quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ISCARIOTES DA ATUALIDADE

Por Ricardo Luiz Ferreira

 “e (Judas) lhes perguntou: ‘O que me darão se eu o entregar a vocês? ’ E lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata.” (Mateus 26.15 - NVI) “Enquanto ele ainda falava, apareceu uma multidão conduzida por Judas, um dos Doze. Este se aproximou de Jesus para saudá-lo com um beijo.” (Lucas 22.47 - NVI) “Os homens agarraram Jesus e o prenderam” (Marcos 14.46 - NVI) 


O objetivo de todo seguidor de Cristo é conduzir pessoas ao Mestre. Judas levou uma multidão até Jesus, só que com segundas intenções, visando o dinheiro que iria ganhar com tal atitude. Ele barganhou Cristo com aquela multidão; a mesma multidão que crucificou a Jesus. Vemos na atualidade “pregadores”, “pastores”, “líderes” que, assim como Judas, conduzem multidões a Jesus, só que visando o lucro que obterão com isso. Ensinam o povo a barganhar com Cristo, ou seja, de que “quanto mais ofertarem e dizimarem, maior será a benção recebida” ou “mais rápido a vitória chegará”; ainda mais, que podem “exigir que o Senhor lhes dê”, afinal, eles fizeram a parte deles no “negócio”. E dessa forma, esses que foram levados (com um discurso charlatão) até o Bom Mestre, vão (no sentido figurado) crucificá-lo, pois "Ele os enganou", fez com que dessem o melhor de si, tanto financeiramente como emocionalmente, deixando-os frustrados e desiludidos quanto ao Evangelho. Enquanto isso, do outro lado desse “circo religioso”, estão pastores, líderes, pregadores e cantores, que ostentam uma vida de luxo e pompa. Falam sobre liberalidade, mas vivem na ganância. Sufocam o rebanho exigindo mais dízimos e ofertas, ou cobrando cachês altíssimos para ministrarem nas igrejas. Assemelhando-se mais a “mercadores da fé” do que a ministros de Cristo. Tornam a Igreja um “negócio lucrativo”. Conduzem multidões a Cristo, através de palavras ludibriadoras, objetivando o dinheiro que ganharão em troca; multidões que na primeira decepção irão crucificar ao Senhor. É tempo de o povo cristão refletir, é tempo de pensar, é tempo de voltar-se para a Palavra de Deus, pois só Nela encontraremos as respostas para esse momento de crise de identidade que a Igreja passa. Leia a Bíblia.

Deus é amor

Em sua recente entrevista à revista VEJA, Rob Bell usou a declaração bíblica “Deus é amor” como argumento para embasar sua expectativa de que ao final todos os seres humanos serão salvos. Não quero aqui repetir as observações que fiz à tal entrevista em post anterior. Vou me concentrar apenas numa análise crítica do uso desta frase “Deus é amor” por Rob Bell e seus seguidores. 


Vou começar lembrando que antes de Rob Bell outros já usaram esta expressão bíblica (1Jo 4.8 e 16) para defender ideias estranhas. Cito particularmente os defensores do teísmo aberto ou da teologia relacional. Para eles, o atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Richard Rice, um proponente do teísmo aberto, em seu artigo “Biblical Support for a New Perspective” [“Base Bíblia para uma Nova Perspectiva”] publicado num livro de teístas abertos cita um leque eclético de neo-ortodoxos e liberais, tais como Heschel, Barth, Brunner, Kasper e Pannenberg para apoiá-lo na afirmação que o amor “é mais importante que todos os outros atributos de Deus”, até mesmo “mais fundamental… O amor é a essência da realidade divina, a fonte básica da qual se originam todos os atributos de Deus.” Com base neste conceito da predominância do amor, eles negam que Deus conheça o futuro, pois seu amor o impede de limitar a liberdade de suas criaturas de qualquer modo ou maneira. Deus é amor, e isto significa que ele é sensível para com suas criaturas e que constrói o futuro junto com as decisões delas. O futuro, portanto, é sempre aberto e indeterminado. Nem Deus o conhece, pois em nome do amor abriu mão da sua onisciência. É claro que estas conclusões não podem ser consideradas nem mesmo como cristãs. Mas note que elas foram alcançadas a partir do uso errado do conceito de que Deus é amor. No caso, o erro maior foi esquecer que além de ser amor, Deus também é onisciente e onipotente e que seu amor não o obriga a renunciar a nenhuma de suas características ou atributos em seu relacionamento com suas criaturas. Penso que este é exatamente o mesmo tipo de erro em que Rob Bell e seus defensores incorrem ao usar a expressão “Deus é amor” como base para sua expectativa da salvação universal. Explico. 1 – Apenas quatro vezes no Novo Testamento encontramos afirmações sobre o que Deus é, três delas feitas por João: Deus é “espírito” (Jo 4.24), “luz” (1Jo 1.5) e “amor” (1Jo 4.8,16). A quarta é “Deus é fogo consumidor” (Hb 12.29; cf Dt 4.24). Estas afirmações não são definições completas de Deus – não tem como defini-lo no sentido estrito do termo – mas revelam o que ele é em sua natureza. “Deus é amor” significa que ele não somente é a fonte de todo amor, mas é amor em sua própria essência. É importante, entretanto, lembrarmos que se Deus é amor, ele também é espírito, luz e fogo consumidor. Temos de manter em harmonia estes aspectos do ser de Deus, pois só assim poderemos compreender como um Deus, que é amor, castiga os ímpios com ira eterna. Conforme escreveu John Stott em seu comentário de 1João 4.8 e 16, “Aquele que é amor é luz e fogo também”. “Fogo” e “luz” são metáforas, é verdade. Mas, metáforas apontam para realidades. No caso, elas querem simplesmente dizer: “Deus é santo, verdadeiro, ele se ira contra o pecado e não vai tolerar a mentira. Ele punirá os pecadores impenitentes”. Basta ler o contexto das passagens citadas acima para que se verifique o que estou dizendo. Portanto, não sendo a única passagem que se refere a Deus usando o verbo ser, “Deus é amor” não pode ser entendida como uma definição exclusiva da essência de Deus, enquanto que tudo o mais que é dito sobre Deus usando-se o mesmo verbo ser é entendido como atributos secundários. Isto é exegese preconceituosa. 2 – Na revelação que fez de si mesmo, Deus sempre manifesta o equilíbrio perfeito entre os seus atributos, entre amor, misericórdia e compaixão, de um lado, e justiça, retidão e santidade, de outro. Há várias listas destas qualidades de Deus no Antigo Testamento, mas tomo apenas uma, bem representativa. Moisés desejou ver a Deus e Deus se fez revelar pela proclamação de seus atributos: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Ex 34:6-7). Impossível não notar o equilíbrio entre amor e justiça, misericórdia e ira. 3 – Alguns querem fazer a diferença entre amor e atributos, dizendo que Deus é amor em sua essência e que seus atributos estão subordinados ao amor. Os pontos 1 e 2 acima já são suficientes para mostrar que não podemos dizer que Deus é somente amor. Mas, tudo bem. Vamos conceder, apenas para argumentarmos, que o amor de Deus, por ser a sua própria natureza, prevalece sobre seus atributos, como justiça e santidade, por exemplo. O que isto quer dizer? Que em determinadas situações Deus deixa de ser santo, justo, reto e verdadeiro para mostrar amor? Alguém pode me mostrar uma única passagem na Bíblia onde Deus agiu de maneira injusta, desleal, mentirosa e preconceituosa em nome de sua natureza amorosa? A maior manifestação do amor de Deus foi enviar seu Filho Jesus Cristo para morrer por pecadores para satisfazer a sua justiça e as demandas de sua santidade. Se Deus fosse amor do jeito que esse pessoal diz, ele teria simplesmente deixado sem castigo os pecados e perdoado todo mundo, sem precisar castigar seu Filho amado em lugar de pecadores. Mas, não é isto que a Bíblia diz. Portanto, o fato de que Deus é amor em momento algum anula o outro fato, que ele é santo, justo e reto. 4 – Basta olharmos a história bíblica para percebermos que este Deus que é amor não deixou de mandar o dilúvio para destruir o mundo dos ímpios e nem fogo do céu para destruir Sodoma e Gomorra e nem ainda de castigar os anjos que se rebelaram contra ele. Na verdade, o apóstolo Pedro usa todos estes episódios narrados no Antigo Testamento como tipo ou figura do castigo eterno que Deus tem preparado para os libertinos, ímpios e pecadores impenitentes: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo” (2Pe 2:4-10). Comentando os mesmos episódios, Judas diz que eles são “exemplo do fogo eterno” (Judas 7). 5 – Outro ponto: será que Deus só ama os pecadores e ímpios? Não ama ele aqueles de seu povo que foram injustiçados, violentados, torturados e mortos pelo nome de Cristo? O Deus que é amor é o mesmo Deus que tomará vingança daqueles que maltrataram, perseguiram e mataram seu povo. É assim que Paulo conforta os crentes da cidade de Tessalônica, que estavam passando por severa perseguição: “É justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam; e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tess 1:6-10). Este conforto que Paulo oferece na passagem acima é bem vazio se todos serão salvos, inclusive os torturadores, assassinos e perseguidores do povo de Deus através da história. Paulo não conforta os crentes perseguidos dizendo que no final todos serão salvos, inclusive os seus perseguidores. Ao contrário, Paulo emprega a justiça de Deus e a condenação eterna deles como consolo para os atribulados. E onde ficam as palavras de Deus dada aos mártires, que nos céus clamavam por vingança? “Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram” (Ap 6:9-11). Esses mártires conheciam a Deus tão bem a ponto de darem suas vidas por ele. Será que pediriam o castigo de seus verdugos a Deus se acreditassem que, sendo amor, Deus iria salvar a todos no final? E por que Deus, caso pretendesse salvar tais ímpios da condenação eterna, consolou os mártires dizendo que aguardassem mais um pouco e então seu pedido seria atendido – é só ler o resto do livro de Apocalipse para ver que estes ímpios, junto com Satanás e seus anjos, serão atormentados para sempre no lago de fogo e enxofre, a segunda morte (Ap 20:10; 21:8). 6 – Deus é amor. E se tem uma coisa que ele ama acima de tudo é o seu Filho Jesus Cristo, várias vezes chamado na Bíblia de “o Amado” (Mt 3:17; 17:5; Ef 1:6; Col 1:13; etc.). Contudo, submeteu-o ao sofrimento do inferno eterno durante aquelas poucas horas na cruz, a ponto de, antes, Jesus ter pedido três vezes para ser poupado (Getsêmani) e de gritar na cruz, “por que me desamparastes?” O que Deus fará, pergunta o escritor de Hebreus, aos que desprezam Jesus Cristo? “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:29-31). As Escrituras deixam claro que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Não há um único justo. Todos merecemos a condenação eterna. O amor de Deus consiste em resgatar os que ele quis da justa condenação, não sem antes ter providenciado a satisfação requerida por sua santidade. Mesmo que somente um fosse salvo da condenação eterna pelo sacrifício de Cristo, o amor de Deus já teria triunfado sobre o pecado e a morte. Não tenho prazer na realidade do sofrimento eterno. Não prego sobre o inferno com satisfação. Tento fazê-lo com lágrimas nos olhos. Mas confesso que não consigo perceber no conceito da punição eterna qualquer injustiça, crueldade, maldade, ou falta de amor em Deus.

Linus ou Noel?

Por K. Scott Oliphint
 Ultimamente, têm havido uma série de tentativas de livrar-se de qualquer tipo de celebração ou reconhecimento público do verdadeiro sentido do Natal. A última que li dizia respeito a um grupo ateu que queria banir “A Charlie Brown Christmas” [no Brasil, Feliz Natal, Charlie Brown ] da televisão. Essas tentativas não nos surpreendem; como foi desde o início, agora e para sempre, o mundo odeia Jesus, e o odiarão sem causa (Jo 15.25). Papai Noel e bonecos de neve não ofendem, mas Linus, em cadeia nacional, citando Lucas 2.8-14 como o verdadeiro significado do Natal não pode ser tolerado. Algo que li recentemente, entretanto, foi ainda mais perturbador. Um pastor que se diz ortodoxo e evangélico estava defendendo que a única maneira bíblica de entender Deus era por meio de uma “Cristologia kenótica”. A palavra “kenótica” é retirada de Filipenses 2.7, onde Deus diz (por meio de Paulo) que Cristo “esvaziou-se a si mesmo”. A palavra grega para “esvaziou” nos dá a palavra “kenótico”. Há diferentes versões de teorias da kenosis, dependendo das diferentes visões do que, exatamente, Cristo esvaziou-se. Qualquer que seja a versão ou visão, entretanto, o kenoticismo defende que Cristo abriu mão de alguns aspectos, ou talvez de todos, da sua divindade essencial. Ele parou, de alguma forma, ou totalmente, de ser Deus. Mas cristãos que desejam manter o título de “ortodoxo” ou “evangélico” devem reconhecer que nenhuma versão da cristologia kenótica pode misturar-se com essa classificação. Assim como J. Gresham Machen censurou o liberalismo por sua desonestidade, também é o caso aqui. Todos são livres para defender uma perspectiva tão aberrante quanto o kenoticismo, mas ninguém é livre para fingir que essas perspectivas são ortodoxas. Como o liberalismo, a cristologia kenótica não pode ser transplantada no cristianismo ortodoxo; ela deve ser corretamente rejeitada como uma substância estranha em um corpo saudável e em crescimento. As razões para isso são tão básicas quanto a própria ortodoxia. Primeiro, o texto de Filipenses 2.7 explica o que “esvaziou” signifca. Paulo não diz que Cristo esvaziou-se a si mesmo de sua onipotência ou de sua onisciência, ou mesmo de sua divindade, é algo muito mais radical que isso. Paulo diz que Cristo esvaziou a si mesmo. Se nada mais fosse dito, então a conclusão seria que Cristo tornou-se uma pessoa completamente diferente; o “eu” que Cristo era já não existia. Mas Paulo deixa claro que o esvaziamento de Cristo inclui o fato de ele não considerar a igualdade com Deus algo a que devia apegar-se (Fp 2.6). Ou seja, houve um ponto (na eternidade) em que o Filho de Deus concordou com sua própria humilhação; ele concordou com um auto-esvaziamento. Mas Paulo prossegue dizendo que o auto-esvaziamento voluntário de Cristo foi por adição, não subtração. Ele esvaziou a si mesmo, não subtraindo sua divindade (que é impossível), mas assumindo a forma de servo. Isto é, o esvaziamento de Cristo envolve assumir algo (uma natureza humana) que em si pressupunha humildade (uma humildade, devemos destacar, que essa passagem afirma que os cristãos devem imitar). Segundo, não há maneira de defender uma visão ortodoxa (i.e., bíblica) da Trindade se Cristo esvaziou-se de sua divindade. Visto que Cristo é em primeiro lugar o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade, ele deve ser sempre essa pessoa, e ele deve sempre ser total e completamente o Filho de Deus. Se ele fosse esvaziar-se de sua divindade, então haveria uma “bindade”, não uma Trindade. Não apenas isso, mas se Cristo esvaziou-se de sua divindade, então Deus poderia, de fato, negar a si mesmo (2 Tm 2.13); ele poderia tornar-se o que essencialmente ele não é. Assim como Deus não pode mentir (Nm 23.19, Rm 3.4, Tt 1.2, Hb 6.18), ele não pode mudar seu caráter como Deus. Essa verdade não apenas fundamenta a glória de quem Deus é, mas também fundamenta nossa confiança em sua fidelidade (Hb 6.13-20). Terceiro, se o Filho de Deus fosse abrir mão de sua divindade, não haveria salvação para o homem. Expressando, como faz a Escritura, da maneira mais simples: a mensagem de Natal é que aquele que salvará o povo de Deus dos seus pecados é “Deus conosco”, Jesus Cristo (Mt 1.21-23). Se deve haver salvação, ela terá de ser conquistada por aquele que é Emanuel; ela não poderia ser conquista por aquele que costumava ser Deus, mas por aquele que agora está conosco. Os judeus que estavam cegos para a identidade de Cristo como Deus eram, de acordo com Jesus, não de Abraão, mas do próprio diabo. Abraão alegrou-se ao ver o dia em que o “Eu Sou” viria para redimir seu povo. Quando Jesus chamou a si mesmo de “Eu Sou”, os judeus sabiam que ele tinha se feito igual a Yahweh do Antigo Testamento. Assim, ele pegaram pedras para jogar nele (Jo 8.48-59). Salvação – em sua apresentação claramente revelada (e prospectiva) no Antigo Testamento, assim como sua apresentação claramente revelada (e já/ainda não) no Novo Testamento – exige que Deus condescenda a estar com seu povo, e esteja com eles para redimi-los, e tudo para sua glória. Nenhuma divindade desnuda pode fornecer salvação real. Escritura e história não fazem sentido se aquele que veio para nos salvar é apenas um de nós. Um Natal kenótico é um Natal Papai Noel; seu foco está apenas sobre um homem especial, não sobre o Deus-homem. É um Natal que oferece desejos e presentes, que deixa sua marca em algum tipo de mensageiro “especial”. Ele desvanece tão logo a realidade de um Ano Novo traz seus inevitáveis arrependimentos. É o “natal” do homem, que não é Christmas afinal, mas Manmas. [N.T.: como o trocadilho era quase intraduzível para o português, preferimos manter o original]. A mensagem do Natal é a mensagem de toda a história redentiva, de Gênesis 3 ao novo céu e nova terra. Desde a entrada do pecado no mundo, e em nós, há uma guerra cósmica em andamento. Não haverá paz nessa guerra até e a não ser que o Príncipe da Paz venha para vencer o inimigo. Essa vinda do Príncipe da Paz é claramente apresentada ao povo do Senhor no Antigo Testamento. Ela alcança seu clímax, quando o tempo se cumpriu, na Encarnação do Filho de Deus. Tão magnífico foi esse clímax – tão espetacular e majestoso – que seu anúncio veio por meio de um anjo e, “no mesmo instante” isso provocou uma “uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus” (Lc 2.13-14). Esse anúncio incluiu a verdade central de que aquele que estava vindo é “Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Aqueles que ouviram esse anúncio teriam sabido, imediatamente, que este não era um mero profeta que estava por vir, nem alguém simplesmente superior aos outros que vieram antes. Aquele era “o Senhor”, era Aquele que esteve lutando, guiando e redimindo seu povo por toda a história redentiva. O “Eu Sou” (Ex 3.14) da história redentiva estava prestes a nascer. O que Deus estava prestes a realizar em seu Filho somente poderia ser forjado por uma sabedoria sobrenatural, uma sabedoria do alto, e nunca pela sabedoria deste mundo (1 Co 1.20-25). O natal do homem é fabricado e centralizado no homem. Mas o Natal é aquilo que olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem o coração do homem jamais imaginou (1 Co 2.9). O milagre do Natal é o milagre da livre decisão do Deus Triuno em criar e redimir um povo para si mesmo. É o milagre do compromisso eterno de Deus de executar o plano da redenção na história. É o milagre de Deus comprometendo-se a um sacerdócio real (1 Pe 2.9). É o milagre da graça, o milagre do favor imerecido. É o milagre da paz cósmica ainda porvir, mas já cumprida. É o milagre da vida ressurreta. É o milagre de um novo céu e uma nova terra. É o milagre da glória de Deus, uma glória que manifesta-se semelhantemente ao homem pecador. É o milagre de Deus Filho, embora permanecendo Deus, também ser um de nós, e poder sofrer e morrer, para que possamos viver eternamente. Em nenhuma outra época do ano tantos, que não conhecem esse milagre, ouvem (talvez até cantem) “Cantai Que o Salvador chegou”. Em nenhuma outra época, tantos inimigos da cruz ouvem (talvez até cantem) “Ó vinde, adoremos”. Em nenhum outro tempo, tantos que anseiam por autonomia ouvem (talvez até cantem) “Vinde todos lhe rogar que nos venha abençoar. Deste mundo a luz é o Senhor Jesus”. Em nenhum outro tempo, tantos que adoram e servem algo criado ouvem (talvez até cantem) “Cristo, o Filho entronizado, Sua glória abandonou. Entre os homens, humilhado, cruz e morte suportou. . É bondosa a Divindade. É feliz a humanidade. Esperança de Israel é Jesus, Emanuel”. Cristãos cantam essas palavras, pela graça de Deus, como a verdade do Evangelho. Outros que as ouvem (ou cantam) são chamados a respondê-las com arrependimento e fé. Somente se o Natal é “Deus conosco” sua verdadeira mensagem pode ser pregada e cantada. Cristãos creem e ouvem essa mensagem todo dia, não apenas uma vez ao ano. Mas os inimigos de Cristo precisam ouví-la desesperadamente; somente ao ouví-la há alguma esperança de verdadeira e duradoura paz com Deus para eles. Então, talvez uma ou duas vezes mais, muitos ouvirão Linus lembrar Charlie Brown do verdadeiro significado do Natal – “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Oh vem, oh vem, Emanuel! Redime o povo de Israel, Que geme em triste exílio e dor E aguarda, crente, o Redentor! Dai glória a Deus! Emanuel Virá em breve, oh Israel!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

SAL SEM SAL?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). 

Quando era criança, este autor foi vítima de uma brincadeira de 1º de abril, feita por sua irmã, também criança. Ela lhe fez um cafezinho, o primeiro cafezinho que fez na vida. E deu para o irmão, que, todo prosa, o bebeu. Puxa, era o primeiro café feito pela irmã, e ela fez para ele! Mas ela o havia temperado com sal. Bebi e cuspi, imediatamente, ao primeiro gole. Que coisa horrível! Café com sal! O café, depois que ela adoçou outra xícara com açúcar, estava bom. Mas o sal estragou a primeira xícara. Neste texto Jesus não quer dizer que devemos estragar o mundo. Ele não falou de colocar sal no café dos outros. Mas o episódio do autor ajuda a entender o que Jesus disse. O sal é marcante. Não é neutro. Deixa seu sabor onde é colocado. O sal não fica com gosto do arroz, mas o arroz fica com sal. Jesus pediu e esperava que seus discípulos deixassem marcas no mundo ao invés de serem marcados por ele. Hoje, infelizmente, muitos seguidores de Jesus trazem mais traços do mundo em sua vida que deixam seus traços cristãos na vida do mundo. Isto é muito triste. Não é o propósito do Senhor Jesus para os que são seus. Não deve ser assim conosco. O SAL – VALOR NA COMIDA, NÃO NO SALEIRO Muitos pensam que seguir a Cristo é louvar, adorar, cantar dentro de um prédio, isolados do mundo, como se vivêssemos em um gueto. Para essas pessoas, basta ir a uma igreja e se soltar no culto. Pronto! Já fez o que se espera de um cristão! Mas a maior parte dos ensinos de Jesus se deu na rua, e seu propósito era que seus seguidores exercessem influência na sociedade, marcando-a com seus valores. Cantar e adorar a Deus não são errados. São certos. Devemos fazer isso. O erro é pensar que seguir a Cristo seja só isto, e viver o evangelho só no culto. A verdadeira cristã não é a que acontece no templo, mas a que se mostra no nosso caráter, na rua, em casa, na escola, e que deixa clara a presença de Jesus em nossa vida. O valor do sal não é no saleiro ou num saquinho, mas no seu uso, temperando a comida. Da mesma maneira, o grande valor do cristão não está no que ele faz num prédio chamado igreja, mas no que ele faz fora da igreja. Mais que ouvir nossos cânticos, o mundo precisa ver o evangelho em nossas vidas. O SAL – UMA EXPLICAÇÃO A argumentação de Jesus é muito bem construída. Ele faz uma declaração (“vós sois o sal da terra” ), e joga com uma possibilidade que muitos julgam ser impossível (“se o sal se tornar insípido”) e faz uma aplicação obvia, mas profunda: se o sal não salgar, deve ser jogado fora. Na afirmação, o “vós” é enfático. Os discípulos são sal, e devem ter utilidade, ele acentua com firmeza. Se não, que valor eles têm? De que serve para o reino de Deus um seguidor de Jesus que age como se fosse um incrédulo? Ele é insípido, como o mundo. Sem gosto algum! É uma figura para ser bem pensada. Jesus ensina que o menor pode agir sobre o maior. A quantidade de sal é menor que a do alimento que ele deve salgar. Não se usam três xícaras de sal para três xícaras de arroz! Basta uma pitada. Não se põe um quilo de sal num quilo de carne. Quem a comeria? Basta pouco sal. As figuras mais usadas por Jesus dão a idéia do menor agindo sobre o maior (sal, luz, fermento e chave). Não precisamos ser maioria. Devemos ser marcantes e influenciar a maioria. Devemos marcar o mundo e não sermos omissos ou marcados por ele. E não devemos nos intimidar porque somos minoria. Jesus nunca pensou que seríamos maioria: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram” (Mt 7.13-14). Não é a quantidade, mas o caráter do seguidor de Jesus que importa. O SAL – A NEGAÇÃO O sal, se perder sua salinidade, perde o valor, para nada presta. Muita polêmica se travou sobre esta declaração de Jesus. Alegou-se que o sal não perde seu sabor, por causa do cloreto de sódio. Mas o sal dos charcos, pântanos e rochas próximos ao Mar Morto tem um alto teor de gipsita e de outras impurezas. Ele perde seu sabor e se torna arenoso. Assim, era usado como areia, jogado nas ruas enlameadas das cidades da Palestina, para diminuir a lama. Como se fosse areia. Ao invés de salgar o mundo, era pisado por ele. Triste figura do cristão sem bom testemunho. Mas também acontece que substâncias estranhas adicionadas ao sal levam-no a perder a sua característica. Que lição para nós! Tudo aquilo que é estranho ao caráter cristão e que deixamos adicionar a nossa vida faz-nos perder nossa identidade e nossa capacidade de marcar o mundo! Por isso, nada de assumir valores morais do mundo como nosso padrão de conduta! Muitos seguidores de Jesus têm fracassado neste ponto. A pretexto de não serem ultrapassados, fanáticos ou preconceituosos, acabam aceitando todo o padrão moral de um mundo perdido, e se acostumam (o pior é quando até praticam!) com as obras do mundo. Precisamos ser cautelosos. Não é necessário ser um eremita, alguém vivendo na Idade Média, mas não podemos nos tornar como as pessoas que não conhecem a Jesus nem seu evangelho. Não podemos agir e viver como o mundo! Perderemos nosso sabor! E sal insípido só serve para ser jogado fora. Deixa de marcar e se torna pisado. O SAL – A APLICAÇÃO O valor primário do sal, naqueles tempos, não era temperar, mas preservar (como se faz com o charque, hoje). Os seguidores de Jesus devem ser obstáculo à corrupção do mundo. Devem viver de maneira que sinalizem aos demais a presença de Cristo em suas vidas. Devem viver os valores do reino. Nossa presença no mundo é uma bênção que o mundo, infelizmente, não reconhece! Devemos ser um freio à maldade, à corrupção, à presença do maligno nesta sociedade (1Jo 5.19). Um cristão prejudica o mundo quando cede às pressões do mundo. Porque só ele pode salgar um ambiente insosso, impedindo que ele se estrague. A epístola a Diogneto, um documento cristão do segundo século, diz que o mundo seria destruído se não fosse a ação dos cristãos (cps. 5-6). O evangelho salvou o mundo de uma catástrofe. Precisamos ter isto em mente. O evangelho não é repressivo, como pessoas sem Deus gostam de dizer. O evangelho mostra por onde andar para não se frustrar mais tarde. Não é um par de algemas, mas uma trilha que orienta por onde caminhar. Por causa desta necessidade que o mundo tem de modelos de vida equilibrados e sensatos, é que devemos testemunhar com o nosso caráter, com boas obras e com uma vida reta. Isto é muito necessário para o mundo. É possível viver uma vida reta diante de Deus! Temos que mostrar isto com nossa conduta. Compreendemos com esta metáfora o que Jesus espera de nós? E compreendemos também que, sem um bom testemunho a nossa vida cristã é inútil? CONCLUSÃO Seguir a Jesus não é um chamado para ter uma vida de contemplação mística, e viver enfurnado num prédio, mas é um chamado a agir no mundo. A verdadeira fé não é a que manifestamos nos cultos, mas é aquela que marca nossa vida e depois aparece em nossos relacionamentos sociais. Somos sal. Temos que preservar e temos que dar o sabor a este mundo. Se não o fizermos, o mundo não terá sabor e se corromperá mais rapidamente. E, se não o fizermos, perderemos nossa utilidade. Seja sal. Deixe suas marcas onde você estiver. Seja o tempero de um mundo insosso. Você é um cristão. Deve salgar. E cuidado: não seja sal sem sal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Maria, cheia de graça. E os outros, como ficam?

Por Lucas Banzoli 
 Há uma discussão muito grande no meio apologético, se Maria era “cheia de graça” ou “agraciada”. Sei que entrar na discussão sobre o original grego de Lucas 1:28 é pura perda de tempo. Ambos os lados estão armados até os dentes com argumentos que tem por base o original grego, mais especificamente com relação a uma palavrinha quase mágica, chamada “kecharitomene”. Bem, eu vou dizer aqui neste site anticatólico uma coisa que pode apavorar muitos crentes: -Sim, eu creio que Maria é “cheia de graça”! “Nossa, Lucas, agora você foi radical, pegou pesado, virou mariano!”, você poderia dizer. Calma. Antes que você discorde do que escrevi e me crucifique, é importante que você entenda exatamente o que estou querendo dizer: -Eu creio que todos os cristãos (não apenas Maria) que alcançam o favor divino são cheios da graça de Deus! Isso mesmo. Às vezes eu fico abismado em ver o bate-boca que se resume se Maria é o ou não “cheia de graça”, quando, na verdade, o ponto principal não tem nada a ver com isso, mas sim se os demais cristãos são desprovidos dessa plenitude da graça, que seria um atributo único e exclusivo de Maria. Portanto, o que deveríamos tentar fazer é ver se, biblicamente, os demais cristãos são cheios de graça ou se tem uma “graça pela metade”, ao invés de discutirmos se Maria era ou não era cheia de graça, o que é uma discussão secundária, importante somente para os devotos marianos fanáticos. A verdade bíblica é que todos aqueles que são preenchidos com a graça de Deus são “cheios de graça”. Não existe ninguém com uma “graça pela metade”. Deus não olha para um ser e diz: “Puxa vida, eu não fui muito com a tua cara. Vou te dar uma ‘meia-graça’, e é bom que fique contente com isso”! Aí ele olha pra outro e diz: “Você é mais simpático, vou te dar 80% de graça. E se você for muito bonzinho, fizer boas obras, pagar penitência e subir as escadarias da catedral de joelhos, vai ganhar uma promoção e terá 90% de graça! Daqui a pouco você chega lá”! Não, não, não... Essa teologia de “muita graça” e “pouca graça” é totalmente falida, antibíblica e cheia de engano. Deus não dá uma graça “meia-boca” ou “pela metade”. Ele sempre a dá sem limitações: “Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida” (João 3:34) A Nova Versão Internacional traduz este verso da seguinte maneira: “Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações” (João 3:34) Portanto, Deus não dá do Seu Espírito “por medida”. Ele não o dá “limitado” a alguém, que fica “somente com uma parte”. Não. Ele dá o Seu Espírito completamente. É por isso que a Bíblia sempre diz que somos cheios do Espírito Santo (At.4:8; 7:55; 13:9; 9:17; Lc.1:55; 1:67), e não incompletos do Espírito Santo, tendo apenas uma parte dEle em nós. Acontece que com a graça divina é a mesma coisa que ocorre. Se Deus concede a nós o Seu Espírito de forma completa, de tal modo que ficamos “cheios” dele, então ele também não dá uma graça “incompleta”, pois o Espírito Santo é tão ou mais importante do que a própria graça de Deus. O Espírito Santo é uma pessoa, a graça não. O Espírito Santo é o próprio Deus, a graça é somente um favor de Deus. E, se a graça é um favor divino, o Espírito Santo é muito mais (Lc.11:13). Sendo assim, ser “cheio do Espírito Santo” é algo tão ou mais forte e significativo do que ser “cheio de graça”. Negar isso é inferiorizar o valor e importância do Espírito Santo na vida do cristão. E o que nós vemos é que todos os cristãos são “cheios do Espírito Santo”, e não apenas Maria: “Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: Autoridades e líderes do povo...” (Atos 4:8) “Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou” (Lucas 1:67) “Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus” (Atos 7:55) “Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse” (Atos 13:9) “Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor” (Atos 11:24) “Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento” (Lucas 1:55) “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo” (Atos 9:17) Em outras palavras, vemos que: 1º O Espírito Santo é um favor divino tão grande quanto a graça ou até maior. 2º Todos os verdadeiros cristãos são cheios do Espírito Santo, pois Deus não dá o Seu Espírito por medida, limitamente. 3º Sendo assim, a graça de Deus (que é outro favor divino) deve seguir este mesmo caminho: ela é dada liberalmente, e não por medida! Ora, se ser cheio do Espírito Santo é algo tão ou mais profundo do que ser cheio de graça, então este último não implica em ser imaculado ou sem pecado, pois todos aqueles que foram cheios do Espírito Santo, inclusive desde antes do nascimento (como é o caso de João Batista – Lc.1:55), pecaram. Vemos, portanto, que o argumento católico em favor da imaculada conceição de Maria tendo como única base bíblica o polêmico texto de Lucas 1:28 é no mínimo falaciosa. Se João Batista era cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento e isso não o impediu de pecar, por que Maria deveria ser imaculada pelo simples fato de que (segundo os católicos) ela teria sido cheia de graça desde antes do nascimento? Não faz sentido, a não ser que o valor do Espírito Santo seja menor do que a graça. O que vemos é que o argumento católico é totalmente falacioso e sem sentido. Ser cheio de graça não é ser livre de pecado, mas ser cheio de favor divino. Graça é isso: favor imerecido. Ser cheio de graça implica, não em não poder mais pecar para o resto da vida, mas sim que Deus está em seu favor, ajudando-o. Mesmo Deus sendo totalmente a favor de todos os grandes homens do povo de Deus no passado, todos eles pecaram ao mínimo uma vez na vida. Por que com Maria deveria ser diferente? Além disso, biblicamente Maria não é a única pessoa a ser considerada “cheia de graça” por Deus. A Sagrada Escritura dá o seguinte testemunho acerca de Estêvão: “Estêvão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais entre o povo” (Atos 6:8) Aqui vemos que Estêvão também era “cheio de graça”; portanto, tal coisa não era nem nunca foi “exclusividade” de Maria. A expressão usada aqui para Estêvão é no original grego χαριτος [charitos], que é exatamente a mesma de onde provém a palavra grega “kecharitomene”, que foi dirigida a Maria. Ambas são do verbo “charitoô”, e significam “favorecer” ou “encher de favores”. Portanto, Estêvão também era “cheio de graça” [charitos] tanto quando Maria era “cheia de graça” [charitos]. Alguns católicos argumentam que o tempo verbal para Maria em Lucas 1:28 é diferente do tempo verbal para Estêvão em Atos 6:8. Que grande descoberta! Que diferença faz? Os católicos argumentam que o tempo no particípio perfeito significa que Maria sempre foi cheia de graça, diferentemente de Estêvão, que teria recebido graça a partir daquele momento. Mas eu continuo repetindo: Eeee... daí? Isso não muda nada. Será que depois de Atos 6:8 Estêvão passou a ser “imaculado”? É claro que não. Então, tal palavra não tem nada a ver com cometer ou não cometer pecados. Se ela foi aplicada a Estêvão e nem por isso Estêvão deixou de ser pecador nem por um instante, então mesmo se a interpretação católica estivesse correta e implicasse que Maria sempre foi cheia de graça, isso igualmente não implicaria que Maria não era pecadora. Além disso, o verbo se encontra no particípio presente porque o anjo quis corroborar com as palavras de Isaías em Isaías 7:14, que profetizou, há muito tempo antes, que uma virgem conceberia. Portanto, a razão do verbo no particípio presente não tem nada a ver com Maria nunca ter pecado (pois já vimos que charitos jamais implicou em não ter pecados), mas sim para indicar que a graça recebida por Maria já era algo esperado e anunciado desde há muito tempo (antes do nascimento da própria Maria), pois o próprio Deus já havia predito, muitos séculos antes, que uma virgem seria escolhida para dar a luz ao Salvador do mundo. Prova disso é que logo em seguida, no verso 30, o mesmo verbo é aplicado no tempo presente (o mesmo que foi aplicado para Estêvão e para os demais), e não mais no particípio perfeito: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça [χαριν [charin] Acus. Sing] diante de Deus” (Lc.1:30). Além disso, vemos, biblicamente, que todos os cristãos são cheios de graça (não apenas Maria e Estêvão), pois Paulo se referiu a todos os cristãos quando disse: “para o louvor da glória da sua graça, com a qual nos encheu de favores (ou “nos encheu de graça”, echaritôsen) no Amado” (Ef.1:6). Essa passagem de Efésios nos diz que Deus nos “encheu de graça”, e Paulo usa precisamente o mesmo verbo charitoô, apenas mudando o tempo verbal, o que obviamente não muda o significado do verbo. Vemos também o apóstolo Paulo dizendo com respeito a todos os cristãos o seguinte: “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (2ª Coríntios 9:8)

Informação ou conhecimento?

Por Gabriele Greggersen 
Fiquei bastante intrigada nesses dias com a notícia de que todos os produtos do supermercado devem conter a informação sobre os impostos devidos ao governo, embutidos no preço. Como bem observou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, essa nova resolução é impraticável, já que isso aumentará o custo dos produtos, o que reverterá sobre o preço. Tirando esse aspecto bastante paradoxal, há outro detalhe que penso ser digno de nota: essa informação é útil? Não é só pelo aspecto de que sejam raros os consumidores que leem as informações contidas na embalagem dos produtos (quem sabe eu pudesse me limitar a dizer que sejam “raros os consumidores que leem”....), mas mesmo que eles leiam, que efeito essa informação terá na vida do consumidor? Pois, se essa pergunta não é feita, a informação valerá pela mera informação, e não como conhecimento útil. Na prática, pouco ou nenhum efeito terá a informação sobre o fato de pagarmos impostos absurdos toda vez que vamos ao supermercado. Poderíamos comparar essa resolução com aquela do “ficha limpa”. Neste último caso, a informação, ao atingir o eleitor, terá efeitos visíveis e concretos. Mas que efeito se poderá esperar da informação sobre o imposto do produto? Quem sabe ficaremos mais apreensivos e se tivermos os meios de influenciar a cobrança de impostos, quem sabe essa informação mude alguma coisa. Você pode me dizer que sou cética, que a informação sempre é válida, que as pessoas, ao se conscientizarem de certas realidades, poderão alterá-la. O que me incomoda nessa teoria é a crença de que só a informação possa alterar a realidade. Mas enquanto tal informação não for canalizada para se tornar conhecimento, de nada ela adiantará para alterar a realidade. Somos diariamente bombardeados por informações. Mas quantas delas alterarão nossa vidas na prática? Quantas são as pessoas que na sociedade da informação reduzem o conhecimento ao dado? Cremos piamente que “a voz do povo é a voz de Deus”. E se o povo estiver errado? E se a crença na democracia for uma falsa impressão de justiça, que é um passo além da democracia? E quantos sabem o que a democracia significa na prática? No mundo cristão, quantos são os cristãos que confundem conhecimento com informação? Quantos são os que vão à igreja à espera de informação, e não de conhecimento transformador? E quantos são os pastores que atendem a tal expectativa para manter o seu público interessado? E quantos são os pregadores, eles mesmos, que confundem conhecimento e informação? Se a informação fosse conhecimento, a igreja seria logo substituída pela pregação virtual. E onde fica a comunhão? Não sou contrária à sociedade da informação, mas sou muito mais favorável à sociedade do conhecimento. Enquanto a informação é como o dado colhido no laboratório pelo médico, o conhecimento é a prescrição completa que o médico formulará com ajuda dos dados. A diferença entre as duas coisas é significativa. Conhecimento tem a ver com intimidade, com convivência com diálogo e com transformação.

O maior no Reino de Deus

Por Maurício Zágari 
Cada civilização contém conceitos que são considerados as maiores virtudes entre as pessoas que a formam. Na Grécia antiga, por exemplo, o poder de argumentação era tão valorizado que existiam escolas voltadas especificamente para ensinar a debater. Em certas tribos aborígenes, trair alguém antes de matá-la dava status, como revela o livro O totem da paz. Também não são poucas as sociedades ao longo da História em que os mais fortes fisicamente são e foram os mais louvados. A espiritualidade e a obediência ao Alcorão são bem vistas em culturas islâmicas. Em certas sociedades orientais, a honra era vista como o valor principal de um homem. E na nossa? O que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21, em que eu e você estamos imersos? Basicamente o que chamo de “os três F”: fama, fortuna e físico. Quer ser o maior entre os seus semelhantes no Brasil de hoje? Então seja famoso: destaque-se, apareça mais que os outros, seja venerado, que muitos olhos se voltem para você. Ou então ganhe muito dinheiro, ostente carros caríssimos, more numa mansão, demonstre como você é bem-sucedido financeiramente. Por fim, tenha um aspecto físico invejável, seja por uma beleza natural ou por recursos como malhação, cirurgias plásticas, implante de silicone, botox, cabelos bem cortados – ou ainda, por roupas e sapatos caríssimos e da grife que está na moda. Pronto. Você será visto com destaque, valorizado, bajulado, invejado, amado. Mas… e no Reino de Deus? O que destaca alguém? Acredite: o exato oposto daquilo que dá destaque a um indivíduo na cultura ocidental do século 21: Humildade. O pecado de Satanás foi a arrogância. Ele quis ser mais do que era. Deu no que deu. Podemos contrastar sua atitude com a do grande profeta João Batista, sobre quem o próprio Jesus disse: “Eu lhes digo que entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João” (Lc 7.28). Sendo João isso tudo, ele mesmo afirmou: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias” (Mc 1.7). João sabia quem era. Mas, mesmo sendo o maior de todos os que haviam nascido em toda a história da humanidade, ele conhecia seu lugar. Sabia que era pó. Que exemplo para todos nós… Nossa civilização nos condicionou a querer sempre um lugar de destaque. Um emprego que nos projete. Títulos. Nosso nome escrito em letras de neon. Elogios. Um ego muito bem nutrido por palavras que mostrem como nós somos grandiosos. Mas o que Jesus ensina contraria de frente essa mentalidade: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. (Mt 5.5). Que diferença! E a afirmação que não deixa dúvida alguma (peço que você leia essas palavras de Jesus com muita atenção): “Quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus” (Mt 18.4). Humildade na terra, grandeza no Céu. Diminuir para crescer. Jesus é o único digno de abrir o livro, Jesus é o maior, Jesus é maravilhoso, Jesus é o Altíssimo, Jesus é Criador, Jesus é o Caminho, Jesus é amor, Jesus é o santíssimo, Jesus é o Onipotente, Jesus é tudo. No entanto: “Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus; assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura. [...] Disse Pedro: “Não; nunca lavarás os meus pés”. Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não terá parte comigo”. [...] Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz? [...] Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz” (Jo 13.1-15). Permita-me perguntar: qual foi a última vez que você seguiu esse exemplo e “lavou os pés” de alguém menor do que você? Entre nós, cristãos, certas características nos dão destaque no meio dos irmãos. O santo se acha mais santo do que os outros. O que ora muito crê que isso o torna mais especial do que os demais. O pecador condena quem julga que é mais pecador do que ele. O que tem um cargo na igreja se acha mais do que o que não tem. O que manifesta um dom se acha mais agraciado por Deus. Em resumo, eu e você não estamos isentos de nos acharmos os tais porque fazemos ou somos algo que nos põe numa posição de destaque. Já parou para pensar por que os cristãos são tão fascinados por escândalos? Já parou para pensar por que amamos falar sobre aquele pastor famoso que caiu em adultério? Já parou para pensar por que comentamos salivando que a cantora gospel famosa rastejou no palco? Já parou para pensar por que temos um prazer indizível em comentar o último pecado que fulano cometeu? Em suma, já parou para pensar por que temos o prazer sádico de tricotar entre nós quando algum outro cristão incorre em desgraça? Porque isso faz com que nós nos sintamos superiores. Pura e simplesmente isso. É um sentimento mesquinho que, até inconscientemente, nos faz pensar “não sou tão mau assim, afinal fulano é um tremendo pecador, muito mais do que eu, que vivo tão corretamente”. É por isso que a maioria prefere segregar o pecador e não lhe dar um único telefonema para saber como ele está em vez de se aproximar, amar, dar ombro, dar afeto, ajudar em sua restauração: porque gostamos demais de nós mesmos para gostarmos dos outros. Certa vez entrevistei o ator e comediante Jerry Lewis. Perguntei a ele como explicava seu sucesso. Sua resposta foi simples: “Todo filme que faço se baseia num princípio: um homem em apuros. E cada pessoa do público fica feliz porque quem está naquela situação embaraçosa ou complicada é outro e não ela mesma”. Ou seja: rimos da desgraça do outro porque isso nos faz nos sentirmos melhor conosco. Não fosse assim, como explicar o sucesso das videocassetadas? Pessoas se arrebentando no chão, levando tombos, sendo atropeladas, pegando fogo… e nós daqui caindo na gargalhada. Os cristãos, inclusive – sejamos honestos. Como explicar esse contrassenso absoluto? Simples: a desgraça alcançou o outro e não nós. Quando o outro peca isso faz dele inferior aos olhos dos cristãos. Portanto, um pecado que tornou alguém um escândalo faz com que eu, que também peco todos os dias mas não virei escândalo, me sinta melhor, mais feliz comigo mesmo. Superior. Maior. Sinto orgulho de mim mesmo, essa é a grande verdade. No entanto, as palavras de Paulo atravessam nosso sentimento de superioridade como uma espada afiada: “Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza” (2 Co 11.30). Essa é a proposta do Evangelho. Reconhecer nossa fraqueza. Reconhecer nossa falibilidade. Pois, enquanto nos achamos mais especiais do que os demais, sofreremos do traiçoeiro pecado do “orgulho santo” – o orgulho do que há de bom em nós, o orgulho até de nossa “santidade”, tão maior do que a dos demais. Mas se nos achamos tão melhores do que os outros, não abrimos espaço para nos escancararmos para Deus, como Paulo fez: “Miserável homem que eu sou!” (Rm 7.24). Não. Diremos em nosso íntimo (sem falar em voz alta, para não pegar mal): “Magnífico homem que eu sou!”. Assim, nos sentiremos mais. Nos sentiremos os eleitos, os profetas, os escolhidos, os queridinhos do Pai. Nos sentiremos superiores. E nos sentiremos aliviados por não sermos tão ruins como os outros. Só que… com isso, não reconhecemos nossas fraquezas e não reconhecemos que o pior dos pecadores não é pior do que nós. E no dia em que estivermos diante do trono de Deus para prestar contas de tudo o que fizemos e falamos, será que o que ouviremos dele é “você é realmente o tal”? Prefiro ficar com Paulo, que em Romanos 7.18 confessa com uma humildade que não encontramos em quase ninguém em nossos dias: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo”. Não é à toa que Paulo foi Paulo. Pois, talvez lembrado pelo espinho na carne, reconhecia que só a graça lhe bastava e que só a graça fazia dele um vaso de barro com a excelência do fôlego de vida em si. Fico muito triste ao ver cristãos que se acham mais do que outros, seja por que razões forem. E oro por muitos que conheço e que são assim. Ore por mim também, por favor, pois não sou melhor do que meus pais. Em vez de nos acusarmos, nos rebaixarmos e nos segregarmos, amemo-nos mais e oremos mais uns pelos outros. No grande e terrível dia em que estaremos diante do Justo Juiz, que ele olhe para nós e veja a cruz de Cristo. Porque, se Ele olhar para quem nós realmente somos (e não para quem achamos que somos) nada nos restará a não ser choro e ranger de dentes. Sou um pecador, mas se puder fazer algo por você, meu irmão pecador, minha irmã pecadora, tentarei. E não te desprezarei pelo fato de que você pecou um pecado diferente do meu e que ingenuamente considero pior. Pois… quem sou eu? “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Quem sou eu… Paz a todos vocês que estão em Cristo, Maurício.

Ambivalência é o câncer desta geração!

Por Josemar Bessa 
Há pregadores que adoram frases do tipo: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto” – O que eles desejas ensinar com isso? Brian McLaren resume essa mentalidade na introdução ao seu livro A New Type of Christian ("Um Novo Tipo de Cristão"): “Dirijo meu automóvel e ouço a estação de rádio cristã, algo que minha esposa sempre diz que devo parar de fazer ("porque isso só deixa você nervoso", diz ela). Ali, ouço um pregador após outro se mostrando absolutamente seguro de suas repostas, que são até à prova de bombardeio, e das suas interpretações bíblicas infalíveis... E, quanto mais seguro ele parece, tanto menos desejo ser um cristão, porque neste outro lado, distante do microfone, das antenas e do locutor, a vida não é tão simples assim; as respostas não são tão claras assim; e nada é tão seguro assim”. Deste modo, o pós-modernismo "evangélico" chegou a transformar em virtude sublime toda dúvida, incerteza e hesitação a respeito de quase todos os ensinos das Escrituras. Convicções fortes, afirmadas com clareza, são invariavelmente rotuladas como "arrogância" por aqueles que favorecem o diálogo pós-modernista. Cristo sempre nos guia na Verdade, e Ele nos faz viver o evangelho e proclamá-lo fielmente, não como um nariz de cera que pode ser moldado por cada um segundo suas conveniências, e é assim que Ele nos guardará de “tropeçar, e nos apresentará diante da Sua glória sem mácula e com grande alegria” (Judas 24). Ambivalência é como uma corda que, se não verificada, torna-se uma algema que prende o homem à heresia. Ambivalência é o câncer desta geração! O relativismo é uma revolta contra a realidade objetiva de Deus. A mera existência de Deus cria a possibilidade da verdade absoluta. Deus é a norma suprema e final para todas as alegações de verdade. Quem ele é, o que ele quer, o que ele diz, é o padrão externo e objetivo para se medir todas as coisas. Se o mundo acha isso relevante ou atrasado, isso não faz a menor diferença. E sua revelação é clara, mas jogamos fumaça sobre ela quando queremos agradar ao mundo mostrando que tudo não passa de pontos de vistas diferentes. Que a verdade é subjetiva. Quando o relativismo diz que não existe um padrão de verdade e falsidade que é válida para todos, ele fala como um ateu. Ele comete traição contra Deus. O relativismo é uma rebelião generalizada contra o próprio conceito de direito divino. Portanto, é a rebelião mais profunda contra Deus. É uma traição que é pior do que a revolta total, porque é desonesto. Continua pregando um "evangelho" que na realidade não é verdade absoluta externa a nós. Era melhor dizer que não crê ser ele a verdade e pronto. É realmente pior de que uma revolta total. É realmente desonesto - pois devia dizer na face de Deus, "A tua palavra é falsa". Dizer: "A tua palavra é ambígua..." - dizer: "Não há tal coisa como uma palavra universalmente objetiva revelado por Deus" – Mas não usa dessa clareza honesta, e então deixa o que chama de "verdade" como algo aberto para cada homem moldar as coisas segundo seu coração enganoso. Isso é traição. Ah! A loucura das mentes descuidadas abertas para tudo e caindo por nada, já dizia alguém. Todas as pessoas que são superficialmente “ortodoxas”, que dizem que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, transformam a verdade das Escrituras em mentira. Essa abordagem tem sido mencionada, por alguns, como "uma hermenêutica da humildade" — como se fosse inerentemente orgulhoso demais para um pregador o imaginar que ele sabe aquilo que Deus disse a respeito de alguma coisa. É claro que essa negação de toda a certeza não tem qualquer indício de verdadeira humildade. De fato é arrogância, arrogância contra Deus. De fato, isto é realmente uma forma arrogante de incredulidade, arraigada na recusa imprudente de reconhecer que Deus foi suficientemente claro na revelação que fez de Si mesmo às suas criaturas. Essa atitude é uma forma blasfema de arrogância e, quando ela governa até a maneira como alguém maneja a Palavra de Deus, se torna outra expressão de rebeldia maligna contra a autoridade de Cristo. Era melhor dizer abertamente: eu amo a mente do mundo (minha própria mente), não a de Deus. Quando a verdade objetiva desaparece na névoa do relativismo, não somos mais um humilde servo para a proclamação preciosa verdade. Um homem assim joga fora o jugo da servidão e assume um poder próprio. Ele não se submete à realidade objetiva externa, ele cria a sua própria "realidade". Ele não serve mais para mostrar a verdade. Ele passa ser a fonte de autoridade que define o que é a verdade. E todos alegremente aplaudem, pois cada um pode ter a “sua” própria “verdade”, já que ““todo ponto de vista é a vista de um ponto” Devemos tomar o jugo da Verdade revelada mesmo que a cultura à nossa volta a ache loucura e escândalo, mesmo que ela não se adapte para se tornar “relevante” para o mundo. Todos os amantes da verdade são humildes, mas apesar de tentar vender isso desonestamente, o relativismo não é uma postura humilde, mas um manto de orgulho, altivez contra Deus, uma heresia destruidora!

domingo, 2 de dezembro de 2012

A TEOLOGIA DO CACHORRO E DO GATO

Por Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho 
Ganhei um bom livro: A teologia do cachorro e do gato. O título é estranho? Mas seu conteúdo é sério. Os autores, Sjogren e Robinson, começam com uma anedota sobre cachorros e gatos. O cachorro diz: “Você me acaricia, me alimenta, me abriga, me ama. Você deve ser Deus”. O gato diz: “Você me acaricia, você me alimenta, me abriga, me ama, eu devo ser deus”. A seguir, os dois mostram as diferenças entre cristãos tipo cachorro e tipo gato. O cachorro segue por amor, é dedicado, põe a vida no reino. O gato quer coisas boas, mas sem compromisso. Quer promessas, o cuidado de Deus, da igreja, do pastor. Não se preocupa em ser útil, instrumento nas mãos de Deus. Ele é seu mundo. Os autores ainda dizem que “Os cães têm donos, os gatos têm funcionários”. Sei disso. Tive vários gatos: Jairzinho, Schleiemacher, Kierkegaard, Platão, Sócrates, Mahavira. Éramos seus servidores. O livro focaliza os dois tipos se portam no tocante ao senhorio de Deus. O cachorro tem Deus como Senhor em qualquer circunstância. O gato tem Deus como Senhor enquanto receber bênçãos. Quando as coisas apertam, os crentes gatos somem da igreja! E, havendo mais vantagem do outro lado, o crente gato vai para lá. Se o mundo apresentar uma proposta de mais felicidade (os gatos só buscam bênçãos e felicidade) o evangelho será deixado e a igreja abandonada. O crente gato se rege pela lei de Gérson: levar vantagem. Jesus falou a ouvintes tipo gatos: “A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos” (Jo 6.26). A multidão não ligava para ele. Queria barriga cheia. Há gente assim, que não ama a Jesus. Só quer coisas boas. Platão disse que “Odiamos a injustiça não por amor à justiça, mas com medo de que a injustiça caia sobre nós”. Ou seja: muitos dos nossos sentimentos e ações não são motivados por amor à verdade, mas por interesse. Uma vida cristã sadia não se pauta por interesse. O fundamento é o amor. Deus não deve ser buscado pelo que nos pode dar (ele já nos deu, e muito!), mas por aquilo que ele é. Jesus deve ser seguido não como se fosse a fada madrinha, com uma varinha mágica para resolver nossos problemas. Mas porque é Jesus Cristo, o incomparável, com uma proposta de vida que ninguém iguala, e na qual nos realizamos por ser a vontade de Deus para nós. Gato é charmoso. Chamar alguém de “gato” é um elogio. E de cachorro, uma ofensa. Mas em matéria de teologia, como dizem Sjogren e Robinson, a melhor é a do cachorro. É sadia. A do gato é desfocada e mesquinha. Neste sentido, seja um cachorro. Crentes gatos são infantis.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sou uma “popstora”, cantar para o Todo Poderoso é a maior loucura que já vivenciei, diz Baby do Brasil

Quem assistir ao documentário ‘Filhos de João — Admirável Mundo Novo Baiano’, vai perceber que falta o depoimento de uma das principais vozes do grupo Novos Baianos, a cantora Baby do Brasil. O longa conta com a participação de Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e toda a trupe, mas Baby que se tornou evangélica resolveu não participar. Ao contrário do que se imagina o motivo dela não aparecer no filme não é religioso. “Eu podia embargar esse filme, mas estou deixando rolar. Fui procurada para participar de um trabalho universitário. Quando soube que isso virou um filme, disse ao diretor que precisaríamos conversar. Minha história não pode ser contada sem participação nos lucros”, explica Baby que hoje é pastora. Depois de 10 anos ela está voltando a gravar um CD, esse será o segundo álbum gospel de Baby. “Sou uma ‘popstora’. Cantar para o Todo Poderoso é a maior loucura que já vivenciei. Quando me converti, me chamaram de oportunista. Agora, estão entendendo que meu discurso gospel é verdadeiro”, garante a cantora. 


Apesar de não participar do longa sobre o grupo Novos Baianos, Baby terá sua trajetória contada no documentário ‘Apopcalipse Segundo Baby’, do diretor Rafael Saar. “Deve ficar pronto no ano que vem. Registramos encontros dela com vários amigos músicos, além das gravações deste novo CD. Sem falar em imagens raríssimas que ninguém nunca viu. Mas ainda queremos refazer o Caminho de Santiago de Compostela com ela. Foi lá que, nos anos 90, Baby deixou de ser Consuelo”, antecipa Saar. A ‘popstora’ até chegou a registrar depoimentos para ‘Filhos de João’’, mas na versão final, que está em cartaz, só aparece em imagens de arquivo. Insatisfeita, Baby anuncia: “Depois de pronto este documentário sobre minha vida, pretendo convidar o Rafael para rodar o verdadeiro filme sobre o Novos Baianos”.

Sarah Sheeva deixa claro que não concorda com o retorno de Baby do Brasil

Após a polêmica envolvendo Baby do Brasil, que anunciou seu retorno aos palcos do meio secular, a filha mais velha, Sarah Sheeva, usou sua conta no Facebook para responder a perguntas sobre o caso e dizer que ao contrário da mãe não voltaria a cantar músicas que não sejam de adoração a Deus. “Acredito que a música é algo espiritual, é energia pura, algo sobrenatural. Acredito (e também tenho respaldo bíblico) que a música tem o poder de entrar dentro de nós e ministrar a nossa alma e o nosso espírito humano”, escreveu Sarah. Sheeva explicou que não cantaria músicas seculares por questões ministerial, profissional e espiritual. Baby que também é pastora, disse que recebeu a permissão de Deus para voltar para a “Babilônia” e que por isto aceitou o convite do filho. No final do mês de outubro Baby do Brasil realizou um show ao lado de seu filho, o músico Pedro Baby, cantando alguns sucessos antigos da cantora que é uma das principais representantes da Música Popular Brasileira. Sarah deixa claro que não concorda com o retorno de Baby do Brasil. Leia: “Alguns assuntos são muito delicados para se comentar, principalmente quando envolvem pessoas que amamos. Aproveitando algumas notícias da mídia, e já respondendo as perguntas que estão me enviando a respeito, existe algo que vocês podem ter certeza sobre mim: Eu JAMAIS voltarei a cantar músicas que não sejam de adoração a Deus. É uma decisão, não apenas profissional, mas espiritual e ministerial. Acredito no seguinte: podemos ter “amigos” no mundo, podemos andar no mundo, fazer a diferença, sermos a luz do mundo, etc… mas o mundo não pode andar DENTRO de nós. Ou seja: Não podemos amar as coisas do mundo, os prazeres do mundo. Precisamos amar as PESSOAS do mundo. Amar, nesse caso, significa sermos usados como instrumento de salvação para os perdidos. Acredito que a música é algo ESPIRITUAL, é energia pura, algo sobrenatural. Acredito (e também tenho respaldo bíblico) que a música tem o poder de entrar dentro de nós e ministrar a nossa alma e o nosso espírito humano. (Lembra de como Davi expulsou o espírito imundo de Saul ao ministrar louvor? 1 Samuel 16.23) Nós somos o TEMPLO do Espírito Santo. Então pergunte a você mesmo: O que tem TOCADO aí dentro deste templo? Dentro de mim só tocam os louvores de adoração ao nosso Deus! Nenhuma música profana ou de simples entretenimento toca dentro de mim. Porque? Porque EU SEI que DEUS NÃO CRIOU A MÚSICA PARA DAR PRAZER AO SER HUMANO (essa frase é do Pr.Cirilo), mas Deus criou a música para a adoração a Ele. Acreditar nisso seria isso um tipo de “religiosidade”? Não. Como eu sei que não? Por causa da experiência prática da mudança nas minhas vontades. Houveram muitos anos (após a minha conversão) que eu continuava com a prática de ouvir e cantar músicas que não eram de adoração a Deus, e enquanto eu não abandonei essa prática, muitas vontades malignas não me abandonavam, e muitas áreas da minha vida continuavam aprisionadas. Posso testemunhar, e sei que muitos outros Cristãos podem testemunhar que, após deixarem a prática de ouvir músicas profanas, houve mudança em suas vontades, e em muitas áreas de suas vidas. Precisamos ser um tipo de crente que, se Deus mandar deixarmos algo, deixamos NA HORA! Precisamos ser um tipo de crente que “põe a mão no arado e não olha mais para trás…” Porque quem põe a mão no arado e olha para trás (sente saudades do mundo) não é digno de Jesus. Não foi fácil para mim, não foi fácil deixar certas músicas… Mas eu amo Jesus MAIS. Eu amo Jesus MAIS do que qualquer prazer deste mundo. Eu nasci na música do mundo. O preço de renúncia que eu paguei para poder servir ao Senhor foi alto. Por Jesus eu abandonei toda uma carreira. Eu não teria abandonado se Ele não tivesse pedido, e se deixar de obedecer não fosse algo que realmente pudesse comprometer minha caminhada em direção a eternidade. Mesmo assim, sei que o preço que paguei não se compara com o preço que Ele pagou pela minha vida. Por isso eu deixei tudo por Ele. E deixaria de novo. Lucas 9:62 “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.” Traduzindo: “Ninguém que começa a fazer a obra de Deus e fica com saudades do mundo, está capacitado para receber o reino de Deus.” Por isso, quando alguém questiona (ou duvida que valha a pena) o nosso esforço em renunciar as coisas do mundo para seguir a Jesus, eu digo: “Me mostre as tuas convicções, a tua teologia (ou até o teu ateísmo), que eu te mostro a mudança nas minhas vontades.” Ser livre não é fazer o que quer, ser livre é conseguir querer o que Deus quer. Ser livre é obedecer a Deus, e não ao diabo. Paz, Pra.Sarah Sheeva”

MISSIONÁRIA DE ITAPETINGA (BA) E PASTOR MINEIRO ESTÃO PRESOS NO SENEGAL


Luiz Conceição, especial para o Pimenta 
 O senador Magno Malta (PR-ES) disse, nesta quarta-feira, 28, no Senado Federal, em Brasília, que dois missionários brasileiros presos no Senegal devem ser soltos em, no máximo, 10 dias. O pastor mineiro José Dilson, líder do projeto Obadias, e a missionária baiana de Itapetinga Zenaide Moreira Novaes estão presos acusados de acolher e evangelizar crianças que frequentam escolas islâmicas naquele país do continente africano. Segundo informou o pastor José Sanches, do projeto Fronteiras África, os missionários foram enviados à região de Mbur, no Senegal, pela Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT). Ambos permanecem retidos e foram transferidos para a cidade de Thiés, vizinha ao local onde foram detidos, para prestarem novos depoimentos. O senador Magno Malta visitou os brasileiros presos em companhia dos deputados Paulo Freire e Ronaldo Fonseca. Antes da viagem, os congressistas visitaram a embaixada do Senegal, em Brasília, onde ficaram sabendo que aquele país é laico, embora o Senegal tenha 94% de pessoas de confissão islâmica. “Há quase 400 mil crianças, quase meio milhão de crianças, abandonadas na rua. E lá nós temos um pouco mais de 250 brasileiros, missionários, que deixaram um país que esta com a economia estabilizada”, discursou o senador. “Ao descer naquele país fomos ao chamado Orfanato-Escola, um lugar limpo, cheio de crianças chorando, por conta da missionária Zeneida que, aliás, é uma baiana do interior, lá de Itapetinga, também de onde eu fui criado”. O senador disse que o pai da missionária, Zacarias, congregava na mesma igreja que a mãe dele, conhecida como Dadá. Magno reforça que as crianças estão chorando pela volta de Zeneida. “Chorando sabem por quê? Com medo de ela não voltar, com medo de as autoridades fecharem o Orfanato-Escola e com medo de voltarem para a rua”, narrou o senador. A comitiva de parlamentares brasileiros se reuniu com o chefe tribal da região onde atuam os brasileiros que disse serem os missionários e pastores como filhos para ele. Depois, foram ao Ministério das Relações Exteriores do Senegal e ao presídio ver os prisioneiros. “Nós encontramos com um coronel que serviu 33 anos na ONU. Ele nos recebeu educadamente, um homem sensível, um homem que conhece a necessidade do seu país e a necessidade de que países irmãos mandem missões para poder ajudá-los. Ele disse a mim e ao deputado Ronaldo Fonseca: ‘Vou mandar chamar os prisioneiros’. E nós preparamos o nosso espírito para consolá-los”. Ao receber a visita dos congressistas brasileiros, o pastor brasileiro mostrou-se resignado. ““Fiquem em paz, que nós somos prisioneiros de Cristo”. Aliás, dizia o coronel do presídio, se depender do meu relatório, eles já estarão na rua. E diziam os advogados: nos próximos 10, 15 dias, eles irão para a rua”. O Itamaraty e a Embaixada do Brasil no Senegal contrataram advogados para atuar na causa, com a entrada de Habeas Corpus. O senador capixaba destacou o profissionalismo dos funcionários do governo brasileiro. Também a APMT contratou advogados e pede orações pela soltura dos missionários.

Por Quem Jesus Provou a Morte?

Por John Piper

  "Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos." (Hebreus 2:9)

Para aqueles a quem Ele veio salvar Ontem marchei para Jesus, juntamente com milhares de pessoas nas cidades gêmeas (Minneapolis e Saint Paul) e com milhões ao redor do mundo. Quando fiz a curva do Nicollet Mall em direção à rua Sexta, estávamos cantando a segunda estrofe de "Oh, venham coroar Jesus o Salvador". Eu provavelmente era o único que já estava pensando na mensagem desta manhã. E o título desta mensagem é: "Por quem Jesus provou a morte?". A estrofe de "Oh, venham coroar Jesus o Salvador" é mais ou menos assim: Coroe o Senhor da Vida Que triunfou sobre o túmulo E levantou-se vitorioso na contenda Para aqueles a quem Ele veio salvar Sua glória agora nós cantamos Quem morreu e subiu às alturas Quem morreu para trazer a vida eterna E vive para morte exterminar Ele triunfou sobre a morte e ressurgiu vitorioso da luta por aqueles a quem veio salvar. "Para aqueles a quem Ele veio salvar." Estas palavras parecem indicar que o escritor deste hino acredita que Jesus Cristo tinha um projeto para realmente salvar um determinado grupo de pessoas pela Sua morte. Ele triunfou sobre a morte para aqueles a quem Ele veio salvar. Parece haver alguns que ele veio salvar, e que para estes a morte foi derrotada e a vida eterna é dada. Para Todos? Minha questão nesta manhã é a seguinte: "Por quem Cristo provou a morte?". Pergunte a 100 pessoas cristãs evangélicas na América e 95 provavelmente dirão: "Todos". E há algo muito positivo nesta resposta – e algo negativo. O lado positivo é que não é faccioso ou elitista ou sectário. Olha-se para o mundo, querendo que outros desfrutem do perdão dos pecados que os crentes desfrutam. Não é restrito e limitado em suas afeições. Ele tenta expressar a verdade bíblica de que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho único para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16). É saudável e correto acreditar que todo aquele que tem fé - não importa a raça, ou o grau de instrução, ou a inteligência, ou a classe social, ou a religião – todo aquele que coloca a fé em Jesus Cristo é justificado e aceito por Deus, com base no sangue derramado de Jesus. É saudável e correto acreditar que ninguém pode dizer: "Eu realmente quero ser salvo por Jesus acreditando, mas eu não posso ser, porque Ele não morreu por mim." Ninguém pode dizer isso. Não há quem tenha verdadeira fé por quem Jesus não morreu. Há muitas razões pelas quais esta resposta (que Jesus provou a morte por todos) é um sinal de boa saúde espiritual. Uma das razões mais óbvias está aqui, no nosso texto, Hebreus 2:9: "Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos." A resposta que 95% dos evangélicos dariam é um sinal da existência da vontade de dizer o que a Bíblia diz. Mas dizer o que a Bíblia diz e dizer o que ela significa não são necessariamente a mesma coisa. É por isso que eu disse que há algo de negativo em responder à pergunta "Por quem Jesus provou a morte?" simplesmente dizendo "todo mundo". O que é negativo, não significa, em primeiro lugar, que seja errado. Pode não estar errado. Depende do que você quer dizer com isso. O que é negativo é que este argumento não se aprofunda no que Jesus realmente cumpriu quando morreu. Ele presume que todos sabemos o que Ele fez, e que realizou seu sacrifício por todos da mesma maneira. Isso não é saudável, porque não é verdade. Meu palpite é que a maioria desses 95% que dizem que Jesus morreu por todos teriam dificuldade em explicar exatamente o que é que a morte de Jesus realizou para todos - especialmente o que é que foi feito para aqueles que se recusam a acreditar e irão para o inferno. Então por que nem todos são salvos? Em outras palavras, não é saudável dizer que Jesus provou a morte por todos e não saber o que Jesus realmente cumpriu ao morrer. Suponha que você me diga: "Eu creio que Jesus morreu por todos," e eu respondo: "Então por que nem todos são salvos?" Sua resposta provavelmente seria: "Porque você tem que receber o dom da salvação, você tem que crer em Cristo para que a morte dEle possa valer para você." Eu concordo, mas então eu digo: "Então você acredita que Cristo morreu por pessoas que o rejeitam e vão para o inferno, da mesma forma que ele morreu por aqueles que o aceitam e vão para o céu?" Você diz: "Sim, a diferença é a fé daqueles que vão para o céu. A fé conecta você aos benefícios da morte de Jesus." Há vários problemas nessa resposta. Vou mencionar apenas um. E eu me debruço sobre isso porque, se é nisso que você acredita, então você está perdendo as profundas riquezas da aliança de amor que Deus tem para você, em Cristo, por causa desse entendimento de que o amor dele é o mesmo tanto para os que creem quanto para os que O rejeitam. E você está seriamente "negligenciando a sua grande salvação", que vimos em Hebreus 2:3 que não devemos fazer. Se você acredita que aqueles que foram para o inferno foram amados e que a morte de Cristo vale tanto quanto vale para você, você nunca chegará a conhecer a total grandeza do amor do Calvário. Seria como se uma esposa insistisse para que seu marido a amasse e se sacrificasse por ela, da mesma forma que ele ama e se sacrifica por todas as mulheres do mundo. Mas, na verdade, o apóstolo Paulo diz em Efésios: "Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." É isso que nós queremos dizer quando nos referimos que Ele morreu pela Igreja, Sua noiva. Em outras palavras, há uma preciosa e incomensurável aliança entre Cristo e Sua noiva, o que O levou a morrer por ela. A morte de Jesus é pela noiva de Cristo de maneira diferente que por aqueles que perecem.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Teologia da Prosperidade - Uma Corrida para a Ruína.

Por Josemar Bessa 
Por que como um câncer a “teologia da prosperidade” foi se alastrando numa metástase diabólica no seio da igreja protestante? O que vemos hoje (Se olharmos com olhos espirituais e bíblicos), é uma terra arrasada, escombros e ruínas (Como Jeremias viu Jerusalém ) daquilo que devia ter sua existência (igreja) com o único propósito de proclamar a glória de Deus. Não é difícil resistir algo inicialmente, mas a medida que o tempo passa, a cobiça domina, nossos olhos se tornam a única porta de “verdade” para a “igreja”. Esquecemos a Palavra. A igreja hoje é o retrato fiel dos seus líderes. Um retrato do coração e ambição mundana. “Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel” (2Cr 28.23). Acaz voltou de Jeová para servir aos deuses de Damasco. Como hoje. E por quê? Porque a Síria estava gozando de prosperidade. Ao ver o que Acaz viu, a igreja começou a imitar o mundo, e igrejas ao olharem as outras foram imitando a imitação do mundo – Resultado? Metástase que parece irreversível. O que Acaz fez? “Ele ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco que o haviam derrotado, pois pensava: ‘Já que os deuses da Síria os têm ajudado, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem também’. Mas eles foram a causa de sua ruína, e da ruína de todo o Israel”. Não há outro resultado possível. O pragmatismo não pode dirigir quem quer ser guiado por Deus – mas sim uma confiança absoluta em Sua Palavra. O que valia para Israel vale para a igreja no século XXI – A conseqüente introdução de falsos deuses e a profanação do culto a Deus ( e como esse culto tem sido profanado hoje no altar de Mamom ) tornou-se a ruína de Acaz e seu reino. Esta é a ruína da igreja, a mesma de Acaz e Israel. E ela acontece pelos mesmos motivos. Os ídolos modernos tomaram completamente o lugar da Palavra de Deus e sua glória. Os ídolos estão navamente estabelecidos e adorados alegremente em nossos dias. Nada mais trágico do que ver o próprio homem ( e igreja ) se arruinando: “...eles foram a causa da sua ruína e de todo o Israel” (2Cr 28.23). Acaz claramente é o tipo de muitos e muitas igrejas destruidoras de si. “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (Os 13.9) – Como seria bom se houvessem vários Oséias proclamando hoje, mas na verdade são tão poucos. Acaz quis ser seu próprio mestre – Esqueceu Deus, esqueceu Sua Palavra – Só conseguia ver a “prosperidade” da Síria. Ficou fascinada e paralisado como uma presa diante da serpente. Isso sempre arruína – arruinou o filho pródigo – arruinou Acaz – arruinou Israel, e arruinará milhões e milhões de outros. É a arrogância que faz pastor imitar pastor, igreja imitar igreja – todos indo em direção a ruína da “Teologia da Prosperidade”. A arrogância e a arbitrariedade ao pecar: “Andou nos caminhos dos reis de Israel” (2 Rs 16.3,4). Essa é uma corrida morro abaixo. Cada vez mais a velocidade aumenta e o abismo se aproxima – Esta é uma corrida para a ruína. Um dia a idéia mundana de “prosperidade” custará muito caro. Acaz esbanjou tesouro em sua cópia da adoração dos deuses da Síria invejando a sua prosperidade. Mas é bom que se diga aos iludidos, Acaz gastou muito e ganhou pouco. Isto vale para a igreja e para as pessoas individuais. Desperdício! O trágico é que nossa vida aqui não é um recurso inesgotável e logo nosso tempo se encerrará. Que legado trágico deixaremos as próximas gerações. Nossas existências só se justificam se forem para a glória de Deus – o mesmo vale para a igreja em geral. Desperdício e muitos outros caminhos errados são caros e ruins. Quando estamos obstinados, como os dias em que vivemos hoje na igreja, nós somos capazes da loucura de desafiar Deus. Acaz desafiou a punição: “Mesmo nessa época em que passou por tantas dificuldades, o rei Acaz tornou-se ainda mais infiel ao Senhor” ( 1Co 28.22) – Ele estava focado na “prosperidade” dos deuses da Síria. Esta rebeldia ao claro ensino de Deus e contra toda a correção sempre leva à ruína certa.

domingo, 25 de novembro de 2012

VISITAS DE IP'S DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2009 ATÉ HOJE.




free counters

ONDE O NOSSO BLOG ANDA


free counters

Reconciliação: uma mensagem para hoje

Por Magno Paganelli
Fundada por Selêuco c. 300aC, Antioquia tornou-se a terceira maior cidade do Império Romano. Antioquia foi importante ponto e rota comercial e tornou-se um influente centro do pensamento teológico, tendo nomes como Inácio e João Crisóstomo como bispos. 


Havia ali farta diversidade no campo do pensamento. Dentro os habitantes, contava-se mais judeus em Antioquia do que em toda Jerusalém. O judaísmo predominante na igreja em Jerusalém impedia o amplo florescimento do cristianismo; mas em Antioquia havia sinagogas nas quais foi possível estabelecer vínculos com a nova religião. Soma-se o helenismo e cultura grega naturais na cidade de Antioquia, o culto ao Imperador, os elementos do gnosticismo, religiões asiáticas, charlatanismo babilônico e o templo de Apolo: o desafio não era pequeno. Curiosamente foi em Antioquia onde os discípulos de Jesus foram, “pela primeira vez, chamados cristãos” (At 11.26). E um dos segredos que vejo para que isso acontecesse reside na mensagem de reconciliação ensinada por Paulo. Revertendo o que Noé predisse milhares de anos antes, o Espírito Santo estava reconciliando consigo o mundo, etnias e classes sociais antes separadas. Vemos a conversão do cananita etíope (At 8); do semita Saul (At 9) e do jafetita Cornélio (At 10). Em seguida, em Atos 11, não mais um indivíduo, mas uma igreja entende o sentido plural de sua missão. Paulo fala de reconciliação em quatro textos ao longo de sua obra: em Romanos 11 (sobre Israel), em 2Corintios, Efésios e Colossenses. Rm 11.15: “Pois se a rejeição deles é a reconciliação do mundo…”. 2Co 5.18-20: “Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem [ou palavra] da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus.” Ef 2.15,16: “[...] na sua carne desfez a inimizade [...] para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela [a cruz] as inimizades. Cl 1.19,20: “Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” A raiz grega da palavra reconciliar (apokatalassō) indica restauração, restabelecimento e cura. De fato as pessoas e a sociedade estão doentes. Quando um filho grita e estapeia sua mãe, quando um adolescente recebe a polícia à bala, quando um político eleito pelo povo desvia dinheiro que deveria ser usados na melhoria de vida de milhões de pessoas, estamos vendo o resultado da doença chamada pecado. Não gostamos mais dessa palavra; é obsoleta. Mas não há com ignorar seus efeitos diários em nossas vidas. Tapar o sol com peneira em nada ajuda. A cura do homem é o que precisamos observar na expressão da nossa mensagem e missão diárias. A igreja deve curar as pessoas, não adulá-las. As pessoas estão separadas de Deus e para reconciliá-las, precisamos aplicar a Palavra que corta e opera, não uma filosofia ou promessa que ilude e mata. Portanto, a mensagem da Igreja não deve ir ao mesmo sentido dos acontecimentos do seu tempo. Num ambiente que se separa de Deus matando o Salvador do homem, a igreja em Antioquia promovia a reconciliação pelo Evangelho, na prática missionária local e estrangeira. A igreja não pode ser uma alternativa cultural, ela deve ser a melhor – senão a única – opção espiritual: a única que reconcilia o homem com Deus.

Como ser Cheio do Espírito Santo

Por John Piper
Como beber o vinho de Deus? Efésios 5:18 diz: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Há, pelo menos, quatro efeitos de ser cheio do Espírito. Primeiramente, o versículo 19 mostra que o efeito é musical: "...falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor". É evidente que a alegria em Cristo é a característica peculiar de ser cheio do Espírito. 



Mas não somente alegria. No versículo 20, encontramos a gratidão: "Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo". Gratidão perpétua, gratidão por tudo resulta de ser cheio do Espírito - e essa gratidão tem como alvo o vencer a murmuração, o descontentamento, a autocompaixão, a amargura, o queixume, a carranca, a depressão, a inquietação, o desânimo, a melancolia e o pessimismo! Mas os efeitos não são apenas alegria musical e gratidão por tudo; há também a submissão de amor às necessidades uns dos outros - "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". Alegria, gratidão e amor humilde - essas são algumas das marcas de ser cheio do Espírito. Poderíamos acrescentar um quarto efeito: ousadia no testemunho cristão. Podemos ver isto com mais clareza em Atos 4:31: "Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus". Nenhum crente deixará de ser ousado e zeloso no testemunho, se o Espírito Santo estiver produzindo nele alegria transbordante, gratidão perpétua e amor humilde. Oh! Como precisamos ser cheios do Espírito! Procuremos esse enchimento! Busquemo-lo! No entanto, há uma pergunta crucial: como podemos buscá-lo? Comecemos com a analogia mais próxima: "Não vos embriagueis com vinho... mas enchei-vos do Espírito" (v. 18). Como você se embriaga com o vinho? Você o bebe... em grande quantidade. Então, como ficaremos embriagados (cheios) com o Espírito? Bebamos dEle! Bebamos em profusão. Paulo disse: "A todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1 Coríntios 12:13). Jesus disse: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito" (João 7:37-39). Como podemos beber do Espírito Santo? Paulo disse: "Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, [cogitam] das coisas do Espírito" (Romanos 8:5). Bebemos do Espírito cogitando das coisas do Espírito. O que significa "cogitar" das coisas do Espírito"? Colossenses 3:1-2 afirmam: "Buscai as coisas lá do alto... Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra". "Pensar" significa "procurar, dirigir a atenção para, preocupar-se com". Significa "ser dedicado a" e "absorvido com". Portanto, beber do Espírito significa buscar as coisas do Espírito, dirigir a atenção às coisas do Espírito, dedicar-se às coisas do Espírito. Quais são "as coisas do Espírito"? Quando Paulo disse: "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:14), estava se referindo aos seus próprios ensinos inspirados pelo Espírito (1 Coríntios 2:13) - especialmente seus ensinos a respeito dos pensamentos, planos e caminhos de Deus (1 Coríntios 2:8-10). Então, "as coisas do Espírito" são os ensinos dos apóstolos a respeito de Deus. Jesus também disse: "As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (João 6:63). Logo, os ensinos de Jesus também são "as coisas do Espírito". Portanto, beber do Espírito significa cogitar das coisas do Espírito. E cogitar das coisas do Espírito significa dirigir nossa atenção aos ensinos dos apóstolos a respeito de Deus e às palavras de Jesus. Se fizermos isso por bastante tempo, ficaremos embriagados com o Espírito. De fato, ficaremos viciados no Espírito. Em vez de dependência química, desenvolveremos uma maravilhosa dependência do Espírito Santo. Mais uma coisa: o Espírito Santo não é como o vinho, porque Ele é uma pessoa e livre para ir e vir aonde quer que deseje (João 3:8). Por isso, temos de acrescentar Lucas 11:13. Jesus disse aos seus discípulos: "Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Se queremos ser cheios do Espírito, temos de pedir isso ao nosso Pai celestial. E foi isso que Paulo fez pelos crentes de Éfeso. Ele pediu ao Pai celestial que aqueles crentes fossem "tomados [cheios] de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3.19). Beba do Espírito e ore. Beba do Espírito e ore. Beba do Espírito e ore.