terça-feira, 14 de janeiro de 2014

QUANDO A IGREJA DORME



Por Pr. Silas Figueira
texto base Jonas 1.1-17
INTRODUÇÃO
Antes de ser recebido de volta ao céu, o Senhor Jesus deu algumas ordens aos seus discípulos: A primeira ordem foi que eles permanecessem na cidade de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49).  A segunda foi que eles seriam suas testemunhas começando por Jerusalém até aos confins da terra assim que recebessem o poder do Espírito Santo (At 1.8).

Em Mateus 28.18-20 nos diz também: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.

Assim como a Igreja recebeu essa ordem do Senhor de serem suas testemunhas, Jonas, filho de Amitai, também recebeu. Não que ele fosse até aos confins da terra, mas que fosse a Nínive, capital da Assíria. Assim como Jonas foi negligente a ordem de Deus, a igreja nesses últimos tempos tem sido negligente a ordem do Senhor Jesus de evangelizar o mundo.

Com temor e tremor eu quero meditar nesse ocorrido na vida de Jonas com você.

As tragédias dentro de nossas casas, ao nosso redor e na sociedade é porque a igreja está fugindo do real compromisso que é pregar o Evangelho libertador. Tem-se pregado tudo, menos o Evangelho de Jesus Cristo. Tem-se pregado curas e prosperidade, tem-se feito shows gospel em vários lugares e igrejas. Muitas igrejas têm levado seus jovens a pularem de alegria, mas não estão fazendo com que esses mesmos jovens se prostrem na presença do Senhor. Há muita gargalhada, mas não lágrimas de arrependimento. Muitas pessoas de identificam com o pregador que tem uma mensagem light, leve e solta, mas, essas mesmas pessoas não suportam ouvir a mensagem que liberta. A igreja está sendo complacente como pecado e não se esforçam para tirar o pecador da lama em que se encontra.

O Senhor Jesus quando esteve com aquela mulher adúltera não a condenou para morrer apedrejada, mas lhe disse para abandonar o pecado: “Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo 8.10,11). Hoje muitas igrejas também não condenam o pecador, mas também não o mandam abandonar o pecado. O importante, para muitas igrejas hoje, é fazer com que seus templos estejam abarrotados de pessoas, ainda que Jesus não esteja nele. Alias alguém já disse que se Jesus sair de determinadas igrejas ninguém notará a Sua falta.

Eu não quero isso para minha vida e muito menos para a igreja que pastoreio. Eu quero com urgência a presença do Senhor comigo, sobre a minha e sua família e sobre a nossa igreja.

Por isso eu quero pensar com você sobre a vida de Jonas, pois, assim como ele fugiu de Deus e da responsabilidade de pregar aos ninivitas, nós hoje temos visto ocorrer a mesma coisa em muitas igrejas. E porque não dizer, em nós mesmos. Por isso a tragédia está nos batendo à porta todos os dias e muitos não se dando conta de que a culpa é da igreja que deixou de ser boca de Deus aos homens para se boca dos homens a Deus.

EXEMPLO

A filha de Billy Graham foi entrevistada no Early Show e a apresentadora Jane Clayson perguntaram-lhe:
- Como é que Deus permitiu que acontecesse algo tão horroroso no dia 11 de Setembro?
- Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia:
“Eu creio que Deus ficou tão profundamente triste com o que aconteceu, como nós”.
Desde há muito que vemos dizendo a Deus para não interferir nas nossas escolhas, para sair do nosso governo e das nossas vidas. Sendo um cavalheiro como Deus é eu creio que Ele calmamente nos deixou.
Como poderemos esperar que Deus nos dê a Sua benção e a Sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?
À vista dos acontecimentos recentes (ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc.), eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O’Hare (que foi assassinada e cujo corpo foi recentemente encontrado), se queixou de que era impróprio fazer-se oração nas escolas americanas como tradicionalmente se fazia, e nós concordamos com a sua opinião. Depois disso, alguém disse que também seria melhor não ler mais a Bíblia nas escolas… A Bíblia, que nos ensina que não devemos matar nem roubar, e que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Nós concordamos.

É triste como cremos em tudo o que os jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia nos diz. É triste como todo o mundo quer ir para o céu, desde que não precise acreditar nem pensar ou dizer qualquer coisa que a Bíblia ensina.

Deus tenha misericórdia de nós!

O mesmo está acontecendo hoje em muitas igrejas. As pessoas querem as bênçãos de Deus, mas não querem compromisso com o abençoador. Querem receber a Sua graça, mas não querem ter a imensa graça de tê-Lo em suas vidas de forma plena.

Muitos estão vivendo um evangelho meia boca. Um evangelho sem compromisso. Um evangelho sem cruz. Mas quando a tragédia lhes bate a porta perguntam onde estava Deus que permitiu que isso lhes acontecesse. Mas mesmo com tantas tragédias acontecendo ao nosso redor a igreja continua dormindo o sono do descaso, o sono da falta de compromisso com Deus, o sono da negligência.

Sabe por que isso tem ocorrido? Porque muitos colocam como prioridade em suas vidas as festas e não a Casa do Senhor. Fazem de tudo para estarem com os ímpios, não para evangeliza-los, mas para se divertirem com eles. Divertem-se com eles, mas não choram aos pés do Senhor em favor de suas almas perdidas. Muitos só correm para os cultos de oração quando as coisas estão difíceis, mas esses mesmos não correm para esses mesmos cultos para interceder pelas almas dos perdidos, nem para com os de suas próprias casas.

Existe hoje um descompromisso com a evangelização. E é bom lembrar que a Evangelização começa com o nosso testemunho diário. Assim como Jonas fugiu de Deus para não ir para Nínive, muitas pessoas estão fugindo de Deus para não cumprir a Sua Palavra e evangelizar o mundo.

A igreja que não evangeliza precisa ser evangelizada, como já disse o Rev. Hernandes Dias Lopes. A igreja que foge da responsabilidade de evangelizar se torna tragédia para o mundo. E o pior, não se dá conta de que ela é a responsável por isso. O navio (sociedade) está indo a pique e ela continua dormindo o sono do descaso. O sono da indiferença.

Por isso eu quero pensar com você sobre o perigo que podemos causar quando a igreja foge de Deus e de responder positivamente a Sua ordem.

1 – QUANDO A IGREJA FOGE DE DEUS, ESTÁ NEGLIGENCIANDO A SUA ORDEM  - Jn 1.1-3.

Jonas era profeta do Reino Norte, ou seja, Israel. Ele era filho de Amitai. Ele morava na cidade Gate-Hefer, na tribo de Zebulom, no norte de Israel, a sete quilômetros de Nazaré (2Rs 14.25). Jonas era Galileu e contemporâneo de Amós e Oséias. Seu nome significa pomba, mas parecia mais uma avestruz com a cabeça enterrada no travesseiro. Ele foi profeta no ano de 750 a.C.

Jonas amava Israel, mas odiava os assírios, cuja capital era Nínive. E ele não queria a sua salvação. Jonas era um nacionalista extremado, mesquinho, vingativo e não queria entender porque Deus desejava que ele pregasse a um povo que queria destruir Israel.

No entanto, a palavra veio a Jonas e não a outro profeta. A palavra veio a mim e você e não a outra pessoa. A palavra veio à igreja e não ao mundo e nem aos anjos.

Não nos compete questionar com Deus a sua convocação, mas obedecê-la. Mas assim como Jonas fugiu para não obedecer a Deus, muitas pessoas estão fazendo a mesma coisa hoje; mas saiba de uma coisa: o profeta não escolhe o que pregar, onde pregar e a quem pregar, ele obedece ao Senhor. Veja por exemplo a história de Moisés que não queria pregar a faraó dando a desculpa que era pesado de língua (Êx 4.10), ou a história de Jeremias que deu a desculpa de que não passava de uma criança (Jr 1.6). Não devemos fazer como esses homens dando desculpas diante de Deus, mas devemos ser como Filipe que obedeceu a voz do Espírito Santo e saiu de um pleno avivamento em Samaria e foi para o deserto obedecendo ao Senhor (At 8.26).

2 – QUANDO A IGREJA FOGE DE DEUS, ELA DESCE AO MAIS BAIXO NÍVEL ESPIRITUAL – Jn 1.1-3.

Jonas desce a Jope, cidade costeira. Depois desce ao porão do navio e por fim para dentro do grande peixe.

Jope é representa o lugar de fuga. Tanto que lá encontra uma passagem para Társis. Que na época levava cerca de um ano de viagem até chegar lá. Entre pregar a Palavra aos ninivitas e fugir para o fim do mundo, Jonas fez a segunda opção.

O navio significa o lugar de independência de Deus. O porão do navio era o lugar de descanso de Deus não e não em Deus. Este era o lugar onde Deus não estava, ou pelo menos Jonas pensava que não estivesse. Era o lugar onde Jonas poderia dormir o sono do descaso, o sono da fuga, o sono da indiferença.

O ventre do grande peixe é o lugar de morte Jn 2.1-6. Este é o lugar do desespero e da real condição da alma humana e, principalmente, de quem está fugindo de Deus.

O que está acontecendo com a igreja hoje

A igreja atual está crescendo assustadoramente, mas não está havendo mudança na sociedade. Estão havendo muita adesão as igrejas, mas quase nenhuma conversão. A igreja tem sido lugar de entretenimento, mas não lugar de adoração a Deus. As pessoas vêm à igreja para se sentirem bem, mas não para ouvirem a verdade que liberta e que trás verdadeiramente mudança para a vida.

A vida do profeta Jonas é um reflexo da atual igreja. Ouvem Deus, mas não lhe obedecem. Ouvem Deus, mas fogem de sua presença. Ouvem Deus, mas estão dormindo o sono do descaso e da indiferença.

Assim como Jonas, a igreja tem desafiado Deus em não lhe obedecer a Palavra. Por isso o nível espiritual da igreja atual está abaixo de zero. Aquilo que alguns anos era anormal para a vida co cristão hoje as pessoas dizem que não tem nada a ver.

Ouvi recentemente um pastor que estava em um debate em uma rádio evangélica participando de um debate. Ele contou que foi convidado para pregar na inauguração do novo templo de uma determinada igreja. Como ele havia chegado cedo, o pastor foi lhe mostrar as dependências do novo templo. Realmente a igreja estava muito bonita. Mas esse pastor convidado observou que havia vários quartos na igreja, parecendo um pequeno hotel. Então ele perguntou ao seu anfitrião para que eram aqueles quartos. Se era para hospedar missionário e pastores... O pastor então lhe disse que aqueles quartos eram para que os jovens da igreja no final do culto não fossem para os motéis do bairro, mas ficassem por ali mesmo, pois o bairro era muito perigoso. O pastor convidado na mesma hora pegou a sua mala e foi embora.

Isso não me contaram, eu ouvi e muito me entristeci. A que nível muitas igrejas tem chegado. Isso sem falar em MMA gospel, capoeira gospel, festa heaven gospel, recentemente vi um cartaz do Cristo Folia – quatro dias de festa no período de carnaval, tudo isso dentro da “igreja”. Arroja gospel... Por falta de espaço e tempo é melhor parar por aqui.

3 – QUANDO A IGREJA FOGE DE DEUS, ELA SE TORNA TRAGÉDIA PARA A SOCIEDADE – Jn 1.4-6.

O navio estava indo a pique por causa da forte tempestade que o Senhor enviara. Deus não enviou a tempestade para destruir o navio e muito menos a Jonas, mas para fazê-lo retornar ao caminho certo. As tempestades de Deus são pedagógicas, elas nos tomam pela mão e nos colocam no caminho de volta para Deus.

Observe que Deus não está mais falando com Jonas por meio de Sua Palavra, mas através de Suas obras: o mar revolto, o forte vento, a chuva o trovão, e até o grande peixe. Isso sem falar do sol, do vento, da planta e do verme. Tudo na natureza obedeceu a Deus, exceto seu servo. Até por meio dos marinheiros pagãos Deus falou com o profeta fujão.  

Aqueles que são chamados para serem uma bênção quando andam pela estrada da desobediência se tornam maldição. Um servo de Deus na rota de fuga é um causador de tempestades. Um crente desobediente é extremamente perigoso; é pior que um ateu. 

a – Quando estamos em rota de fuga de Deus tudo fala de Deus ao nosso redor (v 5, 6).

Observe que os marinheiros pagãos tornaram-se mais sensíveis aos sinais dos tempos do que Jonas. Os marinheiros pagãos têm discernimento que aquela tempestade no Mar Mediterrâneo não era um fenômeno natural. Eles percebem que havia uma causa espiritual por trás daquela borrasca. A sensibilidade dos pagãos é surpreendente!

E o causador era Jonas. Será que a igreja não percebe que grande parte das calamidades que andam ocorrendo na sociedade a culpa é dela, que está somente preocupada com eventos e mais eventos e não em pregar o evangelho libertador aos perdidos?

b – O mundo está pedindo socorro, mas a igreja dorme o sono do descaso e da insensibilidade assim como Jonas dormia (v 6).

Invoca o teu Deus é o pedido do mundo a nós. Mas, assim como Jonas, a igreja está de boca fechada. Jonas estava com a consciência amordaçada assim como a sua voz.

Diante da calamidade Jonas dormiu tranquilamente o sono mais pesado. Dormiu sem peso na consciência. Dormiu sem se dar conta do que estava acontecendo. Mesmo com toda agitação do navio e dos marinheiros, ele não acordou. Foi necessário chamá-lo para fazer uma oração. E mesmo assim ele não fez. Jonas não orava.

É interessante observar que a expressão: “Levanta-te, invoca o teu deus...” v 6, é a mesma expressão usada por Deus: “Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive” (v 2). Deus usou o ímpio para despertá-lo e lembrá-lo do seu compromisso como profeta comissionado. E é exatamente isso que o mundo está fazendo com a igreja hoje. O mundo espera, ainda que de forma inconsciente, que a igreja se levante como voz profética para trazer esperança aos corações aflitos.

A igreja precisa ser a voz de Jesus dizendo a todas as pessoas: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

Aqueles marinheiros estavam desesperados vendo a morte de frente, mas Jonas estava calado; e o pior, foi o causador de todo aquele caos que recaiu sobre eles.

4 – QUANDO A IGREJA FOGE DE DEUS, ELA É CONFRONDADA PELO MUNDO PAGÃO (V 7-10).

Lançaram sorte e o azar foi de Jonas. Lançaram sorte e descobriram que Jonas era o “pé frio” do navio.

a – Quando a igreja abre a boca para dizer quem é Deus o temor se apossa do mundo.

Jonas quando disse que temia o Senhor do céu, que fez o mar e a terra, ou seja, o criador de todas as coisas os marinheiros temeram. E ao mesmo tempo questionaram como pode uma pessoa dizer que teme um Deus assim e foge de Sua presença?

Elias se esconde na caverna e o Senhor lhe pergunta: que fazes aqui Elias? Não dá para fugir de Deus. Não dá para se esconder dEle. Como nos diz o Salmo 139.7-12: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa”.

b - Uma crente em fuga de Deus é uma pessoa incoerente com a fé que professa (v 10).

Observe que os pagãos se mostram mais zelosos em servir aos seus deuses do que o profeta em obedecer a Deus. Eles oram e clamam aos seus deuses, mas Jonas não dirige sequer uma oração a Deus enquanto estava na presença dos marinheiros. Aliás, só vemos Jonas orando dentro do ventre do grande peixe, fora disso ele não ora. É interessante observar que Jonas não ora, mas quando acorda desperta em uma reunião de oração.

5 – QUANDO A IGREJA FOGE DE DEUS, MAS ASSUME ISSO DIANTE DO MUNDO PAGÃO GERA TEMOR TREMOR NAS PESSOAS (V 11-17).

O mundo se pergunta o que fazer quando a mensagem da verdade é pregada. Tanto que perguntam: que faremos? Essa mesma pergunta foi feita após o grande discurso de Pedro no dia de Pentecostes: “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (At 2.37).

Essa é a pergunta chave que o mundo nos faz. Mas qual tem sido a resposta da igreja a essa pergunta? Muitos dizem que se deve fazer corrente de sete semanas; outros dizem que se deve ofertar com liberalidade para se alcançar a vitória; outros já dizem que se deve tomar posse da bênção e não duvidar para não perdê-la.

Mas o que o mundo precisa ouvir é o que o apóstolo Paulo falou ao carcereiro de filipos: “O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos! Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus” (At 16.28-33).

Jonas assume a culpa e os marinheiros veem que o Deus de Jonas é o único Deus verdadeiro (V 14-16). Quando a igreja se posiciona de forma coerente com a fé que professa há salvação e vidas são transformadas.

Um avivamento no navio

Em meio ao caos houve um grande avivamento no navio. Naquele lugar de tormenta, foi onde o Senhor, através da verdade nos lábios de Jonas, trouxe vida e esperança a dezenas de pagãos. Aquele navio a mercê das ondas, foi incendiado pelo fogo do Espírito Santo. Bem disse Jesus: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8.32.  Vemos com isso que a igreja não precisa inventar nada, basta pregar a verdade.

O Senhor começou o avivamento não por Nínive, mas nos pagãos dentro daquele navio onde Jonas foi se esconder e fugir da presença de Deus.

Quando embelezamos esse evangelho para fazê-lo atraente a homens carnais, destruímos o seu poder de libertá-los, e nós mesmos começamos a nos desviar do caminho da vida. Por esta razão, Paulo nada pregou além de Cristo, e este crucificado. Saiba que, se os homens viessem por qualquer mensagem, suas conversões seriam falsas. E o que levou aquelas pessoas ao despertamento espiritual dentro daquele navio? O desespero! Ao verem que seus deuses nada podiam fazer e descobriram que por causa de um homem que servia ao único Deus verdadeiro tudo aquilo estava acontecendo, imediatamente aqueles homens se curvaram ante a verdade, se converteram ao Senhor Jn 1.14-16: “Então, clamaram ao SENHOR e disseram: Ah! SENHOR! Rogamos-te que não pereçamos por causa da vida deste homem, e não faças cair sobre nós este sangue, quanto a nós, inocente; porque tu, SENHOR, fizeste como te aprouve. E levantaram a Jonas e o lançaram ao mar; e cessou o mar da sua fúria. Temeram, pois, estes homens em extremo ao SENHOR; e ofereceram sacrifícios ao SENHOR e fizeram votos”.

Jonas era um homem contraditório. Ele tem doutrina boa, mas vida errada. Ele tem conhecimento, mas não tem amor. Ele tem temor, mas não tem reverência. Seus interesses estão acima da vontade de Deus. Sua fé é antropocêntrica, focada no homem e não em Deus, mas mesmo assim Deus o usou para salvar dezenas de pessoas. Graça, só pela graça de Jesus que realmente somos salvos.

Jonas está disposto a morrer, mas não revê suas atitudes (Jn 1.12).

Jonas não aceita a misericórdia de Deus, por isso abortou a sua missão; e está disposto a fazer isso novamente para não ter que ir a Nínive e ver a sua população sendo salva. Mas em todo tempo Deus está corrigindo o seu servo. Enquanto ele quer morrer, os marinheiros fazem de tudo para salvar-lhe a vida (v 13). Os pagãos se preocuparam mais com Jonas do que Jonas com 120 ninivitas que não sabiam discernir a mão direita da esquerda (Jn 4.11). Isso é uma grande lição para nós.

CONCLUSÃO

Qual tem sido o nosso posicionamento diante do mundo perdido? Será que estamos preocupados com as almas que estão caminhando a passos largos para o inferno ou estamos preocupados somente com o nosso umbigo? Com as nossas revanches pessoais?

Será que esse mesmo espírito antropocêntrico que estava sobre Jonas não tem tomado também as nossas mentes e corações? 

Que possamos fazer a vontade do Senhor com dedicação e empenho reconhecendo que o mundo precisa com urgência dessa palavra que salva e liberta. Que não venhamos ser pedra de tropeço para ninguém e principalmente, maldição na nação.


Pense nisso!

OH! E AGORA, QUEM PODERÁ ME SALVAR?

Por Fábio Campos
Texto base: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”. – Efésios 2.8-9
Esta é uma missão impossível para o Chapolin Colorado! O homem é um ser totalmente perdido! O pecado já não bate a porta; mas sempre foi [depois da queda] convidado a entrar e recebido com honra e alegria no coração do pecador. Não há quem faça o bem! Não há um justo sequer! A situação se torna pior quando se busca a redenção pela força do próprio braço.
A lei da evolução é contraposta pelos fatos estampados nos jornais. O coração do homem está cada vez mais perverso; os “bons” não agem inescrupulosamente a vista de todos, mas conhecem suas mazelas e lutam contra elas; a consciência os acusa trazendo a intranquilidade ao coração. Muitos são caridosos por medo da ira divina que os assolam. Grande trapo de imundície esta prática torna-se aos olhos do Senhor. Medo e não amor; orgulho pela própria justiça e não humildade pelo dom gratuito de Deus em Jesus Cristo. 
Nisto foi manifesto um Salvador; um povo que jazia em trevas viu a grande luz, e as ternas misericórdias de Deus nos visitou pelo Sol Nascente. Cumpriu na carne o que é requerida pela lei. Sabendo da estrutura do homem [que é pó], Ele se faz carne; o Eterno Deus-Filho por alguns instantes deixou a eternidade e entrou no tempo, invadiu fisicamente o espaço dos homens; seu objetivo foi esclarecer ao homem o seu anseio pela eternidade. Isto foi falado pelos profetas, mas agora o Filho que é a imagem do Deus invisível, falou claramente na sua própria pessoa. Levou-nos para a casa do Pai; transportou-nos para o seu Reino, e de Eternidade a Eternidade és Deus. Abandonamos o lar em Adão, mas fomos reconduzidos em Cristo, pois seus Céus há muitas moradas.
O cansaço espiritual provém de uma alma orgulhosa que se preocupa com o seu desempenho. Na tentativa de se emancipar do seu Criador, cria-se métodos para salvar-se a si mesmo; logo mais se constata: nada evoluiu! Quando não é uma coisa, lá está o pecado em outra. Só piorou! A culpa aumentou; o que deveria tornar-se arrependimento gerou apenas um leve e momentâneo remorso. Não há temor, mas um medo do quê tal ato pode trazer de malefício.
Ascende-se a luz da esperança; “eis aí alguém que recebe pecadores e come com eles”. Não pelas obras, mas pela fé. Tudo para que o homem não se glorie em nada daquilo que só Deus deve receber a Glória: O Senhor salvou o homem através de Jesus Cristo - todos os salvos de fato, não vivem mais, mas Cristo vive neles. Presente de Deus, gratuito no Filho e que, em nada, precisa de acréscimos para ser recebido e desfrutado. Agora segue as boas-obras pela gratidão e pelo amor a Deus, e não para ganhar o seu perdão devido ao medo, pois o verdadeiro amor lança fora todo o medo.

A re-humanização da humanidade

Por Joe Holland 

Em dezembro de 2013, presenciamos dois eventos de enorme impacto – o primeiro foi o aniversário do tiroteio de Sandy Hook e o segundo, a morte de Nelson Mandela. Ambos eventos, posicionados em um contexto de morte, são opostos um ao outro. Um foi uma triste memória de um mundo quebrado pela doença mental e violência. O outro foi o reconhecimento de uma vida em prol da dignidade humana. E é nessa tensão entre a dignidade e a fragilidade que todo humano nesse planeta vive, tentando encontrar um sentido em tudo isso.

Que é o Homem?

O salmo 8 representa uma ilha de esperança no Velho Testamento e atesta essa tensão tão real. É uma canção de Davi em que o autor reflete acerca da dignidade humana em face da fragilidade da humanidade. Os versos 4 a 8 dizem:

“Que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares”.

Note algumas coisas que esse Salmo ensina:

Apesar da fragilidade do homem e seu tamanho minúsculo se comparado aos pores do sol e extensões das montanhas, Deus o deu dignidade. Deus está atento ao homem.

Sobre todas as criaturas, Deus escolheu o homem para carregar a imago dei, a imagem de Deus. O Senhor coroou o homem com glória e com honra.

O homem foi designado por Deus para administrar a criação. O propósito de Deus para a criação foi de que todas as coisas estariam submetidas à humanidade.

Essas são três promessas maravilhosas sobre a capacidade e o plano para a humanidade. Mas, ao olharmos para o mundo e para a história humana, encontramos essas três coisas se concretizando?

Um investigação CSI: Mundo

Ao consideramos a humanidade no laboratório forense de nossos corações e mentes, encontramos uma história bem diferente acontecendo. Apesar das promessas de dignidade, a fragilidade parece constantemente ganhar o dia. Tentações abundam. O pecado flui excessivamente. As notícias nos apontam repetitivamente para assassinatos e corrupção, enquanto nossas vidas diárias produzem montanhas de descontentamento, desapontamento e descrença. Por favor, note que eu não estou pretendendo ser macabro. Estou, entretanto, procurando o realismo que apenas o Cristianismo pode dar. O autor de Hebreus segue essa linha de pensamento em Hebreus 2.8, em que considera o salmo 8 e diz:

“Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas”

O autor de Hebreus obviamente tinha uma propensão para o eufemismo. Nós ainda não vimos nenhum homem como um mordomo totalmente livre dominando sobre a criação como um representante da imago de Deus. Na verdade, vemos o oposto. Pecamos, e o pecado facilmente nos envolve (Hb 12.1). O que queremos fazer além da nossa capacidade e as coisas que odiamos por muitas vezes aparecem como nossa experiência habitual (Rm 7). Nos encontramos ansiando sem resposta por uma dignidade definitiva e pela liberdade da fragilidade. Mas a intenção de Deus nunca foi para que o homem caído retirasse a si mesmo de sua própria corrupção. Dignidade e fragilidade encontrariam reconciliação de outra forma bem mais radical e custosa.

Nós vemos Jesus

O autor de Hebreus leva seu processo de pensamento teológico a uma conclusão ao nos dizer que, como não vemos a mudança que procuramos em nossas próprias vidas, vemos sim a Ele:

“Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hb 2.9).

Deus soluciona a tensão do salmo 8 de uma forma totalmente inesperada. O Deus da criação reconcilia a dignidade e fragilidade humanas na encarnação de seu filho, Jesus Cristo. Na edição do “Comentário do uso do Novo Testamento no Velho Testamento” de DA Carson e GK Beale, lemos:

“Cristo, então, em sua solidariedade para com os seres humanos, foi capaz de trazer a realização completa da intenção do salmo… Ao adicionar humanidade à sua deidade através da encarnação, Cristo se juntou a nós em nossa fragilidade, nossa pequenez frente ao escopo da vasta criação. Ele se moveu de sua atmosfera pré-encarnada de poder e autoridade que empunha ao criar o mundo e assumiu um lugar menor na ordem criada. A fragilidade consequente desse movimento foi finalizada na morte do Filho por todos (Hb 2:8-9). Ainda assim, por causa do sofrimento e da morte, ele foi “coroado em glória e honra”, nas palavras do salmo. A dignidade dos humanos, garantida a Adão em seu lugar no mundo, vem ao completo cumprimento e expressão no Filho enquanto ele é feito Senhor de todas as coisas, todas as coisas sendo colocadas debaixo de seus pés”.

Jesus, como verdadeiramente Deus e homem, é também verdadeiramente digno e frágil. Ele é tanto Deus quando a imago de Deus. Ao provar a morte por aqueles que colocariam a sua fé nele, ele traça um caminho para que pecadores façam parte da intenção original de Deus para a humanidade, conforme expressa no salmo 8. Se a queda de Adão é o grande evento desumanizador na história humana, então, a encarnação do segundo Adão e sua subsequente morte e ressurreição é o re-humanizador daqueles que encontram salvação nele.

O que fazer

1. Admita a fragilidade da experiência humana. Discussões próximas ao Natal são um bom momento para se conectar com as vidas machucadas e quebradas a nossa volta. Apesar da sua aparência comemorativa, feriados festivos são algumas das épocas mais penosas para um grande segmento da nossa sociedade. A maioria das pessoas está procurando desesperadamente por alguém com quem passa ser transparente acerca de suas dificuldades. O cristianismo nos permite dizer francamente: “as coisas (ainda) não estão da maneira como deveriam ser”.

2. Admita o que você vê quando você se olha. Como o autor de Hebreus diz, se estivéssemos trabalhando com evidências forenses, ao olharmos para nós mesmos, não veríamos a dignidade que desejamos. Não vemos a mudança pela qual oramos. Certamente, pela providência e ao longo do tempo, nós experimentamos a santificação da graça de Deus. Mas, quando olhamos para nós mesmo, sempre percebemos uma falta.

3. Olhe para Jesus. Esse é o maior ponto do autor de Hebreus. Pare de olhar para si mesmo para completar o que diz o salmo 8. Deus queria que Jesus fizesse isso. Apenas ele, em sua encarnação, abarca os requisitos necessários para se alcançar a salvação. Apenas ele, em sua fragilidade, pôde testar a morte e apenas ele foi digno de conquistá-la.

4. Viva dessa verdade. Se nós podemos, pela graça de Deus, começar a olhar menos para nós mesmos e mais para Jesus, então começaremos a mudar. Começamos a viver uma vida conforme o evangelho (Gálatas 2.14) ao sermos transformados na imagem daquele homem coroado com glória e honra, ainda Jesus (2 Co 3.18).

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cristo não é Senhor dos que correm, mas dos quais se compadece


Por Jorge Fernandes Isah
Há um trecho na Escritura que sempre me comoveu desde que o li, a primeira vez, logo após a minha conversão. As palavras de Jesus soavam duras demais para os meus ouvidos sensíveis e pouco acostumados com a verdade; e não considerava o caráter justo de Deus, muito menos a sua obra como eficaz, na qual ele veria o fruto do seu trabalho e se satisfaria; o que vale dizer que Cristo considerou a sua obra concluída, acabada e não por terminar, como querem alguns, ainda que inconscientemente [Is 53.11].

A maioria utiliza-no em seu caráter santificador, com perguntas do tipo: Você conhece Jesus?... Você obedece a Deus?... O seu entendimento sobre Cristo é apenas cognitivo?... Quando vai conhecê-lo em seu coração? Ou afirmações parecidas com: Você tem de viver o Evangelho... Não basta crer, pois até os demônios crêem... O seu relacionamento tem de ser pessoal com Deus. E por aí afora...[1]

Não estou dizendo que as perguntas e as afirmativas estão erradas, mas elas falham em compreender algo fundamental e que tem sido relegado a um ponto senão obscuro, ininteligível, para nós; e toda vez que o trecho é comentado ou usado, emprega-mo-lo como se destinado exclusivamente para fariseus, hereges e ímpios; porém há algo muito mais fantástico em sua sentença, algo que me emociona sobremaneira, hoje mais que ontem: o esforço pessoal é irrelevante para Deus, pois importa-lhe tão somente os eleitos, aqueles que escolheu por sua vontade. E ponto final.

Estou a defender o antinomismo? De forma alguma! Acontece que a lei não é objeto de salvação, mas o salvo tem prazer em cumpri-la[2]. Enquanto, para o ímpio, resta obedecer-lha, em seu caráter temporal, para não ser punido, sem que haja qualquer prazer em sujeitar-se. E nem mesmo a lei é o que separa eleitos de réprobos, salvos de condenados, mas a eleição eficaz de Deus, a qual determinou a condição de cada um dos seres humanos; como está escrito: “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” [Mt 25.33, 34, 41]. Os santos não foram incluídos no Reino por um sistema de recompensa, como uma “bonificação” aos obedientes, um prêmio aos que se mantêm fiéis a Deus; mas o Reino foi criado para os eleitos, os santos, antes da fundação do mundo, como o lugar onde todos os escolhidos reinarão “com toda a sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” [Ef 1.3]. Por isso, ele nos elegeu antes da Criação, para sermos “santos e irrepreensíveis diante dele em amor” [Ef 1.4]; e “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” [Ef 1.5-6].

A ação divina não é passiva, do tipo, Deus viu que o homem se salvaria, se santificaria, se esforçaria em entrar no Reino, aceitaria-no e, então, somente então, Deus o predestinaria e o elegeria. Mas que eleição é essa onde o eleito é quem se auto-predestina? Onde o escolhido se auto-escolhe e impõe a sua escolha por seus próprios méritos para aquele que o predestinou? O que vem primeiro, a predestinação ou o esforço do eleito em satisfazê-la, e por isso, ser predestinado? Seria o mesmo que dizer que alguém se afogou antes de entrar na água. A predestinação, por mais que se queira distorcer o seu sentido, tem somente uma definição, de acordo com o Priberam:

predestinar - (latim praedestino, -are)
v. tr.
1. Eleger desde a eternidade (ex.: afirmou que Deus predestina os justos).
2. Destinar para grandes coisas ou para determinado fim. = eleger
3. Destinar com antecedência


Ora, predestinar é claramente a atitude de destinar antecipadamente, de previamente decidir, e não o ato de antever o que irá acontecer e então determinar que aconteça. E, então, fica a pergunta: quem garantiu que o evento aconteceria? Deus? O homem? O acaso? Forças impessoais? Ou a cooperação mútua dessas forças? O que não entendo é: se Deus viu o que iria acontecer, como algo certo, visto tê-lo previsto, por que o determinaria já que o fato é, em si mesmo, exequível em sua realização, e não dependeu da sua vontade ou decisão para ser observado? Pelo contrário, o fato previsto seria soberanamente livre, impedindo que Deus agisse para mudá-lo, ainda que não fosse do seu agrado. Isso não levaria à conclusão de que esse "Deus" antes de ser pessoal é um "Deus" impessoal? E a presdestinação, assim como a eleição, não passaria de uma piada sem graça, um xiste, que tornaria esse "Deus" num mero espectador, a endossar obrigatoriamente até mesmo o que lhe contrariaria? Em outras palavras, a sua soberania seria uma lenda, e tudo, desde a Criação, teria de ter outra explicação; tudo, na verdade, não poderia vir da vontade desse "Deus", mas de outra força, pois o que ele faz é consentir que cada evento ocorra como visto, e a sua vontade seja adequada a cada evento de tal forma que eles permaneçam imutáveis. A vontade dele se subordinaria à inexorável realização do ato antevisto. Por todos os lados, o que temos aqui não é o Deus bíblico, mas um "Deus" impotente, escravo da visão; um "Deus" transitivo quando a revelação nos apresenta o Deus intransitivo, completo e perfeito em si mesmo. Contudo, estou saindo do foco desta postagem, ainda que este seja um elemento pertinente a ela...

Voltando à vaca-fria, do ponto de vista humano, seria possível se equilibrar em uma corda-bamba, sem pára-quedas, dez mil pés de altitude, com ar rarefeito, rajadas fortes de vento, chuvas, gelo, e a gravidade puxando-o incontinênti para baixo?[3]. Como manter-se assim, por si só? Quais forças o sustentariam, impedindo-o de despencar em queda-livre? De ser tragado no espaço? Essa é a condição do homem diante do pecado e da condenação; fatalmente será sugado por eles, destruído, se Deus não agir ativamente, em todo o processo, sustentando-o na corda-bamba. Na verdade, ele nos tirou dela, e nos colocou são e salvos no chão, em terra firme, enquanto quem tomou o nosso lugar foi Cristo. E os ímpios? Os que não se esborracharam ainda no chão? Estão precipitados no ar, a espera de juntarem-se aos corpos estatelados no abismo.

Mas, esse não é o trecho em questão, que me comoveu nos últimos anos. Então, qual é?

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” [Mt 7.21]

Bem, a exigência de obediência está evidente, não é? Claro! Somente entrarão nos céus aqueles que fazem a vontade do Pai, certo? Sim. Então, onde está o problema apontado por você? De haver uma leve distorção nesse ensino? Respondendo a mim mesmo, pergunto: quem faz a vontade do Pai? Alguém, entre nós, é capaz disso? Há de se entender que a vontade divina não é uma parte, nem fração ou divisão. Não são peças de um quebra-cabeças que se vai montando; ela é pronta e acabada, não restando o que pôr ou retirar. O Senhor referiu-se a ela como “a vontade”, única, inseparável, não-repartida. Assim, quem se habilita ao Reino dos céus?

Seguindo o esquema soteriológico vigente no presente século, Cristo morreu por todos, e cabe a cada um dentre todos, alcançá-lo por seus próprios meios, como um feito, uma obra pessoal. Segundo esse mesmo sistema, o homem pode conseguir salvar-se mas pode perder-se novamente ao falhar em cumprir a vontade do Pai. Mas não bastaria uma falha para tudo ir por água abaixo? Ou seja, mesmo que Cristo tenha morrido por todos, é possível que ninguém seja salvo, pois o princípio da obediência é a vontade divina como um todo, completa, não uma partícula, não uma seção; visto a salvação vir pela fé em Cristo, mas a fé não ser suficiente, pois se tem de, ainda que seja no ato inicial, alcançá-la pelo esforço individual de aceitar aquilo que está sendo proposto.

O arrependimento não justifica o erro, nem pode anulá-lo. O arrependimento é o agradecimento por, ainda que errando, Deus nos haver perdoado; é o reconhecimento daquilo que fez ao anular a dívida que tínhamos, pelo sacrifício de Cristo na cruz. O arrependimento não pode nos livrar da condenação, por isso, Judas permaneceu condenado em seus pecados, mesmo reconhecendo seus erros. Uma dívida não pode ser paga a menos que seja quitada. Como não nos foi possível remi-la, Jesus tomou o nosso lugar e, "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz" [Cl 2.14]; perdoando-nos todas as ofensas. Elas foram pagas de uma só vez, pela obediência completa do Filho de Deus, não sendo possível imputar a quem foi perdoado nova condenação. No tribunal de Cristo não há recursos nem apelações, dívida paga, dívida quitada, não há débitos, nem a possibilidade de serem reavidos, cobrados e pagos outra vez. Por isso, Paulo diz que é impossível ao salvo recair e ser novamente renovado para o arrependimento; se tal coisa acontecesse, "de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério" [Hb 6.6].

Voltando ao exemplo do homem em queda-livre, sem pára-quedas, o que pode ele fazer além de esperar por um milagre? Nada. É o caso do homem em relação à sua salvação. Não lhe resta nada a fazer, pois o que foi feito por Cristo é plenamente eficaz, de tal forma que nenhum acréscimo é-lhe permitido, sendo perfeito, e ao perfeito não se adiciona coisa alguma. Porque ele, e somente ele, foi capaz de satisfazer toda a vontade do Pai; de obedecê-la integralmente, sem falhas nem tropeços, equilibrando-se na corda-bamba de ponta a ponta, dominando-se a si mesmo sem inclinar-se para um lado ou outro do abismo. Por isso, tem a autoridade para responder aos réprobos: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” [Mt 7.22-23].

Há alguns aspectos a serem abordados aqui:
1) Ímpios podem ser usados por Deus para fazerem a sua obra, segundo a sua vontade, já que também são servos, como tudo o que foi criado está-lhe sujeito e a servi-lo. Portanto, haverá nessa lista de “desconhecidos do Senhor”, pastores, missionários, teólogos, e mesmo pessoas que, aos olhos humanos e carnais, eram irrepreensíveis, assim como Paulo era entre os judeus [Fp 3.6].
2) Eles podem fazer muitas coisas, como: profetizar, expulsar demônios e outras maravilhas, mas isso não lhes assegurará a participação no Reino; evidência de que, como disse no início deste texto, Deus não se importa com o nosso esforço pessoal, o qual nada vale se não for como conseqüência dele nos conhecer, predestinar, chamar, justificar e glorificar; verbos que guardam em si ações diretas, ativas de Deus na vida daqueles que destinou a “serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” [Rm 8.29].
3) A despeito de tudo o que fizeram, em nome de Cristo, ele lhes dirá abertamente: “Nunca vos conheci”. Essa afirmação guarda um tesouro, não para os desconhecidos, mas para os conhecidos. Dirão alguns que isso é a prova da presciência, da antevisão divina, assim como um vidente vê o futuro, apenas e tão somente, sem poder intervir nele. A palavra “conheci” procede do grego ginosko[4] indicando “ter a ver com”, “conhecer pessoalmente”. Cristo quis dizer que “não tinha nada a ver com aqueles homens”, “que nunca teve nada a ver com eles”, “que os desconhecia”, por isso deviam apartar-se dele. Fica a pergunta: se Cristo morreu por eles, como era possível que não os conhecesse e tivesse um conhecimento pessoal? Em contrapartida, aqueles que “conhece”, têm tudo a ver consigo, são-lhe íntimos, têm uma relação estreita, ao ponto do Pai vê-los por intermédio do Filho, que satisfaz a sua vontade. E a satisfez plenamente na cruz, ao morrer por aqueles que o Pai lhe deu, os quais jamais se perderão e sairão das suas mãos. Cristo morreu por suas ovelhas apenas, não por todas, e ele mesmo se encarregou de agregar as que ainda não estavam em seu aprisco... e elas ouvirão a sua voz, “e haverá um rebanho e um Pastor” [Jo 10.16]. Por isso, Cristo ainda diz: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós... Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” [Jo 15.16, 17.9].

A relação aqui é de posse; somos de Cristo, assim como somos do Pai, o mundo não é de Cristo, no sentido específico da salvação, do ato expiatório do Senhor ser objetivado aos eleitos, e não à humanidade genericamente. Somos de Cristo, pois, por nós, morreu, resgatando-nos com o seu próprio sangue [At 20.28]. A segurança do eleito está nele, o qual nos conhece, e destinou-nos infalivelmente a que o conhecêssemos. Em outras palavras, Cristo nos conhece, e não há a menor chance daqueles que conhece não o conhecê-lo. Por isso, além de revelar a qualidade moral da obediência [no que todos os cristãos concordam], a qual é o padrão para fazer parte do Reino, incontestavelmente o trecho da Escritura reivindica a salvação e a reprovaçao como escolhas diretas de Deus sobre os homens, adquirindo o sentido exato de que a verdade comunicada é esta: “assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que se compadece... Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” [Rm 9.16, 18].

O que o Paulo quer dizer com isso? Você curou? Ótimo, mas não confie na cura que fez... Profetizou? Não confie em sua profecia... Expulsou demônios? Isso não lhe garante nada... Fez milagres? Cuidado!.. Fez maravilhas? E daí?... Se Deus falou por intermédio de uma jumenta, e usou ímpios como Ciro, Balaão e Judas para realizarem feitos muito maiores do que esses; por que não pode usá-lo? E, mesmo assim, nem o animal ou aqueles homens foram salvos, antes foram condenados, “para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama” [Rm 9.11]. Logo, o que impede Deus de usá-lo na pregação, no evangelismo, no sustento ministerial, e ainda assim condená-lo?

Para concluir, mais duas colocações:

Primeira, como já disse, não estou defendendo nenhum conceito antinomiano, nem de que as exortações da Bíblia para que busquemos a Deus, obedeça-mo-lo, e sejamos santos como ele é santo, são inúteis e incapazes de serem cumpridas. Nada disso! A obediência não é um salvo-conduto para se ingressar no Reino, pelo contrário, se não houver o chamado divino, e Deus não o capacitar a realizar esses e outros feitos para a sua glória, nem mesmo a maior de todas as maravilhas o impedirá de ir para o inferno. Servir a Deus e ser-lhe obediente são consequências e não causas da salvação. O eleito, após a regeneração, deverá buscar, se esforçar, e lutar para, dia após dia, ser transformado à imagem de Cristo, não como algo intrínseco à sua natureza, mas como dádiva do Senhor pela qual somos, nos movemos e existimos. Em outras palavras, se o eleito busca, se esforça e luta para ser como o seu Senhor, é porque Deus opera nele até mesmo nos pensamentos e desejos menos evidenciáveis, de tal forma que se cumpra a promessa de Deus tê-lo elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade... para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo [2Ts 2.13-14].

Segunda, o entendimento da soberania de Deus não é algo que pode ser mudado conforme a nossa conveniência. Algo que sempre me trouxe paz é saber que, mesmo numa eventual não-eleição [como uma hipótese], e sendo condenado ao fogo do inferno, eu daria glória a Deus, bendiria-o, e declararia a todos a sua santidade, perfeição, justiça, mesmo em meio as labaredas eternas, pois a sua vontade irretocável cumprir-se-ia soberanamente.

Com isso, não estou a duvidar da minha salvação e eleição, mas reconhecer que o Senhor permanece o que é e sempre foi, que a sua natureza não pode ser abalada em nenhum aspecto, ainda que o inferno fosse o meu destino. Não está errado reconhecer a justiça e perfeição divinas por nos salvar; mas o fato de não ser salvo, e estar destinado à condenação, não o tornaria injusto, mau ou tirano. Por ser essa a sua vontade e, portanto, santa e perfeita.
Fazendo uma analogia, utilizando-me de um trecho do livro de Jó, Deus permanece Deus a despeito da minha condição e situação, pois "nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" [Jó 2.21].

Ele entendeu isso. Cabe-nos fazer o mesmo.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Waldson & Dênis

Minha esposa Dênis, minha metade esse mês completamos 21 anos de casados.
 
LOUVO A DEUS PELAS MISERICÓRDIAS DELE SOBRE A MINHA E AS NOSSAS VIDAS.PEÇO-TE PERDÃO E ALMEJO COMPLETAR MAIS ANOS JUNTOS. BODAS DE OURO DIAMANTE, MUITO MAIS. TE AMO MUITO E NÃO SEI VIVER SEM VOCÊ.
TEM COISAS NA VIDA QUE NOS ARREPENDEMOS MAIS VC FOI UM DOS MELHORES PRESENTE QUE DEUS ME DEU.
 
 

VENÇA A AMARGURA! MAS COMO?


Por Josemar Bessa

Onde a Graça não reina raízes de amargura fincam-se no solo do coração. Raízes crescem para baixo, indo cada vez mais fundo e se fixando de maneira ser impossível não gerar na parte externa seus frutos danosos: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” - Hebreus 12.15

Os frutos da amargura não ficam circunscritos ao amargurado, mais contamina muitos, causando estragos que vai muito além do coração onde ela fincou raízes. Mas como matar essa raiz?

1) Diariamente lembre-se que os seus pecados contra Deus, que já foram perdoados em Cristo, são muito maiores do que qualquer pecado que outras pessoas possam cometer contra você, e que o padrão pelo qual você deve perdoar os outros é o quanto Deus perdoou você: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” - Efésios 4.32 – “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” - Efésios 4.32.

2) Conscientemente repudie todas as formas de amargura e se recuse a se tornar um agravante nas dores dos outros: “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós,” - Efésios 4.31

3) Confesse a Deus imediatamente o seu sentimento contrário ao claro ensino bíblico para que a amargura não renda terreno a Satanás, dando a ele lugar em sua vida: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo” - Efésios 4.26-27

4) Lembre-se que nenhuma lesão ou ofensa que você experimentou, ou vai experimentar, pode se comparar com a ofensa que Cristo recebeu e mesmo assim orou: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" - Lucas 23.34

5) Perdoe de coração aqueles que o magoaram, real ou imaginariamente, intencional ou não intencionalmente: “Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” - Mateus 18.35

6) Lembre conscientemente de José (“Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida” - Gênesis 50.20) – Não esqueça, se de fato você é uma pessoa regenerada, então, Deus está sempre trabalhando nos bastidores ocultos para seu bem, para transformá-lo na mesma imagem de Cristo: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” - Romanos 8.28-29

7) Nunca se vingue ou tente fazer as pessoas pagarem por seus pecados – “Não vos vingueis a vós mesmos, amados... porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor” - Romanos 12.19 – Deus toma para si a justa atribuição de fazer justiça com todos os homens – ou punindo-os por seus pecados, ou, se houver verdadeiro arrependimento, punindo o pecado deles em Cristo: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” - 1 Pedro 3.18

8) Lembre-se diariamente que a ira de Deus contra você e seu pecado, foi propiciado por Cristo – “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” - Romanos 3.25 – “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados...” - 1 João 2:1-2 – Ou seja, você não tem o direito bíblico abrigar raiva e ressentimento em relação a outra pessoa.

9) Humilhe-se e peça perdão para as pessoas contra as quais você foi amargo – “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta” - Mateus 5.23-24

10) Abençoe aqueles que te machucaram; vença o mal com o bem: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” - Romanos 12.19-21

11) Lembre que o amor cobre uma multidão de pecados: “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados” - 1 Pedro 4.8

12) Ativamente e intencionalmente opte por não se lembrar dos erros que os outros cometeram contra você. Ativamente escolher não lembrar é diferente de esquecer. Em Jeremias 31.34, Deus diz que “não vai mais lembrar” os pecados do seu povo. Isso não é uma falha de memória ou esquecimento. É uma escolha consciente de Deus de não reter mais o nosso pecado contra nós. Temos que fazer o mesmo com o pecado dos outros.

13) Destrua as “listas de pecados” cometidos contra você, mentais ou reais: “...não se ira facilmente, não guarda rancor” - 1 Coríntios 13:5

14) Se estiver em seu poder e possibilidade, faça as pazes com os outros: “Façam todo o possível para viver em paz com todos” - Romanos 12.18 – Mas se não for possível, ou seja, outra pessoa escolhe permanecer seu inimigo, ame e ore por ele, enquanto você está comprometido em obedecer a Deus, mesmo nessa situação o seu coração ficará livre de amargura: “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” - Mateus 5.44

15) Confie em Deus para julgar com justiça: “Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” - 1 Pedro 2.23

Essa é a única opção para um filho de Deus: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” - Hebreus 12.15

De volta ao evangelho


Por Rev. Hernandes Dias Lopes

O evangelho é a melhor notícia que já ecoou nos ouvidos da história. É a boa nova da salvação vinda de Deus a pecadores perdidos. É o transbordamento do amor divino aos filhos da ira. É a graça sem par a pessoas indignas. É a misericórdia estendida a indivíduos arruinados. O evangelho é o novo e vivo caminho que Deus abriu desde o céu para o céu. Esse não é o caminho das obras, mas da graça. Não é o caminho do mérito, mas da oferta gratuita. Não é o caminho da religião, mas da cruz. A salvação é uma obra monergística de Deus, trazendo libertação aos cativos, redenção aos escravos e vida aos mortos.

Com respeito ao evangelho, precisamos estar alertas sobre alguns perigos. Tanto no passado como no presente, ataques frontais foram e ainda são feitos para esvaziar o evangelho, distorcer o evangelho e substituir o evangelho por outro evangelho, que em essência, não tem nada de evangelho. Quais são esses perigos?

Em primeiro lugar, o perigo de substituir o evangelho da graça pelo evangelho das obras. O mundo odeia o evangelho, porque este é um golpe fatal em seu orgulho. O evangelho anula completamente qualquer possibilidade do homem vangloriar-se. Reduz o homem à sua condição de completo desamparo. Mostra sua ruína absoluta, sua depravação total, sua escravidão ao diabo, ao mundo e à carne, sua corrupção moral e sua morte espiritual. A tentativa do homem chegar-se a Deus pelo caminho das obras é tão impossível como tentar construir uma torre até aos céus. O apóstolo Paulo diz aos judaizantes que estavam perturbando a igreja e pervertendo o evangelho, induzindo as pessoas a praticarem as obras da lei para serem salvas, que isso é um outro evangelho, um evangelho falso, que desemboca na ruína e na perdição.

Em segundo lugar, o perigo de substituir o evangelho da cruz pelo evangelho da prosperidade. Prolifera em nossos dias os pregadores da conveniência, os embaixadores do lucro em nome da fé. Multiplicam-se neste canteiro fértil da ganância, homens inescrupulosos que mercadejam a palavra de Deus, fazendo da igreja uma empresa, do púlpito um balcão, do evangelho um produto híbrido, do templo uma praça de negócios e dos crentes consumidores. O vetor desses obreiros da iniquidade é o lucro. Pregam para agradar. Pregam para atrair as multidões com uma oferta de riqueza na terra e não de um tesouro no céu. Torcem as Escrituras, manipulam os ouvintes, enganam os incautos, para se locupletarem. Sonegam ao povo a mensagem da cruz, a oferta da graça, a mensagem da reconciliação por meio do sangue de Cristo. Embora esses pregadores consigam popularidade estão desprovidos da verdade. Embora reúnam multidões para ouvi-los, não oferecem aos famintos o Pão do céu. Embora, se vangloriem de suas robustas riquezas acumuladas na terra, são miseravelmente pobres na avaliação do céu.

Em terceiro lugar, o perigo de se pregar o evangelho sem o poder do Espírito Santo. Se a pregação do falso evangelho das obras e da prosperidade é um negação do genuíno evangelho, a pregação do verdadeiro evangelho sem o poder do Espírito é uma conspiração contra o evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Nele se manifesta a justiça de Deus. Não podemos pregá-lo sem a virtude do Espírito Santo. O pregador precisa ser um vaso limpo antes de ser um canal de bênção. Precisa viver com Deus antes de falar em nome de Deus. O pregador precisa ser cheio do Espírito antes de ser usado pelo Espírito. Se a pregação do evangelho é lógica em fogo, a mensagem do evangelho precisa queimar no coração do pregador antes de inflamar os ouvintes. Precisamos desesperadamente de um reavivamento nos púlpitos. Precisamos voltar ao evangelho!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O grande ‘sim’ de Deus

 
Por Maurício Zágari
Quem olha de fora, lê slogans como “Pare de sofrer” e “Uma igreja que faz vencedores” deve achar que a vida do cristão é muito fácil. Afinal, em nosso triunfalismo, parece que servir Cristo é um grande carnaval, uma festa eterna, uma chuva de bênçãos. Prosperidade é o tom do momento. Alegria todo dia. Viver feliz da vida. E é o que a Bíblia diz, não é? Em  Marcos 8.34, por exemplo, lemos as palavras de Jesus: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Opa. Espere um pouco. Tem algo estranho aí. Negar a si mesmo? Tomar sua cruz? Isso soa como algo sacrificante. Parece ter a ver com abrir mão de coisas que nos são importantes. Negar-se significa dizer “não” para si mesmo. Então, se quisermos viver com Jesus Ele deixa claro que vamos ter de dizer “não” para o espelho. Mas… como assim? Em quê? O que afinal é esse “negar-se”, apontado por Jesus como o centro do alvo?

Em primeiro lugar, é dizer não para os prazeres do mundo. “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (2 Tm 3.1-4).  

“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3).  
“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1).

Essas e outras passagens deixam claro que os prazeres deste mundo não coadunam com o gozo eterno. Que dificuldade! Admitamos, como é difícil abrir mão das nossas vaidades e nossos benefícios em prol de uma esperança que não vemos! Nós, humanos, buscamos instintivamente o que nos dá prazer. Comemos doces e coisas gordurosas sabendo que nos fazem mal. Mas é tão gostoso! Só que é tão nocivo… Portanto, a Bíblia é clara: para andar no Caminho estreito que leva à Porta estreita é preciso caminhar na contramão de nós mesmos e de nossas concupiscências.

Dizer “não” para si mesmo também significa soltar as rédeas de nossa vida e confiar que Deus a está levando para o lugar certo. É abrir mão de planos pessoais, conformar-se com os rumos indesejados que o Senhor dá a nosso futuro, é lançar-se no vazio tendo a certeza de que o Criador está no controle. “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios” (Salmos 37.5-7). Entregar nosso caminho ao Senhor… que coisa difícil para seres tão independentes como nós. Mas é preciso, pois a promessa é que, se o fizermos, confiando, o mais o Todo-Poderoso fará.

Negar-se a si mesmo também implica em dizer não para antigas prioridades e atitudes. É deixar de lado uma carreira bem remunerada no meio secular para devotar seu tempo às coisas de Deus. É abrir mão de um relacionamento afetivo com um não cristão por saber que o jugo desigual desagrada Cristo. É perder o emprego por recusar-se a fazer algo antiético que lhe é exigido. Negar-se é, em outras palavras, priorizar Cristo em tudo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;  e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.  Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará” (Mateus 10.37-40).

Negar-se a si mesmo é também engolir o orgulho e reconhecer o erro. É saber dizer não para o amor-próprio e admitir que pecou. E então ter a humildade de abaixar a cabeça, ralar os joelhos e deixar seu pedido de perdão sair pelos olhos e por urros de contrição. Quando o amor-próprio é maior do que a capacidade de reconhecer o pecado diante de Deus, confessá-lo e abandoná-lo é sinal que estamos a anos-luz de distância de negar-nos a nós mesmos. “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” (Provérbios 28.13).

Negar-se a si mesmo é também pôr o outro acima de si. É preferir o outro em honra, mesmo sabendo que ele é menos capaz, correto, digno ou santo do que você. É dar a outra face para quem não merece. É abençoar os que te perseguem, alegrar-se com os que se alegram, chorar com os que choram, não tornar a ninguém mal por mal; não se vingar a si mesmo. E, se o teu inimigo tiver fome, dar-lhe de comer; se tiver sede, dar-lhe de beber; é não se deixar vencer do mal, mas vencer o mal com o bem; é amar os inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam; bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos caluniam; ao que te bater numa face, oferecer-lhe também a outra; e, ao que tirar a capa, deixá-lo levar também a túnica.

Isso tudo é difícil até a medula. Mas se não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim… temos que viver conforme a natureza dele.

Você nunca vai me ouvir dizer que ser cristão é fácil. Não é. Quem prega isso está mentindo. Pois quem em sã consciência diria que tomar uma cruz é fácil? Arrastar um tronco de mais de 90 quilos por quilômetros é tarefa para leão. Não, negar-se a si mesmo, tomar sua cruz e seguir nos passos do Mestre é doloroso, sacrificante, mortificante.

Muitos, ao lerem isso, poderiam então se perguntar: mas se a vida do cristão significa tanta abnegação e sofrimento, por que seguir Cristo? Eu respondo: porque o que importa não é a vida do cristão, é a morte. Pois, depois que tivermos de nos dizer “não” tantas vezes, nos depararemos com a realidade de que “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2.9).

Vale a pena dizer “não” a si mesmo nesta vida e o fazemos com prazer, se conseguimos enxergar essa suprema verdade do Evangelho: que a vida eterna é o grande “sim” de Deus para cada um de seus eleitos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício