domingo, 13 de outubro de 2013

Saí do Armario: Sou de direita!

Por Braulia Ribeiro
Cansei das propagandas que pretendem explicar direita e esquerda com clichés mentirosos  que idealizam a esquerda e demonizam a direita.
Por isto resolvi sair do armário. Sou de direita.
Mas como assim Bráulia, você não cresceu em família de tradição socialista e representou por tanto tempo valores costumeiramente associados com a esquerda, como a luta pelos pobres, índios e colonos amazônicos?
 Sim, tudo isto é verdade. Mas ao contrário do Chico Buarque e os intelectuais que param no tempo, não parei. Continuei lendo de tudo e principalmente lendo linhas ideológicas diferentes. Tenho um irmão querido que me questiona em tudo que digo, no blog, no face. Quando lhe pergunto, você leu o que escrevi antes de criticar, ele responde com afrontas: “Não leio o que não presta, não preciso ler burrice para contestar, etc.” Assim é a tradição intelectual esquerdista. Dogmática, hermética, não pratica o sacrilégio de ler os “contrários”.
Pois é, eu ousei fazê-lo. Li David Landes,  Hayek, Friedman, Sowell, Locke, a história americana, Jefferson, os Federalist Papers, e mais um monte de coisas, escritos apócrifos, sacrílegos, praticamente pornografia ideológica. Ousei sair da caixinha, pescar em outro lago, pular a “cerca” intelectual que me restringia.
Li também a Bíblia. Leitura difícil.  A leitura bíblica mais difícil é a que fazemos na intenção de obter um detox ideológico ao invés de buscar afinidade.
E não tenho medo de afirmar que mudei. Não creio que a mudança pra mim tenha representado um abandono dos valores pelos quais vivi até agora.  Pelo contrário,  lamento o quão enganada estive todos este anos pensando que a esquerda ideológica servia os valores pelos quais eu lutava.
Pois então aí vai um resumo dos valores básicos que representam o pensamento de direita e o de esquerda. Se você quer contestar ou concordar procure boas leituras antes dos dois lados da questão. Não seja apenas papagaio de clichês. Estude.  E faça você também a sua escolha.

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sábado, 12 de outubro de 2013

Nosso Dever é Crer


Por M. Lloyd-Jones
Nosso dever, o seu e o meu, não é despertar sentimentos; é crer. A Bíblia não nos diz, em lugar algum, que somos salvos por nossos emoções; ela diz que somos salvos pela fé. "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo". Nem uma vez as emoções são colocadas numa posi¬ção central. Ora, isto é algo que podemos fazer. Eu não posso forçar a mim mesmo a ser feliz, mas posso lembrar-me da minha fé. Posso exortar a mim mesmo a crer, posso falar com minha alma como o salmista fez no Salmo 42: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? espera. . ." Crê, confia. Esse é o caminho. E então nossas emoções cuidarão de si mesmas. Não se preocupem com elas. Falem consigo mesmos, e ainda que o diabo sugira que, se não sentem nada, então não são cristãos, digam; "Não, eu não sinto nada, mas quer sinta ou não, eu creio nas Escrituras. Creio que a Palavra de Deus é verdadeira, e vou firmar minha alma nela, e crer nela, aconteça o que acontecer". Ponham a fé em primeiro lugar, firmem-se nela. Sim, T. C. Philpot estava certo nesse ponto, o filho da luz às vezes se acha andando nas trevas, mas ele continua andando. Ele não se senta num canto, sentindo pena de si mesmo — esse é o ponto — o filho da luz andando nas trevas. Ele não consegue ver a face do Senhor neste ponto do caminho, mas sabe que Ele está ali; e por isso continua.
Melhor ainda, deixem-me colocá-lo assim. Se vocês querem ser realmente felizes e abençoados, se querem experimentar verda¬deira alegria como cristãos, aqui está a receita:' "Bem-aventurados (felizes) os que têm fome e sede de justiça" — não de felicidade. Não saiam em busca de emoções; busquem a justiça. Voltem-se para si mesmos, voltem-se para suas emoções, e digam: "Eu não tenho tempo para me preocupar com emoções, estou interessado em outra coisa. Quero ser feliz, mas mais do que isso, quero ser justo, quero ser santo. Quero ser como o meu Senhor, quero viver neste mundo como Ele viveu, quero andar aqui como Ele andou".
Vocês estão neste mundo, diz João era sua primeira epístola, assim como Ele esteve. Tenham como alvo a justiça," e a santidade, e certamente ao fazer isso serão abençoados, e terão a felicidade que desejam. Busquem a felicidade, e nunca a encontrarão; busquem a justiça, e descobrirão que são felizes — a felicidade estará lá, quase sem vocês saberem, sem mesmo buscarem por ela.

Finalmente, deixem-me colocá-lo desta maneira: "Vocês querem conhecer alegria suprema, querem experimentar uma felicidade que desafia descrição? Há somente uma coisa a fazer, buscar o Senhor Jesus Cristo, realmente, buscar a Ele somente, voltar-se apenas para Ele. Se se acharem com sentimentos de depressão, não fiquem num canto sentindo pena de si mesmos; não tentem forçar alguma emoção, mas — e esta é a simples essência da questão — vão diretamente a Ele, busquem Sua face, assim como a criança que se sente infeliz e miserável porque alguém quebrou seu brinquedo corre para seu pai ou sua mãe. Então, se se acharem nas garras deste problema, há somente uma coisa a fazer, e é irem a Ele. Se buscarem o Senhor Jesus Cristo e O encontrarem, não precisarão mais se preocupar com sua felicidade e alegria. Ele é nossa alegria e felicidade, assim como Ele é nossa paz. Ele é vida, Ele é tudo. Então fujam dos estímulos e das tentações de Satanás para dar essa importância central às emoções. Ponham no centro o Único que tem o direito de estar ali, o Senhor da glória, que tanto amou a vocês que foi à cruz e levou sobre Si o castigo e a vergonha dos seus pecados, e morreu por vocês. Busquem a Ele, busquem a Sua face, e todas as demais coisas lhes serão acrescentadas.

Crer é também agir


Por Marcelo Berti
Em 1972 em Londres, John Stott lançava um pequeno livro que foi referência para o cristianismo de sua época: “Your Mind Matters” que ficou conhecido em português como “Crer é também pensar”, publicado seis anos mais tarde no Brasil. Nesse livreto Stott escreveu sobre a expressa dicotomia existente entre a Fé e a Razão visando demonstrar que não são mutuamente-excludentes, mas mutuamente necessárias no exercício da fé cristã. Provavelmente o que moveu Stott a escrever esse livro foi o avanço da ideologia de que a fé cristã é uma expressão de uma crendice infundada e que não se pode explicar, e não uma Fé que Pensa e Conhece.

Essa foi a marca fundamental desse livreto, mas muitos dos seus leitores provavelmente se esqueceram do modo como o autor encerra seu livro: Ele nos convida a evitar o intelectualismo estéril da fé. Uma das grandes decepções do intelectualismo da fé é sua capacidade de conduzir cristãos à reflexão inerte, que nada faz. Esse modo de viver a fé de nada adianta: A Fé ensinada pelas Escrituras implica em ação.

Em Romanos 1.5, Paulo demonstra isso ao usar uma expressão muito interessante: “por quem [Jesus Cristo] recebemos a graça e a missão de pregar para louvor do seu nome, a obediência da fé entre todas as nações” (BJ). Essa pequena expressão é de altíssima significância:

Em primeiro lugar ela nos demonstra que a obediência da fé era o conteúdo da missão dos apóstolos. Observe que a expressão “missão de pregar” foi traduzida em outras versões (ARA, NVI) por “apostolado” em referência ao ministério de Paulo. Ou seja, por intermédio de Jesus Cristo Paulo pregava a obediência da fé entre os gentios: “Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência” (Rm.15.18; cf. Rm.10.3, 16).

Em segundo lugar ela nos ensina que para Paulo a aceitação da mensagem de Cristo é entendida como um ato de obediência à Vontade de Deus (cf. Jo.6.40). Ou seja, exercer fé (crer) para Paulo estava relacionado a uma postura prática de submissão a Deus, o que implica no abandono das vontades pessoais, a submissão às vontades do pecado e a completa sujeição ao Senhorio de Deus: “uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm.6.18); “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm.6.22).

Em terceiro lugar ela nos ensina a pensar na fé como um ato essencialmente prático. É bem verdade que a fé é fundamentada não na sabedoria humana, mas no poder de Deus (1Co.2.5) que é oferecida graciosamente por Deus como um presente imerecido (Ef.2.8), mas é recebida por aqueles que “glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo” (2Co.9.13).

Portanto, temos que nos lembrar constantemente da funcionalidade da nossa fé em submissão ao nosso Deus, na realização de Sua vontade em uma vida em conformidade com Seu caráter. Não podemos ter a fé somente como um conjunto de informações sobre nossa religiosidade (credo): A Fé que recebemos nos conduz a uma vida de boas obras, que o Próprio Deus preparou para realizarmos (Ef.2.10).

Que sejamos assim: homens e mulheres cheios de fé que conduzem muitas pessoas à obediência da fé em Cristo Jesus (At.11.24).

Campanha de evangelismo mostra um “Jesus tatuador”



jesus-tatuado-274x200  Segundo a Bíblia, Jesus veio ao mundo para mudar o coração das pessoas, não sua pele. Uma campanha divulgada na internet decidiu dar uma perspectiva diferente à história milenar com elementos modernos. O foco é o público jovem, embora não se restrinja a eles.
O site jesustattoo.org colocou alguns outdoors em cidades do Texas apresentando a imagem de um Jesus com uma coroa de espinhos, mas o diferencial é que sua pele mostra tatuagens com as palavras “excluído”, “viciado”, “invejoso”, “infiel”, entre outros adjetivos que dificilmente seriam associado a ele.
Ao visitar o site, é possível ver um vídeo no qual um tatuador que lembra a imagem clássica de Jesus vai para o trabalho em um porão/estúdio. Ali, recebe diferentes pessoas que revelam com clara vergonha suas tatuagens escondidas. São palavras como “deprimido”, “viciada”, “inútil” e “excluído”.
O “Jesus tatuador” começa a trabalhar, substituindo todas pelo seu oposto. “Deprimido” se torna “contentamento”, por exemplo. As pessoas deixam mais leve, mais feliz, mais incentivado. No final, Jesus mostrar cansaço, baixa a cabeça aparentando suportar uma carga emocional pesada. A cena final pode chocar muitas pessoas, mas trás a mensagem que revela a verdadeira mensagem do filme.
 No jesustattoo.org há uma mensagem: “Nós somos uma igreja. Não estamos vendendo nada… Encorajamos que você divulgue isso para tantas pessoas quanto puder”. Também apresenta perguntas para “reflexão”: “Quem é ele? Quem sou eu? Quem é o meu próximo?” Há testemunhos em vídeo de outras pessoas cujas vidas foram mudadas por Jesus. Também oferece um formulário que o visitante pode preencher, dando seus contatos por e-mail ou telefone. Existe a promessa que os interessados serão contatados para “saber mais”.
O site Bible Portal afirma que a iniciativa tem sido aprovada pelos pastores do Texas, até agora o único lugar onde os outdoors foram colocados. Também revela que não conseguiu contatar os idealizadores da campanha, que aparentemente preferem não se identificar. Com informações de Christian Post.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

OS PERIGOS NO MAU USO DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

Por Fabio Campos

Há uma vanglória por parte de alguns a despeito da “Doutrina da Predestinação” muito perigosa e nociva à mensagem das “Boas-Novas” em Cristo, O Salvador. Alguns pregadores focam na “eleição”, mas esquecem da “justificação”. A doutrina da predestinação é bíblica, e seu tema encontra-se com contundência em várias passagens das Escrituras sem precisar de muito esforço exegético para o entendimento (At 4.28; Rm 8.29,30; 9.11-13; Ef 1.4-6).

A questão é como pregar e expor estes textos. Precisamos ter discernimento! Não sabemos que são os “escolhidos” de Deus, e sem a justificação das boas novas, a reprovação fará o ouvinte olhar para si ao invés de olhar para o Salvador. Charles Spurgeon na sua refutação contra o hipercalvinismo disse:

 “Sou calvinista, gosto do que alguém chamou ‘calvinismo glorioso’, mas ‘hiperismo’ é quente demais para o meu paladar” [1].

A doutrina da predestinação é o baluarte do crente em meio a dificuldades e tentações, lembrando-o constantemente que sua salvação pertence a Cristo que o escolheu e não na da força de seu braço. Este é o contexto que ela deve ser apresentada. Não há como pregar o evangelho por meio da predestinação sem antes falar da graça de Deus disponível a todos os homens [sem entrar no mérito do chamado eficaz e o chamado externo]. Para alguns pregadores a proclamação do evangelho é unicamente o meio para juntar os eleitos de Deus. Uma pregação sem misericórdia e desprovida da graça de salvadora de Deus-Pai.

Precisamos ter outra abordagem para com os de fora. A ministração com a pressuposição de que nossa pregação deve alcançar os “pecadores eleitos” se tornará tendenciosa conspirando aos nossos conceitos e estado de “humor”.  Certa vez perguntaram para Spurgeon “como é possível oferecer aos pecadores uma salvação que Cristo não realizou a favor deles”? Iain Murray no seu livro “Spugeon versus hipercalvinismo”, conta que ele pôs de lado essa questão como sendo uma coisa que Deus não quis explicar. Para ele era suficiente saber que o próprio Cristo Se oferece a todos; que o evangelho é para “toda criatura”, que todos os que vierem a Ele serão salvos, e que todos o que rejeitarem estão sem escusa. Ele disse que uma proclamação universal da boa notícia, das boas novas, com uma garantia para toda criatura, está no cerne do seu entendimento das Escrituras. Em acréscimo à argumentação bíblica segundo a qual os convites do evangelho não devem limitar-se aos que possuem certas experiências, Surpegeon adicionou o argumento de que tal limitação está sujeita a confundir almas necessitadas e a pô-las em perigo com uma forma de legalismo.

Spurgeon disse que os homens mais penitentes são os que se consideram os mais impenitentes. Uma exposição da predestinação sem a justificação para os incrédulos é joga-los no inferno com a probabilidade de que Deus já tenha reservado uma morada no céu a eles. O príncipe dos pregadores prossegue neste argumento:

“Se começássemos a pregar aos pecadores que eles precisam ter certo senso de pecado e certa medida de convicção, esse ensino faria com que o pecador fugisse de Deus em Cristo para si mesmo. O homem começaria logo a indagar: ‘Teria eu coração partido, estaria abatido’? Essa é apenas outra forma da pessoa olhar para si mesma. O homem não deve examinar a si mesmo para encontrar motivos para a graça de Deus” [2]

A capacidade de crer pertence unicamente aos eleitos por revelação do Espírito de Deus, e isto tem um tempo determinado; “há tempo para todo proposito debaixo do sol”. Por isso, o pregador que quer chamar seus ouvintes ao imediato arrependimento e fé, tendo isto por base para saber se o mesmo é um predestinado ou não, estará negando tanto a depravação humana como a Soberania de Deus. Um erro grave possa ser cometido neste contexto: “Predestinar um Judas Iscariotes e reprovar um ladrão arrependido nos últimos minutos de sua vida”.
A respeito da soberania de Deus e da responsabilidade humana, Spurgeon, introduziu seu assunto com estas palavras:

“O sistema da verdade não é uma linha reta, mas duas. Nenhum homem chegará a ter uma correta visão do evangelho enquanto não souber ver as duas linhas ao mesmo tempo... Ora, se eu declarasse que o homem é tão livre para agir que não há presidência nenhuma de Deus sobre suas ações, eu seria levado para muito perto do ateísmo; e se, por outro lado, eu declarasse que Deus governa de tal modo todas as coisas que o homem não é livre para ser responsável, eu seria levado direto para o antinomianismo ou para o fatalismo. Que Deus predestina e que o homem é responsável são duas coisas que poucos conseguem enxergar. Estas verdades são tidas como incongruentes e contraditórias; contudo não são. É defeito do nosso fraco julgamento... é minha tontice que me leva a imaginar que duas verdades podem, alguma vez, contradizer-se uma a outra”. [3]

A Soberania de Deus não contradiz o seu caráter. Os homens sem ao menos entender a “doutrina da predestinação” imaginam um Deus severo, zangado e feroz, muito facilmente levado à ira, mas não tão facilmente induzido ao amor. O puritano John Owen sempre aconselhava:

“Não enredemos o nosso espírito limitando a Sua graça... Somos aptos a pensar que estamos sempre dispostos a ter perdão, mas que Deus não Se dispõe a concedê-lo”. [4]

O reformador João Calvino, nas últimas edições das Institutas, mudou o seu tratamento da eleição para fazê-lo seguir-se ao ensino da justificação. Ele dizia que quando a eleição é consequentemente introduzida como preliminar em relação a fazer ouvir o evangelho, inevitavelmente será como se fosse designada para limitar ou obstruir a salvação dos homens e das mulheres.

Inain Murray no mesmo livro disse “a conclusão final só pode ser que quando o calvinismo deixa ser evangelístico, quando se torna mais preocupado com a teoria do que com a salvação dos homens e das mulheres, quando a aceitação de doutrinas parece tornar-se mais importante do que a aceitação de Cristo, ele passa a ser, então, um sistema falido e invariavelmente vai perdendo seu poder de atração” [5]

Precisamos chorar pelos perdidos ao invés de ostentar nossa eleição a eles. O sentimento de Cristo a vista de Jerusalém, o de Paulo para com os seus compatriotas e o de Moisés para com o seu povo, este choro e lamento, por aqueles que vão rejeitando a graça rumo ao inferno. A doutrina da predestinação é bíblica e uma segurança para o crente; mas quando contemplamos pessoas que amamos fora do aprisco do “Bom Pastor”, o desespero bate em nossa porta. Isso é um bom sinal! Do contrário seria preocupante.  

Que Deus nos dê graça para sermos mais prudentes ao expor essa doutrina tão preciosa dada a nós. Não sejamos inconsequentes ostentando “o saber” atribulando aqueles que ainda não foram iluminados no seu entendimento a respeito da sua salvação.

Fica a frase do reformador inglês John Bradford para o nosso aprendizado:

“Que o homem vá primeiro à escola secundária da fé e do arrependimento, antes de ir à universidade da eleição e da predestinação” [6].

Tudo que importa é crer em Cristo?


Por Josemar Bessa

Em um mundo como o nosso é comum as pessoas acreditarem que tudo o que importa é crer em Jesus, em Deus... mesmo que você mesmo tenha concebido o que eles são.

Na verdade hoje só temos dois tipos de pessoas, aqueles que imaginam o que Jesus era, dizia... e aqueles que realmente sabem alguma coisa sobre Jesus.

Mas o fato é que só há um Jesus real. Você não o concebe, suas ideias não o formam... O único Jesus que vale a pena ouvir, meditar... é o Jesus que encontramos nos evangelhos. E nos evangelhos há uma riqueza de material histórico sobre Jesus. Não há nenhuma desculpar para pessoas que se dizem cristãs conceberem e forjarem em suas mentes quem Jesus é ou devia ser. Só há valor em falar sobre Jesus, se esse for o Jesus dos evangelhos. Se não for assim, não importa o quão comovente, não importa o quão encorajador, não importa o quão amável, o quão suave, o quão popular seja; o “Jesus” forjado na mente humana não passa de um terrível ídolo. A ordem para isso é: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos!” – 1 João 5.21. 

Ou seja, não importando quão “bom” possa parecer, jamais aceite um Jesus diferente do Jesus do Novo Testamento: “Quisera eu me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda. Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” - 2 Coríntios 11:1-4

Não há diferença entre o Deus do Velho Testamento e o Deus do Novo Testamento, só existe um único Deus Eterno. Cristo afirmou a origem divina, a veracidade inerrante e a autoridade do Velho Testamento (Mt 4.1-10). Em nenhum lugar Jesus sugere que partes do Velho Testamento eram falsas, sem inspiração, impreciso ou não histórico. Que o Deus o Velho Testamento era duro, um Deus irado, intolerante... e que o do Novo Testamento era outro Deus. Ele mesmo, Cristo, é Deus por toda eternidade, e o Pai, o Espírito... ou seja, a Trindade eterna.

Portanto, a primeira vez que Jesus diz “Deus”, significa o mesmo Deus revelado em TODO o Antigo Testamento. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus da Criação, o Deus do Dilúvio, o Deus que destruiu Sodoma e Gomorra, o Deus do Êxodo e da Conquista da terra de Canaã, o Deus do cativeiro e do retorno... O Deus dos sacrifícios sangrentos no Tabernáculo. O Deus de Moisés, o Deus que revelou a Lei, o Deus de Davi, Salomão, Isaías... Malaquias. Isso e esse é Deus! A ideia de propor, aceitar ou defender um outro deus... mas de acordo com o pensamento da sociedade e cultura atual..., teria horrorizado completamente o Jesus real.

O Jesus que encontramos no Novo Testamento é a Palavra viva de Deus (João 1.1. 14), veio a terra para expor Deus (João 1.18). O Jesus real alegou um intimidade ímpar com o Deus Pai (Ma 11.27; João 5.17, 19-20; 7.29; 8.55).

A preocupação de Jesus nunca foi sobre como os pecadores concebem Deus, mas sobre como Deus concebe a si próprio – quer isso seja ofensivo ou não ao homem – e que é esse auto-conceito que Ele veio para declarar: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” - João 1:18

É por isso que Jesus nunca chamou alguém para abraçar suas próprias noções de Deus. Em vez disso Ele chama, ordena de fato, o homem a se arrepender de suas noções de Deus, e abraçar o conhecimento revelado do próprio Deus (Mateus 4.17; João 21-26).

Esta verdade tem muitas implicações, mas olhemos apenas duas.

A primeira é – devemos enfrentar a questão crucial se estamos adorando um deus de fantasia criado por nossos próprios corações, em nossos próprios termos, ou estamos adorando o Deus vivo e verdadeiro que se revelou em Seus próprios termos.

A segunda é para todos os que ensinam e pregam. Você está sendo tão cristalino e dogmático com Jesus foi neste mundo? E para responder isso, não basta alguém dizer no que crê sobre Deus, se é correto e dogmático, mas se você está proclamando para todos essa revelação como absoluta e inquestionável.

Se fingimos que tudo que Deus, Jesus deixou claro não é claro para com isso não nos comprometermos ao proclamar, estamos representando a nós mesmos e não a Cristo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

COLOCANDO DEUS NA CAIXINHA



caixa_catavento
Por Zilton Alencar
Sou um insistente. Um causador de problemas, um questionador das coisas que acontecem nas Igrejas, principalmente as neopentecostais ― ou mesmo fora delas, nos “cultos nas casas”, nos montes, nas vigílias ou nas reuniões diversas ― comparando todos os acontecimentos, ensinos e fenômenos à luz das Escrituras. Como crente reformado, creio no princípio do Sola Scriptura, creio que a fé e a vida cristã são regidas pela Bíblia. Faço parte de um grupo conhecido como “os crentes de Bereia”, que submetem todas as ciosas, quer doutrinárias que os costumes, ao crivo da Bíblia, como faziam os irmãos da região de Bereia (At 17:11) mesmo diante das palavras e ensinos de Paulo apóstolo.
A versão moderna dos bereianos são constantemente acusados de “colocar Deus em uma caixinha”, de limitar o Seu poder e Sua forma de agir na Igreja. Afinal, Deus pode fazer tudo, como Ele quiser! Embora a Bíblia afirme que Ele age com ordem e decência, os não-bereianos afirmam que Ele faz o que quer, como quer, inclusive sem ordem e decência!
Não há teólogo, ou crente reformado, ou mesmo neopentecostal, que tenha o poder de colocar Deus em caixas. Até mesmo os neopentecostais, quando afirmam que esta será a “segunda-feira da prosperidade financeira”, não pode limitar o poder de Deus apenas a agir na vida financeira das pessoas nas segundas-feiras! Logo, não são somente os “Reformados” que tentam limitar Deus, mas também aqueles que fazem uma verdadeira “escala” de cultos, dizendo que na Igreja Deus vai fazer isso na segunda, aquilo na terça e aquiloutro na quarta!
A única coisa que limita Deus é a Escritura. E foi Ele mesmo Quem a inspirou, e a deixou para nossas gerações, para que compreendamos a Sua Pessoa, e entendamos como Ele age em nosso meio! Deixou escrito, para que não pudéssemos nos enganar! O homem não limita Deus, pois não tem poder para isto; o próprio Deus limita Sua ação entre os homens, pela Escritura, e por amor de nós!
Não foi por acaso que Deus inspirou e preservou as Escrituras. O livro mais amado e o mais odiado de nosso planeta precisou da Mão divina para que chegasse até nós, tendo em vista a multidão de seus inimigos que no decorrer da História tentaram aniquilá-la e arrebatá-la da mão do crente fiel. Lamentavelmente, até mesmo em arraiais “cristãos” a mesma é sistematicamente desmoralizada, e seu estudo é desestimulado, suas porções são ridicularizadas.
Entretanto, creio eu na Palavra de Deus!! Ela é inspirada por Deus, infalível, inerrante. É a revelação escrita que Ele nos deixou acerca das coisas que Ele mesmo revelou de Si. Nela, está contida toda a revelação necessária para conhecê-lO e, por meio deste conhecimento, encontrar a salvação.
A expressão “Palavra de Deus” é usada em dois sentidos na Bíblia: [1] os escritos sagrados, tanto os do Antigo como os do Novo Testamentos, [2] e a própria pessoa de Jesus. No Antigo Testamento, a Palavra de Deus foi escrita apontando para Jesus, a Palavra de Deus (Verbo) que se faria carne e habitaria entre nós. Em outras palavras, as Escrituras são a Palavra de Deus escrita, revelada ao homem; Jesus é a Palavra de Deus feita carne, cumprindo toda a Escritura da Velha Aliança e anunciando, em Si mesmo, a Nova Aliança.
Para que possamos entender como Deus se limita a Si mesmo pelas Escrituras, quero que você pense nEle agora. Em Jesus Cristo, Filho de Deus, que Se fez carne e habitou entre nós. Mas não peço que pense nEle no formato que comumente O imaginamos. Não O imagine ensinando sentado em um barquinho, ou à mesa ceando com Seus discípulos, nem na cruz agonizando por nós, nem subindo aos céus na Sua ascensão nem sentado à destra do Pai. Quero que pense nele com dias de nascido… Alguma vez você já tentou imaginá-lO desta forma?
Quero que imagine o Criador, o Eterno, Aquele que a Escritura revela que por meio dEle tudo o que existe foi feito, e sem Ele nada foi criado, nos primeiros meses de vida. Completamente dependente. O Rei do Universo chorando, aos berros, enquanto sua mãe acorda e expõe-lhe o seio, para que Ele possa se alimentar. Quero que pense no Deus Todo Poderoso dependendo de seu pai ou mãe para ter sua fralda trocada.
Sinceramente: você já tinha pensado em Jesus desta forma? O Deus Todo Poderoso, que Se fez carne em Jesus, e passou a ser completamente limitado, sujeito às leis da criação, dependente do alimento e dos cuidados do homem? Me desculpe as palavras que uso, mas você já tinha pensado que Ele, Eterno Criador, precisou das mãos de sua mãe para se livrar de uma fralda cheia de xixi e cocô??
Por amor de nós Ele se limitou! Por muito nos amar, submeteu-se às leis físicas. Chorou, teve fome, sede, sentiu dor. Limitou-se à “caixinha” da carne, e humilhou-se até a morte, e morte de cruz! Um dia, extenuado desta limitação, Ele exclamou em desabafo: “Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda?” (Mc 9:19). Igualmente, por amor de nós, para que não sejamos enganados pelos falsos profetas e falsos cristos, Ele continua limitando-Se à Sua Palavra! Não é que Ele NÃO PODE fazer o que quer; Ele NÃO FAZ por amor de nós!!
Não me imagine como um chato, que insiste em colocar Deus em uma caixinha e limitar Seu poder… De jeito nenhum!! Nem eu, e nenhuma outra criatura neste Universo, por mais poder que possua, tem o poder de limitar o Eterno Senhor Todo Poderoso, exceto Ele mesmo! E Ele o fez.. Limitou-se às Escrituras, por amor a mim, e a você!

A Catedral depois da tormenta



BANDA_CATEDRAL
Por Marcos Almeida

Veja como a verdade pode envergar qualquer palavra sensacionalista. Quando o showbiz se esfarela diante do humano, extremamente humano.

Fiquei emocionado com o vídeo gravado pela Catedral. Doze anos depois, talvez sejam essas as palavras mais aguardadas por eles e por todos os que admiram a banda – que se indignaram com as mentiras, os boatos e os mitos maldosos que se reproduziram nesse tempo. Ainda mais, para nós que fazemos música neste país sem nos submetermos a regras de mercado, ignorando polaridades, interessados apenas na liberdade de criar, as palavras de Joaquim, Guilherme e Júlio Cézar, revelam a humanidade preciosa e mais importante que qualquer artefato. Me emocionei com o fim da tormenta deles. “Doeu muito”, disse Kim. Vocês vão assistir.
O que pode essa língua? Foi a pergunta do último texto aqui do Blog. Estou comemorando esse vídeo porque ele representa o poder das palavras no sentido de reconstruir as coisas, de inspirar a reconciliação, de provocar o perdão. Àqueles que foram na onda das inverdades, se abre agora a porta da retratação. Aos que demonizaram a banda no bolo dos preconceitos e dos gostos pessoais, podem agora distinguir a Verdade da Beleza. Podem também sentir o Bem que chega como uma brisa suave depois da tormenta.
Faço um pedido a Ricardo Alexandre, o editor da infeliz matéria (2001), que vá além do texto-confissão (2013) e procure Catedral, como irmão em Cristo. Desejo que as vaidades do showbiz sejam abatidas pelas armas poderosas que temos Naquele que é a Verdade e a Reconciliação. Afinal, a tormenta já passou….

Reality show dos ricos e famosos do Evangelho na Oxygen network



por Lya Alves
A Oxigen Network lançou no dia 9 de outubro, o primeiro episódio de “Preachers o f L.A.”, documentário sobre mega-pastores como o Bispo Noel Jones , Deitrick Haddon , Bispo Clarence McClendon , Pastor Wayne Chaney, Bispo Ron Gibson e Pastor Jay Haizlip e como eles navegam em riquezas, resgate e o ridículo. Muito ridículo, diga-se de passagem.
Ao invés de colocar a ênfase em Jesus Cristo e na Sua obra redentora na cruz, os pastores colocam os holofotes sobre si mesmos e sua própria fama e provocam a congregação, dizendo que quem tem fé suficiente pode fazer obras suficientes (ganhar muito dinheiro, viver luxuosamente, etc), e portanto podem ser como seu pastor milionário. Este não é o evangelho senão o Evangelho de Mamom, cuja falsa doutrina é baseada em obras, dinheiro e poder. Mas esta história você já conhece bem.
Quanto tempo leva para isto chegar aqui? Não me refiro a documentários, mas ao reality show dos ricos e famosos pregadores da Barra da Tijuca. Já não basta copiarmos a teologia da prosperidade e abrirmos mão da nossa cultura pra copiar canções da Hillsong e Jesus Culture? Não deve demorar muito pra copiarmos isto também. Já não temos o suficiente do show da fé dos dos pastores da prosperidade?  Acho que para o ego inflado dos mega pastores nunca é o suficiente, e a desculpa é sempre a mesma: vamos alcançar pessoas. É verdade, mas para que?
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” - Mateus 23:15
Assita ao Trailer a partir de 1:10 começa a ficar “quente”, um mega pastor se compara a P-DAddy e a Jay-Z , dizendo que eles não são os únicos que podem dirigir ferraris e comprar mansões.  Sorry, preacher… você não entendeu nada. Jesus não morreu para você comprar mansões, Ele queria te dar o Reino dos Céus.
Herege  sempre,
Lya Alves

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Será mesmo que Deus ama e deseja a salvação de todos?


Heitor Alves
Se fizermos esta pergunta para todos o evangélicos, a maioria esmagadora responderiam afirmativamente. São vários os motivos para se responder positivamente a pergunta. Existe um sentimento de que o homem é bom e que não merece ser castigado. O interessante é que querem que Deus sinta este mesmo sentimento quando o assunto é condenação. Deus não pode condenar o homem e nem quer fazer isso. O homem tem valor. Ele é bom, não é tão mau a ponto de merecer o inferno.
Este sentimento tem penetrado nas igrejas evangélicas, distorcendo a teologia bíblica. A teologia predominante nos púlpitos é uma teologia humanista, uma teologia agradável ao homem. Se ouve, domingo após domingo, assuntos relacionados ao existencialismo, onde colocam Deus como um super-herói preparado para enfrentar as dificuldades que o homem venha a sofrer. Se Deus procura "evitar" que o homem sofra nesta vida, muito mais Ele fará na alma do homem. Por isso, vemos aquela doutrina satânica de que Deus deseja e quer a salvação de todos os homens!
Esse é o resultado prático de um cristianismo que jogou no lixo as Sagradas Escrituras. Estão pisando na Palavra de Deus. Rasgando suas páginas e jogando-as nas fogueiras de uma "inquisição" construída para não abalar a credibilidade e não desvalorizar o homem. E de que modo é praticada esta moderna "inquisição"? Não é mais com fogueiras literais ou confisco de bens, ou até mesmo de perda da liberdade. Mas esta moderna forma de "inquisição" é praticada quando é negada a autoridade absoluta e suprema das Escrituras sobre a igreja, e se busca novas revelações extrabíblicas, tratando-as como suprema autoridade.
Por isso encontramos uma grande hostilidade quando vamos expor o que de fato as Escrituras afirmam sobre os assuntos abandonados pelos evangélicos atuais, dentre eles o assuntos sobre a expiação limitada.
Deixando de lado todas as emoções ou humanismo, vamos expor aquilo que a Bíblia fala a respeito do desejo de Deus com respeito a salvação do homem. Afinal de contas, Deus quer a salvação de toda a humanidade?
Todos os arminianos, sem exceção, ao começarem uma discussão a respeito do amor de Deus, lembram logo de João 3.16. “Deus amou o mundo”! Todos são alvos do amor de Deus! É injusto lembrarmos apenas do verso 16. Por que não citar até o verso 21?
16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras.
21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.
O texto não diz que Deus ama todos os homens. Jesus está dizendo que o amor de Deus não se estende apenas aos judeus de sua época, mas o seu amor alcança pessoas além dos limites da Judéia. O seu amor se estende também aos gentios. Interessante que os arminianos não conseguem enxergar que o alvo do amor de Deus são aqueles que crêem em Jesus Cristo, e somente eles. Veja que o verso 18 decreta a condenação daqueles que não crêem "porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". Deus não pode amar aquele que se mantém rebelde contra Jesus. O amor de Deus não está nele, e sim a sua ira: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36).
O curioso do ensinamento arminiano é que a teologia arminiana diz uma coisa e a bíblia diz outra. Por exemplo: se Deus ama a todos indiscriminadamente (como afirmam os arminianos) a lógica é Cristo orar e desejar a salvação de todos! Mas ele não deseja isso. Podemos notar isso na oração que ele faz em João 17. Cristo ora para que Deus conceda a vida eterna para um grupo seleto de pessoas: "Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste" (Jo 17.6-8). Em seguida, Cristo fulmina os arminianos com as seguintes palavras: "É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus" (v.9). Por todo o capítulo 17, Cristo repete sempre as mesmas palavras "aqueles que tu me deste", "homens que me deste do mundo".
Eu não posso acreditar que há um desentendimento entre o Pai e o Filho. Não posso acreditar numa confusão na Trindade! Deus desejando salvar a todos, mas o Filho orando por alguns. O próprio Jesus afirmou que Ele veio fazer a vontade do Pai, esta é a sua comida (Jo 4.34). Deus não ama a todos e não quer a salvação de todos!
Para encerrar, tenho mais uma prova de que Deus não deseja a salvação de todos. A prova está em Mateus 11.20-24.
20 Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
23 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
24 Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
Cristo passa a condenar as cidades que tiveram a oportunidade de presenciar a pregação do evangelho (que naquela época era acompanhada da operação de milagres que testificavam da pregação). Corazim, Betsaida e Cafarnaum foram as cidades onde Cristo pregou o evangelho e mesmo assim estas cidades não se converteram. A partir daí, Cristo nos revela algo que nos incomoda: ele começa a “passar na cara” destas cidades que se ele tivesse pregado (e operado milagres) nas cidades de Tiro, Sidom e Sodoma, elas teriam se arrependido “com pano de saco e cinza” e permanecido “até ao dia de hoje”.
Se Cristo sabia que essas cidades iriam se arrepender com sua pregação, então, porque ele não foi até elas? Porque Cristo abriu mão dessas cidades, sabendo que os seus habitantes seriam convertidos e ingressados no reino dos céus? Deus não ama a todos? Então porque Deus deixou de fora dos céus os homens, as mulheres, os idosos, as crianças, os jovens e os adolescentes de Tiro, Sidom e Sodoma? Não foi o próprio Jesus quem afirmou: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10)? Porque Deus evitaria causar uma grande festa no céu por ocasião de três cidades arrependidas? Deus não ama a todos?
Isso me faz lembrar um outro texto: Isaías 6.9-13:
9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.
10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.
11 Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada,
12 e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.
13 Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.
Deus envia Isaías para pregar a um povo que não se arrependerá. Não se arrependerá porque Deus tornará insensível o coração desse povo. Não se arrependerá porque Deus endurecerá os ouvidos. Não se arrependerá porque fechará os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo”.
Somente os eleitos de Deus são os alvos do amor salvífico de Deus. Somente os seus eleitos experimentarão a graça de serem participantes do seu reino.
Não cabe a nós imaginarmos quem é o alvo do amor de Deus e quem não é. Não temos esse poder. Não podemos deixar de pregar o evangelho a alguém achando que esse alguém não faça parte dos eleitos. Resta-nos pregar o evangelho ao máximo de pessoas possíveis, sem fazer distinção. Precisamos olhar para as pessoas como um “eleito” em potencial. Todos os homens são passíveis de receberem a Cristo de bom grado e de coração. Por isso precisamos pregar o evangelho a toda criatura. A pregação do evangelho a todos não garante salvação. Precisamos ser o agricultor que joga as sementes em vários tipos de solos; mas isso não garante que todos os solos receberão as sementes e se transformarão em belas plantas e árvores. Deus mesmo fará com que as sementes da Sua palavra caia em corações que Ele mesmo preparou para recebê-las.
Devemos cumprir com nossa obrigação de pregar o evangelho a todos. Inclusive aos nossos parentes. Não sabemos o que Deus planejou para a vida de cada um deles. Não sei o destino eterno da minha esposa, do meu filho, do meu marido, do meu irmão, do meu pai, da minha mãe... Não cabe a mim fazer conjecturas. Cabe a mim pregar o evangelho e orar a Deus e entregar a alma do meu parente nas mãos de Deus.
O próprio Espírito de Deus acalmará nossa ansiedade, acalmará nosso espírito, se estivermos com dúvidas a respeito daquele parente que faleceu. Por mais que seja triste e dolorosa a partida de um ente querido que morreu sem Cristo, Deus mesmo nos dará o consolo necessário e suficiente para nossa dor. A nossa postura diante de Deus deve ser uma postura de honra, louvor, adoração, de submissão, de entrega total de nossas vidas a Ele, reconhecendo que Ele pode fazer o que bem entender com suas criaturas.
Soli Deo Gloria!

O Deus Ausente


Por Augustus Nicodemus Lopes


Texto: Salmo 88
Esse salmo termina com as palavras “trevas”. É o único salmo de lamento que não termina com um final feliz. Os outros salmos de lamento costumam começar tristes, mas sempre há uma virada no final. O tom sempre muda do desespero para alegria e esperança. Neste salmo, por outro lado, existe uma dor constante no salmista. É como se Deus estivesse ausente ou mouco ao seu clamor. Uma das razões por qual este salmo foi incluído no Canon é para sabermos que, o que aconteceu com este homem de Deus vai acontecer conosco também. Há muitos irmãos e irmãs em cristo que sofrem na vida, e muito. Filhos com problemas, doenças graves e incuráveis, dificuldades financeiras. Como Emã lidou com o sofrimento? Olhar para isso vai nos ajudar quando o sofrimento chegar.
Emã era um homem sábio e que causava respeito nos demais, mas isso não impediu que ele passasse por sofrimentos deste a mocidade. Isso era algo que o acompanhava quase toda a sua vida. Era algo que fazia com que ele sentisse que o fim dele estava próximo. Ele esperava morrer a qualquer momento. Ele fala do abandono dos amigos, da exclusão social. Ele diz que a única companhia que ele tinha era as trevas.
Ele diz que está sofrendo como quem tem dor nos ossos. Ele fala de seu sofrimento como algo que lhe dá a perspectiva de morrer em breve.
Emã pede que Deus o ouça (v. 1-2)
O sofrimento teve em Emã o efeito contrário do que tem em muitas pessoas. Ao invés de fazê-lo parar de orar, leva ele a orar mais. Ele quer que a oração dele chegue à presença de Deus. Parece que o sofrimento maior dele estava na ausência da presença de Deus. Os puritanos falavam disto como “a noite escura da alma”. O silencio de Deus durante o sofrimento torna o sofrimento pior ainda.
Emã descreve seu sofrimento a Deus (v. 3-5)
A palavra “farto”, usada por Emã, traz a ideia de farto de comida, como alguém que comeu tanto que não consegue mais nem olhar para a comida para não explodir, tem a ideia de que ele não aguenta mais sofrer. Ele chegou ao seu limite. Ele se sente como um soldado ferido que era lançado junto dos mortos na batalha, pois iria perecer em pouco tempo.
Emã diz que foi Deus quem fez isso com ele (v. 6-9)
No meio do sofrimento, ele se volta para Deus e diz: “eu sei que foi o Senhor que fez isso”. Para um judeu crente, o Deus de Israel era o Deus que tinha governo sobre todas as coisas. Um judeu não teria problema nenhum em dizer que seu sofrimento vem da parte do próprio Deus. Essa é uma passagem importante em nosso país, pois rouba de nós o conforto de saber que é Deus quem nos dá o sofrimento. Que conforto há em achar que é o diabo quem nos causa os males? O sofrimento nos é causado por aquele que é o bom Pai sobre nossas vidas. Saber que Deus está por traz de tudo o que nos toca, ao invés de nos abater, nos dá conforto. Se é ele quem nos faz entrar, é ele quem nos faz sair.
Emã argumenta com Deus (v. 10-12)
Ele começa a questionar os motivos de Deus fazer tudo aquilo com ele. Ele diz que, se morrer, como ele louvaria a Deus nesta terra? Como ele seria pregador da bondade aqui na terra? Se ele morresse, Deus perderia uma testemunha dele nesta terra. Você teria um argumento deste tipo com Deus? Se você dissesse: “Deus, se eu morrer, o Senhor vai perder tal coisa”, Deus responderia: “nem faz diferença”?
Recapitulação de tudo (v. 13-18)
Ele fala novamente da oração. Quanto mais ele sofre, mais ele ora. Ele fala novamente da consciência da ausência de Deus. É Deus ocultar o rosto que mais dói em Emã. Novamente, ele faz uma descrição do seu sofrimento. Ele nem sabia direito o que fazer, pois ele sentia que Deus o havia abandonado. Emã fala que a Ira de Deus o circunda como alguém que está morrendo afogado, que possui água por todos os lados: ele possuía a ira de Deus acima, abaixo, de um lado e do outro – e sem possuir um único ombro para chorar.
Aplicações
Este não foi um momento na vida de Emã, mas parece que isto reflete toda a vida dele. Muitos crentes de verdade, irmãos em Cristo, que não conseguem encontrar um momento de alívio, porque a dor está presente na vida deles todos os momentos.
O fato de que você é crente não quer dizer que você vai ser sempre feliz, alegre e tranquilo neste mundo;
Deus não tem o compromisso de fazer com que seus momentos de paz e tranquilidade durem a vida inteira e todos os momentos de sua vida;
Não existe melhor professor de oração do que o sofrimento;
Deus nem sempre responde as oração imediatamente, nem sempre ele alivia a dor e o sofrimento e nem sempre que ele vem nos responder, ele faz da maneira como queremos;
Existe uma grande semelhança entre o sofrimento de Emã com o sofrimento do Messias na Cruz. Lá, Jesus gritou algo parecido com o que o salmista gritou: “Deus meu, porque me desamparaste?”. Não fique amargurado com Deus por causa do sofrimento. Nós somos discípulos do crucificado. Precisamos aprender a sofrer.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Maldito evangelho da prosperidade

Por Daniel Clós
"Não, não estou fazendo apologia à pobreza, "simplicidade" no sentido pejorativo do termo ou ignorância. Mas à decência e humildade. É demagogia dizer que se vive na busca da pobreza e da mediocridade, todos queremos prosperar. É isso que Deus tem para nós."

Por si só o texto supracitado é demagógico e combina bem com a boca dos inimigos da cruz que não pregam o Evangelho da Salvação, mas sim um evangelho antropocentrista onde deus (o deus desse evangelho), vive para o agrado de seus seguidores... CORREÇÃO: seguir e agradar seus mestres... a saber: os crentes.

O irônico é que milhares desses crentes concordam com o que escrevi acima, no entanto, se eu também digitasse o nome de seus líderes; a turma que prega, divulga e usa a Bíblia como manual de mágia e bruxaria gospel, eu passaria de "profeta blogueiro" para "fariseu" no tempo de uma troca gasosa dos pulmões... ou até menos que isso... nesses crentes, o nome de seus "ungidos" dispara um alarme... e nada importa senão as palavras de seu líder... mais sábios que Deus, mais importantes que Cristo... mais influentes que o Espírito Santo.

Não por medo dessa turma, nem por respeito (não sei se devo isso a quem cospe na obra da cruz e crucifica a Cristo dia a após dia, expondo Cristo a vergonha novamente - pois é isso que significa a palavra vitupério em Hebreus 6.6) é que deixarei de citar nomes... é simplesmente porque é inútil.

Se vemos por um lado mais ridículo da "cristandade" decaída do século vigente pessoas suplicando a seu deus, por meio de novenas, campanhas e ingresso em nações religiosas um carro importado... de outro vemos "falsos" piedosos que não dizem se ajoelhar e pedir o mesmo BMW, mas se apresentam como filhos do rei e como tais querem o "melhor dessa terra"...

Tolos, estúpidos... não ouviram quando o Filho disse: "O meu reino não é deste mundo!" (Jo 18.36)... Não entenderam ainda que os nascidos em Cristo são apenas peregrinos e não pertencem a esta terra?... Não conseguem acreditar que o mundo é vosso inimigo e deseja vossa morte?

"Adúlteros, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4.4)

O problema é que esses mesmos, com a mente já cauterizada pela doutrina humana distorcida, que não se apresenta como lei mas como liberdade, mas no entanto deturpa a graça de Deus tornando-a em libertinagem, homens perversos (Jd 1.4), desgraçam a Graça de nosso Senhor e Salvador para obter vantagens pessoais e saciar suas almas egoístas e promover sua prostituição "gospel". Esses mesmos, não conseguem se encaixar nessa Palavra, olham para ela e a direcionam para o viciado, para o bêbado, para a prostituta... ignorantes... não foi para estes que os apóstolos escreveram... era para aqueles que vivem sob o teto das igrejas mas não sob as asas da Graça de nosso Deus a quem Cristo, Paulo, Judas, Pedro... direcionam seus textos de arrependimento. foi para os "crentes" da época que Cristo pregou, gente doente que acreditava ser sã.... foi para as igrejas constituídas pelo verdadeiro ministério apostólico que Paulo e outros apóstolos escreveram... não para os "nitidamente" perdidos... não para os que proclamam nas ruas não crerem em Deus... nestes - sem arrependimento - a perdição é notória.

Passei grande parte da minha vida acreditando que minha mediocridade de pulos, danças, profecias e busca por prosperidade me aproximavam de Deus e constituíam um sinal de salvação... o que percebi quando verdadeiramente conheci o Evangelho que é Cristo? "Um camelo não passa pelo buraco de uma agulha"... e esqueça a história do túnel das cidades judéias... Jesus falava de uma agulha mesmo... néscios até quando acreditarão que a ira de Deus não cairá sobre vós?

Uma vez alguém fez comigo uma "oração de confissão"... um erro infantil, estúpido e que apenas alimentou meu ego... tempos depois percebi o grande assassinato que eu havia cometido... havia enganado um homem dizendo que ele estava salvo após uma oração tola e sem sentido... nunca mais vi esse rapaz em nossa igreja, e até onde sei não frequenta lugar algum. O que sei dele? Sua empresa fechou um grande negócio naquela semana... soube também que ele ficou muito "agradecido". Fez semelhante aos nove leprosos que não retornaram para adorar a Deus... era-lhes suficiente a cura de seu corpo mortal... pouco importava-lhes a alma eterna...

Tenho pedido a Deus outra oportunidade, para mim ou para ele... pois fui eu quem o condenou encaminhado-o a um caminho de engano, e desejo ser livre desse sangue inocente que eu propositadamente derramei (tenho para mim que o pecado é um ato pensado, planejado e executado pelo homem, conforme compreendo ao ler - Tg 1.15)... e digo isso não porque tenha feito àquela oração condenatória ao inferno pensando nisso. O problema foi não ter ouvido a voz de Deus mas apenas o meu enganoso coração que dizia: "É agora Daniel, coloque mais um na sua lista, mais uma pedrinha na sua coroa."

Peço a Deus a oportunidade (a mim ou a alguém mais capaz e fiel ao Senhor do que eu tenho sido) de dizer a este rapaz: "Amigo, se você não se arrepender, não mudar sua vida, não buscar intensamente este Evangelho você irá para o inferno".

Não como que buscando justificar meu erro, mas como quem alerta, sei que qualquer um pode errar... mas é necessário reconhecer o erro... o Evangelho é um contínuo caminho de arrependimento e piedade (ou devoção).

No entanto a cruz pregada pelos apóstolos da prosperidade e pelos sacerdotes da nojenta idolatria gospel desobrigam os "crentes" de seus deveres de cristão... forjam um contrato com Deus e ensinam-lhes a serem fiéis apenas a seus próprios desejos e a praticarem um punhado de doutrinas sem valor espiritual algum, senão monetário e mundano.

Deus tenha misericórdia nesses últimos dias e guarde os poucos que ainda não se dobraram perante satanás e seu horrendo exército... e preserve a vida daqueles que após deitarem-se com a prostituta chamada Teologia da Prosperidade arrependeram-se e tornaram ao Caminho Santo.

Outro Evangelho


Por Arthur Walkington Pink

Satanás não é um inovador, mas um imitador. Deus tem seu Filho unigênito - o Senhor Jesus? Tal qual Satanás tem "o filho da perdição" (II Tessalonicenses 2:3). Há uma Santa Trindade? Há de igual modo uma trindade do mal (Apocalipse 20:10). Lemos sobre os "filhos de Deus"? Do mesmo modo lemos também sobre "os filhos do maligno" (Mateus 13:38). Deus opera nestes que foram citados de modo a determinar e fazer a Sua vontade? Então somos informados que Satanás é "o espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (Efésios 2:2). Há o "mistério da piedade" (I Timóteo 3:16)? Há também o "mistério da injustiça" (II Tessalonicenses 2:7). Aprendemos que Deus através de Seus anjos "assinala" os Seus servos nas suas testas (Apocalipse 7:3)? Assim também aprendemos que Satanás através de seus agentes assinala nas testas os seus devotos (Apocalipse 13:16). É-nos dito que "o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus" (I Coríntios 2:10)? Então Satanás também provê suas "coisas profundas" (grego de Apocalipse 2:24). Cristo faz milagres? De igual modo Satanás também pode fazê-los (II Tessalonicenses 2:9). Cristo está sentando sobre um trono? Também Satanás o está (Apocalipse 2:13). Cristo tem uma Igreja? Então Satanás tem a sua "sinagoga" (Apocalipse 2:9). Cristo é a Luz do mundo? Então o próprio Satanás "se transfigura em anjo de luz" (II Coríntios 11:14). Cristo designou "apóstolos"? Então Satanás tem seus apóstolos também (II Coríntios 11:13). E isto nos leva a considerar o "Evangelho de Satanás".
Satanás é o maior dos falsificadores. O Diabo está agora ocupado em trabalhar no mesmo campo no qual o Senhor semeou a boa semente. Ele está buscando evitar o crescimento do trigo através de outra planta, o joio, o qual é muito próximo do trigo em aparência. Em uma frase: por meio da falsificação ele está buscando neutralizar a Obra de Cristo. Por essa razão, como Cristo tem um Evangelho, Satanás tem um evangelho também; sendo este uma astuta falsificação do primeiro. O evangelho de Satanás se parece tão proximamente com aquele que ele imita, que multidões de não salvos são enganadas por ele.
É a este evangelho de Satanás que o apóstolo se referia quando disse aos Gálatas: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo" (Gálatas 1:6-7). Este falso evangelho estava sendo proclamado já nos dias do apóstolo, e a mais terrível maldição foi proclamada sobre aqueles que o pregam. O apóstolo continua:"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema".
Com o auxílio de Deus, nos esforçaremos agora para expor, ou melhor, para desmascarar este falso evangelho:
O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem ainda é um programa de anarquia. Ele não promove a luta e a guerra, mas objetiva a paz e a unidade. Ele não busca colocar a mãe contra sua filha, nem o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, por meio do qual a raça humana deve ser considerada como uma grande "irmandade". Ele não procura deprimir o homem natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele advoga a educação e a cultura e apela para "o melhor que está em nosso interior" - Ele objetiva fazer deste mundo uma habitação tão confortável e apropriada, que a ausência de Cristo não seria sentida, e Deus não seria necessário. Ele se esforça para deixar o homem tão ocupado com este mundo, que não tem tempo ou disposição para pensar no mundo que está por vir. Ele propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem dos outros, e a sermos gentis para com todos. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular com as massas, porque deixa de lado o fato gravíssimo de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em nascer novamente.
Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele inculca a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é "Seja bom e faça o bem"; mas ele deixa de reconhecer que lá na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação pelo caráter, o que inverte a ordem da Palavra de Deus - o caráter como fruto da salvação. São muitas as suas várias ramificações e organizações: Temperança, Movimentos de Restauração, Ligas Socialistas Cristãs, Sociedades de Cultura Ética, Congresso da Paz1 estão todos empenhados (talvez inconscientemente) em proclamar o evangelho de Satanás - a salvação pelas obras. O cartão da seguridade social substitui Cristo; pureza social substitui regeneração individual, e, política e filosofia substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação de um novo homem em Cristo Jesus; enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o retorno do Príncipe da Paz.
Os apóstolos de Satanás não são taberneiros e traficantes de escravas brancas, mas são em sua maioria ministros do evangelho ordenados. Milhares dos que ocupam nossos modernos púlpitos não estão mais engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, mas têm se desviado da Verdade e têm dado ouvidos às fábulas. Ao invés de magnificar a enormidade do pecado e estabelecer suas eternas conseqüências, o minimizam ao declarar que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao invés de alertar seus ouvintes para "escaparem da ira futura", fazem de Deus um mentiroso ao declarar que Ele é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao tormento eterno. Ao invés de declarar que "sem derramamento de sangue não há remissão", eles meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a "seguir os Seus passos". Deles é preciso que seja dito:"Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus" (Romanos 10:3). A mensagem deles pode soar muito plausível e seu objetivo parecer muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: - "Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras" (II Coríntios 11:13-15).
Somando-se ao fato de que hoje centenas de igrejas estão sem um líder que fielmente declare todo o conselho de Deus e apresente Seu meio de salvação, também temos que encarar o fato de que a maioria das pessoas nestas igrejas está muito distante de conseguir descobrir a verdade por si mesma. O culto doméstico, onde uma porção da Palavra de Deus era costumeiramente lida diariamente, é agora, mesmo nos lares de Cristãos professos, basicamente uma coisa do passado. A Bíblia não é exposta no púlpito e não é lida no banco da igreja. As demandas desta era agitada são tão numerosas, que multidões têm pouco tempo, e ainda menos disposição, para fazer uma preparação para o encontro com Deus. Por essa razão, a maioria, aqueles que são negligentes o bastante para não pesquisarem por si mesmos, são deixados à mercê dos homens a quem pagam para pesquisar por eles; muitos dos quais traem a verdade deles, por estudar e expor problemas sociais e econômicos ao invés dos Oráculos de Deus.
Em Provérbios 14:12 lemos: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte". Este "caminho" que termina em "morte" é a Ilusão do Diabo - o evangelho de Satanás - um caminho de salvação através da realização humana. É um caminho que "parece direito", o qual, é preciso que se diga, é apresentado de um modo tão plausível que ganha a simpatia do homem natural; é pregado de forma tão habilidosa e atrativa, que se torna recomendável à inteligência dos seus ouvintes. Por incorporar a si mesmo terminologia religiosa, algumas vezes apela para a Bíblia como seu suporte (sempre que isto se ajusta aos seus propósitos), mantém diante dos homens ideais elevados, e é proclamado por pessoas que têm graduação em nossas instituições teológicas, e incontáveis multidões são atraídas e enganadas por ele.
O sucesso de um falsificador de moedas depende em grande medida de quão proximamente a falsificação lembra o artigo genuíno. A heresia não é uma total negação da verdade, mas sim, uma deturpação dela. Por isto é que uma meia verdade é sempre mais perigosa que uma completa mentira. É por isso que quando o Pai da Mentira assume o púlpito, não é seu costume claramente negar as verdades fundamentais do Cristianismo, antes ele tacitamente as reconhece, e então procede de modo a lhes dar uma interpretação errônea e uma falsa aplicação. Por exemplo, ele não seria tão tolo de orgulhosamente anunciar sua descrença em um Deus pessoal; ele dá a Sua existência como certa, e então apresenta uma falsa descrição da Sua natureza. Ele anuncia que Deus é o Pai espiritual de todos os homens, que as Escrituras claramente nos dizem que nós somos: "filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gálatas 3:26), e que "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1:12). E mais adiante, ele declara que Deus é por demais misericordioso para em algum momento enviar qualquer membro da raça humana no Inferno, mesmo havendo o próprio Deus dito que: "aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo" (Apocalipse 20:15). Novamente, Satanás não seria tão tolo, a ponto de ignorar a figura central da história humana - o Senhor Jesus Cristo; ao contrário, seu evangelho O reconhece como sendo o melhor homem que já viveu. A atenção é então levada para os Seus feitos de compaixão e para as Suas obras de misericórdia, para a beleza de Seu caráter e a sublimidade de Seu ensino. Sua vida é elogiada, mas Sua morte vicária é ignorada, a importantíssima obra reconciliadora da cruz não é mencionada, enquanto Sua triunfante e corpórea ressurreição dos mortos é considerada como uma crendice de uma época de muita superstição. É um evangelho sem sangue, e apresenta um Cristo sem cruz, que é recebido não como Deus manifesto em carne, mas meramente como o Homem Ideal.
Em II Coríntios 4:3 temos uma passagem que derrama muita luz sobre o nosso presente tema. Lá nos é dito que: "se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século [Satanás] cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus". Ele cega as mentes dos não crentes ao esconder a luz do Evangelho de Cristo, e faz isto substituindo-o pelo seu próprio evangelho. Apropriadamente ele é chamado de "o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo" (Apocalipse 12:9). Em meramente apelar para "o melhor que está no homem", e ao simplesmente exortá-lo a "seguir uma vida de retidão" ele está criando uma plataforma genérica sobre a qual pessoas com qualquer matiz de opinião podem se unir e proclamar uma mensagem comum.
Novamente citando Provérbios 14:12 - "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte". Tem sido dito com considerável grau de verdade que o caminho para o Inferno está pavimentado com boas intenções. Haverá muitos no Lago de Fogo que recomendaram suas vidas com boas intenções, decisões honestas e ideais elevados - aqueles que foram justos em seus procedimentos, corretos em suas transações e caridosos em todos os seus caminhos; homens que se orgulharam da sua integridade, mas que buscaram justificar a si mesmos diante de Deus por sua própria justiça; homens que foram morais, misericordiosos e generosos, mas que nunca viram a si mesmos como culpados, perdidos, pecadores merecedores do inferno, necessitados de um Salvador. Este é o caminho que "parece direito". Este é o caminho que recomenda a si mesmo à mente carnal e se faz atraente às multidões de iludidos dos dias atuais. A Ilusão do Diabo é que nós podemos ser salvos por nossas próprias obras, e justificados por nossos próprios feitos; enquanto que, Deus nos diz em Sua Palavra: "pela graça sois salvos, por meio da fé... Não vem das obras, para que ninguém se glorie". E também: "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou..."
Há alguns anos atrás, conheci um homem que era um pregador leigo e um entusiasmado "obreiro Cristão". Por mais de sete anos este amigo esteve engajado na pregação pública e em atividades religiosas, mas com base em certas expressões e frases que usava, eu duvidava que este amigo fosse um homem renascido. Quando começamos a questioná-lo, descobrimos que ele foi muito mal instruído nas Escrituras e tinha somente uma vaga concepção da Obra de Cristo pelos pecadores. Por um tempo procuramos apresentar-lhe o caminho da salvação, de uma maneira simples e impessoal, e a encorajar nosso amigo a estudar a Palavra por Ele mesmo, na esperança de que se ele estivesse ainda sem a salvação, Deus se agradaria em revelar o Salvador de que necessitava.
Uma noite, para nossa alegria, aquele que tinha pregado o Evangelho (?) por tantos anos, confessou que havia encontrado a Cristo na noite anterior. Ele admitiu (para usar suas próprias palavras) que estava apresentando um "Cristo ideal", mas não o Cristo da Cruz. Acredito que haja milhares como este pregador, os quais, talvez, tenham crescido na Escola Dominical, foram instruídos sobre o nascimento, a vida, e os ensinos de Jesus Cristo, creem na historicidade de Sua pessoa, intermitentemente se esforçam para praticar Seus preceitos, e pensam que isto é tudo o que é necessário para a sua salvação. Frequentemente, estas pessoas quando atingem a maturidade vão para o mundo, e se deparam com o ataque dos ateístas e infiéis, e lhes é dito que uma pessoa tal qual Jesus de Nazaré nunca viveu. Mas, as impressões dos dias da mocidade não são facilmente apagadas, e eles permanecem firmes em sua declaração de que "creem em Jesus Cristo". Apesar disso, quando sua fé é examinada, muito frequentemente descobre-se que ainda que creiam em muitas coisas sobre Jesus Cristo, eles de fato não creem Nele. Creem com seu intelecto que tal pessoa viveu (e, porque creem desta forma imaginam, então, que estão salvos), mas nunca baixaram as armas em sua luta contra Ele, rendendo-se a Ele, nem verdadeiramente creram com seu coração Nele.
A simples aceitação de uma doutrina ortodoxa sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é outra etapa deste caminho "que ao homem parece direito", mas que cujo fim "são os caminhos da morte", ou, em outras palavras, é outro aspecto do evangelho de Satanás.
E agora, onde você está? Você está no caminho "que parece direito", mas que termina em morte; ou, está no Caminho Estreito que conduz à vida? Você realmente abandonou o Caminho Espaçoso que conduz à perdição? Tem o amor de Cristo criado, em seu coração, aversão e horror a tudo o que Lhe desagrada? Você está desejoso de que Ele possa "reinar sobre" você? (Lucas 19:14) Você está confiando inteiramente na justiça e no sangue de Cristo para a sua aceitação junto a Deus?
Aqueles que estão confiando em uma forma exterior de religiosidade, tal qual o batismo ou a "crisma" (confirmação), aqueles que são religiosos porque isto é considerado como uma marca de respeitabilidade; aqueles que frequentam alguma Igreja ou Congregação porque está na moda fazer isto; e, aqueles que se unem a algumas Denominações porque supõem que este seja um passo que os capacitará a se tornarem Cristãos, estão no caminho que "termina em morte" - morte espiritual e eterna. Mesmo sendo puros os nossos motivos, mesmo sendo nobres as nossas intenções, mesmo sendo bem intencionados os nossos propósitos, mesmo sendo sinceros os nossos esforços, Deus não nos reconhecerá como Seus filhos, até que aceitemos o Seu Filho.
Uma forma ainda mais ilusória do Evangelho de Satanás está levando os pregadores a apresentar o sacrifício reconciliador de Cristo, e então dizer à sua audiência que tudo o que Deus requer deles é que "creiam" no Seu Filho. Por meio disto milhares de almas impenitentes são iludidas, e passam a pensar que foram salvas. Mas Cristo disse: "se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis" (Lucas 13:3). "Arrepender-se" é odiar o pecado, entristecer-se por causa dele, e desviar-se dele. É o resultado do Espírito tornando o coração contrito diante de Deus. Nada, exceto um coração quebrantado pode crer de modo salvífico no Senhor Jesus Cristo.
Mais uma vez, milhares estão sendo enganados, ao serem levados a supor que "aceitaram a Cristo" como seu "Salvador pessoal", sem primeiro O terem recebido como seu SENHOR. O Filho de Deus não veio aqui para salvar Seu povo nos seus pecados, mas "dos seus pecados" (Mateus 1:21). Para ser salvo dos pecados, é preciso deixar de ignorar e de tentar despistar a autoridade de Deus, é abandonar o curso de vida de acordo com a própria vontade e a satisfação pessoal, é "deixar o nosso caminho" (Isaías 55:7). É nos render à autoridade de Deus, nos entregar ao Seu domínio, e ceder a nós mesmos para que sejamos controlados por Ele. Aquele que nunca tomou o jugo de Cristo sobre si, que não busca verdadeira e diligentemente agradá-Lo em todos os detalhes da vida, e ainda supõe que está "confiado na Obra Consumada de Cristo" está iludido pelo Diabo.
No sétimo capítulo de Mateus há duas passagens que nos mostram os resultados aproximados do Evangelho de Cristo e da falsificação de Satanás. Primeiro, nos versos 13-14: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem". Depois, nos versos 22-23: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos [pregamos] nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". Sim, meu caro leitor, é possível trabalhar em nome de Cristo, ou mesmo pregar em seu nome, e também o mundo nos conhecer, e a Igreja nos conhecer, e ainda assim sermos desconhecidos ao Senhor! Quão necessário é então descobrir onde nós estamos; examinar a nós mesmos e ver se nós estamos na fé; medir a nós mesmos pela Palavra de Deus e ver se estamos sendo enganados por nosso astuto Inimigo, descobrir se estamos construindo nossa casa sobre a areia, ou se ela está erigida sobre a Rocha que é Jesus Cristo.
Que o Espírito Santo examine nossos corações, quebrante nossa vontade, destrua a nossa inimizade contra Deus, opere em nós um arrependimento profundo e verdadeiro, e fixe nosso olhar no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo