sábado, 5 de novembro de 2011

Carta de um apóstolo moderno ao seu discípulo

O apóstolo Paulo escreveu duas epístolas ao seu discípulo Timóteo com o objetivo de auxiliá-lo em sua difícil responsabilidade de pastorear a igreja de Éfeso. Como bom mentor, em suas cartas Paulo dá vários conselhos muito úteis na doutrinação da igreja e preservação das doutrinas do evangelho de Jesus Cristo.
Olhando então para a realidade da teologia da prosperidade, imaginei como seria uma carta enviada de um apóstolo da prosperidade a um de seus discípulos. O que segue é apenas fruto da observação dessa teologia que tem feito muito mal ao evangelho de Cristo e enganando a muitas pessoas com promessas de vitória e riquezas.


Prezado discípulo,

Com estes conselhos tenho a intenção de ajudar você com dicas práticas que vão te fazer ter sucesso nessa sua nova jornada, agora que você foi por mim ungido apóstolo. Leia-as com atenção e siga cuidadosamente cada dica que você ler aqui.

Evangelista? Anunciador da Salvação? Defensor da Fé? Cuidador de Almas? Pastor? Apascentador? Servidor? Não. Nada disso. Seja, na verdade, animador de auditório e fazedor de média. Existem técnicas para isso. Observe com bastante atenção as dicas e conselhos que se seguem:

Aprenda a como mexer com o ego dos outros. Quanto mais especialista em manipulação de massas você for, mais rico você vai ficar. Cursos para aprender isso? Não, não. Isso você tem que aprender olhando. Veja. Preste atenção no que eu faço, em como eu faço e me imite. Seja um mercador de religião.

Aproveite-se da miséria e da necessidade de alento do ser humano para lucrar e conseguir notoriedade. Isso é muito mais fácil do que você imagina. Pra que falar de Graça? Graça a gente acha mesmo é de ver esses fieis sendo fieis a nós enchendo os nossos cofres e contas correntes de rios de dinheiro, acreditando nos rituais mais bizarros que inventamos. Quer dinheiro mais fácil de ganhar do que esse?

Faça cara de piedoso. Treine. Olhe-se no espelho. Acredite: a quantidade de grana que você vai ganhar é proporcional ao nível de piedade aparentada por você. Fale ao coração, não ao cérebro, mexa com as emoções dos que te ouvem. Faça parecer que você se preocupa com a felicidade do seu fiel. Pode fingir, só não deixe ninguém descobrir que está fingindo. Não tenha pena de ser falso com as pessoas. Se elas não tem pena de enganarem-se a si mesmas, por que você teria?

Esqueça Deus. Essas pessoas não querem Deus, o que elas buscam é ouvir palavrinhas de conforto. Elas querem uma religião que acalente seus corações. E nós temos essa religião. Repita sempre isso: “eu tenho a religião da qual as pessoas precisam para satisfazer as suas próprias necessidades”. Se você pregar Deus, vai espantar as pessoas e, automaticamente vai perder o dinheiro que você tanto almeja e fama que te faz tão feliz e realizado. Aliás, esqueça a soberania. Quem decreta é você e tudo o que você disser a seu favor será realizado. Aconselho-te a ensinar isso também aos seus fieis. Isso ajudará na manipulação deles.

Cartas de Paulo? Não. Nem pensar. Nunca leia Romanos, Timóteo, Gálatas e jamais permita que qualquer pessoa que te segue leia esses livros. Ou melhor: Bíblia nunca, jamais, em tempo algum. Em vez dela é melhor que você use trechos daquele livro que lancei falando sobre finanças e batalha espiritual. Provavelmente, como bom discípulo que é, você já deve ter lido e conhece muito bem como utilizá-lo na doutrinação dos seus seguidores. Se houver a necessidade de usar a Bíblia (isso só deve ser feito para dar maior credibilidade àquilo que você diz) faça uso das bênçãos e maldições que Deus fez a Israel lá no Antigo Testamento. Elas são muito úteis quando se quer manipular pessoas. Mas não passe disso. Cuidado ao usar a Bíblia, pois se as pessoas começarem a ler esse livro serão libertas. E não é isso que nós queremos, não é mesmo?

Assuma um título superior; Apóstolo, no mínimo. Isso vai te ajudar a dominar as pessoas e expressar uma maior intimidade com Deus, já que é isso que as pessoas procuram. Elas querem seguir pessoas que demonstrem intimidade com Deus, em vez de buscarem elas mesmas terem intimidade com Ele. Demonstre autoritarismo. Essa é a principal característica de um líder no negócio em que você está sendo iniciado. A sua palavra tem que ser sempre a última e jamais volte atrás no que você disser. A não ser que a mudança resulte em lucro significativo para você.

Aprenda a dominar os seus seguidores. Use chavões, eles sempre funcionam. Lobotomia disfarçada. Posicione-se como ungido de Deus, assim as pessoas terão medo de discordar daquilo que você fala. Profetize sentenças para aqueles que discordarem ou se rebelarem contra aquilo o que você diz. Essa é uma das maneiras mais simples de fazer com que um seguidor seu se afaste e não dê ouvidos aos questionadores.

Por fim, caro discípulo, saiba que existem 3 formas de dominar as pessoas com a religião: pelo medo, pela culpa ou pela ganância. Esse é o tripé que deve sustentar a sua carreira. Fazendo uso dessas três ferramentas poderosíssimas, você será rico, bem sucedido e muito amado por seus fãs e fieis seguidores.

Bons negócios e prosperidade!

Seu Mentor e Patriarca

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pastores de si mesmos


Por André Santos
Infelizmente estamos mergulhados em uma crise de vocação ministerial sem fim. Ser pastor em uma sociedade como a nossa, não é uma tarefa fácil, bem da verdade que se tornou uma árdua tarefa. A nossa geração precisa ter consciência que os desafios que nos são propostos são particulares a nossa geração. Como disse o pastor Luiz Duarte: “Cada geração é responsável pela sua geração”.
Vivemos em dias desafiadores, dias de alta tecnologia, da velocidade de informações, da busca de soluções imediatas, dias onde “nada” é absoluto, mas tudo tem sido levado ao crivo do relativismo. Uma das coisas mais difíceis que há em nossos dias, é encontrar uma igreja autentica, sem o verniz da aparência por cima de um arcabouço cavo, oco. Os pastores sentem-se sem ânimos, vencidos pela modernidade das igrejas tecnológicas, pastores que outrora eram referencias para sua geração, são postos de canto em detrimento das inovações juvenis, alguns até irresponsáveis. Os dias em que vivemos são reflexos do século XXI, um século permeado de desafios.
No meio desses desafios surgem outros, como por exemplo, o de continuar sendo pastor, em uma sociedade que não tem como característica a busca pelo divino, em uma sociedade que é caracterizada pela busca da espiritualidade fora de Deus. A banalização e secularização do sagrado fazem com que as pessoas não valorizem o ministério como algo que acontece por vocação e sim por ambição. Ser pastor, não traz mais cunho de vocação, mas de uma oportunidade para sucesso e fama no meio “gospel”.
A maior desilusão é quando encontramos pastores que abdicaram da verdadeira vocação para com o rebanho de Deus, e passaram a apascentarem a si mesmos. Sim, pastores que fazem das igrejas extensão de si mesmos, onde o apascentar o rebanho de Deus, tornou-se secundário. Isso não é novo, na verdade é uma problemática antiga que contribuiu para o desmoronamento do sistema religioso de Israel, a voz de Deus pôde ser ouvida através do profeta Ezequiel no cativeiro Babilônico que disse: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez 34.2).
Nos tempos onde as crises alçavam altos picos, em um ambiente fértil que germinava nas pessoas a busca pelos seus próprios interesses, o profeta denúncia esse mesmo sentimento no coração dos pastores que haviam abandonado o rebanho e estavam apascentando a si mesmos.

Características dos pastores de si mesmos

O assunto não pode ser tratado de forma simplista, mesmo porque existem muitos pontos a serem considerados, porém, quero destacar aqui pelo menos quatro características que identificam pastores que inclinam-se a apascentar-se a si mesmos.

1. Se preocupam apenas com si mesmos. Existe uma linha muito tênue entre “cuida-te de ti mesmo” e apascentar a si mesmo. Porque a necessidade do cuidado pessoal para a vida é obrigação do obreiro, existem várias exortações bíblicas que nos apontam para esse cuidado, Paulo disse a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina...” (I Tm 4.16), porém, não podemos fazer uma coisa como desculpa para abandonar outra. Há pastores que se preocupam em engodarem-se as custas do rebanho, sem critério algum, causando estragos sem precedentes. É um fato muito triste ver como alguns rebanhos são subjugados e extorquidos, em lugares onde se mercadejam as bênçãos de Deus.
Ultimamente temos visto grandes exemplos através dos pastores midiáticos que tem explorado o rebanho de Cristo sem o mínimo de misericórdia, alimentando seus egos e seus projetos “megalomaníacos”.
2. Abandonam o rebanho. Uma das coisas mais tristes que há é ver como os rebanhos estão abandonados, perdidos e desorientados. Rebanhos sem pastores, rebanhos que são levados de um lado para o outro por ventos de doutrina, buscando algo que possa saciar sua alma, pois os pastores estão demasiadamente ocupados e não podem atendê-los. Jesus lamentou sobre a condição do rebanho de Israel que tinha uma religião bem resolvida e que gozava de certo status junto ao império, quando disse: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36).
Muitas pessoas literalmente abandonadas e aflitas. Muitas vezes, porque a ocupação que parece ser demasiada, nada mais é do que necessidade de parecer importante. Eugene Peterson diz o seguinte:

“Que maneira melhor do que ser ocupado? As horas incríveis, os horários cheios,
e as pesadas demandas no meu tempo provam para mim mesmo – e para todos que
observarem que sou importante”.2


O trabalho pastoral vai muito além dos cultos de domingos, as necessidades são alarmantes, urgentes e imediatas.

3. Usam o rebanho como meio para fins. O rebanho de Cristo é o fim em si mesmo, porque foi por pessoas de todas as tribos, raças e nações que Jesus morreu na cruz e não por projetos que aparentemente viabilizam o alcance de “almas”. Precisamos analisar com temor e tremor as palavras do apóstolo Pedro: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição [...]também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (II Pe 2.1,3). Infelizmente muitos pastores vêem o rebanho como clientes e não como ovelhas, pessoas que buscam O Caminho, e simplesmente, dissimulam a verdade. Uma ocasião um seminarista me perguntou qual era a diferença da administração de uma empresa para administração de uma igreja, e eu respondi com poucas palavras: - “Administrar uma empresa é ver as pessoas como um meio para se chegar a um fim, que é o lucro. E, administrar uma igreja é enxergar as pessoas como o fim em si mesmo”. Porque foi por nós que Jesus morreu. Por isso, devemos usar todas estruturas envolvidas para que vidas sejam alcançadas e trazidas aos pés do Bispo das nossas almas, Jesus.
4. Vivem do rebanho, mas não cuidam do rebanho. Muitos ainda esbarram em uma pergunta antiga: O pastor deve ser remunerado? Acredito que a Bíblia tenha respostas claras para essa questão e reforçando a idéia que sim (I Co 9; II Tm 2.6,7). Mas o fato é que, se vivem assalariados pela obra, devem viver para a obra. E que obra é essa? Cuidar verdadeiramente do rebanho. O Profeta Ezequiel novamente aparece no cenário com a exortação: “Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” ( Ez 34.3).
Infelizmente há pastores que evocam para si direitos especiais, mas que por outro lado não cumprem com o dever, o de apascentar o rebanho de Deus.

Desenvolvendo a vocação com autenticidade


Em tempos assim, é difícil de se identificar qual o modelo de pastor a seguir. Falta-nos referenciais e exemplos a serem seguidos. Pois, hoje, é preciso uma renovação de entendimento para que venhamos a sair da masmorra secularizada em que está mergulhada a nossa geração. Como superar esse momento e reformular em algum nível, alguns modelos pastorais existentes em nossos dias? Como pregando a outros, nós mesmos não venhamos ser reprovados no exercício pastoral?
Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que o rebanho é de Cristo. Há uma certa tendência dos pastores sentirem-se donos dos rebanhos, e querer usufruir desse direito para fazer o que bem entender. O escritor Colin S. Smith diz o seguinte:

“...O uso do nome de Deus por líderes espirituais com o intuito de confirmar as
próprias idéias é pura exploração e torna-se uma forma de chantagem espiritual.
É uma ofensa contra Deus e um pecado que ele não considera superficial” .


Essa é uma tendência que escamoteia o rebanho e leva apodera-se do mesmo. Porém, quando lembramos a nós mesmos que o rebanho é de Cristo, a noção muda, o ministério e a vocação tomam outro significado. O apóstolo Pedro diz: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (I Pe 5.2,3). O rebanho foi confiado pelo próprio Jesus Cristo, e jamais podemos querer apropriar-nos dele. Cristo é o Bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Nós podemos construir a infra-estrutura, mas as pessoas, continuam sendo do “...Bispo e Pastor das vossas almas” ( I Pe 2.25).
Em segundo lugar, é preciso desenvolver a chamada por vocação. Poucos pastores têm a certeza da vocação. Muitos foram lançados na arena e deixados ao leu, sem estrutura ou convicção da própria chamada. Outros são abandonados à própria sorte, tendo que lutar, muitas vezes sozinho com dificuldades existenciais esmagadoras. Infelizmente tem crescido o número de pastores que cometem suicídio e que tem desistido de tudo, do chamado e até mesmo da vida. O apóstolo Paulo sabia que para pregar o Evangelho de Cristo e pastorear o rebanho de Deus, tinha que ser vocacionado, e por isso, afirmou dizendo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).
O apóstolo Pedro parou de hesitar em seguir a Jesus e entender qual era sua vocação, não apenas depois do Pentecostes, mas depois que Jesus mirou os seus olhos, e lhe pediu a maior prova de amor que ele poderia demonstrar que era: “apascentando o seu rebanho” (Jo 21.15-17). Um chamado à vocação.
A vocação para o ministério não envolve fracasso profissional em dimensões seculares, projeção publica através do ministério e do rebanho. Não! Mas sim, uma vida de entrega a Jesus, tendo plena convicção que o seu chamado não foi dado pelos homens e sim pelo próprio Jesus, que deu uns também para pastores “...tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12). Tenha consciência que os profetas, apóstolos, bispos, presbíteros e pastores que a Bíblia Sagrada menciona, superaram os mais diversos obstáculos, porque eles sabiam em quem estavam crendo. Para eles, viver era atender a vocação que Deus os confiou, de maneira que de alguns deles, o escritor aos Hebreus confirma: “homens dos quais o mundo não era digno...” (Hb 11.38).
Em terceiro lugar, deve considerar que um dia será chamado à prestação de contas. Nenhum pastor pode ignorar essa verdade, seremos chamados à prestação de contas do rebanho que nos foi confiado. O escritor aos Hebreus diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”. (Hb 13.17). Já vi muitos pastores fazendo menção desse versículo apenas para exigir submissão e obediência, porém, esquecendo-se que, não passa desapercebido o texto que diz: “...como quem deve prestar contas...”. Essa é uma responsabilidade unânime no ministério pastoral, e que deve ser encarada com zelo e com amor. Foi com essa consciência que o apóstolo Paulo afirmou para os Tessalonicenses que tinha agido como uma mãe e como um pai com a igreja (I Ts 2.7,11).
Por último, é preciso dessecularizar o ministério pastoral. Todos nós sabemos que o ministério pastoral é um oficio espiritual, mas nesse mundo secularizado de hoje, onde muitas pessoas não conseguem enxergar além de uma visão materialista e ultrajante em todas as dimensões, precisamos lembrar que o mesmo Jesus que nos chamou para apascentar, nos chamou para o fazer por uma dádiva espiritual e não secularizada. Todos os instrumentos que utilizamos para o progresso do Evangelho são de grande importância, mas nada pode substituir a cruz de Cristo, de onde vem toda fonte de amor, dedicação sacrificial, entrega e devoção à chamada para apascentar. Precisamos de pastores que realmente conheçam o coração de Deus, como diz a Bíblia Sagrada: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr 3.15).
Pastores estereotipados de "executivos" e de “super ungidos” são desnecessários para o rebanho. Um pastor precisa ser gente como seu rebanho, no mesmo arquétipo do próprio Cristo, vivendo como nós, passando a ser um de nós, sem negar a sua essência humana. Já ouvi de pastores que não se misturam com seus rebanhos para não parecer um deles. Isso é um fracasso no ministério pastoral, porque nenhuma liderança que é imposta por ostentação, por falsa impressão será valorizada. Podem até lhe aplaudir, mas no fundo saberão, que não passa de elucubrações humanas.
Que a chamada pastoral seja mais valorizada e que possamos nos aventurar em caminhar nos dedicando à fundo na chamada e na vocação que o Senhor nos tem confiado, atendendo a vocação de apascentar o rebanho de Deus e alcançando respeito diante dos homens como afirmou o apóstolo Paulo: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co 4.1).

Paz seja convosco!

Pela Hipocrisia falam Mentiras


Por João Calvino
Não fica muito claro se Paulo está falando dos mestres ou dos ouvintes, mas prefiro tomá-lo como uma aplicação aos últimos, visto que prossegue tratando dos mestres quando os chama de espíritos sedutores. É mais enfático dizer que não só haverá quem divulgue os ensinos ímpios e corrompa a pureza da fé, mas também dizer que não faltarão alunos que sejam atraídos para suas seitas. E quando uma mentira aumenta sua influência, ela avoluma as dificuldades. Mas ele não está falando de um erro trivial, e, sim, de um mal terrível, a apostasia da fé, embora à primeira vista não pareceria ser tão mal assim à luz do ensino que ele menciona. Pois como é possível ser a fé completamente subvertida pela proibição de certos alimentos ou do matrimônio?
Devemos, porém, levar em conta uma razão mais ampla, ou seja, que aqui os homens estão inventando um culto divino pervertido para a satisfação de seu ego; e ao ousarem proibir o uso de coisas saudáveis que Deus permitiu, estão alegando que são os mestres de suas próprias consciências. E tão logo a pureza do culto é pervertida, não permanece nada íntegro e saudável, e a fé é completamente subvertida. Por isso, ainda que os papistas debochem de nós, ao criticarmos suas leis tirânicas acerca de observâncias externas, temos consciência de que estamos lidando com um assunto seríssimo e importantíssimo; porque, assim que o culto divino é contaminado com tais corrupções, a doutrina da fé é também subvertida. A controvérsia não é acerca de carne e peixe, ou acerca das cores preto ou cinza, acerca de quarta-feira ou sexta-feira, e, sim, acerca das más superstições dos homens que desejam obter o favor divino por meio de tais futilidades e pela invenção de um culto carnal, fabricando para si ídolos no lugar de Deus. Quem ousaria negar que fazer isso é apostatar da fé?
Espíritos sedutores. Ele está se referindo a profetas ou mestres, aplicando-lhes esse título porque se vangloriavam de possuir o Espírito, e ao procederem assim estavam causando impressão sobre o povo. Em geral, é deveras verdade que todas as classes de pessoas falam da inspiração de uni espírito, mas não o mesmo espírito que inspira a todos. Pois às vezes Satanás passa por espírito mentiroso na boca dos falsos profetas, com o fim de iludir os incrédulos que merecem ser enganados [1 Rs 22.21-23]. Mas todos quantos atribuem a Cristo a devida honra falam pelo Espírito de Deus, no dizer de Paulo [1 Co 12.3]. Esse modo de expressar-se teve sua origem na reivindicação feita pelos servos de Deus, a saber, que todos os seus pronun¬ciamentos públicos lhes vieram por revelação do Espírito; e, visto que eram os instrumentos do Espírito, lhes foi atribuído o nome do Espírito. Mais tarde, porém, os ministros de Satanás, através de uma falsa imitação, como fazem os símios, começaram a fazer a mesma reivindicação em seu favor, e da mesma forma falsamente assumiram o mesmo nome. Eis a razão por que João diz: "provai os espíritos, se realmente procedem de Deus" [1 Jo4.1].
Além do mais, Paulo explica o que quis dizer, acrescentando: e doutrinas de demônios, o que eqüivale dizer: "atentando para os falsos profetas e suas doutrinas diabólicas". Uma vez mais digamos que isso não constitui um erro de somenos importância ou algo que deva ser dissimulado, quando as consciências dos homens são constrangidas por invenções humanas, ao mesmo tempo que o culto divino é pervertido.
Pela hipocrisia, falam mentiras. Se esta frase for considerada como uma referência aos demônios, então falar mentiras será uma referência aos seres humanos que falam falsamente pela inspiração do diabo. Mas é possível substituí-la por: "através da hipocrisia dos homens que falam mentiras". Evocando um exemplo particular, ele diz que falam mentiras hipocritamente, e são marcados com ferretes em sua consciência. E devemos observar que essas duas coisas se relacionam intimamente, e que a primeira flui da segunda. As más consciências que são marcadas com o ferrete de seus maus feitos lançam mão da hipocrisia como um refúgio seguro, a saber, engendram pretensões hipócritas com o fim de embaralhar os olhos de Deus. Aliás, esse é o mesmo expediente usado por aqueles que tentam agradar a Deus com ilusórias observâncias externas.
E assim, a palavra hipocrisia deve ser entendida em relação ao presente contexto. Ela deve ser considerada primeiramente em relação à doutrina, e significando que gênero de doutrina é esse que substitui o culto espiritual de Deus por gesticulações corporais, e assim adultera sua genuína pureza, e então inclui todos os métodos inventados pelos homens para apaziguar a Deus ou obter seu favor. Seu significado pode ser assim sumariado: em primeiro lugar, que todos os que introduzem uma santidade forjada estão agindo em imitação ao diabo, porquanto Deus jamais é adorado corretamente através de meros ritos externos. Os verdadeiros adoradores "o adorarão em espírito e em verdade" [Jo 4.24]. E, em segundo lugar, que esse culto externo é uma medicina inútil por meio da qual os hipócritas tentam mitigar suas dores, ou, melhor, um curativo sob o qual as más consciências ocultam suas feridas sem qualquer valia, a não ser para agravar ainda mais sua própria ruína.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Chega de “irmãos” – Eu quero amigos!


Por Wilson Porte Jr.
A amizade é um tema pouco tratado no meio cristão. Pare e pense em quantos livros você já leu sobre amizade cristã. São raros. Estamos tão acostumados em chamar os outros de “irmãos” que esquecemos que também precisamos de amigos.
No começo até imaginamos que, se temos irmãos, logo, temos amigos. Todavia, no primeiro pântano da amargura, percebemos que falta-nos amigos que chorem com a gente e estendam a mão para nos tirar de lá. Como pastor, tenho percebido cada dia mais a necessidade que as pessoas têm de encontrarem amigos. Estão cercadas de “irmãos”, mas dificilmente encontram neles algum amigo. Estranho, não é? Por quê isso?
Às vezes, penso ser por causa da superficialidade que ronda o ambiente cristão em geral. Muitos estão apegados à costumes e gírias cristãs (ex.: A Paz, irmão!… Na bênção?!… E aí, bênção?!), que, em essência, não significam absolutamente nada, que não, demonstrar que um ou outro é cristão. Me perdoem, mas eu detesto estas gírias e costumes. Se algum dia me virem as usando, estejam certos que eu surtei, enlouqueci, ensandeci.
Por exemplo, eu sei que alguém é meu irmão quando ele chega para mim e diz: “A paz, pastor!”… Opa, imagino que esse seja meu “irmão na fé”. Ou, quando estou comprando algo, e a moça do caixa me diz: “Deus abençoe o senhor”, daí penso: essa também é minha irmã em Cristo. Cenas assim acontecem sempre. Aparentemente, tenho uma grande família de “irmãos” e “irmãs”, que não sabem onde eu moro, como me chamo, minhas tristezas, minhas alegrias. Às vezes penso que o jargão “irmão” é igual ao “companheiro” do PT. Se chama todo mundo de “companheiro” sem se pensar no que se está dizendo.

Creio que Jesus, com seu exemplo, nos ensina muito sobre amizade e companheirismo. Jesus decidiu cercar-se de pessoas que o trairiam, negariam, e abandonariam. Ele sabia de tudo isso. Mesmo assim, ele decidiu.
Jesus não ficou esperando que as pessoas viessem procurá-lo para uma amizade. Ele não esperou que alguém o notasse, que alguém puxasse papo, que alguém se preocupasse com ele. Antes, ele decidiu ir e notar, puxar papo, se preocupar com pessoas de dentro e de fora de seu convívio. Se você quer ter amigos, vá e faça-os! Outro erro, é entendermos que amizade significa ter alguém que se preocupe com você. Totalmente anti-bíblico! Amizade significa você decidir se preocupar com alguém. Quando isso acontece, começasse uma amizade.
O cristianismo e a amizade cristã têm mais a ver com você dar do que receber, fazer do que esperar que façam, amar do que esperar que lhe amem, se preocupar do que esperar que se preocupem. A amizade cristã está sempre voltada para o próximo! Jesus disse que ele:
Não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos … Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos... tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. (Mc 10.45 e Jo 15.13-15)
Tendo estas palavras em mente, sejamos como Ele! Não nos esqueçamos que amizade cristã tem a ver em servir alguém hoje, e não esperar que alguém nos sirva. Saia! Sirva! Preocupe-se! Ame! Solidarize-se! Siga os passos de seu Mestre. Faça isso. Só não fique parado esperando que alguém se lembre de você e faça algo por você. Isso, pela graça de Deus, poderá ocorrer. Só não se esqueça que, amizade, aos olhos de Deus, tem mais a ver com o que você está decidindo fazer por alguém hoje (um telefonema, um passeio, uma conversa sincera) do que com o fato de ninguém estar se lembrando de você.
Chega de vivermos apenas como “irmãos”. Sejamos amigos, e verdadeiramente irmãos, de carne (pois comemos do mesmo “pão” que desceu do céu) e de sangue (pois estamos lavados e perdoados pelo, agora, nosso grande Amigo!).

Igreja Católica ganha fortuna com publicações pornô na Alemanha


A Editora comprada pela igreja é a maior publicadora de material adulto da Alemanha Weltbild [Cosmovisão], a maior empresa de mídia da Alemanha, teve suas ações compradas na totalidade pela Igreja Católica mais de 30 anos atrás. Mas isso não os impediu de continuar publicando livros que muitos de seus fiéis considerariam ofensivo.
A empresa vende livros, DVDs, CDs de música e muitos outros produtos. Poucas pessoas sabiam dessa conexão até o início deste mês, quando o Buchreport, newsletter sobre a indústria de entretenimento alemã, informou que a empresa católica também vende material pornográfico. O assunto também está na capa deste mês revista católica PUR.
Um porta-voz da Igreja respondeu: "a Weltbild tenta impedir a distribuição de conteúdo possivelmente pornográfico." Aparentemente os esforços de prevenção não foram bem sucedidos.
Por mais de 10 anos, um grupo de católicos indignados vem tentando mostrar para as autoridades da Igreja o que está acontecendo. Eles se dizem indignados com a hipocrisia da empresa.
Em 2008, o grupo redigiu um documento de 70 páginas detalhando a prova da venda de material questionável.
Eles garantem que todos os bispos cujas dioceses recebem parte dos lucros da Weltbild receberam esse documento. Não é uma escolha fácil, afinal, cerca de 182 milhões de euros são destinados à igreja. Cabe a pergunta: que vale mais: "o dinheiro ou a moral"?
Hoje, a empresa cuja sede fica na cidade de Augsburg, emprega 6.400 pessoas e seu volume de negócios é de 1,7 bilhão de euros anualmente.
Além disso, é a líder do mercado editorial alemão e mantém um site que é perde apenas para a Amazon daquele país. Os lucros são reinvestidos regularmente na empresa visando aumentar sua fatia no mercado, o que só é possível se a Weltbild continuar vendendo materiais que não são compatíveis com os ensinamentos da Igreja.
Os 2.500 livros eróticos em seu catálogo atual, incluindo os do selo Pantera Azul, especializado em pornografia, são apenas um exemplo. A Igreja Católica alemã possui ainda 50% da editora Droemer Knaur, que também imprime material pornográfico e livros budistas

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de finados à luz da Bíblia


Por Renato Vargens
Infelizmente em nosso país, milhões de brasileiros, das classes sociais mais distintas, de todos os estados da federação, cultivam o danoso hábito de visitarem os cemitérios na expectativa de rezar ou interceder pelos seus entes falecidos.
A prática de orar pelos defuntos iniciou-se por volta do 5º século (d.c), quando a igreja passou a dedicar um dia especifico do ano para rezar pelos seus mortos. No entanto, o culto de finados somente seria instituído na França, no século X, através de um abade beneditino de nome Cluny. Um século depois, os papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigaram aos fiéis a dedicarem um dia inteiro aos mortos. Já no século XIII o dia de rezar pelos finados finalmente começou a ser celebrado em 2 de novembro. Essa data foi definida por ser um dia depois da comemoração da Festa de Todos os Santos, onde se celebrava a morte de todos que faleceram em estado de graça e que por algum motivo não foram canonizados.
Caro leitor, a Bíblia é absolutamente clara ao afirmar que após a morte só nos resta o juízo. Ensina também, que o fato de toda e qualquer decisão por Cristo só pode ser tomada em vida, o que, por conseguinte, nos leva a entender de que não existe fundamento teológico para interceder a favor dos mortos.
Para os católicos romanos a referência bíblica que fundamenta esta prática encontra-se em 2 Macabeus 12.44. Entretanto, nós protestantes, não reconhecemos a canonicidade deste livro e nem tampouco a legitimidade desta doutrina, uma vez que o Protestantismo não se submete às tradições católicas e sim as doutrinas das Sagradas Escrituras.
Segundo a interpretação protestante, a Bíblia nos diz que a salvação de uma pessoa depende única e exclusivamente da sua fé na graça salvadora que há em Cristo Jesus e que esta fé seja declarada durante sua vida na terra (Hebreus 7.24-27; Atos 4.12; 1 João 1.7-10) e que, após sua morte, a pessoa passa diretamente pelo juízo (Hebreus 9.27) e que vivos e mortos não podem comunicar-se de maneira alguma (Lucas 16.10-31).
Ora, do ponto de vista bíblico é inaceitável acreditar que os mortos estejam no purgatório ou no limbo aguardando uma segunda oportunidade para a salvação. Em hipótese alguma nós como cristãos devemos celebrar ou participar de culto aos mortos, antes pelo contrário, fomos e somos chamados a anunciar aos vivos a vida que somente podemos experimentar em Cristo Jesus.

Soli Deo Gloria.

A Importância da Liderança Espiritual


John Crotts
Duas filas se formaram à entrada da igreja, numa reunião para homens. Uma longa fila permanecia em frente à porta marcada: “Homens que não são os líderes espirituais de suas famílias”. Na outra porta, lia-se: “Homens que são os líderes espirituais de suas famílias”. Somente um homem permaneceu nesta fila. Quando lhe perguntaram qual era o seu grande segredo, ele deu de ombros e respondeu: “Apenas estou onde minha esposa mandou que eu ficasse”.
Há uma necessidade evidente em nossos dias por homens que assumam a liderança espiritual de suas famílias. Ao invés de abraçarem o papel e as responsabilidades que Deus lhes confiou, muitos homens que alegam ser seguidores de Cristo ou são ditadores ou são “moles”. Certamente, muitas expectativas e ideias erradas nublaram a verdade nesta área da vida em família.
O objetivo deste livrete é motivar, equipar e encorajar homens a incrementarem sua liderança espiritual em casa. Primeiramente, vamos tentar resumir a liderança espiritual em seus componentes básicos, para, então, buscar conselhos práticos que implementem as questões mais importantes em sua família.
Todavia, antes de iniciar, temos de considerar a vasta im­portância dos homens tornarem-se líderes de família e crescerem como tais. Observemos quatro fatores que demonstram quão importantes é este tópico.

Primeiro, importa aos homens liderarem suas famílias porque Densos fez líderes. Em 1 Coríntios 11.3 lemos: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo”. Esta verdade ecoa em Efésios 5.22-23, que diz: “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo”.


Você notou que nenhum destes versos ordena que o esposo se torne o cabeça ou líder de sua casa? Deus diz que o esposo é o líder. A única pergunta é se ele é um bom líder ou não! Após uma cerimônia de comissão, um novo oficial no exército é líder por patente, mas a liderança tem de ser estabelecida na prática. Acontece o mesmo nos casamentos! Você alcança o posto após os votos matrimoniais, mas precisa colocar a liderança em prática. Você precisa assumir as responsabilidades do papel estabelecido por Deus para você!

O segundo fator que mostra a importância na questão de homens na liderança dos lares é o efeito “multiplicar”. Se o pai andar com Deus e ensinar sua esposa e seus filhos a amarem a Deus e obedecerem à sua Palavra, esse homem terá uma famí­lia forte. Uma família forte, por sua vez, tem o potencial para influenciar poderosamente tanto a igreja quanto a sociedade.

O Salmo 127.3 chama os filhos de herança e galardão de Deus. Este salmo compara nossos filhos a flechas numa aljava. “Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava: não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta” (SI 127.4-5). Enquanto o mundo luta mais e mais contra Deus, um lar cristão resiste na batalha contra a crescente maré de invasão do mundo. Quando “lançamos” nossos filhos, munidos com corações cheios da verdade da Palavra de Deus, eles são como instrumentos para o reino de Cristo.
Você quer influenciar sua igreja e sua cidade para o Senhor Jesus Cristo? Tal influência começa com homens mentalmente fortes e espirituais, cuja liderança se reproduz numa família forte. Famílias fortes formam as bases de uma boa igreja. Por fim, sua cidade inteira sentirá a força espiritual de tão fiel igreja! “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte” (Mt 5.14).

Contudo, o efeito “multiplicar” também pode se mover em outra direção. Um pai ditador ou um pai “mole” é de maneira geral, um peso morto que atravanca o progresso espiritual de um lar. Famílias fracas, por sua vez, atrofiam os músculos da igreja. Igrejas aleijadas acabam desgastando a cultura, ao invés de promoverem seu bem. Sua falha como cristão literalmente contribui para o prejuízo espiritual de sua cidade. Por conseguinte, sua liderança espiritual é importante por causa da influência que causa nos outros, para o bem ou para o mal.
Terceiro, a ausência de liderança por parte do marido é a preocupação número um de muitas mulheres cristas. Se você fizesse um levantamento das preocupações das mulheres em cada igreja evangélica de sua cidade, não tenho dúvidas do que estaria no topo da lista ou próximo ao topo. Frequentemente, ao aconselhar casais, os pastores escutam: “Gostaria que meu marido se tornasse o líder espiritual de nossa casa”.
Infelizmente, quando as esposas dizem tal coisa, os homens ouvem algo bem diferente do que elas realmente estão dizendo! Muitos homens presumem que sua esposa espera que eles se tornem a quarta pessoa da Trindade. Muitos homens imaginam que a esposa cristã não ficaria satisfeita com nada menos que o apóstolo Paulo. E devido aos homens saberem que nunca estarão à altura da Trindade ou do apostolado, muitas vezes acabam desistindo e não tentam, de forma alguma, liderar seu lar. Contudo, não podemos nos utilizar disso como pretexto, lembre-se de que somos designados por Deus como líderes de nosso lar; a esposa, com razão, deseja que assumamos esta responsabilidade.
A esposa quer ser liderada por seu marido porque Deus a designou para ser liderada. Embora a mulher em nada seja inferior ao homem. Deus estabeleceu papéis distintos para ambos. Em Gênesis 2.18. Deus relata a origem do matrimônio: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Deus fez Eva sob medida para ser auxiliadora de Adão.
É possível pendurar quadros na parede usando uma chave inglesa, mas um martelo faz o trabalho muito melhor. Sabemos que ferramentas funcionam melhor quando desempenham a função para a qual foram criadas. Infelizmente, muitas mulheres são obrigadas a tomarem a liderança nas coisas espirituais porque o “Sr. Martelo” está inerte na frente da TV! Por conseguinte, tanto maridos como esposas serão mais bem-sucedidos quando exercerem os papéis que receberam de Deus.
Finalmente, o fato de que o matrimônio representa a imagem de Cristo e da igreja mostra a importância de homens que lideram sua família. Deus diz que os casais, em seu proceder, representam o traço característico de como Jesus Cristo se relaciona com sua igreja. “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor: porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo. Como porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.22-25).
Você transmite a verdade de Cristo, se lidera sua esposa com amor, sacrifício e abnegação. Porém, se você é um egoísta incapacitado ou um ríspido ditador, está mentindo sobre Jesus diante do mundo que lhe observa. O pastor e escritor Douglas Wilson diz, apropriadamente: “Cada casamento, em cada lugar do mundo, é uma ilustração de Cristo e a igreja. Por causa do pecado e da rebeldia, muitas ilustrações são infamantes mentiras concernentes a Cristo. Mas um marido jamais deixa de falar sobre Cristo e a igreja. Se ele é obediente a Deus, está pregando a verdade: se ele não ama sua esposa, está proferindo apostasia e mentiras — mas. de qualquer forma, ele está sempre falando”.
Quão importante é a sua liderança espiritual? Ainda que não tenha de unir-se à Trindade ou tornar-se um apóstolo. Deus designou você como cristão para esta tarefa desafiadora. A boa noticia e que Deus suprirá graciosamente a Torça e habilidade que você precisa para realizar a tarefa. Deus não promete o carro do ano ou uma casa maior pela qual você possa estar orando, mas esteja certo de que Deus responderá suas preces por auxílio para ser o homem que Ele espera que você seja.
Ao considerar a seriedade de seu papel como homem, olhe para o Senhor Jesus. Ele é o perfeito modelo de liderança espiritual. Não há melhor exemplo de amor, serviço, responsabilidade, santidade e mansidão. Jesus mostra aos homens como serem fortes e temos ao mesmo tempo. Sua morte na cruz e ressurreição são também as razões indispensáveis para olharmos para Ele. Todos nós temos falhado, de muitas maneiras, em viver nosso ilustre chamado como líderes espirituais, mas Jesus é a fonte do perdão e da consciência límpida. Ao começar a entender e praticar os fundamentos da liderança espiritual, mantenha sempre os olhos fitos em Jesus, o líder perfeito.

A Inconveniência da Expressão Livre-Arbítrio


Graça Operante e Graça Cooperante e o Livre-Arbítrio.
Caso se admita isto, estará fora de questão que o livre-arbítrio não é bastante ao homem para as boas obras, a não ser que seja ajudado pela graça, e na verdade pela graça especial, graça esta de que os eleitos só são dotados mediante a regeneração.
Logo, deixo de levar em conta os fanáticos que bradam que a graça é distribuída a todos de modo igual e de forma indistinta. Isto, entretanto, ainda não está claro: se porventura o homem esteja de todo privado da capacidade de fazer o bem, ou tenha para isso alguma capacidade, ainda que diminuta e precária, que certamente nada possa de si, todavia, em auxiliando-a a graça, desempenhe também ela mesma sua função. Tendo em mira decidir isto, o Mestre das Sentenças ensina que nos é necessária dupla graça para que nos tornemos capazes para uma boa obra. A uma ele chama de graça operante, mercê da qual resulta que queiramos o bem eficazmente; cooperante, a outra, que acompanha a boa vontade, coadjuvando-a.

Nesta divisão desagrada-me isto: que, enquanto atribui à graça de Deus o eficaz desejo do bem, dá a entender que, já de sua própria natureza, de certo modo, ainda que ineficazmente, o homem deseja o bem. Assim Bernardo, asseverando que de fato a boa vontade é obra de Deus, no entanto concede isto ao homem: que ele deseja, de moto próprio, esta espécie de boa vontade. Isto, entretanto, está longe da mente de Agostinho, de
quem, todavia, Lombardo deseja parecer haver tomado essa distinção entre graça operante e graça cooperante.

No segundo membro desse binômio distincional ofende-me a ambigüidade, a qual tem gerado interpretação pervertida. Pois pensaram que cooperamos com a segunda dessas modalidades da graça de Deus, visto ser nosso direito ou de tornar inútil a primeira graça, rejeitando-a, ou de confirmá-la, seguindo-a obedientemente.

Isto o autor da obra A Vocação dos Gentios exprime desta forma: os que fazem uso do juízo da razão são livres para apartar-se da graça, de sorte a ser mérito o não haver-se apartado; e de sorte que, o que não se pode fazer, senão mediante a assistência do Espírito, se credita aos merecimentos daqueles de cuja vontade isto não pôde ser feito.

Pareceu-me bem abordar, de passagem, estes dois pontos, para que o leitor já veja quanto discordo dos escolásticos mais sóbrios. Ora, dos sofistas mais recentes difiro em extensão ainda maior, a saber, quanto estão distanciado da antigüidade. Como quer que seja, desta divisão, contudo, compreendemos em que medida eles têm conferido o livre-arbítrio ao homem. Pois Lombardo sentencia, afinal, que temos o livre-arbítrio não que, em relação ao bem e ao mal, estejamos capacitados para ou fazer ou pensar de modo igual, mas apenas que somos liberados de compulsão, liberdade que, segundo ele, não é impedida, ainda que sejamos depravados, e servos do pecado, e nada possamos senão pecar.

A Inconveniência da Expressão Livre-Arbítrio

Desse modo, pois, dir-se-á que o homem é dotado de livre-arbítrio: não porque tenha livre escolha do bem e do mal, igualmente; ao contrário, porque age mal por vontade, não por efeito de coação. Por certo que isto soa muito bem. Mas, a que servia etiquetar com título tão pomposo coisa de tão reduzida importância? Excelente liberdade, sem dúvida, seria se com efeito o homem não fosse compelido pelo pecado a servi-lo; se, no entanto, é ( – escravo por querer; escravo por vontade], de sorte que a vontade lhe é mantida amarrada pelas peias do pecado! Certamente que abomino (machías) – contendas de palavras - com as quais a Igreja em vão se afadiga, porém julgo ser religiosamente preciso evitar estas palavras que soam algo absurdo, principalmente quando induzem perniciosamente ao erro. Indago, porém, quão poucos são os que, em ouvindo atribuir-se livre-arbítrio ao homem, imediatamente não o concebam ser senhor tanto de sua mente quanto da vontade, tanto que possa de si mesmo vergar-se para uma e outra dessas duas partes?

Contudo, alguém dirá que é preciso afastar perigo desta natureza, se cuidadosamente o povo em geral for informado quanto ao exato sentido desta expressão. Na realidade, porém, como o coração humano propende espontaneamente para a falsidade, de uma palavrinha só o erro sorverá mais depressa do que faz extenso discurso em prol da verdade. Nesta própria expressão temos deste fato mais indisputável experiência do que seria de se almejar. Ora, enquanto se apega à etimologia do termo, deixada de lado aquela interpretação dos escritores antigos, quase toda a posteridade tem sido arrastada à ruinosa confiança pessoal.

Fonte: Josemar Bessa

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ex-paquito faz trabalho humanitário no ‘pior lugar do mundo’


Alexandre Canhoni, que foi o paquito Xand, vive há oito anos no Níger.
País com o pior IDH do planeta 'não tem nada', contou em entrevista ao G1.
Daniel Buarque Do G1, em São Paulo.
O objetivo de Alexandre Canhoni era ajudar as pessoas que vivem no pior lugar do mundo. Depois de ter atuado na TV como paquito do "Xou da Xuxa" e de ter deixado a carreira musical de lado para se tornar evangélico, ele tinha se decidido a viajar para algum lugar como Iraque, Paquistão, Serra Leoa, países em conflito em que a população sofria, e fazer trabalho humanitário. Foi quando ouviu falar do Níger, último colocado do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pela primeira vez. “Perguntei o que tinha por lá, e me disseram que ‘nada’”, contou, em entrevista ao G1, por telefone. Então, ele decidiu se mudar para Niamey, capital do país africano com a pior qualidade de vida do mundo, onde vive há oito anos.
“O país não tinha realmente nada”, contou. “Só agora chegaram detectores de metais no aeroporto, a previsão é de que chegue cartão de crédito daqui a cinco anos, há apenas três restaurantes e a cultura muçulmana é bem radical. Não tem cinema, são pouquíssimas as televisões, que normalmente têm uso comunitário e o que mais passa são programas religiosos islâmicos”, disse. Na capital, segundo ele, que hoje tem 38 anos, há algumas avenidas de asfalto e dois lugares com internet, como lan houses. A energia elétrica vem da Nigéria e muitas vezes falta. “Uma vez ficamos dois dias sem energia elétrica e perdemos muita comida que tínhamos em nossa geladeira.”

Leia também: Melhor país do mundo, Noruega é ‘desafio’, diz brasileiro

Ampliar Foto Foto: Ilustração/G1 Foto: Ilustração/G1
Mapa mostra a localização do Níger, no oeste africano (Foto: Ilustração/G1)

Localizado no oeste africano, logo abaixo do deserto do Saara (parte do território fica no deserto), o Níger ficou em 182º lugar no ranking de qualidade de vida, com IDH de 0,34, pior que o do Afeganistão, palco de uma ação militar comandada pelos Estados Unidos. A população de 15,3 milhões de nigerinos tem uma expectativa de vida de apenas 52 anos, e apenas 28% deles são alfabetizados. Trata-se de um dos países mais pobres do mundo, com Produto Interno Bruto per capita anual de apenas US$ 700 (cerca de R$ 1.200) (o do Brasil é de US$ 10.200, quase R$ 17.500, segundo a mesma fonte, a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos).


Apesar da pobreza, segundo Canhoni, há também pessoas muito ricas no país, que vivem da exploração de urânio e petróleo e que chegam a serviço de multinacionais que, segundo Canhoni, não ajudam no desenvolvimento local. O problema é que há um abismo entre os ricos e os pobres, sem uma classe média, e o preço das coisas à venda é muito alto. “Um litro de leite nos dois únicos mercados custa o equivalente a R$ 6, um quilo de tomate pode chegar a R$ 25. Quanto mais pobre é o país, mais caras são as coisas. Não adianta levar dinheiro e a gente leva do Brasil o máximo de coisa que a gente pode. As pessoas são ou muito pobres ou muito ricas. Vivemos em um dos melhores bairros, mas em frente a nossa casa há barracos em que vivem muitas pessoas que ajudamos. É um contraste muito pior de que o tradicional de prédio de luxo e favela, que se vê no Brasil”, disse.

Segundo ele, os empregos são raríssimos. As pessoas normalmente trabalham como guardas na frente da casa de estrangeiros e ganhando muito pouco, que dá no máximo para comer. Alguns oferecem serviços de turismo, também, levando as pessoas para conhecer o deserto do Saara. “Gostaríamos de incentivar a formação de emprego atraindo empresas para lá, e com algo como uma central de reciclagem de lixo.”

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Alexandre Canhoni e crianças nigerinas que recebem apoio no país de pior qualidade de vida do mundo (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Brasileiros e ajuda

Canhoni é um dos criadores do grupo Ministério Guerreiros de Deus, que diz ser uma ONG aberta à participação de todos que queiram ajudar a população em dificuldade, não apenas uma instituição religiosa. No apoio que oferece à população carente, ele trabalha a nutrição e a formação de crianças e mulheres, sempre com trabalho religioso e leitura de mensagens bíblicas, contou. Esse tipo de ação em um país majoritariamente muçulmano (80%, segundo a CIA), faz com que sejam alvo de ataques e ameaças. “Chegaram a apedrejar nossa casa”, contou.

Visite o site do grupo Guerreiros de Deus

O grupo mora na capital, em uma casa alugada. Comprar imóvel por lá é muito caro, segundo ele. A casa é usada como moradia e abriga projetos de nutrição, aulas de músicas, marcenaria, cultos e atividades esportivas. O grupo também ensina mulheres a costurar, pintar e fazer artesanato. Canhoni disse que há também uma série de grupos internacionais que fazem projetos humanitários também. “Alguns só distribuem comidas, outras traduzem a Bíblia, mas somos pioneiros em dar uma apoio total de alimentação, lazer e formação de crianças carentes”, disse.
Entre as pessoas que atuam no trabalho humanitário, ele disse haver nove brasileiros. O país não tem uma representação oficial do Itamaraty, e a embaixada que cuida das relações com o Níger fica localizada na Nigéria – a região tem registro de 270 brasileiros entre os dois países, além de Burkina Faso. “Temos um conselho brasileiro de missionários no Níger. Sentimos falta de uma representação do Brasil, que está se tornando conhecido pelo nosso trabalho. Eles têm visto nossa bandeira, nossa cultura, mas falta representação oficial", disse.
Coisas boas no pior lugar
Em um país sem “nada”, Canhoni disse ver o lado positivo nas pessoas, os nigerinos, que são receptivos e buscam melhorar um pouco sua vida. “Elas são pobres, não têm muita expectativa, mas são boas, se aproximam dos estrangeiros, buscam sair dessa situação horrível em que se encontram.” Pela pobreza, a corrupção é evidente, e maior de que no Brasil, segundo ele. “Mas não tem problemas de roubo como no Brasil. A lei islâmica é muito rigorosa, então é raro ver as pessoas fazerem isso. Elas têm uma consciência de não pegar o que não é delas, mesmo com toda a pobreza. As pessoas param para rezar, deixam o dinheiro de lado, mas não ocorre roubo.”
Canhoni conta que quem está no Níger para trabalhar com ajuda humanitária acaba não tendo tempo livre para lazer, então não sente falta disso. “Desde as 7h da manhã estamos ajudando eles, e trabalhamos até a noite.” Depois de oito anos vivendo assim, ele diz que sua expectativa é ficar lá até que o país saia da lista dos dez últimos países do mundo. “Ainda queremos montar escolas, centros esportivos, continuar desenvolvendo este trabalho para ajudar na vida difícil deles.”

JANNAINA TEREZA - CATIVEIRO

DVD CATIVEIRO - AS SETE TAÇAS - JANNAINA TEREZA

domingo, 30 de outubro de 2011

FAMÍLIA 11

DVD CATIVEIRO

IGREJA B. PENIEL

A Bíblia é homofóbica?


A BÍBLIA PODE SER ACUSADA DE HOMOFOBIA?
A Bíblia é homofóbica?
O que é a homofobia? “Homofobia = aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante da homossexualidade ou de se tornar homossexual. Mais especificamente a Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.”

Segundo esse parecer do que é homofobia, a Bíblia é e não é?
Há uma incoerência tremenda nessa definição, senão vejamos:“Aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante da homossexualidade ou de se tornar homossexual.”
Nesse caso a Bíblia não é homofóbica, pois não existe nenhuma passagem que enquadre nessa definição, a não ser em "tornar-se homossexual", aqui temos uma:

Levítico 18:22 - " Com varão te não deitarás, como se fosse mulher: abominação é;"

“Mais especificamente, a Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem.”
Nesse caso também a Bíblia não é homofóbica, pois não existe sequer uma passagem Bíblica que se enquadre nessa definição.
“O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo,”
Nesse caso a Bíblia é homofóbica, mas não com o “ódio generalizado aos homossexuais” como diz a definição acima, pois não existe nenhuma passagem bíblica instigando o ódio aos homossexuais, e sim às suas práticas.
O que é? Será que querem dizer o que a Bíblia não diz?

O QUE A BÍBLIA DIZ?

Romanos 1.18 – “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;” [...] pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,

”Rm 1.8, 25-28

A Bíblia diz que Deus ama o pecador, o que diz está dito não se pode mudar.
FOBIA: fo.bi.a - s. f. 1. Med. Nome genérico das várias espécies de medo mórbido. 2. Aversão a alguma coisa. ‘Dic Michaelis’.
Vejamos:

Deus ama o ladrão, mas não a prática do roubo.Ama o traficante, mas não o tráfico.Ama o bandido, mas não a bandidagem.

Ama o corrupto, mas não a corrupção.

Ama as prostitutas, mas não a prostituição.

Ama os gays, lésbicas, bissexuais..., mas não as suas práticas.

Isso é homofobia?

Segundo os neologismos que surgem a cada dia (homofobia é um deles) , poderiamos igualmente acusar alguns gays e lésbicas de heterofobia, pois ao que parece, a aversão é recíproca, havendo também muito preconceito de parte dos homossexuais, pelos heterossexuais.

Mediante isso, só porque não amo a bandidagem, seria eu acusado de 'bandidofobia'?

Se não amo a prostituição, seria eu acusado de 'prostitutofobia'?Se não amo o homossexualismo (não do homossexual), seria eu acusado de homofobia?

O QUE A BÍBLIA DIZ:

Romanos 1.32 – “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.”

E agora? Há ainda dúvida?

Deus ama, a Bíblia nos ensina a amar a Deus, ao próximo e ao pecador. Nós, evangélicos, amamos o pecador, mas não a sua prática pecaminosa.

Amar o Homossexual e odiar o homossexualismo é ser homofóbico?

O QUE A BÍBLIA DIZ?

1Coríntios 6:9 “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,”

1Timóteo 1:10 – “impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina,”

Não podemos impedir que haja corruptos, traficantes, adúlteros, ladrões, assassinos e homossexuais, mas podemos impedir que nos façam, como eles; que nos "orientem" a ser como um deles; podemos impedir que "orientem" , ou que 'obriguem' nossos filhos ser como eles.
Atualmente, alguns psicólogos querem 'proibir' que alguns homossexuais sejam "orientados" à heterossexualidade.

Psicologia é ciência exata?

Se um heterossexual quer trocar de "orientação" (sexual?), PODE, inclusive receber apoio PSICOLÓGICO, apoio governamental para cirurgia de troca sexo. Mas se um homossexual ou lésbica desejar trocar de "orientação", NÃO PODE, e se algum psicólogo(a) (Ex: Rozângela Justino) se atrever a prestar ajuda a qualquer deles, será "excomungado" do Conselho Federal de Psicologia. Não há direitos iguais? "Por favor, não me faça pegar nojo", rsrs.
Temos os corruptos? Sim, mas podemos impedir que haja nas escolas um “expert” em ‘corruptologia’ (???) e dar ‘livre’ orientações de corrupção a nossos filhos e deixá-los com a decisão: Ser corrupto ou não ser, Eis a questão”.
Não podemos obrigar o corrupto a deixar a corrupção (a escolha é dele), mas podemos impedir que a corrupção se espalhe, ou não?
Será que para provarmos que não temos fobia aos corruptos, temos que nos tornar como eles ou ser conivente?
Para provar que não temos homofobia, temos que nos tornar um homossexuais ou sermos coniventes com eles?
Xiiii, aí é ruim, muito ruim.
Eu, amo a Bíblia Sagrada e creio ser ela a Palavra de Deus.
A Bíblia tem sim FOBIA ao pecado e as práticas pecaminosas.E a propósito, será que existe o termo “heterofobia”? Discriminação anti-heterossexual?
Poderia existir uma lei que desse respaldo a quem é perseguido por ser heterossexual?
Poderia ser impedida uma pessoa de dar ajuda psicológica a uma pessoa que quer mudar "sua orientação sexual"?
Homossexualismo, no conceito de muitos psicólogos, é "CIÊNCIA EXATA", e os 'orientados sexualmente' não podem ser 'desorientados'.

A Bíblia pode ser acusada de HOMOFOBIA?

Um cristão pode ser acusado de homofobia?Creio que teremos que aumentar esses "neologismos" relacionados a FOBIA, não é?

BEREIANOS, DEUS AMA O PECADOR, MAS NÃO AMA O PECADO.

“COM A BÍBLIA NAS MÃOS SOMOS MAIS NOBRES”! - At 17.11

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

5 coisas que se aprende do deserto de Jesus


Por Leandro Márcio Teixeira
Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Replicou-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram. (Mateus 4:1-11)

Cinco coisas chamam a atenção neste texto. São elas:

1 – Se você é filho de Deus, Ele mesmo te enviará ao deserto. O versículo 1 diz que “foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto”. Às vezes podemos pensar que o inimigo nos levou até lá. A situação pode ser complicada, dolorosa, estar até mesmo no próprio vale da morte, mas tenha esta certeza: o seu Senhor é contigo. Esta é uma das diferenças entre os que crêem e os que não crêem: somos habitados por Deus – somos o Seu templo. O governo da nossa vida está inteiramente nas mãos do Senhor, mas para o bem. Sabemos, pela Bíblia, que mesmo a vida dos que não crêem está sob o controle do Pai. Contudo, são vasos da ira reservados para seu próprio fim. Não é assim conosco: Deus nos ama, e a obra de aperfeiçoamento que Ele começou não terminará até que sejamos como Cristo é. Acontece porque…

2 – O deserto é necessário. Se todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus, ir para o deserto é algo bom. Jesus foi para lá antes de iniciar o seu ministério terreno. Neste tempo, Ele ficou em oração e comunhão com seu Pai, preparando-se para a grande obra que viria a ser feita. Lembre-se, portanto, de consultar o Pai antes de qualquer empreitada, seja ela grande ou pequena. O Espírito Santo impeliu Jesus a um lugar onde ele pudesse ficar em contato maior com Deus Pai. Assim Ele impelirá cada um dos seus filhos, os quais são habitados por Ele, a buscá-lo cada vez mais. E às vezes isto significa que o Pai poderá colocá-lo em situações difíceis. Mas junto com a provação, ele dá também o livramento (1 Coríntios 10:13). E neste lugar…

3 – Você vai ser tentado. Para isto mesmo que Jesus foi ao deserto. Satanás estava lá, acompanhando de perto tudo o que estava acontecendo com Jesus. Então, as primeiras perguntas que ele fez foram para colocar dúvida acerca da identidade dEle: “Se tu és Filho de Deus…”. Tempos de provação podem fazer você duvidar de quem você é. É de suma importância que você confie na obra que nosso Senhor fez. Ele cumpriu toda a lei por você, pagou uma conta de morte que era sua, creditou a ti a vida eterna e reestabeleceu a comunicação entre você e o Pai. Como disse Jesus: “está consumado”(João 19.30). E também disse, falando das ovelhas do seu povo: “ninguém as arrebatará da minha mão”(João 10.28). A salvação do Senhor é muito firme. Curioso é que Satanás aparentemente sugere algo trivial, sem implicações espirituais: comida. Não há nenhum problema em pedir o alimento ao Senhor. Jesus até ensinou isto na oração-modelo do Pai Nosso. Contudo, Cristo não caiu na cilada. Ele sabia quem era. Assim, cada crente deve resistir às tentações, mantendo vigilância constante. Perceba também que, para tentá-lo…

4 – Satanás pode usar as próprias Escrituras de Deus na sua tentativa de engodo. Não dando certo sua primeira investida, e vendo que Jesus usou a Palavra, o Maligno procurou usar a mesma fonte que Cristo usou. Foi a mesma oferta de antes, só que usando a Bíblia! Que perigo! Pouco conhecimento pode fazer com que você abandone a Deus certo de que está indo ao seu encontro. Pode achar que está obedecendo ao Senhor, mas na verdade está o desafiando. Aqui reside uma grande falha de alguns crentes. O conhecimento raso da Palavra o torna vulnerável a qualquer vento de doutrina. Parece que o conhecimento bíblico de alguns se resume ao que eles escutam nas músicas evangélicas, que no geral, convenhamos, são fraquíssimas teologicamente. É como um soldado que pensa ter uma grande arma e, indo à frente da batalha, precisando usá-la, percebe que não passa de um canivete. Entretanto…

5 – A maneira que Jesus usou para se defender também foi citar as Escrituras. Não foram palavras de ordem, nem gritos, nem chavões, nem simpatias ou campanhas de sete, dez ou doze passos. A Palavra de Deus, dentro do contexto correto, em conformidade com a completude dela é que fez Satanás desistir de assediar Cristo. Resista ao inimigo e ele fugirá de vós (Tiago 4.7). No entanto, muitos tem medo da Teologia, ou a acham desnecessária. Bastam as experiências. Teologia não é somente para acadêmicos. Fazer teologia é estudar sistematicamente a Palavra, procurando entendê-la conforme a orientação do Espírito Santo. Ou seja, qualquer crente fiel faz teologia. Não estudá-la é coisa de crente preguiçoso e relapso. A voga da Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva, por exemplo, se deve à falta de compreensão de assuntos básicos da fé cristã.

Conclusão

Desertos são comuns na vida do cristão, como são também as tentações e provações. Mas somos instados pelo Senhor a resistir a elas, para que aprendamos e sejamos completos em tudo (Tiago 1.2-4).

Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos dentre as nações, para que louvemos o teu santo nome, e nos gloriemos no teu louvor. (Salmos 106:47)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Diabo, Jesus, o músico e o pastor


por Augusto Guedes
Tenho alguns amigos que são pastores e também músicos. Um deles, após uma reunião de organização de um grande evento interdenominacional, referindo-se à falta de unidade e de cooperação, comentou entristecido: “não sei qual dessas ‘tribos’ é mais difícil de conviver: se a dos pastores ou a dos músicos!”
Pessoalmente entendo o comentário, pois também faço parte de ambas as tribos. Ao mesmo tempo, me pergunto: o que torna essa afirmativa uma verdade? O que tais “tribos” têm em comum, que ratificam tal observação? Talvez porque, principalmente, pastores e músicos sejam tentados da mesma forma que Jesus foi, e quando estes não conseguem resistir, tornam-se pessoas difíceis. Mas, quais as tentações que Jesus sofreu e que podem proporcionar esse tipo de comportamento e comparação?
O Diabo, como um ser milenar, sabe exatamente como fazer para nos instigar, atrair, e confundir. É algo tão sutil que nem todos conseguem identificar como certas propostas convidativas e aparentemente espetaculares são, na realidade, diabólicas e provocam completo engano - além de fazerem um tremendo mal à igreja. Ora, se ele foi capaz de tentar o próprio Jesus, imagine o que ele não gostaria de fazer conosco!
Muitas vezes, as nossas tarefas ministeriais nos propiciam situações semelhantes às de Jesus em Mateus 4, em que, embora não percebamos, estamos frente a frente com o inimigo: normalmente em lugares altos, como por exemplo palcos e púlpitos, sendo sutilmente estimulados por ele à vaidade e à busca por poder, por meio de desafios lícitos, aparentemente necessários, respaldados na Palavra e expressos pelos nossos simples atos de fazer e ordenar. E pelo desejo de ter, o que pode muitas vezes representar uma atitude de obediência e conseqüente adoração ao tentador.
Infelizmente nem todos percebemos que por trás do aparente poder e da fama pode haver atitudes de quem se prostra e, mesmo de forma inconsciente, coloca o controle nas mãos do inimigo. Apesar de desejarmos ser como o Mestre Jesus, nem sempre conseguimos identificar que tais situações muitas vezes são provas a que o mesmo Espírito que o levou ao deserto está nos submetendo hoje. Pecamos na busca por reconhecimento e afirmação pessoal, quando a cobiça nos atrai e nos seduz. Os desejos de agir, controlar e possuir certamente são muito perigosos à vida tanto do pastor quanto do músico, e é exatamente por meio deles que se pode constatar a queda na mesma tentação feita a Jesus.
A história tem comprovado que o resultado dessa busca por poder e fama, de forma consciente ou não, tem gerado o desenvolvimento e a manutenção de práticas, que mesmo aparentemente inexpressivas, evidenciam o quanto a mesma tentação feita a Jesus não só está latente, mas, em muitos casos, atendida por parte das duas tribos: a dos “músicos” e a dos “pastores”. ‘Fazer’, ‘ordenar’, e ‘ter’ são verbos que não só traduzem as ações e o sentimento sugeridos pelo diabo na direção de desviar a atenção de Jesus e promover a sua queda, mas que servem de balizadores para os nossos dias, nos permitindo um autoexame, uma reflexão pessoal e sincera com relação às nossas atitudes no exercício daquilo que entendemos e muitas vezes chamamos de “nosso ministério”.

O FAZER
O empreendedorismo tornou-se uma das marcas mais importantes da sociedade atual. “Agenda cheia” virou sinônimo de competência e produtividade. Jamais pensamos nelas como empecilhos aos nossos alvos. Enquanto as atitudes de Jesus no seu ministério eram primeiramente voltadas para as pessoas, dedicando-lhes tempo comendo, conversando, caminhando, orando, curando, nós, nos “nossos” ministérios, buscamos ações estratégicas finais voltadas normalmente para o desenvolvimento e a manutenção das instituições.
Se o ministério de Jesus aqui no mundo estava focado em relacionamentos, o nosso é centrado em realizações. Muitas vezes, ao invés de exercermos ministérios por causa das pessoas, nos relacionamos com as pessoas por causa dos ministérios. Tarefas tornam-se fins e não meios, e processos firmam-se como mais importantes do que pessoas. Metas não faltam, como se não dependêssemos do Espírito para que as coisas aconteçam. A idéia do “bom pastor”, utilizada equivocadamente em relação a homens, e não a Jesus, passou a estar mais relacionada àquele que empreende do que ao que cuida das ovelhas.
Em nome de uma excelência na proclamação do evangelho, somos tentados a um ativismo cada vez maior, que nos é prazeroso, principalmente para aqueles movidos por desafios, e que, sob o respaldo da Palavra, sutilmente promove completo engano, nos afastando das pessoas e tornando a igreja mais parecida com uma produtora de é-ventos ou com uma indústria de crentes em série, do que com as metáforas de “família” e “corpo” apresentadas por Paulo.
Dessa forma, o exercício dos dons deixa de ser uma conseqüência espiritual das reuniões dos irmãos para ser mão-de-obra especializada, parte de um serviço departamentalizado chamado de ministérios, prestado por gente apaixonada pelo que faz, numa carga horária interminável, muitas vezes por só se sentir reconhecida e amada se estiver executando algo.
Precisamos aprender a ser igreja, e não a fazer igreja; ao invés de fazer música, talvez ser música para Deus; e ao invés de promover reinos de homens, ser Reino de Deus.

O TER
Enquanto Jesus “não tinha onde reclinar a cabeça”, alguns de nós pastores e músicos dos dias atuais temos não apenas carrões de últimos modelos, mansões nos bairros mais nobres, investimentos e salários bem superiores à média das famílias das congregações às quais dizemos pertencer. No caso dos pastores, os nossos púlpitos - onde ninguém mais prega - com algumas pequenas exceções; as nossas visões “dadas por Deus”, que, por isso, fragilizam qualquer possibilidade de questionamento; as nossas doutrinas, que muitas vezes nos promovem mais do que ensinam a outros; e porque não lembrar dos nossos rebanhos, que além de aplaudirem as nossas performances, nos dão poder de representatividade em diversas ocasiões, fazendo com que sejamos convidados a participar de reuniões, projetos e eventos, muito mais pelo número de membros que ‘temos’ do que por aquilo que simplesmente podemos oferecer.
Também temos os nossos cargos, que se confundem com os nossos títulos e nos conferem uma “autoridade”, na maioria das vezes outorgada ao invés de naturalmente conquistada pelo nosso viver. No caso dos músicos não é diferente. Logo se institui o título de “Levita”, como se fosse coisa dos dias atuais, ou de “Ministro de Louvor”, “Pastor de Artistas”, “Líder de Adoração”, etc., na tentativa inconsciente de se formar um clero da música, a exemplo do “consagrado” clero da palavra, que transpõe certas pessoas para um patamar superior de importância e não de serviço, onde o “Ter” também representa poder e conseqüente fama, quando temos os nossos trabalhos (leia-se CDs, DVDs, etc.), nossos públicos, nosso estilo musical, nossa imagem, nossa banda, nossa carreira, nosso fã-clube, e muita coisa mais, que parecem passar a ser mais nossas, numa perspectiva mundana, do que fruto da graça do Bondoso Pai.
Em nome de um sucesso no crescimento do Reino de Deus, somos tentados a cada vez mais procurarmos TER, dentre outras coisas, grandes comunidades e grandes públicos, ações plenamente realizáveis, principalmente para aqueles que possuem maior carisma, que nos enchem de satisfação pessoal e muitas vezes de orgulho, mas que sutilmente nos levam à promoção de controle e manipulação de massas, seja através do discurso ou da música; bem como ao controle e a manipulação de indivíduos, por meio de verdadeiros “abusos espirituais” em que terminamos machucando, ferindo, e muitas vezes matando “em nome de Deus” – a exemplo da “disciplina” que deixou de ser um ato de amor para ser um ato de terror – tudo isso apoiado por verdadeiras estruturas que envolvem desde equipes de marketing até de logísticas, que impressionam pelo tamanho, levando a igreja a assumir características mais de empresa do que daquilo que ela realmente deveria ser: grupos relacionais centrados no Cristo Vivo. E aí o patrimônio, desde o chamado “templo” até o menor parafuso reserva que está na caixa de ferramentas; a hierarquia, desde aquelas mais formais àquelas aparentemente mais livres; e a instituição, desde a denominação da qual fazemos parte até o tipo de serviço executado por alguém ou mesmo pelo grupo de reuniões menores, tudo isso passa a ser mais importante do que as pessoas, a verdadeira igreja.

O ORDENAR
A ação de ordenar é a maior demonstração visível de poder, embora nem toda ordem necessariamente contenha autoridade legítima. As idéias de que ‘competente’ é aquele que “faz”, e de que ‘bem-sucedido’ é aquele que “tem”, nos trazem a falsa sensação de que o sucesso no ministério, como acontece nas coisas mundanas, está no ‘agir’ e no ‘possuir’. No entanto, o relato deste episódio por Mateus nos ensina exatamente o contrário. Foi o abrir mão de “transformar pedras em pães”, mesmo num momento absolutamente necessário aos olhos humanos, e de possuir “todos os reinos deste mundo e a glória deles” mesmo numa perspectiva extremamente atraente e privilegiada aos olhos de quem está num lugar alto, que qualificaram Jesus para ordenar: “retira-te, Satanás”.
Certa vez, num congresso, ouvi que para Deus sucesso significa fidelidade, e foi o que qualificou a autoridade de Jesus para tal.
Em nome do exercício de nossa autoridade, muitas vezes somos tentados a uma busca por poder, que embora muitas vezes baseada na Palavra, sutilmente nos leva a práticas de controle e manipulação como já mencionamos acima. Este é um “prato cheio” para encantar pastores que quando ministram a Palavra tornam-se mestres no uso de apelos emocionais, aparência física e linguagem para “vender” seus argumentos, peritos em imitar a forma em lugar da substância, bem como para músicos, que quando ministram o louvor fazem o mesmo, com o acréscimo de toda a força própria da música para mexer com as emoções, utilizando-a da pior forma para conseguir seus objetivos pessoais em nome de uma exaltação a Deus.

Parece que o texto nos ensina que para seguir a Jesus atuando naquilo que chamamos de nossos ministérios temos que renunciar a muitas coisas. Tentações que têm a ver com o agir, o controlar, o possuir, fazendo-nos mais pastores do que gestores, ou mais servos do que servidos, ou mais apoiadores do que possuidores, ou ainda, sem tanta notoriedade a fim de exercer uma verdadeira autoridade que pode num só ordenar dizer o contrário de “fica, Satanás" e você foi possivelmente tentado a pensar, ao ler no início o título deste texto, que eu estaria comparando o embate que existiu entre o Diabo e Jesus, ao dos pastores e músicos. A grande realidade é que essa deve ser uma relação de cooperação e não de competição. Somos todos igualmente tentados, e, felizmente, Jesus não se permitiu cair.

Vale, então, uma pregação e uma canção sobre a graça de Jesus. E que o Pai das luzes e das artes seja glorificado com as nossas opções de vida e ministério.

Augusto Guedes é um dos pastores da Comunidade de Discípulos em Fortaleza. É músico, diretor-executivo do Instituto Ser Adorador (ISA) e profissional do segmento imobiliário.

P.S. De quebra – se desejar continuar lendo – acrescentei ao extenso texto algumas atitudes simples e práticas do cotidiano (e você pode aumentar a lista), que só confirmam o fato de que muitos de nós, músicos e pastores, caímos rotineiramente na mesma tentação de Jesus.

Músicos e pastores que só participam de eventos quando vão tocar ou falar;
Quando não é o caso, rotineiramente chegam atrasados, marcam presença e saem antes;
Que nunca sentam para ouvir;
Que valorizam grandes auditórios e platéias;
Que pregam sermões ou cantam canções para os outros e nunca para si;
Que possuem verdadeiros fãs-clubes, embora nem sempre explícitos;
Que desenvolvem dependentes e não apreciadores da sua arte de falar ou tocar;
Que fazem distinção entre grupos, tais como ministradores e ministrados;
Que olham para as pessoas como números e, muitas vezes, cifrões;
Que caem na tentação da casa cheia, do bolso cheio e da agenda cheia;
Que para se reunir têm que agendar com a secretária;
Que têm mais jeito de servido do que de servo;
Que cultivam uma distância, um campo minado nos relacionamentos;
Que em nome de uma visão seguem sempre à frente e jamais ao lado, com carreiras solos e posições hierarquizadas, em que sempre estão no topo;
Que têm o poder outorgado por uma função e não reconhecido por uma natural autoridade;
Que no argumento de uma suposta autoridade jamais escutam, apenas falam;
Que quando calado num diálogo não é porque está ouvindo, mas sim já pensando na resposta;
Que possuem relacionamentos superficiais e não profundos;
Que os processos valem mais do que as pessoas;
Que dedicam mais tempo e energia a tarefas e eventos;
Que têm suas agendas repletas de eventos e não de relacionamentos;