domingo, 11 de novembro de 2012

Renascer usa indevidamente o nome “Som do Céu” para promover shows em 3 capitais

“A igreja Renascer em Cristo é conhecida por promover os maiores festivais de música gospel no país. Para o mês de novembro, realizará a primeira edição do Som do Céu na cidade de São Paulo. Uma das principais marcas deste mega show é a diversidade de estilos. Estratégia adotada com o intuito de atingir todos os públicos e gerações. A primeira edição do evento será realizada no próximo dia 15 de novembro no Ginásio da Portuguesa , localizado na zona norte da capital paulista e contará com a participação da Banda DOPA, Inesquecível, Renascer Praise e Thalles Roberto. O evento acontece também em outros estados como Rio de Janeiro e Salvador Saiba mais aqui“ *** Well, nem vamos comentar o texto e vamos direto ao que interessa. A igreja apostólica está usando a marca “Som do Céu” sem autorização e Marcelo Gualberto, diretor nacional da MPC, se manifestou nesta tarde no Facebook sobre o episódio. Mais 1 vexame para a interminável lista de pisadas na bola apostólicas. =/ Confiram a mensagem do Marcelo Gualberto: Quero me posicionar, como diretor nacional da MPC, sobre o Som do Céu, promovido pela Igreja Renascer em Cristo, em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro. Fui surpreendido com um telefonema na semana passada, de uma pessoa de Salvador querendo informação sobre o Som do Céu naquela cidade. Respondi que não havia e ela insistiu comigo até que, perplexo, constatei na internet, a realização de três eventos com o nome: Som do Céu nas cidades acima citadas. Entrei em contato com a organização dos eventos em São Paulo e afirmei que este é um evento realizado pela Mocidade para Cristo há 29 anos e que a marca e o nome Som do Céu são de propriedade da MPC do Brasil. No outro dia recebi uma ligação de um bispo da Renascer em Cristo, em nome do Apóstolo Estevam Hernandes, pedindo autorização para o uso da marca, afirmando que era um evento evangelístico. Respondi que não seria possível permitir tal uso, por dois motivos: o evento tem uma história, um estilo, um propósito e uma imagem, não nos interessando vincular a nossa imagem à este outro evento proposto e segundo porque trata-se de um evento com venda de ingressos com valores até 100,00, e não há cunho evangelístico. Desta forma, saliento que a Mocidade para Cristo do Brasil não apoia, não autoriza e não está de acordo com o uso do nome Som do Céu, neste evento criado recentemente e sem considerar a história do Som do Céu verdadeiro e que no próximo ano completará 29 anos. Por favor, usem todos os meios de comunicação para nos ajudar a divulgar esta nota, peço ainda que acessem a página do evento no facebook (chama-se Som do Céu) e postem esta nota ou uma palavra pessoal em protesto.

Por que buscar o Espírito? A Ênfase errada na “busca” do Espírito!

Por Josemar Bessa 
 Muitas pessoas dizem precisar do Espírito, buscar o Espírito... mas por motivos completamente errados. Por que precisamos tanto do Espírito? Porque sabemos muito pouco de Cristo ainda. Precisamos do Consolador abençoado para nos revelar mais da glória de sua pessoa, a beleza de seu caráter, a adequação de seu trabalho, o amor de seu coração, o mérito de seu sangue, a liberdade da sua graça, a profundidade de sua compaixão, a ternura de sua simpatia, a dignidade de sua obediência, a perfeição de seus sofrimentos, e a natureza inesgotável de Sua divina plenitude. Essa é a razão da necessidade do "Enchei-vos do Espírito!", a saber, Cristo, Cristo, Cristo!!! Não se trata de nós, de experiências, de misticismo, de uma busca ególatra... Isso é fundamental ser recuperado, Jesus se apresenta a nós como o Esposo de nossas almas. Ele diz: "Eu me casarei com você para sempre...” Ele nos promete levar para a união mais próxima possível. Ele torna-se um conosco. Ele diz: "Eu vou ser a sua porção, e você será minha posse" Essa é a razão do Espírito ser enviado, Ele envia o Seu Espírito - para nos preparar, O Espírito manifesta as Suas belezas - para nos atrair, Ele faz o Seu evangelho doce - para nós fascinar, O Espírito usa o Seu poder e nos atrai - e então opera em nós uma aliança eterna. Ele nos faz ver quão doce Cristo é para nós como nossa herança eterna, nos faz sentir o poder das palavras: "Minha querida, minha pomba, minha irmã... minha alegria, minha esposa!" (Cântico dos Cânticos 5:2) O Espírito nos faz ver como Ele nos dá. . . Sua pessoa, Suas riquezas insondáveis, e uma parte de Suas glórias e honrarias eternas! O Espírito opera em nós e mostra em nossos corações de forma que somos constrangidos pelo amor de Jesus... Ele nos garante. . . que Ele nunca vai nos deixar, que Ele virá e comungará conosco, e que Ele não negará bem algum que coopere para nosso bem eterno! Ele diz: "Ainda que os montes se abalem e os outeiros sejam removidos - ainda assim Meu amor infalível por você não será abalado, nem a minha aliança de paz não mudará - diz o Senhor, que tem compaixão de você!" "Nenhuma arma forjada contra ti prosperará, pois seu Criador é o seu marido! O Senhor Todo-Poderoso é o seu nome" "Como um noivo se alegra sua noiva -! Também o seu Deus se alegra em ti! " O amor está aqui! Não o busque em outro lugar! Essa é a obra do Espírito, esse é o poder do amor que nos leva a santificação. Essa é a verdade que nos faz amar seus mandamentos e não achá-los pesados: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” 1 João 5:3 A santidade é um peso para muitos que dizem crer, porque nunca foram levados a se deliciar em Cristo, Sua pessoa, Sua obra... Eis a razão e necessidade de sermos cheios do Espírito. Na verdade, quando a ênfase na busca do Espírito não é centralizado em Cristo, não se está buscando de fato o Espírito, mas uma "energia" para usá-la para os fins humanos ególatras.

Pastor ou Executivo de Deus?

Pr. Araúna dos Santos
 Ao declarar, categoricamente, “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” e exemplificar, objetivamente, “Eu sou o bom pastor”, Jesus Cristo estabeleceu critério de avaliação do exercício pastoral na igreja. À semelhança de Cristo, o pastor eclesiástico não deve servir a si mesmo, mas ao rebanho – congregação – e esse serviço tem como característica o sacrifício pessoal. Dar-se por inteiro – corpo e alma – imitando, ou melhor, reproduzindo a vida e o ministério do Supremo Pastor, é a chamada, o propósito, o foco, o desafio que distingue o verdadeiro Pastor do “Executivo de Deus” – o que cuida do rebanho de Deus e o que administra seu próprio negócio. Em outra ocasião (Mc 10.32-45; Mt 20.20-28), quando dois de seus discípulos lhe pediram a honra de sentarem-se à sua direita e à sua esquerda, na sua Glória, o Mestre, em resposta, lhes ensinou que aquela honra desejada não era de sua competência conceder. Mateus esclarece que Jesus teria afirmado ser da competência de Deus Pai – evidenciando, assim, sua humildade, naquele tempo de encarnação do Verbo – Deus Filho (Fl 2.6-11). Na sequência de seu diálogo com os discípulos, nosso Senhor esclareceu a questão, sintetizando: “Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim, entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois, nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos”. E não se pode esquecer o belo exemplo de Paulo – pastor e apóstolo – ao escrever à igreja que estava em Corinto (II Co 4.5) e lembrar-lhes o escopo de seu ministério pastoral naquela igreja: “porque não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, e a nós como escravos de vocês, por causa de Cristo” – O amor real de Cristo. Digna de destaque também é a advertência de Pedro – igualmente pastor e apóstolo – ao dirigir-se diretamente aos presbíteros (pastores) em sua carta “aos peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitinia” (I Pe 5.1). Ao final de carta exorta, com todas as letras: “pastoreiem o rebanho de Deus que está a seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória”. Na observação cuidadosa do texto, saltam aos olhos as palavras: não por obrigação, não por ganância, não como dominadores. E, por outro lado, os aspectos positivos são também ressaltados: livre vontade, desejo de servir, como exemplos. Aqui estão características de personalidade, modelos de atuação, traços de caráter, objetivos de vida, compreensão de ministério, construção de relacionamentos e saúde de alma ou enfermidades que modelam o pastor ou, simplesmente, o executivo de Deus. A consciência ministerial do pastor é que ele está cuidando do rebanho de Deus, a quem prestará contas. O.S.Hawkins, em seu valiosíssimo livro - “The Pastor’s Prime” – deixa claro que nenhum pastor tem seu próprio ministério e seu próprio rebanho. O ministério é recebido de Deus e pertence a Deus, e o rebanho também. A igreja é de Cristo não do pastor e de ninguém mais. O pastor e outros líderes na igreja, como a congregação, são apenas servos de Cristo e uns dos outros, chamados para fazer o que Ele quer para a sua igreja. O pastor não tem o domínio, mas precisa ter o cuidado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

40 razões para ser parte de uma igreja local


No mínimo, existem quarenta mandamentos diferentes no Novo Testamento para viver a vida, de certo modo, com outros crentes. Ainda que certamente é possível cumprir algumas dessas ordens com os cristãos em geral, o peso dessa lista deve convencer-lhe da necessidade de possuirmos relações continuas com outros crentes. E essas relações são somente reforçadas pela comunhão da igreja local. De fato, considero que parte desta lista é simplesmente impossível de ser cumprida se você não tem a classe de comunhão continua e cada vez maior com outros crentes que só vem através do ministério em uma igreja local: 

1. Estimular-nos uns aos outros ao amor e às boas obras (Hebreus 10:24) 
2. Confessai vossas ofensas uns aos outros (Tiago 5:16) 
3. Edificar-nos uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11) 
4. Ser de uma mesma mente que os outros (Romanos 12:13, 15:5) 
5. Animar uns aos outros à luz da morte (1 Tessalonicenses 4:18) 
6. Empregar seus dons espirituais no serviço aos outros (1 Pedro 4:10) 
7. Orar uns pelos outros (Tiago 5:16) 
8. Amar uns aos outros (Romanos 12:10) 
9. Estar em paz uns com os outros (Marcos 9:50) 
10. Animarem-se uns aos outros (1 Tessalonicenses 5:11)
 11. Saudar-vos uns aos outros (2 Coríntios 13:12)
 12. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros. (Gálatas 5:26) 
13. Ser benignos com os outros (Efésios 4:32)
 14. Abundar em amor uns pelos outros (1 Pedro 1:22) 
15. Viver em paz uns com os outros (1 Tessalonicenses 5:13) 
16. Que nos amemos uns aos outros (2 João 5) 
17. Amai-vos ardentemente uns aos outros (1 Pedro 1:22) 
18. Ter comunhão uns com os outros (1 João 1:7) 
19. No julgar-nos uns aos outros (Romanos 14:13) 
20. Tomar a comunhão (a Ceia do Senhor) com os outros (1 Coríntios 11:33) 
21. Aceitar-nos uns aos outros (Romanos 15:7)
 22. Considerar aos demais como superiores a si mesmos (Filipenses 2:3)
 23. Carregar as cargas uns aos outros (Gálatas 6:2) 
24. Exortando-os uns aos outros (Romanos 15:14)
 25. Servir uns aos outros (Gálatas 5:13)
 26. Não mintais uns aos outros (Colossenses 3:9) 
27. Suportando-os uns aos outros (Colossenses 3:13) 
28. Perdoar uns aos outros (Colossenses 3:13) 
29. Ensinar e exortar uns aos outros (Romanos 15:14) 
30. Cuidando dos outros (1 Coríntios12:25)
 31. Vestir-se com humildade para os demais (1 Pedro 5:5) 
32. Ser hospitaleiros uns para com os outros (1 Pedro 4:9) 
33. No se queixar uns aos outros (Tiago 5:9)
 34. Mostrar paciência uns aos outros (Efésios 4:2) 
35. Falando entre nós com salmos, hinos e cânticos espirituais (Efésios 5:19) 
36. Dar preferência uns aos outros (Romanos 12:10) 
37. No morder e comer uns aos outros (Gálatas 5:15)
 38. Submetei-vos uns aos outros (Efésios 5:21 
39. Buscar o bem dos outros (1 Tessalonicenses 5:15) 
40. No deixar de reunir-nos com os outros (Hebreus 10:25) 

Esse último motivo leva toda a lista a um círculo. Se ser cristão não significa nada mais que tomar una decisão sobre Jesus Cristo, nada disso importa. Porem, se ser cristão significa entrar em um mundo que altere a vida, onde Deus deseja sua santificação e lhe concede os meios para crescer e os mandamentos a seguir, então é simplesmente impossível fazê-lo fora do contexto de uma igreja local.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Se Jesus foi rico, eu também quero ser!

Escutar de algum pregador que Jesus era rico e quem segui-lo será próspero financeiramente, soa como uma garantia de ganhar na loteria! Infelizmente, muita gente tem este conceito como premissa para frequentar uma igreja. Afinal: se Jesus foi rico, eu também quero ser – dizem os seguidores da teologia da prosperidade e confissão positiva! Vejam as declarações feitas por alguns famosos precursores deste movimento, desde os EUA até aqui no Brasil: “João 19 nos diz que Jesus usava roupas de griffe… A túnica era sem costura, tecida de cima até embaixo. Era o tipo de vestimenta que os reis e os mercadores ricos usavam” (John Avanzini, gravado em 20.1.1991, no programa de Kenneth Copeland). “Jesus tinha uma roupa tão bonita, tão cara, que os soldados disputaram para ver quem ficaria com ela. Outra coisa, Jesus era acompanhado por mulheres ricas que o serviam. Ele tinha seus doze discípulos e mais um grupo de 20 a 30 pessoas para alimentar diariamente. Quanto custa isso? A casa de Lázaro e outras residências onde ele se hospedava eram de classe média na época, ou até mesmo média-alta. Portanto, eu não consigo enxergar na Bíblia Jesus como uma pessoa paupérrima. Ele viveu como um rabi, que era um mestre. Eu não vejo Jesus pobre, mas vejo que ele demonstrava no seu estilo de vida excelência, tinha uma vida abençoada – multiplicou pães, proveu boa pescaria aos seus discípulos. Como Senhor e Deus, ele tinha acesso às riquezas.” (Bispo Robson Rodovalho, Revista Eclésia, edição 109) “Sabe, Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac. Não havia Cadilac naquela época. Mas Jesus andou num jumento. Era o “Cadilac” da época — o melhor meio de transporte existente.” (Kenneth Hagin, A Autoridade do Crente, p. 48.) Declarações como estas são muito comuns nos dias de hoje, por conta da propagação da teologia da prosperidade no Brasil. Trata-se de um conceito que foi importado dos EUA, fixado atualmente como um forte pilar das igrejas neopentecostais brasileiras. Porém, como cristãos não deveríamos absorver ensinamentos sem antes analisar biblicamente para ver se, de fato, procedem ou não das Escrituras, o que no caso apresentado leva-nos ao seguinte questionamento: Será que realmente Jesus foi rico? Será que ser rico financeiramente é promessa de Jesus para nós? De fato, Jesus ensinou princípios “riquíssimos” sobre prosperidade material, vivenciados inclusive em sua própria vida terrena. Porém, biblicamente veremos que em nada confere com as afirmações dos propagadores da teologia da prosperidade. Antes de continuar, esclareço que eu não defendo de forma alguma a “teologia da miséria”, creio plenamente que Deus nos sustenta e supre as nossas necessidades, bem como prospera alguns conforme a sua soberana vontade. Porém, entendo que o grande problema é deixar de buscar a Deus pelo que Ele é em troca daquilo que Ele pode nos dar. Portanto, o que vou analisar exclusivamente neste artigo é a afirmação de que supostamente Jesus era rico e que Ele promete riquezas para os seguidores. Vejamos: Em primeiro lugar, Jesus era e sempre será rico eternamente em sua posição gloriosa no céu, porém abdicou-se de sua glória celestial e veio à terra viver como um homem de maneira humilde, a fim de sofrer e morrer por nós: “pois conhecereis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.” (2Co 8:9)[1]. Ao contrário do que afirmam os defensores da teologia da prosperidade, nesta passagem está claríssimo que Jesus não era rico, o propósito d’Ele era exatamente o contrário. Cristo tornou-se pobre no mundo não para trazer riquezas materiais a humanidade, mas sim a salvação que é a verdadeira riqueza, por consequência a transformação de vida em amor para com o próximo. No contexto de 2Co 8, Paulo utiliza o exemplo da posição de glória que Cristo desfrutava com o Pai e que foi sacrificada por Ele a fim de nos auxiliar (Fp 2:5-8) para mostrar que, da mesma forma, os crentes de Corinto deveriam sacrificar algo para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém. Paulo incentiva-os a ofertar aos irmãos necessitados como um ato cristão de amor e cuidado. Desde o início da vida terrena de Jesus, o propósito d’Ele de fazer-se humildemente pobre foi manifestado, a começar pelo seu nascimento: “E ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2:7) Em tese, seguindo a lógica da teologia da prosperidade, seria bem mais apropriado que Jesus Cristo tivesse nascido em um palácio, num berço de ouro forrado com tecido fino e vários criados para servi-lo. Porém, Jesus nasceu num estábulo e colocado numa humilde manjedoura para demonstrar desde o início o propósito de ir contra a ganância e as riquezas deste mundo[2]. A Bíblia indica que Maria e José eram pobres, pois quando Maria foi apresentar Jesus no templo, a oferta de sacrifício oferecida (segundo a lei mosaica – Lv 12:8) era oferta de pobre: “e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de rolas ou dois pombinhos.” (Lc 2:24) Isto prova, pelo menos na época do nascimento de Jesus, que José não era financeiramente estável por conta de sua profissão de carpinteiro. Quando Jesus começou seu ministério terreno, Ele largou tudo o que tinha (família, lar, conforto etc.) para dedicar-se integralmente ao propósito do evangelho. Tudo o que era necessário para o suprimento natural de Jesus foi providenciado pelos próprios discípulos, prova disso é o fato de que algumas mulheres serviram Jesus com seus bens (Lc 8:1-3). Jesus, conhecendo o coração das pessoas, ao responder alguém que queria segui-lo provavelmente para buscar benefício próprio, disse que “As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. (Lc 9:58) Note que Cristo aborda exatamente a questão “moradia”, uma resposta clara que refuta a afirmação de alguns pregadores da prosperidade de que Jesus possuía uma enorme mansão em Jerusalém. Na primeira multiplicação de pães e peixes, os discípulos poderiam muito bem sair para comprar os alimentos para o povo, porém os mesmos questionaram Jesus justamente pelo fato de não terem condições para tal feito. Foi necessária a operação de um milagre para alimentá-los (Mc 6:34-44). Certa ocasião, quando Jesus chegou em Cafarnaum (Mt 17:24-27), ele não tinha dinheiro para efetuar o pagamento do imposto da cidade, sendo necessário operar um milagre através de Pedro para efetuar o pagamento. Ao perguntarem para Jesus se era lícito pagar tributo a César, Jesus respondeu: “Por que me experimentais? Trazei-me um denário, para que eu o veja” (Mc 12:14-16). Se Jesus fosse rico, com certeza teria uma moeda no bolso para usar, porém foi necessário alguém trazer uma para que Jesus pudesse vê-la. A afirmação dos pregadores da prosperidade de que o Jumento que Jesus utilizou para entrar em Jerusalém, era como se fosse um Cadilac ou uma BMW da época, chega a ser ridícula e mostra o despreparo bíblico dos defensores da teologia da prosperidade. Ora, basta uma análise no contexto cultural para perceber que a “BMW” da época na verdade eram as carruagens e os cavalos, e não um jumento! Na Bíblia vemos claramente um exemplo disso: “Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que no seu carro, viera adorar em Jerusalém, estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.” (At 8:27:28) Além disso, o Jumento não era de Jesus, mas emprestado! Ao contrário do que Rodovalho e John Avanzini afirmam, as roupas de Jesus no geral não eram de rico, pois os soldados tomaram as vestes e “rasgaram-nas em quatro partes” (Jo 19:23-24), somente a túnica (peça íntima que ficava debaixo das vestes) que era algo realmente nobre naquela época, pois não tinha costura e era tecida de cima abaixo. Por isso que os guardas lançaram sortes para ver quem ficaria com a mesma. Provavelmente tal peça pode ter sido doada por algum discípulo. Afinal, tudo ou quase tudo o que Jesus possuía durante o seu ministério era doado pelos discípulos que o acompanhavam, entre os quais alguns financeiramente prósperos, que era o caso das mulheres descritas em Lucas 8:1-3. O próprio túmulo de Jesus foi emprestado (Lc 23:50-53)! Os pregadores da teologia da prosperidade, tentando contra-argumentar, ainda colocam que os apóstolos eram prósperos financeiramente. Porém, a Bíblia claramente refuta esta idéia. Dentre vários exemplos bíblicos, podemos listar alguns: Quando Pedro e João chegaram à porta do templo, onde um coxo de nascença pediu-lhes uma esmola. Se os apóstolos fossem ricos, com certeza eles teriam dado dinheiro ao pedinte, porém eles afirmaram: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (Atos 3:1-8), e o homem foi curado. O apóstolo Paulo passou por muitas necessidades financeiras ( Fp 4.10-20, 2Co 11.27), inclusive tendo que trabalhar fabricando tendas para se sustentar (At 18:3). O mesmo também ensinou a respeito da expectativa de buscar riquezas materiais: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Tm 6.8-10) Como podemos ver, não existe base bíblica para afirmar que Jesus e os apóstolos eram ricos. Na verdade, Cristo nunca defendeu a busca por riquezas materiais, pelo contrário, condenou-a mostrando o verdadeiro padrão a ser almejado: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.19-24). Ele exortou-nos a buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, sendo que o suprimento necessário virá naturalmente de Deus (Mt 6:25-34). Não devemos ter preocupações exageradas pela nossa sobrevivência, nem pelos cuidados materiais gananciosos, pois Jesus afirmou que este conceito é, de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de alguém: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15) Todavia, é importante salientar que devemos também seguir o exemplo dos cristãos da Macedônia, onde mesmo em meio de muita pobreza, manifestaram abundância de generosidade ao preparar ofertas para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém em dificuldades financeiras. (2Co 8:1-4) Quanto aos cristãos financeiramente prósperos, a Bíblia diz: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1Tm 6:17-19) João Calvino interpretou este fundamento com clareza: “aqueles a quem houvermos de ver premidos pelas dificuldades das coisas, compartilhemos-lhes das necessidades e com nossa abundância supramos-lhes a falta de recursos.”[3] (Veja também 2Co 9:1-15). Enfim, há muito mais passagens bíblicas que tratam sobre o assunto, mas creio que as citadas neste artigo sejam suficientes para esclarecer a questão. Soli Deo Gloria!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O fenômeno dos padres-popstars: uma breve análise

Por Johnny Bernardo 


Voltemos à década de 60. Enquanto católicos de Pittsburgh experimentavam o que chamavam de “renovação espiritual”, quatro meninos de Liverpool (Inglaterra) sacudiam o mundo com os reis do iê-iê-iê. Ordenado padre aos 25 anos de idade, em 1966, nos EUA, José Fernandes de Oliveira – mais conhecido como Padre Zezinho -, dava seus primeiros passos na arte da música, da literatura, do teatro e, mais tarde, em 1969, dos meios de comunicação. Foi com a música, no entanto, que o recém – ordenado padre seria conhecido como um dos “maiores” fenômenos da música cristã. De volta ao Brasil, o Padre Zezinho causou polêmica e, ao mesmo tempo, admiração, ao adicionar às missas do Santuário São Judas Tadeu, na Zona Sul de São Paulo, instrumentos sacramentados pelos Beatles, como guitarras e baterias. Fã secreto de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, o Padre Zezinho foi chamado desde “estrela” até “achincalhador da fé” por introduzir ritmos até então demonizados pelo Vaticano. Sua opção por uma liturgia mais aberta, no entanto, ganharia fôlego com a chegada do Movimento Carismático ao Brasil, ainda na década de 60. O crescimento das igrejas pentecostais autônomas – com forte presença nas camadas menos abastadas da sociedade – e das cruzadas promovidas por pastores e missionários americanos – caracterizadas por campanhas de cura e libertação -, foi um dos motivadores do surgimento de movimentos como o liderado pelo Padre Zezinho e da vinda da Renovação Católica Carismática ao Brasil. Começando por Campinas, a RCC foi levada para diversas cidades e regiões do Brasil. Organizados por padres jesuítas, encontros como “Experiências no Espírito Santo” e “Experiência de Oração” conduziram centenas de católicos de volta a vida devocional. Apesar de praticamente na penumbra entre as décadas de 70 e 80 (André Ricardo de Souza, Religião & Sociedade, julho de 2007), a realização – primeiro em 1973 e depois em 74 – de dois grandes congressos e a adesão de leigos e figuras conhecidas do clérigo brasileiro, como o Monsenhor Jonas Abib, serviram de combustão ao crescimento experimentado nas décadas seguintes. O lançamento do livro “Sereis Batizados no Espírito Santo”, em 1972, do padre Haroldo Rahn que, juntamente com Bernard Shuster e o Dom Cipriano Chagas, foram os pioneiros e compunham a liderança nacional da RCC, deu, também, grande impulso aos carismáticos. Fundada pelo padre salesiano Jonas Abib, em 1978, a Comunidade Canção Nova – com sede na cidade de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo e que é composta por emissora de rádio, televisão, um centro de evangelização com capacidade para 70 mil pessoas, além de capelas, restaurantes, alojamentos etc. – serviu de base para o surgimento de outras comunidades e associações como a Associação do Senhor Jesus (ASJ), dirigida e fundada pelo padre Eduardo Dougherty na década de 80. É a partir daí que a RCC começa a chamar da mídia com o surgimento de comunidades de vida, rádios, TVs e revistas. Zé Pretinho, Irmã Floriza e Tia Laura de Piquete (São Paulo) surgem nessa época e arrebanham mais adeptos (Portal Carismático – consulta feita em 20/10/2012, às 16hs). Os padres cantores É a partir da década de 90 que a RCC ganha, de fato, visibilidade com o desenvolvimento de técnicas de marketing e a projeção de padres cantores na mídia. “A figura do padre de meia idade na sacristia e atrás do altar é substituída no imaginário social por homens jovens e sorridentes, com grande poder de comunicação e utilizadores da música e da mídia como os próprios veículos de transmissão da mensagem religiosa. Os programas televisivos de domingo passam a abrir espaço para mais um artista: o padre Marcelo Rossi, jovem, de boa aparência e atlético, figura que contrasta radicalmente da imagem de sacerdote presente no imaginário dos brasileiros”, lembra a pesquisadora Sílvia Regina Alves Fernandez, do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais, órgão consultivo ligado à CNBB. Além de Marcelo Rossi, nos anos seguintes outros padres – popstars como o surfista e mais novo diocesano até então ordenado no Brasil, Padre Zeca que, em 2007 deixou o sacerdócio e quatro anos depois casou com uma americana, Marcelo Manzotti – conhecido como padre samba-rock e que realiza o Evangeliza Show -, Fábio de Melo, Juarez de Castro, Adriano Zandoná e um dos mais exóticos, o padre Alexandro Campos – que combina em seus shows missa mesclada com sons de viola e berrante -, conduzem centenas de fieis a estádios, ginásios, pistas de corridas e santuários por todo o país. Também estão presentes na mídia, dividindo programas televisivos com personalidades da sociedade, cantores (as) e bandas seculares. “Outro fator importante para o sucesso desses padres é a aproximação com as pessoas nos ritos religiosos e fora deles”, acrescenta a pesquisadora Sílvia Regina. É com o ex-professor de educação física e membro de uma família de classe média de São Paulo, no entanto, que o Catolicismo Romano reconquistaria dezenas de adeptos. Ordenado sacerdote em 1/12/1994, aos 17 anos, Marcelo Mendonça Rossi ficou conhecido no final da década de 90 por suas adaptações e empréstimos de liturgias e canções evangélicas, como “Anjos de Deus”. Participações em filmes, indicação ao Grammy 2002 e colaborações com diversos meios de comunicação descrevem sua trajetória como sacerdote e pop star. A inauguração de um mega – santuário em Santo Amaro, nesta sexta-feira (2),com capacidade para abrigar 25 mil pessoas, mostra a força do movimento carismático e, ao mesmo tempo, a tentativa de superação das concorrentes neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus que também possuem mega – templos na região.

Pragmatismo evangélico, o que é isto?

Por Antônio Pereira Jr.

“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara‖.– Lv 10.1 

Talvez você esteja se perguntando: “Pragma…, o quê?” Não, não é uma nova praga de lavouras! O Pragmatismo é uma doutrina filosófica surgida no século 14, nos Estados Unidos, que propõe um método para determinar o significado dos termos fundamentais da linguagem a partir de sua contextualização prática. Não entendeu? Vou explicar. Constituído a partir da palavra grega “pragma”, ação, atividade, coisas de uso, o pragmatismo estendeu-se para a Inglaterra e outros países, como a Itália, perdurando, sob variadas formas, até nossos dias. A concepção do que constitui o pragmatismo varia para cada pensador, de modo a não ser possível torná-la precisa inteiramente de maneira unitária. Todavia, para a maior parte de seus adeptos, o pragmatismo se apresenta a um só tempo como um método científico e como uma teoria acerca da verdade. Esta é concebida em sentido dinâmico. A verdade não diz respeito aos objetos, mas antes às idéias, ou às formas de relação concretas que os homens têm com os objetos. Deste modo, ela deve ser determinada mediante a consideração destas relações. O pragmatismo desvia o olhar das substâncias primeiras, presentes no pensamento dogmático, para considerar as consequências, os fatos produzidos por determinadas inter-relações. Ta difícil? Também acho. Vou tentar ser mais claro. Convencionou-se chamar de pragmatismo a concepção moderna de que devemos fazer de tudo, ou seja, sejamos práticos, para conseguirmos os fins desejados. O que pode ser resumido na seguinte frase: “Não importa os meios, o importante é o fim”. Com isso, as igrejas que adotam a filosofia pragmática atropelam os meios bíblicos e se enveredam pelo caminho de Nadabe e Abiú – Levítico 10:1. Eles foram, a princípio, abençoados por Deus – No monte Sinai eles haviam visto a santidade de Deus bem de perto (Êxodo 24:1). Foi depois daquela visão que eles se tornaram sacerdotes (Êxodo 28:1). Trouxeram fogo de qualquer lugar (meios), apenas para manter o povo entretido (fins). Eles chegam com toda esta coreografia nova, com cerimonial não estabelecido, com movimentos que Deus não conhecia e com fogo que não havia sido consagrado. Tudo isso o evangelicalismo tem feito nos dias hodiernos. Não devemos ser contra o fogo genuíno de Deus, devemos ser contra o fogo estranho que as pessoas estão introduzindo nas Igrejas dizendo que é fogo de Deus, quando na verdade, não passa de cinzas humanas. Nadabe e Abiú tinham fins, no entanto, os meios não foram apropriados. Fazendo isso eles abandonaram os meios preestabelecidos e se transformam em objeto do juízo divino. Não será isso que acontece hoje? O verdadeiro “fogo” tem origem, se manifesta dentro de certos meios e sempre tem um fim predeterminado por Deus. O objetivo é sempre a Glória de Deus. Dizer que alguma coisa aconteceu na reunião, nos encontros de avivamento, nas vigílias e não se preocupar se é de Deus ou não, é um erro. Spurgeon já nos advertia cerca de 120 anos atrás: ―O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice‖. As Igrejas, ávidas por novidades, estão introduzindo determinados elementos no culto que não glorificam a Deus. Estava andando pelas ruas do Recife, quando ouvi um carro de som anunciar sem nenhum receio: “Gostaríamos de convidar todo o povo de Deus para o „forró de Jesus‟, estarão conosco vários cantores…” Quase caio pra trás. Não, não ia caindo pela unção do locutor, era justamente pela falta dela. E olhe que pouca coisa me espanta em termos de novidades. O que virá depois? A lambada de Jesus? A caipirinha de Jesus? Os puritanos tinham algo que eles chamavam de “Princípio Regulador do Culto”. Em outras palavras, a Bíblia determina o quê, como e quando. O fogo de Deus não é encontrado no fundo de quintal, ele tem que vir do céu. No entanto, imitá-lo é fácil. Nessa confusão vale uma dica: Não devemos pergunta se dá certo, mas se está certo. Pouca gente quer espiritualidade com compromisso, com submissão à vontade de Deus; o que interessa são os resultados, os sinais, as profecias de sucesso. Você pode enganar as pessoas em nome de Deus, mas não a Ele. Temo e tremo ao ver pessoas falarem todo tipo de absurdos aos outros em nome do Divino, alguns acham até que tem a agenda do Criador e já dizem com antecedência o que Ele vai fazer daqui a dias, meses ou anos. Infelizmente – ou felizmente – eu não tenho essa capacidade. Eu sei que o Senhor pode fazer, mas não sei o tempo exato nem O manipulo de acordo com a minha vontade. Se eu não posso manipular o vento, imagine o Espírito de Deus – O vento assopra onde quer (João 3.8 a). Lembremo-nos das palavras de Jeremias: ―Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?‖ c. 5, v. 30-31. (grifo nosso). Leia ainda Jeremias 23:9-33; 28:1-4; Ezequiel 13 e 14.

sábado, 3 de novembro de 2012

Um “evangelho” que se encaixa em sua vida é falso!

Cristo vem primeiro para me matar e então me fazer de novo. 

“Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” – Mateus 10:39 “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” – Colossenses 3:3 


 Jesus deixa claro aos seus discípulos que eles também suportarão a cruz, que Ele vai à frente, mas que eles o seguirão no caminho do Calvário. Suportarão a cruz, não por seus pecados ( Isso era o que Jesus faria por todos nós ) mas pelo testemunho da Verdade num mundo consagrado a mentira. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios.” – Mateus 10:16-18 A perseguição virá, diz Ele, até mesmo de pessoas próximas como familiares e irão entregá-los as autoridades… “E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome…” – Mateus 10:21-22 – Tudo aquilo que Cristo tinha dito a eles em secreto, Sua identidade, a verdade do evangelho… Eles deveriam proclamar ousadamente num mundo hostil: “Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” – Mateus 10:26-28 Cristo diz aos discípulos que o temor a Deus deve prevalecer sobre o medo de qualquer adversário humano… “Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.” – Mateus 10:35-36 – A verdade é que chegará a hora de cada um de vocês tomarem sua própria cruz: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.” – Mateus 10:38 Essa é uma ênfase essencial que tem sido esquecida no “evangelho” proclamado estridentemente em nossa geração. Diante de sua própria crucificação Jesus repete: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” – Mateus 16:25 Pouco tempo depois de sua morte e ressurreição a realidade de todas essas declarações de Cristo aos discípulos invadiram a vida deles. Como dominós,um por um vai caindo em meio a perseguição implacável. Um homem como Pedro, que havia negado a Jesus, morreu crucificado… e essa é apenas uma variação da história de cada um deles. Então, o que significa para todos nós essa afirmação: “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” – Mateus 10:39? O contexto imediato era a perseguição iminente dos discípulos, e na verdade, de toda a Igreja de Cristo. Aqueles que se apegam a vida como ela é, como o mundo a vê, a persegue e abraça, jamais desfrutou da vida eterna. Todas as realizações e títulos dessa vida passageira e breve se empalidecem em comparação com as riquezas da herança que os santos tem em Cristo – “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada… Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.” – Romanos 8:18-25. Nós podemos imaginar como essas passagens falam claramente ao sofrimento de cristãos verdadeiros em países muçulmanos… mas como isso fala as nossas vidas no mundo ocidental? No Brasil? Gostamos de pensar que sofremos de um modo diferente dos mártires… mas que também compartilhamos do sofrimento de Cristo. Mas os sofrimentos que Jesus tinha em mente não são os problemas gerais da vida que os crentes enfrentam juntamente com todas as pessoas que não tem nenhum relacionamento com Cristo – dificuldades, doenças físicas, crises financeiras… Os discípulos estavam sofrendo por causa do testemunho de Cristo – esse é o contexto do que Cristo estava dizendo a eles e a nós. Como isso se aplica a nós se nós não nos encontramos ameaçados de morte por causa do evangelho? Temos mais dificuldade de ouvir e aceitar a clara exortação de Cristo num mundo como o nosso. Onde a cruz é apenas um símbolo que não está mais associado ao que a cruz realmente significa, é um acessório que ostentamos, vazio de significado verdadeiro. Ao invés de termos um Império Romano nos acossando e nos levando a morte, somos todos os dias levados pelo demônio para o deserto de nossa cultura, tentando encontrar nossa identidade nos mesmos lugares, nas mesmas coisas que o mundo ao nosso redor, simplesmente com a tola tentativa de cristianizar essas coisas a medida que a cultura a nossa volta nos encanta. Não somos perseguidos, no deserto no qual somos tentados, a tentação é que os reinos deste mundo serão nossos se nós simplesmente nos afastarmos do Calvário ( o mesmo proposto a Cristo no deserto por Satanás ) – Então a verdadeira cruz sumiu, porque o “evangelho” de nossa geração cobiça ardentemente os reinos deste mundo. Em nosso deserto, não somos tentados a nos tornar não cristãos, “renunciar” a Jesus Cristo. Na verdade o nome Jesus Cristo pode até ser “onipresente” para nós – em shows, canecas, camisetas, canetas, redes sociais… mas na direção de tudo o que é necessário para o caminho oposto ao do Calvário, na insistência de querer ganhar a vida e não perdê-la e nos apegarmos aos valores, aspirações, necessidades sentidas e todas as relações que nos definem agora e que escolhemos para nós mesmos, ao invés de nos apegar a identidade que Deus em Cristo escolheu para nós. Nossa geração está tentando ganhar a vida e não perdê-la: “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” – Mateus 10:39 A clara advertência de Cristo sobre encontrar a nossa vida perdendo-a, entra no foco de nossa visão real quando fazemos a nós mesmos a pergunta: Eu defino a história de Jesus ou Jesus define a minha história? Os objetivos de Cristo dão significado universal a minha existência, ou eu defino o significado de minha vida e o significado de Cristo na minha vida? A palavra de Paulo a todos nós é: “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” – Colossenses 3:3 Nada pode ser mais radical que isso. De acordo com a verdade do Evangelho, “eu” realmente está morto, não existe mais. Nossa identidade não é mais definida pela história que construímos. Nada poderia mudar minha identidade senão a radicalidade da cruz. Minha natureza “em Adão” é corrupta, escrava do pecado e da morte. Minha identidade já não tem nenhuma relação com aquilo que define a identidade de todas as pessoas não regenerados ao meu redor neste mundo. Mesmo na mais “sublime moralidade” do homem natural, sua ânsia por espiritualidade… ele não passa de um idólatra – e eu, em “Adão”, estava preso a esta mesma coisa que aprisiona todos os homens. Outra e outra reforma não alteraria em nada a essência da minha existência, a formação da minha identidade. Eu devo ser crucificado e sepultado com Cristo, e com Cristo devo ressuscitar para novidade de vida. A tentativa de manter nossa autonomia, nosso “auto-governo” simplesmente adicionando Jesus a nossa vida, encaixando ele em nossa vida com todas as coisas em comum com o mundo que formaram nossa identidade, o transforma em mero acessório. Nos tornamos como os romanos nos dias de Cristo, sempre havia um lugar no seu panteão para mais um deus… foi a completa negação da ideia de que Cristo pode ser acrescentado assim que levou os primeiros cristãos para o Coliseu. Tornar-se cristão (quando regenerados pelo Espírito) significava ( e jamais significará outra coisa não importanto as mudanças da cultura humana que vai se metamorfosiando…) renunciar a todos os senhores que definem a vida e a identidade de todos os homens naturais, a fim de estar unidos a Cristo. A salvação prometida por Deus em Cristo requer a morte. Não posso “alegremente” simplesmente dar um papel a Jesus na minha vida ( junto com os papéis que dei a tantas outras coisas que definem a minha identidade ) como algo útil na construção e na busca de alcançar meus objetivos traçados por mim mesmo baseados na identidade formada pelo mesmo mundo que forjou a identidade de todos os homens em “Adão”. O evangelho diz que o personagem escrito por mim mesmo está condenado a morte. Que eu devo renunciar todo o roteiro que já tinha sido construído nas bases que governavam minha vida em “Adão”. Eu devo abraçar incondicionalmente o roteiro que Deus estabeleceu para minha vida. A Boa Nova do evangelho é que eu não sou mais um filho de Adão, morto em delitos e pecados ( Ef 2.1) – agora sou filho de Deus em Cristo, e se de fato fui transformado pelo evangelho e sou uma nova criatura, eu já não vejo de modo algum Deus como existente para me fazer feliz, satisfazer minhas necessidades sentidas, nem mesmo para me dar simplesmente um sensação de bem-estar adicionando alguma sugestões e melhoramentos a minha velha vida. Ele vem primeiro para me matar e então me fazer de novo. Eu paro definitivamente de fingir que posso escrever a história da minha vida. Cristo não vem me ajudar a continuar a escrever a história da minha vida de forma melhor, com sugestões e acréscimos… Através da obra perfeita de Cristo, da Regeneração, Justificação… pela ação de Deus, pela fé me dada soberanamente, pela manifestação da Graça de Deus em minha vida, me torno um personagem da história de Deus, apenas parte da nova criação. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17

O valor das doutrinas

Por Charles Colson e Anne Morse 
Quando paramos de levar a sério as verdades históricas da igreja, enfraquecemos nosso testemunho, geralmente com grandes consequências. 

 “Nós caímos em um abismo no qual a reafirmação do óbvio é o primeiro dever do homem inteligente”.

 Escritas em 1939, as palavras de George Orwell parecem ser endereçadas aos líderes da igreja biblicamente iletrada de hoje. A coisa mais óbvia a ser dita sobre o Cristianismo é que ele se apóia em fatos históricos: a Criação, a Encarnação, e a Ressurreição. Desde que nossas doutrinas sejam uma reivindicação da verdade, elas não podem ser meros simbolismos. É importante lembrar a forma como celebramos a Ressurreição, que geralmente é ofuscada pelo esplendor da Páscoa. Para mim, é evidente que a doutrina é importante. Há alguns anos, eu visitei o Sri Lanka, logo depois de o bispo anglicano David Jenkins ter rejeitado a doutrina da Ressurreição como uma “brincadeira mágica com os ossos” (mais tarde foi revelado que ele havia citado um texto erroneamente). O líder do nosso ministério, que me acompanha palas prisões do país, disse que a notícia custou muitas conversões, porque budistas e hindus usaram isso para convencer as pessoas de que o Cristianismo é baseado em uma simples travessura. Claramente, quando nós paramos de levar a sério as verdades históricas da igreja, nós enfraquecemos nosso testemunho, geralmente com grandes consequências. Por exemplo, grupos de estudantes islâmicos fazem proselitismo afirmando que os cristãos adoram três Deuses: Pai, Mãe, e Filho. De onde eles tiraram essa ideia? Dos cristãos egípcios do século VII, que abandonaram a Bíblia e abraçaram essa heresia. Um estudo do Pew Forum on Religion and Public Life, feito a alguns anos,revelou uma excessiva ignorância doutrinária entre os cristãos americanos. 57% das pessoas acreditam que pessoas que seguem outras religiões poderão usufruir a vida eterna. O resultado foi tão inesperado que o fórum repetiu o estudo, perguntando questões mais específicas. As respostas permaneceram inalteradas. Surpreendentemente, cerca da metade disse que qualquer um, inclusive ateus, irão para o céu. Céu para o ateu? Essa é a antiga heresia do universalismo. A indiferença às verdades do evangelho é percebida em outras esferas também, como entre as pessoas que é defendem os “fatos, e não a crença”, e na infinita discussão sobre as novas formas de “entender” ou “fazer” teologia. Alguns aderem à antigas heresias, que dizem que as doutrinas devem ser extraídas de experiências íntimas, de sentimentos pessoais. Isso é uma versão do Gnosticismo. Há aqueles que querem adaptar o Cristianismo a era pós-moderna, ou desenvolver sua teologia publicamente com não-cristãos, ajudando a formular o resultado. Sim, nós precisamos contextualizar a mensagem para que as pessoas do nosso tempo e cultura entendam a verdade que nós proclamamos. Mas isso é radicalmente diferente de mudar a verdade cristã que os pais da igreja definiram em seus concílios. Como um repórter noticiou, mesmo quando os cristãos conhecem as doutrinas verdadeiras, eles temem dizer a verdade com receio de ofender os outros. Por quê eu deveria impor minha verdade aos outros? É um pensamento que define muitos de nossos crentes. É por isso que J. I. Packer, no seu octogésimo aniversário, disse que o grande desafio dos evangélicos é recatequizar nossas igrejas. Mais do que nunca, os cristãos precisam ter a capacidade de falar corajosamente sobre a esperança que eles escondem dentro de si. É claro que a fé pessoal é importante, mas não é suficiente. E sim, a doutrina tem sido ensinada de forma seca e insatisfatória. Mas como Dorothy Sayers notou, uma vez que nós entendemos o que as doutrinas cristãs ensinam, “O dogma é o drama”. A determinação de restaurar a fé ortodoxa – a fé que “de uma vez por todas foi entregue” (Jd 1.3) – nos leva a Reforma, de quem nós somos herdeiros. Uma nova ênfase na doutrina ortodoxa poderia, também, transformar a igreja e a cultura atual. Há alguns anos eu visitei Atenas e escalei uma rocha chamada Monte de Marte. Eu fiquei no lugar onde eu imaginava que Paulo tinha se confrontado no Areópago, o sábio homem no centro cultural do mundo. Paulo desafiou os atenienses referindo-se à sua própria cultura e seus falsos altares, e depois pregou o evangelho, proclamando que Deus havia ressuscitado Jesus dentre os mortos. É a mesma mensagem que eu prego nas prisões hoje em dia. Eu penso que é bem mais divertido permanecer em uma crença que dura dois mil anos do que pular de uma para outra. Poucas pessoas aceitaram o convite que Paulo fez naquele dia para seguirem Cristo. Mas bilhões seguiram Paulo desde aquela época porque Cristo tem um poder inevitável. Ele tem o poder de impedir que Satanás controle nossas almas e de transformar alegremente nossas vidas. Orwell estava certo: em uma crise, nós geralmente temos o dever de reafirmar o óbvio. E a Páscoa é um bom momento para os cristãos reverem sua confusão doutrinária, irmã das verdades óbvias do Cristianismo. O maior desafio dos cristãos atuais é não reinventar o Cristianismo, mas descobrir seus ensinamentos mais importantes.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Parâmetros para medir o obreiro falso e o verdadeiro

Por João A. de Souza Filho 
Que parâmetros podemos usar para identificar os obreiros falsos dos verdadeiros na igreja brasileira e mundial? Neste artigo faço um resumo de alguns pontos de meu próximo livro, Profetas e profecias: A que horas estamos no relógio de Deus? Precisamos de parâmetros bíblicos e históricos para identificar e separar os pregadores falsos dos verdadeiros. Onde estão as diferenças? Não se pode dizer que um obreiro é verdadeiro porque realiza milagres. Porque existem milagreiros usados por Satanás em ação nos dias de hoje, que podem estar presentes no seio da igreja! Muitos dos que curaram e expulsaram demônios em Nome de Jesus foram desqualificados como falsos (Mt 7.15-23). Então, que tal pensar assim: Quando pregadores e profetas vaticinam um acontecimento, um milagre, uma cura, são verdadeiros. Certo? Não, porque muitos profetas no passado que não profetizaram em nome do Deus de Israel vaticinaram acontecimentos que se cumpriram, e, nesse critério eram falsos por não profetizarem em nome de Jeová.
É possível identificar se os atuais pregadores e alguns que se intitulam profetas e apóstolos são falsos ou verdadeiros, analisando-os à luz das escrituras e da história. Nas escrituras temos parâmetros que nos permitem identificar e separar os falsos dos verdadeiros. Explico. São muitos os textos bíblicos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Comecemos pelos textos de Deuteronômio 13 e 18. Deuteronômio 13 não trata especificamente de profetas falsos, como sugere o título que os revisores colocaram no início do capítulo, e sim de um profeta que anuncia um sinal ou um prodígio e o que ele anuncia se cumpre. “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado...” (Dt 13.1-2). O texto está afirmando que o profeta anuncia um milagre ou um acontecimento e este se cumpre. Ora, segundo Deuteronômio 18.22 o profeta é falso quando o que ele fala não se cumpre! “Saiba que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse...”. 1. Um pregador pode ser verdadeiro hoje e falso amanhã. O profeta é verdadeiro quando profetiza e tudo se cumpre. Certo? Sim, em parte. Porque o que ele fala pode se cumprir, mas, usar o seu dom para fins pessoais. Aí é falso, porque usa do cumprimento da profecia para chamar a atenção do povo para si mesmo, quando usa do milagre para desviar a atenção do povo para si mesmo ou para seus próprios interesses. No caso do texto de Deuteronômio 13 o profeta não é falso, mas torna-se falso quando usa dos dons de Deus para desviar as pessoas do propósito de Deus. Portanto, atente para o estilo de vida do pregador ou profeta. Se este estiver usando dos milagres de Deus para enriquecimento pessoal, para adquirir fama e para criar seu próprio domínio territorial denominacional é falso! Porque as pessoas são alvos dos milagres, e passam a idolatrar o profeta e a contribuir para o enriquecimento de tal pessoa. Com base nisso é possível passar o prumo da palavra de Deus nos pregadores televisivos e nos apóstolos e profetas atuais. Jesus destaca que o diferencial entre o falso e o verdadeiro não é a aparência ministerial (ilustrada na casa edificada sobre a rocha e a outra sobre a areia). As duas casas poderiam ser iguais, construídas pela mesma pessoa, mas uma tinha fundamento e a outra não. Ele trata disso também em Mateus ao falar dos que expulsam demônios, realizam curas em nome dele e, no entanto, são desqualificados no julgamento final. Profetas bíblicos e não bíblicos anunciaram acontecimentos que se cumpriram. Muitos profetas não bíblicos anunciaram fatos que aconteceram, existe, no entanto, um diferencial entre os profetas de Deus e dos demais profetas. 2. O verdadeiro profeta se preocupa com a justiça social e possui uma visão do propósito de Deus. Examine se o pregador ou profeta está adquirindo vantagens pessoais e não está distribuindo os recursos que angaria para ajudar os pobres e necessitados. Os profetas e agoureiros do passado ocupavam-se maiormente em prever o destino das pessoas, sem se preocupar com a justiça social e com o bem-estar da população. Já os profetas de Deus não se ocupavam apenas em vaticinar o futuro, mas eram possuídos de uma paixão ardente pela vida de retidão, além de viverem reta e honestamente. Balaão, profeta bíblico não era muito bom na prática da justiça, pois fazia previsões e usava de seu dom profético para obter benefícios pessoais – como certos pregadores de hoje que pregam a palavra para ganhar dinheiro – mas anunciou a vinda do Messias. Obviamente que este fato isolado não o coloca entre os profetas verdadeiros e incorre na condenação de Deuteronômio 13. 3. Os verdadeiros profetas possuíam uma visão salvadora e redentora da humanidade. Era isto o que os diferenciava dos demais profetas do passado, que viviam profetizando para satisfazer a vontade dos reis. Em resumo: os profetas que falaram em nome de Jeová preocupavam-se com a justiça social e sempre tinham uma palavra de esperança e uma mensagem redentora aos povos. Esquilo, Sófocles e Eurípides eram apaixonados pela doutrina de Nêmesis e ensinavam o mesmo princípio bíblico de que Deus resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes. No entanto, sempre falavam de um destino terrível para todos os povos, sem nunca apresentar a solução de um Redentor como fizeram os profetas da Bíblia no Antigo Testamento. Os profetas egípcios, chineses, caldeus, gregos e romanos do mundo antigo não falavam em nome de uma Entidade, de Um Eterno, como os profetas judeus, quem sabe guiados por espíritos de adivinhação. Os antigos oráculos de outros povos também anunciavam a vinda de Cristo, mas não apontavam para a Redenção da humanidade. No reinado de Sésostro II (1906-1887 a.C.), um sacerdote de Heliópolis, no Egito, teve uma visão profética de alguém que será “o líder ideal, cujo advento ele aguarda, porque ele será o pastor de todos os homens, sem dolo algum em seu coração... onde ele está hoje?”.5 Milhares de anos antes de Cristo houve profecias de sua vinda por outros povos, falando de seus ensinamentos, da última ceia e da morte que haveria de lhe acontecer. O profeta de Deus se diferenciava dos demais profetas porque possuía uma visão salvadora da humanidade, da justiça social e de um reino de glória. Esclareceu-me este tema o livro Apologetics or Christianity Defensively Stated (Apologética e a Defesa Comprovada do Cristianismo) de A.B. Bruce, cuja terceira edição é de 1895 e que guardo como uma das relíquias da literatura cristã, pela preciosidade dos temas ali tratados. Para ser sincero usei as mesmas palavras dele como título do capítulo seis “otimismo profético”. A.B. Bruce, exegeta que viveu no século XIX destaca que o profeta bíblico se diferencia dos demais pelo ardor de justiça e pela esperança que tem do futuro. As profecias bíblicas estão permeadas pelo espírito de otimismo, afirma o autor. A paixão por justiça e a esperança de novos dias fazem a diferença entre estes e os demais profetas. Bruce destaca em seu livro a fonte das previsões dos profetas bíblicos. A esperança que tinham de dias melhores devia-se a fonte de suas previsões, pois enquanto os demais profetas recebem inspiração de fontes duvidosas, o profeta bíblico recebe diretamente da fonte que é Deus. A fonte das profecias não reside no temperamento do profeta nem na disposição mental que toma conta do profeta naquele dia, mas pela perspectiva que o profeta tem do horizonte que se estende diante dele. Quer dizer, o profeta bíblico não profetiza sob emoção ou conforme se sente espiritualmente naquele dia, mas porque tem uma visão do futuro glorioso de Deus na terra. Suas profecias são frutos da comunhão e intimidade com Deus e da visão que Deus lhes dá do futuro. 4. Os verdadeiros profetas e pregadores vivem uma vida de renúncia, e têm em mente o propósito eterno de Deus para com o homem e com o mundo. Quando profetizam não buscam alimentar nem favorecer suas próprias paixões, desejos e tentações. A fonte verdadeira da palavra profética está na intimidade que o profeta tem com Deus, pois ao profetizar uma catástrofe ou um acontecimento trágico o caráter divino da graça de Deus tem preeminência nas profecias. Para os profetas bíblicos, Deus era mais que um governador moral, não apenas alguém que trabalhava a favor da retidão, mas Alguém que ajudava as pessoas a terem uma vida reta. A graça tem por finalidade a justiça divina. 5. O verdadeiro profeta é otimista em relação ao futuro, apesar da desgraça que se avizinha. Os profetas bíblicos eram otimistas por pregarem a respeito de um Deus que não favorecia apenas os judeus, mas a toda humanidade. Diferentemente de muitos pregadores hoje que amam somente os judeus e a terra de Israel e desprezam os demais filhos de Abraão. Deus buscava a salvação de pessoas até os confins da terra. Assim, o otimismo profético residia na manifestação da graça de Deus a todos os povos e não apenas aos judeus. Para os profetas pagãos a era de ouro ficou no passado, para os profetas hebreus a era de ouro está por vir. Assim, o profeta cria diferentemente dos poetas e filósofos pagãos, porque sempre tinha uma ótica da bondade e misericórdia de Deus. Alguns profetas de hoje na igreja assemelham-se aos pagãos, pois não possuem esta perspectiva de um Deus de esperança, e anunciam o futuro pela maneira como vivem o presente. O otimismo profético vai além das circunstâncias presentes, como no caso de Habacuque, que pergunta a Deus por que a violência continua, e Deus lhe responde que a violência aumentará. Deus não deu sequer uma pista de prosperidade ou de solução para o profeta, no entanto, o profeta no fim do capítulo três declara: “Ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não dêem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais, mesmo assim eu darei graças ao Senhor e louvarei a Deus, o meu Salvador. O Senhor Deus é a minha força. Ele torna o meu andar firme como o de uma corça e me leva para as montanhas, onde estarei seguro” (Hc 3.17-19). O otimismo profético está no anúncio de um final glorioso para o povo, e é aqui, basicamente que as profecias dos profetas bíblicos são diferenciadas dos profetas de outros povos que falavam de desgraças e calamidades, mas não anunciavam um fim glorioso. Profetas e videntes, sem ser judeus ou cristãos acertaram em seus prognósticos, mas nem por isso foram profetas verdadeiros porque suas profecias se cumpriram. Ao longo da história, muitas profecias proferidas por pessoas que não conheciam o verdadeiro Deus como nós conhecemos e não foram inspiradas pelo Espírito de Deus como acreditamos, cumpriram-se totalmente. Estes profetas são falsos porque não profetizaram a redenção dos povos, usaram do dom da profecia para induzir os povos a adorar outros deuses (até a eles mesmos), e não o Deus dos deuses, e não acenaram nem praticaram justiça social. Um profeta ou pregador é falso quando não possui uma visão divina de justiça social, de amparo aos pobres e de cuidado com os mais necessitados. Bem ao contrário usam do ministério para se enriquecer e para criar e manter suas próprias instituições com verbas milionárias. Conforme Deuteronômio 13 o profeta é falso não porque anunciou um milagre e este não se cumpriu; ao contrário, o milagre ou sinal que vaticinou aconteceu, e neste sentido não deveria ser considerado um profeta falso, pois o milagre aconteceu. O que o torna falso é que ele usa o dom da profecia, a capacidade de produzir milagres e prodígios para levar o povo a se desviar de Deus, buscando outros deuses ou seu próprio interesse. O texto é claro: o que ele anunciou aconteceu, mas não deve ser ouvido porque induz as pessoas a se desviarem de Deus. Para os judeus, o próprio Deus permitia que isto acontecesse para provar o coração do povo, se o povo era fiel ou não a Deus. Neste sentido, podemos incluir na nossa reflexão muitos operadores de milagres, pastores e evangelistas que são supostamente usados por Deus, mas o que os coloca em pé de igualdade com os falsos é que buscam seus próprios interesses e não os de Cristo. Jamais devemos esquecer que a prática da justiça não é apenas ajudar os pobres e necessitados, mas também o de denunciar políticos e organizações criminosas que oprimem e atacam os mais fracos. A prática da justiça inclui também o compromisso de usar os dons de milagres e dons de profecias para levar as pessoas à salvação, ao arrependimento e mudança de vida, jamais usando os dons para enriquecimento ilícito, nem os talentos dados por Deus para proveito próprio. É neste quesito importante citado por Moisés em Deuteronômio 13 que Paulo se apegou para condenar alguns apóstolos de seus dias. Eram homens que também operavam milagres e eram aceitos pelo povo como pessoas de Deus, mas não viviam na prática da justiça como Paulo, de maneira humilde, que não buscava proveito próprio. Paulo afirmou que eram falsos apóstolos, obreiros fraudulentos que se transformaram em apóstolos de Cristo. Não se deve pensar que o pregador falso é apenas o que prega heresias; mas porque seu estilo de vida não é de acordo com o estabelecido por Jesus Cristo. E até possível incluir entre os falsos os que usam da teologia da prosperidade para enriquecimento pessoal. Existe uma prosperidade que faz parte da essência do evangelho, diferentemente da que vem sendo pregada abertamente nesses dias. Jesus fala a respeito daqueles que no dia do juízo dirão: “Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.22-23). Jesus não está negando o poder de realizar milagres, nem está sugerindo que os que praticam milagres e expulsam demônios são incluídos na classe dos rejeitados, nada disso. Jesus está falando que, apesar de realizarem milagres, tais pessoas foram reprovadas por viverem na prática da iniqüidade, o que nos leva a considerar e a refletir se o estilo de vida que levamos não anulará os feitos milagrosos que operamos. Ao que parece, nas palavras de Jesus, a iniquidade e a prática do pecado anulam, diante de Deus as obras que fazemos, e apesar de ainda exercitarmos os dons, seremos julgados no dia do juízo, não porque fizemos grandes obras, mas porque vivemos na prática do pecado. Quando examinamos a história da igreja encontramos homens e mulheres que foram instrumentos de Deus, usados na palavra profética, fazendo previsões que se cumpriram ao longo dos anos. Existiram monges, abades e padres que viviam de maneira santa e reta, comprometidos com o Nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Um destes homens, Malaquias, fez profecias em seu tempo que continuam se cumprindo. Trato das profecias de Malaquias num artigo em meu site.

VISITAS DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2009 ATÉ H




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Fala, que eu te escuto


Por Magno Paganelli
 O comportamento de muitos cristãos de hoje não endossa a fé que dizem sustentar. Aspectos que regem a prática cristã são encontrados, evidentemente, na Bíblia, e orientam atitudes simples e primárias como falar. Um cristão pode se notabilizar pelos conhecimentos que tem, mas pode colocar tudo a perder se não moderar o seu vocabulário. Esse risco é previsto no Antigo e no Novo Testamento, mas como insinuei acima, muitos dos indicadores primários da fé cristã têm sido deixados para trás e substituídos por rotinas e expedientes das pessoas que não têm qualquer compromisso com a fé em Jesus Cristo. Num texto clássico sobre o tema, Jesus advertiu: “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mateus 5.22). Essa orientação não caducou. Então vejamos o seu sentido. Jesus escolheu o termo grego Γακά (raká). Não sabemos o que ele significa, mas uma pesquisa nos ensina que raká, para os falantes daquela época, era um termo abusivo. Entre os seus significados mais prováveis estão: tolo, cabeça-oca ou mesmo burro. Na sequência do versículo lemos “louco”. Aqui Jesus empregou o termo Μώρέ (Môré), outra palavra que pode ser traduzida por tolo, ou insípido, insensato; considere que os cristãos são advertidos por Jesus a que sejam o contrário de insípido: sejam sal, e não insípidos. Noutro documento do Novo Testamento, Efésios 4.29, Paulo diz: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem”. Torpe é a tradução de σαπρός (saprós). Figurativamente ela transmite a ideia de mau, ruim, imprestável. No contexto de Mateus 7.17, onde Jesus fala dos frutos da árvore, ela significa podre. E finalmente em Colossenses 3.8, a expressão “… abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar.” Essa “linguagem indecente” é a tradução de αισκρολογιαν (aiskrologian), uma junção de duas palavras para formar o que naqueles tempos era entendido por palavra indecente, obcenidade ou mesmo fala abusiva. Esta é a única passagem no Novo Testamento onde aparece aiskrologian. Que devemos entender aqui? Que embora estejamos imersos numa sociedade que não zela pelo modo mais decente de expressar-se, que não faz qualquer esforço para ser gentil, educada e mesmo decente no uso da fala, essa tendência natural das pessoas que não professam a mesma fé que nós não pode engolir o nosso modo correto de falar, de agir e de nos mostrarmos na mesma sociedade. Chamar irmãos de “trouxas”, “imbecis” e “otários”, como vemos até mesmo em programas de televisão, não passa perto de qualquer padrão saudável no cristianismo bíblico. A inteligência do cristão deverá elaborar argumentos suficientemente fortes ao ponto de dispensar o uso de expressões chulas e vocabulário que possa ser equiparado a dos mais desprezíveis pecadores. Para muitos isso parece difícil; mas seguramente é possível. Talvez seja esse o motivo porque Tiago dedicou boa parte de sua epístola (Tg 3.1-12), e mesmo o livro de Provérbios, a tratar da questão. O menor membro do corpo derruba a mais consagrada celebridade, mas o exercício persistente poderá ajudar a cada um de nós na eliminação de outros vícios que atrapalham o aprofundamento da mais simples espiritualidade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pecado: Desgraça ou crime? Pecador: Vítima ou criminoso?

Por Josemar Bessa
 O homem sempre viu o pecado de forma completamente diferente de Deus. A uma síndrome de vitimização nascida desde o Éden que sempre prosperou na mente humana, e que infelizmente em nossos dias, faz parte da base de grande parte do que chamamos “evangelho” hoje. O homem sempre tratou o pecado como uma desgraça, não como um crime, como uma doença, e não como culpo, como um caso para um médico cuidando de um inocente doente e não um caso para um juiz. Quando suas bases se tornam estas, o que chamamos evangelho se torna o que essencialmente forma todas as religiões e teologias humanas. Não reconhecendo o aspecto essencial, que é judicial da questão, não reconhece que a verdadeira resposta depende completamente em se reconhecer a completa culpa e indignidade, não havendo nenhuma reivindicação a ser feita pelo homem, sendo, sabendo e sentindo sua completa culpa diante de um Deus santo e justo que em nada está obrigado a não ser exercer sua justiça, sendo Sua misericórdia, como a própria definição da Palavra exige, prerrogativa inteiramente de quem a exerce... só justiça pode ser reivindicada. Ao fugir disso, em nada o “evangelho” se difere de todas as religiões humanas – que não vê o homem na necessidade de sinceramente reconhecer a culpa ou criminalidade como malfeitor, e não vítima ou merecedor de algo. O pecado é um grande mal, traz infinita culpa... E as tentativas do homem de removê-la apenas a aumenta. Os esforços dos homens em se aproximar de Deus baseado em sua vitimização, ou algo bom que ainda resida neles apenas agrava a culpa ao banalizá-la. Só Deus pode lidar com o pecado, com o crime, como uma desonra a si mesmo e como empecilho da aproximação do homem a Ele. E jamais, sendo santo, Ele lida com a culpa do homem de forma arbitrária ou sumária por mero exercício da vontade ou poder, mas ao levá-lo para julgamento em Seu próprio tribunal justo, na cruz ou no inferno. A ira de Deus será totalmente merecida, justa e certa. Mas quão grande é a dificuldade de um “evangelho” centrado no homem sequer mencioná-la. O apóstolo Paulo minuciosamente mostra isso na primeira parte da carta aos Romanos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens...” ( Romanos 1.18). É completamente merecida. A verdade de Deus é conhecida: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” - Romanos 1:19-20. Mas essa verdade é completamente suprimida – isso desperta a ira divina, porque não é uma desgraça... é um crime. E seu fruto é a impiedade e injustiça. Muitos estão dispostos, mesmo nos púlpitos, pregar um outro “evangelho”, sem ira... mas a advertência é: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” - Efésios 5:6. “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” - Colossenses 3:6 Paulo fala não só claramente, mas duramente em Romanos 2.5: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” – Culpados, não vítimas! Somos responsáveis, estamos acumulando ira com cada ato de indiferença para com Deus – vivendo como definiu Agostinho – incurvatus in si – sendo deus de nós mesmos. Dando preferência para qualquer coisa acima de Deus. Esse não é um planeta de vítimas, mas de rebeldes. Cada batida de nossos corações, cada vez que o pecado é acariciado minuto a minuto neste mundo, cada vez que Deus, o doador de todas as coisas, é tratado como maçante... culpa, culpa, culpa: “...entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;” Em Romanos 3.5-6, Paulo reintera: “Mas, se a nossa injustiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? ( Estou usando um argumento humano. ) Claro que não! Se fosse assim, como Deus iria julgar o mundo?” O que poderia ser mais claro? Como um “evangelho” tão diferente pode ser pregado hoje? Porque é lógico que num mundo onde todos se veem como vítimas e o pecado como desgraça e não crime, o verdadeiro evangelho não seria visto como “relevante” para ele – e como a aceitação e parceria com o mundo é o grande objetivo em nossos dias – jogamos a verdade ofensiva no lixo. Paulo, inspirado pele Espírito, diz que esse Deus justo vai julgar o mundo com uma fúria terrível! O problema é que o homem acha que seus pecados não merecem esse tipo de ira – mas achar isso só mostra o quão culpado o homem é. Um único pecado colocou o mundo inteiro sob o julgamento de Deus e trouxe a morte a todas as pessoas: “...mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá". - Gênesis 2:17 – “Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo.” - Romanos 5:17 Um único pecado trouxe tudo isso, e você tem cometido dezena de milhares de pecados contra este Deus. E cada pecado não é algo isolado, em cada pecado toda a lei de Deus é quebrada: “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente.” - Tiago 2:10. Ou seja, cada pecado é na verdade milhares de pecados. Você não só pecou milhares de vezes, mas cada um deles tinha a quebra de toda a lei de Deus. Considere que uma única ofensa seria eternamente séria quando desonra um Deus infinitamente digno, uma desonra infinita. Portanto, uma punição infinita é merecida. Só Deus pode resolver tão grande crime sendo perfeitamente justo, na cruz ou no inferno... qualquer solução vista que não essa, aumenta a culpa do desprezo a Deus em quem a propõe, e engana mortalmente quem a ouve: 

“Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” - Efésios 5:6. “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” - Colossenses 3:6

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ouvindo sermões como satanás!

Por Josemar Bessa
Martinho Lutero foi um dos grandes pregadores de todos os tempos. Ele explicou a necessidade crucial da pregação:
 
“Porque heresias ameaçaram a mensagem apostólica e viva, ela tinha que ser registrado em um livro para protegê-la de falsificação. A pregação traz de volta a cada dia este processo de conservação novamente, permitindo que as Escrituras do passado se tornem a notícia do presente. . .”
Agora, como ouvimos a pregação da Palavra? O famoso pregador galês, Christmas Evans, uma vez descreveu vividamente como ele imaginava que Satanás ouviria um sermão estando presente no culto: “A maneira em que um homem ouve o Evangelho é uma amostra do estado do seu coração, de seus afetos, de seus desejos, de sua natureza. Se tivéssemos que supor que Satanás entrasse na congregação, que tipo de ouvinte ele seria? Ele é o inimigo inveterado de toda a verdade, de toda justiça, de toda piedade, da santificação da alma, devoção, afeto espiritual... Se um dia então, em forma humana, ele tomasse o seu lugar entre os ouvintes do evangelho eterno, podemos imaginar que, a fim de irritar tanto quanto possível, ele iria tomar o seu lugar em um local visível, quer no âmbito do púlpito e diante dos olhos de todos. E então mostraria seu descontentamento se o pecado estivesse sendo confrontado e a santidade de Deus sendo exaltada. Estaria ansioso para se proteger contra a menor indicação de ser tocado pela pregação, se ela não expressasse os desejos e condições do coração caído e do pensamento do mundo. Não sendo assim, acharia duro, desagradável. Não haveria um traço de convicção, submissão, paz e alegria que devem aparecer num coração que está em acordo com a verdade e não que a pregação se acomode ao ego humano. Ele mostraria sua carranca, contrairia as sobrancelhas e sacudiria a cabeça mostrando a sua desaprovação ao Evangelho ouvido. Essa é a disposição diabólica ouvindo um sermão voltada apenas em proclamar a Verdade de Deus não amada num mundo caído. Tal, digo eu, seria o comportamento do arqui-inimigo como um ouvinte da Palavra de Deus. Mas não temos muitos que carregam o nome de cristãos que se comportam diante da proclamação da verdade exatamente assim? Achando-a dura, sem amor...?” Que imagem você pinta de você mesmo quando sentado sendo visto do púlpito? Você está completamente centrado como um ouvinte militando no desejo de que sua alma seja beneficiada pela verdade eterna, ou contrariado, achando a verdade dura demais, desejando apenas um pouco de auto-ajuda, psicologia, dicas para o sucesso em vária áreas de seu interesse...? Você está interessado no propósito eterno de Deus para sua alma, bem como tem uma postura a fim de também beneficiar outros que estão ouvindo, o pregador... ou mostra seu descontentamento com a verdade? O pregador vê você suspirando, franzindo as sobrancelhas, balançando a cabeça... quando certas verdades são pregadas? É uma coisa difícil e dolorosa pregar com o diabo sentado na fila da frente, mas a tarefa do pregador da verdade não é – antes de tudo – agradar os ouvidos da congregação com suas fantasias, mas alcançar o coração com as verdades de Deus. Paulo sabe que há muitas distrações e muitos obstáculos e tentações nesta proclamação. E então ele diz aos pregadores: "Prega a palavra." E ele diz como: "Conjuro-te"; "Na presença de Deus"; "E de Cristo Jesus" (Pai e Filho têm uma grande preocupação nesta matéria); "Que há de julgar os vivos e os mortos" (alicerces são levantados para a vida e a morte, e para além da vida e da morte para o julgamento final – essa é a razão da pregação.) Este é um peso extraordinário. Isso deve significar que o ministério da pregação tem muito a ver com o que acontece na revelação de Cristo em glória. Onde o pregador será chamado a prestar contas. Como muitas pessoas estavam reagindo a pregação da verdade naquela congregação? Alguns “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” - 2 Timóteo 4:3,4 Isso é o que a aparição de Cristo e de seu reino irá revelar.

Como nasce um pastor?

Por Alex Belmonte
 
“É um grande privilégio ser escolhido por Deus para fazer a sua Obra, mas é um grande dever do escolhido preparar-se para realizá-la”.
 
 Sandro dos Anjos. O chamado de um pastor é um dos assuntos mais evidentes nas Sagradas Escrituras. Seu perfil e caráter são revelados tanto no Novo como no Antigo Testamento de forma impressionante e segura. Mas parece que as credenciais bíblicas do chamado e vocação pastoral são ignoradas por alguns grupos cristãos, no que tange aos princípios para a ordenação e consagração de ministros. O que vemos muitas vezes são “pastores” realizando funções protocolares no ministério, do que ministros desempenhando o dom espiritual do apascentamento e cuidado da Igreja de Cristo. E, mais tenebroso ainda é reconhecer que existem muitos pastores que não são pastoreados, verdade essa tão clara que você pode até achar estranho o fato do ministro precisar dessa assistência, mas todo pastor necessita de uma cobertura, como assim fizeram Barnabé com Paulo (At.9.26-28; 11.22-26; 13.1-3), Paulo com Timóteo (2ª Tm.1.1-8, 13-15; 2.1,2) e muitos outros exemplos. Mas todos os pastores precisam realmente de um chamado exclusivo por Deus? Um pastor que não possui o chamado não terá êxito mesmo estando na função? As frustrações pastorais testemunhadas em nossos dias são resultados do erro quanto ao chamado ministerial? Afinal, como nasce um pastor? Primeiro desejo esclarecer os significados das palavras “vocação” e “chamado”, visto que se tratando do contexto religioso, ambas se encontram interligadas. O termo vocação, do lat. vocare é a inclinação e aptidão para determinada função. Denota uma disposição natural para uma coisa; e Chamado é a confirmação da vocação para a determinada Missão. Denota o mecanismo de ação da vocação. Devemos iniciar o entendimento bíblico do chamado em questão, a partir da figura e descrição ilustrativa do pastor de ovelhas do Antigo Testamento, pois nessa esfera, a vida do pastor em muitos aspectos é sintonizada em um paralelo com os relacionamentos espirituais do líder cristão, sendo usada pelos escritores bíblicos, repetidas vezes, como uma luz eficaz para a transmissão de experiências quanto ao ministério e chamado do pastor. O pastor de ovelhas no Antigo Testamento era facilmente identificado por quatro elementos indispensáveis em sua função: O cajado, a vara, a capa e, o alforje. O cajado era usado principalmente para guiar o rebanho e socorrer as ovelhas quando preciso (Êx. 21.19; 1º Sm. 17.40; Zc. 8.4). A vara era um símbolo de proteção e, em outros textos é chamada de bordão (2º Re. 4.29). A capa era muito importante para o pastor se acolher e se proteger e, o alforje levava alguns pertences de uso pessoal do pastor (1º Sm. 17.40). Quando chegamos ao cenário histórico do Novo Testamento vemos os líderes sendo chamados para “pastorear” o rebanho de Deus. Aqui temos o uso do termo pastor como uma nomenclatura que identificaram as próprias palavras de Cristo, quando usando a figura de metáfora, disse de Si mesmo: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas [...] Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”. (Jo. 10.11-14). Jesus usou a comparação por que sabia muito bem acerca do cuidado do pastor com as ovelhas nos campos. Ser pastor a partir daquele momento, na visão bíblica e neotestamentária, significava cuidar de vidas da mesma forma que Cristo demonstrou no cuidado e ensino no seu ministério na terra. Partindo desses princípios referentes às atividades da figura do pastor tanto no AT como as comparações e simbolismo no NT, a Bíblia nos revela as três funções que compreendiam as atividades reais de um pastor: 1) A proteção exclusiva do rebanho contra as feras e os perigos naturais; 2) O zelo pela seleção dos melhores pastos e campos verdes e; 3) O trato no crescimento da ovelha, com o cuidado do peso e o desenvolvimento de sua lã. A partir dessas bases a Bíblia deixa clara acerca do verdadeiro chamado de um pastor. Trata-se do servo que desde seus primeiros passos na jornada cristã, junto aos seus (sua igreja e seu pastor) possui real preocupação, primeiro na proteção da igreja de Cristo, que compreende o bloqueio das contaminações do mundo, dos falsos ensinos, dos caminhos tortuosos; segundo, o zelo pelo melhor alimento através da pregação da Palavra de Deus, que edifica, exorta, consola e desperta. Um servo que revela o chamado para pastorear sempre transmitirá mensagens dentro desses quatro aspectos; e terceiro, pela liderança espiritual que faz com que vidas desenvolvam seus ministérios e alcancem seus sonhos. O pastor é um líder e seu chamado está condicionado ás suas qualidades de liderança. O que mencionamos até aqui pode ser resumido numa verdade ampla: Não existe chamado pastoral distante dessas realizações, bem menos algum pastor usado pelo Espírito Santo com apenas uma dessas indicações, ou seja, se algum ministro está em falta em algum desses princípios, com certeza seu chamado ministerial está em desenvolvimento, mas, se lhe falta todos esses valores, com certeza jamais foi chamado por Deus para pastorear. Dentro desse raciocínio ainda desejo expor duas situações: pastores que crêem no chamado, mas passam por experiências frustrantes, e pastores que sabem realmente que não possuem o chamado, mas entraram “acidentalmente” no ambiente ministerial. No primeiro caso é de grande importância saber que o início ministerial com experiências dolorosas não significa algum tipo de erro no chamado, mas pode revelar um agir e preparo exclusivo de Deus para algo bem maior. Deus o levará a compreender isso. No segundo caso, temos alguém sem o chamado na função pastoral, mesmo assim pastoreando. A falta de êxito maior desse líder não está em seu realizar, de certo, ele sempre fará algo em suas condições, mas sua situação revela claramente que suas ações pastorais serão limitadas por lhe faltarem os elementos essenciais que preenchem sua ordem vocacional e seu chamado divino. No demais, desejamos muitos pastores Chamados, e menos chamados pastores.