quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cuide do dom!



Por Josemar Bessa

Na vida espiritual nada permanece imóvel. Se não estivermos constantemente crescendo em humildade, estaremos prontamente aumentando e produzindo o fruto do orgulho.

A saúde espiritual, como a saúde do corpo, é um dom de Deus. Mas, como a saúde do corpo, é um dom que deve ser cuidadosamente tratado, uma vez que hábitos descuidados podem danificá-la.

Portanto, prepare-se para estar amanhã em adoração com o povo de Deus meditando nas palavras de Thomas Brooks  (1608-1680):

“O interior de um hipócrita nunca corresponde ao seu exterior. O  interior de um hipócrita é uma coisa, e seu exterior é outra coisa; um hipócrita  é exteriormente limpo — mas interiormente impuro. Hipócritas são como os  frascos dos farmacêuticos, tendo por fora o título de algum excelente remédio  — mas por dentro algum veneno mortal. Eles são como os templos egípcios,  que são belos por fora — mas dentro deles nada se encontra além de  serpentes e crocodilos, e outras criaturas venenosas.

Hipócritas laboram mais em prol de um bom nome do que de um bom  coração; uma boa repercussão dos seus feitos do que uma boa consciência;  eles são como violinistas, mais cuidadosos em afinar seus instrumentos do que  em vigiar suas almas. Hipócritas são como prata — porém escurecem; eles  possuem uma aparente santificação externa — mas interiormente são cheios  de malícia, mundanismo, orgulho, inveja, etc. São como almofadas de sofá, feitas de veludo e ricamente bordadas — mas cujo interior é cheio de feno.

Um hipócrita pode oferecer sacrifício com Caim, correr com Jezabel, se  humilhar com Acabe, chorar com as lágrimas de Esaú, beijar Cristo com  Judas, seguir a Cristo com Demas, e aparentar compromisso com Simão  Mago; e ainda com tudo isto seu interior é tão mau quanto qualquer um deles. 

Um hipócrita é um Jacó por fora e um Esaú por dentro; um Davi por  fora e um Saul por dentro; um Pedro por fora e um Judas por dentro; um  santo por fora e um Satanás por dentro; um anjo por fora e um demônio por  dentro. Um hipócrita é um Judeu exteriormente — mas um ateu, um pagão,  um infiel interiormente. Li sobre certas estátuas, assemelhando-se a Júpiter e  Netuno, que por fora eram cobertas com ouro e pérola — mas por dentro  não tinham outra coisa senão aranhas e teias de aranha; a comparação perfeita  com os hipócritas.

Aquele monge acertou quando disse: “Mostrar ser um monge de forma  externa foi fácil — mas ser, de fato, um monge, interiormente, foi difícil.” Mostrar ser um cristão de forma externa é fácil — mas ser, de fato, um  cristão, interiormente, é muito difícil. O interior de um hipócrita nunca reflete  ou corresponde ao seu interior; seu interior é perverso, e seu exterior é piedoso. Mas que todos os hipócritas saibam: fingir santidade é duplamente  iníquo, e ao fim terão de responder por isto.”

Todas as pessoas mencionadas por Thomas Brooks, tinham algo em comum – tiveram acesso a verdade, ou conhecimento intelectual sobre Deus, mas Deus nunca foi o deleite deles. Essa é uma forma de descobrirmos os primeiros passos sutis da hipocrisia, ainda que insipientes. Essa é a única coisa que nos livra de estarmos fazendo coisas para edificar nosso próprio nome, fingindo ( mesmo que não percebamos ainda ) – que estamos empenhados em viver, edificar vida e ministério para a glória de Deus.

George Mueller (alemão - nasceu como: Johann Georg Ferdinand Müller ) (27 de setembro de 1805 - 10 de março de 1898), um cristão evangelista e diretor do Ashley Down orphanage em Bristol, Inglaterra , cuidou de 10.024  órfãos em sua vida. Ele ficou bem conhecida por fornecer uma educação às crianças sob seus cuidados. Ele também estabeleceu 117 escolas que ofereciam educação cristã a mais de 120 mil crianças, muitas delas sendo órfãos.) disse:

"De acordo com minha opinião, o ponto mais importante a ser entendido para que o que fazemos não se tornar meramente algo humanista (focado no homem) e sutilmente nos encher de orgulho em edificar um nome, é o seguinte:  Acima de tudo o que fizer, busquem fazer com que suas almas estejam completamente felizes no Senhor. Outras coisas podem pressionar você, a obra do Senhor pode até ter reivindicações urgentes sobre sua atenção... mas nossa questão não é sua obra, mas o deleite no próprio Deus. Eis o antídoto contra todo orgulho e hipocrisia que nos faz estar focados no homem.

Eu deliberadamente vou repetir, é de suprema e fundamental importância que você deve procurar, acima de tudo,  ter as vossas almas verdadeiramente feliz em Deus! dia-a-dia procurem fazer disso o negócio mais importante da sua vida. O completo deleite em Deus nos livra da dependência dos resultados e da visão do homem sobre nós e nosso ministério.

Esta tem sido minha firme e resolvida condição nos últimos trinta e cinco anos. Nos primeiros quatro anos depois da minha conversão eu não sabia de sua vasta importância, mas agora, depois de muita experiência, eu recomendo especialmente neste momento ao conhecimento de meus irmãos mais jovens e irmãs em Cristo: o segredo da todo verdadeiro serviço eficaz é a alegria em Deus, ter conhecimento experimental e comunhão com o próprio Deus". 
 

O SENTIDO DA VIDA

 
Por Isaltino Gomes Coelho Filho

No livro Não verás país nenhum, Inácio de Loyola Brandão, um dos grandes cronistas e contistas brasileiros, imagina a cidade de São Paulo após uma guerra nuclear mundial. A maior e mais rica cidade do hemisfério sul está em péssima situação, absolutamente destroçada. Não há mais energia nem alimentos. Acabou-se, por completo, a vida vegetal. Não há mais chuvas. A vida, enfim, é terrível. Mas a última coisa que as pessoas deixaram foi seus carros. Quando não puderam mais se locomover neles, por falta de combustível ou por cessação da energia motor, e tiveram que ficar parados, recusaram-se a deixá-los. Loyola mostrou, assim, como as pessoas se apegam às máquinas e bens materiais como valor último da vida. Elas não têm coisas. As coisas as têm.

Ele segue na mesma linha do americano Pat Frank, em Ai, Babylon, que imagina a Flórida destruída por um ataque nuclear. Não há mais eletricidade nem combustível. A vida volta às suas condições elementares. As pessoas trocam carros de luxo, que agora são absolutamente inúteis, por galinhas, e lanchas a motor por um punhado de sal.

Isto levanta uma questão: O que é, realmente, essencial à vida? Lutamos e nos esforçamos por supérfluos sem os quais nossos antepassados sempre viveram. E razoavelmente bem. Aonde se vai hoje, por exemplo, encontramos pessoas falando ao celular. Ele é tão essencial assim? É muito útil. Foi assim que, num acidente na estrada, numa ocasião, pude algumas pessoas para tomarem providências com meus familiares. Mas já vi gente, em supermercado, telefonando para saber qual a marca de extrato de tomate deveria levar! Como essas pessoas viviam antes? Essas coisas que nos encantam e enchem os olhos e nos fazem pessoas realizadas e com status são, realmente, essenciais?

O psicanalista Erich Fromm declarou que a vida moderna transformou as pessoas em sombras ansiosas e desprovidas de amor. Diz ele: “A maioria dos norte-americanos acredita que estejamos numa sociedade de consumo (…) de gente feliz, que gosta de se divertir, que viaja em aviões à jato, e cria o máximo de felicidade para todos”. Mas diz ele que, ao contrário, este estilo de vida conduz à ansiedade, à vulnerabilidade, e em prazo maior, à desintegração da nossa cultura, o que é desastroso para a maioria das pessoas.

Centramos nossa vida na posse de coisas. Mas Jesus disse que “a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui” (Lc 12.15). Há valores maiores: dignidade, integridade pessoal, credibilidade, paz interior, paz em casa, paz com Deus, a vida em ordem. Provérbios 15.16-17 retrata bem isso: “Melhor é ter pouco com o temor do SENHOR do que um grande tesouro acompanhado de inquietação. Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi gordo acompanhado de ódio”. Baseado neste texto, seguindo a Linguagem de Hoje, preguei, meses atrás, sobre “Quando rúcula é melhor que picanha”. O simples com Deus e com paz é melhor que o mais nobre sem Deus e sem paz. Buscamos tanto coisas e nos esquecemos de que elas não têm o poder de encher nossa vida de sentido. Mas um bom relacionamento com Deus e uma boa vida doméstica vale mais. Não há dinheiro que pague ter boa comunhão com Deus e um lar amoroso.

Sim, nada é mais valioso que a paz com Deus, a certeza de se estar acertado com ele, provar seus cuidados e ter a certeza da vida eterna. Paulo perdeu tudo o que tinha por amor a Cristo. Até a vida. Mas declarou, com júbilo: “Eu sei em que tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1.12). Sua vida, mesmo com todas as dificuldades que enfrentou, foi uma vida jubilosa, cheia de sentido, e que marcou o mundo para sempre. Por um motivo muito simples: era uma vida comprometida com Jesus Cristo.

Sua vida está legal? Você vive bem, tranquilo, realizado, seguro e confiante no futuro? Lembre-se que confiar em coisas é confiar no nada. Não confie em coisas, em si próprio, muito menos em conceitos humanos. Ponha sua confiança em Jesus Cristo. Você descobrirá o que muitos outros descobriram: que a vida com Cristo passa a ter outro sentido. Um sentido muito mais rico. Creia nele. Vale a pena.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Salvação: dádiva de Deus e não conquista do homem


Por Rev. Henandes Dias Lopes
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.16

A salvação não é um prêmio que recebemos por causa das nossas obras, mas um presente que recebemos por causa da graça. Não conquistamos a salvação pelo nosso esforço, recebemo-la pela fé. Não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós. Falando a Nicodemos, Jesus destacou essa verdade axial no versículo mais conhecido da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Nesse versículo nós encontramos sete verdades preciosas acerca dessa tão grande salvação.

Em primeiro lugar, a salvação é grande pela sua procedência. “Porque Deus amou…”. O Deus Todo-poderoso, criador do universo e sustentador da vida tomou a iniciativa de nos amar, mesmo antes da fundação do mundo. Seu amor por nós é eterno, deliberado, autogerado e incondicional. Deus não nos amou por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A causa do amor de Deus não está em nós, mas nele mesmo.

Em segundo lugar, a salvação é grande pela sua amplitude. “Porque Deus amou ao mundo…”. Deus amou as pessoas de todos os tempos, de todas as raças, de todos os lugares, de todas as classes e de todos os credos. Amou não aqueles que o amavam, mas amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Amou-nos não porque correspondíamos ao seu amor, mas amou-nos apesar de nossa rebeldia.

Em terceiro lugar, a salvação é grande pela sua intensidade. “Deus amou ao mundo de tal maneira…”. Essa expressão de “tal maneira” aponta para o amor singular, incomparável e superlativo de Deus. Seu amor não foi apenas falado, mas demonstrado. Demonstrado não com cenas arrebatadoras, mas com o sacrifício supremo. O amor de Deus não foi esculpido com letras de fogo nas nuvens, mas demonstrado na cruz.

Em quarto lugar, a salvação é grande pela sua dádiva. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…”. Deus não deu ouro e prata nem mesmo um anjo para a nossa redenção. Deus deu tudo, deu a si mesmo, deu o seu único Filho. Deu-o para que ele se esvaziasse e vestisse pele humana. Deu-o para que seu Filho fosse rejeitado e desprezado entre os homens. Deu-o para que seu Filho suportasse o escárnio das cusparadas e suportasse a maldição da cruz. Deu-o como sacrifício para o nosso pecado.

Em quinto lugar, a salvação é grande pela sua oportunidade. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê…”. A salvação não é recebida como fruto do merecimento, mas como resultado da graça mediante a fé. A salvação não é dada àqueles que se julgam santos nem àqueles que praticam boas obras com o propósito de alcançarem o favor de Deus. A salvação é oferecida gratuitamente àqueles que crêem em Cristo. Não é crer em anjos nem em santos, mas crer em Jesus, o Filho de Deus. Jesus é o caminho para Deus, a porta do céu, o único mediador que pode nos conduzir ao Pai.

Em sexto lugar, a salvação é grande pela sua libertação. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça…”. A salvação é o livramento da ira vindoura, é a soltura das cadeias da morte, é a alforria dos grilhões do inferno. Aqueles que permanecem incrédulos perecerão eternamente. Aqueles que se mantêm rebeldes contra o Filho jamais verão a vida nem desfrutarão do paraíso de Deus. Aqueles que não beberem da Água da Vida, terão que suportar o fogo que nunca se apaga.

Em sétimo lugar, a salvação é grande pela sua oferta. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deus não apenas livra da condenação os que crêem, mas também oferece a eles vida eterna. A vida eterna é uma perfeita e íntima comunhão com Deus pelo desdobrar da eternidade. A vida eterna será como uma festa que nunca mais vai acabar, no melhor lugar, com as melhores companhias, com a melhor música, com as melhores iguarias, trajando vestes alvas. Enquanto a eternidade durar, desfrutaremos dessa gloriosa vida. Bendito seja Deus por tão grande salvação!

Salvação completa ou salvação nenhuma!


Por Josemar Bessa
 
Primeiro - Cristo apareceu uma vez por todas para aniquilar o pecado pelo seu sacrifício – “Se assim fosse, Cristo precisaria sofrer muitas vezes, desde o começo do mundo. Mas agora ele apareceu uma vez por todas no fim dos tempos, para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo.” - Hebreus 9:26

Fui Salvo!

Cristo veio ao mundo para definitivamente aniquilar o pecado na vida daqueles que Ele chama por Sua graça. De maneira muito diferente dos sacrifícios que eram repetidamente oferecidos pelos sacerdotes levitas, ele ofereceu um sacrifício de uma vez por todas. O único altar do evangelho é o Calvário. Altar é o lugar onde é oferecido o sacrifício ( Eis a razão por ser absurdo chamar a plataforma na frente dos templos de altar – não existem altares na Nova Aliança senão o Calvário – A parte da frente do templo é simplesmente uma plataforma onde é pregado o evangelho – não é um lugar mais santo... um altar...).

Por isso o texto diz: “Mas agora ele apareceu uma vez por todas no fim dos tempos...”- Hebreus 9:26 – Sua obra perfeita aponta e prepara a expectativa de um fim. Sua vida, morte, ressurreição, ascensão e derramamento do Espírito, inaugurou os “últimos dias” – “mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo.” - Hebreus 1:2

A perspectiva e experiência espiritual do Antigo Testamente é descortinada para nós aqui – Lá os crentes viviam à luz das promessas de Deus e andaram pela fé, crescendo no conhecimento do significado interior dos inúmeros sacrifícios que eles presenciavam e ofereciam a Deus. Tudo aquilo para que suas mentes se fixassem no verdadeiro sacrifício que era tipificado dia após dia. Eles ainda não tinham a realidade: “Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido.” - Hebreus 11:39.

Todos os redimidos, no Antigo e Novo Testamento, são salvos em Cristo, num único sacrifício. Eles entenderam que a longa fila de sacerdotes e sacrifícios não poderia ser o caminho para o perdão final e aceitação deles diante de Deus: “No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa.” - Hebreus 9:7-9

Ao ir a cruz Cristo libertou milhões e milhões de cativos, aniquilou o pecado, rasgou o título da dívida e deu aos verdadeiro adoradores uma consciência limpa.

Segundo - Cristo aparece agora na presença de Deus em nosso favor– “Pois Cristo não entrou em santuário feito por homens, uma simples representação do verdadeiro; ele entrou no próprio céu, para agora se apresentar diante de Deus em nosso favor” - Hebreus 9:24

Sendo Salvo! – O que Cristo está fazendo agora? Está intercedendo por seu povo. A ideia de que nós fomos perdoados na cruz e agora é conosco – nós que manteremos a nossa salvação... é completamente antibíblica. Cristo não é apenas o Autor de nossa fé, ele a mantém até o fim – essa é a base da perseverança dos santos. Ele começou algo que Ele terminará. Quem foi justificado em seu sangue, será salvo da corrupção do mundo por Seu poder infinito e sua intercessão, onde Ele está diante do Pai em nosso favor: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” – Filipenses 1.6 – Sua intercessão por aqueles que o Pai lhe deu, é invencível.

Em Hebreus 9.24 o autor de Hebreus está pensando no que aconteceu após a morte de nosso Sumo Sacerdote. Na escuridão do Gólgota Ele foi “castigado e ferido por Deus” (Is 53.4). Quando o Sumo sacerdote entrava no Santo dos santos representando o povo de Deus, suas roupas tinham sinos nas orlas para que o som deles mostrasse aos adoradores que ele estava vivo (Ex 28.33-35). Nos três dias em que Cristo esteve morto, podemos dizer que não se ouvia os sinos... Mas então Cristo se levantou  no poder de uma vida indestrutível e ascendeu à mão direita de Deus.  Sua presença ali é a evidência de que toda a dívida de todos os eleitos foi riscada e que jamais sacrifício pelos pecados precisará ser repetido. Ele pessoalmente encarna a propiciação perfeita feita pelos nossos pecados: “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.” - Apocalipse 5:6 – Eis a aparência daquele que faz toda a intercessão de que precisamos: “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” - Romanos 8:34.  

Aí está toda a base da santificação presente e da perseverança de todos os santos – Somos por Ele salvos no presente da corrupção do mundo e mantidos na Fé – “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” - 2 Coríntios 4:4 – Mas nos filhos de Deus, por Cristo, o maligno não toca (1 Jo 5.19,20). Sua intercessão vencedora que começou na terra: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” – João 17.15 – Ele intercede não pelo mundo, mas pelos eleitos: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” -João 17:9 - e  continua à direita do Pai.

Sua intercessão vencedora traz no presente infalivelmente santificação e perseverança – “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” - João 17:15-17 – Pela obra e intercessão de Cristo, todos os eleitos serão, estão sendo, completamente salvos da corrupção do mundo e guardados para a redenção ( Santificação e perseverança) – Nele, por Ele e para Ele.
 
Terceiro -  Cristo aparecerá para salvar aqueles que estão esperando ansiosamente por Ele: “...assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” - Hebreus 9:28

Serei salvo! - Enquanto Jesus estiver a Direita de Deus nos céus, a nossa salvação será vitoriosa e permanecerá – e como Ele está ali eternamente, nada pode destruir o que Ele fez em e por nós: “Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles.” - Hebreus 7:25 – Portanto, infalivelmente algo está no nosso futuro. Cristo aparecerá em glória para salvar os que ansiosamente esperam por Ele: “...e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” - Hebreus 9:28  

Todos esses que O aguardam vivem no poder da santidade que sua intercessão lhes garante: “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” - 1 João 3:3. Estamos certamente saboreando o “Já” da salvação, mas completamente conscientes de que há um futuro, há um “ainda não” – o qual esperamos ansiosamente.

Ainda não estamos em casa com Cristo, somos peregrinos, queremos ir para casa. Você está ansioso? “desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” -  Filipenses 1:23

A salvação na perspectiva do tempo

Por Rev. hernandes Dias Lopes
A salvação é obra de Deus e não do homem. É salvação do pecado e não no pecado. É salvação pela graça divina e não pelo mérito humano. É recebida pela fé e não pelas obras. A salvação foi planejada na eternidade, é executada na história e será consumada no segunda vinda de Cristo. A salvação pode ser analisada na perspectiva do tempo. Quanto ao passado já fomos salvos, quanto ao presente estamos sendo salvos e quanto ao futuro seremos salvos. Quanto ao passado, já fomos salvos da condenação do pecado; quanto ao presente, estamos sendo salvos do poder do pecado; e quanto ao futuro, seremos salvos da presença do pecado. Vejamos esses três tempos da salvação:

Em primeiro lugar, quanto à justificação já fomos salvos. A justificação é um ato e não um processo. É feita fora de nós e não em nós. Acontece no tribunal de Deus e não em nosso coração. Pela justificação, Deus nos declara justos em vez de nos tornar justos. A justificação é completa e não possui graus. Todos os salvos estão justificados de igual forma. A justificação é um ato legal e forense. Com base na justiça de Jesus, o Justo, Deus justifica o injusto sem deixar de ser justo. Seria injusto Deus justificar o injusto. Porém, Deus, é justo e o justificador do que crê. Isso, porque Deus satisfez sua justiça quando entregou seu Filho, o Advogado Justo, para sofrer as penalidades que nós deveríamos sofrer. Deus fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Agradou a Deus moê-lo. Jesus foi traspassado pelos nossos pecados. Ele foi feito pecado por nós. Ele bebeu, sozinho, todo o cálice cheio da ira de Deus contra nós, pois éramos filhos da ira. Pela morte de Cristo a lei foi cumprida e a justiça foi satisfeita, de tal maneira que, agora, Deus pode ser justo e justificador. Deus considerou satisfatório o sacrifício substitutivo do seu Filho e nos declarou quites com sua justiça. Já não pesa mais nenhuma condenação sobre aqueles que estão em Cristo Jesus, pois o próprio Jesus é a nossa justiça.

Em segundo lugar, quanto à santificação estamos sendo salvos. A salvação já está consumada pelo sacrifício perfeito e irrepetível de Cristo. Diante do tribunal de Deus já estamos salvos. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram tratados na cruz de Cristo. Porém, quanto ao processo da santificação, estamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo. Agora, Deus está trabalhando em nós, formando em nós o caráter de seu Filho. Se a justificação é um ato, a santificação é um processo que começa na regeneração e só terminará na glorificação. Se a justificação não tem graus, a santificação tem. Nem todos os salvos estão na mesma escala de crescimento rumo à maturidade. Precisamos, dia a dia, negarmo-nos a nós mesmos. Precisamos de alimento sólido e de exercício contínuo, a fim de fortalecermos as musculaturas da nossa alma. Se Cristo é o nosso substituto na justificação, ele é o nosso modelo na santificação.

Em terceiro lugar, quanto à glorificação seremos salvos. A salvação é um fato pretérito, uma realidade presente e uma garantia futura. Todos aqueles que foram conhecidos por Deus de antemão, foram também predestinados, chamados, justificados e glorificados. Muito embora a glorificação seja um fato consumado nos decretos de Deus, há de historificar-se apenas na segunda vinda de Cristo. Nós, que já fomos salvos da condenação do pecado e estamos sendo salvos do poder do pecado, seremos, então, salvos da presença do pecado. Receberemos um corpo imortal, incorruptível, poderoso, glorioso e celestial, semelhante ao corpo da glória de Cristo. Quando Cristo voltar, em sua majestade e glória, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e os que estiverem vivos, serão transformados e arrebatados para encontrarem o Senhor Jesus nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Essa expectativa bendita não é apenas uma vaga esperança, mas uma certeza inabalável. Nós que fomos escolhidos na eternidade e chamados eficazmente no tempo, seremos recebidos na glória!

A soberania de Deus na salvação

Por Rev. Hernandes Dias Lopes

Como pode um homem sendo pecador ser salvo? Como pode um injusto ser declarado justo aos olhos do Deus santo? Como pode o homem tão vulnerável ter garantia de salvação? Paulo responde a essas questões quando escreve sua carta aos romanos. Vamos, tratar aqui de cinco afirmações categóricas que nos afirmam a soberania de Deus na salvação.

Em primeiro lugar, Deus nos conheceu desde a eternidade (Rm 8.29). Deus nos conheceu de antemão. Ele nos amou desde toda a eternidade. Amou-nos não porque viu algo em nós que despertasse seu amor, mas amou-nos incondicionalmente. Antes do sol brilhar no horizonte, Deus já havia colocado em nós seu coração. Antes dos mundos estalares virem à existência, nós já estávamos no coração de Deus. Seu amor por nós é eterno, incomensurável e incondicional.

Em segundo lugar, Deus nos predestinou para a salvação (Rm 8.30). Deus nos predestinou em Cristo, para a salvação, antes da fundação do mundo, desde o princípio, pela santificação do Espírito e fé na verdade, a fim de sermos santos e irrepreensíveis perante ele. Deus não nos escolheu porque previu que iríamos crer em Cristo; cremos em Cristo porque ele nos escolheu. A escolha divina é a causa da fé e não sua consequência. Deus não nos escolheu porque viu em nós santidade; fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis e não porque éramos santos e irrepreensíveis. A santidade não é a causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque viu em nós boas obras; somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, e não porque praticávamos boas obras. As boas obras são fruto da escolha divina e não sua raiz.

Em terceiro lugar, Deus nos chamou eficazmente (Rm 8.30). Todos aqueles que são escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu no calvário, são chamados à salvação, e chamados eficazmente. O homem pode até resistir temporariamente a esse chamado, mas não finalmente. Jesus disse que ninguém pode vir a ele se o Pai não o trouxer. Disse, também, que suas ovelhas ouvem sua voz e o seguem. Os que Deus predestina, Deus chama. Há dois tipos de chamados: um externo e outro interno; um dirigido aos ouvidos e outro ao coração. Aqueles que são predestinados, ao ouvirem a voz do bom pastor, atendem-na e o seguem.

Em quarto lugar, Deus nos justificou por sua graça (Rm 8.30). Aqueles que são amados, escolhidos e chamados são também justificados. A justificação é uma obra de Deus por nós e não em nós; é um ato e não um processo. É uma declaração forense feita diante do tribunal de Deus e não uma infusão da graça. É completa e irrepetível. Por isso, não possui graus. O menor crente está tão justificado quanto o indivíduo mais piedoso. Pela obra substitutiva e vicária de Cristo na cruz somos declarados quites com as demandas da lei de Deus. Não pesa sobre nós mais nenhuma condenação. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram julgados na pessoa de Cristo, nosso substituto e fiador. Nossos pecados foram colocados na conta de Cristo e a justiça de Cristo foi colocada em nossa conta. Estamos quites com todas as demandas da justiça divina.

Em quinto lugar, Deus nos glorificou pelo seu poder (Rm 8.30). Embora a glorificação seja um fato futuro, que se dará na segunda vinda de Cristo, na mente e nos decretos de Deus já é um fato consumado. Mesmo que o caminho seja estreito e juncado de espinhos. Mesmo que os inimigos nos espreitem e toda a fúria de Satanás seja despejada contra nós, nada nem ninguém, neste mundo ou mesmo no porvir poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Nossa salvação foi planejada, executada, aplicada e assegurada por Deus. A Deus, portanto, a glória, agora e sempre por tão grande salvação!

O evangelho e o casamento (im)perfeito

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Por Winston Hottman
 
De acordo com o dicionário, perfeccionismo pode ser definido assim:

Uma disposição para considerar qualquer coisa aquém da perfeição como inaceitável; especialmente o estabelecimento de objetivos absurdamente exigentes acompanhado por uma disposição para considerar o fracasso de alcançá-los como inaceitáveis e um sinal de falta de valor pessoal.

Apesar da necessidade de um pouco mais de nuance, essa descrição serve como uma boa definição. O perfeccionismo não parece ser muita coisa para a maioria das pessoas, e mesmo nós cristãos tendemos a vê-lo como um pecado “respeitável”. A simples verdade é que o perfeccionismo, como qualquer outro pecado, é uma demonstração aberta de orgulho humano. E que fique claro uma coisa: eu sou um perfeccionista.

Sendo cristão, meu tipo de perfeccionismo pode ser um pouco mais sutil por algumas vezes se disfarça de atitude piedosa. Mas mesmo quando o perfeccionismo parece ser direcionado a uma vida piedosa, ele é orgulhoso porque cria uma expectativa para agora do que Deus prometeu realizar apenas no futuro. O perfeccionismo desconsidera a promessa de Deus de nos fazer quem um dia seremos ao tentar, por nossas próprias forças, alcançar o alvo dessa promessa no presente, e por colocar nós mesmos como os juízes supremos de nosso desempenho.

Dependendo de quão bem nós estamos indo aos nossos próprios olhos, o perfeccionismo pode se manifestar em uma variedade de respostas negativas: sentimentos de autodepreciação, preocupação desmedida com a opinião das outras pessoas, medo paralisante, impaciência ou senso de superioridade.

Por mais que eu reconheça minhas tendências perfeccionistas há algum tempo, e esteja confiante de que Deus está me transformando, a verdade é que eu tendo a descontar essa disposição nos meus relacionamentos, e não menos no meu casamento.

 

O Casamento Perfeito?


Como ávido leitor, eu investi nos anos que precederam meu casamento muito tempo na leitura de livros cristãos sobre casamento e masculinidade. Pude observar muitas verdades e muitos conselhos sábios, mas conforme crescia meu entendimento sobre o que deve ser um casamento, o que era um desejo parcialmente sincero de glorificar a Deus se tornou uma expectativa egocêntrica e irreal. E isso levou ao pensamento de que, se eu tentasse o suficiente, eu poderia alcançar o padrão bíblico de um marido piedoso, ou pelo menos chegaria bem perto. Por sua vez, isso levou à demanda por uma esposa que fosse exatamente o que Deus diz que uma esposa deva ser, e um casamento que representasse perfeitamente a imagem bíblica dessa união.

Mas quando se trata de lutar contra o perfeccionismo no casamento, eu sei que não estou sozinho. Tenho conversado com muitos irmãos cristãos, solteiros e casados, que vivem sob ideias utópicas do que seus casamentos serão ou deveriam ser. Alguns desses passaram anos em uma busca arrogante por potenciais cônjuges à procura daquele par “perfeito” enquanto outros lutam em busca de paciência e contentamento quando seus casamentos não alcançam o padrão que havia sido idealizado.

E enquanto ser solteiro pode muitas vezes acomodar uma autoconsciência inflada de espiritualidade, o casamento garante que as imperfeições de alguém serão expostas, como rapidamente eu descobri quando me casei. Não importa quão bom seja nosso casamento, como o relacionamento mais íntimo que pode haver entre dois seres humanos, ele funciona como um holofote sobre nossos corações, nos possibilitando ver de perto nosso egoísmo na perspectiva da outra pessoa. Ele nos expõe. E, consequentemente, isso é uma forma de demolir nossa pretensa autoconfiança. Vem à tona de forma clara e pessoal a noção por vezes abstrata da depravação humana, nos mostrando a profundidade de nosso egocentrismo. E por mais que todos os princípios certos possam ajudar bastante, eventualmente temos que lidar com a realidade de nossa fraqueza e da fraqueza da pessoa com quem entramos no sagrado pacto matrimonial.

Em outras palavras, Deus está usando meu casamento para destruir meu orgulho.

 

O Poder do Evangelho


Enquanto princípios, passos e práticas dos conselheiros cristãos a respeito do casamento são muitas vezes úteis e corretos, o evangelho é a verdade mais central em qualquer casamento. Assim como o resto de nossas vidas, é a mensagem da redenção de Deus em Cristo e nossa restauração nele que nos torna possível entender, processar e responder de forma apropriada aos fracassos em nossos casamentos. Isso nos afasta tanto da arrogância pecaminosa que ignora a profundeza de nosso pecado quanto da vergonha pecaminosa que se recusa a aceitar o perdão e as promessas de Deus para nós e para nossos casamentos. No evangelho nós percebemos que, de fato, nossos casamentos serão cauterizados, manchados e bagunçados pelos nossos esforços, mas que nosso Pai está trabalhando em nossos casamentos, através do Espírito, para realizar algo belo ao nos restaurar e restaurar nossos cônjuges à dignidade e glória da imagem do Filho, Jesus Cristo.

Como um recém-casado, eu não tenho nada de novo para propor em termos de aconselhamento matrimonial. Mas se alguém me pedisse conselhos, é isso que eu diria: está tudo bem em aceitar que nem tudo está bem. Complacência? Não. Preguiça? Não. Mas consciência honesta de que você e seu cônjuge são indivíduos pecadores e imperfeitos que, no presente, nunca alcançarão um padrão perfeito, ou até mesmo quase perfeito, de casamento? Sim. E confiança na fidelidade de um todo-poderoso e gracioso Deus que prometeu fazer de nosso casamento o tipo de relacionamento que comunica o amor de Jesus por sua noiva mesmo quando a realidade presente de nossos casamentos parece longe disso? Sim. A questão é em quem você coloca sua esperança e confiança. Parafraseando as palavras do apóstolo Paulo, nossas orações deveriam ser:

Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória em nossos casamentos, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

O Sofrimento e a Glória de Deus

 
Por R. C. Sproul
Certa vez visitei uma mulher que estava morrendo de câncer uterino. Ela estava em grande angústia, mas não apenas por seu incômodo físico. Ela me explicou que ela havia feito um aborto quando moça e estava convencida de que sua doença era uma direta consequência daquilo. Resumindo, ela acredita que o câncer era o julgamento de Deus sobre ela.

A resposta pastoral comum a tal questão agonizante de alguém em seu leito de morte é dizer que a aflição não é um julgamento de Deus pelo pecado. Mas eu tive de ser honesto, então eu disse a ela que não sabia. Talvez fosse julgamento de Deus, mas talvez não fosse. Eu não posso sondar o conselho secreto de Deus ou ler a mão invisível de sua providência, então eu não sabia o motivo de seu sofrimento. Eu sabia, contudo, que qualquer que fosse a razão para aquilo, havia uma resposta para a culpa dela. Nós falamos sobre a misericórdia de Cristo e da cruz e ela morreu na fé.

A pergunta que aquela mulher levantou é feita todos os dias por pessoas que estão sofrendo aflições. Ela é abordada em uma das passagens mais difíceis do Novo Testamento. Em João 9, nós lemos: "Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: 'Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?' Respondeu Jesus: 'Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus'" (vv. 1-3).

Por que os discípulos de Jesus supuseram que a causa raiz da cegueira daquele homem era seu pecado ou o pecado de seus pais? Eles certamente tinham alguma base para essa hipótese, pois as Escrituras, dos registros da queda em diante, deixam claro que a razão pela qual o sofrimento, a doença e a morte existem neste mundo é o pecado. Os discípulos estavam corretos de que de alguma maneira o pecado estava envolvido na aflição daquele homem. Também, há exemplos na Bíblia de Deus causando aflição por causa de pecados específicos. No Israel antigo, Deus afligiu a irmã de Moisés, Miriã, com lepra porque ela questionou o papel de Moisés como porta-voz de Deus (Números 12:1-10). Igualmente, Deus tomou a vida do filho nascido a Bate-Seba como resultado do pecado de Davi (2 Samuel 12:14-18). A criança foi punida, não por causa de algo que a criança fez, mas como resultado direto do julgamento de Deus sobre Davi.

Contudo, os discípulos cometeram o erro de particularizar o relacionamento geral entre o pecado e o sofrimento. Eles assumiram que havia uma correspondência direta entre o pecado do homem cego e sua aflição. Eles não leram o livro de Jó, que trata de um homem que era inocente, e ainda assim foi severamente afligido por Deus? Os discípulos erraram em reduzir as opções a duas quando havia outra alternativa. Eles fizeram sua pergunta a Jesus de uma maneira "ou isso, ou aquilo", cometendo a falácia lógica do falso dilema, assumindo que o pecado do homem ou o pecado dos pais do homem eram a causa de sua cegueira.

Os discípulos também parecem ter assumido que qualquer um que tem uma aflição sofre em direta proporção ao pecado que foi cometido. Novamente, o livro de Jó risca essa conclusão, pois o grau de sofrimento que Jó foi chamado a suportar era astronômico comparado com o sofrimento e aflições de outros muito mais culpados do que ele era.

Nunca devemos pular para a conclusão de que uma incidência específica de sofrimento é uma resposta direta ou está em direta correspondência ao pecado específico de uma pessoa. A história do homem que nasceu cego deixa isso claro.

Nosso Senhor respondeu a pergunta dos discípulos corrigindo sua falsa suposição de que a cegueira do homem era uma direta consequência do pecado dele mesmo ou de seus pais. Ele lhes assegurou que o homem nasceu cego não porque Deus estava punindo ao homem ou a seus pais. Havia outra razão. E por haver outra razão neste caso, pode sempre haver outra razão para as aflições que Deus nos chama a suportar.

Jesus respondeu a seus discípulos dizendo: "Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus" (v. 3). O que ele quis dizer? De uma maneira mais simples, Jesus disse que o homem nasceu cego para que Jesus o pudesse curar no tempo designado, como testemunho do poder e da divindade de Jesus. Nosso Senhor demonstrou sua identidade como o Salvador e o Filho de Deus nessa cura.

Quando sofremos, devemos confiar que Deus sabe o que está fazendo, e que ele trabalha em e através da dor e das aflições de seu povo para sua própria glória e a santificação de seu povo. É difícil suportar sofrimento prolongado, mas a dificuldade é grandemente aliviada quando ouvimos nosso Senhor explicando o mistério no caso do homem nascido cego, que Deus chamou para muitos anos de dor para a glória de Jesus.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O que fazer quando sou perseguido pela fé em Jesus?

 
Por Maurício Zágari

Muitos irmãos sofrem perseguição por sua fé em Cristo - possivelmente você já sofreu. Ela pode se manifestar de maneiras variadas, da zombaria e segregação à agressão física e morte. Como devemos lidar com isso? Como reagir quando alguém pega no nosso pé ou nos destrata pela nossa crença em Jesus? Revidamos? Abaixamos a cabeça? Há uma forma bíblica de proceder quando isso ocorre? Sim, há. E para termos convicção sobre ela e estarmos preparados para reagir biblicamente à perseguição teremos de percorrer algumas passagens das Escrituras, introjetá-las fundo em nossa alma e viver da difícil maneira a que elas nos ensinam.

Ao longo dos 2.000 anos de História do Cristianismo sempre houve perseguição, em escalas variadas. O martírio sempre foi uma constante. Nos três primeiros séculos, confessar Jesus era passaporte para ser estraçalhado por leões, incinerado na fogueira e torturado de formas inimagináveis. Os séculos se passaram e os cristãos continuaram a sofrer nas mãos dos mais variados tipos de gente, de islâmicos e cristãos de outras tradições (católicos nas mãos de protestantes e protestantes nas mãos de católicos, dependendo da época e do local) a ateus e comunistas. Ainda em nossos dias, ministérios como a Missão Portas Abertas se dedicam a denunciar a perseguição a cristãos por todo o mundo e, por meio de trabalhos como o realizado por eles, sabemos que em cerca de 90 países do mundo existe atualmente perseguição religiosa ativa (saiba mais AQUI).

No Brasil somos abençoados. Não existe, por definição, perseguição religiosa, uma vez que, segundo a Missão Portas Abertas, "o individuo é perseguido se for privado de qualquer dos elementos fundamentais da liberdade religiosa". E mais: “Perseguição não se refere a casos individuais, mas sim, quando um sistema, político ou religioso, tira a liberdade de um cristão ou o acesso à Bíblia, restringe ou proíbe o evangelismo de jovens e crianças, atividades da igreja e de missões". Assim, em nosso país não chegamos a esse ponto. Há uma grande intolerância, mas não "perseguição".
 
Só que, se nos permitirmos fugir dessa definição e nos ativermos ao senso comum, podemos entender como perseguição até mesmo todo tipo de bullying que ocorre em muitos lugares. Ser evangélico hoje gera chacota para muitos. Rejeição da família por outros (conheci uma jovem cujos pais católicos não permitiam que ela frequentasse uma igreja evangélica). Piadas estereotipadas em programas de televisão. Proprietários que se recusam a alugar imóveis para igrejas. Eu mesmo, em certa empresa em que trabalhei, tive de ouvir que eu "não era criativo devido à minha religião", simplesmente porque me recusei a editar uma revista corporativa de uma grande companhia fabricante de cigarros.

Verdade seja dita: por razões históricas, espirituais ou mesmo por culpa de certos setores da igreja evangélica e suas práticas questionáveis, hoje em dia dizer-se evangélico é, para enorme parcela de nossa sociedade, sinônimo de ser bitolado, massa de manobra, ignorante, ingênuo, homofóbico, medieval, supersticioso e coisas dessa linha. Eu já tive de enfrentar muitos desses adjetivos e muitas situações desagradáveis. Você já?

Feita essa constatação, voltamos à pergunta: quando nos deparamos com situações em que nos sentimos discriminados ou mesmo perseguidos devido à nossa crença em Jesus, como eu e você devemos reagir? Mais ainda: como devemos nos sentir?
 
Em primeiro lugar, temos de saber que é previsível que seremos perseguidos: "De fato, todos os que desejam viver piedosamente  em Cristo Jesus serão perseguidos" (2 Tm 3.12). Paulo já sabia disso 2.000 anos atrás. E as profecias dizem que nos últimos dias a perseguição só tende a piorar. Mas isso não deve ser motivo de temor, se considerarmos que importa mais viver a eternidade ao lado de Deus sofrendo nesta vida do que viver bem e ter morte espiritual. O próprio Jesus disse que seríamos "bem-aventurados", ou seja, "felizes", se fossemos perseguidos por amor a Ele: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês" (Mt 5.10-12).

Sei que você já leu essa passagem tantas vezes que, de repente, o sentido e a profundidade das palavras acabaram se perdendo. Então vamos prestar muita atenção aos detalhes. Repare o que Jesus está dizendo: ser perseguido por amor a Ele é razão de felicidade. Se você for perseguido por amor a Cristo - for insultado, ofendido e até mesmo se mentirem contra você - deve se alegrar. Mais do que isso, deve se regozijar, o que significa festejar ou ter prazer, contentamento, satisfação, júbilo. Naturalmente que sua natureza humana recusa-se a sentir isso na hora em que fazem troça de você, quando te acusam de forma estereotipada, quando sofre no emprego por ter colegas que pegam no seu pé devido a sua ética cristã, quando sua  família se levanta contra você por se declarar um servo de Jesus.
 
Só que... quem disse que ser cristão é agir como nossa natureza humana dita? Ser cristão é agir como a natureza de Cristo dita. E, se assim o fizermos, "grande é a recompensa" que nos espera nos céus. E o parâmetro que Jesus estabelece como exemplo são os profetas perseguidos do passado. A esse respeito, Hebreus 11 é riquíssimo. Veja, por exemplo,  o que se diz acerca do príncipe do Egito que virou pastor em Midiã: "Pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou a desonra riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa" (Hb 11.24-26)

E não para por aí. O autor aos hebreus fala das situações horripilantes que muitos tiveram de enfrentar por fidelidade a Deus e fé nele. Transcrevo aqui esse trecho, em forma de tópicos, de forma a pontuar melhor o que ele diz:

"Alguns foram
1. torturados e
2. recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros
3. enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram
4. acorrentados e colocados na prisão,
5. apedrejados,
6. serrados ao meio,
7. postos à prova,
8. mortos ao fio da espada.
9. Andaram errantes,
10. vestidos de pele de ovelhas e de cabras,
11. necessitados,
12. afligidos e
13. maltratados.
O mundo não era digno deles.
14. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas.
Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados"
(Hb 11.32-40). Aos olhos do mundo, derrotados. Aos olhos de Deus, o mundo não era digno deles.
E de modo muito prático? Você que sofre no trabalho por bullying de colegas, na escola, na universidade, na vizinhança ou em qualquer outra instância por sua fé em Jesus, como deve reagir? Mandar todo mundo pro inferno? Orar pedindo que a mão de Deus pese sobre quem te faz mal? Entrar em bate-bocas, acusações, troca de farpas, vendetas e outras formas de beligerância? Não. Nada disso. Pois isso, meu irmão, minha irmã, biblicamente é uma reação carnal e diabólica. O que Jesus nos ensina mais uma vez é contrário à natureza humana. Pois o homem natural reage com violência e ira. O homem espiritual segue o que Jesus de Nazaré ensinou: põe o outro acima de si, aceita as bofetadas e os açoites (físicos ou morais), suporta a provação e as perdas mas se recusa a agir com vingança, a se defender ou a devolver na mesma moeda. Segue em silêncio o caminho do seu calvário pessoal. E não sou eu quem diz, é ensinamento do próprio Salvador do mundo, do manso Cordeiro (novamente em tópicos, para captar mais a sua atenção):

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.  Mas eu lhes digo:
1. Não resistam ao perverso.
2. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.
3. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.
4. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.
5. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado".
Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo:
6. Amem os seus inimigos e
7. orem por aqueles que os perseguem,
para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!"
(Mt 5.38-47).

Mas, Zágari, não posso revidar quem me persegue nem um pouquinho? Minha vontade é de acabar com a raça daquele incircunciso! Bem... responda você mesmo: "Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem" (Rm 12.14). E mais: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: 'Minha é a vingança; eu retribuirei', diz o Senhor.  Pelo contrário: 'Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele'.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem" (Rm 12.19-21).
 
Seremos perseguidos, isso é um fato bíblico inescapável. O mandamento cristão é não revidar. Nada de lançar aviões contra os edifícios de quem nos persegue. Nada de invadir países para matar os inimigos. Nada de proferir nem sequer uma palavra de maldição contra nossos perseguidores. Jesus nos ensina a abençoá-los, a amá-los, a orar por eles, a alimentá-los, a saciá-los, a fazer-lhes o bem, a adotar uma postura pacificadora, a aguentar os murros na outra face. Quem de nós faz isso? Pouquíssimos, sejamos francos. A notícia é que esses pouquissimos são os que estão agindo como Deus deseja. A boa notícia para esses é que haverá recompensa na eternidade para os que engolirem sua humanidade, sofrerem perdas e danos por amor a Cristo e tiverem a nobreza de superar a vontade humana de dar o troco ou agir com violência verbal ou física. Não é preciso ter nascido de novo para pagar a perseguição na mesma moeda. Mas só quem nasceu de novo pode, pelo poder do Espírito, suportar tudo calado, negar-se a si mesmo e carregar a cruz até o dia de sua morte.

E esses, Jesus diz, são os bem-aventurados. Os felizes. Você está sofrendo qualquer tipo de perseguição pela sua fé, meu irmão, minha irmã? Sorria em silêncio. Você é feliz aos olhos de Deus. E grande será sua recompensa na eternidade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício