domingo, 9 de dezembro de 2012

Púlpitos traidores!! O que fazer?

Por Josemar Bessa

Judas Iscariotes parece uma escolha totalmente improvável para ser um dos discípulos de Cristo. Descobrimos com o desenrolar da história que ele acabou por ser um ladrão, um traidor e uma homem em quem a graça de Deus nunca transformou.

Isso é chocante, tão próximo ao Deus encarnado, junto a tantos outros que se tornaram o instrumento de Deus para a revelação final sobre Ele (Novo Testamento)... Mas Jesus não cometeu nenhum erro ou colocá-lo ali, Jesus não agiu em ignorância... Na verdade a Bíblia diz claramente que Jesus não necessitava que alguém testificasse sobre qualquer homem que seja, porque Ele sabia o que havia no mais profundo do coração de cada homem: “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.” - João 2:25

Ele sabia o que estava no coração de Judas, ele sabia que no tempo certo ele iria revelar-se um ladrão, ele sabia que no tempo adequado Judas o trairia, ele sabia, sendo Deus, que Judas jamais havia nascido de novo. Novo nascimento é ação soberana de Deus: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” - João 1:13

Não podemos ter nenhuma dúvida que na  escolha de Judas como um dos 12, o Deus eterno, o Filho do Homem... sabia o que e porque estava fazendo. Como tudo que Cristo fez, isso foi feito deliberadamente e com sabedoria infinita.

Quanta coisa isso nos ensina, isso deve nos encher de humildade, como disse J. C, Ryle. Os ministros do evangelho, por exemplo, não podem supor que simplesmente uma ordenação necessariamente transmite graça, ou que uma vez ordenado o homem não deve mostrar em sua vida sempre e sempre os sinais de um homem que de fato foi regenerado.

Pelo contrário, mostra que não uma igreja, mas que um homem ordenado pelo próprio Cristo era um hipócrita miserável... todos nós então devemos nos manter humildes, não confiando em ordenações externas, mas focados naquilo que Pedro diz fazer firme – demonstrar a realidade – da nossa Eleição: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” - 2 Pedro 1:5-10

Judas Iscariotes nos dá um terrível aviso (Para líderes principalmente) a não confiarmos em nossos dons, trabalho, quaisquer serviço, qualquer sucesso... como prova e certeza da aceitação divina – que as marcas verdadeiras são indispensáveis, “a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor!”

Outra lição devemos tirar aqui. Podemos ficar chocados e achar estranho que entre os 12 discípulos  a quem Cristo chamou pessoalmente e enviou para chamar os pecadores ao arrependimento, incluísse um homem não convertido... mas não se espante se achares muitos pregadores não convertidos nos púlpitos de hoje. Em meio a verdades como essa, Deus quer nos mostrar que nada disso é surpresa para Ele e nem pode frustrar o seu plano Eterno e perfeito. Judas Iscariotes não pôde, acabou tendo um papel dramático no propósito de Deus, sua maldade não frustrou Deus...Deus, apesar dos dias escuros e tristes que vivemos, quer nos ensinar que Cristo ainda é o chefe, o Cabeça de sua Igreja; e que Ele ainda está governando sobre tudo e que tudo que acontece no tempo, tem sido “preordenado por Deus” – com Paulo diz em Efésios 1.11: Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”

Quão poderoso são os desígnios de Deus: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” - Romanos 11:33 – Deus mostra claramente que mesmo o pecado humano e o intento maligno de Satanás (que é totalmente anti-Deus)  não frustrarão e terão que cooperar com seu propósito eterno. Assim o determinado conselho de Deus estava envolvido, não só na crucificação de Cristo, mas também em todos os eventos que levaram a ela – incluindo a escolha de Judas como um discípulo, sua traição ao seu Mestre, a crueldade da cruz romana... ainda que em todos esses eventos, o pecado fosse inteiramente fruto do coração mau do homem natural e tivesse motivações completamente contrárias a Deus – teriam que servir ao Seu propósito: A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” - Atos 2:23

Cristo estava no pleno controle (Como está hoje e por toda eternidade passada e futura) no controle de todos esses eventos. Não importa o quão viciosa ou diabólica oposição que Ele tenha encontrado aqui, enquanto andou por este mundo, nunca houve eventos que começassem fora da espiral do seu controle absoluto e soberano. O que acontece também neste exato momento. Que paz isso traz ao coração regenerado. “Deus reina” mesmo nos momentos mais escuros e que parecem de total fracasso, como a cruz.

E nesses momentos de escuridão e perplexidade ( como na cruz – o evento mais cruel da história, a maldade humana em seu ápice – “matamos” Deus), por mais difícil que seja para nós reconhecermos o fato, tudo aconteceu para a glória de Deus. Salvando por graça, mostrando sua justiça, mostrando a maldade completa do coração humano: “...a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” -  João 3:1 – mostrando sua ira contra todo pecado, mostrando que tudo está sobre seu domínio completo...

Na escolha de Judas podemos ver, como disse Matthew Henry, que não precisamos ficar surpresos ou desanimados se em qualquer tempo, os mais vis homens surgirem no meio daqueles que deviam ser baluartes da Verdade.

Em dias de apostasia e heresias como os nossos, podemos estar certos de que nunca houve, nem nunca haverá, um momento em que o Rei dos reis não estará no controle de todos os eventos.

Paulo foi inspirado a colocar por escrito um aviso para os crentes de Tessalônica ( para todos nós, na verdade), sobre determinados eventos na história nos quais a igreja deve esperar, e não se surpreender quando os vê: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” - 2 Tessalonicenses 2:3-4

A “apostasia” aqui descrita, é gradual, e de dentro da igreja para fora. As heresias e a apostasia são coisas terríveis com quais temos que conviver em nossa geração e combatê-las como bons soldados de Cristo. Mas como no passado, o Senhor determina e nos coloca em dias assim deliberadamente, deliberadamente e com profunda sabedoria. Amamos a verdade? Nossa geração nos dá mil oportunidade ( dentro da igreja visível e no mundo ) para termos uma constatação se de fato a amamos.

Toda a corrupção da igreja nos dias da Reforma, forneceu o contexto para uma exibição do poder da graça de Deus – ainda que as pessoas que estivessem vivendo naqueles dias, a princípio tivessem uma compreensão limitada da providência de Deus em operação. Perseguição, martírio... todos contextos onde a graça se mostrou suprema, soberana e invencível. Então o poder da graça nos anima na batalha pela verdade em nossos dias: “...tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” - Judas 1:3

Vivemos numa época de grande e longo período de declínio espiritual, secularização da igreja, mundanismo... os deuses da cultura sendo adorados na “igreja” no lugar do Deus vivo... A Bíblia sendo rejeitada como totalmente suficiente, a mente humana, suas estratégias, seu pragmatismo... sendo pregado como se evangelho fosse... tantos púlpitos traidores da verdade...

Você pode perguntar, porque Deus está permitindo isso? ..........

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Bancada Evangélica pede mais discussão sobre reforma do Código Penal

A Frente Parlamentar Evangélica, pediu, durante encontro com o presidente do Senado, José Sarney, tranquilidade na discussão da reforma do Código Penal (PLS 236/12). As críticas ao novo projeto de Código Penal em discussão no Senado foram a tônica da sessão solene ontem em homenagem ao Dia Nacional de Valorização da Família, comemorado em 21 de outubro.
Os parlamentares evangélicos manifestaram preocupação principalmente com a ampliação das hipóteses de aborto legal, com a descriminalização do porte ou plantio de drogas para uso próprio e com a redução da idade para que seja caracterizado o estupro de vulnerável. A realização da sessão foi proposta pelo líder do PSC, deputado Andre Moura (SE); pelo presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos; e pelo deputado Arolde de Oliveira (PSD-RJ). Os três se revezaram na presidência da sessão, que contou com a participação de lideranças religiosas, principalmente evangélicas. Para o presidente da Frente Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), a reforma é válida, mas não pode “afrouxar” as leis. “Nós somos a favor, desde que seja em uma concepção de endurecer a legislação penal em uma perspectiva de diminuir a criminalidade, a violência e a impunidade no País”, disse. “A família vem sendo atacada e desconfigurada”, disse João Campos. Para ele, o leilão da virgindade de uma catarinense na Austrália “é um indicativo do rumo que a sociedade adotou, que leva mais em conta o ter do que o ser”. O presidente José Sarney afirmou que o projeto do novo Código Penal passará por um longo debate antes de ser aprovado e que todos os setores da sociedade serão ouvidos. “O Senado vai ouvir, naturalmente, em audiências públicas, o povo, as diversas correntes de opinião, as pessoas dissidentes, aqueles que pensam diferentemente, os que queiram introduzir novas ideias”. Segundo Sarney, a votação do novo Código Penal não será feita de forma apressada. “Para que o Congresso decida melhor e tem uma base grande, é que um anteprojeto feito por grandes juristas”. Para o deputado federal, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) a reforma do Código Penal apresenta um “perigoso liberalismo”. Para ele, “a reforma deve acontecer, mas de forma planejada e objetiva, levantando em consideração a melhoria e o cumprimento da lei, não o liberalismo total e irresponsável”. (Com informações Jornal da Câmara)

Eles querem é a CPAD: Afirma José Wellington em entrevista a portal evangélico

Desde 1987 à frente da CGADB, eleito por sete vezes, ele diz que não dá nenhum passo fora da direção de Deus. O pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) disse em entrevista ao portal Creio que as acusações que fazem contra ele é porque seus adversário querem a direção da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). 


Esses adversários, no caso, são os pastores Samuel Câmara e Silas Malafaia, que estão contestando, entre outras coisas, a festa paralela que a CGADB está organizando na cidade de Belém (PA) para comemorar o Centenário da denominação no Brasil. Desde 1987 à frente da CGADB, eleito por sete vezes, ele diz que não dá nenhum passo fora da direção de Deus. “Se Deus disser basta, eu entrego a direção, não vejo problema”, dispara o líder que tem em seu ministério 2,3 mil congregações e se vê envolvido na construção de um grande templo para 10 mil pessoas. José Wellington conta que quando assumiu a CPAD tinha R$ 1,5 milhão em duplicatas. “Assumi a empresa, profissionalizei a gestão com irmão Ronaldo. Hoje, mesmo sem fins lucrativos, a empresa caminha com excelência.” Quanto a identidade dos ministérios da AD Belém, José Wellington continua sua tese: “Nós temos influência dos suecos, temos doutrina firme. Nosso objetivo é salvação e edificação. O deles é baseado nos americanos com atos midiáticos e comércio. Eles se amoldam a determinados costumes que não nos adaptamos.” Sobre o futuro da Assembleia de Deus ele finaliza: “A AD é uma árvore que dá muitos frutos. Unidos nós estamos.”

Por que sou credobatista?

Por Clóvis "Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração" At 8:36-37 Antes de mais nada, o que é um credobatista? É uma pessoa que crê que o batismo deve se realizado apenas em pessoas crentes, em termos práticos, que fizeram confissão de fé. Difere do batismo de adulto por não estabelecer uma idade mínima para realização do batismo e do pedobatismo por entender que uma criança não exerce fé pessoal, que é um pré-requisito para o batismo. As razões que me fazem um credobatista são bíblicas, teológicas e históricas. Argumentos bíblicos 1. As prescrições do batismo A Bíblia traz várias orientações sobre o batismo, as quais acabam por requerer que o candidato ao mesmo tenha primeiramente crido. Na Grande Comissão Jesus garantiu que "quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16:16). A ênfase recai sobre o ato de crer, sendo o batismo conseqüência natural. Tanto que na oração seguinte, sequer se fala do batismo, que é irrelevante se alguém não tem fé. Na inauguração da igreja Pedro instou com o povo dizendo "arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo" (At 2:38). Vemos em seguida que "foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (At 2:41). Crer, arrepender-se e receber de bom grado a Palavra são coisas que antecedem o batismo. Na repreensão de João Batista vemos o mesmo princípio. Ele diz "à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Lc 3:7-8). O precursor de Jesus exigia conversão de todos quantos quisessem descer às águas do batismo. O batismo cristão segue o mesmo princípio. Quando o eunuco perguntou o "que impede que eu seja batizado?" Filipe respondeu "É lícito, se crês de todo o coração" e somente quando o eunuco confessou "creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus" é que "desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou" (At 8:36-38). Portanto, o crer em Cristo é condição sine qua non para o batismo. 2. Os exemplos bíblicos Os exemplos de batismos registrados na Bíblia corroboram o credobatismo. Os que eram batizados por João Batista o eram "confessando os seus pecados" (Mt 3:6; Mc 1:5) e "justificaram a Deus" (Lc 7:29). Atos registra que "como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres" (At 8:12). Continua o historiador dizendo que "creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe" (At 8:13) e que "os coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados" (At 18:8). Não há um só registro positivo de batismo de não crentes sendo batizados. Argumentos teológicos 1. O significado do batismo O batismo é o primeiro das duas ordenança de Cristo à Igreja. O significado teológico do batismo varia conforme a tradição evangélica. Para os credobatistas, o batismo é principalmente um sinal e um testemunho externo da obra de Deus realizada na regeneração. Como a Ceia do Senhor representa a obra de Cristo na cruz, o batismo representa a obra do Espírito Santo no coração do crente. Temos então que o batismo é um símbolo exterior que representa uma realidade interior, sendo a fé o vínculo entre o símbolo e a coisa significada. Sem fé, o batismo não é um sacramento. Não é de se estranhar, portanto, que todos os batismos registrados na Bíblia sejam de crentes. 2. Depoimentos teólogos Mesmo autores não credobatistas tem que reconhecer que o batismo de não crentes, especialmente o de recém-nascidos, não tem amparo bíblico direto. Creio que pela palavra de três pedobatistas. O Dr. A. Plummer (Igreja da Inglaterra) diz que "dos que recebem o batismo cristão é requerido que se arrependam e creiam" (Dictionary of the Bible). M. W. Jacobus (Congregacional) reconhece que "nós não temos nenhum registro no Novo Testamento do batismo de infantes" (Standard Bible Dictionary). E o presbiteriano Scott McKnight afirma que "o Novo Testamento não contém referência explícita ao batismo de infantes ou de criancinhas" (Dictionary of de the Bible). Argumentos históricos 1. O Didaquê O Didaquê ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, escrito entre os anos 145-150 dC, traz a seguinte orientação: "Quanto ao batismo, batize assim: tendo primeiro ensinado todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (VII, 1). A expressão "tendo primeiro ensinado" deixa claro que o batismo é precedido de ensinamento. A prescrição seguinte também pressupõe pessoas crentes sendo doutrinadas "antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias" (VII, 4). Portanto, no segundo século, o costume da igreja era batizar crentes professantes. 2. Pais da Igreja O Dictionary of Christianity in America diz que algum tempo depois do segundo século é que o batismo de infantes foi introduzido na igreja, mas que a prática do batismo de crentes continuou como de uso geral até a Idade Média. Não ignoro as referências de Orígenes (185-253), Tertuliano (160-240), Ireneu (125-190) e Justino Mártir (c. 138) ao batismo infantil. Mas elas estão invariavelmente ligadas ao erro da regeração batismal ou são incertas. Orígenes diz que crianças são batizadas para perdão dos pecados. Tertuliano reprovava o batismo infantil, por considerar que o batismo lava os pecados passados, então aconselhava postergar o ato. Ireneu até mesmo usa o termo regeneração como significando batismo. E Justino diz que "muitas pessoas, de ambos os sexos, algumas com seis ou sete anos de idade, foram feitas discípulos de Cristo desde sua infância". Porém não há referência ao batismo aqui e a expressão "foram feitas discípulos" parece apontar para a conversão e o ensino. Conclusão O fato é que a Bíblia exige fé e arrependimento de quem se apresenta para o batismo e não registra nenhum caso de não crente ou infante sendo batizado. A história revela que a prática do batismo infantil não remonta aos apóstolos e que se iniciou com uma visão distorcida de seu significado teológico. Por estas razões, sou credobatista. E por outras não sou pedobatista. Mas isto é assunto para outro artigo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

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Carta a Evangélico que Faz Sexo com a Namorada

Os nomes foram trocados para proteger as pessoas. Embora algumas circunstâncias mencionadas na carta sejam totalmente fictícias, o caso é mais real do que se pensa...] 



Meu caro Ricardo, Ontem estive pregando em sua igreja e tive a oportunidade de rever João, nosso amigo comum. Não lhe encontrei. João me disse que você e a Raquel, sua namorada, tinham saído com a turma da mocidade para um acampamento no fim de semana e que só regressariam nessa segunda bem cedo. Saí com o João para comer pizza após o culto e falamos sobre você. João abriu o coração. Ele está muito preocupado com você, desde que você disse a ele que tem ido com Raquel para motéis da cidade e às vezes até mesmo depois do culto de jovens no sábado à noite. Ele falou que já teve várias conversas com você mas que você tem argumentado defendendo o sexo antes do casamento como se fosse normal e que pretende casar com Raquel quando terminarem a faculdade. Ele pediu minha ajuda, para que eu falasse com você, e me autorizou a mencionar nossa conversa na pizzaria. Relutei, pois acho que é o pastor de sua igreja que deve tratar desse assunto. Você e a Raquel, afinal, são membros comungantes dessa igreja e estão debaixo da orientação espiritual dela. Mas, João me disse que o pastor faz de conta que não sabe que essas coisas estão acontecendo na mocidade da igreja. Como sou amigo da sua família fazem muitos anos, desde que vocês freqüentaram minha igreja em São Paulo, resolvi, então, escrever para você sobre esse assunto, tendo como base os argumentos que você usou diante de João para justificar sua ida a motéis com a Raquel. Se entendi direito, você argumenta que não há nada na Bíblia que proiba sexo antes do casamento. É verdade que não há uma passagem bíblica que diga “não farás sexo antes do casamento;” mas existem dezenas de outras que expressam essa verdade com outras palavras e de outras maneiras. Podemos começar com aquelas que pressupõem o casamento como sendo o procedimento padrão, legal e estabelecido por Deus para pessoas que desejam viver juntas (veja Mateus 9:15; 24:38; Lucas 12:36; 14:8; João 2:1-2; 1Coríntios 7:9,28,39), aquelas que abençoam o casamento (Hebreus 13:4) e aquelas que se referem ao divórcio – que é o término oficial do casamento – como algo que Deus aborrece (veja Malaquias 3:16; Mateus 5:31-32). Podemos incluir ainda aquelas passagens contra os que proíbem o casamento (1Timóteo 4:3) e as outras que condenam o adultério, a fornicação e a prostituição (veja Mateus 5:28,32; 15:19; João 8:3; 1Coríntios 7:2; 6:9; Gálatas 5:19; Efésios 5:3-5; Colossenses 3:5; 1Tessalonicenses 4:3-5; 1Timóteo 1:10; Hebreus 13:4; Apocalipse 21:8; 22:15). Qual é o referencial que nos possibilita caracterizar esses comportamentos como desvios, impureza e pecado? O casamento, naturalmente. Adultério, prostituição e fornicação, embora tendo nuances diferentes, têm em comum o fato de que são relações sexuais praticadas fora do casamento. Se o casamento, que implica num compromisso formal e legal entre um homem e uma mulher, não fosse a situação normal onde o sexo pode ser desfrutado de maneira legítima, como se poderia caracterizar como desvio o adultério, a fornicação ou a prostituição? A Bíblia considera essas coisas como pecado e coloca os que praticam a impureza sexual e a imoralidade debaixo da condenação de Deus – a menos que se arrependam, é claro, e mudem de vida. Você argumenta também que o casamento é uma conveniência humana e que muda de cultura para cultura. Bom, é certo que o casamento tem um caráter social, cultural e pessoal. Todavia, do ponto de vista bíblico, não se pode esquecer que foi Deus quem criou o homem e a mulher, que os juntou no jardim, e disse que seriam uma só carne, dando-lhes a responsabilidade de constituir família e dominar o mundo. O casamento é uma instituição divina a ser realizada pelas sociedades humanas. Embora as culturas sejam distintas, e os rituais e procedimentos dos casamentos sejam distintos, do ponto de vista bíblico o casamento implica em reconhecimento legal daquela união por quem de direito, trazendo implicações para a criação e tutela dos filhos, sustento da casa e também responsabilidades e conseqüências em caso de separação e repúdio. Quando duas pessoas resolvem ir morar juntas como se fossem casadas, essa decisão não faz delas pessoas casadas diante de Deus – mas (desculpe a franqueza), pessoas que estão vivendo em imoralidade sexual. É verdade que a legislação de muitos países tem cada vez mais reconhecido as chamadas uniões estáveis. É uma triste constatação que o casamento está cada vez mais sendo desvalorizado na sociedade moderna ocidental. Todavia, esses movimentos no mundo e na cultura não são a bússola pela qual a Igreja determina seu norte – e sim a Palavra de Deus. Em muitas culturas a legislação tem sancionado coisas que estão em contradição com os valores bíblicos, como aborto, eutanásia, uniões homossexuais, uso de drogas, etc. A Igreja deve ter uma postura crítica da cultura, tendo como referencial a Palavra de Deus. O João me disse ainda que você considera que o mais importante é o amor e a fidelidade, e que argumentou que tem muita gente casada mas infeliz e infiel para com o cônjuge. Ricardo, é um jogo perigoso tentar justificar um erro com outro. Gente casada que é infiel não serve de desculpas para quem quer viver com outra pessoa sem se casar com ela. Além do mais, como pode existir o conceito de fidelidade numa união que não tem caráter oficial nem legal, e que não teve juramentos solenes feitos diante de Deus e das autoridades constituídas? Mesmo que você e sua namorada façam uma “cerimônia” particular onde só vocês dois estão presentes e onde se casem a si mesmos diante de Deus – qual a validade disso? As promessas de fidelidade trocadas por pessoas não casadas têm tanto valor quanto um contrato de gaveta. Lembre inclusive que não é a Igreja que casa, e sim o Estado. Naqueles casamentos religiosos com efeito civil, o pastor ou padre está agindo com procuração do juiz. Não posso deixar de mencionar aqui que na Bíblia o casamento é constantemente referido como uma aliança (veja Ezequiel 16:59-63). Deus é testemunha dessa aliança feita no casamento, a qual também é chamada de “aliança de nossos pais”, uma referência ao caráter público da mesma (não deixe de ler Malaquias 2:10-16). Não fiquei nem um pouco surpreso com seu outro argumento para fazer sexo com sua namorada, que foi “é importante conhecer bem a pessoa antes do casamento”. Já ouvi esse argumento dezenas de vezes. E sempre o considerei uma burrice – mais uma vez, desculpe a franqueza. Em que sentido ter relações sexuais com sua namorada vai lhe dar um conhecimento dela que servirá para determinar se o casamento vai dar certo ou não? Embora o sexo seja uma parte muito importante do casamento, o que faz um casamento funcionar são os relacionamentos pessoais, a tolerância, a compreensão, a renúncia, o amor, a entrega, o compartilhar… você pode descobrir antes do casamento que sua namorada é muito boa de cama, mas não é o desempenho sexual de vocês que vai manter ou salvar seu casamento. Esse argumento parte de um equívoco fundamental com relação à natureza do casamento e no fim nada mais é que uma desculpa tola para comerem a sobremesa antes do almoço. Agora, o pior argumento que ouvi do João foi que você disse “a graça de Deus tolera esse comportamento.” Acho esse o pior argumento porque ele revela uma coisa séria em seu pensamento, que é tomar a graça de Deus como desculpa para um comportamento imoral. Esse sempre foi o argumento dos libertinos ao longo da história da igreja. O escritor bíblico Judas, irmão de Tiago, enfrentou os libertinos de sua época chamando-os de “homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 4). Esse é o caminho de Balaão “o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição” (Apocalipse 2:14). É a doutrina da prostituta-profetisa Jezabel, que seduzia os cristão “a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos” (Apocalipse 2:20) e a conhecer “as coisas profundas de Satanás” (Apocalipse 2:24). Como seu amigo e pastor, permita-me exortá-lo a cair fora dessa maneira libertina de pensar, Ricardo, antes que sua consciência seja cauterizada pelo engano do pecado (Hebreus 3:13). Ainda há tempo para arrependimento e mudança de atitude. A abstinência sexual é o caminho de Deus para os solteiros, e esse estilo de vida é perfeitamente possível pelo poder do Espírito, ainda que aos olhos de outros seja a coisa mais careta e retrógrada que exista. Se você realmente pensa em casar com a Raquel e constituírem família, o melhor caminho é pararem agora de ter relações e aguardarem o dia do casamento. Vocês devem confessar a Deus o seu pecado e um ao outro, e seguir o caminho da abstinência, com a graça de Deus. Estou à sua disposição para conversarmos pessoalmente. Traga a Raquel também. Estou orando por vocês. Um grande abraço,Pr. Augustus

Marco Feliciano poderá acionar Polícia Federal para acabar com fake das redes sociais

O deputado federal, Pastor Marco Feliciano, anunciou neste domingo (5) que denunciará usuários das redes sociais que estejam publicando atualizações em nome dele. A informação foi divulgada após uma confusão com um perfil “fake” (palavra falso em inglês). Uma página no Facebook estaria se passando pelo parlamentar e publicando atualizações em nome dele. Na última sexta-feira o portal The Christian Post em português teve que publicar nota de esclarecimento após ter criando uma notícia com base em um perfil falso. De acordo com o portal, o perfil “fake” é idêntico ao original. “Estarei denunciando a Polícia Federal todos os falsos perfis criados em meu nome. Estou com uma equipe de assessores incumbidos exclusivamente de organizar todas as mídias incluindo as do Ministério Tempo de Avivamento e não vou permitir que pessoas mal intencionadas continuem tirando proveito da minha imagem”, comentou o pastor com exclusividade ao portal “O Verbo”. O pastor estaria se preparando para apresenta novidades para o próximo ano e por isso incluiu na sua agenda a padronização de suas mídias. Marco Feliciano é o parlamentar evangélico mais ativo nas redes sociais e está entre as personalidades evangélicas de maior influência no Twitter, de acordo com o site TweetRank. “No próximo ano apresentarei novidades para os usuários das redes sociais e internautas que acompanham meu ministério”, comentou o conferencista. Feliciano também divulgou suas redes originais. Seu perfil no Facebook (http://www.facebook.com/PastorMarcoFeliciano) que serve apenas para administrar sua página oficial (http://www.facebook.com/PrMarcoFeliciano). No Twitter o pastor usa a conta @marcofeliciano e no Google+ o pastor tem uma página, mas que não tem sido utilizada (https://plus.google.com/b/104472901220773723250/104472901220773723250/posts).

Jotta A cantará no Troféu Promessas 2012


jovem cantor que conquistou o Brasil com sua voz, Jotta A, se apresentará na festa de premiação do Troféu Promessas, que acontecerá na noite desta quarta-feira (05/12). Além do adorador, também haverá presença de outros grandes nomes do cenário gospel nacional, como Leonardo Gonçalves, Daniela Araújo, Voz da Verdade e Livres. As votações para a premiação encerraram-se nesta segunda-feira (03/12). Jotta A está concorrendo nas categorias: Melhor CD (Essência), Melhor Cantor, Cantor Revelação, Melhor Vídeo Clipe (Agnus Dei) e Melhor Música (Agnus Dei). Outra integrante da Central Gospel Music que está concorrendo é a cantora Jozyanne, como Melhor CD Pentecostal (Meu Milagre). A novidade deste ano é que a festa de premiação terá transmissão ao vivo pelo Facebook oficial do Troféu Promessas, além da cobertura em tempo real no twitter.

Conversa do Bispo com Deus

Por Fred Melo Paiva 
Senhor, aqui é o bispo, marido da bispa. Se me permite, dirijo-me a Ti, aqui de Miami, para uma conversa franca – de homem para homem. Não precisa jogar na minha cara que o Senhor é Deus. Eu sei disso, seu velho barbudo, e vem daí a minha revolta: por que pegas tanto no meu pé? Dediquei 23 anos da minha vida a divulgar seus ensinamentos. Em troca, o Senhor, todo cheio de maiúsculas, apenas me diminui, impondo-me toda a sorte de percalços e derrotas. Primeiro foi aquela história do dinheiro quando íamos, eu e a bispa, para os Estados Unidos. Uma bobagem, US$ 56 mil e uns trocados, não se faz nada com isso hoje em dia… Mas o Senhor ficou nervoso porque nós escondemos a bufunfa dentro da Bíblia. Que coisa mais infantil. Eu esperava do Senhor pelo menos uma outra postura, que viesse conversar com a gente, que chamasse na chincha. Mas não: o Senhor preferiu que pegássemos 140 dias de cadeia, cinco meses de prisão domiciliar. Fora as ações judiciais que correm no Brasil e o Senhor não faz nada. Agora mesmo, por que impediste meu fiel mais valoroso de se transferir para o Manchester City, onde ganharia R$ 58 milhões por ano em vez de R$ 28 milhões (descontados os dízimos da Igreja)? Sem falar do sumiço, um a um, dos meus cavalos de R$ 300 mil bloqueados pela Justiça. Não venha me olhar desse jeito que eu não tenho nada com isso, Você sabe. Eu acho que o lance do Senhor é me espezinhar. Qualé, tá pensando que eu sou Jó? Sai do meu pé, parece uma tornozeleira! Veja esse episódio do teto da igreja, que para mim foi a gota d’água. Por que, diante de tantos telhados localizados naquela quadra do Cambuci, não apontaste o dedo para as lojas de confecções baratas, suas vitrines com lingeries e moda GG, suas ofertas de tops a R$ 10,99 e escarpins a R$ 49,90?(…) Já disse e repito, pelo sangue de Jesus: esmagarei com os calcanhares a cabeça do Satanás. Mas para aplicar este novo golpe, o Senhor precisa largar do meu pé.

ISCARIOTES DA ATUALIDADE

Por Ricardo Luiz Ferreira

 “e (Judas) lhes perguntou: ‘O que me darão se eu o entregar a vocês? ’ E lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata.” (Mateus 26.15 - NVI) “Enquanto ele ainda falava, apareceu uma multidão conduzida por Judas, um dos Doze. Este se aproximou de Jesus para saudá-lo com um beijo.” (Lucas 22.47 - NVI) “Os homens agarraram Jesus e o prenderam” (Marcos 14.46 - NVI) 


O objetivo de todo seguidor de Cristo é conduzir pessoas ao Mestre. Judas levou uma multidão até Jesus, só que com segundas intenções, visando o dinheiro que iria ganhar com tal atitude. Ele barganhou Cristo com aquela multidão; a mesma multidão que crucificou a Jesus. Vemos na atualidade “pregadores”, “pastores”, “líderes” que, assim como Judas, conduzem multidões a Jesus, só que visando o lucro que obterão com isso. Ensinam o povo a barganhar com Cristo, ou seja, de que “quanto mais ofertarem e dizimarem, maior será a benção recebida” ou “mais rápido a vitória chegará”; ainda mais, que podem “exigir que o Senhor lhes dê”, afinal, eles fizeram a parte deles no “negócio”. E dessa forma, esses que foram levados (com um discurso charlatão) até o Bom Mestre, vão (no sentido figurado) crucificá-lo, pois "Ele os enganou", fez com que dessem o melhor de si, tanto financeiramente como emocionalmente, deixando-os frustrados e desiludidos quanto ao Evangelho. Enquanto isso, do outro lado desse “circo religioso”, estão pastores, líderes, pregadores e cantores, que ostentam uma vida de luxo e pompa. Falam sobre liberalidade, mas vivem na ganância. Sufocam o rebanho exigindo mais dízimos e ofertas, ou cobrando cachês altíssimos para ministrarem nas igrejas. Assemelhando-se mais a “mercadores da fé” do que a ministros de Cristo. Tornam a Igreja um “negócio lucrativo”. Conduzem multidões a Cristo, através de palavras ludibriadoras, objetivando o dinheiro que ganharão em troca; multidões que na primeira decepção irão crucificar ao Senhor. É tempo de o povo cristão refletir, é tempo de pensar, é tempo de voltar-se para a Palavra de Deus, pois só Nela encontraremos as respostas para esse momento de crise de identidade que a Igreja passa. Leia a Bíblia.

Deus é amor

Em sua recente entrevista à revista VEJA, Rob Bell usou a declaração bíblica “Deus é amor” como argumento para embasar sua expectativa de que ao final todos os seres humanos serão salvos. Não quero aqui repetir as observações que fiz à tal entrevista em post anterior. Vou me concentrar apenas numa análise crítica do uso desta frase “Deus é amor” por Rob Bell e seus seguidores. 


Vou começar lembrando que antes de Rob Bell outros já usaram esta expressão bíblica (1Jo 4.8 e 16) para defender ideias estranhas. Cito particularmente os defensores do teísmo aberto ou da teologia relacional. Para eles, o atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Richard Rice, um proponente do teísmo aberto, em seu artigo “Biblical Support for a New Perspective” [“Base Bíblia para uma Nova Perspectiva”] publicado num livro de teístas abertos cita um leque eclético de neo-ortodoxos e liberais, tais como Heschel, Barth, Brunner, Kasper e Pannenberg para apoiá-lo na afirmação que o amor “é mais importante que todos os outros atributos de Deus”, até mesmo “mais fundamental… O amor é a essência da realidade divina, a fonte básica da qual se originam todos os atributos de Deus.” Com base neste conceito da predominância do amor, eles negam que Deus conheça o futuro, pois seu amor o impede de limitar a liberdade de suas criaturas de qualquer modo ou maneira. Deus é amor, e isto significa que ele é sensível para com suas criaturas e que constrói o futuro junto com as decisões delas. O futuro, portanto, é sempre aberto e indeterminado. Nem Deus o conhece, pois em nome do amor abriu mão da sua onisciência. É claro que estas conclusões não podem ser consideradas nem mesmo como cristãs. Mas note que elas foram alcançadas a partir do uso errado do conceito de que Deus é amor. No caso, o erro maior foi esquecer que além de ser amor, Deus também é onisciente e onipotente e que seu amor não o obriga a renunciar a nenhuma de suas características ou atributos em seu relacionamento com suas criaturas. Penso que este é exatamente o mesmo tipo de erro em que Rob Bell e seus defensores incorrem ao usar a expressão “Deus é amor” como base para sua expectativa da salvação universal. Explico. 1 – Apenas quatro vezes no Novo Testamento encontramos afirmações sobre o que Deus é, três delas feitas por João: Deus é “espírito” (Jo 4.24), “luz” (1Jo 1.5) e “amor” (1Jo 4.8,16). A quarta é “Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29; cf Dt 4.24). Estas afirmações não são definições completas de Deus – não tem como defini-lo no sentido estrito do termo – mas revelam o que ele é em sua natureza. “Deus é amor” significa que ele não somente é a fonte de todo amor, mas é amor em sua própria essência. É importante, entretanto, lembrarmos que se Deus é amor, ele também é espírito, luz e fogo consumidor. Temos de manter em harmonia estes aspectos do ser de Deus, pois só assim poderemos compreender como um Deus, que é amor, castiga os ímpios com ira eterna. Conforme escreveu John Stott em seu comentário de 1João 4.8 e 16, “Aquele que é amor é luz e fogo também”. “Fogo” e “luz” são metáforas, é verdade. Mas, metáforas apontam para realidades. No caso, elas querem simplesmente dizer: “Deus é santo, verdadeiro, ele se ira contra o pecado e não vai tolerar a mentira. Ele punirá os pecadores impenitentes”. Basta ler o contexto das passagens citadas acima para que se verifique o que estou dizendo. Portanto, não sendo a única passagem que se refere a Deus usando o verbo ser, “Deus é amor” não pode ser entendida como uma definição exclusiva da essência de Deus, enquanto que tudo o mais que é dito sobre Deus usando-se o mesmo verbo ser é entendido como atributos secundários. Isto é exegese preconceituosa. 2 – Na revelação que fez de si mesmo, Deus sempre manifesta o equilíbrio perfeito entre os seus atributos, entre amor, misericórdia e compaixão, de um lado, e justiça, retidão e santidade, de outro. Há várias listas destas qualidades de Deus no Antigo Testamento, mas tomo apenas uma, bem representativa. Moisés desejou ver a Deus e Deus se fez revelar pela proclamação de seus atributos: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Ex 34:6-7). Impossível não notar o equilíbrio entre amor e justiça, misericórdia e ira. 3 – Alguns querem fazer a diferença entre amor e atributos, dizendo que Deus é amor em sua essência e que seus atributos estão subordinados ao amor. Os pontos 1 e 2 acima já são suficientes para mostrar que não podemos dizer que Deus é somente amor. Mas, tudo bem. Vamos conceder, apenas para argumentarmos, que o amor de Deus, por ser a sua própria natureza, prevalece sobre seus atributos, como justiça e santidade, por exemplo. O que isto quer dizer? Que em determinadas situações Deus deixa de ser santo, justo, reto e verdadeiro para mostrar amor? Alguém pode me mostrar uma única passagem na Bíblia onde Deus agiu de maneira injusta, desleal, mentirosa e preconceituosa em nome de sua natureza amorosa? A maior manifestação do amor de Deus foi enviar seu Filho Jesus Cristo para morrer por pecadores para satisfazer a sua justiça e as demandas de sua santidade. Se Deus fosse amor do jeito que esse pessoal diz, ele teria simplesmente deixado sem castigo os pecados e perdoado todo mundo, sem precisar castigar seu Filho amado em lugar de pecadores. Mas, não é isto que a Bíblia diz. Portanto, o fato de que Deus é amor em momento algum anula o outro fato, que ele é santo, justo e reto. 4 – Basta olharmos a história bíblica para percebermos que este Deus que é amor não deixou de mandar o dilúvio para destruir o mundo dos ímpios e nem fogo do céu para destruir Sodoma e Gomorra e nem ainda de castigar os anjos que se rebelaram contra ele. Na verdade, o apóstolo Pedro usa todos estes episódios narrados no Antigo Testamento como tipo ou figura do castigo eterno que Deus tem preparado para os libertinos, ímpios e pecadores impenitentes: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo” (2Pe 2:4-10). Comentando os mesmos episódios, Judas diz que eles são “exemplo do fogo eterno” (Judas 7). 5 – Outro ponto: será que Deus só ama os pecadores e ímpios? Não ama ele aqueles de seu povo que foram injustiçados, violentados, torturados e mortos pelo nome de Cristo? O Deus que é amor é o mesmo Deus que tomará vingança daqueles que maltrataram, perseguiram e mataram seu povo. É assim que Paulo conforta os crentes da cidade de Tessalônica, que estavam passando por severa perseguição: “É justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam; e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tess 1:6-10). Este conforto que Paulo oferece na passagem acima é bem vazio se todos serão salvos, inclusive os torturadores, assassinos e perseguidores do povo de Deus através da história. Paulo não conforta os crentes perseguidos dizendo que no final todos serão salvos, inclusive os seus perseguidores. Ao contrário, Paulo emprega a justiça de Deus e a condenação eterna deles como consolo para os atribulados. E onde ficam as palavras de Deus dada aos mártires, que nos céus clamavam por vingança? “Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram” (Ap 6:9-11). Esses mártires conheciam a Deus tão bem a ponto de darem suas vidas por ele. Será que pediriam o castigo de seus verdugos a Deus se acreditassem que, sendo amor, Deus iria salvar a todos no final? E por que Deus, caso pretendesse salvar tais ímpios da condenação eterna, consolou os mártires dizendo que aguardassem mais um pouco e então seu pedido seria atendido – é só ler o resto do livro de Apocalipse para ver que estes ímpios, junto com Satanás e seus anjos, serão atormentados para sempre no lago de fogo e enxofre, a segunda morte (Ap 20:10; 21:8). 6 – Deus é amor. E se tem uma coisa que ele ama acima de tudo é o seu Filho Jesus Cristo, várias vezes chamado na Bíblia de “o Amado” (Mt 3:17; 17:5; Ef 1:6; Col 1:13; etc.). Contudo, submeteu-o ao sofrimento do inferno eterno durante aquelas poucas horas na cruz, a ponto de, antes, Jesus ter pedido três vezes para ser poupado (Getsêmani) e de gritar na cruz, “por que me desamparastes?” O que Deus fará, pergunta o escritor de Hebreus, aos que desprezam Jesus Cristo? “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:29-31). As Escrituras deixam claro que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Não há um único justo. Todos merecemos a condenação eterna. O amor de Deus consiste em resgatar os que ele quis da justa condenação, não sem antes ter providenciado a satisfação requerida por sua santidade. Mesmo que somente um fosse salvo da condenação eterna pelo sacrifício de Cristo, o amor de Deus já teria triunfado sobre o pecado e a morte. Não tenho prazer na realidade do sofrimento eterno. Não prego sobre o inferno com satisfação. Tento fazê-lo com lágrimas nos olhos. Mas confesso que não consigo perceber no conceito da punição eterna qualquer injustiça, crueldade, maldade, ou falta de amor em Deus.

Linus ou Noel?

Por K. Scott Oliphint
 Ultimamente, têm havido uma série de tentativas de livrar-se de qualquer tipo de celebração ou reconhecimento público do verdadeiro sentido do Natal. A última que li dizia respeito a um grupo ateu que queria banir “A Charlie Brown Christmas” [no Brasil, Feliz Natal, Charlie Brown ] da televisão. Essas tentativas não nos surpreendem; como foi desde o início, agora e para sempre, o mundo odeia Jesus, e o odiarão sem causa (Jo 15.25). Papai Noel e bonecos de neve não ofendem, mas Linus, em cadeia nacional, citando Lucas 2.8-14 como o verdadeiro significado do Natal não pode ser tolerado. Algo que li recentemente, entretanto, foi ainda mais perturbador. Um pastor que se diz ortodoxo e evangélico estava defendendo que a única maneira bíblica de entender Deus era por meio de uma “Cristologia kenótica”. A palavra “kenótica” é retirada de Filipenses 2.7, onde Deus diz (por meio de Paulo) que Cristo “esvaziou-se a si mesmo”. A palavra grega para “esvaziou” nos dá a palavra “kenótico”. Há diferentes versões de teorias da kenosis, dependendo das diferentes visões do que, exatamente, Cristo esvaziou-se. Qualquer que seja a versão ou visão, entretanto, o kenoticismo defende que Cristo abriu mão de alguns aspectos, ou talvez de todos, da sua divindade essencial. Ele parou, de alguma forma, ou totalmente, de ser Deus. Mas cristãos que desejam manter o título de “ortodoxo” ou “evangélico” devem reconhecer que nenhuma versão da cristologia kenótica pode misturar-se com essa classificação. Assim como J. Gresham Machen censurou o liberalismo por sua desonestidade, também é o caso aqui. Todos são livres para defender uma perspectiva tão aberrante quanto o kenoticismo, mas ninguém é livre para fingir que essas perspectivas são ortodoxas. Como o liberalismo, a cristologia kenótica não pode ser transplantada no cristianismo ortodoxo; ela deve ser corretamente rejeitada como uma substância estranha em um corpo saudável e em crescimento. As razões para isso são tão básicas quanto a própria ortodoxia. Primeiro, o texto de Filipenses 2.7 explica o que “esvaziou” signifca. Paulo não diz que Cristo esvaziou-se a si mesmo de sua onipotência ou de sua onisciência, ou mesmo de sua divindade, é algo muito mais radical que isso. Paulo diz que Cristo esvaziou a si mesmo. Se nada mais fosse dito, então a conclusão seria que Cristo tornou-se uma pessoa completamente diferente; o “eu” que Cristo era já não existia. Mas Paulo deixa claro que o esvaziamento de Cristo inclui o fato de ele não considerar a igualdade com Deus algo a que devia apegar-se (Fp 2.6). Ou seja, houve um ponto (na eternidade) em que o Filho de Deus concordou com sua própria humilhação; ele concordou com um auto-esvaziamento. Mas Paulo prossegue dizendo que o auto-esvaziamento voluntário de Cristo foi por adição, não subtração. Ele esvaziou a si mesmo, não subtraindo sua divindade (que é impossível), mas assumindo a forma de servo. Isto é, o esvaziamento de Cristo envolve assumir algo (uma natureza humana) que em si pressupunha humildade (uma humildade, devemos destacar, que essa passagem afirma que os cristãos devem imitar). Segundo, não há maneira de defender uma visão ortodoxa (i.e., bíblica) da Trindade se Cristo esvaziou-se de sua divindade. Visto que Cristo é em primeiro lugar o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade, ele deve ser sempre essa pessoa, e ele deve sempre ser total e completamente o Filho de Deus. Se ele fosse esvaziar-se de sua divindade, então haveria uma “bindade”, não uma Trindade. Não apenas isso, mas se Cristo esvaziou-se de sua divindade, então Deus poderia, de fato, negar a si mesmo (2 Tm 2.13); ele poderia tornar-se o que essencialmente ele não é. Assim como Deus não pode mentir (Nm 23.19, Rm 3.4, Tt 1.2, Hb 6.18), ele não pode mudar seu caráter como Deus. Essa verdade não apenas fundamenta a glória de quem Deus é, mas também fundamenta nossa confiança em sua fidelidade (Hb 6.13-20). Terceiro, se o Filho de Deus fosse abrir mão de sua divindade, não haveria salvação para o homem. Expressando, como faz a Escritura, da maneira mais simples: a mensagem de Natal é que aquele que salvará o povo de Deus dos seus pecados é “Deus conosco”, Jesus Cristo (Mt 1.21-23). Se deve haver salvação, ela terá de ser conquistada por aquele que é Emanuel; ela não poderia ser conquista por aquele que costumava ser Deus, mas por aquele que agora está conosco. Os judeus que estavam cegos para a identidade de Cristo como Deus eram, de acordo com Jesus, não de Abraão, mas do próprio diabo. Abraão alegrou-se ao ver o dia em que o “Eu Sou” viria para redimir seu povo. Quando Jesus chamou a si mesmo de “Eu Sou”, os judeus sabiam que ele tinha se feito igual a Yahweh do Antigo Testamento. Assim, ele pegaram pedras para jogar nele (Jo 8.48-59). Salvação – em sua apresentação claramente revelada (e prospectiva) no Antigo Testamento, assim como sua apresentação claramente revelada (e já/ainda não) no Novo Testamento – exige que Deus condescenda a estar com seu povo, e esteja com eles para redimi-los, e tudo para sua glória. Nenhuma divindade desnuda pode fornecer salvação real. Escritura e história não fazem sentido se aquele que veio para nos salvar é apenas um de nós. Um Natal kenótico é um Natal Papai Noel; seu foco está apenas sobre um homem especial, não sobre o Deus-homem. É um Natal que oferece desejos e presentes, que deixa sua marca em algum tipo de mensageiro “especial”. Ele desvanece tão logo a realidade de um Ano Novo traz seus inevitáveis arrependimentos. É o “natal” do homem, que não é Christmas afinal, mas Manmas. [N.T.: como o trocadilho era quase intraduzível para o português, preferimos manter o original]. A mensagem do Natal é a mensagem de toda a história redentiva, de Gênesis 3 ao novo céu e nova terra. Desde a entrada do pecado no mundo, e em nós, há uma guerra cósmica em andamento. Não haverá paz nessa guerra até e a não ser que o Príncipe da Paz venha para vencer o inimigo. Essa vinda do Príncipe da Paz é claramente apresentada ao povo do Senhor no Antigo Testamento. Ela alcança seu clímax, quando o tempo se cumpriu, na Encarnação do Filho de Deus. Tão magnífico foi esse clímax – tão espetacular e majestoso – que seu anúncio veio por meio de um anjo e, “no mesmo instante” isso provocou uma “uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus” (Lc 2.13-14). Esse anúncio incluiu a verdade central de que aquele que estava vindo é “Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Aqueles que ouviram esse anúncio teriam sabido, imediatamente, que este não era um mero profeta que estava por vir, nem alguém simplesmente superior aos outros que vieram antes. Aquele era “o Senhor”, era Aquele que esteve lutando, guiando e redimindo seu povo por toda a história redentiva. O “Eu Sou” (Ex 3.14) da história redentiva estava prestes a nascer. O que Deus estava prestes a realizar em seu Filho somente poderia ser forjado por uma sabedoria sobrenatural, uma sabedoria do alto, e nunca pela sabedoria deste mundo (1 Co 1.20-25). O natal do homem é fabricado e centralizado no homem. Mas o Natal é aquilo que olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem o coração do homem jamais imaginou (1 Co 2.9). O milagre do Natal é o milagre da livre decisão do Deus Triuno em criar e redimir um povo para si mesmo. É o milagre do compromisso eterno de Deus de executar o plano da redenção na história. É o milagre de Deus comprometendo-se a um sacerdócio real (1 Pe 2.9). É o milagre da graça, o milagre do favor imerecido. É o milagre da paz cósmica ainda porvir, mas já cumprida. É o milagre da vida ressurreta. É o milagre de um novo céu e uma nova terra. É o milagre da glória de Deus, uma glória que manifesta-se semelhantemente ao homem pecador. É o milagre de Deus Filho, embora permanecendo Deus, também ser um de nós, e poder sofrer e morrer, para que possamos viver eternamente. Em nenhuma outra época do ano tantos, que não conhecem esse milagre, ouvem (talvez até cantem) “Cantai Que o Salvador chegou”. Em nenhuma outra época, tantos inimigos da cruz ouvem (talvez até cantem) “Ó vinde, adoremos”. Em nenhum outro tempo, tantos que anseiam por autonomia ouvem (talvez até cantem) “Vinde todos lhe rogar que nos venha abençoar. Deste mundo a luz é o Senhor Jesus”. Em nenhum outro tempo, tantos que adoram e servem algo criado ouvem (talvez até cantem) “Cristo, o Filho entronizado, Sua glória abandonou. Entre os homens, humilhado, cruz e morte suportou. . É bondosa a Divindade. É feliz a humanidade. Esperança de Israel é Jesus, Emanuel”. Cristãos cantam essas palavras, pela graça de Deus, como a verdade do Evangelho. Outros que as ouvem (ou cantam) são chamados a respondê-las com arrependimento e fé. Somente se o Natal é “Deus conosco” sua verdadeira mensagem pode ser pregada e cantada. Cristãos creem e ouvem essa mensagem todo dia, não apenas uma vez ao ano. Mas os inimigos de Cristo precisam ouví-la desesperadamente; somente ao ouví-la há alguma esperança de verdadeira e duradoura paz com Deus para eles. Então, talvez uma ou duas vezes mais, muitos ouvirão Linus lembrar Charlie Brown do verdadeiro significado do Natal – “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Oh vem, oh vem, Emanuel! Redime o povo de Israel, Que geme em triste exílio e dor E aguarda, crente, o Redentor! Dai glória a Deus! Emanuel Virá em breve, oh Israel!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

SAL SEM SAL?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). 

Quando era criança, este autor foi vítima de uma brincadeira de 1º de abril, feita por sua irmã, também criança. Ela lhe fez um cafezinho, o primeiro cafezinho que fez na vida. E deu para o irmão, que, todo prosa, o bebeu. Puxa, era o primeiro café feito pela irmã, e ela fez para ele! Mas ela o havia temperado com sal. Bebi e cuspi, imediatamente, ao primeiro gole. Que coisa horrível! Café com sal! O café, depois que ela adoçou outra xícara com açúcar, estava bom. Mas o sal estragou a primeira xícara. Neste texto Jesus não quer dizer que devemos estragar o mundo. Ele não falou de colocar sal no café dos outros. Mas o episódio do autor ajuda a entender o que Jesus disse. O sal é marcante. Não é neutro. Deixa seu sabor onde é colocado. O sal não fica com gosto do arroz, mas o arroz fica com sal. Jesus pediu e esperava que seus discípulos deixassem marcas no mundo ao invés de serem marcados por ele. Hoje, infelizmente, muitos seguidores de Jesus trazem mais traços do mundo em sua vida que deixam seus traços cristãos na vida do mundo. Isto é muito triste. Não é o propósito do Senhor Jesus para os que são seus. Não deve ser assim conosco. O SAL – VALOR NA COMIDA, NÃO NO SALEIRO Muitos pensam que seguir a Cristo é louvar, adorar, cantar dentro de um prédio, isolados do mundo, como se vivêssemos em um gueto. Para essas pessoas, basta ir a uma igreja e se soltar no culto. Pronto! Já fez o que se espera de um cristão! Mas a maior parte dos ensinos de Jesus se deu na rua, e seu propósito era que seus seguidores exercessem influência na sociedade, marcando-a com seus valores. Cantar e adorar a Deus não são errados. São certos. Devemos fazer isso. O erro é pensar que seguir a Cristo seja só isto, e viver o evangelho só no culto. A verdadeira cristã não é a que acontece no templo, mas a que se mostra no nosso caráter, na rua, em casa, na escola, e que deixa clara a presença de Jesus em nossa vida. O valor do sal não é no saleiro ou num saquinho, mas no seu uso, temperando a comida. Da mesma maneira, o grande valor do cristão não está no que ele faz num prédio chamado igreja, mas no que ele faz fora da igreja. Mais que ouvir nossos cânticos, o mundo precisa ver o evangelho em nossas vidas. O SAL – UMA EXPLICAÇÃO A argumentação de Jesus é muito bem construída. Ele faz uma declaração (“vós sois o sal da terra” ), e joga com uma possibilidade que muitos julgam ser impossível (“se o sal se tornar insípido”) e faz uma aplicação obvia, mas profunda: se o sal não salgar, deve ser jogado fora. Na afirmação, o “vós” é enfático. Os discípulos são sal, e devem ter utilidade, ele acentua com firmeza. Se não, que valor eles têm? De que serve para o reino de Deus um seguidor de Jesus que age como se fosse um incrédulo? Ele é insípido, como o mundo. Sem gosto algum! É uma figura para ser bem pensada. Jesus ensina que o menor pode agir sobre o maior. A quantidade de sal é menor que a do alimento que ele deve salgar. Não se usam três xícaras de sal para três xícaras de arroz! Basta uma pitada. Não se põe um quilo de sal num quilo de carne. Quem a comeria? Basta pouco sal. As figuras mais usadas por Jesus dão a idéia do menor agindo sobre o maior (sal, luz, fermento e chave). Não precisamos ser maioria. Devemos ser marcantes e influenciar a maioria. Devemos marcar o mundo e não sermos omissos ou marcados por ele. E não devemos nos intimidar porque somos minoria. Jesus nunca pensou que seríamos maioria: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram” (Mt 7.13-14). Não é a quantidade, mas o caráter do seguidor de Jesus que importa. O SAL – A NEGAÇÃO O sal, se perder sua salinidade, perde o valor, para nada presta. Muita polêmica se travou sobre esta declaração de Jesus. Alegou-se que o sal não perde seu sabor, por causa do cloreto de sódio. Mas o sal dos charcos, pântanos e rochas próximos ao Mar Morto tem um alto teor de gipsita e de outras impurezas. Ele perde seu sabor e se torna arenoso. Assim, era usado como areia, jogado nas ruas enlameadas das cidades da Palestina, para diminuir a lama. Como se fosse areia. Ao invés de salgar o mundo, era pisado por ele. Triste figura do cristão sem bom testemunho. Mas também acontece que substâncias estranhas adicionadas ao sal levam-no a perder a sua característica. Que lição para nós! Tudo aquilo que é estranho ao caráter cristão e que deixamos adicionar a nossa vida faz-nos perder nossa identidade e nossa capacidade de marcar o mundo! Por isso, nada de assumir valores morais do mundo como nosso padrão de conduta! Muitos seguidores de Jesus têm fracassado neste ponto. A pretexto de não serem ultrapassados, fanáticos ou preconceituosos, acabam aceitando todo o padrão moral de um mundo perdido, e se acostumam (o pior é quando até praticam!) com as obras do mundo. Precisamos ser cautelosos. Não é necessário ser um eremita, alguém vivendo na Idade Média, mas não podemos nos tornar como as pessoas que não conhecem a Jesus nem seu evangelho. Não podemos agir e viver como o mundo! Perderemos nosso sabor! E sal insípido só serve para ser jogado fora. Deixa de marcar e se torna pisado. O SAL – A APLICAÇÃO O valor primário do sal, naqueles tempos, não era temperar, mas preservar (como se faz com o charque, hoje). Os seguidores de Jesus devem ser obstáculo à corrupção do mundo. Devem viver de maneira que sinalizem aos demais a presença de Cristo em suas vidas. Devem viver os valores do reino. Nossa presença no mundo é uma bênção que o mundo, infelizmente, não reconhece! Devemos ser um freio à maldade, à corrupção, à presença do maligno nesta sociedade (1Jo 5.19). Um cristão prejudica o mundo quando cede às pressões do mundo. Porque só ele pode salgar um ambiente insosso, impedindo que ele se estrague. A epístola a Diogneto, um documento cristão do segundo século, diz que o mundo seria destruído se não fosse a ação dos cristãos (cps. 5-6). O evangelho salvou o mundo de uma catástrofe. Precisamos ter isto em mente. O evangelho não é repressivo, como pessoas sem Deus gostam de dizer. O evangelho mostra por onde andar para não se frustrar mais tarde. Não é um par de algemas, mas uma trilha que orienta por onde caminhar. Por causa desta necessidade que o mundo tem de modelos de vida equilibrados e sensatos, é que devemos testemunhar com o nosso caráter, com boas obras e com uma vida reta. Isto é muito necessário para o mundo. É possível viver uma vida reta diante de Deus! Temos que mostrar isto com nossa conduta. Compreendemos com esta metáfora o que Jesus espera de nós? E compreendemos também que, sem um bom testemunho a nossa vida cristã é inútil? CONCLUSÃO Seguir a Jesus não é um chamado para ter uma vida de contemplação mística, e viver enfurnado num prédio, mas é um chamado a agir no mundo. A verdadeira fé não é a que manifestamos nos cultos, mas é aquela que marca nossa vida e depois aparece em nossos relacionamentos sociais. Somos sal. Temos que preservar e temos que dar o sabor a este mundo. Se não o fizermos, o mundo não terá sabor e se corromperá mais rapidamente. E, se não o fizermos, perderemos nossa utilidade. Seja sal. Deixe suas marcas onde você estiver. Seja o tempero de um mundo insosso. Você é um cristão. Deve salgar. E cuidado: não seja sal sem sal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Maria, cheia de graça. E os outros, como ficam?

Por Lucas Banzoli 
 Há uma discussão muito grande no meio apologético, se Maria era “cheia de graça” ou “agraciada”. Sei que entrar na discussão sobre o original grego de Lucas 1:28 é pura perda de tempo. Ambos os lados estão armados até os dentes com argumentos que tem por base o original grego, mais especificamente com relação a uma palavrinha quase mágica, chamada “kecharitomene”. Bem, eu vou dizer aqui neste site anticatólico uma coisa que pode apavorar muitos crentes: -Sim, eu creio que Maria é “cheia de graça”! “Nossa, Lucas, agora você foi radical, pegou pesado, virou mariano!”, você poderia dizer. Calma. Antes que você discorde do que escrevi e me crucifique, é importante que você entenda exatamente o que estou querendo dizer: -Eu creio que todos os cristãos (não apenas Maria) que alcançam o favor divino são cheios da graça de Deus! Isso mesmo. Às vezes eu fico abismado em ver o bate-boca que se resume se Maria é o ou não “cheia de graça”, quando, na verdade, o ponto principal não tem nada a ver com isso, mas sim se os demais cristãos são desprovidos dessa plenitude da graça, que seria um atributo único e exclusivo de Maria. Portanto, o que deveríamos tentar fazer é ver se, biblicamente, os demais cristãos são cheios de graça ou se tem uma “graça pela metade”, ao invés de discutirmos se Maria era ou não era cheia de graça, o que é uma discussão secundária, importante somente para os devotos marianos fanáticos. A verdade bíblica é que todos aqueles que são preenchidos com a graça de Deus são “cheios de graça”. Não existe ninguém com uma “graça pela metade”. Deus não olha para um ser e diz: “Puxa vida, eu não fui muito com a tua cara. Vou te dar uma ‘meia-graça’, e é bom que fique contente com isso”! Aí ele olha pra outro e diz: “Você é mais simpático, vou te dar 80% de graça. E se você for muito bonzinho, fizer boas obras, pagar penitência e subir as escadarias da catedral de joelhos, vai ganhar uma promoção e terá 90% de graça! Daqui a pouco você chega lá”! Não, não, não... Essa teologia de “muita graça” e “pouca graça” é totalmente falida, antibíblica e cheia de engano. Deus não dá uma graça “meia-boca” ou “pela metade”. Ele sempre a dá sem limitações: “Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida” (João 3:34) A Nova Versão Internacional traduz este verso da seguinte maneira: “Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações” (João 3:34) Portanto, Deus não dá do Seu Espírito “por medida”. Ele não o dá “limitado” a alguém, que fica “somente com uma parte”. Não. Ele dá o Seu Espírito completamente. É por isso que a Bíblia sempre diz que somos cheios do Espírito Santo (At.4:8; 7:55; 13:9; 9:17; Lc.1:55; 1:67), e não incompletos do Espírito Santo, tendo apenas uma parte dEle em nós. Acontece que com a graça divina é a mesma coisa que ocorre. Se Deus concede a nós o Seu Espírito de forma completa, de tal modo que ficamos “cheios” dele, então ele também não dá uma graça “incompleta”, pois o Espírito Santo é tão ou mais importante do que a própria graça de Deus. O Espírito Santo é uma pessoa, a graça não. O Espírito Santo é o próprio Deus, a graça é somente um favor de Deus. E, se a graça é um favor divino, o Espírito Santo é muito mais (Lc.11:13). Sendo assim, ser “cheio do Espírito Santo” é algo tão ou mais forte e significativo do que ser “cheio de graça”. Negar isso é inferiorizar o valor e importância do Espírito Santo na vida do cristão. E o que nós vemos é que todos os cristãos são “cheios do Espírito Santo”, e não apenas Maria: “Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: Autoridades e líderes do povo...” (Atos 4:8) “Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou” (Lucas 1:67) “Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus” (Atos 7:55) “Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse” (Atos 13:9) “Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor” (Atos 11:24) “Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento” (Lucas 1:55) “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo” (Atos 9:17) Em outras palavras, vemos que: 1º O Espírito Santo é um favor divino tão grande quanto a graça ou até maior. 2º Todos os verdadeiros cristãos são cheios do Espírito Santo, pois Deus não dá o Seu Espírito por medida, limitamente. 3º Sendo assim, a graça de Deus (que é outro favor divino) deve seguir este mesmo caminho: ela é dada liberalmente, e não por medida! Ora, se ser cheio do Espírito Santo é algo tão ou mais profundo do que ser cheio de graça, então este último não implica em ser imaculado ou sem pecado, pois todos aqueles que foram cheios do Espírito Santo, inclusive desde antes do nascimento (como é o caso de João Batista – Lc.1:55), pecaram. Vemos, portanto, que o argumento católico em favor da imaculada conceição de Maria tendo como única base bíblica o polêmico texto de Lucas 1:28 é no mínimo falaciosa. Se João Batista era cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento e isso não o impediu de pecar, por que Maria deveria ser imaculada pelo simples fato de que (segundo os católicos) ela teria sido cheia de graça desde antes do nascimento? Não faz sentido, a não ser que o valor do Espírito Santo seja menor do que a graça. O que vemos é que o argumento católico é totalmente falacioso e sem sentido. Ser cheio de graça não é ser livre de pecado, mas ser cheio de favor divino. Graça é isso: favor imerecido. Ser cheio de graça implica, não em não poder mais pecar para o resto da vida, mas sim que Deus está em seu favor, ajudando-o. Mesmo Deus sendo totalmente a favor de todos os grandes homens do povo de Deus no passado, todos eles pecaram ao mínimo uma vez na vida. Por que com Maria deveria ser diferente? Além disso, biblicamente Maria não é a única pessoa a ser considerada “cheia de graça” por Deus. A Sagrada Escritura dá o seguinte testemunho acerca de Estêvão: “Estêvão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais entre o povo” (Atos 6:8) Aqui vemos que Estêvão também era “cheio de graça”; portanto, tal coisa não era nem nunca foi “exclusividade” de Maria. A expressão usada aqui para Estêvão é no original grego χαριτος [charitos], que é exatamente a mesma de onde provém a palavra grega “kecharitomene”, que foi dirigida a Maria. Ambas são do verbo “charitoô”, e significam “favorecer” ou “encher de favores”. Portanto, Estêvão também era “cheio de graça” [charitos] tanto quando Maria era “cheia de graça” [charitos]. Alguns católicos argumentam que o tempo verbal para Maria em Lucas 1:28 é diferente do tempo verbal para Estêvão em Atos 6:8. Que grande descoberta! Que diferença faz? Os católicos argumentam que o tempo no particípio perfeito significa que Maria sempre foi cheia de graça, diferentemente de Estêvão, que teria recebido graça a partir daquele momento. Mas eu continuo repetindo: Eeee... daí? Isso não muda nada. Será que depois de Atos 6:8 Estêvão passou a ser “imaculado”? É claro que não. Então, tal palavra não tem nada a ver com cometer ou não cometer pecados. Se ela foi aplicada a Estêvão e nem por isso Estêvão deixou de ser pecador nem por um instante, então mesmo se a interpretação católica estivesse correta e implicasse que Maria sempre foi cheia de graça, isso igualmente não implicaria que Maria não era pecadora. Além disso, o verbo se encontra no particípio presente porque o anjo quis corroborar com as palavras de Isaías em Isaías 7:14, que profetizou, há muito tempo antes, que uma virgem conceberia. Portanto, a razão do verbo no particípio presente não tem nada a ver com Maria nunca ter pecado (pois já vimos que charitos jamais implicou em não ter pecados), mas sim para indicar que a graça recebida por Maria já era algo esperado e anunciado desde há muito tempo (antes do nascimento da própria Maria), pois o próprio Deus já havia predito, muitos séculos antes, que uma virgem seria escolhida para dar a luz ao Salvador do mundo. Prova disso é que logo em seguida, no verso 30, o mesmo verbo é aplicado no tempo presente (o mesmo que foi aplicado para Estêvão e para os demais), e não mais no particípio perfeito: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça [χαριν [charin] Acus. Sing] diante de Deus” (Lc.1:30). Além disso, vemos, biblicamente, que todos os cristãos são cheios de graça (não apenas Maria e Estêvão), pois Paulo se referiu a todos os cristãos quando disse: “para o louvor da glória da sua graça, com a qual nos encheu de favores (ou “nos encheu de graça”, echaritôsen) no Amado” (Ef.1:6). Essa passagem de Efésios nos diz que Deus nos “encheu de graça”, e Paulo usa precisamente o mesmo verbo charitoô, apenas mudando o tempo verbal, o que obviamente não muda o significado do verbo. Vemos também o apóstolo Paulo dizendo com respeito a todos os cristãos o seguinte: “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (2ª Coríntios 9:8)

Informação ou conhecimento?

Por Gabriele Greggersen 
Fiquei bastante intrigada nesses dias com a notícia de que todos os produtos do supermercado devem conter a informação sobre os impostos devidos ao governo, embutidos no preço. Como bem observou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essa nova resolução é impraticável, já que isso aumentará o custo dos produtos, o que reverterá sobre o preço. Tirando esse aspecto bastante paradoxal, há outro detalhe que penso ser digno de nota: essa informação é útil? Não é só pelo aspecto de que sejam raros os consumidores que leem as informações contidas na embalagem dos produtos (quem sabe eu pudesse me limitar a dizer que sejam “raros os consumidores que leem”....), mas mesmo que eles leiam, que efeito essa informação terá na vida do consumidor? Pois, se essa pergunta não é feita, a informação valerá pela mera informação, e não como conhecimento útil. Na prática, pouco ou nenhum efeito terá a informação sobre o fato de pagarmos impostos absurdos toda vez que vamos ao supermercado. Poderíamos comparar essa resolução com aquela do “ficha limpa”. Neste último caso, a informação, ao atingir o eleitor, terá efeitos visíveis e concretos. Mas que efeito se poderá esperar da informação sobre o imposto do produto? Quem sabe ficaremos mais apreensivos e se tivermos os meios de influenciar a cobrança de impostos, quem sabe essa informação mude alguma coisa. Você pode me dizer que sou cética, que a informação sempre é válida, que as pessoas, ao se conscientizarem de certas realidades, poderão alterá-la. O que me incomoda nessa teoria é a crença de que só a informação possa alterar a realidade. Mas enquanto tal informação não for canalizada para se tornar conhecimento, de nada ela adiantará para alterar a realidade. Somos diariamente bombardeados por informações. Mas quantas delas alterarão nossa vidas na prática? Quantas são as pessoas que na sociedade da informação reduzem o conhecimento ao dado? Cremos piamente que “a voz do povo é a voz de Deus”. E se o povo estiver errado? E se a crença na democracia for uma falsa impressão de justiça, que é um passo além da democracia? E quantos sabem o que a democracia significa na prática? No mundo cristão, quantos são os cristãos que confundem conhecimento com informação? Quantos são os que vão à igreja à espera de informação, e não de conhecimento transformador? E quantos são os pastores que atendem a tal expectativa para manter o seu público interessado? E quantos são os pregadores, eles mesmos, que confundem conhecimento e informação? Se a informação fosse conhecimento, a igreja seria logo substituída pela pregação virtual. E onde fica a comunhão? Não sou contrária à sociedade da informação, mas sou muito mais favorável à sociedade do conhecimento. Enquanto a informação é como o dado colhido no laboratório pelo médico, o conhecimento é a prescrição completa que o médico formulará com ajuda dos dados. A diferença entre as duas coisas é significativa. Conhecimento tem a ver com intimidade, com convivência com diálogo e com transformação.

O maior no Reino de Deus

Por Maurício Zágari 
Cada civilização contém conceitos que são considerados as maiores virtudes entre as pessoas que a formam. Na Grécia antiga, por exemplo, o poder de argumentação era tão valorizado que existiam escolas voltadas especificamente para ensinar a debater. Em certas tribos aborígenes, trair alguém antes de matá-la dava status, como revela o livro O totem da paz. Também não são poucas as sociedades ao longo da História em que os mais fortes fisicamente são e foram os mais louvados. A espiritualidade e a obediência ao Alcorão são bem vistas em culturas islâmicas. Em certas sociedades orientais, a honra era vista como o valor principal de um homem. E na nossa? O que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21, em que eu e você estamos imersos? Basicamente o que chamo de “os três F”: fama, fortuna e físico. Quer ser o maior entre os seus semelhantes no Brasil de hoje? Então seja famoso: destaque-se, apareça mais que os outros, seja venerado, que muitos olhos se voltem para você. Ou então ganhe muito dinheiro, ostente carros caríssimos, more numa mansão, demonstre como você é bem-sucedido financeiramente. Por fim, tenha um aspecto físico invejável, seja por uma beleza natural ou por recursos como malhação, cirurgias plásticas, implante de silicone, botox, cabelos bem cortados – ou ainda, por roupas e sapatos caríssimos e da grife que está na moda. Pronto. Você será visto com destaque, valorizado, bajulado, invejado, amado. Mas… e no Reino de Deus? O que destaca alguém? Acredite: o exato oposto daquilo que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21: Humildade. O pecado de Satanás foi a arrogância. Ele quis ser mais do que era. Deu no que deu. Podemos contrastar sua atitude com a do grande profeta João Batista, sobre quem o próprio Jesus disse: “Eu lhes digo que entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João” (Lc 7.28). Sendo João isso tudo, ele mesmo afirmou: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias” (Mc 1.7). João sabia quem era. Mas, mesmo sendo o maior de todos os que haviam nascido em toda a história da humanidade, ele conhecia seu lugar. Sabia que era pó. Que exemplo para todos nós… Nossa civilização nos condicionou a querer sempre um lugar de destaque. Um emprego que nos projete. Títulos. Nosso nome escrito em letras de neon. Elogios. Um ego muito bem nutrido por palavras que mostrem como nós somos grandiosos. Mas o que Jesus ensina contraria de frente essa mentalidade: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. (Mt 5.5). Que diferença! E a afirmação que não deixa dúvida alguma (peço que você leia essas palavras de Jesus com muita atenção): “Quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus” (Mt 18.4). Humildade na terra, grandeza no Céu. Diminuir para crescer. Jesus é o único digno de abrir o livro, Jesus é o maior, Jesus é maravilhoso, Jesus é o Altíssimo, Jesus é Criador, Jesus é o Caminho, Jesus é amor, Jesus é o santíssimo, Jesus é o Onipotente, Jesus é tudo. No entanto: “Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus; assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura. [...] Disse Pedro: “Não; nunca lavarás os meus pés”. Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não terá parte comigo”. [...] Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? [...] Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.1-15). Permita-me perguntar: qual foi a última vez que você seguiu esse exemplo e “lavou os pés” de alguém menor do que você? Entre nós, cristãos, certas características nos dão destaque no meio dos irmãos. O santo se acha mais santo do que os outros. O que ora muito crê que isso o torna mais especial do que os demais. O pecador condena quem julga que é mais pecador do que ele. O que tem um cargo na igreja se acha mais do que o que não tem. O que manifesta um dom se acha mais agraciado por Deus. Em resumo, eu e você não estamos isentos de nos acharmos os tais porque fazemos ou somos algo que nos põe numa posição de destaque. Já parou para pensar por que os cristãos são tão fascinados por escândalos? Já parou para pensar por que amamos falar sobre aquele pastor famoso que caiu em adultério? Já parou para pensar por que comentamos salivando que a cantora gospel famosa rastejou no palco? Já parou para pensar por que temos um prazer indizível em comentar o último pecado que fulano cometeu? Em suma, já parou para pensar por que temos o prazer sádico de tricotar entre nós quando algum outro cristão incorre em desgraça? Porque isso faz com que nós nos sintamos superiores. Pura e simplesmente isso. É um sentimento mesquinho que, até inconscientemente, nos faz pensar “não sou tão mau assim, afinal fulano é um tremendo pecador, muito mais do que eu, que vivo tão corretamente”. É por isso que a maioria prefere segregar o pecador e não lhe dar um único telefonema para saber como ele está em vez de se aproximar, amar, dar ombro, dar afeto, ajudar em sua restauração: porque gostamos demais de nós mesmos para gostarmos dos outros. Certa vez entrevistei o ator e comediante Jerry Lewis. Perguntei a ele como explicava seu sucesso. Sua resposta foi simples: “Todo filme que faço se baseia num princípio: um homem em apuros. E cada pessoa do público fica feliz porque quem está naquela situação embaraçosa ou complicada é outro e não ela mesma”. Ou seja: rimos da desgraça do outro porque isso nos faz nos sentirmos melhor conosco. Não fosse assim, como explicar o sucesso das videocassetadas? Pessoas se arrebentando no chão, levando tombos, sendo atropeladas, pegando fogo… e nós daqui caindo na gargalhada. Os cristãos, inclusive – sejamos honestos. Como explicar esse contrassenso absoluto? Simples: a desgraça alcançou o outro e não nós. Quando o outro peca isso faz dele inferior aos olhos dos cristãos. Portanto, um pecado que tornou alguém um escândalo faz com que eu, que também peco todos os dias mas não virei escândalo, me sinta melhor, mais feliz comigo mesmo. Superior. Maior. Sinto orgulho de mim mesmo, essa é a grande verdade. No entanto, as palavras de Paulo atravessam nosso sentimento de superioridade como uma espada afiada: “Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza” (2 Co 11.30). Essa é a proposta do Evangelho. Reconhecer nossa fraqueza. Reconhecer nossa falibilidade. Pois, enquanto nos achamos mais especiais do que os demais, sofreremos do traiçoeiro pecado do “orgulho santo” – o orgulho do que há de bom em nós, o orgulho até de nossa “santidade”, tão maior do que a dos demais. Mas se nos achamos tão melhores do que os outros, não abrimos espaço para nos escancararmos para Deus, como Paulo fez: “Miserável homem que eu sou!” (Rm 7.24). Não. Diremos em nosso íntimo (sem falar em voz alta, para não pegar mal): “Magnífico homem que eu sou!”. Assim, nos sentiremos mais. Nos sentiremos os eleitos, os profetas, os escolhidos, os queridinhos do Pai. Nos sentiremos superiores. E nos sentiremos aliviados por não sermos tão ruins como os outros. Só que… com isso, não reconhecemos nossas fraquezas e não reconhecemos que o pior dos pecadores não é pior do que nós. E no dia em que estivermos diante do trono de Deus para prestar contas de tudo o que fizemos e falamos, será que o que ouviremos dele é “você é realmente o tal”? Prefiro ficar com Paulo, que em Romanos 7.18 confessa com uma humildade que não encontramos em quase ninguém em nossos dias: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo”. Não é à toa que Paulo foi Paulo. Pois, talvez lembrado pelo espinho na carne, reconhecia que só a graça lhe bastava e que só a graça fazia dele um vaso de barro com a excelência do fôlego de vida em si. Fico muito triste ao ver cristãos que se acham mais do que outros, seja por que razões forem. E oro por muitos que conheço e que são assim. Ore por mim também, por favor, pois não sou melhor do que meus pais. Em vez de nos acusarmos, nos rebaixarmos e nos segregarmos, amemo-nos mais e oremos mais uns pelos outros. No grande e terrível dia em que estaremos diante do Justo Juiz, que ele olhe para nós e veja a cruz de Cristo. Porque, se Ele olhar para quem nós realmente somos (e não para quem achamos que somos) nada nos restará a não ser choro e ranger de dentes. Sou um pecador, mas se puder fazer algo por você, meu irmão pecador, minha irmã pecadora, tentarei. E não te desprezarei pelo fato de que você pecou um pecado diferente do meu e que ingenuamente considero pior. Pois… quem sou eu? “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Quem sou eu… Paz a todos vocês que estão em Cristo, Maurício.

Ambivalência é o câncer desta geração!

Por Josemar Bessa 
Há pregadores que adoram frases do tipo: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto” – O que eles desejas ensinar com isso? Brian McLaren resume essa mentalidade na introdução ao seu livro A New Type of Christian ("Um Novo Tipo de Cristão"): “Dirijo meu automóvel e ouço a estação de rádio cristã, algo que minha esposa sempre diz que devo parar de fazer ("porque isso só deixa você nervoso", diz ela). Ali, ouço um pregador após outro se mostrando absolutamente seguro de suas repostas, que são até à prova de bombardeio, e das suas interpretações bíblicas infalíveis... E, quanto mais seguro ele parece, tanto menos desejo ser um cristão, porque neste outro lado, distante do microfone, das antenas e do locutor, a vida não é tão simples assim; as respostas não são tão claras assim; e nada é tão seguro assim”. Deste modo, o pós-modernismo "evangélico" chegou a transformar em virtude sublime toda dúvida, incerteza e hesitação a respeito de quase todos os ensinos das Escrituras. Convicções fortes, afirmadas com clareza, são invariavelmente rotuladas como "arrogância" por aqueles que favorecem o diálogo pós-modernista. Cristo sempre nos guia na Verdade, e Ele nos faz viver o evangelho e proclamá-lo fielmente, não como um nariz de cera que pode ser moldado por cada um segundo suas conveniências, e é assim que Ele nos guardará de “tropeçar, e nos apresentará diante da Sua glória sem mácula e com grande alegria” (Judas 24). Ambivalência é como uma corda que, se não verificada, torna-se uma algema que prende o homem à heresia. Ambivalência é o câncer desta geração! O relativismo é uma revolta contra a realidade objetiva de Deus. A mera existência de Deus cria a possibilidade da verdade absoluta. Deus é a norma suprema e final para todas as alegações de verdade. Quem ele é, o que ele quer, o que ele diz, é o padrão externo e objetivo para se medir todas as coisas. Se o mundo acha isso relevante ou atrasado, isso não faz a menor diferença. E sua revelação é clara, mas jogamos fumaça sobre ela quando queremos agradar ao mundo mostrando que tudo não passa de pontos de vistas diferentes. Que a verdade é subjetiva. Quando o relativismo diz que não existe um padrão de verdade e falsidade que é válida para todos, ele fala como um ateu. Ele comete traição contra Deus. O relativismo é uma rebelião generalizada contra o próprio conceito de direito divino. Portanto, é a rebelião mais profunda contra Deus. É uma traição que é pior do que a revolta total, porque é desonesto. Continua pregando um "evangelho" que na realidade não é verdade absoluta externa a nós. Era melhor dizer que não crê ser ele a verdade e pronto. É realmente pior de que uma revolta total. É realmente desonesto - pois devia dizer na face de Deus, "A tua palavra é falsa". Dizer: "A tua palavra é ambígua..." - dizer: "Não há tal coisa como uma palavra universalmente objetiva revelado por Deus" – Mas não usa dessa clareza honesta, e então deixa o que chama de "verdade" como algo aberto para cada homem moldar as coisas segundo seu coração enganoso. Isso é traição. Ah! A loucura das mentes descuidadas abertas para tudo e caindo por nada, já dizia alguém. Todas as pessoas que são superficialmente “ortodoxas”, que dizem que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, transformam a verdade das Escrituras em mentira. Essa abordagem tem sido mencionada, por alguns, como "uma hermenêutica da humildade" — como se fosse inerentemente orgulhoso demais para um pregador o imaginar que ele sabe aquilo que Deus disse a respeito de alguma coisa. É claro que essa negação de toda a certeza não tem qualquer indício de verdadeira humildade. De fato é arrogância, arrogância contra Deus. De fato, isto é realmente uma forma arrogante de incredulidade, arraigada na recusa imprudente de reconhecer que Deus foi suficientemente claro na revelação que fez de Si mesmo às suas criaturas. Essa atitude é uma forma blasfema de arrogância e, quando ela governa até a maneira como alguém maneja a Palavra de Deus, se torna outra expressão de rebeldia maligna contra a autoridade de Cristo. Era melhor dizer abertamente: eu amo a mente do mundo (minha própria mente), não a de Deus. Quando a verdade objetiva desaparece na névoa do relativismo, não somos mais um humilde servo para a proclamação preciosa verdade. Um homem assim joga fora o jugo da servidão e assume um poder próprio. Ele não se submete à realidade objetiva externa, ele cria a sua própria "realidade". Ele não serve mais para mostrar a verdade. Ele passa ser a fonte de autoridade que define o que é a verdade. E todos alegremente aplaudem, pois cada um pode ter a “sua” própria “verdade”, já que ““todo ponto de vista é a vista de um ponto” Devemos tomar o jugo da Verdade revelada mesmo que a cultura à nossa volta a ache loucura e escândalo, mesmo que ela não se adapte para se tornar “relevante” para o mundo. Todos os amantes da verdade são humildes, mas apesar de tentar vender isso desonestamente, o relativismo não é uma postura humilde, mas um manto de orgulho, altivez contra Deus, uma heresia destruidora!