sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tudo é definido em termos de nós, e isso contamina tudo!

Por Josemar Bessa 
 A visão da Paternidade de Deus se perdeu completamente. Se olharmos os Puritanos, Reformadores... teremos uma visão completamente diferente da que temos hoje no meio evangélico. Se você for de igreja em igreja hoje e perguntar o que as pessoas entendem pela Paternidade de Deus, elas responderão que significa que "Deus me ama, que Ele vai cuidar de mim, vai me guiar, me levar pro céu...” Basicamente isso é “verdade”, mas onde está o problema???? Está no me, me, me, me... sem fim – tudo é definido em termos de nós – humanos. Este é o ponto de vista predominante e isso a tudo contamina. Quando Deus nos deu os Dez Mandamentos – na Segunda Tábua, o mandamento mais precioso para os filhos é “Honra teu pai e tua mãe...” (Ex 20.12). Deus quer nos ensinar o exato oposto daquilo que domina a mente “evangélica atual” – “Honra o teu pai!...” – Quando pensamos na Paternidade de Deus deveríamos em primeiro lugar não pensar nada a nosso próprio respeito. – Mas na Honra de nosso Pai. Como Ele deve ser honrado, respeitado, obedecido, venerado. Como deveríamos em tudo defender Sua vontade expressa em Sua Palavra... Em nossa sociedade perdemos a dimensão central e bíblica da paternidade. A idéia de respeito, honra e obediência. O pai é só um amigão que vive para satisfazer nossas necessidades... Não podemos conhecer Deus, o Pai, com essa idéia em mente. Thomas Watson (Puritano - 1610-1686) nos mostra uma visão completamente diferente de como filhos deviam ver seus pais e como conseqüência, ver a Deus, o Pai. Ele diz: “como as crianças deviam ver seus pais e demonstrar honra a eles?” – E ele mesmo responde baseado em grande quantidade e textos bíblicos: “Devem mostrar com um amor reverencial. Com um temor misturado com amor expressado com palavras e gestos”. É isso que vemos hoje nos lares? Mesmo nos lares evangélicos? É esse o ar que respiramos em meio as famílias? NÃO!! Amor, estima reverencial não é dado pelos filhos e nem esperado pelos pais. Como poderíamos esperar que hoje se tivesse uma visão correta da Paternidade de Deus? O ideal de paternidade é completamente secular – Deus como Pai não é honrado – um amor reverencial não é prestado a Deus – Ele tão somente é visto como alguém que se nos “ama’, deve nos fazer felizes, nos dando coisas e não nos negando nada. Que definição pífia nós temos de amor, felicidade, paternidade... É pífia, pois vem do mundo e não de Deus, não de Sua Palavra. Como resultado, Deus é tremendamente desonrado onde devia receber toda honra – na igreja. Esta é a mensagem de Deus para nós: “O filho honra o pai ( pelo menos devia), e o servo, ou seu senhor” – então Deus pergunta – “Se eu sou Pai, onde está minha honra? E se Sou Senhor, onde está o respeito para comigo? – diz o Senhor dos exércitos” (Ml 1.6). Ah! Grande parte dos problemas que vivemos no evangelicalismo hoje não está aí? Heresias, desvios claros da Palavra, desprezo sobre o ensinamento apostólico, endeusamento do dinheiro, misticismo, abandono das Doutrinas da Graça... Tudo cabe nessa denúncia – “Se eu sou Pai, onde está a minha honra?” – A idéia de que Deus existe para nós e não nós para sua glória e honra e todos os demais desvios estão incluídos nesta pergunta. O que Deus está dizendo é que Sua Paternidade gloriosa implica em um DEVER SAGRADO de seus filhos em honrá-lo, obedecê-lo, respeitá-lo e demonstrar amor reverencial. Deus em Sua Palavra usa os profetas para nos ajudar a sentir a MAJESTADE DE NOSSO PAI. Deus não nos mostra simplesmente que devíamos mostrar gratidão por um pai que cuida de nós (e Ele cuida) – Ele vai muito além. Devíamos mostrar honra a um Pai que é todo majestoso e auto-suficiente: “Se eu sou Pai, onde está minha honra? E se Sou Senhor, onde está o respeito para comigo? – diz o Senhor dos exércitos” – Ele é o Senhor dos Exércitos – o grande “Eu Sou”! Um evangelho que não leva o homem em tudo a honrar e glorificar a Deus; e sim ver Deus de uma maneira utilitária, mundana e secular – é um evangelho falso.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Igreja Precisa de Teologia?

Por João Alves dos Santos
Introdução e Conceitos É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e, sim, de vida”. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana, por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. E até a “boa teologia”, quando se torna um fim em si mesma, pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. Não é disto que falamos aqui. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica, Teologia é o estudo de Deus, ou, definindo mais formalmente, “é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra” (B.B. Warfield). Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam, conscientemente, que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz, quem somos nós em relação a Ele, o que Ele requer de nós,etc., se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe; o segundo, de que Ele pode ser conhecido, embora não de modo exaustivo e completo; e o terceiro, de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência - Revelação Geral - Sl19:1,2; At 14:17), como, principalmente, nas Santas Escrituras (Revelação Especial - Hb1:1,2; 1 Pd 1:20,21). É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. Nosso conhecimento de Deus não é intuitivo, nem natural, mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. “Fazer teologia”, portanto, não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras, nem mesmo “descobrir” a Deus, mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Por isso, qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base, meio e princípio regulador não é “teologia”, devidamente entendida. A palavra “teologia” não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente, no N.T., é “doutrina” ( “didache” ou “didaskalia”, no grego), que vem de uma raiz que significa “ensinar” e pode se referir tanto ao ato de ensinar, propriamente, como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17;1Tm 6:3-4; 2Tim 4:3-4; Tito 1:2,9, etc.). Podemos dizer, de modo mais completo agora, que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra, e que são apresentadas de modo sistemático, na forma de um corpo de doutrinas. A essa forma ordenada de doutrinas, dá-se inclusive, o nome de “Teologia Sistemática”. O adjetivo aqui, não altera o conceito de “teologia”. Assim entendidas, fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. Mas voltemos ao nosso tema. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 1. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas. Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, mesmo que extraídas corretamente da Bíblia, a que damos o nome de “doutrina”, mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo, mas pela própria pessoa de Cristo; nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação, mas pelo próprio ato expiatório. É possível alguém ser “bom teólogo”, nesse sentido, e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. A doutrina realmente não salva. A obra de Cristo, devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente, é que assegura essa graça. Seu nascimento sobrenatural, Sua vida de perfeita obediência à Lei, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição, Sua ascensão e assentamento à direita do Pai, Sua segunda vinda, são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição, há dois mil anos atrás, garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. A doutrina não salva, mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). Doutrina sem fato é mito, mas fato sem doutrina é mera história. O Cristianismo, portanto, consiste em “fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos”, na expressão de B.B. Warfield. Ele diz: “A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem; mas se isso não for um fato histórico também, nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados”( Selected Shorter Writings, vol 2, p. 234). Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. Quando João diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14), não está apenas apresentando um fato; está explicando-o também. Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões,e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). Podemos hoje entender que “os céus manifestam a glória de Deus” (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Sem essa explicação, sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador, gerando a idolatria (devido ao pecado), como lemos em Rm 1:18-32. Não é o acontece quando as pessoas dizem que “a natureza é sábia”, ou quando a chamam de “mãe natureza”?. Sem a revelação do Criador, a criatura toma o seu lugar. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale, e não somente que Ele aja. Concluímos, portanto, que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2; 2Tm 2:2; Tito 1:9; Ef 4:11), pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. 2. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida, não em doutrina. Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo, as emoções, o sentimento religioso do homem, e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto, à razão. “Religião é vida e a vida é dinâmica, fluente; a doutrina é estática, fria, e, portanto, não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo”, dizem. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina, desde que mutável, adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às “necessidades” da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. Até chamam a isso de “teologia contemporanizada” ou “contextualizada”. Segundo esse ponto de vista, não é a doutrina que deve dirigir a vida, mas esta àquela. “A letra mata, mas o espírito vivifica”, argumentam. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância, mas também no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã, não a sua norma. Há até quem interprete assim a célebre divisa: “Igreja reformada sempre se reformando”. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer, com base na palavra de Deus, que o Cristianismo é vida e não doutrina, ou, primeiramente vida, depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira, então não haverá verdade absoluta, nem princípio fixo, nem revelação objetiva. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo, da “piedade”, das emoções. Não admira que haja tanta “fluidez” e instabilidade entre os que assim pensam, e que sejam facilmente levados “por todo vento de doutrina”. Para estes, a doutrina é o que menos interessa. Concordamos também que Cristianismo é vida, e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta, nos moldes escriturísticos, falta a alma da verdadeira religião. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo, é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho, depois nos dias de Lutero e Calvino, depois nos dias de Warfield e dos Hodge e, assim, sucessivamente, até os nossos dias, para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. O princípio de que “a Igreja reformada deve estar sempre se reformando” visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade, não alterá-la, para que seja aplicável em todas as épocas. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Reformar é voltar às origens, ao que foi intencionado no princípio por Deus. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. Foi a doutrina bíblica, tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja, que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida, no século XVI. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. É a doutrina que dá característica à vida. Sem dúvida, não estamos afirmando que apenas a doutrina, independente da obra santificadora do Espírito, produz vida. A doutrina é, isto sim, o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que, sem esta, ninguém verá o Senhor (1 Ts 4:3; Hb 12:14). É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor, que é quem nos santifica (Lv 20:7-8; Ef 5:26). Nas epístolas paulinas, a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. Rm 1-11: doutrina; 12-16: prática). Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo, em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 15 :17) e em João 7:17, onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto, da razão, para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. Por isso, o ensino da doutrina é indispensável na Igreja, tanto através do púlpito como pelos estudos semanais, pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração, mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). Conclusão Concluímos, portanto, que a Igreja precisa da Teologia, porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã.

Pastores ou Psicólogos: Do que a Igreja precisa?

Mesmo sendo bastante óbvio, não é exatamente isso que têm acontecido em muitas de nossas igrejas. O que temos visto é uma série de atitudes de pastores ignorando o aconselhamento paltado nas Escrituras e assumindo uma filosofia de aconselhamento mundano e antibíblico. O avanço da psicologia é tão alarmante que ela se agregou em todos os segmentos da sociedade, chegando ao ponto de seduzir pastores e líderes. A penetração no meio evangélico se destaca nas mais diversificadas formas: através dos púlpitos, com mensagens psicologizadas, e no aconselhamento "pastoral", onde a Bíblia é colocada em pé de igualdade com a psicologia. Os pastores e líderes estão procurando respostas para o problema humano e em particular de suas ovelhas, fora da Palavra de Deus. O consolo que esses pastores têm a oferecer em suas igrejas está na filosofia humanista da psicologia. Os aconselhamentos "bíblicos" não passam de mensagens de motivação ou de auto-ajuda. Renato Vargens, em um de seus artigos, afirmou: No entanto, em virtude do relativismo de nosso tempo, onde o que mais se enfatiza é a satisfação pessoal, inúmeros lideres cristãos, das mais diversas denominações, tem abandonado o estudo sistemático da Palavra de Deus para dedicar-se ao estudo do comportamento humano, proporcionando com isso a "adequação" do evangelho de Cristo aos padrões humanistas deste tempo pós-moderno.
Fico a questionar qual o propósito desses pastores. Será que querem aprender como lidar com o ser humano em suas sucessivas etapas de desenvolvimento? Ou querem aprender como ajudar pessoas no relacionamento interpessoal? Ou pretendem psicanalizar? Ou acham que através da psicanálise eles serão habilitados para a tarefa pastoral do aconselhamento? Em suma, creio que estão procurando entender o ser humano e suas angústias. Talvez achem que a Bíblia tem pouco a fornecer sobre a constituição moral, ética e espiritual do homem, ou que, talvez, Deus deixou com os humanistas parte de tudo que precisamos para termos um vida equilibrada, cheia de paz, feliz e segura. Isso demanda o quão raso é o conhecimento e a aplicação da teologia bíblica em nosso meio. Ah, sim, a aplicação da teologia bíblica é a base para um verdadeiro aconselhamento bíblico. Mais uma vez cito Renato Vargens que declarou que acredita que "tanto o pastor como o teólogo deveriam priorizar exclusivamente o estudo das Sagradas Escrituras, como também da Teologia". Mas, como aconselharão se não tiverem teologia? Essa busca mostra o quão desqualificados são para uma tarefa tão nobre que é o aconselhamento bíblico. A fonte do autêntico conselheiro bíblico é imensurável, rica, inesgotável, incomparável, insubstituível, imprescindível, indispensável, inequívoca, indiscutível, infalível, etc. A Bíblia, a Santa Palavra de Deus é o nosso maior e melhor manual de aconselhamento. O pastor não pode ficar no campo da superficialidade, ou trocando a Bíblia por recursos desprovidos de Deus. A conseqüência inevitável é a digressão do rebanho com raquitismo espiritual gerando muita infidelidade a Deus. Por que igrejas que antes eram cheias, hoje se conta nos dedos o número do que freqüentam os cultos? Será que a fraqueza espiritual está tomando conta da igreja? Pode ser que sim, Deus constituiu pastores para pastorearem a sua igreja. Bom, o que os pastores têm feito para manter a espiritualidade de sua igreja em alta? E quando eles não aconselham utilizando-se da psicologia, indicam um. Há um caso de uma igreja cujo pastor se ofereceu para indicar um psicólogo bastante conhecido para uma irmã se consultar. A irmã precisava sim de uma orientação bíblica para sua angústia, visto que há muito tempo esta irmã andava angustiada com o que acontecia em sua vida. E o máximo que ela ouviu do pastor foi: "irmã, vou indicar um psicólogo pra você procurar". Por que um psicólogo? O pastor não tem condições de aconselhar a irmã? O pastor não sabe aconselhar? Onde está o aconselhamento bíblico? Porque entregar um membro da igreja a um psicólogo, se é o pastor quem deveria tratar com o membro? Em outro caso, um rapaz procurou o pastor para falar sobre problemas que ele estava enfrentando em seu casamento. O máximo que ele ouviu foi: "irmão, isso acontece com todas as pessoas. Isso é normal. Dê tempo ao tempo". Quer dizer que o aconselhamento "bíblico" se resume em apenas "isso é normal" ou "acontece com qualquer um", ou “dê tempo ao tempo”? Onde está o aconselhamento bíblico? Onde está a iniciativa do líder em reunir o casal e falar sobre problemas no casamento? Acredito que é a falta de conteúdo teológico que irá determinar um fraco aconselhamento ou, o que é mais grave, a ausência do aconselhamento. É assim que o líder acha que sua igreja vai crescer? É com esse tipo de aconselhamento que o pastor acha que sua igreja vai crescer na fé? É com esse tipo de abordagem que o pastor acha que estará formando uma igreja sólida e firme para enfrentar as adversidades da vida? É com esse tipo de "conselhos" que o pastor acha que os casais solidificarão seus casamentos? É com esse tipo de aconselhamento que o pastor acha que suas ovelhas farão dele uma imagem de um pastor bíblico, dedicado com suas almas, preocupado com suas angústias, pronto a ajudar, sempre dedicado no ensino da Palavra com um alto teor de teologia? Acho que não. Eu estou plenamente convencido de que se um pastor não tem uma boa teologia, não terá condições alguma de prestar um aconselhamento bíblico o suficiente para consolar o afito, estabilizar relacionamentos e matar pecados e vícios de suas ovelhas. Quero deixar algo bem claro para pastores, presbíteros, seminaristas e membros de igrejas. Creio ser de fundamental importância que os pastores busquem aprofundamento bíblico. Bacharelado, mestrado, cursos de capacitação ministerial etc. O conhecer nosso Deus e a sua Palavra não é algo limitado, "E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber" (1Co 8.2). Não procure ajudar suas ovelhas com teorias humanistas, quando você tem a pura expressão da vontade soberana do nosso Deus através da sua Palavra. A ovelha precisa de pastor e não de psicólogo.

O grave problema dos pastores que trocaram a Bíblia pela Psicologia

Por Renato Vargens
Nos últimos 20 anos tem se multiplicado assustadoramente o número de pastores que abandonaram as Escrituras Sagradas e o aconselhamento bíblico em detrimento ao estudo da psicologia e da psicanálise. Na verdade, boa parte dos líderes evangélicos acreditam ainda que inconscientemente, que a Palavra de Deus não é suficientemente capaz de sarar o coração ferido, sendo assim necessário a aplicação de técnicas terapeuticas bem como o auxílio de doutrinas psicológicas. Nesta perspectiva, tenho visto e testemunhado dezenas de pastores dedicando a maior parte de seu tempo tentando aprender aquilo que Freud e cia tem a dizer sobre o comportamento humano. Bom, antes que seja apedrejado pelos psicólogos que me lêem, afirmo que considero a profissão de psicólogo extremamente importante em nossa sociedade, entretanto, ao contrário de outros segmentos, acredito que tanto o pastor como o teólogo deveriam priorizar exclusivamente o estudo das Sagradas Escrituras, como também da Teologia. No entanto, em virtude do relativismo de nosso tempo, onde o que mais se enfatiza é a satisfação pessoal, inúmeros lideres cristãos, das mais diversas denominações, tem abandonado o estudo sistemático da Palavra de Deus para dedicar-se ao estudo do comportamento humano, proporcionando com isso a "adequação" do evangelho de Cristo aos padrões humanistas deste tempo pós-moderno. Ora, nestes últimos anos, o número de pastores interessados em psicologia aumentou consideravelmente. Em 2000, A revista Veja trouxe um artigo intitulado "A Bíblia no Divã", mostrando que é cada vez maior o número de pastores que têm procurado os cursos de formação rápida de psicanálise tentando conciliar Freud com o Senhor Jesus Cristo. Caro leitor, sinceramente fico a questionar qual o propósito desses pastores. Será que querem aprender como lidar com o ser humano usando concomitamente a Bíblia e Freud? Será que acreditam que através da psicanálise estão habilitados para a tarefa pastoral do aconselhamento? Confesso que sinto-me profundamente entristecido em ver que homens de Deus têm abandonado a suficiência das Escrituras em detrimento aos ensinamentos da psicanálise. Ora, sem a menor sombra de dúvidas a Bíblia é fonte inesgotável, incomparável, insubstituível, indispensável, inequívoca, indiscutível de sabedoria. As Escrituras Sagradas contém remédio para a psiquê. A Santa Palavra de Deus é o nosso maior e melhor manual de aconselhamento. Como bem disse o salmista: a Palavra de Deus é “perfeita e restaura a alma”; é “fiel e dá sabedoria aos símplices”; é correta e alegra o coração; é pura e “ilumina os olhos”. Seus ensinos são “mais desejáveis do que o ouro, mais do que muito ouro depurado”. Por meio dela, o povo de Deus é advertido, protegido do erro e de angústias, e, “em os guardar, há grande recompensa” (Sl 19.7-11).

Ecumenismo, avanço ou uma ameaça à igreja?

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
  Está na moda o diálogo inter-religioso. Vivemos a época do inclusivismo, fruto da ideia pós-moderna, que não existe verdade absoluta. Muitos pastores, em nome do amor, sacrificam a verdade e caem nessa teia perigosa do ecumenismo. Precisamos afirmar que não existe unidade espiritual fora da verdade, assim como luz e trevas não podem coexistir. Não podemos ser um com aqueles que negam a salvação pela graça de Cristo Jesus. Não é um ato de amor deixar que aqueles que andam pelo caminho largo da condenação sigam “em paz” por esse caminho de morte. Esse falso amor tem cheiro de morte. Essa atitude de dar as mãos a todas as religiões, numa espécie de convivência harmoniosa, acreditando que toda religião é boa e leva a Deus é uma falácia. Toda religião é vã a não ser que pregue a Cristo, e este crucificado. Toda religião afasta o homem de Deus, a não ser que anuncie Jesus Cristo como o único caminho para Deus! Vamos deixar esse discurso falacioso de amor a todos, e vamos amar de verdade às pessoas, de todas as religiões, pregando a elas, com senso de urgência, o evangelho que exige arrependimento e fé e oferece vida eterna. Obviamente, a união de todas as religiões e de todas as crenças não é um avanço, mas uma ameaça à igreja de Cristo. O que está por trás dessa tentativa de unir todas as crenças é a heresia de que toda religião é boa e todo o caminho leva a Deus. O ecumenismo, o diálogo inter-religioso e a fraternidade com todos os credos é um engano fatal. É um falso entendimento do que Jesus ensinou sobre a unidade espiritual da igreja. Não há unidade espiritual fora do evangelho de Cristo. O argumento de que Jesus acolheu publicanos e pecadores e por isso devemos receber todos os credos é uma falsa interpretação do texto bíblico. O amor não é um substituto da verdade. Todos são convidados a vir a Cristo, mas de todos é exigido arrependimento e fé. É preciso alertar, ainda, que essa frouxidão doutrinária do liberalismo desemboca na relativização moral. O entendimento pós-moderno é que cada um tem sua própria verdade. A verdade deixou de ser objetiva para ser subjetiva. Com isso, assistimos, estarrecidos, não apenas um ataque aos valores morais, mas uma inversão dos valores morais. O profeta Isaías já havia denunciado essa atitude: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 5.20). É isso que estamos vendo na mídia todos os dias. Faz-se apologia do aborto, do adultério, do homossexualismo, da violência e da mentira. Porque uma ideia falsa foi plantada no passado, estamos fazendo uma colheita desditosa no presente. A igreja de Cristo precisa estar firme contra todas essas ondas de engano e permanecer inabalável no cumprimento de sua vocação de levar o evangelho a toda criatura, em todo o mundo.

Verdadeiros adoradores não são tribais!


Por Josemar Bessa
O que nos leva a adorar a Deus? Responder isso nos livraria de muitos desvios daquilo que é essencial ser proclamado. No mundo há milhares de culturas e povos. Num mesmo país existem pessoas muito diferentes entre si – Nível econômico diferente, educacional... velhos, jovens... O que quebra isso não é um evangelho que se adapte a cada cultura, classe social, idade... O que vence isso é algo muito maior e que nos liberta da cadeia de nos transformarmos em portadores de um evangelho camaleão e que perde seu ponto central que une todas coisas. Em Mateus 2.2 está escrito: “Viemos adorá-lo” – Adorá-lo é o nosso chamado. Quem foi adorar Jesus naquele dia? Os magos – ao que parece, astrólogos do império persa. Quem estava lá também? Os pastores de Belém. Nada poderia ser mais diferente do que essas pessoas, então porque estão juntas? Alguém bolou algo que ‘funcionasse’ para Magos? Ou alguém pensou em algo que ‘funcionasse” para pastores de ovelhas? Nós podemos apontar muitas diferenças entre esse grupo de homens e apenas uma semelhança – mas ela faz toda a diferença. Veja a diferença racial – os pastores eram judeus, já os magos gentios. Essa era uma tremenda barreira. Barreira essa que as estratégias humanas falhariam para quebrar. Veja a diferença intelectual - Intelectualmente os pastores eram homens iletrados, homens simples, homens do campo. Não tinham um emprego que exigisse cultura, estudo... Já os magos eram homens cultos, sábios, estudiosos... Gastaram anos em suas pesquisas e conseguiram a reputação que a educação dá, a qual, os pastores não tiveram acesso. Veja a Diferença Social - Socialmente – Pastores faziam parte da classe social mais baixa – poderíamos incluí-los entre os desfavorecidos ( o evangelho para eles seria diferente? O que os levaria a adorar? Uma abordagem única?) – Já os Magos – com seus presentes caros – tinham recursos – podiam fazer uma viagem que demandaria meses... Muitas pessoas olham para os homens em seu mundo e cultura e esperam que o evangelho tenha uma mensagem com um aspecto que toque cada uma delas. Não entendemos ainda que o Reino de Deus gira em torno daquele que naqueles dias era um bebê e que juntou Magos e Pastores. Temos perdido o cerne dessa mensagem. A despeito de todas as barreiras – Raciais, sociais, intelectuais – Barreiras que tem esse nome porque de fato separam pessoas – não existe uma mensagem que mantenha as pessoas em seus guetos – um evangelho para Pastores de Belém – ou abordagem para Magos do Oriente – e por aí vai pelo caminho sem fim das diferenças humanas. Mil evangelhos seriam suficiente? O ‘evangelho’ do jovem serviria para o homem maduro e para o velho? Para o velho educado e para o velho culto? Para o homem maduro rico e o homem maduro pobre? Para o homem de uma raça e outro de outra? Que estratégia usaríamos hoje para os Magos? Que estratégia usaríamos para os pastores? Apesar de todas as barreiras os Magos e Pastores estavam UNIDOS em sua ADORAÇÃO ao Senhor Jesus. Todas as religiões estão ligadas a culturas, etnias, grupos, raças... Mas não o evangelho. Sua mensagem central é a mesma para cada homem que nasceu e que irá nascer neste mundo. Ele fala da relação do homem com Deus. De um pecador com um Deus santo. Um Deus que se ira todos os dias. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” – O evangelho não é segmentado – ele une todas as culturas, tribos e nações em adoração àquele que é o centro de todas as coisas e o único que pode reconciliar qualquer homem (Magos ou Pastores) com Deus. Qual é o ‘encanto’ que une pessoas tão diferentes? JESUS! Ele é o encanto universal – o amado do Pai. A mensagem ofensiva da cruz será a mesma pregada a todas as gerações, nações, classes sociais, etárias... A verdade sobre Cristo reconciliando o homem com o Pai operada eficazmente pelo Espírito Santo é que faz homens tão diferentes adorarem – “viemos adorá-lo” – Cristo é o imã – não a cultura, não os gostos... Agora, Cristo só é o imã para os que receberam um novo coração – aí já não importa se são Magos ricos e educados ou Pastores pobres e incultos – estarão lá, adorando o Rei – Juntos! – “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.29-31). Verdadeiros adoradores não são tribais, foram escolhidos na eternidade e chamados no tempo para se deleitarem completamente em Cristo e se gloriarem em Sua cruz. O que une esses adoradores flui de seus novos corações e não da cultura a sua volta. Fonte: Josemar Bessa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Espírito de Escravidão

Por D. Martyn Lloyd-Jones

"não recebestes o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor" (Rm 8.15)..



O que ele quer dizer com "espírito de escravidão"? Ele está falando do perigo de ter um "espírito de servo", um espírito e uma atitude de escravo. A atitude de escravo em geral surge de uma tendência de tornar a vida cristã, ou o viver a vida cristã, numa nova lei, numa lei mais alta, superior. Estou pensando em pessoas que estão bem esclarecidas em seu relacionamento com a lei — os Dez Mandamentos, ou a lei moral — como um caminho de salvação. Viram claramente que Cristo as libertou disso, e que somente Ele poderia fazer isso; sabem que seus próprios esforços jamais as capacitaram a cumprir a lei. Entendem que Cristo nos libertou da maldição da lei; não têm qualquer dúvida quanto à sua justifi­cação. Entretanto, agora começam a olhar positivamente para a vida cristã, e de uma forma muito sutil — sem ter qualquer cons­ciência disso — tornam-na num novo tipo de lei, e como resultado caem num espírito de escravidão e de cativeiro. Pensam na vida crista como uma grande tarefa a que têm que se empenhar, e à qual devem se dedicar. Leram o Sermão do Monte e compreendem que é um retrato da vida cristã, a vida que desejam viver. Voltam-se para outros ensinamentos do Senhor registrados nos Evangelhos, e vêem a mesma coisa. Então examinam as Epístolas, e lêem aquelas instruções minuciosas dadas pelos apóstolos, e dizem: "Essa é a vida cristã". E tendo chegado a essa conclusão, consideram-na algo que deve ser assumido e colocado em prática em suas vidas diárias. Em outras palavras, santidade se torna uma pesada tarefa para elas, e começam a planejar e organizar suas vidas e a incluir certas disciplinas que as capacitem a prosseguir. Esta atitude pode ser vista, de forma clássica, na igreja católica romana e em seus ensinos, em toda a idéia do monasticismo, que é nada mais do que uma grande expressão disto que estamos considerando. Vemos ali homens e mulheres que, sendo confrontados pela verdade cristã, dizem: "Obviamente, a vida cristã é uma vida nobre e sublime, e se alguém vai vivê-la com sucesso, deve se dedicar integralmente a isso". Indo ainda mais longe, dizem: "Não se pode fazer isso, e ainda continuar exercendo uma profissão, ou mesmo continuar vivendo no mundo. É preciso segregar-se do mundo, abandoná-lo completa­mente". E fazem isso. Essa é a forma extrema dessa idéia de san­tidade, de que cultivar santidade e a vida espiritual é uma ocupação de tempo integral, e que é necessário devotar-se a ela exclusivamente, e ter regulamentos e outras coisas para ser capaz de vivê-la. De acordo com o apóstolo Paulo, isto nada mais é que um espírito de escravidão. Mas não preciso dizer que isso não está confinado aos católicos romanos, nem a outros que se denominam a si mesmos de "católicos" — pode ser bem comum, e é, entre cristãos evangélicos. Podemos muito facilmente impor a nós mesmos uma nova lei. É claro que não a chamamos de lei, e se compreendês­semos que estamos nos colocando sob uma nova lei, não o faríamos; mas ainda assim há uma tendência para fazer isso. Posso prová-lo pelas várias referências feitas a isso nas epístolas do Novo Testa­mento. Vejam, por exemplo, o argumento de Paulo ao escrever aos colossenses, onde ele tem uma passagem específica que trata desta questão. Observem como ele o expressa no fim do segundo capítulo: "Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados. Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Colossenses 2:16-23). Isso nos dá uma idéia do que estava acontecendo na Igreja primitiva. Uma espécie de monasticismo estava surgindo de forma muito insidiosa. Já não é mais encontrado entre nós dessa forma particular, mas a tendência, a tentação, ainda está presente. Novamente, Paulo escrevendo a Timóteo, tem de advertí-lo contra a mesma coisa. Observem o que ele diz na Primeira Epístola a Timóteo, capítulo 4. "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças". Isso certamente é algo que ainda é muito comum. Lembro-me muito bem do caso de uma senhora, uma cristã evangélica, que tinha parado de comer carne. Ela acreditava poder demonstrar claramente que o cristão não devia comer carne porque o animal teve que ser morto, e isso era uma violação do espírito de amor. Essa senhora havia imposto sobre si mesma uma lei. Qual era seu obje­tivo? Era, como ela pensava, verdadeiramente viver a vida cristã. Ela levava o cristianismo muito a sério, era uma cristã evangélica, não tinha dúvidas quanto à justificação pela fé, mas inconsciente­mente estava tornando a vida cristã numa nova lei que tinha imposto sobre si mesma. Essa passagem que eu acabei de citar, sobre espíritos enganadores que proíbem o casamento e proíbem comer carne, devia ser suficiente e para mostrar o que o apóstolo queria dizer com "espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor".

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Miserável homem que sou

Por Maurício Zágari

Qual é o momento mais importante da nossa caminhada de fé? Para uns, é o instante da conversão. Para outros, é o dia do batismo. Há também os que consideram o momento mais importante a hora da morte, quando finalmente darão o glorioso passo de entrada na casa do Pai. Cada pessoa elege aquele ponto da trajetória com o Senhor que mais marcou sua vida. Tenho também o meu. Claro que sei que todos esses momentos são fundamentais e memoráveis, mas entendo que a conversão e a morte, por exemplo, são os momentos mais importantes de nossa vida. Mas em se tratando da caminhada de fé, ou seja, do bom combate, da nossa trajetória de vida com Jesus, há um dia em que tudo muda e, por isso, o tenho guardado num lugar especial do coração. É quando cai a ficha e você, como Paulo, exclama: "Miserável homem que sou!".


Naturalmente, na hora da conversão existe uma dose dessa percepção. É quando, pela ação do Espírito Santo, nos enxergamos como condenados ao inferno e dissociados de Deus e, assim, somos rendidos ao Evangelho da graça. Mas há uma diferença entre se perceber um pecador perdido e se perceber um cristão miserável. Pois muitos são convertidos a Cristo, ganham a cidadania do Reino dos Céus, são adotados como filhos de Deus e, a partir daí, deveriam passar a viver de acordo com a natureza de Jesus, sendo mansos e humildes. Mas a realidade nos mostra que muitos e muitos são os que começam a se considerar quase super-heróis. Mais que vencedores. Vitoriosos. Filhos do Rei. Tanques blindados. Bombas atômicas a serviço dos céus, prontos para arrebentar com os ímpios e com os "menos espirituais". Vestem uma capa de grandeza e passam a considerar o resto da humanidade parte de um segundo escalão de pessoas. É como se manifesta um pecado muito comum a nós, cristãos: a soberba espiritual.


Já vi muitos assim. Arrogantes. Impiedosos. Cujo maior prazer é apontar o cisco no olho do outro. E confesso: eu mesmo já fui assim. Pois não entendia que todo homem de Deus é, antes de tudo, também um homem. Humano. E, como tal, cheio de falhas, crenças equivocadas, arrogância, vaidade e montes e montes e montes de defeitos. Se você é um cristão sincero, olhará para dentro de si e verá o quão problemático e falho é. Mas eu me via como "o eleito", "o escolhido". Algo à parte dos demais, tão espiritualmente certo em tudo e muito superior aos cristãos "menos santos". Falava dos que cometiam pecados (diferentes dos meus, pois eu também sempre pecava) como fracos, frios, fariseus, lobos em pele de ovelha, crentes em quem não se pode confiar. Eu era o tal. Eles eram o joio. Que tremendo bobo eu era, só rindo de mim.


Miseravel2Porque um dia a realidade despencou na minha cabeça como uma bigorna. E foi quando as escamas caíram de meus olhos e enxerguei que, mesmo sendo cristão há muitos anos, continuava sendo um miserável. Que não era melhor do que ninguém. Que meus dons, talentos, ministérios, qualidades, santidade e tudo o mais que havia em mim não era mérito meu, mas do Pai das luzes. Ele me concedeu como empréstimo, não sou dono de nada e posso perdê-los a qualquer hora. Por outro lado, o pecado que cometo é sim mérito (ou demérito) meu. Ou seja: no dia em que você, como cristão, vê claramente que tudo o que tem de bom vem de Deus e o que tem de mau vem de si... aí exclama: "Miserável homem que eu sou!".


Passei a amar muito mais o apóstolo Paulo quando compreendi como nunca antes o que ele diz em Romanos 7.14ss: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado".


Prestou muita atenção ao que leu agora? Paulo - o grande apóstolo Paulo, o homem que foi arrebatado e viu o Céu ainda em vida - vivenciou esse magnífico momento: como cristão, mesmo já com anos de convertido, enxergou o que tantos e tantos em nossas igrejas ainda nãos viram: que nós...


1. Somos carnais
2. Somos vendidos à escravidão do pecado
3. Agimos de modo incompreensível aos nossos próprios olhos
4. Fazemos o que detestamos e não o que preferiríamos
5. Somos habitação do pecado (que percepção assustadora, pois sabemos que também somos habitação do Espírito Santo)
6. Somos fantoches do pecado, que nos leva a agir contrariando o que cremos e o que queremos viver
7. Temos membros obedientes a uma lei que guerreia contra a lei da nossa mente
8. Somos prisioneiros da lei do pecado que está em nossos membros
9. Mesmo salvos, somos miseráveis - pois vivemos dominados pelo pecado


Em outras palavras, mesmo cristãos nós somos miseráveis, pois vivemos o tempo todo sob a sombra de nossa própria pecaminosidade. O dicionário revela o que "miserável" significa: desprezível, torpe, vil, insignificante, reles, ínfimo, desgraçado, infeliz, mísero. Uau. Que soco na boca do estômago de nossa soberba espiritual.


A percepção dessa realidade é extremamente humilhante, nos põe em nosso devido lugar e nos conduz a um ambiente espiritual de profunda submissão a Deus e desapego de nós mesmos. Paulo teve essa percepção: mesmo sendo cristão era um miservável pecador. Alguém que o Senhor precisava permitir ser afligido por um mensageiro de Satanás esbofeteador para que não se exaltasse pela grandeza das revelações que recebeu. Um mero humano, como eu e você.


Miseravel3Honestamente? Quanto mais leio as epístolas paulinas, mais admiro Paulo. E mais me apiedo dos crentes que se apresentam como anjos de santidade. Pois não chegaram ainda ao sublime ponto de admitir que são miseráveis. Vejo muitos que são assim. E isso gera em mim um sentimento misto de pena com tristeza, confesso. Creio ser muito mais digno, bíblico e honesto reconhecer com a boca no megafone: sou cristão, salvo somente pela graça imerecida de Deus, mas ao mesmo tempo carrego o corpo dessa morte amarrado nas costas - o que faz de mim um miserável pecador. Que depende única e exclusivamente da misericórdia do Senhor para continuar respirando, quanto mais entrar no Céu. Pois sei o mal que há em mim e como meu lado sombrio é feio, disforme e animalesco. Como você se enxerga, meu irmão, minha irmã? Você se orgulha da sua santidade ou se abate pela sua natureza humana pecadora?


Chega a ser muito entristecedor ver os "crentes sem mácula" metendo dedos na cara "dos que pecam", sendo que carregam na alma lodo do pior tipo. Isso é um dos pecados mais falados e criticados por Jesus: a hipocrisia. Já vivi nesse mundo, sei de perto o que é. E reconheço esse meu pecado com temor diante do PaiMiseravel4: pequei por me achar menos pecador do que os demais pecadores. Miserável homem que sou. Ah, que bendito dia em que o Espírito Santo me fez reproduzir essas palavras do apóstolo Paulo! Dia em que enxerguei que não é porque aceitei Jesus que virei um ser angelical, mas que continuo sendo um pecador compulsivo e incorrigivel, totalmente dependente da graça. A diferença é que, sabendo da miserabilidade que existe em mim, consigo chegar com humildade aos pés do Senhor, banhá-los em lágrimas e enxugá-los com meus cabelos. No passado, o crentão que eu era ficaria de pé, nariz levantado, peito estufado,  ao lado do Rei dos Reis, e diria: "E aí, Paizão, tamos numa boa, né? Sou teu eleito, meu chapa, gente boa igual a mim não há. E vamos lá mandar esses crentes carnais pro inferno, julguemos juntos, eu e o Senhor, os meus irmãos, pois estou a fim de ver sangue!".


Sim, aquele foi o dia mais importante. Pois na conversão eu fui salvo, mas me sentia o tal por isso. No batismo saí das águas me achando o puro, o imaculado. Mas no dia em que caí em mim, vi que mesmo salvo continuo pecando sem parar, caí de joelhos, tremi e murmurei: miserável... homem... que... sou...


Gosto de pensar que após a morte irei para o Céu. Não por mim, que não valho nada, mas pela Cruz. Só pela Cruz. Pela graça. Pelo amor. Pelo perdão. Por Jesus. E, ao chegar lá, pode ser que eu ouça "bem-vindo, servo bom e fiel". Mas acredito muito mais que vou ouvir: "Bem-vindo, miserável pecador. Você não tem mérito algum, mas por causa do sacrifício de meu Filho eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!".


Paulo estava certo: somos miseráveis. Eu, você, todos os cristãos. E bendito seja o Senhor, que pela graça um dia nos chamou para sua maravilhosa luz e tempos depois iluminou a nossa realidade de cristãos pecadores. Não é o seu caso? Então clame a Deus, na esperança de que Ele te mostre o quão miserável você é. Acredite: é uma das maiores bênçãos para a alma que você poderá receber ao longo de toda a sua vida.


Paz a todos vocês que estão em Cristo,

domingo, 9 de dezembro de 2012

Arrastado por Deus para ser salvo

Por Natan de Oliveira 
"Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a Tua mão (de Deus) e o Teu conselho (de Deus) predeterminaram que se fizesse". Atos 4.27-28. Críticos da doutrina da predestinação revelam sua ignorância da doutrina, fraqueza e insuficiência nas suas leituras (principalmente das Escrituras), logo que abrem a boca para criticar o tema em questão. Uma das críticas mais constrangedoras (eu fico com vergonha do cara que me diz estas coisas) é quando ele me diz "Então somos marionetes nas mãos de Deus?". “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda a determinação.” Provérbios 16.33 Desconhece o crítico (e logo revela poucas horas de leituras) que Deus ordena as coisas de tal forma, que a vontade da criatura nunca é violentada, muito pelo contrário, Deus muda a mente do elemento e ele de uma hora para outra se sente atraído pelas coisas de Deus. "... e segundo a Sua vontade Ele (Deus) opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" Daniel 4.35 Portanto, aquele que vem ao Senhor, não vem arrastado e aos berros, com Deus gritando nos seus ouvidos "AGORA EU VOU TE SALVAR E NÃO ADIANTA ESPERNEAR...". Não! No novo nascimento primeiro Deus muda o coração e a predisposição natural da pessoa. Sendo que a partir de então, a pessoa ao ouvir o Evangelho passa a reagir com atenção e fome espiritual, e não mais com ódio velado em uns ou com indiferença procrastinadora em outros. Não é necessário que a pessoa seja arrastada. O elemento vem andando pelas próprias pernas. "Todo o que o Pai me dá VIRÁ A MIM (Jesus); e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora... ... E a vontade do Pai que Me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que Me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia." João 6.37 e 39 Perceba que o que determina se o cara vai ressuscitar no último dia para salvação, não é o seu livre-arbítrio, mas sim o fato de se saber se ele foi ou não dado pelo Pai ao Filho. Se o Pai deu seu nome para que Cristo Jesus pagasse o preço dos teus pecados na cruz, então diz a Palavra de Deus que VOCÊ VIRÁ A JESUS. Se o Pai não deu seu nome... Então nada mais resta do que lamentar pela tua miserável condição. E existem pessoas que acham que tem o poder de frustrar a vontade de Deus Pai... “O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” Provérbios 16.9

Salvo de quê?

Por R.C. Sproul
Certa vez, fui confrontando por um jovem na Filadélfia que me perguntou: “Você está salvo?” Minha resposta para ele foi: “Salvo de quê?”. Ele foi pego de surpresa com a minha pergunta. Obviamente, ele não tinha pensado muito sobre o significado da questão que estava perguntando. Certamente eu não estava salvo de ser interrompido na rua e abordado com a pergunta “Você está salvo?”. A questão de ser salvo é a questão suprema da Bíblia. O assunto das Sagradas Escrituras é o tema da salvação. Jesus, em sua concepção no ventre de Maria, é anunciado como o Salvador. Salvador e salvação caminham juntos. O papel do Salvador é salvar. Perguntamos novamente: Salvo de quê? O significado bíblico de salvação é amplo e variado. Na forma mais simples, o verbo salvar significa “resgatar de uma situação perigosa ou ameaçadora”. Quando Israel escapa da derrota nas mãos de seus inimigos no campo de batalha, ele se diz salvo. Quando as pessoas se recuperam de uma doença com risco de vida, elas experimentam salvação. Quando a colheita é resgatada de praga ou seca, o resultado é a salvação. Usamos a palavra salvação de uma maneira similar. Diz-se que um boxeador foi ”salvo pelo gongo” se o round termina antes do árbitro iniciar a contagem. Salvação significa ser resgatado de alguma calamidade. No entanto, a Bíblia usa o termo salvação em um sentido específico para se referir à nossa redenção definitiva do pecado e à reconciliação com Deus. Neste sentido, a salvação é da calamidade final – o juízo de Deus. A salvação final é realizada por Cristo, “que nos livra da ira vindoura” (1Ts 1.10). A Bíblia anuncia claramente que haverá um dia de julgamento, em que todos os seres humanos serão responsabilizados diante do tribunal de Deus. Para muitos, esse “dia do Senhor” será um dia de trevas, sem luz. Esse será o dia em que Deus vai derramar sua ira contra os ímpios e impenitentes. Será o holocausto final, a hora mais escura, a pior calamidade da história humana. Ser liberto da ira de Deus, que muito certamente virá sobre o mundo, é a salvação definitiva. Esta é a operação de resgate que Cristo executa para o seu povo, como seu salvador. A Bíblia usa o termo salvação não só em muitos sentidos, mas em muitos tempos. O verbo salvar aparece em praticamente todos os possíveis tempos da língua grega. Há o sentido de que fomos salvos (desde a fundação do mundo); estávamos sendo salvos (pela obra de Deus na história); somos salvos (por estar em um estado justificado); estamos sendo salvos (por estarmos sendo santificados ou tornado santos) e seremos salvos (por experimentar a consumação da nossa redenção no céu). A Bíblia fala da salvação em termos de passado, presente e futuro. Às vezes, nós igualamos a nossa salvação presente com a nossa justificação. Em outros momentos, vemos a justificação como um passo específico na ordem total ou plano de salvação. Por fim, é importante notar outro aspecto central do conceito bíblico de salvação. A salvação é do Senhor. Salvação não é uma iniciativa humana. Os seres humanos não podem se salvar. A salvação é uma obra divina, que é realizada e aplicada por Deus. Somos salvos pelo Senhor e do Senhor. É o ele quem nos salva da sua própria ira.

Púlpitos traidores!! O que fazer?

Por Josemar Bessa

Judas Iscariotes parece uma escolha totalmente improvável para ser um dos discípulos de Cristo. Descobrimos com o desenrolar da história que ele acabou por ser um ladrão, um traidor e uma homem em quem a graça de Deus nunca transformou.

Isso é chocante, tão próximo ao Deus encarnado, junto a tantos outros que se tornaram o instrumento de Deus para a revelação final sobre Ele (Novo Testamento)... Mas Jesus não cometeu nenhum erro ou colocá-lo ali, Jesus não agiu em ignorância... Na verdade a Bíblia diz claramente que Jesus não necessitava que alguém testificasse sobre qualquer homem que seja, porque Ele sabia o que havia no mais profundo do coração de cada homem: “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.” - João 2:25

Ele sabia o que estava no coração de Judas, ele sabia que no tempo certo ele iria revelar-se um ladrão, ele sabia que no tempo adequado Judas o trairia, ele sabia, sendo Deus, que Judas jamais havia nascido de novo. Novo nascimento é ação soberana de Deus: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” - João 1:13

Não podemos ter nenhuma dúvida que na  escolha de Judas como um dos 12, o Deus eterno, o Filho do Homem... sabia o que e porque estava fazendo. Como tudo que Cristo fez, isso foi feito deliberadamente e com sabedoria infinita.

Quanta coisa isso nos ensina, isso deve nos encher de humildade, como disse J. C, Ryle. Os ministros do evangelho, por exemplo, não podem supor que simplesmente uma ordenação necessariamente transmite graça, ou que uma vez ordenado o homem não deve mostrar em sua vida sempre e sempre os sinais de um homem que de fato foi regenerado.

Pelo contrário, mostra que não uma igreja, mas que um homem ordenado pelo próprio Cristo era um hipócrita miserável... todos nós então devemos nos manter humildes, não confiando em ordenações externas, mas focados naquilo que Pedro diz fazer firme – demonstrar a realidade – da nossa Eleição: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” - 2 Pedro 1:5-10

Judas Iscariotes nos dá um terrível aviso (Para líderes principalmente) a não confiarmos em nossos dons, trabalho, quaisquer serviço, qualquer sucesso... como prova e certeza da aceitação divina – que as marcas verdadeiras são indispensáveis, “a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor!”

Outra lição devemos tirar aqui. Podemos ficar chocados e achar estranho que entre os 12 discípulos  a quem Cristo chamou pessoalmente e enviou para chamar os pecadores ao arrependimento, incluísse um homem não convertido... mas não se espante se achares muitos pregadores não convertidos nos púlpitos de hoje. Em meio a verdades como essa, Deus quer nos mostrar que nada disso é surpresa para Ele e nem pode frustrar o seu plano Eterno e perfeito. Judas Iscariotes não pôde, acabou tendo um papel dramático no propósito de Deus, sua maldade não frustrou Deus...Deus, apesar dos dias escuros e tristes que vivemos, quer nos ensinar que Cristo ainda é o chefe, o Cabeça de sua Igreja; e que Ele ainda está governando sobre tudo e que tudo que acontece no tempo, tem sido “preordenado por Deus” – com Paulo diz em Efésios 1.11: Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”

Quão poderoso são os desígnios de Deus: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” - Romanos 11:33 – Deus mostra claramente que mesmo o pecado humano e o intento maligno de Satanás (que é totalmente anti-Deus)  não frustrarão e terão que cooperar com seu propósito eterno. Assim o determinado conselho de Deus estava envolvido, não só na crucificação de Cristo, mas também em todos os eventos que levaram a ela – incluindo a escolha de Judas como um discípulo, sua traição ao seu Mestre, a crueldade da cruz romana... ainda que em todos esses eventos, o pecado fosse inteiramente fruto do coração mau do homem natural e tivesse motivações completamente contrárias a Deus – teriam que servir ao Seu propósito: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” - Atos 2:23

Cristo estava no pleno controle (Como está hoje e por toda eternidade passada e futura) no controle de todos esses eventos. Não importa o quão viciosa ou diabólica oposição que Ele tenha encontrado aqui, enquanto andou por este mundo, nunca houve eventos que começassem fora da espiral do seu controle absoluto e soberano. O que acontece também neste exato momento. Que paz isso traz ao coração regenerado. “Deus reina” mesmo nos momentos mais escuros e que parecem de total fracasso, como a cruz.

E nesses momentos de escuridão e perplexidade ( como na cruz – o evento mais cruel da história, a maldade humana em seu ápice – “matamos” Deus), por mais difícil que seja para nós reconhecermos o fato, tudo aconteceu para a glória de Deus. Salvando por graça, mostrando sua justiça, mostrando a maldade completa do coração humano: “...a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” -  João 3:1 – mostrando sua ira contra todo pecado, mostrando que tudo está sobre seu domínio completo...

Na escolha de Judas podemos ver, como disse Matthew Henry, que não precisamos ficar surpresos ou desanimados se em qualquer tempo, os mais vis homens surgirem no meio daqueles que deviam ser baluartes da Verdade.

Em dias de apostasia e heresias como os nossos, podemos estar certos de que nunca houve, nem nunca haverá, um momento em que o Rei dos reis não estará no controle de todos os eventos.

Paulo foi inspirado a colocar por escrito um aviso para os crentes de Tessalônica ( para todos nós, na verdade), sobre determinados eventos na história nos quais a igreja deve esperar, e não se surpreender quando os vê: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” - 2 Tessalonicenses 2:3-4

A “apostasia” aqui descrita, é gradual, e de dentro da igreja para fora. As heresias e a apostasia são coisas terríveis com quais temos que conviver em nossa geração e combatê-las como bons soldados de Cristo. Mas como no passado, o Senhor determina e nos coloca em dias assim deliberadamente, deliberadamente e com profunda sabedoria. Amamos a verdade? Nossa geração nos dá mil oportunidade ( dentro da igreja visível e no mundo ) para termos uma constatação se de fato a amamos.

Toda a corrupção da igreja nos dias da Reforma, forneceu o contexto para uma exibição do poder da graça de Deus – ainda que as pessoas que estivessem vivendo naqueles dias, a princípio tivessem uma compreensão limitada da providência de Deus em operação. Perseguição, martírio... todos contextos onde a graça se mostrou suprema, soberana e invencível. Então o poder da graça nos anima na batalha pela verdade em nossos dias: “...tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” - Judas 1:3

Vivemos numa época de grande e longo período de declínio espiritual, secularização da igreja, mundanismo... os deuses da cultura sendo adorados na “igreja” no lugar do Deus vivo... A Bíblia sendo rejeitada como totalmente suficiente, a mente humana, suas estratégias, seu pragmatismo... sendo pregado como se evangelho fosse... tantos púlpitos traidores da verdade...

Você pode perguntar, porque Deus está permitindo isso? ..........

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Bancada Evangélica pede mais discussão sobre reforma do Código Penal

A Frente Parlamentar Evangélica, pediu, durante encontro com o presidente do Senado, José Sarney, tranquilidade na discussão da reforma do Código Penal (PLS 236/12). As críticas ao novo projeto de Código Penal em discussão no Senado foram a tônica da sessão solene ontem em homenagem ao Dia Nacional de Valorização da Família, comemorado em 21 de outubro.
Os parlamentares evangélicos manifestaram preocupação principalmente com a ampliação das hipóteses de aborto legal, com a descriminalização do porte ou plantio de drogas para uso próprio e com a redução da idade para que seja caracterizado o estupro de vulnerável. A realização da sessão foi proposta pelo líder do PSC, deputado Andre Moura (SE); pelo presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos; e pelo deputado Arolde de Oliveira (PSD-RJ). Os três se revezaram na presidência da sessão, que contou com a participação de lideranças religiosas, principalmente evangélicas. Para o presidente da Frente Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), a reforma é válida, mas não pode “afrouxar” as leis. “Nós somos a favor, desde que seja em uma concepção de endurecer a legislação penal em uma perspectiva de diminuir a criminalidade, a violência e a impunidade no País”, disse. “A família vem sendo atacada e desconfigurada”, disse João Campos. Para ele, o leilão da virgindade de uma catarinense na Austrália “é um indicativo do rumo que a sociedade adotou, que leva mais em conta o ter do que o ser”. O presidente José Sarney afirmou que o projeto do novo Código Penal passará por um longo debate antes de ser aprovado e que todos os setores da sociedade serão ouvidos. “O Senado vai ouvir, naturalmente, em audiências públicas, o povo, as diversas correntes de opinião, as pessoas dissidentes, aqueles que pensam diferentemente, os que queiram introduzir novas ideias”. Segundo Sarney, a votação do novo Código Penal não será feita de forma apressada. “Para que o Congresso decida melhor e tem uma base grande, é que um anteprojeto feito por grandes juristas”. Para o deputado federal, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) a reforma do Código Penal apresenta um “perigoso liberalismo”. Para ele, “a reforma deve acontecer, mas de forma planejada e objetiva, levantando em consideração a melhoria e o cumprimento da lei, não o liberalismo total e irresponsável”. (Com informações Jornal da Câmara)

Eles querem é a CPAD: Afirma José Wellington em entrevista a portal evangélico

Desde 1987 à frente da CGADB, eleito por sete vezes, ele diz que não dá nenhum passo fora da direção de Deus. O pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) disse em entrevista ao portal Creio que as acusações que fazem contra ele é porque seus adversário querem a direção da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). 


Esses adversários, no caso, são os pastores Samuel Câmara e Silas Malafaia, que estão contestando, entre outras coisas, a festa paralela que a CGADB está organizando na cidade de Belém (PA) para comemorar o Centenário da denominação no Brasil. Desde 1987 à frente da CGADB, eleito por sete vezes, ele diz que não dá nenhum passo fora da direção de Deus. “Se Deus disser basta, eu entrego a direção, não vejo problema”, dispara o líder que tem em seu ministério 2,3 mil congregações e se vê envolvido na construção de um grande templo para 10 mil pessoas. José Wellington conta que quando assumiu a CPAD tinha R$ 1,5 milhão em duplicatas. “Assumi a empresa, profissionalizei a gestão com irmão Ronaldo. Hoje, mesmo sem fins lucrativos, a empresa caminha com excelência.” Quanto a identidade dos ministérios da AD Belém, José Wellington continua sua tese: “Nós temos influência dos suecos, temos doutrina firme. Nosso objetivo é salvação e edificação. O deles é baseado nos americanos com atos midiáticos e comércio. Eles se amoldam a determinados costumes que não nos adaptamos.” Sobre o futuro da Assembleia de Deus ele finaliza: “A AD é uma árvore que dá muitos frutos. Unidos nós estamos.”

Por que sou credobatista?

Por Clóvis "Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração" At 8:36-37 Antes de mais nada, o que é um credobatista? É uma pessoa que crê que o batismo deve se realizado apenas em pessoas crentes, em termos práticos, que fizeram confissão de fé. Difere do batismo de adulto por não estabelecer uma idade mínima para realização do batismo e do pedobatismo por entender que uma criança não exerce fé pessoal, que é um pré-requisito para o batismo. As razões que me fazem um credobatista são bíblicas, teológicas e históricas. Argumentos bíblicos 1. As prescrições do batismo A Bíblia traz várias orientações sobre o batismo, as quais acabam por requerer que o candidato ao mesmo tenha primeiramente crido. Na Grande Comissão Jesus garantiu que "quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16:16). A ênfase recai sobre o ato de crer, sendo o batismo conseqüência natural. Tanto que na oração seguinte, sequer se fala do batismo, que é irrelevante se alguém não tem fé. Na inauguração da igreja Pedro instou com o povo dizendo "arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo" (At 2:38). Vemos em seguida que "foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (At 2:41). Crer, arrepender-se e receber de bom grado a Palavra são coisas que antecedem o batismo. Na repreensão de João Batista vemos o mesmo princípio. Ele diz "à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Lc 3:7-8). O precursor de Jesus exigia conversão de todos quantos quisessem descer às águas do batismo. O batismo cristão segue o mesmo princípio. Quando o eunuco perguntou o "que impede que eu seja batizado?" Filipe respondeu "É lícito, se crês de todo o coração" e somente quando o eunuco confessou "creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus" é que "desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou" (At 8:36-38). Portanto, o crer em Cristo é condição sine qua non para o batismo. 2. Os exemplos bíblicos Os exemplos de batismos registrados na Bíblia corroboram o credobatismo. Os que eram batizados por João Batista o eram "confessando os seus pecados" (Mt 3:6; Mc 1:5) e "justificaram a Deus" (Lc 7:29). Atos registra que "como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres" (At 8:12). Continua o historiador dizendo que "creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe" (At 8:13) e que "os coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados" (At 18:8). Não há um só registro positivo de batismo de não crentes sendo batizados. Argumentos teológicos 1. O significado do batismo O batismo é o primeiro das duas ordenança de Cristo à Igreja. O significado teológico do batismo varia conforme a tradição evangélica. Para os credobatistas, o batismo é principalmente um sinal e um testemunho externo da obra de Deus realizada na regeneração. Como a Ceia do Senhor representa a obra de Cristo na cruz, o batismo representa a obra do Espírito Santo no coração do crente. Temos então que o batismo é um símbolo exterior que representa uma realidade interior, sendo a fé o vínculo entre o símbolo e a coisa significada. Sem fé, o batismo não é um sacramento. Não é de se estranhar, portanto, que todos os batismos registrados na Bíblia sejam de crentes. 2. Depoimentos teólogos Mesmo autores não credobatistas tem que reconhecer que o batismo de não crentes, especialmente o de recém-nascidos, não tem amparo bíblico direto. Creio que pela palavra de três pedobatistas. O Dr. A. Plummer (Igreja da Inglaterra) diz que "dos que recebem o batismo cristão é requerido que se arrependam e creiam" (Dictionary of the Bible). M. W. Jacobus (Congregacional) reconhece que "nós não temos nenhum registro no Novo Testamento do batismo de infantes" (Standard Bible Dictionary). E o presbiteriano Scott McKnight afirma que "o Novo Testamento não contém referência explícita ao batismo de infantes ou de criancinhas" (Dictionary of de the Bible). Argumentos históricos 1. O Didaquê O Didaquê ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, escrito entre os anos 145-150 dC, traz a seguinte orientação: "Quanto ao batismo, batize assim: tendo primeiro ensinado todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (VII, 1). A expressão "tendo primeiro ensinado" deixa claro que o batismo é precedido de ensinamento. A prescrição seguinte também pressupõe pessoas crentes sendo doutrinadas "antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias" (VII, 4). Portanto, no segundo século, o costume da igreja era batizar crentes professantes. 2. Pais da Igreja O Dictionary of Christianity in America diz que algum tempo depois do segundo século é que o batismo de infantes foi introduzido na igreja, mas que a prática do batismo de crentes continuou como de uso geral até a Idade Média. Não ignoro as referências de Orígenes (185-253), Tertuliano (160-240), Ireneu (125-190) e Justino Mártir (c. 138) ao batismo infantil. Mas elas estão invariavelmente ligadas ao erro da regeração batismal ou são incertas. Orígenes diz que crianças são batizadas para perdão dos pecados. Tertuliano reprovava o batismo infantil, por considerar que o batismo lava os pecados passados, então aconselhava postergar o ato. Ireneu até mesmo usa o termo regeneração como significando batismo. E Justino diz que "muitas pessoas, de ambos os sexos, algumas com seis ou sete anos de idade, foram feitas discípulos de Cristo desde sua infância". Porém não há referência ao batismo aqui e a expressão "foram feitas discípulos" parece apontar para a conversão e o ensino. Conclusão O fato é que a Bíblia exige fé e arrependimento de quem se apresenta para o batismo e não registra nenhum caso de não crente ou infante sendo batizado. A história revela que a prática do batismo infantil não remonta aos apóstolos e que se iniciou com uma visão distorcida de seu significado teológico. Por estas razões, sou credobatista. E por outras não sou pedobatista. Mas isto é assunto para outro artigo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012