3:6