terça-feira, 22 de janeiro de 2013

MARIA - Modelo de Igreja

Por Julio Zamparetti
No episódio das bodas de Caná, onde Jesus transformou água em vinho, temos no exemplo da Bem aventurada Virgem Maria um modelo perfeito do que é ser Igreja.

Em primeiro lugar, Maria se inquietou diante do fato de ter acabado o vinho, que é símbolo de alegria. Uma igreja, de igual modo, não pode se conformar diante de tantas circunstâncias que tolhem a alegria de nosso povo; não pode aceitar tantas injustiças, preconceitos, discriminações, desigualdades, bem como o descaso ambiental.
Em seguida, a mãe de Jesus vai até ele e intercede, não por ela, mas por aqueles que já não tinham mais vinho. O problema da igreja de hoje é que ela vive o conceito de que cada um deve buscar a sua bênção. Só que isso não é ser igreja. Ser igreja é fazer parte do corpo de Cristo que se entregou à morte, tão somente porque amou e lutou pelos injustiçados, explorados, excluídos, fracos, pobres e malditos.
Mesmo tendo uma intenção tão nobre, Maria se sujeitou à resposta de Jesus que lhe disse: “ainda não”. Igreja que é Igreja não se faz como criança mimada que tudo exige “agora”, porque Igreja que é Igreja confia que Deus tem sempre a melhor hora para tudo, e ainda que a resposta de Deus seja um ’sim’ ou um ‘não’, sabe essa é a melhor resposta.

“Façam tudo o que ele vos disser”, disse a Santa Virgem. Estou convicto de que a grande fé não é aquele que conquista o que desejamos, mas aquele que nos motiva a permanecer obedientes, mesmo quando Deus nos diz “ainda não”.

Por fim, Jesus transformou água em vinho, um vinho melhor que o primeiro, e, certamente, Maria se alegrou na alegria de sua gente. Ser Igreja não é se inflar de poder-sem-ter-pra-quê, nem buscar realizações pessoais. Ser Igreja é se alegrar na alegria de todos, é ser beneficiado no bem comum.

Carecemos de Marias. Temos visto tanta gente querendo ser senhor! Precisamos de uma igreja que, como nossa Mãe do Céu, seja serva, sujeita a Cristo e cheia de amor ao próximo.

Quem se dispõe?

A morte lhe cai bem



O título é de um filme da década de 90, “Death Becomes Her” que assumiu “A morte lhe cai bem” no lançamento no Brasil. Mas o que me interessa não é o filme, mas sim a frase e o efeito nela contido. Será possível a morte cair bem para alguém?

Tenho a nítida impressão que a maioria das respostas à pergunta acima foi sim. Para algumas pessoas, definitivamente, a morte cai bem. Não tenho como adivinhar em quem você pensou para responder a pergunta afirmativamente, mas posso tentar alguns “chutes”: Adolf Hitler, o maníaco do parque, os assassinos que arrastam meninos presos ao carro que acabaram de roubar, os pedófilos, os assassinos de policiais, políticos corruptos que desviam verbas de merenda escolar ou ambulâncias, e por aí vai.
 
Não se trata apenas de suposições, mas de um espírito de justiça e de vingança que nasce no coração das pessoas ditas de bem. É como se a morte se traduzisse no mais justo pagamento pela maldade e crueldade de alguns indivíduos. A quem defenda veementemente a pena de morte, a pena capital e certa pelos abusos cometidos. Olho por olho, dente por dente.
 
Pensando assim você pode até encontrar sentido na frase “A morte lhe cai bem”. Dá até para imaginar o justiceiro olhando nos olhos do réu e a dizendo com o aroma do prato que se come frio.
 
Contudo, a morte não foi criada para nenhum ser humano. Por mais vil e cruel que seja o homem a morte não era parte do plano para sua vida. Para nenhum de nós. Não fomos criados para ela e, com certeza, tenha a plena convicção que a morte não cai bem para nenhuma alma debaixo do céu.

Embora não planejada na essência dos seres humanos, a morte na maioria das vezes é escolhida. Isso mesmo, alguns escolhem a morte, assim como outros tantos, escolhem matar. Parecem os dois lados de uma mesma moeda de pecado e iniquidade. Abdicar da vida ou tirá-la de alguém é uma escolha do ser humano.

Vivemos manchados e carregamos conosco o resultado de nossas escolhas. Somos todos árbitros detentores de livre-arbítrio e no exercício de nossas liberdades podemos escolher rumos, tomar decisões e maquinar no caminho da morte. Morte espiritual, morte da alma, morte do corpo.

Se a morte é como um vírus que não pertence ao sistema original. Se ela não cai bem aos seres humanos. Fico, na minha pequenez, tentando alcançar o pensamento do criador. Para Ele a morte de qualquer homem tem sabor de perda, de distanciamento. Nenhuma obra de Suas mãos veio a existir para que fosse consumida. Por outro lado, era necessário sermos criados com poder de escolha, só assim o amor seria completo, do contrário seríamos obra inacabada, objetos inanimados sem a verdadeira vida. Afinal de contas, vida também é uma decisão, sempre foi.

Neste caminho o criador novamente nos chama ao sentido original da vida. Lá onde a morte não tem vez e onde as escolhas são influenciadas por um Santo Espírito. Nós, surdos em virtude de nossas decisões erradas há séculos, não escutamos mais o chamado da vida. Era preciso um megafone, uma tela grande e clara para nos mostrar que a morte nunca nos cairá bem.

Então Deus se esvazia e morre para mostrar que só há uma morte que nos cai bem. A Dele.
Toda a justiça e toda a vingança condensada num único ponto da história.
“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” 1 Co 15:55

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A obrigação de parecer feliz

Foto1

Por Maurício Zágari
Tenho pensado muito sobre fotografias. Já reparou como ninguém fotografa momentos tristes? Você já viu alguém ficar tirando fotos em velórios, registrando o instante em que recebeu zero na prova, compartilhando no Instagram a imagem do pai em coma no hospital ou fazendo álbum de fotos dos piores momentos da festa de aniversário? Se eu pego uma câmera e aponto para você, qual é sua reação imediata? Deixe ver se acertei: dar um sorriso. O dia pode estar um inferno, mas se alguém vira uma lente em sua direção… você mostra logo os dentes. Depois do clique, seu rosto volta ao normal e aquela cara de felicidade obrigatória desmonta em um segundo. Curioso isso. Alguma vez já parou para refletir por que temos essa obrigação inconsciente de mostrar para o mundo como somos inevitavelmente felizes e irremediavelmente sorridentes?

Foto2Pegue por exemplo um álbum de fotos (ainda existe isso fora do computador?)  da vida de alguém. Se você folhear da primeira à última página vai jurar que a existência daquela pessoa foi um desfile interminável de bons momentos. Sempre sorrindo. Quando a foto é em grupo, todos juntam as cabeças e… sorrisos transbordam. Pelo menos até o fotógrafo falar “pronto”. Aí aqueles rostos perenemente sorridentes vão se lembrar da conta a pagar, do desemprego, do casamento infeliz, da dor de cabeça que não passa, do namorado que te trocou por outra, da rotina, do tédio, da depressão, da crise do petróleo, do aquecimento global, do apocalipse maia! Em outras palavras; sorrisos em fotos muitas e muitas vezes não significam nada. Não representam uma felicidade real. São um mero hábito, uma formalidade. São fachadas pintadas com o único objetivo de deixar para a posteridade a impressão de que você é e sempre foi feliz.

Mas… por quê? Por que temos a obrigação de ser felizes 24 horas por dia, sete dias por semana? Curiosamente, a infelicidade é vista como uma derrota pessoal. Demonstrar para os outros que a felicidade foi ali e já volta parece uma falha de caráter. E somos tão despreparados para lidar com nossas próprias infelicidades que também não sabemos como lidar com a infelicidade dos outros – por isso há tantos infelizes sem consolo nas igrejas. O despreparo é generalizado. Se você está triste, repare que a maioria das pessoas não vai te abraçar em silêncio ou chorar com você, mas dizer frases feitas que tentam impor felicidade: “Que isso, levanta esse astral!”, “Tá triste por que, a vitória é tua!”, “Não reclama de barriga cheia, pensa nas criancinhas da Etiópia que estão morrendo de fome”, “Fica assim não, rapaz, bola pra frente, ânimo!”. Palavras, palavras e palavras… que de fato nessas horas não servem de nada – ninguém fica feliz de repente só porque alguém chegou e disse “Não fica triste não”.

Foto3Repare que Jesus não gastava muitas palavras para consolar: ele agia para gerar consolo. O Mestre, “movendo-se de íntima compaixão”, empatizava com os infelizes, chorava com eles e não fazia nenhuma questão de dizer “chora não, vai passar”. Pois Ele era “um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima” (Is 53.3). Jesus não forjava uma falsa felicidade. Em Mateus 26, vemos o Mestre, em um momento de extrema infelicidade, dizer no Getsêmani a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, entristecido e angustiado: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. Meu Deus… que declaração! De uma honestidade e transparência que em nossos dias seria considerada vinda de um derrotado, um fracassado, um ser de segunda classe: jamais de um servo de Deus, pois, afinal, somos mais do que vencedores! Sorria, você é filho do Rei! Sim, mas… o unigênito Filho do Rei chorou de compaixão da infelicidade dos que estavam junto ao sepulcro de Lázaro e viveu sua própria infelicidade na agonia do cálice que beberia em sua plenitude: seu sorriso de agonia era banhado pelo suor de sangue que emoldurava aquele rosto de amor.

“A minha alma está profundamente triste até à morte”. Uau. Que tapa na cara da nossa obrigação de parecer sempre feliz.

Foto4Podemos considerar que a Bíblia é o álbum de fotografias de Jesus de Nazaré. Nela estão registrados os principais momentos da vida do Cordeiro de Deus. Mas, ao contrário dos nossos álbuns humanos, Ele não tentou nunca simular uma felicidade inextinguível, uma vida de alegria todo dia. No álbum de fotos de Jesus vemos sim momentos felizes, como a festa de casamento em Caná, seus muitos encontros com seus amigos, sua entrada triunfal em Jerusalém. Mas esse álbum é também o registro de sua humilhação. O vemos cuspido. O vemos apanhando com chibatas. O vemos sendo esbofeteado. O vemos sendo ofendido e caluniado. O vemos nu. Com sua pele sangrenta totalmente exposta numa cruz, os genitais à mostra, sem ter como cobrir sua vergonha porque suas mãos estavam cravadas na madeira. Não, o álbum de fotos do Pão da Vida não teve nunca a intenção de simular uma felicidade interminável e onipresente, mas sim a intenção de desnudar a verdade da Verdade, para que nós mesmos possamos desnudar a nossa verdade. Ante os homens e ante o Pai. Seja ela de felicidade ou infelicidade. Que lição para seres que sentem-se na obrigação de estar sempre aparentando felicidade!

Não simule uma existência paradisíaca e extraordinariamente feliz, meu irmão, minha irmã. Celebre sim e muito os momentos bons e alegres, isso é importante. Diria até que é vital. Mas nunca perca a honestidade de reconhecer seus períodos de infelicidade, pois eles são lamentavelmente muito preciosos. Eles moldam nosso caráter, nos fazem refletir, nos levam a mudar de rumo, nos dão a humildade de chegar em oração a Deus e confessar que só nele temos felicidade acima de qualquer circunstância.

Meu desejo sincero é que no álbum de fotografias da sua  vida haja mais fotos de sorrisos do que de lágrimas. Desde que os sorrisos sejam sinceros – a mera contração de músculos do rosto não atesta um coração sorridente. Mas, se as lágrimas vierem, não as esconda por trás de um sorriso forçado e obrigado. Fotografe-as na sua lembrança para nunca se esquecer delas. Quem só quer se lembrar dos momentos felizes está abrindo mão da sua verdade enquanto homem. Assuma seus momentos infelizes. Deixe-os desempenhar seu papel em sua vida. E jamais se esqueça deles – pelo contrário, ponha-os na melhor moldura que puder.

Foto5No Jardim das Oliveiras, o coração de Jesus se encheu de infelicidade. No caminho do Calvário, o coração de Jesus se encheu de infelicidade. Suspenso na cruz, o coração de Jesus se encheu de infelicidade. Só que, mais à frente, depois do calvário e da crucificação, houve uma sepultura vazia. Lembre-se que o pão e o vinho são uma foto dessa sepultura. São a lembrança honestamente sorridente da vitória eterna. E é a foto desse sepulcro que nos garante uma felicidade que durará para sempre, a partir do momento em que dermos nosso primeiro passo na eternidade. E é por isso que, creio eu, no Céu não haverá fotografias: pois lá não precisaremos simular uma felicidade aparente. Lá, a felicidade não dependerá de a demonstrarmos. Na eternidade, a felicidade simplesmente é. A presença de Deus descartará no Céu o que será inútil, como revela Apocalipse 21: não haverá templo algum, pois o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro são o seu templo.  Tampouco haverá sol nem lua, pois a glória de Deus será a luz do Céu – e o Cordeiro, a sua candeia.  Suas portas jamais se fecharão de dia, pois ali não haverá noite. 

Sim, creio que no Céu não haverá fotos, pois serão desnecessárias num lugar em que as melhores lembranças que pudermos ter da vida terrena não deixarão saudades e onde caminharemos ao lado de um Deus que enxugará dos nossos olhos toda lágrima. E lá não haverá mais morte. Nem tristeza. Nem choro. Nem dor. 

Só felicidade.

5 Sinais de que Você Glorifica a Si Mesmo



É importante reconhecer o fruto de autoglorificar-se em você e em seu ministério. Que Deus use esta lista para lhe conceder sabedoria diagnóstica. Que ele use esta lista para expor seu coração e redirecionar seu ministério.

Autoglorificar-se fará com que você:

1. Ostente em público o que deveria ser mantido em particular.  

Os fariseus são um vívido exemplo primário para nós. Porque eles viam suas vidas como gloriosas, eles eram ligeiros em ostentar essa glória diante dos olhos de quem estivesse vendo. Quanto mais você pensa que você já chegou lá, e quanto menos você vê a si mesmo como necessitando de graça resgatadora, mais você tenderá à autorreferência e à autocongratulação. Por você estar atento à autoglorificação, você vai trabalhar para conseguir maior glória mesmo quando não estiver consciente de que está fazendo isso. Você tenderá a contar histórias pessoais que fazem de você o herói. Você encontrará maneiras, em cenários públicos, de falar de atos privados de fé. Por você se achar digno de aplausos, você buscará os aplausos de outros encontrando maneiras de apresentar a si mesmo como “piedoso”.

Eu sei que a maioria dos pastores lendo esta coluna pensarão que nunca fariam isso. Mas estou convencido de que há mais “desfile de piedade” no ministério pastoral do que tendemos a pensar. Esta é uma das razões pelas quais eu acho conferências pastorais, reuniões de presbitério, assembleias gerais, convenções, e reuniões de plantação de igreja desconfortáveis às vezes. Após uma sessão ao redor da mesa, essas reuniões podem se degenerar a um “concurso de cuspe” de ministério pastoral, onde somos tentados a menos do que honestos sobre o que de fato está acontecendo em nossos corações e em nossos ministérios. Após celebrar a glória da graça do evangelho, há demasiado recebimento de glória autocongratulatória por pessoas que parecem precisar de mais aplausos do que merecem.

2. Seja demasiadamente autorreferente

Todos nós sabemos disso, todos nós já vimos isso, todos nós já ficamos desconfortáveis com isso, e todos nós já fizemos isso. Pessoas orgulhosas tendem a falar muito de si mesmas. Pessoas orgulhosas tendem a gostar mais de suas próprias opiniões do que das opiniões dos outros. Pessoas orgulhosas pensam que suas histórias são mais interessantes e cativantes do que as dos outros. Pessoas orgulhosas pensam que eles sabem e entendem mais do que os outros. Pessoas orgulhosas pensam que conquistaram o direito de serem ouvidas. Pessoas orgulhosas, por basicamente terem orgulho do que sabem e do que fizeram, falam muito sobre ambos. Pessoas orgulhosas não falam a respeito de suas fraquezas. Pessoas orgulhosas não falam a respeito de suas falhas. Pessoas orgulhosas não confessam pecado. Então pessoas orgulhosas são melhores em colocar os holofotes sobre si mesmas do que em refletir a luz de suas histórias e opiniões de volta para a gloriosa e completamente imerecida graça de Deus.

3. Fale quando deveria ficar calado.

Quando você pensa que já chegou lá, você é bem orgulhoso e confiante de suas opiniões. Você confia em suas opiniões, então você não está tão interessado nas opiniões dos outros quanto deveria estar. Você tenderá a querer que seus pensamentos, perspectivas e pontos de vista vençam em qualquer reunião ou conversa. Isso significa que você estará muito mais confortável do que você deveria estar com dominar um grupo com sua conversa. Você falhará em ver que na multidão de conselhos há sabedoria. Você falhará em ver o ministério essencial do corpo de Cristo em sua vida. Você falhará em reconhecer suas tendências e sua cegueira espiritual. Você não irá a reuniões formais ou informais com um senso pessoal de necessidade do que os outros têm a oferecer, e você controlará a conversa mais do que deveria.

4. Fique quieto quando deveria falar.

A autoglorificação pode ir para o outro lado também. Líderes que são muito autoconfiantes, que involuntariamente atribuem a si mesmos o que poderia apenas ser efetuado pela graça, frequentemente veem reuniões como uma perda de tempo. Por serem orgulhosos, eles são muito independentes, então as reuniões tendem a ser vistas como uma interrupção irritante e inútil de uma agenda ministerial já sobrecarregada. Por causa disso, ou eles acabarão com todas as reuniões ou as tolerarão, tentando finalizá-las o mais rápido possível. Então eles não lançam suas ideias para consideração e avaliação porque, francamente, eles não acham que precisam. E quando suas ideias estão na mesa e sendo debatidas, eles não entram na briga, porque eles pensam que o que eles opinaram ou propuseram simplesmente não precisa de defesa. A autoglorificação fará com que você fale demais quando você deveria ouvir, e com que você não sinta necessidade de falar quando você certamente deveria.

5. Se importe demais com o que os outros pensam de você.

Quando você caiu no pensamento de que você é alguma coisa, você quer que as pessoas reconheçam esse “alguma coisa”. Novamente, você vê isso nos fariseus: avaliações pessoais de autoglorificação sempre levam a um comportamento de busca por glória. Pessoas que pensam que chegaram a algum lugar podem se tornar hipersensíveis a como outras pessoas reagem a elas. Por você ser hipervigilante, observando a maneira pela qual as pessoas em seu ministério respondem, você provavelmente nem sequer percebe como você faz as coisas por autoaclamação.

É triste, mas frequentemente ministramos o evangelho de Jesus Cristo por causa de nossa própria glória, não pela glória de Cristo ou a redenção das pessoas sob nossos cuidados. Eu já fiz isso. Eu já pensei durante a preparação de um sermão que um certo ponto, colocado de certa maneira, poderia ganhar um detrator e eu já fiquei observando à procura da reação das pessoas enquanto eu pregava. Nesses momentos, na pregação e na preparação de um sermão, eu abandonei meu chamado como embaixador da eterna glória de outro pelo propósito de conseguir para mim o louvor temporário dos homens

domingo, 20 de janeiro de 2013

COMPRE O LIVRO E AJUDE AS CRIANÇAS CARENTES DE LA PENÍNSULA, PERU





No Peru, 26% das crianças em idade escolar estao fora das escolas. 30% das crianças sofrem desnutriçao. Milhares de crianças vivem em condiçoes extremamente precarias, nos chamados Assentamentos Humanos, periferias paupérrimas ao redor das cidades.
No inicio do ano passado os irmaos Edemar Miqueta e Evandro Martin visitaram a cidade de Piura para conhecer de perto a obra missionaria realizada no Peru. Durante a visita, eles gravaram um documentario que conta um pouco da historia das crianças e das familias beneficiadas pelo Projeto PEPE, um programa pré-escolar que leva educaçao, alimentaçao e inclusao social às crianças de familias com poucos recursos:
A visita deles também rendeu um livro fotográfico, onde a realidade do Assentamento Humano La Peninsula é retratada. A renda com a venda do livro é destinada ao Projeto Piura, e será usada para melhorar a vida de mais crianças peruanas. Incentivamos os pastores que desejam ajudar missoes a adquirir o livro e divulgar em sua igreja.
A todos os amigos, pedimos que divulgue em suas redes sociais, e motivamos você a aquirir o livro. Nao podemos prometer a você a “unçao financeira dos ultimos dias”, mas posso assegurar que  você ajudará a mudar a vida de uma criança peruana!
Para adquirir é só entrar em contato com SYNC CULTURAL pelo telefone (41) 3575-0025.
O preço do livro é de apenas 25 reais.

À seguir, algumas fotografias retiradas do livro:








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Púlpito Cristão

Deus viu Matrix antes de você!




Por Josemar Bessa
Jamais tente pregar um pós-evangelho para um mundo pós-moderno. Há uma arrogância comum em nossos dias que nos leva a ideia tola de que devemos apresentar nosso mundo e nossa cultura a Deus (encantado como ficamos com ela), pensamos que Deus tem algo para saber e aprender sobre ela.

Deus quando revelou a Sua Palavra já conhecia tudo exaustivamente. Conhecia o fim desde o princípio: “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” -  Isaías 46:10

Foi Deus ( e não o oposto ) que ensinou a Jonas como Nínive era – Deus é Onipresente e eterno. Ele conhecia desde o princípio os escritos de Confúcio, o pensamento e o misticismo oriental... o pensamento e obra de todos os filósofos – Sócrates, Platão... os escritos de Immanuel Kant, Nietzsche, Jean Paul Sartre... Você não apresenta o mundo a Deus para Ele rearranjar as coisas, reescrever e melhorar Sua Palavra para ser “relevante” nesta geração ou em qualquer outra. Deus é que apresenta o mundo a você e dá o Seu veredicto sobre o mundo em todas as gerações, todas as culturas... 

Desde toda a eternidade Deus está familiarizado com o pensamento pós-moderno... não tente “ensinar” nada disso a Ele, não tente bolar algo que faça a revelação que Ele fez de Si mesmo em Sua Palavra, a revelação do Seu caráter Santo, algo mais “relevante” para o mundo pós moderno.  Deus viu Matrix antes de você existir, antes de todos os tempos, Deus conhece o Ipad, Ipod, Iphone, redes sociais, Facebook, Twitter... muito antes de você existir– não se sinta avançado para tentar lhe dar conselhos e fazer adendos ao Seu plano eterno.

Se este mundo tecnológico te fascina, se o pensamento atual, se esta cultura de parece avançada... saiba que não há novidades nela para Deus... Deus sabe tudo desde a eternidade. Sabe tudo sobre esse papo de pluralismo, politicamente correto, sobre a teoria política dessa cultura, indicadores econômicos, índice de violência... sabe o nome de todos os grandes líderes políticos de todos os tempos, as grandes mentes acadêmicas de agora e das que virão... sabe  o que cada um pensa ou já pensou...você NÃO apresenta, você não pode apresentar o mundo a Deus, deixe Deus apresentar o mundo a você.

Então como devemos ser?

Paulo era um homem extraordinário, teve um chamado e ministério extraordinário, foi enviado para realizar um trabalho extraordinário... Ele conhecia profundamente a história, ele estava familiarizado com a filosofia e era bem versado tanto nas tradições e cultura judaica quanto na cultura Greco-romana. Ele não tentou apresentar essas culturas a Deus para que Deus pudesse lhe dar uma mensagem relevante.

Havia poucos assuntos queele não podia falar com desenvoltura, ele podia discutir e debater todos os temas, sua mente era interessante tanto para a cultura judaica quando a Greco-romana. Mas ele fez da proclamação do evangelho aos pecadores e edificação da igreja o objeto de sua vida e ele escolheu Cristo crucificado para ser o tema de seu ministério!

Não importa para onde ele foi, ele levou esse assunto com ele. Não importa qual cultura, qual filosofia...

Não importa para onde ou quem ele se dirigiu, sempre dirigiu a sua atenção para este ponto.

Ele sabia o que o homem exigia e o que o homem preferia, mas não direcionava o que fazia por isso. Como ele escreveu aos Coríntios, “os judeus pedem sinais miraculosos e os gregos buscavam sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles a quem Deus chama eficazmente, tanto judeus quanto gregos, Cristo é o poder e a sabedoria de Deus” – 1Co 1.22-24

Esse era o assunto de Paulo – Cristo crucificado!

Nós temos, ao esquecer o assunto que Deus ordenou ser pregado a todas as gerações,  nos colocado na frente da Sabedoria infinita e do poder de Deus. O que Paulo mais desejava era exatamente sair do caminho do poder de Deus, não ser um “obstáculo” para a verdade de Deus e Seu poder com suas ideias.

O pensamento constante de Paulo era de que ninguém pode colocar sua esperança ou sua fé em sua eloquência ou capacidade de entender melhor sua geração e cultura, do que no Deus eterno. Tudo que Paulo desejava era mostrar a verdade do Cordeiro crucificado “antes da fundação do mundo” – Deus não tem pensamentos posteriores – isso era claro para ele.

Então o que Paulo fez? O que você devia fazer, o que eu devia fazer, o que qualquer líder devia fazer... Ele morreu na cruz todos os dias. Ele morreu para a ideia de mostrar suas capacidades intelectuais. Ele morreu para a ideia de que sua eloquência impressionante poderia fazer a diferença. Ele morreu para as demandas de sua geração, para as demandas de sua cultura – tanto Judaica quanto a Greco-romana. Ele morreu para a auto-confiança. Ele morreu para seus poderes naturais. Ele morreu para a ideia de que uma apresentação atraente para aquelas culturas faria alguma diferença para o coração irregenerado e inimigo de Deus. Ele morreu...

Ele então estava lá em fraqueza, temor e tremor... pregando a loucura e o escândalo da cruz! para quê? Para que nossa fé, a minha e a tua, no século XXI, diz ele, não se apoiasse ou descansasse na sabedoria de um homem, mas no poder de Deus, no poder de Deus manifestado em Seu Filho, o poder de Cristo e este crucificado.

Não olhe para essa cultura, para o mundo pós-moderno, nosso mundo tecnológico,... como algo significativo... logo, daqui a alguns anos, décadas, séculos... tudo isso estará mofado e será olhado pelos homens no futuro como algo atrasado e primitivo... então não trate a cruz como uma relíquia história do passado que deve ser rearranjada a luz da nossa geração “brilhante” e “relevante”. A cruz é o poder de Deus para mudar tudo em sua vida. Se você quiser ser discípulo de Cristo, terá que tomar a velha cruz todos os dias, no meio desta cultura, do pensamento pós-moderno... contar ao mundo as maravilhas do Deus santo, do Deus que foi pregado na cruz, do Deus que não muda, do Deus que odeia o pecado, do Deus que salva por graça, do Deus que condena ao inferno, da bondade e da severidade de Deus... Então todo resultado estará nas mãos de Deus e a fé de ninguém estará baseada na sabedoria humana. E assim Deus receberá toda a glória.

“os judeus pedem sinais miraculosos e os gregos buscavam sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas para aqueles a quem Deus chama eficazmente, tanto judeus quanto gregos, Cristo é o poder e a sabedoria de Deus” – 1Co 1.22-24

Paulo tinha boas razões para fazer essa escolha e nenhuma razão para não fazê-lo, mesmo que isso lhe custasse tudo.

Primeiro porque não existe assunto mais abrangente que esse. Cristo crucificado é o centro onde o tempo e a eternidade, Deus  e o homem, pecado, justiça e santidade, vida e morte se encontram.

Segundo, Cristo crucificado é o teatro onde Deus exibe suas perfeições, desdobra seus propósitos, mantém seus direitos e justiça, confunde seus inimigos e assegura sua glória.

Terceiro, Cristo crucificado é o instrumento pelo qual a morte é destruída, o pecado é vencido, os rebeldes são reconciliados, santos santificados e o céu é  aberto.

Quarto, Cristo crucificado, a cruz de Cristo é o objeto que confunde a razão humana, surpreende os anjos, atrai os pecadores, transmite santidade e fornece assunto para louvor ser fim por toda eternidade.

Quinto, Cristo crucificado é o assunto mais honrado que existe. Sintoniza as harpas, a música do céu e preenche as mais doces canções da terra.

Sexto, Cristo crucificado é o meio pelo qual o Espírito Santo trabalha  na conversão dos pecadores, na consolação dos santos, na santificação dos crentes e no estabelecimento da igreja de Deus.

Mesmo num mundo e numa geração pós-tudo, essa ainda seria a única mensagem de Deus para o mundo!

Forbes divulga fortuna dos pastores evangélicos: Edir Macedo lidera lista

Edir Macedo tem fortuna estimada em quase 2 bilhões 

A revista Forbes divulgou a lista dos pastores evangélicos brasileiros que possuem generosas fortunas. O campeão é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, dono de fortuna de R$ 1,9 bilhão. O segundo na lista dos ricaços é o fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. Valdemiro Santiago possui fortuna de R$ 450 milhões, segundo a Forbes.
A lista é completada por Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, com R$ 305 milhões, seguido de Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Ele é dono de fortuna estimada em R$ 255 milhões. Estevam Hernandes Filho e Bispa Sônia, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, possuem renda de aproximadamente R$ 155 milhões. A fortuna dos líderes evangélicos foi calculada pela Forbes com base em inquéritos e investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

AS ESCRITURAS E O PECADO


Por A. W. Pink
Há seriíssimas razões para crermos que grande parte da leitura e do estudo bíblicos, nestes últimos poucos anos, não tem sido de grande proveito para aqueles que disso se tem ocupado. E vamos mais longe; pois tememos grandemente que, em muitos casos, isso tem sido antes uma maldição do que uma bênção. Estamos perfeitamente cônscios de que esta é uma linguagem dura, mas não mais forte do que o caso exige. Os dons divinos podem ser sujeitados a uso errôneo, e as misericórdias divinas podem ser alvo de abusos. Que assim tem sido, naquilo que aqui salientamos, é evidente através dos frutos produzidos.
Até mesmo o homem natural pode (e com freqüência o faz) atirar-se ao estudo das Escrituras com o mesmo entusiasmo e prazer que faria se estudasse as ciências. Quando assim faz, aumenta o seu cabedal de conhecimentos, mas também aumenta o seu orgulho. Tal como o químico atarefado em fazer experiências interessantes, o pesquisador intelectual da Palavra é invadido de satisfação ao fazer ali alguma descoberta; mas a alegria deste último não é mais espiritual do que a alegria daquele primeiro.
Outrossim, tal como os sucessos de um químico geralmente acentuam o seu senso de importância própria, levando-o a olhar com desdém para outros, que sejam mais ignorantes que ele mesmo, assim também, desafortunadamente, dá-se no caso daqueles que investigam a numerologia, a tipologia, a profecia bíblica e outros temas dessa natureza.
O estudo da Palavra de Deus pode ser levado a efeito com base em vários motivos. Alguns lêem-na a fim de satisfazerem seu orgulho literário. Em certos círculos tornou-se algo respeitável e popular a obtenção de um conhecimento geral do conteúdo da Bíblia, simplesmente por ser considerado como defeito de educação a ignorância dela. Outros lêem a Bíblia para satisfazer seu senso de curiosidade, como o fariam com qualquer outro livro famoso. Ainda outros lêem-na para satisfazer seu orgulho sectarista. Esses consideram um dever estar bem familiarizados com as crenças particulares de sua própria denominação, pelo que também buscam ansiosamente textos de prova que dão apoio ao que eles chamam de ''nossas doutrinas''. Ainda há aqueles que lêem a Bíblia com a finalidade de argumentar com êxito com aqueles que discordam de suas opiniões. Em toda essa atividade, entretanto, não há qualquer pensamento acerca de Deus, não há qualquer anelo pela edificação espiritual, e, portanto, não há qualquer beneficio real para a alma.
Assim sendo, de que maneira nos podemos beneficiar da Bíblia? A passagem de II Timóteo 3:16,17 não nos fornece clara resposta para essa pergunta? Lemos ali: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Observemos o que aqui é omitido: as Sagradas Escrituras não nos foram dadas a fim de satisfazer nossa curiosidade intelectual e nem nossas especulações carnais, e sim para habilitar-nos para toda boa obra, e isso mediante o ensino, a reprovação e a correção. Envidaremos esforços por ampliar isso com a ajuda de outros trechos bíblicos.
1. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o convence de pecado.
Este é o seu primeiro préstimo: revelar a nossa depravação, desmascarar a nossa vileza, tornar conhecida a nossa iniquidade. A vida moral de um homem pode ser irrepreensível, seu trato com os seus semelhantes pode ser sem faltas; mas quando o Espírito Santo aplica a Palavra ao seu coração e à sua consciência, abrindo os seus olhos fechados pelo pecado para que perceba a sua relação e a sua atitude para com Deus, então ele exclama: "Ai de mim! Estou perdido!" (Isaías 6:5). É desse modo que toda a alma verdadeiramente salva é levada a perceber a necessidade que tem de Cristo. "Os sãos não precisam de médicos, e, sim, os doentes" (Lucas 5:31). Contudo, somente quando o Espírito aplica a Palavra, com poder divino, é que qualquer indivíduo é levado a sentir-se enfermo, enfermo até à morte.
Essa convicção, que impressiona o coração com o fato de que o pecado produziu tremenda devastação na constituição humana, não se restringe à experiência inicial, que precede de imediato à conversão. De cada vez que Deus bendiz a sua Palavra em meu coração, sou levado a sentir quão longe ando do padrão que Ele me apresenta, a saber: "...tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento" (I Pedro 1:15). Aqui, por conseguinte, temos o primeiro teste a ser aplicado: quando leio acerca dos tristes fracassos de diferentes personagens das Escrituras, isso me faz perceber quão infelizmente parecido com eles eu sou? E quando leio sabre a vida bem-aventurada e perfeita como a de Cristo, isso me faz reconhecer quão terrivelmente diferente sou eu dEle?
2. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o faz entristecer-se por causa do pecado.
Com respeito ao ouvinte do solo rochoso foi dito que "...esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração..." (Mateus 13:20, 21). Porém, acerca daqueles que foram convencidos de pecado, sob a pregação de Pedro, está registrado que eles se sentiram compungidos em seus corações (ver Atos 2:37). O mesmo contraste se verifica hoje. Muitos ouvem um sermão floreado ou um discurso sobre a ''verdade dispensacional'', que exibe a capacidade de oratória ou mostra a habilidade intelectual do orador, mas que, usualmente, não contém qualquer aplicação à consciência. Aquela exposição é recebida com aprovação, mas ninguém é humilhado diante de Deus e nem é levado a andar mais perto dEle, por ela.
Porém, deixe-se que um servo fiel do Senhor (o qual pela graça divina não busca adquirir reputação por ''brilhantismo'') faça os ensinamentos bíblicos exercerem pressão sabre o caráter e a conduta, desvendando os tristes fracassos até mesmo dos melhores entre o povo de Deus, e embora a multidão despreze o mensageiro, as pessoas realmente regeneradas sentir-se-ão gratas pela mensagem que as leva a se lamentarem diante de Deus e a clamarem: "Desventurado homem que sou!" (Romanos 7:24). Assim acontece quando lemos pessoalmente a Palavra. E assim sucede quando o Espírito Santo a aplica de tal maneira que sou levado a ver e a sentir minha corrupção íntima, para que eu seja verdadeiramente abençoado.
Que palavra encontramos no trecho de Jeremias 31:19: "Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade!"
Meu prezado amigo, você conhece algo parecido com essa experiência? Os seus estudos da Palavra de Deus produzem um coração quebrantado e o levam a humilhar-se perante Deus? Fica você convicto de seus pecados, de tal modo que é levado a arrepender-se diariamente perante ele? O cordeiro pascal tinha de ser comido com ''ervas amargas'' (Êxodo 12:8). Por semelhante modo, quando realmente nos alimentamos da Palavra, o Espírito Santo a torna "amarga" para nós, antes de tornar-se doce ao nosso paladar. Notemos a ordem das coisas, no trecho de Apocalipse 10.9: "Fui pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele então me fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo ao teu estômago, mas na tua boca, doce coma mel". Essa será sempre a ordem da experiência: primeiramente deve vir a lamentação, e somente depois vem o consolo (Mateus 5:4); primeiro a humilhação, e depois a exaltação (I Pedro 5 :6).
3. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o conduz à confissão de pecado.
As Escrituras são proveitosas para a "repreensão" (II Timóteo 3:16); e a alma honesta está pronta a reconhecer as suas próprias faltas. Mas acerca do indivíduo carnal é declarado: "Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (João 3:20). "Deus tenha misericórdia de mim, um pecador", é o clamor dos corações renovados; e cada vez que somos revivificados pela Palavra (Salmo 119), recebemos nova revelação e renovada convicção de nossas transgressões aos olhos de Deus. "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13). Não pode haver prosperidade nem frutificação espirituais (Salmos 1:3), enquanto ocultarmos em nosso seio as nossas culpas secretas; somente quando são livremente reconhecidas perante Deus, e isso com detalhes, é que desfrutaremos de Sua misericórdia.
Não há paz real para a consciência e nem descanso para o coração, enquanto sepultarmos a carga do pecado não confessado. O alívio só nos é outorgado se confessarmos o pecado a Deus. Notemos bem a experiência de Davi: "Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos, pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio." (Salmos 32:3,4).
Essa linguagem figurada mas vigorosa lhe parece ininteligível? ou a sua própria história espiritual a explica? Há muitos versículos nas Escrituras que nenhum comentário pode interpretar satisfatoriamente, mas que a experiência pessoal pode fazê-lo. Verdadeiramente bem-aventuradas são as palavras seguintes: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado." (Salmos 32:5)
4. O indivíduo se beneficia da Palavra, espiritualmente falando, quando ele odeia o pecado com maior profundidade.
"Vós, que amais o SENHOR, detestai o mal: ele guarda as almas dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios" (Salmos 97:10). "Não podemos amar a Deus sem odiar aquilo que Ele odeia. Não somente devemos evitar o mal, recusando-nos a continuar nele, mas também devemos declarar guerra contra ele, voltando-nos contra ele com indignação no íntimo" (C.H. Spurgeon).
Um dos testes mais seguros que se pode aplicar à professada conversão é a atitude do coração para com o pecado. Sempre que o princípio de santidade houver sido implantado, necessariamente haverá repulsa por tudo quanto é profano. E se nosso repúdio ao mal for genuíno, então seremos gratos quando a Palavra reprovar até mesmo o mal de que nem suspeitávamos.
Essa foi também a experiência de Davi: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; par isso detesto todo caminho de falsidade" (Salmos 119:104). Observemos atentamente que não devemos meramente "abster-nos do pecado", pois "detesto"; e não somente a "alguns" ou "muitos" pecados, mas antes, a "todo caminho de falsidade", e não apenas a "todo mal" mas a "todo caminho de falsidade". E continua o salmista: "Por isso tenho por em tudo retos os teus preceitos todos, e aborreço todo caminho de falsidade" (Salmos 119:128).
No entanto, dá-se exatamente o contrário no caso do ímpio: "De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? " (Salmos 50:16,17).
E em Provérbios 8:13, lemos: "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho, e a boca perversa, eu os aborreço". Ora, esse temor piedoso nos vem através da leitura da Palavra (ver a passagem de Deuteronômio 17:18,19). Com razão, pois, é que alguém declarou: "Enquanto não odiarmos ao pecado, não poderemos mortificá-lo, ninguém clamará contra o pecado, como os judeus clamaram contra o Cristo: ''Crucifica-O! Crucifica-O!'', enquanto realmente não abominar o pecado como Ele foi abominado" (Edward Reyner, 1635).
5. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a abandonar o pecado.
"Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (II Timóteo 2:19). Quanto mais lemos a Palavra com o objetivo definido de descobrir o que é agradável e o que é desagradável ao Senhor, mais a Sua vontade tornar-se-á conhecida por nós; e se os nossos corações forem corretos diante dEle, mais ainda os nossos caminhos se harmonizarão com a Sua vontade. Então é que andaremos "na verdade" (II João 4).
No fim do sexto capítulo da segunda epístola aos Coríntios algumas promessas preciosas são dadas àqueles que se separarem dos incrédulos. Observemos, naquela passagem, a aplicação feita pelo Espírito Santo. Não diz o Senhor "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, consolemo-nos e nos entreguemos à complacência...", e, sim: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito..." (II Coríntios 7:1).
"Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João I5:3). Eis aqui uma outra importante regra, par meio da qual nos deveríamos testar com freqüência: a leitura e o estudo da Palavra de Deus está produzindo a purgação de minha conduta? Desde os dias antigos vinha sendo feita a indagação: "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?" E a resposta do salmista inspirado declara: ''Observando-o segundo a Tua Palavra" (Salmo119:9).
Sim, não basta ler a Palavra, crer nela ou memorizá-la; mas é preciso haver a aplicação pessoal da Palavra ao nosso "caminho". É quando "damos ouvidos" a exortações como aquelas que estipulam: "Fugi da impureza!" (I Coríntios 6:18), "Fugi da idolatria" (I Coríntios 10:14), "... foge destas cousas..." – da cobiça apaixonada pelo dinheiro (1 Tim. 6:11) e "Foge, outrossim, das paixões da mocidade" (II Tim. 2:22), é que o crente é levado a separar-se do mal, na prática; pois então o pecado não somente tem sido confessado, mas também tem sido "deixado" (ver Provérbios 28:13).
6. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o fortalece contra o pecado.
As Sagradas Escrituras nos foram dadas não somente com o propósito de revelar-nos a nossa pecaminosidade inata, ou a fim de mostrar as muitas e muitas maneiras mediante as quais carecemos "da glória de Deus" (Romanos 3:23), mas igualmente para ensinar-nos como podemos obter livramento do pecado, como podemos ser livres de desagradar a Deus. "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmos 119:11). E de cada um de nós é requerido o seguinte: "Aceita, pego-te, a instrução que profere, e põe as suas palavras no teu coração" (Jó 22:22).
O de que precisamos é, particularmente, dos mandamentos, das advertências, das exortações da Bíblia, para que sejam como que nosso tesouro particular; devemos memorizá-los, meditar sobre os mesmos, orar a seu respeito e pô-los em prática. Eis a única maneira eficaz de se evitar que um terreno qualquer seja invadido por ervas daninhas: é semear ali a boa semente: "...vence o mal com o bem" (Romanos 12:21). Por conseguinte, quanto mais "ricamente" estiver habitando em nós a Palavra de Cristo (ver Colossenses 3:16), menos espaço haverá para o exercício do pecado, em nossos corações e em nossas vidas.
Não é suficiente apenas assentirmos à veracidade das Escrituras, mas é necessário que elas sejam recebidas em nossos afetos. É uma verdade soleníssima aquela em que o Espírito Santo especifica a base da apostasia, "...porque ao amor da verdade eles não receberam" (II Tessalonicenses 2:10, grego).
"Se essa semente ficar apenas na língua ou na mente, para que seja apenas uma questão de palavras ou de especulação, não demorará muito para que desapareça. A semente que jaz à superfície será apanhada pelas aves do céu. Portanto, que cada qual a esconda no profundo do ser; que vá dos ouvidos para a mente, da mente para o coração; e que ela penetre cada vez mais profundamente. Somente ao exercer ela um domínio soberano sobre o coração, é que a receberemos na força de seu amor – quando ela é mais cara para nós que nossas concupiscências mais queridas, então nos apegamos a ela". (Thomas Manton).
Não há qualquer outra coisa que nos preserve das infecções deste mundo, que nos livre das tentações de Satanás, que se mostre preservativo tão eficaz contra o pecado, como a Palavra de Deus recebida em nossos afetos: "No coração tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão" (Salmos 37:31). Enquanto a verdade mostrar-se ativa em nosso íntimo, despertando-nos a consciência e sendo realmente amada par nós, seremos preservados da queda. Quando José foi tentado pela esposa de Potifar, respondeu ele: "... como, pois, cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39:9). A Palavra de Deus se achava em seu coração, pelo que também prevaleceu sobre os seus desejos. Essa é a inefável santidade, o grandioso poder de Deus, o qual é poderoso tanto para salvar como para destruir.
Nenhum de nós sabemos em que ocasião será sujeito às tentações; portanto, é mister estarmos preparados contra elas. "Quem há entre vós que ouça isto? que atenda e ouça o que há de ser depois?" (Isaías 42:23). Sim, compete-nos antecipar o futuro e nos fortalecermos intimamente para ele, entesourando a Palavra em nossos corações, para as emergências futuras.
7. O indivíduo se beneficia espiritualmente quando a Palavra o leva a praticar o contrário do pecado.
"... o pecado é a transgressão da lei" (I João 3 :4). Deus diz: "Farás...'', mas o pecado retruca: "Não quero". Deus diz: "Não farás...", e o pecado diz: "Farei". Assim, pois, o pecado é a rebeldia contra Deus, é a determinação do indivíduo seguir o seu próprio caminho (ver Isa. 53:6).
Isso capacita-nos a entender que o pecado é uma espécie de anarquia no campo espiritual, o que pode ser comparado com o ato de sacudir uma bandeira vermelha no rosto de Deus. Ora, a atitude oposta ao pecado contra Deus é a submissão a Ele, da mesma maneira que o contrário da iniqüidade é a sujeição à lei. Portanto, praticar o contrário do pecado é andar na vereda da obediência.
Esta é uma das outras grandes razões pelas quais as Escrituras nos foram dadas: tornar conhecida a senda pela qual devemos andar, o que agrada a Deus. As Escrituras são proveitosas não somente para repreensão e correção, mas também para a "instrução na justiça".
Neste ponto, pois, encontramos outra importante regra mediante a qual devemos testar freqüentemente a nós mesmos: Os meus pensamentos estão sendo formados, o meu coração está sendo controlado e a minha conduta e as minhas obras estão sendo regulamentadas pela Palavra de Deus? Eis o que o Senhor exige: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). E aqui temos a declaração de como devem ser expressos a nossa gratidão e os nossos afetos por Cristo: "Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos" (João 14:15). Para tanto, é necessário a ajuda divina. Davi orava: "Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo" (Salmos I19:35).
"Precisamos não somente de luz para reconhecermos o nosso caminho, mas também de um coração bem disposto para andar por esse caminho. A orientação é necessária por causa da cegueira das nossas mentes; e os impulsos eficazes da graça são necessários par causa da fraqueza dos nossos corações. Não cumpriremos o nosso dever mediante a mera noção das verdades, a menos que as abracemos e as sigamos". (Manton). Notemos que o salmista falava sabre a "... vereda dos Teus mandamentos..." Não aludia ele a algum caminho pessoal, auto-escolhido, e, sim, a um caminho bem demarcado; não se trata de uma estrada "pública", mas de uma vereda ''particular''.
Que tanto o escritor como o leitor se aquilatem, honesta e diligentemente, como na presença de Deus, pelas sete coisas acima enumeradas. O estudo da Bíblia, prezado amigo, o tem tornado uma pessoa mais humilde, ou mais orgulhosa – orgulhosa com o conhecimento que assim adquiriu? Esse estudo o elevou na estima de seus semelhantes, ou o rebaixou a um lugar inferior, na presença de Deus? Tem isso produzido, em sua experiência, uma atitude de mais profunda repulsa e asco par si mesmo, ou tornou-o mais complacente? Isso tem feito com que aqueles que entram em contato consigo, aos quais talvez você ensine, digam: "Gostaria de ter o seu conhecimento sobre a Bíblia!"; ou isso os tem levado a orar: "Senhor, dá-me a fé, a graça e a santidade que tens conferido a meu amigo ou professor?'' "Medita estas cousas, e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto" (1 Timóteo 4:15).
Extraido do livro de A. W. Pink Enriquecendo-se Com a Bíblia, Ed. Fiel, 1979.